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II WORKDHOP DO NAPI PARANÁ FAZ CIÊNCIA

Aluna do Clube de Ciências Cientistas do Jardim, em Toledo, aposta em alternativa natural para reduzir a proliferação do mosquito da dengue em recipientes com água parada

A estudante Izabela Maria Belotto usando o uniforme para representar a escola de jaleco, clubista do Colégio Estadual Jardim Porto Alegre, desenvolveu um sachê à base de extratos vegetais capaz de controlar o desenvolvimento das larvas do mosquito transmissor da dengue, como é visto nos tubos em que ela está manuseando com as mãos. Justifica a proposta da clubista que foi utilizar compostos naturais de plantas como alternativa mais sustentável no controle do vetor.
As etudante Izabela Belotto trabalha com um sachê sustentável que combate as larvas do mosquito da Dengue (Foto/Arquivo pessoal)

Uma pesquisa desenvolvida em um clube de ciências da cidade de Toledo chamou atenção pelo potencial de impacto na saúde pública. A estudante Izabela Maria Belotto, clubista do Clube Cientistas do Jardim, no Colégio Estadual Jardim Porto Alegre, desenvolveu um sachê à base de extratos vegetais capaz de controlar o desenvolvimento das larvas do mosquito transmissor da dengue.

Clubista realizando análises químicas (Foto/Arquivo pessoal)

O projeto, que foi orientado pela professora Dioneia Schauren, partiu de um problema recorrente: a presença de água parada em recipientes domésticos, que favorece a proliferação do mosquito. A proposta da clubista foi utilizar compostos naturais de plantas como alternativa mais sustentável no controle do vetor.

A pesquisa foi desenvolvida ao longo de 2025, período em que foram testados diversos extratos vegetais em diferentes fases do desenvolvimento das larvas do mosquito. Os resultados mostraram-se promissores, com alguns extratos alcançando 100% de mortalidade das larvas nos testes realizados. A partir desses dados, a estudante avançou para a etapa de desenvolvimento de um sachê funcional.

A estudante processa o material da pesquisa em laboratório (foto/Arquivo pessoal)

A ideia do produto foi possibilitar o uso prático pela população, permitindo  aplicação em cisternas, vasos de plantas e outros recipientes que eventualmente acumulem água parada. Além de contribuir para o controle do mosquito, a solução buscou reduzir a dependência de agroquímicos, alinhando saúde pública e sustentabilidade ambiental.

A pesquisa, uma das várias que foram desenvolvidas ao longo de 2025 pelo clube, demonstra o potencial em  gerar soluções concretas para problemas reais da sociedade. O trabalho encerrou seu ciclo inicial com resultados promissores e pode avançar para novas etapas de aprimoramento e validação em estudos futuros.Para acompanhar mais sobre este e muitos outros projetos desenvolvidos no clube de ciências Cientistas do Jardim, visite e siga o perfil no Instagram @cdc_cienciasjpa.

Estudos buscam reconhecer a área pela relevância geológica, ambiental e educativa.

A imagem mostra um registro coletivo ao ar livre. Os estudantes e dois adultos estão organizados em duas fileiras sobre um deck de madeira. Atrás deles aparece uma vista extensa de vales e morros cobertos por vegetação. A iluminação indica um dia claro, com sol forte. Alguns alunos seguram folhas de papel e vários têm mochilas apoiadas no chão, sugerindo uma visita educativa ou excursão. O grupo está próximo, olhando para a câmera, com expressões tranquilas e satisfeitas.
Equipe do clube de ciências Unidade Polo (Foto/Isabella Abrão)

A ciência está em tudo. Em casa, na escola e até mesmo naquilo que não percebemos de cara na natureza. É isso o que motiva o clube Unidade Polo, cujo principal objetivo é pesquisar a Unidade de Conservação – Parque Estadual de Ibiporã. A equipe, que pertence ao Colégio Estadual Unidade Polo Karoline V. A. e Luan A. S., acredita que o local possui potencial para se tornar um geoparque.

De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), entende-se como geoparques as regiões que agregam importância histórica, cultural, paisagística, geológica, arqueológica, paleontológica e científica. A classificação pode contribuir com o turismo do território e, claro, com a promoção da Educação Ambiental.

O Parque Estadual de Ibiporã está localizado na saída de Ibiporã para Jataizinho, às margens da BR-369. Um espaço que oferece trilhas para caminhadas e área de convivência para piquenique, dentro de um reduto preservado de Mata Atlântica. Com o avanço dos estudos do clube de ciências, a ideia é que o local passe a ser mais explorado no município e possibilite o desenvolvimento de práticas pedagógicas sustentáveis.

A imagem mostra um grupo de estudantes caminhando por uma trilha em meio a uma área de mata densa e verde. Eles seguem por um caminho de pedras e terra, vistos principalmente de costas, como se estivessem iniciando ou continuando uma caminhada guiada. No primeiro plano há uma placa de madeira com a inscrição “Unidade de Conservação”, indicando que o local é uma área protegida. As árvores são altas e a vegetação é abundante, criando uma atmosfera natural e educativa, típica de atividades de campo voltadas ao aprendizado ambiental.
A turma visita o Parque Estadual de Ibiporã com frequência (Foto/Isabella Abrão)

Segundo a professora coordenadora, Helena Macia, o clube “favorece a aprendizagem ativa, estimula o desenvolvimento da curiosidade científica e promove o engajamento do estudante por meio de atividades práticas, investigativas e colaborativas”. Tudo isso contribui para a construção do conhecimento científico e pensamento crítico dos alunos, que já se mostram bastante engajados durante as Feiras de Ciências.

Vivendo a ciência

Na Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, o clube Unidade Polo é articulado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Para além das atividades em sala de aula e das visitas à Unidade de Conservação de Ibiporã, a turma também realizou excursões para conhecer melhor parques de outros municípios. Em 2025, o clube esteve no Parque do Japão e no Parque do Ingá, em Maringá, e no Parque Estadual do Guartelá, em Tibagi.

A imagem mostra um grupo grande de estudantes acompanhado por dois adultos, todos reunidos ao ar livre em um dia ensolarado. Eles estão posicionados sobre uma área pavimentada, próximos a um guarda-corpo metálico. Ao fundo há uma paisagem ampla com muitas árvores, um lago, construções modernas e casas espalhadas por uma região levemente elevada. O céu está azul e sem nuvens aparentes. Alguns estão em pé, enquanto outros estão sentados ou agachados na frente. A maioria sorri para a câmera, transmitindo um clima de passeio escolar ou atividade externa.
Clube Unidade Polo no Parque do Japão (Foto/Isabella Abrão)

Nos passeios, os alunos tiveram a missão de analisar cada espaço e identificar características do lugar. “Para 2026, espera-se que o Clube de Ciências Unidade Polo amplie suas atividades, fortalecendo ainda mais a aprendizagem prática, a investigação científica e a integração entre a universidade e a escola básica”, declara a professora Helena.

A Universidade é uma das instituições parceiras do NAPI Paraná Faz Ciência

A imagem mostra parte da equipe da UNILA e dos clubes de ciências articulados pela instituição. Na foto, o grupo está posicionado em frente ao painel de boas-vindas da feira FECCI. Os alunos estão uniformizados, ao lado do professor Ronaldo, do bolsista Lucas e das professoras coordenadoras dos clubes. Há três clubes na imagem.
Equipe e parte dos clubes da UNILA na FECCI 2025 (Foto/Arquivo Pessoal)

O Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (NAPI) – Paraná Faz Ciência (PRFC) tem ganhado destaque no país, graças às muitas mentes que se dedicam diariamente ao projeto. Uma das principais vertentes é a Rede de Clubes do PRFC. Grande parte do sucesso se deve às Instituições de Ensino Superior (IES) presentes no estado. A Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), por exemplo, coordena 12 clubes de ciências em escolas do Paraná.

O articulador institucional do NAPI PRFC pela UNILA é o professor Ronaldo Adriano Ribeiro da Silva. Além do docente, os clubes vinculados à Universidade também recebem amparo direto do BTNS (Bolsista Técnico Nível Superior) pedagógico, Lucas Azevedo. A equipe é responsável por auxiliar as escolas no principal objetivo da Rede de Clubes: estimular a cultura científica e promover experiências investigativas entre os alunos. 

Segundo Ronaldo, essa parceria funciona por meio da orientação, comunicação e acompanhamento contínuo. “Realizamos visitas às escolas para conhecer a realidade de cada clube, compreender suas demandas e orientar na organização das atividades científicas. […] Discutimos planejamento, cronogramas, necessidades de materiais e estratégias para fortalecer o engajamento dos estudantes”, explica.

Ainda assim, o diálogo entre IES e escolas é facilitado pela Secretaria Estadual de Educação (SEED). A SEED atua em conjunto com as ações do NAPI – Paraná Faz Ciência, através dos Núcleos Regionais de Educação (NREs), da direção dos colégios e dos professores que coordenam os clubes. No caso da UNILA, as escolas são do NRE de Foz do Iguaçu (9 clubes) e algumas das que fazem parte do NRE de Francisco Beltrão (3 clubes).

Clubes de ciências

Os Clubes de Ciências do Núcleo Regional de Educação de Foz estão espalhados em escolas de dois municípios: sete em Foz do Iguaçu e dois em São Miguel do Iguaçu. Desses, cinco fazem parte do PRFC e quatro do PRFC Maker. Já os clubes que trabalham com a UNILA no NRE de Francisco Beltrão, encontram-se em três cidades: um em Pérola D’Oeste, um em Planalto e um em Capanema. Neste, todos pertencem ao PRFC.

De acordo com a professora Elis Cláudia Padilha, técnica pedagógica do NRE de Foz, os clubes são excelentes ferramentas de aprendizagem, colocando o estudante como protagonista na construção de conhecimentos. “Nos clubes, eles voltam o olhar para a comunidade, para a realidade local e buscam alternativas reais para a melhoria da qualidade de vida e do ambiente que os cerca”, esclarece. “Desperta neles a corresponsabilidade, que é fundamental ser fomentada nos dias atuais.”

Para Aneli Bernart Vannini, técnica do NRE de Francisco Beltrão, também é importante destacar que essa dinâmica contribui para o desenvolvimento do pensamento crítico e da alfabetização científica. “Os clubes de ciências estão relacionados aos interesses dos estudantes. Com isso, há uma maior dedicação, maior comprometimento e maior responsabilidade dos estudantes na execução das atividades do clube. […] A gente pode observar que os resultados são bem satisfatórios”, define.

A imagem mostra uma cena recorrente em eventos de ciência, no caso na FECCI. Uma estudante fica atrás de um estande, no qual estão expostos parte dos trabalhos desenvolvidos pela equipe ao longo do ano, como o diário de bordo, por exemplo. O rosto da aluna não aparece na foto, mas é perceptível que ela está explicando algo para uma pessoa à sua frente. A estudante usa uniforme.
Os clubes participaram de eventos científicos ao longo do ano (Foto/Isabella Abrão)

Em Foz do Iguaçu, participam da Rede de Clubes o Colégio Estadual Gustavo Dobrandino da Silva (Clube Lumière), o C.E. Pioneiros (Clube Maker Equipe Rocket e Clube Estudo das Plantas Medicinais), o C.E. Monsenhor Guilherme (Clube EcoMaker), o C.E. Paulo Freire (Clube Rocket Makers), o C.E. Cívico-Militar Presidente Costa e Silva (Clube InterAção) e o Centro Estadual de Educação Básica de Jovens e Adultos Ourides Balotin Guerra (Clube Conexões Criativas).

Os demais clubes do Núcleo de Foz são do Colégio Estadual Cívico-Militar Nestor Victor dos Santos (Clube CCM Bee) e C.E. Indígena Teko Ñemoingo (Clube Maker Ñande Rekohá, ou “Nosso Modo de Ser”), ambos do município de São Miguel do Iguaçu. No NRE de Francisco Beltrão, por sua vez, há clubes no C.E. do Campo Castelo Branco (Clube Exploradores da Ciência), de Pérola D’Oeste; no C.E. José de Anchieta (Clube Sustentec), de Planalto; e no C.E. Rocha Pombo (Clube IA & Humanos), de Capanema.

A equipe apresentou os projetos desenvolvidos, mostrando inovação e ciência dentro do Arranjo

A imagem mostra um grupo de quatro pessoas, todos membros da equipe do NAPI PRFC que compareceu ao evento. Atrás, há uma televisão com um vídeo institucional. No balcão na frente, há livros, marca-páginas e a pesquisa de percepção pública desenvolvida pelo NAPI. Todos sorriem e posam para a foto.
O NAPI PRFC compareceu aos dois dias de evento (Foto/Arquivo pessoal)

O Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (NAPI) – Paraná Faz Ciência (PRFC) esteve presente no 2º Festival Internacional de Inovação de Londrina (FIIL – 2025). A equipe aproveitou o momento para apresentar ao público alguns dos projetos que compõem o Arranjo. O evento ocorreu nos dias 27 e 28 de novembro, no Parque Governador Ney Braga.

A segunda edição do FIIL reuniu autoridades, empresários, pesquisadores e representantes das 12 governanças do ecossistema e lideranças nacionais do setor de inovação. O NAPI PRFC participou do debate com um estande, trazendo dados das Redes de Clubes de Ciência, Feiras de Ciência e Museus de Ciência. 

Foram apresentados, também, o Programa Interinstitucional de Ciência Cidadã na Escola (PICCE) e a Pesquisa de Percepção Pública de CT&I no Paraná, lançada recentemente. A equipe que estava representando o NAPI PRFC no evento foi composta por professores e alunos bolsistas da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e Universidade Estadual de Maringá (UEM).

A imagem mostra uma das integrantes da equipe do NAPI PRFC apresentando o projeto para um homem alto. Atrás dela, há uma televisão com um vídeo institucional. No balcão em sua frente, há livros, marca-páginas e a pesquisa de percepção pública desenvolvida pelo NAPI. O homem segura um livro também, sobre espaços de divulgação científica.
Um vídeo institucional, livros e marca-páginas estavam à mostra no estande do NAPI PRFC (Foto/Isabella Abrão)

O evento contou ainda com palestras e divulgação de iniciativas relevantes para o estado. Foram discutidos temas estratégicos, como inovação em políticas públicas, educação, saúde e agro, por exemplo. O objetivo era mostrar como a tecnologia pode estar ao alcance da sociedade e ser utilizada para facilitar o dia a dia das empresas e da população.

O FIIL 2025 foi promovido pela Estação 43, com co-realização do Sebrae/PR e Abratic (Associação Brasileira de Tecnologia, Inovação e Comunicação). O Festival contou com o apoio da Prefeitura de Londrina, do Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Codel) e do Governo do Paraná, por meio das Secretarias da Inovação e Inteligência Artificial (Seia), de Turismo (Setu), Ciência, de Tecnologia e Ensino Superior (Seti) e da Fundação Araucária.

Alunos do “Exploradores da Ciência” estudaram todo o espaço, trazendo dados como a fauna, flora e cardápio da escola

A imagem mostra um grupo — em sua maioria crianças e adolescentes — posando para uma foto dentro de uma sala de aula. Eles estão sorrindo e parecem fazer parte de uma atividade escolar em grupo. Muitos vestem camisetas azuis, provavelmente uniformes da escola, e outros usam roupas casuais. Ao fundo há armários de madeira, mesas com cadeiras escolares e uma janela grande com cortinas claras, que deixa entrar bastante luz. Do lado direito, há um banner com o logotipo dos projetos da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência. O ambiente é organizado e lembra um laboratório ou sala de ciências.
Equipe do clube Exploradores da Ciência (Foto/Isabella Abrão)

Você sabe tudo sobre a escola em que estuda ou estudou? Esse foi o desafio proposto para os alunos do clube Explorados da Ciência, do Colégio Estadual Antônio de Moraes Barros, em Londrina. A equipe está dividida basicamente em quatro grupos, nos quais analisam aspectos da flora, fauna e até do cardápio da merenda e resíduos orgânicos do espaço escolar.

A pesquisa segue um padrão semelhante aos trabalhos de Iniciação Científica, sendo realizada por meio de subprojetos. Isso significa que há a parte prática, mas também há escrita. Para a professora coordenadora, Karina Furlanete, esse formato de avaliação está trazendo mais amadurecimento e autonomia aos estudantes, principalmente na compreensão do fazer científico.

A imagem mostra alguns alunos, com uniformes azuis, apresentando um trabalho durante um seminário. A professora está ao lado, observando enquanto os estudantes explicam a temática estudada. Atrás deles, há uma tela com slides que contém mais informações sobre a investigação. Os alunos estão sendo observados por outros colegas e professores, que prestam atenção durante a explicação.
Alunos durante a apresentação de projetos e subprojetos do clube (Foto/Isabella Abrão)

Segundo a docente, a ideia é que os alunos cheguem ao segundo ano do clube e ao Ensino Médio com conhecimentos acima do esperado. “Não importa qual área eles vão escolher no Ensino Médio, em relação ao itinerário informativo ou a um possível vestibular. Eles vão conseguir usar essa capacidade desenvolvida para a vida deles, não se restringe ao contexto escolar”, destaca.

No NAPI – Paraná Faz Ciência, o clube é articulado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Os alunos já apresentaram dois seminários no ambiente escolar e, agora, se preparam para participar dos eventos e feiras científicas propostas dentro da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência.

Pesquisas

Ao longo deste ano, o primeiro grupo trabalhou com a temática “Levantamento florístico do território escolar”. Os alunos catalogaram espécies da escola, separando a mata em partes e coletando uma por uma. Até o momento, há 31 espécies registradas e 21 identificadas. Para a próxima fase, o estudo se chamará “Enriquecimento florístico do território escolar”. O novo foco será em produzir mudas, principalmente de espécies frutíferas.

O segundo grupo investigou o “Levantamento da fauna do território escolar”. Neste, os estudantes buscaram investigar o que a comunidade entendia dos animais que habitam o espaço. Foram identificados 14 animais, com base em entrevistas realizadas com professores e demais funcionários da escola. O projeto futuro será com “Abelhas nativas”, considerando o registro de abelhas Jataí na área pesquisada.

A imagem mostra mãos folheando um herbário, que é um conjunto de folhas secas e prensadas coladas em papel, usadas para estudo de plantas. Sobre uma mesa clara, há várias folhas e galhos secos de plantas colados em folhas de cartolina amarela, com etiquetas brancas contendo informações como o nome científico e local de coleta. Algumas crianças, de uniforme azul, aparecem ao fundo, observando.
Alunos durante a apresentação de projetos e subprojetos do clube (Foto/Isabella Abrão)

O terceiro grupo atua com a “Análise do Cardápio Escolar”, comparando-o às exigências do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Foi constatado que a merenda está dentro dos parâmetros, com variação na oferta de frutas, legumes e verduras. Além disso, os clubistas investigaram as preferências alimentares dos alunos do período vespertino. Agora, irão avaliar possibilidades de cultivo de plantas em canteiros alternativos, para o enriquecimento do cardápio.

O quarto e último grupo, por sua vez, surgiu da união de dois projetos. Um trabalhava com resíduos sólidos não orgânicos e o outro com composteiras. Em conjunto, passaram a coletar materiais da cantina com o objetivo de identificar os tipos de resíduos sólidos produzidos na escola. Além disso, a ideia é propor intervenções para o gerenciamento desses resíduos.

Os alunos pretendem usar as pesquisas do clube para orientar a população sobre a importância das abelhas

A imagem mostra um grupo de estudantes reunido dentro de uma sala de aula. Eles estão sentados no chão de madeira em frente a um quadro branco, onde está escrito em letras cursivas algo como “Conferência Infanto Juvenil pelo Meio Ambiente – Justiça Climática”. No centro do grupo, algumas crianças seguram um cartaz feito em papel pardo. Nele aparece o desenho do mapa do Brasil, com o título “Abelhas” e algumas palavras como “Jataí”, “Mirimguaçu” e “Guarapu”, que são nomes de espécies de abelhas nativas.
Alunos integrantes do clube CCM Bee (Foto/Arquivo Pessoal)

Abelhas são cruciais para o planeta. Ajudam na manutenção das florestas, na produção de alimentos e, claro, no próprio equilíbrio ecológico. Mesmo assim, são constantemente ameaçadas por práticas humanas. Por isso, o clube CCM Bee, do Colégio Cívico-Militar Nestor Victor dos Santos, em São Miguel do Iguaçu, busca conscientizar a população enquanto investiga o papel das abelhas sem ferrão na biodiversidade.

Na Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, o projeto é articulado pela Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA). Os estudos tiveram início no ano passado e o clube começou as atividades com a construção de iscas. Os alunos capturaram algumas abelhas Jataí, uma espécie pequena que não possui ferrão, para aprender mais sobre os insetos e como cuidar deles.

Neste primeiro momento, os estudantes também foram orientados sobre como os agrotóxicos, o desmatamento e o aquecimento global afetam diretamente a vida das abelhas. Agora, com o projeto mais avançado, os alunos estão se organizando para transferir as abelhas capturadas para um meliponário com colmeias, plantar mudas e, em breve, promover oficinas educativas em escolas municipais.

A imagem mostra um grupo de alunos e a professora coordenadora do clube montando armadilhas para capturar as abelhas Jataí. O equipamento é feito com garrafas PET.
Construção das armadilhas para capturar as abelhas (Foto/Arquivo Pessoal)

A ideia é expandir o impacto das pesquisas para além dos muros da escola, inspirando novas ações sustentáveis. Inclusive, o CCM Bee já está participando ativamente de eventos e feiras científicas para divulgar os resultados do projeto. Em agosto deste ano, por exemplo, o clube foi selecionado para a etapa estadual da VI Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente (CNIJMA), em Foz do Iguaçu.

Da escola para a sociedade

De acordo com a professora coordenadora, Jocimara Monsani, o Clube de Ciências tem sido essencial para despertar a curiosidade científica dos estudantes. “Os alunos desenvolvem habilidades fundamentais para o século XXI: pensamento crítico, resolução de problemas, trabalho em equipe, comunicação e escrita científica e consciência ambiental”, explica.

A imagem mostra uma mão adulta, suja de cera e mel, segurando uma estrutura natural feita por abelhas nativas sem ferrão. É um ninho de abelhas feito de cera marrom escura. Ele tem várias camadas em forma de discos empilhados, com células onde ficam as larvas. Em volta há uma camada irregular de cera quebradiça. A cena mostra o interior de uma colmeia de abelhas brasileiras.
Os alunos também estudaram os benefícios do mel (Foto/Arquivo Pessoal)

A docente ainda destaca a parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e com o Sindicato Rural de São Miguel do Iguaçu. Juntos, estão oferecendo um curso sobre Produtos Apícolas para a população, entre os dias 15 e 20 de dezembro. Serão aulas gratuitas, com certificado e material já incluso. “Uma realização que fortalece o conhecimento, valoriza a biodiversidade e conecta a ciência com a comunidade escolar”, reforça Jocimara.

Além das atividades envolvendo as abelhas sem ferrão, análises do mel e produção artesanal, o Clube de Ciências também realiza outras investigações. Um exemplo é a pesquisa científica sobre a identificação de focos do mosquito da dengue nas armadilhas com garrafa pet, que foram instaladas para capturar as abelhas.

As visitas integram as ações ligadas à 22ª SNCT; a primeira parte do evento ocorreu na Universidade

A imagem mostra uma sala de aula ampla e bem iluminada, com estudantes sentados, atentos a uma apresentação. Na frente, a equipe NAPI/ UEL está em pé atrás de uma mesa, falando e mostrando frascos com líquidos e materiais científicos. Na parede atrás deles, há um cartaz grande com o título “Clube de Ciências” e desenhos relacionados à natureza. O público parece bastante interessado e o ambiente transmite uma sensação de engajamento e troca de conhecimento.
Equipe da UEL durante apresentação para os clubes Lavoisier e Mentes Brilhantes (Foto/Isabella Abrão)

Em maio, a Universidade Estadual de Londrina (UEL) convidou os clubes articulados pela instituição para o evento “Biomas: dos clubes de ciência à pesquisa e extensão na Universidade”. O encontro ocorreu na própria UEL, integrado à 22ª Semana Nacional da Ciência e Tecnologia (SNCT), por meio de um projeto aprovado na Universidade Estadual de Maringá (UEM). Agora, foi a vez da equipe NAPI/UEL se locomover até cidades da região para conhecer as atividades dos clubistas.

As visitas foram realizadas em escolas dos Núcleos Regionais de Educação (NREs) de Londrina e Telêmaco Borba. Do primeiro, foi o Colégio Estadual 14 de Dezembro (Clube 14), de Alvorada do Sul, que recebeu a equipe. Já do segundo, foi o Colégio Estadual São Francisco de Assis (Clube Cientistas em Ação), de Telêmaco Borba; Colégio Estadual Manoel Antônio Gomes (Clube Riso), de Reserva; Colégio Estadual Altair Mongruel (Clube Mentes Brilhantes) e Centro Estadual de Educação Profissional Florestal e Agrícola (Clube Lavoisier), ambos de Ortigueira.

A imagem mostra um estudante observando atentamente frascos de vidro sobre uma mesa pequena. Os frascos contêm animais preservados em líquido transparente — como peixes, cobras e insetos — usados para estudos científicos. Ao fundo há um banner com logotipos de projetos educacionais e de ciência, incluindo “Rede de Clubes Paraná Faz Ciência Maker”, “Meninas Paraná Faz Ciência”, “Fundação Araucária” e “CNPq”.
Alunos do Clube 14 observando amostras do Museu de Zoologia da UEL (Foto/Isabella Abrão)

Segundo a professora Mariana Andrade, coordenadora institucional do NAPI – PRFC pela Universidade, a visita aos clubes tem como objetivo principal promover maior integração entre a Universidade, os professores e os alunos que fazem parte da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência. “É um momento para que os clubistas apresentem seus projetos em desenvolvimento e para a Universidade levar outros temas de pesquisa”, destaca.

Para Gabriela Figliano, bolsista pedagógica (Bolsa Técnico Nível Superior-BTNS – em Pedagogia), a recepção nas escolas não poderia ter sido melhor. Durante os encontros, a equipe da UEL apresentou os biomas do Brasil, levou amostras do Museu de Zoologia e conheceu mais sobre os clubes. Um deles foi o Clube Riso, que trabalha com robótica. “No momento da visita, rolou um bate-papo bem descontraído”, conta. “Os meninos mais tímidos, mas muito habilidosos com a parte mecânica, e as meninas super comunicativas com o trabalho em grupo.”

A imagem mostra alunos reunidos em uma mesa de trabalho, concentrados em montar robôs feitos com materiais simples, como papelão, fios e rodas plásticas amarelas. Dois deles observam e ajustam peças elétricas nos veículos, enquanto outro parece testar uma parte com um fio conectado. O ambiente é uma sala de aula, com paredes cinza e um armário metálico ao fundo.
Alunos do Clube Riso mostraram robôs que estão desenvolvendo (Foto/Isabella Abrão)

A UEL é articuladora de um total de 20 clubes de ciências no Paraná. A Rede de Clubes atua com escolas de Educação Básica da Rede Estadual de Ensino e os projetos se dividem em Clubes Paraná Faz Ciência, Clubes PRFC Maker e Clubes PRFC Meninas. A iniciativa conta com o apoio da Secretaria Estadual de Educação (SEED), da Fundação Araucária e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Equipes apresentaram projetos científicos na Feira, em Londrina; um dos clubes vinculados à UEL foi premiado no evento

A imagem mostra várias pessoas circulando entre estandes com pôsteres científicos. Algumas vestem camisetas turquesa da FITEC. No centro da imagem, pode-se destacar a equipe do clube Unidade Polo. Três alunos apresentam o projeto do clube para os visitantes da feira.
Três clubes da UEL participaram do evento (Foto/Arquivo Pessoal)

A Feira de Inovação, Tecnologia e Ciências (FITEC) chegou à sua 24ª edição e a Universidade Estadual de Londrina (UEL) esteve muito bem representada. Alguns dos clubes articulados pela instituição, parceira do NAPI – Paraná Faz Ciência, estiveram presentes no evento. A FITEC foi realizada entre os dias 5 e 7 de novembro, em Londrina.

As equipes que fizeram parte deste momento e estão vinculadas à UEL pertencem ao Colégio Estadual Unidade Polo Karoline V. A. e Luan A. S. (Clube Unidade Polo), de Ibiporã; Colégio Estadual Cívico-Militar Presidente Kennedy (Clube Discovery Kennedy’s), de Rolândia; e Colégio Estadual Machado de Assis (Clube Eco Sapiens), de Londrina.

A imagem mostra uma equipe de quatro pessoas, três alunos e um professor. Todos vestem blusas azul turquesa, próprias do evento. A equipe é do clube Unidade Polo e está posando para a foto, sorrindo, tirando uma selfie. Atrás, há um banner com o projeto apresentado pelo grupo.
Equipe do clube Unidade Polo na FITEC 2025 (Foto/Arquivo Pessoal)

Durante a Feira, alunos e professores expuseram parte dos projetos que estão desenvolvendo ao longo do ano. Além disso, o evento contou com palestras, oficinas e diversas outras atividades, pensadas exclusivamente para o público da FITEC, que são estudantes do Ensino Fundamental e Ensino Médio. Como de costume no contexto das feiras científicas, também houve a avaliação dos trabalhos apresentados e, em algumas categorias, premiação.

A imagem mostra um grupo de quatro estudantes, pertencentes ao clube Eco Sapiens. Os alunos posam para a foto, vestidos com a blusa do evento, azul turquesa. Um dos estudantes segura um certificado, recebido pelo segundo melhor tempo no escape room, uma das atividades ofertadas na Feira.
Equipe do clube Eco Sapiens na FITEC 2025 (Foto/Arquivo Pessoal)

Este foi o caso do clube Discovery Kennedy’s, que conquistou dois prêmios no evento. O projeto “Serviços ecossistêmicos e arborização urbana no entorno do Lago San Fernando, Rolândia-PR” foi contemplado nas categorias “Destaque – Rigor Metodológico” e “Credencial para Fenecit”. Com este último, a equipe garantiu a classificação para a Feira Nordestina de Ciência e Tecnologia (FENECIT) deste ano.

A imagem mostra um momento importante, em uma premiação. Atrás, há um painel luminoso indicando que é o momento de entregar o credenciamento para outra feira. No palco, há várias estudantes segurando bandeiras das escolas as quais fazem parte. No meio, há o grupo do clube Discovery Kennedy’s, que recebeu dois certificados pelo projeto apresentado no evento.
Equipe do clube Discovery Kennedy’s durante a premiação da FITEC 2025 (Foto/Arquivo Pessoal)

De acordo com o professor Carlos Marcelo Campaner, coorientador do clube e coordenador do projeto premiado, a própria experiência de estar em um evento científico já é gratificante. “Eu gosto muito de participar dessas feiras e tento passar isso para os meus alunos. Essa vontade de participar, de desenvolver a ciência e promover a ciência”, conta. “A ideia é dar continuidade nesse projeto e continuar com outros projetos que não foram classificados, mas que podem ser desenvolvidos ainda mais”, conclui.

As equipes conquistaram os primeiros lugares nas categorias em que estavam inscritas

A imagem mostra uma plateia, atenta ao que ocorre no palco. No palco, há pessoas reunidas e um painel luminoso, sugerindo a realização de um evento. Trata-se da premiação da Fecci. O momento foi registrado dentro de uma sala ampla, com teto e paredes brancas. A plateia está sentada.
A premiação ocorreu no último dia de evento (Foto/Silvia Calciolari)

Mais de 15 mil visitantes, 381 trabalhos apresentados e 90 prêmios entregues na Feira de Cultura Científica Paraná Faz Ciência 2025. A 1ª edição da FECCI já começou com saldo positivo e as escolas da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência tiveram motivos de sobra para comemorar, com 64 trabalhos entre os finalistas. A Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), por exemplo, teve quatro clubes premiados.

Segundo o professor Ronaldo A. R. da Silva, articulador institucional do NAPI pela UNILA, a participação no evento por si só já é uma vitória. Ainda assim, ver tantos clubes homenageados também foi motivo de muita alegria. “Dos nossos cinco clubes presentes, quatro foram premiados. Então, a gente ficou muito feliz com essa premiação, isso mostra a dedicação dos nossos alunos e professores clubistas”, declara o docente.

Na categoria Década dos Oceanos SNCT – Junior, o clube Sustentec conquistou o 1º lugar com o trabalho “Utilização eficiente de recursos naturais e resíduos orgânicos”. A equipe é do Colégio Estadual José de Anchieta, de Planalto. Para Noemi Zaro, professora coordenadora, a experiência foi ótima. “Ver o empenho e a dedicação dos meus alunos sendo reconhecido foi, sem dúvidas, o maior presente”, conta. “Essa conquista reforça a importância do trabalho em equipe e da valorização da pesquisa científica na escola.”

A imagem mostra a equipe do clube Sustentec reunida no palco, durante a premiação da Fecci. Ao lado dos integrantes, há autoridades e membros do NAPI - Paraná Faz Ciência. Atrás, há um painel luminoso. O grupo segura escolas com os prêmios. Todos posam sorridentes para a foto.
Entrega do prêmio ao clube Sustentec (Foto/NAPI PRFC)

Em Escolha do Público – Jovem, o clube EPM ficou com o 2º lugar ao apresentar o trabalho “O Encanto das Plantas Medicinais”. O grupo é do Colégio Estadual Pioneiros, de Foz do Iguaçu, e coordenado pela professora Nair Dias. “Eu nunca tinha participado, nunca tinha coordenado um clube de ciências, então está sendo uma experiência enriquecedora […]. Espero que, no ano que vem, nosso próximo trabalho seja escolhido e que a gente vá para a segunda edição da FECCI novamente”, compartilha a docente.

A imagem mostra a equipe do clube EPM reunida no palco, durante a premiação da Fecci. Ao lado dos integrantes, há autoridades e membros do NAPI - Paraná Faz Ciência. Atrás, há um painel luminoso. O grupo segura escolas com os prêmios. Todos posam sorridentes para a foto.
Entrega do prêmio ao clube EPM – Estudo das Plantas Medicinais (Foto/NAPI PRFC)

Já em Divulgação Científica – Jovem, o 1º lugar é do clube CCM Bee, com o “Monitoramento ecológico de Aedes aegypti com armadilhas sustentáveis e preservação das abelhas sem ferrão”. Neste, a equipe é de São Miguel do Iguaçu, do Colégio Cívico-Militar Nestor Victor dos Santos. “Ganhar o prêmio na FECCI foi uma vitória inesperada. Para o ano que vem, tentaremos melhorar os pontos de atenção e fazer com que possamos levar mais adiante os nossos trabalhos e nossas ideias”, declara a professora coordenadora, Jocimara Monsani.

A imagem mostra a equipe do clube CCM Bee reunida no palco, durante a premiação da Fecci. Ao lado dos integrantes, há autoridades e membros do NAPI - Paraná Faz Ciência. Atrás, há um painel luminoso. O grupo segura escolas com os prêmios. Todos posam sorridentes para a foto.
Entrega do prêmio ao clube CCM Bee (Foto/NAPI PRFC)

Por fim, em Comunicação – Jovem, foi o trabalho “Eco Rota – caminho digital para um futuro sustentável”, do clube Exploradores da Ciência, que chegou ao topo do pódio. O grupo é do Colégio Estadual do Campo Castelo Branco, de Pérola D’Oeste. Segundo a professora coordenadora, Silvana Gindri, foi um evento desafiador e gratificante. “A troca de experiências, o conhecimento adquirido durante o acompanhamento de outros trabalhos, […] isso acredito que é maior que qualquer premiação. Mas estar com a premiação, também, fez diferença”, comenta.

A imagem mostra a equipe do clube Exploradores da Ciência reunida no palco, durante a premiação da Fecci. Ao lado dos integrantes, há autoridades e membros do NAPI - Paraná Faz Ciência. Atrás, há um painel luminoso. O grupo segura escolas com os prêmios. Todos posam sorridentes para a foto.
Entrega do prêmio ao clube Exploradores da Ciência (Foto/NAPI PRFC)

A FECCI é promovida pelo NAPI Paraná Faz Ciência, em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI); as Secretarias Estaduais de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) e de Educação (SEED); a Fundação Araucária e a Prefeitura de Curitiba. Neste ano, o evento foi realizado entre 04 e 06 de novembro, na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), campus Neoville, em Curitiba.

As equipes com projetos classificados em primeiro, segundo e terceiro lugar ganharam equipamentos eletrônicos e kit multimídia. Os itens foram doados pela 9ª Regional da Receita Federal e pela empresa Slim 3D, parceiras do NAPI PRFC e do evento. Além disso, todos receberam medalhas e troféus.

Tanto na abertura quanto no encerramento do evento houve entrega de homenagem e prêmios

A imagem mostra várias medalhas da FECCI juntas, em uma mesa de vidro. A medalha e o cordão são na cor branca, com detalhes da identidade visual da feira. O item foi distribuído para os trabalhos vencedores do evento.
Medalhas entregues na festa de encerramento da Feira (Foto/Silvia Calciolari)

A Feira de Cultura Científica Paraná Faz Ciência 2025 encerrou da melhor forma possível: foram mais de 15 mil visitantes e 381 trabalhos apresentados, sendo 298 correspondentes a projetos enviados por integrantes da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência. Ao longo do evento, também ocorreram premiações e quatro clubes articulados pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) foram destaque neste quesito.

De acordo com a professora Mariana Andrade, articuladora institucional do NAPI pela UEL, essa conquista prova a existência de projetos relevantes. No evento, a instituição marcou presença com 14 clubes de ciências. “Isso é muito positivo para os clubes da UEL, por mostrar o trabalho que já vem sendo feito por essas escolas e, também, para incentivar nossos alunos a buscar inovações nas pesquisas para a participação em outras feiras no ano que vem”, reforça.

A FECCI é promovida pelo NAPI Paraná Faz Ciência (PRFC), em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI); as Secretarias Estaduais de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) e de Educação (SEED); a Fundação Araucária e a Prefeitura de Curitiba. Neste ano, foi realizada entre os dias 04 e 06 de novembro, na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), campus Neoville, em Curitiba.

Meu Clube é Show

Os primeiros prêmios vieram logo na abertura do evento, no dia 04. Foi neste momento que foram anunciados os oito vencedores do concurso “Meu Clube é Show”, organizado pela SEED. Dois clubes da UEL produziram vídeos para a disputa e tiraram notas altas nos critérios estabelecidos pelo edital, garantindo o pódio nas categorias as quais se inscreveram. 

Na área de Agroecologia, o vídeo premiado foi feito pelo clube Discovery Kennedy’s, do Colégio Estadual Cívico-Militar Presidente Kennedy, de Rolândia. Já na robótica, a conquista foi do clube Lavoisier, do Centro Estadual de Educação Profissional Florestal e Agrícola, de Ortigueira. As equipes receberam um kit multimídia completo para ajudar nas próximas produções.

A imagem mostra os integrantes do clube Discovery Kennedy’s durante a entrega do prêmio do concurso Meu Clube é Show. Atrás, há um painel luminoso com a logo do concurso. Os alunos estão uniformizados e seguram caixas, contendo os prêmios. Ao lado da equipe, há autoridades. Todos estão em cima de um palco e olham para a frente, posando para a câmera.
Clube Discovery Kennedy’s na premiação Meu Clube é Show (Foto/Isabella Abrão)

Segundo a professora Eglaia de Carvalho Cheron, coordenadora do clube Discovery Kennedy’s, o reconhecimento é resultado do empenho dos alunos. Foram os estudantes que editaram o material, utilizando registros que fizeram durante as atividades do clube. “Já abrir o evento recebendo premiação pareceu que deu um gás, que tinham injetado gasolina de avião na gente”, brinca. “Esse equipamento vai fazer toda a diferença nos vídeos daqui em diante. Estou muito feliz!”, garante a docente.

A imagem mostra os integrantes do clube Lavoisier durante a entrega do prêmio do concurso Meu Clube é Show. Atrás, há um painel luminoso com a logo do concurso. Os alunos estão uniformizados e seguram caixas, contendo os prêmios. Ao lado da equipe, há autoridades. Todos estão em cima de um palco e olham para a frente, posando para a câmera.
Clube Lavoisier na premiação Meu Clube é Show (Foto/Isabella Abrão)

O professor Weverson S. da Fonseca Junior, coordenador do clube Lavoisier, destaca que a recompensa trouxe muita alegria e orgulho ao grupo. Para ele, o prêmio traduz toda a dedicação do trabalho realizado. “O resultado motivou ainda mais os participantes a continuarem pesquisando e inovando. Para o próximo ano, a expectativa é aprimorar os projetos, explorar novas ideias e fortalecer o espírito de colaboração no clube de ciências”, conta.

FECCI

Se a abertura da Feira foi emocionante, o encerramento superou as expectativas. Durante os três dias da FECCI, representantes de 220 escolas públicas estaduais do Paraná estiveram em seus estandes apresentando trabalhos. Com o objetivo de estimular cada vez mais a participação dos jovens na ciência, 90 projetos foram premiados com equipamentos eletrônicos e kit multimídia.

Filmadoras de última geração, impressoras 3D, tablets, celulares, fones de ouvido e caixas de som são apenas alguns dos itens entregues, doados pela 9ª Regional da Receita Federal e empresa Slim 3D, parceiras do NAPI PRFC e do evento. Além disso, os classificados em primeiro, segundo e terceiro lugares de cada uma das áreas também receberam medalhas e troféus. 

Ao menos 64 trabalhos desenvolvidos na Rede de Clubes PRFC estão entre os finalistas, sendo dois de clubes articulados pela UEL. Os contemplados foram o clube Ciências em Mãos, do Instituto Londrinense de Educação de Surdos (ILES), e o clube Litterae Ludus, do Colégio Estadual Cívico-Militar Professor Newton Guimarães. Ambos ficam na cidade de Londrina.

A imagem mostra os integrantes do clube Ciências em Mãos durante a entrega do prêmio da categoria a qual se inscreveram para apresentar o trabalho na Fecci. Atrás, há um painel luminoso. Os alunos estão uniformizados e seguram sacolas, troféus e medalhas. Ao lado da equipe, há autoridades, coordenadores e bolsistas pedagógicos. Todos estão em cima de um palco e olham para a frente, posando para a câmera.
Clube Ciências em Mãos na premiação de encerramento da FECCI (Foto/NAPI PRFC)

O clube Ciências em Mãos conquistou o 3º lugar na categoria Divulgação Científica Jovem, com o trabalho “Mãos na Ciência: um jogo bilíngue em libras para a iniciação científica”. A professora coordenadora, Ilza Alessandra Francisco, acredita que esse é só o começo de um projeto muito importante. “Os surdos precisam muito dessa parte visual, então essas ferramentas [os prêmios] são essenciais para o aprendizado deles”, explica. “Nosso trabalho foi reconhecido não só pela comunidade de Londrina, mas também já ultrapassou os muros da escola. Chegou aos grupos de escolas bilíngues de surdos de todo o país.”

A imagem mostra os integrantes do clube Litterae Ludus durante a entrega do prêmio da categoria a qual se inscreveram para apresentar o trabalho na Fecci. Atrás, há um painel luminoso. Os alunos estão uniformizados e seguram sacolas, troféus e medalhas. Ao lado da equipe, há autoridades, coordenadores e bolsistas pedagógicos. Todos estão em cima de um palco e olham para a frente, posando para a câmera.
Clube Litterae Ludus na premiação de encerramento da FECCI (Foto/NAPI PRFC)

O clube Litterae Ludus, por sua vez, ficou em 3º lugar na categoria Ciências Humanas Junior, com o trabalho “A mente em silêncio: conscientização dos jovens sobre os desafios da convivência com o Alzheimer”. Para a professora Franciela Zamariam, coordenadora do clube, essa é só a ‘ponta do iceberg’. “As alunas compreenderam o processo da pesquisa científica, como desenvolver o seu próprio pensamento científico, que não podem fazer afirmações sem antes pesquisar a respeito”, compartilhou. “Tudo isso será de grande ajuda para toda a vida delas, e culminou parcialmente na premiação.”

Projeto une sustentabilidade e tecnologia, transformando descobertas científicas em jogos interativos criados pelos próprios estudantes

A produção de jogos digitais com a temática do projeto Teto Verde, é super importante para os alunos atuarem em equipe e trocarem experiências. É evidente a interação dos alunos e o conhecimento adquirido, durante as discussões sobre o tema, eles tiveram que se interessar em pesquisar sobre o assunto, envolver tecnologia é muito gratificante pois fornece um vasto material de estudo, o aluno tendo que selecionar o tema que está abrangendo a sua pesquisa.
Clube de Ciências produz jogos digitais com a temática de Teto Verde (Foto/ Arquivo pessoal)

O Clube de Ciências Inovadores do Amanhã, do Colégio Estadual Francisco Lima da Silva, está unindo sustentabilidade e tecnologia em um projeto inovador. Os estudantes pesquisam os benefícios do Teto Verde, uma cobertura vegetal instalada sobre edificações, e decidiram transformar o conhecimento adquirido em jogos digitais interativos, criados com o Google Apresentações.

A pesquisa sobre o Teto Verde busca compreender como esse tipo de estrutura pode reduzir a temperatura dos ambientes, melhorar o conforto térmico e tornar a escola mais agradável e sustentável. A partir dessas descobertas, os clubistas desenvolveram um quiz digital que aborda curiosidades e conceitos científicos sobre o tema, tornando o aprendizado mais dinâmico e acessível.

De acordo com a professora Grasiela Ivana Monteiro Passarin, a pesquisa é de grande importância, pois a região da escola é uma região muito quente e que sofre com falta de vegetação. “O projeto nasceu da ideia das crianças. A região da escola tem uma comunidade nova, que sofre com altas temperaturas e onde não há o cultivo de árvores ou plantas. Portanto, estudar e provar que o cultivo de tetos verdes pode ajudar no controle da temperatura do local tem grande utilidade”, diz a professora.

Clubistas reunidos no laboratório de informática para a construção de jogos digitais com a temática Teto verde (Foto/ Arquivo pessoal)

O projeto mostra como o ensino de ciências pode ir além da sala de aula, explorando ferramentas digitais e metodologias ativas. Além de disseminar o conhecimento sobre sustentabilidade, os jogos também servem como instrumentos de divulgação científica, aproximando a comunidade escolar da pesquisa e da inovação.

O clube “Litterae Ludus” recorre a artigos científicos para construir personagens literários e promover a conscientização de temáticas atuais

A foto mostra a equipe do clube, sentadas e posando para a câmera. Ao fundo, há estandes de livros, indicando uma biblioteca.
Alunas e professora do Clube “Litterae Ludus” (Foto/Arquivo Pessoal)

Um diálogo entre Ciência e Literatura é o que propõe o Clube “Litterae Ludus”, do Colégio Estadual Cívico-Militar Professor Newton Guimarães, de Londrina. A partir do conhecimento da leitura literária, da escrita criativa, das interações sociais de pessoas atípicas e perfis psicológicos, os alunos podem ter acesso a parte da pesquisa bibliográfica e, também, ao ambiente universitário das Ciências Humanas.

A coordenadora do clube, professora Franciela Zamarian, explica que o objetivo é investigar a relação entre os jogos de RPG e a formação do leitor literário. Para ela, ainda existe um preconceito de que a ciência é “apenas aquela de laboratório, de biologia, de exatas”. Porém, aqui são as Ciências Humanas.

Como a docente explica, a metodologia é que vai colocar o trabalho dentro do âmbito da ciência. “Eu vou trabalhar literatura, mas como isso vai ser trabalhado? De que maneira vou fazer uma verificação se houve um progresso ou não dentro dos resultados? Então, é dessa maneira que a gente está trabalhando ciência, ainda que seja na área de humanas.”

O diálogo com a UEL

O Clube de Ciências “Litterae Ludus” é articulado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) no NAPI – Paraná Faz Ciência. Porém, o diálogo com a Universidade não para por aí. O Clube tem participado de várias atividades propostas, como eventos e diálogos com docentes, para que os alunos se sintam pertencentes ao meio acadêmico e científico. 

Uma atividade foi a conversa com a Professora do curso de Letras, Dra. Sheila Oliveira Lima, pois algumas alunas demonstraram interesse na leitura literária sob o viés da Psicanálise.

A imagem mostra o dia em que a professora Sheila se reuniu com o restante da equipe do clube. O encontro ocorreu na biblioteca da escola, como indica as estantes de livros ao fundo.
Encontro com a Profa. Dra. Sheila Oliveira Lima (Foto/Arquivo Pessoal)

De alunas a pesquisadoras

O Clube é dividido em grupos. A aluna Larissa, do 3º ano, diz que o objetivo do seu grupo é analisar as alterações de comportamento das pessoas com perfil não sociável durante e após a sessão de RPG literário. A estudante Ana Clara, também do 3º ano, afirma que aprendem sobre técnicas investigativas, conhecimento científico, adequação da escrita, abordagens, métodos e o jogo enquanto ferramenta. 

As alunas mais novas, como Stefany, do 9º ano, Maria Eduarda e Luiza, do 1º ano, compartilham a expectativa de fazer descobertas. Nas palavras de Stefany, ela tem a esperança de “que o RPG alcance novos grupos, um público maior e que eu consiga descobrir coisas novas”, afirma.

A imagem mostra as alunas do clube trabalhando, usando notebooks para escrever e estudar. Ao fundo, há estantes de livros.
Momento de escrita das histórias e desenvolvimento dos personagens (Foto/Arquivo Pessoal)

Outros dois grupos estudam como o RPG pode ser um laboratório prático para observar e analisar aspectos do desenvolvimento e da interação social. As alunas Kiara e Talita, do 2º ano, esperam usar os jogos com desafios estratégicos para estudar o comportamento humano, a capacidade de tomar decisões e pensar com lógica. Para elas, isso pode acontecer enquanto se divertem. No grupo de Jamile e Fernanda, do 1º ano, o mais interessante é ver como as pessoas do espectro autista reagem quando jogam RPG literário.

As meninas e a professora têm expectativas futuras, especialmente na conquista de bolsas de iniciação científica júnior, assim como na participação em eventos e feiras locais, regionais, estaduais e nacionais.