Clubistas falam dos planos para os eventos, sobre novas pesquisas e aprofundamento de projetos

Com o início do ano letivo, os Clubes de Ciências do Paraná Faz Ciência entram em uma nova etapa de planejamento e aprofundamento das investigações desenvolvidas ao longo do tempo. Alguns projetos iniciados anteriormente seguem em expansão, enquanto experiências acumuladas em feiras e eventos científicos inspiram novas perguntas e orientam diferentes caminhos de pesquisa, consolidando um processo investigativo contínuo. A chegada de novos integrantes também amplia perspectivas e contribui para a diversidade de temas e interesses que mobilizam os clubes.
Nos diferentes clubes da rede, esse movimento já se traduz em ações concretas. Além da organização das pesquisas e do planejamento das atividades, várias unidades realizaram encontros de apresentação, divulgação interna e mobilização para integrar novos clubistas, iniciativas essas que ampliam a participação, fortalecem o sentido de pertencimento e garantem a continuidade das ações ao longo do ano.
No Colégio Prefeito João Maria de Barros, por exemplo, em Campina Grande do Sul, a professora coordenadora Taiza Klemba precisou reorganizar o grupo após a mudança de turno de parte dos estudantes com a passagem para o nono ano. “Eu passei de sala em sala convidando, fechei o número de 20 estudantes e tenho lista de espera”, relata. A docente destaca que a procura foi facilitada pela reputação já consolidada do projeto entre os alunos, que reconhecem as atividades diferenciadas, as aulas de campo e as pesquisas desenvolvidas.
Já no Clube Bona, em Almirante Tamandaré, formado por alunos de Ensino Médio, a pesquisa sobre qualidade da água pode ganhar novos desdobramentos ao longo deste ano. Além da abordagem biológica já realizada pelos estudantes, há a possibilidade de incorporação da análise química, a partir do interesse demonstrado pela professora do curso técnico em Química do colégio em colaborar como coautora do trabalho, fortalecendo a perspectiva interdisciplinar e ampliando o alcance do estudo. Para os integrantes, essa ampliação dialoga com a própria trajetória do grupo. “É o mesmo tema, só que analisado de formas diferentes. Isso é interessante”, comenta Eduardo Fernando Ferreira da Silva, 17 anos.
Além da continuidade dos estudos já desenvolvidos, o grupo também projeta novas áreas de interesse para o próximo período. Entre elas, a identificação de animais e o aprofundamento em estudos sobre plantas medicinais têm ganhado destaque, refletindo o amadurecimento das discussões e a ampliação do repertório científico dos estudantes.
No caso da identificação, o interesse integra o percurso de Gabriel Victor do Nascimento, 16 anos, no clube e ganhou novas referências após a participação na FECCI (Feira de Cultura Científica do Paraná Faz Ciência). “Na feira eu vi muita gente esforçada em pesquisa de identificação de animais e isso me motivou ainda mais”, relata. Dentro das atividades do grupo, uma iniciativa do estudante passou a integrar as práticas do clube: ele levou um aquário que estava sem uso em casa e iniciou uma experiência com a alga da espécie elódea. O experimento permitiu observações no microscópio e revelou a presença inesperada de duas espécies de caramujos de água doce, ampliando as possibilidades de análise e identificação.
No campo das plantas medicinais, a inspiração surgiu a partir da premiação conquistada na FECCI no ano anterior, que incluiu um livro sobre o tema. “Eu gostaria que neste ano, por exemplo, um trabalho que a gente fizesse fosse focado no livro que a gente ganhou. Sobre as plantas medicinais. Eu acho interessante”, afirma Maíra de Andrade Ribeiro, 16 anos. A proposta também desperta interesse em Suzanna Heliza Gonçalvez de Freitas, de mesma idade, que destaca a possibilidade de utilizar os conhecimentos sobre plantas medicinais em estudos voltados à área da cosmética, explorando o uso de bases naturais no desenvolvimento de produtos.
Com projetos voltados para a área de robótica educacional e engenharia aplicada, o Clube de Ciências Nautilus Robotics, de Pinhais, iniciou o ano letivo já envolvido em atividades externas. No último sábado, 21 de fevereiro, a equipe participou do Amistoso das Araucárias, realizado no Colégio Sesi Indústria, evento preparatório para as próximas etapas da FIRST Tech Challenge (FTC), competição internacional de robótica educacional. O encontro reuniu equipes para momentos de prática, testes e ajustes antes das disputas oficiais.
Para Samuel, 16 anos, a participação foi especialmente marcante. Integrante da equipe nas funções de programação e engenharia, ele assumiu, desta vez, a pilotagem do robô. “Foi algo muito emocionante. Dessa vez pude ter a chance de pilotar”, relata.
Para 2026, a expectativa é avançar em relação ao ano anterior, com ajustes técnicos, ampliação dos conhecimentos e participação nos eventos previstos ao longo da temporada, fortalecendo a presença da equipe no Paraná e, possivelmente, em outros estados.
Rafael Lopes Virmond, 18 anos, também projeta o ano como uma oportunidade de aprimoramento técnico e integração com o grupo. A expectativa é desenvolver ainda mais suas habilidades como engenheiro e modelador 3D, além de fortalecer a convivência com os integrantes da Nautilus Robotics e com outras equipes da FTC. “Participar dos campeonatos, conhecer outras equipes e aprender como eles montam os robôs ajuda a melhorar o nosso trabalho em equipe”, afirma.
Já Hiran Silva dos Santos, 16 anos, destaca a necessidade de aperfeiçoamentos no desempenho do robô, especialmente em relação à precisão nos lançamentos. Segundo ele, o novo ciclo também demanda maior organização interna, com a definição de funções que permitam a cada integrante aprofundar-se em áreas como modelagem 3D, programação e pilotagem, sem perder o caráter colaborativo do grupo. A expectativa é que os próximos eventos, sejam amistosos ou oficiais, contribuam para um melhor desempenho no ranking e reforcem a motivação da equipe.
Além das expectativas dos estudantes, o professor Guido Valmor Buss, coordenador do Clube de Ciências Nautilus Robotics no Colégio Estadual Humberto de Alencar Castelo Branco, projeta um ano de ampliação das atividades e presença em novos espaços. Segundo ele, a equipe foi convidada a apresentar o projeto do clube no evento Smart City, na Arena da Baixada, e também se prepara para o Off-Season das Araucárias, a próxima temporada da FTC.
O coordenador destaca ainda a incorporação de novos desafios técnicos ao cotidiano do grupo, como a montagem de uma máquina CNC a laser, iniciativa que amplia as possibilidades de aprendizagem prática dos estudantes. “As expectativas são as melhores possíveis. São vários projetos em andamento e outras oportunidades que podem surgir ao longo do ano”, afirma.
Em diferentes áreas do conhecimento, os Clubes de Ciências do Paraná Faz Ciência iniciam o ano letivo com pesquisas em andamento, novas perguntas e reorganizações internas. Seja no campo, no laboratório ou em competições, o que marca esse início de ciclo é a disposição para rever caminhos, ampliar investigações e transformar experiências anteriores em novos pontos de partida.
Quando a curiosidade encontra método, os clubes se transformam em espaço de criação

Nos Clubes de Ciência conectados ao Paraná Faz Ciência e que se encontram dentro de escolas públicas do estado, o método científico não é apenas conteúdo de livro. Ele aparece em cada dúvida, em cada tentativa, no cuidado com os registros e na curiosidade que move os estudantes. Entre observações, experimentos e conversas, os grupos aprendem a investigar o mundo a partir das próprias experiências.
Cada clube encontra seu próprio caminho para transformar perguntas em investigação. Em alguns, o ponto de partida está na natureza que cerca a escola. Em outros, nas rotinas da comunidade. Em outros ainda, na vontade de entender como certas práticas funcionam e por que funcionam. O que une todos esses grupos é o processo de observar, levantar hipóteses, testar, comparar e comunicar.
No Colégio Estadual Maria Aguiar Teixeira, de Curitiba, o Clube Exploradores da Ciência transforma perguntas do cotidiano em investigação estruturada. A estudante Luiza conta que o grupo começou estudando o consumo de água na escola e, para isso, elaborou e aplicou um questionário entre os colegas, analisando os dados coletados para entender padrões de uso e possíveis desperdícios. Na etapa seguinte, o clube voltou a atenção para os refrigerantes, realizando experimentos sobre composição e discutindo os impactos do consumo excessivo na saúde.
Luiza explica que descobriram um alto consumo de refrigerante e vários efeitos negativos, como diabetes. A partir desses resultados, o grupo produziu ações de divulgação para conscientizar a comunidade escolar. Agora, os estudantes iniciam uma nova fase de pesquisa, voltada ao trânsito no entorno da escola, o que reforça como a investigação científica acompanha as perguntas que surgem da vida cotidiana.
A pesquisa sobre refrigerantes chamou atenção na FECCI 2025, a Feira de Cultura Científica do Paraná Faz Ciência, realizada entre 4 e 6 de novembro, em Curitiba, ocasião em que o clube foi reconhecido com um prêmio na categoria Saúde.
Para o professor coordenador, Jeremias Ferreira da Costa, a premiação representa o valor do percurso realizado. Ele destaca que o projeto trabalhou com foco na saúde e investigou os conhecimentos envolvendo o refrigerante, e afirma que receber o prêmio foi uma honra e uma coroação do trabalho desenvolvido. Costa disse que o reconhecimento reforça o compromisso do grupo com a pesquisa científica. Entre os estudantes, o sentimento também é de celebração.
A aluna Sofia Gabriele lembra do esforço coletivo ao longo dos meses de investigação e diz que ficou muito feliz ao saber que a pesquisa havia sido premiada, já que o grupo trabalhou intensamente desde o ano anterior.
Outro exemplo de aprendizagem baseada em investigação está no Colégio Estadual Máximo Atílio Asinelli, também em Curitiba, onde o Clube de Ciências Máximo tem uma pesquisa dedicada à horta escolar e também foi premiado na FECCI 2025.
O grupo se organiza a partir do trabalho com a terra, da observação das plantas e do acompanhamento do cultivo, desde o preparo do solo até o desenvolvimento das espécies escolhidas. Os estudantes verificam as condições das mudas, monitoram possíveis pragas, registram o que está funcionando e planejam próximas etapas. O processo envolve tanto conhecimento científico quanto cuidado, paciência e reflexão sobre o ambiente da escola. A horta se torna um espaço de aprendizagem, mas também de planejamento e responsabilidade coletiva, articulando teoria e prática de forma contínua.
Os exemplos ilustram como o método científico ganha sentido quando se aproxima do cotidiano. Entre questionários, experimentos, cuidados com o cultivo e ações de divulgação, os estudantes descobrem que pesquisar é perguntar, registrar e revisitar o tema sempre que necessário. A investigação se torna parte da rotina e permite que cada grupo enxergue a escola como lugar de descoberta e criação de conhecimento. A premiação já na primeira edição da FECCI reforça o valor desses processos e destaca o potencial transformador dos Clubes de Ciência no território escolar.