Oito clubes da Universidade Estadual de Ponta Grossa apresentarão trabalhos na FECCI, em Curitiba

Nos dias 4 a 6 de novembro acontece em Curitiba a Feira de Cultura Científica (FECCI), sediada na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), no campus Neoville. Esta é a primeira edição da feira, que tem como público-alvo estudantes e professores da educação básica do Paraná, promovendo um espaço de integração entre ciência, cultura e inovação. A programação inclui momentos de exposição e avaliação de projetos, oficinas e o concurso “Meu Clube é Show”, que vai premiar propostas científicas voltadas à resolução de problemas coletivos.
Entre os participantes, estarão oito clubes articulados pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) — dois da cidade de Castro e os demais vinculados ao Núcleo Regional de Educação de União da Vitória. A seguir, conheça alguns clubes e pesquisas que representarão a instituição na FECCI.
Seis clubes do NRE de União da Vitória vão apresentar trabalhos na Feira. O primeiro deles, é do Colégio Estadual Adiles Bordin, de União da Vitória, o Clube Futuros Cientistas irá expor uma análise sobre o estado físico, químico e biológico do rio Vermelho, no município. O rio é de grande importância para a região em que a escola está inserida, inclusive porque análises visuais indicaram a presença de esgoto não-tratado sendo jogado no rio.
O Futuros Cientistas dá continuidade à temática do Rio Vermelho com o trabalho “Análise do conhecimento populacional acerca da dengue na comunidade Cidade Jardim e Bento Munhoz, município de União da Vitória – Paraná”. No trabalho, busca-se entender as percepções de moradores de regiões circunvizinhas ao Colégio e próximas ao Rio Vermelho, acerca da dengue.
Também de União da Vitória, é o clube Mentes Curiosas, do Colégio Giuseppe Bugatti, seus clubistas levarão o trabalho “Irrigador por gotejamento”, no qual compreendem sob a luz de referências bibliográficas, os potenciais benefícios econômicos e sociais de materiais recicláveis e adoção de irrigadores por gotejamento caseiros. O trabalho considera o contexto da chamada agricultura sustentável e os desafios enfrentados por pequenos agricultores.

De Paulo Frontin, o clube Pilha nas Abelhas, abordará o tema das abelhas, em dois trabalhos que englobam a importância dos insetos para os ecossistemas, problemas ambientais que sofrem e conscientização ambiental. Suas pesquisas são: O mundo acaba sem abelhas? A importância das abelhas para a vida na terra; e “Robô papa pilha e bateria: uma proposta para mitigar problemas ambientais”. Nesse último, a apresentação deverá vir acompanhada do próprio Robô-Papa-Pilhas, um objeto coletor de pilhas interativo.
Por fim, o 7º Colégio da Polícia Militar do Paraná apresentará sua pesquisa sobre as atividades do clube, que compreendem uma investigação das riquezas naturais e culturais da Região Sul do Paraná.
Da cidade de Castro, dois clubes estão presentes, o primeiro deles, o Cabeceira do Rio Iapó. O clube trabalha com teatro para divulgação de ciência sobre o Rio Iapó, e produziu uma peça sobre o tema. O público alvo inicial eram as crianças da escola municipal vizinha a escola do clube, o Colégio Antônio e Marcos Cavanis.

E completando o grupo, o Colégio Estadual Olegário de Macedo apresentará o projeto “Agricultura do Amanhã: Eficiência e Nutrição”, desenvolvido pelo Clube Ecoindoor. A pesquisa investiga o cultivo indoor e suas potencialidades para a produção de alimentos em espaços controlados. A pesquisa conclui que a automatização pode auxiliar em pesquisas relacionadas a comparações de crescimento entre cultivos tradicionais e indoor (ambientes cobertos).
O clube de União da Vitória recebeu destaque na categoria Comunicação Oral – Ensino Fundamental, na Mostra de Inovação, Pesquisa, Extensão, Ensino e Cultura do IFPR

Inovação, Pesquisa e Extensão, Ensino e Cultura (MIPEEC), promovido pelo Instituto Federal do Paraná, campus União da Vitória. O MIPEEC é um evento aberto, que tem como objetivo promover a troca entre estudantes, professores, técnicos, pesquisadores e comunidade externa. A mostra foi realizada em agosto e contou com trabalhos e atividades para estudantes do Ensino Fundamental, Médio e Graduação.
Para a mostra, foram enviados e aprovados para apresentação quatro trabalhos do clube, o vencedor do prêmio foi o intitulado “Robô papa pilha e bateria: uma proposta para mitigar problemas ambientais”, orientado pela professora Lindamir Svidzinski. Os outros autores, foram os alunos clubistas Emanoel Ribeiro, Gustavo Sznicer, Pedro Henrique Pavelski e Arthur Santin Sznicer. Outros dois trabalhos apresentados também envolveram a temática das pilhas e um outro foi sobre sobre abelhas.

O projeto desenvolvido pelo clube resultou na criação de um Robô Papa-Pilhas, construído a partir de materiais recicláveis. Ele funciona como um ecoponto para o descarte adequado de pilhas e baterias usadas, seu formato chamativo contribui para despertar a curiosidade das pessoas. Instalado no colégio no início do ano, o equipamento já alcançou um resultado expressivo: a coleta de mais de 360 pilhas e 8 baterias até agora.
Este foi o primeiro evento científico presencial do clube, que também participou da Mostra de Ciências dentro do Ciclo de Eventos da Semana do Biólogo na UNESPAR e do Paraná Faz Ciência, em Guarapuava, no final de setembro. A participação em diferentes eventos mostra a força do clube em promover a ciência não só dentro da escola, com práticas sustentáveis, mas também fora dela, aproximando os clubistas da pesquisa e da vida acadêmica.

A robótica na prática rural: estudantes aplicam projeto tecnológico em manejo de abelhas e promovem intercâmbio entre projetos de União da Vitória

O Apis Club, da Casa Familiar Rural de União da Vitória recebeu as visitantes do projeto de Robótica do Colégio Estadual Túlio de França, um clube de ciências da mesma cidade. No encontro, as alunas do clube visitante, acompanhadas por suas professoras, apresentaram ao Apis Club a “Colmeia Inteligente”, um dispositivo que monitora o ambiente das abelhas.
Construído pelas estudantes Ísis, Júlia, Letícia e Pâmela, o dispositivo inteligente mede a quantidade de luz, umidade, ruído e até de gases – como os agrotóxicos – para controlar esses parâmetros dentro da colmeia. A tecnologia foi criada a partir de um kit de robótica e da plataforma Arduino.

Para o professor Olaf, coordenador do Apis Club na Casa Familiar Rural, o encontro foi importante para que os clubistas pudessem pensar em outras possibilidades de estudos relacionados às abelhas, especialmente com o uso de recursos eletrônicos e de inteligência artificial.
A professora Vanessa, orientadora do projeto de robótica visitante, também falou sobre a visita: “Nós gostamos bastante. Percebemos que podemos, futuramente, fazer mais trocas de experiências. As alunas acharam muito bacana conhecer a realidade da escola e destacaram que foi muito bom apresentar um pouco do estudo delas para alunos que, assim como elas, estão na fase da pesquisa”, explicou.

A troca de experiências entre os dois projetos permitiu que os estudantes percebessem como diferentes áreas do saber podem se complementar, ampliando a compreensão sobre o manejo com as abelhas. Além disso, mostrou que a pesquisa científica ganha força quando se alia à inovação, criando caminhos para projetos futuros que valorizam tanto o conhecimento do campo quanto o avanço tecnológico.
Doze clubes de cinco cidades participarão da 5ª edição do Paraná Faz Ciência

Dos dias 29 de setembro a 3 de outubro, acontece em Guarapuava a 5ª edição do Paraná Faz Ciência, sediada na Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro). Este é o maior evento científico do Paraná, tendo contado, no ano passado, com a participação de 38 mil pessoas. Neste ano, além da Unicentro, outras dez universidades públicas estaduais e federais do Estado estarão presentes. Entre a vasta programação do Paraná Faz Ciência, destaca-se a mostra científica da Rede de Clubes, que reunirá, pela primeira vez, clubes de todos os Núcleos Regionais de Educação (NRE) do Paraná. Onze desses clubes são articulados pela UEPG (Universidade Estadual de Ponta Grossa), do NRE de Ponta Grossa e de União da Vitória.
O Clube AtivaMente é um dos selecionados. Do Colégio Estadual Cívico Militar José Elias da Rocha, o clube pesquisa sobre corpo, saúde e transformação social no ambiente escolar, com foco na participação dos alunos em Educação Física e nas barreiras que limitam essa prática. Além das investigações, promoveu ações como jogos, gincanas, eventos temáticos e visitas técnicas, e também apresentou seus trabalhos em simpósio, favorecendo uma Educação Física mais inclusiva e envolvendo os alunos em atividades científicas.

Para o professor do Clube, Edilson de Oliveira, compartilhar o trabalho e aprender com os colegas é uma das partes mais importantes das feiras. “Esse formato de feira ajuda eles a interagirem com o cotidiano. Grande parte do trabalho é teorizado, se transforma em produções científicas, mas muitas experiências deles são práticas e poder compartilhar isso com os colegas têm sido muito interessante”.
Já os clubistas do Ciência Divertida investigaram a presença do mosquito da dengue dentro do espaço da própria escola, o Colégio Estadual Cívico Militar Frei Doroteu de Pádua. Além de desenvolverem armadilhas a partir de garrafas PET para a captura dos insetos, os estudantes ainda realizaram ações de limpeza de focos da dengue e plantio de espécies repelentes na escola. Seu trabalho prevê continuidade a partir da produção de repelentes naturais com velas aromáticas e sprays corporais com óleos essenciais.
Da Escola Estadual Espírito Santo, o clube Nutrindo Mentes apresentará o projeto “Combatendo a Obesidade Através do Conhecimento”, voltado à prevenção e conscientização sobre o sobrepeso e a obesidade entre crianças e adolescentes. A pesquisa, realizada com estudantes do 6º ao 9º ano, investiga a relação entre má alimentação, sedentarismo e excesso de peso na comunidade escolar. Além da aplicação de questionários e análises de dados, o clube desenvolve intervenções e atividades educativas para estimular hábitos mais saudáveis e discutir os riscos da obesidade, promovendo mudanças práticas no cotidiano dos alunos.

Ainda do Núcleo de Ponta Grossa, outro clube que estará presente no 5º Paraná Faz Ciência é o Cultura Local, da Escola Estadual Halia Terezinha Gruba, que faz parte do Centro de Atenção Integral à Criança e ao Adolescente. Seu projeto busca valorizar as histórias de vida da comunidade escolar. A proposta envolve os estudantes na coleta e produção de relatos que abordam temas como identidade, pertencimento, diversidade, gênero e raça-etnia. Para isso, o grupo utiliza o formato de podcast, unindo memória e tecnologia, e criando um espaço de diálogo onde os alunos podem refletir sobre suas próprias experiências e fortalecer vínculos com a comunidade.
O Clube Ciência em Ação, do Colégio Estadual Professor Amálio Pinheiro, apresentará suas ações de promoção ao protagonismo estudantil. Entre suas ações estão experimentos, criação de jogos, pesquisas e visitas pedagógicas que ampliam o conhecimento para além da sala de aula. A proposta busca tornar o aprendizado mais dinâmico e reduzir a evasão escolar, ao mesmo tempo em que incentiva o trabalho em equipe, a liderança e o engajamento dos estudantes na ciência
O Exploradores da Ciência, o clube de ciências de Regente Feijó, levará dois projetos a Guarapuava. O primeiro aborda os esteróides anabolizantes, investigando seus impactos científicos, sociais e culturais, bem como os riscos à saúde associados ao uso dessas substâncias. O segundo trabalho analisa cigarros tradicionais e eletrônicos, explorando a história, os fatores científicos e sociais do ato de fumar e os efeitos da mídia na percepção dos usuários. Ambos os projetos reúnem revisão bibliográfica, entrevistas e pesquisa de campo, com foco no público adolescente, jovem e adulto.
Os clubes ligados ao Núcleo de Ponta Grossa estão todos na cidade, com exceção do Ecoindoor, do Centro Estadual de Educação Olegário de Macedo, que é sediado em Castro. Sua pesquisa envolve cultivo indoor (interno), propondo a produção sustentável de alimentos e forragem em ambientes fechados, com controle de luz, temperatura e irrigação. A iniciativa busca oferecer alternativas rentáveis e ambientalmente responsáveis para pequenos produtores, reduzindo o uso de agrotóxicos e otimizando recursos naturais. O projeto também incentiva os estudantes a pesquisar técnicas inovadoras, promovendo a conscientização sobre agricultura sustentável e segurança alimentar
Outros quatro clubes de ciências estão ligados ao Núcleo de União da Vitória. Em São Mateus do Sul, os clubistas do Ouro Verde, no Colégio Estadual do Campo Professor Eugênio de Almeida, vão mostrar o projeto Bio Mate Ph, um biofertilizante natural à base de mate criado para recuperar solos que têm o pH muito alto e acabam ficando pobres em nutrientes. Produzido a partir da fermentação de matéria orgânica, o produto ajuda a equilibrar o solo, melhorar sua capacidade de reter água e favorecer o crescimento saudável das plantas. De baixo custo e fácil de fazer, o biofertilizante representa uma alternativa sustentável para agricultores e comunidades que buscam cuidar do solo de forma natural e acessível.
De União da Vitória, o Clube Mentes Curiosas, do Colégio Giuseppe Bugatti vai participar com o projeto Sistema de Irrigação por Gotejamento: Sustentabilidade na Agricultura, que apresenta uma alternativa eficiente e de baixo custo para o uso racional da água na produção agrícola. O equipamento, composto por reservatório, mangueiras com pequenos orifícios e controladores de fluxo, libera a água de forma controlada diretamente na raiz das plantas, reduzindo perdas por evaporação ou escorrimento. De fácil montagem e manutenção, o sistema pode ser aplicado em hortas domésticas e pequenas plantações, contribuindo para a preservação dos recursos hídricos e para o aumento da produtividade, especialmente em regiões com escassez de água.
Também de União da Vitória, a Casa Familiar Rural estará representada pelo Apis Club Inova, que vai destacar, no 5º Paraná Faz Ciência, a importância ecológica e socioeconômica das abelhas sem ferrão. O clube apresentará ainda práticas adequadas para sua criação e manejo. A pesquisa realizada pelos estudantes é baseada em revisão bibliográfica de artigos, manuais técnicos e materiais institucionais, abordando questões como as espécies da região, alimentação, importância ecológica, problemas ambientais que afetam a meliponicultura e a relevância das abelhas como fonte de renda.

Por fim, no município de Paulo Frontin, no Colégio Monsenhor Pedro Busko, o clube Pilha nas Abelhas investiga os impactos do descarte inadequado de pilhas e baterias, especialmente na contaminação ambiental e nos riscos para as abelhas, tão fundamentais para a biodiversidade e a segurança alimentar. A pesquisa combinou revisão bibliográfica e levantamento de dados sobre os hábitos da comunidade, revelando a falta de informação da população sobre como descartar corretamente esses resíduos. Para sensibilizar e engajar a comunidade, os estudantes criaram o robô “Papa Pilha e Bateria”, feito com sucata e programado para agradecer quem depositasse os materiais, além de um robô seguidor de linha que simula o caminho das pilhas até um ecoponto. O trabalho envolve programação, robótica, divulgação científica e atividades educativas, integrando tecnologia, sustentabilidade e cidadania.
Com oficinas na UTFPR e UEPG, estudantes do Colégio Frei Doroteu aprofundam pesquisa sobre repelentes naturais e fortalecem a relação entre ensino básico e superior

O Clube Ciência Divertida, do Colégio Estadual Cívico-Militar Frei Doroteu de Pádua, de Ponta Grossa, participou de um minicurso sobre extração de óleos essenciais, promovido pelo Departamento de Química da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). A atividade marcou o início da segunda etapa do projeto “Proteja-se da Dengue”, que visa desenvolver soluções naturais para o combate ao mosquito Aedes aegypti.
Durante o minicurso, foram apresentadas técnicas de extração de óleos naturais, que servirão de base para a produção de repelentes naturais, pretendida pelo clube. O conteúdo está relacionado com a pesquisa desenvolvida pelos estudantes, focado em alternativas sustentáveis para o enfrentamento à dengue. A parceria com a universidade reforça o caráter investigativo do projeto e aproxima os estudantes da realidade acadêmica, contribuindo para que percebam a universidade como um caminho viável para seu futuro.

Além do minicurso, os alunos já haviam participado, em abril, de uma oficina na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), também em Ponta Grossa. Na ocasião, conheceram o campus e os cursos da instituição, e cada participante teve a oportunidade de produzir sua própria vela com essências repelentes.
Os estudantes também já realizaram uma das etapas práticas da pesquisa, com a produção de vasos autoirrigáveis feitos com garrafas PET e o cultivo de plantas repelentes como alecrim, lavanda, hortelã e manjericão. Os vasos foram distribuídos em diferentes espaços do colégio. Para o cultivo das plantas, foi implantada uma horta escolar, que irá abastecer o projeto, com foco na produção futura de óleos essenciais.

O clube preparou a peça ao longo do semestre e fez sua estreia ao encenar para estudantes de uma escola municipal

O clube Cabeceira do Rio Iapó, do Colégio Antônio e Marcos Cavannis, da cidade de Castro, estreou sua peça de teatro científico, intitulada “Conservação do Solo e da Água”. Inserida no projeto do clube, a atividade teve como público-alvo os estudantes do Colégio Municipal Dr. Vicente Machado e buscou sensibilizá-los para questões ambientais relacionadas ao Rio Iapó.
A peça, encenada três vezes ao longo do dia 17 de junho, para que todos os estudantes da escola pudessem assistir, contou a história de duas crianças que se encontram e embarcam em uma aventura com descobertas sobre a preservação do solo e da água. Durante a encenação, um dos destaques foi o latossolo — tipo de solo característico da região, com alta permeabilidade de água —, abordado de forma lúdica pelos personagens.
Interpretados por fantoches confeccionados pelos próprios clubistas, os personagens chamaram a atenção do público infantil, e ao final das sessões, as crianças interagiram, comentaram sobre os personagens e demonstraram interesse e envolvimento com o tema da peça.

Após as apresentações, os estudantes do clube participaram de uma roda de conversa com parte da equipe de bolsistas e articuladoras dos clubes da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). No encontro, os alunos puderam compartilhar suas experiências no processo de criação e discutir os aprendizados envolvidos na produção teatral. A troca com a equipe da universidade também possibilitou que os estudantes reconhecessem o valor educativo do trabalho que realizaram.
O momento serviu ainda como incentivo à continuidade do projeto. Os estudantes foram convidados a pensar nos próximos passos do clube, refletindo sobre o que já foi realizado e como seguir participando ativamente das atividades. A conversa reforçou o compromisso com o trabalho em grupo e a importância do envolvimento dos estudantes nas ações e no planejamento das novas atividades. O clube segue ativo, e em breve novas etapas do projeto serão compartilhadas.
O clube pretende gravar entrevistas com moradores de Castro sobre o Rio Iapó e a visita ajudou na preparação e inspiração dos clubistas para a atividade.

Em abril, o clube Cabeceira do Rio Iapó, da cidade de Castro, recebeu a visita do cineasta Rudolf Mestdagh. Diretor e produtor de filmes, Mestdagh nasceu na Bélgica e é conhecido por suas obras Ellektra (2004) e Robokip (1993). O diretor compartilhou com os clubistas suas experiências e orientou os alunos sobre técnicas de produção de imagens, também ofereceu dicas práticas para realizações de entrevistas e expôs alguns aspectos importantes da pré e da pós-produção no audiovisual.
Os clubistas assistiram ao curta Robokip (1993), um dos trabalhos de Rudolf, o qual apresenta de forma inusitada um casal em crise de normalidade e um ovo determinado em não ser café da manhã deles. A partir dessa experiência, além dos conhecimentos técnicos, os estudantes também puderam pensar em formas de expressão artísticas, que também podem ser aplicadas enquanto ferramentas narrativas no teatro de divulgação científica.

A temática que permeia as ações do clube é o Rio Iapó, que atravessa a região dos Campos Gerais, no Paraná. Conhecido por suas corredeiras e paisagens naturais, o rio é cenário para esportes como canoagem e rafting, além de atrair visitantes ao balneário Prainha, em Castro, e ao impressionante cânion Guartelá. Ele nasce no município de Piraí do Sul e segue seu percurso até desaguar no Rio Tibagi, na cidade de mesmo nome. Com base nesse tema, os estudantes são convidados a criar uma peça de teatro de fantoches.
A pesquisa envolvendo o Rio Iapó busca explorar, de forma integrada, tanto os aspectos físico-químicos do rio quanto as questões sociais e econômicas relacionadas ao seu uso e ocupação. Assim, uma das atividades pretendidas pelo clube envolve entrevistar moradores de Castro, para compreender como se dá o seu contato com o rio Iapó, a importância dele em seu dia a dia e se esses moradores percebem mudanças tanto na qualidade da água ao longo do tempo e da relação dos moradores com o rio.
Três novos integrantes são bolsistas de iniciação científica e uma de extensão

Na penúltima semana de abril, a equipe da Rede de Clubes responsável pelos clubes vinculados a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) recepcionou os mais novos membros do grupo. A reunião ocorreu no campus da Universidade, no bairro de Uvaranas.
O encontro propiciou a integração entre os novos participantes e demais membros da equipe, e também objetivou que os recém chegados conhecessem mais sobre o funcionamento da Rede de Clubes. Os bolsistas tiveram a oportunidade de conhecer o que é o NAPI Paraná Faz Ciência, compreender quais as secretarias estaduais vinculadas ao projeto e aprofundar o entendimento sobre as funções que irão desempenhar.
Tatiane Cristina Xavier, que cursa licenciatura em Ciências Biológicas, Jeferson Osni De Souza Junior, bacharelando em história, e Amanda De Oliveira Barcóte, que cursa farmácia, são bolsistas de iniciação científica. Entre suas funções, destaca-se o desenvolvimento de pesquisas relacionadas às atividades dos clubes. Já Leticia Maria Lima dos Anjos, licenciada em letras português/inglês, é bolsista de extensão, e será responsável, entre outras atribuições, por desenvolver materiais de divulgação relacionados aos clubes.
Durante a reunião, os novos integrantes foram orientados quanto às primeiras atividades a serem realizadas. Nos dias seguintes, iniciaram com algumas visitas à clubes, acompanhados dos Bolsistas Técnicos de Nível Superior (BTNS), marcando o início de suas atividades na Rede de Clubes.

Grupo vai criar uma peça teatral e a atividade poderá servir como uma inspiração aos clubistas

No dia primeiro de abril, o clube Cabeceira do Rio Iapó, da cidade de Castro, recebeu uma visita especial do Grupo de Teatro Científico, da Universidade Estadual de Ponta Grossa (GTC – UEPG). Na ocasião, foram apresentadas duas peças: Coração em Chagas e A Que Faz. A atividade integrou o cronograma do projeto desenvolvido pelo Clube, que tem como proposta explorar o teatro como linguagem para divulgar ciência, refletir sobre o território e dialogar com a comunidade escolar.
O tema central das ações do Clube é o Rio Iapó, que atravessa a cidade e foi escolhido como ponto de partida para a construção de uma peça em de teatro de fantoches. A pesquisa a ser realizada pelos estudantes buscará compreender tanto as características físico-químicas do rio quanto às questões socioeconômicas envolvidas no seu uso. O público-alvo pretendido para a peça são alunos de 5º e 6º ano do ensino fundamental, em especial, os alunos da escola municipal vizinha ao Colégio Cavanis.
A peça Coração em Chagas, apresentada exclusivamente para os integrantes do Clube, aborda a descoberta da doença de Chagas pelo pesquisador brasileiro Carlos Chagas. Por meio da linguagem teatral, o espetáculo expõe os sintomas da doença e sua forma de transmissão, além de provocar reflexões sobre as populações mais afetadas e o papel da ciência frente às desigualdades no acesso à saúde.

Já A Que Faz é uma peça que conta a trajetória de mulheres cientistas sob três perspectivas — de uma menina, de uma mulher e de uma senhora. O espetáculo foi assistido pelos clubistas e por outras turmas na quadra da escola. O enredo menciona pesquisas realizadas por cientistas locais, destaca as dificuldades enfrentadas pelas mulheres no meio acadêmico e compartilha a esperança e o amor pela ciência, além de compartilhar o que motiva alguém a seguir na pesquisa. A apresentação também teve como objetivo incentivar jovens a ingressar na universidade e seguir a carreira de pesquisadora ou pesquisador.

A professora voluntária do clube, Caroline Moraes Pedroso, destacou a importância da apresentação para os clubistas. “Com o contato com outra peça de teatro, os clubistas passam a compreender mais profundamente o que é o teatro de divulgação científica, quais os elementos usados para transmitir ciência e o que é importante para o que é importante para construir um espetáculo”.
Já a professora clubista Inês Brandão ressaltou a importância da visita para os encaminhamentos pedagógicos e o desenvolvimento do projeto coletivo. “Acredito que, a partir da apresentação de hoje, poderemos extrair ideias e conceitos sobre como integrar o teatro ao trabalho científico com os alunos”.