Atividades giram em torno de oficinas cidadãs e produção de livros a partir do papelão, material presente no trabalho diário dessas mulheres
Aparecida de Souza traz no rosto as marcas de uma vida sofrida. Entra na sala de descanso para buscar algo para comer. Tem pressa. Precisa voltar à esteira onde faz a separação de lixo na Unidade de Valorização de Recicláveis (UVR), no Porto Meira. “Tem muito trabalho e pouca gente”, justifica. É preciso garantir um bom volume de material para venda e o trabalho de todos é importante para isso: as UVRs do município trabalham em regime de cooperativa. Em alguns dias, a jornada é exaustiva. Apesar do cansaço, Cidinha, como é carinhosamente chamada, é uma das mais ativas participantes das discussões conduzidas pelo projeto de extensão “Mulheres catadoras: pedagogia cartonera para o empoderamento”, desenvolvido pela UNILA em cinco das sete UVRs de Foz do Iguaçu.
O objetivo do projeto é o empoderamento das mulheres catadoras, buscando, através de diferentes atividades, gerar consciência sobre as desigualdades de gênero. Uma das primeiras ações desenvolvidas foi a realização de oficinas de formação cidadã nas UVR da cidade. Também houve formação para elas em temáticas sobre gênero, economia solidária, relações do trabalho, entre outros. Participam do projeto docentes, servidora técnico-administrativa e discentes da UNILA, que se dividem nas tarefas em cada UVR. As oficinas foram distribuídas ao longo de 2023 e, no ano que vem, as mulheres catadoras irão escrever suas histórias ou histórias que podem ou não ter relação com suas vidas e transformá-las em livros a partir de materiais com os quais trabalham.
A pedagogia dos livros cartoneros envolve a criação, editoração e produção de histórias de modo artesanal. As editoras cartoneras passaram a ganhar destaque na América Latina no início do século, com a produção de livros feitos com cartóns (papelão), comprados de cartoneros (catadores), e que trazem textos literários cedidos por autores. Hoje, os livros cartoneros têm vários enfoques, não só o de ampliar o acesso à literatura, mas também são usados para inspirar estudantes e transformar realidades.
“Quando iniciamos o projeto, pensamos que seria interessante que essas mulheres pudessem ver que podem transformar o material que reciclam em livro, em um instrumento de leitura”, comenta Jorgelina Tallei, coordenadora do projeto. O conteúdo das publicações vai nascer das experiências pessoais de cada uma dessas mulheres, após as discussões e rodas de conversa realizadas ao longo do ano. “É uma forma também de fazer com que elas sejam acolhidas por elas mesmas porque conheceram histórias a partir dos relatos que talvez não conhecessem no dia a dia do trabalho”, conta.
Com os livros cartoneros, Jorgelina espera também que a sociedade possa valorizar mais o trabalho e os trabalhadores da coleta seletiva. “[Espero que isso possa] conscientizar as pessoas de que se pode criar um livro a partir do material reciclável. Elas podem contar a sua própria história ou a história que quiserem e elas têm muito para falar, sim.”
Cidinha (esq) e Everaldina (dir) em momento de escuta em uma das oficinas
Contar sua vida, dificuldades e alegrias, para essas mulheres, representou momentos de libertação. “Eu gostei de ouvir tudo e ajudou porque eu pensava demais na morte de minha filha. A conversa que elas trouxeram me ajudou um monte”, conta Cidinha. A filha foi morta pelo companheiro há quatro anos e ela quem cuida da neta de 9 anos. Ela e a neta serão as personagens principais do seu livro cartonero. “Nós duas, né?”, repete para que não restem dúvidas. As duas vivem com o dinheiro da reciclagem, trabalho de Cidinha já há 20 anos. Antes, na rua, empurrando o carrinho, enfrentando sol, chuva e frio, com pouca ou nenhuma proteção. Agora, tem o INSS pago, cesta básica e um salário que varia mês a mês, mas fica próximo de R$ 1.200.
Para Everaldina Flores, que trabalha na cooperativa há um ano, a participação no projeto foi uma via de mão dupla. Assim como Cidinha, ela foi uma das mulheres que mais participou das reuniões e expôs suas ideias. “Elas [professoras e alunas da UNILA] ensinaram algumas coisas que a gente não sabia. E nós ensinamos algumas coisas que elas não sabiam. Uma troca, né?”, diz. O espaço de fala também foi libertador para Everaldina. “Elas perguntaram como era nossa vida, nossa rotina. Aí a gente foi falando, foi falando e teve coisas que eu falei que estavam aqui dentro, de pessoas que já se foram, e foi até um alívio”, revela. O empoderamento, lembra Jorgelina, também está “na compreensão de si mesmo”. “A gente [precisa] entender a nós mesmos primeiro para depois dizer ‘já passei por cima de tudo isso, vamos em frente’.”
Simpática e escondendo a timidez, Everaldina diz que a história de sua vida “dá um livro inteiro”, mas que ainda está pensando no que vai escrever. “Tem pedaço bom, têm pedaços médios e pedaços péssimos”, diz sem expressar tristeza, mas de forma calma, como quem já não olha tanto para trás.
“É preciso valorizar essas mulheres – de forma geral, todos os trabalhadores da reciclagem – que enfrentam ainda muito preconceito da sociedade”, comenta Renata Aparecida de Souza, administradora da UVR Geraldo Sálvio de Paula, no Porto Meira, onde Cidinha e Everaldina são cooperadas. “Eles ganharam autonomia, que ainda parece muito pouco para quem olha de fora, mas comparado à realidade de antigamente é uma conquista muito grande”, pondera. A UVR do Porto Meira, considerada uma unidade de pequeno porte, consegue destinar 30 toneladas de recicláveis por mês. No local, trabalham pouco mais de 20 pessoas. A maioria, mulheres.
Conversa com mulheres catadoras da UVR Rosana Lemos Turmina, no Jardim Europa
Exemplos de livros cartoneros
A pressa diária que acompanha Cidinha se estende a todas as trabalhadoras da UVR, que nem sempre conseguiram meia hora por mês para ouvir e falar. “Foi um pouco difícil, porque a gente chegou aqui e mesmo que você estude e conheça a realidade, você não forma parte da realidade”, reflete Jorgelina. Para reduzir essa dificuldade, o incentivo de Renata foi relevante. “Disse a elas que aprender outras coisas também é importante”, diz, mas acompanha o raciocínio de Jorgelina. “Por mais que a gente conheça essas mulheres, não vivemos o que elas viveram.”
A realidade encontrada nesta UVR fez com que o planejamento das ações fosse alterado. “A gente percebeu que não pode chegar aqui impondo, mas que também tem que ter coisas que elas querem. Elas não têm esse tempo. Elas param o trabalho. Isso é muito difícil. Mas, mesmo assim, elas sempre participaram, de uma forma ou outra, sempre estiveram presentes”, destaca Jorgelina.
O projeto, que é financiado pela Fundação Araucária, está pensado para ir além da produção dos livros cartoneros pelos grupos de mulheres das cinco UVRs da cidade. “A ideia é poder criar, talvez, uma editora cartonera que empodere essas mulheres ainda mais e que possa garantir uma pequena geração de renda. Imagine elas, por exemplo, expondo na feirinha da JK ou na Feira do Livro. Isso as dignifica desde outro lugar que é o lugar da cultura ou da escrita.”
“A minha voz não fala sozinha. A minha voz grita e ecoa no coletivo. Sou uma mulher indígena e todas as vezes que alguém me ouve, venço também”. Assim Géssica Nunes Guarani Nhandewa começa seu livro ‘Universidade Território Indígena’. Como ela, autores indígenas publicaram seus livros por meio Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), no último mês. A iniciativa do Coletivo de Estudos e Ações Indígenas (Ceai) fez nascer a ‘Coleção Retomadas’, pensada e desenvolvida por indígenas, para impacto dentro e fora do ambiente universitário. O trabalho resultou em seis obras, publicadas de modo impresso e em formato e-book, com vivências, pensamentos, tradições e reivindicações indígenas.
Géssica é mãe, professora, pesquisadora, curadora de Literatura Indígena e especialista em Gestão Escolar Indígena. “Por muito tempo, pensei em ressignificar a minha vivência, minha experiência, a minha realidade”, conta. Por meio do seu livro, a autora reafirma sua identidade indígena, a partir de vivências próprias. “O meu processo de produção do livro foi a ideia de escrever cada dia, ou em datas alternadas, os textos sobre a minha experiência como acadêmica indígena, a partir de 2019, quando eu estava vivendo silenciamentos na universidade – pouco, mas estava”, relata.
A Universidade é também lugar dos povos indígenas. “Luto pela atuação das vozes de mulheres indígenas no combate ao racismo que nos exclui do espaço acadêmico. Quero transformar todas essas práticas educacionais e humanas, com e para o ser humano, a partir da história do meu povo”, informa. A vontade por afirmar suas experiências e combater preconceitos, fez nascer um livro de mais de 150 páginas. “Ter um livro lançado com a minha voz, a ecoar num som coletivo, é saber que a minha luta não é em vão, que num futuro bem próximo teremos uma experiência menos dolorosa ao acessar o espaço acadêmico”, completa.
Iniciativa
Na UEPG, a Coleção Retomadas partiu do trabalho do Coletivo de Estudos e Ações Indígenas (Ceai), em parceria com o Laboratório de Estudos do Texto (Let), Proex e Programa de Pós-Graduação em Estudos da Linguagem (PPGEL). Para a coordenadora do Ceai, professora Letícia Fraga, o lançamento da coletânea mostra a Universidade na sua função mais importante: retornar o trabalho para as comunidades com as quais tem relação. “Como universidade pública, nós temos relacionamento com todas as comunidades indígenas. São pessoas que já são discriminadas desde a educação básica e que na maior parte das vezes, por causa disso, não conseguem nem chegar no ensino superior. Então acho que a gente está cumprindo com a nossa obrigação”, ressalta.
Os saberes e práticas dos povos indígenas foram postos como prioridade no trabalho do Ceai. “Pensamos sempre na melhor forma de contribuir, para que pessoas possam ter mais visibilidade, possam ter os seus saberes considerados valorizados, inclusive dentro da da Universidade”. Todo o trabalho de curadoria, edição, ilustração e revisão foi feito por pessoas indígenas. “Todos eles contribuíram muito para o produto final de cada um dos livros”, enfatiza Letícia.
Das experiências pessoas para os livros
Florencio Rekayg Fernandes resgatou uma tradição aprendida na infância, do povo Kaingang, para seu livro. Na obra ‘O Ritual dos Mortos’, o autor conta o que era feito quando falecia um indígena adulto. “As crianças ficavam fechadas em um outro local, para não ficarem próximas das pessoas falecidas. O chão era todo coberto com folhas de ervas medicinais e as pessoas só podiam andar sobre as folhas, para não morrerem tão cedo”, descreve. O corpo não podia permanecer muito tempo no local e deveria ser retirado assim que o dia clareasse – os falecidos não eram enterrados, mas sim colocados próximos a troncos de árvores secos e cobertos com folhas e galhos.
“Na verdade, eu já tinha escrito esta história fazia mais de 10 anos, só que eu nunca tinha parado para analisar a possibilidade de transformar os textos em livro”, conta Florencio. Quando conseguiu organizar os escritos, o livro ganhou idiomas kaingang, português, guarani, espanhol, francês e inglês. “Esse lançamento demonstra o reconhecimento e a valorização dos escritores indígenas, mostra nossa resistência, luta e a manutenção da nossa cultura”. Para ele, as obras da Coleção irão impactar as próximas gerações e a comunidade acadêmica. “Agradeço à UEPG e a todas as pessoas que tiveram uma participação de grande importância para que saísse o produto final”.
A Covid-19 também impactou profundamente as comunidades indígenas. Era 2020 quando Olívio Jekupé foi infectado pelo vírus. “Fiquei internado dentro da aldeia, lá em São Paulo, pois foi feito um hospital de emergência para nós, mas me curei rapidinho, porque a gente usou nossas ervas medicinais”, conta. Durante o período de quarentena que cumpriu após o internamento, Olívio começou a escrever. Juntamente com Jovina Renh Ga, a dupla deu vida à obra ‘Coronavírus nas Aldeias’. Logo depois, veio o contato com a UEPG para a publicação do livro. “Sou escritor há muito anos e fico muito feliz com o lançamento destas obras, pois quanto mais elas ficam conhecidas, mais espaços se abrem para nós”, comemora Olívio.
É necessário que mais escritores indígenas sejam publicados, segundo ele. “É uma forma das pessoas conhecerem como que é o dia a dia de um povo, ter conhecimento da nossa cultura. A gente precisa que mais livros de autores indígenas sejam publicados, pois é um ganho tanto para estudantes universitários, quanto para escolas lerem nossas obras”, avalia.
Distribuição
O objetivo de Olívio será cumprido. A Coleção terá sua tiragem impressa, que será distribuída em escolas indígenas. Para quem tem acesso a internet, a Coleção Retomadas está disponível em formato online. “Vamos distribuir [os livros], principalmente, em escolas indígenas, porque a obra impressa chega em qualquer lugar, ele não precisa do sinal de internet, que é coisa que muitas escolas indígenas não tem escolas periféricas não têm”, destaca a professora Letícia. A coletânea de livros irá auxiliar a suprir a falta de material sobre cultura indígena que existe no Brasil. Para Letícia, distribuir uma tiragem de livros impressos irá fazer a diferença para essas crianças, adolescentes e escolas. A edição foi cuidadosa em não apagar a forma de expressão indígena, tanto nos textos, quanto nas ilustrações e identidade visual. “Os indígena sabem se expressar e têm muito a dizer e a gente tem muito o que aprender com eles”, completa.
“Acredito que, para mim e para muitas de nós, o processo de escrita foi intenso e às vezes doloroso”, avalia Arlete Pinheiro Schubert Tupinambá, autora do livro ‘Wayrakuna: Polinizando a Vida e Semeando o Bem Viver’. Para ela, escrever o livro demandou retomar dimensões da vida que, repetidas vezes, foi obrigada a silenciar. “Fazer o papel de falar requer movimentos, ora silenciosos, ora lacrimosos, mas também muita escuta e interação com pessoas e coletivos que estão nesse caminho de retomada de seu pertencimento, de suas ancestralidades”, afirma.
A obra escrita por Arlete trata de um testemunho daquilo que se manifesta na esfera ancestral. “Wyarakuna somos nós, indígenas mulheres, que tomamos posição política e cotidiana em relação a parâmetros que nos são continuamente impostos”. Uma escrita também é testemunho do tempo. “É como reviver as experiências de silenciamentos e dores, mas conseguir viver e escrever sobre nossas retomadas é libertador, um descobrir-se sobre quem somos nós”, pondera a escritora. Publicar o livro foi como poder se exprimir com liberdade junto com os demais autores. “Esta publicação nos conecta com outros que estão nesse mesmo movimento de declarar a sua existência publicamente. É como dizer uns aos outros que não estamos sozinhos. Somos agradecidas por essa abertura compartilhada com o nosso movimento”, completa.
Estética
A ancestralidade indígena está presente em cada página dos livros – até nas ilustrações e concepção artística. Álvaro Franco da Fonseca Junior foi o responsável pelas ilustrações das capas e do interior das obras. Além da experiência em trabalhar com alunos indígenas, o artista recapitulou pontos da própria ancestralidade, vivenciada com a mãe. A primeira pesquisa para a coleção começou na terra indígena de Mangueirinha. “Passamos a pesquisar como era a concepção de arte no sentido da ilustração, para que o que nós fizéssemos não ficasse distante de algo que poderia ter sido feito por eles mesmos”. A partir daí, começaram os desenhos que seriam parte das obras.
O que foi feito é fruto de pura inspiração, segundo Álvaro. “Trabalhamos com muita bagagem técnica e cultural, um trabalho feito trabalho a partir de histórias e referências de outros artistas indígenas, com técnicas de cores, significados e grafismos”, finaliza. Na diagramação, Carlos Bauer conta que toda a concepção estética foi construída para expressar a origem indígena dos autores sem cair em estereótipos. “Criamos recursos que permitam identificar os livros como parte de uma coleção e ainda realizei uma pesquisa de publicações recentes de autores indígenas para compreender as diferentes linguagens visuais em utilização”, explica.
Uma vez que a coleção engloba livros em gêneros e formatos variados, a tipografia se mostrou um recurso forte para criar unidade entre os livros, segundo Carlos. “A fonte geométrica de títulos é utilizada em todas as capas, lombadas e interior do livros. Isso cria um reconhecimento muito forte e cada um dos livros tem internamente uma padronagem, que faz sentido para o autor, para o seu povo ou para o assunto”, finaliza.
Interessados em adquirir os livros em formato online podem solicitar via Instagram do Ceai, aqui.
Texto e fotos: Jéssica Natal
Desfile foi a oportunidade de as alunas da Unati mostrarem os produtos de uma das oficinas ligada a uma disciplina.
Nesta segunda-feira (2), ocorreu a Jornada da Pessoa Idosa, na Universidade Estadual de Maringá (UEM), um evento que foi marcado pela conscientização e celebração da vida das pessoas da Terceira Idade. Durante a programação, um desfile despertou a atenção de muita gente, inclusive da imprensa: o desfile de roupas de crochê de luxo, que teve como modelos principalmente alunas matriculadas na Universidade Aberta à Terceira Idade (Unati).
O crochê confeccionado para o desfile faz parte de uma das oficinas ministradas por um grupo de funcionárias aposentadas da UEM, em uma sala do próprio câmpus universitário. Há também outras oficinas onde é trabalhada a confecção dos artesanatos a partir dos produtos recicláveis como papéis, plásticos (garrafas pets), tecido velho e flores descartadas.
O grupo de aposentadas responsável por estas oficinas se chama GARR (Grupo de Artesanato com Resíduo Reciclado). Ele surgiu com a necessidade de repensar a destinação dos resíduos sólidos urbanos, em especial os domésticos. Veja quais são as oficinas:
• Técnica de Vasos Ornamentais e flores;
• Técnica de confecção de papel artesanal de baguaçu de cana;
• Técnica de confecção de Material de escritório com papel artesanal.
• Técnica de confecção de sabonete, velas e outros artesanatos;
• Técnica de crochê básico e de luxo
O desfile ocorreu como parte da Jornada da Pessoa Idosa, evento promovido pela Unati em comemoração do Dia da Pessoa Idosa e dos 20 anos do Estatuto da Pessoa Idosa.
O Governo do Estado está com inscrições abertas para o XXIII Vestibular dos Povos Indígenas do Paraná, com 52 vagas para cursos de graduação nas sete universidades estaduais e na Universidade Federal do Paraná (UFPR). Ao todo, são ofertados mais de 500 cursos, em nível de bacharelado, licenciatura e tecnologia. Os estudantes podem escolher entre as duas formas de inscrição, com envio da documentação física até 27 de outubro ou online até 6 de novembro.
Para a primeira opção, os documentos podem ser entregues pessoalmente em 15 unidades acadêmicas, em diferentes regiões do estado, ou enviados pelos Correios. As equipes das instituições de ensino superior também irão visitar as 25 comunidades indígenas localizadas em Curitiba e em 23 cidades do interior paranaense, de acordo com o edital, para efetuar as inscrições de estudantes com dificuldade de enviar a documentação de forma eletrônica.
Para concorrer às vagas é necessário comprovar a conclusão do Ensino Médio e não ter concluído curso de nível superior. Entre os documentos, os interessados devem apresentar declaração e carta de recomendação assinada pela liderança da comunidade, que ateste a origem indígena.
As provas serão aplicadas nos dias 24 e 25 de março de 2024 em oito municípios: Curitiba, na Região Metropolitana; Cornélio Procópio e Tamarana, no Norte, Mangueirinha, no Sudoeste; Manoel Ribas, na região Central; Nova Laranjeiras, no Centro-Sul; Santa Helena, no Oeste; e Ortigueira, na região dos Campos Gerais. Em Tamarana e Ortigueira as provas serão aplicadas nas terras indígenas de Apucaraninha e Queimadas, respectivamente.
No primeiro dia de avaliação o candidato fará uma prova oral de Língua Portuguesa, em que terá 15 minutos para comentar, opinar e argumentar sobre temas propostos pela banca avaliadora. O segundo dia, será destinado para uma prova objetiva de conhecimentos gerais e redação, com duração máxima de cinco horas.
POLÍTICA PÚBLICA – O Vestibular dos Povos Indígenas do Paraná é uma iniciativa da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), reconhecida como política pública de Estado, amparada pela Lei 13.134/2001. Nesta edição, a seleção é organizada pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Os alunos que ingressam no ensino superior nessa modalidade contam com apoio da Comissão Interinstitucional para Acompanhamento dos Estudantes Indígenas (Cuia).
Serviço:
XXIII Vestibular dos Povos Indígenas no Paraná
Inscrições: envio físico da documentação até 27 de outubro ou online até 6 de novembro – Edital AQUI
Ensalamento: até 18 de março de 2024
Provas: 24 e 25 de março de 2024
Divulgação de gabarito: 12 de abril de 2024
Resultado: até 18 de abril de 2024
Matrícula: conforme cronograma de cada universidade
Estamos no Agosto Lilás. Essa é uma campanha criada em referência à Lei Maria da Penha, que, em 7 de agosto de 2023, completou 17 anos, e surgiu para amparar mulheres vítimas de vários tipos de violência… física, sexual, psicológica, moral e patrimonial. Este é o símbolo de luta árdua, porque trata de um panorama dramático.
O ano de 2022 foi especialmente difícil para as mulheres no Brasil, visto que todos os indicadores de violência contra elas subiram no ano passado. Apesar da diminuição dos casos de homicídio no país, os casos de feminicídios cresceram 5,5% entre 2021 e 2022. Ainda houve um aumento de 16,9% em casos de tentativas de assassinato de mulheres. A violência doméstica também cresceu, os números saltaram 3,4% em relação a 2021. Além desses dados, houve um aumento de 8,1% em medidas protetivas solicitadas com urgência neste período.
Esse aumento pode ser explicado por várias razões, uma delas foi a falta de investimento em políticas públicas voltadas à prevenção da violência doméstica. Os dados públicos evidenciam que houve um corte de 90% da verba que seria destinada a políticas de enfrentamento à violência doméstica e familiar, além dos investimentos que seriam direcionados às unidades da Casa da Mulher Brasileira e de Centros de Atendimento às Mulheres.
A insuficiente injeção de recursos também se reflete na escassa fiscalização das medidas protetivas, o que contribui para que casos de violência doméstica evoluam para feminicídios. Não é raro que vítimas de feminicídio já tivessem obtido medidas protetivas, mas que, sem a devida fiscalização, se tornaram inefetivas.
Outro fator relevante é a grande quantidade de armas nas mãos da população civil, por meio de decretos de flexibilização do acesso às armas de fogo e munição nos últimos quatro anos. A presença de uma arma em um ambiente doméstico aumenta o risco de vida de mulheres, sobretudo daquelas que já se encontram em um ciclo de violência em casa.
Destaca-se também o aumento do movimento conservador que defende a desigualdade de gênero nas relações, além de naturalizar a submissão das mulheres e o uso da violência como forma de dominação e superioridade masculina. Essa ideologia, aliada ao acesso de armas e aos fatores citados acima, pode ser um dos fatores que fizeram os números aumentarem neste período.
Já em relação a 2023 os dados não são otimistas visto que o primeiro trimestre representa quase metade dos feminicídios ocorridos em 2022. O Paraná sofreu um aumento considerável de casos em comparação a 2022, saltando de sexto para terceiro nas estatísticas nacionais. É o que evidencia os relatórios mais recentes do Monitor de Feminicídios do Brasil. A ferramenta, elaborada pelo Laboratório de Estudos de Feminicídios (LESFEM), identificou 862 casos de feminicídios em todo Brasil, o que configura uma média nacional de 3,32 feminicídios por dia.
O LESFEM é um espaço de pesquisa interdisciplinar que reúne pesquisadoras e pesquisadores, profissionais e estudantes da Universidade Estadual de Londrina (UEL), da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), da Universidade Federal da Bahia (UFBA), do Coletivo Feminino Plural (CFP) e da Secretaria Municipal de Políticas para Mulheres de Londrina (SMPM).
Com o intuito de produzir e analisar dados sobre crimes de feminicídios do Brasil, o Laboratório colabora para o monitoramento e visibilidade do fenômeno, além de contribuir para o enfrentamento à violência contra mulheres e meninas, usando como base três pilares: prevenção, punição e restituição de direitos.
Integrante do Laboratório e doutoranda em Sociologia, Beatriz Molari explica como é feita a produção e a análise dos dados sobre crimes de feminicídios no Brasil. “Nós desenvolvemos cinco linhas de atuação distintas para abordar a questão do feminicídio. Por exemplo, a linha de acesso à justiça analisa e acompanha todo o processo de um crime de feminicídio desde a acusação até as diferentes instâncias do julgamento. Nossas pesquisadoras acompanham de perto o processo para avaliar a aplicabilidade da qualificadora de feminicídio. Com base em nossa metodologia, emitimos relatórios que julgam o quanto o resultado do julgamento pode contribuir ou não para fazer justiça considerando o crime de feminicídio”.
Outra linha de atuação é a de coleta de dados sobre feminicídios, que desempenha um papel crucial no monitoramento desses crimes. A coordenadora do LESFEM, Silvana Mariana, comentou que houve um aumento significativo na quantidade de feminicídios divulgados pelas estatísticas oficiais. “No entanto, através do trabalho de coleta de dados, percebemos que muitos casos que não são qualificados dessa forma ocorrem e são tratados de maneira diferente, sem o devido reconhecimento da motivação sexista e machista tão presente na sociedade brasileira. Além disso, temos a linha de atuação focada nos feminicídios linguísticos. Nessa linha, analisamos o discurso patriarcal emitido pelos tribunais de júri e pelos operadores de direito durante a definição dos julgamentos. Investigamos questões morais e ideológicas que podem influenciar nas punições atribuídas aos agressores de mulheres. Em resumo, nosso trabalho abrange diversas áreas, desde o acompanhamento dos processos judiciais até a coleta e análise de dados”.
Outra atividade realizada pelo Laboratório é o monitoramento de dados sobre feminicídios no Brasil, que tem como objetivo identificar e quantificar casos de violência contra a mulher. Beatriz Molari explica como é feita a coleta desses dados. “Essa ferramenta ajuda a localizar reportagens e matérias de crime de feminicídios dentro daquele espaço geográfico estabelecido. Então, por meio dessa ferramenta são emitidos alertas quando são noticiados esses crimes. A nossa equipe de contra dados verifica esses alertas, lê as reportagens e quantifica quantos casos de feminicídios ocorreram naquele período especificado. Então, por meio do monitor, nós queremos oferecer ferramentas para que as estatísticas oficiais sejam comparadas com a realidade que é encontrada pelas nossas especialistas. Infelizmente, estamos vendo casos de subnotificação, casos de feminicídios que são, muitas vezes, noticiados pela imprensa brasileira, mas que não contam com as estatísticas oficiais, porque, infelizmente, nós estamos em uma situação que ocorrem três ou quatro homicídios por dia que é algo preocupante e que deve chamar a atenção.”

Durante a produção desta reportagem, a UEL, por meio de um projeto de extensão, inaugurou no dia 14 de julho, sob idealização e coordenação da professora do Departamento de Direito Privado, Claudete Carvalho Canezin, o Núcleo de Atendimento de Violência Doméstica na Delegacia da Mulher (Nuavidem).
De acordo com informações apuradas pelo O Perobal, a cerimônia de inauguração realizada no Escritório de Aplicação de Assuntos Jurídicos (EAAJ) da Universidade foi marcada pela presença de diversas autoridades comprometidas com o enfrentamento à violência contra a mulher, incluindo a secretária de Estado da Mulher, Igualdade Racial e Pessoa Idosa, Leandre Dal Ponte.
O Núcleo passa a integrar a Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM), em Londrina, e fornecerá orientação jurídica com base nas informações fornecidas pelas vítimas de violência, além do encaminhamento aos demais órgãos da rede de enfrentamento à violência contra a mulher, como o Centro de Referência no Atendimento à Mulher (CAM), Centro de Referência Especializado em Assistência Social (Creas), Centro de Referência em Assistência Social (Cras), Casa Abrigo e Núcleo Maria da Penha (Numape).
“Nós vamos poder encaminhar ela [já na delegacia] para a rede de atendimento. Então, ela vai poder vir aqui para o Numape sabendo que faremos o processo de dissolução da união e de separação de bens. Além disso, o NEDDIJ [Núcleo de Estudos e Defesa de Direitos da Infância e da Juventude] fará o processo para as crianças terem pensão alimentícia. Se ela sofrer ameaça de feminicídio, nós vamos encaminhar ela para ser colocada no abrigo, onde é sigiloso e ela poderá ficar com os filhos, que não serão prejudicados, pois terão à disposição pedagogos e professores”, explica a coordenadora. “A rede trabalha para o bem-estar dessa mulher, porque o nosso objetivo é que ela saia da violência, que ela denuncie para poder combater, mas que ela tenha segurança”, complementa.

Financiado pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná (Seti), o Nuavidem conta com uma equipe composta por sete pessoas que vão trabalhar em conjunto com a Polícia Civil do Paraná. O grupo é formado por duas advogadas, três alunas do curso de Direito e duas de Psicologia.
De acordo com a coordenadora, apesar de ser um projeto piloto, o Núcleo tem potencial para ser expandido a outras cidades, seguindo um caminho semelhante ao do Numape em Londrina, também idealizado por ela. Atualmente, Canezin coordena o projeto em todo o Estado, incluindo a unidade no município, resultando em um total de 11 unidades do Núcleo Maria da Penha espalhadas pelo Paraná. Todos os núcleos são financiados pela SETI.
Aliás, é bom destacar que o trabalho dos Numape vem sendo reconhecido não só por aqui, mas nacionalmente. Durante a 75ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizada no campus Politécnico da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba, entre 23 e 29 de julho, um projeto de extensão do Núcleo Maria da Penha, da Universidade Estadual de Maringá (UEM), recebeu o Prêmio Destaque na Iniciação Científica, oferecido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
O Prêmio Destaque na Iniciação Científica e Tecnológica é concedido anualmente pelo Conselho, desde 2003, e conta com as parcerias da SBPC e da Academia Brasileira de Ciências. O objetivo é estimular e reconhecer os melhores trabalhos de bolsistas que estão iniciando no universo da pesquisa científica.
Segundo uma das coordenadoras, Crishna Mirella, o projeto “Lei Maria da Penha e o enfrentamento à violência doméstica no ambiente escolar” é vinculado ao Observatório de Violência de Gênero da UEM e ao Numape. Dentro do eixo das ações preventivas do Núcleo, surgiu a oportunidade de atuar dentro da escola do Colégio de Aplicação da Universidade. O grupo solicitou bolsas em um edital do Programa Institucional de Iniciação Científica (PIBIC-Ensino Médio) e foi aprovado. A ação está na sua quinta edição, mas o prêmio é relativo à quarta, que ocorreu entre 2012 e 2022.

Seis estudantes atuaram nesse período no CAP fomentando a discussão sobre a violência doméstica contra mulheres e, também, sobre a violência contra mulheres no espaço escolar. Eram realizadas discussões semanais, que deram origem a bibliografias que foram redigidas em linguagem acessível para a idade das meninas que têm, em geral, entre 15 e 17 anos. Esse material retornou em oficinas que as integrantes do projeto organizaram na escola, na segunda etapa da iniciativa. A última fase foi a produção de materiais didáticos, também acessíveis para os colegas e as colegas, tudo supervisionado pela coordenação para garantir a linguagem de jovem para jovem.
“Isso é super importante para nós, esse contato com as alunas do ensino médio, porque a linguagem das violências sofridas, a linguagem das tensões, dos medos são traduzidas para a essa faixa etária. Então, para nós é importante esse contato para aprender um pouco com elas também e o grupo consegue, a partir da formação que a gente dá, produzir esse trabalho na escola, nas últimas etapas do projeto”, explica Crishna Mirella.
O prêmio desta edição foi entregue à estudante Isabela Mayumi Gondo, apesar da ação ter tido a participação de mais cinco alunas do CAP, além de Crishna e da outra coordenadora, a professora Gláucia Brida, da Psicologia.
Isabela Gondo disse que a experiência a fez ter certeza de que quer cursar Direito e lutar por causas como a das mulheres. “Vou terminar o ensino médio e fazer o vestibular na UEM, porque eu me achei aqui, com a ajuda das professoras”. A estudante recebeu R$ 5 mil e um ano de bolsa de pesquisa, do CNPq.
A pesquisa científica que vai além dos muros das Universidades. Uma dissertação de mestrado defendida no Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais Aplicadas da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) serviu de embasamento para a criação de uma lei, em Ponta Grossa. O Decreto Municipal nº. 22.064, de 7 de julho de 2023, instituiu a Rede de Enfrentamento às Violências contra as Mulheres.
“Das violências domésticas e familiares ao feminicídio: a percepção dos profissionais que atuam nas políticas públicas de enfrentamento às violências contra as mulheres em Ponta Grossa/PR” foi publicada em 2020 e apontou a necessidade de maior articulação e estruturação em rede do enfrentamento à violência contra a mulher no município. O trabalho foi desenvolvido pela advogada Amanda Rangel, sob orientação da professora Jussara Ayres Bourguignon e coorientação de Paula Melani Rocha, na linha de pesquisa em Estado, Direitos e Políticas Públicas.
“Enquanto pesquisadores, temos a responsabilidade de devolver para a sociedade um produto científico que seja profícuo, útil”, aponta Amanda. Para ela, a utilização da dissertação para embasar o decreto é significativa, por registrar o impacto social do estudo e a importância das pesquisas realizadas na Universidade. No desenvolvimento do estudo, ela analisou as percepções dos profissionais que atuam nas políticas públicas de enfrentamento às violências domésticas e familiares praticadas contra as mulheres e feminicídios sobre a rede de enfrentamento e as políticas públicas voltadas para esse assunto em Ponta Grossa, nos anos de 2017 e 2018. A percepção apontada no trabalho é de que o trabalho da Rede precisava ser mais articulado e conectado para atender da melhor forma às vítimas de violência.
O trabalho está disponível no Repositório Institucional de Teses e Dissertações, neste link, e o decreto está disponível neste link.
Rede
A Rede de Enfrentamento às Violências contra as Mulheres do Município de Ponta Grossa tem como objetivo a articulação entre as instituições, serviços governamentais, não-governamentais e a comunidade para o fortalecimento das políticas públicas de enfrentamento de todas as formas de violência contra as mulheres. São quatro eixos de enfrentamento: combate, prevenção, assistência e garantia de direitos.
Compõem a Rede representantes da Secretaria Municipal da Família e Desenvolvimento Social (Departamento da Mulher; Conselho Tutelar; Conselho Municipal dos Direitos da Mulher; Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente; Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial; Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa), Fundação Municipal da Assistência Social (Centro de Referência e Atendimento à Mulher; Centro de Referência Especializado de Assistência Social; Centro de Referência da Assistência Social; Casa Abrigo Corina Portugal; Conselho Municipal de Assistência Social); Secretaria Municipal de Cidadania e Segurança Pública (Patrulha Maria da Penha); Fundação Municipal de Saúde (Atenção Primária à Saúde; Saúde Mental; Vigilância em Saúde; Rede de Urgência e Emergência), Secretaria Municipal de Indústria, Comércio e Qualificação Profissional, Secretaria Municipal de Educação, Tribunal de Justiça do Paraná (Juizado de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher; Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania), Ministério Público do Estado do Paraná (16ª e 18ª Promotorias de Justiça), Defensoria Pública do Estado do Paraná, Polícia Militar, Polícia Civil (Delegacia Especializada da Mulher; 13ª Subdivisão Policial e distritos subordinados; Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes; Polícia Científica), Núcleo Regional de Ensino, Ordem dos Advogados do Brasil – Subseção de Ponta Grossa (Comissão da Mulher Advogada, Comissão de Estudos sobre Violência de Gênero), 3ª Regional de Saúde, Universidade Estadual de Ponta Grossa (Núcleo Maria da Penha; Hospital Universitário, Hospital Universitário Materno-Infantil), e Universidade Tecnológica Federal do Paraná.
Texto: Aline Jasper | Foto: Arquivo Pessoal / Mariene Suzina
Um projeto de extensão realizado pelo Campus Pato Branco vem utilizando a farinha desta planta que apresenta um alto teor de proteína na alimentação das crianças
Um projeto de extensão realizado pelo Campus Pato Branco está mobilizando a alimentação escolar no município. Uma pesquisa realizada por alunos de graduação em Química e do Programa de Pós-Graduação em Tecnologia de Processos Químicos e Bioquímicos vem estudando as propriedades da planta ora-pro-nóbis.
A dissertação de mestrado da aluna Cássia Regina Eidelwein, sob orientação das professoras Marina Leite Mitterer Daltoé e Tatiane Cadorin Oldoni, realizou um projeto em duas escolas da rede pública do município introduzindo o uso da farinha de ora-pro-nóbis em pães.
Com o título de “Introdução de alimentos à base de farinha de ora-pro-nóbis na alimentação escolar da rede pública de ensino da cidade de Pato Branco: Curso de educação alimentar e nutricional e testes sensoriais” o objetivo foi identificar o impacto da neofobia alimentar nos hábitos alimentares e preferências alimentares em crianças entre 4 e 12 anos, promover oficinas de educação alimentar e avaliar a aceitação e emoções de um pão adicionado de farinha de ora-pro-nóbis.
De acordo com os pesquisadores, a escolha da farinha deste alimento não convencional (Panc) foi feita por ela apresentar um alto teor proteico (cerca de 25%, considerado muito alto) e, além disso, por possuir uma qualidade de aminoácidos muito importante em sua composição.
“Escolhemos um alimento que tivesse um elevado índice proteico e com qualidade”, explica a pesquisadora Marina Daltoé.
Nas escolas, a equipe consegui trabalhar com os aspectos da aceitação alimentar. “A farinha é verde, então, vai produzir um pão verde. Por isso, além de experimentarem um novo alimento, exploramos a questão da cor na aceitação das crianças e, com isso, estamos inserindo o alimento aos poucos no consumo cotidiano delas”, complementa a professora.
Até o momento o projeto já atendeu 900 crianças destas duas escolas. Segundo a equipe, a aceitação foi maior na escola que, além de receber o alimento, contou com um curso para as crianças. “Na escola que realizamos o curso, o número de crianças que desejaram provar foi muito maior. Isso demonstra que o medo do alimento novo, quando bem trabalhado e bem introduzido na alimentação, pode ser reduzido”, completa.
O projeto prevê expandir esta ação nas demais escolas da cidade e, por isso, conta com a parceria do Setor de Alimentação Escolar da Prefeitura de Pato Branco e da Empresa Proteios Nutrição Funcional. As pesquisas contam ainda com a participação da bolsista de extensão Marcela Janning Dos Santos.
Ora-pro-nóbis
O nome científico da ora-pro-nóbis é Pereskia aculeata. Por ela apresentar um alto teor de proteína, foi apelidada popularmente de “carne do pobre”. Pode ser consumida in natura ou como matéria-prima para a elaboração de farinha para ser utilizada como base para o preparo de bolos, tortas e pães. Entre os benefícios do seu consumo estão a prevenção da anemia, melhora do funcionamento do intestino, perda de peso, prevenção do envelhecimento precoce e diminuição do colesterol.
Cerimônia reuniu autoridades no EAAJ. Nuavidem contará com sete integrantes, além da coordenação, para dar apoio psicológico e jurídico a mulheres em situação de violência.
O Núcleo de Atendimento de Violência Doméstica na Delegacia da Mulher – Nuavidem, projeto de extensão criado na UEL, ganhou visibilidade e pode ser levado para outros municípios do estado. É o que avaliam autoridades que compõem a rede de enfrentamento à violência doméstica. Lançado no dia 14 de julho, o Núcleo irá funcionar prestando apoio jurídico e psicológico às vítimas que procuram o atendimento na Delegacia da Mulher de Londrina. A iniciativa conta com o financiamento da Secretaria Geral de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná (Seti).
Muito emocionada com a concretização do Núcleo, a idealizadora e coordenadora do Nuavidem, a docente da UEL Claudete Canezin, destacou que ele vai contar com uma equipe formada por sete profissionais, atuando ao lado dos servidores da Polícia Civil do Paraná (PC/PR).
“Agora, com o Nuavidem, duas advogadas e três alunas do Direito e duas da Psicologia vão atender essa mulher, vão falar para ela sobre o Botão do Pânico, sobre a medida protetiva e sobre as ações que ela pode solicitar, de divórcio, alimentos, guarda, visita e partilha de bens”, explicou a coordenadora.

Integram a equipe as advogadas Laise Fabiana Soares e Renata Possobom Molina, as estudantes de Direito da UEL Maria Luísa Padovan, Tainá Cristina de Souza Eurinidio e Giulia Carnietto Souza, e as estudantes do curso de Psicologia Ana Luísa Galleli Campos e Laura Antunes Cortez.
O evento de lançamento foi realizado no Escritório de Aplicação de Assuntos Jurídicos (EAAJ) da UEL e contou com a presença de dezenas de autoridades e integrantes da rede de enfrentamento à violência, dentre elas a secretária de estado da Mulher, Igualdade Racial e Pessoa Idosa, a deputada estadual Leandre Dal Ponte (PSD).
“É extremamente importante, por isso, o governador me designou que viesse até aqui para acompanhar esse projeto, porque entendemos que ele tem capacidade de poder ser escalado para as demais delegacias do nosso Estado. A UEL está de parabéns por essa iniciativa”, disse a secretária. Atualmente, o Paraná conta com 21 delegacias especializadas no atendimento às vítimas de violência doméstica.
Em sua fala, a delegada da Mulher de Londrina, Carla Gomes de Mello Villar, destacou que o enfrentamento do fenômeno social da violência doméstica vem surtindo efeitos. No entanto, ainda demanda muitos esforços. Ela informou que, somente em Londrina, 2.359 homens são alvos de medidas protetivas.
A reitora Marta Favaro afirmou que a Universidade Estadual de Londrina tem orgulho do trabalho desempenhado por seus docentes e alunos. “Fica um agradecimento especial à toda equipe da professora Claudete, que muito nos orgulha com esse trabalho”, disse.
Fonte da matéria: https://operobal.uel.br
O projeto de extensão “Empoderamento de Mulheres em seus Direitos Sexuais e Reprodutivos”, do curso de Enfermagem da Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP), desenvolve ações educativas e de capacitação entre as mulheres. As ações acontecem em Bandeirantes e Santa Mariana, através de parceria entre a Universidade e as Secretarias de Saúde dos municípios.
Com o objetivo de desenvolver ações compatíveis com a realidade de cada região, o projeto visa a atender mulheres vulneráveis e em situação de pobreza de forma a contribuir para a construção de uma vida saudável e segura às mulheres e a seus pares. A ação possibilita ainda a superação de desafios sociais, econômicos, de vulnerabilidade e dos diversos tipos de dependência existentes.
Para a coordenadora, Carolina Fordellone Rosa Cruz, trazer as informações para as mulheres é fundamental para que elas possam primar por sua saúde, segurança e bem-estar. “Empoderar essas mulheres sobre seus direitos sexuais e reprodutivos relacionados ao seu bem-estar e saúde, aliado a ações de educação, prevenção e promoção, contribui positivamente para a dinamização e a construção para uma vida saudável e segura a si e a seus pares”, destacou a professora.
No decorrer do projeto, além das visitas aos locais indicados, serão desenvolvidos cursos, palestras, rodas de conversas e ações de sensibilização referentes ao autocuidado, promovendo a conscientização sobre saúde da mulher em geral e aspectos preventivos. Ao longo do projeto, serão desenvolvidos materiais didáticos sobre as temáticas trabalhadas. Também serão selecionadas mulheres com perfil de liderança para participar do curso de capacitação sobre direitos sexuais e reprodutivos.
Secretaria da Inovação planeja parceria com UEPG para digitalização de peças de museu
A Secretaria Estadual da Inovação, Modernização e Transformação Digital (SEI) está planejando estabelecer uma colaboração estratégica com a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) em projetos que promovem a inovação, a sustentabilidade e desenvolvimento educacional.
Um deles é para o desenvolvimento de soluções que permitam a digitalização e a impressão 3D de réplicas das peças do acervo do Museu de Ciências Naturais, viabilizando sua exposição naquele espaço. O espaço foi concebido em projetos de extensão que envolviam os temas geodiversidade e biodiversidade e é palco para a integração de pesquisa, ensino e extensão no que se refere às ciências de natureza.
“Dessa forma, as peças originais poderão ser armazenadas em condições ideais, evitando sua deterioração ao longo do tempo”, ressalta o assessor técnico da SEI, Márcio Hauagge.
Ele explica que uma das áreas de atuação da SEI envolve as parcerias estratégicas com as universidades para impulsionar o desenvolvimento tecnológico e promover a preservação do patrimônio cultural e científico do Estado. “Estamos comprometidos em fornecer apoio técnico e incentivar projetos inovadores que tragam benefícios significativos à sociedade paranaense”, diz Hauagge.
Outro projeto com a UEPG consiste em uma parceria com o Departamento de Engenharias de Materiais da instituições, com o objetivo de aprimorar a reciclagem de peças impressas em 3D. Através da aplicação de conhecimento técnico especializado de profissionais da própria Secretaria da Inovação, será oferecido suporte e assistência aos professores envolvidos no projeto.
Além disso, a equipe técnica da SEI já realizou uma visita à Usina Termoelétrica a Biogás, em Ponta Grossa. É um espaço vinculado à prefeitura da cidade. Essa visita teve como objetivo conhecer a estrutura da usina e compreender os investimentos realizados para a execução do projeto.
Inaugurada no início de 2021, a usina recebe resíduos orgânicos e os transforma em biogás, através do processo de biodigestão. O biogás gerado está sendo utilizado para alimentar motogeradores, que produzirão energia elétrica, injetada diretamente na rede da Copel.
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O Governo do Estado prorrogou até 30 de junho o prazo para apresentação de propostas de empresas, cooperativas, startups, municípios e outras organizações que buscam financiamento para projetos de pesquisa e desenvolvimento (P&D). A chamada pública envolve recursos da ordem de R$ 20 milhões não reembolsáveis do Fundo Paraná, dotação gerenciada pela Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) para o fomento científico e tecnológico paranaense.
A iniciativa tem amparo no Programa de Estímulo às Ações de Integração Universidade, Empresa, Governo e Sociedade, denominado Agência de Desenvolvimento Regional Sustentável e de Inovação (Ageuni). Serão apoiados projetos em cinco áreas: agricultura e agronegócios; biotecnologia e saúde; energias renováveis; cidades inteligentes; e economia, educação e sociedade. As propostas devem ser fundamentadas na transformação digital e no desenvolvimento sustentável.
Do montante anunciado, R$ 6 milhões serão destinados para microempresas e empreendedores individuais; R$ 4 milhões para empresas de pequeno e médio porte, e R$ 5 milhões para grandes empresas. Outros R$ 5 milhões serão aplicados em projetos apresentados por municípios, cooperativas e outras organizações com e sem finalidade lucrativa. Cada projeto pode ter o valor máximo de até 10% do total previsto para a respectiva categoria.
Segundo o coordenador de Ciência e Tecnologia da Seti, Marcos Aurélio Pelegrina, o intuito é incentivar o desenvolvimento socioeconômico, agregar tecnologia aos processos de produção de bens e serviços e aumentar a competitividade empresarial paranaense.
“No Estado do Paraná, entendemos que o investimento em ciência e tecnologia é uma estratégia competitiva que pode diferenciar as nossas empresas nos mercados local, regional e até nacional, permitindo que esses agentes produtivos cresçam e se desenvolvam em um ambiente cada vez mais inovador”, diz Pelegrina. “Nós acreditamos que a tecnologia pode e deve ser usada como uma ferramenta para atender as necessidades e as demandas dos cidadãos e dos consumidores em geral”, destaca.
CRITÉRIOS – Entre os critérios para receber o apoio financeiro do Estado, os proponentes devem ter registro no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) no Paraná e articular as propostas com as unidades da Ageuni nas universidades estaduais. A duração dos projetos será de dois anos, com possibilidade de prorrogação por mais seis meses. Os projetos de P&D serão financiados por meio de acordos de parceria e cooperação estabelecidos com as instituições estaduais de ensino superior.
Confira os câmpus acadêmicos onde estão localizadas as unidades da Ageuni:
Universidade Estadual de Londrina (UEL)
Londrina – ageuniaintec@uel.br
Universidade Estadual de Maringá (UEM)
Maringá – ageuni@uem.br
Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG)
Ponta Grossa – ageuni.agipi@uepg.br
Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste)
Cascavel – ageuni@unioeste.br
Francisco Beltrão – ageuni@unioeste.br
Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro)
Guarapuava – ageuni.novatec@unicentro.br
Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP)
Jacarezinho – ageuni@uenp.edu.br
Universidade Estadual do Paraná (Unespar)
Campo Mourão – ageuni2campomourao@unespar.edu.br
Paranaguá – ageuni1paranagua@unespar.edu.br
A Associação de Investigadores da Imagem em Movimento (AIM), de Portugal, premiou o livro Documentário: filmes para salas de cinema com janelas, escrito pelo docente da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), campus deCuritiba II/FAP, Eduardo Baggio, como melhor publicação da área no ano de 2022. O prêmio é uma parceria da AIM com o Centro de Estudos Interdisciplinares da Universidade de Coimbra (CEIS20-UC), e envolve uma conferência a ser apresentada na instituição, pelo autor do livro.
Para Baggio, “o prêmio é extremamente relevante e uma grande honra, porque a AIM de Portugal, é uma grande referência na pesquisa de cinema na Europa e para o Brasil, ainda mais que muitos/as brasileiros/as participam. Sem contar que a parceria com a Universidade de Coimbra é superimportante em Portugal, afinal é um centro que tem estudos interdisciplinares, mas que versa muito sobre cultura e sociedade”.
“Documentário: filmes para salas de cinema com janelas” traça um percurso histórico-conceitual para debater criticamente definições de documentário. Pela perspectiva realista, o livro discute relações, próprias desse tipo de filme, entre mundo fático experiencial, os processos de realização, a obra audiovisual em si e a recepção. A partir desses quatro polos, Baggio propõe a metáfora das salas de cinema com janelas para uma abordagem amplificada e relacional do cinema documentário.
CLIQUE AQUI PARA ACESSAR O LIVRO “DOCUMENTÁRIO – FILMES PARA SALAS DE CINEMA COM JANELAS”
O livro é fruto de um trecho da tese de doutorado do docente, porém, para que a obra fosse finalizada e publicada, Baggio contou com o auxílio de docentes e egressos/as da Unespar, além de demais pessoas externas à instituição: Manuela Penafria (prefácio), Fernando Andacht (apresentação), Alexandre Rafael Garcia (editor e coordenador editorial), Wellington Sari (editor), Juliana Rodrigues Pereira (preparadora e revisora), Juliana Vaz (revisora), Anderson Simão (produtor executivo), Pedro Giongo (projeto gráfico e diagramação), Iara Mica e Paula Azevedo (produtoras gráficas), Christopher Faust (lançamento e distribuição), conselho editorial da Coleção Escrever o Cinema e produtora Bando à Parte (sessão do fotograma da capa a partir do filme O Espectador Espantado, de Edgar Pêra).
O livro é o 5° volume da Coleção Escrever o Cinema. No último sábado (17), durante o Festival Olhar de Cinema, aconteceu o lançamento de mais três livros da Coleção, em Curitiba. São eles: Paulo Emílio na Emergência do Cinema Novo, escrito por Pedro Plaza Pinto; Ficção Especulativa no Cinema Negro Brasileiro, escrito por Kariny Martins; e O Nacional nos Cinemas Brasileiro e Argentino – 1995 a 2002, escrito por Eduardo Dias Fonseca. Os três títulos foram editados por professores e egressos da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), sob a coordenação do professor curso de Cinema e Audiovisual da Unespar, campus de Curitiba II/FAP, Alexandre Rafael Garcia.