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II WORKDHOP DO NAPI PARANÁ FAZ CIÊNCIA

Nesta quinta-feira, 21/09, Dia da Árvore, a Embrapa Florestas vai receber crianças e adolescentes para que conheçam mais sobre árvores, a presença de florestas em seu dia a dia, e diversas informações sobre pesquisa florestal. Em parceria com a Universidade Federal do Paraná ( por meio do Laboratório de Sustentabilidade e Benefícios da Floresta e do projeto “A Madeira Mágica”) e com a Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (Apre), as crianças vão visitar estações e conhecer: a importância dos plantios florestais e os produtos das florestas; araucária e erva-mate; a relação entre solos e florestas; quintal agroflorestal; serviços ambientais, polinização e controle biológico de pragas.

Todos estes assuntos serão tratados de forma interativa dentro da fazenda da Embrapa Florestas, com as crianças divididas em grupos, passando por estações onde cada um destes temas será tratado ao lado dos plantios florestais e áreas de pesquisa.

Data: 21/09
– Manhã: 8h30 às 11h – 75 crianças, de 8/9 anos (3º ano do Ensino Fundamental)
– Tarde: 14h às 16h – 25 crianças e adolescentes (11 a 18 anos)
– Local: Embrapa Florestas – Estrada da Ribeira, Km 111 – Colombo/PR.

(com assessoria Embrapa-PR)

Pesquisadores Gerson Nakazato, Renata Kobayashi, Audrey Lonni e Marcelly Chue, que integram o grupo vencedor do Prêmio Inventores 2023 da Unicamp.

Um grupo de pesquisadores ligados aos laboratórios de Biotecnologia, Microbiologia e Bacteriologia da UEL teve um projeto e uma patente de medicamento reconhecidos no Prêmio Inventores 2023, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que homenageia iniciativas relacionadas à inovação de professores, alunos e ex-alunos da Universidade. O grupo da UEL recebeu a premiação na categoria Patente Depositada pelo desenvolvimento do gel creme tópico com nanopartículas de prata biogênicas e violaceína com atividade antimicrobiana e conservante. O professor Gerson Nakazato, do Departamento de Microbiologia, do Centro de Ciências Biológicas (CCB), é ex-aluno do Programa de Pós-graduação em Genética e Biologia Molecular da Unicamp.

Integram o grupo que desenvolveu o gel os professores Nakazato, Sueli Ogatta, Renata Kobayashi e Lucy Lioni, todos do Departamento de Microbiologia; Audrey Lonni, do Departamento de Ciências Farmacêuticas; a doutora em Microbiologia Marcelly Chue Gonçalves e as doutorandas do programa Débora Dahmer e Laís Spoladori. Também integra o grupo o professor Nelson Durán Caballero, professor aposentado na Unicamp e atualmente lotado no Instituto de Biologia da instituição.

O gel representa uma patente compartilhada entre a UEL e Unicamp. O produto apresenta atividade antibacteriana e auxilia no combate de bactérias consideradas multirresistentes e de outros microrganismos. A formulação pode ser uma alternativa para evitar infecção em feridas e queimaduras e tem potencial para ser aplicada tanto em humanos quanto em animais.

De acordo com o professor Gerson, a violaceína é um pigmento que se caracteriza por sua ação bactericida, com capacidade para destruir microorganismos. A patente foi possível pela manipulação da matéria numa escala atômica e molecular, utilizada pelo grupo de pesquisa. “Essa patente envolve nanotecnologia, e o professor Nelson foi um dos nossos mentores, que nos passou a síntese de nanopartículas. Hoje temos uma produção nos nossos laboratórios”, afirma. Com isso o grupo conseguiu produzir novas tecnologias com maior autonomia.

O Prêmio Inventores da Unicamp considerou as categorias Tecnologia Licenciada (78 pessoas envolvidas em 19 contratos de licenciamentos de 19 tecnologias); Spin-off Acadêmica (empresa recente no mercado utiliza tecnologia ou conhecimento da Unicamp); Tecnologia Absorvida no Mercado (inventores de tecnologias que, além de licenciadas, já foram absorvidas no mercado com retorno de royalties para a Universidade) e patentes depositadas (137 inventores com inovações desenvolvidas na Universidade, que geraram 32 depósitos de patente em 2022).

O Governo do Estado está com inscrições abertas para o XXIII Vestibular dos Povos Indígenas do Paraná, com 52 vagas para cursos de graduação nas sete universidades estaduais e na Universidade Federal do Paraná (UFPR). Ao todo, são ofertados mais de 500 cursos, em nível de bacharelado, licenciatura e tecnologia. Os estudantes podem escolher entre as duas formas de inscrição, com envio da documentação física até 27 de outubro ou online até 6 de novembro.

Para a primeira opção, os documentos podem ser entregues pessoalmente em 15 unidades acadêmicas, em diferentes regiões do estado, ou enviados pelos Correios. As equipes das instituições de ensino superior também irão visitar as 25 comunidades indígenas localizadas em Curitiba e em 23 cidades do interior paranaense, de acordo com o edital, para efetuar as inscrições de estudantes com dificuldade de enviar a documentação de forma eletrônica.

Para concorrer às vagas é necessário comprovar a conclusão do Ensino Médio e não ter concluído curso de nível superior. Entre os documentos, os interessados devem apresentar declaração e carta de recomendação assinada pela liderança da comunidade, que ateste a origem indígena.

As provas serão aplicadas nos dias 24 e 25 de março de 2024 em oito municípios: Curitiba, na Região Metropolitana; Cornélio Procópio e Tamarana, no Norte, Mangueirinha, no Sudoeste; Manoel Ribas, na região Central; Nova Laranjeiras, no Centro-Sul; Santa Helena, no Oeste; e Ortigueira, na região dos Campos Gerais. Em Tamarana e Ortigueira as provas serão aplicadas nas terras indígenas de Apucaraninha e Queimadas, respectivamente.

No primeiro dia de avaliação o candidato fará uma prova oral de Língua Portuguesa, em que terá 15 minutos para comentar, opinar e argumentar sobre temas propostos pela banca avaliadora. O segundo dia, será destinado para uma prova objetiva de conhecimentos gerais e redação, com duração máxima de cinco horas.

POLÍTICA PÚBLICA – O Vestibular dos Povos Indígenas do Paraná é uma iniciativa da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), reconhecida como política pública de Estado, amparada pela Lei 13.134/2001. Nesta edição, a seleção é organizada pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Os alunos que ingressam no ensino superior nessa modalidade contam com apoio da Comissão Interinstitucional para Acompanhamento dos Estudantes Indígenas (Cuia).

Serviço:

XXIII Vestibular dos Povos Indígenas no Paraná

Inscrições: envio físico da documentação até 27 de outubro ou online até 6 de novembro – Edital AQUI
Ensalamento: até 18 de março de 2024
Provas: 24 e 25 de março de 2024
Divulgação de gabarito: 12 de abril de 2024
Resultado: até 18 de abril de 2024
Matrícula: conforme cronograma de cada universidade

Uma nova espécie de cigarrinha do milho está no Paraná. A Leptodelphax maculigera se alimenta de culturas do milho e gramíneas, o que pode causar prejuízos nas lavouras. A descoberta foi feita por pesquisadores da Universidade Estadual de Ponta Grossa, em agosto deste ano. Identificada primeiramente em Goiás e Rio Grande do Sul, o estudo da UEPG é o primeiro registro oficial da cigarrinha no Paraná.

A comprovação da presença do inseto indica que mais locais já estão afetados. “Provavelmente, a espécie já deve estar em todo o território brasileiro”, adverte o professor Orcial Bortolotto, coordenador da Fazenda Escola Capão da Onça (Fescon-UEPG).

Atualmente, o inseto é conhecido pelo potencial da transmissão do enfezamento fitoplasma (infecção da planta por bactérias) e do vírus da risca (que reduz a produção de grãos). “Ainda faltam estudos adicionais para de fato comprovar a capacidade deste inseto em transmitir doenças”, explica Orcial.

O estudo foi realizado em parceria com o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR), Escola Superior de Agricultura (Esalq) e Agronômica Consultoria. O primeiro registro no Paraná aconteceu em Londrina, com identificação oficial nos laboratórios da UEPG. “Coletamos alguns insetos e fizemos a leitura em laboratório, com extração em nível molecular, e foi encontrado o vírus no corpo desta cigarrinha”, conta. Pelo potencial de transmissão do vírus que carrega no corpo, a perda de lavoura do milho pode chegar de 20% a 30%.  “É necessário ainda que se faça um trabalho complementar com esses insetos infectados. Isso acaba trazendo algumas preocupações para os produtores”, alerta o professor.

Medidas

Em setembro, a safra de milho está em sua fase inicial. Segundo Orcial, é se extrema importância que produtores realizem o monitoramento da lavoura e a presença de insetos – tanto a nova espécie, como a já conhecida na região, a Dalbulus maidis. “É importante que os produtores coloquem armadilhas nas lavouras para monitorar a chegada de cigarrinhas no campo, especialmente porque há algumas regiões aqui nos Campos Gerais de alta população de cigarrinhas nas armadilhas”.

A nova espécie é considerada exótica por ser originária do continente africano e ainda está em população inicial no Brasil. “Mesmo assim, há algumas fazendas em que, no intervalo de 3 a 5 dias, se observa a captura de 200 cigarrinhas em uma mesma armadilha”. Segundo o professor, isso se deve a um inverno mais ameno, de altas temperaturas, o que favorece a chegada do inseto.

Algumas das estratégias de controle são a padronização do calendário de plantio, dentro de uma janela próxima em uma região; a escolha de materiais híbridos ou tolerantes ao enfezamento; e combinação de inseticidas químicos ou biológicos, para manejo da praga. “Estamos no início do plantio de milho, em que produtores fazem duas safras de milho, e geralmente a segunda é mais grave a presença da cigarrinha, por isso é importante medidas de prevenção e controle da entrada do inseto”, completa.

Texto e Fotos: Jéssica Natal

No Paraná, alunos de graduação das universidades estaduais poderão se inscrever a partir da parceria estabelecida com a Fundação Araucária. São mais de 70 universidades canadenses com oferta de cursos em diferentes áreas do conhecimento.

Estão abertas as inscrições para o Estágio de Pesquisa Mitacs Globalink, que é uma iniciativa que permite intercâmbio de estudantes brasileiros no Canadá. No Paraná, alunos de graduação poderão se inscrever a partir da parceria estabelecida com a Fundação Araucária. São mais de 70 universidades canadenses com oferta de cursos em diferentes áreas do conhecimento.

Os paranaenses devem estar matriculados nas universidades estaduais. As disciplinas elegíveis são Agricultura/Agronegócio, Agronomia, Biotecnologia, Sistema de informação, Saúde e Ciência e Tecnologia. O aluno também deve estar realizando uma pesquisa científica ou tecnológica, como PIBIC/PIBIS/PIBIT, fazer parte de um grupo de pesquisa ou projeto de extensão, ou fazer parte de um Programa Educacional Tutorial.

Os critérios de seleção do programa envolvem ainda uma carta de referência de um professor, dentro dos padrões do programa; aprovação em um teste de proficiência em inglês ou francês; e ter de um a três semestres restantes em seu programa de graduação.

Os candidatos aprovados podem participar em um estágio de 12 semanas sob a supervisão de membros do corpo docente de universidades canadenses em uma variedade de disciplinas: ciências, engenharia e matemática e humanidades.

Esse programa atende estudantes de graduação de diferentes países. Além do Brasil, participam graduandos de Austrália, Chile, China, Colômbia, França, Alemanha, Hong Kong, Índia, México, Paquistão, Coreia do Sul, Taiwan, Tunísia, Ucrânia, Reino Unido e Estados Unidos.

As inscrições deverão ser feitas diretamente na página da MITACS até o dia 21 de setembro de 2023.

Plataforma i-Araucária conquista prêmio em evento internacional. Foto: Geraldo Bubniak/AEN

A plataforma digital i-Araucária, que permite identificar e localizar pesquisadores cadastrados na plataforma Lattes, do CNPq, além de suas produções científicas e técnicas, conquistou o 1° lugar no Prêmio de Excellence Awards, no 9th Knowledge Management and Intellectual Capital Conference (ECKM). O evento, maior da Europa na área de capital intelectual e gestão do conhecimento, foi realizado na sede do Instituto Universitário de Lisboa, Portugal, na última semana.

Atualmente a i-Araucária permite acesso ao currículo de mais de 390 mil doutores brasileiros e possui cerca de 4 mil pesquisadores cadastrados interagindo na plataforma. Possibilita também a busca por diferentes perfis de formação e de atuação de pesquisadores, além de informações do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e a identificação da infraestrutura na qual eles atuam, como universidades, laboratórios ou centros de pesquisa.

O trabalho apresentado e premiado no evento tem o título Fostering Innovation Ecosystems Through Knowledge Coproduction: The case of NAPI Program in Paraná, Brazil (Fomentando ecossistemas de inovação por meio da coprodução de conhecimento: o caso do Programa NAPI no Paraná, Brasil) e apresenta o projeto de concepção, desenvolvimento e aplicação da plataforma i-Araucária, desenvolvida para apoiar a Fundação Araucária no planejamento e fomento de ciência, tecnologia e inovação no Paraná.

A premiação foi recebida pelo diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação da Fundação Araucária e coautor do trabalho, Luiz Márcio Spinosa, e por professores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) e pesquisadores do Instituto Stela.

“Com base nas informações acessadas na i-Araucária forças-tarefas podem ser criadas para desenvolvimento das pesquisas de interesse do Estado. Estas forças-tarefas constituem elemento essencial para criação dos Novos Arranjos de Pesquisa e Inovação (NAPIs) e, desta forma, direcionam o fomento à pesquisa aplicada pelo fortalecimento das Parcerias Público-Privada”, destacou o diretor.

Segundo Spinosa, outros 14 estados já manifestaram interesse em utilizar a solução em suas fundações estaduais de amparo à pesquisa.

A i-Araucária tem base na plataforma Inteligentia do Instituto Stela, que dispõe de diversos sistemas de informação para apoio a tomada de decisão e coprodução de comunidades. A concepção dos coletivos e dos processos de coprodução para CT&I tem a autoria dos pesquisadores da Fundação Araucária e do Programa de Pós-graduação em Engenharia, Gestão e Mídia do Conhecimento da UFSC (EGC).

Os estudos estão publicados em um artigo da segunda revista científica mais citada na área de “Pharmacy & Pharmacology”

Um grupo de pesquisadores do Campus Toledo vem trabalhando no desenvolvimento de um hidrogel com alto poder antimicrobiano. Os estudos estão publicados em um artigo da segunda revista científica mais citada na área de “Pharmacy & Pharmacology” e fazem parte do trabalho de pós-doutorado do Programa de Pós-Graduação em Processos Químicos e Biotecnológicos (PPGQB-Toledo) da pos-doutoranda Gabrielle Peiter e dos alunos do mestrado Iago Assis (PPGBio UTFPR) e Jaqueline Saracini (da Unioeste), orientados pelos professores Ricardo Schneider e Cleverson Busso.

No artigo, os pesquisadores citam a dificuldade em controlar doenças com os atuais antibióticos, já que elas estão se tornando mais resistentes. A equipe passou a trabalhar com materiais de vidro e com ausência de metais pesados ou nobres normalmente utilizados.

Para a pesquisadora Gabrielle, há uma necessidade urgente de novos produtos para tratar infecções com risco de vida. “Nossa abordagem envolve a descoberta e o desenvolvimento de novos materiais. Essas atividades combinam nossa experiência multidisciplinar em química Inorgânica/materiais, microbiologia e biologia estrutural”, explica.

O professor Ricardo Schneider comenta da importância do trabalho onde materiais que normalmente são inertes se mostraram potentes agentes bactericidas.  “O diferencial do trabalho está no uso do vidro como agente. Foi possível superar a ação de sanitizantes tradicionais como o álcool em gel com um vidro sem presença de metal pesado, como a prata, amplamente empregada para essa finalidade. Isso torna o material e abordagem únicas na preparação de novos produtos com ação bacteriológica”, comenta.

No trabalho publicado, a equipe revela testes de atividade biológica contra a bactéria Staphylococcus aureusEscherichia colie Pseudomonas aeruginosa e que mostraram uma melhor atividade antimicrobiana comparada a outros sanitizantes.

Para Cleverson Busso, o desenvolvimento do material vítreo antimicrobiano abre novas possibilidades de aplicações em várias áreas tais como médica, industrial e até mesmo agronômica. “O material teve ótima ação bactericida, matando bactérias problemáticas associadas a infecções hospitalares graves, como é o caso da bactéria Pseudomonas aeruginosa. Além disso, o produto tem mostrado altamente eficiente contra diversas espécies de fungos patogênicos ao homem e a agricultura. Neste sentido, novos estudos estão sendo realizados investigando futuras aplicações”, completa.

O hidrogel desenvolvido  é composto de vidro boroffato e Carbopol®, um agente gelificante utilizado em desinfetantes para as mãos. O Carbopol® não apresenta atividade antimicrobiana e é atóxico e não irritante, sendo adequado para produção de gel. Uma das vantagens deste hidrogel, segundo o artigo dos pesquisadores, está no fato de que os álcoois são rapidamente germicidas quando aplicados na pele mas não apresentam atividade residual persistente, permitindo até mesmo o crescimento lento de bactérias após seu uso.

“Os vidros de borofosfato apresentam potencial para serem aplicados como substitutos na produção de formulações de hidrogel em substituição ao álcool proporcionando uma alternativa de gel não inflamável, por exemplo”, destacam no estudo.

O artigo também contou com a participação de pesquisadores da UTFPR, Rafael Bini, da Universidade Estadual da Paraíba, Rodrigo J. de Oliveira, e da Universidade de Brasília, Jorlandio Felix.

Cerca de 60 pesquisadores e estudantes participaram, nesta semana, na Fundação Araucária e remotamente, de um workshop do Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (Napi) Fenômenos Extremos do Universo. Durante o evento, foram apresentados alguns resultados alcançados nos primeiros dois anos de atividade da rede de cientistas.
Na primeira fase de trabalho, o Governo do Estado, por meio da Fundação Araucária e da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), investiu R$ 1 milhão em apoio aos pesquisadores. Grande parte deste recurso (R$ 803 mil) está sendo utilizado na construção da estrutura de suporte de um telescópio do Cherenkov Telescope Array (CTA).

“Nós tentamos envolver o maior número de pesquisadores da área de astronomia neste novo arranjo por meio de workshops, o que animou muito e contribuiu para a integração destes pesquisadores. Além disso, focamos na prioridade desta etapa que era a construção da estrutura do telescópio, que está em andamento”, explica a pesquisadora da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e articuladora do Napi, Rita de Cássia dos Anjos.

Além da busca pela inovação e desenvolvimento de instrumentos voltados à pesquisa astronômica e espacial, o Napi tem trabalhado nas áreas de astrofísica, cosmologia e gravitação. Também tem avançado no fortalecimento da internacionalização das instituições paranaenses na área de astronomia.

O coordenador de um dos projetos desenvolvidos no Napi, o pesquisador e diretor do Observatório Astronômico da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Marcelo Emilio, tem atuado com estudiosos da Fundação Planets, que reúne pesquisadores de vários países interessados em descobrir vida em outros planetas. Atualmente, a instituição está construindo um outro telescópio com a capacidade de explorar atmosferas de exoplanetas próximos, no Havaí (Estados Unidos).
“Quando este telescópio ficar pronto será o maior fora do eixo para observação noturna, servindo de base tecnológica para construirmos telescópios ainda maiores. O grande diferencial desta tecnologia é que ele pode ser construído com menos material e muito mais barato”, afirmou.

O professor também anunciou que já há aprovação para o curso de graduação em Astronomia na universidade, que será o terceiro no País – ele é ofertado apenas em São Paulo e no Rio de Janeiro.
Segundo o professor do Departamento de Física, da Universidade Federal do Espírito Santo, e pesquisador do Napi, Jaziel Goulart Coelho, esses telescópios e o desenvolvimento de observatórios devem fomentar a indústria nacional e permitir a liderança paranaense em descobertas científicas e na geração de inovação e instrumentação científica.
“Os cientistas paranaenses e estudantes terão acesso aos primeiros dados quando o telescópio estiver em pleno funcionamento. Também teremos a oportunidade de desenvolver junto à indústria paranaense tecnologia de ponta com descobertas que vão ser de grande impacto dentro da astronomia e da astrofísica”, ressaltou.

O Napi também tem atuado na divulgação científica por meio do incentivo à participação de meninas nos projetos de astrofísica e astronomia nas escolas, e realizado parcerias com escolas e secretarias por meio de cursos/oficinas para professores e alunos, além da elaboração de materiais para deficientes visuais e baixa visão voltados para o ensino de astronomia.

Além da UFPR, UTFPR e UEPG, integram o Napi Fenômenos Extremos do Universo pesquisadores da Universidade Estadual de Londrina (UEL), do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Santa Catarina (IFSC) e da empresa BrasilSat. Na segunda fase dos estudos, que deve seguir até 2028, serão priorizados os projetos de física aplicada, que têm grande impacto na sociedade.


NAPIS – Atualmente, já são mais de 50 Novos Arranjo de Pesquisa e Inovação implantados ou em construção no Paraná. A Fundação Araucária tem realizado uma série de workshops temáticos em que os pesquisadores membros do Napis podem apresentar os principais resultados alcançados dentro da fase de trabalho em que se encontram e projetar ações futuras.

Grupos de caçadores abatem apenas machos, deixando fêmeas e filhotes vivos para impulsionar a prática, favorecendo que a espécie se espalhe pelo país, causando impactos ambientais e na saúde

Os javalis, porcos selvagens que podem chegar a pesar até 250 quilos, foram listados entre as cem espécies mais invasoras do mundo, de acordo com a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Os animais já causam impacto em todos os continentes, com exceção da Antártica. No Brasil, segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a espécie está presente nos seis biomas e em 2010 munícipios, os quais registram invasões de áreas naturais e agrícolas por parte dos animais.

Além de causar consequências na saúde animal nativa e pecuária, na biodiversidade, na saúde ambiental e na agricultura, os javalis ainda são considerados hospedeiros e reservatórios de várias doenças zoonóticas, como toxoplasmose, salmonelose, leptospirose, tuberculose, hepatite E, influenza A e febre maculosa.

Em artigo recém-publicado no periódico One Health, da Science Direct, pesquisadores do Departamento de Medicina Veterinária da Universidade Federal do Paraná (UFPR) em colaboração com integrantes do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, sugerem que a caça ao javali como medida de controle falhou, principalmente devido a grupos privados que visam, sobretudo, machos, deixando, intencionalmente, fêmeas e leitões vivos para possibilitar a continuidade da prática, o que faz com que as populações de javalis sejam disseminadas em todo o país.

Veja a matéria completa na revista Ciêcia UFPR.

As inscrições para submissão de propostas para as atividades da Semana Estadual de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná – Paraná Faz Ciência 2023 podem ser realizadas até o dia 15 de setembro. A decisão foi anunciada por meio de edital da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná (Seti), publicado no dia 30 de agosto.

A Semana Estadual de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná – Paraná Faz Ciência 2023 é um evento anual, realizado com o objetivo de debater e divulgar ciência, tecnologia, inovação e educação. Tem por objetivo difundir os avanços da ciência, tecnologia e inovação nas diferentes áreas de conhecimento e reunir pesquisadores, estudantes, professores universitários, professores da educação básica e cidadãos em geral interessados em conhecer a ciência desenvolvida no Paraná. 

O edital da Seti tem por objetivo selecionar propostas de atividades científico-culturais interativas, nas diversas áreas de conhecimento, para serem apresentadas durante o evento, a ser realizado entre os dias 7 a 10 de novembro de 2023, no campus da UEL, em Londrina, pelos parceiros institucionais e demais interessados.

Confira os editais do Paraná Faz Ciência 2023:

Edital 003/2023 – Prorrogação de Prazos para Submissão de Propostas de Atividades      

Edital 001/2023 – Paraná Faz Ciência 2023

Setembro é marcado por ser o mês da conscientização sobre a importância da doação de órgãos e tecidos para transplantes, conhecido como Setembro Verde. O dia 27 do mês é dedicado ao Dia Nacional de Incentivo à Doação de Órgãos. O Hospital Universitário Regional de Maringá (HUM), da Universidade Estadual de Maringá (UEM), destaca-se pelo seu papel na assistência aos familiares e nos cuidados com o potencial doador, além do preparo dos profissionais que atuam no processo de doação de órgãos e tecidos para transplantes e por ser um centro transplantador de Córneas. 

SIHDOOT/CIHDOTT

O HUM, por meio do Serviço Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (SIHDOOT) e da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTT), presta assistência humanizada e individualizada no acolhimento dos familiares a fim de oferecer a possibilidade da doação de órgãos e tecidos de forma livre e esclarecida, explicando as dúvidas.

A equipe conta com apoio de assistentes sociais, psicólogos, médicos e enfermeiros como membros efetivos do Serviço de Doação. Responde pela coordenação a enfermeira Rosane Almeida de Freitas e os membros são Ellen Catarine Cabianchi, João Vitor Rosa Ribeiro, Maria Aparecida Pinheiro da Silva, Daniela Grignani Linhares e Renata Nogueira de Moura.

Os objetivos são exercer atividades de educação em saúde intra e extra hospitalar, de modo a sensibilizar a comunidade, e ensinar futuros profissionais de saúde. O Serviço/Comissão é responsável por identificar e detectar potenciais doadores de órgãos e tecidos dentro da instituição hospitalar por meio da busca ativa diária.

Os potenciais doadores são aqueles pacientes sem contraindicações clínicas, que sofreram parada cardiorrespiratória (PCR), sendo nesse caso possível doar apenas tecidos como córnea, vasos, pele, ossos e tendões; e pacientes com lesão encefálica grave e irreversível evoluindo para morte encefálica (ME), podendo doar coração, pulmão, fígado, pâncreas, intestino e tecidos. Em vida, uma pessoa também pode doar um dos rins, parte do fígado, parte do pulmão ou parte da medula óssea.  

A SIHDOTT/CIHDOTT acompanha todo o processo de determinação de morte encefálica feito por médicos habilitados, realiza o acolhimento e entrevista familiar além de participar de todo o processo de doação, captação de órgãos e tecidos até a devida reconstituição e entrega do corpo para a família. Todo o trabalho é realizado em parceria com a Organização de Procura de Órgãos (OPO- Maringá) e a Central Estadual de Transplantes do Paraná (CET- Pr).

 Membros da CIHDOTT, que prestam assistência humanizada e individualizada no acolhimento dos familiares

Lista de Espera

Segundo a coordenadora Rosane de Freitas, há uma discrepância entre a fila de espera e o número de doações efetivadas. Com o advento da pandemia Covid-19, o número de doações efetivas diminuiu por contraindicações clínicas. Assim, neste ano, no cenário pós-pandemia, a lista de espera conta com 57.347 pessoas, sendo 33.618 para órgãos e 23.729 para córneas.

Freitas aponta que a necessidade de isolamento social, a diminuição dos horários para visitas e impossibilidade de estar mais em contato com as famílias dos potenciais doadores durante a pandemia, dificultou o processo de esclarecimento e consequentemente de doação. Nesse cenário pós-pandemia, as famílias ainda resistem em aceitar a doação de órgãos. No período pré-pandemia (2019), o índice de recusas no Brasil era de 39% e agora passou para 49%.

Alguns fatores que levam à negativa são: incompreensão do diagnóstico de ME; desconfiança no processo de doação de órgãos; dissenso familiar; problemas no atendimento antes e durante a internação; desconhecimento da vontade do doador e da impossibilidade de conhecer o receptor; questões religiosas, assistenciais e logística-estrutural como, por exemplo, o tempo para realização de todo o processo.

Em contrapartida, os fatores que levam ao consentimento são: profissional habilitado, sensível e humano; conhecimento da família quanto ao desejo do doador; separação entre a comunicação da má notícia e solicitação da doação. 

Conhecer ambas as questões é de suma importância para a elaboração de estratégias para melhorar os processos de trabalho, diminuir as recusas e consequentemente diminuir a fila de espera por um transplante.

 O trabalho de transporte de órgãos para transplantes requer a participação de profissionais muito qualificados

Dados do Paraná

De acordo com a Secretaria de Saúde do Estado do Paraná, no período de janeiro a junho de 2023, foram registrados 460 doadores, perfazendo assim o maior número de doações efetivas de órgãos para transplantes no país. No Paraná 2.898 pacientes estão aguardando, sendo 1.810 para órgãos e 1.088 para córneas. O estado ainda possui o menor índice de recusa familiar no país (29%). Esses números são resultados da capacitação, preparo e transparência dos profissionais de saúde envolvidos.

A equipe da CIHDOTT numa das campanhas do setembro verde (Rosane é a segunda da esquerda para a direita)

Antigamente, pacientes em tratamento de câncer eram orientados a repousar e reduzir as atividades físicas. Sobretudo de dez anos para cá, tudo mudou: estudos comprovam que os exercícios físicos ajudam na terapia, porque reduzem efeitos do tratamento, fortalecem o organismo e, principalmente, ajudam na saúde mental do doente.

O professor Rafael Deminice (Departamento de Educação Física) está na UEL desde 2012, quando começou a desenvolver uma pesquisa sobre a prática de exercícios físicos em animais de laboratório com câncer. O objetivo era criar protocolos que pudessem oferecer atividades seguras aos doentes: quais exercícios, com qual intensidade etc. O estudo foi bem sucedido e gerou benefícios como aumento da força muscular, melhores marcadores da doença e até o desenvolvimento mais lento dos tumores.

As pesquisas em humanos tiveram início há cerca de cinco anos, paralelamente àquelas com animais com câncer de cólon. Uma parceria com o Hospital do Câncer de Londrina (HCL) foi estabelecida e, atualmente, mais de 60 pessoas são atendidas pelo projeto, e perto de 1/3 destas ainda em tratamento de câncer, ou seja, ainda sofrem efeitos como fadiga, alteração de peso, ansiedade, depressão. O projeto atual, “Correndo contra o câncer”, é de 2022, e o professor recebe bolsa produtividade do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) desde 2015.

Exercícios multimodais

Os participantes do projeto são de Londrina e região, de idades e tipos de câncer variados e não pagam nada. As atividades prescritas são monitoradas e avaliadas o tempo todo. São três turmas, que fazem 1 hora cada uma: segunda e quarta (7h), terça e quinta (9h) e terça e quinta (18h). São exercícios multimodais, isto é, abrangem diferentes capacidades físicas e objetivos: força, flexibilidade, coordenação motora e capacidade cardiovascular.

O professor Rafael observa que os pacientes podem levar um acompanhante, o que se torna um fator positivo a mais para o paciente. Tanto que – o coordenador destaca – os ganhos em termos de saúde mental são notáveis. Já foi registrada alguma evasão, mas os motivos são variados. O pesquisador aponta, por exemplo, que em semana de tratamento as faltas aumentam.

Em sua dimensão de projeto de Extensão, o projeto vai além do atendimento aos pacientes. Devido à procura por pessoas e instituições de fora, o projeto desenvolveu um site e perfis no Instagram e Facebook. Segundo o professor, o site cria conteúdos para quem não pode participar do projeto, com artigos, aulas, palestras e outros materiais, seja para um paciente, um pesquisador ou qualquer um que tenha ouvido falar no projeto. Também foi criada uma rede que apresenta, entre outros tópicos, um mapeamento de serviços semelhantes no país. Rafael diz que a maioria dos projetos no país visa o rendimento físico, por isso o projeto da UEL se destaca.

Outra característica extensionista está na dimensão incentivadora da prática de atividades físicas do projeto. É razão e reflexo, por exemplo, dos recursos obtidos pela Lei Estadual de Incentivo ao Esporte (Pr\o/esporte), via Copel, utilizados em pagamentos e aquisição de material. A contrapartida exigida pelo edital é a formação e informações oferecidas. O projeto se inscreveu novamente para o ano que vem.

“Vários pacientes e ex-pacientes do projeto já participaram de corridas e, dentro das circunstâncias, saíram-se muito bem”, relata o professor Rafael Deminice.

Avanços

O projeto tem caminhado junto com os avanços mundiais na área. Rafael conta que, por volta de 2020, a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica e a Sociedade Brasileira de Atividade Física e Saúde, com participação do Instituto Nacional de Câncer (ligado ao Ministério da Saúde), publicaram um Documento Nacional sobre os benefícios da atividade física para ex-pacientes de câncer. Rafael participou da elaboração. Este ano, deve sair o segundo volume, incluindo resultados sobre a prática durante o tratamento. Também a Sociedade Americana de Oncologia Clínica, referência mundial, publicou um Guia de exercícios como parte do tratamento oncológico.

Atualmente, o projeto conta com a participação de cinco mestrandos e doutorandos que desenvolvem pesquisas com animais e humanos, além de três alunos de graduação (Iniciação Científica). Uma novidade é o ingresso de uma aluna do curso de Nutrição da UEL, ainda este ano. A disseminação já rendeu ao projeto vários prêmios, em eventos científicos de diversas áreas, como Educação Física, Medicina, Nutrição, Biologia e Esporte.

Num projeto paralelo, junto com o HCL, são desenvolvidos artigos. O Hospital do Câncer também realiza uma corrida em outubro, mês dedicado às ações de prevenção da doença. Aliás, sobre isso, Rafael conta: “Vários pacientes e ex-pacientes do projeto já participaram de corridas e, dentro das circunstâncias, saíram-se muito bem”. De acordo com o coordenador do projeto, eles têm orgulho de correr, de fazer parte, e de terem se curado.