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II WORKDHOP DO NAPI PARANÁ FAZ CIÊNCIA

As universidades estaduais de Londrina (UEL), Maringá (UEM) e Ponta Grossa (UEPG) somam 21 professores entre os melhores cientistas do globo em oito áreas acadêmicas. A informação está na segunda edição da Classificação dos Melhores Cientistas, divulgado na semana passada pela plataforma acadêmica internacional Research.com. Neste ano, considerando somente as instituições ligadas ao Governo do Paraná, são seis docentes a mais, em relação à edição anterior.

O levantamento abrange 166.880 pesquisadores, com resultados baseados em dados consolidados bibliométricos que englobam publicações e métricas de citação nas diferentes áreas do conhecimento.

Os dados foram coletados em dezembro de 2022 de várias fontes, incluindo o OpenAlex e a CrossRef. O primeiro reúne mais de 200 milhões de documentos científicos e cataloga informações de autores e tópicos de pesquisa em um banco de dados abrangente e interligado globalmente. O outro é uma organização americana de infraestrutura digital sem fins lucrativos, que registra metadados abertos para a comunidade mundial de pesquisa acadêmica.

O professor Angelo Antonio Agostinho, da UEM, conquistou novamente o destaque no âmbito das instituições estaduais de ensino superior paranaenses. Ele ocupa a sexta posição nacional na área de Ecologia e Evolução, entre 95 pesquisadores brasileiros. No mundo, ele está na posição 810.

Segundo Angelo Agostinho, a produção acadêmica e científica tem papel social relevante, com impacto em várias áreas. “A pesquisa científica busca identificar e dimensionar desafios sociais, assim como melhores estratégias e soluções em diferentes setores, como saúde, meio ambiente, alimentos, tecnologia, energia, entre muitos outros relacionados ao bem-estar das pessoas”, elencou o professor.

Ele também comentou sobre a linha de pesquisa em que atua. “Minha pesquisa é na área de ecologia e conservação de ecossistemas aquáticos, que são responsáveis por bens e serviços utilizados pela população”, pontua, destacando que atua “na identificação de ameaças pelas atividades humanas e na proposição de soluções para prevenir e amenizar os impactos no meio ambiente.

Doutor em Ecologia e Recursos Naturais, Angelo está aposentado como professor titular da UEM, mas mantém vínculo como docente voluntário da instituição, ligado ao Programa de Pós-Graduação em Ecologia de Ambientes Aquáticos Continentais (PEA). Com cursos de mestrado e doutorado em Ecologia e Limnologia, na área de concentração da Biodiversidade, o PEA é considerado referência no Brasil, avaliado com nota máxima (7) pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

RESULTADOS – Na área de Ecologia e Evolução, também figuram os professores da UEM, Sidinei Magela Thomaz e Luiz Carlos Gomes, em 34º e 39º lugar no Brasil. Na área de Ciência de Materiais, entre 48 pesquisadores brasileiros, os professores Edvani Curti Muniz e Alessandro Dourado Loguercio, da UEM e da UEPG, aparecem classificados nas posições nacionais de número 10 e 12, respectivamente. Na sequência, o professor Adley Forti Rubira, da UEM, está na 22ª colocação, nessa categoria.

Os professores Edvani Curti Muniz e Adley Forti Rubira também estão classificados na área de Química em 18º e 49º lugar, nessa ordem, entre 117 pesquisadores brasileiros. Nesse grupo, também aparecem os professores Jesuí Vergílio Visentainer, da UEM, na posição 96, seguido pelos docentes César Ricardo Teixeira Tarley e Fabio Yamashita, ambos da UEL, nas posições 109 e 113.

O campo da Ciência Animal e Veterinária ranqueou 103 brasileiros, sendo quatro das instituições estaduais paranaenses de ensino superior: Amauri Alcindo Alfieri, da UEL, no 13º lugar nacional; e Ivanor Nunes do Prado, Ricardo Massato Takemoto e Geraldo Tadeu dos Santos, todos da UEM, nas classificações 19, 63 e 100 do Brasil.

O professor Ervin Kaminski Lenzi, da UEPG, figura em 20º lugar na área de Matemática, como o único paranaense entre 22 brasileiros classificados. Em Microbiologia, entre 46 cientistas brasileiros, está o docente Celso Vataru Nakamura, da UEM, classificado em 26º lugar. Já os professores Benedito Prado Dias Filho e Rosane Marina Peralta aparecem nas colocações 61 e 67 de Biologia e Bioquímica, entre 104 pesquisadores do Brasil.

Para finalizar a representação de professores ligados às universidades mantidas pelo Governo do Paraná, os docentes Cássio Antonio Tormena e Eduardo Fávero Caires, da UEM e da UEPG, estão classificados nas posições 25 e 51, nessa ordem, num grupo de 52 brasileiros, no campo das Ciências e Agronomia.

Confira os nomes dos pesquisadores das universidades estaduais do Paraná classificados pela plataforma Research.com em 2023:

Ranking internacional aponta 21 professores das universidades estaduais entre os melhores cientistas
Ranking internacional aponta 21 professores das universidades estaduais entre os melhores cientistas
Ranking internacional aponta 21 professores das universidades estaduais entre os melhores cientistas
Ranking internacional aponta 21 professores das universidades estaduais entre os melhores cientistas
Ranking internacional aponta 21 professores das universidades estaduais entre os melhores cientistas
Ranking internacional aponta 21 professores das universidades estaduais entre os melhores cientistas
Ranking internacional aponta 21 professores das universidades estaduais entre os melhores cientistas
Ranking internacional aponta 21 professores das universidades estaduais entre os melhores cientistas

Os equipamentos apreendidos pela Receita Federal são doados para o laboratório da UTFPR que fazem a transformação

Transformar equipamentos apreendidos pela Receita em benefício da comunidade é o objetivo do Projeto Transformar da UTFPR do Campus Francisco Beltrão. A iniciativa teve início em 2022 através de uma parceria da Universidade com a delegacia da Receita Federal de Dionísio Cerqueira (Santa Catarina).

Os aparelhos de IPTV´s (TV-Box) apreendidos pela Receita, os famosos “sky gatos”, são adaptados para se tornarem minicomputadores e serem utilizados em escolas da rede pública de Francisco Beltrão.

Para o coordenador do projeto, Paulo Júnior Varela, os equipamentos são utilizados em terminais e laboratórios de informática das instituições atendidas. “Efetuamos a descaracterização do software nativo dos equipamentos apreendidos e instalamos um novo sistema operacional. Nosso objetivo é levar o acesso às tecnologias digitais da informação para essa comunidade”, explica.

Desde o início do projeto já foram transformados mais de 240 unidades de TV-Box, que estão sendo configuradas e destinadas às escolas, além de instituições de cunho social. Os equipamentos apreendidos, segundo os participantes do projeto, já representam uma grande quantidade armazenada em depósitos da Receita Federal e iriam para destruição. “Além da destinação social, o projeto encontra uma solução sustentável para eles”, completa o professor Paulo Varela.

Entre os desafios da equipe está no fato de que alguns modelos de IPTV´s possuem arquitetura fechada e restrita e utilizam softwares de proteção contra a formatação do equipamento. Para isso, além da parceria entre a Receita Federal e a UTFPR, são buscados apoios com outros municípios da região Sudoeste do Paraná e Oeste Catarinense, bem como, empresas e instituições que queiram apoiar o projeto.

A equipe também tem o apoio da vice-coordenadora do projeto, Maici Duarte Leite, de professores e alunos dos cursos de Licenciatura em Informática e do Bacharelado em Sistemas de Informação do Campus, Eric Endres, Lucas Antonio Feltrin, Marieli Scheffer dos Santos e Diana Caroline Drai de Melo.

Até o momento, cinco escolas públicas e duas entidades sociais já foram beneficiadas com os equipamentos.

Maior evento científico da América Latina contou com mais de 44 mil participantes, entre as atividades online e presenciais. Encontro realizado no campus Centro Politécnico da Universidade Federal do Paraná comemorou retomada científica do País. Próxima edição, em julho de 2024, será em Belém, no Pará.

A 75ª Reunião Anual da SBPC, realizada entre os dias 23 e 29 de julho de 2023 na Universidade Federal do Paraná (UFPR), se despediu de Curitiba comemorando uma expressiva participação de público e de engajamento. Ao todo, cerca de 44.500 pessoas participaram das atividades presenciais e online, uma média de 6,3 mil visitas por dia.

As atividades presenciais, como debates, conferências, painéis e mesas-redondas, reuniram mais de 8 mil pessoas. Já as transmissões online, divididas entre os canais da SBPC e da UFPR, colecionaram mais de 17 mil visualizações até o fim do evento. O evento também recebeu a visita de 16 mil crianças, adolescentes e professores de escolas da região de segunda a sexta-feira.

No sábado, 29 de julho, houve o “Dia da Família na Ciência”, em que todos os espaços da Reunião Anual foram abertos para receber o público, o que levou aproximadamente 3.500 pessoas ao campus da UFPR.

“A Ciência voltou! E voltou em grande estilo. Essa Reunião Anual no Paraná criou um patamar de tanta qualidade, que fica um desafio para as edições futuras”, brincou o presidente da SBPC, Renato Janine Ribeiro, na cerimônia de encerramento, realizada na última sexta-feira, 28 de julho.

Janine Ribeiro destacou a importância do tema da 75ª Reunião Anual, “Ciência e Democracia para um Brasil justo e desenvolvido”, escolhido meses antes do resultado da eleição presidencial no País.

“Nós escolhemos esse tema ano passado, pensando muito que a ciência e a democracia poderiam estar mais em risco ainda do que estiveram nos últimos anos, porque em todos os locais em que o negacionismo ganhou um segundo mandato, foi fatal para os países. É o que aconteceu na Polônia e na Hungria, e o que acontece na Índia. Então, nós não sabíamos se ciência e democracia estariam sendo armas de uma resistência ou se estariam em reconstrução. Felizmente, pelo trabalho de muitos, estão em reconstrução.”

Para a secretária-geral da SBPC, Claudia Linhares Sales, responsável pela coordenação da Reunião Anual, o evento representou a retomada de um debate aberto sobre a construção das políticas científicas, com envolvimento direto da população.

Sales destacou também o retorno do Governo Federal à Reunião Anual, com a presença de três ministros no decorrer do evento – Luciana Santos, da Ciência, Tecnologia e Inovação; Nísia Trindade, da Saúde; e Camilo Santana, da Educação – além do estande próprio do MCTI dentro da ExpoT&C, após algumas edições do evento.

“A 75ª Reunião Anual da SBPC abriu diálogos na definição de políticas públicas de Ciência e Tecnologia, porque tivemos uma série de retornos ao evento nesta edição. O que isso quer dizer? Que o Governo tem a vontade política de abrir um diálogo com a comunidade, e a comunidade pode dar grandes contribuições para a reconstrução do nosso País. Então, essa alegria que a gente vê nas crianças, nos organizadores, nos participantes, é a alegria de quem quer contribuir para que o Brasil seja um país democrático, justo, desenvolvido, inclusivo e sustentável.”

Reitor da UFPR, Ricardo Marcelo Fonseca, afirmou que foi surpreendente ver em que a universidade havia se transformado na semana da 75ª Reunião Anual.

“Foi uma alegria ter testemunhado nessa semana da Reunião Anual a movimentação na nossa Universidade Federal do Paraná. A UFPR testemunhou essa pulsação tão intensa de Ciência, de Tecnologia, mas também de divulgação e de interlocução com a comunidade. De fato, nós recebemos muita gente, e quem esteve aqui, testemunhou, sobretudo, o acolhimento, a alegria de quem chegava e a emoção de ver as crianças aqui dentro.”

Por conta da reunião do G20, que está acontecendo na Índia, a titular do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, não pode estar presente na Reunião Anual, entretanto, ela agradeceu em vídeo o convite do presidente da SBPC, Renato Janine Ribeiro, e encaminhou uma mensagem para a cerimônia de encerramento do evento, na sexta-feira:

“Quero ressaltar que a realização dessa reunião no momento de reconstrução da nossa democracia é algo que deve ser de fato celebrado. São tempos que a SBPC ajudou a construir, mesmo com todos os ataques do governo anterior sofridos pela Ciência, pela Tecnologia e tudo que indicasse um progresso civilizacional, com valores de liberdade, equidade, democracia e respeito a direitos. A SBPC é construtora de futuros, de saberes, de esperança e de justiça, que são frutos da boa Ciência, de quando ela é democratizada e vira bem comum de um País e de um povo.”

A Reunião Anual em números

Presencialmente, a programação científica da 75ª Reunião Anual da SBPC contou com 41 conferências, 62 mesas-redondas, três encontros, 13 sessões especiais, quatro assembleias, um ciclo de conferências, uma reunião, duas sessões de pôsteres e uma sessão de encerramento. Ao todo, foram realizadas 125 atividades, que contaram com a participação de mais de 8 mil pessoas.

Foram 10.784 pessoas que se inscreveram no evento, e cerca de 4.600 que se credenciaram. Além disso, foram oferecidos 32 webminicursos, que contaram com as inscrições de 701 pessoas.

As sessões de pôsteres contaram com 244 trabalhos apresentados em formato de vídeo-pôsteres – 121 trabalhos foram de estudantes indicados para a Jornada Nacional de Iniciação Científica, vindos 21 instituições de todo o Brasil, e 123 trabalhos foram enviados por estudantes e professores do Ensino Básico ou Superior e pesquisadores.

Desse total, 129 também foram apresentados presencialmente, nos dias 24 e 25 de julho.

Debates para a 5ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação começaram na Reunião Anual 

Durante a programação da 75ª Reunião Anual da SBPC, foram realizados os primeiros debates acerca da 5ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, que acontecerá em 2024. Ao todo, a programação contou com nove sessões especiais dedicadas à construção das políticas científicas – uma delas contou com a participação da ministra Luciana Santos.

Entre os temas, foram debatidos a avaliação e o financiamento de pesquisa, a regulação da Ciência, divulgação científica e população da ciência e Amazônia sustentável. As resoluções dadas nos debates serão compiladas e agrupadas em um documento a ser entregue pela SBPC para o Governo Federal. 

Reunião Anual encabeçou lançamentos de estudos e obras

A programação da 75ª Reunião Anual da SBPC também contou com uma série de lançamentos de pesquisas acadêmicas e demais obras. Na última segunda-feira (23/07), dia de início da programação científica do evento, a empresa de análises Elsevier e a Agência Bori anunciaram um estudo inédito que identificou a queda na produção acadêmica em 23 países – no Brasil, a produção caiu pela primeira vez na história do País, com um decréscimo de 7.4% no comparativo entre 2022 e 2021.

Já o Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) lançou o livro, site e jogo virtual Galáxia da Ciência, um conjunto de atividades multiplataformas com o objetivo de aproximar o desenvolvimento científico e tecnológico nacional do público geral e homenagear a história da Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) no Brasil.

E a Associação Nacional de Pós-Graduandos lançou o “Dossiê Florestan Fernandes”, um documento que traça um panorama sobre a condição dos pós-graduandos na formação e no mercado de trabalho no País.

Próxima parada, Pará

O encerramento da 75ª Reunião Anual trouxe uma novidade: a próxima edição já tem local definido para acontecer. Ela será na Universidade Federal do Pará (UFPA). Quem deu mais detalhes foi o reitor da instituição, Emmanuel Zagury Tourinho:

“Foi uma enorme alegria ver essa festa tão bonita e tão intensa, no momento de reafirmação da democracia brasileira, de reafirmação da importância da Ciência para o desenvolvimento do País. E quero agradecer muito a confiança da SBPC na Universidade Federal do Pará, para a realização da 76ª Reunião Anual.”

Tourinho também agradeceu a receptividade da UFPR em passar o bastão para a nova entidade e concluiu que o desafio é engajar mais pessoas à Ciência, assim como ele foi engajado no passado.

“Essa reunião que acontecerá no ano que vem será a terceira Reunião Anual sediada pela UFPA, a primeira foi em 1983, quando eu era aluno da universidade e me tornei sócio da SBPC. Espero que no próximo ano também nós possamos fazer um grande de associação de jovens e pesquisadores da nossa universidade e da nossa região.”

Rafael Revadam – Jornal da Ciência

Confira o áudio desta notícia

O Governo do Estado fez nesta última sexta-feira (28) um balanço das ações desenvolvidas na 75ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). O evento, realizado na Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba, teve o o apoio da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) e da Fundação Araucária de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico.

A programação, que começou no domingo (23) e seguiu até este sábado (29), com participantes de todo o Brasil.

A Seti e a Fundação Araucária compartilharam um dos maiores estandes do pavilhão da 30ª Exposição de Ciência e Tecnologia (Expotec 2023), numa área total de 128 metros quadrados. O espaço foi aproveitado como vitrine do Sistema Estadual de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná, com a divulgação de programas governamentais estratégicos.

Ao longo da semana, o local também foi utilizado como gabinete itinerante da Seti, com a realização de 15 reuniões, envolvendo autoridades de nível nacional e regional ligadas à ciência.

Simultaneamente, as sete universidades estaduais ocuparam uma estrutura de 168 metros quadrados. Nesse espaço acadêmico, 238 estudantes e professores universitários se revezaram para atender mais de 15 mil alunos de diferentes idades, de escolas públicas e privadas, que visitaram o evento.

Esses monitores atuaram na divulgação de projetos de ensino, pesquisa e extensão das respectivas instituições de ensino superior, em várias áreas do conhecimento, a fim de despertar nas crianças e adolescentes o interesse pela universidade.

Na avaliação do secretário da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná, Aldo Nelson Bona, participar desse tipo de evento é positivo para fortalecer a educação do Paraná. “Mostramos para a comunidade científica nacional o que tem sido feito pelas nossas sete universidades estaduais e pelas instituições de pesquisa científica e tecnológica. O balanço é muito positivo para o sistema de ciência e tecnologia do Paraná, o segundo estado que mais investe em ciência no país”, destacou.

Ele ressaltou a intensa programação técnica e acadêmica, que possibilitou reflexões em torno da importância da ciência para o desenvolvimento brasileiro, que devem orientar a proposição de políticas públicas.

“Destacamos o programa das agências de desenvolvimento regional sustentável, que inclusive foi objeto de discussão, inspirando outros estados a compreenderem esse modelo de relação entre a academia e o setor produtivo empresarial. A ideia é fazer cada vez mais da ciência o motor de desenvolvimento do Paraná”, sinalizou o secretário.

Na programação técnica desta sexta-feira a professora Antonia Aparecida Lopes, da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), conduziu uma mesa-redonda sobre linguagem brasileira de sinais no currículo do ensino superior.

CERTIFICADOS – Em uma cerimônia com a presença do pró-reitor de Extensão e Cultura da UFPR, professor Rodrigo Arantes Reis, coordenador geral da 75ª Reunião Anual da SBPC, o secretário Aldo Bona entregou certificados aos representantes das universidades estaduais responsáveis pelos grupos de monitores.

A aluna do segundo ano do Curso de Enfermagem, Joana Ladislau, da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), em Guarapuava, destacou a experiência de participar de um evento dessa natureza.

“É muito enriquecedor participar de um encontro tão grande e de nível nacional, apresentando os cursos e os projetos que desenvolvemos nas universidades e conhecendo realidades diferentes, inclusive nas outras universidades estaduais”, frisou.

Para o professor Paulo Antônio Liboni, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), esse tipo de evento é importante para fortalecer o ecossistema de ensino, pesquisa e extensão do Paraná.

“A reunião anual da SBPC é um ambiente propício para divulgar os projetos desenvolvidos nas universidades, em especial para os alunos da educação básica, e mostrar a importância de fazer ciência, motivando os jovens a ingressar em cursos superiores e seguir carreira acadêmica”, salientou o docente, que coordenou um grupo com 35 estudantes.

PESQUISA E INOVAÇÃO – O Programa de Propriedade Intelectual com Foco no Mercado (Prime) esteve em destaque mais uma vez entre as ações de ciência e tecnologia da Seti. Ao todo, cinco pesquisadores de projetos ligados à sustentabilidade, selecionados na edição de 2023, participaram da programação dos espaços de atendimento: haste mecânica para higiene pessoal; startup de finanças; hidrocarvões para remoção de poluentes em resíduos de processos industriais; processo para o tratamento de efluentes industriais com metais pesados; e uma cápsula para drinques.

INOVAÇÃO – Neste sexto dia de programação, a Fundação Araucária divulgou o Programa Centelha, que integra o Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação Empreender e inovar (Napi Startup Life). A iniciativa tem como objetivo estimular o empreendedorismo por meio de capacitações para o desenvolvimento de bens, serviços e processos inovadores. Em duas edições, o programa subsidiou aproximadamente 80 startups paranaenses. Uma dessas empresas, a R2 Soluções, que atua com serviços de consultoria de Tecnologia da Informação (TI), esteve no estande do Governo do Estado.

O engenheiro Fernando Cesar De Lai, coordenador do projeto DigiWell, plataforma desenvolvida pela R2 Soluções, destacou as ações de fomento voltadas para o setor empresarial. “As iniciativas, projetos, programas e ações relacionadas ao fomento de ideias e de pesquisa são fundamentais para o desenvolvimento do mercado empresarial e da sociedade, pois todo o processo de idealização da nossa empresa, por exemplo, foi iniciado a partir do Programa Centelha”, afirmou.

Já o Sistema de Parques Científicos e Tecnológicos do Paraná (Separtec) apresentou o CienTech, o parque científico da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), no Campus de Medianeira. No estande, o professor Fernando Schutz, diretor de Relações Empresariais e Comunitárias da UTFPR, apresentou algumas pesquisas aplicadas para a busca de soluções tecnológicas desenvolvidas no parque. Durante o evento ele destacou a importância da atração e incubação de empresas e projetos inovadores.

No último sábado (29), os coordenadores da Seti, Marcos Aurélio Pelegrina (Ciência e Tecnologia) e Fabiano Gonçalves Costa (Ensino Superior), e o gerente de Ciência, Tecnologia e Inovação da Fundação Araucária, Nilceu Jacob Deitos, estiveram presentes entre 9 horas e 17 horas, apresentando programas estratégicos no âmbito das duas instituições.

O Programa Interinstitucional de Ciência Cidadã na Escola (PICCE) está com inscrições abertas, até o dia 24 de agosto, para o processo de formação “Ciência Cidadã na Escola: formação de professores para a Educação em Ciências”. O público-alvo são professores regularmente vinculados à rede pública estadual do Paraná. 

Com o objetivo de formar cientistas cidadãos, o projeto reuniu, em uma primeira fase, professores e seus alunos na coleta de dados científicos. Agora, em um segundo momento, a proposta é estruturar um grande projeto de Educação Científica, em direção a formação de cientistas cidadãos, permitindo à comunidade escolar interpretar os dados obtidos e buscar soluções para os problemas da realidade onde estão inseridos.

Serão selecionados 500 professores para participar do curso do PICCE. Este total será distribuído entre 20 vagas para professores em cargos de coordenações técnicas (CCT) e as demais 480 vagas para professores em efetivo exercício em sala de aula, distribuídas entre os 32 Núcleos Regionais de Educação (NRE).

O curso será realizado de forma assíncrona pela Plataforma Virtual da Universidade Virtual do Paraná (UVPR). As inscrições podem ser realizadas pelo site picce.ufpr.br. Para mais informações, confira o Edital do Picce. 

As atividades de contato com o meio científico continuam, nesta terça-feira (25), na 75ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). No espaço da SBPC Jovem, diversos projetos e trabalhos estão sendo apresentados aos visitantes. Dentre eles, um promete explorar os cinco sentidos do ser humano.

O espaço “Jardim das Sensações”, organizado pelo Programa de Educação Tutorial (Pet) do curso de Farmácia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), tem como objetivo apresentar ao público mais jovem a importância das plantas medicinais. O stand também visa mostrar os processos pelos quais essas plantas passam até a produção de medicamentos, óleos essenciais e outros produtos derivados.

Foto: Thiago Fedacz

O passeio começa pelo sentido da visão. Nesse primeiro momento, os visitantes observam as diferentes plantas e as suas características perceptíveis a olho nu. Na sequência, é possível observar aspectos mais detalhados das folhas a partir de um microscópio.

Depois da visão, são o paladar e o olfato que passam a ser protagonistas da exposição. Os visitantes são expostos a um jogo, cujo objetivo é acertar de qual planta vem o chá que estão tomando. Para isso, o aroma e o sabor se tornam essenciais na identificação das folhas.

Em direção ao fim da atividade, quem passar por ali vai poder entender um pouco mais sobre o processo de separação dos diferentes componentes que são produzidos a partir da planta. Nesse momento, os participantes são convidados a conhecer as diferentes texturas das folhas a partir do toque, bem como os cremes e óleos que são gerados a partir do extrato da planta.

De acordo com o professor Carlos Eduardo Rocha Garcia, tutor do grupo Pet Farmácia, atividades como essa podem ser a porta de entrada para futuros pesquisadores: “Observamos que muitos alunos do nosso curso de Farmácia relatam o impacto positivo da Feira de Profissões da Universidade Federal. Lá, eles viram exposições desse tipo e se movimentaram para vir para o curso de Farmácia e para quererem realizar uma iniciação científica. Esse é o nosso objetivo: despertar, na sociedade, quanto mais jovem possível, a ideia de que a ciência é a alternativa para o desenvolvimento”, afirma.

Por Thiago Fedacz, sob supervisão de Bruna Soares

Evento ganhou o nome de Paraná Faz Ciência e será realizado em Londrina, no início de novembro

A ciência voltou com tudo na Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. E isso repercute no nosso Estado. O governo do Paraná lançou, nesta segunda-feira (24), a Semana Estadual da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. Denominado Paraná Faz Ciência 2023, o evento faz parte da 20ª Semana Nacional da Ciência e Tecnologia (SNCT 2023) e será realizado no período de 7 a 10 de novembro, na Universidade Estadual de Londrina (UEL).

A iniciativa é da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), em parceria com a Fundação Araucária de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico e a UEL. O objetivo é fortalecer a cultura científica e tecnológica, por meio de ações integradas de disseminação do conhecimento, e promover o acesso da população às atividades acadêmico-científicas, fortalecendo a atuação institucional do Sistema Estadual de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná.

Em 2021, o Governo do Paraná sancionou a Lei nº 20.752, normativa que instituiu a Semana da Divulgação Científica, um evento anual para a popularização da ciência, tecnologia e inovação, voltado, principalmente, para os públicos não especializados. Assim, surgiu o Paraná Faz Ciência, que pretende reunir estudantes e professores dos diferentes níveis de ensino, desde a Educação Básica até a Educação Superior, e representantes de organizações da sociedade civil.

A reitora da UEL, Marta Favaro, pediu a contribuição de todos, porque como a SBPC esse é um evento coletivo. “Agora, mais do que nunca, a gente precisa reconhecer o trabalho dos pesquisadores e valorizar a ciência”.

O diretor da Fundação Araucária, Marcio Spinoza, lembrou que a SBPC está fazendo com que o Brasil olhe para o Paraná e “é um privilégio lançar a Semana de Ciência e Tecnologia, que é parte do projeto Paraná Faz Ciência”.

Na sequência, o anfitrião do evento, o secretário de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Aldo Bona, agradeceu aos colaboradores de todas as instituições de ensino superior do Paraná e lembrou que este é o momento que o governo “anuncia o retorno das semanas estaduais de ciência e tecnologia, com o nome Paraná Faz Ciência, que leva essa marca. No Paraná, se faz muita coisa, inclusive, ciência, e ciência de ponta”.

PrFC – Na programação do Paraná Faz Ciência (PrFC), além de visitas técnicas, oficinas de ciência, tecnologia, cultura e arte, estão previstos eventos como: o Encontro do Ensino Superior do Futuro; a Mostra Interativa de Ciência, Tecnologia e Inovação; o Encontro Paranaense de Comitês de Suporte para Pesquisa Científica e Tecnológica; o Encontro Paranaense de Editores Científicos.

Outras atividades acadêmicas da UEL completam a programação, como um simpósio de extensão, o Encontro Anual de Iniciação Científica (Eaic) e a Mostra Anual de Atividades de Ensino. Em breve, serão lançados os editais para a submissão de propostas para participação e apresentação de trabalhos.

Parceria – O Paraná Faz Ciência 2023 conta, ainda, com a parceria das secretarias estaduais da Educação (Seed) e da Inovação, Modernização e Transformação Digital (Semti); da Prefeitura de Londrina e da Secretaria Municipal da Educação; das universidades estaduais de Maringá (UEM), de Ponta Grossa (UEPG), do Oeste do Paraná (Unioeste), do Centro-Oeste (Unicentro), do Norte do Paraná (UENP) e do Paraná (Unespar); e da Universidade Virtual do Paraná (UVPR), programa estratégico da Seti, que reúne os centros de educação a distância (EAD) das instituições estaduais de ensino superior.

As cinco instituições federais de ensino superior paranaenses fecham o grupo de parceiros do evento: Universidade Federal do Paraná (UFPR), Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) e Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Paraná (IFPR).

Uma das organizadoras do evento pela Fundação Araucária, a professora da UEM Débora Sant’ Ana, destacou que este é o terceiro ano que o governo está usando a marca Paraná Faz Ciência. “As duas últimas edições da Semana foram remotas, agora, em 2023, a programação será realizada de forma presencial, na UEL, no interior, e com a participação de gente de todos os lados. Certamente, vai envolver a comunidade local e regional.”

Mais de 750 mil pessoas. Sabe o que isso significa? Nove estádios do Maracanã lotados. Esse é o número médio de pessoas que participaram, ao longo de 75 anos, do maior evento de divulgação científica da América Latina: a Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

No ano passado, mais de 40 mil pessoas participaram – 35 mil no formato online e cerca de 8 mil presencialmente.

74ª Reunião Anual da SBPC – Sessão de Abertura – Foto: Jardel Rodrigues/SBPC

Em 2023, sediada pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), mais de 35 mil pessoas, das quais 15 mil estão inscritas, de todas as regiões do país, devem circular nos quase 10 mil m² de tendas instaladas no campus Centro Politécnico, onde acontecerão mais de 220 atividades científicas, entre outros locais do evento. Estão previstos:

Além dessas opções, há painéis, assembleias, exposições, sessões especiais e trabalhos em sessões de pôsteres relacionadas a temas científicos contemporâneos, a reflexões sobre as políticas científicas e ao olhar e à contribuição da ciência sobre questões urgentes da sociedade brasileira, como meio ambiente e sustentabilidade, educação, democracia, direitos humanos e cultura.

Qual a expectativa da UFPR receber a reunião anual da SBPC depois de mais de 30 anos? Veja a resposta de Ricardo Marcelo Fonseca, reitor da UFPR. Ele comentou que a última vez que a reunião aconteceu na instituição, em 1986, foi quando era calouro da universidade.

“A expectativa é a maior e melhor possível. A reunião anual voltar para a UFPR recoloca a centralidade do nosso estado e da nossa universidade no cenário científico brasileiro e dá uma grande oportunidade aos nossos pesquisadores e aos nossos estudantes de receber esse grande evento”.Ricardo Marcelo Fonseca, reitor da UFPR

A grandeza e o envolvimento lúdico da SBPC Jovem

Essa ampla gama de temas atrai participantes de diferentes campos científicos e reforça a relevância da reunião anual como um evento multidisciplinar, que é aberto a toda a comunidade. Para se ter uma ideia, por dia, cerca de 50 ônibus escolares repletos de pequenos curiosos estudantes interessados em ciência serão recebidos.

Na programação dedicada aos mais novos, a SBPC Jovem, que completa 30 anos em 2023, deve receber entre 4 e 6 mil estudantes, nos seus mais de 4 mil m² de tenda. No Ciência Móvel, há 6 caminhões inscritos e o Circo da Ciência terá a mostra de 16 instituições da Associação Brasileira de Centros e Museus de Ciências (ABCMC), 4 planetários com 100 m² cada – 3 deles na tenda da SBPC Jovem e um na ExpoT&C.

O mascote da SBPC Jovem, Poty, foi baseado na gralha-azul, ave símbolo do Paraná. A criação é de Ana Vitoria Dmengeon Dureck, estudante de Publicidade e Propaganda da UFPR, que teve a sua proposta eleita em votação popular

A coordenadora geral da SBPC Jovem na UFPR, professora Mayara Elita Braz Carneiro, ressalta a importância do evento para a comunidade. “Nesta edição, a programação está intensa, contará com mais de 150 atividades interativas. O espaço estará incrível, repleto de eventos lúdicos e interativos. A Universidade está de porta-abertas para estimular o contato com o conhecimento científico, com experimentos e com pesquisadores”.

Na SBPC Jovem, serão 17 feiras e 93 trabalhos de 15 estados de todas as regiões brasileiras: Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Goiás, Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Maranhão, Amazonas e Amapá.

SBPC Jovem em números

SBPC Cultural destaca pluralidade e integra ciência e cultura

Ciência, cultura, alegria e reflexão também acontecerão por meio das atividades da SBPC Cultural, que irá integrar as pessoas de diversas maneiras e por vários lugares em 74 atividades, com envolvimento de aproximadamente 400 pessoas.

As ações acontecerão em diferentes espaços da UFPR e Unespar. No campus Centro Politécnico, a Alameda Cultural contará com atividades como exposições, stands de projetos, rodas de conversa, um palco com atrações culturais da universidade e também artistas externos, além da Feira de Economia Popular e Solidária para evidenciar os saberes e práticas da cultura regional.

No campus da Reitoria, também acontecerão uma série de atividades, entre elas o CineUrbe, trazendo uma mostra de filmes em uma parceria com o Sesc. No Teatro da Reitoria, os Grupos Artísticos da UFPR se apresentam e celebram seu tradicional espaço de espetáculos. Para o encerramento da SBPC Cultural, esse espaço receberá o show da banda Francisco, el Hombre.

O Complexo da Reitoria receberá diversas ações artístico-culturais nos seus espaços

SBPC Cultural em alguns dos números

Nomes de destaque na ciência

Claudia Linhares Sales, secretária-geral da SBPC, comenta que uma das grandezas do evento é a diversidade de temas, públicos e propostas que se originam a partir desses dias de imersão na ciência.

“As reuniões anuais do SBPC têm um caráter muito especial. É um fórum que reúne cientistas, acadêmicos, trabalhadores e estudantes de escolas. É ciência, tecnologia e inovação para discutir políticas de educação, científicas, meio ambiente, direitos humanos e vários outros temas. São discussões muito importantes e com um público tão variado, que permite avançar em grandes temas. Esse conjunto faz com que a programação científica seja uma coisa realmente muito grande. Para dar um exemplo, este ano em Curitiba nós vamos ter em torno de 630 palestrantes”, explicou.

O evento também contará com a presença da ministra da Saúde, Nísia Trindade, da ministra da Ciência, Tecnologia e Inovações, Luciana Santos, e do ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania, Silvio Almeida.

Outros exemplos dos temas e nomes presentes nesta edição são as conferências com a diretora do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Tereza Campello, sobre “Políticas de combate à fome à miséria”; além da a mesa-redonda com o presidente da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Celso Pansera, sobre “Compras públicas de inovação no financiamento de infraestrutura de pesquisa e de inovação”.

As sessões especiais trazem também grandes nomes, como Mercedes Bustamante, presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Ricardo Galvão, presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Odir Dellagostin, presidente do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap), e Vinícius Soares, presidente da Associação Nacional de Pós-graduandos (ANPG).

Alan Alves apresenta conferência na 74ª Reunião Anual da SBPC em 2022 – Foto: Jardel Rodrigues/SBPC

Instituições que “nasceram” da SBPC

Atualmente, a SBPC representa mais de 170 sociedades científicas. A reunião anual é frequentemente organizada em parceria com universidades e instituições de pesquisa reconhecidas de todo o país. Os números expressam sua grandeza, mas não são o único motivo pelo qual o congresso recebe o título de maior evento de divulgação científica da América Latina.

A reunião Anual da SBPC nasceu antes da institucionalização da Ciência no Brasil e foi palco de decisões importantes nesse processo. Em cada edição, instituições e diversos atores envolvidos, como Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), comitês do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) realizam reuniões paralelas ao evento para discutir ações e políticas de interesse da ciência, tecnologia e inovação.

Diversas reunioes acontecem durante o evento anual – Foto: Jardel Rodrigues/SBPC

Instituições científicas importantes como a Capes, o CNPq, a Fapesp e demais Fundações de Amparo à Pesquisa no País (FAPs), vieram depois. Muitas sociedades científicas, a exemplo da Sociedade Brasileira de Física (SBF) e da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), nasceram nas Reuniões Anuais. Na década de 1980, a instituição lançou a revista Ciência Hoje e o Jornal da Ciência.

Essas são apenas algumas das atividades que acontecerão na SBPC na UFPR. Veja aqui a programação completa e participe!

Por Agência Escola UFPR

De 23 a 29 de julho, a Universidade Federal do Paraná (UFPR) sediará o maior evento científico da América Latina com centenas de atividades para todos os interesses e idades. Inscrições gratuitas

Curitiba se prepara para sediar a 75ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), o maior evento científico da América Latina. De 23 a 29 de julho, a Universidade Federal do Paraná (UFPR) receberá centenas de atividades voltadas a todas as idades e interesses, com inscrições gratuitas.
O evento reunirá ministros de Estado, representantes do Governo Federal, especialistas e personalidades de diversas áreas para discutir o tema “Ciência e democracia para um Brasil justo e desenvolvido”.

Com mais de 220 atividades, a programação científica desta edição abrange uma ampla variedade de temas relevantes para o Brasil e o mundo atual. Serão 131 debates presenciais e 93 virtuais, visando a engajar e inspirar especialmente o público jovem. A programação completa está disponível no site do evento.
Esta edição da Reunião Anual contará com conferências dos ministros Luciana Santos, da Ciência, Tecnologia e Inovação, Nísia Trindade Lima, da Saúde, e Sílvio Almeida, de Direitos Humanos e Cidadania.

Para discutir o setor de ciência, tecnologia e inovação, o evento contará com a participação de grandes nomes do setor, dentre eles, Mercedes Bustamante, presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Ricardo Galvão, presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Odir Dellagostin, presidente do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap), e Vinícius Soares, presidente da Associação Nacional de Pós-graduandos (ANPG).

O evento realizará reuniões preparatórias para a 5ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, com representantes de instituições científicas e tecnológicas de todo o País. A proposta é reunir insumos para a construção coletiva do evento, previsto para ocorrer em 2024 e que desenhará a estratégia de políticas públicas para o setor.

A SBPC ainda trará cientistas reconhecidos internacionalmente para debater questões cruciais relacionadas ao meio ambiente. Entre esses pesquisadores estão Paulo Artaxo, professor-titular do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP), vice-presidente da SBPC e um dos cientistas brasileiros mais citados internacionalmente; Carlos Alfredo Joly, professor emérito da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e coordenador da Plataforma Brasileira de Biodiversidades e Serviços Ecossistêmicos (BPBES); e Carlos Afonso Nobre, um dos mais renomados climatologistas do País e coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Mudanças Climáticas.

Os debates sobre os povos originários também serão destaque do evento, contando com a participação de especialistas e líderes indígenas como Joenia Wapichana, presidente da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Davi Kopenawa Yanomami, presidente da Hutukara Associação Yanomami, e Kretã Kaingang, coordenador executivo da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) – região Sul. Temas como “Direitos indígenas no Brasil”, “A saga do povo Yanomami: o genocídio planejado”, “Saberes indígenas: utopias que inspiram esperança e vida em tempos de crise socioclimática” e “Década internacional das línguas indígenas: por quê e para quê foi proposta pela Unesco?” são alguns dos assuntos discutidos ao longo da semana.

Diversos debates relacionados à tecnologia e educação estão na pauta da 75ª Reunião Anual, dentre eles, os impactos do ChatGPT e da Inteligência Artificial, a acessibilidade e inclusão de pessoas com deficiência na educação, e o Novo Ensino Médio. Para debatê-los, a entidade reunirá especialistas como Geovana Mendonça Lunardi Mendes, presidente da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (Anped).

A Sessão de Pôsteres deste ano irá expor 236 trabalhos de pesquisas científicas e tecnológicas, experiências de ensino-aprendizagem e relatos de caso ou experiências.
Além da programação científica de excelência, os participantes poderão participar da ExpoT&C, que celebra 30 anos. A maior mostra de ciência e tecnologia do País reunirá expositores como universidades, institutos de pesquisa, agências de fomento e empresas, como o Centro Alemão de Inovação em Pesquisas (DWIH), a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o CNPq e a Capes.

Mascote SBPC Jovem 2023

Na SBPC Jovem, que também comemora 30 anos em 2023, os participantes poderão explorar exposições interativas, visitar museus e laboratórios, participar de oficinas e bate-papos. Entre os destaques estão o Circo da Ciência e o Ciência Móvel, com museus e laboratórios itinerantes de diversos estados do País reunidos no Centro Politécnico da UFPR. A atividade ainda contará com espaços temáticos como o “Ciência menina”, “Espaço robótica e Arena gamer”, além de exposições interativas, oficinas e bate-papos com cientistas, tudo voltado para estudantes do ensino básico e do público em geral. Para a atividade, o evento já conta com a visita agendada de centenas de escolas de toda região, que levarão cerca de 15 mil pessoas, entre alunos e professores ao evento.

E para relaxar e se divertir, o evento promoverá a SBPC Cultural. Com uma programação diversificada, o objetivo será exaltar as diversas identidades culturais do Paraná. A Alameda Cultural, localizada no campus Centro Politécnico da UFPR, será o principal espaço dedicado à arte e à cultura, com apresentações de música, dança, teatro e exposições.
Somam-se à Alameda Cultural, espaços centrais da cidade de Curitiba, como o Complexo da Reitoria, o Prédio Histórico da UFPR e o Teatro Mário Schoemberger, que receberão uma programação intensa, composta por ações que contemplam as múltiplas linguagens artísticas.

O evento será encerrado em 29 de julho com mais uma edição do Dia da Família na Ciência, um sábado dedicado à comunidade com atrações distribuídas nas tendas da SBPC Jovem e da ExpoT&C. Os participantes terão a oportunidade de explorar atividades interativas de ciência e tecnologia, aprender sobre experiências científicas e ter suas questões respondidas por pesquisadores. O Dia da Família na Ciência também é gratuito e aberto a todas as crianças, jovens e seus familiares.

Um destaque importante desta Reunião Anual da SBPC é o esforço dos organizadores para realizar um evento acessível e inclusivo. Para tanto, as instalações do campus Centro Politécnico da UFPR contarão com rampas e elevadores para facilitar o trânsito dos participantes e todas as atividades contarão com intérpretes de Língua Brasileira de Sinais (Libras). Ainda serão disponibilizadas seis salas calmas (espaços silenciosos para pessoas neurodivergentes), um canal de atendimento (em português e em libras) e mais de 100 monitores preparados para auxiliar quem necessitar.

Durante o evento, será possível desfrutar da cidade de Curitiba, por meio de algumas parcerias realizadas entre a organização do evento e alguns bares e restaurantes da cidade. As promoções terão validade somente durante o período do evento e mediante a apresentação do crachá do evento, em nome do portador. Acompanhe pelo site local do evento: https://sbpc.ufpr.br/restaurantes/.

75 anos levando ciência a todo o Brasil

Criada em 1948, a SBPC é uma entidade voltada à defesa do avanço científico e tecnológico e do desenvolvimento educacional e cultural do Brasil e que, ininterruptamente, realiza desde 1949 sua Reunião Anual, considerada o maior evento científico da América Latina.
A cada ano, a Reunião Anual da SBPC é levada a um estado brasileiro, prioritariamente em uma instituição de ensino superior. Aberto a todos e gratuito, o evento reúne milhares de pessoas – cientistas, professores e estudantes de todos os níveis, profissionais liberais e visitantes, além de autoridades, gestores, e formuladores de políticas públicas para ciência e tecnologia no País.
As atividades do evento têm livre acesso a todos. A única atividade que requer matrícula antecipada (e com taxa) são os webminicursos, que estão com inscrições abertas até 26 de julho. Ao todo, são 32 webminicursos com temas em diversas áreas do conhecimento propostos pela SBPC, UFPR e algumas das sociedades científicas afiliadas à SBPC.
Quem fizer a inscrição no evento e, também, o credenciamento, entre 24 e 28 de julho na Secretaria da SBPC instalada na UFPR – campus Centro Politécnico, obterá o certificado online de participação geral (sem carga horária e sem especificar as atividades frequentadas). As inscrições estão abertas online no site do evento: https://ra.sbpcnet.org.br/75RA/.

Cerimônia reuniu autoridades no EAAJ. Nuavidem contará com sete integrantes, além da coordenação, para dar apoio psicológico e jurídico a mulheres em situação de violência.

O Núcleo de Atendimento de Violência Doméstica na Delegacia da Mulher – Nuavidem, projeto de extensão criado na UEL, ganhou visibilidade e pode ser levado para outros municípios do estado. É o que avaliam autoridades que compõem a rede de enfrentamento à violência doméstica. Lançado no dia 14 de julho, o Núcleo irá funcionar prestando apoio jurídico e psicológico às vítimas que procuram o atendimento na Delegacia da Mulher de Londrina. A iniciativa conta com o financiamento da Secretaria Geral de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná (Seti).

Muito emocionada com a concretização do Núcleo, a idealizadora e coordenadora do Nuavidem, a docente da UEL Claudete Canezin, destacou que ele vai contar com uma equipe formada por sete profissionais, atuando ao lado dos servidores da Polícia Civil do Paraná (PC/PR). 

“Agora, com o Nuavidem, duas advogadas e três alunas do Direito e duas da Psicologia vão atender essa mulher, vão falar para ela sobre o Botão do Pânico, sobre a medida protetiva e sobre as ações que ela pode solicitar, de divórcio, alimentos, guarda, visita e partilha de bens”, explicou a coordenadora.   

Reitora parabenizou trabalho das equipes à frente dos núcleos de atendimento à mulher em Londrina (Fotos: André Ridão/Agência UEL).

Integram a equipe as advogadas Laise Fabiana Soares e Renata Possobom Molina, as estudantes de Direito da UEL Maria Luísa Padovan, Tainá Cristina de Souza Eurinidio e Giulia Carnietto Souza, e as estudantes do curso de Psicologia Ana Luísa Galleli Campos e Laura Antunes Cortez. 

O evento de lançamento foi realizado no Escritório de Aplicação de Assuntos Jurídicos (EAAJ) da UEL e contou com a presença de dezenas de autoridades e integrantes da rede de enfrentamento à violência, dentre elas a secretária de estado da Mulher, Igualdade Racial e Pessoa Idosa, a deputada estadual Leandre Dal Ponte (PSD). 

“É extremamente importante, por isso, o governador me designou que viesse até aqui para acompanhar esse projeto, porque entendemos que ele tem capacidade de poder ser escalado para as demais delegacias do nosso Estado. A UEL está de parabéns por essa iniciativa”, disse a secretária. Atualmente, o Paraná conta com 21 delegacias especializadas no atendimento às vítimas de violência doméstica. 

Em sua fala, a delegada da Mulher de Londrina, Carla Gomes de Mello Villar, destacou que o enfrentamento do fenômeno social da violência doméstica vem surtindo efeitos. No entanto, ainda demanda muitos esforços. Ela informou que, somente em Londrina, 2.359 homens são alvos de medidas protetivas. 

A reitora Marta Favaro afirmou que a Universidade Estadual de Londrina tem orgulho do trabalho desempenhado por seus docentes e alunos. “Fica um agradecimento especial à toda equipe da professora Claudete, que muito nos orgulha com esse trabalho”, disse.

Fonte da matéria: https://operobal.uel.br

No dia em que se celebra a Proteção às Florestas, 17 de julho, o Paraná Faz Ciência destaca a pesquisa realizada pela Rede MapBiomas, formada por universidades, startups de tecnologia e ONGs, que revelou como as mudanças de uso e cobertura da terra afetam os estoques de carbono orgânico do solo ao longo dos últimos 37 anos. Um dos destaques do levantamento é a informação de que a Mata Atlântica e o Pampa são os biomas que mais estocam carbono por hectare.

Esses estudos coordenados pelos professores da UTFPR, Alessandro Samuel-Rosa (Campus Santa Helena) e Taciara Zborowski Horst (Campos Dois Vizinhos) analisaram os mapas anuais do solo brasileiro de 1985 a 2021. Além disso, foram coletadas 9650 amostras de estoque de carbono no campo. 

Segundo a publicação, divulgada no dia 21 de junho, do total de 37 bilhões de toneladas (gigatoneladas – Gt) de carbono orgânico do solo (COS) existentes no Brasil em 2021, quase dois terços (63%) estão estocados em solos sob cobertura nativa estável (23,4 Gt COS). Apenas 3,7 Gt COS estão estocados em solos de áreas que foram convertidas para uso antrópico desde 1985. Mais da metade (quase 20 Gt COS) fica na Amazônia. Mas quando se analisa o estoque médio de COS por hectare, Mata Atlântica e Pampa se destacam com os maiores valores: média de 50 t/ha e 49 t/ha, respectivamente, enquanto na Amazônia este valor é de 48 t/ha. Os menores estoques são encontrados na Caatinga (média de 31 t/ha). 

Entre 1985 e 2021, a quantidade de carbono estocado no solo coberto por floresta no Brasil reduziu de 26,8 Gt para 23,6 Gt. “Isso significa que o carbono neste solo, agora sob agricultura, pode ser mais frágil e assim ser perdido se o manejo do solo agrícola não for conservacionista”, explica o professor Alessandro Samuel-Rosa. 

Segundo o professor Alessandro, o diferencial do novo estudo está no fato dos levantamentos serem anuais. “Temos os mapas anuais de uso da terra de 37 anos, o que nos destaca perante os materiais anteriores. Ou seja, temos 37 mapas de pesquisa dos estoques de carbono do país. O mapeamento foi realizado com base em bancos de dados abertos, algoritmos de aprendizado de máquina e computação em nuvem”, completa.

“Essa iniciativa visa desvendar a evolução dos recursos do solo ao longo do tempo e do espaço, adotando uma abordagem científica aberta e colaborativa. Ainda é uma versão beta, sujeita a muitos aprimoramentos, mas é um avanço importante no mapeamento digital de solos e oferece subsídios valiosos para a conservação e uso sustentável do solo no Brasil”, afirma a pesquisadora Taciara Horst.

A publicação está disponível no site do MapBiomas.

Por biomas

Amazônia: em termos absolutos, possui o maior estoque de COS do Brasil, com 19,8 Gt em 2021. Desse total, 87% (17,4 Gt COS) ficam em áreas naturais. As áreas antrópicas, por sua vez, armazenam apenas 2,4 Gt COS. Embora o estoque médio por hectare do bioma seja de 48 t/ha, essa média sobe para ~50 t/ha no caso das formações florestais. Nas áreas de pastagem, estima-se estoque de ~40 t/ha.

Cerrado: a savana mais biodiversa do planeta e segundo maior bioma do país armazenava  8,1 Gt COS em 2021 – 3,8 Gt COS nas áreas antrópicas e mais da metade (4,3 Gt COS) em áreas naturais. A Formação Savânica apresenta o maior estoque médio ~39 t/ha.

Mata Atlântica: em 2021, o estoque de carbono no solo deste bioma somava 5,5 Gt COS em 2021. Desse total, as áreas naturais respondem por 2,1 Gt COS. As áreas antrópicas, por sua vez, armazenam 3,4 Gt COS. A diferença em favor das áreas antropizadas reflete o alto grau de desmatamento do bioma: analisando o tipo de cobertura da terra, porém, constata-se que a Formação Florestal apresenta o maior estoque médio: ~56 t/ha. Enquanto nas áreas de agricultura, o estoque é de ~49 t/ha.

Pantanal: a maior área úmida continental do planeta armazenava 0,6 Gt COS em 2021. Ao todo, o bioma armazenava 0,6 Gt de COS em 2021 – a quase totalidade (0,5 Gt COS) em áreas naturais. As áreas antrópicas respondem por 0,1 Gt COS. A Formação Campestre apresenta o maior estoque médio: ~38 t/ha. Em áreas de pastagem, observa-se estoque de ~28 t/ha.

Pampa: armazenava 0,9 Gt COS em 2021. Mais da metade desse total (0,5 Gt COS) estão em áreas naturais, com a Formação Campestre respondendo por ~51 t/ha.  Nas áreas de agricultura, observa-se estoque de ~53 t/ha. Outras áreas antrópicas, por sua vez, armazenam apenas 0,4 Gt COS.

Caatinga: é o menor estoque de carbono do Brasil na média por hectare. Quase dois terços desse total (63%, ou 1,7 Gt COS) estavam armazenados em áreas naturais. As Formações Savânica e Campestre apresentam o maior estoque médio ~31 t/ha. Já as áreas antrópicas armazenam 1,0 Gt COS.

Solo

O solo é um dos quatro grandes reservatórios de carbono do planeta, junto da atmosfera, os oceanos e as plantas, que absorvem carbono em seu processo de crescimento. Se estoca carbono orgânico, o solo quando em estado de degradação pode liberar o elemento para a atmosfera na forma de gás carbônico e metano, agravando as mudanças do clima. Segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), um terço dos solos do mundo está moderada ou altamente degradado e a erosão do solo, que arrasta entre 20 e 37 bilhões de toneladas da camada superior do recurso anualmente, reduz a capacidade do solo de armazenar e reciclar carbono, nutrientes e água. 

Rede Mapbiomas

O MapBiomas é uma iniciativa multi-institucional que tem como foco monitorar as transformações na cobertura e no uso da terra no Brasil, Indonésia e territórios sensíveis da América do Sul. Atualmente possui uma plataforma atualizada e detalhada base de dados espaciais de uso da terra, disponível no mundo. Todos os dados, mapas, métodos e códigos do MapBiomas são disponibilizados de forma pública e gratuita.

O MapBiomas oferece uma completa série de mapas anuais de cobertura e uso da terra no Brasil, com 25 classes mapeadas desde 1985 em uma escala de 30 m de resolução, entre outros produtos de mapeamento.

Com informações da MapBiomas

Crédito da imagem: Decom

Implantação do espaço é o resultado de projeto de intervenção de estágio de Serviço Social e do projeto de extensão Biblioteca Feminista da UNILA

Desde o final do ano passado, o Centro de Referência de Atendimento à Mulher em Situação de Violência (CRAM) de Foz do Iguaçu conta com um espaço dedicado à leitura e à pesquisa. A Biblioteca do CRAM foi implantada a partir de duas iniciativas da UNILA – um projeto de intervenção do estágio de Serviço Social e o projeto de extensão Biblioteca Feminista. Atualmente, o local é frequentado por mulheres que procuram atendimento no órgão, mas também é aberto para a comunidade. E o objetivo é que a Biblioteca receba outras atividades, como debates, oficinas e rodas de leitura voltadas para temáticas feministas.

O acervo da Biblioteca é formado por livros de temas como história dos movimentos feministas, estudos de gênero, políticas públicas para mulheres, divisão do trabalho, além de literatura de ficção de autoria de escritoras. “Nosso desejo é que, com essa biblioteca, as mulheres que procuram o CRAM tenham acesso a informações de qualidade, que as ajudem a identificar possíveis relações abusivas e a saber quais são os seus direitos”, salientou a assistente social Sérgi Gondaski. A Biblioteca também recebeu uma doação de livros da Editora Cortez, com títulos sobre a formação e o papel dos profissionais de Serviço Social no atendimento a mulheres em situação de violência.O acervo é formado por livros de temas como história dos movimentos feministas, estudos de gênero e políticas públicas para mulheres

A principal responsável pela implantação da Biblioteca foi a discente de Serviço Social Márcia Alves de Souza, que realizou estágio no CRAM entre 2021 e 2022. “A equipe técnica do CRAM já tinha a ideia de fazer uma Biblioteca e, inclusive, já havia um pequeno acervo de livros no Centro. Por isso, apresentei a proposta de implantar a Biblioteca como projeto de intervenção do meu estágio”, contou. Márcia participou de todas as etapas de criação da biblioteca, desde a adequação do espaço físico, os orçamentos para compra de mobiliários, a busca por doação de livros e a organização do acervo.

A estudante também contou com o apoio do projeto de extensão Biblioteca Feminista da UNILA, encerrado em 2022, que tinha o objetivo de democratizar o acesso a obras e documentos relacionados com o feminismo, por meio de organização de coleções de referência e realização de debates. A iniciativa foi realizada em parceria com o projeto Biblioteca Feminista da Praia Vermelha, da UFRJ.

A formanda de Seviço Social, Márcia Alves de Souza, responsável pela implantação da Biblioteca“Quando a estagiária iniciou suas atividades curriculares de estágio supervisionado em Serviço Social, buscou compreender a realidade do espaço sócio-ocupacional e se aproximar teoricamente da temática de gênero, por meio de leituras bibliográficas, em conjunto com o acompanhamento das intervenções profissionais. A ideia da implantação da Biblioteca partiu do diálogo e da troca de experiências com a equipe do CRAM”, explicou a professora Kátia Hale dos Santos, supervisora acadêmica do estágio e coordenadora do projeto Biblioteca Feminista da UNILA.

Com a Biblioteca já funcionando, agora a equipe do CRAM está em busca de parcerias para realizar atividades no espaço, como debates e rodas de leitura. “A Biblioteca do CRAM era um sonho antigo e, por meio do projeto da aluna Márcia Alves, se tornou uma realidade. Se tornou um espaço de acesso a livros de diversos conteúdos para as mulheres em situação de violência de Foz”, disse a coordenadora do Centro, a psicóloga Kiara Heck.

A leitura no enfrentamento da violência de gênero

Da esquerda para a direita: professora Kátia Hale, Márcia de Souza, Sérgi Gondaski e Célia CamargoUma das justificativas para implantar uma biblioteca em um espaço que recebe mulheres em situação de vulnerabilidade é que a leitura e os livros podem desempenhar um papel significativo no enfrentamento da violência de gênero e na identificação de situações de abuso. De acordo com a professora Kátia Hale dos Santos, a literatura oferece um espaço seguro e uma fonte de conhecimento que pode capacitar as mulheres, proporcionando informações, apoio emocional e uma voz para suas experiências. “A tomada de consciência sobre as desigualdades produzidas historicamente pelo patriarcado se dá de diversas formas. A leitura é uma delas. Um texto que expressa casos particulares de violência e desigualdades sofridas acaba também expressando o universal. Às vezes, no seu cotidiano, a mulher acaba não refletindo sobre essas desigualdades, porque mulheres geralmente são educadas para reproduzirem a violência e a desigualdade. Nesse cenário, a leitura pode despertar essa consciência”, salienta.

Para a professora, uma das maiores perversidades do patriarcado reside na maneira como ele historicamente afastou as mulheres dos debates de questões universais – como política, economia e outros assuntos relevantes para a sociedade –, restringindo o universo feminino ao cuidado com a casa e a família. “Essa imposição foi, e ainda é, uma forma de negar às mulheres a participação plena nas esferas públicas. A transformação da sociedade se dá pela tomada de consciência da realidade em que vivemos. E esse é o ganho do projeto, da leitura, dos estudos e da própria oportunidade que a UNILA dá às mulheres latino-americanas de estudar esse campo”, complementou.

Projeto vai virar livro

Biblioteca do CRAM está aberta para a comunidadeApós a implantação da Biblioteca, as estudantes, professoras e profissionais envolvidas no projeto receberam um outro convite: o de escrever um livro contando a experiência. O chamado veio da editora Cortez, uma das principais editoras da área de Serviço Social do Brasil. “Existe uma deficiência de publicações sobre a intervenção profissional junto às mulheres vítimas de violência. Então nos convidaram para escrever esse livro, que deve sair já no próximo ano e que tem potencial de se tornar uma obra de referência sobre essa temática no Brasil”, contou a docente Kátia Hale, professora visitante que já encerrou suas atividades na UNILA.

A publicação terá artigos escritos por integrantes da Universidade, do CRAM e do projeto Biblioteca Feminista da Praia Vermelha, da UFRJ, iniciativa parceira do projeto de extensão da UNILA.

CRAM

O Centro de Referência de Atendimento à Mulher em Situação de Violência (CRAM) é um serviço de apoio, orientação e encaminhamentos para a garantia de direitos da mulher. O órgão conta com atendimento de serviço social, de apoio psicológico e de orientações jurídicas. “O principal objetivo é que a mulher vítima de violência receba as orientações necessárias e possa ser direcionada para a rede de atendimento para que seus direitos sejam garantidos, inclusive no que se refere à sua proteção e segurança”, explicou Sérgi Gondaski, que já atuou como assistente social no CRAM. No local, também são realizadas oficinas e rodas de conversa, abertas para todas as mulheres de Foz do Iguaçu.

O CRAM está localizado na rua Padre Bernardo Plate, 1250, e atende de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h. O telefone de contato é 0800 643 8111.