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O Clube ‘Robótica, Sustentabilidade, Solidariedade em Ação’, dialoga com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

A imagem mostra uma sala de aula onde um grupo de estudantes, todos usando camisetas brancas, está reunido em torno de uma mesa retangular. Ao fundo, há um quadro verde e um cartaz na parede com o título “Clube de Ciências”, que traz ilustrações relacionadas à reciclagem e reaproveitamento de plástico. À esquerda, na frente da imagem, o professor sorri para a câmera, tirando uma selfie com os alunos. Os estudantes estão sentados em grupos, alguns segurando tablets e outros cadernos, e parecem engajados na atividade.
Foto dos clubistas e do professor coordenador Jonathan José de Oliveira Pereira, no clube ‘Robótica, Sustentabilidade, Solidariedade em Ação’ (Foto/ Arquivo Pessoal)

Transformar garrafas PETs em toucas e cachecois para distribuir entre instituições assistenciais ou grupos que realizam este serviço é o objetivo do Clube Robótica, Sustentabilidade, Solidariedade em Ação, da Escola Estadual Professor Giampero Monacci, em Itambé. Sob coordenação do professor de arte Jonathan José de Oliveira Pereira, o nome do grupo surgiu a partir da proposta de unir os interesses dos alunos por equipamentos tecnológicos com o tema da sustentabilidade e também com a ação social.

Com treze integrantes do oitavo e nono ano, o grupo começou os estudos a partir dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e os processos de sustentabilidade. O professor explica que após uma introdução teórica, utilizou o site ‘Cada Gesto Educa’, do banco Sicredi e “eles começaram a jogar na plataforma, o que foi bem interativo”.

Já nas primeiras atividades do grupo, os alunos observaram, acompanharam e pesquisaram sobre a coleta dos materiais recicláveis na comunidade – na escola, na rotina dos pais, dos demais alunos e de vizinhos – buscando entender como a comunidade tem costume de separar estes materiais.

O clube também refletiu sobre como transformar esses recursos para que retornem à natureza de uma outra forma. Assim, chegou-se à proposta de, a partir da robótica, transformar os plásticos das garrafas PETs em fios de lã sintética. Nesse processo, os clubistas realizaram o levantamento dos materiais e também firmaram uma parceria com uma empresa de reciclagem.

O primeiro passo na reutilização de garrafas PETs, é transformá-las em flake – que são os PETs triturados. Jonathan explica que a empresa parceira tem essa máquina e irá fornecer o material para o clube. “Para nós foi uma ótima ajuda, porque é necessário muitas garrafas PETs para se conseguir os fios. Assim, nós ficaremos responsáveis pelo processo de transformação dos flakes em fios”, explica Jonathan.

Com a chegada do material necessário para dar início à parte prática do Clube, o professor pretende usar uma máquina de algodão doce adaptada para aquecer os flakes e com a força centrífuga, conseguir fazer os fios. O objetivo é utilizar os fios obtidos para produzir gorros e cachecóis e assim cumprir a ação social de distribuí-los. 

O Lar das Mães Solteiras do município é um dos locais que devem receber a doação destes itens. “A gente quer retirar esse plástico e transformá-lo em um bem social. Esse é o estudo. Além da robótica, que é o intuito principal com esse maquinário: realizar uma automação para ter uma linha de produção, transformando os flakes em fios sintéticos”, reforça o coordenador do clube.

Momentos especiais

Entre os momentos especiais para o clube, o professor destaca as ocasiões a seguir. O primeiro foi acompanhar o processo para a produção dos flakes com a empresa parceira. “Os clubistas amaram e ficaram impressionados com a maneira que tudo era feito”, relembra Jonathan. Também conheceram o ‘CTR Itambé – Tratamento e Destinação Final de Resíduos’, que é responsável por dar uma destinação final adequada aos resíduos gerados, com o compromisso de melhorar a qualidade ambiental e manter a saúde pública preservada.

Além das visitas, outro momento marcante foi a participação dos clubistas na ‘Olimpíada Restaura Natureza’, um evento no leito do Rio Keller. Neste dia, eles primeiramente foram até a Cocari, que é uma empresa seletora de grãos, responsável por doar 400 mudas de árvores nativas da cidade para serem plantadas às margens do rio, pelos próprios alunos. “A gente fez essa parceria, porque eles também têm projetos de sustentabilidade. Foi realmente no leito do rio, os clubistas entraram no Keller e utilizaram a própria água para regar e plantar”, conta Jonathan.

As aulas de todas as quintas-feiras também são de muita aprendizagem para os estudantes. Cada conteúdo é preparado seguindo a ordem dos materiais já trabalhados até o momento. Por exemplo, após a visita, o grupo fez todo o estudo do que foi aprendido com os materiais recicláveis. O professor solicitou que eles fizessem mais pesquisas a respeito dos elementos e as suas densidades. Assim, o grupo avança  de maneira gradativa e cada encontro é preparado como uma continuação do que eles já estão realizando.

O professor do clube reafirma o quanto o tema do clube o interessa: o que mais o motiva em relação a esse trabalho com o clube é a sustentabilidade. “Inclusive pelos os próprios alunos”, defende o docente. “Porque eles estão vendo como é importante! Como na atividade do plantio, eles viram que as árvores embelezam o local, fornecem oxigênio para nós, além deles saírem um pouco do mundo virtual e se reconectarem com o real, é muito bom” conclui.

Entre os próximos planos do clube estão ver a ideia criar vida e funcionar na prática, para assim, poderem futuramente fazer uma campanha de doação dos produtos obtidos com os fios sintéticos para quem mais precisa. Espera-se também poder quantificar esses dados que vão obter a partir da lã feita de garrafas PETs.

Primeira Feira de Cultura Científica, realizada em Curitiba/PR, teve votação para a escolha do público e superou todas as expectativas

Centenas de pessoas participaram da festa de premiação da FECCI 2025, em Curitiba (Foto/NAPI PRFC)

A Feira de Cultura Científica Paraná Faz Ciência 2025 teve o encerramento que um grande evento científico brasileiro merece. Entre sorrisos e lágrimas, 90 projetos foram premiados em uma festa emocionante. Cada trabalho vencedor recebeu equipamentos eletrônicos e kit multimídia para potencializar a cultura e a produção do conhecimento científico e tecnológico, além de estimular o compromisso dos jovens com a ciência desenvolvida para transformar a vida das pessoas e da sociedade.

Uma das grandes emoções da premiação veio com o anúncio dos três primeiros projetos vencedores da escolha do público, após votação pela internet, que totalizou 277.500 votos. As mestres de cerimônia foram as professoras Universidade Estadual de Maringá (UEM), Débora de Melo Sant’Ana, articuladora do NAPI Paraná Faz Ciência (NAPI PRFC), e Ana Paula Vidotti, coordenadora do Projeto Muditinetante do Museu Dinâmico Interdisciplinar (Mudi/UEM), que agitaram as centenas de pessoas que esperavam os resultados no último dia do evento. 

“A sessão de premiação é uma etapa importante, mas é fundamental enfatizar que todos são vencedores, pois passaram pela primeira fase, altamente concorrida, e pela avaliação de especialistas. Por isso, todos vocês são vencedores”, afirmou a professora Débora, no início da solenidade, que provocou: “Quem quer vir ano que vem?”

Vale destacar os primeiros lugares na votação on-line, que recebeu a validação dos internautas. Na categoria Kids, o projeto ‘Ipês e a cidade de Maringá: como o solo sustenta a beleza e a vida urbana’, da Escola Lega Montessori, de Maringá, recebeu 1.490 votos e teve orientação da professora Fernanda do Nascimento Poncetti de Freitas.

1º lugar na Escolha do Público, na categoria Kids (Foto/NAPI PRFC)

Já na categoria Júnior, o projeto ‘Compostagem e Horta’, desenvolvido no Colégio Estadual Barão do Rio Branco, de Assaí, foi o vencedor com 17.305 votos e teve a orientação da professora Aparecida Cândida Duarte.

1º lugar na Escolha do Público, na categoria Junior (Foto/NAPI PRFC)

Com 16.500 votos, o vencedor na categoria Jovem foi o projeto ‘Tenda Cultura Viva – Segredos Escondidos’, orientado pela professora Oslaine Barrim Batista do Colégio Estadual Professora Hilda Trautwein Kamal, de Umuarama. 

1º lugar na Escolha do Público, na categoria Jovem (Foto/NAPI PRFC)

Além da escolha do público, os projetos das categorias Júnior e Jovem foram avaliados para se chegar aos três primeiros colocados nas seguintes áreas: Ciências Exatas, Ciências Humanas, Ciências da Saúde, Ciências Biológicas, Ciências Agrárias, Ciências Sociais Aplicadas, Inovação e Tecnológica & Robótica. Houve ainda uma categoria especial, Década dos Oceanos, que premiou os três melhores avaliados.

Para conhecer todos os vendedores da FECCI 2025, basta acessar o site do evento e conferir os detalhes dos projetos.

Rede de Clubes Paraná Faz Ciência

A FECCI é um evento anual promovido pelo NAPI Paraná Faz Ciência (PRFC), em parceria com o Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI); as secretarias estaduais de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), Educação (SEED) e da Fundação Araucária; e a Prefeitura de Curitiba, que apoiaram esta edição e já se comprometeram a viabilizar a segunda, ano que vem.

Mais de 100 pessoas de diversas instituições de ensino estiveram mobilizadas durante nove meses para organizar a FECCI, um desafio de logística em transporte, hospedagem e alimentação de milhares de participantes (Foto/NAPI PRFC)

Voltado a estudantes e professores da Educação Básica do Paraná com idades a partir de 6 anos, a feira visa também atrair visitantes que gostam de ciência e inovação. Nesta primeira edição, o espaço recebeu mais de 15 mil visitantes que foram conferir as pesquisas de 1.500 estudantes e professores, parte ligada a clubes de ciências paranaenses. Foram expostos 381 de trabalhos.

Durante três dias, 220 escolas públicas estaduais, localizadas em 90 cidades paranaenses, estiveram na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), campus Neoville, em Curitiba, para apresentar seus trabalhos de pesquisa e seus novos talentos.

Do total de projetos participantes, 298 corresponderam a projetos e trabalhos enviados pelos clubistas da Rede de Clubes Paraná Faz Ciências, coordenada pelo NAPI Paraná Faz Ciência, criador e organizador da Feira. Destes, 64 estiveram entre os três premiados de cada categoria e área do conhecimento. A Rede é resultado dos investimentos do governo do Paraná para financiar a participação de alunos e professores e do trabalho da equipe de todas as Instituições de Ensino Superior (IES).

Incentivo e aprendizado

O articulador do NAPI PRFC e professor da Universidade Federal do Paraná, Rodrigo Arantes Reis, destacou a importância do evento científico que reúne, num único espaço, estudantes, professores, parceiros e gestores públicos. “A FECCI começa muito grande e o nosso desafio, agora, é fazer, em 2026, um evento ainda maior e mais abrangente, sempre com o intuíto de popularizar e divulgar a ciência junto aos jovens e à sociedade”, afirmou.

À direita, Roque Luiz Wandenkolk, chefe da Programação e Logística da Receita Federal no Paraná, Rodrigo Reis, articulador do NAPI PRFC, e Antonio Jordão, Analista-Tributário da Receita Federal do Paraná.

Os classificados em primeiro, segundo e terceiro lugares de cada uma das áreas foram contemplados com filmadoras de última geração, impressora 3D, tablets, celulares, caixas de som, fones de ouvido e kits para ajudar nas pesquisas e divulgação científica das pesquisas. Todos os  ítens foram doados pela 9° Regional da Receita Federal para o Paraná e Santa Catarina, parceira do NAPI Paraná Faz Ciência.

Durante a premiação, o representante da Receita Federal no Paraná, Roque Luiz Wandenkolk, hipotecou seu apoio e parceria com o NAPI Paraná Faz Ciência para a próxima edição. “Aqui nós estamos presenciando a transformação destes produtos que entraram por meio ilícito no país e que agora estão impulsionando e incentivam jovens cientistas por meio da Educação”, ressaltou o representante do superintende regional da Receita Federal do Brasil na 9ª Região Fiscal, Fábio Eduardo Boschi. 

Outro parceiro da FECCI 2025 foi a empresa Slim 3D que, além de imprimir os troféus e medalhas entregue aos premiados, também contribuiu com impressoras 3D para a premiação.

O clube “Litterae Ludus” recorre a artigos científicos para construir personagens literários e promover a conscientização de temáticas atuais

A foto mostra a equipe do clube, sentadas e posando para a câmera. Ao fundo, há estandes de livros, indicando uma biblioteca.
Alunas e professora do Clube “Litterae Ludus” (Foto/Arquivo Pessoal)

Um diálogo entre Ciência e Literatura é o que propõe o Clube “Litterae Ludus”, do Colégio Estadual Cívico-Militar Professor Newton Guimarães, de Londrina. A partir do conhecimento da leitura literária, da escrita criativa, das interações sociais de pessoas atípicas e perfis psicológicos, os alunos podem ter acesso a parte da pesquisa bibliográfica e, também, ao ambiente universitário das Ciências Humanas.

A coordenadora do clube, professora Franciela Zamarian, explica que o objetivo é investigar a relação entre os jogos de RPG e a formação do leitor literário. Para ela, ainda existe um preconceito de que a ciência é “apenas aquela de laboratório, de biologia, de exatas”. Porém, aqui são as Ciências Humanas.

Como a docente explica, a metodologia é que vai colocar o trabalho dentro do âmbito da ciência. “Eu vou trabalhar literatura, mas como isso vai ser trabalhado? De que maneira vou fazer uma verificação se houve um progresso ou não dentro dos resultados? Então, é dessa maneira que a gente está trabalhando ciência, ainda que seja na área de humanas.”

O diálogo com a UEL

O Clube de Ciências “Litterae Ludus” é articulado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) no NAPI – Paraná Faz Ciência. Porém, o diálogo com a Universidade não para por aí. O Clube tem participado de várias atividades propostas, como eventos e diálogos com docentes, para que os alunos se sintam pertencentes ao meio acadêmico e científico. 

Uma atividade foi a conversa com a Professora do curso de Letras, Dra. Sheila Oliveira Lima, pois algumas alunas demonstraram interesse na leitura literária sob o viés da Psicanálise.

A imagem mostra o dia em que a professora Sheila se reuniu com o restante da equipe do clube. O encontro ocorreu na biblioteca da escola, como indica as estantes de livros ao fundo.
Encontro com a Profa. Dra. Sheila Oliveira Lima (Foto/Arquivo Pessoal)

De alunas a pesquisadoras

O Clube é dividido em grupos. A aluna Larissa, do 3º ano, diz que o objetivo do seu grupo é analisar as alterações de comportamento das pessoas com perfil não sociável durante e após a sessão de RPG literário. A estudante Ana Clara, também do 3º ano, afirma que aprendem sobre técnicas investigativas, conhecimento científico, adequação da escrita, abordagens, métodos e o jogo enquanto ferramenta. 

As alunas mais novas, como Stefany, do 9º ano, Maria Eduarda e Luiza, do 1º ano, compartilham a expectativa de fazer descobertas. Nas palavras de Stefany, ela tem a esperança de “que o RPG alcance novos grupos, um público maior e que eu consiga descobrir coisas novas”, afirma.

A imagem mostra as alunas do clube trabalhando, usando notebooks para escrever e estudar. Ao fundo, há estantes de livros.
Momento de escrita das histórias e desenvolvimento dos personagens (Foto/Arquivo Pessoal)

Outros dois grupos estudam como o RPG pode ser um laboratório prático para observar e analisar aspectos do desenvolvimento e da interação social. As alunas Kiara e Talita, do 2º ano, esperam usar os jogos com desafios estratégicos para estudar o comportamento humano, a capacidade de tomar decisões e pensar com lógica. Para elas, isso pode acontecer enquanto se divertem. No grupo de Jamile e Fernanda, do 1º ano, o mais interessante é ver como as pessoas do espectro autista reagem quando jogam RPG literário.

As meninas e a professora têm expectativas futuras, especialmente na conquista de bolsas de iniciação científica júnior, assim como na participação em eventos e feiras locais, regionais, estaduais e nacionais.

Clube de Ciências do Colégio Estadual Teotônio Vilela participa do projeto “Ciência pra quê?”, da Agência Escola da UFPR

Um grupo de estudantes e integrantes da Agência Escola da UFPR posa sorrindo em frente ao prédio do SACOD, no Campus de Comunicação e Artes da Universidade Federal do Paraná. À esquerda, um mural colorido com desenhos de pássaros compõe o cenário.
Clubistas participam de oficina no Campus de Comunicação e Artes da UFPR (Foto/Giovanna Mattioli)

E se aquilo que a gente vive e vê ao nosso redor pudesse se transformar em filme?

É essa a experiência que os adolescentes do Clube STEAM, do Colégio Estadual Teotônio Vilela, estão vivendo. Com o apoio da Agência Escola da Universidade Federal do Paraná (UFPR), as vivências e pesquisas dos estudantes estão se transformando em uma narrativa audiovisual que conecta o aprendizado ao território.

Localizado no bairro Cidade Industrial de Curitiba (CIC), o clube integra a Rede de Clubes Paraná Faz Ciência e atua como um espaço de experimentação científica e expressão cultural. A professora coordenadora, Francine Santos, explica que a escolha, por trabalhar com a temática do descarte de resíduos sólidos, nasceu da observação do entorno. “Quando a gente escreveu o projeto para participar da Rede de Clubes do Paraná, eu pensei na temática relacionada ao bairro que a gente está inserido, que é o CIC, disse a professora.”

Foi a partir dessa relação com o território e das inspirações que surgiram após a turma assistir ao documentário Trecho 6, realizado pela Agência Escola, da UFPR, que surgiu o projeto de produzir um filme. A produção parte das experiências locais para discutir o destino dos resíduos e a importância da reciclagem. Como explica a clubista Carina, de 16 anos, “a gente normaliza a despreocupação com os resíduos sólidos, de jogar lixo em qualquer lugar e não pensa direito sobre os impactos que isso pode trazer para a natureza. Nosso filme vai falar de uma maneira informal sobre o assunto, para que mais pessoas se informem sobre o tema”, acrescenta Francine.

Sobre a linguagem escolhida pelo grupo, Alice, de 16 anos, explica que “é importante abordar esses tópicos com uma linguagem mais acessível, como stop motion [quadro a quadro]formato escolhido pelo grupo para a produção, porque abrange um público maior.”

Clubistas recebem pesquisadoras da UFPR para bate-papo sobre ciência no colégio (Foto/Agência Escola)

“Quando eu pensei no Clube de Ciências, pensei nele como uma oportunidade dos estudantes conhecerem outro universo também”, conta a coordenadora. Esse propósito se concretizou com a parceria com a Agência Escola, a partir do projeto “Ciência pra quê?”, que mais do que ser parceiro para a produção do filme, tem aproximado o colégio do ambiente universitário e incentivado novas formas de aprender e comunicar ciência.

Em setembro, os alunos participaram de uma roda de conversa com pesquisadoras da UFPR sobre os impactos dos resíduos na crise climática. Dias depois, conheceram o Setor de Artes, Comunicação e Design (SACOD) da universidade, onde vivenciaram uma oficina de audiovisual. “Foi uma experiência maravilhosa e eu acho que a cada encontro a gente consegue aprender uma coisa a mais”, conta Carina.

Durante a atividade, os estudantes aprenderam técnicas de captação de imagem e experimentaram a linguagem do stop motion. Para Francine, essa troca também é simbólica. “Eu acho importante eles saberem que a pesquisa acontece aqui na própria cidade, porque a gente imagina que o cientista seja uma coisa do outro mundo e na verdade esses pesquisadores estão aqui.”

Integrantes do clube aprendem técnicas de fotografia e planos cinematográficos em oficina de audiovisual na UFPR (Foto/Marilaine Martins)

Enquanto o filme segue em produção, as expectativas crescem. “É muito divertido participar e ter ideias para fazer as coisas funcionarem, e eu espero que fique bom”, conta Julio, 18 anos. Carina acrescenta que “a expectativa para o nosso filme é muito alta, principalmente porque a gente nunca participou de um projeto assim.” 

Mais do que o produto final, o processo tem mostrado que o conhecimento nasce dos encontros, da troca entre escola e universidade, do diálogo entre ciência e cultura e da criatividade que transforma o território em aprendizado.

Com 37 projetos, clubes representam a Unicentro na 1ª Feira de Cultura Científica Paraná Faz Ciência, que ocorre de 4 a 6 de novembro em Curitiba

Em uma foto de plano médio, duas jovens estudantes de cabelo castanho claro estão lado a lado em uma feira de ciências. Elas vestem uniformes pretos idênticos e usam credenciais do evento "FECCI". As estudantes estão posicionadas atrás de uma mesa de exposição que contém objetos de projeto, incluindo um modelo de abelha, pinhas e outros itens. Ao fundo, um grande pôster científico branco detalha o projeto delas, com o título "Modelo Didático do Desenvolvimento da Abelha Mirim".
Estudantes do Colégio de Educação Integral Professor Pedro Carli apresentam o projeto “Modelo didático do desenvolvimento da abelha mirim: da fase ovo ao adulto” na Fecci 2025 (Foto/Clube @climatize_se)

A ciência produzida nas escolas da rede pública do Paraná está em destaque na 1ª Feira de Cultura Científica Paraná Faz Ciência (FECCI), de 4 a 6 de novembro, em Curitiba. A Unicentro, como responsável pela articulação institucional no Centro-Sul, celebra a participação de mais de 20 clubes de sua rede, que levam projetos de pesquisa dos Núcleos Regionais de Educação (NREs) de Guarapuava, Irati, Laranjeiras do Sul e Pitanga.

Os trabalhos demonstram como o conhecimento científico sai da teoria e se aplica na realidade local, estimulando o protagonismo dos estudantes.

NRE DE GUARAPUAVA

Os projetos da região de Guarapuava trazem soluções para desafios ambientais e urbanos. O clube Climatize-se, do Colégio de Educação Integral Professor Pedro Carli, em Guarapuava, apresenta seis projetos:

  1. Modelo didático do desenvolvimento da abelha-mirim: da fase ovo ao adulto;
  2. Abelhas em apuros: como o clima está acabando com nossas super polinizadoras;
  3. Abelhas-sem-ferrão e educação inovadora: da realidade virtual ao modelo didático de colmeia;
  4. Wormtechno: integrando tecnologia e compostagem para um futuro sustentável;
  5. Mãos na terra, abelhas no ar: ação estudantil por um ambiente mais verde;
  6. Jataí: um dia na vida de uma abelha-operária: 360° de realidade virtual para conscientização climática.

Para Katiane dos Santos, orientadora do clube, os projetos em questão despertam os estudantes para a aplicação prática dos conteúdos apreendidos em sala e no laboratório.  “Os projetos possibilitaram que os estudantes percebessem como os conteúdos de ciências e outras áreas se aplicam no cotidiano. O aprendizado saiu do espaço restrito da sala de aula e ganhou significado prático, envolvendo também a comunidade escolar”, afirma.

Sofia apresenta o projeto “Abelhas-sem-ferrão e educação inovadora: da realidade virtual ao modelo didático de colmeia” (Foto/Clube @climatize_se)

Quem também leva diversos projetos é o Colégio Cívico-Militar Heitor Rocha Kramer, de Guarapuava. Na Fecci, clubistas do clube Ecotransformadores, orientado pela professora Daniele Kosmo  vão falar de projetos que envolvem diretamente o bairro onde o colégio se localiza, o Colibri:

  1. Análise dos impactos da implantação de uma rua sustentável (modelo ODS) em uma área de vulnerabilidade social – Bairro Colibri;
  2. Implantação de um jardim suspenso automatizado em um muro de uma rua do Bairro Colibri;
  3. Avaliação dos impactos da implantação de um jardim de chuva no Bairro Colibri.

O clube EcoAction, do Colégio Estadual Francisco Carneiro Martins, em Guarapuava, analisa arroios urbanos com o projeto “Análise biológica, física, química e geográfica de arroios urbanos localizados no parque do lago em Guarapuava-PR“. Para a professora que coordena o clube, Ariane Bianco, “essa análise contribui na alfabetização científica dos alunos que participam do clube de ciências do colégio.”

O Colégio Estadual Cristo Rei trabalha com abelhas. E é sobre a importância delas que o clube Velozes e Curiosos vai falar na feira, com o projeto “A importância das abelhas na sustentabilidade paranaense e na biodiversidade da mata atlântica”. Crissiane Loyse Luiz, que coordena o clube, destaca a importância de feiras como a FECCI no processo de aprendizagem. “Ao participar de feiras e divulgar informações para a comunidade, os alunos compreendem na prática o papel das abelhas na polinização e na manutenção da biodiversidade, percebendo como esses conhecimentos científicos se relacionam diretamente com a produção de alimentos, a preservação ambiental e os desafios das mudanças climáticas que afetam a região em que vivem”, diz.

Por sua vez, no clube Ecos Criativos, do Colégio Estadual Professor Amarílio, em Guarapuava, o professor Doacir Domingues Filho une a ciência à arte no projeto “Instalação do amanhã: a arte que resgata e transforma“, pois “a ciência estimula a investigação, a ecologia, a sustentabilidade e traz consciência ambiental; a arte permite expressar tudo isso de forma criativa”, comenta Doacir.

Os orientandos de Emerson de Souza, professor do Colégio Estadual Padre Chagas, vão a Curitiba com projetos ecléticos. Os estudantes que compõem o clube EcoCientistas Visionários vão apresentar quatro projetos que remetem desde ao trato com a terra até ao empoderamento feminino:

  1. Horta escolar e composteira: sustentabilidade e segurança alimentar;
  2. Saneamento básico e saúde: educação ambiental e protagonismo estudantil no entorno do córrego Barro Preto, Guarapuava-PR;
  3. Inovação em pré-formulações labiais naturais: uma abordagem sustentável e de empoderamento feminino
  4. Jovens cientistas em ação: diagnóstico e soluções para os impactos das inundações em busca de uma justiça climática na foz do córrego Barro Preto em Guarapuava, Paraná.

Um pouco ao norte de Guarapuava, o clube Identidades em Construção, do Colégio Estadual do Campo de Paz, em Candói, está focado na diversidade cultural com o projeto “Diversidade étnico-cultural no Colégio Estadual do Campo de Paz“. A professora Leonara Forquim de Mattos afirma que “conhecer a diversidade étnica e cultural é o primeiro passo para a construção identitária dos estudantes”, define.

Clubistas apresentam projeto no Paraná Faz Ciência, em outubro deste ano (Foto/ clube @indentidades.em.construção.paz)

Os candoianos também serão representados pelo Colégio Estadual Santa Clara. O clube Curiosus, orientado pela professora Edineia Simi Silva, viajou a Curitiba para apresentar o projeto “Águas de Candói: da nascente à maquete, um projeto de ciência e consciência”.

Diretamente de Foz do Jordão, o Colégio Estadual de Segredo, com o clube ScienCES, apresentará os projetos “Sabão artesanal sustentável: produção, percepções da comunidade e estruturação de plano de negócios” e “Desenvolvimento e produção de sabão artesanal sustentável”. Orientado pela professora Sandra Rozanski, o clube figurou ainda na segunda colocação do prêmio ‘Meu Clube é Show’, na categoria produção industrial. A lista foi divulgada nesta semana pela Secretaria de Estado da Educação (SEED).

Comitiva do clube ScienCES recebe da articuladora do NAPI Paraná Faz Ciência, Débora Sant’Anna, a premiação do ‘Meu Clube é Show’ durante a FECCI (Foto/@colegioestadual_segredo)

Em Pinhão, estudantes do Puma Science Club, do CE Bento Munhoz da Rocha Netto, orientados pelo professor João Manuel de Lima, analisam um arroio do município e também propõem uma tecnologia para detecção de vacas em período fértil. Os trabalhos são os seguintes:

1) Análise das condições socioeconômicas da Comunidade rural de Arroio Bonito, interior do Paraná;

2) Da nascente ao consumo: análise da qualidade da água e sua relevância para o saneamento básico em comunidade Arroio Bonito em Pinhão-PR;

3) Detecta cio – protótipo para monitoramento e detecção de vacas em período fértil.

Também de Pinhão, o professor Diórgenes Veres Ronik e seus alunos participarão da feira com os projetos “Transformando o óleo usado em sabão e consciência ambiental” e “Desenvolvimento e produção de sabão artesanal sustentável”, desenvolvidos no clube Óleo nosso de cada dia, do Colégio Estadual Procópio Ferreira Caldas.

Ainda em Pinhão, do Colégio Estadual do Campo Professor Júlio Moreira, a professora Bianca Karine e os clubistas do clube ‘Ciência Verde’ levam o trabalho “Produção de mudas de plantas frutíferas a partir da semente em diferentes luminosidades e substratos”.

Fechando os projetos do NRE de Guarapuava na Fecci, o clube maker Pỹnfīfī, do Colégio Estadual Cacique Otávio dos Santos, em Turvo, investiga os “Ciclos reprodutivos de araucária angustifólia em terra indígena no município de Turvo/PR“, aliando sabedoria tradicional e método científico. Os estudantes são orientados pelo professor Luan Felipe. 

NRE DE IRATI

O clube Quatro Elementos, do Colégio Estadual Alberto de Carvalho, em Prudentópolis, apresentará o projeto “Morfometria das asas de Melipona quadrifasciata como indicador de estresse ambiental“. A responsável pelo clube é a professora Mariel Chociai. Ela valorizou o empenho dos estudantes. “Eles realmente se sentem protagonistas dessas ações, do contrário não estariam vindo em contraturno estudar com tanto empenho e dedicação como eles o fazem. Tenho muito orgulho deles”, afirma.

Ainda em Prudentópolis, o clube Tijuco Preto, do Colégio Estadual do Campo Bispo Dom José Martenetz, levará à FECCI o projeto “Produção de sabonetes artesanais sustentáveis com óleos essenciais de lavanda, capim-cidreira e frutas Cítricas“, que visa a aplicação de produtos a partir de plantas nativas.

De Irati, o clube Raízes da Ciência, do Cefep Presidente Costa e Silva, leva seis projetos relacionados à conservação ambiental.

1) Análise químico-físico e ambiental da bacia do rio das antas no município de Irati-PR; 

2) Hotel de insetos: arquitetura sustentável para fauna invertebrada

3) Mapeamento de árvores matrizes em fragmentos de floresta ombrófila mista do Cefep Presidente Costa e Silva visando a coleta de sementes;

4) Construção de herbário escolar: confecção de exsicatas para identificação de espécies arbóreas do Cefep Presidente Costa e Silva, em Irati;

5) Educação ambiental com integração de tecnologias da informação e comunicação (Tic’s): identificando espécies florestais do paisagismo do Cefep Presidente Costa e Silva por QR Code;

6) Trilha dos sentidos.

Alunos do clube Raízes da Ciência participaram recentemente da FIciências, em Foz do Iguaçu (Foto/@raizesda_ciencia)

No Centro Estadual Nossa Senhora das Graças, em Irati, os EcoCientistas Ambientais, orientados pela professora Elaine Pacheco Costa, estão preocupados com o futuro da água. Para isso, desenvolvem o projeto “Futuro seguro: desvendando a importância da água e purificação do ar no enfrentamento da emergência climática”. Para fomentar a discussão acerca do tema, os estudantes vão apresentar esse projeto na FECCI.

NREs de Laranjeiras do Sul e Pitanga

O Clube Maker do Chico, do Colégio Estadual do Campo Chico Mendes, em Quedas do Iguaçu, demonstrará o seu trabalho com abrigos de baixo custo para abelhas nativas em bioconstrução com taipa e telhado verde, utilizando sensores conectados via Arduino.

Clube Maker do Chico marcando presença na 1ª Mostra Científica do Paraná Faz Ciência (Foto/@clubemaker.chico)

De Santa Maria do Oeste, o clube Cionekando com Ciência, do Colégio Estadual João Cionek, orientado pela professora Milena Barcellos, vai destacar a própria iniciativa dos clubes de ciências no projeto “Clubinho de ciência ‘Cionekando com ciência’: espaço de aprendizado científico, protagonismo e corresponsabilidade social na escola e comunidade.”

O município de Palmital também estará representado na FECCI. Os clubistas do Colégio Estadual Dr. João Ferreira Neves, a partir do clube Pé Vermelho, orientado pela professora Elizabete Pazio, levam o projeto “Saneamento básico e cidades sustentáveis: percepção da população em Palmital-PR”.

Já no clube Raízes do Saber, do Colégio Estadual Floriano Peixoto, em Laranjeiras do Sul, a professora Jane Aparecida Lazare Pereira e seus alunos desenvolvem dois projetos focados em segurança alimentar com horta livre de agrotóxicos. São intitulados: “Raízes e versos: cultivando sabedoria na horta escolar” e “O papel da horta escolar no aumento da segurança alimentar e nutricional: um caminho para a sustentabilidade e o consumo consciente”.

Também diretamente de Laranjeiras, os Desbravadores do Conhecimento, do Colégio Estadual Olavo Bilac, levam a Curitiba o projeto “Ecobarreiras com materiais reaproveitáveis”. A orientação fica por conta do professor Elton Pontarolo de Abreu. 

O Colégio Estadual Indígena Kó Homu, de Laranjeiras do Sul, levará os saberes tradicionais com o projeto “Memória, cultura e sustentabilidade: o artesanato Kaingang em foco”, desenvolvido pelo clube Raízes do Saber, com a professora Daiane Freitas.

O clube Discípulos de Pasteur, do Colégio Estadual Professora Elenir Linke, em Cantagalo, traz temas de microbiologia e saneamento em projetos como “Wetland em miniatura: uma ferramenta didática para o estudo de bioindicadores na purificação de água” e “Potencial do Kombucha como agente conservante natural em alimentos perecíveis”. Quem orienta os trabalhos é a professora Luana de Almeida Pereira. Ao todo, seis projetos do clube estarão na FECCI. Os demais são: “Percepções e lacunas no conhecimento sobre microrganismos entre estudantes do ensino fundamental e médio: subsídios para ações de um clube de ciências”; “Descarte irregular de resíduos sólidos: impactos socioambientais e práticas educativas no entorno do córrego barro preto, Guarapuava-PR”.

Clubistas do Colégio Elenir Linke, os Discípulos de Pasteur, foram monitores da durante a VI Conferência Nacional Infanto-Juvenil pelo Meio Ambiente (Foto/@clube.elenirlinke)

O clube Adonis Com Ciência, do Colégio Estadual Adonis Morski, em Boa Ventura de São Roque, usa até jogos de videogame no aprendizado. Entre os projetos orientados pela professora Juliana Aparecida Freiberger Ghiotto estão:

  1. Do virtual ao concreto: usando Minecraft para ensinar os biomas brasileiros;
  2. Tinta de terra, uma alternativa viável para pinturas em geral
  3. Utilização de bioplástico de amido na produção de vasos para mudas de plantas

A professora expressa orgulho pelo trabalho: “É gratificante acompanhar o brilho nos olhos dos alunos quando percebem que suas ideias podem ganhar vida e gerar impacto real.” O clube, vale lembrar, venceu a categoria “Comunicação” do prêmio ‘Meu Clube é Show’.

Professora Juliana, acompanhada de quatro clubistas, recebeu a premiação do ‘Meu Clube é Show’ durante a abertura da FECCI 2025. O clube Adonis Com Ciência venceu a categoria ‘Comunicação’.

A FECCI, que está reunindo mais de 1.500 estudantes e professores, em 381 estandes, é a oportunidade de dar visibilidade ao esforço das instituições de ensino superior em articular a ciência na Educação Básica do Paraná, por meio dos clubes da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência.

Com 381 projetos selecionados, Feira de Cultura Científica Paraná Faz Ciência vai até quinta-feira, 6, no campus Neoville da UTFPR, em Curitiba, e é aberta ao público em geral

Jovens cientistas das escolas paranaenses apresentam seus trabalhos na FECCI 2025 (Foto/NAPI PRFC)

A primeira edição da Feira de Cultura Científica Paraná Faz Ciência (FECCI 2025) começou nesta terça-feira, 4, com potencial de se transformar, já em 2026, na maior feira de ciências do Brasil realizada para estudantes da Educação Básica. A proposta é ampliar o investimento no desenvolvimento da cultura científica no Estado, que irá oportunizar o surgimento de uma nova geração de jovens pesquisadores no Paraná e, consequentemente, servir de modelo para o Brasil, por meio da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência.

Na abertura do evento científico, gestores e parceiros dos governos federal, do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI); e estadual, das secretarias de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), Educação (SEED) e da Fundação Araucária; e  Municipal, com a parceria da Prefeitura de Curitiba, hipotecaram apoio incondicional para a ampliação dos investimentos para a segunda edição da FECCI.

“O futuro da ciência é aqui e agora”, afirmou a diretora de Popularização da Ciência, Tecnologia e Educação Científica do MCTI, Juana Nunes, entusiasmada com a parceria entre várias esferas públicas em torno de um único objetivo, que é consolidar a cultura científica entre os jovens. “Vamos unir forças para que os jovens possam, cada vez mais, se interessar por ciência, desenvolver o Paraná e ajudar o país a conquistar a soberania em termos de tecnologia e inovação”.

Autoridades e gestores participaram da abertura da FECCI 2025, entre eles Juana Nunes, do MCTI (Foto/NAPI PRFC)

Com 1.500 estudantes e professores ligados a clubes de ciências paranaenses expondo trabalhos em 381 estandes, a FECCI acontece na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), campus Neoville, em Curitiba. São 8 mil metros quadrados de área reservada para a exposição de projetos científicos de 220 escolas, sendo 206 escolas públicas estaduais, localizadas em 90 cidades paranaenses. Ao todo, são 234 professores orientadores e 138 coorientadores, que terão seus trabalhos apresentados a 87 avaliadores. 

Do total de projetos selecionados, 298 correspondem a projetos e trabalhos enviados pelos clubistas da Rede de Clubes Paraná Faz Ciências, coordenada pelo NAPI Paraná Faz Ciência, criador e organizador da Feira. A Rede é resultado dos investimentos do governo do Paraná para financiar a participação de alunos e professores e do trabalho da equipe de todas as Instituições de Ensino Superior (IES).  

O presidente da Fundação Araucária, professor Ramiro Wahrhaftig, aproveitou o evento para, segundo ele, fazer uma provocação. “A FECCI já nasce grande, mas vamos trabalhar para que ano que vem ela seja ainda maior, para 1.000 projetos, com toda infraestrutura e logística para que mais estudantes possam participar”.

O presidente da Fundação Araucária, Ramiro Wahrhaftig, pretende expandir a Rede de Clubes Paraná Faz Ciência já em 2026 (Foto/NAPI PRFC)

O coordenador de Políticas Públicas e Estratégias de Ciência e Tecnologia da Seti, Ivan Carlos Vicentin, representando o secretário Aldo Nelson Bona, fez questão de salientar que a FECCI é um evento primordial para determinar o futuro de uma criança. “Quando eu tinha 10 anos, morava num sítio em Arapongas e uma feira de ciência marcou a minha vida, despertando a minha curiosidade para sempre. Hoje, sou professor da UTFPR, cedido ao Estado. Tenho absoluta certeza de que esse momento será lembrado por vocês por muito tempo, como para mim”, relembrou Vicentin. 

Já o reitor da UTFPR e anfitrião da FECCI, Everton Lozano, enfatizou a relevância deste encontro de jovens pesquisadores. “No futuro, vocês serão nossos alunos e estarão produzindo ciência e conhecimento nos campi das nossas universidades”.

“É um privilégio grande estar aqui na FECCI, já que eu me sinto padrinho. Estive em Portugal conhecendo o projeto Ciência Viva e me encantei com a proposta de fomentar a cultura científica. Hoje somos parceiros do NAPI Paraná Faz Ciência”, disse o diretor de Educação da Secretaria de Estado da Educação do Paraná, Anderfabio Oliveira dos Santos, representando o secretário da SEED, Roni Miranda”.

A diretora de Ensino Fundamental da Prefeitura de Curitiba, Sandra Mara Piotto, esteve na solenidade representando o prefeito Eduardo Pimentel e ressaltou que a participação das escolas municipais irá repercutir durante toda a vida dos estudantes. “Que esse seja o início de um percurso de muito brilho e de muita realização ao longo da vida!”. 

Ao final, os melhores classificados receberão prêmios que foram doados pela 9° Regional da Receita Federal para o Paraná e Santa Catarina, totalizando 400 ítens. “A Receita Federal se orgulha muito em participar deste evento, contribuindo para despertar esses talentos que trarão o tão desejado desenvolvimento científico para a nossa sociedade”, destacou Jorge Luiz Moreira da Silva, que representou o superintendente do órgão, Fábio Eduardo Boschi.

Após a solenidade de abertura, os integrantes dos Clubes de Ciências que se destacaram no concurso ‘Meu clube é show’, promovido pela Secretaria de Estado da Educação, receberam um kit multimídia, com microfone e câmera, para gravação de conteúdos de ação em alta resolução e tablet para edição de vídeos (Foto/NAPI PRFC)

Ciência na veia!

A FECCI é voltada a estudantes e professores da Educação Básica do Paraná com idades a partir de 6 anos, além de visitantes que gostam de ciência e inovação. O objetivo é potencializar a cultura e a produção do conhecimento científico e tecnológico. As equipes participantes estão divididas em três categorias: FECCI Kids, que abrange os alunos do 4º e 5º anos do Ensino Fundamental I; FECCI Júnior, para alunos do Fundamental II; e FECCI Jovem, acolhendo alunos do Ensino Médio, Técnico e Ensino de Jovens e Adultos (EJA). 

O coordenador da feira e articulador do NAPI PRFC, Rodrigo Reis, agradeceu o apoio dos parceiros e fez questão de enfatizar o movimento de articulação junto às escolas e, especificamente, à Rede de Clubes Paraná Faz Ciência para ampliar a participação na Feira. “A FECCI é um reflexo direto do impacto do NAPI no Paraná inteiro, com mais de 300 clubes de ciências em apenas um ano de vigência da Rede”. Ainda do NAPI PRFC, participou da solenidade a professora Débora de Mello Sant’Ana, também articuladora e organizadora da FECCI. 

Para mais informações sobre a Feira de Cultura Científica 2025, acesse o site do evento no Paraná Faz Ciência e as redes sociais @fecci_prfc.

SERVIÇO

FECCI – Feira de Cultura Científica Paraná Faz Ciência

De 4 a 6 de novembro de 2025

Horário de funcionamento: 9h às 17h

Local: UTFPR – Campus Neoville – Cidade Industrial de Curitiba (CIC) – Rua Pedro Gusso, 2601, em Curitiba.

Observação: 

Entrada gratuita e aberta à comunidade em geral

Com 19 projetos presentes na feira, os estudantes apresentaram pesquisas variadas sobre sustentabilidade, mudanças climáticas e preservação de abelhas; aluno clubista teve vídeo no Instagram vencedor pelo voto popular

Clubistas do Colégio de Educação Integral Professor Pedro Carli apresentam o projeto “Jataí: um dia na vida de uma abelha-operária” durante o FIciências (Foto/Mathias Trindade)

Entre os dias 21 e 25 de outubro aconteceu a 14ª Feira de Inovação de Ciências e Engenharias (FIciências), em Foz do Iguaçu. O evento fez parte da programação do Festival Iguassu Inova, sediado no Itaipu ParqueTec e reuniu projetos de estudantes de 11 estados brasileiros e do Paraguai, incluindo os da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência. Os clubes de ciências articulados pela Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) marcaram presença e foram representados por 19 projetos, desenvolvidos em três colégios diferentes. 

Os colégios que representaram a Unicentro no evento foram o Colégio de Educação Integral Professor Pedro Carli, de Guarapuava, que apresentou 10 projetos; o Colégio Estadual Adonis Morski, de Boa Ventura de São Roque, com 3 projetos; e o Centro Estadual Florestal de Educação Profissional Presidente Costa e Silva, de Irati, que levou 6 projetos. A coordenadora do projeto da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência na Unicentro, Marquiana de Freitas Vilas Boas Gomes, destacou a importância desse número expressivo para a universidade e para o fortalecimento do projeto de clubes nas escolas de ensino básico. “Para nós da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência da Unicentro, é muito significativo ter os projetos que estão na nossa área de abrangência aprovados no FIciências. Primeiro porque o FIciências é uma feira de ciências muito consolidada, que busca mostrar o que temos de melhor de inovação, de ciência e tecnologia na escola. E nós, por meio dessas aprovações, estamos evidenciando a importância dos clubes de ciência, desse programa que tem sido viabilizado pela Fundação Araucária, juntamente com a SEED [Secretaria de Educação do Estado do Paraná], no qual os professores tem tido tempo e espaço, semanalmente, de estarem com as crianças e os adolescentes, elaborando perguntas de pesquisa e desenvolvendo projetos que têm várias temáticas”, comentou a coordenadora.

Para além dos resultados práticos, com criatividade e simplicidade. “Você percebe que os estudantes conseguem resolver de forma simples situações complexas e que eles têm cada vez mais buscado tecnologias alternativas para as situações que eles estão investigando. É impressionante como colaborativamente, também ali na feira, eles trocam experiências entre eles, e isso faz com que haja mais engajamento dos jovens”, prosseguiu.

Marquiana de Freitas Vilas Boas Gomes: “A criatividade dos alunos é algo surpreendente. (…) A cada ano você tem mais originalidade nos trabalhos” (Foto/Mathias Trindade)

As propostas apresentadas pelos alunos clubistas abordaram temáticas variadas, como coleta seletiva, preservação e manejo de abelhas, sustentabilidade e mudanças climáticas. Entre os destaques está o projeto “Impacto positivo da coleta seletiva no município de Boa Ventura de São Roque e na vida dos trabalhadores do centro municipal de triagem de materiais recicláveis”, desenvolvido pelos alunos Murilo Viana Fogaça, Hycaro Kaminski Rodiak e Bruna Catarina de Deus, integrantes do Clube Adonis com Ciência, do Colégio Estadual Adonis Morski. O trabalho tem como objetivo propor soluções para um problema frequente no município: a perda de materiais recicláveis devido à contaminação por resíduos orgânicos. A pesquisa avalia os impactos positivos da coleta seletiva, tanto para o meio ambiente, quanto para os trabalhadores da triagem. “Nós fomos até o centro de triagem e realizamos entrevistas para entender quanto eles ganham, que tipo de lixo chega lá. Descobrimos que muitas vezes aparecem coisas como cabeça de boi, veneno e outros materiais contaminados. Isso prejudica muito, porque eles precisam descartar o caminhão inteiro de recicláveis, por não ter como saber se o restante do material também está contaminado”, contou a estudante Bruna Catarina de Deus.

Além disso, os estudantes realizaram visitas às casas ao redor do colégio, fizeram palestras em outros colégios para conscientizar a população e instalaram lixeiras seletivas na escola. Essa edição do FIciencias foi a primeira de Bruna, ela contou que a expectativa estava muito alta e que ela se surpreendeu. “Ano passado, veio a lixeira eletrônica para a feira e eles comentaram: ‘Nossa, lá é muito legal’, e a gente veio numa expectativa muito grande, nem conseguimos dormir na van. Foi incrível, ficamos com um pouco de vergonha, mas a gente vai se soltando. É muito legal ver os outros projetos e perceber que as pessoas se interessam pelos nossos, porque a gente achava que por morarmos em uma cidade pequena, ninguém se importaria, mas muita gente veio aqui para ver”, narrou Bruna.

Os alunos Murilo Viana Fogaça, Hycaro Kaminski Rodiak e Bruna Catarina de Deus, integrantes do Clube Adonis com Ciência apresentando o projeto no FIciências (Foto/Mathias Trindade)

Acompanhando os alunos, esteve a professora Juliana Aparecida Ghiotto, responsável pelo clube Adonis com Ciência. Para ela, toda a experiência foi maravilhosa, tanto para os alunos quanto para ela como docente. “Para mim, como professora, é realizador. Ver o brilho no olhar deles, eu até falei para eles, ver essa alegria no rostinho deles, é o que faz a gente ter fé que tudo aquilo que a gente está fazendo realmente vale a pena e realmente é transformador na vida deles”

De Irati, o Centro Estadual Florestal de Educação Profissional Presidente Costa e Silva também se destacou durante a feira, com 6 projetos participantes. Mariana Mendes Mirkoski é a professora responsável pelo clube Raízes da Ciência no colégio. “Está sendo uma experiência indescritível. Porque é a primeira vez que a gente participa  de uma feira de ciências de um tamanho tão grande e tão expressiva para o Brasil. Então, a gente está adquirindo uma troca muito grande com os outros participantes, também, da exposição da feira. Além, também, de sair dessa bolha que é do município de Irati, que é uma cidade pequena. A gente então aprende um pouquinho a cada dia que estamos aqui”, declarou a professora.

Um dos projetos é da aluna Cheila Aparecida Blaszczyk, de 16 anos. O projeto de elaboração de trilhas ecológicas tem como objetivo instalar placas de educação ambiental na trilha ecológica do colégio para estimular a consciência ambiental, além de QR codes que fornecem informações sobre as árvores da instituição. “Nosso colégio vai ser aberto ao público, para a visitação, e é claro, é bem importante para conscientizar essas pessoas que irão visitá-lo”, contou a estudante.

Professora Mariana Mendes Mirkoski, do clube Raízes da Ciência acompanhada da clubista Cheila Aparecida Blaszczyk, durante o FIciências (Foto/Mathias Trindade)

Já o clube Climatize-se, do Colégio de Educação Integral Professor Pedro Carli, de Guarapuava, levou 10 projetos à feira. Acompanhados pela professora responsável pelo clube, Katiane dos Santos, os alunos desenvolveram trabalhos voltados à preservação e ao cuidado com as abelhas. Entre os destaques esteve o projeto “Modelo Didático do Desenvolvimento da Abelha Mirim: da fase ao óvulo”, elaborado pela clubista Giovanna Santos Benedetti, de 13 anos.

Durante as atividades do clube, a estudante confeccionou maquetes que mostram todas as etapas do desenvolvimento das abelhas.“Nós temos o ovo, que é quando a abelha-rainha o coloca. Depois vem a larva, que permanece nessa fase por cerca de 15 dias. Em seguida, temos a pupa, que é o terceiro estágio. O quarto é o alvéolo fechado, como se fosse o casulo da borboleta. E o quinto e último estágio é a abelha adulta”, explicou Giovanna. A estudante também destacou que o projeto se baseou nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 13 e 15, que tratam, respectivamente, da ação contra a mudança global do clima e da vida terrestre.

Giovanna Santos Benedetti do clube Climatize-se durante o Ficiências com o projeto “Modelo Didático do Desenvolvimento da Abelha Mirim: da fase ao óvulo” (Foto/Mathias Trindade)

Premiação

A Unicentro também foi destaque na premiação da feira. O estudante Tiago Vaz Machado, do clube Climatize-se, do Colégio de Educação Integral Pedro Carli, recebeu o Prêmio de Aclamação Popular pelo vídeo produzido para o Instagram do clube, no qual ele explica o projeto “Jataí: um dia na vida de uma abelha-operária”.

O projeto tem como objetivo a conscientização sobre as abelhas-sem-ferrão e as abelhas solitárias. Para isso, os estudantes utilizam a tecnologia de realidade virtual em 360°, sensibilizando as pessoas sobre os impactos das mudanças climáticas nas abelhas Jataí.

Tiago Vaz Machado: “Essa é minha primeira vez no Ficiências e é bom saber que não é só a gente, do Brasil, também têm alunos do Paraguai com projetos. Alunos da minha idade, um pouco mais velhos, que já estão conscientizados sobre as mudanças climáticas, isso é um marco pra gente” (Foto/Mathias Trindade)

A experiência é imersiva e coloca as pessoas na perspectiva da abelha, simulando cenários de seca e enchentes, e busca promover a consciência ambiental e práticas sustentáveis, como o cultivo de plantas nativas e a redução do uso de agrotóxicos. A iniciativa está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 13  que fala sobre ação climática; ao 15 sobre a vida terrestre e ao 4 sobre educação de qualidade. O projeto faz parte da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, em parceria com o Pacto Global dos Jovens pelo Clima (GYCP) e o projeto Nós Propomos! Juventude educando-se na/com a cidade, da Unicentro.

O vídeo produzido pelo estudante já ultrapassou 22 mil visualizações e 1.500 curtidas nas redes sociais. Segundo Tiago Vaz Machado, a experiência foi enriquecedora. “O evento foi muito bom. Teve uma diversidade de culturas, até pessoas do Paraguai, e vimos que o nosso pensamento é parecido, sempre voltado à mitigação e à adaptação da emergência climática. A parte da premiação foi histórica para o nosso colégio, que até então não tinha ganhado nenhum prêmio no FIciências. Isso mostra a liderança da nossa escola no tema da mitigação e adaptação à emergência climática”, destacou o estudante.

Acompanhe mais atividades dos Clubes de Ciências pelo Instagram da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência @clubesparanafazciencia e pelo site Paraná Faz Ciência.

Cinco clubes estarão entre os dias 4 e 6 de novembro na FECCI, em Curitiba

Em Curitiba, entre os dias 4 e 6 de novembro acontece a Feira de Cultura Científica Paraná Faz Ciência (FECCI), na Universidade Tecnológica Federal do Paraná – campus Neoville. A feira é direcionada a estudantes e professores da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência e da Educação Básica. No evento existem três modalidades diferentes para escolas públicas e privadas. 

A primeira é a FECCI Kids destinada a alunos do Ensino Fundamental I, de 4º e 5º anos. Em seguida, a FECCI Junior direcionada aos estudantes do Ensino Fundamental II. E para alunos do Ensino Médio, Educação Profissional Técnica de Nível Médio e Educação de Jovens e Adultos, a categoria é a FECCI Jovem.

Nos clubes do Núcleo Regional de Educação de Ivaiporã e Cianorte, cinco clubes tiveram projetos aceitos. Os trabalhos são dos clubes Reciclagem Ativa; Show da Química; Entre o passado e o presente, o que fica é a memória da gente; Horta e Compostagem Escolar e por fim, Natureza em Perspectiva.

NRE IVAIPORÃ

O grupo de Ivaiporã, Reciclagem Ativa, teve dois projetos aprovados. O ‘Reciclagem ativa: um estudo sobre a separação de materiais recicláveis na escola e na comunidade escolar’, coordenado pelo professor Lister Ricardo dos Santos, investiga e promove práticas mais eficazes na separação de materiais recicláveis. O objetivo é ampliar a conscientização e o conhecimento técnico sobre a coleta seletiva. 

Os clubistas do Colégio Estadual Bento Mossurunga, também desenvolveram o ‘Reciclagem ativa: valorizando os coletores e a Copemari em Ivaiporã–Pr’. Esta é uma pesquisa investigativa sobre a profissão de coletor de materiais recicláveis no município, com um enfoque na organização e no funcionamento da Cooperativa de Coletores de Materiais Recicláveis de Ivaiporã (Copemari). A proposta busca desmistificar a figura do coletor.

No município de Jardim Alegre, o Clube Show da Química promove o aprendizado da química por meio do teatro. O grupo apresentará na Feira a experiência da montagem da primeira peça pelos estudantes do Colégio Estadual Cristóvão Colombo: ‘A Família Periódica’. Coordenado pelo professor Fernando José Rodrigues, os estudantes também demonstrarão no evento duas reações químicas que acontecem na encenação. Entre elas:  a experiência da pasta de dente de elefante – reação do peróxido de hidrogênio com o iodeto de potássio – que libera muita espuma e um teste de substâncias que conduzem corrente elétrica em solução.

Na cidade de Lidianópolis, os clubistas do Colégio Estadual do Campo Dom Pedro I, também estarão presentes na FECCI. Os estudantes do Clube Entre o passado e o presente, o que fica é a memória da gente vão apresentar as memórias coletadas a partir de entrevistas a respeito da formação do município de Lidianópolis, com os pioneiros. Conforme a professora coordenadora, Vânia Inácio Costa Gomes, “a ideia é garantir que essas narrativas não sejam esquecidas e que as gerações futuras possam conhecer a história de sua cidade e seu município”.

O Clube Horta e Compostagem Escolar, do Colégio Estadual Arthur de Azevedo de São João do Ivaí, tem como foco principal transformar os resíduos orgânicos das refeições em adubo natural por meio da compostagem. Conforme o coordenador Ederson dos Santos Moretti, o trabalho propõe a comparação entre compostos produzidos com minhocas nativas e minhocas comerciais, a fim de identificar qual delas proporciona melhor qualidade do adubo resultante.

NRE CIANORTE 

Em São Manoel do Paraná, no Colégio Estadual Duque de Caxias, o Clube Natureza em Perspectiva apresentará em Curitiba o trabalho “Imagens que impactam: meio ambiente em foco”. O objetivo do projeto, conforme a professora Maria Josefa da Silva Tamiozzo, é estimular reflexões sobre desafios ambientais, e oportunizar o conhecimento sobre os diversos gêneros fotográficos, além do olhar crítico com registros de imagens e cenas que inspirem e tragam emoção. A iniciativa busca manter os estudantes engajados em produções de vídeos de cunho sociais, ambientais, de saúde pública e hábitos escolares.


CAP – Feira de Cultura Científica é uma ação do NAPI Paraná Faz Ciência e conta com a participação de Clubes coordenados pela UEM

A primeira edição da Feira de Cultura Científica Paraná Faz Ciência (FECCI) será realizada de 4 a 6 de novembro, na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), campus Neoville, em Curitiba. 1.500 estudantes e professores ligados a clubes de ciências paranaenses vão expor trabalhos em 381 estandes. São 8 mil metros quadrados de área reservada para o que promete ser um dos maiores eventos anuais realizados pelo Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação – NAPI Paraná Faz Ciência. A Universidade Estadual de Maringá (UEM), que compõe o Arranjo, tem uma grande equipe atuando na logística e na comunicação da Feira.

A FECCI é voltada a estudantes e professores da Educação Básica do Paraná com idades a partir de 6 anos, além de visitantes que gostam de ciência e inovação. O objetivo é potencializar a cultura e a produção do conhecimento científico e tecnológico. As equipes participantes estão divididas em três categorias: FECCI Kids, que abrange os alunos do 4º e 5º anos do Ensino Fundamental I; FECCI Júnior, para alunos do Fundamental II; e FECCI Jovem, acolhendo alunos do Ensino Médio, Técnico e Ensino de Jovens e Adultos (EJA).

A Feira está sendo organizada desde julho, quando começaram as inscrições, que passaram de mil. Deste total, 381 trabalhos foram selecionados por uma grande equipe de diferentes instituições e esferas públicas, com o objetivo de unir esforços na divulgação e popularização da ciência no estado.

Rede de Clubes de Ciências

Do total de projetos selecionados, 298 correspondem a projetos e trabalhos enviados pelos clubistas da Rede de Clubes Paraná Faz Ciências, coordenada pelo NAPI Paraná Faz Ciência. A Rede é resultado dos investimentos do governo do Paraná para financiar a participação de alunos e professores e do trabalho da equipe de todas as Instituições de Ensino Superior (IES).

A Universidade Estadual de Maringá coordena 26 clubes, 22 tiveram projetos aprovados para a FECCI e 18 confirmaram presença no evento. Um exemplo, é o CAPCiência, do Colégio de Aplicação Pedagógica (CAP), da Universidade Estadual de Maringá (UEM), apresentará quatro trabalhos.

O Clube CAPCiência, do Colégio de Aplicação Pedagógica da UEM, é um dos integrantes da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência (Foto/Ana Arenso)

“Queremos ter na FECCI algo como temos nos congressos do ensino superior, com apresentação de trabalhos. No nível da Educação Básica temos as feiras de ciências, que são também formas de avaliação desse trabalho desenvolvido na iniciação científica”, afirma a articuladora do NAPI Paraná Faz Ciência e membro da coordenação da FECCI, Débora de Mello Sant’Ana.

Desde a preparação para a Feira, os alunos já começam a aprender inúmeros aspectos da metodologia da pesquisa científica. “Tudo isso aliado à vivência nos dias da Feira em si se transformam num treinamento científico muito importante para formação desses estudantes”, destaca a articuladora.

O articulador do NAPI PRFC, Rodrigo Reis, faz questão de enfatizar o movimento de articulação junto às escolas e, especificamente, à Rede de Clubes Paraná Faz Ciência para ampliar a participação na Feira: “É uma responsabilidade enorme o movimento que a gente está fazendo, trazendo estudantes e professores do Paraná inteiro, principalmente aqueles vinculados aos Clubes de Ciências. Vamos receber no campus da UTFPR quase duas mil pessoas, o que gera uma expectativa gigantesca para que o evento seja o maior sucesso possível”.

Mascotes

A equipe de Arte vinculada à UEM, parte da Comunicação do NAPI PRFC, foi responsável por toda a identidade visual da FECCI, proposta pelo comunicólogo Lucas Higashi. Outra integrante do grupo, Any Veronezi, se encarregou da criação das mascotes Luna e Cosmos.

A ilustradora responsável pela criação de Luna e Cosmos é Any Caroliny Veronezi, formada em Artes Visuais pela UEM, sob a coordenação da jornalista Ana Paula Machado Velho, do NAPI PRFC (Ilustração/Conexão Ciência)

A bióloga e coordenadora de Infraestrutura da FECCI, Juliana Ferrari, acredita que o evento será incrível. Ela explica que haverá um grande espaço para os estandes dos projetos dos clubes, um segundo com 130 expositores e com o palco, e um terceiro galpão com mais expositores e a área de alimentação e a Doca, onde estarão estacionados os veículos de ciência móvel: Zikabus, MarBrasil e Carreta da Polícia Científica. “Teremos ainda uma área de 3 mil metros quadrados para exposições do Parque da Ciência Newton Freire Maia e 26 estandes de 32 expositores parceiros”, completa. O Museu Dinâmico Interdisciplinar (Mudi/UEM) também participa da FECCI com a exposição Corpo Humano, do projeto Muditinerante.

Os trabalhos apresentados concorrem a prêmios. São produtos apreendidos, que foram doados pela Receita Federal. O professor Rodrigo Reis registra que é um lote de R$ 350 mil, com eletrônicos e outros gadgets que vão ser entregues aos primeiros lugares das categorias participantes da FECCI

SERVIÇO

FECCI – Feira de Cultura Científica Paraná Faz Ciência

De 4 a 6 de novembro de 2025

Horário: 9 às 17 horas

Local: UTFPR – Campus Neoville – Cidade Industrial de Curitiba (CIC) – Rua Pedro Gusso, 2601, em Curitiba.

Observação: Entrada gratuita e aberta à comunidade em geral

Sete clubes estarão entre os dias 4 e 6 de novembro na FECCI, em Curitiba

A Feira de Cultura Científica Paraná Faz Ciência (FECCI), sediada na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) – Campus Neoville, em Curitiba, está marcada para os dias 4 a 6 de novembro. O evento é voltado para estudantes e professores da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência e da Educação Básica exporem seus trabalhos. São 400 vagas para os grupos, formados por até no máximo três estudantes e um professor orientador – e caso houver, mais um coorientador. 

O evento é organizado em três modalidades e podem participar escolas públicas e privadas. A primeira categoria é a FECCI Kids, destinada a alunos do Ensino Fundamental I, de 4º e 5º anos. Em seguida, a FECCI Junior direcionada aos estudantes do Ensino Fundamental II. Para os alunos do Ensino Médio, Educação Profissional Técnica de Nível Médio e Educação de Jovens e Adultos, a categoria é a FECCI Jovem.

No Núcleo Regional de Educação de Umuarama, sete clubes tiveram projetos aceitos. Os trabalhos são dos grupos: Green Lab; Ilha da Ciência; Paisagismo Sustentável; BentoBee; Experimentando a Ciência: Descobrindo Cores e Novos Sabores; Tenda Cultura Viva e Dengue Bot.

NRE UMUARAMA

O grupo de Cruzeiro do Oeste, Green Lab, teve dois projetos aprovados. O ‘Transformando óleo residual em sabão sustentável’, coordenado pelo professor Rafael Fernando de Melo, tem como principal objetivo a promoção da educação científica por meio de práticas sustentáveis, especialmente a reutilização do óleo de cozinha usado. Os clubistas do Colégio Estadual Almirante Tamandaré, aliaram ciência, sustentabilidade e ação social, com oficinas para a produção de sabão sólido e líquido a partir do óleo, enriquecido com aditivos naturais como folha de mamão e cravo-da-índia. Conforme o professor, “a iniciativa possibilitou a conscientização ambiental da comunidade escolar, o desenvolvimento de competências em química e empreendedorismo entre os estudantes, além da integração da população local por meio da comercialização simbólica do produto”.

O ‘Diagnóstico sobre o descarte e a reutilização do óleo de cozinha na comunidade escolar’ é o segundo projeto e tem uma relação direta com o primeiro. O objetivo, segundo o coordenador, é examinar os hábitos de consumo e de descarte do óleo pela comunidade escolar, observando as práticas corretas e as inadequadas. Os clubistas aplicaram questionários a estudantes, professores, funcionários e pais, permitindo traçar um panorama sobre o conhecimento e a consciência ambiental desse público. Os resultados mostraram que a maior parte das pessoas reutiliza o óleo diariamente, sendo a produção de sabão a forma mais comum disso. Enquanto aqueles que ainda descartam óleos de maneira incorreta, estão dispostos a participarem de projetos de coleta e reciclagem.

Em Altônia, o projeto aprovado é o ‘Germinação e crescimento brinco-de-índio (Cojoba arborea) em rolos de papel higiênico’ desenvolvido pelo Clube Ilha da Ciência. A intenção com o trabalho é investigar a germinação e o crescimento da planta ornamental brinco-de-índio utilizando rolos de papel higiênico como suporte inicial de cultivo. Segundo a professora Camila de Medeiros, o grupo do Colégio Estadual Lúcia Alves de Oliveira Schoffen fez o plantio e acompanha o desenvolvimento das plantas.

No Clube Paisagismo Sustentável de Alto Piquiri, o projeto “Paisagismo sustentável” da  Escola Estadual Manuel Bandeira busca revitalizar espaços escolares por meio do reaproveitamento de materiais recicláveis, o uso de materiais alternativos e a aplicação de tecnologias sustentáveis. Dessa forma, como explica a coordenadora e professora Katia Regina Cosmo, o objetivo é integrar conhecimentos científicos e consciência ambiental. Na feira, os clubistas irão apresentar as maquetes e protótipos do sistema de irrigação inteligente controlado por smartphone e o sistema de irrigação suspenso e móvel.

O Clube BentoBee, do Colégio Estadual Bento Mossurunga, também de Umuarama, vai apresentar o projeto ‘Bentobee: educação científica e meliponicultura: um caminho para a conservação das abelhas nativas’. A intenção, segundo o professor coordenador, Fernando Rodrigo Bertusso, é popularizar informações sobre as abelhas nativas a fim de compreender a importância delas para a manutenção da biodiversidade. Além de identificar as diferentes características e açúcares redutores do mel de dez espécies de abelhas nativas.

Na Escola Estadual Jardim Canadá, em Umuarama, o trabalho ‘Novas estratégias para a merenda escolar: pães enriquecidos e jogos didáticos’ foi realizado no Clube Experimentando a Ciência: Descobrindo Cores e Novos Sabores. Conforme a professora coordenadora Juliana Bueno Ruiz, o projeto  busca compreender as preferências alimentares dos estudantes em relação à merenda escolar e desenvolver estratégias que incentivem hábitos mais saudáveis. Novos produtos alimentícios estão sendo desenvolvidos, como pães enriquecidos com chuchu, que passam por testes de aceitação sensorial com os alunos. Além da criação de materiais didáticos lúdicos, incluindo jogos analógicos e digitais, para trabalhar o tema da educação alimentar.

No Clube Tenda Cultura Viva, do Colégio Estadual Professora Hilda Trautwein Kamal, o tema pesquisado pelo grupo é a expressão cultural dos povos Africanos e Indígenas. O objetivo do projeto aprovado ‘Tenda cultura viva – segredos escondidos’ é desenvolver e aprofundar conhecimentos sobre esses povos, a partir da análise de adornos e objetos ligados a essas culturas. De acordo com a professora coordenadora Oslaine Barrim Batista, os alunos refletem sobre a presença desses elementos na construção da cultura brasileira.

Enquanto isso, no Clube Dengue Bot, do Colégio Estadual Vereador José Balan, dois projetos foram aprovados. O primeiro ‘Protótipo de robô autônomo para auxílio no combate ao Aedes Aegypti em ambiente escolar: otimização de repelente natural com citronela’ busca combater o Aedes Aegypti no ambiente escolar e mostrar a redução significativa da presença do mosquito na região de aplicação com o protótipo. A iniciativa surgiu para evitar faltas e risco à saúde das pessoas ligadas à comunidade escolar.

O segundo trabalho ‘Análise comparativa: eficiência de painéis solares fixos vs. rastreadores solares automatizados’ propõe investigar, por meio de uma abordagem prática e da robótica educacional, o uso de sistemas de rastreamento solar para otimizar a captação de energia em comparação com painéis estáticos. O professor Maikon Douglas Schmidt explica que será realizada uma análise dos dados, calculando a potência e a energia total produzida, comprovando ou refutando a hipótese de que o rastreador solar gera uma quantidade significativamente maior de eletricidade.

Convocadas para o intercâmbio internacional, clubista e professora poderão vivenciar experiências acadêmicas no exterior

Clubistas Exploradores da Ciência conhecendo horta UENP (Foto/Ana C. Amaral).
Clubistas Exploradores da Ciência conhecendo a horta UENP (Foto/Ana C. Amaral)

Participar de um intercâmbio possibilita a troca de experiências que vão além dos estudos. Proporciona também a ampliação da visão de mundo, aspecto fundamental para o trabalho científico.

O Programa de Intercâmbio Internacional Ganhando o Mundo – da Secretaria Estadual de Educação (SEED) -, responsável por promover o intercâmbio de estudantes e professores da rede pública de ensino do Paraná, terá em 2025/2026 uma estudante e uma professora clubista da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, vinculadas à UENP – Universidade Estadual do Norte do Paraná.

A estudante e clubista Lorrainy Leandra (Clube Agrociência) e a professora clubista Ana Paula Vieira (Clube Exploradores da Ciência) falaram sobre o que sabem a respeito do intercâmbio que ocorrerá no próximo ano e compartilharam suas expectativas. Vamos conhecê-las?

Foto da clubista Lorrainy Leandra (Foto/Arquivo pessoal)

Membro do Clube de Ciências Agrociência, Lorrainy Leandra da Silva Oliveira é estudante do Colégio Estadual Maria Francisca de Souza, localizado no município de Barra do Jacaré. Atualmente, cursa o 1º ano do Ensino Médio e contou um pouco sobre suas expectativas em relação ao intercâmbio:

“Ainda não sei para onde vou, vai ser uma surpresa para mim, mas vou passar seis meses lá. Estou com um pouco de medo, mas, ao mesmo tempo, feliz e animada com essa oportunidade.”

Foto da professora clubista Ana Paula Vieira (Foto/Arquivo pessoal)

A professora Ana Paula Vieira é formada em Ciências Biológicas e mestre em Ensino pela UENP. Atua como professora no Colégio Estadual Marcílio Dias, localizado no município de Itambaracá, pertencente ao NRE de Cornélio Procópio, e é coordenadora do clube Exploradores da Ciência. Em 2025, realizou a inscrição no Programa Ganhando o Mundo Professor e foi selecionada para participar de uma formação de três semanas no Canadá.

Perguntada sobre o que espera do programa, ela contou: “Minhas expectativas para a viagem são de muita aprendizagem, de contato com os professores do exterior e de observar como eles aplicam suas metodologias em sala de aula. Quero voltar com uma bagagem de conhecimento para compartilhar com meus colegas professores e, principalmente, aplicar essas metodologias em sala de aula para promover o conhecimento científico dos nossos estudantes paranaenses.”

Grupo de clubistas Exploradores da Ciência recebem instruções no corredor da UENP (Foto/Ana Caroline Amaral)

O fazer científico não tem fronteiras. Ter a possibilidade de conhecer novas pessoas, instituições, culturas, comidas, rotinas e idiomas é essencial para a formação acadêmico-científica e como cidadão. Desejamos um excelente intercâmbio e que, nas malas, tragam memórias alegres e muito conhecimento para compartilhar com toda a comunidade!

Licenciandos da UFFS de Realeza conduzem simulação prática de tratamento de água contaminada para apoiar pesquisas locais de estudantes

A imagem mostra um grande grupo de estudantes e professoras reunidos em um espaço ao ar livre. Eles posam para a foto sob uma pérgola de madeira coberta por folhas verdes e flores lilases, que criam sombra no ambiente. A maioria usa uniforme azul e branco escolar, e todos sorriem para a câmera. O chão é de tijolos e, ao fundo, há um muro de pedra e vegetação. A cena transmite acolhimento e espírito de grupo.
Clubistas e professoras do Colégio José de Anchieta (Foto/Cláudia Fioresi)

Em uma iniciativa que une a formação universitária e a pesquisa escolar, licenciandos da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) – Campus Realeza (PR) ministraram a oficina “Lixo Eletrônico e Metais Pesados”, no Colégio Estadual José de Anchieta, em Dois Vizinhos.

A atividade foi conduzida pelas licenciandas Gabriela Sierota, Giulia Caponi e Kassiane Brandão, sob a orientação da Prof.ª Dr.ª Cláudia Fioresi, e reuniu 35 alunos do 8º e 9º ano, membros do Clube de Ciências do Colégio e do Clube Maker Ceja, coordenados respectivamente pelas professoras Bruna Mara de Lima e Fernanda Meredyk.

A oficina teve como principal finalidade sensibilizar os clubistas sobre os impactos da contaminação por metais pesados no solo e na água, identificando suas fontes, consequências ambientais e para a saúde.

A introdução à temática foi feita através de uma apresentação dialogada que abordou a descrição de metais pesados, suas origens (naturais e antrópicas), conceitos como bioacumulação e biomagnificação. Além disso, foram discutidas possibilidades de mitigação, como logística reversa, fitorremediação, uso de biocarvão e atitudes comunitárias, estimulando a reflexão sobre situações ambientais locais.

O ponto alto foi a atividade prática demonstrativa, que simulou o tratamento de água contaminada por metais pesados, utilizando o cobre como exemplo. Os licenciandos trabalharam com uma solução de íons de cobre, à qual adicionaram cal para elevar o pH (favorecendo a precipitação do metal) e, em seguida, polissulfato de alumínio, que atuou como coagulante.

Os alunos puderam acompanhar as transformações químicas, relacionando-as a conceitos de ácido e base, variação de pH e técnicas de tratamento de efluentes. Dessa forma, a atividade contribuiu para a compreensão prática de como a química pode ser aplicada na redução da contaminação da água.

Ao final da oficina, foi proposto às professoras um plano de ação para a continuidade dos estudos, visando estimular a autonomia docente e a reflexão crítica dos estudantes. Este aprendizado fortalece o protagonismo dos jovens, promove a conscientização e incentiva a busca por soluções ambientais locais, integrando a UFFS à escola na construção da cultura científica.

O conhecimento adquirido é um suporte direto aos projetos de pesquisa em desenvolvimento nos clubes: um deles investiga o descarte de lixo eletrônico e seus impactos ambientais (solo, água, possível contaminação do corpo humano) e trabalha com robótica (Arduino) para soluções sustentáveis, como lixeiras inteligentes; o outro projeto, foca no crescimento de espécies nativas em solo contaminado.