Mesmo ligadas a dermatite e alergias, fragrâncias estão em mais de 70% dos quase 400 itens para crianças no mercado brasileiro levantados em estudo de Pediatria da UFPR. Pesquisadoras defendem mudanças na regulamentação, além de conscientização da população e dos profissionais de saúde
Estudos científicos já comprovaram que o cheirinho de bebês recém-nascidos produz grande quantidade do hormônio dopamina, causando o mesmo efeito de recompensa e satisfação que ocorre com a comida, tabaco ou drogas, no caso de pessoas viciadas nas substâncias. Mas se esse aroma é tão bom, por qual razão as empresas de cosméticos e de artigos de higiene insistem em desenvolver produtos com fragrância destinados a esse público?
A resposta está na questão cultural que, principalmente no Brasil, tem relação muito forte com a utilização de perfumes. Mas, ao fomentar essa tradição, os pais podem acabar expondo desnecessariamente os filhos a elementos causadores de efeitos colaterais como alergias e dermatites, entre outras consequências nocivas para a saúde.
Um estudo desenvolvido por pesquisadoras do Departamento de Pediatria da Universidade Federal do Paraná (UFPR) analisou 398 rótulos de cosméticos infantis do mercado brasileiro buscando a presença de perfume ou fragrância entre os ingredientes. A conclusão, publicada em artigo no Jornal de Pediatria, mostra que mais de 70% dos rótulos apresentavam as substâncias, que apareceram em 90% dos xampus e em 79% dos lenços umedecidos.
Além desses produtos, foram analisadas embalagens de sabonetes líquidos, sabonetes em barra, condicionadores, hidratantes, cremes para prevenção de assaduras, protetores solares e repelentes, todos indicados para uso infantil.
O perfume, na maioria das vezes descrito como “parfum”, é uma mistura de substâncias não reveladas pelo fabricante — pois esta não é uma exigência da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) —, que pode conter ingredientes com potencial para ocasionar danos a quem o utiliza.

A dermatite de contato é uma das doenças que pode ser causada pelo uso dessas substâncias. “Os ingredientes que compõem os perfumes são muito variados, mas muitos deles estão evidentemente associados à dermatite de contato na criança e no adulto e esta é uma doença que tende a ser pior quanto mais precoce for o contato”, revela Marjorie Uber, primeira autora do artigo, à Ciência UFPR.
A professora Vânia Oliveira de Carvalho, que também coordena o curso de especialização em dermatologia pediátrica da UFPR, explica que as crianças têm uma pele mais fina e com uma barreira cutânea menos efetiva, o que facilita a penetração de substâncias que causam sensibilização.
“Por este motivo, crianças devem ter menos contato com substâncias com potencial sensibilizante”.
Estatísticas mostram que os casos de dermatite de contato alérgica, antigamente raros em crianças, aumentaram em número de diagnósticos nas últimas décadas e que a sensibilização está ocorrendo principalmente ao longo dos três primeiros anos de vida.
Por isso, a recomendação das especialistas é evitar cosméticos com fragrância sintética como uma atitude que deve perdurar por toda a vida, não apenas na infância.
“Não existe uma idade em que eles se tornem mais seguros, sobretudo pelo fato de o seu uso ser frequente, por anos, e os efeitos nocivos podem ocorrer após anos de absorção cutânea destes ingredientes”, afirma Marjorie.
Dessa forma, os responsáveis por crianças devem usar o bom senso para escolher os produtos de higiene, seguindo a recomendação de não deixar de lado produtos importantes à saúde, como repelentes (que podem ser usados a partir dos três meses de vida) e protetores solares (a partir dos seis meses).
“A questão é que assim: dentre um pool de lenços umedecidos, por exemplo, há produtos sem fragrância com mesmo valor de outros com. Mas as pessoas simplesmente não se atentam a isso”, avalia Marjorie.
Outra importante orientação é ler os rótulos dos produtos antes de adquiri-los e evitar artigos que apresentem “parfum” na descrição, pois não é possível saber quais substâncias de fato estão na fórmula.
“Alguns ingredientes de fragrância, como ‘Linalool’ e ‘Limonene’, são adicionados às formulações para conferir cheiro agradável. Isso pode enganar o consumidor, pois são ingredientes específicos e, nestes casos, eles estarão descritos deste modo e não como ‘parfum’”, acrescenta a pesquisadora.
Cosméticos descritos como sendo de origem natural ou contendo óleos essenciais também devem ser analisados criticamente. “Podem apresentar os mesmos riscos para a saúde do que produtos sintéticos”, aconselha Kerstin Taniguchi Abagge, também professora de Pediatria na UFPR.
Ela ressalta que buscar informações de fontes confiáveis é a principal forma de se resguardar.
“Sites como o da Sociedade Brasileira de Pediatria trazem vários documentos científicos para os profissionais da saúde e para os pais. Mas, obviamente, as indústrias estão atentas a isso, mudando a formulação dos seus produtos, utilizando menos corantes, surfactantes menos agressivos, menos perfumes e menor quantidade de substâncias irritantes”.
As pesquisadoras reivindicam a obrigatoriedade da descrição de todos os ingredientes e concentrações que compõem o termo “parfum”, além de uma regulamentação mais rígida, exigindo estudos que provem a ausência de risco carcinogênico ou efeito hormonal antes da liberação de um ingrediente cosmético para uso infantil.
Avaliam que as regulamentações sobre cosméticos infantis costumam diferir das regulamentações para adultos e, apesar de serem baseadas em conhecimentos científicos atuais, esses estudos ainda são limitados no que diz respeito aos efeitos dos ingredientes cosméticos.
“São necessários estudos que demonstrem, de forma categórica, quais são os efeitos efetivos dessas substâncias na saúde do ser humano, especificamente das crianças. Respostas a perguntas que envolvam quais concentrações, qual o tempo de exposição preciso para que esses efeitos aconteçam, se a exposição a longo prazo é prejudicial e quais seriam os efeitos cumulativos são importantes para a regulamentação desses produtos”, avalia Kerstin, que também enxerga como primordial a conscientização da população em relação ao uso indiscriminado de produtos de higiene e cosméticos nessa faixa etária.
Lideradas por mulheres, pesquisas acadêmicas vêm assumindo um papel crucial na ampliação da representatividade e na divulgação das contribuições femininas em diversas áreas
A produção científica resultante de pesquisas sobre a condição feminina e as desigualdades de gênero é crescente no Brasil, apesar das muitas dificuldades que as mulheres ainda enfrentam no ambiente acadêmico, aponta Cleusa Gomes, docente da UNILA e coordenadora do Observatório de Diversidade na América Latina – Caribe e do Monitoramento da Violência de Gênero na Tríplice Fronteira (Brasil, Paraguai e Argentina).
Segundo ela, estudo realizado por Natascha Hoppen (UFRGS), em seu doutorado, mostra que, nas décadas de 1960 e 1970, o número de artigos publicados sobre mulheres e gênero era de 10 por ano, mas em 2018 esse número chegou a 3.864 artigos. Natascha analisou 31.609 artigos de autores brasileiros publicados entre 1959 e 2019. “Mostra uma trajetória maravilhosa, vigorosa”, comenta Cleusa.
Esse trabalho mostrou, aponta a docente, que o tema ganhou fôlego na década de 1990, com artigos na área de ciências da saúde. A partir daí, também nas ciências humanas e sociais. O estudo também aponta como causa desse interesse crescente o surgimento de dois periódicos acadêmicos, a Revista Estudos Feministas, vinculada ao Instituto de Estudos de Gênero da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), e os Cadernos Pagu, periódico ligado ao Núcleo de Estudos de Gênero da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Cleusa, que também é pós-doutoranda em História das Mulheres e Gênero na América Latina (USP), destaca que a produção sobre esses temas não pode ser dissociada dos dados que mostram a também crescente participação das mulheres na ciência. Segundo ela, hoje as mulheres são cerca de 54% dos estudantes de doutorado no Brasil. “Um aumento impressionante de 10% nas últimas duas décadas. Isso representa muito, dados todos os limites para a entrada das mulheres no ambiente acadêmico e científico.” Esse número, comenta, é semelhante ao de países como os Estados Unidos, onde, em 2017, as mulheres conseguiram 53% dos diplomas de doutorado.
Os campos em que as mulheres pesquisadoras mantêm vantagem sobre os homens, no entanto, nem sempre se revertem em maior visibilidade ou reconhecimento. Outro dado apresentado pela docente mostra que as cientistas são responsáveis por quase 70% dos artigos publicados no Brasil. “Este é um dos maiores índices do mundo e, apesar disso, as mulheres são menos citadas, mesmo quando se trata de outras temáticas que não a de gênero.” Os homens, completa, também são “mais bem representados entre os autores com uma longa história de publicação”, enquanto as mulheres são “altamente representadas entre os autores com uma curta história de publicação”.
As pesquisadoras ficam em desvantagem, ainda, quando se trata da bolsa de produtividade, lembra Cleusa. “As pesquisadoras têm maior número de publicações e, ainda assim, apenas 24% das mulheres recebem bolsa de produtividade. Nós temos grandes desafios para incluir de forma plena e igualitária as mulheres dentro dos ambientes específicos, dentro da academia, dentro da produção científica, dentro da produtividade.” Os fatores que levam a isso, diz Cleusa, são “os mesmos que levam à questão dos baixos salários das mulheres nas empresas: misoginia e patriarcado”.
A perspectiva e a potencialização da equidade de gênero, a criação de políticas públicas para ampliação do espaço das mulheres na pesquisa, o fortalecimento da representatividade feminina nos espaços científicos e a criação de mecanismos de inclusão da pauta de gênero nas instâncias das universidades são algumas das ações apontadas por Cleusa capazes de reverter a invisibilidade a que as cientistas ainda estão submetidas.
Na UNILA, uma instituição ainda jovem, essa visibilidade das pesquisadoras também é uma preocupação. A pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação, Laura Fortes, diz que é importante haver o reconhecimento institucional e a adoção de políticas de inclusão. “A UNILA tem feito um esforço para fazer o levantamento de dados institucionais que possam embasar a proposição de políticas voltadas para o fortalecimento das mulheres no campo das ciências”, diz. Ela também cita como ações dessa natureza os editais de fomento à pesquisa que priorizam a atuação feminina.
Apesar dos obstáculos e dificuldades ainda encontrados, muitas estudantes e docentes se empenham em fazer da pesquisa uma ferramenta para questionar e discutir o papel da mulher. E em uma sociedade onde as vozes femininas são frequentemente silenciadas ou subestimadas, a pesquisa acadêmica assume um papel crucial na ampliação da representatividade e na divulgação das contribuições das mulheres em diversas áreas.
Identificar as desigualdades de gênero na ocupação de cargos eletivos é o objetivo do TCC que está sendo desenvolvido pela estudante de Ciência Política e Sociologia Olinda Lewitzki Drutchiaki. A motivação para estudar esse tema veio da sua própria experiência de vida. “Eu nasci e cresci no campo e sempre observei a falta de participação política das mulheres e também essa ausência de reconhecimento e de oportunidades no contexto rural”, conta a aluna de 22 anos que vem da comunidade rural de Góes Artigas, distrito de Inácio Martins (PR).
O recorte da pesquisa de Olinda é identificar as dificuldades de mulheres camponesas, agricultoras, assentadas, indígenas e outras que vivem no meio rural para a ocupação de cargos políticos. Segundo a estudante, essa ausência de representatividade impacta diretamente na falta de políticas voltadas para a mulher do campo. “Eu tenho um sentimento de que a política institucional não é pensada para a mulher do campo. Então, eu acredito que é necessário políticas que representem e que consigam ser mais inclusivas. Faltam políticas que pensem, por exemplo, a alta taxa de mulheres do campo que não terminam o ensino médio e acabam se casando e engravidando muito jovens. Outro exemplo é a falta de emprego para mulheres, porque majoritariamente todos os empregos na área rural são para homens”, explicou.
Olinda acredita que a Universidade tem um papel importante ao promover projetos e ações relacionadas a questões de gênero. Mas também tem uma preocupação em fazer com que essas discussões não se limitem à academia e ultrapassem os muros da instituição para chegar às comunidades. Sua maior inspiração para refletir sobre isso é o trabalho de outra mulher: a egressa de Antropologia da UNILA Thaísa Lewitski, sua tia e fundadora da Casa da Cultura de Góes Artigas.
“A partir das vivências que a Thaísa teve na Universidade, ela tentou mobilizar as mulheres da comunidade, criando um coletivo que busca ser um espaço ativo de diálogo, um espaço político e também um espaço de lazer para as mulheres, especialmente para mulheres do campo que não têm esse acesso. É isso que me motiva: perceber o quanto essa iniciativa transformou a minha vida e a de outras mulheres”, completa.
Juliana Helena Corrêa teve muitas oportunidades para estudar. Ela tem graduação em Pedagogia e em Publicidade e Propaganda, especialização em Políticas Públicas, está cursando sua terceira graduação, em Direito, e é aluna regular de mestrado no Programa de Pós-Graduação em Integração Contemporânea da América Latina (PPGICAL). Porém, durante o trabalho como assistente em administração na Pró-Reitoria de Graduação (PROGRAD) da UNILA, Juliana se deparou com uma outra realidade: a de mulheres que desistiam da Universidade por conta da violência. O incômodo virou objeto de pesquisa no mestrado.
“O ambiente da universidade somado às características peculiares da UNILA me fizeram refletir sobre os impactos da violência contra as mulheres nesse espaço. É notório, sabido por todos, que vivemos uma epidemia de violência contra nós, mulheres. Porém, os números também demonstram a crescente onda violenta enfrentada pelas mulheres nos espaços públicos, ou seja, nos ambientes profissionais, políticos, religiosos, nas instituições de ensino e nas ruas. Ser mulher não é seguro ou confortável para nenhuma de nós e, tal fato apresenta-se de forma diferente para cada mulher. As mulheres pretas, pardas, indígenas, casadas ou divorciadas, com ou sem filhos, pobres, trans sofrem com o aumento da violência”, relatou Juliana, que é servidora na UNILA há 10 anos e atualmente trabalha no Departamento de Normas e Desenvolvimento Curricular da PROGRAD.
A pesquisa ainda tem um longo caminho para ser desenvolvida, mas ela já conseguiu perceber alguns padrões nos casos de mulheres vítimas de violência, como a dificuldade de serem ouvidas. Segundo a mestranda do ICAL, a primeira reação dos ouvintes – sejam eles amigos, profissionais de saúde ou agentes de segurança – é a de questionar sobre a real ocorrência das agressões. “Esse comportamento social provoca na vítima a chamada violência secundária, que é quase invisível, porém seus danos atingem significativamente o emocional da mulher por ter que repetir os fatos da violência para ser ouvida. Esse padrão é repetido na sociedade e também na UNILA. No entanto, a pesquisa também tem mostrado a resiliência das mulheres e a importância de uma rede de apoio para evitar a evasão”, pontuou. Na fase atual, Juliana está analisando os relatórios do Comitê Executivo pela Equidade de Gênero e Diversidade (CEEGED) da UNILA.
A iguaçuense Daiane Soares de Lima defendeu, na última segunda-feira (4), sua dissertação no Mestrado em Integração Contemporânea da América Latina (ICAL). Graduada em História – América Latina, também pela UNILA, Daiane pesquisou um tema que ainda é cheio de estigmas na academia e fora dela: a não maternidade. O enfoque de sua pesquisa foi a vivência da não maternidade no filme “Frida” e no México. A escolha desse filme se deu pela identificação da estudante com a vida da artista, especialmente em relação às questões de saúde reprodutiva.
Frida Kahlo sofreu um acidente, aos 18 anos, que a deixou com várias sequelas de saúde, inclusive a impossibilidade de ter filhos. Já Daiane, aos 11 anos, foi diagnosticada com Síndrome de Turner, uma doença genética que causa infertilidade. “O maior problema não foi a frustração de não poder ser mãe biológica, o que deixou claro para mim que, na verdade, não desejava ter filhos, tendo apenas cogitado a hipótese por ser algo que foi colocado para mim como parte do ‘destino’ de toda mulher. Esse episódio de minha vida, além de mostrar que a maternidade é uma construção ideológica social, evidenciou a falta de preparo da sociedade para lidar com a situação. Às vezes, na tentativa de ‘consolar’, as pessoas colocam a experiência da maternidade como algo essencial na vida de toda mulher. E em outras ocasiões, o tema é transformado em um grande tabu, deixando o silêncio como uma marca indelével, sem dar à mulher a oportunidade de explorar suas próprias emoções e pensamentos sobre o assunto”, lembra Daiane, que acredita que a falta de compreensão e acolhimento se deve, em parte, à estrutura patriarcal e aos vestígios do processo de colonização presentes na sociedade.
Em sua análise, Daiane destaca a dificuldade de abordar a temática da não maternidade inclusive no ambiente universitário e entre movimentos feministas. “O fato é que os feminismos se rebelam contra a imposição, mas não se aprofundam no debate do que implica ser mãe. Ocorre, então, uma relação mal resolvida entre os feminismos e a maternidade, maternagem e não maternidade”, disse.
Para o futuro, a historiadora tem esperança de que as mulheres que optem por não ter filhos sejam compreendidas e respeitadas. Ela acredita que o caminho para a aceitação passa pelo debate aberto, pela ocupação de espaços e pelo resgate das experiências das mulheres que tentam desconstruir a ideia da maternidade compulsória. E é por isso que ela pretende continuar abordando esse assunto no doutorado. Desta vez, analisando como o cinema retrata La Llorona, um fantasma do folclore latino-americano originário da época pré-hispânica que, segundo a tradição oral, é a alma penada de uma mulher que chora e lamenta a perda dos filhos.
“Estou muito feliz por vincular as coisas que amo como história, cinema, feminismo e a Frida com a temática da não maternidade, que faz parte da minha vivência e, de alguma forma, de todas as mulheres. Escrever também é uma forma de lutar pela autonomia do nosso corpo-território e mostrar as opressões do sistema patriarcal, que mesmo que tente não vai conseguir nos silenciar”, destacou.
Sob coordenação da professora Carla Rabelo Rodrigues, o projeto de pesquisa “Mulheres no Cinema do Peru” busca preencher lacunas históricas, mapeando e dando visibilidade às mulheres cineastas peruanas que foram negligenciadas pela narrativa oficial. De acordo com a docente, a principal motivação para iniciar a pesquisa foi verificar, nos livros de história do cinema peruano, que as mulheres eram pouco citadas. “As histórias das cineastas peruanas precisam ser contadas e seus filmes estudados. Para isso, tenho feito entrevistas com mulheres atuantes no cinema do Peru. Em dezembro e janeiro, estive em Lima e pude conversar com algumas delas pessoalmente”, contou. Essa lacuna, argumenta a pesquisadora, não apenas obscurece as contribuições significativas das mulheres para a indústria cinematográfica, mas também perpetua uma narrativa dominada pelo ponto de vista masculino.
Entre as cineastas peruanas que precisam ser mais conhecidas, Carla destaca Nora de Izcue. “Ela é a mais antiga cineasta viva e com produção contínua de direção de filmes, entre outras funções que exerceu no cinema. Alguns de seus filmes possuem personagens femininas bem potentes”, disse. A professora do curso de Cinema e Audiovisual da UNILA recomenda especialmente o filme Color de Mujer, disponível no canal da diretora no YouTube.
Neste 8 de março, Dia Internacional da Mulher, Carla Rabelo organiza o encontro “8M na UNILA: debate sobre Cinema e Mulheres“, que será realizado a partir das 14h no Jardim Universitário (Sala C-207) e contará com mulheres trabalhadoras do audiovisual que desempenham diversas funções criativas. Carla enfatiza que o cinema é uma linguagem de poder e, historicamente, foram os homens que estiveram à frente, manobrando as dinâmicas do setor produtivo e liderando a produção científica sobre o campo. “Por isso, a discussão do 8 de março do curso de Cinema e Audiovisual é importante para que as mulheres possam apresentar seus processos criativos, suas reflexões e, principalmente, repensar essa lógica hegemônica capitalista-patriarcal, buscando mais igualdade e respeito no ecossistema audiovisual. Não à toa, há tantos movimentos feministas de mulheres no cinema, no mercado e no âmbito acadêmico”, cita. A docente observa esse movimento crescente de ativismo feminista no cinema acontecendo, inclusive, no Peru. Nos últimos anos, foram criados coletivos de mulheres no cinema, como o Nuca Cine – Asociación de directoras de cine del Perú, e eventos dedicados às vozes femininas, como o Festival Hecho por Mujeres. Movimentos de luta e resistência fundamentais para impulsionar a representatividade das mulheres no cinema peruano e latino-americano.
PICCE oferta 500 vagas para professores com aulas pela Universidade Virtual do Paraná. Inscrições abrem no dia 15 de março.
Professores do Paraná podem se inscrever no curso de capacitação continuada no ensino da ciência do Programa Interinstitucional de Ciência Cidadã na Escola (PICCE) de forma gratuita e online. As aulas serão ministradas em formato online pela Plataforma da Universidade Virtual do Paraná, com apoio da Secretaria Estadual de Educação do Estado do Paraná (SEED-PR).
O curso terá duração de 60h/aula com abordagem de temáticas que envolvem o letramento midiático, projetos de investigação e feira de ciências. O objetivo do Programa é fomentar a participação colaborativa em que professores e estudantes participem do processo científico na busca de soluções para os problemas da realidade onde estão inseridos.
Os certificados serão disponibilizados pela UFPR Aberta, sendo oito horas do curso síncrona e 52 horas EAD. As aulas iniciam em 22 de abril e se encerram em 30 de junho. O edital está disponível no endereço picce.ufpr.br/editais/ e as inscrições podem ser feitas online de 15 a 31 de março pelo link do formulário de inscrição https://forms.gle/CKfTjCzPQuvKwmoR8
Esta é a segunda edição do curso, que já capacitou docentes das secretarias municipais e estadual de educação. Em 2023, o PICCE recebeu também inscrições de professores dos estados do Amazonas, Bahia, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Distrito Federal. Foram 30 inscritos dessas regiões que integram o montante de 494 profissionais da educação que aceitaram o desafio de ampliar o interesse dos jovens pelas ciências e pelas carreiras científicas.
O PICCE
O Programa Interinstitucional de Ciência Cidadã na Escola (PICCE) promove a construção científica por meio de um processo formativo, pautado em metodologias de ensino e aprendizagem sempre aliadas à inovação e ao pensamento crítico, tornando os estudantes e professores como co-produtores de conhecimentos científicos em um aprendizado conjunto e compartilhado.
O Programa tem o apoio financeiro do Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (NAPI) – Paraná Faz Ciência da Fundação Araucária – Agência de Ciência Tecnologia e Inovação do estado do Paraná; e faz parte das estratégias de educação para a ciência e divulgação científica que tem como meta estruturar e implementar uma Rede Paranaense de Pesquisadores e Instituições com atuação nessas áreas.
Pelo segundo ano consecutivo, o Governo do Paraná anunciou um orçamento recorde para o financiamento de projetos e programas estratégicos da área de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. Previsto na Lei Orçamentária Anual (LOA) 2024, o aporte financeiro será de R$ 708,9 milhões –37% maior que os R$ 517 milhões aplicados em 2023, maior número até então. O montante foi confirmado na 31ª reunião do Conselho Paranaense de Ciência e Tecnologia (CCT Paraná).
A dotação orçamentária é operacionalizada pelo Fundo Paraná, administrado pela Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), instituição responsável pela gestão, distribuição e repasse dos recursos. Anualmente, o governo investe parte da receita tributária em iniciativas dessa área, conforme o artigo 205 da Constituição Estadual, o qual determina que os recursos sejam utilizados em projetos e programas que promovam o desenvolvimento do Estado de forma a melhorar a condição de vida dos paranaenses.
“Tivemos um salto em volume de recursos aplicados em programas e projetos de ciência e tecnologia a partir do ano passado. Saímos de R$ 100 milhões em 2022 para R$ 517 milhões em 2023. Para este ano houve a aprovação de R$ 708 milhões. Há, ainda, a possibilidade de suplementação orçamentária, o que dá efetivamente um bom aporte de recursos para que o Estado possa investir em programas e projetos de ciência e tecnologia, que ajudem a gerar desenvolvimento econômico e social”, destacou o secretário da Seti, Aldo Bona.
Os recursos do Fundo Paraná são distribuídos de acordo com o direcionamento do Conselho Paranaense de Ciência e Tecnologia, obedecendo os seguintes percentuais: 50% serão direcionados a projetos estratégicos da Seti, que em 2024 representam, aproximadamente, R$ 354 milhões. São projetos que têm promovido diferentes atividades nas universidades e centros de pesquisa do Paraná.
Os recursos de fomento científico e tecnológico são destinados a manter projetos voltados ao desenvolvimento de pesquisa, como a implantação de um laboratório para a produção de insumos para diagnóstico veterinário, que está sendo construído pelo Tecpar; bolsas-auxílio para estudantes e profissionais; desenvolvimento e promoção de Novos Arranjos de Pesquisa e Inovação (NAPIs), que reúnem pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento; fomento e desenvolvimento de iniciativas públicas e privadas para estimular o avanço para soluções de questões da sociedade.
A outra metade é dividida entre a Fundação Araucária, a Secretaria de Estado da Inovação, Modernização e Transformação Digital (25%), o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR) e o Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), que juntos recebem 25%.
O presidente do Grupo Viasoft, Itamir Viola, também conselheiro do CCT, afirma que o investimento representa um grande fomento da ciência. “Estamos vivendo um momento de amadurecimento do uso do recurso público. O Estado está comprometido a seguir a trilha completa, desde a pesquisa básica, passando pela pesquisa aplicada, com resultados medidos na ponta. Trata-se de um movimento de inovação muito grande com startups e empresas inovadoras que recebem essas tecnologias e geram produtos e serviços para melhorar a qualidade de vida”, destacou.
Nessa reunião do CCT Paraná, os representantes dos órgãos que recebem recursos do Fundo Paraná apresentaram os relatórios de prestação de contas de 2023 e também o plano de ação para 2024. No mesmo encontro, o CCT aprovou a Política Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (Pecti), uma ação inédita do Governo do Estado. Com ações previstas até 2030, a próxima etapa para implementação da Pecti é a publicação de um decreto, oficializando a vigência das novas diretrizes para o desenvolvimento científico e tecnológico paranaense.

Na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), o ano letivo inicia com muita ciência. Projetos de desenvolvimento de novas bebidas e de materiais cerâmicos, estudo do efeito das exportações da agropecuária brasileira na emissão dos gases de efeito estufa, desenvolvimento de protocolos para controle de degradação de sítios arqueológicos visitados turisticamente e mapeamento de estratégias utilizadas por professores de língua indígena receberam um incentivo a mais no final de 2023. Os cinco projetos foram contemplados na Chamada Universal 10/2023 do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
O nome já indica: a Chamada Universal é voltada para projetos de qualquer área do conhecimento. Neste ano, o investimento total previsto é de R$ 300 milhões. Das 9757 propostas recebidas pelo CNPq, 2751 foram aprovadas. Das propostas da UEPG contempladas na Chamada, quatro pertencem à Faixa A, para grupos emergentes, e uma pertence à Faixa B, para grupos consolidados. Os valores, que vão de R$ 35 mil a R$ 165 mil e somam R$ 359 mil, podem ser aplicados em itens de custeio, capital e bolsas de pesquisa nas modalidades Iniciação Científica (IC), Iniciação Tecnológica Industrial (ITI), Desenvolvimento Tecnológico Industrial (DTI) e Apoio Técnico (AT).
Reconhecimento
Para a professora Augusta Pelinski Raiher, cujo projeto sobre o impacto das exportações da agropecuária brasileira na emissão de gases de efeito estufa foi contemplado na Faixa B com R$ 35 mil, esse tipo de financiamento é importante por custear a pesquisa e também por significar um reconhecimento da relevância dos estudos desenvolvidos. “Mais de 90% de toda pesquisa que se faz no Brasil é feita nas universidades. Então ser contemplado com esses recursos é muito importante, para ajudar com equipamentos e softwares necessários para desenvolver o projeto; para traduzir os artigos gerados a partir da pesquisa; e também para poder divulgar os resultados em congressos e eventos”, enumera. “Nossa aprovação no edital significa que o que estamos pesquisando é algo que a sociedade entende como importante e que estamos no caminho certo”.
“Os projetos financiados por meio de editais do CNPq passam por um processo de seleção bem rigoroso, e que é baseado no mérito científico e técnico. São escolhidos somente os projetos de alta qualidade e relevância”, explica Jasmine Moreira, professora do curso de Turismo da UEPG e coordenadora de um projeto contemplado com R$ 49,5 mil. O grupo, do qual também participam os pesquisadores Henrique Simão Pontes, Laís Luana Massuqueto e o professor Robert Burns, da Universidade de West Virginia, nos Estados Unidos, estuda a degradação de sítios arqueológicos que são visitados turisticamente. O objetivo é elaborar um protocolo para uso público, com foco no Parque Nacional dos Campos Gerais. “A degradação de sítios arqueológicos vem ocorrendo cada vez mais e com mais velocidade e as ações para proteger esse patrimônio devem ser urgentes. A conscientização dos visitantes sobre os impactos negativos e a adoção de comportamentos responsáveis são fundamentais para a preservação desses sítios para as gerações futuras”, destaca a professora Jasmine. Apesar do impacto negativo de danos a esse patrimônio arqueológico, ela enfatiza que a visitação turística com qualidade ajuda a conectar o público com o passado, criar memórias mais duradouras e, consequentemente, valorizar o patrimônio.
Pesquisa e Inovação
“As crises climáticas e energéticas contínuas e crescentes e os regulamentos mais rigorosos sobre o uso de combustíveis fósseis, em face da crescente desigualdade global e preocupações ambientais, estão levando à necessidade de uma mudança para o uso de fontes de energia renováveis e a utilização mais eficiente de combustíveis fósseis”, explica a professora Adriana Chinelatto, do curso de Engenharia de Materiais, que teve um projeto sobre o desenvolvimento de materiais sustentáveis contemplado na Chamada do CNPq com R$ 60 mil. Há uma preocupação bastante atual com o desenvolvimento de novas tecnologias para obter energia com alta eficiência e baixa agressividade ao meio ambiente, visto que a geração de energia por fontes não-renováveis promove o esgotamento de recursos naturais e a deterioração das condições ambientais.
Uma dessas tecnologias é a de células a combustível de eletrólito sólido, que convertem energia química em energia elétrica. “A geração de energia elétrica nas células a combustível acontece sem a necessidade de combustão, com maior eficiência, baixo nível de ruído e menor emissão de poluentes. Como a célula a combustível apenas catalisa as reações eletroquímicas, o processo de geração ocorre de maneira contínua enquanto houver combustíveis disponíveis para suprirem as reações químicas e, se for utilizado o hidrogênio como combustível, o subproduto gerado será apenas água”, explica a professora. Essas células são fabricadas com materiais cerâmicos, e o objetivo do projeto é desenvolver novos materiais, com estrutura tipo Perovskitas, para torná-las mais eficientes e economicamente viáveis.
Educação
“Existem terras indígenas em que as pessoas basicamente falam português; não falam mais a língua indígena. Em outras, as pessoas falam as duas línguas, o português e a língua indígena. E existem terras indígenas em que grande parte da população nem fala português”. A constatação da professora Letícia Fraga, do Departamento de Estudos da Linguagem da UEPG, deixa clara a importância e a diversidade de uma linha de estudo que ela segue há mais de uma década: o ensino de línguas indígenas, em especial o Guarani e o Kaingang, em terras indígenas paranaenses. O projeto foi contemplado na Chamada Universal com R$ 49,5 mil.
O objetivo do projeto, segundo a professora, é mapear as diferentes estratégias que os professores usam para para ensinar essas línguas na escola, como a produção de materiais didáticos específicos, vídeos, exercícios e dicionários. Além disso, o grupo propõe formação continuada para capacitar e trocar experiência entre os docentes de terras indígenas.
Energia renovada
O projeto que teve a maior verba aprovada é da Engenharia de Alimentos, coordenado pelo professor Alessandro Nogueira. “O projeto desenvolve novas bebidas a partir de maçã: tanto sem álcool (sucos), quanto bebidas alcoólicas”, explica. São R$ 165 mil, sendo R$ 130 mil para equipamentos e R$ 35 mil para custeio, em especial de consumíveis para cromatografia líquida, um processo de separação de componentes em uma mistura. “Para nós, é uma injeção de ânimo”. Com os novos equipamentos e material de consumo, será possível desenvolver um trabalho de ponta.
“A aprovação de projetos como esses é muito boa para a Universidade, em geral”, comemora Alessandro. “A soma deste montante aplicado na instituição acaba beneficiando a Universidade como um todo, em especial na pesquisa científica desenvolvida nos programas de pós-graduação”. Com o reconhecimento do trabalho e o aporte financeiro, os pesquisadores têm ânimo renovado para fazer ciência, nas mais diversas áreas de conhecimento.
Texto e fotos: Aline Jasper
A Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), por meio da professora Marilei Casturina Mendes Sandri, em colaboração com as colegas Cássia Gonçalves Magalhães, Suellen Aparecida Alves e Célia Regina Carubelli, foi contemplada com um prêmio no valor de U$5.000,00, obtido por meio de um edital promovido pela instituição estadunidense Beyond Benign, com o apoio da Reitoria da UEPG e do Departamento de Química.
A Beyond Benign é uma organização fundada por John Warner e Amy Cannon, que desenvolve e distribui recursos educacionais ligados à Química Verde e à Ciência Sustentável, que empodera educadores, estudantes e a comunidade em geral para que a sustentabilidade torne-se possível por meio da Química. Com mais de 150 universidades filiadas ao redor do mundo, o prêmio foi destinado a apenas dez, a UEPG entre elas.
Pesquisa, ensino e extensão
A professora Marilei, uma das coordenadoras do projeto ‘Versus: Química Verde e Sustentável na UEPG’, que foi contemplado pelo prêmio, conta que este é um projeto integrado que reúne pesquisa, ensino e extensão. “Nós visamos fazer ações aqui dentro da Universidade, promover o ensino da química verde aqui dentro. Mas como tem a perspectiva da extensão, nós queremos levar isso para a comunidade e esses alunos estão fazendo justamente esse papel”.
Os oito bolsistas que integram a equipe de pesquisa vieram por meio do edital do programa “Universidade Sem Fronteiras”, e a partir da vinda desse novo recurso, poderão ter acesso a um laboratório com novas vidrarias e novos reagentes: equipamentos necessários para reduzir os resíduos produzidos nos experimentos e otimizar o trabalho dos 18 cursos que utilizam a estrutura do laboratório de Química Orgânica da UEPG.
Fernanda Ossovski Podolan da Rosa traz uma visão diferenciada para o grupo, uma vez que é acadêmica de Farmácia. Fernanda acredita que é possível disseminar as práticas sustentáveis por todos os cursos da Universidade. “A gente tem acesso a artigos e estudos em que a gente vê que a química farmacêutica é a que mais gera resíduo, mas por outro lado, também é uma das que mais trabalha para reduzir os resíduos”.
Química Verde
O conceito de Química Verde surgiu na década de 90, “como uma resposta aos problemas ambientais causados pela química convencional”, explica Marilei. “Nós sabemos que a química contribuiu e contribui muitíssimo para o avanço de vários segmentos da sociedade. Mas ao decorrer disso, ela também deixou muitos rastros de poluição”.
A professora Marilei, suas colegas de projeto e os oito estudantes imersos no laboratório de Química Orgânica acreditam na possibilidade de se fazer uma química ambientalmente mais benigna, eticamente responsável com as questões ambientais e com a saúde humana.
A equipe de professoras à frente do projeto vislumbra transformações positivas e impactantes para seus alunos, para os laboratórios e para as práticas dentro da UEPG, uma vez que a vidraria a ser adquirida – que é mais cara que as demais – irá possibilitar os trabalhos em microescala, utilizando cada vez menos reagentes e diminuindo drasticamente a geração de resíduos.
Célia Regina Carubelli, responsável pelo laboratório de resíduos químicos da UEPG, enfatiza: “na geração de resíduos, sempre a gente tenta minimizar, reusar ou reciclar. A quantidade de resíduos gerada pela Universidade é muito grande. Então, já que eliminar é praticamente impossível, minimizar já é o primeiro passo para você fazer um gerenciamento de resíduos adequado”.
Para Cássia, é essencial viabilizar a inserção da química verde dentro das práticas de ensino. “A gente tem colocado em questão o avanço das nossas pesquisas nesse quesito de reduzir quantidades, de adaptar consumo energético, o consumo de água, tudo isso contribuindo para a formação dos alunos”.
Suellen Aparecida Alves, professora do Departamento de Química, concorda com Cássia e diz que a formação dos acadêmicos que inserem uma prática sustentável em suas atividades é um ponto essencial a ser ressaltado. “O mercado hoje atua dessa maneira. Ele está vendo que a sustentabilidade, eles precisam caminhar junto com isso”.
Agenda 2030
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU lançados como meta para serem cumpridos até 2023 estão diretamente ligados à pesquisa sobre Química Verde desenvolvida pela UEPG. O Projeto Versus contempla 2 ODS: 4 – Educação de qualidade; e 12 – Consumo e produção responsáveis.
“O mundo inteiro está se esforçando para atingir isso”, comenta Matheus José Prestes, futuro bacharel, que entrou no projeto por curiosidade e hoje não consegue dissociar o pensamento sustentável do seu dia a dia. A acadêmica Beatriz Martins Torati, também do bacharelado, conta que sua visão sobre o mercado de trabalho mudou a partir do momento em que passou a ter uma experiência em um laboratório de química orgânica equipado e funcionando dentro do conceito de química verde “A gente acaba pensando lá na frente, acaba tendo mais essa noção: como que vou planejar, o que eu vou fazer com o resíduo que eu possa gerar?”.
Por outro lado, Ulisses, acadêmico de Licenciatura em Química, comenta que a vivência no Versus ofereceu a ele uma nova perspectiva sobre o ensino. “Você aprende na química convencional que é preciso chegar no ponto B, saindo do ponto A. Então o teu caminho é linear. Mas na química verde, você pensa primeiro no ponto que você quer chegar pra você definir o seu caminho. Isso é importante para você ter profissionais mais conscientes no futuro”. E completa: “eu acho que o objetivo principal é chegar num ponto em que a química esteja completamente integrada dentro dos currículo da universidade”.
Receber um recurso como esse destinado a um laboratório didático, para a professora Marilei, é um acontecimento muito significativo. “Quando a gente participa de outros editais, raramente os recursos são direcionados para os laboratórios didáticos, normalmente a verba é direcionada para os laboratórios de pesquisa”.
Multiprofissional
A possibilidade de entrar em contato com colegas de diferentes áreas amplia o conhecimento dos estudantes e reforça a necessidade de ter laboratórios equipados. Gabriely Cristiny Braga está estudando para ser bacharel, mas tem contato com atividades e colegas da Licenciatura. “O projeto ampliou também muito a minha visão relacionada ao ensino. E a professora Marilei sempre vem com projetos diferentes que fazem com que a gente enxergue a universidade de outra maneira”.
Um legado: fazer a diferença
Além de colegas de outras áreas, Versus conta com a presença de uma egressa. Juliane Pscheidt Alves ressalta que conhece o mercado de trabalho, suas exigências, e que reconhece como aqueles que passaram pelo projeto já estão fazendo a diferença lá fora. “O projeto tem transformado o Departamento; os profissionais já estão saindo diferentes, com outras visões, isso é muito importante”.
Lorena do Rocio Gebeluca, por outro lado, está apenas no seu segundo ano do bacharelado, mas já reconhece a importância do trabalho desenvolvido nos laboratórios da UEPG. “A química verde é o futuro da química. Eu acho que vou levar isso em todos os meus anos da graduação para todos os meus colegas”.
A verba concedida pelo prêmio já está em processo de liberação e possibilitará que as atividades repaginadas aconteçam ainda em 2024. As quatro professoras Marilei, Cássia, Suellen e Célia se orgulham do trabalho desenvolvido e se emocionam com os depoimentos compartilhados. “O futuro será norteado pela sustentabilidade e vocês estarão lá fazendo isso acontecer”, declara Marilei à sua equipe.
Texto e fotos: Domitila Gonzalez
As universidades estaduais paranaenses conquistaram boas posições no ranking internacional Webometrics Ranking of World Universities. A Universidade Estadual de Maringá (UEM) ficou na 30ª posição entre as instituições brasileiras e, também, classificada entre as 100 melhores da América Latina. O levantamento é realizado pelo Cybermetrics Lab, um grupo de associado ao Consejo Superior de Investigaciones Científicas, órgão público de pesquisa ligado ao governo da Espanha.
O ranking leva em consideração a presença digital da universidade na internet, com indicadores como a relevância dos conteúdos e a eficiência da instituição em expor a própria atuação e impacto acadêmico para a comunidade externa. Outro fator presente na metodologia da pesquisa é a contribuição bibliográfica para a ciência, como publicações e menções em artigos. Entre os procedimentos, a análise utiliza o levantamento quantitativo de links, acessos e citações em pesquisas do Google e do Google Acadêmico.
As universidades de Londrina (UEL) e Ponta Grossa (UEPG) figuraram nas posições 49ª e 67ª, respectivamente, das instituições brasileiras ranqueadas. As demais universidades estaduais paranaenses ficaram nas seguintes posições: a Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) em 79º lugar; a Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) em 144º; a Universidade Estadual do Paraná (Unespar) em 149º; e a Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP) em 157º.
Criada em 2004, a pesquisa elenca mais de 30 mil instituições de ensino superior em todo o mundo e defende que a melhor estratégia para a disseminação do acesso livre ao conhecimento é a melhoria e expansão dos conteúdos digitais. Dessa forma, os pesquisadores entendem que a eficiência nessa área é um indicativo para a qualidade do ensino como um todo.
Entre as outras universidades públicas paranaenses, a Universidade Federal do Paraná (UFPR) obteve a 7ª posição. A Universidade Tecnológica Federal do Paraná está na 45ª, a Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) na 82ª, e a Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila) na 164ª.
Já estão abertas as inscrições para o Concurso Público da Adapar (Agência de Defesa Agropecuária do Paraná) para o cargo de Assistente de Fiscalização da Defesa Agropecuária, na função de Técnico Agrícola/Agropecuária e a remuneração passa dos R$ 4.900.
Entre os requisitos, o candidato deve ter formação no Ensino Médio profissionalizante com título de Técnico Agrícola ou Técnico em Agropecuária, Registro Profissional regular no CFTA (Conselho Federal dos Técnico Agrícolas) e CNH (Carteira Nacional de Habilitação) categoria B ou superior, sem restrição, em situação regular no Detran (Departamento de Trânsito).
A prova objetiva está prevista para ocorrer no dia 17 de março de 2024, em seis cidades paranaenses: Cascavel, Curitiba, Londrina, Guarapuava, Pato Branco e Paranavaí.
As inscrições devem ser realizadas até dia 19 de fevereiro, no site do Instituto AOCP, instituição organizadora do certame, pelo endereço eletrônico: www.institutoaocp.org.br.
Os candidatos devem se manter atentos ao site da organizadora, que é o canal oficial do concurso, para ficarem por dentro de todos os detalhes e etapas da seleção.
Sobre o Instituto AOCP
É uma associação civil sem fins lucrativos e econômicos, sediada em Maringá (PR). Há mais de uma década, a instituição organiza processos seletivos e concursos públicos em todo o país e colabora com entidades e projetos sociais através do assessoramento técnico, administrativo e financeiro. Entre as ações que realiza, o Instituto amplia oportunidades para crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social por meio da educação, fomentando projetos socioeducacionais.
SERVIÇO
Instituto AOCP
www.institutoaocp.org.br
Central de Relacionamento com o Candidato: candidato@institutoaocp.org.br
Telefone: 44 3013-4900
Chat IAOCP – com acesso direto pelo site
O Museu Campos Gerais, da Universidade Estadual de Ponta Grossa (MCG-UEPG), investirá mais de R$ 400 mil no desenvolvimento de seus processos de preservação e digitalização de acervos, na modernização de seus espaços, contratação de profissionais e no planejamento de novas exposições. A verba é oriunda de dois editais de fomento cultural disputados pela equipe do MCG, provenientes de processos seletivos da Lei Paulo Gustavo e do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram).
“Como museu universitário, além da programação cultural, investimos na produção do conhecimento científico. Os editais permitirão a contratação de bolsistas, a melhoria da estrutura e a aquisição de novos equipamentos”, explica o diretor do MCG Niltonci Batista Chaves. A verba proveniente dos editais será utilizada em conjunto com investimentos realizados pela Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia do Paraná (Seti) e Fundação Araucária para digitalização dos acervos, adiciona Chaves. “O MCG possui todas as condições de ser contemplado em outros editais e vamos participar de novas chamadas similares em 2024”, completa.
No edital do Ibram, o MCG conquistou o quinto lugar, em uma concorrência com mais de trezentas instituições. Com uma verba de R$ 250 mil, o MCG poderá investir na restauração de documentos e fotografias e ampliar seu Laboratório de Humanidades Digitais e Inovação. O espaço é dedicado a digitalizar e disponibilizar de forma on-line e gratuita o acervo documental do museu pelo repositório Memórias Digitais. A participação no processo se deve à necessidade de novas ferramentas para o projeto “Foto Tanko”, desenvolvido em cooperação com a prefeitura de Santo Antônio da Platina para restaurar um acervo com milhares de fotos que registram a ocupação do norte do Paraná.
Já na concorrência da Lei Paulo Gustavo, o MCG conquistou o quarto lugar no edital voltado à investimentos na digitalização de obras. Por meio do projeto “Memórias audiovisuais digitais: digitalização do acervo do Foto Elite”, o Museu receberá R$ 150 mil a serem utilizados na preservação, organização e digitalização do acervo de Germano Koch e Domingos Silva Souza. “O investimento que buscamos participando desses editais é para ampliar nossa capacidade de preservar o acervo e nos consolidar como referência na área de digitalização”, explica o diretor de Ação Educativa e Extensão do MCG, professor Ilton Cesar Martins, que coordenou a participação do museu nos editais.
Texto: Gabriel Miguel | Fotos: Aline Jasper
As equipes do Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (Napi) Manna Academy aproveitam as férias escolares para levar o mundo da ciência e da tecnologia a crianças e adolescentes de escolas públicas. Muitas atividades ofertadas para os estudantes envolvem as tecnologias exponenciais, ou seja, aquelas que permitem desenvolvimento acelerado e podem mudar a vida das pessoas, como a Internet das Coisas (IoT), a Inteligência Artificial (IA), os Chips da microeletrônica, a Internet das Coisas Robóticas (IoRT), a Internet dos Drones (IoD) e o Metaverso.
O Napi Manna Academy tem o apoio do Governo do Estado, por meio da Fundação Araucária, e reúne os pesquisadores que formam o Manna Team – projeto surgido na Universidade Estadual de Maringá (UEM) que busca inserir crianças e adolescentes no campo da ciência e tecnologia, em especial alunos de escolas públicas e em situação de vulnerabilidade social.
Aprender a pilotar drones foi uma das ações que mais divertiu as crianças e adolescentes que já receberam projeto, em Maringá e Cianorte. Nas próximas semanas o Manna Academy segue para Paranavaí, Campo Mourão e Jandaia do Sul. Em todas as atividades, o Manna prioriza o engajamento com ações de estímulo ao desenvolvimento de habilidades e competência (softs skilss) e espírito empreendedor.
“Em janeiro e fevereiro, a teia Manna Team torna-se exponencial e altamente conectada, uma vez que estudantes de diferentes escolas se encontram e se reconhecem como cientistas. Além de experimentar tecnologias, aprendem sobre a rotina dos pesquisadores e dos laboratórios, sobre os cuidados com o mundo virtual, desenvolvem projetos de inovação e pensam sobre o futuro”, comenta a articuladora do Napi, Linnyer Beatrys Ruiz Aylon.
Entre as atividades ofertadas nas férias escolares está o projeto “Escola de Cientistas”, em que as crianças ficam uma semana em imersão com as equipes do Manna dentro das universidades e recebem mentoria. Elas também participam de bootcamps (eventos imersivos e práticos) de tecnologias exponenciais, pensamento científico, computacional e crítico e se sentem parte do time porque assumem as credenciais de cientistas.
Segundo Tiago Madrigar, um dos organizadores das atividades de férias, mais de 200 horas já foram dedicadas ao desenvolvimento de materiais didáticos e à elaboração da proposta pedagógica. “A expectativa é envolver mais de 500 estudantes e professores em mais de 300 horas de atividades. O papel dos mentores – que incluem acadêmicos de diferentes cursos, mestrandos, doutorandos, pós-doutorandos e bolsistas de iniciação científica – é fundamental, estabelecendo uma ponte entre estudantes de escolas públicas e universidades”, ressalta.
O Manna Academy envolve também o projeto “Cientistas nas escolas e em todo lugar”. Com esta ação, os pesquisadores da pós-graduação e bolsistas de iniciação científica vão para as escolas, instituições de apoio a vulneráveis e indígenas, ou espaços públicos para realizar palestras, desafios de inovação tais como hackathons e atividades que estimulam o despertar de habilidades e o pensar o futuro.
DIVERSÃO – Os estudantes Miguel Cabrera Marangon Reis, da Associação Rainha da Paz, que atende adolescentes em situação de riscos e vulnerabilidade social em Cianorte, e Arthur Nogueira Angelotti, do Colégio Santa Cruz, de Maringá, ambos com 10 anos, gostaram de tudo o que viram no curso. “Foi divertido fazer o projeto, conhecer colegas novos e aprender sobre computação e drones. A parte de criar um jogo de drone foi a melhor para mim”, disse Miguel. “Conseguir fazer um backflip com um drone foi uma das experiências mais legais que tive”, comentou Arthur.
Gustavo Plez Bordini de Andrade, 11 anos, da Escola Municipal Lídia Usuy Ohi, de Cianorte, achou muito interessante o curso que participou. “Aprender a pilotar drones foi um desafio, mas agora eu sei e acho isso incrível. Quero aprender mais”, afirmou. Pilotar drone também foi o que mais chamou a atenção de Sofia Milani da Costa, 9 anos, da Escola Municipal Lucia Moro, de Maringá. “Foi uma experiência nova e mais fácil do que eu pensava. Aprendi muito aqui e estou feliz por ter participado”, disse.
Estudantes e escolas podem solicitar adesão ao Ecossistema Manna durante o ano todo. O primeiro passo é entrar em contato pelo site manna.team.
CURSOS – O Napi Manna Academy também vai ministrar cursos de Inteligência Artificial e de Segurança em Tecnologia da Informação para integrantes do Gaeco – Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado. Novas turmas dos cursos de IA e Segurança serão abertas ao público em geral em Maringá e Paranavaí. As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas pelo link no site manna.team. As vagas são limitadas.
O Paraná está entre os estados com maior oferta de vagas e cursos no ensino superior público do Brasil pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), plataforma digital do Ministério da Educação (MEC) que seleciona estudantes para graduação pelo desempenho no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Ao todo, são 9.246 vagas em 634 cursos de bacharelado, licenciatura e de tecnologia em instituições estaduais e federais, distribuídos pelo território paranaense. As inscrições seguem até amanhã, quinta-feira (25).
As oportunidades abrangem todas as áreas do conhecimento e contam com políticas afirmativas para o ingresso de estudantes pelo sistema de cotas raciais e sociais.
As universidades estaduais representam mais da metade das vagas. Juntas, as universidades estaduais de Londrina (UEL), Maringá (UEM), Oeste do Paraná (Unioeste), Centro-Oeste (Unicentro), Norte do Paraná (UENP) e Paraná (Unespar) somam 4.706 vagas em 353 cursos de diferentes modalidades.
As demais instituições de ensino superior paranaenses ofertam, no total, 4.539 vagas pela plataforma do MEC. A Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) está com 1.710 vagas disponíveis em 114 cursos, seguida pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) com 1.287 vagas para 120 cursos; a Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila) com 841 vagas para 28 cursos; e a Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) com 615 vagas para 16 cursos. A Faculdade Municipal de Educação e Meio Ambiente (Fama) oferece 86 vagas em três cursos.
Podem concorrer às vagas disponibilizadas pelo Sisu todos os estudantes que participaram do Enem de 2023 e obtiveram nota na prova de redação maior do que zero. O acesso ao sistema de inscrição é realizado com login e senha da plataforma acesso.gov.br de serviços digitais do governo federal. A plataforma recupera, automaticamente, as notas obtidas na edição anterior do Enem. É preciso preencher um questionário socioeconômico do perfil para Lei de Cotas e escolher até duas opções de curso entre as ofertadas.
Durante todo o período de inscrições, os estudantes podem alterar as opções de curso. Os candidatos que não foram selecionados em nenhuma das duas opções de curso indicadas na inscrição poderão, ainda, disputar uma vaga no ensino superior em uma lista de espera do Sisu.
Serviço
Processo seletivo do Sisu 2024
Consulte as vagas AQUI
Inscrição: 22 a 25 de janeiro – AQUI
Resultado: 30 de janeiro
Matrícula da chamada regular: 1º a 7 de fevereiro
Prazo para participar da lista de espera: 30 de janeiro a 7 de fevereiro
Universidade Estadual de Londrina (UEL)
Cursos: 48
Vagas: 589
Universidade Estadual de Maringá (UEM)
Cursos: 80
Vagas: 661
Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste)
Cursos: 65
Vagas: 1.238
Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro)
Cursos: 52
Vagas: 733
Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP)
Cursos: 30
Vagas: 368
Universidade Estadual do Paraná (Unespar)
Cursos: 78
Vagas: 1.117
O Estado do Paraná e o Governo da Índia, um dos principais parceiros do Brasil na Ásia, formalizaram uma parceria para instalar uma rede de computadores de alto desempenho, os chamados supercomputadores, nas universidades estaduais paranaenses. A iniciativa vem sendo articulada pela Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) e a Fundação Araucária de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Paraná. A oficialização ocorre na semana em que o embaixador indiano no Brasil, Suresh Reddy, visitou o governador Carlos Massa Ratinho Junior.
A Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), na região dos Campos Gerais, será a primeira universidade do Paraná a receber essa tecnologia e irá abrigar o computador de maior potência, o cérebro dessa rede de pesquisa. O Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (Napi) de Bioinformática também está por trás da iniciativa. Nos próximos anos a expectativa é levar para as demais seis universidades.
“Escolhemos a Índia como parceira porque ela foi uma potência que nos abriu a possibilidade de transferência de tecnologia, de know how“, comenta o professor e pesquisador sênior Jorge Edison Ribeiro, responsável pela gestão dos projetos estratégicos dessa parceria. “Nós tivemos o infortúnio, na nossa primeira ação, de ter tido o período pandêmico, o que dificultou essa vinda dos indianos para montarem a primeira máquina aqui no Brasil”.
O convênio inclui, ainda, o Centro de Desenvolvimento de Computação Avançada da Índia (C-dac, da sigla em inglês). Referência mundial em tecnologia, a Índia é um dos quatro países no mundo a desenvolver seus próprios computadores de alta performance, ao lado dos Estados Unidos, China e Rússia. Isso é feito através da National Supercomputing Mission, uma missão nacional para a construção e instalação de uma rede de supercomputadores no país.
“O nosso compromisso com o C-dac e o deles conosco é de transferir essa tecnologia de supercomputação e nos ensinar, montando as máquinas aqui no Paraná, na UEPG”, completa o coordenador do Napi de Bioinformática e professor da UEPG, Roberto Ferreira Artoni. “Esses computadores são altamente competentes para realizar cálculos numa velocidade muito alta. Nós temos que pensar no desenvolvimento científico e tecnológico que é hoje muito dependente dessa área”.
Com a instalação e a operação dessa rede no Paraná, pesquisadores das áreas da Saúde, Ciências Agrárias e Ciências Biológicas poderão desenvolver seus trabalhos com maior eficiência, contribuindo ainda mais para o avanço da ciência no Estado, abrindo caminho para que outras áreas também se envolvam com esse tipo de tecnologia.