Imersão do programa Futuras Cientistas aproxima meninas da universidade e fortalece o aprendizado científico coletivo no Paraná

“A conquista de uma é a conquista de todas.”
A frase emerge da experiência vivida por meninas de diferentes cidades do Paraná durante a imersão proporcionada pelo programa Futuras Cientistas, no mês de janeiro de 2026. Ao longo de uma semana, a convivência intensa, os desafios compartilhados e o contato com a rotina universitária reorganizaram a forma como o aprendizado científico se constrói. Com um relato dessa experiência, o C² comemora o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência em 11 de fevereiro.
A etapa presencial do programa Futuras Cientistas, no Paraná, foi organizada pelo Rocket Girls: Meninas nas Ciências, projeto de extensão do Setor Palotina, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), voltado à aproximação de meninas da educação básica com o ambiente universitário. Após semanas de atividades on-line, o encontro presencial ocorreu no campus da UFPR, em Palotina.
Ao todo, 26 participantes de diferentes regiões do Paraná integraram a terceira edição da imersão no estado. Para algumas delas, chegar até Palotina significou viagens de até doze horas, um deslocamento que faz parte da própria proposta formativa da iniciativa. Ao compartilhar alojamento, rotinas e atividades acadêmicas, as meninas passaram a vivenciar a universidade não como visita, mas como experiência cotidiana.
“O fato de você saber que não está sozinha, saber que existem outras meninas, de tantos lugares, que também querem estar ali, é incrível”, conta Elisa Namie Lopes Guimarães, do clube Little Scientist.
Entre oficinas de confecção e lançamento de minifoguetes, atividades em laboratórios e momentos de convivência, a formação também se deu no encontro entre as meninas. Para as participantes, estar em um espaço onde outras jovens compartilham interesses semelhantes transforma a forma de aprender e de se perceber na ciência.
Ao longo da imersão, essa vivência coletiva também tensiona imagens cristalizadas sobre quem pode ocupar o lugar da ciência. Longe do estereótipo do cientista solitário, masculino ou associado à genialidade excêntrica, as participantes circulam pelos laboratórios sendo quem são: adolescentes que usam maquiagem, acessórios, unhas coloridas e roupas que expressam sua identidade.
Nesse contexto, aprender ciência não exige apagar traços pessoais ou assumir um personagem, mas reconhecer que o fazer científico comporta múltiplas formas de existir. A aproximação com a universidade, nesse cenário, também passa por desnaturalizar modelos restritos de cientistas e ampliar as possibilidades de identificação.
Assim, a dinâmica construída entre as jovens desafia uma lógica frequentemente associada à formação científica, marcada pela comparação de desempenhos e pela competição. No convívio diário, o aprendizado se fortalece justamente quando é compartilhado: ideias circulam, se conectam e ganham novas formas a partir do diálogo e do afeto. Nesse ambiente, o avanço de uma participante não é visto como parâmetro de disputa, mas como referência possível, capaz de ampliar a confiança das demais. A vivência revela que aprender ciência envolve reconhecer o esforço coletivo, compreender o erro como parte do processo e perceber que trajetórias semelhantes tornam o caminho mais acessível.

Na prática, esse aprendizado se construiu em atividades realizadas nos laboratórios e nas oficinas ao longo da semana. As participantes entraram em contato com procedimentos, instrumentos e métodos que fazem parte da rotina universitária, formulando perguntas, testando hipóteses e trabalhando em grupo. O foco esteve menos na memorização de conteúdos e mais na vivência dos processos que estruturam a produção científica.
Para as estudantes, esse movimento não termina com o fim da imersão. “Depois que a gente volta, dá vontade de aplicar tudo o que aprendeu e mostrar para outras meninas que elas também conseguem fazer ciência”, afirma Giovanna Cristina de Pontes Chagas, 16 anos, que participou da imersão em 2025. Ela não integrou a edição presencial neste ano, porque a data coincidiu com seu retorno do intercâmbio realizado na Inglaterra, pelo programa Ganhando o Mundo. A experiência obtida amplia a confiança para ocupar espaços que antes pareciam distantes e reforça a ideia de que aprender ciência é um processo contínuo.
Do ponto de vista de quem acompanha as alunas, os efeitos da imersão também são evidentes. Para a professora Suelem Martins, coordenadora do clube Foguete Girls no Colégio Estadual Antônio Carlos Gomes, em Terra Roxa (PR), que acompanhou alunas pelo segundo ano consecutivo, a imersão provoca deslocamentos importantes. “É sair da zona de conforto. Mesmo com a saudade da família, o desejo de aprender se sobressai, e isso gera maturidade”, afirma.
Ao reunir participantes de diferentes territórios e trajetórias em um mesmo espaço formativo, a imersão possibilitou que as trocas fossem ampliadas e fortaleceu ainda mais o aprendizado coletivo. Segundo a docente, essa vivência não se encerra na universidade. “Esse aprendizado retorna para a escola em forma de clube de ciências”,defende.
Essas descobertas, no entanto, não se restringem às estudantes. Suelem conta que participar da imersão significou, também para ela, viver uma primeira vez. “Foi a primeira vez que dormi em alojamento. No meu período escolar, meus pais nunca permitiram esse tipo de vivência”, relata. Dividir esse momento com as alunas, segundo a professora, reforça a ideia de que a formação científica também envolve autonomia, convivência e descoberta e que essas experiências não têm idade para acontecer.
Em diálogo com o Dia Internacional de Meninas e Mulheres na Ciência, celebrado em 11 de fevereiro, a imersão ganha novos sentidos. Ao atravessarem os portões da universidade, essas meninas e jovens mulheres não apenas acessam laboratórios e métodos científicos, mas passam a se reconhecer como parte desse espaço e a construir, juntas, novos caminhos possíveis.
Em uma parceria com a Universidade, o clube articulado pelo IFPR Palmas participou das oficinas ao longo de 2025

No dia 25 de novembro, o clube chopinzinhense Meu Mundo Melhor, do Colégio Estadual do Campo Santa Inês e articulado pelo Instituto Federal do Paraná – Campus Palmas, realizou a quinta e última visita do ano à Universidade Federal da Fronteira Sul, campus Laranjeiras do Sul. As visitas fazem parte dos projetos de extensão “Educação Ambiental na UFFS: A Universidade como Ambiente Educador Sustentável” e “Divulgação Científica Novos Caminhos para Um Mundo Mais Sustentável”, que oferecem oficinas interativas de educação ambiental para as escolas da região.

Nas duas últimas oficinas, realizadas em novembro do ano passado, o clube participou das atividades interativas “Horta Mandala” e “Áreas Experimentais e Pomar”. Nelas, os estudantes puderam compreender como a combinação de diferentes espécies favorece o desenvolvimento das plantas, conhecer o papel das plantas indicadoras e observar estratégias de controle natural de pragas a partir do uso de vegetais. A atividade ainda apresentou formas de organização do cultivo que facilitam o manejo diário, otimizam a irrigação e permitem a convivência entre diferentes sistemas produtivos.

Entre as oficinas, um passeio por trilha guiada em área de nascente e reserva ambiental, uma visita à Central de Resíduos – onde foram abordadas questões referentes à reciclagem e recursos naturais – e a oficina “Biodigestor” – sobre energia limpa. Para o clube, as atividades aproximam os estudantes do ambiente universitário e ampliam sua compreensão sobre processos científicos e práticas sustentáveis que dialogam com os projetos desenvolvidos no clube.

Com essa visita, o clube encerrou um ciclo de sete encontros voltados à ampliação do repertório científico dos alunos e ao fortalecimento das práticas que já desenvolvem na escola — como horta, pomar, compostagem e manejo de abelhas sem ferrão. As oficinas contribuíram para que os estudantes percebessem como os conhecimentos explorados no clube se relacionam com pesquisas e metodologias aplicadas na universidade, contribuindo para a construção de um mundo melhor, que atravessa os muros das instituições de ensino.
Colégio Guilherme de Almeida celebra a ciência aplicada com projetos de alunos sobre saúde, prevenção de doenças e bem-estar em Santa Izabel do Oeste

O Colégio Estadual Guilherme de Almeida, em Santa Izabel do Oeste (PR), sediou, no dia 26 de novembro, o evento de Culminância, que celebrou as atividades desenvolvidas pelos alunos do Ensino Integral ao longo do ano passado. Em destaque estava o Clube de Ciências Saúde em Foco, apresentando projetos dedicados à promoção do bem-estar e alinhados à ODS 3 (Saúde e Bem-estar).
Coordenado pela professora Franciele Carla Soares, o clube tem feito um trabalho de excelência, refletido na qualidade e relevância de seus estudos, que buscam garantir o acesso à saúde e promover o autocuidado individual e coletivo na comunidade.
No evento, o Clube de Ciências Saúde em Foco apresentou iniciativas de grande importância social, incluindo a Campanha de Doação de Sangue e a produção de Repelente Caseiro como medida prática no combate à dengue.
Em um trabalho de grande relevância, os clubistas utilizaram como base o estudo da doutora Carolina Panis, sobre a exposição a agrotóxicos e a incidência de câncer de mama em mulheres agricultoras do Sudoeste do Paraná.
A partir de coletas de dados no colégio, a professora Franciele Carla Soares observou que a maioria dos alunos desconhecia os cuidados necessários no manuseio e aplicação de agrotóxicos, bem como os procedimentos adequados para a limpeza de roupas e equipamentos. Essa falta de informação evidenciou um cenário de risco para trabalhadores, suas famílias e a comunidade.
Diante dessa realidade, os clubistas desenvolveram o panfleto “Agrotóxicos e o Câncer de Mama” para conscientizar as famílias de Santa Izabel do Oeste envolvidas na agricultura. Este projeto teve apoio do Sicredi Fronteiras para impressão dos panfletos e divulgação do trabalho do clube. Esse apoio ampliou o alcance da informação sobre agrotóxicos e câncer de mama, permitindo que mais pessoas tivessem acesso às informações.

O trabalho do Clube Saúde em Foco recebeu apoio e acompanhamento contínuo de instituições essenciais. O Núcleo Regional de Educação (NRE) de Francisco Beltrão, representado pela técnica pedagógica Aline Bernart Vannini, e a Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) – Campus Realeza (PR), representada pela professora doutora Cláudia Fioresi, coordenadora do projeto Rede de Clubes Paraná Faz Ciência pela UFFS. Ambas contribuíram ativamente com ações que apoiaram os clubistas na promoção do conhecimento e da conscientização sobre práticas saudáveis e prevenção de doenças.
A Culminância serviu como uma retrospectiva do trabalho feito com eficiência. Ao final da exposição, a professora Franciele Carla Soares, coordenadora do clube, comentou sobre a jornada. “Sinto uma imensa gratidão por tudo o que vivenciamos e construímos neste ano de 2025, no Clube de Ciências Saúde em Foco. Cada pesquisa, cada conversa com a comunidade, cada parceria fechada, cada estudo aprofundado e cada desafio superado representaram passos importantes em uma caminhada feita com dedicação, curiosidade e responsabilidade. Agradeço por cada aluno que acreditou no projeto, cada parceria que abriu caminhos e pelos momentos em que a aprendizagem se transformou em ação”, celebrou a docente.
Para ela, os resultados alcançados não são apenas atividades concluídas, mas um reflexo do esforço coletivo, do compromisso com a ciência e do desejo sincero de gerar impacto positivo na vida das pessoas. “Quando trabalhamos com propósito e união, a ciência floresce — e transforma!”, finalizou.
O empenho da professora Franciele e o compromisso dos estudantes com a ODS 3 estabelecem o Clube de Ciências Saúde em Foco como um modelo de ciência e saúde pública voltada à comunidade em Santa Izabel do Oeste.
A atividade permitiu aos estudantes conhecerem de perto a produção de mel e a importância da polinização na agricultura

No dia 3 de dezembro, o clube união-vitoriense Apis Club, articulado pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), participou de uma imersão prática em apiário, realizada pela Casa Familiar Rural em parceria com a família de produtores locais, os Lipinski. Recebidos pelo casal Wilson e Adriane e seu filho Vitor, os clubistas visitaram a chácara da família, localizada na Colônia Porto Almeida, em União da Vitória. No local, conheceram as etapas de colheita e extração de mel, auxiliando em alguns processos e esclarecendo dúvidas a respeito de técnicas de manejo, segurança e boas práticas na produção de mel.

A atividade dialoga diretamente com as pesquisas desenvolvidas pelo Apis Club, que se dedicam ao estudo do universo das abelhas, incluindo manejo apícola e meliponícola, saúde das colônias e o papel ecológico desses insetos na polinização e na manutenção dos ecossistemas. A vivência permitiu que os estudantes observassem, em situação real, aspectos que usualmente são abordados nos encontros do clube, como a importância dos protocolos de segurança na apicultura — desde o uso correto dos equipamentos de proteção até os procedimentos necessários para evitar acidentes durante o manejo.

Em suas redes sociais, a Casa Familiar Rural destacou que a atividade despertou grande interesse entre os estudantes, os quais se mostraram motivados a aprofundar os conhecimentos sobre apicultura. A escola também ressaltou que muitos reconheceram o potencial da prática para ser incorporada às propriedades familiares, tanto pela produção de mel quanto pelos benefícios da polinização para diferentes culturas agrícolas.

Ao longo de 2025, o clube tem articulado suas investigações com diferentes espaços formativos e eventos científicos. Entre as ações realizadas, o Apis Club apresentou seus trabalhos em Guarapuava, durante a I Mostra de Clubes de Ciência, e em União da Vitória, no Ciclo de Encontros da Semana do Biólogo, promovido pela UNESPAR. Esses momentos contribuíram para fortalecer o vínculo dos estudantes com a pesquisa e para dar visibilidade às iniciativas desenvolvidas no clube.
Moção de Aplausos reconhece o impacto de projetos de sustentabilidade e ODS desenvolvidos por estudantes do Colégio João Paulo I, na cidade

O Clube de Ciências Conexão e Sustentabilidade, sediado no Colégio Estadual João Paulo I, em Bom Sucesso, recebeu uma notável homenagem no dia 1º de dezembro de 2025. Durante sessão da Câmara Municipal, uma Moção de Aplausos em reconhecimento ao valoroso trabalho desenvolvido pelos alunos foi entregue.
Coordenado pela professora Elaine Correa Soares, o clube foi publicamente reconhecido pela dedicação nas iniciativas que contribuíram para a educação e a sustentabilidade da cidade ao longo do ano.
A homenagem formal reflete a qualidade dos projetos desenvolvidos pelos clubistas, que alinham a pesquisa científica com as demandas sociais e ambientais locais, focando nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). O trabalho demonstra como a ciência produzida na escola pode impactar diretamente a vida em comunidade.
Dois projetos exemplificam a atuação do clube:
Horta, Soft Skillse Robótica: O projeto ‘Horta escolar como cenário de aprendizagem para o desenvolvimento de soft skills e a formação socioemocional na educação’ utilizou a horta escolar como laboratório vivo. Os estudantes não apenas fortaleceram habilidades de comunicação e cooperação, mas também aplicaram conhecimentos em robótica para otimizar o cultivo, integrando as ODS 2 (Fome Zero) e ODS 6 (Água Potável).

Alternativa Ecológica: Com o projeto ‘Produção de Tintas Naturais a partir de Pigmentos Vegetais e Minerais como Alternativa Sustentável às Tintas Sintéticas’, os alunos criaram tintas ecológicas a partir de urucum, beterraba, açafrão-da-terra e terra. A iniciativa visa reduzir o impacto ambiental dos compostos químicos industriais. As tintas foram usadas por alunos da educação infantil da escola, unindo a arte ao debate ambiental.

Estes e outros projetos geraram conhecimento, aproximando escola e comunidade para uma reflexão do que cada um pode fazer para adotar hábitos mais sustentáveis e conscientes em relação à natureza.
O Clube de Ciências Conexão e Sustentabilidade integra a Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, vinculado ao Núcleo Regional de Educação (NRE) de Apucarana e tem as ações coordenadas pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), instituições que acompanham o trabalho do clube.
Os coordenadores do projeto Rede de Clubes Paraná Faz Ciência pela UTFPR Campus Apucarana, os professores Ênio Stanzani e Sabrina Klein, e o representante do NRE de Apucarana, Hugo Augusto Costa, parabenizaram o clube pelo reconhecimento. Eles destacaram que a Moção de Aplausos é fruto de um ano de dedicação à pesquisa que integra diversas áreas — como biologia, física, química, robótica e IoT (Internet das Coisas) — e se traduz em projetos aplicáveis à realidade local e à agricultura familiar.
Sobre a importância desse reconhecimento, a coordenadora, professora Elaine Correa Soares, destaca a qualidade e o comprometimento dos estudantes. “Nossos alunos participaram de feiras científicas, desenvolveram projetos inovadores, trabalharam com temas ambientais e sociais, e ainda levaram conhecimento para outras turmas e escolas”, conta.
Além de envolver a comunidade em atividades que estimularam o senso crítico e a curiosidade. “Tudo isso chamou a atenção pelo impacto que os estudantes despertaram e que movimentou não só a escola, mas se aproximaram da comunidade e levaram o nome de Bom Sucesso para outros espaços com orgulho”, comemora a Elaine.
A Moção de Aplausos, somada às premiações que o Clube de Ciências Conexão e Sustentabilidade conquistou em feiras científicas, marcam o reconhecimento do esforço e da dedicação dos clubistas. O trabalho de pesquisa e inovação realizado hoje por esses jovens promete reverberar positivamente no futuro, inspirando as próximas gerações e contribuindo de forma contínua para o município.
Quando a curiosidade encontra método, os clubes se transformam em espaço de criação

Nos Clubes de Ciência conectados ao Paraná Faz Ciência e que se encontram dentro de escolas públicas do estado, o método científico não é apenas conteúdo de livro. Ele aparece em cada dúvida, em cada tentativa, no cuidado com os registros e na curiosidade que move os estudantes. Entre observações, experimentos e conversas, os grupos aprendem a investigar o mundo a partir das próprias experiências.
Cada clube encontra seu próprio caminho para transformar perguntas em investigação. Em alguns, o ponto de partida está na natureza que cerca a escola. Em outros, nas rotinas da comunidade. Em outros ainda, na vontade de entender como certas práticas funcionam e por que funcionam. O que une todos esses grupos é o processo de observar, levantar hipóteses, testar, comparar e comunicar.
No Colégio Estadual Maria Aguiar Teixeira, de Curitiba, o Clube Exploradores da Ciência transforma perguntas do cotidiano em investigação estruturada. A estudante Luiza conta que o grupo começou estudando o consumo de água na escola e, para isso, elaborou e aplicou um questionário entre os colegas, analisando os dados coletados para entender padrões de uso e possíveis desperdícios. Na etapa seguinte, o clube voltou a atenção para os refrigerantes, realizando experimentos sobre composição e discutindo os impactos do consumo excessivo na saúde.
Luiza explica que descobriram um alto consumo de refrigerante e vários efeitos negativos, como diabetes. A partir desses resultados, o grupo produziu ações de divulgação para conscientizar a comunidade escolar. Agora, os estudantes iniciam uma nova fase de pesquisa, voltada ao trânsito no entorno da escola, o que reforça como a investigação científica acompanha as perguntas que surgem da vida cotidiana.
A pesquisa sobre refrigerantes chamou atenção na FECCI 2025, a Feira de Cultura Científica do Paraná Faz Ciência, realizada entre 4 e 6 de novembro, em Curitiba, ocasião em que o clube foi reconhecido com um prêmio na categoria Saúde.
Para o professor coordenador, Jeremias Ferreira da Costa, a premiação representa o valor do percurso realizado. Ele destaca que o projeto trabalhou com foco na saúde e investigou os conhecimentos envolvendo o refrigerante, e afirma que receber o prêmio foi uma honra e uma coroação do trabalho desenvolvido. Costa disse que o reconhecimento reforça o compromisso do grupo com a pesquisa científica. Entre os estudantes, o sentimento também é de celebração.
A aluna Sofia Gabriele lembra do esforço coletivo ao longo dos meses de investigação e diz que ficou muito feliz ao saber que a pesquisa havia sido premiada, já que o grupo trabalhou intensamente desde o ano anterior.
Outro exemplo de aprendizagem baseada em investigação está no Colégio Estadual Máximo Atílio Asinelli, também em Curitiba, onde o Clube de Ciências Máximo tem uma pesquisa dedicada à horta escolar e também foi premiado na FECCI 2025.
O grupo se organiza a partir do trabalho com a terra, da observação das plantas e do acompanhamento do cultivo, desde o preparo do solo até o desenvolvimento das espécies escolhidas. Os estudantes verificam as condições das mudas, monitoram possíveis pragas, registram o que está funcionando e planejam próximas etapas. O processo envolve tanto conhecimento científico quanto cuidado, paciência e reflexão sobre o ambiente da escola. A horta se torna um espaço de aprendizagem, mas também de planejamento e responsabilidade coletiva, articulando teoria e prática de forma contínua.
Os exemplos ilustram como o método científico ganha sentido quando se aproxima do cotidiano. Entre questionários, experimentos, cuidados com o cultivo e ações de divulgação, os estudantes descobrem que pesquisar é perguntar, registrar e revisitar o tema sempre que necessário. A investigação se torna parte da rotina e permite que cada grupo enxergue a escola como lugar de descoberta e criação de conhecimento. A premiação já na primeira edição da FECCI reforça o valor desses processos e destaca o potencial transformador dos Clubes de Ciência no território escolar.
A equipe apresentou os projetos desenvolvidos, mostrando inovação e ciência dentro do Arranjo

O Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (NAPI) – Paraná Faz Ciência (PRFC) esteve presente no 2º Festival Internacional de Inovação de Londrina (FIIL – 2025). A equipe aproveitou o momento para apresentar ao público alguns dos projetos que compõem o Arranjo. O evento ocorreu nos dias 27 e 28 de novembro, no Parque Governador Ney Braga.
A segunda edição do FIIL reuniu autoridades, empresários, pesquisadores e representantes das 12 governanças do ecossistema e lideranças nacionais do setor de inovação. O NAPI PRFC participou do debate com um estande, trazendo dados das Redes de Clubes de Ciência, Feiras de Ciência e Museus de Ciência.
Foram apresentados, também, o Programa Interinstitucional de Ciência Cidadã na Escola (PICCE) e a Pesquisa de Percepção Pública de CT&I no Paraná, lançada recentemente. A equipe que estava representando o NAPI PRFC no evento foi composta por professores e alunos bolsistas da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e Universidade Estadual de Maringá (UEM).

O evento contou ainda com palestras e divulgação de iniciativas relevantes para o estado. Foram discutidos temas estratégicos, como inovação em políticas públicas, educação, saúde e agro, por exemplo. O objetivo era mostrar como a tecnologia pode estar ao alcance da sociedade e ser utilizada para facilitar o dia a dia das empresas e da população.
O FIIL 2025 foi promovido pela Estação 43, com co-realização do Sebrae/PR e Abratic (Associação Brasileira de Tecnologia, Inovação e Comunicação). O Festival contou com o apoio da Prefeitura de Londrina, do Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Codel) e do Governo do Paraná, por meio das Secretarias da Inovação e Inteligência Artificial (Seia), de Turismo (Setu), Ciência, de Tecnologia e Ensino Superior (Seti) e da Fundação Araucária.
Sessão sobre missões lunares no Planetário da UENP encanta clubistas do Ecoarte Lucy

No dia 21 de outubro de 2025, o Clube de Ciências do Colégio Estadual Lucy Requião de Mello e Silva, de Cambará – ligado ao NRE Jacarezinho -, realizou uma visita ao Planetário da UENP (Universidade Estadual do Norte do Paraná) , situado no campus Cornélio Procópio. A atividade foi organizada e acompanhada pela coordenadora do clube, a professora de artes Jackeline Alvarenga e Maria Eduarda Diniz, bolsista pedagógica da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, pela UENP.
Participaram da visita 30 clubistas, acompanhados por três professores, enriquecendo a experiência de aprendizagem diferente daquela oferecida no cotidiano escolar. Ocorrendo em um ambiente de aprendizagem não formal, a proposta da atividade era aproximar os estudantes dos conteúdos astronômicos por meio de uma vivência prática e sensorial, conectando a teoria estudada em sala às possibilidades oferecidas por um ambiente imersivo.
Durante a programação, os clubistas assistiram a sessões sobre as missões espaciais que planejam levar novamente o ser humano à Lua. As projeções despertaram interesse e estimularam discussões sobre exploração espacial, tecnologia e os desafios científicos envolvidos nessas iniciativas.

Mais do que complementar os estudos sobre o universo, a visita estimulou a criatividade, a curiosidade e a capacidade de buscar novas respostas para questões conhecidas. Ao entrar em contato com diferentes formas de aprender, os estudantes ampliam sua percepção de mundo e fortalecem o desejo de explorar, investigar e imaginar. E você, já visitou um planetário?
Projeto de aluno do Clube Ceepiências levou o prêmio de 3º colocado na categoria Saúde ao oferecer opção para seletividade alimentar

O estudante Mateus Henrique Kailes de Souza, integrante do Clube de Ciências Ceepiências, do Centro Estadual de Educação Profissional (CEEP) de Cascavel, ganhou destaque na Feira de Cultura Científica (FECCI) do NAPI – Paraná Faz Ciência ao conquistar o 3º lugar geral na categoria Saúde. O reconhecimento veio pelo projeto “Panquecas Nutritivas para Crianças com Seletividade Alimentar”, desenvolvido ao longo do ano no clube.
O trabalho apresentou receitas de panquecas nutritivas voltadas para crianças e adolescentes com seletividade alimentar, uma condição que limita o consumo de diversos alimentos por alta dificuldade em consumir certos grupos de alimentos ou recusa em experimentar alimentos com determinadas texturas, o que pode comprometer a ingestão adequada de nutrientes essenciais ao desenvolvimento corporal. Segundo o estudante Mateus, a seletividade alimentar é especialmente comum em crianças dentro do espectro autista, o que reforça a relevância social do projeto em oferecer opções para esse grupo.
Para Mateus, participar da FECCI foi marcante. “É uma sensação incrível ter ido à feira e ter sido premiado. Lá pude conhecer vários projetos interessantes, que podem inclusive me ajudar a aprimorar o meu próprio trabalho. Foi uma experiência inesquecível”, descreve.
Além do reconhecimento na Feira realizada em Curitiba, o estudante destaca que o evento proporcionou trocas de conhecimento e vivências que fortalecem o impacto do projeto, já que seu resultado pode ter um efeito direto na saúde e na qualidade de vida de crianças que enfrentam dificuldades alimentares, ao mesmo que tempo que precisam dos nutrientes adequados para seu crescimento e desenvolvimento intelectual.
A conquista da 3ª colocação na FECCI evidencia o compromisso de clubistas como Matheus com a ciência e funciona também como um importante incentivo para que os clubistas continuem a produzir pesquisas que impactam diretamente a vida das pessoas. Além de aproveitar essas interações entre os clubes para buscar novas ideias e continuarem participando das próximas Feiras de Ciências.
O Clube Green Lab atua refletindo sobre sustentabilidade e reciclagem

Em Cruzeiro do Oeste, um clube de ciências chama a atenção por reutilizar o óleo de cozinha para desenvolver produtos, entre eles sabão em barra, líquido e velas. O Green Lab tem 14 alunos, do primeiro e segundo ano do Ensino Médio, e buscam trabalhar com a reciclagem.
Conforme o professor orientador, Rafael Fernando de Melo, os clubistas do Colégio Estadual Almirante Tamandaré aliaram ciência, sustentabilidade e ação social, com oficinas para a produção de sabão sólido e líquido, a partir do óleo enriquecido com aditivos naturais, como folha de mamão e cravo-da-índia.
Melo conta que a iniciativa dos sabões foi uma forma dos alunos se envolverem com a conscientização ambiental e também levar os conhecimentos para a comunidade escolar. “Foram desenvolvidas competências em química e empreendedorismo entre os estudantes, além da integração da população local com a comercialização simbólica do produto”, explica o professor.
Os clubistas venderam os sabões na Culminância, um evento semestral que acontece em escolas integrais para apresentação dos trabalhos realizados em disciplinas eletivas. Como os clubes de ciências da Rede de Clube Paraná Faz Ciência nesse caso são eletivas, também participam dessa experiência.
O professor afirma que uma parte dos sabões ficou para a escola e o restante foi vendido a dois reais no evento. A renda obtida com as vendas foi integralmente revertida na compra de mais reagentes. “Cinco litros de óleo renderam 95 litros de sabão líquido”, comemora. O espaço fomentou o protagonismo dos estudantes e a disseminação do conhecimento.
Este evento foi considerado pelo professor como um dos momentos mais marcantes para o clube. Isso porque os alunos se comunicaram com outras escolas e ensinaram o que aprenderam em relação à reciclagem do óleo, sobre os prejuízos de jogá-lo na pia e sobre outras mensagens importantes aprendidas no Green Lab.

O primeiro projeto do clube foi a fabricação das velas, com a professora de química Priscila de Bem. Atualmente, as atividades do clube estão sob a coordenação do professor Rafael Fernando de Melo e o projeto principal é trabalhar com a produção de sabão. O Green Lab se reúne nas duas últimas aulas da quinta-feira para atuar na prática e também com teoria. “Nós vamos pesquisando para incrementar novas ideias no nosso sabão e depois testamos”, conta o professor.
Entre as dificuldades, o educador cita a frequência dos alunos. Ele aponta que por ser um colégio integral, quando chega nas últimas aulas os estudantes tendem a ir embora. Por isso uma alteração foi sugerida para o próximo ano. “A ideia é que no ano que vem o clube aconteça no período da manhã, para aumentar a participação”, afirma o docente. Mesmo assim, Rafael afirma que não há problemas com a disciplina dos clubistas, ele observa empenho e colaboração. “Quando eles estão em sala de aula, participam e se dedicam. Como foi na Culminância, quando eles demonstraram muito empenho ao decorarem a sala e buscarem pessoas para a venda do sabão”, relembra.
O clube também é um local de experiência para o professor Rafael. “É uma oportunidade de aprender também, de ter essa vivência de estar orientando um aluno e iniciando ele numa caminhada científica”, conta. Para os alunos não é diferente, o clube está sendo fundamental na formação. “É um maior contato com a ciência”, diz.
Entre os próximos passos, buscar outras alternativas para reciclar o óleo é uma delas. Para isso, uma sugestão é utilizá-lo na produção de matéria orgânica para nutrir o solo, porém sem utilizar muito óleo, explica o professor. Outro objetivo é também transformar o colégio em um ponto de coleta de óleo. “A gente pensa em colocar uma caixa d’água, vedar bem o solo e assim poder reciclar esse óleo”,
O clube inclusive tem o apoio da secretaria de meio ambiente da cidade. Além disso, a intenção também é trabalhar com a educação ambiental visitando escolas municipais para transmitir os conhecimentos adquiridos no clube para mais crianças e adolescentes. “E até dentro da escola mesmo, porque a gente percebeu que nem todos têm o conhecimento em torno da reciclagem”, explica Fernando.
Alunos do “Exploradores da Ciência” estudaram todo o espaço, trazendo dados como a fauna, flora e cardápio da escola

Você sabe tudo sobre a escola em que estuda ou estudou? Esse foi o desafio proposto para os alunos do clube Explorados da Ciência, do Colégio Estadual Antônio de Moraes Barros, em Londrina. A equipe está dividida basicamente em quatro grupos, nos quais analisam aspectos da flora, fauna e até do cardápio da merenda e resíduos orgânicos do espaço escolar.
A pesquisa segue um padrão semelhante aos trabalhos de Iniciação Científica, sendo realizada por meio de subprojetos. Isso significa que há a parte prática, mas também há escrita. Para a professora coordenadora, Karina Furlanete, esse formato de avaliação está trazendo mais amadurecimento e autonomia aos estudantes, principalmente na compreensão do fazer científico.

Segundo a docente, a ideia é que os alunos cheguem ao segundo ano do clube e ao Ensino Médio com conhecimentos acima do esperado. “Não importa qual área eles vão escolher no Ensino Médio, em relação ao itinerário informativo ou a um possível vestibular. Eles vão conseguir usar essa capacidade desenvolvida para a vida deles, não se restringe ao contexto escolar”, destaca.
No NAPI – Paraná Faz Ciência, o clube é articulado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Os alunos já apresentaram dois seminários no ambiente escolar e, agora, se preparam para participar dos eventos e feiras científicas propostas dentro da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência.
Ao longo deste ano, o primeiro grupo trabalhou com a temática “Levantamento florístico do território escolar”. Os alunos catalogaram espécies da escola, separando a mata em partes e coletando uma por uma. Até o momento, há 31 espécies registradas e 21 identificadas. Para a próxima fase, o estudo se chamará “Enriquecimento florístico do território escolar”. O novo foco será em produzir mudas, principalmente de espécies frutíferas.
O segundo grupo investigou o “Levantamento da fauna do território escolar”. Neste, os estudantes buscaram investigar o que a comunidade entendia dos animais que habitam o espaço. Foram identificados 14 animais, com base em entrevistas realizadas com professores e demais funcionários da escola. O projeto futuro será com “Abelhas nativas”, considerando o registro de abelhas Jataí na área pesquisada.

O terceiro grupo atua com a “Análise do Cardápio Escolar”, comparando-o às exigências do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Foi constatado que a merenda está dentro dos parâmetros, com variação na oferta de frutas, legumes e verduras. Além disso, os clubistas investigaram as preferências alimentares dos alunos do período vespertino. Agora, irão avaliar possibilidades de cultivo de plantas em canteiros alternativos, para o enriquecimento do cardápio.
O quarto e último grupo, por sua vez, surgiu da união de dois projetos. Um trabalhava com resíduos sólidos não orgânicos e o outro com composteiras. Em conjunto, passaram a coletar materiais da cantina com o objetivo de identificar os tipos de resíduos sólidos produzidos na escola. Além disso, a ideia é propor intervenções para o gerenciamento desses resíduos.
Professores e membros da organização da FECCI podem responder ao formulário de opinião no site da Feira

Milhares de pessoas participaram da Feira de Cultura Científica (FECCI), promovida em novembro desse ano. Agora, é hora de avaliar o evento. A ideia é que essas informações sejam usadas para que ele se torne ainda melhor, em 2026.
Para isso, pedimos a contribuição de todos aqueles que participaram da organização e das atividades da FECCI. É essencial conhecer a opinião de professores, articuladores, orientadores, pós-doutorandos, bolsistas BTNS e demais integrantes da gestão.
O instrumento para levantar essas informações é um formulário que está disponível no site da FECCI (fecci.net.br).
A pesquisa é dirigida apenas a professores e parceiros do NAPI Paraná Faz Ciência, estudantes não devem responder!
O articulador do NAPI Paraná Faz Ciência e coordenador da feira, Rodrigo Reis, lembra que “todo evento, apesar do sucesso, pode ser melhor. E é isso que essas informações coletadas vão permitir, em 2026.”
Já a outra articuladora do NAPI e também coordenadora da FECCI, Débora Sant’Ana, lembra que esse processo avaliativo é uma parte importante de todas as ações desenvolvidas pelo NAPI. “Especialmente, a FECCI, uma das maiores iniciativas do Arranjo. Contribuam!”