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II WORKDHOP DO NAPI PARANÁ FAZ CIÊNCIA

Evento inédito no Paraná e no MUDI/UEM, o V Encontro de Nacional dos Centros e Museus de Ciências já está com a programação definida

Pela primeira vez o evento nacional da Associação Brasileira de Centros e Museus de Ciências acontece no interior e será na UEM (Foto ASC/UEM)

Entre 12 e 14 de agosto, a Universidade Estadual de Maringá (UEM) será sede do V Encontro Nacional de Centros e Museus de Ciências, que, este ano, terá como tema “O papel dos Centros e Museus de Ciências na consolidação da interiorização da divulgação e popularização científica”. Com promoção da Associação Brasileira de Centros e Museus de Ciências (ABCMC) em parceria com o Museu Dinâmico Interdisciplinar (MUDI) e o Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação – NAPI Paraná Faz Ciência, conta ainda com o apoio de diversas instituições.

É a primeira vez que o evento acontece no interior do Brasil e reunirá gestores, profissionais e colaboradores de centros e museus de ciência, professores, pesquisadores, estudantes, formuladores de políticas públicas e demais interessados em fortalecer sua atuação na popularização da ciência. 

Para esta edição, foram submetidos 143 trabalhos, sendo 60 resumos simples e 83 expandidos. O resultado final será divulgado no dia 7 de julho, a pouco mais de um mês da realização do encontro nacional.  Será uma valiosa oportunidade para reflexões, debates e ações inovadoras no campo da popularização da ciência em sua interface com os museus de ciências. Para quem for aprovado, os materiais para apresentação dos trabalhos já estão disponíveis no site do evento, tanto para resumos simples, apresentação na forma de banners, como para os resumos expandidos para a apresentação oral.

A programação está estruturada para oferecer uma vivência ampla e qualificada aos participantes, com palestras magnas, mesas temáticas com representantes das diferentes regiões do país, oficinas práticas, atividades culturais, apresentação de trabalhos científicos e visitas técnicas a espaços de ciência e cultura da cidade de Maringá, Noroeste do Paraná.

Diversidade de resumos

“Temos excelentes expectativas para o encontro nacional da ABCMC, já que nós tivemos um número significativo de trabalhos submetidos para a avaliação. Este grande volume de trabalhos vai certamente enriquecer a qualidade científica do evento, contribuindo para além das palestras, mesas redondas e atividades já propostas para a realização do evento”, afirma a articuladora do NAPI PRFC, professora da UEM Débora de Mello Sant’Ana. 

Como integrante da Comissão Organizadora do V Encontro Nacional da BCMC, Débora ressalta a diversidade de abordagens. “As apresentações de trabalho trazem temáticas diferenciadas, representatividade regional, experiências, relatos de casos de sucesso, de enfrentamentos também, de dificuldades, e isso é um grande ganho para o nosso evento”, justifica.

Professora da UEM e articuladora do NAPI Paraná Faz Ciência, Débora de Mello Sant’Ana (Foto/Conexão Ciência)

Serão duas sessões de apresentação de trabalhos em que haverá aquelas orais e de banners estarão divididos para que haja um público significativo possa assistir a essas apresentações e trocar experiências. “Com a diversidade de origens destes resumos, ou seja, os autores proponentes são de diferentes estados do país, poderemos compartilhar experiências de museus, de jardins botânicos, de planetários, de universidades, de centros de ciências, de estudos sobre divulgação científica em museus de todas as regiões do Brasil”, destaca Débora.

Divulgação científica

Para o articulador do NAPI PRFC e coordenador do Programa Laboratório Móvel  de Educação Científica (LabMóvel), da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Litoral, professor Rodrigo Reis, esta edição em Maringá mostra a relevância da divulgação científica no Paraná, em especial os centros e museus de ciência, atuando no cenário nacional.

“O movimento que o [NAPI] Paraná Faz Ciência está desenvolvendo, de trazer uma discussão forte sobre a área da divulgação e popularização da ciência no Brasil e aqui, nesse capítulo, a sua relação e o papel dos museus de ciência nessa discussão é muito relevante e mostra esse protagonismo do Paraná em trazer um evento desse porte, com esse perfil para o nosso estado com a organização do Paraná Faz Ciência”, resume Reis

Rodrigo Arantes Reis é coordenador do LabMóvel da Universidade Federal do Paraná Litoral (Foto/Labmóvel)

Outro ponto enfatizado por Rodrigo é o fato dos participantes do V Encontro Nacional  da ABCMC vão poder conhecer a Rede de Museus Paraná Faz Ciência. “A gente está super orgulhoso,  super feliz de poder contar com a organização desse evento e trazer esse público dos museus de ciência do país para conhecer um pouco mais a nossa rede, do desenho que está sendo desenvolvido e da atuação parceira da rede de centros e museus de ciência”.

O coordenador conclui: “eu tenho certeza que essas discussões sobre o papel dos museus de ciência para a divulgação científica no Brasil vão ser super relevantes até para orientar e discutir os movimentos que a gente vem organizando no Paraná Faz Ciência”.

Histórico 

A Associação Brasileira de Centros e Museus de Ciência foi criada em 1999, com o objetivo de compartilhar experiências, projetos e possibilitar intercâmbio de recursos e informações que acontecem nos centros e museus de ciência em todo o Brasil. Atualmente, a entidade possui representação em 20 estados brasileiros. 

O primeiro encontro da Associação de Centros e Museus de Ciências aconteceu na cidade do Rio de Janeiro, em 2011, realizado no Museu Histórico Nacional com a temática “A popularização da ciência no Brasil, avanços e desafios”.  O evento contou com mais de 250 pessoas em participação e nas palestras do evento.

Somente em 2016 aconteceu o segundo Encontro, em Olinda, Pernambuco. Nesta edição, o MUDI foi representado pela professora Ana Paula Vidotti, docente do Departamento de Ciências Morfológicas da UEM e coordenadora de projetos de extensão no museu. 

“Naquela edição, o tema foi ‘Os dilemas atuais, os desafios e futuro dos centros e museus de ciência’ e teve uma representação muito grande. Mais de 65% dos estados brasileiros estiveram presentes, com centenas de participantes e foi bem legal”, relembra Ana Paula.

Ana Paula Vidotti é professora da UEM e coordenadora do projeto Muditinerante (Foto/Arquivo pessoal)

A partir daí, o evento passou a ser realizado a cada dois anos. O terceiro encontro aconteceu no espaço do Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, em 2018.

“Para a quarta edição em 2020, nós fizemos a proposição para a realização no MUDI, em Maringá, que foi aprovada durante a reunião na plenária da ABCMC na reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em 2019. Quando estávamos começando a trabalhar as parcerias, fomos surpreendidos pela pandemia”, conta.

Neste contexto, o quarto encontro foi realizado de forma remota em 2021 e, somente agora, em 2025, a quinta edição se concretiza. As inscrições para apresentação de trabalhos já estão encerradas, mas é possível se inscrever para participar do evento a qualquer tempo pelo site.

SERVIÇO:

Data – 12 e 14 de agosto de 2025

Evento – V Encontro Nacional da Associação de Centros e Museus de Ciências

Local –  Museu Dinâmico Interdisciplinar MUDI na Universidade Estadual de Maringá (UEM) – Maringá-Paraná

Contato e mais informações: vencontroabcmc@gmail.com

A 1ª edição da Fieg teve a participação de 18 colégios de sete municípios diferentes. Os projetos foram apresentados em três categorias: Robótica, Programação e Clubes de Ciências

Quatro estudantes do Colégio Estadual Cristo Rei estão em pé atrás de uma mesa expositiva decorada com materiais didáticos sobre abelhas. São três meninas e uma menina. Eles usam crachás da Fieg e estão sorrindo. A mesa traz maquetes coloridas representando uma "rede de interações ecológicas", pequenos frascos com mel, cartazes informativos e modelos de abelhas. Ao fundo, há um mural com uma grande árvore feita de papel kraft com flores roxas em destaque. Um dos cartazes destaca a importância das abelhas na agricultura. A apresentação faz parte do projeto vencedor da Fieg na categoria Clubes de Ciências.
Estudantes do Colégio Estadual Cristo Rei — Luísa Caliço dos Santos, Maria Luísa Zacharski Rosa, Luísa Mazur e Juan Pablo Patarroyo — apresentaram o projeto A importância das abelhas na sustentabilidade paranaense e na biodiversidade da Mata Atlântica durante a Fieg. (Foto/ Thiago de Oliveira)

Com participação dos Clubes de Ciências, a 1ª edição da Feira Itinerante das Escolas do NRE de Guarapuava (Fieg) movimentou o Colégio Estadual Cívico-Militar Manoel Ribas, no último dia 25 de junho. O evento reuniu 50 projetos de pesquisa científica, programação e robótica desenvolvidos por estudantes de 18 colégios da rede estadual, em um dia de troca de conhecimentos, criatividade e engajamento social.

Alunos e professores de sete municípios apresentaram trabalhos que vão da conscientização ambiental à preservação da biodiversidade, passando por soluções tecnológicas e projetos de impacto direto na comunidade.

“É uma grande alegria sediar esse momento. Foram 98 projetos inscritos e 50 selecionados para exposição. A Fieg é um marco para a educação científica na nossa região”, afirmou o diretor da escola anfitriã, Fernando Stora.

Da esquerda para a direita: João Saulo Piasecki (vice-diretor), Henry Gasparotto Pedroso (professor) e Fernando Stora (diretor) (Foto:Thiago de Oliveira)

A iniciativa partiu dos professores Thalles Horn e Pablo Saldanha da Luz, que idealizaram a feira como parte de reflexões no mestrado em Educação. “A gente queria valorizar o que já é feito nas escolas, dar visibilidade para os projetos e criar esse ambiente de reconhecimento e troca entre os estudantes”, destacou Thalles. 

Destaques para os premiados

Na categoria Clubes de Ciências, os três trabalhos premiados se destacaram pelo impacto ambiental e pelo protagonismo estudantil. Confira o pódio:

1º lugar – Colégio Estadual Cristo Rei, de Guarapuava – Clube Velozes e Curiosos
Projeto: A importância das abelhas na sustentabilidade e na biodiversidade da Mata Atlântica

Com apenas 11 anos, as estudantes Luiza Mazur, Maria Luisa Walczak, Heloisa Calixto e o estudante colombiano Juan Pablo Patarroyo demonstraram maturidade científica ao discutir a relação entre desmatamento, poluição e o desaparecimento das abelhas nativas. “Eu achava que a abelha era só um inseto que picava. Agora entendo como ela é essencial para o nosso alimento e para o planeta”, disse Luiza.

2º lugar – Cefep Presidente Costa e Silva, de Irati – Clube Raízes de Ciências
Projeto: Mapeamento de árvores matrizes em fragmentos da Floresta Ombrófila Mista

Gabriela Aparecida Kuchla, de 15 anos, explicou como o trabalho usa QR Codes e um site próprio para identificar árvores do pátio escolar. “É um jeito de despertar interesse nos mais novos e preservar o conhecimento sobre nossa flora”, disse.

3º lugar – Colégio Professor Pedro Carli, de Guarapuava – Clube Climatize-se

Projeto: Jataí: Um dia na vida de uma abelha-operária – 360° de realidade virtual para conscientização climática

O aluno Tiago Vaz Machado, de 14 anos, apresentou com entusiasmo o uso de realidade virtual para mostrar o cotidiano das abelhas nativas. “Elas são fundamentais para nossas hortas autossustentáveis. A ciência muda a escola e também nosso futuro”, afirmou.

Orientadores pedagógicos da Rede de Clube Paraná Faz Ciência na Unicentro assistem à apresentação do Clube ‘Climatize-se’. (Foto: Thiago de Oliveira)

Troca de experiências

A Fieg também foi espaço para a socialização de experiências de professores clubistas da região. De Boa Ventura de São Roque, o Clube Adonis com Ciência, do Colégio Adonis Morski, estuda o impacto da coleta seletiva no município e na rotina dos trabalhadores do centro de triagem. “Queremos que os alunos entendam que ciência é feita para melhorar a vida das pessoas”, explicou a professora Juliana Ghiotto.

De Pinhão, o Clube Pluma Science, do Colégio Bento Munhoz da Rocha Netto, apresentou soluções para a preservação das nascentes nas comunidades rurais. “A ideia é que os alunos levem o que aprendem para casa e para os pais”, disse o professor João Manuel de Lima.

Já na comunidade indígena Kaingang de Marrecas, em Turvo, o Clube Pỹnfīfī, do Colégio Cacique Otávio dos Santos, estuda o desenvolvimento da Araucária Multifolha com apoio no conhecimento tradicional. “A ciência dos mais velhos nos guiou para testar hipóteses sobre a produção do pinhão”, relatou o professor Luan Felipe.

Professores dos clubes de ciências participantes da Fieg. Em pé, da esquerda para a direita: Katiane dos Santos, Daniele Kosmo, Emerson de Souza Gomes, João Manuel de Lima e Crissiane Loyse Luiz. Agachados: Doacir Furquim, Márcia Volani (do NRE de Guarapuava), Marquiana de Freitas Vilas Boas Gomes (coordenadora da Rede de Clubes na Unicentro), Juliana Ghiotto, Jaci Lyra e Luan Felipe. (Foto: Thiago de Oliveira)

A feira foi, para muitos estudantes, o primeiro contato com a apresentação pública de seus projetos. A professora Crissiane Loyse Luiz, do Colégio Estadual Cristo Rei, ressaltou o impacto da participação dos alunos do sexto ano na feira. “Eles estão desenvolvendo habilidades de comunicação e socialização, e se sentindo realizados. O clube começou há poucos meses, mas já temos criação de abelhas e um jardim para recebê-las. Conseguimos avançar com muito engajamento.”

Estudantes reunidos no saguão do Manoel Ribas durante abertura da Fieg. (Foto: Thiago de Oliveira)

Com a proposta de ser itinerante, a próxima edição da Fieg já está em planejamento para outro colégio do Núcleo Regional de Guarapuava. A expectativa é de que mais escolas se envolvam, ampliando a rede de trocas científicas e sociais entre estudantes da rede estadual, com protagonismo dos clubes de ciências.Acompanhe mais atividades dos Clubes de Ciência pelo Instagram da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência @clubesparanafazciencia e pelo site Notícias – NAPI Paraná Faz Ciência!

Renan Galdino é aluno do Colégio Tereza da Silva Ramos em Matinhos e realizou um projeto sobre as tecnologias voltadas para a exploração da Lua.

Aluno Renan Galdino apresenta em feira seu trabalho sobre tecnologias voltadas para a exploração da Lua e é escolhido para participar de um programa de mobilidade internacional em Portugal.
Aluno Renan Galdino apresenta seu projeto premiado durante a Feira de Ciências Regional do Litoral do Paraná (Foto/Jean Carlo)

Uma parceria entre a Fundação Araucária e o CEiiA (Centro de Engenharia e Desenvolvimento) selecionou cinco alunos do ensino médio de escolas no Paraná, integrantes da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência para fazerem um Programa de mobilidade internacional em Portugal, entre os dias 14 de julho a 08 de agosto. 

O Programa Sustainable Living Innovators (SLI) está em sua 6ª edição e busca capacitar as novas gerações para serem agentes de transformação do mundo, tendo como ponto de partida desafios societais complexos. Neste ano, os alunos ficarão na sede do CEiiA em Matosinhos, na região metropolitana do Porto. 

Entre os selecionados, está Renan Ulisses Galdino, aluno do Colégio Estadual Professora Tereza da Silva Ramos, em Matinhos. Com auxílio do professor Jean Carlo, ele desenvolveu o LUX, um projeto inovador que une ciência, criatividade e sustentabilidade para levar energia limpa tanto à Terra quanto à Lua. O projeto, inclusive, ficou em primeiro lugar na Feira de Ciências Regional do Litoral do Paraná na categoria “Desenvolvimento Tecnológico e Iniciação à Pesquisa”.

Aluno Renan Galdino apresenta o LUX, que tem sistemática simples e se aproveita de vibração mecânica para funcionar (Foto/ Jean Carlo)

De acordo com Renan, “o LUX foi criado com a proposta de aproveitar movimentos naturais do ambiente — como as ondas do mar ou vibrações no solo — para gerar energia elétrica através da indução magnética. Na Terra, o sistema é baseado na energia ondomotriz, de modo que o movimento das marés aciona um ímã dentro de uma bobina, gerando eletricidade. Na Lua, onde não há atmosfera nem marés, o sistema se adapta usando vibrações mecânicas captadas por uma mola que movimenta o mesmo tipo de gerador”, explica.

O diferencial do LUX está na versatilidade e simplicidade. A intenção do aluno era que o projeto não dependesse de combustíveis fósseis, nem baterias ou painéis solares e fosse modular, portátil e eficiente para ser usado na alimentação de pequenos sistemas elétricos, sensores ou iluminação, especialmente em locais remotos e de difícil acesso.

Mais do que um protótipo, o LUX é uma ideia transformadora. “Na Terra, pode ser instalado em comunidades ribeirinhas, bóias de sinalização ou em plataformas marítimas. Na Lua, pode ser parte de uma base científica ou emergencial, gerando energia mesmo em

condições extremas. O LUX mostra que a ciência não precisa ser complicada para ser poderosa. E que a energia do futuro pode ser limpa, acessível e feita com os recursos que já temos — basta observar a natureza com outros olhos”, declarou o aluno.

A apresentação do projeto aconteceu na Feira de Ciências Regional do Litoral do Paraná, em novembro de 2024. (Foto: Jean Carlo)

O SLI e a Fundação Araucária partilham valores e objetivos comuns, ou seja, a responsabilidade pelo desenvolvimento das gerações mais jovens como propulsora da construção de um futuro mais próspero e sustentável. A iniciativa contará com a contribuição de profissionais do CEiiA e de especialistas nacionais e internacionais de referência em âmbito global, que vão compartilhar conhecimento e ferramentas para que os alunos possam desenvolver um projeto completo, desde o conceito até ao protótipo da aplicação das tecnologias espaciais.

Clube Dengue Bot do Colégio Estadual Vereador José Balan, em Umuarama, une robótica e ciência

A foto é do Clube de Ciências Dengue Bot. A imagem mostra um grupo de pessoas, formado por adolescentes e alguns adultos, reunidos em frente a um prédio com a inscrição "Sociedade Rural de Umuarama". Eles estão participando de um evento. Muitos dos adolescentes estão usando uniformes escolares. Um dos adultos é o professor e está vestindo camiseta clara segurando algumas folhas. Há também uma mulher de óculos, com camiseta rosa, que aparenta ser uma das responsáveis pelo grupo. Ao fundo, vemos uma estrutura inflável vermelha e branca com o logo da UEM (Universidade Estadual de Maringá). O clima é descontraído e alegre, com o grupo reunido para a foto, muitos sorrindo e demonstrando bom humor.
Foto do Clube de Ciências Dengue Bot na Expo Umuarama (Foto/Arquivo pessoal)

Para se proteger da dengue muitas atividades podem ser realizadas, entre elas, não deixar a água parada, usar repelente, manter o lixo tampado e entre outros. Mas no Colégio Estadual Vereador José Balan, em Umuarama, há um clube de ciências que pensou ‘fora da caixa’ e criou um robô autônomo que solta citronela e afasta o mosquito da dengue.

O Clube Dengue Bot busca realizar este projeto como forma de testar os conhecimentos sobre robótica e evitar afastamentos de professores e colegas em razão da dengue, explica o professor coordenador, Maicon Douglas Schmidt. “A ideia era que eles construíssem um robô que tivesse a capacidade de desviar dos obstáculos e conseguisse andar sozinho espalhando o repelente pela sala”, comenta.

Após tentativas e muitos testes, o robô chegou no nível de independência que eles queriam e começou a ser solto durante o período do almoço na escola. Este foi o melhor momento, pois as crianças e adolescentes não se sentem afetados com o cheiro da citronela, um odor  que pode ser forte para alguns estudantes. 

Atualmente com 24 integrantes, o clube se reúne todas as semanas nas duas últimas aulas da quarta-feira. Neste ano, um dos objetivos é realizar questionários sobre a eficácia do protótipo na escola e depois analisar estes resultados. Mas, não para por aí, os estudantes estão buscando fazer um drone por meio de uma câmera para identificar possíveis focos de água parada próximos ao colégio ou dentro do estabelecimento.

Como tudo começou?

Esta imagem mostra um robô desenvolvido de forma artesanal. O robô possui uma estrutura montada com rodas, sensores ultrassônicos na parte frontal e superior, e componentes eletrônicos conectados, como placas de controle e fiação exposta. Na parte superior do robô, há um pequeno reservatório acoplado a um sistema que emite uma névoa, indicando a pulverização de um líquido, como parte da função do robô no combate à dengue. O sistema parece ter sido projetado para se locomover de maneira autônoma ou controlada, detectando obstáculos através dos sensores e liberando o produto quando necessário, visando eliminar ou repelir o mosquito Aedes aegypti. Esse tipo de projeto integra tecnologia e soluções sustentáveis para problemas reais, como o combate à dengue.
Foto do robô desenvolvido no Clube de Ciências Dengue Bot (Foto/Arquivo pessoal)

Por ser uma escola de tempo integral, os alunos já tinham o costume de ter clubes na hora do almoço. Segundo o professor, “a maioria buscava esportes, mas quatro deles queriam criar um clube de robótica”. A sugestão de Maicon foi solicitar que eles pensassem em algum projeto voltado para o ambiente escolar. A resposta desses estudantes foi o combate à dengue, pois uma das professoras ficou doente duas vezes e isso os afligiu também. 

A partir deste momento, eles começaram a desenvolver o protótipo com materiais das aulas de robótica e recicláveis, como a garrafa pet. Quando o clube iniciou oficialmente pela Rede de Clubes Paraná Faz Ciência em setembro do ano passado, os estudantes haviam começado a montar o carrinho com sensor ultrassônico. O projeto foi se transformando com o tempo e tornou-se destinado ao clube.

No momento em que o projeto foi aceito, o professor fez um levantamento dos interessados e muitos alunos queriam entrar. Assim, foi realizada uma seleção seguindo os critérios do Paraná Faz Ciência, como diversidade entre os membros de séries, de gênero e entre outros. “Por isso o clube é bem heterogêneo, temos alunos do 6º ano ao 9º ano e dentre esses também há estudantes que participam de outras atividades, como a sala de recursos multifuncional”, explica o professor.

Quando o robô estava pronto, funcionando por meio de um sensor ultrassônico responsável por fazer com que ele desviasse dos obstáculos, os alunos começaram a pensar em uma forma de acrescentar o umidificador com a citronela. A ideia era que o protótipo se assemelhasse com os carros de fumacê.

O resultado final foi um robô com a base de um carrinho. Com quatro rodas, um chassi e uma estrutura acoplada para colocar o umidificador. Tudo improvisado com materiais recicláveis. Apenas o carrinho era do kit das aulas de robótica e é controlado pelo Arduino, uma plataforma que integra software (programa de computação) e hardware (peças) onde estão os códigos que fazem o robô funcionar.

Para o professor, a importância do clube está também em permitir que os alunos fossem além das aulas de robótica, dos conteúdos programados. “A liberdade é um dos pontos fortes e isso fez com que eles criassem novas ideias. Um exemplo disso é o drone que não estava no projeto inicial do Clube de Ciências Dengue Bot, mas que está se desdobrando juntamente com o robô”, acrescenta.

Próximos objetivos

Esta imagem mostra um grupo de cinco pessoas, sendo quatro adolescentes e um adulto, todos posando para a foto em frente a um painel colorido e ilustrado. O painel tem os dizeres "Do Campo a Cidade, Conectando Saberes” e logotipos do Sistema FAEP, SENAR Paraná, FAEP (Federação da Agricultura do Estado do Paraná) e Sindicato Rural. Todos estão usando camisetas amarelas, provavelmente padronizadas para o evento, e crachás de identificação. Eles seguram um prêmio que é um celular. O ambiente é alegre e descontraído, com o painel de fundo ilustrado com personagens infantis, o que sugere que o evento tem caráter educativo e interativo, com foco em jovens.
Foto do Clube de Ciências Dengue Bot no Concurso Agrinho de 2024 (Foto/Arquivo pessoal)

O Clube Dengue Bot teve o nome escolhido pelos alunos e pelo professor em conjunto, e faz menção à temática central estudada. O termo “Bot” é referência ao programa de computador que efetua tarefas de forma automática e é também a abreviação da palavra  “robot”, que significa robô em inglês.

Neste ano, eles esperam apresentar este projeto na culminância, a finalização do semestre na escola, e inscrever-se em várias feiras de ciências para apresentar o projeto. Inclusive, no ano passado, uma das grandes conquistas do clube foi ter ganhado o concurso Agrinho de Robótica de 2024, na categoria Ensino Fundamental II. 

Além do drone citado, agora com os recursos financeiros da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, eles vão conseguir uma impressora 3D. A finalidade é utilizar peças de qualidade superior e deixar o robô melhor tanto em aparência como em funcionalidade, como por exemplo por meio de outros sensores.

Os alunos também pretendem plantar a própria citronela na escola e extrair seu óleo, para realizar um processo laboratorial. Tudo isso como forma de incrementar o projeto do robô e enriquecer o conhecimento dos alunos.

É justamente neste quesito que o professor argumenta mais uma relevância de um clube de ciências na vida dos estudantes. “Isso ajuda a desenvolver o senso crítico e o trabalho em equipe, como quando eles tiveram a ideia de fazer um sistema de captação da água da chuva, já que esses alunos estavam estudando o ciclo da água em uma das matérias da grade escolar”, exemplifica. Ou seja, os alunos estão relacionando a aprendizagem em sala de aula como um auxílio para resolver problemas dentro da escola.

Outro ponto destacado pelo professor é a pesquisa científica. Os alunos aprenderam a buscar fontes confiáveis utilizando o Google Acadêmico para ler artigos e fundamentar o projeto. Segundo o professor Maicon, o clube traz autonomia para os estudantes e, para os educadores, é um momento de muita troca, onde eles mesmos aprendem também.

Antes de receberem esse investimento da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, o clube  teve que improvisar alguns materiais, mas esse ponto também foi considerado interessante pelo professor, para que os alunos se superassem e utilizassem a criatividade. Apesar das inúmeras falhas, um momento que ficou marcado para o professor e membros do clube foi o dia em que viram pela primeira vez o protótipo funcionando perfeitamente: “Ver que todas aquelas ideias abstratas conseguiram chegar no resultado, foi muito gratificante”, relembra.
Acompanhe as próximas publicações sobre o clube em nosso perfil do Instagram ( @redeclubesparanafazciencia ) e pelo perfil do Colégio Estadual Vereador José Balan tem um perfil (@c.jose.balan )

Em visita à UENP, os clubistas puderam conhecer as características dos variados tipos de solo e alguns laboratórios de ciências naturais.

Alunos e professores reunidos em visita à UENP (Foto/Ana C. Amaral).
Alunos e professores reunidos em visita à UENP (Foto/Ana C. Amaral).

A Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP) – Campus Cornélio Procópio abriga muitos projetos voltados para a área de ensino e formação de professores. Um deles é o projeto de extensão “Solo na Escola UENP” (Instagram: @solonaescolauenp), ofertado pelo curso de Geografia, coordenado pela professora Jully Gabriela Retzlaf e executado por sua equipe de bolsistas. 

Com o auxílio da bolsista pedagógica Maria Eduarda Diniz, o clube “Ecoarte Lucy” agendou a visita na Universidade para a manhã do dia 30 de maio. O Clube é coordenado pela professora Jackeline Souza Alvarenga de Almeida, do Colégio Estadual Lucy Requião de Mello e Silva, situado no município de Cambará e pertencente ao Núcleo Regional de Educação (NRE) de Jacarezinho.

Os 27 alunos e 3 professores, foram recebidos e guiados pelo Professor Dr. Rodrigo Poletto, coordenador da Rede de Clubes UENP; Pedro e Tiago, bolsistas do projeto “Solo na Escola”; além de Maria Eduarda Diniz, bolsista pedagógica, e Ana Caroline Amaral, bolsista de comunicação.

Clubistas assistem à apresentação em sala de aula (Foto/Ana C. Amaral).

Na primeira parte da visita, os clubistas assistiram a uma introdução sobre o assunto e em seguida, participaram de uma dinâmica de perguntas e respostas valendo prêmios como itens de papelaria e cristais naturais para quem acertasse. Os alunos puderam conhecer também o livro escrito pelo projeto, com trechos lidos durante a apresentação.

Após a parte teórica, todos trocaram de sala para colocar a mão na massa. Os clubistas puderam então conhecer as mais diversas e coloridas amostras de solos e rochas, fósseis e representações. Os bolsistas do projeto fizeram demonstrações das características do peso dos materiais, a importância da conservação e a arte de fazer tinta natural com solo. Puderam também pintar com essas tintas e conhecer livremente o acervo do laboratório de Geociências.

Alunos observam explicação sobre tipos de solo (Foto/Ana C. Amaral).

Aproveitando a viagem, todos foram conhecer os laboratórios recém-reformados do curso de Ciências Biológicas. Os clubistas conheceram o laboratório de zoologia, anatomia e por fim, o de botânica, apresentados pelo professor Dr. Rodrigo Poletto, que para finalizar a visita presenteou a todos com um livro, fruto de suas pesquisas na temática agrofloresta.

Estudantes observam frascos e esqueletos(Foto/Ana C. Amaral).

Perguntada sobre o impacto da visita aos clubistas, a Prof. coordenadora do clube, Jackeline Souza Alvarenga, agradeceu pelo acolhimento da equipe e pontuou: “Para muitos deles foi a primeira vez em uma universidade. Nós somos de uma região periférica aqui em Cambará, simples, e ver o encantamento no olhar dos alunos durante a visita, foi algo que me tocou profundamente.”

Em relação à importância de conhecer o projeto e alguns dos laboratórios da Universidade, a coordenadora do clube “Ecoarte Lucy”, falou como os alunos ficaram encantados com a apresentação “O projeto solo na escola foi uma verdadeira aula viva. As pedras, argila, areia, o peso dos materiais, tudo foi explorado com curiosidade e brilho nos olhos dos alunos. A tinta feita a partir dos solos, com suas várias cores diferentes. Eles amaram! Está repercutindo até agora aqui. E ainda teve o bônus [da visita aos] laboratórios, o que deixou todo mundo empolgado.”

Por fim, a professora Jackeline expressou o quão importante foi estar na Universidade. “Vocês não têm ideia do impacto que esse momento causou nos nossos estudantes. Tenho certeza que vai ficar guardado na memória deles e quem sabe despertar sonhos que pareciam ser distantes”, finaliza.

Professores e bolsistas apresentaram algumas das ações que destacam o papel do Arranjo na sociedade

A imagem mostra representantes do NAPI Paraná Faz Ciência apresentando a Rede de Clubes para os visitantes da 13° Feira das Profissões da Universidade Estadual de Londrina. A equipe está posicionada em um estande e o público é formado em sua maior parte por estudantes de escolas da região. Os alunos prestam atenção na explicação.
Equipe NAPI UEL apresentou a Rede de Clubes para os visitantes (Foto/ Isabella Abrão)

O Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação – Paraná Faz Ciência esteve presente na 13ª Feira das Profissões da Universidade Estadual de Londrina (UEL). O objetivo era apresentar aos visitantes atividades que estão sendo desenvolvidas pela Rede de Clubes na região. O evento foi realizado nesta terça-feira (01), no Campus Universitário.

A Feira expôs os 53 cursos de graduação da UEL, principalmente para estudantes do Ensino Médio. Além disso, o evento faz parte da programação oficial do aniversário de 55 anos da Universidade, parceira do Arranjo. Representantes da equipe NAPI UEL ficaram responsáveis por um estande no Centro de Ciências Biológicas (CCB).

A imagem mostra a equipe NAPI UEL no estande do PRFC, localizado no Centro de Ciências Biológicas da UEL, durante a Feira das Profissões. Ao lado da equipe, está a Reitora da Universidade, professora Marta Favaro; a Chefe de Gabinete, professora Lisiane Freitas de Freitas; e o Diretor do CCB, professor João Zequi.
Equipe da UEL ao lado da Reitora da Universidade, professora Marta Favaro; da Chefe de Gabinete, professora Lisiane Freitas de Freitas; e do Diretor do CCB, professor João Zequi (Foto/ Isabella Abrão)
A imagem mostra a equipe NAPI UEL no estande do PRFC, localizado no Centro de Ciências Biológicas da UEL, durante a Feira das Profissões. Ao lado da equipe, está o vice-reitor da Universidade, professor Airton José Petris, e da coordenadora do colegiado de Ciências Biológicas, professora Tânia A. da Silva Klein.
Equipe da UEL ao lado do Vice-Reitor da Universidade, professor Airton José Petris, e da Coordenadora do Colegiado de Ciências Biológicas, professora Tânia A. da Silva Klein (Foto/ Isabella Abrão)

Para a professora Mariana Andrade, coordenadora institucional do NAPI PRFC pela UEL e coordenadora estadual do PRFC Maker, a Feira das Profissões é muito significativa para o Arranjo. “Podemos divulgar nossas atividades para estudantes que ainda não estão na universidade e, com isso, podemos despertar nesses estudantes o interesse pela pesquisa”, destaca. 

Segundo a docente, também é um ótimo momento para que os alunos que já estão em clubes de ciências possam ver o resultado de suas investigações. A Universidade Estadual de Londrina é articuladora de 20 clubes no NAPI PRFC e alguns estudantes que participam desses projetos compareceram à Feira com suas escolas.

A aluna Ana Clara, por exemplo, está no 2° ano do Ensino Médio e é integrante do clube San Rafa Makers, do Colégio Estadual San Rafael, em Ibiporã. Ela ainda não decidiu para o que vai prestar no vestibular, mas garantiu que tem gostado das atividades do projeto. “É muito interessante [o projeto], a gente consegue pesquisar e entender bastante coisa.”

A imagem mostra uma mulher segurando um dos panfletos que foram distribuídos pela equipe NAPI UEL durante a Feira das Profissões. O material de divulgação indica os objetivos da Rede de Clubes e seu papel na sociedade, além de conter um QR Code para que os visitantes possam acessar as redes sociais dos clubes de ciencias da região.
Durante o evento, foram distribuídos panfletos com informações da Rede (Foto/ Isabella Abrão)

Por ser um evento aberto e gratuito, a 13ª Feira das Profissões da UEL não recebeu apenas grupos escolares. A comunidade externa ficou livre para visitar a instituição sem necessidade de agendamento, possibilitando maior contato com os oito centros de estudos. Dessa forma, a equipe NAPI UEL aproveitou para reforçar a importância do Arranjo na sociedade, sobretudo aos que ainda não conheciam a iniciativa.

Projeto do Clube de Ciências ‘Mentes Curiosas’ promove educação ambiental e aproxima comunidade da natureza

Na imagem, alunos e professores do Clube de Ciências do Colégio Estadual Vital Brasil participam de uma atividade ao ar livre, na trilha ecológica. A turma, vestindo camisetas verdes do uniforme escolar, posou ao redor de uma grande árvore, símbolo da importância da preservação ambiental. A saída de campo faz parte das ações do clube, que estimula a observação, o contato com o meio ambiente e o aprendizado prático sobre ecologia e sustentabilidade.
Clubistas em atividade na trilha ecológica (foto/arquivo pessoal)


O Horto Municipal José Januário Pereira, em Vera Cruz do Oeste, está ganhando uma nova função: além de preservar a natureza, passará a ser também um espaço de aprendizado e conscientização ambiental. A transformação faz parte de um projeto do Clube de Ciências Mentes Curiosas, que está implantando uma trilha ecológica no local com o apoio de instituições parceiras. 

Coordenado pela professora Rosineia Saragoza Costa Silva e pela bolsista Mayara Wisniewski Pires Zismann, o projeto é fruto do envolvimento direto de estudantes, que estão colocando a mão na massa desde as primeiras etapas. A proposta surgiu a partir de uma pergunta simples, mas provocadora: “Como o Horto pode contribuir para a Educação Ambiental?”

O trabalho começou com o diagnóstico da área, passou pela identificação das espécies de plantas, análise da água e agora está na fase de planejamento da trilha. Quando pronto, o projeto deve entregar à comunidade um mapa interativo da trilha, um catálogo da flora local, um relatório sobre a qualidade da água e materiais educativos que servirão de apoio para escolas e visitantes.

Na imagem, alunos e professores do Clube de Ciências do Colégio Estadual Vital Brasil caminhando pelo Horto da cidade. A trilha é repleta de árvores e os alunos estão de costas caminhando, utilizando camisetas verdes.
Clubistas em atividade na trilha ecológica (foto/arquivo pessoal)


Para a professora Rosineia, além do impacto ambiental, o projeto tem um valor formativo muito importante. “Os alunos estão aprendendo na prática, desenvolvendo responsabilidade e consciência ecológica. Isso mostra o poder da ciência quando unimos curiosidade e apoio institucional”, destacou.

A comunidade poderá acompanhar os próximos passos pelo Instagram da Rede de Clubes Paraná Faz Ciências ( @clubesparanafazciencia ) , do Clube de Ciências ‘Mentes Curiosas’ (@cienciavitalbrasil ) e do colégio Vital Brasil ( @cevitalbrasil ). A trilha ecológica promete não apenas enriquecer o conhecimento dos estudantes, mas também fortalecer o vínculo da cidade com a preservação ambiental e o turismo sustentável.

O professor da Unesp, Nécio Turra Neto, conduziu uma roda de conversa com bolsistas dos projetos

Fotografia de uma sala de aula com janelas grandes ao fundo, por onde entra luz natural. Um grupo de sete pessoas está reunido, sentadas em carteiras escolares organizadas em semicírculo. À esquerda, um homem de barba, usando camiseta azul, está sentado e gesticulando enquanto fala. À sua frente, os outros participantes — três mulheres e três homens — prestam atenção, alguns com cadernos ou notebooks no colo. Há duas garrafas de refrigerante e alguns lanches sobre uma cadeira próxima à parede. A sala é clara, com piso branco e cadeiras azuis. Ao fundo, é possível ver o pátio externo e alguns prédios.
Professor Nécio Turra Neto durante roda de conversa com bolsistas dos projetos de extensão da Unicentro (Foto/Mathias Trindade)


No dia 30 de abril, o Grupo de Pesquisa e Extensão EDUCARTGeo (Educação Geográfica e Cartografia para Escolares) da Unicentro promoveu, no Campus Cedeteg, uma roda de conversa com o professor Nécio Turra Neto, da Unesp de Presidente Prudente. Especialista em Geografia, o docente compartilhou reflexões a partir de dois de seus estudos mais recentes sobre juventude e território: “Trajetória à Margem: nas tramas da cultura periférica” e “Youth Geographies: uma perspectiva sobre os estudos de juventude na geografia de língua inglesa”.

O encontro foi organizado pela orientadora e coordenadora dos projetos de extensão “Rede de Clubes Paraná Faz Ciência” e “Nós Propomos!”, Marquiana Gomes, e reuniu os bolsistas de ambos os projetos. O professor compartilhou um pouco sobre seu estudo da juventude e argumentou acerca da importância de colocar o jovem como protagonista e sujeito ativo na sociedade. 

Durante a roda de conversa, o professor Nécio também compartilhou parte de sua trajetória acadêmica e os caminhos que o levaram a pesquisar a juventude dentro da Geografia. “Meu interesse surgiu a partir de encontros com universos distintos ainda na graduação”, relembrou. Ele mencionou experiências marcantes que o influenciaram nesse percurso, como seu trabalho com educação indígena entre os Kaingang, no Paraná; o contato com a geografia cultural emergente no Brasil e, especialmente, os laços construídos com jovens ligados à cena punk em Londrina. “Foi nesse contexto que percebi a potência de estudar os territórios juvenis e como a juventude se espacializa nas cidades”, destacou o pesquisador.

Ao falar sobre a importância de reconhecer os jovens como seres ativos na sociedade, o professor Nécio destacou que é um erro pensar a educação sem levar em conta quem são os estudantes. “Como pensar a escola e a universidade sem antes refletir sobre os sujeitos que estão ali? É preciso conhecer quem são esses jovens, suas referências, seus dilemas e os espaços que constroem cotidianamente.”

A discussão também trouxe reflexões para os bolsistas da “Rede de Clubes Paraná Faz Ciência”, iniciativa do NAPI Paraná Faz Ciência, e do projeto “Nós Propomos!” que participaram do encontro. Samara Santos, bolsista pedagógica da Rede, que atua diretamente com os professores na orientação dos projetos desenvolvidos nas escolas, destacou a importância da conversa. Para ela, o encontro ajudou a ampliar o olhar sobre temas que, muitas vezes, ficam restritos à teoria. “Vou levar a ideia de que os jovens não são só alguém que ‘vai ser algo no futuro’, mas que já vivem coisas importantes agora. Isso me faz pensar que, no contato com os professores, a gente precisa valorizar o que os jovens sentem, pensam e vivem no presente”, afirmou Samara.

“Compreender quem são os jovens, seus dilemas, referências e geografias cotidianas é fundamental para pensar o papel da escola como espaço de liberdade, transformação e ampliação de horizontes”, afirmou o Professor Nécio (Foto/ Mathias Trindade)


Outro ponto discutido foi o impacto das redes sociais entre os jovens mais vulneráveis. “É uma fronteira ainda pouco explorada pela pesquisa, mas sabemos que as redes sociais, apesar dos riscos, também têm possibilitado ajuntamentos, conexões entre periferias e circulação de pautas progressistas. São ferramentas que podem ampliar horizontes — desde que haja também controle e regulação “, comentou o docente.

Ao final da roda de conversa, ficou clara a importância de compreender os dilemas, referências e as formas que a juventude tem de ocupar o espaço, além de pensar em uma educação mais significativa. Como destacou o Professor Nécio, “tematizamos a juventude e os jovens mais pela chave da esperança, das potências, das  questões que eles e elas colocam para a sociedade, nos conflitos e enfrentamentos que promovem”.

Acompanhe mais atividades dos Clubes de Ciência pelo Instagram da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência @clubesparanafazciencia e pelo aqui nas Notícias do site NAPI Paraná Faz Ciência.

Coordenadores das universidades apresentaram suas metas e resultados


Na sexta-feira, dia 13 de junho, os coordenadores da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência das diferentes Instituições de Ensino Superior (IES) apresentaram as conquistas e desafios de suas equipes no Workshop do Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação – NAPI Paraná Faz Ciência. Mais de 150 pessoas se conectaram on-line e puderam conhecer mais detalhes sobre os Clubes

A abertura do evento ocorreu às 8h30, com as boas-vindas de uma das articuladoras do Arranjo, a professora da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Débora Sant’ Ana. O professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e articulador do PRFC, Rodrigo Reis, agradeceu aos representantes de todas as Instituições de Ensino Superior do Paraná (IES), que compõem as quase 400 pessoas envolvidas no NAPI.

O diretor de Ciência e Tecnologia e Inovação da Fundação Araucária, Luiz Márcio Spinosa, disse que o NAPI Paraná Faz Ciência vem garantindo uma das metas principais da Fundação que é o aumento da literacia científica no Paraná, fazendo um trabalho transversal de divulgação das ações de todos os NAPIs e traduzindo pesquisa em conhecimento para os paranaenses. Por isso, a Araucária vem estudando uma maneira de transformar o Arranjo em um Institutos Lattes.

Mapa com a localização da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência


Já a professora da Universidade Federal do Paraná (UFPA), Maria Ataide Malcher, convidada especial do evento, reforçou o impacto nacional das ações do NAPI. “A experiência de vocês é excepcional. Estão de parabéns. Estão mostrando que a gente pode fazer. Por outro lado, a responsabilidade do grupo é enorme. O país está de olho no que vocês executam e servem como exemplo”, apostou Maria Ataíde.

Rede

Em seguida, foi aberto espaço para a apresentação da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência. Em primeiro lugar, o professor Rodrigo Reis contou a história da implantação da Rede, que hoje está presente em todas as regiões do Paraná: 200 da Rede PRFC, financiados pela Fundação Araucária; 45 Clubes Maker, com recursos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI); e 46 Clubes de Meninas na Ciência, que nasceram de um edital do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

A professora Mariana Bologna Andrade, da UEL


A professora Mariana Bologna Andrade, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), foi a primeira a falar entre os coordenadores das IES envolvidas. O espaço foi dedicado à apresentação das experiências vividas pela gestão dos Clubes até o momento.

A Rede articula 12 universidades públicas do Paraná: 5 federais e 7 estaduais. “na atuação do projeto mais ambicioso do NAPI, a Rede de Clubes”, marcou o professor Rodrigo.

A professora Mariana é gestora dos Clubes Maker e da região de Londrina, lidando com todas as outras IES. Ela destacou que os Clubes não representam apenas uma ação de extensão e divulgação da ciência, também têm impacto na pesquisa. “Precisamos ter essa consciência, de que estamos produzindo conhecimento científico por meio das nossas ações nos Clubes”.

A oradora seguinte foi a pós-doutoranda Giselle Corrêa, que apoia a gestão dos Clubes da região de Curitiba, geridos pela UFPR. Ela mostrou que a equipe lida com 532 estudantes e disse que, ao mesmo tempo que as ações têm destaque e levam professores clubistas a receber prêmios, “há dificuldades inerentes ao projeto como, por exemplo, a falta de material para as ações nas escolas”.

A professora Fernanda Melglhioratti, da Unioeste


A professora Fernanda Melglhioratti é a gestora de 28 Clubes na região da Universidade do Oeste do Paraná. Ela destacou os impactos que a Rede está tendo sobre os clubistas, que vem sendo visitados na frequência que se torna possível, devido a distância das escolas da sede da Unioeste. “Esse é um grande desafio que enfrentamos. Além das questões burocráticas inerentes às compras e as questões pedagógicas que vêm dos professores e das escolas”.

Luken  Bueno Luccas, coordenador da Rede na Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP), lembrou que o papel dos Clubes vai além do campo científico, entra na esfera social. “Chegamos com a ciência em uma região em que as pessoas têm poucas oportunidades. Temos o menor IDH do Estado. Além disso, fazemos diferença na formação dos nossos bolsistas”.

A professora Leila Freire, da Universidade Estadual de Ponta Grossa, destacou que a distância dos Clubes da sede da UEPG é um desafio para a equipe, que tem como meta estar perto dos professores e estudantes clubistas. “Essa aproximação é importante, porque é por meio dela que percebemos fascínio dos alunos em encontrar respostas para suas pesquisas e o impacto que os Clubes têm nesta conquista dos objetivos deles”.

Josiane Figueiredo, coordenadora da Rede de Clubes pela Universidade do Estado do Paraná (Unespar), mostrou a efetividade dos resultados conquistados, que garante a inclusão social e o protagonismo estudantil. “Temos alunos de pé descalço que estão se mostrando jovens cientistas por meio da participação nos Clubes”.

A professora Josiane Figueiredo, da Unespar


Na Universidade do Centro Oeste do Paraná (Unicentro), quem é responsável pela gestão dos Clubes de Ciências é a professora Marquiana Vilas Boas. Ela reforçou o comentário da professora Leila. Disse que é preciso fortalecer o apoio para que os clubistas sejam visitados e que os estudantes participem também de eventos externos. “Precisamos ajudar alunos e professores a participarem de eventos pelo Paraná e pelo país. Penso até que seria interessante que participassem da COP-30”, disse a professora.

É importante lembrar que Marquiana será anfitriã de um encontro de Clubes, durante o Paraná Faz Ciência, evento de divulgação científica do Estado, que ocorre no final de setembro deste ano.

A Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) tem na equipe gestora a professora Claudia Fioresi. Ela lembrou que os Clubes, além de reforçarem a vocação dos alunos para a produção científica, são “fundamentais para aproximar a universidade da educação básica, por meio das suas ações”.

A Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) comemorou a participação de docentes de diferentes áreas na mesma empreitada: os clubes de ciências. “Não só os alunos da educação básica ganham, nossos professores e alunos das universidades também têm oportunidade de formação diferenciada”, festejou o coordenador da Rede na UTFPR, Ênio Stanzani.

Algumas das ações desenvolvidas pelos clubes da região do IFPR


Representando o Instituto Federal do Paraná (IFPR), a professora Sandra Agnes destacou no depoimento a oportunidade que os clubistas da região dela estão tendo em participar de ações com comunidades indígenas e quilombolas. “Com isso, além da aproximação da universidade com a educação básica, temos tido a chance de reaproveitar a cultura destas comunidades e discutir problemas ambientais”, explicou Sandra.

Experiência parecida foi trazida pelo professor Ronaldo Ribeiro, da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila). “Estamos conseguindo desenvolver projetos muito importantes com uma escola indígena, por exemplo, sobre plantas medicinais. Porém, essas ações acabam extrapolando as equipes dos Clubes e envolvem professores e alunos de outras escolas”, lembra o docente.

Algumas das ações desenvolvidas pelos clubes da região de Maringá


A professora Débora Sant’ Ana, coordenadora da Rede e gestora dos Clubes ligados à Universidade Estadual de Maringá (UEM), também sente a dificuldade de estar distante de boa parte dos 617 clubistas envolvidos na sua área de atuação. “Mas isso não diminui a satisfação de vermos o conhecimento sendo desenvolvido por eles. E há pesquisas em todas as áreas: humanas, astronomia, arte e ciência, além das questões ambientais. Os desafios são grandes, mas os resultados são muito positivos”.

Ainda houve a participação da gestora dos Clubes de Meninas vinculados à Rede. A pós-doutoranda Bettina Heerdt, agradeceu ao NAPI Paraná Faz Ciência “por abrir espaço para a participação dos clubes deste grupo, sub representado na ciência. É uma oportunidade ímpar para essas meninas e um desafio para nós”.

Mapa com a localização da Rede de Clubes de Meninas


A apresentação dos Clubes fechou a programação matutina do Workshop do NAPI. Na próxima reportagem, vão ser descritas as atividades da tarde da sexta-feira, dia 13 de junho. Aguardem!

Estudantes aprenderam sobre floresta nativa e biodiversidade

A imagem mostra o ambientalista Daniel Steidle apresentando a Fazenda Bimini aos estudantes do clube “Discovery Kennedy’s”, do Colégio Estadual Cívico-Militar Presidente Kennedy, de Rolândia. Na foto, ao fundo, Daniel segura um girassol de madeira com os princípios da ONU escritos nas pétalas. Na frente, os alunos estão de costas prestando atenção na explicação e realizando anotações.
Alunos clubistas foram apresentados à Fazenda Bimini (Isabella Abrão)


Os alunos do Colégio Estadual Cívico-Militar Presidente Kennedy, de Rolândia, realizaram uma visita à Fazenda Bimini, na zona rural do município. A atividade, proposta pelo Clube de Ciências “Discovery Kennedy’s”, mostrou como identificar espaços de floresta nativa e sua importância para o equilíbrio do meio ambiente.

A visita foi conduzida por Daniel Steidle, ambientalista e responsável pela Fazenda, no início de abril. Os estudantes aprenderam sobre ancestralidade, biodiversidade e simbiose. Além disso, puderam acompanhar a soltura de três pequenas cobras. “Bem interessante, é legal ficar em um ambiente diferente da zona urbana, com mais vegetação”, contou José, um dos alunos clubistas.

A imagem mostra os estudantes e professores que fazem parte do clube “Discovery Kennedy’s”, do Colégio Estadual Cívico-Militar Presidente Kennedy, de Rolândia. A turma realizou uma visita à Fazenda Bimini, na zona rural da cidade. A foto é um registro do passeio. Os alunos estão uniformizados e em volta há apenas vegetação.
Equipe do clube “Discovery Kennedy’s” na Fazenda Bimini (Isabella Abrão)


A professora Eglaia Cheron, coordenadora do projeto na escola, foi uma das docentes que acompanhou os jovens cientistas no passeio. Ela destacou a importância da atividade para compreender melhor a natureza e como funciona o estabelecimento da cadeia alimentar. “É uma imersão na fauna e na flora da nossa cidade”, reforça a professora, que ministra as matérias de Ciências e Biologia no colégio.

A imagem mostra os estudantes do clube “Discovery Kennedy’s”, do Colégio Estadual Cívico-Militar Presidente Kennedy, de Rolândia, prestando atenção na aula sobre natureza e simbiose. A turma realizou uma visita à Fazenda Bimini, na zona rural da cidade, e receberam explicações sobre biodiversidade e floresta nativa. A foto é um registro do passeio. Os alunos estão uniformizados, sentados em um banco de madeira. Na frente deles, tem uma mesa com objetivos e um estagiário de biologia, que acompanhou o passeio e estava se apresentando.
Estudantes prestaram atenção e fizeram anotações durante o passeio (Isabella Abrão)


Clube “Discovery Kennedy’s”

No NAPI – Paraná Faz Ciência, o clube é articulado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) e os encontros ocorrem toda terça-feira, no período vespertino. O objetivo do “Discovery Kennedy’s” é investigar o entorno do Lago San Fernando e as aves que podem ser encontradas no perímetro urbano de Rolândia. Quando não estiverem em aula de campo, os alunos realizarão as atividades no laboratório de ciências da escola.

A imagem mostra a professora Eglaia Cheron, coordenadora do clube “Discovery Kennedy’s”, no laboratório de ciências do Colégio Estadual Cívico-Militar Presidente Kennedy, em Rolândia. A docente está no centro da foto, atrás de uma mesa azul. Em volta, há prateleiras brancas com objetivos utilizados no meio científico e outros do cotidiano, como um globo terrestre. No fundo, há ainda um quadro negro e outras mesas azuis.
Professora Eglaia Cheron, coordenadora do clube, no laboratório da escola (Isabella Abrão)


Dentro do contexto da biodiversidade, o cronograma de atividades do clube envolve a análise da água do Lago San Fernando, incluindo o estudo de microrganismos e bioindicadores. Além disso, os clubistas também investigarão a mata ciliar do Lago, catalogando espécies de vegetais e animais estabelecidas no local. Com relação às aves urbanas, os alunos irão pesquisar os hábitos de vida e a adaptação dos ciclos dos animais na região.

Com foco nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, alunos apresentaram uma sessão de cinema para toda a escola

A foto é do Clube de Ciências “Planeta Consciente Paraná Faz Ciência Maker”. A imagem mostra um grupo de sete pessoas (cinco jovens e dois adultos) posando sorridentes em uma sala de aula. Todos parecem estar participando de um projeto escolar relacionado à sustentabilidade. Atrás do grupo, há um cartaz colado na lousa verde, com o título “SUSTENTABILIDADE” e outros textos escritos à mão, mencionando “Projeto: DA TERRA À TELA” e palavras como “futuro” e “sustentável”. Na frente do grupo, há duas mesas com maquetes. Uma delas exibe mãos segurando um globo terrestre, cercado por folhas verdes artificiais e luzes decorativas. A outra tem cubos coloridos com ícones e textos representando os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), como o ODS 11 (Cidade e Comunidade Sustentável), ODS 12 (Consumo e Produção Responsáveis) e o ODS 13 (Ação Contra a Mudança Global do Clima). O ambiente transmite um clima de cooperação e engajamento estudantil.
Foto do Clube de Ciências Planeta Consciente Paraná Faz Ciência Maker no dia do projeto “Da Terra à Tela” (Foto/arquivo pessoal)


O Clube ‘Planeta Consciente Paraná Faz Ciência Maker’ iniciou as atividades este ano e já discutiu três dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), durante os encontros semanais. A temática foi baseada na Agenda 2030, estabelecida pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 2015. Os ODS têm os objetivos de erradicar a pobreza, proteger o planeta e garantir o bem-estar de todos até 2030.

Assim, o projeto do clube no Colégio Estadual do Campo Marechal Floriano Peixoto, do distrito de Ribeirão Bonito, em Grandes Rios, busca estudar os 17 ODS e criar atividades para além da teoria, exercendo ações com potencial prático. Entre as atividades realizadas, uma destacada pelo professor coordenador do clube, Juliano Michael Sabatini, foi a sessão de cinema.

No final do mês de abril, o Clube realizou uma sessão para exibir o filme Wall-E para toda a comunidade escolar e nomearam o evento de “Da Terra à Tela”, fazendo relação com os três ODS estudados pelos alunos do “Planeta Consciente”. Houve espaço também para a  colaboração com outras disciplinas, pois um longa-metragem traz a possibilidade de debater arte, língua portuguesa, língua inglesa, oratória, mídias digitais, ética, liderança, além do projeto de vida dos estudantes e a ciência e a tecnologia.

Para a atividade do cinema, o coordenador Juliano contou com a colaboração da professora de Corresponsabilidade Social e Sustentável, Roseli Beatriz. “A escola é muito unida, eles conseguem se juntar e trabalhar a questão nas mais diversas temáticas”, explica Sabatini.

“Da Terra À Tela” foi um trabalho coletivo entre a turma do Clube e alunos da disciplina da professora Roseli. Eles atuaram juntos, cada um com uma função. Os alunos do “Planeta Consciente” foram responsáveis por entrarem nas salas de aula e explicarem aos outros estudantes sobre os três ODS estudados até o momento, entre eles os de número 11, 12 e 13.

O ODS 11 – “Cidade e Comunidade Sustentável” –  busca tornar as cidades e as habitações inclusivas, protegidas, resistentes e sustentáveis. Assim, entre as discussões em sala de aula, os alunos buscaram aprender as práticas de consumo sustentável, reduzindo o desperdício. 

Esse ODS também se ligou com o 12 – “Consumo e Produção Responsável” -, de forma a contribuir com reflexões sobre a reciclagem e as possibilidades de reutilização. E ainda com o 13 – “Ação Contra a Mudança Global do Clima”. Um dos trabalhos realizados neste Objetivo foi uma maquete representando duas mãos com o planeta terra no centro.

O objetivo do evento também foi tratar de pesquisas realizadas em torno da degradação ambiental e suas consequências. A ideia era sensibilizar alunos, professores e toda a escola sobre as problemáticas ambientais. Os estudantes levaram alguns dos conhecimentos sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável para aqueles que não fazem parte do Clube.

Para além da multidisciplinaridade da ideia do “Da Terra à Tela”, um ponto interessante é que o longa-metragem, por ser mudo, facilita a participação de estudantes com deficiência auditiva. Assim, foi possível contar com todos os alunos na sala.

Produção das Caixas e Cinema 

A imagem mostra um grupo de dez estudantes posando em sala de aula, diante de um mural com o tema "SUSTENTABILIDADE", escrito em um cartaz de papel fixado na lousa. O cartaz traz o título do projeto “Da Terra à Tela” e o subtítulo "Sustentabilidade: nosso compromisso com o futuro". Na frente do grupo, há duas mesas com maquetes. Na mesa central, há três cubos grandes que representam Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS): ODS 11: "Cidades e comunidades sustentáveis" (cubo vermelho), ODS 12: "Consumo e produção responsáveis" (cubo marrom) e ODS 13: "Ação contra a mudança global do clima" (cubo verde). Na mesa à direita, está uma escultura artística com uma estrutura verde em forma de “L”, decorada com folhas artificiais e luzes. Duas mãos seguram o planeta Terra em estado de degradação. Os estudantes demonstram engajamento com o tema.
Foto do Clube de Ciências Planeta Consciente Paraná Faz Ciência Maker com as caixas da ODS e a maquete das mãos (arquivo pessoal)


O nome do clube “Planeta Consciente” partiu dos estudantes em conjunto com o professor Juliano e faz referência ao principal objetivo que é conscientizar sobre os ODS, tão necessários atualmente. A ideia também é, segundo o professor, criar “uma forma do projeto não ser entendido isoladamente, mas mostrar aos alunos que eles podem fazer a diferença no mundo com suas atitudes”.  

Por ser uma escola integral, o Clube funciona como uma disciplina eletiva. Todas as terças-feiras eles se reúnem para discussões sobre uma temática ambiental que envolva os ODS. Primeiro encaixam a pauta em uma das 17 opções e, depois, começam a produzir a “Caixa de Ferramentas”. Essa é uma representação visual e um recurso que ajuda na implementação e no acompanhamento das metas do grupo.

Com 10 estudantes do 8º ou 9º ano, o professor sempre procura trabalhar o lado artístico, já que também é docente de artes. Assim, até o final do ano pretende ter todas as 17 caixas com referência aos ODS montadas. Segundo Juliano, é interessante observar os alunos percebendo os problemas ambientais, demonstrando mais autonomia nas discussões e nas ações. 

A dinâmica do Clube envolve a teoria por meio de rodas de conversas, mas também a prática com a criação das caixas feitas a partir de materiais recicláveis. Para isso, exige dos estudantes a busca pelos componentes e seus significados, despertando nos alunos a educação ambiental que também é levada por eles para as famílias, além da comunidade externa. 

A proposta para os próximos meses é continuar estudando os ODS e envolver a comunidade interna e externa. O Clube também pretende apresentar os trabalhos na Culminância, que é um evento realizado no encerramento do semestre. Nesta ocasião, o colégio abre às portas para pessoas de fora do ambiente escolar, a fim dos alunos exibirem os resultados dos projetos desenvolvidos nas disciplinas eletivas.

Escola Estadual Humberto de Alencar Castelo Branco mobiliza centenas de alunos, professores e comunidade em evento que reforça a urgência das ações climáticas e o engajamento estudantil.

A imagem mostra um grande grupo de pessoas reunidas ao ar livre, em um campo gramado, com muitas árvores ao fundo sob um céu nublado. Na parte da frente da imagem, há uma fileira de adultos (professores e palestrantes) agachados e atrás deles, há uma grande quantidade de crianças e adolescentes sentados ou em pé, muitos segurando pequenas mudas de plantas. No canto esquerdo da imagem, é possível ver parte de um parquinho infantil com brinquedos, e ao fundo algumas casas e postes de iluminação. Todos parecem estar felizes, sorrindo para a foto.
Alunos, professores e palestrantes reunidos para uma foto geral no gramado ao redor do Lago Municipal (Foto/Heloisa Coleta)


Borrazópolis, PR – A cidade de Borrazópolis respirou ciência e sustentabilidade na 1ª Conferência Climática da Escola Estadual Humberto de Alencar Castelo Branco. No dia 22 de maio, o evento, que reuniu cerca de 300 pessoas – entre alunos, professores e funcionários, além de autoridades da cidade e palestrantes das entidades –, marcou um passo significativo na educação ambiental local e na valorização do papel ativo dos jovens na construção de um futuro mais sustentável.

A abertura da conferência contou com fala da diretora da escola, Professora Lisandra Câmara; do Professor Paulo Afonso; da aluna clubista Cibele Cirico e da coordenadora do clube de ciência Jovens pelo Clima, professora Eliana Silva, que deram as boas-vindas aos participantes.

A imagem mostra um grupo de meninas participando de uma apresentação ao ar livre, elas são membros do clube de dança da escola. Elas estão vestidas com túnicas em tons de azul e azul-claro, remetendo à água. Uma das meninas, posicionada ao centro e em pé, segura um globo terrestre acima da cabeça, o que reforça a temática ambiental e de conscientização ecológica. As meninas estão organizadas em uma composição coreografada, com expressões alegres e concentradas. Algumas têm o rosto pintado como elemento artístico ou teatral. Ao fundo, há pessoas observando a apresentação, algumas sentadas na grama, outras em pé. O céu está parcialmente nublado, com uma luz suave incidindo sobre o grupo, criando um efeito bonito na cena. A imagem transmite uma sensação de harmonia, cuidado com o planeta e valorização da expressão artística na escola.
Alunas do grupo de dança da escola Humberto de Alencar Castelo Branco em apresentação para o início das palestras da conferência (Foto/Heloisa Coleta)


A programação da conferência foi um dos grandes destaques. Após uma emocionante apresentação de dança do clube de dança da escola – com coreografia alusiva à água, suas nascentes no Lago Municipal e sua importância vital –, os alunos embarcaram em uma “rotação de palestras” distribuídas em quatro estações temáticas montadas no próprio Lago Municipal de Borrazópolis. Essa estrutura dinâmica permitiu que todos os 203 alunos da Escola Estadual Humberto de Alencar Castelo Branco tivessem acesso a conhecimentos trazidos pelos palestrantes.

As estações abordaram temas de relevância ambiental: Biodiversidade, Qualidade da Água, Recuperação de Nascentes e Coleta Seletiva e Reciclagem. Na estação de Biodiversidade, o chefe regional do Instituto Água e Terra (IAT), Maurílio Vila, e a engenheira ambiental, Rafaela Jorge falaram sobre plantas nativas e reflorestamento, e ainda disponibilizaram mudas de palmito aos participantes. A Qualidade da Água contou com a expertise da professora Juliana Furtado, que além de sua palestra, distribuiu papéis-semente de alpiste, confeccionados juntos aos alunos do clube de ciência Jovens pelo Clima. 

Já a Coleta Seletiva e Reciclagem teve a presença dos integrantes da ACAMARB (Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis de Borrazópolis), gerida pela Itaipu, a qual compartilhou seu conhecimento sobre a separação correta do lixo. Por fim, a Estação de Recuperação de Nascentes foi organizada pelo clube de ciência em parceria com o Instituto de Desenvolvimento Rural (IDR) e teve a palestra do professor Leandro Cividini.

A conferência alcançou muitas pessoas devido à articulação da professora Eliana Silva, coordenadora do clube de ciência Jovens pelo Clima, em conjunto com a professora Dyana Braga, representante do Núcleo Regional de Educação (NRE), além dos professores da escola e diversas entidades locais, como a Secretaria Municipal de Agropecuária,  Desenvolvimento Econômico, Meio Ambiente, Indústria, Comércio e Turismo de Borrazópolis. 

Sobre o evento, a professora Eliana Silva destacou: “Um ponto muito positivo da conferência foi o contato com a natureza e a aplicação na cidade, no Lago Municipal, que é um lugar aberto frequentado por pessoas para o esporte e lazer. O deslocamento da escola para o lago proporcionou uma experiência ambiental inesquecível aos alunos, principalmente aos clubistas que participaram na organização das estações, colocando a mão na massa!” Essa experiência prática em um ambiente vivo de Borrazópolis reforça o aprendizado e o engajamento dos estudantes na construção de um futuro mais verde.

O resultado foi um grande evento feito para os alunos e, principalmente, com os alunos. Os membros do clube de ciência Jovens pelo Clima tiveram participação ativa na organização e condução das quatro estações, demonstrando um notável protagonismo em assuntos ambientais ao apresentarem no estande da Recuperação de Nascentes o trabalho com as caixas de cimento para proteção de nascentes. Essa imersão prática não só reforça a educação ambiental, mas também estimula os estudantes a refletirem sobre práticas que impactam positivamente o meio ambiente, construindo um futuro mais sustentável.

A imagem mostra uma menina em pé, em um espaço ao ar livre, lendo um texto em voz alta com a ajuda de um microfone. Ela está segurando algumas folhas de papel e parece estar concentrada na leitura. A menina veste camiseta azul e calça escura, com um crachá pendurado no pescoço. Ao fundo, há uma tenda com logotipos de instituições como IDR-Paraná, Embrapa, Itaipu Binacional e o brasão do município de Borrazópolis, indicando a parceria entre diferentes órgãos em um evento educacional e ambiental. Atrás dela, algumas pessoas estão sentadas e observando atentamente, entre elas adultos e estudantes. Também é possível ver mesas plásticas com vasos de plantas, reforçando o tema ambiental, e ao fundo, carros e árvores, indicando que o evento ocorre em uma área aberta urbana, próxima a escola. A cena transmite a ideia de um momento importante de participação estudantil pelo meio ambiente, educação e cidadania.
Laura Miyaji, aluna e membro do clube de ciência Jovens pelo Clima, da escola Humberto de Alencar Castelo Branco, fazendo a leitura da Carta Aberta. (Foto/Heloisa Coleta)


A conferência foi encerrada com um momento de grande impacto: a leitura da Carta Aberta escrita pelos próprios clubistas, como um manifesto poderoso que ecoa a voz da juventude em relação à crise climática. Segue a reprodução abaixo.

Carta Aberta – Conferência Climática

 Aos líderes, representantes, educadores, organizações e a toda a sociedade,

 Nós, jovens organizadores e participantes da conferência Jovens pelo Clima da Escola Estadual Humberto de Alencar Castelo Branco, do município de Borrazópolis, nos unimos em um momento decisivo para o futuro do planeta. Esta não é apenas mais uma conferência. É um grito coletivo, uma declaração de urgência e um chamado à ação real para melhorar a qualidade de vida e buscar diminuir as desigualdades humanas.

Vivemos em um tempo em que os impactos da crise climática já são sentidos diariamente: queimadas, enchentes, secas extremas, insegurança alimentar, deslocamentos forçados e perda de biodiversidade. Esses não são avisos distantes, são sinais de um presente que clama por transformação.

Mas diante da morosidade de muitos tomadores de decisão, nós, jovens, não aceitamos a indiferença como resposta. Crescemos em meio a promessas não cumpridas, como as que foram estabelecidas pela ONU, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável a serem alcançados até 2030, bem como metas climáticas frágeis. Por isso, nos organizamos, aprendemos, propomos e lideramos. Realizamos ações no município de Borrazópolis, como plantio de mudas nativas em uma estação ecológica; recuperação de nascente no Lago Municipal; implantação de uma horta escolar com o objetivo de distribuição da produção aos alunos vulneráveis; conscientização da importância da separação do lixo, coleta seletiva e reciclagem. Mostrando ser possível que os jovens sejam protagonistas nas ações locais e nas globais também.

Reivindicamos:

Justiça climáticaAs populações mais afetadas são, frequentemente, as que menos contribuíram para a crise. A transição precisa ser justa, inclusiva e antirracista.

Participação efetiva da juventude – Não queremos apenas espaço nas fotos. Exigimos assento nas mesas de decisão e influência real nos processos políticos, nos níveis: municipal, estadual e federal.

Educação climática em todos os níveis – É preciso formar uma geração consciente, crítica e preparada para lidar com os desafios ambientais desde a Educação Infantil.

Compromissos concretos com o fim dos combustíveis fósseis – É inadmissível que ainda se invista em fontes de energia que ameaçam nosso futuro, necessitamos de energia limpa e que toda a população tenha acesso, priorizando a população periférica.

Proteção de territórios e dos defensores ambientais – Especialmente povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais que há séculos preservam a natureza.

Esta carta é mais do que palavras. É um compromisso. É uma exigência. E é também um convite: Juntem-se a nós. Não há mais tempo para discursos vazios. É hora de agir com coragem, responsabilidade e visão de futuro.

A crise climática não é uma escolha geracional. É uma responsabilidade coletiva. E nós, jovens, estamos fazendo a nossa parte. E você?

 Por justiça, por esperança, por um planeta vivo.

Assinado,

Jovens pelo Clima

22 de maio de 2025.

Lago Municipal de Borrazópolis.