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Após muito preparo e com mais de 30 projetos, clubes de ciência de Curitiba e região apresentam suas pesquisas na feira de cultura científica do Paraná

Um grupo de nove pessoas está reunido sobre um palco, sorrindo para a foto durante uma cerimônia de premiação. Ao centro, uma mulher segura uma grande caixa de papelão, simbolizando o prêmio recebido. As pessoas vestem crachás do evento e roupas formais ou esportivas, com destaque para camisetas pretas usadas por parte do grupo, indicando pertencimento a uma mesma equipe. O fundo exibe um telão colorido com luzes cenográficas. O clima é de celebração e reconhecimento pelo trabalho apresentado.
Integrantes do clube Zardo Faz Ciência recebem o prêmio Meu Clube é Show (Foto / Marilaine Martins)

A dedicação que movimentou os Clubes de Ciência de Curitiba e região ao longo dos últimos meses ganhou o palco na Feira de Cultura Científica (FECCI 2025), realizada entre 4 e 6 de novembro, no campus Neoville da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). Além dos Clubes de Ciência, os Clubes Maker e os Clubes de Meninas na Ciência, que também integram a Rede Paraná Faz Ciência, apresentaram ao público pesquisas que transformaram curiosidade em experimentação científica.

Os projetos nasceram dentro das escolas públicas e refletem o esforço coletivo de professores e estudantes que, desde o início do ano letivo, se dedicam à observação, investigação e criação de soluções para problemas reais. As temáticas variam entre sustentabilidade, saúde, tecnologia, biodiversidade e práticas culturais, sempre com o olhar voltado ao cotidiano das comunidades.

Para muitos clubes, participar da FECCI é o ponto alto do trabalho desenvolvido ao longo do ano. “A preparação para a feira foi um momento que permitiu aos clubistas aprofundar o entendimento da pesquisa, desde o desenho dos objetivos até a elaboração da comunicação dos resultados. Acredito que eles realmente conseguiram contextualizar e colocar em prática o que vínhamos trabalhando em teoria”, afirma Felipe Gonçalves, professor coordenador do Lattes Clube.

Nas semanas que antecederam a feira, o clima foi de intensa preparação nas escolas. No Colégio Estadual Lúcia Bastos, o experimento levado à FECCI foi apresentado durante o recreio do contraturno, reunindo estudantes e professores. No Colégio Estadual Teotônio Vilela, o jogo educativo sobre o descarte adequado de resíduos sólidos foi testado com os professores, que participaram ativamente da atividade. Já no Colégio Estadual Theodoro de Bona, o site e o jogo desenvolvidos sobre macroinvertebrados aquáticos (também levados à feira) foram destaque na Feira do Conhecimento da escola, realizada no dia 13.

Da Feira do Conhecimento para a FECCI, as pesquisas alcançam novos públicos (Foto / Arquivo)

A professora Lucimary Steinke Deconto Pesaroglo, coordenadora do Bio Clube do Colégio Estadual Lúcia Bastos, destacou o envolvimento dos estudantes em todo o processo. “A gente veio mostrar trabalhos de mais de um ano de clube. Teve toda uma preparação para entender o método científico, aprender a buscar referências, reconhecer material científico de qualidade e colocar a mão na massa. Foram muitos encontros de produção, teste e troca. Para a FECCI, até os novos integrantes ajudaram a preparar tudo”, conta.

Projetos premiados

Entre os clubes vinculados à Universidade Federal do Paraná (UFPR), destacaram-se iniciativas que uniram criatividade e compromisso social, como os projetos apresentados pelo clube Zardo Faz Ciência, do Colégio Estadual Professor Francisco Zardo. Anunciado como um dos vencedores do prêmio “Meu Clube é Show”, promovido pela Secretaria de Educação do Paraná (SEED), já na abertura do evento, o clube também se destacou na categoria Ciências Aplicadas e recebeu o primeiro e o segundo lugar. Os projetos desenvolvidos pelo grupo estudam o comportamento de adolescentes em relação ao uso do celular e materiais pedagógicos que possam trabalhar na conscientização da temática.

“Os prêmios são frutos do trabalho de estudantes clubistas, estagiários, coordenadora, C.E. Prof. Francisco Zardo, SEED, Paraná Faz Ciência e UFPR”, conta a professora Izabela Paulini de Jesus. “Apesar dos obstáculos, conseguimos desenvolver uma ótima pesquisa e a premiação é um grande reconhecimento. Nos motiva a continuar pesquisando e ampliando a divulgação dos resultados em outros meios e eventos científicos”, comemora.

A emoção também foi compartilhada pelos estudantes. “Eu me sinto muito feliz pela pesquisa estar sendo reconhecida e pelas pessoas se interessarem por ela. Eu me sinto muito feliz e muito grata por ter ganhado o primeiro lugar, o que eu não achei que ia acontecer. Então me surpreendeu. Eu me sinto orgulhosa e contente pela pesquisa ter dado resultado”, conta Maria Carolina Porate, integrante do clube Zardo Faz Ciência. 

Outro destaque entre os clubes vinculados à UFPR foi o Friends of Science, da Escola Estadual Euzébio da Mota, premiado com o segundo lugar Junior na categoria Década dos Oceanos, com um projeto de protótipo de seguidor solar com arduino, em sua primeira vez participando de uma feira. “Participar da FECCI 2025 foi uma experiência e tanto! Essa foi a primeira vez do Clube de Ciências Friends of Science em uma feira de ciências e eu tenho certeza que foi um momento de muito aprendizado para as meninas. O prêmio representa uma valorização a todo esforço, curiosidade e comprometimento dos clubistas ao longo do ano, além de inspirá-los a acreditar em si e na ciência!”, relata a coordenadora do clube, Gabriele Cristine da Silva.

Para a clubista Hasly Aviles, a experiência foi especial. “Ver as pessoas se interessando, perguntando e elogiando fez a gente perceber que todo o trabalho valeu a pena. Receber o prêmio foi uma sensação de orgulho enorme, não só pelo reconhecimento, mas porque mostrou que, mesmo com dificuldades, quando a gente acredita no projeto e trabalha em equipe, dá certo. Foi um momento que marcou muito a gente”.

Além deles, outros clubes da Rede Paraná Faz Ciência vinculados à UFPR também foram premiados em diferentes categorias da FECCI 2025, evidenciando a diversidade temática e a qualidade das pesquisas desenvolvidas nas escolas públicas.

1º Lugar Junior categoria Ciências Aplicadas

COMPORTAMENTO DE ADOLESCENTES EM RELAÇÃO AO USO DO CELULAR

Clube Zardo Faz Ciência (Colégio Estadual Professor Francisco Zardo)

Coordenadora: Izabela Paulini de Jesus

2° Lugar Junior categoria Divulgação Científica

Além de robôs: contribuições das competições de robótica para a cultura STEAM – 

Acrux Robocep (Colégio Estadual do Paraná)

Coordenador: Tony Marcio Groch

2° Lugar Junior categoria Desenvolvimento de Produto

Sabão sustentável: conservação ambiental e geração de renda – 

Bio Clube (Colégio Estadual Lúcia Bastos)

Coordenadora: Lucimary Steinke Deconto Pesarolgo

2º Lugar Junior categoria Ciências Aplicadas

MATERIAIS PEDAGÓGICOS PROBLEMATIZADORES SOBRE O USO
CONSCIENTE DO CELULAR

Clube Zardo Faz Ciência (Colégio Estadual Professor Francisco Zardo)

Coordenadora: Izabela Paulini de Jesus

2° Lugar Junior categoria Década dos Oceanos

PROTÓTIPO DE SEGUIDOR SOLAR COM ARDUINO

Clube Friends of Science (Colégio Estadual Euzébio da Mota)

Coordenadora: Gabriele Cristine da Silva

3º Lugar Jovem Total categoria Ciências Biológicas

Comunidade de macroinvertebrados aquáticos como ferramenta de avaliação da qualidade da água do Parque Ambiental Aníbal Khury – Almirante Tamandaré

Clube Bona (Colégio Estadual Theodoro de Bona)

Coordenadora: Vânia Eloiza Cerutti

3º Lugar Junior categoria Ciências da Saúde

Compreendendo a composição dos refrigerantes e os efeitos na saúde e no meio ambiente – Clube Exploradores da Ciência (Colégio Estadual Profª Maria Aguiar Teixeira)

Coordenador: Jeremias Ferreira da Costa

3° Lugar Junior categoria Ciências Agrárias

Agroecologia no espaço escolar: potencialidades para a educação ambiental crítica – Clube de Ciência Máximo (Colégio Estadual Professor Máximo Atílio Asinelli)

Coordenadora: Simone de Fátima Campagnoli de Oliveira

Essas conquistas reforçam o compromisso dos clubes de ciência com a educação pública, a sustentabilidade e a formação de jovens pesquisadores engajados com suas comunidades.

A chegada de materiais novos e a interação com a pesquisadora ampliaram a experiência científica do grupo

Um grupo de seis estudantes e uma professora participa de uma atividade em um laboratório escolar. À esquerda, a professora, de colete claro e blusa preta, orienta uma aluna que ajusta o foco de uma lupa binocular branca posicionada sobre a mesa. Ao redor, quatro estudantes observam atentos a cena, vestindo camisetas do uniforme azul e branco com o brasão do Paraná. À direita, uma estudante de camiseta preta acompanha de perto a análise feita no equipamento. Sobre a bancada de granito estão tubos de ensaio transparentes e um frasco azul de plástico. Ao fundo, a parede revestida de azulejos brancos completam o ambiente da atividade científica.
Em campo, integrantes do ‘Little Science’ realizam testes (Foto/ Marilaine Martins)

Conhecer, olhar e analisar bem de perto pode revelar muito mais do que se percebe a olho nu. Foi o que descobriram os integrantes do Clube de Ciência Futuros Cientistas ao observar, no laboratório e com o auxílio das lupas recém-chegadas, animais aquáticos coletados em rios. Detalhes antes invisíveis apareceram diante deles, e cada estudante encontrou sua própria surpresa: as listas nos olhos de um camarão, o porte imponente de um besouro ou os ligamentos arredondados das patas de um escorpião-do-mato. Esses organismos, conhecidos como macroinvertebrados, são de interesse do grupo justamente porque ajudam a indicar a qualidade da água, revelando aspectos das condições ambientais dos rios.

Para os integrantes do clube, formado por alunos do Ensino Fundamental II da Escola Isolda Schimid, ‘olhar de perto’ foi além do uso da lupa. A atividade integrou a palestra O Rio e sua biodiversidade, realizada pela professora e bióloga Edinalva Oliveira, em que cada estudante foi convidado a perceber a ciência também por outra dimensão: a do trabalho de campo. Redes de coleta, recipientes e até a perneira, item de proteção em áreas alagadas, mostraram que a investigação dos rios exige preparo, técnica e cuidado. Nesse contexto, a ciência revelou-se como prática que une observação minuciosa e interação direta com o ambiente.

Esse aprendizado se conecta ao percurso já trilhado pelo grupo em sua pesquisa sobre o rio Belém, vizinho da escola e de grande parte dos alunos. Ou seja, ‘olhar de perto’ aqui, significa também voltar-se para o próprio território, perceber os sinais que a água carrega e compreender que a biodiversidade está intimamente ligada à vida e ao dia a dia da comunidade.

Mais do que uma atividade pontual, a experiência evidenciou o sentido maior da divulgação científica: despertar interesse, provocar perguntas e mostrar que a investigação pode nascer de detalhes. Ao unirem prática, observação e vínculo com o território, os jovens confirmaram que compreender a biodiversidade dos rios é também assumir responsabilidade sobre o espaço em que vivem.

Investigação no Parque Aníbal Khury motiva alunos a desenvolverem site e jogo sobre macroinvertebrados e qualidade da água

Dois estudantes estão sentados atrás de uma bancada de granito em um ambiente de laboratório escolar. Eles sorriem enquanto apresentam um notebook aberto com um site intitulado “Estudo de Macroinvertebrados”. O conteúdo na tela traz informações sobre o Parque Ambiental Anibal Khury e sua relação com estudos de campo. À direita do notebook, há um microscópio óptico, reforçando o caráter científico da atividade. Ambos os estudantes usam casacos. Ao fundo, é possível ver uma pia com materiais de laboratório e uma porta. A atividade faz parte de um projeto escolar de divulgação científica.
Programação é aliada na divulgação da pesquisa (Foto: Mari Martins)

Identificar os macroinvertebrados presentes no maior dos dois lagos do Parque Aníbal Khury marcou o início da pesquisa desenvolvida pelos alunos do Clube de Ciências Bona, do Centro Estadual de Educação Profissional Theodoro de Bona. A escola e o Parque estão localizados em Almirante Tamandaré, na Região Metropolitana de Curitiba. O parque é reconhecido como uma das áreas mais extensas de conservação ambiental urbana do país e conta com uma rica biodiversidade, distribuída em diferentes ecossistemas. Ao escolher esse espaço como campo de investigação, os estudantes voltaram sua atenção para a água e para os pequenos organismos que vivem nela, buscando compreender como a presença dessas espécies pode revelar informações sobre a qualidade do ambiente.

Conforme explica a professora coordenadora do Clube, Vânia Cerutti, o interesse em ampliar o alcance das descobertas surgiu por parte dos próprios estudantes. “Eles entenderam que poderiam conectar o que estávamos realizando com habilidades que eles já tinham.” 

Nesse contexto, clubistas que cursam o Ensino Médio Profissionalizante na área de Desenvolvimento de Sistemas viram na programação uma ferramenta para organizar e compartilhar os dados obtidos na pesquisa. “A gente pensou em usar o que já estuda em programação para desenvolver um site que além de ajudar a divulgar os dados da pesquisa, também terá informações sobre os animais encontrados”, explica Victor Gabriel Melo, de 16 anos, aluno do 2º ano do Ensino Médio.

O site, que está sendo finalizado, reunirá imagens e descrições dos macroinvertebrados identificados no lago, explicações que mostram como esses organismos se relacionam com a qualidade da água e a trajetória da pesquisa, desde a coleta até os resultados. A ideia é que a plataforma sirva como fonte de consulta tanto para outros estudantes quanto para pessoas interessadas em aprender mais sobre o tema.

Enquanto isso, outro grupo se dedica a transformar os aprendizados da pesquisa em um jogo de cartas. O material foi pensado para apresentar, de forma lúdica, os principais macroinvertebrados investigados, com destaque para suas características e o ambiente em que vivem.

Clubistas também criam jogo pedagógico (Foto: Mari Martins)

O interesse despertado pela pesquisa inicial se transformou em motivação para dar continuidade ao trabalho e apresentar os resultados obtidos. Além de finalizar os projetos em andamento, os alunos planejam agora inscrevê-los em eventos científicos. Nos próximos meses, a pesquisa e as propostas desenvolvidas também devem ser apresentadas na Feira do Conhecimento, evento em que o Colégio Theodoro de Bona recebe a visita de alunos das escolas da região.