A atividade permitiu aos estudantes conhecerem de perto a produção de mel e a importância da polinização na agricultura

No dia 3 de dezembro, o clube união-vitoriense Apis Club, articulado pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), participou de uma imersão prática em apiário, realizada pela Casa Familiar Rural em parceria com a família de produtores locais, os Lipinski. Recebidos pelo casal Wilson e Adriane e seu filho Vitor, os clubistas visitaram a chácara da família, localizada na Colônia Porto Almeida, em União da Vitória. No local, conheceram as etapas de colheita e extração de mel, auxiliando em alguns processos e esclarecendo dúvidas a respeito de técnicas de manejo, segurança e boas práticas na produção de mel.

A atividade dialoga diretamente com as pesquisas desenvolvidas pelo Apis Club, que se dedicam ao estudo do universo das abelhas, incluindo manejo apícola e meliponícola, saúde das colônias e o papel ecológico desses insetos na polinização e na manutenção dos ecossistemas. A vivência permitiu que os estudantes observassem, em situação real, aspectos que usualmente são abordados nos encontros do clube, como a importância dos protocolos de segurança na apicultura — desde o uso correto dos equipamentos de proteção até os procedimentos necessários para evitar acidentes durante o manejo.

Em suas redes sociais, a Casa Familiar Rural destacou que a atividade despertou grande interesse entre os estudantes, os quais se mostraram motivados a aprofundar os conhecimentos sobre apicultura. A escola também ressaltou que muitos reconheceram o potencial da prática para ser incorporada às propriedades familiares, tanto pela produção de mel quanto pelos benefícios da polinização para diferentes culturas agrícolas.

Ao longo de 2025, o clube tem articulado suas investigações com diferentes espaços formativos e eventos científicos. Entre as ações realizadas, o Apis Club apresentou seus trabalhos em Guarapuava, durante a I Mostra de Clubes de Ciência, e em União da Vitória, no Ciclo de Encontros da Semana do Biólogo, promovido pela UNESPAR. Esses momentos contribuíram para fortalecer o vínculo dos estudantes com a pesquisa e para dar visibilidade às iniciativas desenvolvidas no clube.
Moção de Aplausos reconhece o impacto de projetos de sustentabilidade e ODS desenvolvidos por estudantes do Colégio João Paulo I, na cidade

O Clube de Ciências Conexão e Sustentabilidade, sediado no Colégio Estadual João Paulo I, em Bom Sucesso, recebeu uma notável homenagem no dia 1º de dezembro de 2025. Durante sessão da Câmara Municipal, uma Moção de Aplausos em reconhecimento ao valoroso trabalho desenvolvido pelos alunos foi entregue.
Coordenado pela professora Elaine Correa Soares, o clube foi publicamente reconhecido pela dedicação nas iniciativas que contribuíram para a educação e a sustentabilidade da cidade ao longo do ano.
A homenagem formal reflete a qualidade dos projetos desenvolvidos pelos clubistas, que alinham a pesquisa científica com as demandas sociais e ambientais locais, focando nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). O trabalho demonstra como a ciência produzida na escola pode impactar diretamente a vida em comunidade.
Dois projetos exemplificam a atuação do clube:
Horta, Soft Skillse Robótica: O projeto ‘Horta escolar como cenário de aprendizagem para o desenvolvimento de soft skills e a formação socioemocional na educação’ utilizou a horta escolar como laboratório vivo. Os estudantes não apenas fortaleceram habilidades de comunicação e cooperação, mas também aplicaram conhecimentos em robótica para otimizar o cultivo, integrando as ODS 2 (Fome Zero) e ODS 6 (Água Potável).

Alternativa Ecológica: Com o projeto ‘Produção de Tintas Naturais a partir de Pigmentos Vegetais e Minerais como Alternativa Sustentável às Tintas Sintéticas’, os alunos criaram tintas ecológicas a partir de urucum, beterraba, açafrão-da-terra e terra. A iniciativa visa reduzir o impacto ambiental dos compostos químicos industriais. As tintas foram usadas por alunos da educação infantil da escola, unindo a arte ao debate ambiental.

Estes e outros projetos geraram conhecimento, aproximando escola e comunidade para uma reflexão do que cada um pode fazer para adotar hábitos mais sustentáveis e conscientes em relação à natureza.
O Clube de Ciências Conexão e Sustentabilidade integra a Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, vinculado ao Núcleo Regional de Educação (NRE) de Apucarana e tem as ações coordenadas pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), instituições que acompanham o trabalho do clube.
Os coordenadores do projeto Rede de Clubes Paraná Faz Ciência pela UTFPR Campus Apucarana, os professores Ênio Stanzani e Sabrina Klein, e o representante do NRE de Apucarana, Hugo Augusto Costa, parabenizaram o clube pelo reconhecimento. Eles destacaram que a Moção de Aplausos é fruto de um ano de dedicação à pesquisa que integra diversas áreas — como biologia, física, química, robótica e IoT (Internet das Coisas) — e se traduz em projetos aplicáveis à realidade local e à agricultura familiar.
Sobre a importância desse reconhecimento, a coordenadora, professora Elaine Correa Soares, destaca a qualidade e o comprometimento dos estudantes. “Nossos alunos participaram de feiras científicas, desenvolveram projetos inovadores, trabalharam com temas ambientais e sociais, e ainda levaram conhecimento para outras turmas e escolas”, conta.
Além de envolver a comunidade em atividades que estimularam o senso crítico e a curiosidade. “Tudo isso chamou a atenção pelo impacto que os estudantes despertaram e que movimentou não só a escola, mas se aproximaram da comunidade e levaram o nome de Bom Sucesso para outros espaços com orgulho”, comemora a Elaine.
A Moção de Aplausos, somada às premiações que o Clube de Ciências Conexão e Sustentabilidade conquistou em feiras científicas, marcam o reconhecimento do esforço e da dedicação dos clubistas. O trabalho de pesquisa e inovação realizado hoje por esses jovens promete reverberar positivamente no futuro, inspirando as próximas gerações e contribuindo de forma contínua para o município.
Quando a curiosidade encontra método, os clubes se transformam em espaço de criação

Nos Clubes de Ciência conectados ao Paraná Faz Ciência e que se encontram dentro de escolas públicas do estado, o método científico não é apenas conteúdo de livro. Ele aparece em cada dúvida, em cada tentativa, no cuidado com os registros e na curiosidade que move os estudantes. Entre observações, experimentos e conversas, os grupos aprendem a investigar o mundo a partir das próprias experiências.
Cada clube encontra seu próprio caminho para transformar perguntas em investigação. Em alguns, o ponto de partida está na natureza que cerca a escola. Em outros, nas rotinas da comunidade. Em outros ainda, na vontade de entender como certas práticas funcionam e por que funcionam. O que une todos esses grupos é o processo de observar, levantar hipóteses, testar, comparar e comunicar.
No Colégio Estadual Maria Aguiar Teixeira, de Curitiba, o Clube Exploradores da Ciência transforma perguntas do cotidiano em investigação estruturada. A estudante Luiza conta que o grupo começou estudando o consumo de água na escola e, para isso, elaborou e aplicou um questionário entre os colegas, analisando os dados coletados para entender padrões de uso e possíveis desperdícios. Na etapa seguinte, o clube voltou a atenção para os refrigerantes, realizando experimentos sobre composição e discutindo os impactos do consumo excessivo na saúde.
Luiza explica que descobriram um alto consumo de refrigerante e vários efeitos negativos, como diabetes. A partir desses resultados, o grupo produziu ações de divulgação para conscientizar a comunidade escolar. Agora, os estudantes iniciam uma nova fase de pesquisa, voltada ao trânsito no entorno da escola, o que reforça como a investigação científica acompanha as perguntas que surgem da vida cotidiana.
A pesquisa sobre refrigerantes chamou atenção na FECCI 2025, a Feira de Cultura Científica do Paraná Faz Ciência, realizada entre 4 e 6 de novembro, em Curitiba, ocasião em que o clube foi reconhecido com um prêmio na categoria Saúde.
Para o professor coordenador, Jeremias Ferreira da Costa, a premiação representa o valor do percurso realizado. Ele destaca que o projeto trabalhou com foco na saúde e investigou os conhecimentos envolvendo o refrigerante, e afirma que receber o prêmio foi uma honra e uma coroação do trabalho desenvolvido. Costa disse que o reconhecimento reforça o compromisso do grupo com a pesquisa científica. Entre os estudantes, o sentimento também é de celebração.
A aluna Sofia Gabriele lembra do esforço coletivo ao longo dos meses de investigação e diz que ficou muito feliz ao saber que a pesquisa havia sido premiada, já que o grupo trabalhou intensamente desde o ano anterior.
Outro exemplo de aprendizagem baseada em investigação está no Colégio Estadual Máximo Atílio Asinelli, também em Curitiba, onde o Clube de Ciências Máximo tem uma pesquisa dedicada à horta escolar e também foi premiado na FECCI 2025.
O grupo se organiza a partir do trabalho com a terra, da observação das plantas e do acompanhamento do cultivo, desde o preparo do solo até o desenvolvimento das espécies escolhidas. Os estudantes verificam as condições das mudas, monitoram possíveis pragas, registram o que está funcionando e planejam próximas etapas. O processo envolve tanto conhecimento científico quanto cuidado, paciência e reflexão sobre o ambiente da escola. A horta se torna um espaço de aprendizagem, mas também de planejamento e responsabilidade coletiva, articulando teoria e prática de forma contínua.
Os exemplos ilustram como o método científico ganha sentido quando se aproxima do cotidiano. Entre questionários, experimentos, cuidados com o cultivo e ações de divulgação, os estudantes descobrem que pesquisar é perguntar, registrar e revisitar o tema sempre que necessário. A investigação se torna parte da rotina e permite que cada grupo enxergue a escola como lugar de descoberta e criação de conhecimento. A premiação já na primeira edição da FECCI reforça o valor desses processos e destaca o potencial transformador dos Clubes de Ciência no território escolar.
A equipe apresentou os projetos desenvolvidos, mostrando inovação e ciência dentro do Arranjo

O Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (NAPI) – Paraná Faz Ciência (PRFC) esteve presente no 2º Festival Internacional de Inovação de Londrina (FIIL – 2025). A equipe aproveitou o momento para apresentar ao público alguns dos projetos que compõem o Arranjo. O evento ocorreu nos dias 27 e 28 de novembro, no Parque Governador Ney Braga.
A segunda edição do FIIL reuniu autoridades, empresários, pesquisadores e representantes das 12 governanças do ecossistema e lideranças nacionais do setor de inovação. O NAPI PRFC participou do debate com um estande, trazendo dados das Redes de Clubes de Ciência, Feiras de Ciência e Museus de Ciência.
Foram apresentados, também, o Programa Interinstitucional de Ciência Cidadã na Escola (PICCE) e a Pesquisa de Percepção Pública de CT&I no Paraná, lançada recentemente. A equipe que estava representando o NAPI PRFC no evento foi composta por professores e alunos bolsistas da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e Universidade Estadual de Maringá (UEM).

O evento contou ainda com palestras e divulgação de iniciativas relevantes para o estado. Foram discutidos temas estratégicos, como inovação em políticas públicas, educação, saúde e agro, por exemplo. O objetivo era mostrar como a tecnologia pode estar ao alcance da sociedade e ser utilizada para facilitar o dia a dia das empresas e da população.
O FIIL 2025 foi promovido pela Estação 43, com co-realização do Sebrae/PR e Abratic (Associação Brasileira de Tecnologia, Inovação e Comunicação). O Festival contou com o apoio da Prefeitura de Londrina, do Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Codel) e do Governo do Paraná, por meio das Secretarias da Inovação e Inteligência Artificial (Seia), de Turismo (Setu), Ciência, de Tecnologia e Ensino Superior (Seti) e da Fundação Araucária.
Sessão sobre missões lunares no Planetário da UENP encanta clubistas do Ecoarte Lucy

No dia 21 de outubro de 2025, o Clube de Ciências do Colégio Estadual Lucy Requião de Mello e Silva, de Cambará – ligado ao NRE Jacarezinho -, realizou uma visita ao Planetário da UENP (Universidade Estadual do Norte do Paraná) , situado no campus Cornélio Procópio. A atividade foi organizada e acompanhada pela coordenadora do clube, a professora de artes Jackeline Alvarenga e Maria Eduarda Diniz, bolsista pedagógica da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, pela UENP.
Participaram da visita 30 clubistas, acompanhados por três professores, enriquecendo a experiência de aprendizagem diferente daquela oferecida no cotidiano escolar. Ocorrendo em um ambiente de aprendizagem não formal, a proposta da atividade era aproximar os estudantes dos conteúdos astronômicos por meio de uma vivência prática e sensorial, conectando a teoria estudada em sala às possibilidades oferecidas por um ambiente imersivo.
Durante a programação, os clubistas assistiram a sessões sobre as missões espaciais que planejam levar novamente o ser humano à Lua. As projeções despertaram interesse e estimularam discussões sobre exploração espacial, tecnologia e os desafios científicos envolvidos nessas iniciativas.

Mais do que complementar os estudos sobre o universo, a visita estimulou a criatividade, a curiosidade e a capacidade de buscar novas respostas para questões conhecidas. Ao entrar em contato com diferentes formas de aprender, os estudantes ampliam sua percepção de mundo e fortalecem o desejo de explorar, investigar e imaginar. E você, já visitou um planetário?
Projeto de aluno do Clube Ceepiências levou o prêmio de 3º colocado na categoria Saúde ao oferecer opção para seletividade alimentar

O estudante Mateus Henrique Kailes de Souza, integrante do Clube de Ciências Ceepiências, do Centro Estadual de Educação Profissional (CEEP) de Cascavel, ganhou destaque na Feira de Cultura Científica (FECCI) do NAPI – Paraná Faz Ciência ao conquistar o 3º lugar geral na categoria Saúde. O reconhecimento veio pelo projeto “Panquecas Nutritivas para Crianças com Seletividade Alimentar”, desenvolvido ao longo do ano no clube.
O trabalho apresentou receitas de panquecas nutritivas voltadas para crianças e adolescentes com seletividade alimentar, uma condição que limita o consumo de diversos alimentos por alta dificuldade em consumir certos grupos de alimentos ou recusa em experimentar alimentos com determinadas texturas, o que pode comprometer a ingestão adequada de nutrientes essenciais ao desenvolvimento corporal. Segundo o estudante Mateus, a seletividade alimentar é especialmente comum em crianças dentro do espectro autista, o que reforça a relevância social do projeto em oferecer opções para esse grupo.
Para Mateus, participar da FECCI foi marcante. “É uma sensação incrível ter ido à feira e ter sido premiado. Lá pude conhecer vários projetos interessantes, que podem inclusive me ajudar a aprimorar o meu próprio trabalho. Foi uma experiência inesquecível”, descreve.
Além do reconhecimento na Feira realizada em Curitiba, o estudante destaca que o evento proporcionou trocas de conhecimento e vivências que fortalecem o impacto do projeto, já que seu resultado pode ter um efeito direto na saúde e na qualidade de vida de crianças que enfrentam dificuldades alimentares, ao mesmo que tempo que precisam dos nutrientes adequados para seu crescimento e desenvolvimento intelectual.
A conquista da 3ª colocação na FECCI evidencia o compromisso de clubistas como Matheus com a ciência e funciona também como um importante incentivo para que os clubistas continuem a produzir pesquisas que impactam diretamente a vida das pessoas. Além de aproveitar essas interações entre os clubes para buscar novas ideias e continuarem participando das próximas Feiras de Ciências.
O Clube Green Lab atua refletindo sobre sustentabilidade e reciclagem

Em Cruzeiro do Oeste, um clube de ciências chama a atenção por reutilizar o óleo de cozinha para desenvolver produtos, entre eles sabão em barra, líquido e velas. O Green Lab tem 14 alunos, do primeiro e segundo ano do Ensino Médio, e buscam trabalhar com a reciclagem.
Conforme o professor orientador, Rafael Fernando de Melo, os clubistas do Colégio Estadual Almirante Tamandaré aliaram ciência, sustentabilidade e ação social, com oficinas para a produção de sabão sólido e líquido, a partir do óleo enriquecido com aditivos naturais, como folha de mamão e cravo-da-índia.
Melo conta que a iniciativa dos sabões foi uma forma dos alunos se envolverem com a conscientização ambiental e também levar os conhecimentos para a comunidade escolar. “Foram desenvolvidas competências em química e empreendedorismo entre os estudantes, além da integração da população local com a comercialização simbólica do produto”, explica o professor.
Os clubistas venderam os sabões na Culminância, um evento semestral que acontece em escolas integrais para apresentação dos trabalhos realizados em disciplinas eletivas. Como os clubes de ciências da Rede de Clube Paraná Faz Ciência nesse caso são eletivas, também participam dessa experiência.
O professor afirma que uma parte dos sabões ficou para a escola e o restante foi vendido a dois reais no evento. A renda obtida com as vendas foi integralmente revertida na compra de mais reagentes. “Cinco litros de óleo renderam 95 litros de sabão líquido”, comemora. O espaço fomentou o protagonismo dos estudantes e a disseminação do conhecimento.
Este evento foi considerado pelo professor como um dos momentos mais marcantes para o clube. Isso porque os alunos se comunicaram com outras escolas e ensinaram o que aprenderam em relação à reciclagem do óleo, sobre os prejuízos de jogá-lo na pia e sobre outras mensagens importantes aprendidas no Green Lab.

O primeiro projeto do clube foi a fabricação das velas, com a professora de química Priscila de Bem. Atualmente, as atividades do clube estão sob a coordenação do professor Rafael Fernando de Melo e o projeto principal é trabalhar com a produção de sabão. O Green Lab se reúne nas duas últimas aulas da quinta-feira para atuar na prática e também com teoria. “Nós vamos pesquisando para incrementar novas ideias no nosso sabão e depois testamos”, conta o professor.
Entre as dificuldades, o educador cita a frequência dos alunos. Ele aponta que por ser um colégio integral, quando chega nas últimas aulas os estudantes tendem a ir embora. Por isso uma alteração foi sugerida para o próximo ano. “A ideia é que no ano que vem o clube aconteça no período da manhã, para aumentar a participação”, afirma o docente. Mesmo assim, Rafael afirma que não há problemas com a disciplina dos clubistas, ele observa empenho e colaboração. “Quando eles estão em sala de aula, participam e se dedicam. Como foi na Culminância, quando eles demonstraram muito empenho ao decorarem a sala e buscarem pessoas para a venda do sabão”, relembra.
O clube também é um local de experiência para o professor Rafael. “É uma oportunidade de aprender também, de ter essa vivência de estar orientando um aluno e iniciando ele numa caminhada científica”, conta. Para os alunos não é diferente, o clube está sendo fundamental na formação. “É um maior contato com a ciência”, diz.
Entre os próximos passos, buscar outras alternativas para reciclar o óleo é uma delas. Para isso, uma sugestão é utilizá-lo na produção de matéria orgânica para nutrir o solo, porém sem utilizar muito óleo, explica o professor. Outro objetivo é também transformar o colégio em um ponto de coleta de óleo. “A gente pensa em colocar uma caixa d’água, vedar bem o solo e assim poder reciclar esse óleo”,
O clube inclusive tem o apoio da secretaria de meio ambiente da cidade. Além disso, a intenção também é trabalhar com a educação ambiental visitando escolas municipais para transmitir os conhecimentos adquiridos no clube para mais crianças e adolescentes. “E até dentro da escola mesmo, porque a gente percebeu que nem todos têm o conhecimento em torno da reciclagem”, explica Fernando.
Alunos do “Exploradores da Ciência” estudaram todo o espaço, trazendo dados como a fauna, flora e cardápio da escola

Você sabe tudo sobre a escola em que estuda ou estudou? Esse foi o desafio proposto para os alunos do clube Explorados da Ciência, do Colégio Estadual Antônio de Moraes Barros, em Londrina. A equipe está dividida basicamente em quatro grupos, nos quais analisam aspectos da flora, fauna e até do cardápio da merenda e resíduos orgânicos do espaço escolar.
A pesquisa segue um padrão semelhante aos trabalhos de Iniciação Científica, sendo realizada por meio de subprojetos. Isso significa que há a parte prática, mas também há escrita. Para a professora coordenadora, Karina Furlanete, esse formato de avaliação está trazendo mais amadurecimento e autonomia aos estudantes, principalmente na compreensão do fazer científico.

Segundo a docente, a ideia é que os alunos cheguem ao segundo ano do clube e ao Ensino Médio com conhecimentos acima do esperado. “Não importa qual área eles vão escolher no Ensino Médio, em relação ao itinerário informativo ou a um possível vestibular. Eles vão conseguir usar essa capacidade desenvolvida para a vida deles, não se restringe ao contexto escolar”, destaca.
No NAPI – Paraná Faz Ciência, o clube é articulado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Os alunos já apresentaram dois seminários no ambiente escolar e, agora, se preparam para participar dos eventos e feiras científicas propostas dentro da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência.
Ao longo deste ano, o primeiro grupo trabalhou com a temática “Levantamento florístico do território escolar”. Os alunos catalogaram espécies da escola, separando a mata em partes e coletando uma por uma. Até o momento, há 31 espécies registradas e 21 identificadas. Para a próxima fase, o estudo se chamará “Enriquecimento florístico do território escolar”. O novo foco será em produzir mudas, principalmente de espécies frutíferas.
O segundo grupo investigou o “Levantamento da fauna do território escolar”. Neste, os estudantes buscaram investigar o que a comunidade entendia dos animais que habitam o espaço. Foram identificados 14 animais, com base em entrevistas realizadas com professores e demais funcionários da escola. O projeto futuro será com “Abelhas nativas”, considerando o registro de abelhas Jataí na área pesquisada.

O terceiro grupo atua com a “Análise do Cardápio Escolar”, comparando-o às exigências do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Foi constatado que a merenda está dentro dos parâmetros, com variação na oferta de frutas, legumes e verduras. Além disso, os clubistas investigaram as preferências alimentares dos alunos do período vespertino. Agora, irão avaliar possibilidades de cultivo de plantas em canteiros alternativos, para o enriquecimento do cardápio.
O quarto e último grupo, por sua vez, surgiu da união de dois projetos. Um trabalhava com resíduos sólidos não orgânicos e o outro com composteiras. Em conjunto, passaram a coletar materiais da cantina com o objetivo de identificar os tipos de resíduos sólidos produzidos na escola. Além disso, a ideia é propor intervenções para o gerenciamento desses resíduos.
Professores e membros da organização da FECCI podem responder ao formulário de opinião no site da Feira

Milhares de pessoas participaram da Feira de Cultura Científica (FECCI), promovida em novembro desse ano. Agora, é hora de avaliar o evento. A ideia é que essas informações sejam usadas para que ele se torne ainda melhor, em 2026.
Para isso, pedimos a contribuição de todos aqueles que participaram da organização e das atividades da FECCI. É essencial conhecer a opinião de professores, articuladores, orientadores, pós-doutorandos, bolsistas BTNS e demais integrantes da gestão.
O instrumento para levantar essas informações é um formulário que está disponível no site da FECCI (fecci.net.br).
A pesquisa é dirigida apenas a professores e parceiros do NAPI Paraná Faz Ciência, estudantes não devem responder!
O articulador do NAPI Paraná Faz Ciência e coordenador da feira, Rodrigo Reis, lembra que “todo evento, apesar do sucesso, pode ser melhor. E é isso que essas informações coletadas vão permitir, em 2026.”
Já a outra articuladora do NAPI e também coordenadora da FECCI, Débora Sant’Ana, lembra que esse processo avaliativo é uma parte importante de todas as ações desenvolvidas pelo NAPI. “Especialmente, a FECCI, uma das maiores iniciativas do Arranjo. Contribuam!”
Os alunos pretendem usar as pesquisas do clube para orientar a população sobre a importância das abelhas

Abelhas são cruciais para o planeta. Ajudam na manutenção das florestas, na produção de alimentos e, claro, no próprio equilíbrio ecológico. Mesmo assim, são constantemente ameaçadas por práticas humanas. Por isso, o clube CCM Bee, do Colégio Cívico-Militar Nestor Victor dos Santos, em São Miguel do Iguaçu, busca conscientizar a população enquanto investiga o papel das abelhas sem ferrão na biodiversidade.
Na Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, o projeto é articulado pela Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA). Os estudos tiveram início no ano passado e o clube começou as atividades com a construção de iscas. Os alunos capturaram algumas abelhas Jataí, uma espécie pequena que não possui ferrão, para aprender mais sobre os insetos e como cuidar deles.
Neste primeiro momento, os estudantes também foram orientados sobre como os agrotóxicos, o desmatamento e o aquecimento global afetam diretamente a vida das abelhas. Agora, com o projeto mais avançado, os alunos estão se organizando para transferir as abelhas capturadas para um meliponário com colmeias, plantar mudas e, em breve, promover oficinas educativas em escolas municipais.

A ideia é expandir o impacto das pesquisas para além dos muros da escola, inspirando novas ações sustentáveis. Inclusive, o CCM Bee já está participando ativamente de eventos e feiras científicas para divulgar os resultados do projeto. Em agosto deste ano, por exemplo, o clube foi selecionado para a etapa estadual da VI Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente (CNIJMA), em Foz do Iguaçu.
De acordo com a professora coordenadora, Jocimara Monsani, o Clube de Ciências tem sido essencial para despertar a curiosidade científica dos estudantes. “Os alunos desenvolvem habilidades fundamentais para o século XXI: pensamento crítico, resolução de problemas, trabalho em equipe, comunicação e escrita científica e consciência ambiental”, explica.

A docente ainda destaca a parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e com o Sindicato Rural de São Miguel do Iguaçu. Juntos, estão oferecendo um curso sobre Produtos Apícolas para a população, entre os dias 15 e 20 de dezembro. Serão aulas gratuitas, com certificado e material já incluso. “Uma realização que fortalece o conhecimento, valoriza a biodiversidade e conecta a ciência com a comunidade escolar”, reforça Jocimara.
Além das atividades envolvendo as abelhas sem ferrão, análises do mel e produção artesanal, o Clube de Ciências também realiza outras investigações. Um exemplo é a pesquisa científica sobre a identificação de focos do mosquito da dengue nas armadilhas com garrafa pet, que foram instaladas para capturar as abelhas.
Aluna do Clube “Ciências no nosso dia a dia”, de Presidente Castelo Branco, é uma dos 27 estudantes selecionados em todo o Brasil

Durante este ano, muitos clubes e estudantes se destacaram. Entre eles está Julia Carolina Bunhak Quintino, do 8º ano, do Colégio Estadual Integral Maria Carmella Neves de Souza, em Presidente Castelo Branco. A aluna faz parte do Clube “Ciências no nosso dia a dia” e foi selecionada para representar o Paraná na Olimpíada Nacional de Eficiência Energética (Onee).
A Onee é uma iniciativa da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), e tem como intenção alertar estudantes e professores sobre o consumo responsável de energia, sustentabilidade e cidadania. Isso tudo por meio de uma metodologia gamificada alinhada à BNCC (Base Nacional Comum Curricular).
Em todo o Brasil, vinte e sete alunos dos 8º e 9° anos do ensino fundamental representaram seus estados na terceira etapa da edição 2025 da olimpíada, que ocorreu nos dias 5 e 6 de outubro na capital federal, em Brasília.
Para ingressar Júlia teve que passar por algumas etapas: a primeira, realizar um curso pela plataforma da Onee que envolvia desde as fontes de energia até o consumo consciente. Paralelamente, a clubista se envolveu em desafios digitais e jogos interativos sobre a temática. E depois, a aluna realizou uma prova sobre eficiência energética que testou os conhecimentos adquiridos. A formação alcançou também os professores, como conta a aluna. “Os professores também receberam formação por meio de um curso digital sobre energia e segurança. No final, os melhores colocados ganharam medalhas, e os campeões nacionais, como meu caso, participaram de uma cerimônia em Brasília”, explica Júlia.

Conforme a professora, Arleia Figueiredo da Costa, a ideia inicial foi do professor Lucas Bertolucci, de Geografia e Robótica. Ele foi o responsável por acompanhar a estudante em todas as etapas, até mesmo na viagem, para participar da final.
Mesmo assim, Arleia afirma que o clube influenciou a escolha da aluna em participar das Olimpíadas. “O grande objetivo do clube é prepará-los e motivá-los para a apresentação de seus trabalhos em feiras de ciências e para a participação em olimpíadas do conhecimento, como a Olimpíada Nacional de Eficiência Energética”, explica.
A professora também reforça a importância dos clubistas em feiras e olimpíadas para a complementação do aprendizado em sala de aula. “Essas experiências estimulam o aprofundamento do conhecimento e o desenvolvimento de habilidades cruciais, como o raciocínio lógico, a criatividade e a capacidade de pesquisa”, defende.
“Para muitos desses alunos, essas atividades representam a primeira oportunidade de vivenciar um evento científico, o que enriquece imensamente sua formação. Elas promovem o interesse pela ciência de forma prática e competitiva, oferecendo visibilidade para o trabalho dos estudantes e abrindo portas para oportunidades futuras em universidades”, acrescenta a educadora.

A estudante relembra o misto de emoção – orgulho e nervosismo – ao descobrir que representaria o seu Estado nas Olimpíadas. “A jornada foi muito mais do que apenas estudar conceitos; foi uma verdadeira imersão em como a energia funciona e, mais importante, como podemos usá-la de forma mais consciente e sustentável. Através de jogos e desafios interativos, eu comecei a entender como os pequenos hábitos da minha família, como apagar as luzes ou desligar a TV da tomada, realmente fazem a diferença”, explica Júlia.
A clubista reforça que o clube foi essencial para aprofundar os seus interesses. “Eu tive a oportunidade de participar de projetos práticos que não seriam possíveis em sala de aula”. E também as habilidades desenvolvidas neste ambiente, como pesquisar de forma eficaz, trabalhar em equipe e apresentar ideias. “O estímulo constante do clube de ciências foi muito importante para minha jornada rumo à Olimpíada Nacional de Eficiência Energética”, afirma.
Durante os meses, Júlia diz que o ambiente foi de contínuo aprendizado. “Tinha um grande engajamento entre estudantes e professores de todo o Brasil, com um formato digital e interativo, quase como um jogo, o que facilitou a participação de milhares de alunos de várias regiões”.
O professor de robótica conta que foi uma experiência muito positiva acompanhar a estudante no evento. Bertolucci explica que atuou como mentor e guia em todo o processo. “Além de orientá-la sobre o conteúdo de energia e sustentabilidade, minha função foi manter a motivação dela nos desafios propostos e mostrar que a teoria se aplica de forma prática no dia a dia, tanto na escola quanto em casa”, conta.
Toda equipe: professor, professora e clubista seguem gratos pela conquista. “Embora a conquista da medalha em si seja o reconhecimento principal pelo esforço, é ainda mais gratificante ver o interesse dela por ciência e sustentabilidade se fortalecer dessa forma” comenta o professor Lucas. A professora Arleia acrescenta que o clube segue fomentando o aprendizado e “também oferece a plataforma e o suporte necessários para que os estudantes brilhem em competições, representando suas escolas e estados com confiança”, finaliza a docente.
Clube dedicado ao público feminino marca simbolicamente a trajetória da escola e estimula jovens a vivenciarem a cultura científica

O Instituto de Educação Erasmo Pilotto, em Curitiba, integra a Rede de Clubes Meninas Paraná Faz Ciência, iniciativa estadual que reúne 45 instituições da rede pública para incentivar a participação de meninas e mulheres em ambientes científicos e fortalecer sua permanência em carreiras da área.
Segundo a professora coordenadora do clube, Camila Cristina Ferreira da Costa, essa presença transforma o cotidiano escolar e amplia horizontes. “O projeto abre horizontes, traz a cultura científica para a escola. As meninas e mulheres desenvolvem autonomia, conhecimento do método científico e pensamento crítico”, conta.
A diretora Márcia Murbach reforça que a existência de um clube voltado às meninas em uma escola com quase 150 anos de história tem forte significado simbólico. O Instituto, que já foi exclusivamente feminino, contou com apenas sete mulheres na direção ao longo desse período — incluindo a atual. Para ela, abrir um espaço institucionalizado para o diálogo entre ciência e protagonismo feminino reafirma essa trajetória.
“É a primeira vez que a gente tem um clube de meninas pensando em ciência. A escola vai fazer 150 anos, e isso é muito significativo. Ter um espaço aberto para o feminino dialogar com a ciência, se aproximar de um mundo que foi por muito tempo masculino, é muito bonito”, afirma.

A presença de mulheres cientistas na escola também tem impacto direto na construção de referências para as estudantes. “As meninas na ciência são capazes. Mostrar que elas têm representatividade, que estão vendo outra professora cientista envolvida com elas…isso abre portas para outros momentos femininos dentro da escola”, destaca Márcia.
A coordenadora Camila observa que essa transformação aparece tanto no desenvolvimento pessoal quanto no interesse acadêmico das alunas. “O clube é importante no nível individual, mas desperta também o interesse pelas áreas das ciências da natureza e exatas, promovendo protagonismo juvenil e enriquecendo a formação escolar.”
A Rede Meninas Paraná Faz Ciência articula escolas que desenvolvem projetos interdisciplinares, colaborativos e interinstitucionais, fortalecendo a inserção de meninas e mulheres em diferentes campos da ciência desde a Educação Básica.
Para Camila, esse trabalho também gera efeitos coletivos. “No âmbito social, buscamos popularização e divulgação científica, trazendo o protagonismo para as meninas e mulheres, e outras minorias”, explica. No Instituto de Educação, essa cultura científica já alcança estudantes mais jovens. E a diretora avalia que o impacto tende a se multiplicar ao longo dos próximos anos. “Isso vai abrir portas para as [alunas] que estão chegando no sexto ano. Ter esse poder feminino representado e dialogar com o espaço da ciência é essencial. Pensar a ciência como um local de pesquisa independente do gênero é a parte mais importante”, afirma.