Com oficina ministrada, estudantes aprenderam a identificar animais aquáticos como indicadores da qualidade da água

A curiosidade científica foi o motor da atividade prática realizada pelo Clube de Ciência Hidroexploradores, no Colégio Estadual Otalípio Pereira de Andrade, em Campo Largo. Os alunos mergulharam no universo do biomonitoramento hídrico durante uma oficina especializada com a professora Edinalva Oliveira, doutora e mestre em Zoologia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), especialista em Educação (UFPR) e coautora do guia de campo do Monitoramento da Qualidade da Água, material base da oficina e parte do Programa Interinstitucional de Ciência Cidadã (PICCE).
Os Hidroexploradores participaram da atividade prática “Identificação de animais aquáticos para o monitoramento da qualidade da água”, cujo objetivo foi capacitá-los a utilizar macroinvertebrados como bioindicadores de saúde ambiental. Através da observação desses organismos, é possível determinar se um corpo hídrico está preservado ou sofrendo impactos de poluição. Durante a oficina, os jovens pesquisadores analisaram espécimes conservados e utilizaram lupas para identificar características específicas de insetos e larvas aquáticas.
Essa experiência fortalece as frentes do clube que envolvem a preservação de mananciais na região de Bateias e o desenvolvimento de soluções sustentáveis, como as fossas ecológicas, projeto de destaque do grupo. Os conhecimentos adquiridos ajudarão os Hidroexploradores a refinar as pesquisas em andamento e a ampliar seu portfólio de ações, articulando os ODS 6 (Água Potável e Saneamento) e 14 (Vida na Água). Atualmente, o clube investiga a preservação de recursos hídricos por meio de coletas de campo, análises laboratoriais e a produção de maquetes de fossas ecológicas, que propõem uma alternativa sustentável para o saneamento básico local.
Para o coordenador do clube, o professor Vanilson Lopes de Andrade, a oficina foi essencial para despertar o olhar dos estudantes sobre a biodiversidade local. “Eu acredito que conseguimos atiçar muito essa curiosidade, principalmente morando em uma região tão rica em rios e mananciais, como Bateias. Aqui temos várias nascentes, e isso está presente no dia a dia deles. Então a oficina foi muito positiva e produtiva; se o objetivo era despertar o interesse, vimos que eles ficaram realmente instigados. E a base da ciência é a curiosidade”, comentou.
O guia de campo produzido pelo PICCE e utilizado na oficina é destinado a professores e estudantes da Educação Básica (Ensino Fundamental e Médio). O material orienta atividades pedagógicas em diferentes áreas do conhecimento e, no caso do material sobre monitoramento de águas naturais, auxilia pesquisas sobre o tema da água, podendo ser acessado gratuitamente pelo link abaixo, que leva diretamente ao site do PICCE.
https://picce.ufpr.br/wp-content/uploads/2025/02/Monitoramento_aguas_naturais.pdf
O projeto foi apresentado em feiras e eventos científicos, destacando questões como a injustiça ambiental

Uma das principais etapas de um clube de ciências é a investigação. Desenvolver o pensamento crítico, expor problemas e criar soluções é parte do pacote – coisa que o clube Lumière faz muito bem. A equipe é do Colégio Estadual Gustavo Dobrandino da Silva, em Foz do Iguaçu, e produziu um minidocumentário sobre a comunidade Bubas, a maior ocupação urbana do Paraná.
O material “O Outro Lado do Paraíso” possui 11 minutos de duração e foi feito pelos alunos dentro do Programa de Desenvolvimento da Cultural Audiovisual (PDCA), uma iniciativa do Instituto Cultural Três Fronteiras. O curta-metragem trabalha com injustiça ambiental, mostrando como os moradores da Ocupação Bubas percebem o impacto causado pelas obras viárias na cidade.

Segundo a professora coordenadora, Silvia Luzia Polla, a rotina do clube é bem dinâmica. “Realizamos encontros periódicos no contraturno, onde os alunos discutem ideias, desenvolvem experimentos e avançam na construção de projetos. Também estamos trabalhando na organização e registro das etapas, incluindo a produção de um vídeo para divulgação”, explica.
Aliás, os estudantes participaram de toda a construção do minidocumentário, desde o roteiro até a edição do material. Foi com esse projeto que o Lumière se tornou um dos três clubes articulados pela Universidade Federal da Confederação Latino-Americana (UNILA) a ser selecionado na etapa estadual da VI Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente (CNIJMA). O evento foi realizado em agosto do ano passado, em Foz do Iguaçu.
O trabalho também foi aprovado para ser apresentado na Feira de Cultura Científica do Paraná Faz Ciência (FECCI), que ocorreu em novembro de 2025, na capital do estado. Com o título “Justiça ambiental na maior ocupação do Paraná – Bubas – Foz do Iguaçu”, a pesquisa foi incluída na categoria FECCI Jovem e lá os alunos exibiram trechos do minidocumentário pela primeira vez.

Após a Fecci, “O Outro Lado do Paraíso” contou com sessões na escola e pela cidade. Silvia explica que esse ano a expectativa é participar de mais eventos científicos, apresentando o avanço desse e de outros estudos, além de ampliar o alcance do clube. “O vídeo que produzimos faz parte desse objetivo de divulgação e valorização do trabalho dos alunos”, destaca a professora.
Confira os clubes de ciências da UEM que estiveram presentes na Expoingá 2026, apresentando seus projetos para o público!

A 52º Expoingá (Exposição Feira Agropecuária, Industrial e Comercial de Maringá), evento que também comemora o 79º aniversário da cidade de Maringá, foi realizada no início de maio, no Parque de Exposições Francisco Feio Ribeiro, da Sociedade Rural de Maringá.
Na programação, além de shows, oficinas e palestras técnicas, esse ano a Feira recebeu mais estandes ligados a projetos de extensão da Universidade Estadual de Maringá (UEM), com destaque para o Hospital Universitário (HUM), o Museu Dinâmico Interdisciplinar (MUDI), e, pela primeira vez, Clubes de Ciências ligados à UEM.
Os clubistas se apresentaram durante os dias da exposição tendo um espaço especial para falar sobre os seus projetos. Entre os clubes participantes estão o Clube Maker CEUP, do Colégio Estadual Unidade Polo; o Jovens Cientistas Kennedy, do Colégio Estadual Presidente Kennedy e o Cienteens, do Instituto Estadual de Educação de Maringá. Acompanhando os alunos estavam presentes os professores orientadores.
O Clube Maker CEUP, do Unidade Polo, apresentou seus dois projetos: “Piezoelétrico” e “Material Didático”, feito em impressora 3D. Os clubistas mostraram ao público um meio de produção de energia sustentável, a partir da pressão de uma placa própria de quartzos ou metais preciosos. Eles estiveram no dia 8, sexta-feira, no período da tarde.
O projeto, que ainda está em desenvolvimento, propõe a construção de um tapete que gera energia a partir do contato com a pressão exercida ao caminhar. A aluna Pâmela relata como tem sido sua experiência expondo o projeto do qual ela faz parte na Expoingá 2026. “A nossa experiência está sendo muito boa até o momento, está bem legal”.

Outro clube que se apresentou foi o Jovens Cientistas Kennedy (JCK), do Colégio Estadual Presidente Kennedy, que apresentou o projeto “Robô Semeador na Horta”. Eles estiveram no dia 14, quinta-feira, no período da tarde. O clube trabalha com a robótica na horta escolar, a partir de robôs que eles mesmos confeccionam e são utilizados para irrigar, semear, testar a temperatura, a umidade do ar e do solo.
O objetivo do clube de ciências é investigar o papel da robótica na horta escolar, o projeto está em andamento desde o ano passado. Eles também estudam em quais ambientes a horta se desenvolve melhor, como explica o professor coordenador do projeto, Evanildo de Oliveira. “Nós testamos onde a horta se desenvolve melhor, no sol 100% ou sombra total. Nós percebemos que no sol e meia sombra também funciona bem, na sombra total não funciona”, relata o docente.
Depois de apresentarem seus trabalhos ao público na Expoingá 2026, os alunos ainda falaram sobre como foi essa experiência. Para Danilo, clubista do clube de ciências Jovens Cientistas Kennedy, a participação em eventos como esse é importante. “Eu achei uma experiência muito boa, isso já dá uma coragem para a gente participar em outras competições. E é uma experiência muito boa a gente estar mostrando nosso projeto para mais pessoas”, completa.

O terceiro clube a se apresentar foi o clube de ciências Cienteens, do Instituto de Educação Estadual de Maringá, no dia 15, sexta-feira, no período da tarde. Eles apresentaram dois projetos: “Jardim das Cores: O Uso de Pigmentos Vegetais em Experiências Interdisciplinares de Arte e Ciência” e “Ciência do Visível: Luz e Cor”. O primeiro projeto abordou a revitalização do horto escolar, onde os clubistas identificaram as plantas em torno do colégio e realizaram o processo de extração dos pigmentos delas. A partir disso, foram realizadas oficinas de artes, para os alunos do Ensino Fundamental I e II, para que eles criassem desenhos com os pigmentos extraídos.
Os clubistas que apresentaram o segundo projeto do Cienteens realizaram uma pesquisa com os alunos da escola sobre a situação do colégio, analisando questões como a poluição visual e a influência das cores no cotidiano da escola. Após a análise das respostas, será ministrada uma oficina com os próprios alunos, mostrando o grafite e o desenho artístico como uma forma de transformar o ambiente e deixá-lo mais agradável visualmente, transpondo os trabalhos artísticos para o mural da escola.
Alunos do Cienteens também falaram sobre a importância de apresentarem seus trabalhos na Expoingá. De acordo com o clubista Heitor Fort, “é muito bom ver o seu trabalho ser reconhecido, poder mostrar o que a gente fez no ano passado, porque foi bastante pesquisa, foi bastante trabalho, que trouxe a gente para cá”, defende.
A aluna Alicia Fletcher contou como foi sua primeira experiência apresentando o projeto do qual ela faz parte em uma feira como a Expoingá. “Está bem animado, porque é a minha primeira feira, então está sendo uma experiência nova para mim, estar aqui apresentando. Eu estou achando bem legal”, conta.

A empolgação dos clubistas reflete a importância de eventos como exposições, onde eles podem apresentar seus projetos. A Expoingá 2026 foi uma ótima oportunidade para que os alunos dos clubes de ciências ligados à UEM pudessem aprimorar suas habilidades de comunicação e apresentar ao público as pesquisas realizadas ao longo do ano pelos clubes.
Alunos puderam conhecer pesquisas e inovações ligadas ao setor rural da região

A 64ª edição da Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina (ExpoLondrina 2026), realizada entre os dias 10 e 19 de abril, bateu recorde de público. Segundo a assessoria de imprensa do evento, só a Via Rural Smart Farm recebeu em torno de 200 mil pessoas. Entre os visitantes, dois clubes de ciência articulados pela Universidade Estadual de Londrina (UEL).
A Fazendinha, como o espaço é conhecido, destaca-se por trazer inovações e pesquisas, além de fortalecer a educação sobre a fauna rural. Por isso, é o principal foco das visitas escolares, conectando o campo com a sociedade. As equipes que estiveram por lá são do Colégio Estadual Cívico-Militar Professor Newton Guimarães, de Londrina, e do Colégio Estadual Cívico-Militar Presidente Kennedy, de Rolândia.
O clube de Londrina é o Litterae Ludus, coordenado pela professora Franciela Zamariam. Para a docente, a visita fortalece a metodologia científica, já que os estudantes passam a ter maior contato com diferentes estudos da região. “Uma atividade exploratória, buscando aprofundar questões de aprendizagem científica”, esclarece.

O Discovery Kennedy’s, clube de Rolândia, já foca bastante em investigar a área ambiental do município e aproveitou para intensificar esse conhecimento. Segundo a professora coordenadora, Eglaia Cheron, os alunos visitaram a ExpoLondrina “com foco na Fazendinha, projetos de APIs [Abelhas Apis mellifera], projeto com borboletas e de sericultura [criação do bicho-da-seda].”

A ExpoLondrina, promovida pela Sociedade Rural do Paraná (SRP), já é consolidada como um dos maiores e mais completos eventos agropecuários da América Latina. O espaço da Via Rural Smart Farm é organizado pelo Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR) em parceria com a UEL.
Ações envolveram teatro científico, exposição de fotos e incentivo ao protagonismo feminino na ciência

No último dia 10, o Clube de Ciências Lumina, do Colégio Estadual Bibiana Bitencourt, de Guarapuava, foi anfitrião de atividades da 22ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), recebendo projetos vinculados à Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). A iniciativa teve como objetivos aproximar a ciência e a tecnologia do ensino básico, incentivar o protagonismo feminino na ciência e tornar o fazer científico mais acessível ao público.
A programação incluiu a exposição “Mulheres Cientistas e suas pesquisas”, a apresentação da peça “A Que Faz”, do Grupo de Teatro Científico da UEPG, além de uma reunião da equipe da Rede de Clubes de Meninas com as estudantes clubistas.
Formado por cinco alunas do Ensino Médio, o Clube Lumina integra o projeto Caminhos na Ciência, que faz parte da Rede de Clubes de Meninas. As atividades do grupo concentram-se na divulgação científica e no estudo das trajetórias e pesquisas de cientistas contemporâneas, especialmente em âmbito local.
De acordo com a professora responsável pelo clube, Vanina Roncaglio, o evento também contribuiu para dar visibilidade ao projeto dentro da própria escola. “Muitos alunos ainda não conheciam o clube”, destaca. Ela ressalta ainda que as ações ampliaram horizontes para as participantes: “as alunas percebem que também podem fazer teatro e divulgar o que pesquisam”.
Durante a reunião com as integrantes do clube, houve troca de experiências e discussão sobre os interesses de pesquisa e planos futuros das estudantes. A professora Bettina Heerdt, do Departamento de Biologia da Unicentro e articuladora do projeto Clube de Meninas, apresentou possibilidades de ampliação das atividades, incluindo visitas técnicas e saídas a campo. Também participaram bolsistas de iniciação científica e voluntárias, responsáveis pelo acompanhamento e registro das ações do grupo.
Nesse contexto de valorização das trajetórias e produções científicas femininas, a exposição apresentou histórias de pesquisadoras, abordando desde seus percursos acadêmicos até aspectos de suas produções. Por meio de fotografias, contos e obras de arte — criados a partir de relatos das cientistas —, a mostra trouxe reflexões sobre desafios enfrentados no meio acadêmico, como situações de opressão e a conciliação entre carreira, vida pessoal e maternidade, evidenciando as múltiplas dimensões de ser mulher na ciência.
A artista de uma das pinturas expostas, AJ Pradel esteve presente no evento também enquanto atriz. Sobre sua obra, Infinitude do seu Não Falar, AJ destacou o intuito de “representar a imensidão que é ser mulher e a força necessária para viver na sociedade atual”.
Além da exposição, o dia contou com a presença do Grupo de Teatro Científico (GTC), projeto de extensão da UEPG, que levou ao público a peça “A Que Faz”. O espetáculo aborda a presença feminina na ciência a partir das perspectivas de uma menina, uma mulher e uma senhora, e foi apresentado nos períodos da manhã e da tarde.
A iniciativa dialoga diretamente com os objetivos do Caminhos na Ciência, presente em sete cidades do Paraná. O projeto busca incentivar meninas a seguirem carreiras nas áreas de STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática, sigla em inglês) por meio da criação de clubes de ciências e da valorização de referências femininas contemporâneas, inspirando novas gerações a ingressarem na carreira científica.
Para a professora Leila Freire, coordenadora do Caminhos na Ciência e do GTC, discutir o tema é essencial, especialmente no ambiente escolar. “Falar sobre mulheres na ciência é importante em qualquer espaço, mas ainda mais nas escolas, onde as alunas estão no início de sua formação e de uma possível trajetória científica”, afirma.
Evento em Jandaia do Sul reuniu mais de 2 mil pessoas e premiou projeto voltado ao empoderamento feminino e à diversidade de gênero

No dia 29 de maio de 2026, o Campus Avançado da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Jandaia do Sul, tornou-se o ponto de encontro da produção científica infantojuvenil do Vale do Ivaí. Ao longo de todo o dia, mais de 2 mil pessoas passaram pelo local para acompanhar a sexta edição do Vale da Ciência e a primeira edição do Vem pra UFPR Jandaia do Sul.
A união dos dois eventos promoveu uma grande celebração da educação, aproximando a comunidade regional do ambiente universitário. Estudantes, professores, famílias, gestores educacionais e visitantes de diversos municípios ocuparam os espaços da instituição para conhecer laboratórios, cursos de graduação, iniciativas de extensão e dezenas de projetos científicos desenvolvidos por alunos da Educação Básica, Ensino Médio e Ensino Técnico.
Entre os grandes destaques da feira, a participação de três clubes de ciências ligados à Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) evidenciou o impacto e a força da iniciação científica escolar na região. O campus recebeu trabalhos que abordaram temas urgentes como sustentabilidade, inovação, saúde, cultura e inclusão social, demonstrando como a ciência na escola atua como um poderoso instrumento de transformação real.
Com pesquisas de forte impacto social e pedagógico, os clubes de ciências integrados à Rede de Clubes Paraná Faz Ciência e coordenados pela UTFPR na região tiveram participação de destaque no evento.
A cidade de Apucarana foi representada pelo Clube de Ciências Aventureiros do Conhecimento, do Colégio Estadual Cívico-Militar Prefeito Carlos Massaretto, sob a coordenação do professor Leandro Vicente Gonçalves. Já o município anfitrião, Jandaia do Sul, levou ao evento o Clube de Ciências COOPIC: Cooperativa de Iniciação Científica, sediado no Colégio Estadual Rui Barbosa e coordenado pela professora Liliam Keidinez Bachete da Conceição Rabassi.
O grande momento de celebração para a rede de cooperação veio com a conquista do 2º lugar na Categoria Ensino Médio e Técnico, concedido ao Clube de Ciências Conexão e Sustentabilidade, do Colégio Estadual João Paulo I, localizado na cidade de Bom Sucesso. Coordenado pela professora Elaine Correa Soares, o clube conquistou os avaliadores com o projeto “Plataforma Digital para Empoderamento Feminino e Combate à Violência contra a Mulher e Diversidade de Gênero”, uma iniciativa que alia tecnologia à inclusão e à defesa dos direitos humanos.
A delegação de clubes foi acompanhada pelo professor Enio Stanzani, representante da UTFPR e coordenador da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência na universidade, para quem eventos desse tipo ajudam a destacar a importância e impacto do incentivo dado à pesquisa científica desde a Educação Básica.
Mais do que uma mostra de trabalhos, o 6º Vale da Ciência proporcionou aos estudantes a oportunidade de ocupar os espaços da universidade e conhecer de perto a rotina da produção científica. Integrado ao evento Vem pra UFPR, o encontro permitiu que os participantes visitassem laboratórios, conversassem com professores e acadêmicos e tivessem contato com diferentes áreas de formação, aproximando a educação básica do ambiente universitário.
A expressiva participação dos clubes apoiados pela UTFPR evidenciou a força das parcerias entre escolas, universidades e instituições de pesquisa. Ao conectar o ecossistema dos clubes de ciências das escolas estaduais às grandes universidades públicas, o evento demonstrou que o investimento em jovens cientistas gera retornos diretos para o desenvolvimento regional e para a construção de uma sociedade mais justa e inovadora. Para muitos deles, a visita também representou uma oportunidade de imaginar a universidade como um caminho possível para o futuro e ampliar suas perspectivas sobre a carreira científica.
Clubistas de diferentes regiões do estado participarão da programação do Paraná Faz Ciência 2026

O lançamento da 6ª edição do Paraná Faz Ciência, realizado na Unioeste, em Cascavel, marcou o início dos preparativos para mais uma participação da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência. Entre os destaques da programação está a II Mostra da Rede de Clubes, que acontecerá no dia 12 de novembro de 2026.
A Mostra reunirá clubistas e professores de diferentes municípios do Paraná para apresentar seus projetos, pesquisas e ações desenvolvidas nos clubes de ciências, promovendo a troca de experiências e o fortalecimento da cultura científica nas escolas.

Durante o lançamento, a articuladora do NAPI Paraná Faz Ciência, professora Débora de Mello Gonçales Sant’Ana, destacou a importância da participação dos estudantes no evento. “Para os alunos que visitam, é uma oportunidade de conhecer muitos projetos das universidades, de diferentes áreas do conhecimento, e entender um pouco mais sobre esse universo da ciência e da universidade”, afirmou.
A professora também ressaltou que o evento beneficia tanto quem apresenta quanto quem visita. “É muito positiva a participação, tanto de quem expõe quanto de quem visita. É uma festa que vale para todo mundo aprender muito mais sobre ciência”.
Além de apresentarem seus trabalhos, os clubistas poderão conhecer outras pesquisas, participar das atividades do evento e interagir com estudantes, professores e pesquisadores de diversas regiões do estado.
A expectativa é que a II Mostra da Rede de Clubes reúna participantes de todo o Paraná, fortalecendo a rede de colaboração entre os clubes e ampliando as oportunidades de aprendizagem por meio da ciência.
Estudantes do Clube Pesquisa-Ação celebram aprovações em universidades públicas e privadas com bolsas e vestibulares

Um grupo de seis jovens de Inajá, região de Paranavaí, tem muitos motivos para comemorar. Ex-integrantes do Clube Pesquisa-Ação para a Alfabetização Científica, os estudantes do Colégio Estadual Barão do Rio Branco conquistaram importantes aprovações em vestibulares e programas de acesso ao ensino superior.
Entre os principais destaques, Camilly da Silva Santos lidera em número de conquistas: foi aprovada em Farmácia na Universidade Estadual de Maringá (UEM), via Aprova Paraná, conquistou bolsa integral (100%) em Biomedicina na Unidombosco, em Curitiba, e ainda garantiu 50% de bolsa para o mesmo curso na Unifatecie, em Paranavaí, pelo Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM).
Na sequência, Izabelly Faustino também se sobressaiu com múltiplas aprovações: passou em História pela Unespar, em Geografia pela UEM (Aprova Paraná) e ainda foi convocada em segunda chamada para História, na UEM.
Outros aprovados foram Erik Salcedo, em Educação Física na UEM, via Aprova Paraná, enquanto Adrian Luiz Campolim garantiu vaga no mesmo curso e universidade, por meio do vestibular tradicional. Ícaro Macedo conquistou bolsa de 60% pelo ENEM para Arquitetura e Urbanismo na Uningá, e Caio Guima foi aprovado em Direito pela Unicesumar, completando a lista de aprovados.

Para a professora orientadora Ana Paula Bim Maldonado, “é muito gratificante ver nossos alunos se tornarem protagonistas da própria história. Muitos nunca haviam participado de uma feira de ciências e alguns nem conheciam a capital do Paraná. Desde o início do clube, em 2024, demonstraram grande motivação para estudar e buscar seus objetivos”, celebra. Os alunos realizaram a prova Paraná+, o Enem e vestibulares no final do ano e “a maioria conseguiu ingressar em uma universidade, inclusive em instituições públicas”, destaca a docente.
Todos os estudantes têm em comum a participação no Clube Pesquisa-Ação para a Alfabetização Científica, onde desenvolveram projetos que integram história, meio ambiente e ciência. Sob orientação da professora, vivenciaram práticas investigativas que ampliaram a visão de mundo e contribuíram diretamente para terem esse desempenho acadêmico.

As conquistas do grupo do Colégio Barão do Rio Branco reforçam o papel da educação científica na formação dos estudantes e na ampliação de oportunidades. Os resultados refletem não apenas dedicação individual, mas também o impacto de iniciativas que incentivam a pesquisa, o pensamento crítico e o protagonismo juvenil desde a educação básica.
Conheça mais sobre os Clubes de Ciências, pelo Instagram da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência e pelo site Paraná Faz Ciência. O Colégio Barão do Rio Branco tem o perfil de Instagram @alunos_da_barao .
Durante visita da equipe pedagógica da UEM ao clube dedicado à robótica, alunos apresentaram cinco projetos que unem robótica à sustentabilidade

Na quarta-feira, 15 de abril, a equipe pedagógica da UEM que acompanha os Clubes de Ciências da região, visitou o Colégio Estadual Olavo Bilac, no município de Itambé, onde funciona o clube maker Codificando o Futuro. Os 22 participantes são todos do Ensino Médio, sob coordenação do professor de física Gilmar Horchulhak.
Com ênfase em robótica, as atividades do clube são majoritariamente ligadas à programação, projeção e construções mecânicas, áreas que incentivam os alunos a colocarem a mão na massa. No dia a dia escolar, os alunos perceberam que poderiam desenvolver melhorias para o ambiente escolar e aprender com elas.
Atualmente, o clube trabalha com cinco projetos de temáticas diferentes, em grupos de até 5 alunos em cada tema, de modo que as temáticas se complementam. Os projetos são ligados por uma linha norteadora: a sustentabilidade.
O programa de Irrigação Inteligente teve início com alunos do antigo 3º ano, que se formaram em 2025, e agora está em andamento com estudantes do ano de 2026. A ideia é automatizar as operações técnicas da horta escolar, começando pela irrigação. Segundo o clubista João Rafael, os participantes do grupo já realizaram as instalações elétricas que precedem a instalação da futura máquina de irrigação. “Essa fiação que está colocada aqui na horta foi instalada por nós mesmos, conectando ao forro e à elétrica da escola. Subimos em escadas, martelamos e tal. Foi super legal”, disse o clubista. A parte da programação é feita no computador, momento em que os alunos codificam e conectam as placas que serão utilizadas para fazer o irrigador ser acionado no horário correto.
O projeto Girassol é composto por três estudantes: João Pedro, responsável pela programação, Rafaela, responsável pelo design gráfico e o Luciano que está responsável pela arquitetura e montagem da máquina. Segundo Luciano, o objetivo do projeto é maximizar a produção de energia das placas solares da escola. “Quando a placa está fixa em um lugar, em determinado momento do dia o sol deixa de alcançá-la, o que diminui a captura de luz e, consequentemente, de energia”, explica o estudante. “Dessa forma, o objetivo do projeto é fazer uma placa móvel, que gire como um girassol, até mesmo no design, porque a ideia é que ele siga a mesma lógica da flor”, completou.
Lixeira Inteligente é um projeto composto por Carlos, Gabriele e Marcos. Os três estão planejando criar uma lixeira automática, ideia que surgiu ao perceber a necessidade de organizar a separação dos lixos da escola. Ano passado, os estudantes começaram o protótipo gráfico do item e neste ano estão colocando em prática as primeiras miniaturas. “Fizemos a montagem de uma miniatura de lixeira feita em papelão para testar a codificação do circuito que estamos há um tempo trabalhando e, graças ao nosso empenho, deu certo. Agora estamos começando a segunda parte do projeto: montando a tampa da lixeira em formato redondo”, contou o clubista Carlos. A ideia é que ela abra automaticamente, por meio do sensor de movimento, e abra somente um compartimento do lixo de cada vez, com o objetivo de separar mesmo os resíduos, como detalhou o aluno.
O aluno Miguel faz parte do grupo de Compostagem do clube. Ele explicou que fizeram as composteiras com baldes e que a finalidade do produto dessa compostagem, o chorume, será adubar a futura horta no espaço escolar. O estudante disse também que o grupo faz dois tipos de compostagem: uma com a composteira produzida por eles e outra diretamente no solo, e esse grupo é responsável por fazer a manutenção semanal delas.
O estudante Marcos Vinícius, entre desenhos manuais e desenhos digitais, explicou que o novo grupo está empenhado em realizar um óculos para pessoas com deficiência visual. Como os outros grupos já possuíam uma quantidade grande de alunos, o professor Gilmar sugeriu que os novos membros pudessem focar em um projeto diferente. “Os óculos terão sensores nas extremidades que apitam quando algo se aproxima, em determinada distância da pessoa,” disse Marcos.

Ao final da visita, a equipe pedagógica da UEM parabenizou os estudantes pelas atividades realizadas, junto do professor coordenador Gilmar Horchulhak, e incentivou a participação do clube na FECCI 2026. Os clubistas reagiram com satisfação ao falarem sobre os trabalhos já realizados e demonstraram bastante interesse em expor seus trabalhos na Feira deste ano.
Para mais ações dos Clubes de Ciências da Rede Paraná Faz Ciência siga o perfil no Instagram @clubesparanafazciencia e o site com notícias do Paraná Faz Ciência.
Estudantes exploraram o potencial científico de hortas, laboratórios de ponta e a imersão tecnológica do Planetário no campus Cornélio Procópio

O clube Jardim da Ciência Pacheco, do Colégio Anita Aldete Pacheco, participou, no dia 10 de abril, de uma visita técnica à Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP). A atividade no campus de Cornélio Procópio foi organizada e conduzida pela professora responsável Michele Plantes, com o objetivo de proporcionar aos estudantes o contato direto com a infraestrutura universitária e de pesquisa.
De acordo com a docente, as saídas de campo são oportunidades essenciais para que os alunos vivenciem os conteúdos aprendidos em sala de aula. Durante a visita, o grupo conheceu a horta de PANCs (plantas alimentícias não convencionais), onde puderam analisar o potencial científico, as texturas e os aromas das espécies cultivadas.
A modernidade dos laboratórios também chamou a atenção dos jovens. “Achei interessante porque lá eles têm equipamentos muito modernos”, relatou o aluno Luis Otávio Camargo Prado. A experiência foi finalizada no Planetário da UENP, que conta com projeção 4K UHD e simuladores de Astronomia de última geração.
A professora Michele Plantes destacou o perfil crítico e dedicado dos membros do clube, que já demonstram interesse em áreas como veterinária, biologia e ciências do mar. “São alunos que lutam para conquistar suas metas. O conselho que dou para eles é nunca pararem de estudar e sempre se dedicarem para chegarem onde desejam. A ciência tem um leque enorme de opções e precisa de pesquisadores para ajudar no tratamento e prevenção de doenças ou fabricação de medicamentos. O estudo dos seres vivos, compreender a vida e suas formas, garantir a sustentabilidade e a sobrevivência do planeta”, explica.

Assim como o clube Jardim da Ciência Pacheco, todos os clubes de ciências e estudantes apaixonados por descobertas, estão mais que convidados para viver essa experiência. A UENP mantém as portas abertas para visitas técnicas e sessões no Planetário. Professores e diretores interessados podem agendar a atividade entrando em contato através do link https://tr.ee/9cebTFdiVI. Demais dúvidas podem ser tiradas pelo e-mail planetario.ccp@uenp.edu.br ou pelo telefone (43) 3520-1757.
Evento será durante a 5ª edição do Paraná Faz Ciência, esse ano na Unioeste, em Cascavel

Os Clubes de Ciências vinculados à Rede Paraná Faz Ciência já podem manifestar interesse em participar da II Mostra da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência. O evento deste ano será realizado no dia 12 de novembro, durante a 5ª edição do Paraná Faz Ciência, em Cascavel, no campus da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste). O prazo de envio do formulário que confirma o interesse em participar se encerra em 17/06/2026.
A manifestação de interesse por parte do Clube de Ciência tem um caráter consultivo e vai auxiliar a organização do Paraná Faz Ciência no planejamento da infraestrutura da II Mostra da Rede de Clubes, incluindo número de participantes, transporte, alimentação e demais aspectos logísticos do evento. No dia da Mostra, também serão oferecidos lanche e almoço aos participantes. Em breve, mais detalhes sobre a solicitação de transporte para o evento serão disponibilizados pela organização. Não está previsto auxílio para hospedagem, uma vez que os clubes terão a participação limitada a um único dia, devendo retornar aos seus municípios no mesmo dia, ao final da Mostra.
A Comissão Organizadora reforça o convite a todos os clubes vinculados à Rede Paraná Faz Ciência, considerando que sua participação é fundamental para o fortalecimento da troca de experiências, convivência e desenvolvimento da própria Rede de Clubes. O evento tem como objetivo fortalecer a cultura científica no Paraná, estimular os estudantes e dar visibilidade aos projetos desenvolvidos nos clubes de diferentes regiões do estado.
A Mostra de Clubes será um espaço para que clubistas e professores compartilhem as pesquisas, experiências e ações que vêm sendo realizadas em seus clubes. A expectativa é reunir clubes de diferentes municípios do Paraná, fortalecendo a rede de colaboração entre estudantes, professores e instituições comprometidas com a popularização da ciência.
O link direto para o formulário de interesse na II Mostra é
https://forms.gle/JD9REqVWNqEQ9ugbA .
Ex-integrante do Clube Inovar transforma bioplástico escolar em projeto de empreendedorismo na universidade

Quando pensamos em ciência, logo nos vêm à mente grandes cientistas e descobertas famosas. No entanto, raramente paramos para notar que as maiores inovações costumam nascer de pequenos problemas do dia a dia. Para Laritiely Ribeiro da Silva (18 anos), tudo começou com um desafio solidário: criar capas de chuva para distribuir aos colegas de escola que, por falta de transporte municipal, enfrentavam dificuldades para chegar às aulas em dias de chuva.
Na época, Laritiely já integrava o Clube de Ciências Inovar, do Colégio Estadual Barbosa Ferraz, em Andirá, vinculado à Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP). Para a jovem, o clube era muito mais do que uma atividade extracurricular; era um espaço para aprender a enxergar o mundo sob uma nova ótica.
Decidida a encontrar uma alternativa barata e sustentável para o problema que os estudantes enfrentavam nos dias de chuva, Laritiely desenvolveu um bioplástico feito de amido de milho. “Percebemos que isso era um material descartado em grande quantidade por uma cooperativa aqui da cidade, então pensamos em como dar uma destinação melhor para esse resíduo”, conta a aluna. De refugo da indústria, o amido ganhou um novo significado nas mãos da jovem cientista.
O caminho até o produto pronto, porém, não foi encontrado rapidamente. Laritiely relata que foram necessárias 86 tentativas e testes até chegar ao produto ideal. Com o material em mãos e o apoio fundamental de sua orientadora, Karoline Azevedo, Laritiely percebeu que aquela descoberta era grande demais para ficar restrita às capas de chuva. A tecnologia do bioplástico evoluiu, então, para algo com impacto ainda maior: o projeto BioProtect. São sacolas biodegradáveis que contêm sementes em sua composição. Assim, ao invés de poluir, o descarte da embalagem torna-se o início de uma nova árvore.
A dedicação rendeu frutos grandiosos. O BioProtect conquistou o segundo lugar na FECCI, a Feira de Cultura Científica do Paraná Faz Ciência, em Curitiba, competindo com os melhores projetos de iniciação científica do Paraná. O reconhecimento foi o combustível que faltava: Laritiely decidiu seguir carreira na área e foi aprovada em Ciências Biológicas no vestibular da própria UENP.
O que começou como um projeto escolar acabou subindo para um novo degrau. No dia 27 de março de 2026 Laritiely foi aprovada na Pré-Incubadora da UENP, que é um ambiente de apoio para transformar ideias inovadoras em negócio viáveis, como startups e outros projetos com potencial empreendedor. Agora, o que nasceu no Clube de Ciências se transforma em um modelo de negócio promissor.

Para os que estão começando agora nos clubes de ciências, Laritiely deixa um testemunho. “Muitos vão te chamar de louco por sonhar alto demais, e vai haver dias em que o choro é inevitável. Eu vivi isso: testes que falharam e a vontade de parar. Mas o diferencial foi olhar para o lado e ver que o Clube acreditava no meu potencial. Quando venci, entendi que o choro faz parte da limpeza da alma de quem persiste. Não desista dos seus sonhos por ninguém. Vá lá, prove sua força e deixe o clube transformar sua vida também. Se eu consegui, você também consegue!”.
Para além da técnica aprendida, o que fica dessa jornada é também o apoio recebido. Laritiely faz questão de dedicar suas conquistas à sua orientadora, Karoline Azevedo. “Eu não teria chegado onde cheguei sem uma peça fundamental nesse caminho, a minha orientadora, a Karol. Se hoje eu curso Ciências Biológicas, é por causa dela. A Karol sempre foi minha maior inspiração. A forma como ela conduz o clube e nos incentiva me deu a certeza do que eu queria fazer da vida. Eu falo de coração: espero ser, no futuro, pelo menos metade da profissional e da pessoa que ela é”, finaliza a ex-clubista.Acompanhe mais sobre os Clubes de Ciências, pelo Instagram da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência @clubesparanafazciencia e pelo site Paraná Faz Ciência.