Em quatro Núcleos Regionais, 30 clubes de ciências articulados pela universidade mostram como o conhecimento científico pode transformar a realidade de estudantes e comunidades

A quinta edição do Paraná Faz Ciência, sediada na Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), em Guarapuava, contou com a participação de 30 clubes de ciências articulados pela universidade. Os clubes apresentaram mais de 70 projetos de pesquisa na 1ª Mostra de Clubes da Rede, com as apresentações na manhã do dia 2 de outubro. Abordam temas que conectam a ciência aos desafios regionais e ao cotidiano dos estudantes.
Os trabalhos vêm de escolas de quatro Núcleos Regionais de Educação (NRE): Guarapuava, Irati, Laranjeiras do Sul e Pitanga. Os professores coordenadores destacam como a metodologia dos clubes estimula o protagonismo juvenil e o aprendizado prático.
Guarapuava
Os clubes de Guarapuava, anfitriões do evento, demonstram uma forte conexão com os problemas sociais e ambientais da região. No Colégio Estadual Padre Chagas, o professor Emerson de Souza, do clube EcoCientistas Visionários, explica que os projetos nascem de questões que os próprios alunos enfrentam, como o descarte de resíduos e a falta de saneamento. “Os estudantes partem de problemas que enfrentam diariamente ou de maneira recorrente”, afirma o professor. “Ao investigar essas situações, os alunos podem aplicar na prática o que aprendem, experimentando o método científico. Isso faz com que os conteúdos deixem de ser só teóricos e passem a ter sentido direto na vida deles e da comunidade”, explica o docente.

Outros clubes também se voltam para a comunidade. No Colégio Estadual Professor Amarílio, o professor Doacir Domingos Filho, supervisor do clube EcoCriativos, une a ciência à arte para tornar a aprendizagem mais rica. “A ciência estimula a investigação, a ecologia traz consciência ambiental e a arte permite expressar tudo isso de forma criativa”, diz Doacir.
No Clube Velozes e Curiosos, do Colégio Estadual Cristo Rei, o foco é a biodiversidade local. A professora Crissiane Loyse Luiz detalha a pesquisa sobre a morfometria das asas de abelhas. “Estudar o tamanho e o formato das asas de abelhas é importante, pois as asas ajudam as abelhas a voar longe para encontrar comida e habitat”, explica. A análise da assimetria das asas também serve como um “indicador de estresse e instabilidade no ambiente onde o organismo se desenvolve”, mostrando como a ciência pode ser usada na conservação.

Já a professora Katiane dos Santos, do clube Climatize-se no Colégio Estadual Pedro Carli, usa a tecnologia para conscientizar. “No caso do projeto de realidade virtual, os alunos e visitantes podem vivenciar ‘um dia na vida de uma abelha-operária’, mergulhando em uma experiência imersiva que desperta a curiosidade e amplia a empatia”, relata a professora.
O Paraná Faz Ciência também é visto pelos educadores como um momento de celebração do aprendizado. A professora Leonara Furquim, do Colégio Estadual do Campo da Paz, em Candói, tem um projeto no clube Identidades em Construção que aborda a diversidade cultural. “Conhecer a diversidade étnica e cultural, presente no colégio e na comunidade, é o primeiro passo para a construção identitária dos estudantes”, comenta. “É a partir desse conhecimento que eles conseguem fazer relações e desenvolver o senso de pertencimento com seus pares, bem como o respeito e a empatia para com todos.”

Em Pinhão, o professor João Manuel de Lima, do CE Bento Munhoz da Rocha Netto e o Clube Puma Science Club estão focados na preservação de nascentes. O professor explica que muitos moradores acreditam que a água transparente não apresenta riscos. “A gente sabe que tem problema, então a gente está trabalhando com o clube para mapear essas nascentes e propor soluções para proteger e melhorar a qualidade da água”, diz, ressaltando a importância de conscientizar a comunidade.
Ainda em Pinhão, no Colégio Indígena Cacique Otávio dos Santos, o professor Luan Felipe de Lima e o Clube Pỹnfīfī estão investigando o ciclo de produção da araucária. O projeto, que se baseia no conhecimento dos mais velhos da comunidade, busca entender porque a produção varia anualmente. A hipótese que a equipe está testando é que a colheita prematura da pinha pode ser a causa do problema. “A gente está testando essa hipótese e tentando desenvolver um método de manejo que não só seja menos agressivo para manter um ciclo de pinhão mais produtivo ao longo do tempo, como também seja uma maneira um pouco mais segura para tirar”, explica o professor.

Confira a lista de clubes ligados ao Núcleo Regional de Educação (NRE) de Guarapuava:
De Guarapuava:
Colégio Estadual Cristo Rei — Clube Velozes e Curiosos. Coordenadora Crissiane Loyse Luiz. Projetos:
Colégio Estadual Cívico Militar Vereador Heitor Rocha Kramer — Clube Eco Transformadores. Coordenador Daniele Kosmo. Projetos:
Colégio Estadual Professor Amarílio — Clube EcoCriativos. Coordenador Doacir Domingos Filho. Projetos:
Colégio Estadual Padre Chagas — Clube Eco Cientistas Visionários. Coordenador: Emerson de Souza. Projetos:
Colégio Estadual Pedro Carli — Clube Climatize-se. Coordenadora Katiane dos Santos. Projetos:
Colégio Francisco Carneiro Martins — Clube EcoAction. Coordenadoras: Carolina Paula de Almeida, Sandra Mara Venske e Elena Mariele Bini. Projeto:
De Pinhão:
Colégio Estadual do Campo Professor Júlio Moreira – Clube Ciência em Foco. Coordenadora Bianca Karine Boratchulka dos Santos. Projetos:
Colégio Estadual Bento Munhoz da Rocha Netto — Puma Science Club. Coordenadores João Manuel de Lima e Jean Carlos Bueno. Projetos:
Colégio Estadual Procópio Fereira Caldas — Clube Óleo nosso de cada dia. Coordenador Diórgenes Veres Ronik. Projeto:
De Turvo:
Colégio Indígena Cacique Otávio dos Santos — Clube Pỹnfīfī (Maker), Coordenador Luan Felipe de Lima. Projeto:
De Foz do Jordão:
Colégio Estadual de Segredo — Clube ScienCES. Coordenadora Sandra Rozanski. Projetos:
De Candói:
Colégio Estadual Santa Clara — Clube Curiosus. Coordenadora Edineia Simi Silva. Projeto:
Colégio Estadual do Campo da Paz — Clube Identidades em construção. Coordenadores Leonara Forquim de Mattos, Daniel Mazurek e Keorlly Cabral. Projeto:
Os clubes que são parte do Núcleo de Irati também trazem projetos que aliam o rigor científico à aplicação prática. No Colégio Estadual Alberto de Carvalho, em Prudentópolis, a professora Mariel Guil Chociai, do clube Quatro Elementos, prepara sua primeira participação em uma feira. Os alunos pesquisam a morfometria de abelhas da espécie Mandaçaia, em parceria com a Unicentro. “Nossa análise das asas pode indicar estresse ambiental”, conta a professora, que destaca a importância do projeto para a coleta de dados inéditos sobre a espécie.

No Colégio Estadual do Campo Bispo Dom José Martenetz, em Prudentópolis, o professor Carlos Eduardo Basso, do clube Tijuco Preto (Óleo nos Olhos), trabalha com o desenvolvimento de produtos a partir de plantas nativas. De acordo com o docente, o clube tem o lema “da planta à fórmula”, criando produtos como sabonetes e velas a partir de óleos essenciais.
Confira a lista dos clubes pelo NRE de Irati:
De Irati:
CEFEP Presidente Costa e Silva (Irati) — Clube Raízes da Ciência. Coordenadora Mariana Mendes Mirkoski. Projetos:
De Guamiranga:
Colégio do Campo Professor Antonio Emílio Antonelli — Clube EduCampo Consciência Ativa. Coordenadora: Rosana Aparecida Ribeiro de Sene. Projetos:
De Fernandes Pinheiro:
Colégio Estadual Getulio Vargas — Clube M@ker GV (maker). Coordenador Sandro José Ramos. Projetos:
De Prudentópolis:
Colégio Estadual Alberto de Carvalho — Clube Quatro Elementos. Coordenadoras Mariel Guil Chociai e Terezinha Antonio. Projetos:
Colégio Estadual do Campo Bispo Dom José Martenetz — Clube Tijuco Preto. Coordenadores Carlos Eduardo Basso Christo e Carina Rampi. Projetos:
De Irati:
Escola Estadual Nossa Senhora das Graças — Clube EcoCientistas Ambientais. Coordenadora Elaine Pacheco Costa. Projeto:
De Laranjeiras do Sul, o Colégio Estadual Floriano Peixoto, com o clube Raízes do Saber, transformou a horta da escola em um “laboratório a céu aberto”, de acordo com a professora Jane Aparecida Lazare Pereira. Ela destaca a importância do projeto para o estudo do solo, compostagem e controle de pragas de forma orgânica. “Também trabalhamos a questão da segurança alimentar com uma horta totalmente livre de agrotóxicos. Nosso diferencial é estudar como esses alimentos beneficiam o organismo. Usando a pirâmide alimentar, mostramos que a ingestão desses produtos é uma fonte primordial de saúde.”
No Assentamento Celso Furtado, em Quedas do Iguaçu, o Clube de Ciência Maker do Chico, do Colégio Estadual do Campo Chico Mendes, desenvolve abrigos de baixo custo para abelhas nativas sem ferrão. O projeto, que une saberes tradicionais e tecnologias inovadoras, utiliza técnicas de bioconstrução com taipa e telhados verdes, além de sensores conectados via Arduino (software).
O professor responsável, Cheperson Ramos, destaca que a bioconstrução é ideal para as abelhas nativas, que são sensíveis às variações de temperatura. “Tanto a taipa quanto o telhado verde oferecem inércia e isolamento térmico, mantendo a temperatura dentro dos abrigos mais constante e protegendo as colmeias”, explica.
Confira a lista dos clubes do NRE de Laranjeiras do Sul
De Cantagalo:
Colégio Estadual Elenir Linke — Clube Discípulos de Pasteur. Coordenadores Luana de Almeida Pereira e Luciana Kelnihar. Projetos:
Colégio Estadual Olavo Bilac — Desbravadores do Conhecimento. Coordenador Elton Pontarolo de Abreu. Projetos:
De Laranjeiras do Sul:
Colégio Estadual Indígena Kó Homũ — Clube Raízes do Saber (maker). Coordenadora Daiane de Freitas. Projetos:
Colégio Estadual Floriano Peixoto — Clube Raízes do Saber. Coordenadores Jane Aparecida Lazare Pereira e Robison Tiago Coradeli. Projetos:
De Quedas do Iguaçu:
Colégio Estadual do Campo Chico Mendes — Clube Maker do Chico (Maker). Coordenador Cheperson Ramos. Projetos:
Na região de Pitanga, o Colégio Estadual Adonis Morski, em Boa Ventura do São Roque, tem no Clube Adonis Com Ciência um projeto focado no impacto da coleta seletiva na vida dos trabalhadores. A professora Juliana Aparecida Freiberger Ghiotto explica que o objetivo é conscientizar a população para melhorar a coleta e, consequentemente, as condições de trabalho. “Os alunos já realizaram entrevistas com esses trabalhadores para entender um pouquinho da rotina deles e, com esses dados, a gente pretende trabalhar na conscientização da população”, diz.

Abaixo a lista dos clubes ligados ao NRE de Pitanga que foram ao Paraná Faz Ciência:
De Boa Ventura de São Roque:
Colégio Estadual Adonis Morski — Clube Adonis Com Ciência. Coordenadora Juliana Aparecida Freiberger Ghiotto. Projetos:
De Santa Maria do Oeste:
Colégio Estadual do Campo João Cionek — Cionekando com Ciência (maker). Coordenadora Milena Barcellos e Inêz Corrêa. Projetos:
Colégio Estadual Dr. João Ferreira Neves — Clube Pé Vermelho. Coordenadora Elizabete Pazio. Projetos:
A 1ª Mostra Científica da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, com seus 30 clubes e mais de 70 projetos, promete mostrar a diversidade e o protagonismo dos jovens cientistas paranaenses, que usam a curiosidade para transformar a realidade e construir um futuro mais consciente.