PROJETOS

Projetos do Napi

Projetos Parceiros

NOSSAS
PRODUÇÕES

MULTIMÍDIA

EVENTOS

II WORKDHOP DO NAPI PARANÁ FAZ CIÊNCIA

A Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), por intermédio do Laboratório de Microbiologia e Microbiologia (LAMIBI) e do Programa de Pós-Graduação em Conservação e Manejo de Recursos Naturais (PPRN), estabelece uma colaboração sinérgica com o setor produtivo agropecuário. O engajamento é fortalecido por meio do apoio de órgãos de fomento, como a Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação (SETI) e a Fundação Araucária, que contribuem com financiamento por intermédio dos Núcleos de Pesquisa e Inovação Avançada (NAPIs).

O trabalho do LAMIBI e do PPRN é um dos destaques no 36ª Show Rural Coopavel, evento que abre oficialmente o calendário do agronegócio nacional, em Cascavel, no Oeste do Paraná, 5 a 9 de fevereiro. A Unioeste está com um espaço de exposição no evento, um dos mais importantes na área tanto no Brasil como no exterior. O projeto faz parte do AgriTech Symbiosis Labs criado pela Unioeste para auxiliar no atendimento às empresas.

As ações dessas unidades de pesquisa existem há mais de uma década e contam também com a participação de empresas parceiras, sob a coordenação da professora doutora Fabiana Gisele da Silva Pinto.  “O objetivo é fomentar a criação de bioinsumos microbiológicos, bioprodutos e nanotecnologias com aplicações específicas no âmbito agroalimentar”, frisa Fabiana.

 A professora conta que nos últimos três anos houve um foco maior em parcerias. “Esse incremento se deve à busca contínua das empresas pelo desenvolvimento, inovação e adoção de novas tecnologias, especialmente aquelas relacionadas à criação de produtos biológicos inovadores”.

Sobre as perspectivas futuras, a pesquisadora conta que no decorrer do projeto, existe um plano estratégico com objetivo de desenvolver novos produtos biológicos, abrangendo diversas funções biológicas, entre elas a criação de um NPK biológico. “Nosso foco permanecerá na busca por soluções que proporcionem um custo-benefício vantajoso para a produção agrícola, ao mesmo tempo em que priorizamos a promoção da saúde e bem-estar nas esferas humana, animal e ecológica”, menciona Fabiana.

Fabiana diz que é meta não apenas aprimorar as características e funcionalidades dos produtos já existentes, mas também explorar novas possibilidades que contribuam para uma agricultura mais equilibrada e amigável ao meio ambiente. “A criação de produtos biológicos inovadores não apenas promove avanços científicos, mas também contribui para a formação de profissionais qualificados e engajados com os desafios contemporâneos.”

Show Rural

Para a coordenadora do projeto, levar a ação ao Show Rural é uma estratégia crucial para ampliar a visibilidade da Unioeste, destacando-a como uma instituição comprometida com a inovação não apenas nacionalmente, mas também internacionalmente. “A participação no evento possibilita que o projeto seja reconhecido por um público diversificado, incluindo agricultores, pesquisadores, empresários e profissionais do setor agrícola”, cita.

Conforme a coordenadora, a utilização de bioinsumos microbiológicos e bioprodutos na redução da presença de substâncias tóxicas nos cultivos, promove a produção de alimentos mais seguros e saudáveis. “Além disso, tais produtos favorecem a preservação da biodiversidade do solo e ecossistemas agrícolas, promovendo práticas agrícolas mais sustentáveis”, frisa.

Fabiana evidencia que a aplicação de nanotecnologias no contexto agroalimentar oferece vantagens significativas, permitindo a liberação controlada de nutrientes, melhorando a eficiência do uso de insumos e reduzindo desperdícios. “A transição para essas soluções biológicas não apenas atende às demandas por inovação no setor, mas também contribui para a construção de um modelo agrícola mais sustentável e alinhado com as crescentes preocupações ambientais”.

Ao destacar a importância da participação no Show Rural Coopavel, a  pesquisadora acredita que o espaço de divulgação é uma oportunidade única para estabelecer parcerias estratégicas com outras instituições, empresas e organizações presentes. “Essas colaborações têm o potencial de potencializar o impacto do projeto, abrindo portas para novas oportunidades de pesquisa e desenvolvimento, bem como facilitando a implementação prática das inovações propostas”.

Texto: Mara Vitorino

Pesquisadores do Laboratório de Física Nuclear Aplicada, do Centro de Ciências Exatas da UEL (CCE), desenvolveram uma metodologia inédita, que vai amparar estudos sobre as estruturas morfológicas do mosquito Aedes aegypti, transmissor do vírus da dengue, Chikungunya e Zika. A metodologia usada, microtomografia computadorizada por Raio-X (micro-CT), gera imagens tridimensionais de alta resolução e permite obter definições dos órgãos internos do mosquito, abrindo possibilidades de estudos detalhados na área da Entomologia médica. O estudo foi publicado recentemente na Revista “Micron”, uma das principais na área de Microscopia e análise de imagens.

O novo método representa a pesquisa do estudante de doutorado do Programa de Pós-graduação em Física da UEL, Mateus Gruener Lima, orientado pelo professor Eduardo Inocente Jussiani, ambos do Laboratório de Física Nuclear Aplicada. Também participaram do estudo os pesquisadores Avacir Casanova Andrello (Departamento de Física), João Antonio Cyrino Zequi e Edson Kenji Kawabata, do Laboratório de Entomologia Geral e Médica, do Centro de Ciências Biológicas da UEL (CCB).

A microtomografia computadorizada por Raios-X para avaliação do mosquito Aedes aegypti utiliza imagens tridimensionais na escala micro, e garante uma excelente definição para avaliação das estruturas de insetos. Os pesquisadores testaram a metodologia no Aedes aegypti, mas há a possibilidade de aprimoramento para estudos em outras espécies de insetos. Para isso seria necessário realizar ajustes na marcação e na concentração de iodo, o líquido utilizado para contraste.

Aedes aegypti mosquito by X-ray micro-CT 

O professor Eduardo Inocente explica que a pesquisa conseguiu definir adequadamente a concentração do iodo e o tempo de uso da substância para a obtenção da melhor imagem. Essa marcação foi fundamental para permitir visualizar as estruturas internas com precisão. Os resultados indicaram que um período de marcação de aproximadamente 24 horas é o mais adequado para o estudo do Aedes aegypti em sua fase adulta. Além disso, a micro-CT revelou ser uma técnica promissora para a análise de estruturas individuais desse mosquito, incluindo órgãos do sistema digestivo e reprodutivo.

“Dessa forma conseguimos desmontar o mosquito”, compara ele. O doutorando autor do estudo produziu uma animação onde é possível observar a imagem “dissecada” do Aedes. Ao observar as imagens em movimento, nota-se os detalhes da estrutura, uma possibilidade possível somente a partir da dissecação do inseto, utilizando microscópios sensíveis, em laboratório.

Repercussão

O professor João Zequi confirma o ineditismo da metodologia e acrescenta que as imagens obtidas com o método possibilitam observar com precisão o volume e a morfologia, o que só era possível a partir de uso de microscopia eletrônica de transmissão ou por meio de varreduras, uma técnica mais cara e que acaba destruindo a amostra. O professor lembra que o início da pesquisa ocorreu em 2014 quando ele visitou o Laboratório de Física Nuclear Aplicada. Na época, os pesquisadores utilizavam a técnica de microtomografia para análise de diferentes materiais, entre eles, a avaliação de rochas em estudos relacionados à Geologia.

Imagens mostram que o sangue artificial foi eficaz para o desenvolvimento dos ovos, dando continuidade ao ciclo de vida do mosquito. Utilizando a micro-CT foi possível constatar que a fêmea alimentada com sangue artificial tinha o ovário sete vezes maior do que a alimentada normalmente.

Foi quando os pesquisadores vislumbraram a possibilidade de utilização do equipamento para a observação das estruturas do mosquito Aedes. Ocorreu aí o início da parceria que acabou originando o estudo do doutorando Mateus Gruener, ainda durante a sua graduação, no curso de Física da UEL. O grande desafio foi definir o contraste, bem como sua concentração e o tempo de marcação. Com a nova metodologia desenvolvida, outros pesquisadores que atuam na área de Entomologia Geral e Médica já utilizam as imagens dissecadas para estudos envolvendo o Aedes. Caso da mestranda Letícia Bernadete da Silva, do Programa de Pós-Graduação em Ciências Biológicas da UEL.

A nova metodologia de micro-CT possibilita observar detalhes, por permitir a criação de imagens tridimensionais. Pesquisadores têm agora uma ferramenta eficaz e de baixo custo.

Ela estuda a otimização de um sangue artificial, tendo como base cloretos, gema e clara de ovos. O objetivo do estudo é propor uma alternativa para a criação de Aedes em laboratório, diminuindo ou substituindo a utilização de animais em experimentos. Segundo Letícia, o sangue artificial tem custo mais baixo se comparado com o sangue animal, de carneiro que é comercializado. Em virtude disso, o produto tem potencial de utilização em empresas e instituições de pesquisa, reduzindo assim uso de animais para repasto sanguíneo.

Ela usa a tecnologia de micro-CT para observar o ovário de fêmeas alimentadas com sangue artificial. As imagens comprovaram que o sangue artificial foi eficaz para o desenvolvimento e para a maturação dos ovos e a reposição e, consequentemente, dando continuidade ao ciclo de vida do mosquito. A pesquisadora explica que, utilizando a micro-CT como ferramenta, foi possível constatar que a fêmea alimentada com sangue artificial tinha o ovário sete vezes maior do que a alimentada normalmente. Não fosse por essa nova técnica, ela teria de utilizar a microscopia de varredura, técnica utilizada em laboratório para observação de estruturas pequenas, porém ela explica que a micro-CT possibilita observar mais detalhes, por permitir a criação de imagens tridimensionais.

O Museu Campos Gerais, da Universidade Estadual de Ponta Grossa (MCG-UEPG), investirá mais de R$ 400 mil no desenvolvimento de seus processos de preservação e digitalização de acervos, na modernização de seus espaços, contratação de profissionais e no planejamento de novas exposições. A verba é oriunda de dois editais de fomento cultural disputados pela equipe do MCG, provenientes de processos seletivos da Lei Paulo Gustavo e do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram).

“Como museu universitário, além da programação cultural, investimos na produção do conhecimento científico. Os editais permitirão a contratação de bolsistas, a melhoria da estrutura e a aquisição de novos equipamentos”, explica o diretor do MCG Niltonci Batista Chaves. A verba proveniente dos editais será utilizada em conjunto com investimentos realizados pela Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia do Paraná (Seti) e Fundação Araucária para digitalização dos acervos, adiciona Chaves. “O MCG possui todas as condições de ser contemplado em outros editais e vamos participar de novas chamadas similares em 2024”, completa.

No edital do Ibram, o MCG conquistou o quinto lugar, em uma concorrência com mais de trezentas instituições. Com uma verba de R$ 250 mil, o MCG poderá investir na restauração de documentos e fotografias e ampliar seu Laboratório de Humanidades Digitais e Inovação. O espaço é dedicado a digitalizar e disponibilizar de forma on-line e gratuita o acervo documental do museu pelo repositório Memórias Digitais. A participação no processo se deve à necessidade de novas ferramentas para o projeto “Foto Tanko”, desenvolvido em cooperação com a prefeitura de Santo Antônio da Platina para restaurar um acervo com milhares de fotos que registram a ocupação do norte do Paraná.

Já na concorrência da Lei Paulo Gustavo, o MCG conquistou o quarto lugar no edital voltado à investimentos na digitalização de obras. Por meio do projeto “Memórias audiovisuais digitais: digitalização do acervo do Foto Elite”, o Museu receberá R$ 150 mil a serem utilizados na preservação, organização e digitalização do acervo de Germano Koch e  Domingos Silva Souza. “O investimento que buscamos participando desses editais é para ampliar nossa capacidade de preservar o acervo e nos consolidar como referência na área de digitalização”, explica o diretor de Ação Educativa e Extensão do MCG, professor Ilton Cesar Martins, que coordenou a participação do museu nos editais.

Texto: Gabriel Miguel | Fotos: Aline Jasper

As equipes do Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (Napi) Manna Academy aproveitam as férias escolares para levar o mundo da ciência e da tecnologia a crianças e adolescentes de escolas públicas. Muitas atividades ofertadas para os estudantes envolvem as tecnologias exponenciais, ou seja, aquelas que permitem desenvolvimento acelerado e podem mudar a vida das pessoas, como a Internet das Coisas (IoT), a Inteligência Artificial (IA), os Chips da microeletrônica, a Internet das Coisas Robóticas (IoRT), a Internet dos Drones (IoD) e o Metaverso.

O Napi Manna Academy tem o apoio do Governo do Estado, por meio da Fundação Araucária, e reúne os pesquisadores que formam o Manna Team – projeto surgido na Universidade Estadual de Maringá (UEM) que busca inserir crianças e adolescentes no campo da ciência e tecnologia, em especial alunos de escolas públicas e em situação de vulnerabilidade social.

Aprender a pilotar drones foi uma das ações que mais divertiu as crianças e adolescentes que já receberam projeto, em Maringá e Cianorte. Nas próximas semanas o Manna Academy segue para Paranavaí, Campo Mourão e Jandaia do Sul. Em todas as atividades, o Manna prioriza o engajamento com ações de estímulo ao desenvolvimento de habilidades e competência (softs skilss) e espírito empreendedor.

“Em janeiro e fevereiro, a teia Manna Team torna-se exponencial e altamente conectada, uma vez que estudantes de diferentes escolas se encontram e se reconhecem como cientistas. Além de experimentar tecnologias, aprendem sobre a rotina dos pesquisadores e dos laboratórios, sobre os cuidados com o mundo virtual, desenvolvem projetos de inovação e pensam sobre o futuro”, comenta a articuladora do Napi, Linnyer Beatrys Ruiz Aylon.

Entre as atividades ofertadas nas férias escolares está o projeto “Escola de Cientistas”, em que as crianças ficam uma semana em imersão com as equipes do Manna dentro das universidades e recebem mentoria. Elas também participam de bootcamps (eventos imersivos e práticos) de tecnologias exponenciais, pensamento científico, computacional e crítico e se sentem parte do time porque assumem as credenciais de cientistas.

Segundo Tiago Madrigar, um dos organizadores das atividades de férias, mais de 200 horas já foram dedicadas ao desenvolvimento de materiais didáticos e à elaboração da proposta pedagógica. “A expectativa é envolver mais de 500 estudantes e professores em mais de 300 horas de atividades. O papel dos mentores – que incluem acadêmicos de diferentes cursos, mestrandos, doutorandos, pós-doutorandos e bolsistas de iniciação científica – é fundamental, estabelecendo uma ponte entre estudantes de escolas públicas e universidades”, ressalta.

O Manna Academy envolve também o projeto “Cientistas nas escolas e em todo lugar”. Com esta ação, os pesquisadores da pós-graduação e bolsistas de iniciação científica vão para as escolas, instituições de apoio a vulneráveis e indígenas, ou espaços públicos para realizar palestras, desafios de inovação tais como hackathons e atividades que estimulam o despertar de habilidades e o pensar o futuro.

DIVERSÃO – Os estudantes Miguel Cabrera Marangon Reis, da Associação Rainha da Paz, que atende adolescentes em situação de riscos e vulnerabilidade social em Cianorte, e Arthur Nogueira Angelotti, do Colégio Santa Cruz, de Maringá, ambos com 10 anos, gostaram de tudo o que viram no curso. “Foi divertido fazer o projeto, conhecer colegas novos e aprender sobre computação e drones. A parte de criar um jogo de drone foi a melhor para mim”, disse Miguel. “Conseguir fazer um backflip com um drone foi uma das experiências mais legais que tive”, comentou Arthur.

Gustavo Plez Bordini de Andrade, 11 anos, da Escola Municipal Lídia Usuy Ohi, de Cianorte, achou muito interessante o curso que participou. “Aprender a pilotar drones foi um desafio, mas agora eu sei e acho isso incrível. Quero aprender mais”, afirmou. Pilotar drone também foi o que mais chamou a atenção de Sofia Milani da Costa, 9 anos, da Escola Municipal Lucia Moro, de Maringá. “Foi uma experiência nova e mais fácil do que eu pensava. Aprendi muito aqui e estou feliz por ter participado”, disse.

Estudantes e escolas podem solicitar adesão ao Ecossistema Manna durante o ano todo. O primeiro passo é entrar em contato pelo site manna.team.

CURSOS – O Napi Manna Academy também vai ministrar cursos de Inteligência Artificial e de Segurança em Tecnologia da Informação para integrantes do Gaeco – Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado.  Novas turmas dos cursos de IA e Segurança serão abertas ao público em geral em Maringá e Paranavaí. As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas pelo link no site manna.team. As vagas são limitadas.

Insetos da ordem coleóptera que parasitam moscas têm papel científico na resolução de crimes com cadáveres. Duas espécies dessas foram recentemente encontradas por pesquisadores do Laboratório de Pesquisas em Coleoptera da UFPR, em Palotina

Mais de 2,5 mil quilômetros separam a origem de duas novas espécies de besouros descobertas por cientistas da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Encontradas em áreas de floresta fragmentada junto a centros urbanos, as espécies do gênero Aleochara pertencem à família Staphylinidae, muito presente em estudos forenses.

A espécie Aleochara capitinigra, caracterizada por possuir a cabeça de coloração preta, foi encontrada na capital do estado do Acre. Já em três cidades paranaenses — Campina Grande do Sul, Ponta Grossa e Tibagi — foram registradas a espécie Aleochara leivasorum, diferenciada na porção final do abdome e pelas peças utilizadas na cópula, consideradas muito úteis na identificação.

As descobertas dentro dos biomas Amazônia e Mata Atlântica reforçam como essas áreas, ainda que degradadas, funcionam como abrigo para parte da fauna brasileira.

A espécie de besouro 𝘈𝘭𝘦𝘰𝘤𝘩𝘢𝘳𝘢 𝘤𝘢𝘱𝘪𝘵𝘪𝘯𝘪𝘨𝘳𝘢 foi coletada em Rio Branco, capital do Acre

As duas espécies têm um comportamento atípico, são ectoparasitas de pupas de moscas, encontradas sob a casca que se forma na camada externa de pele das larvas durante o estágio de metamorfose de larva para a fase de mosca adulta. Ao encontrar uma pupa de mosca, a larva do besouro abre um orifício de entrada, depois o fecha com as próprias fezes e se alimenta dessa pupa.

De acordo com os pesquisadores, o hábito de predar moscas enquanto são larvas faz desses besouros reguladores naturais das populações de moscas no ambiente.

As descobertas são do grupo de pesquisa CNPq intitulado “Biodiversidade de Staphyliniformia (Insecta, Coleoptera)”, que busca conhecer a biodiversidade de alguns grupos de besouros, principalmente registrados no Brasil. A pesquisa é realizada desde de 2010 no Setor Palotina da UFPR, no Oeste do Paraná, pelo Laboratório de Pesquisas em Coleoptera (Lapcol).

Os resultados integram a pesquisa de mestrado de Bruna Caroline Buss junto ao Programa de Pós-Graduação em Ciências Biológicas com ênfase em Entomologia da UFPR. Ela é a primeira autora do artigo “Revision of Brazilian species of Aleochara Gravenhorst of the subgenus Xenochara Mulsant & Rey (Coleoptera: Staphylinidae: Aleocharinae)“, publicado pelo periódico internacional Zootaxa.

De acordo com o professor orientador que também assina o artigo, Edilson Caron, a descoberta das duas novas espécies em áreas próximas às cidades reforça a necessidade da pesquisa contínua a fim de catalogar a biodiversidade local e o avanço nos estudos da relevância ecológica de cada espécie, distribuição e funções junto às demais espécies.

“As espécies descobertas fazem parte de um grupo de besouros que possuem um papel importante na regulação natural das populações de moscas. O desafio agora, após a descoberta das novas espécies de besouros, é estudar quais espécies de moscas são utilizadas para completar o ciclo de vida do besouro”, explica à Ciência UFPR.

A espécie encontrada no Paraná — Aleochara leivasorum — recebeu o nome em homenagem ao docente do Programa de Pós-graduação Ciências Biológicas, Fernando W. T. Leivas, e sua família, proprietários da área onde o exemplar utilizado na descrição da espécie foi coletado. A nomenclatura refere-se ao sobrenome do professor acrescido do sufixo -orum, em latim.

O nome da espécie encontrada em Rio Branco, Aleochara capitinigra, refere-se ao termo “cabeça preta” em latim em uma configuração nomenclatural atípica, na qual o adjetivo vem posterior ao substantivo.

Para Bruna, a descrição de novas espécies e a revisão de espécies já descritas é fundamental por fornecer dados para outros trabalhos.

“As espécies que descrevi pertencem à família Staphylinidae, muito presente em estudos forenses. Uma revisão e descrições atualizadas de espécies pode facilitar esse tipo de estudo”, afirma.

A pesquisadora defendeu o mestrado em 2020 e ingressou no doutorado no ano seguinte. Atualmente analisa em sua tese a filogenia molecular, utilizando dados moleculares (sequências de DNA para cinco genes) para definir o posicionamento filogenético de outra subfamilia de besouros, a Piestinae.

Ciclo de vida e comportamento dos besouros ajudam a entender circunstâncias de assassinatos

A aplicação de insetos em estudos forenses, que empregam conhecimentos científicos para apuração de crimes e outros assuntos legais, pode ser ampla.

De acordo com Caron, a entomologia forense utiliza insetos para responder algumas questões judiciais, podendo envolver os insetos em uma edificação, em algum produto (alimento), estar relacionado a maus-tratos de pessoas e animais, ou ainda colaborar para a resolução de mortes violentas. Para os casos mencionados, é imprescindível identificar as espécies.

Os besouros do gênero Aleochara são reguladores naturais das populações de moscas necrófagas, primeiros indivíduos que localizam e, portanto, colonizam um cadáver, por exemplo. As moscas iniciam a colonização através da postura de ovos, que eclodem larvas que irão se alimentar do cadáver.

A presença das larvas de moscas serve como um atrativo para os besouros estudados pelo grupo.

“Assim, em um cadáver com horas de exposição já temos moscas e besouros. O besouro que estudamos faz parte dessa fauna e, sabendo o nome da espécie, podemos avançar no estudo de ciclo de vida, comportamento, e, caso necessário, tentar responder alguma questão judicial”, diz o pesquisador.

Os dados da pesquisa podem auxiliar, por exemplo, a esclarecer quanto tempo o cadáver ficou exposto [intervalo post mortem], se houve movimentação do cadáver ou ainda o tipo de morte, envolvendo ou não o uso de produtos tóxicos.

“No nosso trabalho realizamos o primeiro passo, identificamos e separamos as espécies de um grupo de besouros com potencial de interesse forense. A partir de agora, novos estudos devem avançar para que esses insetos recém descobertos efetivamente possam colaborar no tema forense”, conclui o docente.

Difundir conhecimentos relacionados à fauna silvestre, promover a educação e valorizar a importância da conservação ambiental. Com este intuito, estudantes e professores do curso de Medicina Veterinária da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) promovem visitas guiadas aos laboratórios do curso, para a população de Guarapuava, no Centro-Sul do Estado.

A ação faz parte do projeto de extensão “Medicina da Conservação na Escola: uma ponte entre o Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres e a comunidade”, vinculado ao Programa Universidade Sem Fronteiras, política pública de Estado, e coordenado pela Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti). O custeio é do Fundo Paraná, responsável pelo fomento da ciência e tecnologia.

O projeto é aberto para a comunidade e focado na conscientização ambiental por meio de diferentes atividades. Uma delas é a ação Crianças em Defesa da Fauna que acontece nas tardes de sábado, no Campus Cedeteg. Participam estudantes de 9 a 14 anos, matriculados na rede pública de ensino do município. O projeto também inclui atividades educativas ambientais, em parceria com a Fundação Proteger, com crianças e adolescentes abrigados e em situação de vulnerabilidade.

Durante o encontro são realizadas dinâmicas pedagógicas com a simulação de resgate de animais e os participantes conhecem técnicas para a conservação da fauna. Há também atividades de arte coletiva e de recreação, como piqueniques. As inscrições são gratuitas e as vagas limitadas.

Além das crianças, o projeto também desenvolve ações com idosos da Instituição de Longa Permanência de Idosos Airton Haenisch e a população em geral, com ações educativas ambientais para estimular o conhecimento sobre a fauna da região. Os professores e alunos de Medicina Veterinária atuam na feira agroecológica que acontece semanalmente no Cedeteg, com a exposição de animais taxidermizados.

O projeto prevê também um curso de medicina de animais silvestres para estudantes e profissionais das áreas de Medicina Veterinária e Ciências Biológicas que desejem atuar de forma voluntária no Centro de Apoio à Fauna Silvestre (CAFS).

A capacitação, que acontece nos dias 2, 3 e 4 de fevereiro, aborda noções de manejo alimentar e sanitário de animais silvestres que estão em tratamento e reabilitação. As inscrições estão abertas, com taxa de R$ 10 para estagiários do CAFS e R$ 20 para público externo.

O coordenador do projeto, Rodrigo Antonio Martins de Souza, professor do Departamento de Medicina Veterinária, destaca a importância da extensão universitária para a educação ambiental. “Ao perceber que a fauna silvestre é vitimada pelo conflito com diversas atividades humanas, é evidente que acolher e tratar os animais é apenas a parte inicial da solução, e devemos entender o nosso convívio com os animais silvestres”, afirma. “A iniciativa do projeto é baseada nisso, ao mostrarmos o trabalho do CAFS, contribuímos com a educação ambiental da população”.

CAFS – Os Centros de Apoio à Fauna Silvestre prestam atendimento médico-veterinário para espécies da fauna silvestre nativa e exótica do Paraná, que são vítimas de acidentes ou maus-tratos, com o objetivo de devolver os animais com saúde para a natureza.

São quatro centros em funcionamento no Estado. A unidade de Guarapuava atende cidades da região Central, o Centro-Sul, Litoral, Sudoeste, Noroeste e Metropolitana de Curitiba.

O trabalho dos CAFS é realizado em parceria com o Instituto Água e Terra (IAT), que faz o transporte até as unidades e, quando o animal atendido foi resgatado em local distante, o Instituto também faz o deslocamento novamente ao habitat natural.

Serviço:

Feira Agroecológica

Data: às quintas-feiras

Local: Câmpus Cedeteg em Guarapuava

Crianças em Defesa da Fauna

Data: 27/01

Local: Câmpus Cedeteg em Guarapuava

Horário: 13h30 às 17h

Inscrições: AQUI

Curso do Centro de Apoio à Fauna Silvestre

Data: 02 a 04/02

Local: Câmpus Cedeteg em Guarapuava

Inscrições: AQUI

Atividade com a Fundação Proteger

Data: 17/02 e 24/02

Local: Rua Xavier da Silva, 1807 – Centro – Guarapuava

O Paraná está entre os estados com maior oferta de vagas e cursos no ensino superior público do Brasil pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), plataforma digital do Ministério da Educação (MEC) que seleciona estudantes para graduação pelo desempenho no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Ao todo, são 9.246 vagas em 634 cursos de bacharelado, licenciatura e de tecnologia em instituições estaduais e federais, distribuídos pelo território paranaense. As inscrições seguem até amanhã, quinta-feira (25).

As oportunidades abrangem todas as áreas do conhecimento e contam com políticas afirmativas para o ingresso de estudantes pelo sistema de cotas raciais e sociais.

As universidades estaduais representam mais da metade das vagas. Juntas, as universidades estaduais de Londrina (UEL), Maringá (UEM), Oeste do Paraná (Unioeste), Centro-Oeste (Unicentro), Norte do Paraná (UENP) e Paraná (Unespar) somam 4.706 vagas em 353 cursos de diferentes modalidades.

As demais instituições de ensino superior paranaenses ofertam, no total, 4.539 vagas pela plataforma do MEC. A Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) está com 1.710 vagas disponíveis em 114 cursos, seguida pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) com 1.287 vagas para 120 cursos; a Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila) com 841 vagas para 28 cursos; e a Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) com 615 vagas para 16 cursos. A Faculdade Municipal de Educação e Meio Ambiente (Fama) oferece 86 vagas em três cursos.

Podem concorrer às vagas disponibilizadas pelo Sisu todos os estudantes que participaram do Enem de 2023 e obtiveram nota na prova de redação maior do que zero. O acesso ao sistema de inscrição é realizado com login e senha da plataforma acesso.gov.br de serviços digitais do governo federal. A plataforma recupera, automaticamente, as notas obtidas na edição anterior do Enem. É preciso preencher um questionário socioeconômico do perfil para Lei de Cotas e escolher até duas opções de curso entre as ofertadas.

Durante todo o período de inscrições, os estudantes podem alterar as opções de curso. Os candidatos que não foram selecionados em nenhuma das duas opções de curso indicadas na inscrição poderão, ainda, disputar uma vaga no ensino superior em uma lista de espera do Sisu.

Serviço

Processo seletivo do Sisu 2024

Consulte as vagas AQUI

Inscrição: 22 a 25 de janeiro – AQUI

Resultado: 30 de janeiro

Matrícula da chamada regular: 1º a 7 de fevereiro

Prazo para participar da lista de espera: 30 de janeiro a 7 de fevereiro

Universidade Estadual de Londrina (UEL)

Cursos: 48
Vagas: 589

Universidade Estadual de Maringá (UEM)

Cursos: 80
Vagas: 661

Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste)

Cursos: 65
Vagas: 1.238

Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro)

Cursos: 52
Vagas: 733

Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP)

Cursos: 30
Vagas: 368

Universidade Estadual do Paraná (Unespar)

Cursos: 78
Vagas: 1.117

Campanha BioBlitz Verão 2024 irá ocorrer até 31 de janeiro e busca gerar série histórica de mapas de distribuição da biodiversidade do litoral

Onde estão as espécies do litoral brasileiro? Buscando conhecer melhor a biodiversidade marinha brasileira, o Programa BioGeoMar acaba de lançar a campanha de ciência cidadã BioBlitz Verão 2024. Nela, o público é convidado a explorar, identificar e registrar a vida dentro e fora da água, sejam animais ou plantas, encontrados em praias, mergulhos ou em passeios de barco. O objetivo é reunir os dados e gerar mapas de distribuição para avançar o conhecimento científico, contribuindo na conservação das espécies.

Para participar dessa terceira edição, basta os interessados acessarem o site ou o aplicativo iNaturalist, se inscrever e buscar no ícone de lupa por “BioGeoMar: BioBlitz Verão 2024”. Em seguida, inserir as fotos originais registradas até o dia 31 de janeiro, quarta-feira. Vale destacar que a evolução dos smartphones com a integração do GPS é uma grande aliada dessa iniciativa porque cada foto original carrega consigo informações georreferenciadas, que significa ter a localização, a data e o horário do registro, por exemplo. Já nos dois primeiros dias da campanha de 2024, foram conquistados registros em quase todos os estados costeiros.

Todos pela ciência

As pessoas somente protegem o que conhecem e nessa campanha cada um ganha a possibilidade de contribuir com o avanço científico, visto que o Brasil tem um litoral extenso e parte de sua biodiversidade ainda é desconhecida. “Essa participação do público focada em um mês é essencial para que a gente observe esses organismos sempre no mesmo período e gere uma série histórica. Já estamos na terceira edição e a adesão tem aumentado ano a ano”, comemora a pesquisadora Rosana Moreira da Rocha, que é idealizadora dessa iniciativa BioBlitz do Programa BioGeoMar, que tem o apoio da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.

Ela explica que, quando observam um organismo que não é comum para a ciência em determinada região, o grupo de pesquisadores avalia o que pode ter acontecido. Este registro é colocado no radar das pesquisas para que o dado seja investigado melhor. Há diferentes possibilidades de explicação: pode ser uma nova espécie, alguma interferência de distribuição pela mudança no clima, por exemplo, ou até mesmo a indicação de um dado nitidamente equivocado.

“Em edições passadas, surgiu a imagem de uma ascídia em Pernambuco, cuja ocorrência eu ainda desconhecia naquela região e sou especialista nesses organismos. Como a imagem não estava tão nítida, vou aproveitar uma viagem que irei fazer em fevereiro para buscar encontrá-la para pesquisar se é uma espécie nova para a ciência ou outro motivo para estar ali”, exemplifica Rosana Rocha, que atualmente é professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e vice-coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Conservação.

Artigo científico publicado

Os dados da BioBlitz estão sendo trabalhados por um estudante de pós-graduação. E, com a liderança da professora Rosana Rocha já foi publicado artigo na revista científica “Aquatic Biology”, com o título “West Atlantic coastal marine biodiversity: the contribution of the platform iNaturalist”. Em números, a BioBlitz Verão 2022 obteve 1.971 observações, 739 espécies, 330 identificadores, 74 observadores, 123 membros e alcançou 13 estados costeiros brasileiros. Por conta da participação ativa do biólogo Flávio Mendes, ele foi convidado para assinar este artigo científico como segundo autor, porque ele contribuiu com um número significativo de fotografias e identificações de espécies.

Em 2023, foram superadas todas as métricas da primeira edição, com 3.346 observações, 1.109 espécies, 356 identificadores, 104 observadores, 148 membros e alcançou 14 estados costeiros brasileiros. Dos 74 participantes na campanha Bioblitz Verão 2022, cinco deles foram responsáveis por mais de 900 registros, o que representou metade de todas as observações. A maioria dos colaboradores que contribuíram com as identificações das espécies eram brasileiros, sendo 108, e 83 norte-americanos. Ao todo, 43 países estiveram envolvidos na campanha BioBlitz Verão 2022, incluindo o Brasil e os EUA.

“Ao capacitar cidadãos comuns com as ferramentas certas, estamos abrindo novos caminhos para descobertas científicas, democratizando a pesquisa e reforçando a importância da conservação ambiental na sociedade”, avalia o coordenador do Programa BioGeoMar, Ubirajara Oliveira. Ele desenvolveu um conjunto de ferramentas de análises de biodiversidade na plataforma Dinamica EGO, desenvolvida pelo Centro de Sensoriamento Remoto da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e está sendo usado em diferentes pesquisas do BioGeoMar.

“A qualidade, alcance e sucesso da campanha Bioblitz Verão 2023, planejada e executada em parceria com a Bloom Ocean, foi essencial para potencializar o interesse de grandes projetos pela prática da ciência cidadã. A expectativa é que a gente consiga avançar ainda mais este ano”, avalia a também coordenadora do Programa BioGeoMar, a bióloga Fernanda Azevedo. Ela reforça que, com a prática da ciência cidadã, foi possível reunir, tratar e analisar um grande volume de dados. E, dessa maneira, promover a descoberta da biodiversidade marinha pelo mapeamento da distribuição das espécies.

Programa BioGeoMar

Lançado em 2018, o BioGeoMar é um programa com atuação em duas frentes principais que são a pesquisa e a divulgação científica, auxiliando na promoção da ciência cidadã e da cultura oceânica. É apoiado pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza. É realizado por meio de uma rede colaborativa de cientistas de doze universidades públicas com o objetivo de mapear e modelar a biodiversidade marinha e seus padrões biogeográficos no Atlântico Ocidental, com foco na biota marinha da costa brasileira. Com os dados, busca-se localizar quais locais precisam de mais estudos e indicar áreas prioritárias para a conservação, integrando pesquisa, divulgação científica e ações de extensão. Eles usam principalmente as bases de dados do Global Biodiversity Information Facility (GBIF), do Ocean Biodiversity Information System (OBIS) e são acrescentados os dados dos laboratórios envolvidos no Programa BioGeoMar. A BioBlitz Verão é sempre realizada no mês de janeiro e está em sua terceira edição, sendo uma das iniciativas do BioGeoMar, contando com o público e uma série de parceiros para identificar as espécies. 

Para mais informações acesse o site do programa  e participe acessando aqui. 

Com informações da jornalista do projeto: Mercia Ribeiro

O Estado do Paraná e o Governo da Índia, um dos principais parceiros do Brasil na Ásia, formalizaram uma parceria para instalar uma rede de computadores de alto desempenho, os chamados supercomputadores, nas universidades estaduais paranaenses. A iniciativa vem sendo articulada pela Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) e a Fundação Araucária de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Paraná. A oficialização ocorre na semana em que o embaixador indiano no Brasil, Suresh Reddy, visitou o governador Carlos Massa Ratinho Junior.

A Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), na região dos Campos Gerais, será a primeira universidade do Paraná a receber essa tecnologia e irá abrigar o computador de maior potência, o cérebro dessa rede de pesquisa. O Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (Napi) de Bioinformática também está por trás da iniciativa. Nos próximos anos a expectativa é levar para as demais seis universidades.

“Escolhemos a Índia como parceira porque ela foi uma potência que nos abriu a possibilidade de transferência de tecnologia, de know how“, comenta o professor e pesquisador sênior Jorge Edison Ribeiro, responsável pela gestão dos projetos estratégicos dessa parceria. “Nós tivemos o infortúnio, na nossa primeira ação, de ter tido o período pandêmico, o que dificultou essa vinda dos indianos para montarem a primeira máquina aqui no Brasil”.

O convênio inclui, ainda, o Centro de Desenvolvimento de Computação Avançada da Índia (C-dac, da sigla em inglês). Referência mundial em tecnologia, a Índia é um dos quatro países no mundo a desenvolver seus próprios computadores de alta performance, ao lado dos Estados Unidos, China e Rússia. Isso é feito através da National Supercomputing Mission, uma missão nacional para a construção e instalação de uma rede de supercomputadores no país.

“O nosso compromisso com o C-dac e o deles conosco é de transferir essa tecnologia de supercomputação e nos ensinar, montando as máquinas aqui no Paraná, na UEPG”, completa o coordenador do Napi de Bioinformática e professor da UEPG, Roberto Ferreira Artoni. “Esses computadores são altamente competentes para realizar cálculos numa velocidade muito alta. Nós temos que pensar no desenvolvimento científico e tecnológico que é hoje muito dependente dessa área”.

Com a instalação e a operação dessa rede no Paraná, pesquisadores das áreas da Saúde, Ciências Agrárias e Ciências Biológicas poderão desenvolver seus trabalhos com maior eficiência, contribuindo ainda mais para o avanço da ciência no Estado, abrindo caminho para que outras áreas também se envolvam com esse tipo de tecnologia.

O enfrentamento aos crimes de bullying e cyberbullying vem se mostrando mais um grande desafio na rotina de educadores e profissionais que atuam com a promoção do bem-estar psicológico nos contextos escolar e universitário. O cenário se tornou ainda mais complicado desde que ferramentas de geração de imagens e vídeos falsos – deep fakes – se popularizaram. Para tentar inibir agressores, foi sancionada, no início desta semana, a lei que inclui os delitos no Código Penal e os transforma em crimes previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), como sequestro e indução à automutilação, em crimes hediondos.

Em meio a um roteiro perverso e cujo desfecho pode ser trágico para as vítimas, a identificação dos papéis desempenhados por cada personagem da vida real nestes casos, assim como a criação de uma escala de avaliação psicométrica do fenômeno do cyberbullying, são estratégias que almejam reduzir os efeitos negativos, criando maior grau de consciência sobre o tema em toda a comunidade. É o que defende um estudo que vem sendo elaborado há dois anos pela docente do Departamento de Psicologia e Psicanálise da Universidade Estadual de Londrina (UEL – CCB), Katya Luciane de Oliveira. A pesquisa já ouviu cerca de 2,5 mil estudantes universitários de Instituições de Ensino Superior (IES) públicas e do Ensino Médio dos estados do Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Bahia.

Os participantes são estudantes de cursos de graduação de todas as áreas do conhecimento que tinham entre 18 e 23 anos em 2021, quando da coleta dos dados. Eles foram ouvidos por meio de formulários online e também pessoalmente quanto a uma série de itens embasados na literatura científica internacional. O objetivo foi desenvolver uma escala de cyberbullying adaptada à língua portuguesa e à realidade brasileira. Por isso, o projeto contou com o trabalho de linguísticas para a validação sintática e semântica da estrutura das frases contidas.

“Construímos os itens baseados na literatura científica, que geralmente é norte-americana, inglesa e chinesa – os chineses têm produzido sobre isso também. Então criamos itens, perguntas na escala, e avaliamos com juízes e profissionais que têm expertise na área. O instrumento é capaz de aferir os perfis que encontramos neste fenômeno: a vítima, agressor e os observadores”, explica Katya, coordenadora do trabalho.

Intitulado “Propriedades Psicométricas de uma Escala de Cyberbullying”, o estudo identificou que cerca de 50% dos participantes já estiveram em algum momento no papel de vítimas de ataques virtuais. Por se tratar de um fenômeno que geralmente ocorre na esfera pública, presencial ou virtualmente, resta a quem não se identificou como agressor ou vítima apenas o papel de observador, destaca a professora.

Estudo vai além das questões envolvendo vítima e agressor/es: observadores e pessoas “passivas” também entram na conta (Freepik).

Quem é quem no bullying/cyberbullying?

Neste grupo de observadores, ou espectadores dos casos de violência cibernética, três comportamentos recorrentes foram apontados. Os espectadores que relataram apenas terem visualizado conteúdos ofensivos são os chamados observadores passivos. Há, também, os que perpetuam as mensagens ou imagens, “tirando sarro e fazendo comentários ruins”, exemplifica Katya. Estes são os chamados observadores ativos. “E há um observador ativo que age de forma positiva, aquele que tenta romper com o ciclo de violência avisando a vítima ou denunciando à comunidade”, completa. 

Outro perfil descrito pela professora é o perfil “retaliador”, papel desempenhado por pessoas que geralmente foram vítimas de bullying fora do contexto virtual e que, mais tarde, viram-se motivadas a cometer o ato, que, desde o início desta semana, foi tipificado como um crime ainda mais grave, após sanção do presidente Lula à Lei 14.811/2024.

Estudando o fenômeno há mais de cinco anos, a professora avalia que o endurecimento das penas representa avanços em direção à criminalização dos agressores. No entanto, a complexidade do fenômeno exige ações também em outras frentes. 

“A escala consegue fazer esse mapeamento. É importante podermos identificar quem é a vítima, mas, também, quem é o agressor. Não somente pelo sentido punitivo, mas pelo princípio restaurador, do que é a urbanidade e civilidade. Atacar o outro na sua existência, falando sobre seu corpo, sexualidade, habilidades, rebaixando, é inaceitável. É importante a identificação também para que as instituições de ensino possam fazer um trabalho de orientação”, ressalta a professora de psicologia.  

É buscando reforçar o papel da Universidade Estadual de Londrina como vetor do desenvolvimento social que diversas oficinas e atividades formativas já foram promovidas junto a escolas da rede estadual do Paraná, contando com a presença da professora Katya. Para ela, “é desmascarando esse cenário violento que conseguiremos capilarizar a saúde mental dos estudantes”, diz. 

Estudos 

No Departamento de Psicologia e Psicanálise da UEL, o olhar sobre o fenômeno é incentivado desde o início da pesquisa, na Iniciação Científica (IC) no curso de Psicologia. Somente em 2023, por exemplo, a professora orientou três graduandos interessados em produzir artigos sobre cyberbullying e sua relação com o uso e o abuso de substâncias psicoativas, além da relação com o desempenho acadêmico na universidade e no ensino médio. Os três temas foram objeto de pesquisa dos graduandos Maria Julia Boletti, Suellen Ferreira de Assis e João Victor Candido, respectivamente.  

Na pós-graduação, o cyberbullying é tema recorrente também no Programa de Pós-graduação em Educação (PPEdu). Um exemplo interessante, ressalta a docente, é a dissertação de mestrado defendida no ano passado “Cyberbullying direcionado ao Público Feminino em Jogos Competitivos”, de Carolina Tiemi Ytiyama. Contando com uma bolsa de mestrado do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Ytiyama se dedicou a analisar ataques sofridos por jogadoras que eram destaque em “palcos” digitais com o “Valorant“, jogo competitivo de tiro tático desenvolvido pela empresa Riot Games. 

Nestes casos, destaca a professora, deixa-se de lado pelos agressores os aspectos relacionados ao jogo ou às habilidades das competidoras, entrando em cena falas de cunho sexista e misógino. 

“Quer dizer, está tão naturalizado que muitas pessoas acham normal, que é algo banal. E não é. Você não pode atacar o outro e achar que está tudo bem. As relações não podem ser construídas desta forma”, decreta Katya.

Na Educação, o tema foi abordado anteriormente, em 2019, pela pedagoga Andrea Carvalho Belluce, autora da tese de doutorado “Estudantes e as Tecnologias digitais: relações entre estratégias de aprendizagem, motivação e cyberbullyng“. Já, em 2022, a psicóloga Gabrielly Manesco da Silva Felipe defendeu dissertação de mestrado intitulada “Relações entre o cyberbullying, suporte familiar e a depressão no ensino fundamental II”. Ambas contaram com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a orientação da professora Katya Luciane de Oliveira. 

Considerada uma das enfermidades mais antigas do mundo, a hanseníase é uma doença infectocontagiosa causada por uma bactéria chamada Mycobacterium leprae de evolução lenta. Em meio ao Janeiro Roxo, mês de prevenção e conscientização sobre a hanseníase, a Farmácia Escola da Universidade Estadual do Centro Oeste, Unicentro, tem desempenhado um papel vital na detecção e no monitoramento da hanseníase na região.

A hanseníase é fácil de diagnosticar, tratar e tem cura. O diagnóstico é feito pelo exame clínico realizado pelo médico e pelo exame laboratorial. Desde de 2022, o Laboratório de Análises Clínicas da Farmácia Escola da Unicentro (Farmesc) realiza exames de baciloscopia direta para pesquisa do bacilo de Hansen e firmou um contrato de parceria com a 5ª Regional de Saúde do Paraná.

Atualmente, a 5ª Regional de Saúde organiza as demandas dos pacientes oriundos dos 19 municípios da região e encaminha para a Unicentro. Os pacientes são atendidos na Farmesc, onde é feita a coleta da linfa e realizado todo o exame microbiológico.

“Essa parceria é muito proveitosa, a gente agradece todo esforço da 5ª Regional, eles organizam as vagas e o paciente das suas unidades é encaminhado aqui para o Laboratório de Análises Clínicas. A parceria tem funcionado muito bem e tem mostrado resultados muito interessantes. Em 2023, nós tivemos um acréscimo de serviço da ordem de quase 200% na demanda”, conta o coordenador da Farmesc, professor Marcos Auler.

Para o professor Marcos, o trabalho realizado pela Farmesc é fundamental para o diagnóstico e diminuição dos casos da doença, pois faltam locais especializados para a realização dos exames na região. “A gente está fazendo um trabalho de utilidade pública, porque é uma doença grave. O Brasil é o segundo país no mundo que mais tem casos de hanseníase e precisa fazer diagnóstico laboratorial, que é a nossa especialidade. Fornecer resultados com qualidade é de extrema importância, ajuda muito para diminuir o número de casos, esse é objetivo”, afirma.

Ensino, Pesquisa e Extensão

Todo o processo de atendimento, coleta e análise conta com a participação de acadêmicos de graduação e pós-graduação, unindo o ensino, a pesquisa e a extensão. Ao todo, dois professores e nove acadêmicos têm desempenhado um papel ativo nesse processo. “Dentro desse serviço, a gente tem projeto de extensão, tem projeto de pesquisa e tem atividades acadêmicas, que os alunos participam e aprendem, então eles têm a oportunidade de entrar em contato com o paciente, entrar em contato com a rotina, vivenciar o dia a dia de uma rotina laboratorial”, conta o professor Marcos Auler.

A acadêmica do mestrado em Nanociências e Biociências, Thaís Kremer, enfatiza a importância do trabalho no Laboratório de Análises Clínicas. “É de grande valia, o nosso conhecimento sempre vai ser mais aprimorado. O projeto de extensão para mim é muito valioso porque ele vai em um nível de conhecimento maior na área biomédica, ele está acrescentando bastante na minha profissão também”, afirma a biomédica.

Louise Kley, acadêmica do 3º ano de Farmácia, destaca o estímulo que atuar na Farmácia Escola dá na sua carreira acadêmica. “Na graduação a gente não vê essa parte de exames mais específicos e contato com o paciente. Acho muito importante (ter essa participação), porque dá mais vontade de estudar coisas diferentes, publicação de artigos, incentiva mais a gente estudar e ir atrás de coisas que na graduação a gente vê mais rápido”, conta.

Hanseníase – sintomas, tratamento e cura

O Brasil ocupa o segundo lugar entre os países com maior número de casos de hanseníase no mundo, atrás apenas da Índia. Apesar de antiga, a doença ainda persiste como um desafio global de saúde pública e possui um longo período de incubação, em média cinco anos, podendo chegar até 10 anos.

A manifestação clínica ocorre através de sinais e sintomas dermatoneurológicos, como lesões na pele e nos nervos periféricos, principalmente nos olhos, mãos e pés. Geralmente, o que chama atenção do paciente são manchas na pele com perda da sensibilidade ao calor, dor ou tato. Essas lesões podem estar localizadas em qualquer parte do corpo, porém, com maior frequência na face, orelhas, nádegas, braços, pernas e costas.

A hanseníase pode atingir pessoas de todas as idades, de ambos os sexos, no entanto, raramente ocorre em crianças. Com o não tratamento, a evolução da doença pode levar a incapacidade física inclusive com deformidades que podem impactar na diminuição da capacidade de trabalho, limitação da vida social e problemas psicológicos, devido ao estigma e preconceito contra a doença.

A transmissão da doença ocorre através dos bacilos presentes nas gotículas de saliva eliminadas por pessoas portadoras não tratadas e em fases avançadas da doença. Com o início do tratamento a transmissão é interrompida.

Novo biocarvão é o 66º invento da Universidade aprovado pelo INPI; outros 65 pedidos aguardam parecer

A Universidade Estadual de Maringá (UEM) acaba de receber mais uma carta patente de produto desenvolvido por pesquisadores da instituição. Com mais esta concessão, a Universidade passa a ter 66 patentes emitidas pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). A concessão foi para a invenção do produto verde “biocarvão ativado e biocarvão enriquecido com nitrogênio para aplicação como adsorventes de amônia em galpões aviários e condicionadores de solo”.

De acordo com os inventores, Vitor de Cinque Almeida, professor associado da UEM e pesquisador Nível 1C do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), e Amanda Ronix, doutora e pesquisadora do Instituto Internacional para Sustentabilidade, o produto patenteado tem como finalidade evitar que o gás amônia (NH3), proveniente da decomposição microbiana do ácido úrico, eliminado nas fezes das aves, esteja presente em grande quantidade na atmosfera do aviário. 

Além de reduzir os danos à saúde dos animais e de trabalhadores da agroindústria, o material obtido do uso da remoção de amônia nos aviários consiste em um bom condicionador do solo, melhorando sua fertilidade e consequentemente o cultivo de plantas.

“O principal benefício é proporcionar um maior controle de amônia e outros gases, como por exemplo o CO2, nos aviários, de modo a contribuir para o bem-estar das aves, bem como dos funcionários que ali trabalham, e consequentemente maior produção avícola”, frisa Almeida.

Sustentabilidade

O novo produto tem ainda característica sustentável já que após a adsorção dos gases dos aviários, ele se transforma em um potente fertilizante, que promove a melhoria das propriedades físicas, físico-químicas e da atividade biológica do solo.

O biocarvão pode auxiliar no controle do ambiente dos aviários, de modo a exigir um menor gasto de energia com ventilação, além de controle de temperatura em períodos de frio. O baixo custo do material carbonáceo responsável pela adsorção dos gases no ambiente avícola é também uma vantagem econômica. Outro benefício é que sua composição é obtida de fonte renovável, sendo também uma alternativa a mais ao uso de gesso ou como composto.

“Consideramos que a patente verde obtida pode ser de grande interesse para os avicultores de modo a contribuir para remediação de amônia e outros gases prejudiciais ao ambiente nos aviários e obter um material com boas características para serem aplicados como condicionadores de solos. O material final pode ter valor agregado, além de se apresentar no ciclo de sustentabilidade”, conclui Ronix.

O produto é resultado de quatro anos de pesquisa e faz parte da tese de doutorado da pesquisadora Ronix, além de muitos outros anos de pesquisas que envolveram materiais de carbono. 

“A próxima fase é encontrar avicultores que estejam interessados em utilizar o invento em seu próprio aviário. Além disso, estão sendo realizados estudos complementares para melhorar as características do material após seu uso nos aviários”, revela Ronix.

Segundo o assessor técnico em Gestão da Propriedade Intelectual, Angelo Marcolino Junior, a UEM aguarda a análise de outros 65 pedidos que estão depositados junto ao INPI.

SERVIÇO:

Informações sobre o pedido podem ser obtidas na página da patente contida no Portfólio de Tecnologias da UEM, disponível neste link.