Professores e membros da organização da FECCI podem responder ao formulário de opinião no site da Feira

Milhares de pessoas participaram da Feira de Cultura Científica (FECCI), promovida em novembro desse ano. Agora, é hora de avaliar o evento. A ideia é que essas informações sejam usadas para que ele se torne ainda melhor, em 2026.
Para isso, pedimos a contribuição de todos aqueles que participaram da organização e das atividades da FECCI. É essencial conhecer a opinião de professores, articuladores, orientadores, pós-doutorandos, bolsistas BTNS e demais integrantes da gestão.
O instrumento para levantar essas informações é um formulário que está disponível no site da FECCI (fecci.net.br).
A pesquisa é dirigida apenas a professores e parceiros do NAPI Paraná Faz Ciência, estudantes não devem responder!
O articulador do NAPI Paraná Faz Ciência e coordenador da feira, Rodrigo Reis, lembra que “todo evento, apesar do sucesso, pode ser melhor. E é isso que essas informações coletadas vão permitir, em 2026.”
Já a outra articuladora do NAPI e também coordenadora da FECCI, Débora Sant’Ana, lembra que esse processo avaliativo é uma parte importante de todas as ações desenvolvidas pelo NAPI. “Especialmente, a FECCI, uma das maiores iniciativas do Arranjo. Contribuam!”
Os alunos pretendem usar as pesquisas do clube para orientar a população sobre a importância das abelhas

Abelhas são cruciais para o planeta. Ajudam na manutenção das florestas, na produção de alimentos e, claro, no próprio equilíbrio ecológico. Mesmo assim, são constantemente ameaçadas por práticas humanas. Por isso, o clube CCM Bee, do Colégio Cívico-Militar Nestor Victor dos Santos, em São Miguel do Iguaçu, busca conscientizar a população enquanto investiga o papel das abelhas sem ferrão na biodiversidade.
Na Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, o projeto é articulado pela Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA). Os estudos tiveram início no ano passado e o clube começou as atividades com a construção de iscas. Os alunos capturaram algumas abelhas Jataí, uma espécie pequena que não possui ferrão, para aprender mais sobre os insetos e como cuidar deles.
Neste primeiro momento, os estudantes também foram orientados sobre como os agrotóxicos, o desmatamento e o aquecimento global afetam diretamente a vida das abelhas. Agora, com o projeto mais avançado, os alunos estão se organizando para transferir as abelhas capturadas para um meliponário com colmeias, plantar mudas e, em breve, promover oficinas educativas em escolas municipais.

A ideia é expandir o impacto das pesquisas para além dos muros da escola, inspirando novas ações sustentáveis. Inclusive, o CCM Bee já está participando ativamente de eventos e feiras científicas para divulgar os resultados do projeto. Em agosto deste ano, por exemplo, o clube foi selecionado para a etapa estadual da VI Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente (CNIJMA), em Foz do Iguaçu.
De acordo com a professora coordenadora, Jocimara Monsani, o Clube de Ciências tem sido essencial para despertar a curiosidade científica dos estudantes. “Os alunos desenvolvem habilidades fundamentais para o século XXI: pensamento crítico, resolução de problemas, trabalho em equipe, comunicação e escrita científica e consciência ambiental”, explica.

A docente ainda destaca a parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e com o Sindicato Rural de São Miguel do Iguaçu. Juntos, estão oferecendo um curso sobre Produtos Apícolas para a população, entre os dias 15 e 20 de dezembro. Serão aulas gratuitas, com certificado e material já incluso. “Uma realização que fortalece o conhecimento, valoriza a biodiversidade e conecta a ciência com a comunidade escolar”, reforça Jocimara.
Além das atividades envolvendo as abelhas sem ferrão, análises do mel e produção artesanal, o Clube de Ciências também realiza outras investigações. Um exemplo é a pesquisa científica sobre a identificação de focos do mosquito da dengue nas armadilhas com garrafa pet, que foram instaladas para capturar as abelhas.
Aluna do Clube “Ciências no nosso dia a dia”, de Presidente Castelo Branco, é uma dos 27 estudantes selecionados em todo o Brasil

Durante este ano, muitos clubes e estudantes se destacaram. Entre eles está Julia Carolina Bunhak Quintino, do 8º ano, do Colégio Estadual Integral Maria Carmella Neves de Souza, em Presidente Castelo Branco. A aluna faz parte do Clube “Ciências no nosso dia a dia” e foi selecionada para representar o Paraná na Olimpíada Nacional de Eficiência Energética (Onee).
A Onee é uma iniciativa da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), e tem como intenção alertar estudantes e professores sobre o consumo responsável de energia, sustentabilidade e cidadania. Isso tudo por meio de uma metodologia gamificada alinhada à BNCC (Base Nacional Comum Curricular).
Em todo o Brasil, vinte e sete alunos dos 8º e 9° anos do ensino fundamental representaram seus estados na terceira etapa da edição 2025 da olimpíada, que ocorreu nos dias 5 e 6 de outubro na capital federal, em Brasília.
Para ingressar Júlia teve que passar por algumas etapas: a primeira, realizar um curso pela plataforma da Onee que envolvia desde as fontes de energia até o consumo consciente. Paralelamente, a clubista se envolveu em desafios digitais e jogos interativos sobre a temática. E depois, a aluna realizou uma prova sobre eficiência energética que testou os conhecimentos adquiridos. A formação alcançou também os professores, como conta a aluna. “Os professores também receberam formação por meio de um curso digital sobre energia e segurança. No final, os melhores colocados ganharam medalhas, e os campeões nacionais, como meu caso, participaram de uma cerimônia em Brasília”, explica Júlia.

Conforme a professora, Arleia Figueiredo da Costa, a ideia inicial foi do professor Lucas Bertolucci, de Geografia e Robótica. Ele foi o responsável por acompanhar a estudante em todas as etapas, até mesmo na viagem, para participar da final.
Mesmo assim, Arleia afirma que o clube influenciou a escolha da aluna em participar das Olimpíadas. “O grande objetivo do clube é prepará-los e motivá-los para a apresentação de seus trabalhos em feiras de ciências e para a participação em olimpíadas do conhecimento, como a Olimpíada Nacional de Eficiência Energética”, explica.
A professora também reforça a importância dos clubistas em feiras e olimpíadas para a complementação do aprendizado em sala de aula. “Essas experiências estimulam o aprofundamento do conhecimento e o desenvolvimento de habilidades cruciais, como o raciocínio lógico, a criatividade e a capacidade de pesquisa”, defende.
“Para muitos desses alunos, essas atividades representam a primeira oportunidade de vivenciar um evento científico, o que enriquece imensamente sua formação. Elas promovem o interesse pela ciência de forma prática e competitiva, oferecendo visibilidade para o trabalho dos estudantes e abrindo portas para oportunidades futuras em universidades”, acrescenta a educadora.

A estudante relembra o misto de emoção – orgulho e nervosismo – ao descobrir que representaria o seu Estado nas Olimpíadas. “A jornada foi muito mais do que apenas estudar conceitos; foi uma verdadeira imersão em como a energia funciona e, mais importante, como podemos usá-la de forma mais consciente e sustentável. Através de jogos e desafios interativos, eu comecei a entender como os pequenos hábitos da minha família, como apagar as luzes ou desligar a TV da tomada, realmente fazem a diferença”, explica Júlia.
A clubista reforça que o clube foi essencial para aprofundar os seus interesses. “Eu tive a oportunidade de participar de projetos práticos que não seriam possíveis em sala de aula”. E também as habilidades desenvolvidas neste ambiente, como pesquisar de forma eficaz, trabalhar em equipe e apresentar ideias. “O estímulo constante do clube de ciências foi muito importante para minha jornada rumo à Olimpíada Nacional de Eficiência Energética”, afirma.
Durante os meses, Júlia diz que o ambiente foi de contínuo aprendizado. “Tinha um grande engajamento entre estudantes e professores de todo o Brasil, com um formato digital e interativo, quase como um jogo, o que facilitou a participação de milhares de alunos de várias regiões”.
O professor de robótica conta que foi uma experiência muito positiva acompanhar a estudante no evento. Bertolucci explica que atuou como mentor e guia em todo o processo. “Além de orientá-la sobre o conteúdo de energia e sustentabilidade, minha função foi manter a motivação dela nos desafios propostos e mostrar que a teoria se aplica de forma prática no dia a dia, tanto na escola quanto em casa”, conta.
Toda equipe: professor, professora e clubista seguem gratos pela conquista. “Embora a conquista da medalha em si seja o reconhecimento principal pelo esforço, é ainda mais gratificante ver o interesse dela por ciência e sustentabilidade se fortalecer dessa forma” comenta o professor Lucas. A professora Arleia acrescenta que o clube segue fomentando o aprendizado e “também oferece a plataforma e o suporte necessários para que os estudantes brilhem em competições, representando suas escolas e estados com confiança”, finaliza a docente.
Clube dedicado ao público feminino marca simbolicamente a trajetória da escola e estimula jovens a vivenciarem a cultura científica

O Instituto de Educação Erasmo Pilotto, em Curitiba, integra a Rede de Clubes Meninas Paraná Faz Ciência, iniciativa estadual que reúne 45 instituições da rede pública para incentivar a participação de meninas e mulheres em ambientes científicos e fortalecer sua permanência em carreiras da área.
Segundo a professora coordenadora do clube, Camila Cristina Ferreira da Costa, essa presença transforma o cotidiano escolar e amplia horizontes. “O projeto abre horizontes, traz a cultura científica para a escola. As meninas e mulheres desenvolvem autonomia, conhecimento do método científico e pensamento crítico”, conta.
A diretora Márcia Murbach reforça que a existência de um clube voltado às meninas em uma escola com quase 150 anos de história tem forte significado simbólico. O Instituto, que já foi exclusivamente feminino, contou com apenas sete mulheres na direção ao longo desse período — incluindo a atual. Para ela, abrir um espaço institucionalizado para o diálogo entre ciência e protagonismo feminino reafirma essa trajetória.
“É a primeira vez que a gente tem um clube de meninas pensando em ciência. A escola vai fazer 150 anos, e isso é muito significativo. Ter um espaço aberto para o feminino dialogar com a ciência, se aproximar de um mundo que foi por muito tempo masculino, é muito bonito”, afirma.

A presença de mulheres cientistas na escola também tem impacto direto na construção de referências para as estudantes. “As meninas na ciência são capazes. Mostrar que elas têm representatividade, que estão vendo outra professora cientista envolvida com elas…isso abre portas para outros momentos femininos dentro da escola”, destaca Márcia.
A coordenadora Camila observa que essa transformação aparece tanto no desenvolvimento pessoal quanto no interesse acadêmico das alunas. “O clube é importante no nível individual, mas desperta também o interesse pelas áreas das ciências da natureza e exatas, promovendo protagonismo juvenil e enriquecendo a formação escolar.”
A Rede Meninas Paraná Faz Ciência articula escolas que desenvolvem projetos interdisciplinares, colaborativos e interinstitucionais, fortalecendo a inserção de meninas e mulheres em diferentes campos da ciência desde a Educação Básica.
Para Camila, esse trabalho também gera efeitos coletivos. “No âmbito social, buscamos popularização e divulgação científica, trazendo o protagonismo para as meninas e mulheres, e outras minorias”, explica. No Instituto de Educação, essa cultura científica já alcança estudantes mais jovens. E a diretora avalia que o impacto tende a se multiplicar ao longo dos próximos anos. “Isso vai abrir portas para as [alunas] que estão chegando no sexto ano. Ter esse poder feminino representado e dialogar com o espaço da ciência é essencial. Pensar a ciência como um local de pesquisa independente do gênero é a parte mais importante”, afirma.
As visitas integram as ações ligadas à 22ª SNCT; a primeira parte do evento ocorreu na Universidade

Em maio, a Universidade Estadual de Londrina (UEL) convidou os clubes articulados pela instituição para o evento “Biomas: dos clubes de ciência à pesquisa e extensão na Universidade”. O encontro ocorreu na própria UEL, integrado à 22ª Semana Nacional da Ciência e Tecnologia (SNCT), por meio de um projeto aprovado na Universidade Estadual de Maringá (UEM). Agora, foi a vez da equipe NAPI/UEL se locomover até cidades da região para conhecer as atividades dos clubistas.
As visitas foram realizadas em escolas dos Núcleos Regionais de Educação (NREs) de Londrina e Telêmaco Borba. Do primeiro, foi o Colégio Estadual 14 de Dezembro (Clube 14), de Alvorada do Sul, que recebeu a equipe. Já do segundo, foi o Colégio Estadual São Francisco de Assis (Clube Cientistas em Ação), de Telêmaco Borba; Colégio Estadual Manoel Antônio Gomes (Clube Riso), de Reserva; Colégio Estadual Altair Mongruel (Clube Mentes Brilhantes) e Centro Estadual de Educação Profissional Florestal e Agrícola (Clube Lavoisier), ambos de Ortigueira.

Segundo a professora Mariana Andrade, coordenadora institucional do NAPI – PRFC pela Universidade, a visita aos clubes tem como objetivo principal promover maior integração entre a Universidade, os professores e os alunos que fazem parte da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência. “É um momento para que os clubistas apresentem seus projetos em desenvolvimento e para a Universidade levar outros temas de pesquisa”, destaca.
Para Gabriela Figliano, bolsista pedagógica (Bolsa Técnico Nível Superior-BTNS – em Pedagogia), a recepção nas escolas não poderia ter sido melhor. Durante os encontros, a equipe da UEL apresentou os biomas do Brasil, levou amostras do Museu de Zoologia e conheceu mais sobre os clubes. Um deles foi o Clube Riso, que trabalha com robótica. “No momento da visita, rolou um bate-papo bem descontraído”, conta. “Os meninos mais tímidos, mas muito habilidosos com a parte mecânica, e as meninas super comunicativas com o trabalho em grupo.”

A UEL é articuladora de um total de 20 clubes de ciências no Paraná. A Rede de Clubes atua com escolas de Educação Básica da Rede Estadual de Ensino e os projetos se dividem em Clubes Paraná Faz Ciência, Clubes PRFC Maker e Clubes PRFC Meninas. A iniciativa conta com o apoio da Secretaria Estadual de Educação (SEED), da Fundação Araucária e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
A pesquisa do clube Desbravadores do Iguaçu falou sobre a qualidade da água do Rio Iguaçu

O Clube de Ciências Desbravadores do Iguaçu, do Colégio Estadual Costa Viana, em São José dos Pinhais, alcançou o terceiro lugar na 10ª Feira de Ciências Júnior, ocorrida entre 20 e 23 de outubro na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). A premiação do clube foi na categoria Ensino Fundamental II, reconhecendo o projeto “Desbravando o Iguaçu: uma avaliação da qualidade da água em São José dos Pinhais“.
O projeto premiado é fruto da dedicação dos clubistas Thainá Ferreira Carvalho, Guilherme Gonçalves dos Santos e Julia Prestes Fagundes, orientados pela professora e coordenadora do clube, Andressa Glinski Pessotto.
O Clube de Ciências Desbravadores do Iguaçu tem como foco o monitoramento das águas da nascente do Rio Iguaçu e acompanha seu percurso pela cidade de São José dos Pinhais. O trabalho é altamente relevante, uma vez que o Rio Iguaçu é um dos mais importantes da região e do estado.
O projeto apresentado na Feira é resultado de um trabalho investigativo aprofundado: os clubistas realizaram coletas e análises físicas, químicas e biológicas para entender de que forma a poluição urbana, agrícola e industrial está afetando o rio. Essa pesquisa prática promoveu um aprendizado ativo e consciente sobre o impacto das ações humanas no meio ambiente local.
A 10ª Feira de Ciências Júnior, que ocorreu em paralelo à 6ª Mostra Paralela de Ciências no Campus Curitiba da PUC-PR, teve como tema central “Cidades Sustentáveis”. O evento tem o propósito de fortalecer o ensino da ciência na Educação Básica, promovendo a cultura indagativa e crítica entre os estudantes.
A cada edição, a Feira propõe um eixo temático alinhado às áreas estratégicas de desenvolvimento e o tema deste ano buscava trabalhos com aderência aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. O projeto do clube de São José dos Pinhais se destacou por sua clara relação com a ODS 6 (Água Potável e Saneamento), reforçando o incentivo a vocações científicas e a capacidade inventiva e investigativa que contribuem para o desenvolvimento da sociedade.
A premiação do Clube Desbravadores do Iguaçu é um importante reconhecimento do trabalho realizado pelas escolas paranaenses na formação de jovens capazes de identificar problemas locais e buscar soluções baseadas em evidências científicas.
Experiência em Belém reuniu estudantes do Brasil, França, Colômbia e Chile em uma semana de intercâmbio científico e produção de propostas climáticas

A ciência produzida na Educação Básica do Paraná ganhou alcance internacional durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30). Entre 10 e 14 de novembro, uma delegação articulada pela Unicentro participou das atividades do Pacto Global de Jovens pelo Clima (GYCP), em Belém, apresentando pesquisas, debatendo soluções locais e contribuindo para a redação do Manifesto de Belém, o documento que reivindica que a educação seja reconhecida como pilar estratégico da agenda climática mundial.
A articuladora da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência na Unicentro, Marquiana Gomes, destacou a trajetória que levou os estudantes ao encontro global. “As ações que os jovens têm feito aqui são uma culminância de um trabalho coletivo, que vem sendo desenvolvido há pelo menos dois anos. Eles puderam partilhar essa experiência com outros jovens de várias regiões do Brasil, como Pernambuco e Ceará, e também de outros países”, explica.
Coordenadora nacional do GYCP e professora da Unicentro, Adriana Kataoka reforçou o alcance político e cultural da participação paranaense. “Realmente superou as expectativas. Vimos a riqueza e a diversidade dos trabalhos, como cada cultura e cada região encara e resolve os seus problemas. E isso mostra que preservar a Amazônia passa necessariamente pelo cuidado com os povos originários”, reforça a professora.

Ao todo, onze estudantes articulados pela Unicentro participaram da programação do GYCP, em Belém. Entre eles, oito jovens cientistas de Guarapuava, parte da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência vivenciaram uma semana de imersão, dialogando com estudantes da França, Colômbia e Chile – incluindo a Ilha de Páscoa -, apresentando pesquisas e contribuindo para a elaboração coletiva da Carta da Terra, que reúne reivindicações e propostas de ação climática para o triênio 2025–2028.
O ponto alto da participação para os clubistas ocorreu no dia 12, na Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), onde os estudantes defenderam projetos que transformam problemas locais em soluções aplicadas.
Os temas das apresentações incluíram saneamento, monitoramento ambiental, biodiversidade e preservação dos arroios urbanos. Raul Ramos, do Colégio Estadual Padre Chagas, avaliou o que viu. “Cada projeto tem uma ideia muito brilhante, pela necessidade criada dentro da região e pela inovação na resolução dos problemas”.
Bruna Wolf Battistelli, do Colégio Estadual Carneiro Martins, ressaltou a troca com jovens pesquisadores de outros países. “Eram muito mais pessoas e eram jovens que também desenvolvem projetos. É legal compartilhar um pouco do que fazemos na nossa sociedade”, contou a estudante.
A professora de Bruna, Ariane Andrade Bianco, celebrou a participação. “É uma oportunidade ímpar para eles. Tenho certeza de que vão sair daqui outras pessoas, com perspectivas muito mais maduras.”

Para Tiago Vaz Machado, aluno do Colégio de Ensino Integral Professor Pedro Carli, a experiência ampliou o sentido do engajamento climático.“Não é apenas discutir algumas coisas, é colocar em prática. Acho que conseguimos levar isso para a nossa cidade e desenvolver o projeto lá.”
A diversidade de realidades trouxe novas camadas ao debate climático. O estudante francês Martin Zdunek refletiu sobre sua própria posição. “Somos nós, os europeus, os Estados Unidos, a China, os países mais ricos, que criamos esses problemas. E as repercussões são muito mais graves aqui no Brasil.”
Da Ilha de Páscoa, a professora Angela Pakarati compartilhou a rotina de impactos ambientais na pequena ilha do Pacífico. “Recebemos todos os dias uma tartaruga com uma rede, um golfinho ferido. Qual é a sua solução para o cuidado do planeta? A minha forma é reciclando.”

Para as estudantes paranaenses, o encontro gerou conexões e aprendizado linguístico. Izadorah Estrella, do Colégio Estadual Padre Chagas, comentou sobre as interações. “Fiz muitas amizades, principalmente com o pessoal de fora. Aproveitamos para treinar inglês e espanhol e refletir em conjunto”, conta.
A professora Crissiane Loyse Luz, do Colégio Estadual Cristo Rei, avaliou o impacto formativo nos alunos. “Eles estão se tornando protagonistas e debatendo a importância das ações de mitigação das mudanças climáticas.”
Nicoli dos Santos Castilho Nuskovski, 13 anos, aluna do Cristo Rei também celebrou os encontros. “Foi muito divertido conhecer novas pessoas e interagir com elas. Acho que todas foram muito bem nas apresentações.”

A participação dos jovens culminou na elaboração do Manifesto de Belém, também chamado de “Carta da Terra”, documento assinado por todos os presentes e pelos 58 mil jovens do Pacto Global de Jovens pelo Clima.
O texto afirma que a crise climática não é apenas ambiental, mas também social, econômica, ética e educativa, e denuncia a lentidão das ações governamentais. O manifesto defende que nenhum acordo climático será efetivo sem uma transformação profunda nos sistemas educacionais.
Entre as principais reivindicações estão:
O documento encerra afirmando que “a educação é clima, economia e justiça” e que não haverá desenvolvimento sustentável enquanto conhecimento e ação seguirem dissociados.

Após uma semana intensa, que incluiu atividades em pontos turísticos como o Ver-o-Peso, Forte do Presépio e Museu Emílio Goeldi, os jovens retornam ao Paraná com novas perspectivas, experiências científicas e um compromisso político traduzido na Carta da Terra.
Acompanhe mais atividades dos Clubes de Ciências pelo Instagram da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência @clubesparanafazciencia e pelo site Paraná Faz Ciência.
Equipes apresentaram projetos científicos na Feira, em Londrina; um dos clubes vinculados à UEL foi premiado no evento

A Feira de Inovação, Tecnologia e Ciências (FITEC) chegou à sua 24ª edição e a Universidade Estadual de Londrina (UEL) esteve muito bem representada. Alguns dos clubes articulados pela instituição, parceira do NAPI – Paraná Faz Ciência, estiveram presentes no evento. A FITEC foi realizada entre os dias 5 e 7 de novembro, em Londrina.
As equipes que fizeram parte deste momento e estão vinculadas à UEL pertencem ao Colégio Estadual Unidade Polo Karoline V. A. e Luan A. S. (Clube Unidade Polo), de Ibiporã; Colégio Estadual Cívico-Militar Presidente Kennedy (Clube Discovery Kennedy’s), de Rolândia; e Colégio Estadual Machado de Assis (Clube Eco Sapiens), de Londrina.

Durante a Feira, alunos e professores expuseram parte dos projetos que estão desenvolvendo ao longo do ano. Além disso, o evento contou com palestras, oficinas e diversas outras atividades, pensadas exclusivamente para o público da FITEC, que são estudantes do Ensino Fundamental e Ensino Médio. Como de costume no contexto das feiras científicas, também houve a avaliação dos trabalhos apresentados e, em algumas categorias, premiação.

Este foi o caso do clube Discovery Kennedy’s, que conquistou dois prêmios no evento. O projeto “Serviços ecossistêmicos e arborização urbana no entorno do Lago San Fernando, Rolândia-PR” foi contemplado nas categorias “Destaque – Rigor Metodológico” e “Credencial para Fenecit”. Com este último, a equipe garantiu a classificação para a Feira Nordestina de Ciência e Tecnologia (FENECIT) deste ano.

De acordo com o professor Carlos Marcelo Campaner, coorientador do clube e coordenador do projeto premiado, a própria experiência de estar em um evento científico já é gratificante. “Eu gosto muito de participar dessas feiras e tento passar isso para os meus alunos. Essa vontade de participar, de desenvolver a ciência e promover a ciência”, conta. “A ideia é dar continuidade nesse projeto e continuar com outros projetos que não foram classificados, mas que podem ser desenvolvidos ainda mais”, conclui.
Os Clubes UENP levaram para o Norte Pioneiro premiações em inovação, sustentabilidade e divulgação científica

Os Clubes de Ciências vinculados à Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP) tiveram desempenho de grande destaque na edição 2025 da Feira de Ciência, Cultura e Inovação (FECCI). O evento teve sua primeira edição em 2025 durante os dias 4, 5 e 6 de novembro, em Curitiba.
Com projetos que envolveram sustentabilidade, tecnologia e empreendedorismo, os clubistas voltaram ao Norte Pioneiro com premiações em diversas categorias. Conheça mais sobre os trabalhos premiados dos Clubes UENP.

O Clube Inovar, do Colégio Estadual Barbosa Ferraz, em Andirá, é orientado pelas professoras Karoline de Azevedo Ferreira Rodrigues e Silvia Renata Zanon. Foi um dos grandes destaques da feira. Ao todo, o clube conquistou 6 pódios! O grupo garantiu colocações em diferentes categorias, refletindo o forte engajamento dos estudantes e a qualidade excepcional dos projetos apresentados.
1º lugar – Ciências Exatas (Júnior)
Projeto: NewBit: a nova moeda da escola para reconhecer o esforço e a participação dos alunos
3º lugar – Comunicação (Júnior) e 2º lugar – Empreendedorismo (Júnior)
Projeto: Do Lixo ao Luxo Verde: Compostagem educando para a Sustentabilidade

2º lugar – Desenvolvimento de Produto (Júnior)
Projeto: BioProtect: Bioplástico biodegradável como alternativa sustentável para a redução de resíduos plásticos
3º lugar – Ciências Exatas (Júnior)
Projeto: Gotas de Consciência: o impacto da captação de água de chuva na horta escolar do Barbosa Ferraz
3º lugar – Ciências Exatas (Jovem)
Projeto: Recicla: App ambiental unindo tecnologia e consciência na luta por um futuro mais limpo

Localizado em Santo Antônio da Platina, o Clube Exploradores da Ciência, do Colégio Estadual Edith de Souza Prado de Oliveira, é orientado pela professora Jessica Christina de Moura. Os clubistas foram premiados por seu trabalho ligado à Dengue.
1º lugar – Desenvolvimento de Produto (Jovem)
Projeto: Ciência e Sustentabilidade no Combate à Dengue

Representando o NRE Ibaiti, o Clube Hidronautas, do Colégio Estadual Cívico-Militar Professor Segismundo Antunes Netto, de Siqueira Campos, foi premiado na categoria Robótica. O clube é orientado pelo professor Eduardo Henrique Xavier de Oliveira.
3º lugar – Inovação Tecnológica e Robótica (Jovem)
Projeto: Chocadeira com componentes da Robótica

O Clube Mundo Verde, do Colégio Estadual Barão do Rio Branco, em Assaí, e parte do NRE – Cornélio Procópio celebrou o primeiro lugar na categoria mais disputada pela comunidade: a Escolha do Público. Como orientadora, está a professora Aparecida Cândida Duarte.
1º lugar – Escolha do Público, com 17.305 votos
Projeto: “Compostagem e Horta Escolar”

Mostrando a força das iniciativas voltadas à sustentabilidade, o Clube Agrociência, do Colégio Estadual Maria Francisca de Souza, do município de Barra do Jacaré e ligado ao NRE Jacarezinho, foi orientado pela professora Vagna Aparecida da Silva Munhão. Eles conquistaram um primeiro lugar:
1º lugar – Meu Clube é Show (Agroecologia)
Projeto: Chamas do Futuro: Estudantes transformando resíduos em energia e sustentabilidade

O Clube Exploradores da Ciência, do Colégio Estadual Marcílio Dias, na cidade de Itambaracá (NRE Cornélio Procópio) foi o vencedor na categoria Divulgação Científica. Os orientadores do clube são Ana Paula Vieira e Guilherme César Cordeiro dos Santos.
1º lugar – Divulgação Científica (Júnior)
Projeto: Da Sala de Aula para o Canteiro: uma horta didática com sistema de irrigação controlado por sensores

Os prêmios são apenas parte de todas as conquistas dos Clubes UENP ao longo do projeto. Ter a possibilidade de conhecer outros lugares, profissionais da área e reencontrar amigos de outras feiras são alguns exemplos das conquistas que já estão no coração e na história de todos os membros da equipe. E que venha 2026, para mais encontros que incentivem a ciência possam acontecer por todo estado!

Impulsionados pelo sucesso na FECCI, os clubistas da Unespar se preparam para brilhar na Feira do Litoral, em Matinhos

A primeira edição da Feira de Cultura Científica do Paraná Faz Ciência, a FECCI, trouxe um saldo positivo para os clubistas ligados à Unespar. Entre os mais de 30 trabalhos apresentados, 7 subiram ao palco e garantiram prêmios, simbolizando o esforço de alunos, professores e articuladores do NAPI – Paraná Faz Ciência.
Os trabalhos “Os benefícios do contato com o ambiente marinho para saúde mental” e “Da planilha ao pixel art: a pesca de pequena escala do litoral paranaense” orientados pelas professoras Tatiana Kraiczei e Michele Cristina Nether, respectivamente, foram os grandes vencedores das categorias Ciências da Saúde – Jovem e Ciências Exatas – Jovem. Desenvolvidos nas cidades de Matinhos e Pontal do Paraná, os clubistas também vão apresentar seus trabalhos na Feira do Litoral da UFPR (Universidade Federal do Paraná) entre os dias 3 e 5 de dezembro, em Matinhos.
Classificados na segunda colocação, os trabalhos “Conhecimento tradicional e práticas medicinais populares”, “A sericicultura em Nova Esperança-PR: história, cultura e tradição do casulo de seda” e “Monitoramento ambiental em caminhão de transporte de leguminosas com arduino” representaram os clubes ligados ao núcleo de Paranavaí da Unespar. Orientados pelos professores Gilvan de Andrade, Eloah Oliveira e Adriana Maldonado, os clubistas abordaram sobre temáticas ligadas ao norte paranaense.

Entre os clubes do litoral, “Qualidade da água: estudo do PH e fontes de
consumo pelos alunos do colégio Bento em Paranaguá” orientado por Andreia Cristina
Bittencourt Petruy também garantiu a segunda colocação na categoria Ciências Biológicas – Júnior. Já o trabalho “A captação de água da chuva por cisternas como alternativa sustentável”, orientado pelo professor Jean Carlos Alves, ficou em terceiro lugar na categoria Década dos Oceanos – SNCT (Semana Nacional de Ciência e Tecnologia) – Júnior.
Para o pró-reitor Antonio Marcos Dorigão, a Feira de Cultura Científica do Paraná é um evento muito importante, que reúne professores da rede pública de ensino para apresentar o desenvolvimento desses projetos dos Clubes de Ciências. “O momento é muito importante porque os clubes podem ver o que os outros clubes do Paraná estão desenvolvendo e também apresentar o seu trabalho. Especialmente importante porque isso resulta do protagonismo dos nossos estudantes e dos nossos professores no atendimento aos clubes de ciências nas regiões do Paranaguá e Paranavaí”, comentou.

As equipes que conquistaram primeiro, segundo e terceiro lugares foram premiadas com equipamentos eletrônicos e kits multimídia, doados pela 9ª Regional da Receita Federal, e pela empresa Slim 3D, ambas parceiras do NAPI e do evento. Além das premiações, todos os participantes receberam medalhas e troféus em reconhecimento ao trabalho desenvolvido.
O próximo compromisso dos clubistas é a XIV Feira Regional de Ciências do Litoral Paranaense, em Matinhos. Catorze trabalhos ligados aos Clubes de Ciências da Unespar estão entre os 50 trabalhos aprovados na mostra científica. Orientados pelos professores Nayhr Carneiro, Tatiana, Jean Carlos Alves, Andreia Cristina Petruy e Michele Nether, os clubistas também contaram com o apoio das bolsistas pedagógicas Michele Mendes, Karoline Bonardo e Tânia Zaleski.
Os dois clubes premiados na FECCI participavam pela primeira vez de uma feira competitiva

Entre os dias 3 e 5 de Novembro, quatro clubes articulados pelo Instituto Federal do Paraná (IFPR) campus Palmas participaram da Feira de Cultura Científica (FECCI), em Curitiba, no campus da UTFPR Neoville. Esta foi a primeira edição da Feira, que envolveu alunos do Ensino Fundamental I ao Ensino Médio, Técnico e EJA (Educação de Jovens e Adultos). A programação, além de contar com exposição e avaliação dos projetos, também contou com apresentações culturais, oficinas, estandes de instituições parceiras, entre outros.
Dos quatro clubes do IFPR presentes no evento, o Arquitetos da Natureza, da cidade de Palmas, e o HF Maker, de Mangueirinha, receberam os primeiros prêmios nas categorias Ciências Agrárias Júnior e Ciências Biológicas Jovem Total, respectivamente. Para ambos os clubes foi a primeira experiência em uma feira competitiva. Conheça a seguir cada um dos projetos vencedores:
Esse projeto investiga formas mais sustentáveis de produzir hortaliças. A pesquisa comparou o cultivo de alface e rabanete juntos, com e sem cobertura morta — uma camada de material orgânico colocada sobre o solo para conservar a umidade, reduzir a temperatura e dificultar o crescimento de plantas daninhas. Os resultados parciais mostraram que a cobertura morta ajudou no desenvolvimento das plantas e que o cultivo conjunto das duas hortaliças aproveita melhor o espaço do que o plantio separado.
O projeto foi desenvolvido na horta da escola, com apoio da professora de Agronomia e de acadêmicos do IFPR – Campus Palmas, integrando ainda discussões sobre sustentabilidade e Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Na Feira, o clube apresntou também o trabalho “Ciência que dá gosto – vinagre artesanal”.
Voltado à produção de cosméticos com pigmentos e óleos extraídos de plantas como hortelã, lavanda, beterraba, urucum, amora e pinhão. Os estudantes realizaram todas as etapas do processo, desde a extração dos ingredientes até a formulação de batons e hidratantes labiais, utilizando materiais encontrados na escola ou de fácil acesso.

O trabalho também incluiu uma etapa de avaliação sensorial com mulheres da comunidade escolar, que testaram os produtos e responderam a um questionário sobre aplicação, hidratação, aparência e aroma. Os alunos ainda organizaram um minicurso sobre cosméticos naturais, apresentando o processo de produção e discutindo o uso de ingredientes de origem vegetal.
Ana Clara, clubista do HF Maker é uma das estudantes que apresentaram o projeto no evento, ela afirma que ficou muito feliz com a premiação. “Eu sempre confiei na pesquisa, mesmo diante do receio de não ganhar o primeiro lugar”, conta. Enquanto a professora Flávia de Mello destacou os planos para o futuro. “Pretendemos ampliar o trabalho, realizando novos testes e desenvolvendo outras fórmulas e produtos: maquiagens, como blush e sombra, até itens de higiene pessoal e jóias botânicas produzidas com flores, folhas e sementes”, enumera a professora.
Com trinta estudantes, o Clube Tenda Cultura Viva produz colares e pulseiras que remetem às culturas estudadas

Um clube que produz pulseira? Isso é apenas uma parte de todo o estudo que exige o Clube Tenda Cultura Viva do Colégio Estadual Professora Hilda Trautwein Kamal, de Umuarama. Conforme a professora Oslaine Barrim Batista, o nome foi escolhido para aceitar todos, “a tenda tem como significado abertura e cultura viva é o nosso objetivo, por resgatar as culturas e trazer o significado para melhorar o conhecimento e retirar os estereótipos”, diz.
O principal propósito do grupo é fazer um resgate das culturas africana e indigena por meio dos adornos. Assim, compreendendo os significados desses itens para os antepassados, principalmente quanto ao uso de colares. Conforme a professora, hoje em dia muitos objetos ficaram como adornos decorativos, mas tudo tem um porquê e o grupo irá descobrir e depois trazer a informação para a comunidade.
Com trinta alunos do sexto ano do Ensino Fundamental até o primeiro ano do Ensino Médio, os estudantes estudaram até o momento, de forma mais aprofundada, a cultura africana. “O próximo passo é a cultura indígena. Novos acessórios serão confeccionados e será ainda mais divertido para eles”, afirma Oslaine.
A ideia de estudar a cultura indigena não é de hoje. A educadora trabalhou como professora em Campo Novo do Parecis, com os povos Parecis. O conhecimento adquirido durante os anos de dedicação no Mato Grosso foi essencial para que ela optasse por esta temática. “Isso é interessante e importante. Mais pessoas precisam conhecer”, expõe.

O cotidiano do clube é dividido em teoria e prática. Oslaine explica que cada aluno tem uma pasta na ferramenta do Google – Classroom – e um portfólio para ser alimentado. Todos são orientados a pesquisar dentro de uma temática geral, mas cada um analisa determinado segmento. A professora orienta que os estudantes busquem sempre informações em artigos, projetos e depois levem essas informações para os colegas, amigos e familiares.
Para além das pesquisas, os clubistas fazem uma parte prática. Eles utilizam a natureza, como sementes e pedras para formar colares e pulseiras. “Tudo da natureza que a gente pode mostrar e transformar. Além de ensinar os alunos a valorizarem o que eles têm, evitando o consumismo”, afirma a educadora.
Para a criação de peças de colares e pulseiras foi utilizado uma furadeira improvisada com um motor de uma máquina de lavar roupa e uma parte de broca soldada. A máquina foi desenvolvida quando a professora ainda estava no Mato Grosso, ou seja, já faz dez anos.
Mesmo com desafios, a maior importância do clube para os alunos é a informação. Conforme Oslaine, é muito interessante saber que os estudantes têm conhecimento da temática, e que o clube é capaz de alterar a perspectiva e os preconceitos que eles eventualmente tenham.
“A gente trabalha uma abordagem nas aulas que quando há uma forma de preconceito, muitas vezes pode ser por falta de conhecimento. Mas é possível mudar isso, a partir do momento que conhecemos melhor o tema. Lá na frente, para diminuir o preconceito, temos que conseguir arrumar a base, para que os jovens cresçam e tenham uma comunidade melhor”, afirma a professora.
O clube não mudou a vida apenas dos alunos, mas foi uma grande alegria para a professora. “As coisas nunca acontecem por acaso. Mesmo com medo, quando aparece a oportunidade a gente não pode perder. A minha proposta é estudar e aprender. Eu preciso melhorar muito, mas os cursos da UEM são maravilhosos”, afirma. A gratidão é outro sentimento exposto por Oslaine. “Tem fila de espera para novos alunos fazerem parte do clube!”, comemora.
Uma das aventuras do clube foi conhecer e participar dos Jogos Indígenas, com modalidades específicas da cultura e tradição local, em São Miguel do Iguaçu, região oeste do Paraná. Os estudantes foram até o Colégio Estadual Indígena Teko Nemoingo e conheceram de perto os esportes destes povos.
Neste dia, os alunos participaram da oficina de pintura de pele e observaram adereços feitos com a técnica do macramê. Eles conseguiram medalhas nas competições, e inclusive um dos alunos, conquistou a medalha de ouro na modalidade arco e flecha. A professora conclui que para os estudantes, a visita foi uma aula viva sobre a cultura indígena e a importância da preservação ambiental.
Entre os planos futuros, está a expectativa de ampliar e aprofundar o conhecimento. O objetivo é finalizar o ciclo de pesquisa e escrever um documento com todas as informações que os estudantes pesquisaram e atividades que realizaram. Algumas questões ainda precisam ser decididas em relação ao formato do documento e à divulgação.