Universidade será responsável pelo acompanhamento e pela formação dos médicos participantes do programa em 35 municípios do Oeste do Paraná
A Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA) foi selecionada, por meio de um edital do Ministério da Educação, para ser uma instituição de supervisão acadêmica na educação em saúde do Programa Mais Médicos. Com essa decisão, a UNILA será responsável pelo acompanhamento e pela formação dos médicos participantes do Programa na 9ª e 10ª Regionais de Saúde. Juntas, as duas regiões abrangem 35 municípios do Oeste do Paraná.
O pró-reitor de Graduação, Antonio Machado Felisberto Junior, informou que as atividades da UNILA no Mais Médicos devem ter início em 2024. “É um marco importante no ano em que se comemoram os 10 anos do curso de Medicina da UNILA, cuja implantação também fez parte da primeira etapa do Mais Médicos. Ao entrar na supervisão desse Programa, a UNILA abraça sua missão de se expandir e de atuar em prol da região onde está inserida”, salientou.
Além da supervisão, a UNILA irá oferecer atividades de pesquisa, ensino e extensão aos médicos e apoiar na avaliação dos profissionais. Também atuarão na supervisão acadêmica do Programa o Ministério da Educação, os gestores municipais e representantes do Distrito Sanitário Especial Indígena. A rede atuará por meio de encontros com frequência determinada em portaria, de forma presencial ou remota.
O Programa Mais Médicos é parte de um amplo esforço do Governo Federal, com apoio de estados e municípios para a melhoria do atendimento aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). Além de levar médicos para regiões onde há escassez ou ausência desses profissionais, o Programa prevê a reorganização da oferta de novas vagas de graduação e residência médica, para qualificar a formação de profissionais médicos.
Seu principal objetivo é resolver questões emergenciais do atendimento básico ao cidadão, mas também criar condições para continuar a garantir um atendimento qualificado no futuro para aqueles que acessam cotidianamente o SUS.
Com informações da Agência Brasil.
A iniciativa é da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior com objetivo de fazer uma triagem de demandas de organizações públicas e privadas que precisam desenvolver métodos de análises ou gerar dados científicos em diferentes de segmentos produtivos e áreas do conhecimento.
O Governo do Estado disponibilizou o formulário online para solicitações de serviços tecnológicos especializados nos laboratórios das universidades estaduais e do Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), nesta última quinta-feira (30). A iniciativa é da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) e tem como objetivo fazer uma triagem de demandas de organizações públicas e privadas que precisam desenvolver métodos de análises ou gerar dados científicos em diferentes segmentos produtivos e áreas do conhecimento.
Ao todo, são 96 laboratórios multiusuários localizados em Curitiba e mais de 30 cidades do interior paranaense. Depois de registradas as solicitações no formulário online simplificado, as equipes das instituições que dispõem das estruturas necessárias para atender as demandas irão informar aos solicitantes os valores dos serviços tecnológicos ofertados.
Em junho deste ano, o Estado anunciou investimento da ordem de R$ 4,4 milhões para fortalecer a Rede de Infraestrutura Multiusuária de Pesquisa do Paraná (RMIPP), que reúne laboratórios para pesquisas científicas e tecnológicas das instituições estaduais de ensino superior e do Tecpar. Os recursos são do Fundo Paraná de fomento científico e tecnológico e serão aplicados na modernização dos espaços físicos e equipamentos.
A rede de laboratórios multiusuários atende diretrizes previstas no Programa Paraná Mais Ciência, no âmbito do Plano Plurianual (PPA) 2020-2023, que prevê a implantação de ambientes para promover soluções científicas e tecnológicas, com foco no desenvolvimento econômico e social paranaense. O intuito é proporcionar um suporte especializado para estudos científicos e facilitar a utilização e o compartilhamento dos laboratórios de forma interinstitucional e integrada, ampliando as atividades de pesquisa nas instituições envolvidas.
O diretor de Ciência e Tecnologia da Seti, Marcos Aurélio Pelegrina, destaca a infraestrutura de pesquisa científica paranaense. Segundo ele, o Paraná conta com uma rede de laboratórios bem distribuída por todo o território estadual, com equipamentos modernos para estudos, ensaios, experimentos e validação de metodologias, assim como emissão de laudos técnicos.
“Esses espaços estão disponíveis para utilização de agentes produtivos de diversos portes e segmentos, para estimular a economia local e regional com base no conhecimento”, afirma.
REDE – A rede envolve as universidades estaduais de Londrina (UEL), Maringá (UEM), Ponta Grossa (UEPG), do Oeste do Paraná (Unioeste), do Centro Oeste (Unicentro), do Norte do Paraná (Uenp) e do Paraná (Unespar), além dos espaços de pesquisa localizados no Tecpar.
Serviço:
Prestação de serviços tecnológicos em laboratórios
Formulário: Solicitação de serviços tecnológicos
O hidrocarvão gerado pode ser usado para tratamento de água
Sabe aquela bituca de cigarro que gera tanta dor de cabeça sobre qual será o seu destino? Pesquisadores descobriram que ela pode ser transformada em carvão ativado para tratamento de água. Com a invenção BR 102019019637-8 do “Processo de obtenção de carvão ativado a partir da carbonização hidrotérmica de bitucas de cigarro”, a equipe foi vencedora do Prêmio Patente do Ano, concedido durante o 43º Congresso Internacional da Associação Brasileira da Propriedade Intelectual (ABPI), realizado no Rio de Janeiro.
Entre os pesquisadores está o professor do Campus Apucarana da UTFPR, Murilo Pereira Moisés, e demais integrantes da Universidade Estadual de Maringá (UEM), como Andrelson Wellington Rinaldi, Hugo Henrique Carline De Lima, Marcos Rogério Guilherme, Pedro Augusto Arroyo, Rogério Dos Santos Maniezzo e Vicente Lira Kupfer.
De acordo com o grupo, o hidrocarvão modificado obtido demonstrou inclusive ser eficaz na adsorção de corantes na água, por exemplo. Outro diferencial está no custo de produção ser bem menor em relação aos equivalentes conhecidos em escala industrial.
As pesquisas começaram em 2017 e, segundo os pesquisadores, o processo é bem simples. As bitucas são “cozidas” e depois ativadas através de processos químicos. O produto também foi testado para adsorção de outros poluentes considerados emergentes, como alguns pesticidas e o bisfenol A, utilizado para produção de plásticos de policarbonato e resinas epóxi.
No processo patenteado pelos inventores da UEM, a produção de 2,5 gramas de carvão ativado demanda o uso de 50 gramas de bitucas trituradas, o equivalente a dois maços de cigarro.
Os estudos estão publicados em um artigo da segunda revista científica mais citada na área de “Pharmacy & Pharmacology”
Um grupo de pesquisadores do Campus Toledo vem trabalhando no desenvolvimento de um hidrogel com alto poder antimicrobiano. Os estudos estão publicados em um artigo da segunda revista científica mais citada na área de “Pharmacy & Pharmacology” e fazem parte do trabalho de pós-doutorado do Programa de Pós-Graduação em Processos Químicos e Biotecnológicos (PPGQB-Toledo) da pos-doutoranda Gabrielle Peiter e dos alunos do mestrado Iago Assis (PPGBio UTFPR) e Jaqueline Saracini (da Unioeste), orientados pelos professores Ricardo Schneider e Cleverson Busso.
No artigo, os pesquisadores citam a dificuldade em controlar doenças com os atuais antibióticos, já que elas estão se tornando mais resistentes. A equipe passou a trabalhar com materiais de vidro e com ausência de metais pesados ou nobres normalmente utilizados.
Para a pesquisadora Gabrielle, há uma necessidade urgente de novos produtos para tratar infecções com risco de vida. “Nossa abordagem envolve a descoberta e o desenvolvimento de novos materiais. Essas atividades combinam nossa experiência multidisciplinar em química Inorgânica/materiais, microbiologia e biologia estrutural”, explica.
O professor Ricardo Schneider comenta da importância do trabalho onde materiais que normalmente são inertes se mostraram potentes agentes bactericidas. “O diferencial do trabalho está no uso do vidro como agente. Foi possível superar a ação de sanitizantes tradicionais como o álcool em gel com um vidro sem presença de metal pesado, como a prata, amplamente empregada para essa finalidade. Isso torna o material e abordagem únicas na preparação de novos produtos com ação bacteriológica”, comenta.
No trabalho publicado, a equipe revela testes de atividade biológica contra a bactéria Staphylococcus aureus, Escherichia colie Pseudomonas aeruginosa e que mostraram uma melhor atividade antimicrobiana comparada a outros sanitizantes.
Para Cleverson Busso, o desenvolvimento do material vítreo antimicrobiano abre novas possibilidades de aplicações em várias áreas tais como médica, industrial e até mesmo agronômica. “O material teve ótima ação bactericida, matando bactérias problemáticas associadas a infecções hospitalares graves, como é o caso da bactéria Pseudomonas aeruginosa. Além disso, o produto tem mostrado altamente eficiente contra diversas espécies de fungos patogênicos ao homem e a agricultura. Neste sentido, novos estudos estão sendo realizados investigando futuras aplicações”, completa.
O hidrogel desenvolvido é composto de vidro boroffato e Carbopol®, um agente gelificante utilizado em desinfetantes para as mãos. O Carbopol® não apresenta atividade antimicrobiana e é atóxico e não irritante, sendo adequado para produção de gel. Uma das vantagens deste hidrogel, segundo o artigo dos pesquisadores, está no fato de que os álcoois são rapidamente germicidas quando aplicados na pele mas não apresentam atividade residual persistente, permitindo até mesmo o crescimento lento de bactérias após seu uso.
“Os vidros de borofosfato apresentam potencial para serem aplicados como substitutos na produção de formulações de hidrogel em substituição ao álcool proporcionando uma alternativa de gel não inflamável, por exemplo”, destacam no estudo.
O artigo também contou com a participação de pesquisadores da UTFPR, Rafael Bini, da Universidade Estadual da Paraíba, Rodrigo J. de Oliveira, e da Universidade de Brasília, Jorlandio Felix.
Setembro é marcado por ser o mês da conscientização sobre a importância da doação de órgãos e tecidos para transplantes, conhecido como Setembro Verde. O dia 27 do mês é dedicado ao Dia Nacional de Incentivo à Doação de Órgãos. O Hospital Universitário Regional de Maringá (HUM), da Universidade Estadual de Maringá (UEM), destaca-se pelo seu papel na assistência aos familiares e nos cuidados com o potencial doador, além do preparo dos profissionais que atuam no processo de doação de órgãos e tecidos para transplantes e por ser um centro transplantador de Córneas.
O HUM, por meio do Serviço Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (SIHDOOT) e da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTT), presta assistência humanizada e individualizada no acolhimento dos familiares a fim de oferecer a possibilidade da doação de órgãos e tecidos de forma livre e esclarecida, explicando as dúvidas.
A equipe conta com apoio de assistentes sociais, psicólogos, médicos e enfermeiros como membros efetivos do Serviço de Doação. Responde pela coordenação a enfermeira Rosane Almeida de Freitas e os membros são Ellen Catarine Cabianchi, João Vitor Rosa Ribeiro, Maria Aparecida Pinheiro da Silva, Daniela Grignani Linhares e Renata Nogueira de Moura.
Os objetivos são exercer atividades de educação em saúde intra e extra hospitalar, de modo a sensibilizar a comunidade, e ensinar futuros profissionais de saúde. O Serviço/Comissão é responsável por identificar e detectar potenciais doadores de órgãos e tecidos dentro da instituição hospitalar por meio da busca ativa diária.
Os potenciais doadores são aqueles pacientes sem contraindicações clínicas, que sofreram parada cardiorrespiratória (PCR), sendo nesse caso possível doar apenas tecidos como córnea, vasos, pele, ossos e tendões; e pacientes com lesão encefálica grave e irreversível evoluindo para morte encefálica (ME), podendo doar coração, pulmão, fígado, pâncreas, intestino e tecidos. Em vida, uma pessoa também pode doar um dos rins, parte do fígado, parte do pulmão ou parte da medula óssea.
A SIHDOTT/CIHDOTT acompanha todo o processo de determinação de morte encefálica feito por médicos habilitados, realiza o acolhimento e entrevista familiar além de participar de todo o processo de doação, captação de órgãos e tecidos até a devida reconstituição e entrega do corpo para a família. Todo o trabalho é realizado em parceria com a Organização de Procura de Órgãos (OPO- Maringá) e a Central Estadual de Transplantes do Paraná (CET- Pr).

Segundo a coordenadora Rosane de Freitas, há uma discrepância entre a fila de espera e o número de doações efetivadas. Com o advento da pandemia Covid-19, o número de doações efetivas diminuiu por contraindicações clínicas. Assim, neste ano, no cenário pós-pandemia, a lista de espera conta com 57.347 pessoas, sendo 33.618 para órgãos e 23.729 para córneas.
Freitas aponta que a necessidade de isolamento social, a diminuição dos horários para visitas e impossibilidade de estar mais em contato com as famílias dos potenciais doadores durante a pandemia, dificultou o processo de esclarecimento e consequentemente de doação. Nesse cenário pós-pandemia, as famílias ainda resistem em aceitar a doação de órgãos. No período pré-pandemia (2019), o índice de recusas no Brasil era de 39% e agora passou para 49%.
Alguns fatores que levam à negativa são: incompreensão do diagnóstico de ME; desconfiança no processo de doação de órgãos; dissenso familiar; problemas no atendimento antes e durante a internação; desconhecimento da vontade do doador e da impossibilidade de conhecer o receptor; questões religiosas, assistenciais e logística-estrutural como, por exemplo, o tempo para realização de todo o processo.
Em contrapartida, os fatores que levam ao consentimento são: profissional habilitado, sensível e humano; conhecimento da família quanto ao desejo do doador; separação entre a comunicação da má notícia e solicitação da doação.
Conhecer ambas as questões é de suma importância para a elaboração de estratégias para melhorar os processos de trabalho, diminuir as recusas e consequentemente diminuir a fila de espera por um transplante.

De acordo com a Secretaria de Saúde do Estado do Paraná, no período de janeiro a junho de 2023, foram registrados 460 doadores, perfazendo assim o maior número de doações efetivas de órgãos para transplantes no país. No Paraná 2.898 pacientes estão aguardando, sendo 1.810 para órgãos e 1.088 para córneas. O estado ainda possui o menor índice de recusa familiar no país (29%). Esses números são resultados da capacitação, preparo e transparência dos profissionais de saúde envolvidos.

Antigamente, pacientes em tratamento de câncer eram orientados a repousar e reduzir as atividades físicas. Sobretudo de dez anos para cá, tudo mudou: estudos comprovam que os exercícios físicos ajudam na terapia, porque reduzem efeitos do tratamento, fortalecem o organismo e, principalmente, ajudam na saúde mental do doente.
O professor Rafael Deminice (Departamento de Educação Física) está na UEL desde 2012, quando começou a desenvolver uma pesquisa sobre a prática de exercícios físicos em animais de laboratório com câncer. O objetivo era criar protocolos que pudessem oferecer atividades seguras aos doentes: quais exercícios, com qual intensidade etc. O estudo foi bem sucedido e gerou benefícios como aumento da força muscular, melhores marcadores da doença e até o desenvolvimento mais lento dos tumores.
As pesquisas em humanos tiveram início há cerca de cinco anos, paralelamente àquelas com animais com câncer de cólon. Uma parceria com o Hospital do Câncer de Londrina (HCL) foi estabelecida e, atualmente, mais de 60 pessoas são atendidas pelo projeto, e perto de 1/3 destas ainda em tratamento de câncer, ou seja, ainda sofrem efeitos como fadiga, alteração de peso, ansiedade, depressão. O projeto atual, “Correndo contra o câncer”, é de 2022, e o professor recebe bolsa produtividade do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) desde 2015.
Os participantes do projeto são de Londrina e região, de idades e tipos de câncer variados e não pagam nada. As atividades prescritas são monitoradas e avaliadas o tempo todo. São três turmas, que fazem 1 hora cada uma: segunda e quarta (7h), terça e quinta (9h) e terça e quinta (18h). São exercícios multimodais, isto é, abrangem diferentes capacidades físicas e objetivos: força, flexibilidade, coordenação motora e capacidade cardiovascular.
O professor Rafael observa que os pacientes podem levar um acompanhante, o que se torna um fator positivo a mais para o paciente. Tanto que – o coordenador destaca – os ganhos em termos de saúde mental são notáveis. Já foi registrada alguma evasão, mas os motivos são variados. O pesquisador aponta, por exemplo, que em semana de tratamento as faltas aumentam.
Em sua dimensão de projeto de Extensão, o projeto vai além do atendimento aos pacientes. Devido à procura por pessoas e instituições de fora, o projeto desenvolveu um site e perfis no Instagram e Facebook. Segundo o professor, o site cria conteúdos para quem não pode participar do projeto, com artigos, aulas, palestras e outros materiais, seja para um paciente, um pesquisador ou qualquer um que tenha ouvido falar no projeto. Também foi criada uma rede que apresenta, entre outros tópicos, um mapeamento de serviços semelhantes no país. Rafael diz que a maioria dos projetos no país visa o rendimento físico, por isso o projeto da UEL se destaca.
Outra característica extensionista está na dimensão incentivadora da prática de atividades físicas do projeto. É razão e reflexo, por exemplo, dos recursos obtidos pela Lei Estadual de Incentivo ao Esporte (Pr\o/esporte), via Copel, utilizados em pagamentos e aquisição de material. A contrapartida exigida pelo edital é a formação e informações oferecidas. O projeto se inscreveu novamente para o ano que vem.

O projeto tem caminhado junto com os avanços mundiais na área. Rafael conta que, por volta de 2020, a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica e a Sociedade Brasileira de Atividade Física e Saúde, com participação do Instituto Nacional de Câncer (ligado ao Ministério da Saúde), publicaram um Documento Nacional sobre os benefícios da atividade física para ex-pacientes de câncer. Rafael participou da elaboração. Este ano, deve sair o segundo volume, incluindo resultados sobre a prática durante o tratamento. Também a Sociedade Americana de Oncologia Clínica, referência mundial, publicou um Guia de exercícios como parte do tratamento oncológico.
Atualmente, o projeto conta com a participação de cinco mestrandos e doutorandos que desenvolvem pesquisas com animais e humanos, além de três alunos de graduação (Iniciação Científica). Uma novidade é o ingresso de uma aluna do curso de Nutrição da UEL, ainda este ano. A disseminação já rendeu ao projeto vários prêmios, em eventos científicos de diversas áreas, como Educação Física, Medicina, Nutrição, Biologia e Esporte.
Num projeto paralelo, junto com o HCL, são desenvolvidos artigos. O Hospital do Câncer também realiza uma corrida em outubro, mês dedicado às ações de prevenção da doença. Aliás, sobre isso, Rafael conta: “Vários pacientes e ex-pacientes do projeto já participaram de corridas e, dentro das circunstâncias, saíram-se muito bem”. De acordo com o coordenador do projeto, eles têm orgulho de correr, de fazer parte, e de terem se curado.
Estudo da UEL aponta que adolescentes sedentários têm mais dificuldades pós-Covid-19
Estudo inédito assinado por pesquisadores da Universidade Estadual de Londrina (UEL) conseguiu mensurar a importância da atividade física para a saúde e bem-estar e fortalecer a ideia de que o exercício físico funciona como um antídoto, capaz de reduzir os impactos de doenças graves. A pesquisa considerou um grupo de 312 adolescentes que tiveram diagnóstico de Covid-19 e concluiu que indivíduos sedentários apresentavam quatro vezes mais chances de manter sintomas após a doença, como fadiga, perda de olfato, dores de cabeça, tosse e indisposição.
A pesquisa foi conduzida pelo Grupo de Estudos em Atividade Física, Psicologia e Saúde, do Centro de Educação Física e Esporte (Cefe) da Universidade.
A prática corriqueira da atividade física pode reduzir em até quatro vezes as chances de sintomas pós-Covi-19, demonstrou a pesquisa. Também foi constatado que meninas adolescentes apresentaram mais sintomas do que os meninos. O estudo, de natureza quantitativa, considerou a amostragem oficial da plataforma pacientes da secretaria estadual de Saúde do Paraná (Notifica-Covid).
Adolescentes que não tiveram sintomas posteriores narraram praticar, em média, 215 minutos de atividade física semanalmente. O grupo que apresentou um quadro prolongado da infecção informou fazer, em média, 140 minutos de atividade física semanal, tempo menor do que o recomendável pela Organização Mundial de Saúde (OMS) – de 60 minutos/dia de atividade física vigorosa ou moderada, pelo menos três vezes por semana.
Dos 312 adolescentes analisados, 51,9% eram do sexo feminino e 48,1% do sexo masculino, com idade entre 11 e 17 anos, que apresentaram diagnóstico confirmado da doença, em Londrina, entre agosto e dezembro de 2021.
O trabalhou foi a dissertação de mestrado do estudante Gustavo Baroni, orientado pelo professor do Departamento de Ciência do Esporte da UEL, Helio Serassuelo Junior, dentro do programa de Pós-Graduação em Educação Física Associado da Universidade Estadual de Maringá e a UEL. Segundo o estudante, entre agosto e dezembro de 2021, Londrina registrou 6 mil casos de Covid-19 entre adolescentes. “A proposta de estudar este grupo populacional se baseou no fato de que quase não existe pesquisa considerando este perfil”, explicou.
Para investigar a prevalência da síndrome utilizou-se o questionário “Manifestações clínicas de quadro prolongado – Síndrome Pós-Covid”, da secretaria estadual de Saúde, que mede condições físicas da infecção após a fase aguda da doença. Posteriormente, foi aplicado outro questionário que comprovou os hábitos e o comportamento dos adolescentes quanto à atividade física rotineira.
O estudo foi desenvolvido com dados parciais do projeto de pesquisa “Avaliação clínica funcional e qualidade de vida de pacientes após 1, 2, 6 e 12 meses do diagnóstico de infecção por SARS-CoV-2 no município de Londrina-PR”, coordenado pela professora Celita Salmaso Trelha, do Departamento de Fisioterapia, do Centro de Ciências da Saúde (CCS) da UEL. Também participou do estudo a professora Michele Moreira Abujamra Fillis, da Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP), co-orientadora do trabalho.
ANTÍDOTO – Para o professor Helio Serassuelo Junior, os dados surpreenderam pela grande diferença comprovada entre os grupos dos que praticam exercício físico e o dos que não atingem a média recomendada pela OMS. “Podemos afirmar que o exercício físico representa um remédio de proteção da saúde do indivíduo”, disse ele. Para o professor, os dados do estudo são importantes na medida em que jogam luz sobre um universo ainda pouco pesquisado: adolescentes e a Covid-19.
De acordo com o estudo, a média da percepção de bem-estar global dos adolescentes infectados diminui à medida em que a idade avança em ambos os sexos, evidenciando maiores escores entre 15 e 17 anos. Já em relação à variável sexo, verifica-se que em todas as faixas etárias o sexo feminino apresentou uma menor percepção de bem-estar.
Outro dado é que o sexo feminino apresentou maior exposição aos agravos da Covid-19 em todas as idades. Elas tiveram mais sintomas na fase aguda e a longo prazo quando comparado ao sexo masculino, sendo o quadro de síndrome pós-covid-19 duas vezes mais comum nesse grupo.
O pesquisador conclui que as diferenças estão relacionadas à função do sistema fisiológico e imunológico do sexo feminino. Em todas as categorias as mulheres estiveram significativamente mais expostas às sequelas da infecção, comprovando maiores chances de apresentar pelo menos um sintoma crônico da síndrome pós-Covid-19.
O Governo do Estado prorrogou até 30 de junho o prazo para apresentação de propostas de empresas, cooperativas, startups, municípios e outras organizações que buscam financiamento para projetos de pesquisa e desenvolvimento (P&D). A chamada pública envolve recursos da ordem de R$ 20 milhões não reembolsáveis do Fundo Paraná, dotação gerenciada pela Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) para o fomento científico e tecnológico paranaense.
A iniciativa tem amparo no Programa de Estímulo às Ações de Integração Universidade, Empresa, Governo e Sociedade, denominado Agência de Desenvolvimento Regional Sustentável e de Inovação (Ageuni). Serão apoiados projetos em cinco áreas: agricultura e agronegócios; biotecnologia e saúde; energias renováveis; cidades inteligentes; e economia, educação e sociedade. As propostas devem ser fundamentadas na transformação digital e no desenvolvimento sustentável.
Do montante anunciado, R$ 6 milhões serão destinados para microempresas e empreendedores individuais; R$ 4 milhões para empresas de pequeno e médio porte, e R$ 5 milhões para grandes empresas. Outros R$ 5 milhões serão aplicados em projetos apresentados por municípios, cooperativas e outras organizações com e sem finalidade lucrativa. Cada projeto pode ter o valor máximo de até 10% do total previsto para a respectiva categoria.
Segundo o coordenador de Ciência e Tecnologia da Seti, Marcos Aurélio Pelegrina, o intuito é incentivar o desenvolvimento socioeconômico, agregar tecnologia aos processos de produção de bens e serviços e aumentar a competitividade empresarial paranaense.
“No Estado do Paraná, entendemos que o investimento em ciência e tecnologia é uma estratégia competitiva que pode diferenciar as nossas empresas nos mercados local, regional e até nacional, permitindo que esses agentes produtivos cresçam e se desenvolvam em um ambiente cada vez mais inovador”, diz Pelegrina. “Nós acreditamos que a tecnologia pode e deve ser usada como uma ferramenta para atender as necessidades e as demandas dos cidadãos e dos consumidores em geral”, destaca.
CRITÉRIOS – Entre os critérios para receber o apoio financeiro do Estado, os proponentes devem ter registro no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) no Paraná e articular as propostas com as unidades da Ageuni nas universidades estaduais. A duração dos projetos será de dois anos, com possibilidade de prorrogação por mais seis meses. Os projetos de P&D serão financiados por meio de acordos de parceria e cooperação estabelecidos com as instituições estaduais de ensino superior.
Confira os câmpus acadêmicos onde estão localizadas as unidades da Ageuni:
Universidade Estadual de Londrina (UEL)
Londrina – ageuniaintec@uel.br
Universidade Estadual de Maringá (UEM)
Maringá – ageuni@uem.br
Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG)
Ponta Grossa – ageuni.agipi@uepg.br
Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste)
Cascavel – ageuni@unioeste.br
Francisco Beltrão – ageuni@unioeste.br
Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro)
Guarapuava – ageuni.novatec@unicentro.br
Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP)
Jacarezinho – ageuni@uenp.edu.br
Universidade Estadual do Paraná (Unespar)
Campo Mourão – ageuni2campomourao@unespar.edu.br
Paranaguá – ageuni1paranagua@unespar.edu.br
Estudo com dados do Paraná aponta para necessidades de saúde pública para proteger grávidas, que ficam mais vulneráveis à doença devido a mudanças anatômicas e fisiológicas durante a gravidez
O risco que a dengue representa para mulheres grávidas foi o tema de uma pesquisa da Universidade Federal do Paraná (UFPR) que avaliou dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde, coletados entre 2016 e 2019. Os estudos investigaram como a dengue se correlacionou com a gravidez em casos de mulheres infectadas pela doença no Paraná.
O universo da pesquisa foram 27.695 casos de dengue confirmados em mulheres que tinham informações completas sobre sua condição quanto à gravidez (74,1% dos casos confirmados em mulheres com idade reprodutiva, de 10 a 49 anos). Dessas, 949 estavam grávidas.
O risco de hospitalizações e de desenvolver dengue grave se mostrou maior em grávidas do que em não-grávidas (respectivamente, 2,93 e 5,4 vezes). Das não-grávidas, 6,8% foram hospitalizadas, 1,8% teve dengue com sinais de alarme, de gravidade intermediária, e, 0,1%, dengue grave. Assim como a diabetes, a gravidez aumenta o risco de hospitalização por dengue em qualquer idade.
O estudo sugere que as mudanças anatômicas e fisiológicas da gravidez influenciam no desenvolvimento da dengue de uma forma que ainda não está clara. A gravidez causa diversas alterações cardiovasculares e dificulta o diagnóstico correto da dengue, assim como a avaliação da sua gravidade.
Veja a matéria completa no site da revista Ciência UFPR.
Estudo inédito realizado dentro do Programa do Pós-Graduação em Saúde Coletiva, do Centro de Ciências da Saúde (CCS) da UEL, demonstrou que pacientes com doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), como diabetes, hipertensão, colesterol e alteração no triglicérides, apresentam dificuldades de aderir ao tratamento, por fatores psicossociais, desconfiança, insatisfação com os serviços de saúde e até pelo estado emocional. O estudo representa a tese de doutorado da professora Poliana da Silva Menolli, egressa da UEL e atualmente professora da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), com base nos dados da Pesquisa Nacional sobre Acesso, Utilização e Promoção do Uso Nacional de Medicamentos (PNAUM).
O estudo demonstra que existe um grande hiato na saúde pública do país, uma vez que as DCNT são consideradas doenças silenciosas, responsáveis por cerca de 75% das mortes no Brasil, segundo relatório divulgado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) no final do ano passado. Para o orientador da pesquisa, Edmarlon Girotto, do Departamento de Ciências Farmacêuticas da UEL, a resistência do brasileiro ao medicamento está ligada ao fato de que muitos desses males não apresentam sintomas.
“Este é um grande desafio para a saúde pública, junto com mudanças de hábitos para uma dieta saudável e a prática rotineira de exercícios físicos”, comenta o professor. O PNAUM avaliou o uso dos medicamentos de pacientes em cerca de 600 municípios brasileiros. Diante destes dados, a pesquisadora constatou que, quanto menor o tempo de uso, menor a percepção, a adesão e efetividade do tratamento.
Outra revelação do estudo é a percepção dos pacientes em relação aos serviços de saúde. Pessoas insatisfeitas tendem a ter menor adesão ao tratamento contínuo. Ou seja, não basta oferecer o remédio gratuito via SUS, é necessária uma infraestrutura para que o tratamento dessas doenças crônicas chegue a 100% dos pacientes.
Confira a seguir a entrevista da professora Poliana concedida à Agência UEL, sobre as características deste estudo, consequências e sugestões para atenuar o problema de resistência aos medicamentos contra DCNT.

Agência UEL – Quais as principais causas para pacientes acometidos com hipertensão, diabetes e dislipidemia não utilizarem os medicamentos adequados?
Professora Poliana – A não adesão ao uso de medicamentos por pacientes de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), ou seja, não usar os medicamentos conforme acordado com o profissional de saúde, é um comportamento comum e um problema de saúde pública bastante documentado pela literatura científica, principalmente porque os medicamentos estão entre as principais estratégias para o enfrentamento dessas condições de saúde. Passar a usar um ou mais medicamentos continuamente não é tarefa simples e envolve uma mudança na rotina do paciente, diminuição de sua autonomia e a aceitação de um diagnóstico e um tratamento diário, na maioria das vezes de longo prazo.
O paciente precisa lidar com muitos fatores relacionados à sua saúde e essas condições fazem pressão no momento de decidir tomar (o remédio) ou não. Por exemplo, ele precisa tomar o medicamento sabendo que pode ter que suportar um desconforto, que o efeito do tratamento não é tão bom quanto ele gostaria, que pode durar anos, que se acabarem os comprimidos precisa ir buscar em determinado lugar e em determinada data, que talvez tenha que faltar ao trabalho para ir buscar, que se estiver faltando aquele medicamento no SUS precisa comprar ou ficar com o risco de piorar a sua condição. Que deve se alimentar corretamente para não atrapalhar o tratamento, que precisa diminuir o estresse para pressão arterial não subir, que precisa diminuir o peso. Esses são alguns dos muitos fatores que os pacientes precisam lidar.
Agência UEL – Podemos considerar que se trata de uma cultura enraizada?
Professora Poliana – Fatores psicossociais como crenças sobre doença e tratamento, insatisfação com os profissionais e os serviços de saúde e estados emocionais, desempenham, sim, um papel importante.
A tese buscou entender se a percepção dos pacientes do SUS sobre os medicamentos e serviços de assistência farmacêutica recebidos (localização, horário de funcionamento, disponibilidade de produtos, dispensação de medicamentos, orientação de uso, presença de farmacêuticos) influenciam na não-adesão ao uso de medicamentos para hipertensão, diabetes e dislipidemia.
Usamos dados da Pesquisa Nacional sobre Acesso, Utilização e Promoção do uso Racional de Medicamentos no Brasil, a PNAUM, maior Inquérito populacional sobre o uso de medicamentos feito no Brasil até o momento, promovido pelo Ministério da Saúde.
Agência UEL – Quantos pacientes foram ouvidos e onde? O atendimento farmacêutico na rede pública está dentro do esperado?
Professora Poliana – Na tese, foram avaliados 16.491 medicamentos e 2.448 entrevistados de todas as regiões do Brasil. Descobrimos que a percepção é de que o medicamento não funciona bem (ou não funciona como o esperado), que causa desconforto quando utilizado há menos de seis meses. Tudo isso favorece a não adesão aos medicamentos DCNT.
Também chegamos à conclusão de que a maioria dos pacientes está satisfeita com os serviços de assistência farmacêutica, porém os insatisfeitos não aderiram ao uso de medicamentos, demonstrando que a insatisfação com os serviços recebidos contribui para a não-adesão em pacientes de hipertensão, diabetes e dislipidemia.
Descobrimos também que a falta de acesso aos medicamentos pelo SUS contribui para a não-adesão por duas vias diferentes: pela falta do medicamento em si, que impede o uso e porque a falta de acesso é uma das principais causas de insatisfação com os serviços de assistência farmacêutica. Pacientes insatisfeitos são menos aderentes.
Agência UEL – Diante destes dados, o que a senhora defende para enfrentar o problema, ou seja, para ter maior adesão por parte dos pacientes?
Professora Poliana – Os resultados demonstraram que para enfrentar o problema da não adesão no Brasil é preciso garantir acesso a medicamentos gratuitos, seguros, eficazes e de qualidade pelo SUS e a organização de serviços farmacêuticos centrados nas necessidades dos pacientes. Ações que busquem diminuir crenças relacionadas aos tratamentos e dar satisfação aos usuários pelos cuidados farmacêuticos recebidos, cuidados esses que diminuem as dificuldades enfrentadas pelos pacientes durante o uso de medicamentos contínuos.
Avaliações recentes sobre a assistência farmacêutica brasileira apresentam um quadro de grandes diferenças regionais, atividades voltadas principalmente para logística do produto, ainda com problemas de abastecimento e estrutura e que deixam o uso do medicamento sob total responsabilidade dos pacientes. Esse tipo de organização não oferece condições para enfrentar os desafios e diminuir a não-adesão em pacientes DCNT.
Agência UEL – Nas considerações finais do trabalho, a senhora afirma que existem problemas de más experiências e frustrações dos pacientes com os serviços? Como isto pode ser revertido?
Professora Poliana – É preciso que o Governo Federal, estados e municípios invistam na capacitação de recursos humanos, criação de estrutura e equipe apropriada para o atendimento em dispensação de qualidade, com a presença de farmacêuticos, de serviços de acompanhamento farmacoterapêutico e de educação em saúde relacionada aos tratamentos. Hoje, no Brasil, esses serviços de acompanhamento são ainda iniciativas individuais de profissionais e de gestores locais. Precisamos avançar para serviços mais estruturados em uma rede que busque a qualidade no cuidado do paciente em uso de medicamentos, que custam muito caro ao sistema de saúde e aos pacientes. Por isso, é importante que sejam usados corretamente, para que possamos alcançar os resultados clínicos positivos e esperados.
Com impressão 3D, laboratório do Campus Curitiba produz moldes para próteses faciais para pacientes que tenham sofrido alguma mutilação
Uma parceria entre a UTFPR e o Hospital Angelina Caron traz um pouco de esperança e autoestima a pacientes que estejam passando por tratamento no hospital e tenham algumas partes do rosto mutiladas. O pesquisador José Aguiomar Foggiatto coordena um projeto que faz a impressão 3D de moldes para próteses faciais personalizadas para cada paciente.
Tudo começou após conversas entre o pesquisador e o médico oncologista Luciano Saboia do Hospital Angelina Caron, que, ao saber do trabalho de impressões 3D na UTFPR, comentou sobre a necessidade de se fazer as próteses faciais de maneira mais fácil e rápida.
A equipe desenvolveu um método de criação de próteses usando digitalização e modelagem no computador, a partir do caso de cada paciente. Com isso, os moldes passaram a serem doados para o Laboratório de próteses bucomaxilofaciais do Hospital Angelina Caron, coordenado pela cirurgiã dentista Karin Barczyszyn.
Segundo o professor, a profissional recebe o molde impresso em PLA (ácido Polilático), restando, para finalizar a prótese, a parte da moldagem em silicone, a inserção de características e ajustes para cada paciente. “Criamos um banco de dados de modelos de nariz, por exemplo, para os pacientes escolherem um que melhor se adeque e harmonize com o seu rosto”, explica o professor.
As próteses podem necessitar de manutenção, dependendo do tempo de uso de cada uma, o que é feita pela própria cirurgiã. Quando necessário, os moldes podem ser reutilizados para a moldagem de uma nova prótese para o paciente.
De acordo com Foggiato, as próteses mais comuns produzidas no laboratório são as de nariz e óculo-palpebral, mas também são feitas próteses de orelhas.
Recursos
Com o reconhecimento das pesquisas realizadas nesta área, o projeto será ampliado e contará com o apoio permanente da Fundação Araucária através da criação do Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação – Tecnologia Assistiva (NAPI-TA). O lançamento oficial deste novo arranjo será realizado no próximo dia 28 de junho.
Além da UTFPR e da Fundação Araucária, participam do Napi-TA a Secretaria da Justiça, Família e Trabalho (Sejuf), a Universidade Federal do Paraná (UFPR), a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), a Universidade Estadual do Norte Paraná (UENP) e o Instituto Federal do Paraná (IFPR). O projeto também conta com a colaboração de universidades internacionais, hospitais e organizações sociais.
Para os próximos quatro anos, estão previstos investimentos de mais de R$ 5 milhões, entre insumos e bolsas de mestrado, doutorado e iniciação científica para as pesquisas.
O Núcleo de Manufatura Aditiva e Ferramental (NUFER) é um laboratório do Departamento de Mecânica do Campus Curitiba e possui as linhas de pesquisa: uso de tecnologias de baixo custo na produção de moldes para próteses faciais e uso da impressão 3D para desenvolver dispositivos de auxílio à vida diária, entre outras.
“Com estes novos recursos, poderemos aumentar o número de pesquisadores envolvidos neste projeto e atender outros hospitais e clínicas de reabilitação. Como exemplo, com os recursos do NAPI-TA o Hospital de Reabilitação (Complexo Hospitalar do Trabalhador), em Curitiba, também participará do projeto para ampliar o atendimento a pacientes que tenham mutilação facial derivadas de outras causas, não apenas oncológicas”, completa.
O projeto visa a geração de renda alinhada ao processo de empoderamento, combatendo a fome e o empobrecimento de mulheres
O projeto “Rede de fortalecimento da autonomia das mulheres procopenses por meio do fomento da capacitação para o trabalho voltados à inclusão tecnológica, produtiva, mercantil e do combate ao empobrecimento e à fome” tem como objetivo fortalecer ações produtivas e organizativas, visando a geração de renda alinhada ao processo de empoderamento, combatendo a fome e o empobrecimento de mulheres em área de vulnerabilidade social no município de Cornélio Procópio.
Coordenado pelo grupo de pesquisa Geografia da Fome, Território, Campo-Cidade e Desenvolvimento (GEOFOME), do curso de Geografia da UENP, o projeto de extensão, voltado a mulheres maiores de 16 anos, dispõe de cursos profissionalizantes e palestras que buscam discutir a questão de gênero, os cuidados físicos e as diversas faces da violência contra mulher. Para a coordenadora Vanessa Maria Ludka, o projeto é uma ferramenta para o enfrentamento à vulnerabilidade social. “Nós pretendemos contribuir de forma significativa e positiva na vida dessas mulheres, inseri-las no mercado de trabalho e transformar realidades”, destaca.
O projeto é realizado por professores, discentes e bolsistas do curso de Geografia do Campus de Cornélio Procópio (CCP) da UENP. Para o aluno Gustavo Henrique dos Santos Braga, a experiência no projeto é enriquecedora. “Estou adquirindo um grande portfólio de conhecimentos, além de estar me abrindo ainda mais para as diversas realidades existentes”. A ideia é uma forma de aproximar as potencialidades da Universidade à comunidade externa, proporcionando, através dos trabalhos realizados, uma maior qualidade de vida para a população.
Para a participante do projeto, Eliana Araújo da Silva, 45 anos, a experiência está abrindo portas para uma nova perspectiva de futuro. “Está ajudando a melhorar minha autoestima e alcançar minha independência financeira. Me sinto esperançosa”, partilhou.
As atividades e os encontros são realizados no Centro de Referência da Assistência Social (CRAS), de Cornélio Procópio, a cada 15 dias. O cronograma de atividades funciona das 14h às 16h. A comunidade pode entrar em contato com o projeto através do telefônico (43) 9918-9799. Mais informações estão disponíveis no site https://www.geofome.com.br/projeto-mulheres.