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II WORKDHOP DO NAPI PARANÁ FAZ CIÊNCIA

A equipe debateu sobre o combate à violência contra a mulher e a importância da conscientização

Um grupo de pessoas está posando para a foto do lado de fora, em frente a um prédio com a placa “Núcleo Regional de Educação Londrina – Paraná”. As estudantes continuam com seus uniformes e as três mulheres adultas estão juntas, sorrindo. O grupo está atrás de um portão de grade preta, em calçada de rua. O sol ilumina bem a cena.
Visita do clube Marie Curie ao Núcleo Regional de Londrina (Foto/Isabella Abrão)

A violência contra a mulher é um tópico urgente que precisa ser debatido. Pensando nisso, foi criada a campanha Agosto Lilás, um movimento nacional para conscientizar a população. Neste contexto, uma das ações do Núcleo Regional de Educação (NRE) de Londrina foi convidar o clube de ciências de meninas Marie Curie, do Colégio Estadual Cívico-Militar Attílio Codato, de Cambé, para falar sobre o assunto.

A proposta surgiu justamente por conta do protagonismo feminino no projeto, característica que destaca a Rede de Clubes Paraná Faz Ciência Meninas. Articulado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), o clube é composto apenas por alunas e propõe atividades como mesas-redondas e informativos sobre mulheres cientistas, os quais são distribuídos na própria escola.

Para visitar o NRE de Londrina, as estudantes também elaboraram um documento informativo. O material teve como foco a campanha do Agosto Lilás, trazendo explicações sobre os diferentes tipos de violência, os dados estatísticos e as formas de denunciar. A equipe foi recebida pela chefe do Núcleo, Jéssica Pieri, e gravou um vídeo a ser divulgado nas redes sociais do departamento.

Algumas estudantes estão sentadas ao redor de uma mesa redonda branca. Elas usam o mesmo uniforme de Marie Curie e seguram papéis coloridos. Na mesa, há folhetos impressos em tons de roxo e branco, com textos sobre ciência e empoderamento feminino.
Integrantes do clube ao lado de Jéssica Pieri, chefe do NRE de Londrina (Foto/Isabella Abrão)

Segundo a professora Milene Baratta, coordenadora do clube, receber o convite para falar de um assunto tão importante foi uma honra não só para ela, mas para as alunas também. “Fiquei extremamente orgulhosa com o empenho delas, pela dedicação, pelo interesse”, conta. “O resultado de um trabalho de anos do colégio está se refletindo na postura das alunas enquanto clube de ciências.”

Agosto Lilás

Além de reforçar o combate à violência contra a mulher, o Agosto Lilás busca informar, proteger e conscientizar a sociedade com foco em ampliar o conhecimento sobre direitos garantidos pela legislação. O mês foi escolhido como referência à sanção da Lei Maria da Penha (Lei 11.240), em 7 de agosto de 2006. 

Infelizmente, ainda existem muitas vítimas, como mostram os dados levantados pelas estudantes do clube Marie Curie. O “cronômetro de violência” elaborado por elas mostra que há 1 estupro a cada 11 minutos, 5 espancamentos a cada dois minutos, 503 vítimas de agressão a cada hora e 1 mulher assassinada a cada 2 horas.

Algumas estudantes estão sentadas ao redor de uma mesa redonda branca. Elas usam o mesmo uniforme de Marie Curie e seguram papéis coloridos. Na mesa, há folhetos impressos em tons de roxo e branco, com textos sobre ciência e empoderamento feminino.
As alunas levaram os informes para apresentar no NRE de Londrina (Foto/Isabella Abrão)

O Ligue 180 é o canal oficial do Governo Federal para denúncias de violência contra a mulher no país. É gratuito, sigiloso e disponível 24 horas por dia. Também é possível acioná-lo pelo Whatsapp, no número (61) 9610-0180.

Robótica, sustentabilidade e ciência são os temas que unem os quatro projetos

Foto dos clubistas e do professor coordenador do Clube ‘Robótica e Sustentabilidade, Solidariedade em Ação’ no dia da apresentação da culminância do primeiro semestre de 2025. A imagem mostra um grupo de estudantes posando juntos em uma sala de aula decorada. No teto, há tiras de papel verde penduradas, simulando folhas ou plantas, criando um clima de natureza. Ao fundo, um projetor exibe a frase “Clube de Ciências”, acompanhada de ilustrações de pessoas. Na frente, três mesas estão cobertas com toalhas brancas e têm cartazes escritos “1ª Etapa”, “2ª Etapa” e “3ª Etapa”, decorados com desenhos de folhas verdes. Sobre as mesas há materiais usados em experimentos, como garrafas plásticas - PET, uma bacia com flakes, um pote com corante, fios de lã, touca e cachecol e outros objetos. Os estudantes sorriem e posam para a foto, transmitindo um clima de trabalho em grupo e entusiasmo pelas atividades do clube de ciências.
Alunos do clube ‘Robótica e Sustentabilidade, Solidariedade em Ação’, um dos selecionados para expor na FIciências, durante o dia da apresentação da Culminância do primeiro semestre de 2025 (Foto/ Ana Carolina Arenso Barbosa)

Entre os dias 21 e 25 de outubro, em Foz do Iguaçu, será realizada a Feira de Inovação das Ciências e Engenharias – Ficiências 2025. O evento busca incentivar a cultura científica, estimular os estudantes a desenvolverem trabalhos, além de premiar os melhores projetos. A inscrição é gratuita e a ideia é que o local seja um ambiente de trocas entre alunos e professores. 

Na submissão dos trabalhos para a feira, foram estabelecidas modalidades. A Ficiências Jovem, para exposição de trabalhos produzidos por estudantes do Ensino Médio e/ou da educação profissional técnica de nível médio; a Ficiências Júnior, com exposição de projetos de alunos do Ensino Fundamental II; e por fim, a Ficiências Kids, que é uma mostra pedagógica de trabalhos da Educação Infantil e do Ensino Fundamental I. 

Além dessas categorias, o Hackateens também terá lugar no evento para incentivar ideias de resolução de problemas reais por meio de conhecimento científico partilhado e empreendedor. Espera-se que a elaboração de soluções contemple os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. Aos professores, é reservada uma titulação, nomeada de Professor Embaixador.

Os clubistas dos Núcleos Regionais de Educação (NREs) de Maringá e Umuarama estarão presentes com quatro projetos, os quais permeiam temáticas de sustentabilidade, robótica e alimentação saudável. Dos trabalhos, três são da categoria júnior e um da categoria jovem.

No NRE-Umuarama, dois projetos foram aprovados. Dentre eles, o trabalho ‘Educação alimentar e sustentabilidade: desenvolvimento de produtos de panificação com alimentos de baixa aceitação na merenda escolar’ realizado no Clube Experimentando a Ciência: Descobrindo Cores e Novos Sabores, da Escola Estadual Jardim Canadá. Conforme a professora coordenadora Juliana Bueno Ruiz, o projeto tem como objetivo trazer uma reflexão sobre a alimentação escolar e a saúde dos estudantes. 

A intenção desse projeto da categoria júnior é discutir os impactos que a falta de nutrientes pode causar na saúde dos estudantes e a importância da merenda escolar trazer receitas e alimentos com diferentes nutrientes e sabores. Os clubistas também irão utilizar tecnologias para desenvolver simuladores virtuais e jogos analógicos e virtuais com foco na educação alimentar. Entre as temáticas que unem a proposta estão a sustentabilidade, tecnologia e protagonismo juvenil.

Em Altônia, o projeto aprovado na categoria jovem ‘Clube Ilha da Ciência: Plantar para preservar’ foi desenvolvido pelo Clube Ilha da Ciência e busca construir um viveiro de mudas nativas, em formato piramidal, utilizando materiais recicláveis, como garrafas PET. O grupo do Colégio Estadual Lúcia Alves de Oliveira Schoffen, tem como objetivo colaborar com a arborização urbana e com o reflorestamento do Parque Nacional de Ilha Grande, localizado na Bacia do Rio Paraná.

A professora coordenadora, Camila de Medeiros, está contente com a participação dos estudantes na feira, “é um grande impulso para os clubistas. Demonstra que fazer ciência, apesar de não ser simples, é fundamental. Precisamos nos entender como parte do meio ambiente. Assim teremos o entendimento de que preservar é sobreviver”, afirma.

Ligados ao NRE-Maringá, foram dois projetos aprovados para a feira. O primeiro é o ‘Robô Semeador na Horta Escolar’, do Clube Jovens Cientistas Kennedy. A semeadora robótica é movida a energia solar e equipada com sensores ultrassônicos e de chuva. Sob a coordenação do professor Ivanildo Fabricio de Oliveira, o projeto busca aliar inovação com o uso de placas solares, além de promover metodologias ativas e trabalho colaborativo, possibilitando aos alunos uma melhor compreensão das aplicações da robótica educacional livre.

O grupo do Colégio Estadual Presidente Kennedy inicialmente utilizou materiais recicláveis e, após testes bem-sucedidos, evoluiu para a montagem com o Kit Arduino, da Robótica Livre. Durante a execução do projeto foram construídos quatro protótipos funcionais de semeadoras solares. Todos os modelos foram capazes de se locomover de forma autônoma – com detectores de obstáculos – e os sensores de chuva, que quando identificado condições de umidade, simulam a interrupção do trabalho em situações de chuva.

Em Itambé, os clubistas realizaram o projeto que foi aprovado na categoria júnior ‘Robótica e Sustentabilidade: Ciência, Tecnologia e Solidariedade em Ação’, do Clube Robótica e Sustentabilidade, Solidariedade em Ação. O objetivo principal é transformar garrafas PET em cachecóis, toucas e fios de lã. O processo envolve desde a separação dos materiais até a doação do gorro e cachecol para instituições assistenciais ou grupos menores que realizam esse serviço, a exemplo do Lar das Mães Solteiras do município.

Esse trabalho da Escola Estadual Professor Giampero Monacci une conceitos de robótica, sustentabilidade, ciência, tecnologia e solidariedade. Em princípio, o trabalho buscou entender como as pessoas separavam seus materiais recicláveis – principalmente a comunidade próxima à escola. Conforme o professor coordenador, Jonathan José de Oliveira Pereira, “foi a partir dessa pesquisa que o grupo descobriu uma forma de retirar os materiais pets da região e transformar isso em algo novo”. O clube também realizou uma parceria com uma empresa que realiza a coleta de material reciclável no município e doa os flakes – que são os PET triturados.

Iniciativa do clube de ciências ‘Ciência na Mesa’ visa conscientizar sobre alimentação saudável e oferece opção refrescante à comunidade escolar

A imagem mostra um grupo de nove estudantes reunidos ao redor de uma mesa branca em uma biblioteca escolar, acompanhados por uma professora em pé ao fundo. Todos parecem felizes, sorrindo e fazendo gestos descontraídos com as mãos. A mesa está repleta de itens como um balde de pipoca, jarra com água, celular, pote de mel, sacola com laranjas e cadernos. Ao fundo, há prateleiras cheias de livros, reforçando o ambiente educativo. A cena transmite um clima de amizade, aprendizado e acolhimento.
Clubistas reunidos para produção de bebida energética. (Foto/Márcia Britto)

Unindo ciência, saúde e criatividade, os estudantes do clube Ciência na Mesa, do Colégio Estadual Padre José Canale, em Apucarana, desenvolveram um energético natural. O projeto coordenado pela professora Márcia Oliveira de Britto vai além da simples receita, buscando promover a conscientização sobre alimentação saudável e oferecer uma alternativa benéfica aos produtos ultraprocessados disponíveis no mercado.

O Ciência na Mesa tem como base o estudo da saúde e do bem-estar físico dos alunos e da comunidade escolar. Guiados pelos princípios da alimentação saudável e pelo conhecimento da fisiologia e do metabolismo corporal, os integrantes do clube dedicam-se à promoção de hábitos que melhoram significativamente a qualidade de vida, impactando positivamente tanto a saúde física quanto a emocional dos jovens.

Foi nesse contexto que surgiu a ideia do energético natural. Com uma composição pensada para ser saudável e eficaz, a bebida é feita unindo água com gás, taurina, limão, guaraná em pó, cafeína e mel. A escolha dos ingredientes foi fruto de pesquisa teórica e trabalho prático, que inclui até mesmo o cultivo de uma horta e a criação de outras receitas saudáveis.

Os alunos do clube não se limitaram à produção. Eles realizaram também um estudo aprofundado sobre os malefícios e benefícios dos energéticos industrializados, abordando temas como frequência cardíaca e circulação sanguínea em uma apresentação detalhada para os demais estudantes da escola e, assim, munir os colegas de informação para fazerem escolhas mais conscientes. Apresentado à comunidade escolar e com direito à degustação, o energético natural do Ciência na Mesa foi um sucesso, provando que é possível unir sabor, saúde e ciência em uma única bebida.

Os jovens cientistas de Apucarana já planejam novos passos. O objetivo é continuar pesquisando e produzindo mais opções saudáveis que possam substituir os alimentos ultraprocessados, consolidando o clube ‘Ciência na Mesa’ como um laboratório de aprendizado e bem-estar dentro do Colégio Estadual Padre José Canale.

Estudantes conheceram diferentes espécies de abelhas-sem-ferrão e aprenderam sobre sua importância para a biodiversidade

Fotografia tirada ao ar livre, durante o dia, com cerca de 30 pessoas posando para a câmera. A maioria é de adolescentes usando uniforme escolar preto com detalhes em verde, vermelho e branco nas mangas e o brasão da escola no peito. Eles estão agrupados em um gramado, cercados por árvores e vegetação ao fundo. Algumas pessoas estão sorrindo, outras fazendo gestos com as mãos, como sinais de paz e vitória. Duas pessoas adultas, ao centro da imagem, estão vestidas com roupas casuais e seguram pastas azuis. Ao fundo, vê-se uma cobertura com carros estacionados e um muro coberto por vegetação. A luz do sol ilumina suavemente o ambiente.
Estudantes do clube de ciências Climaize-se do Colégio Educação Integral Professor Pedro Carli, durante visita técnica ao meliponário. (Foto/Mathias Trindade)

No dia 16 de junho, os alunos do clube de ciências ‘Climatize-se’, do Colégio de Educação Integral Professor Pedro Carli, em Guarapuava, participaram de uma visita técnica a um meliponário da região. Durante a visita, os clubistas puderam  acompanhar de perto diversas colmeias de abelhas-sem-ferrão e aprender sobre o manejo e a preservação dessas espécies.  

As abelhas-sem-ferrão pertencem ao grupo dos Meliponíneos e fazem parte da biodiversidade brasileira há milhões de anos. São responsáveis por cerca de 80% da polinização da mata nativa, desempenhando um papel fundamental no equilíbrio dos ecossistemas. Os alunos puderam conhecer espécies como a Abelha Jataí (Tetragonisca sp), a Mandaçaia (Melipona quadrifasciata) e a Bugia (Melipona mondury), além de entenderem como essas abelhas constroem seus ninhos, que podem estar em ocos de árvores, no solo, em muros, em telhados ou em caixas racionais desenvolvidas por meliponicultores.

O meliponicultor Valde Foss mostrando aos clubistas um dos ninhos construídos por abelhas-sem-ferrão em caixas racionais. (Foto/Mathias Trindade)

A atividade foi realizada na propriedade do meliponicultor Valde Foss, de 33 anos. O interesse de Valde pelas abelhas surgiu ainda na infância, inspirado pelo avô. Desde então, passou a criar abelhas, e já adulto, se especializou no manejo de espécies sem ferrão. Hoje, ele atua como instrutor no Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), ministrando cursos de apicultura (abelhas com ferrão) e meliponicultura (abelhas-sem-ferrão) em diferentes municípios do Paraná. 

Segundo o meliponicultor, atividades como as do clube de ciências ‘Climatize-se’ são necessárias para ampliar a conscientização sobre a importância desses insetos. “Quando falamos de abelhas, o pessoal só pensa em mel e ferrão. Porém, se a gente for ver, é o serviço de polinização que elas fazem que sustenta a vida no planeta. Por isso temos que valorizar as nossas abelhas-sem-ferrão”, defende.

O meliponicultor Valde Foss explicando sobre as diferentes espécies de abelhas-sem-ferrão aos estudantes. (Foto/Mathias Trindade)

A atividade foi organizada e acompanhada pela professora Katiane dos Santos, responsável pelo clube de ciências no Colégio de Educação Integral Professor Pedro Carli. Ela encontrou o meliponicultor Valde Foss por meio de um grupo de criadores de abelhas-sem-ferrão da região de Guarapuava e também com a indicação do professor Rafael Augusto Gregati, do curso de Ciências Biológicas da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro). Para a professora, as experiências práticas são fundamentais para que os alunos visualizem melhor o que estão estudando. “No clube, usamos a metodologia científica, mas quando eles vivenciam e observam de perto o objeto de pesquisa, conseguem absorver melhor o que eles estão pesquisando no clube.”

Tiago Vaz Machado, de 14 anos, faz parte do clube de ciências ‘Climatize-se’ e se impressionou com a espécie Plebeia lucii, considerada a segunda menor abelha do mundo. O que mais chamou a atenção do clubista foi a forma como essa espécie constrói o ninho e o trabalho coletivo das abelhas. No meliponário de Valde Foss, atualmente há mais de 80 espécies diferentes de abelhas-sem-ferrão.

Para o clubista Tiago, o contato direto com as abelhas foi fundamental para o aprendizado. “A gente já tem aulas práticas na escola, mas esse convívio com as abelhas e o conhecimento sobre outras espécies nos ajuda bastante. Muitos colegas querem seguir nessa área, então ajuda bastante no desenvolvimento e no nosso aprendizado”, comenta.

Em agosto, a professora Katiane também pretende realizar oficinas no colégio com apoio do Senar, para dar continuidade ao trabalho sobre as abelhas-sem-ferrão com os estudantes.

Alunos conhecendo de perto mais espécies de abelhas-sem-ferrão no meliponário cuidado por Valde Foss, em Guarapuava. (Foto/Mathias Trindade)

Acompanhe mais atividades dos Clubes de Ciências pelo Instagram da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência @clubesparanafazciencia e pelo site Paraná Faz Ciência

Clubistas da Escola Estadual Humberto de Alencar Castelo Branco distribuem produção orgânica de alface, unindo pesquisa, sustentabilidade e ação social

A imagem mostra quatro mulheres sorrindo, em um ambiente externo com árvores ao fundo e parte de um prédio escolar visível à direita. Elas estão posicionadas atrás de uma mesa coberta por diversas sacolas plásticas brancas. Cada uma segura sacolas semelhantes ou pacotes contendo uniformes escolares. À esquerda, uma das mulheres segura um maço de roupas dobradas com etiquetas, enquanto outra segura uma sacola plástica com as duas mãos. Ao fundo, outras pessoas e bicicletas podem ser vistas, reforçando o clima comunitário e escolar da cena. A iluminação é natural e o clima parece estar ameno.
Alfaces da horta do clube de ciência são entregues aos pais junto com os uniformes (Foto/Eliana Aparecida da Silva)

Em uma iniciativa que integra aprendizado prático e ação social, os jovens cientistas do Clube ‘Jovens pelo Clima’, da Escola Estadual Humberto de Alencar Castelo Branco, em Borrazópolis, realizaram a primeira distribuição da produção de alface cultivada em sua horta orgânica. Coordenado pela professora Eliana Aparecida da Silva, o clube demonstra um engajamento comunitário que vai além dos muros da escola.

Desde março de 2025, os clubistas vêm dedicando tempo e esforço ao cultivo orgânico de uma horta. No mês de julho, colheram os primeiros frutos desse trabalho, que foram distribuídos à comunidade escolar.

Uma das ações de distribuição de hortaliças foi cuidadosamente planejada pelos clubistas em conjunto com a diretora da escola, Lisandra Câmara. A estratégia visou coincidir a entrega das hortaliças com a distribuição dos uniformes escolares, aproveitando a presença de pais e alunos na escola. Dessa forma, as famílias puderam levar as alfaces frescas para casa, conhecendo de perto o trabalho e o impacto do clube na comunidade.

A ação de distribuir a produção da horta tem um propósito social fundamental. Parte dos alimentos cultivados será destinada ao “Sopão” da escola, uma refeição oferecida a alunos em situação de vulnerabilidade durante as semanas de inverno. Outra porção da colheita abastecerá a “sacola solidária” de verduras, que é distribuída quinzenalmente às famílias de alunos em necessidade. Essa estratégia permite que o trabalho do clube alcance diretamente quem mais precisa.

As iniciativas dos clubistas estão intrinsecamente ligadas a importantes Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) propostos pela Organização das Nações Unidas. A ação da horta e a distribuição de alimentos orgânicos contribuem para o ODS 13 (Ação Contra a Mudança Global do Clima), ao promoverem práticas sustentáveis de cultivo. A colaboração entre o clube, a escola e a comunidade nas ações sociais reforça o ODS 17 (Parcerias e Meios de Implementação). Finalmente, todo o processo de aprendizado prático e engajamento cívico vivido pelos alunos fortalece o ODS 4 (Educação de Qualidade), preparando-os para serem agentes de mudança na sociedade.

Com a liderança da professora Eliana e a dedicação de seus clubistas, o ‘Jovens pelo Clima’ não apenas cultiva alimentos, mas também semeia valores, solidariedade e um futuro mais sustentável em Borrazópolis.

Com oficinas na UTFPR e UEPG, estudantes do Colégio Frei Doroteu aprofundam pesquisa sobre repelentes naturais e fortalecem a relação entre ensino básico e superior

Foto dos estudantes com jalecos brancos observando uma bancada de laboratório com equipamento de extração de óleos essenciais montado. Um frasco com folhas está sendo aquecido em manta térmica; há tubos de vidro conectados e mangueiras conduzindo o vapor até um condensador. Ao fundo, mais alunos acompanham a atividade.
Integrantes do Clube Ciência Divertida observam e registram as etapas do preparo para a extração de óleos essenciais, durante atividade prática no laboratório da UEPG (UEPG) (Foto/Clube Ciência Divertida)

O Clube Ciência Divertida, do Colégio Estadual Cívico-Militar Frei Doroteu de Pádua, de Ponta Grossa, participou de um minicurso sobre extração de óleos essenciais, promovido pelo Departamento de Química da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). A atividade marcou o início da segunda etapa do projeto “Proteja-se da Dengue”, que visa desenvolver soluções naturais para o combate ao mosquito Aedes aegypti.

Durante o minicurso, foram apresentadas técnicas de extração de óleos naturais, que servirão de base para a produção de repelentes naturais, pretendida pelo clube. O conteúdo está relacionado com a pesquisa desenvolvida pelos estudantes, focado em alternativas sustentáveis para o enfrentamento à dengue. A parceria com a universidade reforça o caráter investigativo do projeto e aproxima os estudantes da realidade acadêmica, contribuindo para que percebam a universidade como um caminho viável para seu futuro.

Estudantes do Clube ‘Ciência Divertida’ em visita à Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) (Foto/Clube Ciência Divertida)

Além do minicurso, os alunos já haviam participado, em abril, de uma oficina na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), também em Ponta Grossa. Na ocasião, conheceram o campus e os cursos da instituição, e cada participante teve a oportunidade de produzir sua própria vela com essências repelentes.

Os estudantes também já realizaram uma das etapas práticas da pesquisa, com a produção de vasos autoirrigáveis feitos com garrafas PET e o cultivo de plantas repelentes como alecrim, lavanda, hortelã e manjericão. Os vasos foram distribuídos em diferentes espaços do colégio. Para o cultivo das plantas, foi implantada uma horta escolar, que irá abastecer o projeto, com foco na produção futura de óleos essenciais.

No laboratório da UEPG, estudantes acompanham a extração de óleos essenciais durante atividade prática no laboratório da universidade (Foto/Clube Ciência Divertida)

Agora, 100 avaliadores trabalham na seleção dos 400 projetos que vão estar presentes no na Fecci, em Curitiba, em novembro

A imagem mostra um estande de divulgação científica. Uma expositora conversa com um grupo de crianças, explicando réplicas de fósseis e crânios,dispostos sobre uma mesa com placas informativas. Ao fundo, há um banner com os dizeres “NAPI PARANÁ FAZ CIÊNCIA”, indicando que o evento é uma iniciativa de promoção científica no estado do Paraná, Brasil. Outras pessoas, incluindo organizadores e visitantes, também estão presentes ao fundo, interagindo com diferentes materiais.
Feira de Curitiba, no ano passado (Imagem/ Arquivo pessoal)

No dia 1o de setembro, segunda-feira, a Feira de Cultura Científica (FECCI) encerrou o período de inscrições e submissão de trabalhos. Ao todo, 1.155 estudantes e professores se inscreveram e 484 projetos foram submetidos. Agora, os trabalhos passam pela etapa de avaliação, conduzida por uma equipe formada por mais de 100 pessoas ligadas à Academia, em diferentes áreas.

As submissões foram feitas em três categorias: Kids, que teve 34 trabalhos enviados; Junior, com 180; e Jovem, que recebeu 270 projetos. Até dia 8 de setembro, os avaliadores serão responsáveis por analisar cada proposta, garantindo que o processo seja justo e valorizando o esforço dos estudantes e professores.

Segundo a integrante da comissão organizadora da Fecci, Leilane Schwind, o processo de inscrição foi tranquilo e com número de envio de trabalhos que superou as expectativas da equipe. Ela destaca que os projetos abrangem temáticas diversas, como Ciências Exatas, Humanas, Ciências da Saúde, Ciências Biológicas e Agrárias, Ciências Sociais Aplicadas e Inovação Tecnológica & Robótica.

Leilane Schwind, integrante da comissão organizadora da FECCI (Foto/Arquivo pessoal)

Para Leilane, a expectativa é de que a Fecci se torne um marco na educação básica do Paraná, funcionando como uma verdadeira vitrine para a produção científica de escolas públicas e privadas do estado. Além disso, “o evento fortalece a pesquisa científica desenvolvida pelos alunos clubistas da Rede de Clubes de Ciência, do Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação – NAPI Paraná Faz Ciência”, esclarece. 

Preparativos

A organização também vem concentrando esforços na logística e nos preparativos científicos para receber estudantes e professores, no mês de novembro. A Feira de Cultura Científica – FECCI ocorre entre os dias 4 e 6 de novembro, na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Sede Neoville, em Curitiba. 400 projetos serão apresentados durante o evento.A Feira é organizada pelo NAPI Paraná Faz Ciência com apoio da Secretaria de Educação do Paraná, a Prefeitura de Curitiba e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), por meio do Programa POP Ciência e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Pyetra Heller, de 14 anos, clubista do Colégio Estadual Padre Chagas, apresentou o projeto “Jovens Cientistas: Diagnósticos e Soluções para Justiça Climática” na etapa estadual em Foz do Iguaçu

Duas pessoas estão em pé e sorrindo para a foto. À esquerda, um homem de cabelos e barba grisalhos, usa óculos, camisa cinza de manga comprida e calça jeans azul. À direita, uma jovem com cabelo curto e vermelho, veste jaqueta preta, calça preta e botas pretas. Ela tem um fone de ouvido roxo no pescoço e uma camiseta preta com estampa vermelha. Ambos usam crachás de identificação pendurados no pescoço. Ao fundo, há um banner da Secretaria da Educação do Paraná com frases e ilustrações coloridas.
Pyetra Heller acompanhada do professor responsável pelo clube EcoCientistas Visionários, Emerson de Souza, durante a etapa estadual da VI Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente, em Foz do Iguaçu (Foto/Arquivo Pessoal)

Nos dias 11 e 12 de agosto ocorreu a etapa estadual da VI Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente, em Foz do Iguaçu. Durante o evento, o projeto Jovens Cientistas: Diagnósticos e Soluções para Justiça Climática, do clube de ciências EcoCientistas Visionários, de Guarapuava, foi selecionado para representar o estado do Paraná na etapa nacional, em Brasília.

Pyetra Heller Pereira, de 14 anos, clubista do Colégio Estadual Padre Chagas, foi escolhida como delegada da escola e teve a missão de apresentar as ações do grupo envolvendo temas como saneamento básico, resíduos sólidos, drenagem, inundações e insegurança alimentar. Para ela, apresentar o projeto na etapa estadual  “trouxe muitas emoções, nervosismo, ansiedade, mas principalmente orgulho de trazer um projeto tão importante, pois queremos não só melhorar o meio ambiente, mas a qualidade de vida da população”, relatou a estudante.

O projeto Jovens Cientistas em Ação: Diagnóstico e Soluções para a Justiça Climática, tem a proposta de diminuir os impactos de desastres naturais, como as inundações, visando melhorar a qualidade de vida das comunidades, principalmente de moradores de áreas de risco. O objetivo apresentado por Pyetra é levar as propostas de ação ao poder público para que se tenha uma atuação mais eficaz na melhora do saneamento.

Como solução, Pyetra acredita ser de extrema importância ouvir a comunidade, levando conhecimento e informação sobre a prevenção. “Esses temas são de extrema importância, pois sem a conscientização da sociedade sobre o assunto, não há como trabalharmos por um futuro melhor.”

Pyetra Heller: “Espero aprender mais sobre as necessidades da população, sobre formas de trazer uma maior qualidade ao meio ambiente, e de experienciar alunos trabalhando e discutindo em busca de um Brasil melhor” (Foto/Arquivo Pessoal)

Na etapa municipal, que garantiu a vaga para o Colégio Estadual Padre Chagas na etapa estadual da VI Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente (CNIJMA), os alunos aplicaram uma dinâmica: A atividade começou com apresentações introdutórias dos clubistas. A partir dessas exposições, os alunos das turmas formaram grupos e criaram o ‘Muro das Lamentações’, onde registraram problemas ambientais que conhecem, vivenciam ou identificam nas falas dos colegas. Em seguida, a atividade evoluiu para a construção da Árvore dos Sonhos, onde os estudantes escreveram nas folhas suas propostas de solução para esses problemas, criando, assim, uma trilha simbólica que liga os desafios às ações necessárias para superá-los e alcançar um futuro mais sustentável.

Com o tema “Vamos transformar o Brasil com educação e justiça climática”, a Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente é uma iniciativa do Ministério da Educação e do Ministério do Meio Ambiente voltada a estudantes do Ensino Fundamental II e Ensino Médio. Durante a etapa estadual, o evento contou com 60 alunos do 6º ao 9º anos do Ensino Fundamental que foram previamente selecionados por comissões formadas nos Núcleos Regionais de Educação (NREs), que avaliaram as conferências escolares. 

Em Guarapuava, o projeto contou com o apoio da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência e dos projetos internacionais ‘Nós Propomos! Unicentro: Juventude educando-se na/com a cidade’ e ‘Pacto Global dos Jovens pelo Clima’, coordenados pela Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro).

De mãe para filha

Paloma Heller também teve a mesma missão que sua filha, Pyetra, durante seu tempo escolar. Em 2008, representou o Paraná na 3ª edição da CNIJMA, pelo Colégio Estadual Vinícius de Moraes, em Nova Tebas. Na época, o projeto focava  em melhorias na coleta de lixo, diante da precariedade do serviço e da prática comum de queimar resíduos.

Pyetra Heller ao lado da mãe, Paloma, que também representou o Paraná na terceira edição da Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente (Foto/Arquivo Pessoal)

Para Paloma, ver sua filha fazendo parte de algo que foi tão importante para o próprio crescimento pessoal é significativo. “Fiquei orgulhosa demais, minha filha sempre foi muito tímida e incentivei muito essas experiências para que ela pudesse desenvolver esse lado tão importante pro desenvolvimento dela. Entrar no clube de ciências foi muito bom, principalmente para o crescimento pessoal e profissional dela. Ser escolhida como representante do Paraná na etapa nacional foi e vai ser um grande passo para o crescimento dela”, contou a mãe de Pyetra.

Já para Pyetra, ter sua mãe como exemplo as deixa ainda mais conectadas. “Continuar algo que minha mãe já participou me deixa mais conectada às suas experiências, mas também me dá muita alegria”, comentou.

Agora, Pyetra e o professor responsável pelo clube de ciências da escola, Emerson de Souza, se preparam para a etapa nacional da Conferência, que está marcada para acontecer durante os dias 6 a 10 de outubro, em Brasília. “Minhas expectativas são de conseguir levar o nosso projeto e alcançar mais pessoas, além de obter mais conhecimento com os outros alunos”, respondeu Pyetra ao ser perguntada sobre as suas expectativas para a etapa nacional.Acompanhe mais atividades dos Clubes de Ciências pelo Instagram da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência @clubesparanafazciencia e pelo site Paraná Faz Ciência.

A Feira promete movimentar os clubes de ciência de Cascavel e região

Logotipo da 1ª UnioCiências, Feira de Ciências da Unioeste. Carrega o símbolo em forma de letra U de unioeste, com um Becker, instrumento usado na área de química, em laboratórios contido dentro do U, este está na cor vermelho-grená e o símbolo U em roxo, as mesmas cores da logo da Unioeste.
Logotipo da 1ª. Feira UNIOCiências (Imagem/ Divulgação/Unioeste)

A Feira de Ciências UNIOCiências será realizada no dia 11 de setembro, no campus de Cascavel, de modo articulado com a UNIOXP , a feira anual de profissões da UNIOESTE.

Nesta primeira edição da Feira de Ciências da Unioeste poderão participar os clubes de ciências da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência pertencentes aos Núcleos Regionais de Educação (NREs) dos municípios de Assis Chateaubriand, Cascavel, Goioerê e Toledo.
Na dinâmica da feira, cada clube de ciências poderá apresentar duas propostas referentes aos projetos desenvolvidos pelos estudantes no âmbito do clube. Cada proposta deverá ser apresentada no evento por no máximo dois estudantes apresentadores. Já o resumo referente à proposta poderá contemplar a equipe completa de desenvolvimento da proposta, inclusive o/a(s) professor/a (es/s) orientador/a (es/as).

Campus UNIOESTE, em Cascavel (Foto/Divulgação/Unioeste)

“A UNIOCiências representa uma oportunidade diferenciada para os alunos dos clubes de ciências da região, pois não só promove a divulgação de seus projetos científicos, mas também estimula o desenvolvimento de habilidades essenciais, como planejamento, comunicação e trabalho em equipe”, cita o  professor Oscar Rodrigues dos Santos, um dos organizadores da feira. “Ao participar do evento, os estudantes têm a chance de apresentar suas pesquisas para um comitê científico qualificado, ampliando seu conhecimento e visão sobre fazer ciência. Além disso, a feira fortalece a cultura científica local, incentivando a participação em outros eventos e preparando os jovens para futuros desafios acadêmicos e profissionais”, prossegue. A UNIOCiências é, na opinião do professor organizador, “um marco importante para a formação dos clubistas e para o crescimento da ciência na região de Cascavel”.

A UNIOCiências vem com a proposta de contemplar os clubes de ciências da região, de forma que os clubistas criem o hábito de estar presentes em feiras de ciências, preparando os trabalhos para isso, pensando nas apresentações e nos outros detalhes de planejamento. Pretende também expandir ainda mais a cultura de ciências na região de Cascavel, que já conta com outras feiras como a FECET (Feira de Ciências, Engenharia e Tecnologia), organizada pela escola particular Eureka (Escola de Tecnologia e Pesquisa). A UNIOCiências é, portanto, um evento que veio para ficar!

Os trabalhos expostos na Feira UNIOCiências serão avaliados por um Comitê Científico formado por professores universitários, acadêmicos de graduação e pós-graduação da Unioeste e por outros pesquisadores-colaboradores. A exposição será aberta à comunidade, no dia 11 de setembro, das 8h às 12h pela manhã e das 13h às 17h no período da tarde. O local da exposição será no térreo do bloco do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde (CCBS), na Universidade Estadual do Oeste do Paraná, campus Cascavel. 
Para saber mais, consulte o regulamento da 1ª UNICiências.

Ao todo, 9 trabalhos de clubes da região serão expostos na feira

Clubistas do ‘Clube Observatório do mundo contemporâneo’ e a professora Nichele Rodrigues Santos, Professora do clube, preparados para a FIciências.
Clubistas do ‘Clube Observatório do Mundo Contemporâneo’ e a professora Nichele Rodrigues Santos, coordenadora do clube, preparados para a Ficiencias. (Foto/ Arquivo pessoal)

Vem aí a FIciências 2025, a Feira de Inovação das Ciências e Engenharias, que acontece todos os anos na cidade de Foz do Iguaçu. 

O evento é uma feira de ciências de âmbito internacional, aberta para participação de alunos e professores do Brasil, Paraguai e Argentina, e tem como objetivo alavancar o conhecimento científico e tecnológico, bem como estimular sua divulgação e popularidade.

Neste ano, nove clubes de ciências vinculados à Rede de Clubes Paraná Faz Ciência e à UNIOESTE estarão presentes apresentando seus trabalhos entre os dias 20 a 25 de outubro. Dentre os trabalhos selecionados, destacam-se alguns: ‘Análise do bem-estar dos estudantes nas escolas de tempo integral’, do clube Observatório do Mundo Contemporâneo, da Escola Jardim Porto Alegre, em Toledo, que busca  compreender as diferentes realidades das escolas de tempo integral no Brasil e as diferenças entre as regiões. Também tem como objetivo analisar a implantação do projeto de escolas em tempo integral no estado do Paraná, a fim de perceber como os profissionais e estudantes envolvidos sentem-se nesse espaço.

Outro projeto selecionado para a FIciências é o do clube da Escola Estadual Moreira Sales, chamado ‘ECORIO: Estudos ambientais para a restauração e equilíbrio dos recursos hídricos’, que analisa  aspectos físico-químicos e microbiológicos da qualidade do Córrego dos Caçadores, também localizado no município sede da escola (Moreira Sales). Os estudos permitem a identificação  dos principais contaminantes da água e permitem ainda a avaliação dos impactos ambientais decorrentes da poluição.

Clubistas do Clube de Ciências da Escola Estadual Moreira Sales, de Moreira Sales e a professora Fátima Aparecida de Almeida Vicente, reunidos para uma visita técnica. O clube teve o projeto ‘ECORIO: Estudos ambientais para a restauração e equilíbrio dos recursos hídricos’ selecionado para o FIciências. (Foto/ Arquivo pessoal)

Os outros trabalhos selecionados, de clubes vinculados à UNIOESTE foram:

Para saber mais, acompanhe as redes sociais do evento FIciências (@ficiencias_) e também por aqui, onde são publicadas todas as atividades dos clubes pertencentes à Rede de Clubes Paraná Faz Ciência. A torcida é que todos os trabalhos aprovados sejam também premiados na feira em Foz do Iguaçu!

A proposta do clube é a criação de uma horta utilizando o adubo desenvolvido na composteira e análise do solo com ajuda da robótica

A foto é do Clube de Ciências Jovens Cientistas Kennedy. A imagem mostra uma turma de estudantes posando para uma foto acompanhada por três adultos, sendo um professor coordenador e duas Bolsistas Técnicas de Nível Superior - Pedagógicas da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência em um dia de visita ao clube. Eles estão reunidos em um pátio externo escolar. Ao fundo, há árvores de folhas vermelhas e uma parede branca que cerca o local. A maioria dos alunos veste uniforme escolar. O grupo está posicionado em frente às árvores, formando duas fileiras: a maior parte em pé e alguns agachados ou ajoelhados à frente. Todos parecem estar posando para a foto coletiva, muitos sorrindo e fazendo gestos com as mãos, transmitindo um clima de descontração e união.
Foto do Clube de Ciências Jovens Cientistas Kennedy em um dia de visita ao clube por parte da equipe da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência (Foto/arquivo pessoal)

Já pensou em unir o estudo sobre hortas e robótica? É isso que propõe o Clube Jovens Cientistas Kennedy, do Colégio Estadual Presidente Kennedy, em Maringá. Desde que iniciaram os trabalhos no clube no ano passado, muitos projetos foram desenvolvidos: adubos naturais, defensivos agrícolas naturais e até lançaram um foguete. A proposta é trabalhar de forma interdisciplinar, integrando as matérias de biologia, química, física, robótica e geografia. 

O clube é interseriado, com alunos do sétimo, oitavo e nono anos do Ensino Fundamental II. Encontros acontecem todas terças–feiras, como uma disciplina eletiva. Os 32 estudantes juntamente com o professor coordenador, Ivanildo Fabricio de Oliveira, propuseram a criação de uma horta utilizando o adubo que eles mesmos estão criando a partir da decomposição, por meio da composteira. E também estão estudando robótica para analisar dados coletados no jardim da escola.

Entre as funções da robótica no ambiente da horta, estão a irrigação, a medição da umidade do solo e do ar, a temperatura da composteira e entre outras finalidades que contribuem para uma análise mais qualificada do ambiente. Próximo aos frutos, a composteira é um outro elemento que está sendo investigado pelos clubistas. Segundo o professor, ela é um adubo excelente, por ser natural e reaproveitar resíduos alimentares. A ideia é realizar uma análise comparativa para observar qual é a melhor: o adubo da composteira, o adubo orgânico comercial e um branco (terra sem adubo).

Outro ponto de investigação é a relação da horta com o sol. Há sementes germinadas em solo muito exposto ao sol, outras mais à sombra e outras ainda que recebem a incidência dos dois agentes de forma mais equilibrada. Assim, a pergunta que eles devem responder é: “Qual terra é melhor para o desenvolvimento de cada planta ?”. A robótica será aliada também deste processo para colaborar com a medição dos resultados. O projeto une a investigação científica com as diversas áreas de conhecimento presentes nas atividades realizadas.

A imagem mostra um grupo de cinco estudantes em um ambiente escolar. Eles estão reunidos ao redor de uma mesa branca que contém um notebook, um cilindro medidor com líquido marrom, um dado, uma garrafa roxa de água e alguns papéis. Os estudantes vestem uniformes escolares com camiseta branca de gola azul, exceto um deles, que usa um casaco preto. Eles parecem estar engajados em uma atividade prática ou experimento científico, e demonstram expressões de curiosidade e entusiasmo. Ao fundo, há uma parede de tijolos brancos, estantes com diversos materiais didáticos e uma maquete. Um dos estudantes segura uma pelúcia marrom e está usando um moletom com capuz. Também é possível ver um extintor de incêndio preso à parede e diversos objetos organizados nas prateleiras, indicando um ambiente de aprendizado.
Foto de um dos grupos do Clube de Ciências ‘Jovens Cientistas Kennedy’ analisando as partículas orgânicas e inorgânicas do solo (Foto/arquivo)

Resultados já alcançados

No primeiro ano, os clubistas colheram alfaces que chegaram ao prato dos estudantes e cultivaram tomates, pimentas e árvores frutíferas. Desenvolveram ainda um líquido natural para afastar formigas, usado junto à horta. Esses trabalhos também foram apresentados na Culminância, o evento semestral das escolas integrais, quando cada grupo mostrou experimentos com autonomia e domínio dos temas.

A ideia é continuar recolhendo da horta alimentos para inserir na alimentação dos estudantes e outros professores também estão propondo ideias para a composteira e buscando relacionar com as aulas. O líquido desenvolvido para espantar as formigas protege as plantações de quiabo, milho e outros cultivares presentes na horta. É um trabalho em conjunto: professores de Ciências fazem as pesquisas e os clubistas do ‘Jovens Cientistas Kennedy’ fazem a aplicação do defensivo agrícola natural na horta.

A dinâmica do clube é realizada em equipes. O professor demanda as atividades do dia e os grupos se reúnem para começar a realização da proposta. Em geral, Ivanildo, diz que sempre instiga os alunos com um desafio e traça algumas orientações, porém o desenvolvimento das ações fica a cargo dos clubistas. Ao final de algumas aulas os alunos até produzem um relatório. 

Um dos momentos marcantes foi o dia da Culminância do ano passado. Este é um evento que acontece semestralmente nas escolas integrais com a apresentação dos trabalhos desenvolvidos em disciplinas eletivas para toda comunidade. Segundo Ivanildo, cada grupo de alunos fez um experimento que haviam realizado durante o Clube e demonstraram ter se apropriado do assunto agindo de forma independente. 

O clube de ciências já era uma vontade do professor e dos estudantes, assim o projeto da Rede de Clubes veio para tirar do papel essa ideia. Os aunos são ativos e buscam a resolução de problemas, e as atividades também têm envolvido toda a comunidade escolar. Para o professor, está sendo um sonho se realizando. Uma prova disso é o empenho das  cozinheiras em separar o material orgânico para os alunos acrescentarem na composteira.

A imagem mostra um grupo grande de estudantes reunidos em um espaço coberto da escola, provavelmente participando de uma atividade prática. A maioria dos alunos está usando uniforme escolar, composto por camiseta branca com detalhes azuis e calça azul. Eles estão agachados ou sentados no chão, lado a lado, formando uma longa fileira. À frente de cada grupo de alunos, há carrinhos artesanais feitos com materiais simples e recicláveis (como palitos, tampinhas e bexigas), sugerindo uma atividade de construção de carrinhos movidos a ar (balões inflados). Alguns alunos seguram ou preparam balões para os carrinhos, demonstrando entusiasmo e concentração. Ao fundo, observa-se parte do pátio da escola com piso de cimento, árvores e muros azuis. Também há alguns estudantes em pé. A atmosfera é descontraída, colaborativa e educativa.
Foto do Clube de Ciências Jovens Cientistas Kennedy com a produção de carros autônomos (foto/arquivo pessoal)

Desafios e planos futuros 

A expectativa está na liberação da verba para a compra de itens, como as sementes e outros materiais necessários para dar andamento aos projetos do Clube. Nos planos também está a apresentação do robô semeador movido a energia solar na FIciencias 2025 – Feira de Inovação das Ciências e Engenharias. O projeto foi aprovado e será também enviado para concorrer ao prêmio Agrinho de 2025 (do sistema FAEP).

Os alunos e o professor pretendem testar outras formas de composteiras, além de elevar a altura da horta atual e ampliar as plantações no espaço da escola. Fazer uma jardinagem para embelezar a vista da quadra também é um projeto. E na robótica, o sonho é montar um irrigador automático que detecta a diminuição da umidade da terra e aciona a água quando necessário.

Para o professor Ivanildo, a beleza desse trabalho está em observar o desenvolvimento dos estudantes. “Precisamos fazer adaptações nas atividades em virtude da mentalidade por vezes acelerada dos alunos, mas a potência de plantar essa ideia de que a ciência é legal e que ela move a sociedade é muito interessante”, comenta.

Também representa para o educador uma oportunidade de realização pessoal, em poder transmitir parte dos seus conhecimentos para os estudantes. “É uma forma de oferecer novas oportunidades de como aprender ciência e relacioná-la com a vida”, conclui.

Os trabalhos possuem temáticas distintas e devem ser apresentados durante o evento, em Foz do Iguaçu

A imagem mostra um grupo de estudantes e professores posando para a foto. Atrás, há um painel escrito Universidade Estadual de Londrina. Os alunos estão uniformizados. Todos representam o clube Discovery Kennedy’s.
Integrantes do clube Discovery Kennedy’s (Foto/Sabrina Heck)

Está chegando a 14ª edição da Feira de Inovação das Ciências e Engenharias (FIciências 2025), considerada a maior feira científica do Paraná. O evento será realizado de 20 a 25 de outubro, em Foz do Iguaçu, e os projetos aprovados para apresentação já foram anunciados. Entre os trabalhos escolhidos, dois são do clube de ciências Discovery Kennedy’s, da cidade de Rolândia.

O clube, articulado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), pertence ao Colégio Estadual Cívico-Militar Presidente Kennedy. No FIciências 2025, a equipe foi selecionada com dois materiais distintos: “Abelhas-sem-ferrão nas escolas: uma estratégia para conservação, educação ambiental e polinização” e “Automação sustentável: Sensores de movimento em escolas”.

Segundo a professora coordenadora do clube, Eglaia Cheron, os trabalhos surgiram a partir de demandas levadas pelos próprios estudantes. Os temas foram definidos com base na curiosidade deles e nas observações discutidas em sala de aula. “Eu não consigo compartilhar em palavras o quanto eu estou orgulhosa dos meus alunos”, destaca a docente.

Projeto das abelhas

O primeiro projeto, sobre abelhas-sem-ferrão, teve origem com a chegada de um enxame de Tetragonisca angustula (abelha Jataí) na residência de um clubista. Os estudantes debateram sobre a transferência da colmeia para a escola como estratégia de conservação e educação ambiental. Por isso, o estudo visa analisar como essa prática pode ajudar a preservar espécies ameaçadas.

A imagem mostra duas casinhas construídas pelos estudantes. Elas foram montadas com o objetivo de abrigar um enxame de abelha Jataí na escola. As casinhas são coloridas e estão em cima de uma mesa de laboratório. Ao fundo, é possível ver alguns alunos e outras mesas.
“Casinha” criada pelos estudantes para abrigar as abelhas (Foto/Arquivo pessoal)

Para o aluno José Fernando, que trouxe a ideia para a turma, as “casinhas” são uma forma eficaz de cuidar tanto das abelhas como de espécies nativas da flora. “Eu acabei pensando: se essas são espécimes que estão perto da extinção, por que não colocar uma colmeia delas nas escolas? Já que elas não oferecem tanto risco, já que não possuem ferrão”, explica.

Com o objetivo de garantir maior segurança para os integrantes do clube e auxiliar no trabalho de Meliponicultura (prática de criação de abelhas nativas sem ferrão), a equipe participou de uma oficina de manejo das abelhas com a Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente (SEMMA). Trata-se de uma parceria com a Prefeitura de Rolândia.

Projeto de automação

O segundo projeto, sobre automação sustentável, analisa estratégias para otimizar o consumo energético em escolas públicas, por meio de sensores de movimento PIR (Passive Infrared). A ideia partiu de uma investigação sobre a eficiência energética do colégio, na qual foram identificadas 77 lâmpadas tubulares (30W) acesas por 12 horas diárias nos corredores.

A imagem mostra o sensor de movimento construído pelos estudantes. Há uma lâmpada acesa, ligada em uma tomada. Há fios que conectam o equipamento a outros materiais. Ele foi montado com kits de robótica.
Sensores construídos pelos alunos do clube (Foto/Arquivo pessoal)

De acordo com alunas que participaram da elaboração do estudo, as simulações indicaram que os sensores poderiam diminuir mais de 50% do gasto energético da escola. A construção do equipamento foi possível com kits de robótica disponibilizados pela Secretaria Estadual de Educação (SEED-PR). O clube desenvolveu um sistema automatizado, que aciona as luzes apenas quando detecta movimento.

O professor Carlos Marcelo, co-orientador do clube, também orientou os estudantes em todo o processo. Ele reforça o entusiasmo da turma pelos projetos aceitos no FIciências 2025: “Estou muito feliz, são coisas que eu gosto muito: trabalhar com projetos na escola e trabalhar com os alunos.”