Uma solução inovadora e sustentável rendeu ao professor Fauze Jacó Anaissi, do Departamento de Química da Unicentro, o reconhecimento da invenção de um processo de obtenção de argilas para tratamento e clarificação de água com corantes. O processo foi desenvolvido como projeto de doutorado em Química pelo acadêmico Itamar Antonio Rodrigues, sob a orientação do professor Fauze, no ano de 2018. A patente foi reconhecida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi), vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços do Governo Federal.
A invenção

Processo inovador já recebeu destaque da Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas.
A patente refere-se a um processo de obtenção de argilas esmectitas – designação dada nas aplicações industriais e comerciais a uma mistura de minerais de argila – saturadas ou modificadas com íons férricos. Em palavras simples, essa tecnologia envolve a preparação de uma argila especial, capaz de atrair e prender corantes indesejados presentes em águas residuais industriais.
“Foram pegas argilas comuns e feita a modificação química dela com óxido de ferro. Em seguida, utilizou-se essa argila modificada para fazer tratamento de água com corantes, em especial da indústria têxtil e de alimentos. Essa argila, após o processo de tratamento da água, fica com a cor do pigmento daquela água que foi tratada e clarificada, e esses pigmentos foram utilizados para a pintura de bloquinhos. Ou seja, essa cor poluente foi reutilizada, de modo que a poluição não fosse retirada da água e fosse jogada em outro local”, relata o professor.
A tecnologia patenteada tem o potencial de beneficiar tanto o meio ambiente quanto as indústrias, proporcionando uma maneira eficiente de tratar águas residuais contaminadas por corantes. Segundo o docente da Unicentro, o tratamento pode garantir novamente a potabilidade da água. “A primeira parte do processo é retirar ao máximo as cores da água e, após essa clarificação, é feito um segundo processo de devolvê-la ao rio, podendo ser tratada e potabilizada para consumo”, conta.
Reconhecimento da invenção
No dia 5 de março de 2024, o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi) reconheceu o ineditismo do processo elaborado pelo professor Fauze e seu orientando Itamar, concedendo-lhes a Patente de Invenção, com validade de 20 anos. “É satisfatório como orientador obter esse resultado, pois o desenvolvimento de material para tratamento de água é uma das principais linhas de pesquisa aqui dos nossos laboratórios de química da Unicentro. Nós produzimos conhecimento e uma das formas de divulgação desse conhecimento é registrando esse direito autoral de invenções, tanto para os autores como para a universidade. Além dessa patente reconhecida, em 2018 nós já havíamos recebido uma premiação, ficamos com o segundo lugar no prêmio da Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas (Abrafati) pelo desenvolvimento desse processo”, declarou Fauze.
Por que uma doença que tem vacina, tem tratamento e tem cura ainda mata milhares de pessoas por ano no mundo? Hoje (24), comemora-se, em todo o planeta, o Dia Mundial de Combate à Tuberculose. Atuante no combate à doença em diversas frentes, a Universidade Estadual de Maringá (UEM) reforça a importância da prevenção e da conscientização sobre o tema.
O Laboratório de Ensino, Pesquisa e Análises Clínicas (Lepac) da UEM é referência no diagnóstico da doença. Localizado no câmpus sede da Universidade e vinculado ao Centro de Ciências da Saúde (CCS), o Lepac tem convênio com o governo estadual para atendimento aos 30 municípios da 15ª Regional de Saúde. Em casos suspeitos de tuberculose, no entanto, o laboratório faz exames para toda a macrorregião Noroeste do Paraná, que totaliza 115 municípios.
Somente em 2023, o Lepac fez 1.604 Testes Rápidos Moleculares (TRM) para detecção da doença. Quase 10% do total – 149 casos – tiveram resultado positivo, segundo a supervisora do laboratório e professora do Departamento de Ciências Básicas da Saúde (DBS), Fabiana Nabarro Ferraz.
O tratamento aos positivados ocorre em outra frente de atuação da UEM no combate à tuberculose – o Hospital Universitário Regional de Maringá (HUM). Referência no tratamento de diversas infecções, o hospital atendeu 119 casos suspeitos de tuberculose em 2023. Destes, 27 foram inicialmente confirmados e 19 tiveram alta, além de dois abandonos, um óbito e cinco mudanças de diagnóstico.
Mais do que o diagnóstico e o tratamento, a Universidade também se dedica à prevenção, à conscientização e ao mapeamento dos casos de tuberculose em Maringá e região. Confira, abaixo, mais detalhes sobre a atuação da UEM e saiba como se prevenir da doença.
O TRM é capaz de detectar o DNA da bactéria causadora da doença diretamente na amostra de escarro do paciente. O resultado fica pronto em cerca de duas horas. No Lepac, a amostra é analisada pelo GeneXpert, equipamento cedido ao laboratório pelo Ministério da Saúde, em 2018.
O dispositivo oferece alta sensibilidade para detecção da tuberculose, bem como maior rapidez na liberação do resultado em comparação com o exame de baciloscopia – visualização da bactéria no microscópio -, que é utilizado há mais de 100 anos.

Segundo a professora do Departamento de Análises Clínicas e Biomedicina (DAB) e coordenadora do Lepac, Regiane Bertin de Lima Scodro, o laboratório também faz a cultura da amostra clínica do paciente e o teste de susceptibilidade aos fármacos aplicados no tratamento da doença. Os procedimentos ajudam a identificar se a bactéria detectada possui resistência aos antibióticos mais usados no combate à tuberculose.
O equipamento usado para esse processo é o BD BACTEC MIGT, sistema presente em apenas dois laboratórios do Paraná – além do Lepac, está no Laboratório Central do Estado (Lacen), em São José dos Pinhais-PR. “O método automatizado apresenta mais sensibilidade quando comparado ao exame manual. Esse sistema de cultura, que possibilita o crescimento da bactéria, garante um exame de alta qualidade e de maior rapidez para atender as necessidades dos pacientes com tuberculose”, destacou a coordenadora.
Um desafio para os profissionais do laboratório são os casos assintomáticos da doença. Segundo a coordenadora, muitas pessoas podem estar infectadas mesmo sem apresentarem sintomas, em quadro chamado de “tuberculose infecção”.
Para esses casos, o Lepac implantou, em 2022, o exame IGRA, teste realizado no sangue do paciente. O método identifica o componente da resposta imunológica do organismo infectado e, por isso, permite maior precisão no diagnóstico dos casos assintomáticos. O teste pode ser usado em pessoas que tiveram contato com doentes ou que, por outro motivo, tenham suspeita de infecção.
Os exames de alta qualidade realizados pelo Lepac são, em sua maioria, subsidiados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), como forma de apoio à saúde pública. A professora Rosilene Fressatti Cardoso, que atua no Lepac há anos com foco no combate à tuberculose, esclarece que a luta contra a doença é uma iniciativa de todos. O combate começa com a vacina BCG, aplicada especialmente em crianças, que previne as formas graves da doença.
“Outras ações importantes são a realização do diagnóstico precoce da doença e busca dos contactantes do doente para, se necessário, realizar o tratamento preconizado para cada caso adequadamente, conforme recomendação do profissional de saúde”, reforçou.
Também lotado no CCS da Universidade, o HUM atende casos de tuberculose de toda a macrorregião Noroeste do estado. Em 2023, pacientes com suspeita de tuberculose de 19 municípios diferentes receberam tratamento no hospital.
Segundo a professora do Departamento de Medicina (DMD) e médica infectologista do HUM Maria Emilia Avelar Machado, a precocidade do diagnóstico é uma das principais medidas no combate à doença. “Quanto mais cedo se faz o diagnóstico, melhor para o paciente e menor o risco de infectar outras pessoas, e principalmente as pessoas mais próximas. Tuberculose tem tratamento e tem cura”, afirmou.
Outra preocupação dos profissionais do HUM é garantir que o tratamento seja correto e completo, alertou a professora. A melhora nos sintomas durante os primeiros dias de medicação pode levar pacientes a interromperem o tratamento de forma precipitada. Essa atitude pode aumentar a resistência das bactérias, diminuindo as chances de cura.
O Núcleo de Vigilância Epidemiológica (NVE) do HUM prepara, a cada ano, um boletim com dados oficiais e um levantamento dos municípios e bairros de origem dos pacientes tuberculosos. Também são levantados fatores socioeconômicos, como idade, renda e hábitos de consumo, além de outros fatores de risco associados à infecção, o que permite um melhor mapeamento da doença na região. Os dados de 2023 já foram coletados, e o novo documento já está em confecção.
Além das ações do Lepac e do HUM, a UEM oferta cursos de graduação e programas de pós-graduação nas áreas de Biociências, Biotecnologia, Ciências Farmacêuticas, Enfermagem e Medicina, que promovem a formação de profissionais com alta qualificação para atuarem no combate à tuberculose e outras doenças infecciosas.
Os estudantes e docentes da Universidade, incluindo os colaboradores do Lepac e do HUM, realizam, com frequência, ações de conscientização à população sobre a tuberculose. Já foram promovidas iniciativas em locais como a Feira do Produtor, o Parque do Ingá e a Exposição Feira Agropecuária, Industrial e Comercial de Maringá (Expoingá).
Colaboradores da UEM também participaram de atualizações técnicas para profissionais de saúde em municípios da 15ª Regional de Saúde do Paraná, com o objetivo de orientá-los sobre a prevenção e o correto tratamento da tuberculose.
No âmbito da pesquisa, professores e alunos de pós-graduação desenvolvem diversos projetos com foco em prevenção, diagnóstico e tratamento da doença.
Muitas das ações contam com apoio financeiro de agências de fomento à pesquisa, como a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Fundação Araucária (FA). “São estudos de novas substâncias que apresentem atividade contra a bactéria causadora da tuberculose e que, no futuro, possam ser utilizados como novo medicamento, bem como no desenvolvimento de métodos de diagnóstico mais rápidos e de menor custo”, enfatizou a professora do DAB Katiany Rizzieri Caleffi Ferracioli.
A escolha da data para o Dia Mundial de Combate à Tuberculose é emblemática. Há exatos 142 anos, também em um 24 de março, o médico alemão Robert Koch anunciava a descoberta da bactéria causadora da doença, batizada em sua homenagem.
Mais de um século depois, o bacilo de Koch, de nome científico Mycobacterium tuberculosis, ainda intriga e preocupa médicos e pesquisadores por todo o mundo. De acordo com o Relatório Global sobre Tuberculose, da Organização Mundial da Saúde (OMS), publicado em 2023, quase 10,6 milhões de pessoas tiveram tuberculose no ano de 2022. Dessas, 1,3 milhão morreram devido à doença.
O Brasil, infelizmente, tem participação importante nessas estatísticas. Além de responder por um terço dos casos de tuberculose das Américas, o país faz parte de um grupo de 30 nações que, juntas, somam quase 87% do total de casos da doença no mundo. Em 2022, foram mais de 81 mil novos casos e 5.845 óbitos por tuberculose em território brasileiro.
Localmente, o Paraná tem taxa de incidência da doença menor que a média brasileira – 19,3 casos a cada 100 mil habitantes, contra 37 do país inteiro. Ainda assim, algumas regiões do estado apresentam média similar ou superior à taxa nacional.
O principal sintoma da doença é a tosse persistente com secreção. “Toda pessoa com tosse com secreção há mais de 3 semanas deve ser investigada para a tuberculose”, frisou a doutora Maria Emília Avelar Machado. Outros indícios da infecção são febre baixa, principalmente ao entardecer, suor noturno, perda de peso e fadiga. Em alguns casos, os pacientes também podem apresentar dor no tórax, escarros com sangue e falta de ar.
Conforme a médica, a tuberculose é transmitida por vias respiratórias por meio de pequenas partículas, os aerossóis, que se espalham no ar ou se depositam no ambiente. Tosse, fala e espirros de infectados podem contaminar pessoas próximas, o que faz com a doença seja considerada altamente contagiosa.
Mesmo assim, há formas de vencê-la. Além da vacinação em massa, do diagnóstico precoce e do tratamento adequado, a diminuição dos fatores de risco, como o vírus HIV, também pode ajudar na redução da letalidade da doença. “Ainda hoje, a tuberculose é a principal causa de óbito entre as pessoas com infecção pelo vírus HIV, segundo a OMS. Também é importante fortalecer as campanhas de redução do tabagismo, pois existe uma forte associação entre o tabagismo e a tuberculose”, exemplificou.
O Hospital Universitário Regional de Maringá está localizado na Avenida Mandacaru, 1590, no Parque das Laranjeiras, em Maringá, com funcionamento 24 horas por dia. É possível contatar o HUM pelo telefone (44) 3011-9100.
O Lepac pode ser encontrado no Bloco K-10 do câmpus sede da UEM, com atendimentos de segunda a sexta-feira, entre 7h20 e 11h30 e 13h e 17h. O telefone do laboratório é o (44) 3011-4317.
Legenda da foto de abertura: Farmacêutica Thaila Fernanda Oliveira da Silva, do Lepac/UEM, realiza exame de tuberculose no laboratório.
Crédito das imagens: Regiane Bertin de Lima Scodro/Lepac/UEM.
A Clínica Escola de Fisioterapia e o Centro de Reabilitação Física (CRF) da Universidade Estadual do Oeste (Unioeste) realizam em torno de 400 atendimentos ao mês na área pediátrica, de crianças de 0 a 12 anos, em Cascavel. Os pacientes são encaminhados pela UTI Neo Natal do Hospital Universitário do Oeste do Paraná (HUOP) e pelas Unidades Básicas de Saúde (UBS), via Sistema único de Saúde (SUS).
O atendimento é feito conforme a necessidade das crianças, por meio de uma abordagem multidisciplinar. Entre as ações estão avaliação motora de prematuros, monitoramento da escala motora infantil e do perfil sensorial infantil, orientação aos pais e cuidadores e encaminhamento para especialidades clínicas, conforme necessidade.
A docente e fisioterapeuta Carmen Lucia Rondon Soares explica que a equipe realiza, principalmente, um atendimento de estimulação neuropsicomotor, necessário ao desenvolvimento da criança. No que diz respeito aos bebês prematuros, a profissional ressalta a importância desse trabalho em conjunto com o HUOP para dar todas as condições de desenvolvimento aos novos cascavelenses e pequenos de outras cidades da região.
Os espaços também fornecem meios auxiliares de locomoção (cadeiras de rodas, muletas, andadores, cadeiras motorizadas e próteses baixa e média complexidade) e órteses.
A equipe é formada pelas docentes Carmen Lucia Rondon Soares, Helenara Salvati Moreira, Marilu Mattéi Martins, Maria Goreti Bertold e pelos acadêmicos do curso de Fisioterapia da Unioeste, bem como profissionais da área de fonoaudiologia, enfermagem e ortopedia.
A vendedora Jéssica de Araújo, 26 anos, disse que o atendimento da filha Eloá, que nasceu com apenas 26 semanas de gestação e ficou meses na UTI Neonatal do HUOP, foi essencial para a sua sobrevivência. “Eu venho duas vezes por semana. Se não fosse o atendimento do HUOP e da Fisioterapia, ela não teria sobrevivido”, afirma.
O curso de Fisioterapia existe desde 2001 e a clínica desde 2010. Ela permite aos alunos colocar o ensino em prática e atender a comunidade. O Centro de Reabilitação Física abrange basicamente todas as áreas da Fisioterapia, como ortopedia, neurologia, pediatria, geriatria, cardiologia e pneumologia. A estrutura conta com várias salas de atendimento das diversas áreas divididas em dois andares, salas de aula, laboratórios e uma piscina para o atendimento da hidroterapia.
Moradores de Ponta Grossa poderão ligar para tirar dúvidas sobre sintomas e obter encaminhamento para unidades de saúde da cidade. O atendimento será de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, pelo número (42) 2102-8000.
A Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) iniciou nesta segunda-feira (18) atendimentos em call center para toda a população de Ponta Grossa sobre a dengue. Moradores poderão ligar para tirar dúvidas sobre sintomas e obter encaminhamento para unidades de saúde da cidade. O atendimento será de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, pelo número (42) 2102-8000.
O trabalho acontece em parceria com a Fundação Municipal de Saúde (FMS), com atuação de residentes em Saúde Coletiva, que serão coordenados pelos professores do Departamento de Saúde Pública da UEPG.
“Na última semana, recebemos o contato da FMS, com o pedido para reativarmos nosso serviço de telemedicina nos moldes que houve no enfrentamento à Covid-19, com residentes da Prefeitura. Atendemos ao pedido prontamente e investimos em uma linha telefônica para atender à demanda que já está em pleno funcionamento”, destaca o vice-reitor da UEPG, Ivo Mottin Demiate.
Os atendimentos ocorrem com profissional de enfermagem, que atua juntamente com os residentes, com apoio da infraestrutura da instituição. “Esta ação é extremamente importante no momento atual do município o do estado como um todo. Vivemos um momento agudo de dengue, então é essencial que a universidade esteja à disposição para tentar ajudar na solução desses problemas”, complementou.
O chefe do Departamento, Erildo Vicente Müller, destaca que o call center é uma estratégia importante para passar informações à população. O planejamento é que a iniciativa seja mantida de forma permanente a partir de agora, para atender demais demandas de saúde, como a Influenza. “Passamos o encaminhamento o mais rápido possível para os locais onde eles possam ser atendidos em caso suspeito de dengue”, afirmou.
Ponta Grossa registrou no atual período epidemiológico 160 casos. Outros 357 foram descartados.
O evento será nos dias 3 e 4 de abril, em Curitiba, com a participação de estudantes, professores, pesquisadores, segmento produtivo empresarial e terceiro setor. O relatório da conferência será utilizado como base preparatória para a conferência regional Sul, prevista para acontecer nos dias 25 e 26 de abril, também em Curitiba.
Engajar a sociedade na definição de prioridades para a ciência, tecnologia e inovação. Esse é o objetivo da 5ª Conferência Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação do Paraná, mobilizada pelo Governo do Estado para impulsionar o desenvolvimento socioeconômico sustentável com base no conhecimento. O evento será nos dias 3 e 4 de abril, em Curitiba, com a participação de estudantes, professores, pesquisadores, segmento produtivo empresarial e terceiro setor. As inscrições são gratuitas e estão disponíveis AQUI.
A Secretaria estadual da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) está articulando uma programação colaborativa com várias instituições públicas e privadas das áreas de educação e pesquisa, além de ambientes promotores de inovação e organizações da sociedade civil. Com o tema Justiça, Sustentabilidade e Desenvolvimento, o intuito é promover a participação cidadã, a fim de subsidiar a formulação de políticas públicas para o fortalecimento e a ampliação do fomento científico, tecnológico e dos ecossistemas de inovação paranaenses.
A ação conta com a parceria da Secretaria da Inovação, Modernização e Transformação Digital (SEI), da Fundação Araucária de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico e da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). No âmbito nacional, o evento tem o apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
A expectativa é reunir 400 participantes de todas as regiões do território paranaense, em torno de sete eixos temáticos: financiamento e a gestão da pesquisa e inovação; formação de recursos humanos qualificados; reindustrialização e incentivo para inovação nas empresas; programas e projetos estratégicos; defesa, valorização e difusão científica e tecnológica; desenvolvimento social e inclusão; e juventude.
Para conduzir as deliberações, foram indicadas 150 lideranças da comunidade científica, que durante os dois dias de programação, juntamente com os demais participantes, irão enriquecer os debates com foco nos avanços e desafios da área da ciência, tecnologia e inovação do Paraná. Os grupos de trabalho reúnem, ainda, mais de 20 relatores e moderadores, que irão atuar na articulação das sugestões de propostas.
O secretário estadual da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Aldo Bona, destaca a importância da conferência para a democratização científica. “As conferências representam uma ação multissetorial e um espaço de diálogo aberto e plural para que as políticas públicas nessa área estejam alinhadas com as demandas e prioridades da sociedade, respondendo aos desafios e oportunidades do estado, da região e do país, de forma eficiente e eficaz na promoção do desenvolvimento científico, tecnológico e inovador”, afirma.
No primeiro dia do evento, além dos grupos de trabalho, está previsto um painel com representantes do governo sobre a área de ciência, tecnologia e inovação do Paraná. No segundo dia, o destaque será uma palestra sobre oportunidades de cooperação internacional, ministrada pelo jurista Dhallys Mota Nunes, que atua como oficial de políticas de ciência, tecnologia e inovação da União Europeia para o Brasil.
PROPOSTAS – O relatório da conferência estadual será utilizado como base preparatória para a conferência regional Sul, prevista para acontecer nos dias 25 e 26 de abril, também em Curitiba, com participantes e propostas do Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
Em todo o Brasil, os eventos estaduais e regionais precedem a 5ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, que será realizada pelo MCTI, no período de 4 a 6 de junho, em Brasília (DF). Os documentos compilados nos eventos regionais devem contribuir para a elaboração da Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (ENCTI) 2024-2030.
PARCERIA – Além da UTFPR, anfitriã da conferência estadual deste ano, o evento envolve um grande conjunto de instituições de ensino superior: Universidade Federal do Paraná (UFPR); Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila); Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS); Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Paraná (IFPR); Universidade Estadual de Londrina (UEL); Universidade Estadual de Maringá (UEM); Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG); Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste); Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro); Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP); Universidade Estadual do Paraná (Unespar); e Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR).
Serviço:
5ª Conferência Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação do Paraná
Data: 3 e 4 de abril
Local: Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) – Curitiba (PR)
Inscrições AQUI
A Fundação Araucária conquistou o primeiro lugar no Prêmio CONFAP de Boas Práticas em Fomento à CT&I, na categoria Desenvolvimento de Ecossistema de CT&I com o Programa Escola Doutoral da Cátedra Araucária: Desenvolvimento Territorial Sustentável – Eixo Capricórnio. A cerimônia de premiação aconteceu na noite desta quarta-feira (13), no SESI Lab em Brasília. Também conquistou o primeiro lugar no Prêmio CONFAP de Ciência, Tecnologia & Inovação – Johanna Döbereiner, na categoria Pesquisador(a) Inovador(a) – Inovação Para o Setor Empresarial, o pesquisador da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Gerson Nakazato.
Esta foi a 3ª edição a premiação criada pelo Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (CONFAP). A solenidade aconteceu na abertura do 63º Fórum Nacional CONSECTI & CONFAP. O Prêmio CONFAP de Boas Práticas em Fomento à CT&I foi outorgado a seis iniciativas das Fundações de Amparo à Pesquisa (FAPs) nas categorias Desenvolvimento do Ecossistema de CT&I e Gestão e Desenvolvimento Organizacional, e a novidade foi a outorga do Prêmio a um gestor inovador e um técnico inovador com atuação em agências de fomento à CT&I no Brasil.
A iniciativa da Fundação Araucária Escola Doutoral constitui-se de um dispositivo ativo para a criação de redes de internacionalização. Ela é uma das ações efetivas da Cátedra Araucária, criada em março de 2022 com o objetivo de estimular e integrar a investigação científica conjunta e internacional tendo, como tema principal, a fronteira do conhecimento do Desenvolvimento Territorial Sustentável (DTS). A partir desse tema prioritário considera, também, a referência geopolítica do Eixo de Capricórnio, compreendendo os países da América do Sul, África, Austrália e Polinésia e seus contextos desafiadores emergenciais, como: mudanças climáticas, novas organizações sócio técnicas, pós-pandemia e novos contextos geopolíticos, além da transformação digital.
O presidente da Fundação Araucária Ramiro Wahrhaftig ressaltou a importância do apoio do Governo do Paraná para o desenvolvimento das ações realizadas pela Instituição e para o avanço da ciência, tecnologia e inovação (CT&I) do estado.
“Nos últimos anos o governador Ratinho Junior nos ofereceu muitas condições para evoluirmos em relação ao desenvolvimento científico e tecnológico do estado do Paraná. As condições institucionais e financeiras foram dadas, a nossa parceria com a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior é de muita sinergia e estes são os resultados”, afirma o presidente da FA.
Ele lembrou que nas três edições do Prêmio CONFAP a Fundação Araucária já recebeu quatro prêmios. “Tivemos a iniciativa das Rotas Estratégicas de CT&I – 2040, também a plataforma digital iAraucária que possibilita avançarmos com os Novos Arranjos de Pesquisa e Inovação (NAPIs), iniciativa que também foi premiada. E agora, esta iniciativa da Escola Doutoral que nos possibilita uma sinergia muito grande com os nossos vizinhos e com as outras nações do Eixo de Capricórnio no mundo. Realmente estamos em um bom caminho e o Paraná, também graças ao desenvolvimento da CT&I vai se desenvolver muito, cada vez mais, nos próximos anos”, destacou o presidente da Fundação Araucária Ramiro Wahrhaftig,
O Prêmio CONFAP de Ciência, Tecnologia e Inovação – Johanna Döbereiner foi outorgado a 15 pesquisadores e 3 profissionais de comunicação em seis categorias: Pesquisador(a) Destaque, nas subcategorias Ciências da Vida, Ciências Exatas e Ciências Humanas; Pesquisador(a) Inovador(a), nas subcategorias Inovação para o Setor Empresarial e Inovação para o Setor Público e Profissional de Comunicação.
“A conquista do primeiro lugar no Prêmio CONFAP como pesquisador inovador no setor empresarial representa para mim e para a UEL o reconhecimento dos nossos trabalhos e o fortalecimento da inovação no Paraná e em todo o País. É de grande relevância a interação que ocorre entre a academia e a iniciativa privada e isso demonstrado em todos os projetos que envolvem a pesquisa aplicada como também junto com a ciência básica”, afirmou o pesquisador Gerson Nakazato.
Agraciados
Em sua 3ª edição, a premiação nacional do CONFAP foi concedida a Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (FAPs), e a Gestores(as) e Técnicos(as) inovadores de agências de fomento à CT&I, que desenvolveram ações e procedimentos criativos, diferenciados, inovadores, eficientes e eficazes no fomento ao desenvolvimento e execução da Política Nacional de CT&I e, que por consequência, tenham potencializado a interação entre academia, setor produtivo, governo e sociedade.
Confira as iniciativas das FAPs e o gestor inovador e técnico inovador agraciados na 3ª edição do Prêmio CONFAP de Boas Práticas em Fomento à CT&I
• Categoria Desenvolvimento do Ecossistema de CT&I:
– 1º lugar: “Escola Doutoral da Cátedra Araucária: Desenvolvimento Territorial Sustentável – Eixo Capricórnio”, da Fundação Araucária de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Estado do Paraná.
– 2º lugar: “CICLO ILP-FAPESP, parceria de sucesso com o Legislativo e a Comunidade Científica”, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP)
– 3º lugar: “Observatório da Inovação”, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (FAPERGS)
• Categoria Gestão e Desenvolvimento Organizacional:
– 1º lugar: “Comissão Interna de Diversidade FAPES”, da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (FAPES)
– 2º lugar: “PATRONAGE – Sistema de Gerenciamento de Bolsas e Auxílios da FAPEMA”, da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (FAPEMA)
– 3º lugar: “Pagamento automatizado das bolsas dos programas de incentivo à formação da FAPEMIG”, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG)
• Categoria Gestor(a) Inovador(a) e Técnico(a) Inovador(a):
– Gestor(a) Inovador(a): Paulo Sérgio Lacerda Beirão
– Técnico(a) Inovador(a): Marcelo Nicolas Camargo
Em sua 3ª edição, a premiação nacional promovida pelo CONFAP teve patrocínio da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP/ MCTI) e apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
A premiação foi concedida a pesquisadores(as) que se destacaram em pesquisas científicas, tecnológicas e de inovação, cujos resultados tenham contribuído para a produção de conhecimento e beneficiado direta ou indiretamente o desenvolvimento e o bem-estar das populações brasileiras. O prêmio também reconheceu a atuação de profissionais de comunicação que, por meio do jornalismo científico, contribuíram para aproximar a ciência, a tecnologia e a inovação da sociedade.
Os agraciados receberam no palco do SESI Lab certificado de premiação e troféu, além disso, os classificados em cada categoria/ subcategoria no primeiro lugar receberão R$ 10.000,00, em segundo lugar R$ 6.000,00 e em terceiro lugar R$ 3.000,00. Nesta terceira edição, a premiação financeira total foi de R$114.000,00.
Homenagem
Em cada edição, o Prêmio CONFAP de Ciência, Tecnologia & Inovação recebe o nome em homenagem a um pesquisador ou pesquisadora com relevantes contribuições à CT&I nacional. Nesta terceira edição, o prêmio recebeu o nome da professora e pesquisadora Johanna Döbereiner, em memória (1924 – 2000).
O agrônomo e pesquisador da Embrapa, Avílio Antônio Franco, que foi orientado pela professora Johanna Döbereiner subiu ao palco do SESI Lab para proferir uma palestra em homenagem a história da pesquisadora.
Em 2024, é celebrado o centenário de nascimento de Johanna Döbereiner, que teve grande importância para o cenário científico nacional e para a agricultura brasileira.
Confira os(as) agraciados(as) da 3ª edição do Prêmio CONFAP de Ciência, Tecnologia e Inovação – Johanna Döbereiner
• Categoria Pesquisador(a) Destaque – Ciências da Vida:
– 1º lugar: Maria Fernanda Lima e Costa (FIOCRUZ MINAS) – Indicada pela FAPEMIG.
– 2º lugar: José Roberto Postali Parra (ESALQ/USP) – Indicado pela FAPESP.
– 3º lugar: Diogo Onofre Gomes de Souza (UFRGS) – Indicado pela FAPERGS.
• Categoria Pesquisador(a) Destaque – Ciências Exatas:
– 1º lugar: Cid Bartolomeu de Araújo (UFPE) – Indicado pela FACEPE.
– 2º lugar: Regina de Fátima Peralta Muniz Moreira (UFSC) – Indicada pela FAPESC.
– 3º lugar: José Alexander Araújo (UNB) – Indicado pela FAPDF.
• Categoria Pesquisador(a) Destaque – Ciências Humanas:
– 1º lugar: Lilia Katri Moritz Schwarcz (FFLCH/USP) – Indicada pela FAPESP.
– 2º lugar: Carlos Roberto Jamil Cury (UFMG e PUC MINAS) – Indicado pela FAPEMIG.
– 3º lugar: Ivoni Richter Reimer (PUC GOIÁS) – Indicada pela FAPEG.
• Categoria Pesquisador(a) Inovador(a) – Inovação Para o Setor Empresarial:
– 1º lugar: Gerson Nakazato (UEL) – Indicado pela Fundação Araucária.
– 2º lugar: Gabriela Rodrigues Mendes Duarte (UFG) – Indicada pela FAPEG.
– 3º lugar: Wesley Nunes Gonçalves (UFMS) – Indicado pela FUNDECT.
• Categoria Pesquisador(a) Inovador(a) – Inovação Para o Setor Público:
– 1º lugar: Maria Lígia Rodrigues Macedo (UFMS) – Indicada pela FUNDECT.
– 2º lugar: Vanderlei Salvador Bagnato (IFSC/USP) – Indicado pela FAPESP.
– 3º lugar: Ângelo de Fátima (UFMG) – Indicado pela FAPEMIG.
• Categoria Profissional de Comunicação:
– 1º lugar: Fabiana Moraes da Silva (UFPE) – Indicada pela FACEPE.
– 2º lugar: Luiz Felipe Fernandes Neves (UFG) – Indicado pela FAPEG.
– 3º lugar: Catarina de Oliveira Buriti (Instituto Letras Ambientais) – Indicada pela FAPESQ.
A cerimônia de entrega do Prêmio CONFAP foi transmitida pelo canal do CONFAP no YouTube.
Fonte: Assessorias de Comunicação da Fundação Araucária e CONFAP
O governador Carlos Massa Ratinho Junior anunciou nesta segunda-feira (11) um pacote de investimentos de R$ 212,1 milhões para a área da ciência e tecnologia, que abrange desde obras de infraestrutura até bolsas de estudos. Os recursos serão concedidos para sete programas, sendo o maior deles, no valor de R$ 150 milhões, para melhoria da infraestrutura das sete universidades estaduais do Paraná. Outros R$ 56,1 milhões serão destinada para o custeio de bolsas da Fundação Araucária de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Paraná.
“É um dia de comemoração para o ensino superior paranaense, em que nossas universidades públicas têm se colocado como as melhores do Brasil. O Paraná é o estado que mais investe proporcionalmente na universidade pública e isso é fruto da parceria do governo com as nossas universidades, com os professores, servidores e também os estudantes, que acreditam nas nossas instituições”, ressaltou o governador.
Ele destacou que pelo segundo ano consecutivo o Estado terá orçamento recorde para financiamento de projetos e programas estratégicos na área. Serão destinados em 2024 via Lei Orçamentária Anual (LOA) R$ 708,9 milhões para as universidades estaduais. A dotação orçamentária é operacionalizada pelo Fundo Paraná, administrado pela Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), responsável pela gestão, distribuição e repasse dos recursos.
INFRAESTRUTURA – A iniciativa de R$ 150 milhões contempla construção, ampliação e reforma de prédios acadêmicos, laboratórios, bibliotecas e outras instalações universitárias, incluindo a conclusão de obras paralisadas.
O objetivo é modernizar os espaços acadêmicos com foco na qualidade das atividades de ensino, pesquisa e extensão. O orçamento também prevê adequação no sistema de combate a incêndio, segurança, aquisição de equipamentos e mobiliários e implantação de sistemas de tecnologia da informação e comunicação. As propostas devem ser apresentadas pelas instituições de ensino superior no decorrer do primeiro semestre de 2024.
“Essa é uma encomenda do governo cuja distribuição dos recursos já está previamente estabelecida por critérios técnicos. Escolhemos um conjunto de indicadores para construirmos esse edital”, explicou o secretário de estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Aldo Bona.
O secretário afirma que o recurso permitirá que os prédios das sete universidades estaduais tenham acessibilidade. “Nossas universidades mais antigas são da década de 1970, então todas têm suas demandas de infraestrutura, tanto de adequação, quanto de reformas e também de construção de novos espaços. Por isso o governador autorizou a fazer esse grande programa de infraestrutura nas universidades”, complementou.
O aporte financeiro é do Fundo Paraná. A iniciativa está relacionada com as metas previstas no Plano Plurianual do Paraná (PPA) para o período de 2024 a 2027, no âmbito do programa Paraná Mais Ciência.
O reitor da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), Alexandre Weber, afirmou que os recursos permitem uma gestão mais eficiente. “Com esse edital, as universidades vão ter oportunidade de resolver grandes desafios relacionados à acessibilidade, prevenção de incêndios e mais que isso, o volume de recursos é suficiente para a realização da reforma de estruturas de salas de aula e laboratórios”, disse o reitor.
De acordo com as condições de financiamento previstas no edital, o Estado vai aplicar o mínimo de 10% dos recursos em reformas e manutenção e o máximo de até 80% em obras de construção civil, sendo obrigatório o investimento em conclusão de obras paralisadas. A ação também prevê o mínimo de 10% do montante para atendimento às normas de combate a incêndio e o máximo de até 10% para aquisições de equipamentos e mobiliários.
A seleção dos projetos e obras nas universidades estaduais será baseada em diferentes critérios, como relevância para desenvolvimento científico e tecnológico; melhoria da qualidade do ensino, pesquisa e extensão; sustentabilidade ambiental e eficiência energética; e viabilidade técnica e financeira das instituições.
SERVIÇOS TECNOLÓGICOS – Outros R$ 6 milhões serão aplicados na Rede de Laboratórios Multiusuários das Universidades Estaduais (RIMPP) das universidades estaduais e do Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar). O intuito é financiar equipamentos e insumos, a fim de ampliar a prestação de serviços tecnológicos e facilitar as atividades de pesquisa, especialmente nos 324 cursos de mestrado e doutorado dos programas de pós-graduação stricto-sensu das sete universidades ligadas ao Governo do Estado. As propostas podem ser enviadas até 12 de abril.
“O Paraná tem força no campo da tecnologia, temos laboratórios com equipamentos de ponta, assim como os maiores centros de pesquisa do mundo. Então, esse arranjo de organizar em laboratórios multiusuários, com acesso da sociedade, de empresas e institutos de pesquisa, é um grande avanço, porque a sociedade ganha, a pesquisa ganha, a tecnologia ganha, o povo do Paraná ganha”, apontou o reitor da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Leandro Vanali.
BOLSAS – Outra parte dos recursos, no valor de R$ 56,1 milhões, será destinada para o custeio de bolsas concedidas pela Fundação Araucária. São R$ 15,7 milhões para iniciação científica e iniciação em desenvolvimento tecnológico e inovação; R$ 13,4 milhões para pesquisa e extensão universitária; e R$ 16 milhões para pesquisa aplicada. O recurso é para todo o sistema de ciência e tecnologia, que envolve as instituições estaduais, federais e as instituições privadas.
Além desses programas de bolsas já consolidados, o governador Ratinho anunciou R$ 11 milhões para uma nova ação de internacionalização, denominada Ganhando o Mundo da Ciência. O programa vai custear a mobilidade de universitários das instituições estaduais de ensino superior, que estão ou estiveram em estágio de iniciação científica para nações da América do Norte, Europa e Ásia. Os estudantes de graduação poderão permanecer por até oito meses no Exterior, de acordo com as condições de acolhimento das universidades parceiras.
Essa iniciativa também prevê estágio de pesquisa pós-doutoral, como forma de contribuir para qualificar o Sistema de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná, em áreas consideradas estratégicas para o Estado. Inicialmente o programa prevê intercâmbio em universidades localizadas nos seguintes países: Alemanha, Canadá, China, Espanha, Estados Unidos, Finlândia, França, Japão e Reino Unido.
Mesmo ligadas a dermatite e alergias, fragrâncias estão em mais de 70% dos quase 400 itens para crianças no mercado brasileiro levantados em estudo de Pediatria da UFPR. Pesquisadoras defendem mudanças na regulamentação, além de conscientização da população e dos profissionais de saúde
Estudos científicos já comprovaram que o cheirinho de bebês recém-nascidos produz grande quantidade do hormônio dopamina, causando o mesmo efeito de recompensa e satisfação que ocorre com a comida, tabaco ou drogas, no caso de pessoas viciadas nas substâncias. Mas se esse aroma é tão bom, por qual razão as empresas de cosméticos e de artigos de higiene insistem em desenvolver produtos com fragrância destinados a esse público?
A resposta está na questão cultural que, principalmente no Brasil, tem relação muito forte com a utilização de perfumes. Mas, ao fomentar essa tradição, os pais podem acabar expondo desnecessariamente os filhos a elementos causadores de efeitos colaterais como alergias e dermatites, entre outras consequências nocivas para a saúde.
Um estudo desenvolvido por pesquisadoras do Departamento de Pediatria da Universidade Federal do Paraná (UFPR) analisou 398 rótulos de cosméticos infantis do mercado brasileiro buscando a presença de perfume ou fragrância entre os ingredientes. A conclusão, publicada em artigo no Jornal de Pediatria, mostra que mais de 70% dos rótulos apresentavam as substâncias, que apareceram em 90% dos xampus e em 79% dos lenços umedecidos.
Além desses produtos, foram analisadas embalagens de sabonetes líquidos, sabonetes em barra, condicionadores, hidratantes, cremes para prevenção de assaduras, protetores solares e repelentes, todos indicados para uso infantil.
O perfume, na maioria das vezes descrito como “parfum”, é uma mistura de substâncias não reveladas pelo fabricante — pois esta não é uma exigência da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) —, que pode conter ingredientes com potencial para ocasionar danos a quem o utiliza.

A dermatite de contato é uma das doenças que pode ser causada pelo uso dessas substâncias. “Os ingredientes que compõem os perfumes são muito variados, mas muitos deles estão evidentemente associados à dermatite de contato na criança e no adulto e esta é uma doença que tende a ser pior quanto mais precoce for o contato”, revela Marjorie Uber, primeira autora do artigo, à Ciência UFPR.
A professora Vânia Oliveira de Carvalho, que também coordena o curso de especialização em dermatologia pediátrica da UFPR, explica que as crianças têm uma pele mais fina e com uma barreira cutânea menos efetiva, o que facilita a penetração de substâncias que causam sensibilização.
“Por este motivo, crianças devem ter menos contato com substâncias com potencial sensibilizante”.
Estatísticas mostram que os casos de dermatite de contato alérgica, antigamente raros em crianças, aumentaram em número de diagnósticos nas últimas décadas e que a sensibilização está ocorrendo principalmente ao longo dos três primeiros anos de vida.
Por isso, a recomendação das especialistas é evitar cosméticos com fragrância sintética como uma atitude que deve perdurar por toda a vida, não apenas na infância.
“Não existe uma idade em que eles se tornem mais seguros, sobretudo pelo fato de o seu uso ser frequente, por anos, e os efeitos nocivos podem ocorrer após anos de absorção cutânea destes ingredientes”, afirma Marjorie.
Dessa forma, os responsáveis por crianças devem usar o bom senso para escolher os produtos de higiene, seguindo a recomendação de não deixar de lado produtos importantes à saúde, como repelentes (que podem ser usados a partir dos três meses de vida) e protetores solares (a partir dos seis meses).
“A questão é que assim: dentre um pool de lenços umedecidos, por exemplo, há produtos sem fragrância com mesmo valor de outros com. Mas as pessoas simplesmente não se atentam a isso”, avalia Marjorie.
Outra importante orientação é ler os rótulos dos produtos antes de adquiri-los e evitar artigos que apresentem “parfum” na descrição, pois não é possível saber quais substâncias de fato estão na fórmula.
“Alguns ingredientes de fragrância, como ‘Linalool’ e ‘Limonene’, são adicionados às formulações para conferir cheiro agradável. Isso pode enganar o consumidor, pois são ingredientes específicos e, nestes casos, eles estarão descritos deste modo e não como ‘parfum’”, acrescenta a pesquisadora.
Cosméticos descritos como sendo de origem natural ou contendo óleos essenciais também devem ser analisados criticamente. “Podem apresentar os mesmos riscos para a saúde do que produtos sintéticos”, aconselha Kerstin Taniguchi Abagge, também professora de Pediatria na UFPR.
Ela ressalta que buscar informações de fontes confiáveis é a principal forma de se resguardar.
“Sites como o da Sociedade Brasileira de Pediatria trazem vários documentos científicos para os profissionais da saúde e para os pais. Mas, obviamente, as indústrias estão atentas a isso, mudando a formulação dos seus produtos, utilizando menos corantes, surfactantes menos agressivos, menos perfumes e menor quantidade de substâncias irritantes”.
As pesquisadoras reivindicam a obrigatoriedade da descrição de todos os ingredientes e concentrações que compõem o termo “parfum”, além de uma regulamentação mais rígida, exigindo estudos que provem a ausência de risco carcinogênico ou efeito hormonal antes da liberação de um ingrediente cosmético para uso infantil.
Avaliam que as regulamentações sobre cosméticos infantis costumam diferir das regulamentações para adultos e, apesar de serem baseadas em conhecimentos científicos atuais, esses estudos ainda são limitados no que diz respeito aos efeitos dos ingredientes cosméticos.
“São necessários estudos que demonstrem, de forma categórica, quais são os efeitos efetivos dessas substâncias na saúde do ser humano, especificamente das crianças. Respostas a perguntas que envolvam quais concentrações, qual o tempo de exposição preciso para que esses efeitos aconteçam, se a exposição a longo prazo é prejudicial e quais seriam os efeitos cumulativos são importantes para a regulamentação desses produtos”, avalia Kerstin, que também enxerga como primordial a conscientização da população em relação ao uso indiscriminado de produtos de higiene e cosméticos nessa faixa etária.
Lideradas por mulheres, pesquisas acadêmicas vêm assumindo um papel crucial na ampliação da representatividade e na divulgação das contribuições femininas em diversas áreas
A produção científica resultante de pesquisas sobre a condição feminina e as desigualdades de gênero é crescente no Brasil, apesar das muitas dificuldades que as mulheres ainda enfrentam no ambiente acadêmico, aponta Cleusa Gomes, docente da UNILA e coordenadora do Observatório de Diversidade na América Latina – Caribe e do Monitoramento da Violência de Gênero na Tríplice Fronteira (Brasil, Paraguai e Argentina).
Segundo ela, estudo realizado por Natascha Hoppen (UFRGS), em seu doutorado, mostra que, nas décadas de 1960 e 1970, o número de artigos publicados sobre mulheres e gênero era de 10 por ano, mas em 2018 esse número chegou a 3.864 artigos. Natascha analisou 31.609 artigos de autores brasileiros publicados entre 1959 e 2019. “Mostra uma trajetória maravilhosa, vigorosa”, comenta Cleusa.
Esse trabalho mostrou, aponta a docente, que o tema ganhou fôlego na década de 1990, com artigos na área de ciências da saúde. A partir daí, também nas ciências humanas e sociais. O estudo também aponta como causa desse interesse crescente o surgimento de dois periódicos acadêmicos, a Revista Estudos Feministas, vinculada ao Instituto de Estudos de Gênero da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), e os Cadernos Pagu, periódico ligado ao Núcleo de Estudos de Gênero da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Cleusa, que também é pós-doutoranda em História das Mulheres e Gênero na América Latina (USP), destaca que a produção sobre esses temas não pode ser dissociada dos dados que mostram a também crescente participação das mulheres na ciência. Segundo ela, hoje as mulheres são cerca de 54% dos estudantes de doutorado no Brasil. “Um aumento impressionante de 10% nas últimas duas décadas. Isso representa muito, dados todos os limites para a entrada das mulheres no ambiente acadêmico e científico.” Esse número, comenta, é semelhante ao de países como os Estados Unidos, onde, em 2017, as mulheres conseguiram 53% dos diplomas de doutorado.
Os campos em que as mulheres pesquisadoras mantêm vantagem sobre os homens, no entanto, nem sempre se revertem em maior visibilidade ou reconhecimento. Outro dado apresentado pela docente mostra que as cientistas são responsáveis por quase 70% dos artigos publicados no Brasil. “Este é um dos maiores índices do mundo e, apesar disso, as mulheres são menos citadas, mesmo quando se trata de outras temáticas que não a de gênero.” Os homens, completa, também são “mais bem representados entre os autores com uma longa história de publicação”, enquanto as mulheres são “altamente representadas entre os autores com uma curta história de publicação”.
As pesquisadoras ficam em desvantagem, ainda, quando se trata da bolsa de produtividade, lembra Cleusa. “As pesquisadoras têm maior número de publicações e, ainda assim, apenas 24% das mulheres recebem bolsa de produtividade. Nós temos grandes desafios para incluir de forma plena e igualitária as mulheres dentro dos ambientes específicos, dentro da academia, dentro da produção científica, dentro da produtividade.” Os fatores que levam a isso, diz Cleusa, são “os mesmos que levam à questão dos baixos salários das mulheres nas empresas: misoginia e patriarcado”.
A perspectiva e a potencialização da equidade de gênero, a criação de políticas públicas para ampliação do espaço das mulheres na pesquisa, o fortalecimento da representatividade feminina nos espaços científicos e a criação de mecanismos de inclusão da pauta de gênero nas instâncias das universidades são algumas das ações apontadas por Cleusa capazes de reverter a invisibilidade a que as cientistas ainda estão submetidas.
Na UNILA, uma instituição ainda jovem, essa visibilidade das pesquisadoras também é uma preocupação. A pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação, Laura Fortes, diz que é importante haver o reconhecimento institucional e a adoção de políticas de inclusão. “A UNILA tem feito um esforço para fazer o levantamento de dados institucionais que possam embasar a proposição de políticas voltadas para o fortalecimento das mulheres no campo das ciências”, diz. Ela também cita como ações dessa natureza os editais de fomento à pesquisa que priorizam a atuação feminina.
Apesar dos obstáculos e dificuldades ainda encontrados, muitas estudantes e docentes se empenham em fazer da pesquisa uma ferramenta para questionar e discutir o papel da mulher. E em uma sociedade onde as vozes femininas são frequentemente silenciadas ou subestimadas, a pesquisa acadêmica assume um papel crucial na ampliação da representatividade e na divulgação das contribuições das mulheres em diversas áreas.
Identificar as desigualdades de gênero na ocupação de cargos eletivos é o objetivo do TCC que está sendo desenvolvido pela estudante de Ciência Política e Sociologia Olinda Lewitzki Drutchiaki. A motivação para estudar esse tema veio da sua própria experiência de vida. “Eu nasci e cresci no campo e sempre observei a falta de participação política das mulheres e também essa ausência de reconhecimento e de oportunidades no contexto rural”, conta a aluna de 22 anos que vem da comunidade rural de Góes Artigas, distrito de Inácio Martins (PR).
O recorte da pesquisa de Olinda é identificar as dificuldades de mulheres camponesas, agricultoras, assentadas, indígenas e outras que vivem no meio rural para a ocupação de cargos políticos. Segundo a estudante, essa ausência de representatividade impacta diretamente na falta de políticas voltadas para a mulher do campo. “Eu tenho um sentimento de que a política institucional não é pensada para a mulher do campo. Então, eu acredito que é necessário políticas que representem e que consigam ser mais inclusivas. Faltam políticas que pensem, por exemplo, a alta taxa de mulheres do campo que não terminam o ensino médio e acabam se casando e engravidando muito jovens. Outro exemplo é a falta de emprego para mulheres, porque majoritariamente todos os empregos na área rural são para homens”, explicou.
Olinda acredita que a Universidade tem um papel importante ao promover projetos e ações relacionadas a questões de gênero. Mas também tem uma preocupação em fazer com que essas discussões não se limitem à academia e ultrapassem os muros da instituição para chegar às comunidades. Sua maior inspiração para refletir sobre isso é o trabalho de outra mulher: a egressa de Antropologia da UNILA Thaísa Lewitski, sua tia e fundadora da Casa da Cultura de Góes Artigas.
“A partir das vivências que a Thaísa teve na Universidade, ela tentou mobilizar as mulheres da comunidade, criando um coletivo que busca ser um espaço ativo de diálogo, um espaço político e também um espaço de lazer para as mulheres, especialmente para mulheres do campo que não têm esse acesso. É isso que me motiva: perceber o quanto essa iniciativa transformou a minha vida e a de outras mulheres”, completa.
Juliana Helena Corrêa teve muitas oportunidades para estudar. Ela tem graduação em Pedagogia e em Publicidade e Propaganda, especialização em Políticas Públicas, está cursando sua terceira graduação, em Direito, e é aluna regular de mestrado no Programa de Pós-Graduação em Integração Contemporânea da América Latina (PPGICAL). Porém, durante o trabalho como assistente em administração na Pró-Reitoria de Graduação (PROGRAD) da UNILA, Juliana se deparou com uma outra realidade: a de mulheres que desistiam da Universidade por conta da violência. O incômodo virou objeto de pesquisa no mestrado.
“O ambiente da universidade somado às características peculiares da UNILA me fizeram refletir sobre os impactos da violência contra as mulheres nesse espaço. É notório, sabido por todos, que vivemos uma epidemia de violência contra nós, mulheres. Porém, os números também demonstram a crescente onda violenta enfrentada pelas mulheres nos espaços públicos, ou seja, nos ambientes profissionais, políticos, religiosos, nas instituições de ensino e nas ruas. Ser mulher não é seguro ou confortável para nenhuma de nós e, tal fato apresenta-se de forma diferente para cada mulher. As mulheres pretas, pardas, indígenas, casadas ou divorciadas, com ou sem filhos, pobres, trans sofrem com o aumento da violência”, relatou Juliana, que é servidora na UNILA há 10 anos e atualmente trabalha no Departamento de Normas e Desenvolvimento Curricular da PROGRAD.
A pesquisa ainda tem um longo caminho para ser desenvolvida, mas ela já conseguiu perceber alguns padrões nos casos de mulheres vítimas de violência, como a dificuldade de serem ouvidas. Segundo a mestranda do ICAL, a primeira reação dos ouvintes – sejam eles amigos, profissionais de saúde ou agentes de segurança – é a de questionar sobre a real ocorrência das agressões. “Esse comportamento social provoca na vítima a chamada violência secundária, que é quase invisível, porém seus danos atingem significativamente o emocional da mulher por ter que repetir os fatos da violência para ser ouvida. Esse padrão é repetido na sociedade e também na UNILA. No entanto, a pesquisa também tem mostrado a resiliência das mulheres e a importância de uma rede de apoio para evitar a evasão”, pontuou. Na fase atual, Juliana está analisando os relatórios do Comitê Executivo pela Equidade de Gênero e Diversidade (CEEGED) da UNILA.
A iguaçuense Daiane Soares de Lima defendeu, na última segunda-feira (4), sua dissertação no Mestrado em Integração Contemporânea da América Latina (ICAL). Graduada em História – América Latina, também pela UNILA, Daiane pesquisou um tema que ainda é cheio de estigmas na academia e fora dela: a não maternidade. O enfoque de sua pesquisa foi a vivência da não maternidade no filme “Frida” e no México. A escolha desse filme se deu pela identificação da estudante com a vida da artista, especialmente em relação às questões de saúde reprodutiva.
Frida Kahlo sofreu um acidente, aos 18 anos, que a deixou com várias sequelas de saúde, inclusive a impossibilidade de ter filhos. Já Daiane, aos 11 anos, foi diagnosticada com Síndrome de Turner, uma doença genética que causa infertilidade. “O maior problema não foi a frustração de não poder ser mãe biológica, o que deixou claro para mim que, na verdade, não desejava ter filhos, tendo apenas cogitado a hipótese por ser algo que foi colocado para mim como parte do ‘destino’ de toda mulher. Esse episódio de minha vida, além de mostrar que a maternidade é uma construção ideológica social, evidenciou a falta de preparo da sociedade para lidar com a situação. Às vezes, na tentativa de ‘consolar’, as pessoas colocam a experiência da maternidade como algo essencial na vida de toda mulher. E em outras ocasiões, o tema é transformado em um grande tabu, deixando o silêncio como uma marca indelével, sem dar à mulher a oportunidade de explorar suas próprias emoções e pensamentos sobre o assunto”, lembra Daiane, que acredita que a falta de compreensão e acolhimento se deve, em parte, à estrutura patriarcal e aos vestígios do processo de colonização presentes na sociedade.
Em sua análise, Daiane destaca a dificuldade de abordar a temática da não maternidade inclusive no ambiente universitário e entre movimentos feministas. “O fato é que os feminismos se rebelam contra a imposição, mas não se aprofundam no debate do que implica ser mãe. Ocorre, então, uma relação mal resolvida entre os feminismos e a maternidade, maternagem e não maternidade”, disse.
Para o futuro, a historiadora tem esperança de que as mulheres que optem por não ter filhos sejam compreendidas e respeitadas. Ela acredita que o caminho para a aceitação passa pelo debate aberto, pela ocupação de espaços e pelo resgate das experiências das mulheres que tentam desconstruir a ideia da maternidade compulsória. E é por isso que ela pretende continuar abordando esse assunto no doutorado. Desta vez, analisando como o cinema retrata La Llorona, um fantasma do folclore latino-americano originário da época pré-hispânica que, segundo a tradição oral, é a alma penada de uma mulher que chora e lamenta a perda dos filhos.
“Estou muito feliz por vincular as coisas que amo como história, cinema, feminismo e a Frida com a temática da não maternidade, que faz parte da minha vivência e, de alguma forma, de todas as mulheres. Escrever também é uma forma de lutar pela autonomia do nosso corpo-território e mostrar as opressões do sistema patriarcal, que mesmo que tente não vai conseguir nos silenciar”, destacou.
Sob coordenação da professora Carla Rabelo Rodrigues, o projeto de pesquisa “Mulheres no Cinema do Peru” busca preencher lacunas históricas, mapeando e dando visibilidade às mulheres cineastas peruanas que foram negligenciadas pela narrativa oficial. De acordo com a docente, a principal motivação para iniciar a pesquisa foi verificar, nos livros de história do cinema peruano, que as mulheres eram pouco citadas. “As histórias das cineastas peruanas precisam ser contadas e seus filmes estudados. Para isso, tenho feito entrevistas com mulheres atuantes no cinema do Peru. Em dezembro e janeiro, estive em Lima e pude conversar com algumas delas pessoalmente”, contou. Essa lacuna, argumenta a pesquisadora, não apenas obscurece as contribuições significativas das mulheres para a indústria cinematográfica, mas também perpetua uma narrativa dominada pelo ponto de vista masculino.
Entre as cineastas peruanas que precisam ser mais conhecidas, Carla destaca Nora de Izcue. “Ela é a mais antiga cineasta viva e com produção contínua de direção de filmes, entre outras funções que exerceu no cinema. Alguns de seus filmes possuem personagens femininas bem potentes”, disse. A professora do curso de Cinema e Audiovisual da UNILA recomenda especialmente o filme Color de Mujer, disponível no canal da diretora no YouTube.
Neste 8 de março, Dia Internacional da Mulher, Carla Rabelo organiza o encontro “8M na UNILA: debate sobre Cinema e Mulheres“, que será realizado a partir das 14h no Jardim Universitário (Sala C-207) e contará com mulheres trabalhadoras do audiovisual que desempenham diversas funções criativas. Carla enfatiza que o cinema é uma linguagem de poder e, historicamente, foram os homens que estiveram à frente, manobrando as dinâmicas do setor produtivo e liderando a produção científica sobre o campo. “Por isso, a discussão do 8 de março do curso de Cinema e Audiovisual é importante para que as mulheres possam apresentar seus processos criativos, suas reflexões e, principalmente, repensar essa lógica hegemônica capitalista-patriarcal, buscando mais igualdade e respeito no ecossistema audiovisual. Não à toa, há tantos movimentos feministas de mulheres no cinema, no mercado e no âmbito acadêmico”, cita. A docente observa esse movimento crescente de ativismo feminista no cinema acontecendo, inclusive, no Peru. Nos últimos anos, foram criados coletivos de mulheres no cinema, como o Nuca Cine – Asociación de directoras de cine del Perú, e eventos dedicados às vozes femininas, como o Festival Hecho por Mujeres. Movimentos de luta e resistência fundamentais para impulsionar a representatividade das mulheres no cinema peruano e latino-americano.
PICCE oferta 500 vagas para professores com aulas pela Universidade Virtual do Paraná. Inscrições abrem no dia 15 de março.
Professores do Paraná podem se inscrever no curso de capacitação continuada no ensino da ciência do Programa Interinstitucional de Ciência Cidadã na Escola (PICCE) de forma gratuita e online. As aulas serão ministradas em formato online pela Plataforma da Universidade Virtual do Paraná, com apoio da Secretaria Estadual de Educação do Estado do Paraná (SEED-PR).
O curso terá duração de 60h/aula com abordagem de temáticas que envolvem o letramento midiático, projetos de investigação e feira de ciências. O objetivo do Programa é fomentar a participação colaborativa em que professores e estudantes participem do processo científico na busca de soluções para os problemas da realidade onde estão inseridos.
Os certificados serão disponibilizados pela UFPR Aberta, sendo oito horas do curso síncrona e 52 horas EAD. As aulas iniciam em 22 de abril e se encerram em 30 de junho. O edital está disponível no endereço picce.ufpr.br/editais/ e as inscrições podem ser feitas online de 15 a 31 de março pelo link do formulário de inscrição https://forms.gle/CKfTjCzPQuvKwmoR8
Esta é a segunda edição do curso, que já capacitou docentes das secretarias municipais e estadual de educação. Em 2023, o PICCE recebeu também inscrições de professores dos estados do Amazonas, Bahia, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Distrito Federal. Foram 30 inscritos dessas regiões que integram o montante de 494 profissionais da educação que aceitaram o desafio de ampliar o interesse dos jovens pelas ciências e pelas carreiras científicas.
O PICCE
O Programa Interinstitucional de Ciência Cidadã na Escola (PICCE) promove a construção científica por meio de um processo formativo, pautado em metodologias de ensino e aprendizagem sempre aliadas à inovação e ao pensamento crítico, tornando os estudantes e professores como co-produtores de conhecimentos científicos em um aprendizado conjunto e compartilhado.
O Programa tem o apoio financeiro do Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (NAPI) – Paraná Faz Ciência da Fundação Araucária – Agência de Ciência Tecnologia e Inovação do estado do Paraná; e faz parte das estratégias de educação para a ciência e divulgação científica que tem como meta estruturar e implementar uma Rede Paranaense de Pesquisadores e Instituições com atuação nessas áreas.
Pelo segundo ano consecutivo, o Governo do Paraná anunciou um orçamento recorde para o financiamento de projetos e programas estratégicos da área de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. Previsto na Lei Orçamentária Anual (LOA) 2024, o aporte financeiro será de R$ 708,9 milhões –37% maior que os R$ 517 milhões aplicados em 2023, maior número até então. O montante foi confirmado na 31ª reunião do Conselho Paranaense de Ciência e Tecnologia (CCT Paraná).
A dotação orçamentária é operacionalizada pelo Fundo Paraná, administrado pela Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), instituição responsável pela gestão, distribuição e repasse dos recursos. Anualmente, o governo investe parte da receita tributária em iniciativas dessa área, conforme o artigo 205 da Constituição Estadual, o qual determina que os recursos sejam utilizados em projetos e programas que promovam o desenvolvimento do Estado de forma a melhorar a condição de vida dos paranaenses.
“Tivemos um salto em volume de recursos aplicados em programas e projetos de ciência e tecnologia a partir do ano passado. Saímos de R$ 100 milhões em 2022 para R$ 517 milhões em 2023. Para este ano houve a aprovação de R$ 708 milhões. Há, ainda, a possibilidade de suplementação orçamentária, o que dá efetivamente um bom aporte de recursos para que o Estado possa investir em programas e projetos de ciência e tecnologia, que ajudem a gerar desenvolvimento econômico e social”, destacou o secretário da Seti, Aldo Bona.
Os recursos do Fundo Paraná são distribuídos de acordo com o direcionamento do Conselho Paranaense de Ciência e Tecnologia, obedecendo os seguintes percentuais: 50% serão direcionados a projetos estratégicos da Seti, que em 2024 representam, aproximadamente, R$ 354 milhões. São projetos que têm promovido diferentes atividades nas universidades e centros de pesquisa do Paraná.
Os recursos de fomento científico e tecnológico são destinados a manter projetos voltados ao desenvolvimento de pesquisa, como a implantação de um laboratório para a produção de insumos para diagnóstico veterinário, que está sendo construído pelo Tecpar; bolsas-auxílio para estudantes e profissionais; desenvolvimento e promoção de Novos Arranjos de Pesquisa e Inovação (NAPIs), que reúnem pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento; fomento e desenvolvimento de iniciativas públicas e privadas para estimular o avanço para soluções de questões da sociedade.
A outra metade é dividida entre a Fundação Araucária, a Secretaria de Estado da Inovação, Modernização e Transformação Digital (25%), o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR) e o Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), que juntos recebem 25%.
O presidente do Grupo Viasoft, Itamir Viola, também conselheiro do CCT, afirma que o investimento representa um grande fomento da ciência. “Estamos vivendo um momento de amadurecimento do uso do recurso público. O Estado está comprometido a seguir a trilha completa, desde a pesquisa básica, passando pela pesquisa aplicada, com resultados medidos na ponta. Trata-se de um movimento de inovação muito grande com startups e empresas inovadoras que recebem essas tecnologias e geram produtos e serviços para melhorar a qualidade de vida”, destacou.
Nessa reunião do CCT Paraná, os representantes dos órgãos que recebem recursos do Fundo Paraná apresentaram os relatórios de prestação de contas de 2023 e também o plano de ação para 2024. No mesmo encontro, o CCT aprovou a Política Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (Pecti), uma ação inédita do Governo do Estado. Com ações previstas até 2030, a próxima etapa para implementação da Pecti é a publicação de um decreto, oficializando a vigência das novas diretrizes para o desenvolvimento científico e tecnológico paranaense.
Um grupo de pesquisadores da Universidade Estadual de Maringá (UEM) busca há 15 anos o melhoramento genético de tilápias do Nilo, a espécie de peixe mais produzida e de grande importância comercial no País. Recentemente, o Programa de Melhoramento Genético de Tilápias do Nilo (Tilamax), desenvolvido pelo grupo de Pesquisa PeixeGen da universidade, avançou com as teses de mestrado de duas pesquisadoras de Moçambique, Carla Finiosse e Nareta Figueiredo.
Segundo o orientador delas, docente da graduação e pós-graduação do Departamento de Zootecnia da UEM, Carlos Antonio Lopes Oliveira, as pesquisas promoveram um avanço nos estudos para o desenvolvimento de material genético que dispense a necessidade de reversão sexual na produção de tilápias do Nilo. Oliveira explica que, atualmente, a forma mais utilizada para o cultivo desta espécie é o monosexo – apenas machos – porque o peso da fêmea oscila entre 70% a 75% do macho. Para isso é realizado o processo de reversão sexual das fêmeas com dieta de ração com hormônios masculinizantes nos primeiros 30 dias de vida das tilápias, assim se reduz a diferença de peso existente entre machos e fêmeas, propiciando melhor crescimento e viabilidade econômica da tilapicultura.
Oliveira frisa que a técnica é segura tanto para o consumo humano como para o meio ambiente, pois não deixa resíduos no peixe nem no ecossistema, porém implica em uma percepção negativa, por parte dos consumidores. “Essa dieta reverte as fêmeas genéticas em machos fenotípicos, ou seja, ela não deixa de ser fêmea genética, mas ela se expressa como macho, assim ganha peso. Apenas ocorre uma mudança fisiológica no animal. Apesar de comprovado, cientificamente, que o processo de masculinização é seguro ao consumidor porque o peixe só vai ser abatido após seis a nove meses depois de finalizado o tratamento”. O professor reforça ainda que a prática é regulamentada e não causa problemas ambientais ou ao trabalhador.
Os pesquisadores da UEM buscam a possibilidade de produção de tilápias sem a necessidade de masculinização para que, caso venha a ocorrer restrições comerciais quanto à dieta hormonal, os piscicultores possam ter uma alternativa de cultivo que mesmo sem o tratamento se obtenha fêmeas mais pesadas.

Em um trabalho feito pelas pesquisadoras africanas, em linha comercial, obteve-se redução da diferença de pesos entre os animais. Após o uso do material genético da UEM no acasalamento, as fêmeas passaram de 72% do peso do macho para 82% em viveiros escavados e para 80% nos tanques-rede. “Conseguimos aumentar dez pontos porcentuais sem a dieta hormonal, o que indica que existe um caminho para diminuirmos a desigualdade entre os sexos”, comemora.
“A gente está olhando para uma possível limitação futura, principalmente com relação à opinião pública e aos mercados mais exigentes e restritivos. Vislumbramos a possibilidade de criar um material genético, que gere animais tão competitivos quanto os animais que recebem o tratamento. A intenção é que, com o tempo, a UEM seja detentora de um material genético que consiga produzir sem hormônio. Já temos, em tanques-rede, um material que aumenta o peso das fêmeas entre 80% a 85% do macho. Para viveiro escavado é preciso estudar ainda mais”, avalia.
Melhoramento genético
Os mestrados das moçambicanas foram estudos complementares dentro da Pesquisa PeixeGen. Figueiredo pesquisou o “Dimorfismo sexual para o peso corporal de tilápias do Nilo” e conseguiu aprimorar a metodologia para o processo de seleção de famílias reprodutoras, reduzindo a diferença entre macho e fêmea. Já Finiosse fez a “Avaliação do dimorfismo sexual para a velocidade de crescimento em tilápia do Nilo em dois sistemas de produção”. Ela testou o material genético em tanques-rede e viveiro escavado, confirmando a elevação do peso das fêmeas.
As pesquisadoras são funcionárias do Centro de Pesquisa em Aquicultura (Cepaq), em Chókwè, Moçambique (África), que produz tilápias da espécie Moçambicana e da espécie Nilótica (a mesma produzida no Brasil). Finiosse chefia a Unidade de Alevinagem de tilápias do Nilo e Figueiredo é técnica no setor de melhoramento genético de tilápia moçambica. Oliveira lembra que a parceria foi impulsionada pelo zootecnista Humberto Todesco, egresso da UEM, que atua como consultor no Cepaq.
“Para mim, esta pesquisa foi muito boa porque praticamente eu só tinha a experiência de onde eu trabalhava. Na prática, a gente aprende mais, consegue ver os problemas e as soluções, além de ter um grande professor ao nosso lado. Volto para o meu país com uma boa bagagem de melhoramento genético”, analisa Finiosse.
Figueiredo também afirmou que sua experiência no Brasil foi muito gratificante. “Eu já tinha uma bagagem de tecnologia de produção, mas era com tilápia de Moçambique. Aqui pude ampliar meus conhecimentos ao trabalhar com tilápia nilótica e vários sistemas de produção. Vou levar essa experiência nova para o meu país e aplicar as novas tecnologias de produção que aprendi aqui. Estou extremamente satisfeita por ter feito parte dessa instituição, desse programa de pós-graduação e também por ter sido orientada pelo professor Carlos Oliveira”, comenta.
Ela reforça ainda a importância desse estudo para os países do terceiro mundo, onde o custo de do processo de masculinização é elevado. “Eu falo com conhecimento de causa. No meu país, o uso de hormônios é muito restrito. É um insumo da aquicultura, que acarreta um custo extremamente elevado. Então, termos uma linhagem como esta, que não necessite desse insumo vai ser de grande valia para nós”, finaliza. Oliveira reconhece que quando pensava no estudo nunca observou que a questão do custo pudesse ser um aspecto importante. “Somente a partir da visão delas, percebi a dimensão da pesquisa. Eu não pensava na questão do custo, porque o custo do hormônio no Brasil não é relevante”, constata.
A parceria de transferência de tecnologia entre os dois países começou há dois anos, em fevereiro de 2022, quando foi assinado um acordo de cooperação internacional entre o Programa de Pós-Graduação em Zootecnia (PPZ) da UEM e a organização norueguesa, não governamental e sem fins lucrativos, Norges Vel, por meio do Escritório de Cooperação Internacional (ECI). A vinda e manutenção delas foi mantida pela ONG Norges Vel e pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), que concedeu bolsas de estudos no último ano.
“Esta foi uma importante iniciativa do PPZ mediada pelo ECI. Efetivamos o acordo entre a UEM, o órgão norueguês que financiou as bolsas e o centro de pesquisa moçambicano ao qual as pesquisadoras estão vinculadas. Essa parceria incide diretamente no desenvolvimento sustentável por meio da transferência de conhecimento e tecnologia. Foi uma interação valiosa para o intercâmbio de conhecimento e o enriquecimento cultural das partes envolvidas”, avalia Renato Leão, coordenador do ECI.
Figueiredo e Finiosse concluíram o mestrado e retornaram a Moçambique no última semana, levando o material genético desenvolvido na UEM para distribuição pelo Cepaq aos alevinocultores e piscicultores do país africano.
Programa Tilamax – Desenvolvido há mais de quinze anos na Estação Experimental de Piscicultura da UEM, que desenvolve desde 1996 uma importante função na pesquisa de excelência para a piscicultura brasileira, envolvendo estudantes da graduação, mestrado e doutorado, tornando-se referência em melhoramento genético na América Latina. Localizada no distrito de Floriano, a 20 quilômetros de Maringá, a Estação abriga o primeiro centro público da América Latina de pesquisa sobre melhoramento genético de Tilápias do Nilo, o programa Tilápia Tilamax, que está na 15ª geração de seleção. Esse trabalho é realizado em 20 tanques de 6m³, onde são avaliados anualmente representantes de 50 a 90 famílias, resultando em aproximadamente 3 mil peixes. De cada grupo familiar são selecionadas as quatro melhores fêmeas e os dois melhores machos, que serão os pais da próxima geração.
Norges Vel – Também conhecida como Sociedade Real Norueguesa para o Desenvolvimento, a Norges é a organização mais antiga da Noruega, envolvida no trabalho de desenvolvimento local desde 1809. Desde 1978, também atua com o desenvolvimento industrial em nível internacional, inclusive em vários países do sul e leste da África. Ela também opera projetos na Noruega, Bálcãs e América Latina. A organização, que é baseada na ética e independência, oferece adesão a indivíduos, empresas e outras organizações.