Conhecer o processo de guarda e conservação vai inspirar construção de acervo próprio do Clube na escola

O Clube de Ciências Mbaetaca, do Colégio Estadual Professor Elias Abrahão, de Curitiba, visitou o Herbário da Universidade Federal do Paraná (UFPR) na quarta-feira, 2. Os clubistas tiveram a oportunidade de conhecer os mais de 100 mil espécimes – seres de uma mesma espécie – armazenados na Universidade. O objetivo da visita é aprender sobre as melhores técnicas científicas da atualidade para manejo e conservação pensando em dar início à própria coleção científica.
A bióloga e técnica de coleção da UFPR, Marília Locatelli, foi a responsável por apresentar o herbário. Durante sua apresentação, Locatelli explicou que o ambiente precisa ser refrigerado, numa temperatura em torno dos 19º Celsius, para que impedir que fungos e insetos se instalem no local, já que podem deteriorar os materiais colecionados. “Há dez anos houve uma infestação muito grande, porque não havia ar condicionado ainda”, complementa a técnica.
Os materiais coletados na natureza, plantas, folhas, sementes, passam por um processo de expurgo, ou seja, são adicionados num saco plástico, congelados, esterilizados, passam dez dias num freezer e só depois vão para a coleção para serem catalogados.

Todo esse processo de fazer ciência era acompanhado atentamente pelos olhares dos alunos e alunas do Colégio Estadual Professor Elias Abrahão. Como foi o caso do estudante Enzo da Silva, 16: “A gente aprendeu sobre como as plantas são separadas e compartilhadas. Achei muito interessante e vamos levar esse processo de catalogação para o nosso clube”, disse.
A professora Ana Bonatto de Castro, coordenadora do Clube de Ciências Mbaetaca, relata que todo o conhecimento aprendido será aplicado para estudar o Parque Estadual Serra da Baitaca (PESB), localizado entre as cidades de Piraquara e Quatro Barras. “Por isso a gente veio no herbário da UFPR, para eles conhecerem o que é uma coleção científica das plantas, dos fungos, das microalgas, dos liquens, e todas as possibilidades para que a gente inicie o processo de elaboração de uma coleção científica lá na nossa escola. Esta coleção estará disponível para que as pessoas utilizem para pesquisas futuras”, acrescenta.
O professor Marco Antonio Ferreira Randi, do departamento de Biologia Celular, setor de Ciências Biológicas, falou sobre a importância das escolas estarem cada vez mais próximas das universidades. “Muitos deles acham que aqui é um lugar para poucos, um lugar para a elite. E eles estando aqui, já começam a perceber que a universidade pública é um direito de todos. E isso é fundamental”, conclui.
Estudantes analisaram métodos de compostagem para trabalhar com os resíduos sólidos

Os alunos do clube “Exploradores da Ciência”, do Colégio Estadual do Campo Castelo Branco, em Pérola D’Oeste, dedicaram uma atenção especial na criação de uma horta comunitária. A atividade foi proposta para que os alunos trabalhassem com resíduos dos alimentos da merenda, e o que for plantado, poderá, futuramente, ser consumido na escola.
O colégio faz parte do Núcleo Regional de Educação (NRE) de Francisco Beltrão. Já o Clube é articulado pela Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), de Foz do Iguaçu, no NAPI – Paraná Faz Ciência. O objetivo principal do projeto é mostrar formas de minimizar os impactos ambientais e sociais, incentivando a busca por um futuro mais sustentável.
Para isso, o Clube de Ciências pretende promover a pesquisa e o desenvolvimento de soluções para o gerenciamento de resíduos sólidos, em especial nas comunidades do entorno do colégio. A composteira na horta começou a ser construída no ano passado, quando o projeto foi aprovado. Agora, os estudantes plantaram mudas de verduras e hortaliças.

Segundo a professora Silvana Nodari Gindri, coordenadora do clube, são 25 alunos participantes, do Ensino Fundamental e Médio. As atividades ocorrem toda quinta-feira, das 13h às 15h30. “Trabalhamos com diferentes tipos de resíduos e estamos desenvolvendo algumas ações na escola”, destaca.
Na horta, os estudantes utilizam o Método Lages de Compostagem, criado pelo professor Germano Güttler, da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), em Lages. De forma resumida, o método consiste em transformar matéria orgânica em adubo, usando canteiros em camadas. É um modelo ideal para se fazer em casa, nas escolas ou em hortas comunitárias.
Além da horta, o clube “Exploradores da Ciência” também tem estudado sobre resíduos eletrônicos, como conta a professora Silvana. “Implementamos uma campanha de coleta de pilhas e baterias na comunidade, que serão posteriormente entregues aos catadores para a destinação adequada”, explica a docente.

Outra atividade desenvolvida pelos alunos foi a análise da água, feita na casa de todos os estudantes. A iniciativa foi realizada em parceria com a Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), campus Realeza. Além disso, a equipe do clube também está desenvolvendo um aplicativo, que terá como propósito auxiliar a coleta de lixo municipal.
Recentemente, os alunos realizaram uma entrevista com a equipe da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e com os membros da Associação de Catadores Autônomos de Pérola D’Oeste. Os estudantes conheceram a plataforma de transbordo de resíduos sólidos e registraram a quantidade de materiais coletados, os cuidados necessários em segurança e quais as maiores dificuldades enfrentadas pelos coletores.
Clube de Ciências “Discípulos de Pasteur” realizou atividade prática sobre fermentação, unindo ciência e gastronomia

A microbiologia ganhou um sabor especial para os estudantes do Clube de Ciências “Discípulos de Pasteur”, do Colégio Estadual Professora Elenir Linke, em Cantagalo. Durante uma das aulas, os alunos participaram de uma atividade prática sobre a fermentação biológica, utilizando a preparação de pizzas para compreender o papel dos microrganismos na alimentação.
Sob orientação da professora Luana, os estudantes investigaram o funcionamento da Saccharomyces cerevisiae, uma levedura essencial no processo de fermentação. Eles puderam observar como esses microrganismos consomem os açúcares da farinha, liberando dióxido de carbono (CO₂) e álcool, resultando na formação de uma massa aerada e macia.
Durante a atividade, foram discutidos fatores como temperatura e tempo de fermentação, comparando massas fermentadas em diferentes condições para entender como essas variáveis influenciam o crescimento das leveduras. O experimento foi finalizado com a etapa de assar as pizzas, momento em que os alunos perceberam como o calor interrompe a fermentação e evapora o álcool produzido.

A experiência despertou a curiosidade dos participantes para a microbiologia aplicada, conectando conceitos científicos ao cotidiano e mostrando a importância dos microrganismos na produção de diversos alimentos, como pães e iogurtes.
Acompanhe mais atividades dos Clubes de Ciência pelo Instagram da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência @clubesparanafazciencia e aqui pelo site Notícias – NAPI Paraná Faz Ciência.
Os novos bolsistas graduados foram apresentados a toda equipe da Rede de Clubes vinculadas à Universidade, incluindo professores e pontos focais

A primeira reunião geral do ano de 2025, com a participação dos integrantes da equipe da Rede de Clubes de Ciências vinculados à Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP) aconteceu no começo de março.
O encontro se deu de forma remota, reunindo 22 participantes, entre bolsistas, coordenadores, professores clubistas e os pontos focais, que são os representantes dos 4 Núcleos Regionais de Educação (NREs): Cornélio Procópio, Jacarezinho, Ibaiti e Wenceslau Braz.
De início foram apresentados os bolsistas pedagógicos Mayara da Silva Almeida, Maria Eduarda Diniz e Thiago Ezidio Oliveira; a bolsista administrativa Tatiane Costa e a bolsista de comunicação, Ana Caroline Amaral. Cada um falou sobre sua função e quais demandas do projeto atendem, destacando a divisão de Clubes que os bolsistas pedagógicos vão dar suporte ao longo do projeto.
Foram repassados outros informes, como questões relacionadas aos termos de consentimento para pesquisa, as novidades sobre os Clubes de Ciências Maker e a previsão do calendário de eventos para o ano de 2025.
Houve o compartilhamento de informações pelos bolsistas sobre a compra de materiais para os clubes, o momento mais esperado pelos professores clubistas. Eles trouxeram várias dúvidas sobre essa importante parte do projeto: o investimento em equipamentos, ferramentas e outros recursos para os Clubes de Ciências da Rede. Os bolsistas sanaram as dúvidas e se colocaram à disposição para auxiliar os professores.
Ao final da reunião, o professor Dr. Lucken Bueno Lucas, coordenador da Rede de Clubes de Ciências ligado à UENP, agradeceu a presença de todos e falou sobre a dinâmica da troca de informações, destacando a importância do trabalho em equipe. “Eu e os outros coordenadores da UENP estamos sempre em contato com a coordenação geral de Curitiba, e os bolsistas estarão em contato com vocês [professores clubistas], facilitando o trânsito de informação e construindo nossa rede”, finalizou.
Projeto abrange instituições de diferentes municípios e incentiva pesquisa e inovação entre os estudantes

Os Clubes de Ciências vinculados à Universidade Estadual do Paraná (UNESPAR) estão transformando a educação científica em diversas regiões do estado. A iniciativa aproxima alunos do ensino fundamental e médio da universidade, incentivando a pesquisa, o pensamento crítico e o aprendizado prático por meio de experimentação, saídas de campo e palestras com especialistas.
Atualmente, os clubes estão distribuídos em nove cidades paranaenses, contemplando diferentes realidades educacionais. Paranaguá é o maior município atendido pelo programa, reunindo várias escolas participantes. Ao mesmo tempo, a iniciativa alcança algumas das menores cidades do estado, garantindo que alunos de diferentes contextos tenham acesso à ciência e à inovação.
Os Clubes de Ciências da UNESPAR estão presentes nos Núcleos Regionais de Educação (NRE) de Paranaguá, Paranavaí e Loanda, abrangendo municípios como Paranaguá, Matinhos, Antonina, Inajá e Nova Esperança. Entre as instituições participantes estão o Colégio Estadual Rocha Pombo, o Colégio Estadual Civil-Militar Sertãozinho, o Colégio Estadual Gabriel de Lara, o Colégio Estadual Barão do Rio Branco, a Escola Estadual Padre Anchieta e o Colégio Estadual Duque de Caxias.
Ao todo, a UNESPAR coordena 13 Clubes de Ciências. Destes, quatro estão em municípios com menos de 10 mil habitantes, enquanto outros quatro estão em cidades com populações entre 10 mil e 40 mil habitantes. Além disso, um dos clubes está localizado em uma cidade com mais de 100 mil habitantes, evidenciando o impacto da iniciativa em diferentes regiões do Paraná.
Os clubes funcionam como espaços de aprendizado científico e investigativo, permitindo que os estudantes desenvolvam pesquisas sobre temas ambientais, tecnológicos e sociais. As atividades variam conforme a escola e incluem estudos sobre impactos ambientais, análise de microplásticos nas praias, monitoramento de bacias hidrográficas e desenvolvimento de soluções sustentáveis. Além disso, os alunos participam de visitas técnicas a instituições de ensino superior e assistem a palestras com pesquisadores, fortalecendo a troca de conhecimento entre a escola e a universidade.
A coordenadora pedagógica Michele Mendes explica que o projeto teve início a partir de uma experiência em Portugal, onde os Clubes de Ciências foram implementados para elevar os índices de alfabetização científica no país. “Em 2019, o professor Rodrigo Reis visitou Portugal e conheceu o modelo da Ciência Viva, que conecta universidades e escolas para fortalecer a educação científica. Quando retornou, começou a estruturar a ideia dos clubes aqui no Paraná”, destaca Michele.
O projeto cresceu e em 2023 passou a ser financiado pela Fundação Araucária, garantindo a criação de 200 Clubes de Ciências no estado. Além disso, outra iniciativa foi desenvolvida com apoio do Ministério da Ciência e Tecnologia, focada em inovação e tecnologia. São chamados de Clubes Makers. “Os alunos do Ensino Fundamental e Médio recebem bolsas para participar, o que é fundamental para incentivar a permanência e engajamento, especialmente em regiões com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH)”, explica Michele.
No Colégio Estadual Sertãozinho, por exemplo, os estudantes realizaram coletas e análises de microplásticos na areia da praia, contribuindo para discussões sobre a poluição dos oceanos. Já na Escola Verde, os alunos estudaram a bacia hidrográfica de Inajá, investigando a influência dos rios na vida da população e os desafios ambientais enfrentados na região.
A parceria com a UNESPAR amplia as oportunidades de formação e aproxima os alunos da pesquisa acadêmica. “Os Clubes de Ciências são uma porta de entrada para que os estudantes compreendam o papel da ciência no dia a dia e se interessem por carreiras científicas. A relação entre escola e universidade fortalece essa trajetória, despertando o interesse dos jovens pela investigação e inovação”, ressalta Michele.
Com novas ações programadas, como feiras científicas e a ampliação do projeto para outras cidades, os Clubes de Ciências seguem como uma iniciativa essencial para o fortalecimento da educação e da pesquisa científica no Paraná.
Orientadores pedagógicos e professores clubistas estão se reunindo semanalmente para alinhar os pontos e fazer um bom trabalho

Os Clubes de Ciência da Unioeste estão em fase de organização para mais um ciclo de atividades. Com a participação de 24 clubes distribuídos por 14 cidades do oeste do Paraná, o projeto parte do NAPI Paraná Faz Ciência, conta com o suporte contínuo dos orientadores pedagógicos para garantir o bom andamento das ações.
Os orientadores mantêm contato diário com os professores responsáveis pelos clubes e realizam reuniões semanais, sempre que possível, de forma presencial. Esses encontros são uma oportunidade para conhecer melhor os professores, os espaços das escolas, as equipes gestoras e, principalmente, os alunos clubistas.

A coordenadora institucional da Rede de Clubes na Unioeste, Fernanda Aparecida Meglhioratti, destaca que essas reuniões são fundamentais para discutir o andamento das atividades, trocar experiências entre os professores e resolver dúvidas. Além disso, reforçam o acompanhamento e o apoio oferecido pelos orientadores pedagógicos.
Com essa estrutura, os clubes seguem promovendo o interesse pela ciência, incentivando a participação ativa dos estudantes e com isso tornam o aprendizado mais dinâmico e envolvente.
A ação visa alinhar as iniciativas com os objetivos da Rede e promover a integração entre os participantes

Nos dias 10 e 11 de março, a equipe da Rede de Clubes ligada à Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) visitou os dois clubes presentes na cidade de Castro: o Ecoindoor, do Colégio Estadual Agrícola Olegário Macedo e o Cabeceira do Rio Iguaçu, do Colégio Estadual Antônio e Marcos Cavanis. A visita faz parte de um cronograma da equipe que estará presente em todas as escolas contempladas pela Rede de Clubes do NAPI Paraná Faz Ciências, nos Núcleos de Ponta Grossa e União da Vitória. O objetivo dessa ação é compreender mais a fundo o projeto do clube e suas demandas, além de alinhar suas ações com as finalidades da Rede e promover a integração entre gestão, professores e clubistas.

Durante a visita, as professoras Inês Brandão e Caroline Pedroso, do Colégio Cavanis, e Marli Burda, do Colégio Agrícola, esclareceram dúvidas sobre o processo de aquisição de materiais para os clubes. A equipe da UEPG aproveitou a ocasião para solicitar documentos necessários e fornecer orientações sobre as próximas ações a serem realizadas nos projetos. Após a visita a Castro, os representantes da UEPG darão continuidade ao cronograma de visitas aos clubes, a programação ainda inclui escolas em Ponta Grossa, União da Vitória, Paulo Frontin e São Mateus do Sul.

No Clube Ecoindoor, a proposta é desenvolver técnicas e otimizar espaços para cultivos indoor de diferentes culturas. Um cultivo indoor ocorre quando a produção permanece em ambientes fechados, nesses locais, a tecnologia é utilizada para otimizar a produção, com o controle de temperatura, luminosidade, água e outros fatores nutricionais das plantas. “No indoor temos a possibilidade de várias culturas, como frutas, verduras, temperos, ervas medicinais e outros. Queremos que as pessoas consigam produzir seus próprios alimentos em casa”, afirma Vitor, clubista do 2º ano do Ensino Médio. Luis Felipe, seu colega de turma, completa: “E de maneira orgânica, sem a utilização de pesticidas, inseticidas e fertilizantes que possam prejudicar a qualidade dos alimentos. Hoje em dia, os alimentos orgânicos são muito caros, mas com o indoor, é possível produzir em casa, de forma mais barata”, finaliza.

Já no clube Cabeceira do Rio Iguaçu, do Cavanis, a temática é outra: o Rio Iapó, que corta a cidade. O clube pretende investigar o rio em seus diferentes aspectos, desde suas características físico-químicas até seus aspectos socioeconômicos. Os resultados farão parte de uma peça teatral com objetos animados, ou fantoches, que terá como público alvo alunos de 5º e 6º anos. De acordo com as professoras do clube, Inês Brandão e Caroline Pedroso, essa é uma oportunidade para que os alunos compreendam que a ciência não ocorre só na pesquisa em laboratório. O projeto permite aos estudantes compreender que existem diferentes tipos de pesquisa, e que o fazer científico também envolve compreender e atender as necessidades da comunidade e divulgar os resultados obtidos.

Programação inclui palestras com especialistas nacionais e internacionais

Entre os dias 27 a 29 de agosto, a Universidade Estadual de Maringá (UEM) receberá o III Encontro Brasileiro de Alimentos Funcionais e o II Encontro NAPI – Proteínas Alternativas. Os eventos são organizados pelo Grupo de Pesquisa em Alimentos Funcionais (GPAF) da UEM e pelo Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (NAPI) Proteínas Alternativas.
Os encontros reunirão pesquisadores, profissionais da indústria e estudantes para discutir a temática central definida pelos organizadores: “O futuro dos alimentos funcionais e proteínas alternativas: caminho para inovação sustentável e ética”.
A professora da UEM, coordenadora do GPAF e uma das coordenadoras do NAPI Proteínas Alternativas, Paula Matumoto Pintro, explica que “o objetivo do evento é fomentar a discussão sobre alimentos funcionais entre estudantes, professores, pesquisadores e profissionais da área, promovendo a divulgação de pesquisas, inovação tecnológica e o bem estar da população”.
Além de palestras com especialistas nacionais e internacionais, a programação também inclui mesas redondas e apresentações de trabalhos científicos. Os temas vão desde propriedades bioativas de alimentos, até tecnologias emergentes, como fermentação de precisão e cultivo celular para produção de alimentos, técnicas que fazem parte da agricultura celular.
Uma das coordenadoras do NAPI Proteínas Alternativas e a professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Carla Molento, justifica que eventos como estes compõem uma parte fundamental do desenvolvimento das novas formas de produzir alimentos por meio da agricultura celular. “Eventos técnicos como estes permitem interações e um aumento exponencial de conhecimento, que são importantes para que inovações possam ser compreendidas por todos os atores e interessados. E mais: os encontros científicos permitem a formação de uma rede de contatos que, em última instância, é essencial para o estabelecimento das novas cadeias alimentares em nosso Estado”, completa.
De acordo a professora da PUCPR Paraná, Renata Macedo, que também coordena o NAPI Proteínas Alternativas, as expectativas visam “promover um espaço de diálogo interdisciplinar, estimular parcerias entre academia e setor produtivo, e impulsionar a geração de conhecimento e inovação voltados ao desenvolvimento de alimentos mais sustentáveis, saudáveis e acessíveis para a população”.
O evento será presencial. Para se inscrever e saber mais informações acesse o link.
Em tarde cheia de experiências, alunos passaram por oficina prática, mesa-redonda e Show da Química

Os alunos do clube de ciências ‘Jovens Alquimistas’, do Colégio Estadual Marquês de Caravelas, em Arapongas, estiveram em uma tarde de visita ao campus da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) na cidade vizinha, Apucarana.
A ação é parte do projeto Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, da Fundação Araucária, em parceria com as Universidades públicas presentes no Paraná, a Secretaria Estadual de Educação (SEED) e a Secretaria Estadual da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (SETI). O intuito da Rede de Clubes é fomentar a cultura científica nas escolas, aproximando alunos da Educação Básica das práticas da ciência, estimulando ainda a autonomia e o protagonismo dos jovens.
O clube do Colégio Estadual Marquês de Caravelas tem como universidade referência na região a UTFPR câmpus Apucarana e o Núcleo Regional de Educação (NRE) também de Apucarana.
Durante a visita, os alunos puderam participar de diferentes atividades, entre elas uma mesa-redonda sobre “A Ciência na Minha Vida e no Meu Futuro”, organizado pelas professoras Daiane Chiroli, do curso de Engenharia Têxtil da UTFPR, e Tatiana Marin, da Faculdades de Apucarana (FAP). Também assistiram ao “Show da Química”, apresentado pelos professores do curso de Licenciatura em Química, Enio Stanzani e Sabrina Klein.
Aprenderam ainda, um pouco mais sobre as Pancs (Plantas Alimentícias Não Convencionais) em uma oficina de pesquisa com alunos extensionistas e a professora do curso de Nutrição da FAP. Os alunos do projeto de extensão Fundamentos da Matemática do Departamento de Matemática, Rodrigo Veloso e Michelle Klaiber, conduziram a oficina sobre pesquisa científica.

As PANCs são o tema principal do projeto do Clube Jovens Alquimistas. Em seus estudos, buscam trabalhar o cultivo de PANC´s na horta do colégio, pesquisando maneiras de fazer a manutenção da horta, como os processos de rega, adubação e planejamento de novas mudas.
A coordenação do Clube é feita pela professora Marilane de Jesus Ferreira, para quem a importância da iniciativa do Clube Jovens Alquimistas está em educar os alunos sobre o impacto positivo de práticas agrícolas sustentáveis. “É uma forma de poder atuar para reduzir a fome e fortalecer a segurança alimentar. Além de oferecer na prática uma fonte alternativa e nutritiva de alimentos para a comunidade da escola”, comenta a professora.

Durante a visita à Universidade, duas alunas do Clube receberam a tarefa de registrar impressões e momentos da visita à UTFPR. Os resultados foram dois Vlogs, espécie de ‘blog’ em formato audiovisual, que podem ser vistos no perfil de instagram do Clube: @jovens.alquimistas.marques e também no perfil da Rede de Clubes: @clubesparanafazciencia . Incentivar registros a partir da visão dos alunos é mais uma forma de incluir aprendizagem à linguagem de comunicação dos jovens.
Rede fortalece a pesquisa na educação básica e conecta universidade e escola em 200 clubes científicos pelo estado

Dezenas de estudantes da rede pública do Paraná participaram, na terça-feira (15), da cerimônia oficial de apresentação da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, realizada no Salão de Atos do Palácio Iguaçu, sede do governo do Paraná, em Curitiba. O evento marcou a consolidação de uma iniciativa que já mobiliza cerca de 5 mil estudantes em 200 clubes científicos espalhados pelo estado.
Com apoio da Fundação Araucária e da Secretaria de Estado da Educação (SEED), a Rede integra as ações do Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (NAPI) – Paraná Faz Ciência. A proposta busca incentivar a pesquisa na Educação Básica, popularizar o conhecimento e estimular vocações científicas desde cedo, com foco em sustentabilidade, cidadania e inovação.
A coordenadora da Rede de Clubes e articuladora do NAPI Paraná Faz Ciência, professora Débora Sant’Ana, da Universidade Estadual de Maringá (UEM), destacou a importância do momento. “O evento marca a consolidação da Rede, que teve início no final do ano passado. Agora todos os 200 clubes estão em funcionamento, com professores clubistas e estudantes envolvidos em projetos científicos que já mostram resultados concretos”, afirmou.
Débora ressaltou ainda que a presença de representantes de escolas de diferentes regiões do estado e o reconhecimento das autoridades contribuem para fortalecer a continuidade da iniciativa. “Tudo está sendo feito com muita seriedade, acompanhamento e cuidado. Um evento como esse é fundamental para garantir que o projeto avance e se consolide como política pública”, completou.
A coordenadora também destacou a importância da aproximação entre universidade e educação básica como um dos pilares da iniciativa. “Por muito tempo as universidades focaram apenas na formação inicial de professores. Projetos como este promovem uma integração necessária e enriquecedora. Aprendemos com os estudantes, assim como eles aprendem conosco. É uma troca fundamental para o fortalecimento da ciência”, concluiu.

Presente no evento, a professora Leila Inês Follmann Freire, da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), coordenadora da Rede pela UEPG, destacou a importância de ampliar a compreensão sobre os espaços possíveis para a produção científica.
“Quando o professor da universidade vai até a escola e percebe essa visão de que a ciência se faz apenas no laboratório, é fundamental mostrar que ela pode estar em todos os lugares, inclusive no nosso entorno. A ciência não depende somente de um laboratório. Podemos fazer pesquisa nas Ciências Humanas, Sociais, em diversas áreas”, afirmou.
Para a professora, levar a universidade até a escola é também reconhecer que o espaço onde vivemos pode ser transformado por meio da pesquisa. “Vejo esse papel como fundamental nessa articulação com a universidade”, completou.
A professora Marquiana de Freitas Vilas Boas Gomes, da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro-Guarapuava), coordenadora da Rede pela Unicentro, também enfatizou o papel formativo e social da iniciativa. Para ela, os clubes fortalecem a relação entre universidade e escola ao promover uma troca horizontal de saberes.
“Nas universidades, formamos professores, tanto na formação inicial quanto continuada. Quando nossos acadêmicos participam de projetos nas escolas, eles também se qualificam ao compreenderem melhor esse ambiente. Ao mesmo tempo, os professores da educação básica que se aproximam da universidade têm acesso ao que há de novo nas pesquisas, melhorando práticas pedagógicas e a formação cidadã de crianças e jovens”, explicou.
Marquiana destacou ainda que os clubes contribuem diretamente para o desenvolvimento social dos territórios onde estão inseridos. “A escola é, muitas vezes, a referência mais próxima das comunidades. Os clubes tratam de temas reais do cotidiano, com uma abordagem científica que conecta o conhecimento à vida das pessoas. Assim, a ciência deixa de ser algo distante e passa a ser percebida como ferramenta de transformação ambiental, econômica e social”, completou.
Segundo a professora, ao levar a ciência para dentro das escolas e dos territórios, os clubes também promovem o combate à desinformação e fortalecem o compromisso da universidade pública com a sociedade.
Com 30 alunos no clube, professores explicam a importância da participação dos estudantes

O CAPCiência, Clube de Ciências do Colégio de Aplicação Pedagógica (CAP), da Universidade Estadual de Maringá (UEM), está a todo vapor. As atividades iniciadas no ano passado tinham como princípio refletir sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
Este ano, o clube partiu para a temática da energia. Segundo os professores Antonio de Oliveira, professor coordenador do projeto, e Rosemary Margarida Campos Parizotto, professora voluntária, a ideia é pensar as temáticas sempre dentro da realidade do aluno, da universidade e do município.
Atualmente, com trinta estudantes, 90% dos clubistas do CAPCiência são do Ensino Médio. Segundo os professores, isso acontece em razão da estrutura do colégio, que tem as aulas voltadas ao oitavo ano do Ensino Fundamental II até o terceiro ano do Ensino Médio no período da manhã, e o clube tem atividades no contraturno.
Todas as quartas-feiras, há um encontro presencial que dura aproximadamente duas horas e meia, também há atividades no Google Classroom (on-line), encontros com alunos que participam de outros afazeres no contraturno e ainda os contatos nos corredores do CAP.
O grande diferencial do clube, conforme explicam os professores, é a estrutura que um colégio de aplicação permite ao contar com a colaboração da UEM em relação ao acesso aos laboratórios. Por isso, além de atividades teóricas há muitos exercícios práticos. Um dos momentos marcantes relatados pelos docentes foi uma atividade laboratorial de testagem de DNA.

De acordo com os educadores, a importância de um clube de ciências para os alunos é justamente as atividades práticas que, muitas vezes, não são possíveis de serem realizadas em uma sala de aula. A liberdade com que os estudantes contam para realizar projetos de pesquisas, escolhendo as linhas de pesquisa dentro das temáticas mais gerais do clube é outro diferencial. Isso aumenta a autonomia deles.
Outra questão interessante é a capacidade que o clube de ciências possui ao integrar estudantes que também participam de outras atividades na escola, como a sala de recursos multifuncional e de altas habilidades. Ou seja, todos se sentem juntos e assim podem pensar além, incorporando as ideias do clube a outras ações do contraturno.
Para os professores, apesar do desafio que um clube de ciências representa, é gratificante receber o retorno dos alunos de forma que ambos aprendam juntos. Eles esperam também conseguir um clube de ciências do CAP-UEM para os alunos do Ensino Fundamental I e II.
Segundo a professora Rose, “seria muito interessante que os alunos pudessem desenvolver projetos desde os primeiros anos e terem pesquisas mais completas ao final do Ensino Médio”. Isso porque atualmente, conforme os docentes, há um grande investimento de tempo e estudo em trabalhos de alunos que em um único ano se encerra, explica.
Clubistas de Curitiba e Região Metropolitana lotaram o Salão de Atos na sede do governo do Paraná para celebrar a ciência

Dezenas de alunos da Educação Básica estiveram na manhã desta terça-feira, 15, na sede do governo do Estado para participar da apresentação oficial da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência. Para a maioria dos jovens da rede pública de ensino, foi a primeira vez que estiveram no Palácio Iguaçu como convidados para representar aproximadamente 5 mil estudantes que integram os Clubes de Ciências.
Antes do lançamento, o Clube Geração Científica, do Colégio Estadual Alfredo Parodi, de Curitiba (PR), apresentou seu protótipo para limpar o Rio Belém, resultado das pesquisas e atividades em robótica que estão desenvolvendo. O grupo, coordenado pela professora Corine Costa, participou da Semana dos NAPIs, em março, também em Curitiba.
O evento contou com a participação do governador em exercício, Darci Piana, que confessou ter sentido ‘ciúmes’ dos jovens presentes. “Na minha época não tinha nada dessas facilidades que vocês têm hoje em dia. Eu gostaria de estar aí, sentado com vocês, para ter a oportunidade que estão tendo”, declarou.
Entusiasmado, Piana disse aos jovens para que não deixem escapar esse momento. “Aproveitem essa oportunidade, lutem, que lá na frente vocês vão se orgulhar, como nós aqui estamos fazendo, em benefício de vocês mesmos. Com isso, vocês estão ajudando o nosso estado e o nosso país”, completou.

A Rede de Clubes é uma ação do Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (NAPI) – Paraná Faz Ciência, com recursos e apoio da Fundação Araucária e da Secretaria Estadual de Educação (SEED). A iniciativa surgiu com o objetivo de implementar atividades que ajudem a desenvolver a pesquisa científica na Educação Básica, popularizar a ciência e atrair os jovens para serem futuros cientistas a passarem pelas universidades paranaenses.
Neste sentido, a coordenadora da Rede e articuladora do NAPI Paraná Faz Ciência, a professora da UEM Débora Sant’Ana ressaltou o fato do Paraná se destacar na pesquisa feita no ensino superior, na pós-graduação.
“Agora, nós também temos esses cientistas na Educação Básica fazendo a diferença ao pesquisar problemas locais, regionais, interagindo com a sua própria comunidade escolar, e no entorno, com as famílias, e desta forma, preparando a nova geração de cientistas profissionais que estarão daqui a pouco nas universidades”, salientou Débora.
Atualmente, a Rede conta com 204 Clubes de Ciências, implantados pelo Edital 01/2024, da Fundação Araucária. Destes, 80 são de Escolas em Tempo Integral, contemplando 1951 estudantes clubistas; além de 120 Escolas em turno parcial, que reúnem 2757 estudantes matriculados. No total, a Rede conta com 4.708 clubistas e as perspectivas são as melhores para consolidar esta política pública de incentivo à pesquisa e inovação.

O presidente da Fundação Araucária, professor Ramiro Wahrhaftig, fez questão de reafirmar que a evolução do desenvolvimento em ciência e tecnologia no Estado passa pela formação dos jovens. “Ponham na cabeça de vocês esse desejo de ser cientista, mantenham o sonho de continuar estudando e chegar ao doutorado. Assim, seja no meio acadêmico, seja nas empresas, a vocação para a ciência os fará contribuir muito para a sociedade”, aconselhou.
O diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação da Fundação Araucária, Luiz Márcio Spinosa, ressaltou o papel da Fundação como agência de inteligência e fomento, facilitando este processo junto às instituições e comunidade científica. “Esta juventude irá se transformar em grandes atores de transformação, através da economia do conhecimento e da inovação, e, lá na frente, vamos ver os resultados de todo esse investimento”, avaliou.
Por sua vez, o secretário Estadual de Educação, Roni Miranda, agradeceu a parceria com a Fundação Araucária e à equipe pelo esforço em implementar a Rede de Clubes Paraná Faz Ciência. “O grande propósito é despertar nos nossos meninos e meninas o gosto pela ciência, pela pesquisa, que tanto é importante para um país, um estado, uma cidade. Ter cientista lembra o desenvolvimento, mas, em especial, queremos reter esses bons estudantes aqui no Paraná. E é esse o propósito dos Clubes Ciências”, justificou.

O secretário Miranda também enalteceu o papel dos professores, diretores e responsáveis pelos Núcleos Regionais de Educação, bem como as instituições estaduais de ensino superior. “Vejam todos, aqui é uma sementinha que nós estamos plantando que vai levar a despertar o gosto da ciência, desenvolver o nosso estado e elevar a qualidade de vida para a nossa sociedade paranaense”.
Na oportunidade, Miranda anunciou um incremento, em 2026, no Programa Ganhando o Mundo, que encaminha estudantes da rede pública para um intercâmbio de um mês fora do país. Além de ampliar as vagas, o secretário anunciou uma versão do programa para professores e diretores de escolas, com um total de 250 bolsas.
A Rede de Clubes Paraná Faz Ciência também conta com o apoio da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (SETI), que foi representada na solenidade pelo diretor de Ciência e Tecnologia do órgão, Marcos Aurelio Pelegrina. “ Os Clubes de Ciências são um grande projeto de mobilização das escolas, das universidades, dos alunos, para que a gente possa realmente transformar esse estado, não só no campo científico, mas também econômico”, afirmou.
Ao representar o secretário Aldo Bona, Pelegrina destacou as ações da SETI para a popularização da ciência. “Hoje realizamos o maior evento científico do país, que é o Paraná Faz Ciência, temos a Rede de Clubes, as Quintas das Ciência, o projeto Manna, a plataforma multimídia Conexão Ciência, o C², em que a gente abriu várias frentes de divulgação científica. Agora é vez de consolidar esses programas para que sejam permanentes no próximo governo, porque são importantes para o desenvolvimento do Estado”, concluiu.