Aluna do Clube de Ciências Cientistas do Jardim, em Toledo, aposta em alternativa natural para reduzir a proliferação do mosquito da dengue em recipientes com água parada

Uma pesquisa desenvolvida em um clube de ciências da cidade de Toledo chamou atenção pelo potencial de impacto na saúde pública. A estudante Izabela Maria Belotto, clubista do Clube Cientistas do Jardim, no Colégio Estadual Jardim Porto Alegre, desenvolveu um sachê à base de extratos vegetais capaz de controlar o desenvolvimento das larvas do mosquito transmissor da dengue.

O projeto, que foi orientado pela professora Dioneia Schauren, partiu de um problema recorrente: a presença de água parada em recipientes domésticos, que favorece a proliferação do mosquito. A proposta da clubista foi utilizar compostos naturais de plantas como alternativa mais sustentável no controle do vetor.
A pesquisa foi desenvolvida ao longo de 2025, período em que foram testados diversos extratos vegetais em diferentes fases do desenvolvimento das larvas do mosquito. Os resultados mostraram-se promissores, com alguns extratos alcançando 100% de mortalidade das larvas nos testes realizados. A partir desses dados, a estudante avançou para a etapa de desenvolvimento de um sachê funcional.

A ideia do produto foi possibilitar o uso prático pela população, permitindo aplicação em cisternas, vasos de plantas e outros recipientes que eventualmente acumulem água parada. Além de contribuir para o controle do mosquito, a solução buscou reduzir a dependência de agroquímicos, alinhando saúde pública e sustentabilidade ambiental.
A pesquisa, uma das várias que foram desenvolvidas ao longo de 2025 pelo clube, demonstra o potencial em gerar soluções concretas para problemas reais da sociedade. O trabalho encerrou seu ciclo inicial com resultados promissores e pode avançar para novas etapas de aprimoramento e validação em estudos futuros.Para acompanhar mais sobre este e muitos outros projetos desenvolvidos no clube de ciências Cientistas do Jardim, visite e siga o perfil no Instagram @cdc_cienciasjpa.
Por que uma doença que tem vacina, tem tratamento e tem cura ainda mata milhares de pessoas por ano no mundo? Hoje (24), comemora-se, em todo o planeta, o Dia Mundial de Combate à Tuberculose. Atuante no combate à doença em diversas frentes, a Universidade Estadual de Maringá (UEM) reforça a importância da prevenção e da conscientização sobre o tema.
O Laboratório de Ensino, Pesquisa e Análises Clínicas (Lepac) da UEM é referência no diagnóstico da doença. Localizado no câmpus sede da Universidade e vinculado ao Centro de Ciências da Saúde (CCS), o Lepac tem convênio com o governo estadual para atendimento aos 30 municípios da 15ª Regional de Saúde. Em casos suspeitos de tuberculose, no entanto, o laboratório faz exames para toda a macrorregião Noroeste do Paraná, que totaliza 115 municípios.
Somente em 2023, o Lepac fez 1.604 Testes Rápidos Moleculares (TRM) para detecção da doença. Quase 10% do total – 149 casos – tiveram resultado positivo, segundo a supervisora do laboratório e professora do Departamento de Ciências Básicas da Saúde (DBS), Fabiana Nabarro Ferraz.
O tratamento aos positivados ocorre em outra frente de atuação da UEM no combate à tuberculose – o Hospital Universitário Regional de Maringá (HUM). Referência no tratamento de diversas infecções, o hospital atendeu 119 casos suspeitos de tuberculose em 2023. Destes, 27 foram inicialmente confirmados e 19 tiveram alta, além de dois abandonos, um óbito e cinco mudanças de diagnóstico.
Mais do que o diagnóstico e o tratamento, a Universidade também se dedica à prevenção, à conscientização e ao mapeamento dos casos de tuberculose em Maringá e região. Confira, abaixo, mais detalhes sobre a atuação da UEM e saiba como se prevenir da doença.
O TRM é capaz de detectar o DNA da bactéria causadora da doença diretamente na amostra de escarro do paciente. O resultado fica pronto em cerca de duas horas. No Lepac, a amostra é analisada pelo GeneXpert, equipamento cedido ao laboratório pelo Ministério da Saúde, em 2018.
O dispositivo oferece alta sensibilidade para detecção da tuberculose, bem como maior rapidez na liberação do resultado em comparação com o exame de baciloscopia – visualização da bactéria no microscópio -, que é utilizado há mais de 100 anos.

Segundo a professora do Departamento de Análises Clínicas e Biomedicina (DAB) e coordenadora do Lepac, Regiane Bertin de Lima Scodro, o laboratório também faz a cultura da amostra clínica do paciente e o teste de susceptibilidade aos fármacos aplicados no tratamento da doença. Os procedimentos ajudam a identificar se a bactéria detectada possui resistência aos antibióticos mais usados no combate à tuberculose.
O equipamento usado para esse processo é o BD BACTEC MIGT, sistema presente em apenas dois laboratórios do Paraná – além do Lepac, está no Laboratório Central do Estado (Lacen), em São José dos Pinhais-PR. “O método automatizado apresenta mais sensibilidade quando comparado ao exame manual. Esse sistema de cultura, que possibilita o crescimento da bactéria, garante um exame de alta qualidade e de maior rapidez para atender as necessidades dos pacientes com tuberculose”, destacou a coordenadora.
Um desafio para os profissionais do laboratório são os casos assintomáticos da doença. Segundo a coordenadora, muitas pessoas podem estar infectadas mesmo sem apresentarem sintomas, em quadro chamado de “tuberculose infecção”.
Para esses casos, o Lepac implantou, em 2022, o exame IGRA, teste realizado no sangue do paciente. O método identifica o componente da resposta imunológica do organismo infectado e, por isso, permite maior precisão no diagnóstico dos casos assintomáticos. O teste pode ser usado em pessoas que tiveram contato com doentes ou que, por outro motivo, tenham suspeita de infecção.
Os exames de alta qualidade realizados pelo Lepac são, em sua maioria, subsidiados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), como forma de apoio à saúde pública. A professora Rosilene Fressatti Cardoso, que atua no Lepac há anos com foco no combate à tuberculose, esclarece que a luta contra a doença é uma iniciativa de todos. O combate começa com a vacina BCG, aplicada especialmente em crianças, que previne as formas graves da doença.
“Outras ações importantes são a realização do diagnóstico precoce da doença e busca dos contactantes do doente para, se necessário, realizar o tratamento preconizado para cada caso adequadamente, conforme recomendação do profissional de saúde”, reforçou.
Também lotado no CCS da Universidade, o HUM atende casos de tuberculose de toda a macrorregião Noroeste do estado. Em 2023, pacientes com suspeita de tuberculose de 19 municípios diferentes receberam tratamento no hospital.
Segundo a professora do Departamento de Medicina (DMD) e médica infectologista do HUM Maria Emilia Avelar Machado, a precocidade do diagnóstico é uma das principais medidas no combate à doença. “Quanto mais cedo se faz o diagnóstico, melhor para o paciente e menor o risco de infectar outras pessoas, e principalmente as pessoas mais próximas. Tuberculose tem tratamento e tem cura”, afirmou.
Outra preocupação dos profissionais do HUM é garantir que o tratamento seja correto e completo, alertou a professora. A melhora nos sintomas durante os primeiros dias de medicação pode levar pacientes a interromperem o tratamento de forma precipitada. Essa atitude pode aumentar a resistência das bactérias, diminuindo as chances de cura.
O Núcleo de Vigilância Epidemiológica (NVE) do HUM prepara, a cada ano, um boletim com dados oficiais e um levantamento dos municípios e bairros de origem dos pacientes tuberculosos. Também são levantados fatores socioeconômicos, como idade, renda e hábitos de consumo, além de outros fatores de risco associados à infecção, o que permite um melhor mapeamento da doença na região. Os dados de 2023 já foram coletados, e o novo documento já está em confecção.
Além das ações do Lepac e do HUM, a UEM oferta cursos de graduação e programas de pós-graduação nas áreas de Biociências, Biotecnologia, Ciências Farmacêuticas, Enfermagem e Medicina, que promovem a formação de profissionais com alta qualificação para atuarem no combate à tuberculose e outras doenças infecciosas.
Os estudantes e docentes da Universidade, incluindo os colaboradores do Lepac e do HUM, realizam, com frequência, ações de conscientização à população sobre a tuberculose. Já foram promovidas iniciativas em locais como a Feira do Produtor, o Parque do Ingá e a Exposição Feira Agropecuária, Industrial e Comercial de Maringá (Expoingá).
Colaboradores da UEM também participaram de atualizações técnicas para profissionais de saúde em municípios da 15ª Regional de Saúde do Paraná, com o objetivo de orientá-los sobre a prevenção e o correto tratamento da tuberculose.
No âmbito da pesquisa, professores e alunos de pós-graduação desenvolvem diversos projetos com foco em prevenção, diagnóstico e tratamento da doença.
Muitas das ações contam com apoio financeiro de agências de fomento à pesquisa, como a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Fundação Araucária (FA). “São estudos de novas substâncias que apresentem atividade contra a bactéria causadora da tuberculose e que, no futuro, possam ser utilizados como novo medicamento, bem como no desenvolvimento de métodos de diagnóstico mais rápidos e de menor custo”, enfatizou a professora do DAB Katiany Rizzieri Caleffi Ferracioli.
A escolha da data para o Dia Mundial de Combate à Tuberculose é emblemática. Há exatos 142 anos, também em um 24 de março, o médico alemão Robert Koch anunciava a descoberta da bactéria causadora da doença, batizada em sua homenagem.
Mais de um século depois, o bacilo de Koch, de nome científico Mycobacterium tuberculosis, ainda intriga e preocupa médicos e pesquisadores por todo o mundo. De acordo com o Relatório Global sobre Tuberculose, da Organização Mundial da Saúde (OMS), publicado em 2023, quase 10,6 milhões de pessoas tiveram tuberculose no ano de 2022. Dessas, 1,3 milhão morreram devido à doença.
O Brasil, infelizmente, tem participação importante nessas estatísticas. Além de responder por um terço dos casos de tuberculose das Américas, o país faz parte de um grupo de 30 nações que, juntas, somam quase 87% do total de casos da doença no mundo. Em 2022, foram mais de 81 mil novos casos e 5.845 óbitos por tuberculose em território brasileiro.
Localmente, o Paraná tem taxa de incidência da doença menor que a média brasileira – 19,3 casos a cada 100 mil habitantes, contra 37 do país inteiro. Ainda assim, algumas regiões do estado apresentam média similar ou superior à taxa nacional.
O principal sintoma da doença é a tosse persistente com secreção. “Toda pessoa com tosse com secreção há mais de 3 semanas deve ser investigada para a tuberculose”, frisou a doutora Maria Emília Avelar Machado. Outros indícios da infecção são febre baixa, principalmente ao entardecer, suor noturno, perda de peso e fadiga. Em alguns casos, os pacientes também podem apresentar dor no tórax, escarros com sangue e falta de ar.
Conforme a médica, a tuberculose é transmitida por vias respiratórias por meio de pequenas partículas, os aerossóis, que se espalham no ar ou se depositam no ambiente. Tosse, fala e espirros de infectados podem contaminar pessoas próximas, o que faz com a doença seja considerada altamente contagiosa.
Mesmo assim, há formas de vencê-la. Além da vacinação em massa, do diagnóstico precoce e do tratamento adequado, a diminuição dos fatores de risco, como o vírus HIV, também pode ajudar na redução da letalidade da doença. “Ainda hoje, a tuberculose é a principal causa de óbito entre as pessoas com infecção pelo vírus HIV, segundo a OMS. Também é importante fortalecer as campanhas de redução do tabagismo, pois existe uma forte associação entre o tabagismo e a tuberculose”, exemplificou.
O Hospital Universitário Regional de Maringá está localizado na Avenida Mandacaru, 1590, no Parque das Laranjeiras, em Maringá, com funcionamento 24 horas por dia. É possível contatar o HUM pelo telefone (44) 3011-9100.
O Lepac pode ser encontrado no Bloco K-10 do câmpus sede da UEM, com atendimentos de segunda a sexta-feira, entre 7h20 e 11h30 e 13h e 17h. O telefone do laboratório é o (44) 3011-4317.
Legenda da foto de abertura: Farmacêutica Thaila Fernanda Oliveira da Silva, do Lepac/UEM, realiza exame de tuberculose no laboratório.
Crédito das imagens: Regiane Bertin de Lima Scodro/Lepac/UEM.
A Clínica Escola de Fisioterapia e o Centro de Reabilitação Física (CRF) da Universidade Estadual do Oeste (Unioeste) realizam em torno de 400 atendimentos ao mês na área pediátrica, de crianças de 0 a 12 anos, em Cascavel. Os pacientes são encaminhados pela UTI Neo Natal do Hospital Universitário do Oeste do Paraná (HUOP) e pelas Unidades Básicas de Saúde (UBS), via Sistema único de Saúde (SUS).
O atendimento é feito conforme a necessidade das crianças, por meio de uma abordagem multidisciplinar. Entre as ações estão avaliação motora de prematuros, monitoramento da escala motora infantil e do perfil sensorial infantil, orientação aos pais e cuidadores e encaminhamento para especialidades clínicas, conforme necessidade.
A docente e fisioterapeuta Carmen Lucia Rondon Soares explica que a equipe realiza, principalmente, um atendimento de estimulação neuropsicomotor, necessário ao desenvolvimento da criança. No que diz respeito aos bebês prematuros, a profissional ressalta a importância desse trabalho em conjunto com o HUOP para dar todas as condições de desenvolvimento aos novos cascavelenses e pequenos de outras cidades da região.
Os espaços também fornecem meios auxiliares de locomoção (cadeiras de rodas, muletas, andadores, cadeiras motorizadas e próteses baixa e média complexidade) e órteses.
A equipe é formada pelas docentes Carmen Lucia Rondon Soares, Helenara Salvati Moreira, Marilu Mattéi Martins, Maria Goreti Bertold e pelos acadêmicos do curso de Fisioterapia da Unioeste, bem como profissionais da área de fonoaudiologia, enfermagem e ortopedia.
A vendedora Jéssica de Araújo, 26 anos, disse que o atendimento da filha Eloá, que nasceu com apenas 26 semanas de gestação e ficou meses na UTI Neonatal do HUOP, foi essencial para a sua sobrevivência. “Eu venho duas vezes por semana. Se não fosse o atendimento do HUOP e da Fisioterapia, ela não teria sobrevivido”, afirma.
O curso de Fisioterapia existe desde 2001 e a clínica desde 2010. Ela permite aos alunos colocar o ensino em prática e atender a comunidade. O Centro de Reabilitação Física abrange basicamente todas as áreas da Fisioterapia, como ortopedia, neurologia, pediatria, geriatria, cardiologia e pneumologia. A estrutura conta com várias salas de atendimento das diversas áreas divididas em dois andares, salas de aula, laboratórios e uma piscina para o atendimento da hidroterapia.
Moradores de Ponta Grossa poderão ligar para tirar dúvidas sobre sintomas e obter encaminhamento para unidades de saúde da cidade. O atendimento será de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, pelo número (42) 2102-8000.
A Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) iniciou nesta segunda-feira (18) atendimentos em call center para toda a população de Ponta Grossa sobre a dengue. Moradores poderão ligar para tirar dúvidas sobre sintomas e obter encaminhamento para unidades de saúde da cidade. O atendimento será de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, pelo número (42) 2102-8000.
O trabalho acontece em parceria com a Fundação Municipal de Saúde (FMS), com atuação de residentes em Saúde Coletiva, que serão coordenados pelos professores do Departamento de Saúde Pública da UEPG.
“Na última semana, recebemos o contato da FMS, com o pedido para reativarmos nosso serviço de telemedicina nos moldes que houve no enfrentamento à Covid-19, com residentes da Prefeitura. Atendemos ao pedido prontamente e investimos em uma linha telefônica para atender à demanda que já está em pleno funcionamento”, destaca o vice-reitor da UEPG, Ivo Mottin Demiate.
Os atendimentos ocorrem com profissional de enfermagem, que atua juntamente com os residentes, com apoio da infraestrutura da instituição. “Esta ação é extremamente importante no momento atual do município o do estado como um todo. Vivemos um momento agudo de dengue, então é essencial que a universidade esteja à disposição para tentar ajudar na solução desses problemas”, complementou.
O chefe do Departamento, Erildo Vicente Müller, destaca que o call center é uma estratégia importante para passar informações à população. O planejamento é que a iniciativa seja mantida de forma permanente a partir de agora, para atender demais demandas de saúde, como a Influenza. “Passamos o encaminhamento o mais rápido possível para os locais onde eles possam ser atendidos em caso suspeito de dengue”, afirmou.
Ponta Grossa registrou no atual período epidemiológico 160 casos. Outros 357 foram descartados.
Até que ponto a confiança em governos modera o medo da Covid-19 e a empatia da população? É o que o artigo publicado no periódico Communications Psychology, do grupo Nature, busca responder. Entre os 34 países investigados, o Brasil desponta como o que tem mais empatia pelo próximo. Em paralelo, a população é uma das que mais sentiu medo da Covid-19 e com menos confiança no governo à época da pandemia. A pesquisa brasileira foi conduzida pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), em parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR).
O brasileiro é o povo mais empático das pessoas analisadas. O artigo revela uma pontuação de 6,00, superior a países como Portugal, México e Chipre. Quando o assunto era medo da Covid-19, o Brasil atingiu 2,97 pontos, número atrás apenas do Vietnã (3,04) e Filipinas (3,31). A pesquisa com brasileiros ficou por conta da UEPG, por meio da professora Milene Zanoni, do Departamento de Saúde Pública e chefe do Ambulatório de Saúde Integrativa; com coordenação dos pesquisadores do projeto ‘Abordagens transculturais e multidimensionais do impacto da Covid-19 – Brasil’, da UFPR.
Para Milene, há diversas razões que podem ter causado medo e desconfiança da população. Uma delas foi a falta de transparência, comunicação inconsistente e desinformação por parte do Governo Federal. “Outro ponto crucial foi a gestão inadequada da crise sociossanitária na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, como a ausência de políticas públicas consistentes para o enfrentamento da Covid-19, o número catastrófico de casos e mortes, atrasos nas respostas do poder público e falta de recursos adequados”, explica.
Os pesquisadores cruzaram dados coletados em 2021 e procuraram esclarecer as razões pelas quais as pessoas cumprem (ou não) atividades cooperativas em grande escala. O estudo investiga os motivos implícitos ao apoio aos comportamentos preventivos da Covid-19, numa amostra de 12.758 pessoas. “Para muitas pessoas, a perda de entes queridos, o próprio adoecimento ou o impacto econômico da pandemia, aumentou o medo e a desconfiança em relação à capacidade do governo de proteger a população”, aponta a professora, que ressalta a polarização política e as disputas partidárias em torno das medidas de combate à pandemia. “Isso pode ter levado a uma percepção de que o governo estava mais preocupado com interesses políticos do que com a saúde e segurança da população”.
O artigo menciona que, quando há pouca confiança no governo, os indivíduos duvidam se o cumprimento individual das medidas de saúde pública produzem algum benefício. O estudo mostra que o Brasil teve 1,62 pontos de confiança no governo (entre 1 a 5 pontos), índice considerado baixo. Dos mais de trinta países pesquisados, os brasileiros só não desconfiaram mais do que México (1,59), Polônia (1,57) e Honduras (1,52).
É difícil prever com certeza como os níveis de desconfiança e medo mudaram agora que a pandemia acabou, conforme explica Milene. “Mas é possível pensarmos na hipótese de que possam ter diminuído à medida que a situação de saúde pública melhorou e as restrições relacionadas à pandemia estão mais relaxadas”. A professora levanta a possibilidade de que, com a disseminação controlada do vírus, o avanço da vacinação e as restrições suspensas, é provável que o medo direto da Covid-19 tenha diminuído. “É importante destacar que níveis de desconfiança e medo podem persistir mesmo após o fim da pandemia, especialmente em casos em contextos socioambientais e econômicos vulneráveis, relacionado a pobreza, fome e condições indignas”.
Campeão de empatia
Apesar dos sentimentos mais ao lado negativo, o brasileiro é empático em níveis maiores do que os outros 33 países analisados. “A resiliência individual e comunitária é estimulada em tempos de crise e adversidade, o que é algo intrínseco em todas as pessoas”, acrescenta a docente. Evolutivamente, comunidades mais empáticas e com maior apoio mútuo sempre foram as que sobreviverem, resistiram e seguiram em frente, conforme explica Milene. “Isso é o que nos compõe como civilização. A pandemia levou as pessoas, em especial mulheres, pobres, favelados, negras, indígenas, PCDs, LGBTQIAPN+ e pessoas idosas ao extremo. A iminência da morte e da crise emana algo muito profundo e intenso no ser humano em favor da vida”, completa.
O artigo completo pode ser visto na íntegra aqui.
Texto: Jéssica Natal | Fotos: Luciane Navarro
O projeto utiliza uma combinação avançada de tecnologia embarcada nos drones e inteligência artificial para mapear áreas de risco e identificar potenciais focos de proliferação do mosquito
Desde novembro de 2021, os municípios de Andirá, Bandeirantes, Santa Mariana e Itambaracá ganharam apoio estratégico no combate à dengue. Para prevenir surtos e reduzir a incidência da doença no Norte Pioneiro, o projeto de extensão “Estratégias para prevenção e combate à dengue com uso de Drones”, da Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP), tem utilizado a combinação de tecnologias de drones e de inteligência artificial que conseguem identificar e mapear os locais que são focos do mosquito nessa região.
Vinculado ao Programa Universidade Sem Fronteiras, o projeto é uma iniciativa do Núcleo de Investigação em Tecnologia e Aplicação e Máquinas Agrícolas (NITEC) da UENP e tem apoio dos municípios, da Unidade Gestora do Paraná (UGT), da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (SETI) e do Governo do Estado do Paraná.
O coordenador do projeto, Rone Batista de Oliveira, destaca que, além de fornecer informações precisas e em tempo real sobre as áreas de reprodução do Aedes aegypti que são menos acessíveis aos agentes de endemias, o projeto possibilita identificação e mapeamento desses locais de forma rápida e eficiente. “O projeto permite que medidas de controle e prevenção sejam implementadas de maneira localizada e estratégica antes que ocorram surtos significativos da doença nesses municípios”, explica o professor.
Para Rone, a iniciativa alcança uma ampla gama de públicos. “Alcançamos desde autoridades da saúde pública, gestores municipais, agentes de controle de endemias e, principalmente, a população local. Isso por meio de informações atualizadas sobre áreas de risco, facilitando ações de combate à proliferação do mosquito”, afirma.
Bolsista desde o início do projeto, Jader Barros, que cursa Ciências Biológicas no Campus Luiz Meneghel da UENP, em Bandeirantes, destaca que os municípios são beneficiados com o uso dessa nova tecnologia de diversas maneiras. “Essa ferramenta fornece uma perspectiva de visão que normalmente o agente de endemias não teria em uma vistoria convencional. O drone tem a capacidade de maximizar o monitoramento. A quantidade de residências que a tecnologia pode vistoriar durante os voos é bem maior que as feitas pelo agente em solo”, observa.
O estudante Matheus Castanho de Lima Silva, do curso de Agronomia da UENP, conta que, com essa iniciativa, já é possível minimizar os casos de dengue na região. “O projeto ajudará os agentes de endemias no trabalho deles em vistoriar locais de difícil acesso. Está sendo uma experiência muito positiva”, acentua.
O chefe da Divisão de Vigilância Sanitária de Bandeirantes, Reinaldo Marqui, afirma que as novas tecnologias chegaram para somar e ampliar o campo de atuação dos agentes de endemias. “No momento, o município tem 133 casos confirmados de dengue por exame laboratorial. No entanto, Bandeirantes se encontra em estado de epidemia de dengue. Temos 312 notificações, sendo 122 aguardando resultado de exame. Ao todo seis casos estão com sinais de alarme, com risco de agravamento”, alerta.
De acordo com Reinaldo, apesar desse cenário, o projeto “Estratégias para prevenção e combate à dengue com uso de Drones” da UENP, contribui com a força tarefa organizada pelo município contra a proliferação do mosquito. “Os agentes de endemias já passaram por dois treinamentos sobre drones, com a finalidade de aplicação em saúde pública. Além disso, já estamos em processo de aquisição de um novo equipamento para o município”, observa. “O combate ao Aedes Aegypti precisa ser permanente e o apoio da população e de instituições como a UENP é fundamental para evitar a disseminação da doença”, acrescenta.
Segundo o professor que orienta os bolsistas do projeto, Éderson Marcos Sgarbi, as ações são muito eficazes e a equipe já colhe resultados em dois anos de atuação. “Com o projeto, podemos reduzir os gastos públicos e superlotações nos prontos atendimentos, além de atingir áreas não vistoriadas e promover a proteção à saúde e o bem-estar de todos os cidadãos que residem nas áreas monitoradas”, enfatiza.
“Este projeto está transformando a maneira de identificar, de gerenciar e de intervir nos possíveis focos do mosquito Aedes aegypti. É uma inovação de uma equipe multidisciplinar que soma nas ações já conhecidas pela comunidade, no processo de prevenção e de conscientização da importância de medidas simples, como identificação e eliminação de focos do vetor do vírus”, completa Sgarbi.
Na segunda etapa do projeto, a equipe está desenvolvendo uma plataforma digital para que os municípios envolvidos participem da criação de um banco de dados com informações coletadas pelos agentes de endemias com processamento, análise e interpretação dos dados, atividades que serão realizadas pela equipe multidisciplinar. Outras ações do projeto incluem a conscientização nas escolas por meio de palestras, de aplicações de tecnologias na área da saúde e treinamentos teóricos e práticos com as equipes de agentes de endemias dos municípios-alvo.
Como funciona?
O projeto utiliza uma combinação avançada de tecnologia embarcada nos drones e inteligência artificial para mapear áreas de risco e identificar potenciais focos de proliferação do mosquito. Os drones executam voos automáticos em áreas dos municípios-alvo, (Bandeirantes, Santa Mariana, Itambaracá e Andirá), capturando imagens de alta resolução dos ambientes urbanos.
Essas imagens são processadas por algoritmos de inteligência artificial treinados, que são capazes de identificar potenciais criadouros do mosquito, como caixas d’água, piscinas ou outros tipos de reservatórios de acúmulos de água.
Aparelho desenvolvido por uma parceria entre físicos e bioquímicos é mais um passo no domínio da tecnologia para testes clínicos seguros e baratos
A pandemia de Covid-19 pegou o mundo de surpresa, a doença se espalhava rapidamente enquanto autoridades e cientistas buscavam meios de combater o vírus. No Brasil, até o fechamento dessa reportagem, a doença causou, segundo números oficiais, mais de 700 mil óbitos. Apesar do cenário ter mudado com a vacinação, o período de emergência mobilizou pesquisadores para o desenvolvimento de novas ferramentas para combater o vírus, dentre elas os modos de testagem foram essenciais.
O que são biossensores?
Os biossensores podem ser entendidos como um sistema de três elementos: um biorreceptor— que pode ser um antígeno, um anticorpo, uma enzima e DNA/RNA, por exemplo —, um transdutor que converte um sinal bioquímico em um sinal mensurável e uma unidade de processamento de sinal. Quando o material de análise interage com o biorreceptor, um sinal é gerado, podendo ser representado de diferentes formas. Um dos exemplos mais famosos se trata do sensor de glicose oxidase, desenvolvido em 1962 pelos pesquisadores Clark e Lyons, que conseguia detectar a presença de glicose no sangue. Desde então, a utilização de biossensores se expandiu, sendo utilizados desde pequenas detecções de moléculas em explosivos, pesticidas e herbicidas, até a quantificação de materiais de análise médica, como pequenas proteínas, vírus e patógenos bacterianos.
Na UFPR dois grupos de cientistas se uniram na busca por um meio de testagem mais eficaz e barato, o que resultou na criação de um biossensor ótico capaz de identificar se a pessoa está infectada com o vírus. O aparelho foi desenvolvido em parceria entre o Grupo de Pesquisa de Dispositivos Nanoestruturados (DiNE), do Departamento de Física, e o Núcleo de Fixação Biológica de Nitrogênio (NFN), do Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular, sendo capaz de identificar pequenas quantidades de anticorpos mostrando alta sensibilidade e reduzido risco de falsos-negativos.
O aparelho experimental detecta apenas o anticorpo, o que impede seu uso depois da vacinação em massa, mas já está sendo adaptado para detectar o vírus diretamente. Segundo o professor Emanuel Maltempi, um dos pesquisadores que atua na patente, o biossensor poderia ter sido uma vantagem para testagens mais práticas e rápidas para detectar o vírus da Covid-19 durante a pandemia. “Seria uma técnica muito barata que poderia ser usada até no consultório do médico com uma gota de sangue do dedo”, afirma.
O biossensor é formado camada à camada e tem como base o polímero semicondutor F8T2, quando este tipo de material é submetido a uma fonte de luz, ele emite um padrão também luminoso conhecido pelos cientistas, uma característica chamada fotoluminiscência. A segunda camada é formada por um biorreceptor, no caso um antígeno que é parte da proteína que forma o spike, ou espinho, que o vírus causador da Covid-19 utiliza para se ligar à celula e introduzir nela seu material genético, chamada de Domínio de Ligação de Receptores (RBD na sigla em inglês). Recebe ainda uma camada de um bloqueador de superfície, chamado BSA, e, por fim, como uma última camada, recebe o material colhido do paciente para a realização do teste.

Quando infectado, o corpo humano produz um anticorpo que se liga ao RBD do vírus para inativar essa proteína e impedir que o vírus entre em nossas células. É este processo que será reproduzido na superfície do biossensor quando é feito o exame com o material coletado de um paciente com covid-19.
A pesquisadora Maiara de Jesus Bassi, que participou do desenvolvimento do aparelho, explica que quando acontece a ligação desse anticorpo ao RBD presente no sensor ocorre uma mudança detectável no padrão luminoso emitido pelo polímero F8T2, indicando que o paciente possui os anticorpos e portanto está infectado com o vírus. O papel do BSA é garantir que apenas esse tipo de ligação ocorra. A pesquisadora explica que a detecção ocorre por meio de um aparelho de alta precisão no laboratório, mas que no caso da fabricação de testes em massa este seria um equipamento portátil.
“O espectro de fotoluminescência do F8T2 é único e muito característico. Quando colocamos todas essas camadas em cima do F8T2 o espectro é alterado. Isso significou, depois de muitos estudos, que essa alteração era devido a ligação RBD/Anti-RBD. Ou seja, quando detectamos essa ligação significa que estamos conseguindo detectar soros humanos que tinham ou não anticorpos da covid-19”, resume a pesquisadora.
A eficácia do biossensor foi testada com o acervo de soros humanos do NFN e foi possível identificar com segurança quais continham ou não anticorpos contra o vírus da Covid-19. Para Bassi, “essa tecnologia surgiu como um princípio alternativo de detecção poderosa e versátil, com o potencial para superar muitas das limitações dos métodos tradicionais, principalmente devido à velocidade de análise e simplicidade de operação”.

Uma das principais vantagens da inovação é a simplicidade do processo de produção que consiste basicamente na deposição das camadas dos materiais em um substrato. Para a produção em massa esse processo pode acontecer com a utilização de uma impressora, produzindo rapidamente uma grande quantidade de testes. Além disso, o produto final poderia ser pequeno, utilizando pouca matéria-prima e gerando poucos resíduos.
A produção das matérias-primas também já é dominada. A pesquisadora Maritza Araújo Todo Bom, do NFN, explica que para produzir o RBD em grande quantidade é extraída a parte específica do DNA do vírus que produz essa proteína. Esse material é inserido em um plasmídeo, molécula circular de DNA que consegue se replicar de forma independente dentro de micro-organismos.
Os pesquisadores então inoculam bactérias com esses plasmídeos, que passam a se reproduzir junto com elas, gerando uma grande quantidade de RBD. Depois as bactérias são rompidas e o material coletado para a utilização no biossensor.
Os pesquisadores explicam que o sucesso do novo dispositivo abre caminho para que ele seja adaptado para detecção de outras infecções. Segundo Roman, “o biossensor apresentou alta sensibilidade, boa estabilidade e curto tempo de resposta, proporcionando uma perspectiva de sua aplicação para a detecção de outras doenças infecciosas causadas por uma ampla gama de vírus”. Outros projetos similares que utilizam a mesma tecnologia estão sendo desenvolvidos com foco, além das doenças virais, em doenças bacterianas e outros tipos de anticorpos.
A pesquisa também destacou o potencial de descobertas que podem surgir da interdisciplinaridade entre a área da física e da saúde “Ela nos permitiu ter uma visão mais ampla da ciência para muito além da nossa especialidade. Além disso, este trabalho chegou à sua excelência por causa da dedicação de ambas as partes em entender o outro lado e desenvolver juntos algo inovador”, ressalta Bassi.
Pesquisadores do Laboratório de Física Nuclear Aplicada, do Centro de Ciências Exatas da UEL (CCE), desenvolveram uma metodologia inédita, que vai amparar estudos sobre as estruturas morfológicas do mosquito Aedes aegypti, transmissor do vírus da dengue, Chikungunya e Zika. A metodologia usada, microtomografia computadorizada por Raio-X (micro-CT), gera imagens tridimensionais de alta resolução e permite obter definições dos órgãos internos do mosquito, abrindo possibilidades de estudos detalhados na área da Entomologia médica. O estudo foi publicado recentemente na Revista “Micron”, uma das principais na área de Microscopia e análise de imagens.
O novo método representa a pesquisa do estudante de doutorado do Programa de Pós-graduação em Física da UEL, Mateus Gruener Lima, orientado pelo professor Eduardo Inocente Jussiani, ambos do Laboratório de Física Nuclear Aplicada. Também participaram do estudo os pesquisadores Avacir Casanova Andrello (Departamento de Física), João Antonio Cyrino Zequi e Edson Kenji Kawabata, do Laboratório de Entomologia Geral e Médica, do Centro de Ciências Biológicas da UEL (CCB).
A microtomografia computadorizada por Raios-X para avaliação do mosquito Aedes aegypti utiliza imagens tridimensionais na escala micro, e garante uma excelente definição para avaliação das estruturas de insetos. Os pesquisadores testaram a metodologia no Aedes aegypti, mas há a possibilidade de aprimoramento para estudos em outras espécies de insetos. Para isso seria necessário realizar ajustes na marcação e na concentração de iodo, o líquido utilizado para contraste.
Aedes aegypti mosquito by X-ray micro-CT
O professor Eduardo Inocente explica que a pesquisa conseguiu definir adequadamente a concentração do iodo e o tempo de uso da substância para a obtenção da melhor imagem. Essa marcação foi fundamental para permitir visualizar as estruturas internas com precisão. Os resultados indicaram que um período de marcação de aproximadamente 24 horas é o mais adequado para o estudo do Aedes aegypti em sua fase adulta. Além disso, a micro-CT revelou ser uma técnica promissora para a análise de estruturas individuais desse mosquito, incluindo órgãos do sistema digestivo e reprodutivo.
“Dessa forma conseguimos desmontar o mosquito”, compara ele. O doutorando autor do estudo produziu uma animação onde é possível observar a imagem “dissecada” do Aedes. Ao observar as imagens em movimento, nota-se os detalhes da estrutura, uma possibilidade possível somente a partir da dissecação do inseto, utilizando microscópios sensíveis, em laboratório.
Repercussão
O professor João Zequi confirma o ineditismo da metodologia e acrescenta que as imagens obtidas com o método possibilitam observar com precisão o volume e a morfologia, o que só era possível a partir de uso de microscopia eletrônica de transmissão ou por meio de varreduras, uma técnica mais cara e que acaba destruindo a amostra. O professor lembra que o início da pesquisa ocorreu em 2014 quando ele visitou o Laboratório de Física Nuclear Aplicada. Na época, os pesquisadores utilizavam a técnica de microtomografia para análise de diferentes materiais, entre eles, a avaliação de rochas em estudos relacionados à Geologia.

Imagens mostram que o sangue artificial foi eficaz para o desenvolvimento dos ovos, dando continuidade ao ciclo de vida do mosquito. Utilizando a micro-CT foi possível constatar que a fêmea alimentada com sangue artificial tinha o ovário sete vezes maior do que a alimentada normalmente.
Foi quando os pesquisadores vislumbraram a possibilidade de utilização do equipamento para a observação das estruturas do mosquito Aedes. Ocorreu aí o início da parceria que acabou originando o estudo do doutorando Mateus Gruener, ainda durante a sua graduação, no curso de Física da UEL. O grande desafio foi definir o contraste, bem como sua concentração e o tempo de marcação. Com a nova metodologia desenvolvida, outros pesquisadores que atuam na área de Entomologia Geral e Médica já utilizam as imagens dissecadas para estudos envolvendo o Aedes. Caso da mestranda Letícia Bernadete da Silva, do Programa de Pós-Graduação em Ciências Biológicas da UEL.

A nova metodologia de micro-CT possibilita observar detalhes, por permitir a criação de imagens tridimensionais. Pesquisadores têm agora uma ferramenta eficaz e de baixo custo.
Ela estuda a otimização de um sangue artificial, tendo como base cloretos, gema e clara de ovos. O objetivo do estudo é propor uma alternativa para a criação de Aedes em laboratório, diminuindo ou substituindo a utilização de animais em experimentos. Segundo Letícia, o sangue artificial tem custo mais baixo se comparado com o sangue animal, de carneiro que é comercializado. Em virtude disso, o produto tem potencial de utilização em empresas e instituições de pesquisa, reduzindo assim uso de animais para repasto sanguíneo.
Ela usa a tecnologia de micro-CT para observar o ovário de fêmeas alimentadas com sangue artificial. As imagens comprovaram que o sangue artificial foi eficaz para o desenvolvimento e para a maturação dos ovos e a reposição e, consequentemente, dando continuidade ao ciclo de vida do mosquito. A pesquisadora explica que, utilizando a micro-CT como ferramenta, foi possível constatar que a fêmea alimentada com sangue artificial tinha o ovário sete vezes maior do que a alimentada normalmente. Não fosse por essa nova técnica, ela teria de utilizar a microscopia de varredura, técnica utilizada em laboratório para observação de estruturas pequenas, porém ela explica que a micro-CT possibilita observar mais detalhes, por permitir a criação de imagens tridimensionais.
O enfrentamento aos crimes de bullying e cyberbullying vem se mostrando mais um grande desafio na rotina de educadores e profissionais que atuam com a promoção do bem-estar psicológico nos contextos escolar e universitário. O cenário se tornou ainda mais complicado desde que ferramentas de geração de imagens e vídeos falsos – deep fakes – se popularizaram. Para tentar inibir agressores, foi sancionada, no início desta semana, a lei que inclui os delitos no Código Penal e os transforma em crimes previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), como sequestro e indução à automutilação, em crimes hediondos.
Em meio a um roteiro perverso e cujo desfecho pode ser trágico para as vítimas, a identificação dos papéis desempenhados por cada personagem da vida real nestes casos, assim como a criação de uma escala de avaliação psicométrica do fenômeno do cyberbullying, são estratégias que almejam reduzir os efeitos negativos, criando maior grau de consciência sobre o tema em toda a comunidade. É o que defende um estudo que vem sendo elaborado há dois anos pela docente do Departamento de Psicologia e Psicanálise da Universidade Estadual de Londrina (UEL – CCB), Katya Luciane de Oliveira. A pesquisa já ouviu cerca de 2,5 mil estudantes universitários de Instituições de Ensino Superior (IES) públicas e do Ensino Médio dos estados do Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Bahia.
Os participantes são estudantes de cursos de graduação de todas as áreas do conhecimento que tinham entre 18 e 23 anos em 2021, quando da coleta dos dados. Eles foram ouvidos por meio de formulários online e também pessoalmente quanto a uma série de itens embasados na literatura científica internacional. O objetivo foi desenvolver uma escala de cyberbullying adaptada à língua portuguesa e à realidade brasileira. Por isso, o projeto contou com o trabalho de linguísticas para a validação sintática e semântica da estrutura das frases contidas.
“Construímos os itens baseados na literatura científica, que geralmente é norte-americana, inglesa e chinesa – os chineses têm produzido sobre isso também. Então criamos itens, perguntas na escala, e avaliamos com juízes e profissionais que têm expertise na área. O instrumento é capaz de aferir os perfis que encontramos neste fenômeno: a vítima, agressor e os observadores”, explica Katya, coordenadora do trabalho.
Intitulado “Propriedades Psicométricas de uma Escala de Cyberbullying”, o estudo identificou que cerca de 50% dos participantes já estiveram em algum momento no papel de vítimas de ataques virtuais. Por se tratar de um fenômeno que geralmente ocorre na esfera pública, presencial ou virtualmente, resta a quem não se identificou como agressor ou vítima apenas o papel de observador, destaca a professora.
Estudo vai além das questões envolvendo vítima e agressor/es: observadores e pessoas “passivas” também entram na conta (Freepik).
Neste grupo de observadores, ou espectadores dos casos de violência cibernética, três comportamentos recorrentes foram apontados. Os espectadores que relataram apenas terem visualizado conteúdos ofensivos são os chamados observadores passivos. Há, também, os que perpetuam as mensagens ou imagens, “tirando sarro e fazendo comentários ruins”, exemplifica Katya. Estes são os chamados observadores ativos. “E há um observador ativo que age de forma positiva, aquele que tenta romper com o ciclo de violência avisando a vítima ou denunciando à comunidade”, completa.
Outro perfil descrito pela professora é o perfil “retaliador”, papel desempenhado por pessoas que geralmente foram vítimas de bullying fora do contexto virtual e que, mais tarde, viram-se motivadas a cometer o ato, que, desde o início desta semana, foi tipificado como um crime ainda mais grave, após sanção do presidente Lula à Lei 14.811/2024.
Estudando o fenômeno há mais de cinco anos, a professora avalia que o endurecimento das penas representa avanços em direção à criminalização dos agressores. No entanto, a complexidade do fenômeno exige ações também em outras frentes.
“A escala consegue fazer esse mapeamento. É importante podermos identificar quem é a vítima, mas, também, quem é o agressor. Não somente pelo sentido punitivo, mas pelo princípio restaurador, do que é a urbanidade e civilidade. Atacar o outro na sua existência, falando sobre seu corpo, sexualidade, habilidades, rebaixando, é inaceitável. É importante a identificação também para que as instituições de ensino possam fazer um trabalho de orientação”, ressalta a professora de psicologia.
É buscando reforçar o papel da Universidade Estadual de Londrina como vetor do desenvolvimento social que diversas oficinas e atividades formativas já foram promovidas junto a escolas da rede estadual do Paraná, contando com a presença da professora Katya. Para ela, “é desmascarando esse cenário violento que conseguiremos capilarizar a saúde mental dos estudantes”, diz.
No Departamento de Psicologia e Psicanálise da UEL, o olhar sobre o fenômeno é incentivado desde o início da pesquisa, na Iniciação Científica (IC) no curso de Psicologia. Somente em 2023, por exemplo, a professora orientou três graduandos interessados em produzir artigos sobre cyberbullying e sua relação com o uso e o abuso de substâncias psicoativas, além da relação com o desempenho acadêmico na universidade e no ensino médio. Os três temas foram objeto de pesquisa dos graduandos Maria Julia Boletti, Suellen Ferreira de Assis e João Victor Candido, respectivamente.
Na pós-graduação, o cyberbullying é tema recorrente também no Programa de Pós-graduação em Educação (PPEdu). Um exemplo interessante, ressalta a docente, é a dissertação de mestrado defendida no ano passado “Cyberbullying direcionado ao Público Feminino em Jogos Competitivos”, de Carolina Tiemi Ytiyama. Contando com uma bolsa de mestrado do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Ytiyama se dedicou a analisar ataques sofridos por jogadoras que eram destaque em “palcos” digitais com o “Valorant“, jogo competitivo de tiro tático desenvolvido pela empresa Riot Games.
Nestes casos, destaca a professora, deixa-se de lado pelos agressores os aspectos relacionados ao jogo ou às habilidades das competidoras, entrando em cena falas de cunho sexista e misógino.
“Quer dizer, está tão naturalizado que muitas pessoas acham normal, que é algo banal. E não é. Você não pode atacar o outro e achar que está tudo bem. As relações não podem ser construídas desta forma”, decreta Katya.
Na Educação, o tema foi abordado anteriormente, em 2019, pela pedagoga Andrea Carvalho Belluce, autora da tese de doutorado “Estudantes e as Tecnologias digitais: relações entre estratégias de aprendizagem, motivação e cyberbullyng“. Já, em 2022, a psicóloga Gabrielly Manesco da Silva Felipe defendeu dissertação de mestrado intitulada “Relações entre o cyberbullying, suporte familiar e a depressão no ensino fundamental II”. Ambas contaram com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a orientação da professora Katya Luciane de Oliveira.
Considerada uma das enfermidades mais antigas do mundo, a hanseníase é uma doença infectocontagiosa causada por uma bactéria chamada Mycobacterium leprae de evolução lenta. Em meio ao Janeiro Roxo, mês de prevenção e conscientização sobre a hanseníase, a Farmácia Escola da Universidade Estadual do Centro Oeste, Unicentro, tem desempenhado um papel vital na detecção e no monitoramento da hanseníase na região.
A hanseníase é fácil de diagnosticar, tratar e tem cura. O diagnóstico é feito pelo exame clínico realizado pelo médico e pelo exame laboratorial. Desde de 2022, o Laboratório de Análises Clínicas da Farmácia Escola da Unicentro (Farmesc) realiza exames de baciloscopia direta para pesquisa do bacilo de Hansen e firmou um contrato de parceria com a 5ª Regional de Saúde do Paraná.
Atualmente, a 5ª Regional de Saúde organiza as demandas dos pacientes oriundos dos 19 municípios da região e encaminha para a Unicentro. Os pacientes são atendidos na Farmesc, onde é feita a coleta da linfa e realizado todo o exame microbiológico.
“Essa parceria é muito proveitosa, a gente agradece todo esforço da 5ª Regional, eles organizam as vagas e o paciente das suas unidades é encaminhado aqui para o Laboratório de Análises Clínicas. A parceria tem funcionado muito bem e tem mostrado resultados muito interessantes. Em 2023, nós tivemos um acréscimo de serviço da ordem de quase 200% na demanda”, conta o coordenador da Farmesc, professor Marcos Auler.
Para o professor Marcos, o trabalho realizado pela Farmesc é fundamental para o diagnóstico e diminuição dos casos da doença, pois faltam locais especializados para a realização dos exames na região. “A gente está fazendo um trabalho de utilidade pública, porque é uma doença grave. O Brasil é o segundo país no mundo que mais tem casos de hanseníase e precisa fazer diagnóstico laboratorial, que é a nossa especialidade. Fornecer resultados com qualidade é de extrema importância, ajuda muito para diminuir o número de casos, esse é objetivo”, afirma.
Ensino, Pesquisa e Extensão
Todo o processo de atendimento, coleta e análise conta com a participação de acadêmicos de graduação e pós-graduação, unindo o ensino, a pesquisa e a extensão. Ao todo, dois professores e nove acadêmicos têm desempenhado um papel ativo nesse processo. “Dentro desse serviço, a gente tem projeto de extensão, tem projeto de pesquisa e tem atividades acadêmicas, que os alunos participam e aprendem, então eles têm a oportunidade de entrar em contato com o paciente, entrar em contato com a rotina, vivenciar o dia a dia de uma rotina laboratorial”, conta o professor Marcos Auler.
A acadêmica do mestrado em Nanociências e Biociências, Thaís Kremer, enfatiza a importância do trabalho no Laboratório de Análises Clínicas. “É de grande valia, o nosso conhecimento sempre vai ser mais aprimorado. O projeto de extensão para mim é muito valioso porque ele vai em um nível de conhecimento maior na área biomédica, ele está acrescentando bastante na minha profissão também”, afirma a biomédica.
Louise Kley, acadêmica do 3º ano de Farmácia, destaca o estímulo que atuar na Farmácia Escola dá na sua carreira acadêmica. “Na graduação a gente não vê essa parte de exames mais específicos e contato com o paciente. Acho muito importante (ter essa participação), porque dá mais vontade de estudar coisas diferentes, publicação de artigos, incentiva mais a gente estudar e ir atrás de coisas que na graduação a gente vê mais rápido”, conta.
Hanseníase – sintomas, tratamento e cura
O Brasil ocupa o segundo lugar entre os países com maior número de casos de hanseníase no mundo, atrás apenas da Índia. Apesar de antiga, a doença ainda persiste como um desafio global de saúde pública e possui um longo período de incubação, em média cinco anos, podendo chegar até 10 anos.
A manifestação clínica ocorre através de sinais e sintomas dermatoneurológicos, como lesões na pele e nos nervos periféricos, principalmente nos olhos, mãos e pés. Geralmente, o que chama atenção do paciente são manchas na pele com perda da sensibilidade ao calor, dor ou tato. Essas lesões podem estar localizadas em qualquer parte do corpo, porém, com maior frequência na face, orelhas, nádegas, braços, pernas e costas.
A hanseníase pode atingir pessoas de todas as idades, de ambos os sexos, no entanto, raramente ocorre em crianças. Com o não tratamento, a evolução da doença pode levar a incapacidade física inclusive com deformidades que podem impactar na diminuição da capacidade de trabalho, limitação da vida social e problemas psicológicos, devido ao estigma e preconceito contra a doença.
A transmissão da doença ocorre através dos bacilos presentes nas gotículas de saliva eliminadas por pessoas portadoras não tratadas e em fases avançadas da doença. Com o início do tratamento a transmissão é interrompida.

A nova patente é resultado dos estudos do mestrando Antonio Pires Leôncio Junior (centro), orientado pelos professores Márcio Roberto Covacic (direita) e Ruberlei Gaino (Fotos: André Ridão/Agência UEL).
Pesquisadores do Laboratório de Controle Avançado, Robótica e Engenharia Biomédica, do curso de Engenharia Elétrica, do Centro de Tecnologia e Urbanismo (CTU) da UEL, conseguiram um novo depósito de patente no Instituto Nacional de Propriedade Intectual (INPI) que representa a terceira de um modelo de cadeira de rodas elétrica indicada para pessoas paraplégicas com diferentes níveis de lesão. O depósito da patente foi realizado em agosto passado e inova por permitir que o cadeirante acione o veículo por meio de um laringofone, ou seja, utilizando ruídos emitidos pela garganta. Essa tecnologia inédita se soma ao modelo que traz, entre outras inovações, a implementação de um algoritmo que, por meio Inteligência Artificial (IA), oferece parâmetros de controle em diversas velocidades. Com isso o equipamento se mantém estável.
O projeto tem a parceria dos pesquisadores da UTFPR de Apucarana Willian Ricardo Bispo Murbak Nunes e Rodrigo da Ponte Caun. A universidade mantém convênio acadêmico com a UEL para o desenvolvimento de Automação e Controle.
Antonio explica que o acionamento ocorre por meio de qualquer vibração emitida pela garganta, possibilitando que um cadeirante com tetraplegia possa ter autonomia na cadeira de rodas. A tecnologia beneficia pessoas que não têm condições de conduzir o veículo por meio de sopro/sucção variável ou pelo sistema joystick, como são os modelos anteriores propostos pelos pesquisadores do Laboratório de Controle Avançado, Robótica e Engenharia Biomédica.
De acordo com o mestrando, que é professor do curso de Engenharia Elétrica no Centro Universitário Uningá, em Maringá, o equipamento desenvolvido pode codificar cinco tipos distintos de som para movimentos diferentes – avançar, retornar, direita, esquerda e parada. O reconhecimento do som emitido pela pessoa é único. De acordo com o professor Ruberlei, um dos orientadores, a voz pode ser comparada ao DNA. Cada indivíduo tem a sua.
Ainda segundo Antonio, outra vantagem do laringofone adaptado ao equipamento é que praticamente não há interferência de outros sons na captação. Dessa forma, o acionamento é seguro, com o equipamento obedecendo apenas ao comando de voz do cadeirante.
A cadeira de rodas elétrica indicada para pessoas paraplégicas com diferentes níveis de lesão chamou a atenção de várias autoridades que participaram, no mês passado, do Paraná Faz Ciência 2023, que reuniu pesquisadores, estudantes e convidados, no Campus da UEL. Na ocasião, o secretário de Ensino Superior, Ciência e Tecnologia, professor Aldo Bona, esteve no CTU, onde conheceu a tecnologia. O secretário estava acompanhado da reitora, Marta Favaro, e do vice-reitor, Airton Petris.

No ano passado, os pesquisadores conseguiram o registro de duas patentes, com motorização trifásica e Inteligência Artificial (IA). A primeira foi com motor trifásico por indução e corrente alternada, diferente dos modelos tradicionais existentes no mercado, que trazem motorização por corrente contínua. A segunda foi com tecnologia desenvolvida em IA, que permite o acionamento por sopro/sucção, com ar expirado ou inspirado, com algum esforço motor. O protótipo está sendo divulgado pelo Escritório de Propriedade Industrial da Agência de Inovação Tecnológica (Aintec) da UEL. A intenção é encontrar parceiros industriais que tenham interesse em produzir o modelo em escala.
Levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que mais de 8% da população brasileira têm algum tipo de deficiência. Quase metade dessa parcela (49,4%) é de idosos. Os dados são da Pesquisa Nacional de Saúde de 2019, feita pelo Ministério da Saúde (MS). Para se ter uma dimensão do contingente que necessita de assistência, na faixa etária acima de 60 anos, uma a cada quatro pessoas apresenta algum tipo de deficiência.
Encerra no dia 10 de janeiro o prazo para o envio de propostas para o chamamento público do Tecpar (Instituto de Tecnologia do Paraná) que seleciona parceiros interessados na transferência de tecnologia para a produção de fármacos à base de Cannabis com fins medicinais de uso humano. O edital está disponível AQUI, clicando no menu “Chamamento Público 001/2023”.
O Tecpar já tem acordo de cooperação firmado com três empresas do setor, que foram qualificadas no primeiro edital do segmento, lançado em 2022: a AuraPharma, VerdeMed e PucMed. Agora, o edital vigente visa selecionar novos parceiros para analisar junto ao mercado se houve atualizações tecnológicas no setor.
Atualmente, remédios à base de Cannabis para tratamento de doenças são oferecidos à população a partir da judicialização para obtenção de produtos importados, já que o Sistema Único de Saúde (SUS) ainda não disponibiliza o medicamento.
Como laboratório público oficial, o Tecpar é um centro de referência de tecnologias estratégicas para o SUS e acompanha de perto as evoluções do debate sobre o uso de medicamentos e produtos à base de Cannabis para fins medicinais de uso humano.
Com este edital, o Tecpar busca atualizar as tecnologias disponíveis para que o Instituto esteja preparado para atender essa demanda da sociedade, com medicamentos com menor custo e de qualidade, contribuindo para a sustentabilidade tecnológica do País.
ETAPAS – O edital contempla três frentes, que podem ocorrer de formas simultâneas. Uma delas é a transferência e internalização de tecnologia para fabricação e comercialização de produto à base de Cannabis de acordo com a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 327/2019 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Esta resolução orienta sobre a concessão da Autorização Sanitária para a fabricação e a importação de produtos de Cannabis para fins medicinais, e estabelece requisitos para a sua comercialização, prescrição, a dispensação, o monitoramento e fiscalização.
A outra frente visa a transferência e internalização de tecnologia para registro de produto à base de Cannabis na Anvisa em nome do Tecpar, com preferência para epilepsia na sua indicação terapêutica.
A terceira oportunidade está na atuação conjunta em projeto de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I), com detalhamento da concepção do projeto até as fases finais de produto e produção envolvendo o tema Cannabis para fins medicinais de uso humano.