Clubista conta sobre sua trajetória, desafios e aprendizados ao participar do projeto internacional com apoio da Fundação Araucária

A experiência de desenvolver um projeto inovador que une ciência, criatividade e sustentabilidade para levar energia limpa tanto à Terra quanto à Lua levou Renan Ulisses Galdino para um programa de mobilidade internacional, em Portugal. Aluno do Colégio Estadual Professora Tereza da Silva Ramos em Matinhos, ele faz parte do Clube de Ciências do Tereza, orientado pelo professor Jean Carlo.
O trabalho desenvolvido por Renan leva o nome de “Lux” e foi criado com a proposta de aproveitar movimentos naturais do ambiente — como as ondas do mar ou vibrações no solo — para gerar energia elétrica através da indução magnética. O projeto ficou em primeiro lugar na Feira de Ciências Regional do Litoral do Paraná na categoria “Desenvolvimento Tecnológico e Iniciação à Pesquisa” e foi um dos cinco escolhidos para a 6ª edição do Programa Sustainable Living Innovators (SLI), em Matosinhos, na região metropolitana do Porto. Entre os dias 14 de julho a 08 de agosto, os alunos tiveram palestras, atividades e desafios complexos voltados para o desenvolvimento das gerações mais jovens como propulsoras da construção de um futuro mais próspero e sustentável.
Após retornar de sua primeira experiência internacional, Renan contou um pouco sobre sua trajetória ao receber a confirmação de que tinha sido aprovado, a reação da família e seus próximos passos.“Primeiro, fui olhar meu e-mail para ver se havia alguma novidade. Eu já tinha passado para a segunda fase da entrevista e, ao abrir, vi a aprovação no programa SLI. No início, não caiu a ficha — foi aquele momento em que você não acredita de primeira. Depois, veio a euforia: arrumar passaporte, preparar a mala e correr com todos os detalhes da viagem”, comenta.
Para Renan, a confirmação real de que tudo estava acontecendo veio apenas quando ele esperava o ônibus para ir até Curitiba e, então, embarcar para Portugal. Ao chegar lá, ele relata que a convivência com o grupo foi divertida, com muitas piadas e momentos engraçados desde o primeiro contato. “Ao chegar, fiquei impressionado com a beleza da cidade. Para uma primeira viagem, foi uma experiência incrível. Participamos de uma cerimônia de abertura e já no dia seguinte pudemos explorar o local. Visitamos muitos lugares, incluindo o Gaia, um mirante famoso pelo pôr do sol. No outro dia, conhecemos shoppings e outros pontos turísticos. Alguns colegas chegaram a visitar cidades mais distantes, enquanto eu explorei bastante a região do Porto”, conta Renan.

Durante a semana, Renan relata que as atividades seguiam uma rotina: palestras pela manhã, almoço e atividades pela tarde. “Fomos divididos em equipes para desenvolver um único projeto dentro da missão ‘Terra Luna’, que tinha como objetivo criar um ecossistema sustentável para que astronautas pudessem explorar a Lua com segurança e conforto”, explica o clubista.
As equipes foram separadas em quatro áreas: energia, construção, mobilidade e saúde. Renan ficou no time de energia, que desenvolveu um sistema de painéis solares retráteis. “Eles eram instalados na superfície lunar, elevavam-se até certa altura e se abriam para captar o máximo possível de luz solar. Possuíam limpeza por eletrostática, painel de gestão com inteligência artificial e outros recursos. Como plano B, projetamos também um reator nuclear de fissão baseado no Kilopower, da NASA”, relata.
Os grupos também criaram contas no Instagram, nas quais compartilharam um pouco sobre o trabalho feito e vídeos com momentos descontraídos. A equipe de Renan foi nomeada “Zenith Energy Inovations” (@zenith_energy_ no Instagram).
Além dos brasileiros, o projeto também contou com estudantes portugueses, tanto do ensino secundário quanto universitários. Perguntado sobre como foi a convivência, Renan responde que todos aprenderam a trabalhar juntos, mesmo sendo de contextos diferentes, e conseguiram desenvolver um projeto em conjunto.

“O que levo de positivo dessa experiência é a capacidade de ser eficiente trabalhando com pessoas que acabei de conhecer e de colaborar para alcançar um objetivo comum”, defende o jovem. “Minha inscrição no programa começou com incentivo de outras pessoas que acreditavam que eu tinha potencial. Desenvolvi o projeto com apoio e sugestões até chegar à versão final enviada para a inscrição.”
Sobre a reação da família, Renan diz que nunca tinha vivido nada parecido, então todos ficaram muito felizes e orgulhosos, especialmente sua mãe. Quanto ao futuro, ele pensa em criar algo parecido na área de tecnologia para apresentar em outra feira de ciências, como a do Litoral, marcada para os dias 2 a 4 de dezembro, em Matinhos. O estudante do 2º ano do Ensino Médio ainda não sabe o que pretende cursar, mas com certeza sabe que quer continuar na área de tecnologia e desenvolver mais projetos inovadores.

No Colégio Branca da Mota Fernandes, os estudantes pretendem realizar um foguete de garrafa PET

O Clube Paulo Sérgio Bretones, do Colégio Estadual Branca da Mota Fernandes, em Maringá, está animado com os planos de construir um foguete com garrafa pet. Composto por 29 estudantes do sexto ao nono ano, o clube se reúne todas as quartas-feiras, das 10h15 às 12h45, com o objetivo de estudar astronomia e iniciação científica.
A maioria dos participantes são meninas, mas o clube é composto por meninos também. Os estudantes decidiram homenagear o astrônomo Paulo Sérgio Bretones ao nomear o clube. Ele foi um nome importante na astronomia brasileira ajudando a difundir o ensino. “Ele faleceu ano retrasado (2023) e nós fizemos essa homenagem”, conta a professora coordenadora do clube, Telma Augusta Diniz.
A dinâmica do clube varia conforme a temática estudada. Existem momentos em que a prática é realizada primeiro, com propostas de desafios para os estudantes pensarem em casa e trazerem na próxima aula. A professora Telma chama de ‘sala de aula invertida’. “Quando a gente trabalhou sobre o primeiro homem a orbitar a Terra, por exemplo, eles tiveram que pesquisar em casa para entenderem melhor o que a gente ia trabalhar em sala”, explica. Ela busca também diversificar os meios de aprendizagem. “Eu trabalho muitos vídeos, animações e simulações”, complementa.
O clube desenvolve uma proposta em parceria com o clube das EstrELAS – um projeto de extensão do Polo Astronômico da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), no câmpus de Campo Mourão. Essa iniciativa visa incentivar mais meninas e mulheres no campo das ciências exatas. “O foco principal das EstrELAS é a mulher na ciência e o nosso [Clube Paulo Sérgio Bretones] é a alfabetização científica”, define a professora Telma. A coordenação do clube EstrELAS fica a cargo da professora Dra. Camila Maria Sitko, da UTFPR.

No ano passado, em razão da licença especial, a professora Telma esteve afastada por três meses do clube. Os alunos então estudaram de forma mais teórica o sistema solar e o ângulo necessário para a construção de foguetes de canudo, com as aulas do professor de matemática, Julio Marcos Correia, responsável pelo clube neste período.
Com o retorno da professora às atividades, um dos exercícios realizados envolveu a importância da data comemorativa dos 64 anos do primeiro humano a orbitar a Terra, o astronauta russo Yuri Gagarin. Foram confeccionados os foguetes de canudos, uma atividade prática que envolveu, inclusive, uma competição entre os estudantes.
A professora Telma também retomou o tema do sistema solar nas aulas, refletindo sobre as características dos corpos celestes. Como atividade prática, eles criaram um jogo da memória: os estudantes pintavam e recortavam os papéis com os desenhos dos planetas e depois cada carta foi plastificada. “Os alunos criaram dicas para a dinâmica do jogo, por exemplo, ‘é o maior planeta do sistema solar’, e quem joga tem que achar entre os desenhos ali dispostos. Em caso de erro, são estimulados a explicar porque estava incorreto”, diz Telma.
O professor Julio colaborou também em um trabalho interdisciplinar envolvendo astronomia, matemática e física. Ele explicou escala e eles tiveram que resolver a seguinte situação: representar o Sol em escala usando uma bola de Pilates de 85 cm de diâmetro. O objetivo era entender como as escalas ajudam a visualizar dimensões astronômicas em objetos do nosso cotidiano.
A partir dessa escala, eles fizeram os tamanhos proporcionais de cada planeta do sistema solar, criando um modelo 3D. “Os estudantes utilizaram material reciclável, massinha de modelar, papel de revista e fita crepe para construir os planetas. Depois, forraram as peças com papel alumínio” explica a educadora responsável pelo clube.
Ao final, ainda surgiu uma questão: “como criar os anéis de Saturno?”. Os estudantes ficaram com esta tarefa de casa. A provocação nessa atividade é que os anéis de Saturno flutuam em torno do planeta, logo eles deveriam pensar em como construir uma réplica em que esses anéis ficassem também flutuantes ao redor de Saturno, sem tocá-lo.

Para a professora, a importância dessa iniciação científica está, principalmente, em retirar algumas concepções de senso comum, nem sempre corretas. “Alguns alunos não tinham nem noção do tamanho do Sol nem da Terra. Não sabiam que a estrela é redonda e que o Sol é uma estrela redonda”. Como professora de ciências, a educadora se diz feliz em ensinar o saber científico e ver que eles estão levando isso à frente e contando para os pais.
Além de gostar muito de astronomia, Telma explica como consegue trabalhar com interdisciplinaridade. A atividade da escala, unindo matemática e astronomia, foi um exemplo de como a relação entre as disciplinas colabora para o conhecimento dos estudantes. “De repente eles não teriam absorvido o conhecimento que tiveram de escala se fosse estudado somente na matemática. Com a atividade proposta, de montar um sistema solar, foi facilitado para eles, chamou a atenção e despertou a curiosidade dos alunos”, diz a professora.
Até o final do ano, os estudantes vão estudar a física que envolve o lançamento dos foguetes, entrando em leis de Newton e as leis de Kepler. Segundo Telma, não será apenas uma atividade lúdica. “Até chegar este momento, eles vão ter passado pelo caminho científico. O objetivo é utilizar esses aprendizados para que eles entendam qual ciência está por trás de cada evento, no momento em que forem realizar os lançamentos dos foguetes de garrafa pet”, defende a professora.
Outra ideia para o futuro é a viagem até a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), ao câmpus de Campo Mourão. Os alunos vão visitar o planetário e participar de um ‘show da física’, com observação noturna voltada para o projeto da construção de foguete. Conforme Telma, “será uma observação guiada com dois telescópios e os professores da UTFPR, que são do polo astronômico, e vão acompanhar os alunos”, finaliza.
O clube preparou a peça ao longo do semestre e fez sua estreia ao encenar para estudantes de uma escola municipal

O clube Cabeceira do Rio Iapó, do Colégio Antônio e Marcos Cavannis, da cidade de Castro, estreou sua peça de teatro científico, intitulada “Conservação do Solo e da Água”. Inserida no projeto do clube, a atividade teve como público-alvo os estudantes do Colégio Municipal Dr. Vicente Machado e buscou sensibilizá-los para questões ambientais relacionadas ao Rio Iapó.
A peça, encenada três vezes ao longo do dia 17 de junho, para que todos os estudantes da escola pudessem assistir, contou a história de duas crianças que se encontram e embarcam em uma aventura com descobertas sobre a preservação do solo e da água. Durante a encenação, um dos destaques foi o latossolo — tipo de solo característico da região, com alta permeabilidade de água —, abordado de forma lúdica pelos personagens.
Interpretados por fantoches confeccionados pelos próprios clubistas, os personagens chamaram a atenção do público infantil, e ao final das sessões, as crianças interagiram, comentaram sobre os personagens e demonstraram interesse e envolvimento com o tema da peça.

Após as apresentações, os estudantes do clube participaram de uma roda de conversa com parte da equipe de bolsistas e articuladoras dos clubes da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). No encontro, os alunos puderam compartilhar suas experiências no processo de criação e discutir os aprendizados envolvidos na produção teatral. A troca com a equipe da universidade também possibilitou que os estudantes reconhecessem o valor educativo do trabalho que realizaram.
O momento serviu ainda como incentivo à continuidade do projeto. Os estudantes foram convidados a pensar nos próximos passos do clube, refletindo sobre o que já foi realizado e como seguir participando ativamente das atividades. A conversa reforçou o compromisso com o trabalho em grupo e a importância do envolvimento dos estudantes nas ações e no planejamento das novas atividades. O clube segue ativo, e em breve novas etapas do projeto serão compartilhadas.
Em evento de formação, a professora Elaine Correa Soares busca capacitação em robótica como ferramenta de ensino e também de preparação para desafios socioemocionais

A educação paranaense ganha um impulso valioso com o conhecimento que professores dos Clubes de Ciências têm levado às escolas. Um exemplo disso é a professora Elaine Correa Soares, do Colégio Estadual João Paulo I, em Bom Sucesso, que representou a região em um importante evento de tecnologia, o 1º Evento Presencial de Robótica 2025, promovido pela Secretaria Estadual de Educação do Paraná (SEED/PR), em Curitiba. A intenção é buscar mais capacitação e assim fortalecer o aprendizado prático e criativo no clube de ciências ‘Conexão Ciência’.
Realizado de 1º a 3 de julho, o evento teve como principal objetivo equipar professores com conhecimento e técnicas voltadas para desenvolvimento de projetos de robótica e preparação de equipes para competições. Com oficinas práticas, palestras de especialistas e dinâmicas colaborativas, o encontro reforçou a importância da robótica como ferramenta para o ensino, incentivando os educadores a transformarem o que é visto em sala de aula em projetos desafiadores.
Os conhecimentos adquiridos têm impacto direto nos alunos do ‘Conexão Ciência’. A professora Elaine destaca como a robótica já é uma aliada na escola. “No contexto do nosso clube de ciências, a robótica educacional tem sido uma poderosa aliada no processo de aprendizagem. Na construção de robôs, na produção de maquetes e na participação em torneios, temos tentado proporcionar aos estudantes vivências práticas que conectam teoria e realidade”, explica a docente.
A iniciativa do evento formativo fortalece a base pedagógica da robótica nas escolas, amplia o alcance das atividades dos clubes e incentiva que os projetos sejam cada vez mais criativos e desafiadores. Além das habilidades técnicas, essas experiências têm favorecido o desenvolvimento das chamadas soft skills — habilidades socioemocionais e comportamentais –, como liderança, empatia, trabalho em equipe, comunicação e resolução de problemas. “Esse preparo colabora com o desenvolvimento pessoal dos alunos, não apenas para o mundo acadêmico e profissional, mas para a vida em sociedade”, defende Elaine.
A aplicação da robótica já é uma realidade no Colégio João Paulo I. Recentemente, os alunos do clube criaram uma maquete detalhada de uma fazenda sustentável. O projeto integra energia solar com diferentes sensores de umidade para irrigação, além de sensores de chuva, servindo como uma aplicação em pequena escala para ensinar conceitos complexos de forma acessível e divertida.
A dedicação dos alunos, no entanto, vai além da sala de aula, tocando em questões de empatia e de inclusão. Inspirados por uma roda de conversa sobre soft skills, os estudantes do clube ‘Conexão Ciência’ se mobilizaram para construir o protótipo de uma bengala de apoio para um aluno cego, da própria escola. O protótipo vai utilizar sensores ultrassônicos, de movimento e de som para detectar desníveis, fazendo a bengala vibrar e emitir sinais sonoros, facilitando assim a locomoção do colega que perdeu a visão. O clube também trabalha na construção de uma esteira seletora de frutas e em uma estufa automatizada, reforçando o caráter prático e diversificado de seus projetos.
Usar tecnologia para solucionar questões do dia a dia é um dos impactos diretos gerados por essa integração de conhecimentos. Para a professora Elaine, essa união de saberes permite ainda que, ao usar da robótica, a nova geração de estudantes esteja preparada para lidar com as habilidades técnicas junto das habilidades socioemocionais também.
O projeto foi desenvolvido com participação de estudantes da Rede Clubes Paraná Faz Ciência durante 30 dias em Portugal

O programa SLI (Sustainable Living Innovators) 2025 chegou ao fim nesta sexta-feira, 8 de agosto, em cerimônia realizada no Centro de Engenharia e Desenvolvimento (CEiiA), onde os estudantes estiveram por 30 dias, na cidade de Matosinhos, em Portugal. O evento marcou o encerramento da 6ª edição do Programa SLI e de um ciclo de imersão em inovação, criatividade e aprendizados. A iniciativa reuniu jovens de Portugal e do Brasil com o objetivo de criar soluções sustentáveis para uma futura base lunar habitável.
Participaram dez alunos brasileiros – cinco integrantes da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência. Eles foram selecionados para o programa europeu com apoio da Fundação Araucária. Estiveram lá os clubistas: Davi Angelo Rezende (Maringá), Laura Mattos Stein (Cascavel), Rafaela Zerbielli (Guarapuava), Lucas Gabriel Vicari Koehler (Curitiba) e Renan Galdino (Matinhos), todos estudantes do 2º ou 3º ano do Ensino Médio.
No evento de encerramento, os estudantes apresentaram o projeto Terraluna desenvolvido pelas quatro equipes que trabalharam quatro grandes temas: mobilidade, construção (edificação), energia e bem-estar (sobrevivência humana). A apresentação considerou também aspectos financeiros para a manutenção de toda a estrutura na Lua e o investimento necessário para que o projeto entrasse em funcionamento.
Laura Mattos Stein, clubista no Centro Estadual de Educação Profissional Pedro Boaretto Neto, de Cascavel, descreveu a experiência como “inimaginável e até difícil de mensurar”. A aluna fez parte do grupo que trabalhou com o tema energia e teve contato com noções de reatores nucleares por fissão. “Foi algo muito interessante de estudar, para garantir a energia em condições extremas da Lua e aprender sobre isso, porque são coisas que muitas vezes você nem imagina que são possíveis e são”, completa a estudante.
Para além das teorias e técnicas aprendidas, Laura destaca ainda a vivência e contato com outras culturas. “Não teve só esse aprendizado técnico, a gente também teve muito aprendizado cultural, porque a gente convivia com pessoas não só de Portugal, mas de outros países. Os palestrantes, pessoas do próprio SLI, não eram só portugueses, então era uma troca muito legal que a gente tinha”, destaca.
Sobre os impactos dessa vivência para seu futuro, ela tem certeza da importância. “É uma experiência que eu vou guardar com muito carinho, e sem dúvidas, vai me ajudar muito para o futuro, porque acrescentou muito na minha vida, e eu não sei nem mensurar, é algo muito legal mesmo”, explica.
É o que também expressou a clubista Rafaela Zerbielli, de Guarapuava. “É uma experiência transformadora, que deixou marcas profundas na minha trajetória. Ampliou minha visão de mundo e acrescentou aprendizados que levarei para sempre”, comenta. Para ela, o mais marcante foi a possibilidade de “compartilhar ideias e trocar conhecimento com pessoas de culturas distintas, o que trouxe novas perspectivas”, defende. Foram palestras variadas, debates instigantes e noites de estudo intenso, segundo relata da clubista. “Guardo com muito carinho essa imensa bagagem cultural e intelectual que trouxe”.

A coordenadora Helena Silva destacou a importância de se pensar a inovação para além do planeta Terra. “A Lua terá habitação permanente daqui a 10 anos e essa é uma ótima oportunidade para já posicionar o Brasil e Portugal nessa corrida. Podemos pensar em desenvolvimento econômico e social na Lua e até em outros planetas. É uma corrida difícil e complexa, mas positiva para a humanidade, pensando em dar vida melhor para a sociedade futura. Essa é a perspectiva. A Lua é uma perspectiva nova para a humanidade”, defendeu.
A também coordenadora do programa SLI, Sonia Nunes, reforçou em sua fala o caráter desafiador da experiência. “As quatro semanas foram de intenso trabalho, algo muito ambicioso, exigente, com dias muito duros, mas cheios de reflexões filosóficas e de aprendizagens”, disse.
Para Débora Sant’Ana, uma das representantes da equipe que organizou o SLI pela Fundação Araucária, “a experiência de participação foi fantástica para todos os estudantes, por oportunizar amplo aprendizado temático teórico e prático. Mas, também, por permitir desenvolver resiliência, liderança e trabalho em equipe. Certamente, será um momento que marcará a trajetória pessoal e profissional destes estudantes pela vida toda”, comemorou a professora, que é articuladora do NAPI Paraná Faz Ciência.
Os estudantes tiveram a oportunidade de detalhar aspectos específicos do Terraluna. Houve a demonstração dos produtos e serviços criados por eles, com ênfase na sustentabilidade e no potencial de aplicação das inovações também na Terra, como softwares de acompanhamento da saúde dos astronautas, sensores de temperatura e placas solares dobráveis.

Ao final do evento, houve a entrega dos certificados aos estudantes do SLI 2025, que foi promovido pelo CEiiA, reunindo jovens talentos para desenvolver soluções inovadoras, e aproximando-os de empresas, instituições e especialistas.
A apresentação final do Projeto Terraluna pelo SLI 2025 foi transmitida via You Tube, no link https://www.youtube.com/live/KyZBJVWylpw .
No Paraná, a VI Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente será realizada em agosto

Três escolas com clubes de ciências articulados pela Universidade Federal da Confederação Latino-Americana (UNILA) tiveram projetos selecionados para a etapa estadual da VI Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente (CNIJMA). O evento será realizado em Foz do Iguaçu, entre os dias 11 e 13 de agosto, com a temática “Vamos transformar o Brasil com Educação e Justiça Climática”.
Organizada pelo Ministério da Educação (MEC), Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), a VI CNIJMA tem mobilizado escolas brasileiras com turmas do 6º ao 9º ano do nsino Fundamental. A ideia é incentivar jornadas pedagógicas e ações formativas no campo da educação ambiental. O movimento faz parte da preparação para a Conferência do Clima (COP30), em Belém (PA). Ao todo, são quatro etapas: Conferência na Escola, Conferência Municipal/Regional (opcional), Conferência Estadual/Distrital e Conferência Nacional.
Das escolas aprovadas para a fase estadual e com clubes ligados à UNILA, duas representam o Núcleo Regional de Educação (NRE) de Foz do Iguaçu e uma o NRE de Francisco Beltrão. Trata-se, respectivamente, do Colégio Estadual Gustavo Dobrandino da Silva (Clube Lumière), de Foz do Iguaçu; Colégio Estadual Cívico Militar Nestor Victor dos Santos (Clube CCM Bee), de São Miguel do Iguaçu; e Colégio Estadual Campo Castelo Branco (Clube Exploradores da Ciência), de Pérola D’Oeste.
O professor Ronaldo Adriano Ribeiro da Silva, articulador institucional do NAPI – Paraná Faz Ciência pela Universidade, tem acompanhado as atividades dos Clubes de Ciências e se mostrou satisfeito com a participação das escolas na Conferência. “Demonstra engajamento, o compromisso de nossos professores e alunos com o mundo científico. Essa ação objetiva a formação e o posicionamento dos clubistas na busca de soluções para a crise ambiental”, reflete.
O projeto inscrito pelo clube Lumière aborda o impacto ambiental e social causado pelas obras da segunda ponte que une o Brasil e o Paraguai na comunidade Bubas, atualmente a maior ocupação urbana irregular do Paraná. Com os dados coletados e a pesquisa de campo feita pelos alunos, há também subsídios para a produção de um futuro minidocumentário sobre a realidade local, como explica a professora Elis Claudia Padilha, co-orientadora do clube.
Para a docente, ter a aprovação na VI CNIJMA mostra como os clubes de ciências preenchem uma lacuna no ensino, trazendo maior impacto na vida dos estudantes e da comunidade. “A seleção do projeto elaborado e desenvolvido pelos nossos alunos confirmou a premissa de que, com tempo e recursos, é possível trabalhar o método científico alinhado às 14 ODS [Objetivos de Desenvolvimento Sustentável] da ONU, de forma a integrar a realidade local aos conteúdos trabalhados no clube”, exalta Padilha.

O clube CCM Bee, por sua vez, foi aprovado para a próxima fase da Conferência com o projeto “Abelhas sem Ferrão: Guardiãs da Biodiversidade”. De acordo com a professora coordenadora, Jocimara Monsani, os alunos trabalharam a relação direta dessas abelhas com a justiça climática. A pesquisa focou em como as abelhas ajudam na manutenção das florestas, produção de alimentos e equilíbrio ecológico, além de como são ameaçadas por práticas humanas negativas.
Entre os motivos para comemorar, a docente destaca a importância dessa conquista para a visibilidade da escola e engajamento dos alunos nessa discussão. “Ser selecionado entre tantos projetos mostra que a temática das abelhas sem ferrão e da justiça climática é relevante, urgente e impactante”, reforça. “Para o clube, essa conquista é a confirmação de que a ciência feita na escola pode transformar realidades, dar voz aos jovens e influenciar políticas públicas.”

Por fim, o clube Exploradores da Ciência focou no gerenciamento dos resíduos sólidos na comunidade escolar. A equipe percebeu que na cidade não há uma separação adequada dos resíduos, o que leva à contaminação do meio ambiente e de materiais com potencial de reciclagem, bem como ao desperdício de recursos. Conforme a professora Silvana Nodari Gindri, coordenadora do clube, trata-se de um problema crítico, que deve ser abordado com urgência.
O projeto aprovado buscou promover a gestão eficiente de resíduos, a educação da comunidade e a implementação de práticas sustentáveis para reduzir o impacto ambiental. “O clube funciona uma vez na semana, mas existem ações que acontecem em outros momentos na escola também. Então, é um projeto que se estende, que vai além do clube de ciências, que ganha visibilidade e o reconhecimento da comunidade escolar”, comenta a docente.

A etapa estadual da VI Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente pretende criar um comitê, que representará o Paraná na Conferência Nacional, entre os dias 6 e 10 de outubro, em Brasília. O processo de seleção dos projetos para a nova fase será realizado após a apresentação em Foz do Iguaçu.
A iniciativa envolveu alunos, professores e membros da comunidade de São Pedro do Paraná em uma pesquisa interdisciplinar para reconstruir o passado e compreender sua relação com o presente

O Clube Eco Historiadores do Colégio Estadual Cecília Meireles, em parceria com o Nupélia (Núcleo de Pesquisas em Limnologia, Ictiologia e Aquicultura) da Universidade Estadual de Maringá, realizou uma Mostra Científica para divulgar a importância do Rio Paraná para o bioma Mata Atlântica. A mostra foi realizada por alunos de São Pedro do Paraná e região entre os dias 14 a 17 de abril.
A iniciativa envolveu alunos, professores e membros da comunidade em uma abordagem interdisciplinar que conecta conhecimentos de arqueologia, história, geografia e ciências ambientais para reconstruir o passado de povos originários e compreender sua relação com o presente.

De acordo com a descrição geral das atividades do clube, a metodologia utilizada no trabalho combinou a pesquisa documental, trabalho de campo e simulações educativas. Os participantes passaram por treinamentos sobre arqueologia, técnicas de levantamento de dados e interpretação de fontes históricas.
Em seguida, os alunos realizaram pesquisas em arquivos públicos e privados, analisaram documentos, mapas e registros históricos, além de desenvolverem atividades de campo como a identificação de sítios arqueológicos, coleta de amostras, estudo da biodiversidade e entrevistas com moradores.
Um mapeamento participativo contribuiu para a criação de um banco de dados colaborativo, com informações fornecidas pela própria comunidade sobre locais de interesse histórico e cultural.

Os discentes foram orientados pela professora e coordenadora do Clube Eco Historiadores, Adriane Fernandes, e elaboraram relatórios, materiais didáticos com fotos históricas e artigos utilizados pelos povos originários, além de apresentações para compartilhar os resultados com a comunidade escolar e o público.
O Clube Eco Historiadores visa resgatar, preservar e difundir o patrimônio cultural local, promovendo a valorização da história da região e dos povos originários. Como parte da rede de Clubes de Ciência do Paraná, o projeto colabora com o desenvolvimento das pesquisas voltadas para a preservação e conservação da Mata Atlântica.
Os estudantes conquistaram o 1º lugar na competição com projeto sobre combate ao desperdício de água

O Clube 14, do Colégio Estadual 14 de Dezembro, em Alvorada do Sul, tem motivos de sobra para se orgulhar. No dia 5 de julho, alguns membros venceram o 1º lugar do ThackathOn 2025, uma jornada pedagógica idealizada pelo grupo Tata Consultancy Services (TCS), empresa de Londrina. O prêmio foi conquistado com o projeto “Olho na Gota”, voltado para o combate ao desperdício de água.
Segundo a professora Flávia Tavares, coordenadora do clube, o tema central se conecta com o que os alunos têm aprendido em sala de aula. A água é um assunto amplamente discutido nas atividades da escola e está de acordo com a meta 6 “Água Potável e Saneamento” dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. “Tem tudo a ver com o que eles apresentaram lá e com o que o Clube de Ciências está pesquisando”, reforça.
O grupo, que chegou à final com o nome “Inovação em Ação”, é formado pela docente e quatro estudantes: Ana Paula Murgi, João Victor Moraes, Julia Lourenço e Larissa Tanajura. Eles desenvolveram um aplicativo bastante inteligente, que monitora o consumo de água, alerta sobre vazamentos e fornece relatórios com gráficos, dicas educativas e localização do problema detectado.

A ideia do “Olho na Gota” surgiu após um vazamento na pia do banheiro feminino do próprio colégio. A situação fez os alunos entenderem que, muitas vezes, o desperdício pode ocorrer sem que ninguém perceba. Assim, a equipe buscou criar uma ferramenta simples e acessível, aliando tecnologia com a economia de água.
O ThackathOn 2025 impactou o ensino médio em escolas públicas de diversas cidades da região. Através do programa educacional GoIT, da TCS, a competição teve como intuito incentivar a exposição e o desenvolvimento de habilidades necessárias para o futuro profissional, com base nos ODS.
Os alunos e professores inscritos participaram de várias etapas de formação, terminando com 20 equipes finalistas. Além do grupo vencedor, o 2º lugar ficou com a equipe “Solum”, do Colégio Estadual Souza Naves (Rolândia), e o 3º lugar com a “FANTEM”, do Colégio Estadual Cívico Militar Professora Helena Kolody (Cambé).
O evento, formulado no modelo de desafio Hackathon de Inovação Social, foi realizado em parceria com o Núcleo Regional de Educação (NRE) de Londrina e o Campus Londrina da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). A premiação ocorreu no Parque de Exposições Ney Braga.

A equipe de Alvorada do Sul, que conquistou a primeira posição, voltou para casa com mais do que o troféu. Os vencedores receberam um notebook por aluno, uma viagem para conhecer a TCS em São Paulo e um dia de imersão na Insper, instituição de ensino superior e de pesquisa sem fins lucrativos.
O programa convidou a professora Adriana Massaê Kataoka, da Unicentro, que abordou temas como justiça climática, protagonismo juvenil e o sentimento de impotência diante da crise climática

Nesta quarta-feira, dia 30 de julho, ocorreu a quarta edição da “Quarta com Clubes”, uma iniciativa do grupo de Pesquisa e Extensão EducartGeo (Educação Geográfica e Cartografia para Escolares), da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) e promovida pela Rede de Clubes Paraná Faz Ciência.
Com o tema “Educação Ambiental e Emergência Climática”, a transmissão ao vivo recebeu a professora doutora Adriana Massaê Kataoka, da Unicentro. Ela é líder do grupo de pesquisa Núcleo de Educação Ambiental e coordenadora nacional do projeto Pacto Global dos Jovens pelo Clima (Global Youth Climate Pact – GYCP). Além disso, a docente também é uma das orientadoras do projeto Rede de Clubes Paraná faz Ciência na universidade.
Durante a live, a professora Adriana discutiu a importância da educação ambiental, destacando que a escola é um espaço fundamental para o desenvolvimento de práticas sustentáveis. Ela reforçou que a educação ambiental deve ser constante e integrada, não apenas pontual. “A educação ambiental precisa ser contínua e crítica, não se limitando às datas comemorativas, como o Dia da Árvore ou o Dia do Meio Ambiente. Deve fazer parte da rotina escolar, das disciplinas e das práticas cotidianas”, explicou.
A pesquisadora também respondeu a perguntas enviadas previamente, por meio de um formulário preenchido pelos professores dos clubes de ciência. Entre os temas questionados, comentou sobre o sentimento de impotência dos alunos diante da emergência climática. “Não podemos cair na paralisia. A crise climática exige ação coletiva. Cada pequena ação conta e o acúmulo delas pode gerar grandes mudanças. O importante é não desanimar, porque sempre há espaço para transformar realidades locais”, reforçou.
Para a professora Adriana, discutir emergências climáticas com os professores e alunos da educação básica é necessário para construirmos um futuro melhor para todos. “É um tema urgente, grave e que necessita de mudanças urgentes. O espaço da escola é importante para esse tipo de discussão reflexiva, ainda com possibilidade de ação imediata, pois o clube oferece essa possibilidade, é fundamental diante desse quadro de gravidade em que vivemos.”
A mediação da transmissão foi conduzida pelo jornalista Thiago de Oliveira e pela bióloga Samara Santos, orientadora pedagógica dos clubes na Unicentro. Dividida em dois blocos, a transmissão ao vivo começou com uma apresentação de 30 minutos da professora Adriana Massaê Kataoka, contextualizando a pesquisa sobre educação ambiental e emergências climáticas. Já no segundo bloco, a docente respondeu às questões dos professores que atuam nos clubes de ciências.
A transmissão marcou o fim do primeiro ciclo de lives do projeto, que abordou temas como pesquisa sobre abelhas, água, óleos, sabões e sabonetes. A série reuniu diversos pesquisadores para falar sobre esses assuntos, com o objetivo de contribuir ativamente para o desenvolvimento das pesquisas dos clubistas nas escolas. Marquiana de Freitas Vilas Boas Gomes, professora da Unicentro e a coordenadora da Rede de Clubes Paraná faz Ciência, afirma que essas primeiras edições da “Quarta com Clubes” foram fundamentais para a formação científica dos estudantes. “O projeto tem sido importante para a formação dos futuros cientistas, no que se refere aos compromissos que a ciência tem com a sociedade, a natureza e a justiça social. Isso mostra que a ciência tem compromissos que vão além de entender somente os objetos de estudo, mas também estar contextualizada com a sociedade em que vivemos”, defende.
A “Quarta com Clubes” ocorre quinzenalmente, das 19h às 20h, e tem como objetivo oferecer formação científica aos professores que estão desenvolvendo projetos de pesquisa nos Clubes de Ciências das escolas do Paraná. As transmissões ao vivo, realizadas pelo canal do EducartGEO no YouTube, continuam salvas para quem quiser assistir posteriormente. Os temas e datas das próximas lives serão divulgadas em breve.
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Alunos e clubistas do Colégio Estadual Bento Munhoz da Rocha apresentaram suas pesquisas sobre a qualidade da água em Paranaguá

A VI Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente (CNIJMA) está mobilizando escolas de todo o Brasil com o tema: “Vamos transformar o Brasil com educação e justiça climática”. A iniciativa é promovida pelos ministérios da Educação (MEC), do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e contou com a participação da rede de clubes de ciências do Paraná.
A primeira etapa é realizada nas escolas, visando fortalecer a educação ambiental e promover debates sobre justiça climática, soluções sustentáveis e resiliência nas comunidades escolares. Entre os participantes, estão os alunos do Colégio Estadual Bento Munhoz da Rocha, de Paranaguá.
Os clubistas do ‘Bagrinhos do Bento’, orientados pela professora Andreia Petruy, apresentaram suas pesquisas falando sobre a qualidade da água presente no entorno da cidade. Entre as amostras de águas analisadas estão: água da torneira, água da Baía de Paranaguá e a água do manguezal. Como parte das atividades, os alunos também convidaram a empresa responsável pelo saneamento ao redor da escola, a Paraná Saneamentos, para conversar sobre como é feita a distribuição e o tratamento de água no município.

A professora Andreia Petruy contou que as atividades foram organizadas pelos próprios alunos dos clubes de ciência. Os “Bagrinhos do Bento” realizaram pesquisas para verificar o pH da água consumida na escola e no seu entorno. Em entrevistas feitas com outros alunos, os clubistas descobriram que muitos ainda consomem águas de poços artesanais, por isso a pesquisa se fez tão importante para descobrir se a água era ou não imprópria para consumo.

Após as apresentações, os alunos discutiram como os clubes de ciência podem auxiliar a manter a qualidade da água. Os Bagrinhos do Bento seguirão fazendo verificações semanais e, caso o pH esteja abaixo ou acima da meta estipulada, a empresa responsável pelo saneamento de água será comunicada.
Como parte das atividades da Conferência Nacional, as escolas ainda podem concorrer às próximas etapas, inclusive na fase nacional, agendada para 6 a 10 de outubro de 2025, em Brasília.
Os materiais devem suprir necessidades básicas dos Clubes de Ciências, ajudando na elaboração das atividades

A Rede de Clubes Paraná Faz Ciência tem andado bem ativa. No entanto, para que os projetos possam continuar sendo desenvolvidos com excelência, os clubes precisam de recursos. A Universidade Estadual de Londrina (UEL), por exemplo, é responsável pela compra dos materiais de consumo para 100 escolas. Porém, o prazo para enviar o formulário de solicitação desses materiais encerra no dia 29 de agosto deste ano.
Neste caso, a aquisição é realizada por meio da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento da UEL (UEL/FAUEL). Os materiais de consumo serão custeados pela Fundação Araucária, que faz parte do Governo do Paraná. Entre os itens disponíveis para compra, estão produtos químicos, esportivos, de papelaria e microeletrônicos.
As escolas receberam uma lista com referências para ajudar na escolha dos materiais. Além disso, as orientações para o preenchimento do formulário de solicitação foram encaminhadas para as Instituições de Ensino Superior (IES), articuladoras dos Clubes de Ciências. Inclusive, os dados fornecidos pelas escolas devem ser encaminhados à UEL/FAUEL pelas IES, via e-mail, como indicado no tutorial compartilhado.
A Universidade Federal do Paraná (UFPR) também é responsável pela compra dos materiais de consumo de outras 100 escolas, por meio da Fundação da UFPR (FUNPAR). Contudo, as instituições possuem processos diferentes. É necessário estar atento para a data final do envio dos formulários, que devem ser detalhados e precisos, especialmente com relação aos dados de entrega dos itens pedidos.
Com 28 estudantes do Ensino Médio, o clube pretende automatizar a horta, utilizar minhocas na compostagem e aprender sobre análise do solo

O Clube ‘Compostagem e Horta Escolar’, do Colégio Estadual Arthur de Azevedo, em São João do Ivaí, está empenhado em resolver a situação-problema da destinação de resíduos orgânicos gerados pela alimentação dos alunos. A ideia partiu do mau cheiro em razão da quantidade de sobras de um colégio em turno integral, podendo atrair mosquitos e roedores. Assim, decidiram fazer a compostagem desses materiais que consequentemente se tornam fertilizantes para a horta da escola.
O primeiro trabalho desenvolvido pelos estudantes em conjunto com o professor coordenador, Ederson dos Santos Moretti, foram as dez composteiras nos baldes. Cada uma é formada por três baldes. Dois na parte superior, contém os resíduos orgânicos em conjunto com o pó de serra, onde acontece a decomposição. E, no terceiro balde, abaixo dos demais, há a coleta do chorume utilizado para a fertilização. Em junho, eles fizeram mais cinco composteiras, quantidade maior do que inicialmente acreditaram precisar, “está gerando em torno de cinco a dez quilos por dia de resíduos orgânicos” explica o professor.
No ano passado, o clube iniciou as atividades em setembro, com a explicação do funcionamento das composteiras e a iniciação do processo para construção delas. Este ano, o clube está com 28 alunos do Ensino Médio e acontece todas as quintas-feiras, nas duas últimas aulas do dia. O professor também tem uma eletiva de Compostagem e Horta com os alunos do 8º e 9º ano. Essa foi a forma que Ederson encontrou para mobilizar a maior parte da escola para a temática.
Em junho, durante o afastamento do professor por licença médica em razão de uma cirurgia, a professora Marilza Mariano assumiu a coordenação do Clube. Segundo Ederson, mesmo sem a presença do educador, uma parte dos alunos estavam trabalhando todo dia e fazendo sua parte na composteira, demonstrando muito interesse no sucesso do projeto. Inclusive, ele conta que recebia fotos diárias do que eles estavam realizando.

O professor ressalta a autonomia que os estudantes desenvolveram, principalmente, no período que estavam sem educador, “é isso que eu achei legal, porque o projeto está andando até melhor do que quando eu estava junto. Eles fazem questão da compostagem, todos os dias vão até a cozinha, 11h/11h30, ver quanto de resíduo foi formado para pesar. Depois que os alunos pesam o resíduo, eles mandam no nosso grupo do WhatsApp essa quantidade, porque depois vamos fazer um tratamento estatístico do que foi gerado” explica Ederson.
O clube tem maior quantidade de meninos do que meninas, mas ambos estão envolvidos. Também há estudantes da sala de recursos multifuncionais, que é um espaço nas escolas de educação básica onde acontece atendimento educacional especializado (AEE). Eles conseguem dialogar com outras eletivas, além daquela que o professor tem com os alunos do ensino fundamental. Por exemplo, existe uma disciplina eletiva de PANCs (plantas alimentícias não convencionais) que acontece no mesmo dia e horário do clube e por isso em alguns momentos eles trabalham juntos.
A dinâmica do grupo nas primeiras aulas era mais teórica. Eles foram então separados em equipes para irem pesquisando sobre cada assunto relacionado ao clube. No momento, estão sendo mais práticos, para depois retornarem com a parte de pesquisa e teoria. Entre os momentos marcantes pelo grupo, um que se destaca foi a primeira vez que os alunos desceram para a horta. O professor explica que se admirou ao ver os estudantes com a “mão na massa”. Além disso, houve uma mobilização de ambas turmas, a do clube e os alunos da outra eletiva do professor.
Uma das dificuldades do clube apontada por Ederson, são os alunos não muito engajados. A solução foi a distribuição dos trabalhos de acordo com as aptidões dos estudantes. Existem aqueles que se interessam pela prática da horta e aqueles que preferem a teoria. Mas, como explica o professor, isso acontece porque, “uma parte dos alunos ainda não entraram na essência do trabalho. A ideia é eles serem pró ativos e protagonistas. Entendendo que um depende do outro”.
O professor ficou muito animado para a Culminância do colégio que aconteceu na primeira semana de julho. Nesse evento, as disciplinas eletivas apresentaram os trabalhos desenvolvidos semestralmente. O Clube Compostagem e Horta Escolar apresentou composteiras e expôs a horta para a comunidade. O objetivo do projeto em si, é transmitir essa consciência para quem vier assistir, explicando as possibilidades de fazer o uso dos resíduos orgânicos em suas casas.
A novidade desta Culminância no Colégio Estadual Arthur de Azevedo foi a presença da Itinerância do Mudi (Museu Dinâmico Interdisciplinar), da Universidade Estadual de Maringá (UEM). Essa foi uma maneira de aproximar a comunidade da escola, principalmente, os pais dos alunos. Na noite do dia dois e no dia três de julho, o Mudi apresentou suas exposições e a escola estava de portas abertas para atender todos que foram.

A horta do colégio está crescendo com o clube. Conforme o professor, isso está caminhando junto de outro objetivo do grupo, que é a destinação dos resíduos orgânicos para produzir adubo e conseguir plantar os alimentos para as refeições dos alunos na escola. A intenção é que os estudantes, primeiro, se ambientem com a plantação para depois adicionar o adubo oriundo da compostagem. Eles já cultivam alface, almeirão, cebolinha, salsinha e couve. A cebolinha é um dos produtos atualmente servidos na alimentação deles.
Em caráter de pesquisa, Ederson conta que irão fazer a compostagem com minhocas de espécies diferentes: a minhoca-californiana, a violeta-do-himalaia e a gigante africana. O objetivo é comparar essas minhocas que são comerciais com as minhocas existentes na região: minhoca puladeira (Amynthas gracilis) e minhoca rosa-mansa (Pontoscolex corethrurus). Assim, observar qual dos cinco modelos melhor se desenvolveu nas hortas do colégio.
Outro plano futuro é ocupar mais um espaço disponível na escola para fazer uma horta. Eles esperam realizar uma comparação entre a horta que estão fazendo no momento com uma automatizada, neste novo ambiente. O professor explica que serão feitos canteiros em linha para o sol incidir ao mesmo tempo em todos os espaços. Também será colocado um sistema de irrigação automático, com a placa Arduino (plataforma de prototipagem eletrônica de código aberto) possibilitando o acesso remoto, além de sensores de temperatura e umidade.
A análise de solo é uma outra pesquisa que o professor deseja realizar com os estudantes. Conforme Ederson, é importante que eles entendam sobre pH do solo e os nutrientes necessários. Além disso, a criação de um site é uma das ideias que está se estruturando. O intuito é que ele seja alimentado com a pesquisa que os alunos realizaram a respeito da compostagem, e irão executar com as espécies de minhocas e as características do solo da escola.