A partir dos projetos Rede de Clubes de Ciências e Pacto Global de Jovens Pelo Clima, 27 escolas de Guarapuava e região participarão do projeto, que une arte-educação com enfoque em sustentabilidade, direitos humanos e cidadania.

No dia 25 de abril, foi lançado o projeto “A Árvore 2025: Biomas Pampas e Mata Atlântica Sudeste”, promovido pelo Acervo Otávio Roth em parceria com a Fundação Abrinq. Após quatro edições itinerantes, o projeto chegou a Guarapuava por meio da Unicentro, a partir da Rede de Clubes de Ciência, e do Pacto Global de Jovens Pelo Clima, com o objetivo de envolver crianças e adolescentes no cuidado com o planeta, unindo arte, sustentabilidade e direitos humanos.
A ação prevê atividades em 27 escolas de Guarapuava e região, promovendo reflexões sobre o futuro do meio ambiente a partir da produção artística dos estudantes. Cada criança é convidada a desenhar seus sonhos para o mundo em três folhas de papel: uma delas será incorporada à instalação internacional “A Árvore”; a segunda comporá uma árvore física montada na escola; e a terceira será utilizada para uma árvore coletiva que será exposta na quinta edição do Paraná Faz Ciência, no dia 2 de outubro, também em Guarapuava.
A professora Adriana Massae Kataoka, do Departamento de Biologia da Unicentro e responsável por trazer o projeto à cidade, explica que antes da atividade com os estudantes, os professores passam por uma formação introdutória. “Eles recebem vídeos com conteúdos sobre arte, direitos humanos e sustentabilidade, além de um kit com materiais e propostas de atividades para dialogar com as crianças”, relata.
As oficinas realizadas nas escolas buscam sensibilizar os alunos por meio da liberdade artística. “Diferente de atividades com respostas certas, a arte permite a expressão de sentimentos e emoções. Essa experiência culmina na produção das folhas que irão para as três árvores — a da escola, a do evento e a internacional”, afirma Adriana.
Inspirado no trabalho do artista Otávio Roth, o projeto surgiu em 1990 com foco nos direitos humanos e, hoje, é coordenado pelo Acervo Otávio Roth em parceria com a Fundação Abrinq. Seu objetivo é integrar ciência, arte e participação juvenil, promovendo a cidadania ambiental com base nos biomas brasileiros.
“É uma iniciativa de abrangência nacional que promove formações sobre direitos humanos, sustentabilidade e arte-educação”, destaca Ana Beatriz Roth, integrante do Acervo Otávio Roth.
Acompanhe mais atividades dos Clubes de Ciência pelo Instagram da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência: @clubesparanafazciencia e aqui no site do NAPI Paraná Faz Ciência.
A iniciativa forma professores, estudantes e agentes locais para atuarem no monitoramento da dengue com base em práticas educativas, ciência cidadã e tecnologia acessível.

A Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA) está com inscrições abertas para o curso gratuito “Práticas de Ciência Cidadã para Monitoramento da Dengue – T3”, voltado a educadores, estudantes, agentes de saúde e demais interessados em combater arboviroses por meio da ciência cidadã. O curso é oferecido pelo projeto de extensão “Ecologia & Saúde”, da UNILA, coordenado pela professora Dra. Ana Alice Eleuterio, e conta com uma equipe composta também pela pós-doutoranda María Martha Torres Martínez e pela mestre Diana Letícia Molinas Bogado. Juntas, elas conduzem as atividades formativas, combinando pesquisa, extensão e tecnologia social para serem aplicadas na região da Tríplice Fronteira. As atividades vão começar segunda-feira, dia 16 de junho, e terminam no dia 04 de julho.
Segundo a coordenadora do projeto, María Martha Torres Martínez, o curso promove a integração e o engajamento da comunidade local ao capacitar participantes para atuarem na investigação e no monitoramento da dengue. “Com vídeos, leituras, fóruns interativos, quizzes e materiais práticos baseados no protocolo GLOBE, os alunos aprendem a identificar criadouros do mosquito e registrar dados sobre o Aedes aegypti usando ferramentas científicas acessíveis”, explica.
A estrutura do curso permite que os conhecimentos sejam aplicados diretamente nas comunidades da região da Tríplice Fronteira, com foco em observação, registro e ação prática. Os dados coletados pelos participantes subsidiam reflexões locais e podem fortalecer ações de saúde pública, contribuindo para o letramento científico da população.
A equipe coordenadora do curso reconhece os desafios impostos pela diversidade cultural e socioeconômica da região. “Garantir a participação ativa de pessoas com diferentes níveis de formação e acesso digital exige uma abordagem pedagógica acessível e sensível às realidades locais”, afirma Diana Leiticia.
Para enfrentar essas barreiras, o curso é ofertado em formato virtual com atividades práticas simples, materiais complementares didáticos e fóruns de apoio, criando um ambiente de diálogo e troca de experiências. “O uso de uma linguagem acessível e a valorização do conhecimento local também são prioridades”, complementa.
Os conteúdos são alinhados à Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e voltados ao ensino fundamental II e à educação não formal, com temas como descarte de resíduos, construção de ovitrampas e uso do aplicativo GLOBE Observer.
O curso é realizado no âmbito do projeto de extensão da Ecologia & Saúde (UNILA) em parceria com Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (NAPI) em Biodiversidade: Serviços Ecossistêmicos e o Programa Interinstitucional de Ciência Cidadã na Escola (PICCE).
As inscrições são gratuitas e vão até o dia 11 de junho de 2025. O curso será realizado entre os dias 16 de junho e 4 de julho no formato virtual.Mais informações sobre as inscrições estão disponíveis no site oficial do projeto: www.ecologiaesaude.com/curso.
Com o tema “Responsabilidade Ambiental, um Compromisso de Todos!”, o evento contou com diversas atividades educativas e de conscientização, apoiadas por secretarias municipais e empresas locais
Entre os dias 2 e 6 de junho, a cidade de Paranaguá realizou a 18ª edição da Semana do Meio Ambiente, na Arena Albertina Salmon. Com o tema voltado à Responsabilidade Ambiental, o evento contou com uma programação repleta de atividades gratuitas voltadas a estudantes, famílias e ao público, com exposições, jogos e premiações.
A Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, em parceria com a Unespar (Universidade Estadual do Paraná), esteve presente com um estande desenvolvido por professoras ligadas ao projeto, responsáveis por trazer atividades realizadas pelos alunos e também para divulgar os projetos nas escolas. Na região litoral, sete Clubes de Ciência estão em escolas nas cidades de Paranaguá, Matinhos, Pontal do Paraná e Antonina.

Estudantes da Escola Estadual Bento Munhoz da Rocha Neto chamaram a atenção do público com projeto científico que avalia a qualidade da água e analisa o pH e a alcalinidade de diferentes líquidos. O trabalho é orientado pela professora Andréia Petruy e visa mostrar como a ciência é acessível e aplicável à vida real. Os projetos possuem uma duração de aproximadamente trinta meses.
O trabalho teve início em setembro de 2024 e é apelidado de “Bagrinhos do Bento”. O tema central é a conscientização em relação à água imprópria para consumo, chamando a atenção do público sobre os riscos, doenças e a necessidade de conscientização ambiental.
Durante a apresentação no evento, os alunos demonstraram, por meio de testes práticos, como a observação em um microscópio, as diferenças de pH entre amostras de água do mar, da torneira, vinagre e água sanitária.

O diretor da Escola Estadual Bento Munhoz da Rocha Neto, Everton Vieira Borges, contou que dois projetos estão sendo realizados no momento, um no período da manhã e outro no período da tarde. Sobre a parceria, ele enfatizou como a Rede de Clubes Paraná vem sendo fundamental para a iniciação científica dos jovens. Assim como ele, a aluna Lara do 7º ano revelou estar muito contente em fazer parte do Clube e pelas experiências realizadas.
“Estamos aqui para garantir que os nossos clubistas, nos trinta meses dos projetos, possam desenvolver suas pesquisas, garantir que eles tenham uma imersão no mundo acadêmico das universidades e possam participar de uma alfabetização científica, do mundo da pesquisa. E assim, ter outras perspectivas em relação ao seu futuro, procurar cursos que eles gostem, na área da ciência que estamos precisando bastante!” contou a professora e bolsista Karoline Bonardo.
A programação da Semana do Meio Ambiente contou também com oficinas de compostagem, apicultura, manejo de resíduos nos manguezais, separação de lixo e com a entrega da premiação às três escolas vencedoras do programa “Todos Contra a Dengue”.

O Clube de Ciências procura estimular a investigação científica entre os alunos, assim como promover a experimentação, a pesquisa e a divulgação. As atividades realizadas por professores e alunos têm se destacado pela qualidade e pelo interesse da população na região litoral do Estado.
A transmissão ao vivo teve como convidada a pesquisadora Dra. Maria Luisa Tunes Buschini que respondeu às dúvidas dos professores da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência.

No dia 28 de maio ocorreu a primeira edição da ‘Quarta com Clubes’, iniciativa promovida pela Rede de Clubes Paraná Faz Ciência. O projeto é organizado pelo Grupo de Pesquisa e Extensão EducartGEO – Educação Geográfica e Cartografia para Escolares, da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro).
A convidada da estreia foi a professora e pesquisadora Dra. Maria Luisa Tunes Buschini, docente da Unicentro e especialista nas áreas de Zoologia e Ecologia. A transmissão colocou em discussão a pesquisa com abelhas e o ecossistema. “Projetos como esse atingem um alvo bem importante, por fazer uma conexão entre a ciência, educação pública e a educação de maneira geral”, destacou a pesquisadora.
Durante a live, a professora Maria Luisa compartilhou um caso em que uma pessoa estava matando abelhas sem saber da importância delas. “Essa pessoa tinha maracujá em sua fazenda e, por não entender o papel das abelhas, acreditou que elas estavam destruindo a plantação. Por isso, ela jogou álcool nas abelhas, matando-as, sem perceber que elas são as principais polinizadores do maracujá, por exemplo.”
A pesquisadora também destacou a importância de atividades como a Quarta com Clubes para a propagação da informação científica. “Por isso, é fundamental atividades como essa para passar essas informações para os professores da educação básica, que podem repassá-las aos alunos, e esses, por sua vez, compartilharem com suas famílias, ampliando o conhecimento e a consciência sobre a importância das abelhas.”
A mediação da transmissão foi conduzida pelo jornalista Thiago de Oliveira e pelo orientador pedagógico da Unicentro e mestrando em Geografia, João Pedro Wendler Bahls. Dividida em dois blocos, a live começou com uma apresentação da professora Maria Luisa, que contextualizou a pesquisa com abelhas, abordando aspectos metodológicos, conceituais e a relevância do tema. No segundo bloco, a pesquisadora respondeu perguntas enviadas previamente por professores que atuam nos Clubes de Ciências, e desenvolvem, com seus clubistas, projetos com foco em abelhas. Além disso, perguntas enviadas em tempo real pelo chat da transmissão também foram respondidas ao vivo, no final da atividade.
Uma das professoras que assistiu à live e enviou perguntas foi Katiane dos Santos, coordenadora do clube Climatize-se, do Colégio Estadual Professor Pedro Carli, em Guarapuava. Para ela, a live foi uma forma leve e acessível de trazer formação para quem está diariamente na escola. “A primeira live foi bem interessante, gostei da forma como o tema foi abordado e como a conversa fluiu. Me senti motivada a continuar acompanhando as próximas. Contribuiu muito para os conteúdos que serão abordados pelos alunos no clube de ciências do colégio”, contou.
A professora pretende aplicar o que foi discutido pela pesquisadora Maria Luisa durante a live no dia a dia do Clube. “Quero aplicar algumas das ideias que a professora trouxe na forma como conduzimos as observações das abelhas na colmeia. A fala dela me deu várias ideias de como trabalhar de maneira mais investigativa com os alunos, por exemplo, propondo que eles façam registros sistemáticos dos comportamentos das operárias ou explorem a comunicação por meio das danças”, disse Katiane.

Além disso, Katiane reforçou a importância da interação entre a escola e a universidade. “Essa troca com a universidade nos ajuda a refletir sobre o que fazemos na escola e traz novas ideias e inspirações. Além disso, é um reconhecimento do nosso trabalho com os alunos, mostra que a pesquisa científica também pode nascer dentro da escola e que estamos todos no mesmo caminho, tentando formar cidadãos mais críticos e conscientes.”
O projeto Quarta com Clubes ocorre quinzenalmente, das 19h às 20h, e tem como objetivo oferecer formação científica aos professores que estão desenvolvendo projetos de pesquisa nos Clubes de Ciências das escolas do Paraná. As transmissões ao vivo, realizadas pelo canal do EducartGEO no YouTube continuam salvas para quem quiser assistir posteriormente.
A próxima live está marcada para o dia 11 de junho. O tema será água e a convidada é a professora Dra. Ana Lúcia Suriani Affonso, da Unicentro, com trajetória acadêmica nas áreas de Ecologia, Biologia da Conservação, Educação Ambiental e Ensino.Acompanhe mais atividades dos Clubes de Ciência pelo Instagram da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência @clubesparanafazciencia e pelo site Notícias – NAPI Paraná Faz Ciência!
Três novos integrantes são bolsistas de iniciação científica e uma de extensão

Na penúltima semana de abril, a equipe da Rede de Clubes responsável pelos clubes vinculados a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) recepcionou os mais novos membros do grupo. A reunião ocorreu no campus da Universidade, no bairro de Uvaranas.
O encontro propiciou a integração entre os novos participantes e demais membros da equipe, e também objetivou que os recém chegados conhecessem mais sobre o funcionamento da Rede de Clubes. Os bolsistas tiveram a oportunidade de conhecer o que é o NAPI Paraná Faz Ciência, compreender quais as secretarias estaduais vinculadas ao projeto e aprofundar o entendimento sobre as funções que irão desempenhar.
Tatiane Cristina Xavier, que cursa licenciatura em Ciências Biológicas, Jeferson Osni De Souza Junior, bacharelando em história, e Amanda De Oliveira Barcóte, que cursa farmácia, são bolsistas de iniciação científica. Entre suas funções, destaca-se o desenvolvimento de pesquisas relacionadas às atividades dos clubes. Já Leticia Maria Lima dos Anjos, licenciada em letras português/inglês, é bolsista de extensão, e será responsável, entre outras atribuições, por desenvolver materiais de divulgação relacionados aos clubes.
Durante a reunião, os novos integrantes foram orientados quanto às primeiras atividades a serem realizadas. Nos dias seguintes, iniciaram com algumas visitas à clubes, acompanhados dos Bolsistas Técnicos de Nível Superior (BTNS), marcando o início de suas atividades na Rede de Clubes.

Evento na UTFPR Campus Apucarana mobilizou mais de 60 pessoas, entre alunos, professores e representante do NRE, para um dia de aprendizado e troca de experiências.

Apucarana, PR – A Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), campus Apucarana, se tornou palco de um importante encontro científico no dia 22 de abril de 2025. O evento reuniu mais de 60 pessoas, incluindo alunos e professores de diversos colégios da região, além de representantes da UTFPR e do Núcleo Regional de Educação (NRE) de Apucarana, para uma tarde dedicada à ciência e à promoção da alimentação saudável.
A professora Dyana Braga, representando o NRE de Apucarana, prestigiou o encontro, que também contou com a presença dos coordenadores do projeto Rede de Clubes Paraná Faz Ciência pela UTFPR campus Apucarana, os professores Enio Stanzani e Sabrina Klein, da Licenciatura em Química, e da professora e nutricionista Tatiana Marin, da Faculdade de Apucarana (FAP).
O evento marcou um momento de integração e aprendizado para quatro clubes de ciências da região: o Clube Aventureiros do Conhecimento, do Colégio Estadual Cívico Militar Prefeito Carlos Massaretto, coordenado pelo professor Leandro Vicente Gonçalves; o Clube Ciência na Mesa, do Colégio Estadual Padre José Canale, liderado pela professora Márcia Oliveira de Britto; o Clube Jovens Alquimistas, do Colégio Estadual Cívico Militar Marquês de Caravelas, de Arapongas, sob a coordenação da professora Marilane de Jesus Ferreira; e o Clube Conexão Ciências Sustentabilidade, do Colégio Estadual João Paulo I, de Bom Sucesso, orientado pela professora Elaine Correa Soares.
O ponto alto da tarde foi a palestra da professora e nutricionista Tatiana Marin, que abordou temas cruciais para a saúde dos jovens, como a escolha de alimentos nutritivos e a importância de evitar as perigosas dietas da moda. Os alunos tiveram a oportunidade de interagir com a palestrante, tirando dúvidas e aprofundando seus conhecimentos sobre a temática.
Após a enriquecedora palestra, os holofotes se voltaram para os protagonistas do evento: os clubes de ciências. Cada grupo teve a chance de apresentar brevemente as pesquisas que têm desenvolvido na área da alimentação saudável. As apresentações se transformaram em um valioso espaço de troca de experiências entre os estudantes, que puderam conhecer os projetos uns dos outros e compartilhar seus aprendizados.
Um dos momentos mais marcantes foi a coragem de alguns clubistas em assumir a frente das apresentações. A iniciativa demonstrou o engajamento e a dedicação dos jovens com a ciência, além de proporcionar um importante treinamento para suas habilidades de oratória e comunicação, preparando-os para futuras apresentações e desafios acadêmicos.
O encontro na UTFPR Campus Apucarana reforça a importância da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência como um catalisador para o desenvolvimento do interesse científico nos jovens, promovendo a interação entre diferentes instituições de ensino e estimulando a pesquisa e a troca de conhecimentos em áreas relevantes para a sociedade, como a alimentação saudável. A energia e o entusiasmo dos participantes evidenciaram o potencial promissor da nova geração de cientistas do Paraná.
A viagem teve como objetivo participar do dia de visitação aberto ao público no centro de tecnologia mais moderno do país.

Os clubistas do CAPCiência e mais 17 alunos do Colégio de Aplicação Pedagógica (CAP), da Universidade Estadual de Maringá (UEM), fizeram uma viagem ao Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas, São Paulo. O grupo participou do dia de visitas anualmente realizado pelo CNPEM, o Ciência Aberta. Viajaram ao todo 40 alunos e cinco professores.
“Foram 23 alunos do Clube de Ciências e mais 17 alunos selecionados entre os de melhor desempenho em relação às notas e com menor número de faltas”, explica o professor e coordenador do Clube, Antônio de Oliveira. “Recebemos o apoio da UEM, por meio da Pró-Reitoria de Extensão e Pesquisa, para que a viagem pudesse ser concretizada e foi uma experiência muito interessante, tanto para os alunos quanto para os professores”, reforça o professor.
O evento em Campinas faz parte da sétima edição do Ciência Aberta, promovida pelo CNPEM – órgão supervisionado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) – que oferece à comunidade dois dias de visitação para conhecer a estrutura do campus, este ano realizado nos dias 30 e 31 de maio. O primeiro dia é dedicado a grupo de estudantes e excursões previamente cadastrados, e o segundo é aberto à comunidade em geral, sempre gratuitamente.
A atração mais conhecida do campus é o Sirius, o acelerador de partículas brasileiro, uma estrutura grandiosa e de última geração que está possibilitando avanço de pesquisas em áreas multidisciplinares e totalmente novas. Seu princípio de operação é produzir um tipo especial de luz, a luz síncrotron, que está sendo utilizada para investigar a composição e a estrutura da matéria em suas diversas formas, e ainda permite acompanhar esses processos físicos, químicos e biológicos nas frações de segundo em que se dão.

“É uma tecnologia única que possibilita a solução de grandes questões da ciência. Entre eles, possibilitou conhecer melhor a estrutura do vírus da Covid-19 e sua proteína que faz a ligação com as células humanas e causam a infecção”, explicou o bolsista administrativo da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, Yudi Godoy, biotecnologista e mestre em Ciências Farmacêuticas que acompanhou o grupo na viagem a Campinas.
Os laboratórios em si estavam fechados, por se tratar de um evento de alto volume de circulação de pessoas, mas à frente de cada um deles havia um monitor explicando qual a importância daquela pesquisa, o que aquele laboratório estuda, as aplicações práticas de cada trabalho. “Os alunos puderam interagir com os mais diversos profissionais ali e penso que foi algo muito incentivador para os alunos seguirem carreira na pesquisa, nas engenharias, na ciência como um todo”, defende Yudi.

Esses laboratórios ao longo do prédio têm microscópios de varredura, um equipamento muito específico, comenta Yudi. “Normalmente nas universidades vemos apenas um exemplar desses e uma fila de pesquisadores para usá-lo; é outra realidade. Esse equipamento faz imagens que outros não conseguem”, informa o pesquisador.
Além de contar com mais microscópios de fluorescência, fluxos laminares para fazer cultura de células, sequenciamento de DNA, entre outros usos. São equipamentos mais básicos de laboratório, mas lá vistos em maior quantidade: centrífugas, pipetas. “Permite que cada pesquisador tenha seu conjunto de pipetas, algo que custa em torno de 10 mil reais. Realmente uma estrutura muito organizada e atual”, define Yudi.
Durante a visita, os estudantes puderam caminhar pelas rotas internas do prédio onde está o acelerador e visualizar esses laboratórios de pesquisa e seus equipamentos, seguindo um roteiro preparado pela organização previamente. Em sua edição anterior, foram registradas mais de 21 mil pessoas nos dois dias de visitação do Ciência Aberta.
A estrutura do CNPEM contempla ainda laboratórios voltados para os temas de energias renováveis, biociências e nanotecnologia. Áreas também relacionadas com o tema de pesquisa do Clube de Ciências do CAP, esse ano dedicado a pesquisar sobre energia. Esses laboratórios e seus pesquisadores atuam, por exemplo, para buscar soluções em saúde no âmbito nacional, com pesquisas em biologia molecular e imunologia.

Após a visita ao acelerador de partículas no CPNEM, a excursão se estendeu até o campus da UNICAMP (Universidade Estadual de Campinas), para que os alunos pudessem caminhar e conhecer como são os centros de estudos e a estrutura de um campus universitário. Ao final do dia, retornaram para Maringá.
O Colégio de Aplicação da UEM tem um perfil no Instagram, o @capuemoficial para acompanhar as demais atividades do clube e do colégio.
É o primeiro encontro realizado pelos clubes de ciências vinculados à Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, que partilharam diversos experimentos científicos.

Quatro colégios estaduais de Curitiba (PR) decidiram se unir para que seus Clubes de Ciências promovam a integração entre os estudantes, na tarde de sexta-feira, 30 de maio. O Colégio Estadual Alfredo Parodi foi o anfitrião do evento, que contou com a participação das pós-doutorandas da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Bolsistas Técnicos Nível Superior ( chamados de bolsistas BTNs) e bolsistas do PIBID (Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência), também da UFPR.
A idealizadora foi a professora de Biologia Corine Costa, coordenadora do Clube Geração Científica, que convidou os clubes de ciências dos Colégios Estaduais Isolda Schmid e Teotonio Vilela e do Colégio Estadual para Surdos Alcindo Fanaya Júnior. Dentre as atividades realizadas, os destaques foram o experimento científico com fogo colorido para explicar as cores das estrelas, a construção de uma luneta caseira e o lançamento de um foguete com a base de pressão de água. O tema principal do encontro foi astronomia.
“Eu gosto bastante de participar do Clube de Ciências. Porque quando você aprende, automaticamente, fica mais interessado nas atividades científicas”, relata a clubista Raquel Gabrielly Sampaio, do Clube Geração Científica. Outro clubista, Matheus Felipe Lopes Pereira, do Colégio Estadual para Surdos Alcindo Fanaya Júnior, achou interessante o evento. “A gente pode ver o conteúdo dos clubes, conhecer as ideias, as atividades de cada um, o que desperta nossa curiosidade”, sinalizou Matheus com tradução do intérprete de libras Evonir Vieira da Silva. Matheus participa do Clube Verde Mel o Clube, que trabalha com abelhas.
Bianca Muchiuti está no nono ano de licenciatura em Ensino de Ciências Biológicas na UFPR, e afirmou que a atividade na escola contribui para sua prática em docência, “porque podemos observar esta interdisciplinaridade, os alunos interagindo entre eles, e o quanto estão sendo participativos nas oficinas”, explica Bianca.
“Hoje é um dia muito especial”, celebrou a diretora do Colégio Alfredo Parodi, Cristiana Ducci Göhr, “conseguimos compartilhar o projeto do nosso clube de ciências, apresentar a proposta dos professores, as atividades que os alunos estão desenvolvendo, dando cada vez mais protagonismo para os estudantes”, completa.
Esta foi a primeira atividade de integração promovida pelos clubes, encerrada com um café da tarde. E, dado o sucesso, os professores já se mobilizam para uma nova atividade semelhante, ainda sem data definida.

Rede de Clubes é um incentivo para a ciência na Educação Básica

Com 200 clubes distribuídos em 31 dos 32 Núcleos Regionais de Educação do Paraná, a Rede de Clubes Paraná Faz Ciência é uma das ações pelas quais o NAPI (Novos Arranjos de Pesquisa e Inovação) Paraná Faz Ciência é responsável. Essa rede é gerida pelos articuladores Débora Sant’Ana, da Universidade Estadual de Maringá (UEM), e Rodrigo Reis, da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Segundo Débora, o grande objetivo do NAPI Paraná Faz Ciência é fortalecer a cultura científica do Estado do Paraná, “fazer com que a ciência esteja no cotidiano e na boca das pessoas”. Ela acredita que é por meio da divulgação científica que a ciência pode ser popularizada para todos, inclusive, sendo apoiada nas escolas. Neste sentido, a Rede de Clubes desempenha um papel de reforçar essa cultura, já que os estudantes a levam para suas famílias e também porque estão em fase de escolhas para o futuro, de quais profissões seguirão.
Como explica o professor Rodrigo, a Rede também é uma forma de antecipar esse contato dos estudantes da educação básica com a ciência, com os processos científicos, com a inovação e com resoluções de problemas baseados na sua própria realidade. O principal objetivo é ampliar o interesse dos estudantes pela ciência e pelas carreiras científicas, com a possibilidade de bolsas para os professores coordenadores dos clubes e para os alunos, a participação em feiras de ciências e a formação continuada. O investimento total, feito pelo governo do Estado, é de R$23,5 milhões.
São em torno de cinco mil estudantes e em média 300 professores nesta grande rede que beneficia escolas, professores e alunos. O início do projeto dos clubes foi em 2024, mas com fases mais burocráticas, da execução dos convênios. Neste ano de 2025, muitos planos estão se concretizando de forma efetiva e os clubes poderão também participar de feiras de ciências, apresentando seus trabalhos.
Uma das novidades no processo de gestão dos Clubes é a fase da compra de material e contratação de serviços necessários para as atividades. Os pedidos podem ser enviados até 29 de agosto, por cada um dos 200 clubes. Cada professor fará o levantamento de todas as demandas de produtos e serviços que vão se utilizar, especificando-os em planilhas para que seja feita a compra de tudo que precisarem para a rotina dos seus Clubes.

A Rede de Clube surgiu da vivência e do diálogo que os professores tiveram no Ciência Viva de Portugal. Neste ambiente, eles perceberam que essa Rede de Clubes é o motor indutor do que eles chamam de movimento social pela ciência. Segundo o professor Rodrigo, eles já tinham a previsão de ter os clubes de ciência quando idealizaram o Paraná Faz Ciência, mas de uma maneira muito mais simples. Após a visita a Portugal, a situação se alterou, já que ficou nítido a potência deste projeto.
Débora explica que durante a viagem, visitaram tanto clubes de ciências em zona urbana, quanto em zonas rurais. “Foi uma oportunidade de dialogar com os estudantes, professores e os coordenadores da Rede Ciência Viva”. Assim, o surgimento dos clubes é uma construção em conjunto dos professores Débora e Rodrigo, o professor Ramiro Wahrhaftig, presidente da Fundação Araucária, e outros gestores da Secretaria Estadual de Educação (SEED-PR).

Os clubes de ciências são espaços que oferecem aos alunos autonomia e protagonismo. Segundo a professora Débora, diferentemente do ambiente cotidiano de sala de aula, com prazos e processos avaliativos formais, a ideia da Rede de Clubes é desenvolver competências e habilidades em torno do trabalho em equipe, liderança, organização do tempo e habilidade de observação.
A possibilidade dos clubes em desenvolverem soluções para problemas locais ou regionais, é um outro benefício. Pois, se há uma questão impactando a vida deles de alguma maneira os alunos podem, de forma ativa, contribuir, estudar ou compreender. Em relação aos professores, ser coordenador de um clube é uma oportunidade de trabalhar a iniciação científica na escola, reforça Débora. Também é uma maneira dos educadores terem mais autonomia, já que o projeto é desenvolvido por eles com os alunos.
O professor Rodrigo acrescenta que a oportunidade de participar da Rede de Clubes foi facilitada pela definição de uma carga horária dedicada, além de um valor em forma de bolsa-auxílio – embora não seja a principal motivação, pelo valor simbólico se comparado ao volume de trabalho gerado por um clube –, porém, ainda assim é uma forma de valorizar esse tipo de atividade pedagógica.
Existe ainda o ganho do contato com as universidades. Para o estudante, muitas vezes o espaço da universidade está distante e o ambiente escolar acaba sendo o ponto de contato, com possibilidades mais restritas. O próprio professor clubista, que eventualmente perdeu vínculo com o ambiente universitário, pode reabilitar-se nesse sentido a partir das trocas incentivadas pela Rede de Clubes, da parceria com a universidade, com pontos de referência e acesso a cursos de formação continuada. Segundo a professora Débora, este é um benefício também para a própria universidade que recebe os clubistas, porque se retroalimenta e tem contato mais direto com o cotidiano da educação.

A ideia inicial da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência pela Fundação Araucária e pela Secretaria de Estado da Ciência Tecnologia e Ensino Superior (SETI) se expandiu, e com a seleção em um edital do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), por meio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), foi possível abrigar mais clubes de ciência, nos moldes do projeto da Rede de Clubes, porém nomeados de Rede de Clubes Paraná Faz Ciência ‘Maker’.
Os 45 clubes do tipo ‘makers’ (fazedores, em tradução aproximada) têm foco em atividades ainda mais práticas, para os alunos vivenciarem experiências de fazer os próprios trabalhos e investigações. Em geral, os clubes Makers têm bolsas para uma parte dos estudantes e em relação à temática, a expectativa é que tenham o envolvimento de robótica ou de assuntos mais técnicos, como prototipagem e execução de modelos.
Outra vertente de clubes de ciências veio com a Rede de Clubes Paraná Faz Ciência Meninas, que abriga projetos desenvolvidos por meninas e mulheres, também com apoio da esfera federal, via CNPq. Algumas regras são diferentes para esses novos integrantes da Rede, mas segundo os professores Débora e Rodrigo, há uma tentativa de uniformizar ao máximo os processos para que todos eles atuem como parte de uma mesma rede.
Para os articuladores Débora e Rodrigo, a estruturação da Rede de Clubes potencializou a capacidade do Estado do Paraná em captar recursos em outros editais e assim fortalecer e ampliar mais essa Rede. Ao todo, já se contabilizam cerca de 280 novos clubes, com similaridades e peculiaridades, de acordo com o agente financiador.
O encontro seguiu a temática da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia de 2024

Promover a integração entre os Clubes de Ciências e apresentar o cenário científico da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Esse foi o objetivo do evento “Biomas na UEL: dos clubes de ciência à pesquisa e extensão na universidade”, realizado, nesta quarta-feira (28). O tema do encontro, inspirado na Semana Nacional da Ciência e Tecnologia de 2024, faz parte do projeto aprovado na Universidade Estadual de Maringá (UEM), parceira da instituição.
A abertura ocorreu no Anfiteatro Cyro Grossi, no Centro de Ciências Biológicas (CCB). Segundo a professora Mariana Andrade, coordenadora institucional do NAPI PRFC pela UEL e coordenadora estadual do PRFC Maker, compareceram aproximadamente 400 pessoas, entre alunos e professores, ao longo do dia. “É um momento bem interessante porque estamos nos conhecendo presencialmente e […] podendo articular o trabalho dos clubistas com pesquisas da Universidade”, destacou.
Além da docente, a recepção contou com falas da professora pró-reitora de Extensão, Cultura e Sociedade da UEL, Zilda Andrade; do professor Eduardo Araújo, diretor de Pesquisa da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação da UEL; da professora Débora Sant’Ana, articuladora do NAPI PRFC; do professor Leonardo Zanoni, do Núcleo Regional de Educação (NRE) de Londrina; e da estudante Isabella Cachoeira, representante do PET-Biologia.

A conversa com os alunos teve como foco principal a pesquisa e extensão na UEL. Foram abordadas experiências práticas e os impactos positivos dessas iniciativas na formação acadêmica e na comunidade. Ao final, os clubistas puderam entender melhor como funciona o trabalho de todo o núcleo que participa ativamente da Rede de Clubes articulada pela instituição. No total, a Universidade Estadual de Londrina é responsável por 18 Clubes de Ciências, sendo dois do projeto Maker.

De acordo com a professora Zilda, os eventos são essenciais para apresentar o contexto da Universidade aos estudantes. Afinal, é por meio desse primeiro contato que os alunos podem despertar o interesse no Ensino Superior como um todo. “Para a UEL é uma oportunidade levar ao conhecimento a nossa estrutura, os nossos cursos, o que a Universidade oferece em projetos de ensino, pesquisa, extensão e inovação”, explica.
A professora Débora também reforçou a relevância dessa integração entre pesquisadores e estudantes, sobretudo para ajudar a tornar o universo da ciência mais acessível para todos. “Esses eventos são importantes para que os estudantes da Educação Básica tenham pertencimento à ciência, tecnologia e, especialmente, à Universidade.”
Por meio do encontro, os Clubes de Ciências conheceram mais sobre as pesquisas relacionadas à biologia animal e vegetal. No CCB, os alunos foram introduzidos aos estudos sobre o Bioma Mata Atlântica e a Floresta Estacional Semidecidual do Paraná, compreendendo a importância desses ambientes. Além disso, fizeram uma visita ao Museu de Zoologia da UEL, onde puderam observar de perto exemplares da fauna regional e nacional.


Outra atividade realizada foi a visita ao Museu de Ciência e Tecnologia de Londrina (MCTL), que também fica localizado no Campus Universitário. Por lá, os estudantes fizeram experimentos químicos e físicos, viram formas de eletrização e descobriram como é a estrutura do museu em si. O passeio proporcionou um aprendizado interativo, com demonstrações práticas.

A programação foi a mesma para o período da manhã e da tarde. O evento foi organizado com a colaboração de todos os profissionais e bolsistas da equipe NAPI UEL, em parceria com a UEM.
Também esteve no evento oficial, o Clube Verde Mel, do Colégio Estadual para Surdos Alcindo Fanaya Jr, com 72 anos de história de ensino e é parte do ensino em tempo integral

“A verdade está lá fora”, dizia o slogan da série Arquivo X, que fez sucesso no Brasil nos anos 1990. Essa frase, aparentemente simples, nos ajuda a compreender como funciona o saber científico. A Ciência busca incansavelmente compreender melhor nosso mundo, sempre atenta para os problemas da realidade.
E foi olhando para os desafios do dia a dia que o Clube de Ciência Geração Científica, do Colégio Estadual Alfredo Parodi, de Curitiba, passou a desenvolver um projeto para revitalizar um bosque tomado pelo lixo e pela falta de iluminação pública, que fica ao lado da escola. Diante desse problema, que gerava insegurança e medo entre os moradores do bairro, o Clube organizou um abaixo-assinado e levou a demanda até as lideranças políticas que atenderam o pedido. Agora o bosque tem sido limpo com regularidade pelos agentes públicos. Durante a cerimônia para apresentar oficialmente a Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, que aconteceu em 15 de abril, o Clube Geração Científica, coordenado pelas professoras Corine Costa e Izabella Vieceli, apresentou um novo projeto voltado para a área de robótica. Os estudantes estão desenvolvendo um robô para ajudar na revitalização do rio Belém. O protótipo, inspirado na tecnologia River Cleaning, possui o formato de um barquinho que intercepta resíduos que fluem pelos rios.

O próximo passo do projeto é trabalhar para avaliar a qualidade da água, além de desenvolver um sistema de placas solares para gerar uma energia totalmente limpa. “Por causa desse projeto nós vimos, na prática, como a Ciência transforma as ideias em ações reais. A gente transformou nossas ideias em algo concreto”, explicou a aluna Júlia Ducci Göhr, de 17 anos, durante a apresentação do Clube na cerimônia realizada no Palácio Iguaçu, sede do governo do Estado, em Curitiba.
Outro clube que também esteve no evento foi o Verde Mel, do Colégio Estadual para Surdos Alcindo Fanaya Jr, de Curitiba. Com apoio do intérprete de libras, Evonir Vieira da Silva, os estudantes surdos Eduardo Martins Carvalho, de 16 anos, e Matheus Felipe Lopes Pereira, de 18 anos, contaram o quanto estão aprendendo nas tardes de sexta-feira, durante os encontros do clube, com duração de 2 horas. “Aprendemos sobre a importância de cuidar das abelhas, aprendendo sobre o processo de fabricação do mel, estudando sobre o sabor e o gosto, além de estudar sobre o comércio”, relata Eduardo. “Também aprendemos sobre a tecnologia necessária para o cultivo das abelhas, porque elas não oferecem perigo, elas precisam ser cuidadas”, completa Matheus.
O professor Arlei Roberto de Sousa, coordenador do Clube, detalhou a metodologia desenvolvida no Verde Mel: “Criamos abelhas Jataís, que não possuem ferrão, portanto, não apresentam riscos aos estudantes. Elas são típicas da América do Sul e produzem um mel de alta qualidade”, afirma.
O Colégio Estadual para Surdos Alcindo Fanaya Jr., segundo a diretora da instituição Eli Prestes de Aguiar, possui 72 anos de história e faz parte do Programa Paraná Integral, atendendo alunos da educação infantil, das séries iniciais e finais do Ensino Fundamental e também do Ensino Médio. “Temos estudantes surdos, surdocegos e com baixa visão”, explica a diretora.
A Rede conta mais de 200 Clubes de Ciência já, totalizando 4.708 clubistas produzindo pesquisa e inovação, buscando a verdade que está lá fora, isto é, que está para além dos muros da escola. “Estamos nesse evento oficializando esse movimento tão importante que está acontecendo nas escolas do Paraná. São cientistas já na educação básica que vão chegar no Ensino Superior e fazer a diferença neste Estado, que já faz ciência de qualidade”, comenta Débora Sant’Ana, articuladora da Rede Paraná Faz Ciência.
Projetos científicos desenvolvem robôs com materiais recicláveis e horta mandala inspirada em técnicas indígenas, integrando ciência, cultura e meio ambiente
Os Clubes de Ciências implantados em escolas da rede estadual estão promovendo experiências educativas que integram ciência, tecnologia, cultura e sustentabilidade. Dois projetos se destacam: uma horta mandala no Colégio Estadual Tereza Ramos, em Matinhos, e um projeto de robótica sustentável no Colégio Estadual Bento Munhoz da Rocha Netto, de Paranaguá.

No Colégio Tereza Ramos, os estudantes participam da criação e manutenção de uma horta mandala, modelo de cultivo em formato circular que tem origem nos sistemas agrícolas de povos indígenas brasileiros, como os Tupi-Guarani e os Xavante. A técnica, que foi resgatada e difundida pela permacultura na década de 1970, promove o uso eficiente do espaço, o equilíbrio ecológico e a produção sustentável de alimentos. O projeto envolve diferentes turmas e áreas do conhecimento, contribuindo para o desenvolvimento de competências integradas no ambiente escolar.

Já no Colégio Bento Munhoz da Rocha Netto, os alunos são incentivados a construir protótipos de robôs utilizando materiais recicláveis, como caixas de papelão, garrafas PET e tampinhas plásticas. A proposta une fundamentos da robótica com práticas de reutilização e consciência ambiental, possibilitando a vivência prática dos conteúdos e o fortalecimento de habilidades como lógica, criatividade e trabalho em equipe.
Os projetos são realizados em ambiente escolar por meio dos Clubes de Ciências, com foco na abordagem maker, que estimula o “aprender fazendo”. Essas ações contribuem para aproximar os estudantes do fazer científico, promovendo a interdisciplinaridade, o protagonismo juvenil e a valorização dos conhecimentos tradicionais como base para soluções inovadoras e sustentáveis.