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II WORKDHOP DO NAPI PARANÁ FAZ CIÊNCIA

Investigação no Parque Aníbal Khury motiva alunos a desenvolverem site e jogo sobre macroinvertebrados e qualidade da água

Dois estudantes estão sentados atrás de uma bancada de granito em um ambiente de laboratório escolar. Eles sorriem enquanto apresentam um notebook aberto com um site intitulado “Estudo de Macroinvertebrados”. O conteúdo na tela traz informações sobre o Parque Ambiental Anibal Khury e sua relação com estudos de campo. À direita do notebook, há um microscópio óptico, reforçando o caráter científico da atividade. Ambos os estudantes usam casacos. Ao fundo, é possível ver uma pia com materiais de laboratório e uma porta. A atividade faz parte de um projeto escolar de divulgação científica.
Programação é aliada na divulgação da pesquisa (Foto: Mari Martins)

Identificar os macroinvertebrados presentes no maior dos dois lagos do Parque Aníbal Khury marcou o início da pesquisa desenvolvida pelos alunos do Clube de Ciências Bona, do Centro Estadual de Educação Profissional Theodoro de Bona. A escola e o Parque estão localizados em Almirante Tamandaré, na Região Metropolitana de Curitiba. O parque é reconhecido como uma das áreas mais extensas de conservação ambiental urbana do país e conta com uma rica biodiversidade, distribuída em diferentes ecossistemas. Ao escolher esse espaço como campo de investigação, os estudantes voltaram sua atenção para a água e para os pequenos organismos que vivem nela, buscando compreender como a presença dessas espécies pode revelar informações sobre a qualidade do ambiente.

Conforme explica a professora coordenadora do Clube, Vânia Cerutti, o interesse em ampliar o alcance das descobertas surgiu por parte dos próprios estudantes. “Eles entenderam que poderiam conectar o que estávamos realizando com habilidades que eles já tinham.” 

Nesse contexto, clubistas que cursam o Ensino Médio Profissionalizante na área de Desenvolvimento de Sistemas viram na programação uma ferramenta para organizar e compartilhar os dados obtidos na pesquisa. “A gente pensou em usar o que já estuda em programação para desenvolver um site que além de ajudar a divulgar os dados da pesquisa, também terá informações sobre os animais encontrados”, explica Victor Gabriel Melo, de 16 anos, aluno do 2º ano do Ensino Médio.

O site, que está sendo finalizado, reunirá imagens e descrições dos macroinvertebrados identificados no lago, explicações que mostram como esses organismos se relacionam com a qualidade da água e a trajetória da pesquisa, desde a coleta até os resultados. A ideia é que a plataforma sirva como fonte de consulta tanto para outros estudantes quanto para pessoas interessadas em aprender mais sobre o tema.

Enquanto isso, outro grupo se dedica a transformar os aprendizados da pesquisa em um jogo de cartas. O material foi pensado para apresentar, de forma lúdica, os principais macroinvertebrados investigados, com destaque para suas características e o ambiente em que vivem.

Clubistas também criam jogo pedagógico (Foto: Mari Martins)

O interesse despertado pela pesquisa inicial se transformou em motivação para dar continuidade ao trabalho e apresentar os resultados obtidos. Além de finalizar os projetos em andamento, os alunos planejam agora inscrevê-los em eventos científicos. Nos próximos meses, a pesquisa e as propostas desenvolvidas também devem ser apresentadas na Feira do Conhecimento, evento em que o Colégio Theodoro de Bona recebe a visita de alunos das escolas da região.

Cinco clubes das regiões de Paranavaí e do Litoral representarão a Unespar na Feira de Inovação em Ciências e Engenharias em Foz do Iguaçu

A imagem mostra dois estudantes e com a professora Andreia Petruy em um palco durante um evento. Os dois jovens, usando camiseta branca com mangas azuis, estão sorrindo, cada um segurando uma sacola de premiação. Um deles exibe também uma medalha no peito. Ao lado deles, a professora, de vestido verde, sorri enquanto posa para a foto. Ao fundo, há um painel colorido com a logo da "Ciência do Litoral Paranaense" e um cenário decorativo que imita uma cozinha desenhada. O clima é de celebração e reconhecimento.
Professora Andreia Petruy celebra a conquista dos alunos na Feira de Ciências do Litoral Paranaense. (Foto: Arquivo pessoal)

A XIV Feira de Inovação das Ciências e Engenharias (FIciências 2025) promete agitar o Paraná em outubro, reunindo jovens cientistas: Brasil, Paraguai e Argentina. O evento será em Foz do Iguaçu, entre os dias 21 e 25 de outubro e serão apresentados projetos em três categorias: Kids, Jovem e Júnior. Cinco clubes de ciência vão representar a Unespar. Entre eles, três são de escolas da região litoral e dois representam a cidade de Paranavaí (norte do estado) e região. Reunimos abaixo uma breve descrição dos projetos, quem são os professores orientadores dos trabalhos e as escolas que abrigam os clubes: 

Projeto: ENERGIA DAS MARÉS: POTENCIALIDADES E FRAGILIDADES NO LITORAL PARANAENSE

Professor: Jean Carlo Alves Da Silva

Escola: Colégio Estadual Tereza da Silva Ramos

Clube de Ciências: Clube de Ciências do Tereza

Em regiões costeiras, como as cidades do litoral paranaense, os movimentos constantes das marés podem oferecer uma falsa impressão aos leigos de que existe uma grande oportunidade para geração de energia. Foi assim que esta pesquisa se iniciou, em busca de bibliografias que tragam respostas à possibilidade de implantação de sistemas de maremotriz no litoral do Paraná. O intuito é buscar formas de diversificar a matriz energética sustentável. A região é conhecida por seu turismo e urbanização em expansão e poderia se beneficiar do uso de fontes de energia renováveis.

A imagem mostra um estande de feira científica ou educacional, com várias pessoas interagindo. No centro, um jovem de camiseta branca está falando e gesticulando, aparentemente explicando algo para o público. Sobre a mesa, há um projetor ligado e um notebook, com a projeção aparecendo na parede ao fundo. À direita, há um grande banner com o logotipo do “Colégio Estadual Professora Tereza da Silva Ramos”. Outras pessoas, incluindo visitantes e estudantes, observam e participam da atividade. O ambiente está movimentado, com materiais e cartazes afixados nas paredes do estande.
Estudantes do Colégio Estadual Professora Tereza da Silva Ramos apresentam seus trabalhos durante a Feira de Ciências do Litoral Paranaense, compartilhando conhecimento e interagindo com o público visitante. (Foto/ Arquivo pessoal)

Projeto: Caatinga: Exclusividade do Brasil

Professora: Andreia Cristina Bittencourt Petruy

Escola: Colégio Estadual Bento Munhoz da Rocha Neto

Clube de Ciências: Bagrinhos do Bento

O bioma Caatinga, o único exclusivamente brasileiro, ocupa 11% do território nacional, com 70% de sua área localizada na região Nordeste do país. Ele é relevante para a identidade e cultura brasileiras. Conhecer e se reconhecer pertencente a esse bioma faz parte da abordagem do jogo criado pelos alunos utilizando a metodologia aprendizagem por jogos.

Na foto, dois estudantes, usando camisetas brancas com mangas azuis, apresentam seu projeto sobre a Caatinga para uma visitante, que escuta atentamente com os braços cruzados e segura uma bolsa bege. Ao fundo, vê-se um painel expositivo com o título “Caatinga: Exclusividade do Brasil” e outros trabalhos da feira de ciências, todos sob uma grande tenda. Sobre a mesa, há uma maquete colorida e um notebook aberto, compondo a exposição do grupo.
Estudantes apresentam o projeto sobre a Caatinga durante a Feira de Ciências do Litoral Paranaense, destacando a importância desse bioma exclusivamente brasileiro. (Foto/ Arquivo pessoal)

Projeto: Por que o carangueijo-uçá está ameaçado de extinção?

Professora: Tatiana Kraiczei

Escola: Colégio Estadual Gabriel de Lara

Clube de Ciências: Clube Exploradores da Ciência

Nos últimos anos, a população do caranguejo-uçá tem sofrido um declínio preocupante, em virtude da degradação dos manguezais e captura fora dos padrões estabelecidos pelo IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). Outra ameaça é a poluição por micro e mesoplásticos, que se fragmentam e se acumulam nas regiões de manguezais, onde habitam esses organismos. As partículas podem ser ingeridas direta ou indiretamente pelo crustáceo, causando problemas que ainda são pouco estudados. Este trabalho estuda a possível relação entre a presença de micro e mesoplásticos nos manguezais e a diminuição drástica do crustáceo no litoral paranaense, visando contribuir para desenvolver estratégias de conservação e manejo sustentável da espécie e de seu habitat.

A imagem mostra duas pessoas posando para a foto em um estande da feira de ciências. À esquerda está uma jovem de cabelos longos e soltos, usando camiseta branca com detalhes em azul-marinho e calça jeans. À direita, uma mulher de cabelos loiros e lisos, vestindo um vestido colorido estampado e segurando uma garrafa rosa na mão. Ao fundo, é possível ver painéis com pôsteres científicos expostos e a identificação do estande, indicando a participação em um evento educacional.
Professora Tatiana Kraiczei e aluna apresentam o projeto na XIII Feira de Ciências do Litoral Paranaense, destacando dedicação e entusiasmo pela pesquisa. (Foto/ Arquivo pessoal)

Projeto: FARINHEIRAS: UMA INVESTIGAÇÃO SOBRE AS CASAS DE FARINHA EM MATINHOS-PR E REGIÃO

Professora: Nahyr Carneiro da Silva

Escola:  Escola Estadual Cívico-Militar Profª Abigail dos Santos Corrêa

Clube de Ciências: Periplaneta Norminhasfesial

O projeto Farinheiras investiga se as Casas de Farinha da região do litoral paranaense são uma tecnologia social e assim contribuem para a conservação do patrimônio natural e da biodiversidade no litoral do Paraná. Entre os objetivos do projeto, os alunos buscam conhecer a tradicional forma de produção de farinha de mandioca, além de entender as etapas de fabricação e identificar mudanças ao longo do tempo.

Na foto, uma professora e três estudantes sorriem ao lado de uma maquete intitulada “Casa de Farinha”. O trabalho é feito em papelão e decorado com figuras de plantas, animais e elementos da natureza, representando o ambiente de produção artesanal de farinha. Ao fundo, há painéis expositivos com informações científicas, indicando que a imagem foi registrada em um evento ou feira de ciências. Todos demonstram orgulho e entusiasmo pela apresentação do projeto.
Estudantes e professora Nahyr apresentam o projeto “Farinheiras”, unindo tradição, ciência e criatividade. (Foto: Arquivo pessoal)

Projeto: O CASULO À SEDA: agrotóxicos como vilões das famílias de sericicultores de nova esperança

Professor: Gilvan Andrade dos Santos

Escola: Escola do Campo Barão de Lucena

Clube de Ciências: Conexão

O projeto de pesquisa ‘Do casulo à seda’ investiga os impactos do uso de agrotóxicos sobre a sericicultura em Nova Esperança, com foco nos efeitos sobre o bicho-da-seda, a cultura local e a economia. A pesquisa também busca identificar práticas sustentáveis e alternativas ao uso de defensivos químicos.

A imagem mostra um grupo de pessoas reunidas em um espaço ao ar livre, próximo a um lago e cercado por árvores. À esquerda, uma mulher de camiseta clara com estampa verde sorri para a câmera. Ao lado dela, vários estudantes em uniforme escolar branco com detalhes em azul e vermelho posam juntos. Dois homens adultos, um de camiseta azul e outro de camiseta branca com estampa, também participam da foto, assim como outro homem de boné e camiseta vinho que está agachado ao lado de um cachorro preto e branco.
Estudantes e professores realizam atividade ao ar livre, aprendendo e explorando juntos a sericicultura em Nova Esperança. (Foto/Arquivo pessoal)

Projeto: Herborização de plantas nativas da região noroeste do Paraná

Professora: Adriana Renata Fernandes

Escola: Colégio Estadual Cecília Meireles

Clube de Ciências: Eco Historiadores

O projeto Herborização tem como objetivo coletar, identificar, preservar e catalogar  espécies  vegetais nativas da região Noroeste do Paraná. A iniciativa visa fins científicos, educacionais e de conservação da biodiversidade local. A herborização, processo de preparação de exemplares vegetais para a composição de um herbário, possibilita a criação  de um acervo botânico que poderá servir como base para pesquisas futuras e ações de educação ambiental desenvolvidas pelo clube.

A imagem mostra dois estudantes sentados lado a lado em uma sala de aula. À esquerda, um rapaz de boné preto, camiseta branca e mochila preta sorri enquanto observa. À direita, uma jovem de cabelos longos e soltos, usando camiseta cinza, aponta animada para algumas folhas e galhos dispostos sobre uma folha de jornal em cima da carteira escolar. O material parece fazer parte de uma atividade prática relacionada ao estudo de plantas.
Estudantes explorando a biodiversidade em atividade prática de Estudantes explorando a biodiversidade em atividade prática de ciências, com entusiasmo e aprendizado em sala de aula (Foto/Arquivo pessoal)

Alunos têm analisado o uso e as propriedades terapêuticas de algumas espécies de plantas

A imagem mostra a horta feita pelo próprio “Estudo de Plantas Medicinais” (EPM), do Colégio Estadual Pioneiros. São plantas medicinais, plantadas para auxiliar as atividades do projeto. No canto direito, há uma aluna segurando uma mangueira, regando a horta da escola.
Os alunos realizaram o plantio de ervas medicinais na escola (Foto/Arquivo pessoal)

O difícil acesso a serviços médicos básicos e de qualidade é um problema comum em várias regiões do país. Foi pensando nisso que surgiu o clube “Estudo de Plantas Medicinais” (EPM), do Colégio Estadual Pioneiros, em Foz do Iguaçu. O objetivo principal é, como o próprio nome indica, resgatar e valorizar o conhecimento tradicional sobre o uso das ervas medicinais.

Os alunos têm investigado sobre a importância e propriedades terapêuticas dessas plantas, sobretudo como uma solução prática para tratar diversas condições de saúde. Além disso, aprenderam a organizar um mapa mental sobre algumas espécies, destacando suas indicações e contraindicações. Outra atividade foi o trabalho “O encanto das plantas medicinais”, um livro produzido pelos próprios estudantes.

De acordo com a professora Nair Dias, coordenadora do clube, o tema escolhido contribui para conhecimentos de botânica, ecologia e sustentabilidade. Os clubistas estão desenvolvendo técnicas de pesquisa e são constantemente incentivados a adotarem hábitos mais saudáveis. “Essa temática é uma forma interessante e interativa de ensinar conceitos científicos, desenvolver habilidades e promover a consciência ambiental e saúde”, destaca.

Recentemente, os alunos também precisaram elaborar materiais para a exposição da Culminância das Eletivas do colégio. O evento mostra aos visitantes e à comunidade escolar o que os estudantes desenvolveram ao longo do semestre. No NAPI – Paraná Faz Ciência, o clube é articulado pela Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA) e o coordenador institucional, professor Ronaldo A. Ribeiro da Silva, esteve presente na apresentação.

A imagem mostra um grupo de pessoas, entre estudantes e professores, posando sorridentes em uma sala decorada para uma apresentação escolar. Ao fundo, há um grande cartaz marrom com o título "PLANTAS MEDICINAIS" escrito com letras verdes e amarelas. No canto direito do cartaz, há uma árvore feita com bexigas verdes e flores coloridas. A mesa ao centro está coberta com um tecido verde vivo e há algumas plantas e materiais de apresentação sobre ela.
Equipe do clube EPM ao lado do professor Ronaldo A. Ribeiro da Silva (Foto/Arquivo pessoal)

Refúgio Biológico de Itaipu

Para reforçar as ações do clube, os alunos fizeram uma visita técnica ao Refúgio Biológico Bela Vista, pertencente à Itaipu Binacional de Foz do Iguaçu. O objetivo foi aprender mais sobre a importância da conservação do meio ambiente e preservação da Mata Atlântica. A imersão pedagógica foi realizada no dia 14 de maio.

A imagem mostra um grupo de alunos caminhando por uma trilha dentro de uma floresta densa. Eles seguem por um caminho de terra batida, cercado por árvores altas e finas, com copas que filtram a luz do sol, criando uma iluminação suave e sombreada no ambiente. À esquerda da imagem, os estudantes estão andando em fila, muitos com mochilas nas costas.
Estudantes do clube durante visita ao Refúgio Biológico Bela Vista (Foto/Arquivo pessoal)

O clube já havia ido ao local no final do ano passado. Na ocasião, o intuito era conhecer o Horto e a variedade de plantas produzidas na área de Cultivo e Pesquisa de Plantas Medicinais. Os alunos aprenderam como fazer as mudas, como plantar e como funciona a estufa. Ao final na visita, também levaram mudas de plantas medicinais para distribuir entre a comunidade escolar e suas famílias.

Clube ‘Mentes Curiosas’ é fonte de inspiração para a 1ª Conferência Municipal Infanto-Juvenil pelo Meio Ambiente com Educação e Justiça Climática, em Vera Cruz do Oeste

A imagem com fundo em um salão contendo a bandeira do Brasil no fundo, é possível ver em destaque as pessoas envolvidas no projeto, entre alunos bolsistas e professores na capa.
Clubistas, professores e bolsistas reunidos durante a Conferência (Foto/Arquivo pessoal)

O Município de Vera Cruz do Oeste realizou a 1ª Conferência Municipal Infanto-Juvenil pelo Meio Ambiente com Educação e Justiça Climática, um evento focado em engajar crianças e jovens em discussões sobre questões ambientais. O objetivo é promover a conscientização e a participação ativa na construção de um futuro saudável.

O evento contou com a presença de alunos e professores das escolas da cidade, além de palestrantes da área da agricultura e da saúde. No evento, o clube Mentes Curiosas (@cienciavitalbrasil ), do Colégio Vital Brasil, coordenado pela professora Rosinéia Saragoza Costa Silva recebeu homenagens pelos serviços prestados ao município.

O Clube foi citado por cooperar e engajar a comunidade em ações relacionadas à educação ambiental e análise de água de rio, tendo realizado eventos internos e também externos, como em praças da cidade. Ainda no evento, o clubista Leomar Lindolfo foi à frente do púlpito para explicar as ações do clube ao público presente.

A imagem de um menino segurando o microfone, mostra seu diálogo com o público ao apresentar seu projeto, na frente dos demais envolvidos, alunos e professores.
Clubista Leomar Lindolfo à frente do púlpito, discursando (Foto/Arquivo pessoal)

A professora Rosinéia explica que o clube realiza trabalhos no Horto da cidade, como trilhas ecológicas, análise  da qualidade da água na nascente, além da avaliação das espécies de plantas e de animais que habitam o local. Segundo ela, o objetivo  do clube é transformar o local em uma sala de aprendizagem ao ar livre.

Rosinéia também cita que o clube, para realizar seus projetos, faz parcerias com Secretarias da cidade, como a de Saúde, de Meio Ambiente e de Agricultura, além da própria universidade Unioeste.

O clube tornou-se fonte de inspiração para a cidade e segue seus trabalhos a todo vapor! Para saber mais, acompanhe pelas redes sociais da Rede de Clubes @rededeclubesparanafazciencia e do clube: @cienciavitalbrasil.

A formação terá como foco temáticas relacionadas à rotina dos clubes de ciências em escolas da Educação Básica

A mostra uma cena de estudo em uma mesa de madeira clara. No centro, vemos uma pessoa escrevendo em um caderno de anotações com espiral, usando uma caneta preta. Apenas os braços e as mãos da pessoa estão visíveis. À direita do caderno, há um notebook aberto, sugerindo que a pessoa está usando-o como apoio para suas anotações. No fundo, em cima da mesa, há uma xícara branca apoiada em um pires, provavelmente de café ou chá.
A ideia é fortalecer a vivência com os clubes de ciências nas escolas (Arte/Canva)

Para dar sequência ao curso realizado em 2024, a Rede de Clubes do NAPI – Paraná Faz Ciência vai oferecer mais um momento de formação para os professores. Desta vez, os encontros irão se aprofundar nas temáticas sobre os clubes de ciências em escolas da Educação Básica. As inscrições estão abertas e podem ser feitas até o dia 15 de setembro, no site da Universidade Estadual de Londrina (UEL).

O curso “Fundamentos, Práticas e Reflexões para a Cultura Científica na Educação Básica” será no formato remoto assíncrono. A plataforma Moodle será ser utilizada, em parceria com a Universidade Virtual do Paraná (UVPR). A primeira etapa deve ocorrer entre os dias 15/9/2025 e 23/11/2025, enquanto a segunda está prevista para ser entre 23/2/2026 e 13/07/2026. 

No total, serão 15 módulos de 4 horas. Cada módulo vai durar duas semanas não prorrogáveis, ou seja, devem ser concluídos dentro desse período. As reuniões garantem aos professores um certificado pela UEL, com 60 horas completas. O documento será disponibilizado ao final de todas as atividades propostas, valendo como progressão de carreira.

A participação é obrigatória para docentes da Rede de Clubes geral e da Rede de Clubes Maker, conforme os projetos da Fundação Araucária e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), respectivamente. Solicita-se, também, a convocação dos BTNS (bolsistas técnicos de nível superior) pedagógicos das Instituições de Ensino Superior. Professores da Rede de Clubes Meninas estão convidados, mas a participação é opcional.

SERVIÇO

Curso: “Fundamentos, Práticas e Reflexões para a Cultura Científica na Educação Básica”

Inscrições: até 15/9, neste link

Formato: remoto assíncrono (Google Meet)

Realização: 15/9/2025 a 13/7/2026

Após quatro semanas no SLI, em Portugal, Lucas Koehler retorna com o desejo de estudar fora, pesquisar e retribuir ao Brasil o que aprendeu

Um estudante está sentado em uma mesa de trabalho coletiva, utilizando um notebook. Ele veste camiseta preta estampada e crachá azul, com óculos de grau de armação escura. À sua frente, sobre a mesa, há outro notebook fechado, um celular, um par de óculos de sol e duas garrafas brancas de metal. Ao fundo, outros estudantes trabalham em laptops em um ambiente moderno, com paredes decoradas por imagens que remetem ao espaço. A cena registra um momento de concentração durante atividades acadêmicas em grupo.
Lucas durante as atividades do programa em Portugal. (Foto/Arquivo Pessoal)

Após quatro semanas em Portugal, o estudante curitibano Lucas Gabriel Vicari Koehler, 17 anos, do Colégio Elias Abrahão e integrante do Clube de Ciências MBaetaca, retornou com a experiência de participar da 6ª edição do Sustainable Living Innovators (SLI). O programa internacional, realizado pelo Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produto (CEiiA), em Matosinhos (Portugal), reuniu jovens de diferentes países em palestras, mentorias e em um desafio coletivo que simulava uma missão lunar. Nessa atividade, as equipes precisaram desenvolver estratégias de sobrevivência com aplicação prática  também na Terra.

Durante as atividades, os participantes foram organizados em grupos para desenvolver soluções conjuntas aos desafios propostos. A orientação de mentores foi parte essencial nesse processo, somada ao incentivo constante à troca de conhecimentos entre jovens de diferentes áreas. Sintetizando esse aprendizado, Lucas lembra de uma frase que, repetida tantas vezes, acabou se tornando um lema entre os colegas: “Se um ganha, todos ganham. Se um perde, todos perdem.”

Despedida de colegas no encerramento do SLI (Foto/ Arquivo Pessoal)

O interesse de Lucas pela aproximação entre tecnologia e saúde está presente desde a inscrição no programa – quando propôs o uso de tecnologias espaciais para auxiliar na detecção precoce de câncer – e foi reforçado no programa em Portugal. Entre os momentos mais marcantes, ele destaca a oportunidade de acompanhar pesquisadores que atuam com nanotecnologia, por exemplo, aplicada à saúde. O contato direto com especialistas da área tornou mais palpável a percepção de como a inovação pode impactar a medicina e contribuir para salvar vidas. 

Fora da programação formal, a vivência cultural também foi determinante. Lucas lembra das idas ao Jardim do Morro, onde conversava com colegas, turistas e moradores locais, e fez amizades com pessoas de diferentes países. Para ele, circular pela cidade e se deparar com múltiplos idiomas foi transformador: “Gostei muito de poder ter essa liberdade, de passar na rua e escutar inglês, escutar alemão, escutar línguas diferentes e também poder falar línguas diferentes, poder ter essa troca cultural”, contou.

Estudante compartilha vivência com turma em Curitiba (Foto/ Arquivo Pessoal)
Um estudante está sentado em uma mesa de trabalho coletiva, utilizando um notebook. Ele veste camiseta preta estampada e crachá azul, com óculos de grau de armação escura. À sua frente, sobre a mesa, há outro notebook fechado, um celular, um par de óculos de sol e duas garrafas brancas de metal. Ao fundo, outros estudantes trabalham em laptops em um ambiente moderno, com paredes decoradas por imagens que remetem ao espaço. A cena registra um momento de concentração durante atividades acadêmicas em grupo.
Lucas ao lado da professora e da diretora da escola (Foto/ Arquivo Pessoal)

Para a mãe, Tayana Vicari, a vivência no exterior ampliou os caminhos do filho. “As portas do mundo se abriram para ele. Ele sempre quis trazer benefícios às pessoas, e agora terá condições de contribuir de alguma forma para a sociedade”, afirmou. 

Lucas, por sua vez, considera a viagem um divisor de águas em sua formação. Mais do que o aprendizado técnico e as conexões internacionais, voltou decidido a compartilhar o que aprendeu. “Eu tenho muito para oferecer. Minha jornada, quem eu sou, conta muito. Quero estudar no exterior, pesquisar e depois voltar ao Brasil para retribuir o que aprendi, incentivando outros estudantes a acreditar que estudar vale a pena e que é possível conquistar oportunidades”, concluiu o estudante.

Dois projetos foram aprovados na etapa estadual da VI Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente, realizada em Foz do Iguaçu

A imagem mostra um grupo de pessoas sorrindo para a câmera. Ao fundo, há um banner com o logotipo do Governo do Paraná. Trata-se de professores e alunos representantes dos clubes articulados pela Universidade Federal da Confederação Latino-Americana (UNILA). Eles estão posando durante a etapa estadual da VI Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente (CNIJMA).
Professor Ronaldo, articulador institucional do Paraná Faz Ciência pela UNILA, ao lado das alunas e professoras dos clubes (Foto/Arquivo Pessoal)

A VI Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente (CNIJMA) está movimentando jornadas pedagógicas em escolas de todo o país. Dois dos colégios com clubes articulados pela Universidade Federal da Confederação Latino-Americana (UNILA), que estiveram na etapa estadual do evento, foram selecionados para representar o Paraná na fase nacional. Os projetos serão apresentados em Brasília, entre os dias 06 e 10 de outubro.

A temática central da VI CNIJMA é “Vamos transformar o Brasil com Educação e Justiça Climática”. Os trabalhos aprovados para fazer parte da delegação do estado foram produzidos pelos clubes “Exploradores da Ciência”, do Colégio Estadual Campo Castelo Branco, em Pérola D’Oeste; e Lumière”, do Colégio Estadual Gustavo Dobrandino da Silva, em Foz do Iguaçu.

Para a aluna Ana Grasieli Stoll, integrante do clube Exploradores da Ciência, a experiência trouxe muito aprendizado. A estudante esteve em Foz para a etapa estadual do evento, na companhia da professora coordenadora, Silvana Nodari Gindri. O projeto teve como foco o gerenciamento de resíduos sólidos na comunidade escolar. “A principal coisa, o que mais gostei, foi ser escolhida para representar o Paraná, em Brasília”, relata Stoll.

A imagem mostra duas pessoas: uma aluna, de cabelo comprido e liso, e uma professora, de cabelo loiro preso. Ambas sorriem, posando para a câmera. Elas seguram um cartaz com anotações coloridas. Trata-se das representantes do clube “Exploradores da Ciência”, do Colégio Estadual Campo Castelo Branco.
Representantes do clube Exploradores da Ciência (Foto/Arquivo Pessoal)

Sophia Sinigalha, aluna do clube Lumière, compartilha o mesmo sentimento. Ela esteve no evento com a professora coordenadora, Silvia Polla, e a co-orientadora, Elis Padilha, que também representou o Núcleo Regional de Educação (NRE) de Foz. O trabalho abordou os impactos das obras da segunda ponte que une o Brasil e o Paraguai na comunidade Bubas. “Conheci pessoas de vários lugares, aprendi coisas novas e vi de perto como pequenas ideias podem virar grandes projetos”, conta. “Quando anunciaram meu nome na Conferência fiquei muito emocionada.”

A imagem mostra três pessoas ao ar livre, sorrindo. As Cataratas do Iguaçu estão ao fundo e um arco-íris está visível. Trata-se das representantes do Clube Lumière, do Colégio Estadual Gustavo Dobrandino da Silva.
Representantes do clube Lumière (Foto/Arquivo Pessoal)

A Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente é organizada pelo Ministério da Educação (MEC), Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). O movimento também é parte da preparação para a Conferência do Clima (COP30), que será realizada em Belém (PA), entre os dias 10 e 21 de novembro. 

Além de estudantes e professores, a abertura da etapa estadual contou com a presença do diretor-geral brasileiro da Itaipu, Enio Verri; do representante dos ministérios da Educação (MEC), Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Angelo Miranda; do diretor do Departamento de Educação Ambiental e Cidadania, Marcos Sorrentino; do secretário do Desenvolvimento Sustentável do Paraná, Rafael Greca; da chefe do Departamento de Educação Básica, Cristiane Jakymiu; e da coordenadora da Educação Ambiental da SEED/PR, Maria Cristina Bittencourt.

Após um mês em Portugal, Davi compartilha aprendizados no SLI com o projeto da Missão Terraluna

A foto é de Davi Afonso Rezende, de 17 anos, do Colégio Instituto de Educação Estadual de Maringá e do clube Cienteens. Na imagem, vemos um jovem em pé ao ar livre, posando para a foto. Ele tem cabelos escuros e lisos, usa óculos de armação redonda e veste uma camiseta preta com estampa em estilo de pôster antigo, onde aparece um gato vestido de caubói com dois revólveres. Abaixo da ilustração está escrito: "WANTED – DEAD & ALIVE – Schrödinger’s Cat – Reward $5,000". Por baixo da camiseta preta, ele usa uma blusa de manga longa cinza. Ao fundo, há árvores verdes, céu azul com algumas nuvens, transmitindo um ambiente ensolarado e agradável.
Foto do clubista Davi Angelo Rezende, de 17 anos, do Colégio Instituto de Educação Estadual de Maringá e do clube Cienteens (Foto/ Arquivo pessoal)

No início de agosto, a 6ª edição do Programa SLI (Sustainable Living Innovators) foi encerrada em uma cerimônia realizada no Centro de Engenharia e Desenvolvimento (CEiiA) – em Matosinhos (Portugal) –, parceiro da Fundação Araucária. Os 10 estudantes brasileiros, sendo cinco de Ensino Médio e participantes de clubes de ciências da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, e os demais cinco, universitários, bolsistas em iniciação científica, estiveram durante um mês no país europeu. O intuito do Programa é desenvolver nos jovens conhecimentos técnicos e comportamentais para realizarem uma proposta de base lunar habitável.

O aluno Davi Angelo Rezende, de 17 anos, do Colégio Instituto de Educação Estadual de Maringá e membro do clube Cienteens foi um dos selecionados para participar do programa e voltou para a casa muito feliz com todos os aprendizados recebidos. “Gostaria que todos os jovens tivessem essa oportunidade: experimentar a independência que o programa proporciona, mas também o apoio de profissionais e o trabalho em equipe constante. O diálogo era permanente, seja nas atividades, em casa ou na rua. Foi uma das vivências mais intensas e enriquecedoras da minha vida, com impacto pessoal e acadêmico profundo”, conta.

Segundo o estudante, seu cotidiano era organizado em palestras, workshops, desenvolvimento de projetos em equipe e apresentações. “As palestras aconteciam em salas específicas ou no próprio espaço de trabalho, e envolviam participação ativa. No desenvolvimento de projetos, dividimos tarefas usando um Kanban Board – uma ferramenta visual utilizada para gerenciar projetos e fluxos de trabalho. Também tínhamos pitches [apresentações] rápidos e reuniões de alinhamento com os comitês”, explica.

Para além das atividades nos edifícios, os jovens brasileiros e portugueses visitaram a Universidade do Minho, exploraram laboratórios e tiveram experiências na BEN4US – um projeto desenvolvido pelo CEiiA junto de outros parceiros, focado em mobilidade sustentável -, onde os estudantes testaram veículos elétricos de mobilidade compartilhada. Davi relata que além do programa durante a semana, após as atividades, costumava sair com amigos ou sozinho para conhecer o Porto, os shoppings, as praias e pontos turísticos. Mas, sempre voltava para casa à noite, revisava as tarefas e se organizava para o próximo dia.

Entre os pontos que mais chamou a atenção do estudante está a confiança e independência concedida aos participantes. “Havia liberdade para pensar por conta própria, mas também incentivo para compartilhar ideias e discuti-las. O nível dos profissionais, sempre acessíveis e dispostos a ajudar, foi impressionante!”, relembra o aluno. Além disso, o investimento no programa, a diversidade de pessoas e a intensidade dos aprendizados são outras questões que surpreenderam o jovem.

Para o tema central do SLI: a Missão Terraluna, os participantes foram divididos em quatro equipes com a repartição das temáticas fundamentais para a exploração lunar: construção, energia, mobilidade e saúde/qualidade de vida. Segundo o estudante, o projeto foi pensado para se estabelecer na cratera Faustini, no Polo Sul da Lua, região estratégica por abrigar gelo de água. “O objetivo era criar um habitat sustentável capaz de manter quatro astronautas por dez dias, assegurando a sobrevivência e as condições adequadas de pesquisa científica”, explica.

Na imagem, vemos um grupo de sete jovens posando juntos e sorridentes em frente a um painel com o logotipo do SLI – CEiiA New Space PT. Todos estão usando camisetas pretas com uma estampa colorida que remete ao espaço, reforçando o tema científico e tecnológico do projeto. Na parte de trás, o painel traz um círculo grande com nomes de instituições e empresas parceiras. O grupo está organizado em duas fileiras: quatro pessoas em pé atrás e três agachadas na frente, todos transmitindo energia positiva e espírito de equipe. O cenário sugere que eles participam de uma iniciativa voltada para ciência, tecnologia e exploração espacial
Foto de jovens que fizeram parte da equipe ObserBase – entre eles Davi, responsáveis pela construção de uma base lunar (Foto/ Arquivo Pessoal)

A equipe de Davi, a ObserBase, ficou responsável pela construção. Para isso, eles pesquisaram técnicas atuais de impressão 3D com regolito lunar (que é uma camada de material que cobre a superfície da Lua). O estudante também explica que eles estudaram métodos de soterramento para isolamento contra radiação, sistemas insufláveis habitáveis e organização de túneis para mobilidade. 

O jovem explica que eles contaram com o apoio de empresas, como Grupo Casais e da Universidade do Minho, para fundamentar a viabilidade técnica do projeto. Ele explica que “as ideias foram estruturadas em etapas: idealização, prototipagem conceitual e desenvolvimento de relatórios técnicos, com apresentações e feedbacks constantes dos mentores”.

A base que eles estavam estruturando abrigava laboratórios de geologia, física, química e biologia, além de áreas para telecomunicações, estufa, dormitórios, enfermaria, sala de convivência, ginásio e sistemas de suporte de vida (ECLSS). O aluno conta que incluíram soluções para extração de gelo lunar com o objetivo de terem água. E também, sistemas de ventilação, de iluminação, estufa para cultivo de alimentos e reciclagem integrada.

De volta a casa, o clubista conta o misto de emoções que viveu, entre saudade e gratidão. “Saudades das pessoas, da rotina intensa e do projeto que parecia muito maior do que nós mesmos. E a gratidão por ter vivido algo tão transformador em tão pouco tempo. Hoje tenho a certeza de que a vida é feita desses momentos que mudam silenciosamente o rumo da gente”. Entre as melhores aprendizagens, o estudante expõe o impacto dos laços que nasceram no programa e, para além das ideias que surgiram em relação ao futuro, a coleção de memórias está em destaque. “Essas nunca mais se repetirão e eu carregarei comigo para sempre”, conclui.

Dez colégios com clubes de ciências realizaram as conferências na região

Oito estudantes posam segurando uma faixa branca com os dizeres: “VI Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente – Vamos transformar o Brasil com Educação e Justiça Climática”. Ao fundo, há uma parede repleta de desenhos coloridos feitos à mão, com elementos da cultura pop, flores, animais e frases diversas. A sala é iluminada por luz natural que entra pela janela à direita da imagem. Os alunos e alunas estão sorrindo levemente e demonstram orgulho por participarem da conferência.
Estudantes do Colégio Estadual do Campo da Paz durante a VI Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente. (Foto/Arquivo Pessoal)

Durante os meses de junho e julho, colégios da região Centro-Sul do Paraná promoveram a VI Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente (CNIJMA), uma iniciativa do Ministério da Educação e do Ministério do Meio Ambiente voltada a estudantes do Ensino Fundamental II e Ensino Médio. Com o tema “Vamos transformar o Brasil com Educação e Justiça Climática”, a Conferência busca engajar os alunos em debates e propostas sobre educação ambiental e justiça climática por meio de pesquisas e ações concretas voltadas às questões socioambientais.

Dez colégios com clubes de ciências da região estão participando da etapa regional da conferência. As escolas são de Guarapuava, Candói, Turvo, Prudentópolis, Boa Ventura de São Roque e Cantagalo. Cada uma delas está adotando metodologias próprias para trabalhar os temas com os alunos.

A VI Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente ocorre em quatro etapas: a primeira é a escolar, na qual cada escola desenvolve projetos com seus alunos. Em seguida vem a etapa regional, que seleciona as melhores propostas de cada região. As escolas finalistas participam da etapa estadual, e, por fim, os projetos vencedores de cada estado avançam para a fase nacional, que será em Brasília.

Na região Centro-Sul do Paraná, os colégios contam com o apoio da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), que atua diretamente no desenvolvimento de ações por meio de projetos voltados ao protagonismo juvenil e à popularização da ciência. Entre essas iniciativas estão o Pacto Global de Jovens pelo Clima, projeto de abrangência internacional que envolve 11 estados brasileiros; a Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, que envolve 30 escolas em 17 municípios da região; e o projeto Nós Propomos! Unicentro: Juventude educando-se na/com a cidade, também de alcance internacional, presente em 16 estados do país, coordenado pelo Grupo de Pesquisa e Extensão Educação Geográfica e Cartografia para Escolares, o EducartGeo.

CONFERÊNCIAS

Em Guarapuava, no Colégio Estadual Cristo Rei, a professora Crissiane Loyse Luiz, responsável pelo Clube de Ciências “Velozes e Curiosos”, organizou uma feira de apresentação dos trabalhos desenvolvidos pelos alunos. A atividade teve como objetivo mobilizar os estudantes quanto ao debate sobre as formas de mitigação da mudança climática através do cuidado com as abelhas nativas do Brasil e a manutenção da biodiversidade. Para a professora Crissiane, a apresentação é fundamental no desenvolvimento dos trabalhos. “Os alunos acabaram trazendo muitas ideias e materiais que eles mesmos confeccionaram, e as pesquisas já estavam em andamento, já estavam organizados”, destacou.

A estudante Luiza Mazur, de 11 anos, faz parte do clube e apresentou seu trabalho na feira. Para ela a conferência foi uma experiência muito enriquecedora. “Foi a minha primeira apresentação sobre as abelhas e o meio ambiente. Foi bem legal, um sentimento novo. Eu gostei bastante de participar da Conferência, porque abre novas portas e é uma oportunidade de conscientizar outras crianças sobre as abelhas”, comenta.

Luiza Mazur e seus colegas apresentando o trabalho sobre a rede de interação das abelhas durante a VI Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente no Colégio Estadual Cristo Rei. (Foto/Arquivo Pessoal)

Já no Colégio Estadual Padre Chagas, também em Guarapuava, o professor Emerson de Souza Gomes, responsável pelo clube “EcoCientistas Visionários”, coordenou uma atividade que envolveu seis grupos de alunos, cada um abordando uma temática ligada à justiça climática, como saneamento básico, resíduos sólidos, drenagem, inundação e insegurança alimentar. 

A dinâmica proposta pelos estudantes foi aplicada às turmas dos sétimos e oitavos anos e começou com apresentações introdutórias dos clubistas. A partir dessas exposições, os alunos das turmas formaram grupos e criaram um “Muro das Lamentações”, onde registraram problemas ambientais que conhecem, vivenciam ou identificam nas falas dos colegas. Em seguida, a atividade evoluiu para a construção da “Árvore dos Sonhos”, onde os estudantes escreveram em folhas suas propostas de solução para esses problemas, criando, assim, uma trilha simbólica que liga os desafios às ações necessárias para superá-los e alcançar um futuro mais sustentável. 

Para a estudante do clube, Laura Maria Polli, de 14 anos, essa troca de experiências com os alunos de outras turmas é essencial para a sua formação. “A gente está aprendendo com eles, porque eles trouxeram ideias que talvez não tivéssemos pensado. Para mim, me ajuda muito para agregar conhecimento”, contou.

Laura Maria Polli (14) e Clara dos Santos de Cristo (15) construindo o “Muro das Lamentações” durante a VI Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente no Colégio Estadual Padre Chagas. (Foto/Mathias Trindade)

No Colégio Estadual Heitor Rocha Kramer, em Guarapuava, a professora Daniele Kosmos coordena o Clube de Ciências “EcoTransformadores”. Os clubistas decidiram fazer uma apresentação para os alunos dos oitavos e nonos anos do colégio explicando sobre as mudanças climáticas, aquecimento global e justiça climática. Em seguida, os alunos apresentaram o projeto do Clube, “Rua Sustentável”, que propõe ações para melhorar a qualidade das ruas do bairro Colibri, próximo ao colégio. A proposta foi tornar uma rua-modelo no bairro, um exemplo de sustentabilidade, refletindo o que foi discutido em sala. Para a professora Daniele, a conferência tem papel central para a formação dos estudantes. “É uma oportunidade de ir além do conteúdo da sala de aula e mergulhar diretamente na vivência cidadã e crítica”.

Já os alunos do Colégio Estadual Professor Amarílio, também em Guarapuava, fizeram uma análise dos problemas do cotidiano escolar em conexão com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), utilizando textos de apoio e dinâmicas em grupo. Em seguida, os alunos do Clube de Ciências “EcoCriativos”, com a supervisão do professor responsável, Doacir Domingos Filho, se organizaram em torno de temas como descarte incorreto de resíduos, desperdício de água, uso excessivo de energia elétrica e falta de aproveitamento de materiais recicláveis. E então elaboraram propostas de ações para resolver esses problemas.

Com foco na importância das abelhas para o equilíbrio ambiental e sua relação com o combate às mudanças climáticas, os alunos do Colégio de Educação Integral Professor Pedro Carli, em Guarapuava, apresentaram os trabalhos desenvolvidos no Clube de Ciências “Climatize-se”, organizado pela professora Katiane dos Santos, para turmas do Ensino Fundamental II da escola.

Após as apresentações internas, os projetos foram integrados e exibidos para a comunidade no evento de Culminância das Eletivas, uma feira realizada no colégio no dia 8 de julho, que reuniu toda a comunidade escolar para conhecer os trabalhos desenvolvidos nas disciplinas eletivas e nos clubes de aprendizagem.

Clubista do Colégio de Educação Integral Professor Pedro Carli apresentando seu trabalho sobre o desenvolvimento das abelhas durante a VI Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente. (Foto/Mathias Trindade)

Em Candói, os estudantes do Colégio Estadual do Campo da Paz participaram das atividades sob a orientação do professor de Biologia, Daniel Mazurek, e da professora Leonara Forquim de Mattos, responsável pelo clube “Identidades em Construção”. Os clubistas fizeram uma apresentação sobre educação ambiental, crise climática e racismo ambiental para todos os estudantes do Ensino Fundamental II. Ao final, os alunos propuseram ações para resolver os problemas discutidos.

No Colégio Indígena Cacique Otávio dos Santos, localizado na Terra Indígena Marrecas, em Turvo, as atividades da Conferência foram organizadas em três momentos. Durante uma manhã, professores de diferentes disciplinas e alunos apresentaram os projetos e ações já desenvolvidos no Clube de Ciências “Pỹnfīfī”, com foco em temas como desmatamento e a relação dos povos originários com o meio ambiente. As apresentações envolveram turmas desde as séries iniciais até o Ensino Médio. Em seguida, foi realizado um diagnóstico socioambiental da escola, refletindo sobre os principais desafios enfrentados e as possibilidades de transformação do espaço escolar. Por fim, os estudantes participaram de rodas de conversa, onde puderam trocar ideias e propor ações voltadas à melhoria da realidade local.

Segundo o professor responsável pelo clube no colégio, Luan Felipe de Lima, o envolvimento dos estudantes tem sido essencial. “Eles são muito engajados, então as propostas saem. Acredito que vai sair bastante coisa. Espero que os alunos, principalmente os do Ensino Médio que estão adentrando em uma faculdade, consigam espalhar essas vivências que eles têm para o pessoal da cidade”, afirmou.
No Colégio Estadual Adonis Morski, em Boa Ventura de São Roque, os alunos do Clube de Ciências “Adonis com Ciência” foram organizados em grupos temáticos, como desmatamento, energias renováveis, racismo ambiental e resíduos sólidos, e realizaram pesquisas orientadas pela professora Juliana Aparecida Ghiotto. A partir disso, a proposta foi criar conteúdos digitais, como vídeos e podcasts. Segundo a professora Juliana, os alunos demonstraram um grande interesse pela atividade. “A proposta de utilizar as redes sociais como ferramenta educativa despertou entusiasmo, pois dialoga com a realidade deles”, completa.

Estudantes no processo de criação de conteúdos digitais na VI Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente no Colégio Estadual Adonis Morski. (Foto/Arquivo Pessoal)

Em Prudentópolis, os alunos do Colégio Estadual Alberto de Carvalho foram organizados em cinco grupos pela professora Mariel Guil Chociai, responsável pelo Clube de Ciências Quatro Elementos, com diferentes eixos temáticos. Cada grupo trabalhou com um eixo diferente relacionado à justiça climática. Após essa divisão, foram realizados debates e identificados os problemas ambientais do município. Entre as ações discutidas, destacou-se o reflorestamento de nascentes urbanas, iniciativa que saiu do papel e foi concretizada em uma atividade prática de campo, envolvendo os próprios estudantes.

No Colégio Estadual Professora Elenir Linke, em Cantagalo, a Conferência foi dividida em dois momentos. Pela manhã, os alunos participaram de palestras com a professora e doutora Sílvia Romão e com a própria professora responsável Luana Almeida Pereira, que abordaram os temas “Meio Ambiente e Qualidade de Vida” e “justiça climática”. No período da tarde, os estudantes, do sexto ao nono ano, se organizaram em grupos mistos para desenvolver projetos, que foram apresentados ao final do dia. O projeto mais votado foi escolhido para representar a escola na etapa regional. Os alunos do Ensino Médio, integrantes do Clube de Ciências “Discípulos de Pasteur”, atuaram como monitores na organização do evento.

A VI Conferência Infantojuvenil pelo Meio Ambiente é uma iniciativa que promove e desenvolve o pensamento crítico e científico dos estudantes, por meio das atividades práticas propostas pelos professores. Além de fortalecer a cidadania ativa e ambiental, consolidando o papel da escola de Ensino Básico na formação de lideranças conscientes e engajadas frente à crise climática.
Acompanhe mais atividades dos Clubes de Ciências pelo Instagram da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência @clubesparanafazciencia e pelo site Paraná Faz Ciência.

No relato, a clubista ligada à UNIOESTE conta sobre sua participação no evento na Europa que durou 30 dias

Laura (16 anos), foi uma das alunas selecionadas no Paraná, pelo Colégio CEEP Pedro Boaretto Neto, de Cascavel, no Sustainable Living Innovators (SLI). Ela integrou a equipe que embarcou do Brasil até outro continente para uma aventura científica em Portugal. Na foto é possível vê-la sentada em frente ao computador, discutindo com outro integrante sobre o tema de trabalho da equipe.
a aluna de clube de ciências de Cascavel – Laura Matos Stein – durante o programa SLI, em Portugal (Foto/ Arquivo pessoal)

Chegou ao fim a 6ª edição do Sustainable Living Innovators (SLI), programa realizado em Portugal que busca promover jovens do Ensino Médio e universitários em agentes de transformação a partir da tecnologia. Com isso, chega ao fim também a aventura de Laura Matos Stein, de 16 anos, aluna do Centro Estadual de Educação Profissional Pedro Boaretto Neto, de Cascavel, como integrante do grupo de alunos brasileiros que embarcou rumo a outro continente para esta grande aventura científica.

Laura Stein, uma das representantes do Paraná dentre os alunos clubistas da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, pela rede pública do estado, destaca a experiência e um pouco do que viveu. “A viagem para Portugal foi simplesmente incrível, uma experiência única e profundamente enriquecedora! Vou levar para minha vida toda, com muito carinho e aprendizado. A recepção foi excelente! Desde o primeiro momento, senti-me extremamente bem-vinda e acolhida”, diz.

A clubista conta que durante a participação no Programa, os integrantes foram divididos em quatro grandes áreas de atuação, sendo elas: Mobilidade, Saúde e Bem-Estar, Construção e Energia. Ela fez parte da equipe Energia. “Nossa missão era desenvolver soluções para a construção de uma base lunar capaz de sustentar uma missão inicial de sete dias. O foco principal foi estudar soluções para geração de energia solar com painéis retráteis, aproveitando ao máximo as condições desse período”, explica a clubista. 

Houve também uma solução complementar: o uso de reatores nucleares de fissão. “Essa opção visava garantir fornecimento contínuo de energia, mesmo durante a noite lunar, ou em caso de falhas nos painéis solares. Essa combinação trouxe mais segurança, resiliência e flexibilidade para a operação da base”, descreve  Laura.

Integrantes da equipe Energia durante a apresentação final no SLI (Foto/ Arquivo pessoal)

De volta à casa, Laura destaca que a ida a Portugal foi uma experiência agregadora, que permitiu contato com novas ideias e culturas. A vivência serviu para ampliar os conhecimentos sobre a lua e fortalecer habilidades de trabalho em equipe, como a colaboração e a adaptação, agregando à estudante tanto no aspecto profissional, quanto no pessoal, deixando um grande impacto positivo na sua trajetória.

“Hoje, volto com a certeza de que todo esse aprendizado está pronto para ser colocado em prática em projetos futuros, sempre com foco em inovação e sustentabilidade”, finaliza a estudante Laura.
A apresentação final dos trabalhos em Portugal foi transmitida e segue gravada no link Projeto Terraluna – SLI 2025 . As atividades dos Clubes de Ciências podem ser acompanhadas também pelo Instagram da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência @clubesparanafazciencia e aqui no site do Notícias – Paraná Faz Ciência.

Clubista do Colégio Estadual Padre Chagas foi uma das cinco paranaenses selecionadas para o intercâmbio científico, onde desenvolveu soluções para uma base lunar

A fotografia mostra uma jovem de cabelos longos e castanhos, usando óculos e camiseta branca com estampa colorida, sentada em uma mesa redonda e trabalhando em um notebook preto. À frente dela, há outro notebook aberto com uma tela clara. No fundo, outras pessoas também trabalham em computadores. Na parede, há um grande painel com o logotipo do programa “SLI – CEiiA New Space PT”, em um fundo que lembra o espaço sideral, com estrelas e planetas.
Rafaela Zerbielli, de 16 anos, durante a 6ª edição do Programa Sustainable Living Innovators (SLI), que ocorreu entre os dias 14 de julho a 8 de agosto. (Foto/ Arquivo Pessoal)

No dia 8 de agosto, chegou ao fim a sexta edição do Programa Sustainable Living Innovators (SLI), em Portugal. Entre os cinco estudantes paranaenses selecionados para o programa internacional, esteve Rafaela Zerbielli, de 16 anos, estudante do Colégio Estadual Padre Chagas, de Guarapuava, e integrante do clube de ciências “EcoCientistas Visionários’’,  vinculado à Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro).

Com o tema “Da Lua para a Terra – Como é que as tecnologias de exploração lunar podem melhorar a vida na Terra”, Rafaela e seus colegas brasileiros e portugueses desenvolveram o conceito de uma base lunar. A proposta final do projeto era apresentar  soluções para viabilizar futuras colônias humanas na Lua.

A estudante embarcou para Portugal no dia 10 de julho, e as atividades do intercâmbio começaram no dia 14. Segundo Rafaela, ao chegar ao país, ela ficou impressionada com a receptividade e o preparo dos portugueses e dos demais participantes. “Todos pareciam extremamente aptos para o programa, trazendo ideias inovadoras e um entusiasmo contagiante. Foi bem legal perceber que apesar das diferenças culturais, todos compartilhavam o mesmo objetivo de criar algo grandioso juntos”, relatou.

Durante o programa, os 29 participantes foram divididos em quatro grupos temáticos: saúde e bem estar, construção, mobilidade  e energia. Rafaela integrou a equipe de saúde e bem-estar, responsável por desenvolver soluções voltadas ao cuidado dos astronautas na missão lunar. Cada grupo trabalhou em soluções específicas dentro de sua área, e a entrega  final do programa foi a criação de uma base lunar funcional que,  futuramente,  pudesse viabilizar colônias humanas na Lua, um resultado final que uniu as ideias elaboradas por todos os participantes.

Para Rafaela, a visita aos centros de pesquisa ligados à exploração espacial foi uma das atividades mais marcantes do programa, por proporcionar contato direto com protótipos e simulações. “Estar diante de tecnologias reais, que hoje estão em fase de estudo, mas amanhã poderão estar no espaço, foi como ver o futuro diante dos meus olhos.”

Rafaela Zerbielli: “O momento mais marcante foi quando recebemos os diplomas de Innovators, representou todo o nosso esforço, dedicação e aprendizado ao longo de um mês intenso” (Foto/Reprodução YouTube)

A estudante também destacou o aprendizado em áreas como engenharia e arquitetura espacial, métodos de geração de energia em ambientes extremos, mobilidade em terrenos lunares e cuidados com a saúde humana em condições adversas. Mais do que o conhecimento técnico, Rafaela valoriza as competências desenvolvidas ao longo do intercâmbio. “Destaco principalmente as habilidades de trabalho colaborativo internacional e em gestão de projetos científicos complexos, como as que eu desenvolvi lá, pois a organização do programa inteiro se baseava nisso. Então posso dizer que essas habilidades, por conta da estrutura do programa, foram muito bem aprimoradas”, contou.

O Programa Sustainable Living Innovators (SLI),  foi oferecido por meio de uma parceria entre a Fundação Araucária e o Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produto (CEiiA), de Portugal. A iniciativa foi oferecida a estudantes dos segundos e terceiros anos do ensino médio que fazem parte dos Clubes de Ciência da Rede de Clubes Paraná faz Ciência, além de outros cinco universitários cursando os dois anos iniciais da graduação e matriculados em projetos de iniciação científica.

De volta a Guarapuava, Rafaela já planeja aplicar uma das maiores lições que ela adquiriu durante o programa no dia a dia do clube de ciências: a importância do trabalho colaborativo e multidisciplinar. “No clube de ciências, pretendo incentivar ainda mais essa dinâmica, mostrando que ideias diferentes se complementam e podem gerar soluções muito mais criativas e eficazes”, defende a clubista.

Além do trabalho colaborativo, a clubista pretende compartilhar os conceitos de sustentabilidade e inovação que aprendeu. “Aprendemos que tecnologias pensadas para um ambiente extremo, como a Lua, podem ser adaptadas para melhorar o cotidiano aqui na Terra. Acredito que levar essa visão para meus colegas e para a comunidade pode inspirar projetos voltados para questões nossas,  aqui mesmo de Guarapuava, como, por exemplo, o uso mais consciente da água, a geração de energia limpa e a construção de soluções simples, mas inovadoras, voltadas aos problemas do dia a dia”, comentou Rafaela.
Acompanhe mais atividades dos Clubes de Ciências pelo Instagram da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência @clubesparanafazciencia e pelo site Paraná Faz Ciência.

Os clubistas do Distrito de Congonhas puderam conhecer diversos projetos no Campus Cornélio Procópio da UENP

Grupo de estudantes com professor em atividade no meliponário UENP(Foto/ Ana C. Amaral)

A temática central é a preservação da água. Está localizado no distrito de Congonhas, ligado ao município de Cornélio Procópio, e é parte do Colégio Estadual Dulce de Souza Carvalho: esse é o clube de ciências “Água Limpa”. 

As atividades de pesquisa do clube colocam os clubistas em contato com conhecimentos de conservação ambiental e com o reconhecimento de direitos alinhados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável formulado pelas comissões da Organização das Nações Unidas (ONU). Especificamente os ODS número 6 – água potável e saneamento – e o de número 14 – Vida na água. Ambos visam garantir água limpa para as próximas gerações. 

O coordenador do clube, professor Sérgio Augusto Pereira, docente de Geografia e doutorando em pesquisas sociogeográficas, busca ampliar os horizontes dos alunos e as possibilidades da preservação da água no Norte Pioneiro do Paraná. Uma dessas atividades foi a visita para conhecer projetos educacionais e científicos da UENP (Universidade Estadual do Norte do Paraná), campus Cornélio Procópio. Estiveram no planetário, no meliponário, na horta e nos laboratórios de ensino do curso superior de Ciências Biológicas. A visita aconteceu no dia 27 de junho de 2025, no período vespertino. A equipe UENP ligada à Rede de Clubes Paraná Faz Ciência recebeu os clubistas, sendo o grupo formado pelo professor Dr. Rodrigo Poletto, os bolsistas pedagógicos Maria Eduarda Diniz e Thiago Ezídio, além da bolsista de comunicação, Ana Caroline Amaral.

Planetário UENP (Foto/ Ana C. Amaral)

A sessão no planetário mostrou a composição do Sistema Solar e suas características, proporcionando aos clubistas uma imersão que auxilia no desenvolvimento de ideias concretas dentro do campo da astronomia.

Clubistas observam abrigo de abelhas em meliponário (Foto/ Ana C. Amaral)

Já no ambiente externo, o meliponário construído no campus conta com várias espécies de abelhas nativas, cultivadas com intuito pedagógico, para demonstrar a importância ecológica das abelhas. Neste momento os clubistas puderam também expor seus conhecimentos prévios, já que vindos de áreas rurais, têm contato direto com diversos tipos de animais. Já na horta, o enfoque foi sobre as plantas alimentícias não convencionais, as famosas PANCs, que ilustram a importância das diversas heranças culturais sobre alimentação no país.

Clubistas assistem explicação sobre horta orgânica (Foto/ Ana C. Amaral)

No laboratório de Zoologia foi possível observar diversas espécies de animais, desde pequenos vermes achatados até as vértebras da coluna de uma baleia. O professor Rodrigo Poletto ainda contou aos estudantes sobre a rotina de estudos nos laboratórios de Zoologia e de Botânica do curso de ciências biológicas.

Clubistas e bolsistas no laboratório de Zoologia (Foto/Ana C. Amaral)

Com as ampliações de programas e políticas educacionais, alinhados aos incentivos voltados à ciência como o da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, está sendo possível mudar a realidade de quem mora no interior, ao oferecer a oportunidade de continuidade os estudos em uma universidade de qualidade, sem que seja necessário ir para uma grande capital.