O Paraná Mais Orgânico (PMO) é iniciativa do Estado do Paraná que tem como objetivo orientar e certificar produtores orgânicos. Sendo o primeiro programa de certificação gratuito do Brasil, o PMO surgiu a partir da constatação de que o modelo de produção e consumo de alimentos no país poderia ser melhorado. Baseado nos agrotóxicos e fertilizantes minerais, esse tipo de produção, quando mal manejado, tem causado impactos negativos no meio ambiente e afetado a saúde da população, levando o mercado a prestar cada vez mais atenção aos produtos orgânicos.
Com núcleos em todas as universidades estaduais do Paraná, o programa tem colaborado para que o estado tenha o maior número de produtores certificados no país, sendo responsável por 47,7% dos certificados paranaenses. O núcleo Unicentro, formado por equipe de quatro agrônomos e um técnico em agroecologia, certificou cerca de 70 produtores só no ano de 2023. O processo de certificação não tem custo para o produtor, a equipe visita as propriedades, avalia a produção e elabora plano de manejo individualizado. Tudo isso de modo a indicar as conformidades e não conformidades de acordo com a Lei de Orgânicos e ajudar na transição do modelo convencional para o orgânico.
Existem três formas possíveis de certificação prevista em lei: auditada, Organização de Controle Social (OCS) e participativa. O PMO atua nas três formas de certificação. Para ter sua produção certificada é muito simples, basta entrar em contato com núcleo do Paraná Mais Orgânico através do telefone (42) 3629-8259 ou das redes sociais e a equipe irá te orientar.
Vale lembrar que o Estado do Paraná tem um decreto para tornar a alimentação escolar 100% orgânica até 2030 e parte dessa produção virá da agricultura familiar. Dessa forma, têm sido feitos cada vez mais investimentos para incentivar os pequenos produtores.
A Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), por intermédio do Laboratório de Microbiologia e Microbiologia (LAMIBI) e do Programa de Pós-Graduação em Conservação e Manejo de Recursos Naturais (PPRN), estabelece uma colaboração sinérgica com o setor produtivo agropecuário. O engajamento é fortalecido por meio do apoio de órgãos de fomento, como a Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação (SETI) e a Fundação Araucária, que contribuem com financiamento por intermédio dos Núcleos de Pesquisa e Inovação Avançada (NAPIs).
O trabalho do LAMIBI e do PPRN é um dos destaques no 36ª Show Rural Coopavel, evento que abre oficialmente o calendário do agronegócio nacional, em Cascavel, no Oeste do Paraná, 5 a 9 de fevereiro. A Unioeste está com um espaço de exposição no evento, um dos mais importantes na área tanto no Brasil como no exterior. O projeto faz parte do AgriTech Symbiosis Labs criado pela Unioeste para auxiliar no atendimento às empresas.
As ações dessas unidades de pesquisa existem há mais de uma década e contam também com a participação de empresas parceiras, sob a coordenação da professora doutora Fabiana Gisele da Silva Pinto. “O objetivo é fomentar a criação de bioinsumos microbiológicos, bioprodutos e nanotecnologias com aplicações específicas no âmbito agroalimentar”, frisa Fabiana.
A professora conta que nos últimos três anos houve um foco maior em parcerias. “Esse incremento se deve à busca contínua das empresas pelo desenvolvimento, inovação e adoção de novas tecnologias, especialmente aquelas relacionadas à criação de produtos biológicos inovadores”.
Sobre as perspectivas futuras, a pesquisadora conta que no decorrer do projeto, existe um plano estratégico com objetivo de desenvolver novos produtos biológicos, abrangendo diversas funções biológicas, entre elas a criação de um NPK biológico. “Nosso foco permanecerá na busca por soluções que proporcionem um custo-benefício vantajoso para a produção agrícola, ao mesmo tempo em que priorizamos a promoção da saúde e bem-estar nas esferas humana, animal e ecológica”, menciona Fabiana.
Fabiana diz que é meta não apenas aprimorar as características e funcionalidades dos produtos já existentes, mas também explorar novas possibilidades que contribuam para uma agricultura mais equilibrada e amigável ao meio ambiente. “A criação de produtos biológicos inovadores não apenas promove avanços científicos, mas também contribui para a formação de profissionais qualificados e engajados com os desafios contemporâneos.”
Show Rural
Para a coordenadora do projeto, levar a ação ao Show Rural é uma estratégia crucial para ampliar a visibilidade da Unioeste, destacando-a como uma instituição comprometida com a inovação não apenas nacionalmente, mas também internacionalmente. “A participação no evento possibilita que o projeto seja reconhecido por um público diversificado, incluindo agricultores, pesquisadores, empresários e profissionais do setor agrícola”, cita.
Conforme a coordenadora, a utilização de bioinsumos microbiológicos e bioprodutos na redução da presença de substâncias tóxicas nos cultivos, promove a produção de alimentos mais seguros e saudáveis. “Além disso, tais produtos favorecem a preservação da biodiversidade do solo e ecossistemas agrícolas, promovendo práticas agrícolas mais sustentáveis”, frisa.
Fabiana evidencia que a aplicação de nanotecnologias no contexto agroalimentar oferece vantagens significativas, permitindo a liberação controlada de nutrientes, melhorando a eficiência do uso de insumos e reduzindo desperdícios. “A transição para essas soluções biológicas não apenas atende às demandas por inovação no setor, mas também contribui para a construção de um modelo agrícola mais sustentável e alinhado com as crescentes preocupações ambientais”.
Ao destacar a importância da participação no Show Rural Coopavel, a pesquisadora acredita que o espaço de divulgação é uma oportunidade única para estabelecer parcerias estratégicas com outras instituições, empresas e organizações presentes. “Essas colaborações têm o potencial de potencializar o impacto do projeto, abrindo portas para novas oportunidades de pesquisa e desenvolvimento, bem como facilitando a implementação prática das inovações propostas”.
Texto: Mara Vitorino
Equipe multidisciplinar avaliou o potencial de biodegradação de um material alternativo ao plástico convencional, produzido a partir de subprodutos como bagaço de malte
Você já imaginou utilizar sacolas feitas de bagaço de malte? Essa foi uma das 22 pesquisas vencedoras do Seminário de Iniciação Científica e Tecnológica (Sicite), realizado em novembro no Campus Ponta Grossa. O projeto “Compostabilidade de biopolímeros” analisou diferentes filmes biodegradáveis feitos de bagaço de malte em processo de compostagem e foi desenvolvido pelas alunas de Engenharia Ambiental e Sanitária do Campus Londrina, Ane Louise Dionizio Mendes e Caroline Arisa Goto, sob orientação da professora Tatiane Cristina Dal Bosco.
As pesquisas passaram a contar com o apoio de uma equipe multidisciplinar, na qual, o desenvolvimento dos filmes foi feito por pesquisadores coordenados pela docente Marianne Ayumi Shirai e o monitoramento do processo de compostagem de modo automatizado, com dados de temperatura obtidos a cada 15 minutos, a partir de uma parceria com o projeto do professor de Engenharia Mecânica, Roger Nabeyama Michels.
Segundo a professora Marianne, esses filmes podem ser utilizados, por exemplo, para produção de sacolas visando transportar objetos não perfurantes. “A vantagem com relação aos filmes sintéticos tradicionais é que está utilizando subprodutos da indústria de alimentos como o bagaço de malte, coletado de uma cervejaria, e a farinha de trigo, extraída de trigo fora de padrão desejado pela indústria de panificação e de descarte. Somado a este fato, conseguimos produzir esses filmes biodegradáveis em equipamentos (extrusoras) geralmente empregada na produção de filmes convencionais, mostrando-se como uma alternativa sustentável”, completa.
A idealização do projeto começou com o trabalho de conclusão de curso da estudante do curso de Tecnologia em Alimentos. Isabella Cristina Santos Silva, com a orientação da professora Marianne. Ele ainda contou com a parceria do grupo de pesquisa sobre materiais biodegradáveis (Polibiotec) da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e a sua compostabilidade foi testada pela equipe de Engenharia Ambiental e Sanitária coordenados pela professora Tatiane.
De acordo com Tatiane Dal Bosco, foi observada uma boa descaracterização dos biopolímeros feitos com bagaço de malte, apresentando-se com aspecto mais fino e quebradiço e reduções de massa superiores a 50%, ao final do experimento. Em relação ao desempenho da compostagem, houve boa redução de volume, superando os 40%. “Assim, mostra-se que o processo de compostagem pode ser uma solução para a problemática do descarte inadequado dos resíduos sólidos orgânicos e dos biopolímeros, em substituição aos plásticos convencionais”, finaliza.
Pesquisadores do Campus Toledo desenvolveram uma solução em matriz vítrea que pode ser usada contra a bactéria
Uma solução inédita pode acabar com o problema da contaminação da bactéria Salmonella spp em aviários. Pesquisadores do Campus Toledo desenvolveram uma solução em matriz vítrea que pode ser usada em aplicação úmida (aspersão/borrifação) ou mesmo em pó para sanitização da cama de aviários. A Salmonella é encontrada na flora normal das aves e, além de representar um risco considerável para os consumidores, é um obstáculo significativo para as exportações desta carne.
A inovação foi desenvolvida pelo Grupo de Polímeros e Nanoestruturas e não é direcionada apenas para a Salmonella, mas, também, para outras bactérias e fungos: Pseudomonas aeruginosa, Klebsiella pneumoniae, Staphylococcus aureus, E. coli O157:H7, Listeria monocytogenes, Salmonella typhimurium, Salmonella enteritidis, Salmonella derby, Salmonella senftenberg, Salmonella choleraesuis, Salmonella Heidelberg, bem como os fungos Macrophomina phaseolina, Aspergillus niger e Sclerotinia sclerotiorum.
O projeto que estuda a síntese de vidros em prata começou a ser estudado pela equipe em 2017, uma abordagem clássica de usar metais para ação antimicrobiana. Atualmente, neste estudo que identifica o material vítreo para ser usado como ação biocida e sem adição de metais, estão envolvidos o professor Ricardo Schneider e a pós-doutoranda Gabrielle Peiter.
Segundo a pesquisadora Gabrielle, a aplicação de vidros como agentes antimicrobianos é um tópico inexplorado. Além disso, a síntese de vidros borofosfatos solúveis em água a baixa temperatura (<400 °C) permite a obtenção dos materiais em condições brandas em relação às condições usualmente empregadas (> 1000 °C). Desta forma, o material vítreo solúvel em água com ação antimicrobiana e amplo espectro de aplicação é inovador, pois não possui metais caracteristicamente aplicados (Ag, Cu e/ou Zn). “A capacidade de dissolução em água permite, por exemplo, a obtenção de géis com ação antimicrobiana com desempenho superior ao álcool em gel”, complementa.
O professor Ricardo Schneider destaca que a matriz desenvolvida pode ser obtida em temperaturas significativamente mais baixas do que as usadas na síntese de vidros convencionais. “Isso não apenas viabiliza a ampliação da escala de produção, mas, também, reduz o consumo energético do processo de síntese’’.
O Programa Nacional de Sanidade Avícola (PNSA), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento publicou uma Instrução Normativa nº 78 de 2003, a qual determina que toda granja de reprodutoras de aves deve ser sorológica e bacteriologicamente monitorada para detecção de Salmonella.
Atualmente, segundo pesquisa da Pecuária Municipal, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil é o segundo maior produtor mundial e líder na exportação de carne de frango para mais de 150 países. O Paraná se destaca, contribuindo com cerca de um terço da produção de carne de frango do Brasil.
Nesta quinta-feira, 21/09, Dia da Árvore, a Embrapa Florestas vai receber crianças e adolescentes para que conheçam mais sobre árvores, a presença de florestas em seu dia a dia, e diversas informações sobre pesquisa florestal. Em parceria com a Universidade Federal do Paraná ( por meio do Laboratório de Sustentabilidade e Benefícios da Floresta e do projeto “A Madeira Mágica”) e com a Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (Apre), as crianças vão visitar estações e conhecer: a importância dos plantios florestais e os produtos das florestas; araucária e erva-mate; a relação entre solos e florestas; quintal agroflorestal; serviços ambientais, polinização e controle biológico de pragas.
Todos estes assuntos serão tratados de forma interativa dentro da fazenda da Embrapa Florestas, com as crianças divididas em grupos, passando por estações onde cada um destes temas será tratado ao lado dos plantios florestais e áreas de pesquisa.
Data: 21/09
– Manhã: 8h30 às 11h – 75 crianças, de 8/9 anos (3º ano do Ensino Fundamental)
– Tarde: 14h às 16h – 25 crianças e adolescentes (11 a 18 anos)
– Local: Embrapa Florestas – Estrada da Ribeira, Km 111 – Colombo/PR.
(com assessoria Embrapa-PR)
Uma nova espécie de cigarrinha do milho está no Paraná. A Leptodelphax maculigera se alimenta de culturas do milho e gramíneas, o que pode causar prejuízos nas lavouras. A descoberta foi feita por pesquisadores da Universidade Estadual de Ponta Grossa, em agosto deste ano. Identificada primeiramente em Goiás e Rio Grande do Sul, o estudo da UEPG é o primeiro registro oficial da cigarrinha no Paraná.
A comprovação da presença do inseto indica que mais locais já estão afetados. “Provavelmente, a espécie já deve estar em todo o território brasileiro”, adverte o professor Orcial Bortolotto, coordenador da Fazenda Escola Capão da Onça (Fescon-UEPG).
Atualmente, o inseto é conhecido pelo potencial da transmissão do enfezamento fitoplasma (infecção da planta por bactérias) e do vírus da risca (que reduz a produção de grãos). “Ainda faltam estudos adicionais para de fato comprovar a capacidade deste inseto em transmitir doenças”, explica Orcial.
O estudo foi realizado em parceria com o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR), Escola Superior de Agricultura (Esalq) e Agronômica Consultoria. O primeiro registro no Paraná aconteceu em Londrina, com identificação oficial nos laboratórios da UEPG. “Coletamos alguns insetos e fizemos a leitura em laboratório, com extração em nível molecular, e foi encontrado o vírus no corpo desta cigarrinha”, conta. Pelo potencial de transmissão do vírus que carrega no corpo, a perda de lavoura do milho pode chegar de 20% a 30%. “É necessário ainda que se faça um trabalho complementar com esses insetos infectados. Isso acaba trazendo algumas preocupações para os produtores”, alerta o professor.
Medidas
Em setembro, a safra de milho está em sua fase inicial. Segundo Orcial, é se extrema importância que produtores realizem o monitoramento da lavoura e a presença de insetos – tanto a nova espécie, como a já conhecida na região, a Dalbulus maidis. “É importante que os produtores coloquem armadilhas nas lavouras para monitorar a chegada de cigarrinhas no campo, especialmente porque há algumas regiões aqui nos Campos Gerais de alta população de cigarrinhas nas armadilhas”.
A nova espécie é considerada exótica por ser originária do continente africano e ainda está em população inicial no Brasil. “Mesmo assim, há algumas fazendas em que, no intervalo de 3 a 5 dias, se observa a captura de 200 cigarrinhas em uma mesma armadilha”. Segundo o professor, isso se deve a um inverno mais ameno, de altas temperaturas, o que favorece a chegada do inseto.
Algumas das estratégias de controle são a padronização do calendário de plantio, dentro de uma janela próxima em uma região; a escolha de materiais híbridos ou tolerantes ao enfezamento; e combinação de inseticidas químicos ou biológicos, para manejo da praga. “Estamos no início do plantio de milho, em que produtores fazem duas safras de milho, e geralmente a segunda é mais grave a presença da cigarrinha, por isso é importante medidas de prevenção e controle da entrada do inseto”, completa.
Texto e Fotos: Jéssica Natal
Grupos de caçadores abatem apenas machos, deixando fêmeas e filhotes vivos para impulsionar a prática, favorecendo que a espécie se espalhe pelo país, causando impactos ambientais e na saúde
Os javalis, porcos selvagens que podem chegar a pesar até 250 quilos, foram listados entre as cem espécies mais invasoras do mundo, de acordo com a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Os animais já causam impacto em todos os continentes, com exceção da Antártica. No Brasil, segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a espécie está presente nos seis biomas e em 2010 munícipios, os quais registram invasões de áreas naturais e agrícolas por parte dos animais.
Além de causar consequências na saúde animal nativa e pecuária, na biodiversidade, na saúde ambiental e na agricultura, os javalis ainda são considerados hospedeiros e reservatórios de várias doenças zoonóticas, como toxoplasmose, salmonelose, leptospirose, tuberculose, hepatite E, influenza A e febre maculosa.
Em artigo recém-publicado no periódico One Health, da Science Direct, pesquisadores do Departamento de Medicina Veterinária da Universidade Federal do Paraná (UFPR) em colaboração com integrantes do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, sugerem que a caça ao javali como medida de controle falhou, principalmente devido a grupos privados que visam, sobretudo, machos, deixando, intencionalmente, fêmeas e leitões vivos para possibilitar a continuidade da prática, o que faz com que as populações de javalis sejam disseminadas em todo o país.
Veja a matéria completa na revista Ciêcia UFPR.
Rede AgroParaná lança livro com 35 pesquisas sobre conservação de solo e água
A Rede Paranaense de AgroPesquisa e Formação Aplicada (Rede AgroParaná) apresentou nesta terça-feira (22) o livro “Manejo e conservação de solo e água”, que reúne o maior estudo de solo e recursos hídricos no País. O evento na sede do Sistema Faep/Senar-PR, em Curitiba, contou com a presença de secretários estaduais, representantes das entidades integrantes da Rede, pesquisadores e especialistas.
A obra reúne os resultados de 35 estudos realizados por 150 pesquisadores de 19 instituições de ensino, universidades e fundações privadas. O projeto conta também com 55 bolsas de pesquisas. “Esse livro sintetiza todo esse trabalho e o monitoramento das microbacias espalhadas por sete mesorregiões do Estado”, apontou Graziela Moraes de Cesare Barbosa, uma das editoras da publicação.
Em função da profundidade e ineditismo, a publicação é considerada uma referência para agricultores, pesquisadores, professores da área e técnicos de campo. O livro trata, em detalhes, sobre a formação e as metodologias usadas no âmbito da Rede AgroParaná. Para a execução das pesquisas, a Rede contou com três patrocinadores: o Sistema FAEP/SENAR-PR, que investiu R$ 6 milhões, e a Fundação Araucária e Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), que, somados, destinaram o mesmo valor.
De acordo com o secretário de Estado da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, Norberto Ortigara, o livro chega em um momento muito importante para a produção de alimentos. “O Sistema Faep e a Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior somaram esforços para entregar os primeiros resultados desses estudos, que vão começar a calibrar nossas ações”, disse. “Não abrimos mão de safra cheia, com o máximo resultado possível, mas fazendo as coisas do jeito certo”.
O secretário da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Aldo Nelson Bona, elogiou a união de esforços entre instituições públicas e privadas para promover estudos acadêmicos que tenham eco em problemas enfrentados pela sociedade. “Esse projeto da Rede AgroParaná é um embrião desse processo de produzir conhecimento para que o agricultor consiga aplicar em suas atividades. Deixo as portas abertas para outros projetos que venham a surgir e registro nossa disposição de continuar nessa perspectiva de trabalho em conjunto”, apontou.
Durante o lançamento do livro, o presidente do Sistema Faep/Senar-PR, Ágide Meneguette, lembrou que o Paraná sempre esteve à frente das pesquisas sobre solo e água, e que, com a rede de pesquisa, o Estado retoma à vanguarda. “O resultado recorde da última safra deixou muita gente surpresa, mas a mim não. São anos de trabalho e investimento para melhorar o solo do Paraná. A maior fortuna que nós, produtores rurais, podemos ter é que o nosso solo esteja bem conservado e produtivo”, enfatizou.
O contingente de pesquisadores está à disposição do setor produtivo paranaense, segundo Ramiro Wahrhaftig, presidente da Fundação Araucária. Para ele, basta que iniciativas como a Rede AgroParaná sejam formadas e direcionem esforços. “Temos que investir nossos recursos naquilo que a sociedade precisa, não apenas naquilo que os pesquisadores querem oferecer. Governar é atender as necessidades, mas olhar às oportunidades. Nesse caso, quando envolvemos a ciência e tecnologia, estamos sempre olhando os dois”, resumiu.
REDE – A Rede Agroparaná é formada pela Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), Fundação Araucária de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Estado do Paraná, Sistema Faep/Senar-PR, Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores Familiares do Estado do Paraná (Fetaep) e Sistema Ocepar.
Estudos de pesquisadores da UTFPR e Embrapa realizam o primeiro inventário do leite bovino in natura do País
Estudos com participação de pesquisadores do Campus Ponta Grossa da UTFPR resultaram na criação do primeiro Inventário do Ciclo de Vida (ICV) do leite bovino in natura produzido no Brasil. Os trabalhos foram realizados em parceria com a Embrapa Gado e Leite e abrangeram três sistemas de produção de leite do Paraná e de Minas Gerais: dois são de produção em semiconfinamento (no qual as vacas vão ao pasto, mas também são alimentadas no cocho) e um em sistema de confinamento (em que a alimentação do rebanho se dá apenas no cocho).
A seleção dos sistemas, segundo os pesquisadores, se deu em função das suas participações no volume total da produção brasileira de leite, representando mais de 50% da produção nacional.
O objetivo do ICV é conhecer os processos de produção desde sua origem, com as matérias-primas utilizadas na produção, o consumo de energia, água e demais recursos, além da geração de resíduos e emissões ao longo do ciclo de vida do produto, identificando os seus impactos ambientais.
“Com a identificação dos pontos críticos, novas soluções poderão ser encontradas para a melhoria dos sistemas, objetivando a redução da pegada de carbono do leite”, explicam os pesquisadores.
A pegada de carbono de um produto representa a quantidade, em quilograma de dióxido de carbono equivalente (CO2 e), de emissões de gases de efeito estufa gerados no ciclo de vida de um produto.
O Inventário teve início em 2019 e foi realizado no Laboratório de Estudos de Sistemas Produtivos Sustentáveis do Campus Ponta Grossa e projeto recebeu apoio, além da Embrapa, de recursos financeiros do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Inventário do Ciclo de Vida
Uma das etapas da Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) de um produto ou serviços é o Inventário do Ciclo de Vida (ICV). A ACV é uma abordagem metodológica utilizada para mensurar os impactos deles, desde a extração de matérias-primas até a disposição final no meio ambiente.
Os ICVs contribuem para uma gestão mais eficiente de recursos naturais, alcance dos objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS), estímulo e mensuração de ganhos da bioeconomia, conhecimento aprofundado sobre sistemas de produtos nacionais relevantes, promoção de estudos de avaliação de ciclo de vida que utilizem os inventários construídos, e fortalecimento do Programa Brasileiro de Ciclo de Vida (PBACV).
Pela UTFPR participam: o coordenador do projeto, Cassiano Moro Piekarski, além dos pesquisadores Antonio Carlos de Francisco, Rodrigo Salvador, Daniel Poletto Tesser, Diogo Aparecido Lopes Silva, Murillo Vetroni Barros, Fabio Neves Puglieri, Eduardo Bittencourt Sydney, Alessandra Cristine Novak Sydney, Marcelo Henrique Otenio, Vanessa Romário de Paula, Alyne Martins Maciel, Nathan de Oliveira Barros, Juliana Gaio Somer, Mariane Bigarelli Ferreira, Jéssica Yuki de Lima Mito, Karina Cerqueira Navarro, Daiane Vitória da Silva e Karen Godoi Van Mierlo.
Objetivo é criar primeiro banco de germoplasma microbiano da Região Sudoeste
Um projeto pioneiro coordenado pelo professor do Campus Francisco Beltrão, Eder da Costa Santos, vem catalogando microrganismos promotores de crescimento em plantas (MPCP) para que eles possam ser usados como bioinsumos. O objetivo é criar o primeiro banco de germoplasma microbiano, de interesse agrícola, da região Sudoeste do Paraná, a partir de recursos genéticos bioprospectados regionalmente.
Os trabalhos de catalogação começaram no ano passado e contam com a colaboração de pesquisadores de iniciação científica e de mestrado da UTFPR, além das professoras do Instituto Politécnico de Bragança, em Portugal (IPB), Paula Rodrigues e Paula Baptista.
O grupo realiza a catalogação de cepas de acordo com os seguintes fenótipos: fixação biológica de nitrogênio, solubilização de fósforo e potássio, produção de auxinas, sideróforos, biossurfactantes e indução de resistência sistêmica.
“Os resultados alcançados até o momento pelo BioBank4Agro são promissores. Essas cepas apresentam o potencial para melhorar a absorção vegetal de nutrientes, estimular o crescimento radicular e fortalecer sua resistência a doenças, entre outros”, explica o pesquisador Eder Santos.
Segundo o professor, com o BioBank4Agro, o objetivo é desenvolver produtos biotecnológicos, além de fortalecer a agricultura sustentável. “Buscamos agora ampliar as parcerias estratégicas com instituições nacionais e internacionais, a fim de ampliar o potencial biotecnológico da coleção”, completa.
O BioBank4Agro conta com fomento da Fundação Araucária e faz parte da Rede AgroBioAlimentar.
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O Governo do Estado prorrogou até 30 de junho o prazo para apresentação de propostas de empresas, cooperativas, startups, municípios e outras organizações que buscam financiamento para projetos de pesquisa e desenvolvimento (P&D). A chamada pública envolve recursos da ordem de R$ 20 milhões não reembolsáveis do Fundo Paraná, dotação gerenciada pela Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) para o fomento científico e tecnológico paranaense.
A iniciativa tem amparo no Programa de Estímulo às Ações de Integração Universidade, Empresa, Governo e Sociedade, denominado Agência de Desenvolvimento Regional Sustentável e de Inovação (Ageuni). Serão apoiados projetos em cinco áreas: agricultura e agronegócios; biotecnologia e saúde; energias renováveis; cidades inteligentes; e economia, educação e sociedade. As propostas devem ser fundamentadas na transformação digital e no desenvolvimento sustentável.
Do montante anunciado, R$ 6 milhões serão destinados para microempresas e empreendedores individuais; R$ 4 milhões para empresas de pequeno e médio porte, e R$ 5 milhões para grandes empresas. Outros R$ 5 milhões serão aplicados em projetos apresentados por municípios, cooperativas e outras organizações com e sem finalidade lucrativa. Cada projeto pode ter o valor máximo de até 10% do total previsto para a respectiva categoria.
Segundo o coordenador de Ciência e Tecnologia da Seti, Marcos Aurélio Pelegrina, o intuito é incentivar o desenvolvimento socioeconômico, agregar tecnologia aos processos de produção de bens e serviços e aumentar a competitividade empresarial paranaense.
“No Estado do Paraná, entendemos que o investimento em ciência e tecnologia é uma estratégia competitiva que pode diferenciar as nossas empresas nos mercados local, regional e até nacional, permitindo que esses agentes produtivos cresçam e se desenvolvam em um ambiente cada vez mais inovador”, diz Pelegrina. “Nós acreditamos que a tecnologia pode e deve ser usada como uma ferramenta para atender as necessidades e as demandas dos cidadãos e dos consumidores em geral”, destaca.
CRITÉRIOS – Entre os critérios para receber o apoio financeiro do Estado, os proponentes devem ter registro no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) no Paraná e articular as propostas com as unidades da Ageuni nas universidades estaduais. A duração dos projetos será de dois anos, com possibilidade de prorrogação por mais seis meses. Os projetos de P&D serão financiados por meio de acordos de parceria e cooperação estabelecidos com as instituições estaduais de ensino superior.
Confira os câmpus acadêmicos onde estão localizadas as unidades da Ageuni:
Universidade Estadual de Londrina (UEL)
Londrina – ageuniaintec@uel.br
Universidade Estadual de Maringá (UEM)
Maringá – ageuni@uem.br
Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG)
Ponta Grossa – ageuni.agipi@uepg.br
Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste)
Cascavel – ageuni@unioeste.br
Francisco Beltrão – ageuni@unioeste.br
Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro)
Guarapuava – ageuni.novatec@unicentro.br
Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP)
Jacarezinho – ageuni@uenp.edu.br
Universidade Estadual do Paraná (Unespar)
Campo Mourão – ageuni2campomourao@unespar.edu.br
Paranaguá – ageuni1paranagua@unespar.edu.br
O livro, escrito por professores do Mestrado em Agronomia, traz temas que consideram as especificidades da região norte pioneira
Os professores do Programa de Mestrado em Agronomia da Universidade Estadual do Norte do Paraná lançaram o livro “Sistemas para produção agropecuária sustentável no norte pioneiro do Paraná”. Organizado pelo professor Oriel Tiago Kölln, a obra reúne importantes informações sobre a sustentabilidade da produção agropecuária.
Publicado pela Editora UENP, a obra é composta por três partes: Produção agropecuária sustentável, Sanidade vegetal e Inovações em sanidade vegetal. “Esse livro é o resultado de um esforço conjunto dos professores e alunos do Mestrado em Agronomia da UENP. São 12 capítulos que trazem trabalhos de diferentes temas que tem uma importância muito grande para a nossa região”, frisou Oriel.
Segundo o professor, os trabalhos que compõem o livro consideram as especificidades da região norte pioneira do Paraná. “Os temas tratados ao longo dos capítulos envolvem essas especificidades, tanto em relação a novas culturas, as características do solo, as novas tecnologias, quanto a parte animal. São vários temas importantes da atualidade, adaptados para as especificidades da região”, destacou.
O e-book do livro “Sistemas para produção agropecuária sustentável no norte pioneiro do Paraná” está disponível gratuitamente no site da Editora UENP. Acesse AQUI.