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II WORKDHOP DO NAPI PARANÁ FAZ CIÊNCIA

Com 37 projetos, clubes representam a Unicentro na 1ª Feira de Cultura Científica Paraná Faz Ciência, que ocorre de 4 a 6 de novembro em Curitiba

Em uma foto de plano médio, duas jovens estudantes de cabelo castanho claro estão lado a lado em uma feira de ciências. Elas vestem uniformes pretos idênticos e usam credenciais do evento "FECCI". As estudantes estão posicionadas atrás de uma mesa de exposição que contém objetos de projeto, incluindo um modelo de abelha, pinhas e outros itens. Ao fundo, um grande pôster científico branco detalha o projeto delas, com o título "Modelo Didático do Desenvolvimento da Abelha Mirim".
Estudantes do Colégio de Educação Integral Professor Pedro Carli apresentam o projeto “Modelo didático do desenvolvimento da abelha mirim: da fase ovo ao adulto” na Fecci 2025 (Foto/Clube @climatize_se)

A ciência produzida nas escolas da rede pública do Paraná está em destaque na 1ª Feira de Cultura Científica Paraná Faz Ciência (FECCI), de 4 a 6 de novembro, em Curitiba. A Unicentro, como responsável pela articulação institucional no Centro-Sul, celebra a participação de mais de 20 clubes de sua rede, que levam projetos de pesquisa dos Núcleos Regionais de Educação (NREs) de Guarapuava, Irati, Laranjeiras do Sul e Pitanga.

Os trabalhos demonstram como o conhecimento científico sai da teoria e se aplica na realidade local, estimulando o protagonismo dos estudantes.

NRE DE GUARAPUAVA

Os projetos da região de Guarapuava trazem soluções para desafios ambientais e urbanos. O clube Climatize-se, do Colégio de Educação Integral Professor Pedro Carli, em Guarapuava, apresenta seis projetos:

  1. Modelo didático do desenvolvimento da abelha-mirim: da fase ovo ao adulto;
  2. Abelhas em apuros: como o clima está acabando com nossas super polinizadoras;
  3. Abelhas-sem-ferrão e educação inovadora: da realidade virtual ao modelo didático de colmeia;
  4. Wormtechno: integrando tecnologia e compostagem para um futuro sustentável;
  5. Mãos na terra, abelhas no ar: ação estudantil por um ambiente mais verde;
  6. Jataí: um dia na vida de uma abelha-operária: 360° de realidade virtual para conscientização climática.

Para Katiane dos Santos, orientadora do clube, os projetos em questão despertam os estudantes para a aplicação prática dos conteúdos apreendidos em sala e no laboratório.  “Os projetos possibilitaram que os estudantes percebessem como os conteúdos de ciências e outras áreas se aplicam no cotidiano. O aprendizado saiu do espaço restrito da sala de aula e ganhou significado prático, envolvendo também a comunidade escolar”, afirma.

Sofia apresenta o projeto “Abelhas-sem-ferrão e educação inovadora: da realidade virtual ao modelo didático de colmeia” (Foto/Clube @climatize_se)

Quem também leva diversos projetos é o Colégio Cívico-Militar Heitor Rocha Kramer, de Guarapuava. Na Fecci, clubistas do clube Ecotransformadores, orientado pela professora Daniele Kosmo  vão falar de projetos que envolvem diretamente o bairro onde o colégio se localiza, o Colibri:

  1. Análise dos impactos da implantação de uma rua sustentável (modelo ODS) em uma área de vulnerabilidade social – Bairro Colibri;
  2. Implantação de um jardim suspenso automatizado em um muro de uma rua do Bairro Colibri;
  3. Avaliação dos impactos da implantação de um jardim de chuva no Bairro Colibri.

O clube EcoAction, do Colégio Estadual Francisco Carneiro Martins, em Guarapuava, analisa arroios urbanos com o projeto “Análise biológica, física, química e geográfica de arroios urbanos localizados no parque do lago em Guarapuava-PR“. Para a professora que coordena o clube, Ariane Bianco, “essa análise contribui na alfabetização científica dos alunos que participam do clube de ciências do colégio.”

O Colégio Estadual Cristo Rei trabalha com abelhas. E é sobre a importância delas que o clube Velozes e Curiosos vai falar na feira, com o projeto “A importância das abelhas na sustentabilidade paranaense e na biodiversidade da mata atlântica”. Crissiane Loyse Luiz, que coordena o clube, destaca a importância de feiras como a FECCI no processo de aprendizagem. “Ao participar de feiras e divulgar informações para a comunidade, os alunos compreendem na prática o papel das abelhas na polinização e na manutenção da biodiversidade, percebendo como esses conhecimentos científicos se relacionam diretamente com a produção de alimentos, a preservação ambiental e os desafios das mudanças climáticas que afetam a região em que vivem”, diz.

Por sua vez, no clube Ecos Criativos, do Colégio Estadual Professor Amarílio, em Guarapuava, o professor Doacir Domingues Filho une a ciência à arte no projeto “Instalação do amanhã: a arte que resgata e transforma“, pois “a ciência estimula a investigação, a ecologia, a sustentabilidade e traz consciência ambiental; a arte permite expressar tudo isso de forma criativa”, comenta Doacir.

Os orientandos de Emerson de Souza, professor do Colégio Estadual Padre Chagas, vão a Curitiba com projetos ecléticos. Os estudantes que compõem o clube EcoCientistas Visionários vão apresentar quatro projetos que remetem desde ao trato com a terra até ao empoderamento feminino:

  1. Horta escolar e composteira: sustentabilidade e segurança alimentar;
  2. Saneamento básico e saúde: educação ambiental e protagonismo estudantil no entorno do córrego Barro Preto, Guarapuava-PR;
  3. Inovação em pré-formulações labiais naturais: uma abordagem sustentável e de empoderamento feminino
  4. Jovens cientistas em ação: diagnóstico e soluções para os impactos das inundações em busca de uma justiça climática na foz do córrego Barro Preto em Guarapuava, Paraná.

Um pouco ao norte de Guarapuava, o clube Identidades em Construção, do Colégio Estadual do Campo de Paz, em Candói, está focado na diversidade cultural com o projeto “Diversidade étnico-cultural no Colégio Estadual do Campo de Paz“. A professora Leonara Forquim de Mattos afirma que “conhecer a diversidade étnica e cultural é o primeiro passo para a construção identitária dos estudantes”, define.

Clubistas apresentam projeto no Paraná Faz Ciência, em outubro deste ano (Foto/ clube @indentidades.em.construção.paz)

Os candoianos também serão representados pelo Colégio Estadual Santa Clara. O clube Curiosus, orientado pela professora Edineia Simi Silva, viajou a Curitiba para apresentar o projeto “Águas de Candói: da nascente à maquete, um projeto de ciência e consciência”.

Diretamente de Foz do Jordão, o Colégio Estadual de Segredo, com o clube ScienCES, apresentará os projetos “Sabão artesanal sustentável: produção, percepções da comunidade e estruturação de plano de negócios” e “Desenvolvimento e produção de sabão artesanal sustentável”. Orientado pela professora Sandra Rozanski, o clube figurou ainda na segunda colocação do prêmio ‘Meu Clube é Show’, na categoria produção industrial. A lista foi divulgada nesta semana pela Secretaria de Estado da Educação (SEED).

Comitiva do clube ScienCES recebe da articuladora do NAPI Paraná Faz Ciência, Débora Sant’Anna, a premiação do ‘Meu Clube é Show’ durante a FECCI (Foto/@colegioestadual_segredo)

Em Pinhão, estudantes do Puma Science Club, do CE Bento Munhoz da Rocha Netto, orientados pelo professor João Manuel de Lima, analisam um arroio do município e também propõem uma tecnologia para detecção de vacas em período fértil. Os trabalhos são os seguintes:

1) Análise das condições socioeconômicas da Comunidade rural de Arroio Bonito, interior do Paraná;

2) Da nascente ao consumo: análise da qualidade da água e sua relevância para o saneamento básico em comunidade Arroio Bonito em Pinhão-PR;

3) Detecta cio – protótipo para monitoramento e detecção de vacas em período fértil.

Também de Pinhão, o professor Diórgenes Veres Ronik e seus alunos participarão da feira com os projetos “Transformando o óleo usado em sabão e consciência ambiental” e “Desenvolvimento e produção de sabão artesanal sustentável”, desenvolvidos no clube Óleo nosso de cada dia, do Colégio Estadual Procópio Ferreira Caldas.

Ainda em Pinhão, do Colégio Estadual do Campo Professor Júlio Moreira, a professora Bianca Karine e os clubistas do clube ‘Ciência Verde’ levam o trabalho “Produção de mudas de plantas frutíferas a partir da semente em diferentes luminosidades e substratos”.

Fechando os projetos do NRE de Guarapuava na Fecci, o clube maker Pỹnfīfī, do Colégio Estadual Cacique Otávio dos Santos, em Turvo, investiga os “Ciclos reprodutivos de araucária angustifólia em terra indígena no município de Turvo/PR“, aliando sabedoria tradicional e método científico. Os estudantes são orientados pelo professor Luan Felipe. 

NRE DE IRATI

O clube Quatro Elementos, do Colégio Estadual Alberto de Carvalho, em Prudentópolis, apresentará o projeto “Morfometria das asas de Melipona quadrifasciata como indicador de estresse ambiental“. A responsável pelo clube é a professora Mariel Chociai. Ela valorizou o empenho dos estudantes. “Eles realmente se sentem protagonistas dessas ações, do contrário não estariam vindo em contraturno estudar com tanto empenho e dedicação como eles o fazem. Tenho muito orgulho deles”, afirma.

Ainda em Prudentópolis, o clube Tijuco Preto, do Colégio Estadual do Campo Bispo Dom José Martenetz, levará à FECCI o projeto “Produção de sabonetes artesanais sustentáveis com óleos essenciais de lavanda, capim-cidreira e frutas Cítricas“, que visa a aplicação de produtos a partir de plantas nativas.

De Irati, o clube Raízes da Ciência, do Cefep Presidente Costa e Silva, leva seis projetos relacionados à conservação ambiental.

1) Análise químico-físico e ambiental da bacia do rio das antas no município de Irati-PR; 

2) Hotel de insetos: arquitetura sustentável para fauna invertebrada

3) Mapeamento de árvores matrizes em fragmentos de floresta ombrófila mista do Cefep Presidente Costa e Silva visando a coleta de sementes;

4) Construção de herbário escolar: confecção de exsicatas para identificação de espécies arbóreas do Cefep Presidente Costa e Silva, em Irati;

5) Educação ambiental com integração de tecnologias da informação e comunicação (Tic’s): identificando espécies florestais do paisagismo do Cefep Presidente Costa e Silva por QR Code;

6) Trilha dos sentidos.

Alunos do clube Raízes da Ciência participaram recentemente da FIciências, em Foz do Iguaçu (Foto/@raizesda_ciencia)

No Centro Estadual Nossa Senhora das Graças, em Irati, os EcoCientistas Ambientais, orientados pela professora Elaine Pacheco Costa, estão preocupados com o futuro da água. Para isso, desenvolvem o projeto “Futuro seguro: desvendando a importância da água e purificação do ar no enfrentamento da emergência climática”. Para fomentar a discussão acerca do tema, os estudantes vão apresentar esse projeto na FECCI.

NREs de Laranjeiras do Sul e Pitanga

O Clube Maker do Chico, do Colégio Estadual do Campo Chico Mendes, em Quedas do Iguaçu, demonstrará o seu trabalho com abrigos de baixo custo para abelhas nativas em bioconstrução com taipa e telhado verde, utilizando sensores conectados via Arduino.

Clube Maker do Chico marcando presença na 1ª Mostra Científica do Paraná Faz Ciência (Foto/@clubemaker.chico)

De Santa Maria do Oeste, o clube Cionekando com Ciência, do Colégio Estadual João Cionek, orientado pela professora Milena Barcellos, vai destacar a própria iniciativa dos clubes de ciências no projeto “Clubinho de ciência ‘Cionekando com ciência’: espaço de aprendizado científico, protagonismo e corresponsabilidade social na escola e comunidade.”

O município de Palmital também estará representado na FECCI. Os clubistas do Colégio Estadual Dr. João Ferreira Neves, a partir do clube Pé Vermelho, orientado pela professora Elizabete Pazio, levam o projeto “Saneamento básico e cidades sustentáveis: percepção da população em Palmital-PR”.

Já no clube Raízes do Saber, do Colégio Estadual Floriano Peixoto, em Laranjeiras do Sul, a professora Jane Aparecida Lazare Pereira e seus alunos desenvolvem dois projetos focados em segurança alimentar com horta livre de agrotóxicos. São intitulados: “Raízes e versos: cultivando sabedoria na horta escolar” e “O papel da horta escolar no aumento da segurança alimentar e nutricional: um caminho para a sustentabilidade e o consumo consciente”.

Também diretamente de Laranjeiras, os Desbravadores do Conhecimento, do Colégio Estadual Olavo Bilac, levam a Curitiba o projeto “Ecobarreiras com materiais reaproveitáveis”. A orientação fica por conta do professor Elton Pontarolo de Abreu. 

O Colégio Estadual Indígena Kó Homu, de Laranjeiras do Sul, levará os saberes tradicionais com o projeto “Memória, cultura e sustentabilidade: o artesanato Kaingang em foco”, desenvolvido pelo clube Raízes do Saber, com a professora Daiane Freitas.

O clube Discípulos de Pasteur, do Colégio Estadual Professora Elenir Linke, em Cantagalo, traz temas de microbiologia e saneamento em projetos como “Wetland em miniatura: uma ferramenta didática para o estudo de bioindicadores na purificação de água” e “Potencial do Kombucha como agente conservante natural em alimentos perecíveis”. Quem orienta os trabalhos é a professora Luana de Almeida Pereira. Ao todo, seis projetos do clube estarão na FECCI. Os demais são: “Percepções e lacunas no conhecimento sobre microrganismos entre estudantes do ensino fundamental e médio: subsídios para ações de um clube de ciências”; “Descarte irregular de resíduos sólidos: impactos socioambientais e práticas educativas no entorno do córrego barro preto, Guarapuava-PR”.

Clubistas do Colégio Elenir Linke, os Discípulos de Pasteur, foram monitores da durante a VI Conferência Nacional Infanto-Juvenil pelo Meio Ambiente (Foto/@clube.elenirlinke)

O clube Adonis Com Ciência, do Colégio Estadual Adonis Morski, em Boa Ventura de São Roque, usa até jogos de videogame no aprendizado. Entre os projetos orientados pela professora Juliana Aparecida Freiberger Ghiotto estão:

  1. Do virtual ao concreto: usando Minecraft para ensinar os biomas brasileiros;
  2. Tinta de terra, uma alternativa viável para pinturas em geral
  3. Utilização de bioplástico de amido na produção de vasos para mudas de plantas

A professora expressa orgulho pelo trabalho: “É gratificante acompanhar o brilho nos olhos dos alunos quando percebem que suas ideias podem ganhar vida e gerar impacto real.” O clube, vale lembrar, venceu a categoria “Comunicação” do prêmio ‘Meu Clube é Show’.

Professora Juliana, acompanhada de quatro clubistas, recebeu a premiação do ‘Meu Clube é Show’ durante a abertura da FECCI 2025. O clube Adonis Com Ciência venceu a categoria ‘Comunicação’.

A FECCI, que está reunindo mais de 1.500 estudantes e professores, em 381 estandes, é a oportunidade de dar visibilidade ao esforço das instituições de ensino superior em articular a ciência na Educação Básica do Paraná, por meio dos clubes da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência.

Os encontros irão abordar temáticas que se aproximam da vivência dos Clubes de Ciências na Educação Básica

A imagem mostra uma cena de estudo. Em primeiro plano, vemos uma mão segurando uma caneta preta e escrevendo em um caderno de folhas brancas com espiral lateral. O caderno está apoiado parcialmente sobre um notebook prateado, que está aberto.
O curso será dividido em duas etapas, realizadas entre 2025 e 2026 (Arte/Canva)

A Rede de Clubes NAPI – Paraná Faz Ciência deu início em setembro, ao novo curso de formação para professores clubistas: “Fundamentos, Práticas e Reflexões para a Cultura Científica na Educação Básica”. A iniciativa pretende aprofundar temas que se relacionam com a rotina dos Clubes de Ciências, promovidos em escolas de todo o estado, por meio do projeto.

Esta é a primeira fase do curso, que se estende até o dia 23 de novembro deste ano. A segunda etapa será em 2026, entre os dias 23 de fevereiro e 13 de julho. Os encontros serão no formato assíncrono, pela plataforma Moodle, da Universidade Virtual do Paraná (UVPR). Ao final, os participantes receberão um certificado de 60 horas, pela Universidade Estadual de Londrina (UEL).

Segundo a professora Gisele Côrrea, uma das pesquisadoras do NAPI PRFC e organizadoras do curso, trata-se de uma sequência da formação realizada em 2024. “Um ano depois da implementação dos clubes, entendemos que é o momento de aprofundar nas temáticas e apresentar novos conceitos”, destaca. “O curso vem com uma metodologia inovadora, tornando a experiência EAD mais dinâmica e interativa.”

A professora Mariana Andrade, coordenadora institucional do NAPI PRFC pela UEL e coordenadora estadual do NAPI PRFC Maker, reforça esse objetivo. De acordo com ela, que também está ajudando na elaboração das aulas, a ideia é realmente potencializar o trabalho que está sendo executado pelos docentes. “Esse curso é importante porque apresenta temáticas mais específicas, que estão sendo desenvolvidas pelos clubes.”

Para os professores da Rede de Clubes geral e Rede de Clubes Maker, a participação é obrigatória. Bolsistas Técnicos de Nível Superior (BNTS) pedagógicos das Instituições de Ensino Superior também devem comparecer às reuniões virtuais. Já a participação das docentes da Rede de Clubes Meninas é opcional.

Os protótipos incluem varal automático assistivo, semáforo inteligente, mão robótica e caixa de cultivo automatizada

Dois alunos em uma sala de aula trabalhando em um projeto de robótica. Eles estão em pé em volta de uma mesa redonda branca, que possui sobre ela dois carrinhos de controle remoto ou protótipos de veículos. Um deles é vermelho com rodas amarelas, já montado e com aparência de brinquedo pronto; o outro está em processo de montagem, com fios, componentes eletrônicos e estrutura exposta. Na mesa também há ferramentas e materiais.
Os alunos do Clube Riso aprendem Robótica de forma divertida (Foto/Arquivo pessoal)

O Clube Riso, do Colégio Estadual Manoel Antônio Gomes, em Reserva, está usando tecnologia e metodologias Maker para desenvolver a autonomia, inclusão e habilidades sociais. Os estudantes utilizam a robótica assistiva para suprir a demanda de estratégias inovadoras para melhorar o desempenho e o engajamento dos alunos. Além disso, eles pretendem aumentar a qualidade de vida de pessoas com deficiência.

O Clube é articulado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), no NAPI-Paraná Faz Ciência, com reuniões às quartas-feiras, à tarde. Com interesse na área de Robótica, a equipe reúne alunos desde o 9º ano do Ensino Fundamental até o 2º ano do Ensino Médio.

A imagem mostra um grupo de jovens em uma sala de aula, trabalhando em atividades práticas relacionadas à eletrônica. No primeiro plano, à esquerda, uma estudante está sentada, concentrada em manusear fios elétricos. Sobre a mesa à sua frente há um grande emaranhado de cabos coloridos, provavelmente utilizados em circuitos. Ao fundo, três rapazes estão em pé, colaborando em algum trabalho manual com fios ou componentes.
Os estudantes aprenderam a manusear fios e componentes eletrônicos (Foto/Arquivo pessoal)

Dentre os protótipos, destaca-se o varal automático assistivo, que chegou a ser construído para apresentação. Entretanto, devido às reformas na escola e à ausência de espaço adequado para armazenamento, a maquete precisou ser desmontada. Já os demais protótipos, como o semáforo inteligente assistivo, a mão robótica com Arduino e a caixa de cultivo automatizada, estão na fase de pesquisa inicial.

A imagem mostra quatro estudantes; dois deles, à esquerda, estão apenas observando, enquanto o terceiro, de óculos e casaco preto, manipula uma maquete apoiada sobre duas carteiras escolares. A maquete representa uma casa com telhado, cercas e estruturas anexas, sugerindo um projeto escolar de arquitetura, urbanismo, ciências ou tecnologia. À direita, uma aluna de blusa branca com listras pretas também observa atentamente a apresentação.
A maquete do “Varal Dona Maria” foi feita pelos próprios alunos (Foto/Arquivo pessoal)

O avanço dos dispositivos foi temporariamente interrompido, pois a sala de Robótica começou a ser reformada. Além disso, há a necessidade de alguns equipamentos fundamentais, a exemplo da impressora 3D, cortadora a laser e outras ferramentas indispensáveis para a construção da parte física dos modelos.

Com este contratempo, o clube desviou momentaneamente do planejamento original e direcionou esforços para a construção de um carrinho de sumô controlado por Bluetooth, utilizando a placa ESP32, bem como de um carrinho seguidor de linha.

A turma se organizou em equipes para as competições: quatro alunos irão compor a equipe responsável pelo Robô Sumô e outros quatro integrarão a equipe do Robô Seguidor de Linha. Ainda assim, todos os demais estudantes permanecem envolvidos, seja por meio de discussões técnicas, sugestões de melhorias ou apoio no processo de testes e ajustes.

Próximos passos

De acordo com a professora Janinha Aparecida Pereira, coordenadora do clube, as etapas de pesquisa e programação já estão em estágio avançado. Nas palavras dela, “o primeiro passo será a reconstrução da maquete do Varal da Dona Maria, seguido da organização dos estudantes em grupos para o desenvolvimento dos demais projetos: semáforo inteligente assistivo, caixa de cultivo automatizada e mão robótica.”

Com a conclusão da reforma do laboratório de Robótica e as inscrições para os novos integrantes do clube a partir do próximo ano letivo, Janinha também espera ampliar a participação dos estudantes.

A coordenadora do projeto acrescentou que o eixo central de todos os protótipos será sempre promover a qualidade da vida de todas as pessoas com deficiência, mobilidade reduzida e idosos, “reafirmando o compromisso social e inclusivo que fundamenta o projeto”.

A imagem mostra um grupo de pessoas reunidas em uma sala, celebrando uma confraternização. Na frente, há uma mesa redonda com comidas e bebidas. Algumas pessoas estão em pé atrás da mesa, enquanto outras estão sentadas ou agachadas à frente, todas sorrindo e olhando para a câmera. A maioria veste camisetas pretas ou brancas com o mesmo logotipo, indicando que fazem parte do projeto ligado à robótica (há a palavra ROBO em algumas camisetas). Duas mulheres, à direita, usam camisetas diferentes — uma amarela e outra branca, e parecem ser professoras ou responsáveis. No fundo da sala, há armários, prateleiras com equipamentos e caixas organizadas. Também se vê um notebook aberto sobre uma mesa lateral.
Alunos do Clube Riso em confraternização da turma (Foto/Arquivo pessoal)

O que os alunos acham?

Para a aluna Rafaela, do 1º ano A, os projetos ajudam a desenvolver várias habilidades que poderão ser usadas no mercado de trabalho, como saber trabalhar em equipe e resolver problemas. A estudante Bárbara, da mesma turma, também vê perspectiva futura na área de Robótica, inclusive quando imagina o Ensino Superior ou uma profissão relacionada com os projetos que desenvolvem no Clube de Ciências.

Já o aluno Luís Guilherme, do 2º ano B, afirmou que as notas melhoraram após a entrada no projeto, como Matemática e Ciências, o que o motivou com a escola. O estudante Cadu, do 1º ano A, também viu melhoria nas notas, principalmente nas disciplinas de Português e Ciências.

A imagem mostra um jovem trabalhando em um projeto eletrônico sobre uma mesa. No centro da cena há diversos fios coloridos conectados a uma protoboard e a uma placa Arduino, indicando uma atividade de programação e montagem de circuito. Também aparecem outros materiais e componentes, usados para programar ou monitorar o sistema. Outros dois alunos estão ajudando e observando. O ambiente transmite a ideia de um trabalho prático de robótica ou eletrônica aplicada, combinando programação, montagem e testes experimentais.
Clubistas trabalhando em um projeto eletrônico (Foto/Arquivo pessoal)

Nas palavras de Vitor, do 2º ano A, “o Clube mudou toda a minha visão sobre pesquisa, pois comecei a fazer com mais frequência. Assuntos que eu tinha mais interesse, eu comecei a conversar com os meus amigos. A pesquisa, realmente, foi o ponto mais forte que eu percebi que desenvolvi”. Ele gostou, mesmo, de programar.

Heitor, do 9º ano A, disse que ele e os amigos começaram a pesquisar mais em casa, ver mais vídeos, tutoriais e até compartilhar ideias entre o grupo. “E até a conversa não era só sobre jogos ou zueira, mas também sobre projetos e tecnologia”, contou.

Os trabalhos possuem temáticas distintas e devem ser apresentados durante o evento, em Foz do Iguaçu

A imagem mostra um grupo de estudantes e professores posando para a foto. Atrás, há um painel escrito Universidade Estadual de Londrina. Os alunos estão uniformizados. Todos representam o clube Discovery Kennedy’s.
Integrantes do clube Discovery Kennedy’s (Foto/Sabrina Heck)

Está chegando a 14ª edição da Feira de Inovação das Ciências e Engenharias (FIciências 2025), considerada a maior feira científica do Paraná. O evento será realizado de 20 a 25 de outubro, em Foz do Iguaçu, e os projetos aprovados para apresentação já foram anunciados. Entre os trabalhos escolhidos, dois são do clube de ciências Discovery Kennedy’s, da cidade de Rolândia.

O clube, articulado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), pertence ao Colégio Estadual Cívico-Militar Presidente Kennedy. No FIciências 2025, a equipe foi selecionada com dois materiais distintos: “Abelhas-sem-ferrão nas escolas: uma estratégia para conservação, educação ambiental e polinização” e “Automação sustentável: Sensores de movimento em escolas”.

Segundo a professora coordenadora do clube, Eglaia Cheron, os trabalhos surgiram a partir de demandas levadas pelos próprios estudantes. Os temas foram definidos com base na curiosidade deles e nas observações discutidas em sala de aula. “Eu não consigo compartilhar em palavras o quanto eu estou orgulhosa dos meus alunos”, destaca a docente.

Projeto das abelhas

O primeiro projeto, sobre abelhas-sem-ferrão, teve origem com a chegada de um enxame de Tetragonisca angustula (abelha Jataí) na residência de um clubista. Os estudantes debateram sobre a transferência da colmeia para a escola como estratégia de conservação e educação ambiental. Por isso, o estudo visa analisar como essa prática pode ajudar a preservar espécies ameaçadas.

A imagem mostra duas casinhas construídas pelos estudantes. Elas foram montadas com o objetivo de abrigar um enxame de abelha Jataí na escola. As casinhas são coloridas e estão em cima de uma mesa de laboratório. Ao fundo, é possível ver alguns alunos e outras mesas.
“Casinha” criada pelos estudantes para abrigar as abelhas (Foto/Arquivo pessoal)

Para o aluno José Fernando, que trouxe a ideia para a turma, as “casinhas” são uma forma eficaz de cuidar tanto das abelhas como de espécies nativas da flora. “Eu acabei pensando: se essas são espécimes que estão perto da extinção, por que não colocar uma colmeia delas nas escolas? Já que elas não oferecem tanto risco, já que não possuem ferrão”, explica.

Com o objetivo de garantir maior segurança para os integrantes do clube e auxiliar no trabalho de Meliponicultura (prática de criação de abelhas nativas sem ferrão), a equipe participou de uma oficina de manejo das abelhas com a Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente (SEMMA). Trata-se de uma parceria com a Prefeitura de Rolândia.

Projeto de automação

O segundo projeto, sobre automação sustentável, analisa estratégias para otimizar o consumo energético em escolas públicas, por meio de sensores de movimento PIR (Passive Infrared). A ideia partiu de uma investigação sobre a eficiência energética do colégio, na qual foram identificadas 77 lâmpadas tubulares (30W) acesas por 12 horas diárias nos corredores.

A imagem mostra o sensor de movimento construído pelos estudantes. Há uma lâmpada acesa, ligada em uma tomada. Há fios que conectam o equipamento a outros materiais. Ele foi montado com kits de robótica.
Sensores construídos pelos alunos do clube (Foto/Arquivo pessoal)

De acordo com alunas que participaram da elaboração do estudo, as simulações indicaram que os sensores poderiam diminuir mais de 50% do gasto energético da escola. A construção do equipamento foi possível com kits de robótica disponibilizados pela Secretaria Estadual de Educação (SEED-PR). O clube desenvolveu um sistema automatizado, que aciona as luzes apenas quando detecta movimento.

O professor Carlos Marcelo, co-orientador do clube, também orientou os estudantes em todo o processo. Ele reforça o entusiasmo da turma pelos projetos aceitos no FIciências 2025: “Estou muito feliz, são coisas que eu gosto muito: trabalhar com projetos na escola e trabalhar com os alunos.”

É o primeiro encontro realizado pelos clubes de ciências vinculados à Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, que partilharam diversos experimentos científicos.

A imagem mostra um grupo de estudantes reunidos ao redor de uma mesa em um ambiente escolar. No centro da mesa há uma impressora 3D com filamento carregado, além de outros objetos como uma pequena estrutura amarela, um vaso com flores e uma caixa azul com LEDs. O ambiente é um espaço aberto, coberto, com piso liso e colunas amarelas. A iluminação é natural, sugerindo que a atividade acontece durante o dia. Há um clima de curiosidade e colaboração entre os participantes.
Estudantes se reúnem no pátio do Colégio Alfredo Parodi para conhecerem a impressora 3D (Foto/Valentina Kobus)


Quatro colégios estaduais de Curitiba (PR) decidiram se unir para que seus Clubes de Ciências promovam a integração entre os estudantes, na tarde de sexta-feira, 30 de maio. O Colégio Estadual Alfredo Parodi foi o anfitrião do evento, que contou com a participação das pós-doutorandas da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Bolsistas Técnicos Nível Superior ( chamados de bolsistas BTNs) e bolsistas do PIBID (Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência), também da UFPR. 

A idealizadora foi a professora de Biologia Corine Costa, coordenadora do Clube Geração Científica, que convidou os clubes de ciências dos Colégios Estaduais Isolda Schmid e Teotonio Vilela e do Colégio Estadual para Surdos Alcindo Fanaya Júnior. Dentre as atividades realizadas, os destaques foram o experimento científico com fogo colorido para explicar as cores das estrelas, a construção de uma luneta caseira e o lançamento de um foguete com a base de pressão de água. O tema principal do encontro foi astronomia. 

“Eu gosto bastante de participar do Clube de Ciências. Porque quando você aprende, automaticamente, fica mais interessado nas atividades científicas”, relata a clubista Raquel Gabrielly Sampaio, do Clube Geração Científica. Outro clubista, Matheus Felipe Lopes Pereira, do Colégio Estadual para Surdos Alcindo Fanaya Júnior,  achou interessante o evento. “A gente pode ver o conteúdo dos clubes, conhecer as ideias, as atividades de cada um, o que desperta nossa curiosidade”, sinalizou Matheus com tradução do intérprete de libras Evonir Vieira da Silva. Matheus participa do Clube Verde Mel o Clube, que trabalha com abelhas.

Bianca Muchiuti está no nono ano de licenciatura em Ensino de Ciências Biológicas na UFPR, e afirmou que a atividade na escola contribui para sua prática em docência, “porque podemos observar esta interdisciplinaridade, os alunos interagindo entre eles, e o quanto estão sendo participativos nas oficinas”, explica Bianca.

“Hoje é um dia muito especial”, celebrou a diretora do Colégio Alfredo Parodi, Cristiana Ducci Göhr, “conseguimos compartilhar o projeto do nosso clube de ciências, apresentar a proposta dos professores, as atividades que os alunos estão desenvolvendo, dando cada vez mais protagonismo para os estudantes”, completa. 

Esta foi a primeira atividade de integração promovida pelos clubes, encerrada com um café da tarde. E, dado o sucesso, os professores já se mobilizam para uma nova atividade semelhante, ainda sem data definida.

A imagem mostra um grupo grande de pessoas reunidas em uma sala de uma escola, participando de confraternização. O ambiente é fechado, com luzes fluorescentes no teto, armários ao fundo e várias janelas com cortinas azul-escuras do lado direito. O grupo, composto por crianças, adolescentes e alguns adultos, está reunido ao redor de duas mesas cobertas com toalhas brancas rendadas. As mesas estão repletas de alimentos e bebidas, como bolos, salgados, refrigerantes e sucos. Todos estão sorrindo ou posando para a foto, criando um clima alegre e descontraído.
Café da tarde encerrou as atividades de integração no Colégio Alfredo Parodi (Foto/ Valentina Kobus)

O evento também apresentou uma réplica realista de uma preguiça gigante pré-histórica, parte do acervo do Museu de Ciências Naturais.

Pós-doutoranda Edinalva com os estudantes
A pós-doutoranda Edinalva Oliveira dialoga com os estudantes no estande do Paraná Faz Ciência (Foto/João Rodriguez)


O Universo UFPR se consolida como o maior evento de educação, ciência e inovação do Estado. Na edição deste ano, que se encerrou no domingo, 25, mais de 120 estudantes, professores e familiares passaram pelo Parque Barigui em Curitiba (PR) para conhecer os mais de 100 cursos, além de participar das mais de cinquenta atividades interativas. Segundo a organização, 600 escolas do Paraná, Santa Catarina, São Paulo e Mato Grosso, visitaram os estandes, sendo a maioria da rede pública de ensino.

Dentre elas, o Colégio Estadual Euzébio da Mota, que tem um clube de ciências de meninas chamado Little Scientist. A professora Marlene Salete Koch Lins é a coordenadora e disse que o carro chefe do clube é a produção de minifoguetes de baixo custo com propelente sólido. “Nossa meta é incentivar as alunas a se interessar pela área das exatas a partir desses minifoguetes”, explica.

Marcelo Valério é professor da UFPR e orienta os clubes de ciências. Para Valério, é uma satisfação poder acompanhar de perto os clubistas que visitaram o Universo UFPR. “Eles estão com brilho nos olhos e vendo a oportunidade que têm na carreira, já que estão fazendo ciência desde cedo na nossa rede”, acrescenta.

O professor Rodrigo Arantes Reis, articulador da Rede de Clubes do Paraná Faz Ciência, o Universo UFPR é uma oportunidade para conhecer os cursos que dialogam com o Paraná Faz Ciência, como os Museu de Ciências Naturais, que possui a réplica de uma preguiça gigante, animal pré-histórico que habitou as Américas há 12 mil anos. “Para nós que temos uma relação próxima com as escolas, com os clubes de ciências, estamos super felizes de poder receber os nossos estudantes que fazem da rede, além de todos os estudantes da educação básica para que eles percebam que a universidade é um espaço feito para eles. Que eles podem ocupar”, avalia Reis.

A preguiça gigante pesava mais de 5 toneladas e podia chegar a 6 metros. Foi extinta durante a chamada “Era do Gelo” (Foto/João Rodriguez)


A professora Marquiana de Freitas Vilas Boas Gomes, da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), também visitou o Universo UFPR. “O Paraná Faz Ciência tem um conjunto de projetos, dentre eles, a Rede de Clube de Ciências. “Nós coordenamos na Unicentro, onde temos aproximadamente 25 clubes de ciências e mais cinco ‘makers’, que nós desenvolvemos na região de Guarapuava, centro sul, com mais de doze municípios envolvidos”, explica Marquiana. A professora aproveitou para convidar a todos para participarem da 5ª edição do Paraná Faz Ciência (PRFC) que vai acontecer nos dias 29 de setembro a 3 de outubro, em Guarapuava. “Será a cidade da ciência porque nós desenvolveremos a Unicentro, mas também outros sistemas de ensino da região e também de todo o Paraná”, finaliza.

Da esquerda para a direita: professor Rodrigo Reis, professora Marquiana Gomes e professor Marcelo Valério à direita (Foto/Ádamo Antonioni)


Guarde esta data:

5ª edição do Paraná Faz Ciência (PRFC) 

Data: 29 de setembro a 3 de outubro de 2025 

Onde: Guarapuava, região centro-sul do Paraná. 

Local: Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro)