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II WORKDHOP DO NAPI PARANÁ FAZ CIÊNCIA

Rede de Clubes é um incentivo para a ciência na Educação Básica

A imagem mostra um grupo de pessoas reunidas no Laboratório de Imunogenética. Entre eles, há estudantes, professores e profissionais vestidos com jalecos brancos. Todos estão sorrindo e posando para a foto, com um homem de camiseta verde ao centro apoiado em uma mesa. No ambiente, há uma tela de projeção ao fundo, microscópio, caixas de leite e um modelo de DNA colorido sobre a mesa, indicando atividades ligadas à ciência e biologia. A atmosfera parece descontraída e colaborativa, sugerindo um evento educacional.
Clube de Ciência CAPCiência do Colégio de Aplicação Pedagógica (CAP), da Universidade Estadual de Maringá (UEM), na visita ao Laboratório de Imunogenética para uma atividade laboratorial de testagem de DNA (Arquivo pessoal)


Com 200 clubes distribuídos em 31 dos 32 Núcleos Regionais de Educação do Paraná, a Rede de Clubes Paraná Faz Ciência é uma das ações pelas quais o NAPI (Novos Arranjos de Pesquisa e Inovação) Paraná Faz Ciência é responsável. Essa rede é gerida pelos articuladores Débora Sant’Ana, da Universidade Estadual de Maringá (UEM), e Rodrigo Reis, da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Segundo Débora, o grande objetivo do NAPI Paraná Faz Ciência é fortalecer a cultura científica do Estado do Paraná, “fazer com que a ciência esteja no cotidiano e na boca das pessoas”. Ela acredita que é por meio da divulgação científica que a ciência pode ser popularizada para todos, inclusive, sendo apoiada nas escolas. Neste sentido, a Rede de Clubes desempenha um papel de reforçar essa cultura, já que os estudantes a levam para suas famílias e também porque estão em fase de escolhas para o futuro, de quais profissões seguirão. 

Como explica o professor Rodrigo, a Rede também é uma forma de antecipar esse contato dos estudantes da educação básica com a ciência, com os processos científicos, com a inovação e com resoluções de problemas baseados na sua própria realidade. O principal objetivo é ampliar o interesse dos estudantes pela ciência e pelas carreiras científicas, com a possibilidade de bolsas para os professores coordenadores dos clubes e para os alunos, a participação em feiras de ciências e a formação continuada. O investimento total, feito pelo governo do Estado, é de R$23,5 milhões. 

São em torno de cinco mil estudantes e em média 300 professores nesta grande rede que beneficia escolas, professores e alunos. O início do projeto dos clubes foi em 2024, mas com fases mais burocráticas, da execução dos convênios. Neste ano de 2025, muitos planos estão se concretizando de forma efetiva e os clubes poderão também participar de feiras de ciências, apresentando seus trabalhos.

Uma das novidades no processo de gestão dos Clubes é a fase da compra de material e contratação de serviços necessários para as atividades. Os pedidos podem ser enviados até 29 de agosto, por cada um dos 200 clubes. Cada professor fará o levantamento de todas as demandas de produtos e serviços que vão se utilizar, especificando-os em planilhas para que seja feita a compra de tudo que precisarem para a rotina dos seus Clubes.

Como tudo começou

A imagem é uma montagem composta por duas fotos lado a lado, tiradas em frente a painéis informativos do Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto, mais especificamente da Galeria da Biodiversidade e do Jardim Botânico da Universidade do Porto. Foto à esquerda: uma mulher está em pé, sorridente, usando um vestido listrado em tons claros, blazer preto e sapatos marrons. Ela carrega uma bolsa de ombro marrom e usa óculos. Está posicionada em frente a um cartaz que diz "GALERIA DA BIODIVERSIDADE". Foto à direita: um homem está em pé, com expressão séria, vestindo uma calça jeans azul, blazer cinza, camisa preta e sapatos pretos. Ele está em frente a outro cartaz da "GALERIA DA BIODIVERSIDADE" e ao lado de um painel verde com uma folha branca estilizada, associado ao Jardim Botânico da universidade. Ambas as pessoas parecem estar visitando o local em caráter institucional, dado o traje formal-casual e o cenário acadêmico.
Registros em Portugal durante a viagem para conhecer o Ciência Viva. Nas imagens estão Débora Sant’Ana e Rodrigo Reis, ambos articuladores e responsáveis pelo Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (NAPI) – Paraná Faz Ciência (Arquivo pessoal)


A Rede de Clube surgiu da vivência e do diálogo que os professores tiveram no Ciência Viva de Portugal. Neste ambiente, eles perceberam que essa Rede de Clubes é o motor indutor do que eles chamam de movimento social pela ciência. Segundo o professor Rodrigo, eles já tinham a previsão de ter os clubes de ciência quando idealizaram o Paraná Faz Ciência, mas de uma maneira muito mais simples. Após a visita a Portugal, a situação se alterou, já que ficou nítido a potência deste projeto. 

Débora explica que durante a viagem, visitaram tanto clubes de ciências em zona urbana, quanto em zonas rurais. “Foi uma oportunidade de dialogar com os estudantes, professores e os coordenadores da Rede Ciência Viva”. Assim, o surgimento dos clubes é uma construção em conjunto dos professores Débora e Rodrigo, o professor Ramiro Wahrhaftig, presidente da Fundação Araucária, e outros gestores da Secretaria Estadual de Educação (SEED-PR).

Diferenciais de participar de um clube

A imagem mostra dois jovens trabalhando na confecção de um cartaz em uma sala de aula. No centro da imagem, há uma faixa longa de papel kraft estendida sobre duas mesas escolares, unidas para formar uma superfície contínua. Na faixa, está sendo pintada a frase "CLUBE DE" com letras grandes e verdes. À direita, uma jovem com cabelos longos e castanhos está ajoelhada sobre uma cadeira enquanto pinta as letras. À esquerda, um jovem observa o trabalho. Ao fundo, há estantes metálicas com livros, pastas e caixas organizadoras. O ambiente tem aparência escolar, com paredes cinza e branca, cadeiras escolares e materiais de arte sobre as mesas. A cena retrata um momento de colaboração e criatividade.
Clube de Ciências Capivara´s Tech se preparando para Culminância de 2024 do Colégio Estadual Brasílio Itiberê em Maringá (Arquivo pessoal)


Os clubes de ciências são espaços que oferecem aos alunos autonomia e protagonismo. Segundo a professora Débora, diferentemente do ambiente cotidiano de sala de aula, com prazos e processos avaliativos formais, a ideia da Rede de Clubes é desenvolver competências e habilidades em torno do trabalho em equipe, liderança, organização do tempo e habilidade de observação.

A possibilidade dos clubes em desenvolverem soluções para problemas locais ou regionais, é um outro benefício. Pois, se há uma questão impactando a vida deles de alguma maneira os alunos podem, de forma ativa, contribuir, estudar ou compreender. Em relação aos professores, ser coordenador de um clube é uma oportunidade de trabalhar a iniciação científica na escola, reforça  Débora. Também é uma maneira dos educadores terem mais autonomia, já que o projeto é desenvolvido por eles com os alunos. 

O professor Rodrigo acrescenta que a oportunidade de participar da Rede de Clubes foi facilitada pela definição de uma carga horária dedicada, além de um valor em forma de bolsa-auxílio – embora não seja a principal motivação, pelo valor simbólico se comparado ao volume de trabalho gerado por um clube –, porém, ainda assim é uma forma de valorizar esse tipo de atividade pedagógica.

Existe ainda o ganho do contato com as universidades. Para o estudante, muitas vezes o espaço da universidade está distante e o ambiente escolar acaba sendo o ponto de contato, com possibilidades mais restritas. O próprio professor clubista, que eventualmente perdeu  vínculo com o ambiente universitário, pode reabilitar-se nesse sentido a partir das trocas incentivadas pela Rede de Clubes, da parceria com a universidade, com pontos de referência e acesso a cursos de formação continuada. Segundo a professora Débora, este é um benefício também para a própria universidade que recebe os clubistas, porque se retroalimenta e tem contato mais direto com o cotidiano da educação.

Fortalecimento da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência 

A imagem contém dois logotipos diferentes, um na parte superior e outro na parte inferior, ambos relacionados à "Rede de Clubes Paraná Faz Ciência". Na parte superior há um ícone composto por uma lupa roxa (representando ciência ou investigação), dois cantos arredondados em verde água formando um quadrado aberto e um asterisco laranja. Está escrito: “REDE DE CLUBES” em roxo, “MENINAS” em laranja, “PARANÁ FAZ CIÊNCIA” em roxo, abaixo da palavra "MENINAS" e o fundo é bege claro. Na parte inferior há um ícone similar ao de cima, mas com pequenas diferenças nas cores e elementos. Com uma lupa em verde água, um “M” estilizado em vermelho, um asterisco laranja e dois cantos arredondados em verde água, formando um quadrado aberto. Enquanto na parte textual está escrito: “REDE DE CLUBES” e “PARANÁ FAZ CIÊNCIA” em preto e “MAKER” em preto, mas com a fonte mais espessa e o fundo branco.
Identidade Visual dos Clubes de Ciências Paraná Faz Cultura Maker e Rede de Clubes Paraná Faz Ciência Meninas (Divulgação/NAPI Paraná Faz Ciência)


A ideia inicial da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência pela Fundação Araucária e pela Secretaria de Estado da Ciência Tecnologia e Ensino Superior (SETI) se expandiu, e com a seleção em um edital do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), por meio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), foi possível abrigar mais clubes de ciência, nos moldes do projeto da Rede de Clubes, porém nomeados de Rede de Clubes Paraná Faz Ciência ‘Maker’.

Os 45 clubes do tipo ‘makers’ (fazedores, em tradução aproximada) têm foco em atividades ainda mais práticas, para os alunos vivenciarem experiências de fazer os próprios trabalhos e investigações. Em geral, os clubes Makers têm bolsas para uma parte dos estudantes e em relação à temática, a expectativa é que tenham o envolvimento de robótica ou de assuntos mais técnicos, como prototipagem e execução de modelos. 

Outra vertente de clubes de ciências veio com a Rede de Clubes Paraná Faz Ciência Meninas, que abriga projetos desenvolvidos por meninas e mulheres, também com apoio da esfera federal, via CNPq. Algumas regras são diferentes para esses novos integrantes da Rede, mas segundo os professores Débora e Rodrigo, há uma tentativa de uniformizar ao máximo os processos para que todos eles atuem como parte de uma mesma rede.

Para os articuladores Débora e Rodrigo, a estruturação da Rede de Clubes potencializou a capacidade do Estado do Paraná em captar recursos em outros editais e assim fortalecer e ampliar mais essa Rede. Ao todo, já se contabilizam cerca de 280 novos clubes, com similaridades e peculiaridades, de acordo com o agente financiador.

O encontro seguiu a temática da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia de 2024

A imagem mostra um auditório com estudantes assistindo à palestra de abertura do evento realizado na UEL. Uma mulher com blusa vermelha está em pé falando ao microfone. À esquerda, duas pessoas estão sentadas acompanhando a apresentação. No canto direito do palco, uma mulher está observando a fala. No telão, está projetado o título do evento: "Biomas na UEL: dos clubes de ciência à pesquisa e extensão na universidade", com o subtítulo: "UEM e a rede paranaense de popularização da ciência na SNCT 2024". O ambiente é fechado, com iluminação artificial, paredes revestidas com paineis de madeira clara e cadeiras pretas.
Palestra de abertura do evento realizado na UEL (Foto/Ana Elisa Frings)


Promover a integração entre os Clubes de Ciências e apresentar o cenário científico da  Universidade Estadual de Londrina (UEL). Esse foi o objetivo do evento “Biomas na UEL: dos clubes de ciência à pesquisa e extensão na universidade”, realizado, nesta quarta-feira (28). O tema do encontro, inspirado na Semana Nacional da Ciência e Tecnologia de 2024, faz parte do projeto aprovado na Universidade Estadual de Maringá (UEM), parceira da instituição.

A abertura ocorreu no Anfiteatro Cyro Grossi, no Centro de Ciências Biológicas (CCB). Segundo a professora Mariana Andrade, coordenadora institucional do NAPI PRFC pela UEL e coordenadora estadual do PRFC Maker, compareceram aproximadamente 400 pessoas, entre alunos e professores, ao longo do dia. “É um momento bem interessante porque estamos nos conhecendo presencialmente e […] podendo articular o trabalho dos clubistas com pesquisas da Universidade”, destacou.

Além da docente, a recepção contou com falas da professora pró-reitora de Extensão, Cultura e Sociedade da UEL, Zilda Andrade; do professor Eduardo Araújo, diretor de Pesquisa da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação da UEL; da professora Débora Sant’Ana, articuladora do NAPI PRFC; do professor Leonardo Zanoni, do Núcleo Regional de Educação (NRE) de Londrina; e da estudante Isabella Cachoeira, representante do PET-Biologia.

Na imagem, seis pessoas estão lado a lado no palco, posando para a foto em um auditório. Ao fundo, o telão exibe o logotipo da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência. A foto foi tirada em um ambiente com piso de madeira e paredes claras. Elas são palestrantes de um evento do NAPI "Paraná Faz Ciência", realizado na Universidade Estadual de Londrina. As pessoas estão vestidas com roupas casuais e formais.
Da esquerda para a direita, a prof. Zilda Andrade, prof. Débora Sant’Ana, prof. Mariana Andrade, os técnicos do NRE de Londrina, Leonardo Zanoni e Iramar Pamplona; e o prof. Eduardo Araújo (Foto/Isabella Abrão)


A conversa com os alunos teve como foco principal a pesquisa e extensão na UEL. Foram abordadas experiências práticas e os impactos positivos dessas iniciativas na formação acadêmica e na comunidade. Ao final, os clubistas puderam entender melhor como funciona o trabalho de todo o núcleo que participa ativamente da Rede de Clubes articulada pela instituição. No total, a Universidade Estadual de Londrina é responsável por 18 Clubes de Ciências, sendo dois do projeto Maker.

A imagem mostra um auditório lotado, com estudantes e professores prestando a atenção no que estava sendo apresentado. O espaço é amplo, com poltronas verdes e iluminação de teto com luzes embutidas, proporcionando um ambiente bem iluminado. A cena indica que trata-se de um evento acadêmico.
Durante a abertura, os alunos e professores conheceram mais da equipe NAPI UEL (Foto/Isabella Abrão)


De acordo com a professora Zilda, os eventos são essenciais para apresentar o contexto da Universidade aos estudantes. Afinal, é por meio desse primeiro contato que os alunos podem despertar o interesse no Ensino Superior como um todo. “Para a UEL é uma oportunidade levar ao conhecimento a nossa estrutura, os nossos cursos, o que a Universidade oferece em projetos de ensino, pesquisa, extensão e inovação”, explica.

A professora Débora também reforçou a relevância dessa integração entre pesquisadores e estudantes, sobretudo para ajudar a tornar o universo da ciência mais acessível para todos. “Esses eventos são importantes para que os estudantes da Educação Básica tenham pertencimento à ciência, tecnologia e, especialmente, à Universidade.”

Atividades desenvolvidas

Por meio do encontro, os Clubes de Ciências conheceram mais sobre as pesquisas relacionadas à biologia animal e vegetal. No CCB, os alunos foram introduzidos aos estudos sobre o Bioma Mata Atlântica e a Floresta Estacional Semidecidual do Paraná,  compreendendo a importância desses ambientes. Além disso, fizeram uma visita ao Museu de Zoologia da UEL, onde puderam observar de perto exemplares da fauna regional e nacional.

A imagem mostra um grupo de estudantes em uma sala, visitando um estande sobre biologia vegetal. Todos estão de pé, em semicírculo ao redor de uma mesa retangular coberta com materiais didáticos. Na mesa, há várias folhas secas organizadas e coladas em folhas de papel kraft, frascos pequenos com líquidos e alguns materiais informativos. Também há uma caixa plástica contendo mudas de plantas. À direita da imagem, uma mulher jovem com cabelos castanhos, vestindo uma camiseta branca com o logo da UEL (Universidade Estadual de Londrina) e calça jeans, está explicando o conteúdo para os alunos. Ao fundo, há cartazes na parede com informações sobre biodiversidade vegetal no Brasil, mapas e imagens de áreas naturais.
Os estudantes visitaram estandes com pesquisas sobre biologia vegetal (Foto/Isabella Abrão)

A imagem mostra uma visita ao Museu de Zoologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Um grupo de estudantes observa com atenção as exposições, enquanto um monitor, identificado pelo jaleco branco e o logotipo do curso de Biologia, interage com os visitantes.O ambiente é uma sala ampla, bem iluminada, com várias prateleiras e vitrines contendo esqueletos e exemplares de animais. No centro da imagem, há uma vitrine com um grande esqueleto articulado de uma cobra. Os visitantes usam mochilas e uniformes escolares.
Os clubistas foram apresentados às espécies do Museu de Zoologia (Foto/Isabella Abrão)


Outra atividade realizada foi a visita ao Museu de Ciência e Tecnologia de Londrina (MCTL), que também fica localizado no Campus Universitário. Por lá, os estudantes fizeram experimentos químicos e físicos, viram formas de eletrização e descobriram como é a estrutura do museu em si. O passeio proporcionou um aprendizado interativo, com demonstrações práticas. 

A imagem mostra uma estudante uniformizada participando de um experimento sobre eletrização com um gerador de Van de Graaff. No centro da imagem, a aluna com cabelos longos e escuros está de perfil, tocando com as duas mãos uma grande esfera metálica na parte superior do gerador. Ao lado dela, um pesquisador manuseia o equipamento. A atividade ocorre em um ambiente fechado com paredes de tijolos à vista e janelas com grades.
Aluna participa de experimento sobre eletrostática com gerador de Van de Graaff (Foto/Isabella Abrão)


A programação foi a mesma para o período da manhã e da tarde. O evento foi organizado com a colaboração de todos os profissionais e bolsistas da equipe NAPI UEL, em parceria com a UEM.

Também esteve no evento oficial, o Clube Verde Mel, do Colégio Estadual para Surdos Alcindo Fanaya Jr, com 72 anos de história de ensino e é parte do ensino em tempo integral

Alunos dos Clubes de Ciência e autoridades no dia do lançamento oficial do Programa Rede de Clubes Paraná Faz Ciência no Palácio Iguaçu, em Curitiba (Gabriel Rosa/Agência Estadual de Notícias)


“A verdade está lá fora”, dizia o slogan da série Arquivo X, que fez sucesso no Brasil nos anos 1990. Essa frase, aparentemente simples, nos ajuda a compreender como funciona o saber científico. A Ciência busca incansavelmente compreender melhor nosso mundo, sempre atenta para os problemas da realidade.

E foi olhando para os desafios do dia a dia que o Clube de Ciência Geração Científica, do Colégio Estadual Alfredo Parodi, de Curitiba, passou a desenvolver um projeto para revitalizar um bosque tomado pelo lixo e pela falta de iluminação pública, que fica ao lado da escola. Diante desse problema, que gerava insegurança e medo entre os moradores do bairro, o Clube organizou um abaixo-assinado e levou a demanda até as lideranças políticas que atenderam o pedido. Agora o bosque tem sido limpo com regularidade pelos agentes públicos. Durante a cerimônia para apresentar oficialmente a Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, que aconteceu em 15 de abril, o Clube Geração Científica, coordenado pelas professoras Corine Costa e Izabella Vieceli, apresentou um novo projeto voltado para a área de robótica. Os estudantes estão desenvolvendo um robô para ajudar na revitalização do rio Belém. O protótipo, inspirado na tecnologia River Cleaning, possui o formato de um barquinho que intercepta resíduos que fluem pelos rios.

Dispositivo criado pelos alunos do Clubes de Ciência Geração Científica que resolve um problema real: a poluição do rio Belém, que passa próximo à escola (Gabriel Rosa/Agência Estadual de Notícias)


O próximo passo do projeto é trabalhar para avaliar a qualidade da água, além de desenvolver um sistema de placas solares para gerar uma energia totalmente limpa. “Por causa desse projeto nós vimos, na prática, como a Ciência transforma as ideias em ações reais. A gente transformou nossas ideias em algo concreto”, explicou a aluna Júlia Ducci Göhr, de 17 anos, durante a apresentação do Clube na cerimônia realizada no Palácio Iguaçu, sede do governo do Estado, em Curitiba.

Outro clube que também esteve no evento foi o Verde Mel, do Colégio Estadual para Surdos Alcindo Fanaya Jr, de Curitiba. Com apoio do intérprete de libras, Evonir Vieira da Silva, os estudantes surdos Eduardo Martins Carvalho, de 16 anos, e Matheus Felipe Lopes Pereira, de 18 anos, contaram o quanto estão aprendendo nas tardes de sexta-feira, durante os encontros do clube, com duração de 2 horas. “Aprendemos sobre a importância de cuidar das abelhas, aprendendo sobre o processo de fabricação do mel, estudando sobre o sabor e o gosto, além de estudar sobre o comércio”, relata Eduardo. “Também aprendemos sobre a tecnologia necessária para o cultivo das abelhas, porque elas não oferecem perigo, elas precisam ser cuidadas”, completa Matheus.

O professor Arlei Roberto de Sousa, coordenador do Clube, detalhou a metodologia desenvolvida no Verde Mel: “Criamos abelhas Jataís, que não possuem ferrão, portanto, não apresentam riscos aos estudantes. Elas são típicas da América do Sul e produzem um mel de alta qualidade”, afirma. 

O Colégio Estadual para Surdos Alcindo Fanaya Jr., segundo a diretora da instituição Eli Prestes de Aguiar, possui 72 anos de história e faz parte do Programa Paraná Integral, atendendo alunos da educação infantil, das séries iniciais e finais do Ensino Fundamental e também do Ensino Médio. “Temos estudantes surdos, surdocegos e com baixa visão”, explica a diretora.

A Rede conta mais de 200 Clubes de Ciência já, totalizando 4.708 clubistas produzindo pesquisa e inovação, buscando a verdade que está lá fora, isto é, que está para além dos muros da escola. “Estamos nesse evento oficializando esse movimento tão importante que está acontecendo nas escolas do Paraná. São cientistas já na educação básica que vão chegar no Ensino Superior e fazer a diferença neste Estado, que já faz ciência de qualidade”, comenta Débora Sant’Ana, articuladora da Rede Paraná Faz Ciência.

Projetos científicos  desenvolvem robôs com materiais recicláveis e horta mandala inspirada em técnicas indígenas, integrando ciência, cultura e meio ambiente


Os Clubes de Ciências implantados em escolas da rede estadual estão promovendo experiências educativas que integram ciência, tecnologia, cultura e sustentabilidade. Dois projetos se destacam: uma horta mandala no Colégio Estadual Tereza Ramos, em Matinhos, e um projeto de robótica sustentável no Colégio Estadual Bento Munhoz da Rocha Netto, de Paranaguá.

Foto de uma mesa coberta com um tecido verde, sobre a qual estão expostos vários robôs coloridos feitos com materiais recicláveis como caixas de papelão, latas e rolos de papel. Cada robô tem um formato diferente e muitos apresentam olhos desenhados ou colados com tampinhas. Ao fundo, há uma parede com azulejos brancos e um cartaz escrito "Cantinho dos Jogos". Os robôs variam em tamanho e expressão, compondo uma mostra criativa de trabalhos escolares.
Os robôs coloridos feitos pelos alunos do clube no Colégio Bento Munhoz, em Paranaguá, com materiais recicláveis, como caixas de papelão, latas e rolos de papel (Foto/Arquivo pessoal)


No Colégio Tereza Ramos, os estudantes participam da criação e manutenção de uma horta mandala, modelo de cultivo em formato circular que tem origem nos sistemas agrícolas de povos indígenas brasileiros, como os Tupi-Guarani e os Xavante. A técnica, que foi resgatada e difundida pela permacultura na década de 1970, promove o uso eficiente do espaço, o equilíbrio ecológico e a produção sustentável de alimentos. O projeto envolve diferentes turmas e áreas do conhecimento, contribuindo para o desenvolvimento de competências integradas no ambiente escolar.

Foto de um grupo de aproximadamente 20 estudantes reunidos em um pátio externo arborizado, com mesas e bancos de concreto. Alguns alunos estão sentados, outros em pé, com mochilas e bolsas ao lado. Ao fundo, há um muro cinza, uma edificação com telhado de telha vermelha e vegetação densa com montanhas verdes ao longe. A maioria dos estudantes usa roupas casuais e há expressões diversas — alguns sorrindo, outros mais sérios, olhando para a câmera.
Alunos do Clube de Ciências no Colégio Tereza Ramos, em Matinhos (Foto/Arquivo pessoal)


Já no Colégio Bento Munhoz da Rocha Netto, os alunos são incentivados a construir protótipos de robôs utilizando materiais recicláveis, como caixas de papelão, garrafas PET e tampinhas plásticas. A proposta une fundamentos da robótica com práticas de reutilização e consciência ambiental, possibilitando a vivência prática dos conteúdos e o fortalecimento de habilidades como lógica, criatividade e trabalho em equipe.

 Os projetos são realizados em ambiente escolar por meio dos Clubes de Ciências, com foco na abordagem maker, que estimula o “aprender fazendo”. Essas ações contribuem para aproximar os estudantes do fazer científico, promovendo a interdisciplinaridade, o protagonismo juvenil e a valorização dos conhecimentos tradicionais como base para soluções inovadoras e sustentáveis.

Série de lives vai reunir especialistas para dialogar com professores clubistas sobre temas ligados à pesquisa escolar

Fotografia de uma sala de aula com janelas grandes ao fundo, por onde entra luz natural. Um grupo de sete pessoas está reunido, sentadas em carteiras escolares organizadas em semicírculo. À esquerda, um homem de barba, usando camiseta azul, está sentado e gesticulando enquanto fala. À sua frente, os outros participantes — três mulheres e três homens — prestam atenção, alguns com cadernos ou notebooks no colo. Há duas garrafas de refrigerante e alguns lanches sobre uma cadeira próxima à parede. A sala é clara, com piso branco e cadeiras azuis. Ao fundo, é possível ver o pátio externo e alguns prédios.
A professora Maria Luisa Tunes Buschini será a primeira convidada da ‘Quarta com Clubes’ (Divulgação/Unicentro)


A Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, por meio do Grupo de Pesquisa e Extensão EducartGEO — Educação Geográfica e Cartografia para Escolares, da Unicentro, lança neste mês o projeto Quarta com Clubes. A proposta é promover a formação científica dos professores que atuam nos clubes de ciências, com base em temas de pesquisa desenvolvidos pelos estudantes nas escolas.

A primeira live ocorre nesta quarta-feira (28) às 20h, e contará com a participação da professora Dra. Maria Luisa Tunes Buschini, da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), pesquisadora nas áreas de Zoologia e Ecologia. A transmissão será feita ao vivo pelo canal do EducartGEO no YouTube e, para os professores clubistas, haverá participação direta por meio do Google Meet.

Marquiana Vilas Boas Gomes está a frente da coordenação da Rede de Clubes Paraná Faz Ciências na Unicentro (Foto/Thiago de Oliveira)


De acordo com a coordenadora da Rede Paraná Faz Ciência na Unicentro, professora Marquiana Vilas Boas Gomes, a atividade foi pensada como um espaço de apoio e aprofundamento teórico e metodológico. “A Quarta com Clubes será uma atividade para a formação dos professores clubistas do ponto de vista dos temas que eles estão em pesquisa com os jovens na escola. Serão momentos em que cientistas convidados vão esclarecer dúvidas conceituais e metodológicas sobre as áreas abordadas”, explica.

Maria Luisa Tunes Buschini é professora associada da Unicentro ( Divulgação/Unicentro)


Atualmente, a Unicentro conta com 25 clubes e cinco makers vinculados ao programa. Esses grupos foram organizados por temáticas, que orientarão a escolha dos convidados para os encontros. Antes das lives, os professores encaminham dúvidas que serão respondidas pelos cientistas durante a transmissão.

A primeira temática a ser abordada será pesquisa com abelhas. “Temos aproximadamente cinco projetos vinculados, direta ou indiretamente, à apicultura. A cientista convidada, professora Maria Luisa, vai tratar de como têm sido conduzidas as pesquisas na área, quais metodologias estão em uso e quais são as possibilidades investigativas, além de abordar a relação entre abelhas e ecossistemas”, destaca Marquiana.A segunda edição do Quarta com Clubes está marcada para o dia 4 de junho. O tema será água e a convidada será a professora Dra. Ana Lúcia Suriani Affonso, também da Unicentro, com trajetória acadêmica nas áreas de Ecologia, Biologia da Conservação, Educação Ambiental e Ensino.

SERVIÇO

Quarta com Clubes – Live sobre pesquisa com abelhas
Dia 28 de maio, quarta-feira, 20h
Canal EducartGEO no YouTube
Professores clubistas participam via Google Meet (link será enviado diretamente)

O evento também apresentou uma réplica realista de uma preguiça gigante pré-histórica, parte do acervo do Museu de Ciências Naturais.

Pós-doutoranda Edinalva com os estudantes
A pós-doutoranda Edinalva Oliveira dialoga com os estudantes no estande do Paraná Faz Ciência (Foto/João Rodriguez)


O Universo UFPR se consolida como o maior evento de educação, ciência e inovação do Estado. Na edição deste ano, que se encerrou no domingo, 25, mais de 120 estudantes, professores e familiares passaram pelo Parque Barigui em Curitiba (PR) para conhecer os mais de 100 cursos, além de participar das mais de cinquenta atividades interativas. Segundo a organização, 600 escolas do Paraná, Santa Catarina, São Paulo e Mato Grosso, visitaram os estandes, sendo a maioria da rede pública de ensino.

Dentre elas, o Colégio Estadual Euzébio da Mota, que tem um clube de ciências de meninas chamado Little Scientist. A professora Marlene Salete Koch Lins é a coordenadora e disse que o carro chefe do clube é a produção de minifoguetes de baixo custo com propelente sólido. “Nossa meta é incentivar as alunas a se interessar pela área das exatas a partir desses minifoguetes”, explica.

Marcelo Valério é professor da UFPR e orienta os clubes de ciências. Para Valério, é uma satisfação poder acompanhar de perto os clubistas que visitaram o Universo UFPR. “Eles estão com brilho nos olhos e vendo a oportunidade que têm na carreira, já que estão fazendo ciência desde cedo na nossa rede”, acrescenta.

O professor Rodrigo Arantes Reis, articulador da Rede de Clubes do Paraná Faz Ciência, o Universo UFPR é uma oportunidade para conhecer os cursos que dialogam com o Paraná Faz Ciência, como os Museu de Ciências Naturais, que possui a réplica de uma preguiça gigante, animal pré-histórico que habitou as Américas há 12 mil anos. “Para nós que temos uma relação próxima com as escolas, com os clubes de ciências, estamos super felizes de poder receber os nossos estudantes que fazem da rede, além de todos os estudantes da educação básica para que eles percebam que a universidade é um espaço feito para eles. Que eles podem ocupar”, avalia Reis.

A preguiça gigante pesava mais de 5 toneladas e podia chegar a 6 metros. Foi extinta durante a chamada “Era do Gelo” (Foto/João Rodriguez)


A professora Marquiana de Freitas Vilas Boas Gomes, da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), também visitou o Universo UFPR. “O Paraná Faz Ciência tem um conjunto de projetos, dentre eles, a Rede de Clube de Ciências. “Nós coordenamos na Unicentro, onde temos aproximadamente 25 clubes de ciências e mais cinco ‘makers’, que nós desenvolvemos na região de Guarapuava, centro sul, com mais de doze municípios envolvidos”, explica Marquiana. A professora aproveitou para convidar a todos para participarem da 5ª edição do Paraná Faz Ciência (PRFC) que vai acontecer nos dias 29 de setembro a 3 de outubro, em Guarapuava. “Será a cidade da ciência porque nós desenvolveremos a Unicentro, mas também outros sistemas de ensino da região e também de todo o Paraná”, finaliza.

Da esquerda para a direita: professor Rodrigo Reis, professora Marquiana Gomes e professor Marcelo Valério à direita (Foto/Ádamo Antonioni)


Guarde esta data:

5ª edição do Paraná Faz Ciência (PRFC) 

Data: 29 de setembro a 3 de outubro de 2025 

Onde: Guarapuava, região centro-sul do Paraná. 

Local: Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro)

A ideia é fortalecer a integração entre os clubes articulados e apresentar a pesquisa e extensão da Universidade

Imagem de divulgação do evento “Biomas na UEL: dos clubes de ciência à pesquisa e extensão na universidade”. Fundo verde com padrão quadriculado. No topo, informa que trata-se do 1º evento de Clubes de Ciências da Universidade Estadual de Londrina.
o evento na UEL, os alunos terão oportunidade de conhecer a estrutura física de onde se realizam as pesquisas e extensão da Universidade (Arte/Isabella Abrão)


A Universidade Estadual de Londrina (UEL) é uma das Instituições de Ensino Superior (IES) que auxilia nas atividades do NAPI – Paraná Faz Ciência (PRFC). É responsável pela articulação de 18 clubes, sendo dois do grupo Paraná Faz Ciência Maker. Com a intenção de fortalecer a integração entre eles e apresentar o cenário científico da Universidade, será realizado o primeiro evento de Clubes de Ciências no campus da UEL, no dia 28 de maio. 

Segundo a professora Mariana Andrade, coordenadora institucional do NAPI PRFC pela UEL e coordenadora estadual do PRFC Maker, o evento segue a temática da Semana Nacional da Ciência e Tecnologia de 2024, que ainda está com atividades em andamento. O título é “Biomas na UEL: dos clubes de ciência à pesquisa e extensão na universidade”.

A programação faz parte do projeto aprovado na Universidade Estadual de Maringá (UEM), parceira da instituição. “Os dois principais objetivos são conhecer as pesquisas relacionadas ao bioma da Mata Atlântica, que tem aqui no Paraná uma ampla área de Floresta Estacional Semidecidual, e a integração dos alunos com as pesquisas dos clubes e pesquisas acadêmicas”, explica a professora.

Programação

Durante a manhã, o evento começa a partir das 8h30, no Anfiteatro Cyro Grossi, do Centro de Ciências Biológicas (CCB) da UEL. A abertura contará com a participação de representantes do NAPI PRFC e da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (PROPPG). A ideia é incentivar a integração entre os Clubes de Ciências e os pesquisadores da Universidade.

A partir das 9h30, os clubes irão conhecer as pesquisas relacionadas ao Bioma Mata Atlântica e à Floresta Estacional Semidecidual do Paraná, além de visitar o Museu de Zoologia da UEL. Outra ação prevista é a visita ao Museu de Ciência e Tecnologia de Londrina, que também fica no campus universitário. Os alunos vão desenvolver experimentos de química e física, conhecer as formas de eletrização e aprender sobre o funcionamento dos equipamentos do museu.

As atividades do período matutino estão previstas para se encerrar às 11h30. A programação se repete durante a tarde, com a abertura às 14h30 e o encerramento às 17h30.

Serviço

Imagem de divulgação do evento “Biomas na UEL: dos clubes de ciência à pesquisa e extensão na universidade”. Fundo verde com padrão quadriculado. A foto traz informações como data, horário e local. No rodapé, há os logos da UEL, da UEM, da Rede de Clubes PRFC, da Rede de Clubes PRFC MAKER, do NAPI Paraná Faz Ciência, da Fundação Araucária, do Governo do Paraná e do CNPq.
Banner digital do evento na UEL, dia 28 de maio, para 18 Clubes de Ciências convidados (Arte/Isabella Abrão)

O clube Show da Química busca promover o estudo por meio do teatro

A foto é do Clube de Ciências Show da Química. A imagem mostra um grupo de estudantes e um professor em um laboratório de química. O ambiente possui prateleiras com vidrarias e reagentes químicos, além de uma lousa e um monitor ao fundo exibindo um texto. Os alunos estão interagindo de forma descontraída, fazendo gestos e poses variadas. Alguns seguram objetos como uma panela e uma garrafa, e há materiais sobre as mesas, sugerindo que estão realizando uma atividade experimental. O clima parece de descontração e colaboração.
Foto do Clube de Ciências Show da Química no laboratório das atividades (Foto/Arquivo pessoal)


Quem pensa em química, logo imagina uma aula convencional em um laboratório, mas no clube Show da Química a aprendizagem é diferente e ocorre por meio da arte. O objetivo é apresentar uma peça teatral que proporcione o ensino da química. No enredo, vários experimentos químicos serão demonstrados. 

O clube do Colégio Estadual Cristóvão Colombo, no município de Jardim Alegre, é coordenado pelo professor Fernando José Rodrigues. Por ser uma escola integral, o clube de ciências é uma disciplina eletiva, ou seja, uma disciplina que consta na carga horária dos alunos.

Desde o fim do ano passado, quando o clube se iniciou, os clubistas estão em processo de montar, testar e ensaiar a peça teatral que se chama Família Periódica. Nela, todos os personagens remetem aos nomes de elementos químicos. Conforme o professor, este teatro está contido no livro “Histórias e Diálogos – Sugestões de Teatro para o Ensino Médio” e foi organizado por Elisa Aguayo da Rosa.

Como começou a ideia da música?

Captura de tela da música do Clube de Ciências Show da Química realizada no Suno.IA (Captura de tela)


O primeiro contato do professor Fernando com a música desenvolvida por Inteligência Artificial (IA) aconteceu no grupo de estudos “Formadores em Ação”, do Programa da Rede Estadual de Educação, como professor formador na área de química para outros docentes. Fernando foi designado a trabalhar com os demais professores sobre uma música com Inteligência Artificial. Após essa experiência, decidiu aplicar essa atividade no Clube de Ciências que coordena, no Colégio Estadual Cristóvão Colombo. A proposta era criar um hino com os alunos.

A música foi construída por meio de duas IA´s. A letra da música foi desenvolvida por meio de um comando ao Chat GPT, com adaptações feitas pelos alunos e também pelo professor. A outra ferramenta de Inteligência Artificial utilizada foi a Suno.IA, com a qual foram adicionadas um ritmo e uma melodia à letra da música. O hino final será apresentado no encerramento da peça de teatro. Segundo o professor, os alunos já pensam em criar novas músicas para os próximos teatros.

Para Fernando, a inteligência artificial é uma ferramenta muito útil, pois agilizou o processo criativo. “Eu não tenho conhecimento sobre música e levaria muito tempo para conseguir fazer e gravar”. Por isso a opção gratuita e oportuna foi tão interessante.

Teatro e química aliados no clube

Testes e ensaios para a peça teatral Família Periódica (Arquivo Pessoal)


O desejo de inovar nas aulas de química é antigo, de quando o professor Fernando estava na graduação. Na época, ele assistiu a uma peça teatral, parte do mesmo livro citado, de Elisa Aguayo da Rosa, e desde então não havia tido a oportunidade de trabalhar com essa proposta. Até surgir a ideia do Clube de Ciências.

Em um primeiro momento, o professor imaginou a temática de extração de óleos essenciais, entretanto ao ouvir opiniões, percebeu que a proposta do teatro era mais interessante. Para ele, a potência deste trabalho será também avaliada no momento de apresentação do teatro ao público. “Vai ser um divisor de águas quando eles apresentarem a peça no evento nomeado Culminância, ao final do semestre. Queremos medir as reações dos espectadores da peça, usando um formulário para identificar qual momento foi mais interessante”, explica o docente.

Show da Química

Alunos do Clube de Ciência Show da Química ensaiando e testando os elementos químicos presentes no teatro (Foto/Arquivo Pessoal)


Atualmente com vinte integrantes no clube, entre estudantes de ensino fundamental e médio, o funcionamento no dia a dia é muito didático. As atividades se dividem em refletir sobre os elementos químicos presentes na peça, validar os experimentos para os alunos se sentirem seguros no dia da apresentação e ensaiar. A expectativa para eles está em imaginar como será a reação do público no dia da apresentação.

Entre momentos interessantes, o professor relembra o dia em que testaram a popular pasta de dente de elefante, ação que produz muita espuma. Quanto às dificuldades, nem sempre o recurso financeiro está disponível para as ações que querem realizar. “Nós teremos o investimento, mas às vezes já queremos começar e é preciso aguardar essa liberação. Especialmente quando queremos usar alguns reagentes ou substâncias mais caras”, conta o professor.

Mesmo com as dificuldades, o professor Fernando acredita que a proposta do Clube é uma forma importante de valorização da ciência, e acredita que ao longo da caminhada, com participação em feiras de ciências, com intercâmbios e vivência de obtidas de outros clubes haverá muitas trocas e conhecimento para os alunos. O desafio permanece em motivar os alunos para que confiem no processo. 

O Show da Química, que teve esse nome escolhido pelo professor coordenador desde a escrita do projeto, se prepara para os próximos passos. O objetivo é continuar os experimentos, a organização da peça e os ensaios até a Culminância. Após isso, devem iniciar mais um teatro. O sonho do professor Fernando é que a ideia do clube desperte o desejo pela ciência para mais alunos.

Escute a música criada pelo clube: Clique aqui!

Projeto do Colégio Bento Munhoz da Rocha Neto investiga pH da água da torneira, da baía e de marcas comerciais em Paranaguá

Um grupo de 16 pessoas, a maioria crianças e adolescentes, está reunido em uma praça ao lado de uma placa azul que indica o nome do local: "Praça Thomas Sheehan". A placa menciona que a praça é uma homenagem a um paraquedista canadense herói de guerra. O grupo segura um cartaz colorido com os dizeres "Bagrinhos do Bento" e um desenho de um peixe. Algumas crianças estão fazendo poses divertidas, cobrindo os olhos com as mãos para proteger-se do sol. A maioria veste roupas casuais, como camisetas e calças jeans, e alguns estão calçando chinelos ou tênis. Ao fundo, há construções, árvores e uma calçada de tijolos intertravados.
Aluno do clube de ciências Bagrinhos Bento, em Paranaguá, reunidos para uma investigação sobre a qualidade da água (Foto/Arquivo pessoal)


Como às quintas-feiras falamos em relembrar temas anteriores, trazemos o registro da atividade dos estudantes clubistas do Bagrinhos Bento, do Colégio Estadual Bento Munhoz da Rocha Neto, em Paranaguá, pela data do Dia Internacional da Água, celebrado em 22 de março.

Na atividade proposta para o Clube, os alunos fizeram ações investigativas para entender sobre a qualidade da água consumida diariamente na cidade. A proposta foi conduzida pela professora Andreia Cristina Bitencourt Petruy, com apoio da coordenadora pedagógica Michelle Mendes. 

O dia começou com uma leitura e a discussão sobre os Direitos da Água, instituídos pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1992. A partir disso, os alunos debateram a importância desse recurso natural para a vida no planeta e observaram as propriedades ideais da água para consumo humano — como o pH neutro (7), o que indica equilíbrio entre acidez e alcalinidade.

Em seguida, os estudantes realizaram testes de pH em diferentes amostras de água, incluindo a água da torneira do colégio e de marcas de água mineral disponíveis no mercado. O resultado surpreendeu. “A água da torneira do colégio registrou pH 2, o que indica uma acidez elevada. Isso gerou um debate importante entre os alunos, que disseram estar praticamente ‘tomando ácido’”, relatou a coordenadora Michelle Mendes.

A sequência didática incluiu também uma saída de campo até a Baía de Paranaguá, onde os alunos mediram o pH da água próxima à costa. O dado curioso foi que, apesar do tráfego intenso de embarcações, a água da baía apresentou menor acidez do que a da torneira. “Essa constatação gerou ainda mais interesse dos alunos em investigar as causas da acidez e refletir sobre os impactos à saúde e ao meio ambiente”, explicou Michelle.

Processo de coleta de amostra da água da Baía de Paranaguá (Foto/Arquivo pessoal)


Após as análises, os estudantes do  Clube Bagrinhos Bento vão produzir materiais de divulgação com o objetivo de reforçar o papel da ciência como ferramenta de conscientização. A iniciativa realizada em alusão ao Dia Mundial da Água, reforça a importância da alfabetização científica e do olhar crítico dos jovens sobre os recursos naturais e da realidade à sua volta. A atividade conectou o conteúdo escolar a problemas reais, colaborando para formar cidadãos atentos e atuantes nas questões socioambientais.

Os estudantes do Marie Curie Club visitaram a APAE de Arapoti, conhecendo a instituição e o seu trabalho com papel reciclado

Grupo do clube de ciências e da APAE posando juntos para a foto (Foto/Arquivo pessoal)
Alunos clubistas visitantes e os alunos da APAE Arapoti que trabalham com papel reciclado (Foto/JulianaCarvalho)


O clube de ciências “Marie Curie Club” visitou a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), em 3 de abril, no município de Arapoti. Além de conhecer a instituição, o clube do Colégio Estadual Rui Barbosa – ligado ao Núcleo Regional de Educação de (NRE) Wenceslau Braz – junto da professora coordenadora Camila de Paiva, puderam aprender mais sobre a reciclagem do papel feita pelos alunos da APAE.

Grupo observa oficina de reciclagem de papel na APAE (JulianaCarvalho)


Quem guiou os clubistas e mostrou todo o processo de produção de papel reciclado foi a professora Taciara Podolack. Os alunos do clube puderam acompanhar de perto todas as etapas da reciclagem, desde o recolhimento dos papéis usados, a separação dos tipos aptos a reciclagem, até os produtos finais, como caixas e sacolas de presente biodegradáveis.

Alunos conhecem produtos feitos com papel reciclado (Foto/JulianaCarvalho)


Para além dos processos mecânicos da reciclagem do papel, como o molho, a trituração, a prensa e a secagem, os alunos da APAE colocam o toque final de criatividade, na coloração e no design das peças. Os produtos são sustentáveis, ajudando a cuidar da preservação do planeta e desenvolvendo habilidades criativas dos alunos da instituição.

Em agradecimento à visita, o “Marie Curie Club” publicou em seu perfil do Instagram ( @cienciascerb ). “Cada pedaço de papel conta uma história e hoje, aprendemos que podemos dar uma nova vida ao que já não serve mais”.

O grupo de clubistas agradeceu à professora Taciara Podolack e a todos da APAE de Arapoti pela atenção em mostrar que a reciclagem é um caminho para um futuro mais consciente e cheio de possibilidades, em produtos coloridos e bonitos.

Pesquisadores do NAPI Trinacional durante evento científico em dezembro 2024

Os avanços científicos da região trinacional estão cada vez mais próximos da comunidade. O Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação Desenvolvimento Sustentável da Região Trinacional – NAPI Trinacional, por exemplo, firmou uma parceria estratégica com o portal de notícias H2FOZ, um dos canais de comunicação mais acessados de Foz do Iguaçu. Dentre tantos objetivos comuns entre os novos parceiros está a divulgação do conhecimento para muito além da esfera acadêmica, aproximando a população das pesquisas desenvolvidas em todo o território.

Ciência acessível para todos.

A parceria com o H2FOZ reforça a necessidade de aproximar a produção científica da sociedade. Muitas descobertas e avanços surgem nos laboratórios e centros de pesquisa. Contudo, tais conquistas nem sempre chegam de forma clara e acessível ao grande público. Com o suporte do portal, os conteúdos científicos serão traduzidos para uma linguagem mais próxima do dia a dia das pessoas, permitindo que mais cidadãos compreendam e se beneficiem das conquistas da ciência.

“A ciência precisa ser compartilhada e compreendida por todos. Queremos que a população veja como as pesquisas desenvolvidas na região podem impactar diretamente suas vidas, seja na economia, no meio ambiente, na saúde ou na tecnologia”, destaca Samuel Klauck, coordenador do NAPI Trinacional. 

Além de reportagens, a iniciativa prevê a publicação de artigos, entrevistas e conteúdos multimídia que facilitem o entendimento das pesquisas e incentivem o diálogo entre cientistas e a comunidade.

Diálogo para o desenvolvimento

Foz do Iguaçu é um polo de inovação e conhecimento, abrigando universidades, centros de pesquisa e instituições voltadas ao desenvolvimento regional. No entanto, para que a ciência cumpra seu papel transformador, é fundamental que suas descobertas sejam disseminadas de forma ampla e compreensível. O portal H2FOZ, referência em jornalismo local e regional, desempenha um papel essencial nesse processo, garantindo que as informações alcancem diferentes públicos e promovam o engajamento da sociedade com a ciência. Com essa iniciativa, o NAPI Trinacional e a Fundação Araucária reafirmam o compromisso de tornar o conhecimento científico mais próximo das pessoas, incentivando a participação ativa da comunidade nos debates sobre inovação e desenvolvimento.

A parceria está apenas começando, mas promete ser um marco para a comunicação científica na região trinacional. Afinal, ciência de qualidade é aquela que transforma realidades e está ao alcance de todos.

Principal base dos estudos será o Córrego Guavirá, na região do Colégio

Reunião dos responsáveis pelo projeto do Clube no Colégio Estadual Paulo Freire e a representante da empresa de saneamento da cidade (Foto/Uiara M. Dill)


Na terça-feira, dia 25 de março, uma reunião importante no Colégio Estadual Paulo Freire, de Marechal Cândido Rondon, discutiu sobre o Clube de Ciências da escola. O encontro contou com a participação de representantes do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) da cidade, por meio da assessora de projetos e programas, Sandra Lamb, além da diretora do colégio, Ana Regina Schweigert, da professora coordenadora do Clube, Uiara Macedo Dill, além da professora Graciele Rambo e do biólogo Diego Renicke. O projeto busca incentivar a pesquisa científica e a inovação por meio do estudo ambiental e da preservação dos recursos hídricos.

O Clube de Ciências faz parte do projeto Rede de Clubes, ligado ao NAPI Paraná Faz Ciência e terá, em princípio, duração de 30 meses. A proposta é desenvolver pesquisas voltadas para o tratamento de água, a recuperação da biodiversidade e estudos ambientais na região. O principal local de investigação será o Córrego Guavirá, um importante curso d’água que atravessa a cidade e está situado no entorno do próprio colégio. Estarão envolvidos nas atividades estudantes do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental.

Visualização de uma alga no microscópio (Foto/Uiara M. Dill)


A ideia envolve a análise da biodiversidade do Córrego Guavirá, para que os alunos do Clube de Ciências possam identificar organismos como bioindicadores da qualidade da água. Esse estudo vai permitir melhor compreensão dos impactos ambientais e a relevância da conservação dos recursos hídricos. Na prática, os clubistas vão poder utilizar microscópios para a investigação e coletar amostras para análises laboratoriais.

A expectativa é também que os jovens desenvolvam pensamento crítico e despertem ainda mais para a potencialidade da ciência.