Os projetos contribuem para a popularização da ciência e serão apresentados em Guarapuava

A Universidade Estadual de Londrina (UEL) teve nove clubes com projetos selecionados para a 5ª edição do Paraná Faz Ciência. Neste ano, o encontro será realizado entre os dias 29 de setembro e 3 de outubro, no campus da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), em Guarapuava. Trata-se do maior evento de popularização da ciência no estado.
Foram aprovados sete trabalhos de clubes de escolas do Núcleo Regional de Educação (NRE) de Londrina e dois do NRE de Telêmaco Borba. Para a professora Mariana Andrade, articuladora institucional do NAPI – Paraná Faz Ciência pela UEL, o evento destaca “a consolidação do projeto que apresenta resultados”. Além disso, a docente considera a participação significativa principalmente para os estudantes, que terão contato com pesquisadores de todo o Paraná.
Em Londrina, os projetos selecionados são do Instituto Londrinense de Educação de Surdos (ILES), do Colégio Estadual Professora Maria José B. Aguilera, do Colégio Estadual Cívico-Militar Professor Newton Guimarães, do Colégio Estadual Nossa Senhora de Lourdes e do Colégio Estadual Cívico-Militar Hugo Simas. O Colégio Estadual do Jardim San Rafael e o Colégio Estadual Unidade Polo, de Ibiporã; o Colégio Estadual São Francisco de Assis, de Telêmaco Borba; e o Centro Estadual de Educação Profissional Florestal e Agrícola, de Ortigueira, também apresentarão trabalhos.
O PRFC 2025 é coordenado pela Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) e pela Fundação Araucária, além de reunir diversas instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs) do estado do Paraná. O evento integra a programação da 22ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, cuja temática é “Planeta água: a cultura oceânica para enfrentar as mudanças climáticas no meu território”.
Os clubes selecionados irão expor seus projetos no dia 02 de outubro. A ideia é mostrar as atividades que os alunos e professores clubistas têm realizado em sala de aula nos últimos meses. As ações desenvolvidas possuem propostas distintas, tornando o momento ainda mais enriquecedor e de maior integração entre as equipes. Confira os trabalhos de clubes articulados pela UEL que foram aprovados:


Para entender a percepção pública C&TI no Estado, 2.684 pessoas foram entrevistadas em todas as regiões do Paraná
O Paraná acaba de concluir a mais ampla pesquisa já realizada no estado sobre a percepção da população em relação à ciência, tecnologia e inovação. Mais de 2.600 paranaenses foram consultados sobre temas como o interesse na ciência, quais fontes de informação são as mais confiáveis e sobre o recebimento e compartilhamento de notícias falsas. Essa iniciativa ajuda na construção de políticas públicas relacionadas à Ciência, Tecnologia e Inovação (C&TI) no Estado.
Um dos dados revelados foi que os cientistas de universidades ou institutos públicos de pesquisa são a fonte de maior confiança para os paranaenses, com um índice de 0,93. Eles superam até mesmo os médicos (0,89), que lideraram o levantamento nacional de 2023.
A Pesquisa de Percepção Pública de CT&I no Paraná (PPC&TI) é uma iniciativa do Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação – NAPI Paraná Faz Ciência. A consulta popular ouviu 2.684 pessoas acima de 16 anos, em 88 municípios, distribuídos pelas dez mesorregiões paranaenses. O objetivo foi traçar um retrato socioeconômico, cultural e comportamental da sociedade e avaliar como os cidadãos consomem, compreendem e se relacionam com temas ligados à ciência e tecnologia.
A divulgação de parte dos resultados encontrados na survey vai ocorrer no próximo dia 30 de setembro, às 9 horas, durante o evento Paraná Faz Ciência 2025, que ocorre em Guarapuava.

Outro levantamento da percepção pública da ciência no Paraná traz um dado estratégico para a comunicação científica: 58,8% dos entrevistados mostraram interesse em Ciência e Tecnologia, valor próximo à média nacional, que registra 60,3% de pessoas “muito interessadas” ou “interessadas” em Ciência e Tecnologia. Esse dado vem do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), que publicou os resultados de uma pesquisa realizada em 2023.
O material também indica que a Educação aparece como o tema de maior interesse entre os respondentes. Nenhuma das edições anteriores de pesquisas nacionais incluiu uma pergunta específica sobre o interesse da população pela área da Educação. Essa informação surge na proposta do Paraná e 83,4% da amostra marcou o tema. Não muito distante, o interesse em Medicina e Saúde é apontado por 80,6% da população, seguido de 70,1% que se mostraram interessados em Meio Ambiente e 69,7% em Religião.
Por outro lado, 52,6% dos paranaenses afirmam não possuir interesse em Política, seguido de Arte e Cultura, com 47,2%, e Esportes, área que soma 43,4% de desinteresse. Isso demonstra um potencial para ampliação do engajamento da população com temas científicos, especialmente, se forem aprimoradas estratégias de comunicação pública da ciência.
“A abrangência e o desenho metodológico tornam a pesquisa uma ferramenta estratégica para orientar políticas públicas de popularização da ciência, além de subsidiar universidades, institutos de pesquisa e gestores na formulação de ações voltadas à alfabetização científica e tecnológica no Paraná”, diz o articulador do NAPI Paraná Faz Ciência, o professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Rodrigo Reis.

A survey utilizou um questionário construído de forma colaborativa pela equipe técnica e validado por pré-teste. Além disso, foram aplicadas variáveis de controle — gênero, idade, escolaridade e renda familiar — calibradas com dados censitários do IBGE. “O resultado é uma amostra considerada altamente representativa da população paranaense, com nível de confiança de 95% e margem de erro de aproximadamente 2%”, esclarece uma das responsáveis pela pesquisa, Tamara Dias Domiciano. A pesquisa é foco do pós-doutorado de Tamara, que aparece na capa desta reportagem, em ação de itinerância na Reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, de 2024.
O banco de dados gerado pela PPC&TI Paraná é robusto: as 45 questões originais deram origem a 177 variáveis, resultando em quase meio milhão de registros. Esse material permitirá cruzamentos entre regiões, perfis sociais e indicadores, abrindo espaço para análises profundas sobre a relação da população com a ciência.
A articuladora do NAPI Paraná Faz Ciência, Débora Sant’ Ana, destaca que é a primeira vez que se tem dados da percepção pública da ciência do Paraná e ainda representativos das dez mesorregiões do estado. “A pesquisa possibilita compreender os interesses dos paranaenses, sua visão sobre ciência e tecnologia e sua percepção de instituições de pesquisa. Estas informações poderão direcionar ações de divulgação científica, educação para a ciência, entre outras”, disse a professora da Universidade Estadual de Maringá (UEM).
A PPC&TI se concretizou com recursos da Fundação Araucária, por meio do Fundo Paraná, gerenciado pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti). O gestor da Seti, Aldo Bona, afirmou que os dados da pesquisa “são estratégicos para a formulação, monitoramento e avaliação de políticas públicas, permitindo alinhar ações às reais necessidades da população. Ao mesmo tempo, reforçam a importância de fortalecer a cultura científica como eixo de desenvolvimento econômico, social e regional”.
O diretor-presidente da Fundação Araucária, Ramiro Wahrhaftig, lembrou que a fundação “acredita que a ciência deve estar a serviço da sociedade. Para isso, é essencial compreender como a população percebe, consome e valida o conhecimento científico. Este estudo é um passo decisivo nessa direção”.
Além de Rodrigo Reis, da professora Débora e de Tamara Domiciano, o estudo tem como autores o professor doutor Emerson Joucoski, e os graduandos Vitor Yuji Kiemo e Taissa Carolina Silva dos Santos, os três da UFPR. A empresa contratada para a realização das entrevistas foi a QCP- Quanta Consultoria, Projetos e Editora Ltda.
Data: 30 de setembro de 2025
Horário: 9h às 12h
Local: Centro de Eventos Cidade dos Lagos – Sala de Conferências 1
Guarapuava – PR
Contato – (44) 99102-2807
O evento este ano sediado na Unicentro, em Guarapuava, promete unir clubes de ciências todas as regiões do Paraná

A cidade de Guarapuava receberá, entre os dias 29 de setembro e 3 de outubro, a 5ª edição do Paraná Faz Ciência, evento organizado esse ano pela Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro). Considerado o maior encontro científico do Estado, o Paraná Faz Ciência reuniu no ano passado cerca de 38 mil participantes e, nesta edição, contará também com a presença de outras dez universidades públicas estaduais e federais presentes no estado. Um dos pontos altos da programação será a mostra científica da Rede de Clubes, que reunirá, pela primeira vez, representantes de todos os Núcleos Regionais de Educação (NRE) do Paraná. Entre os clubes participantes, oito têm articulação do Instituto Federal do Paraná (IFPR), de Palmas.
Dois clubes da cidade de Pato Branco foram selecionados para o evento, um deles é o clube Raízes D’Água, do Colégio Estadual do Campo São Roque. Eles apresentarão a hidroponia como alternativa sustentável para o cultivo de hortaliças em áreas rurais e com dificuldade de acesso a alimentos frescos. O sistema desenvolvido pelos estudantes possibilita a produção de alface com crescimento acelerado e colheita antecipada, além de testes com rúcula, salsa e cebolinha. O protótipo conta com monitoramento diário do pH e da condutividade, e o uso de casca de ovo como substrato também foi avaliado para ser um solução ambientalmente responsável.

Também de Pato Branco é o Colégio Estadual São João, com os clubistas do Objetivos do Desenvolvimento Sustentável em Ação, ou simplesmente ODS em Ação. O trabalho desenvolvido pelos clubistas envolve a construção de uma mini-usina industrial de laboratório para reciclagem do óleo de cozinha usado. Entre os produtos visados para serem produzidos pelo óleo estão cosméticos, sanitizantes e biocombustíveis.

De Chopinzinho, três clubes irão a Guarapuava, um deles é o Meu Mundo Melhor, do Colégio Estadual Arcelina de Almeida. Seu projeto descreve as inúmeras ações em torno do cultivo de plantas e criação de abelhas sem ferrão, o que inclui ainda atividades em pomar e horta, mas também a organização da 1ª Festa das Sementes. A iniciativa integrou toda a comunidade escolar e contou com parcerias institucionais e apoio de entidades como a UFFS (Universidade Federal da Fronteira Sul) e a empresa ENGIE, grupo francês fornecedor de energia por fonte renovável. Com isso, consolidou-se como um Clube de Ciências voltado à sustentabilidade, inovação e envolvimento comunitário.
Já o clube Raízes do Conhecimento, do Colégio Estadual José Armim Matte, tem um projeto que explora o potencial das plantas medicinais em uma abordagem holística, ao considerar não apenas os aspectos físicos, mas também emocionais e espirituais do ser humano. As atividades incluem desde o cultivo e processamento de espécies até a preparação de chás, banhos e massagens, além da produção de materiais educativos e eventos de divulgação. A proposta alia tradição e ciência, promovendo bem-estar, consciência ambiental e aproximação entre tecnologia, saúde e práticas culturais.
E o terceiro clube chopinzinhense é o Somos Fãs de Lavoisier, do Colégio Estadual do Campo Cely Tereza Grezzana, que apresentará três projetos distintos no Paraná Faz Ciência. O primeiro, Acerte Seu Relógio, cria um espaço educativo que integra escola, comunidade e instituições por meio da construção de um “relógio do corpo humano” em horto medicinal, unindo saberes populares e científicos sobre plantas medicinais. O segundo projeto, Polinizando Saberes para a Vida, envolve a criação de um meliponário e de uma colmeia didática, permitindo aos estudantes observar de perto a biologia das abelhas e compreender sua importância para a produção de alimentos, além de promover oficinas educativas e ações de preservação ambiental. Já o terceiro projeto, O Curso da Vida, apresenta uma grande maquete do Rio Iguaçu e seus afluentes, com usinas hidrelétricas, biodiversidade local, elementos culturais e econômicos da região. A iniciativa recebe visitas escolares e da comunidade, promovendo educação científica, valorização ambiental e integração social.

O clube Inspirar, do Colégio Estadual do Campo Núcleo de Santa Lúcia, em Coronel Vivida, apresenta o projeto “Caminhos Sustentáveis”. Entre as atividades, os estudantes realizaram o teste da pegada ecológica, oficinas para produção de vasos sustentáveis e o plantio de mudas em pequenos espaços. Também produziram bolas de sementes, sabão ecológico e investigaram o relógio biológico de plantas medicinais. O trabalho aproxima os alunos de práticas ambientais acessíveis e criativas, incentivando a reflexão sobre sustentabilidade no cotidiano escolar e comunitário.
No Colégio Estadual João XXIII, de Clevelândia, o Clube de Ciências Área XXIII apresentará um projeto voltado à valorização dos parques naturais do município. A iniciativa envolveu saídas de campo para observação da biodiversidade e coleta de informações, que serviram de base para a produção de cartilhas ilustradas e vídeos educativos. As cartilhas, com linguagem acessível e atividades interativas, foram destinadas à escola e à comunidade, enquanto os vídeos ganharam espaço nas redes sociais e em eventos locais.
Por fim, do Colégio Estadual Dom Carlos, de Palmas, o Clube Arquitetos da Natureza estará no Paraná Faz Ciência com o projeto Produção de Vinagre Artesanal a partir da Polpa e Casca de Frutas. A iniciativa utiliza frutos da agricultura familiar, incluindo polpas e cascas, com o objetivo de reduzir o desperdício e incentivar práticas sustentáveis. Embora alguns resultados não tenham atingido os padrões de acidez esperados, os testes forneceram dados relevantes para estudos futuros e destacaram o potencial da produção artesanal como alternativa sustentável e educativa.