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II WORKDHOP DO NAPI PARANÁ FAZ CIÊNCIA

Os alunos do Colégio Sertãozinho representam o Clube de Ciências na Feira de Cultura Científica, com projeto sobre microrganismos

Grupo de estudantes e professoras do Colégio Estadual Cívico-Militar Sertãozinho, em Matinhos (PR), posa em frente ao portão da escola. Todos vestem jalecos brancos com o emblema do colégio, simbolizando a participação no Clube de Ciências Ecocientistas. Ao fundo, é possível ver o prédio da instituição e o brasão do colégio acima do portão azul.
Alunos, professores e pedagogos do Clube de Ciências do Colégio Estadual Cívico-Militar Sertãozinho (Foto/Arquivo pessoal)

Os estudantes do Colégio Estadual Cívico-Militar Sertãozinho, coordenados pela professora Luciana Martins, foram selecionados para representar o Clube de Ciências Ecocientistas na Feira de Cultura Científica (FECCI), que será realizada na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), em Curitiba, entre os dias 4 e 6 de novembro. 

O projeto apresentado pelo clube, intitulado “Microorganismos no Ambiente Escolar: Desafios e Soluções para a Saúde dos Estudantes”, foi desenvolvido no âmbito dos Clube de Ciências da Unespar e tem como foco investigar a presença de microrganismos em diferentes espaços da escola, propondo ações de prevenção e conscientização sobre saúde e higiene.

Na imagem, dois estudantes do Colégio Estadual Cívico-Militar Sertãozinho, em Matinhos (PR), posam sorridentes em frente ao mural da escola, que exibe o logotipo com um golfinho e o nome da instituição. Ambos vestem jalecos brancos com o emblema do colégio, representando o Clube de Ciências Ecocientistas.
Os estudantes Agatha da Cunha Kulesza (3C) e Maicon Rafael Ribeiro Pereira (2FD) irão representar o Clube de Ciências do Colégio Estadual Cívico-Militar Sertãozinho, na Feira de Cultura Científica em Curitiba (FECCI), apresentando o projeto “Microorganismos no Ambiente Escolar: Desafios e Soluções para a Saúde dos Estudantes” (Foto/Arquivo pessoal)

A pesquisa teve início com a aplicação de questionários sobre hábitos de higiene entre os estudantes, seguida pela coleta de amostras em locais estratégicos da escola – utilizando o método de esfregaço em Placas de Petri nutritivas. As análises revelaram a proliferação de fungos em algumas áreas, assim como pontos mais suscetíveis à contaminação.

Com o avanço do estudo, novas coletas estão sendo realizadas em períodos de temperatura mais elevada, permitindo comparar os resultados e identificar como as condições climáticas influenciam o desenvolvimento dos microrganismos.

Além da parte experimental, o projeto inclui a produção de materiais educativos, como panfletos e vídeos informativos, voltados à comunidade escolar, com orientações sobre a importância da higiene pessoal e coletiva na prevenção de doenças infectocontagiosas, especialmente as de caráter sazonal causadas por vírus, fungos e bactérias.

Na imagem, uma estudante do Colégio Estadual Cívico-Militar Sertãozinho, em Matinhos (PR), realiza uma atividade prática no laboratório escolar. Ela manipula placas de Petri sobre a bancada, utilizando fita adesiva e materiais de higiene, enquanto outro estudante anota observações ao lado. Um notebook aberto auxilia o registro das etapas do experimento.
Estudantes do Clube de Ciências Ecocientistas realizam coletas e análises em laboratório para o projeto sobre microrganismos no ambiente escolar (Foto/Arquivo pessoal)

Os protótipos incluem varal automático assistivo, semáforo inteligente, mão robótica e caixa de cultivo automatizada

Dois alunos em uma sala de aula trabalhando em um projeto de robótica. Eles estão em pé em volta de uma mesa redonda branca, que possui sobre ela dois carrinhos de controle remoto ou protótipos de veículos. Um deles é vermelho com rodas amarelas, já montado e com aparência de brinquedo pronto; o outro está em processo de montagem, com fios, componentes eletrônicos e estrutura exposta. Na mesa também há ferramentas e materiais.
Os alunos do Clube Riso aprendem Robótica de forma divertida (Foto/Arquivo pessoal)

O Clube Riso, do Colégio Estadual Manoel Antônio Gomes, em Reserva, está usando tecnologia e metodologias Maker para desenvolver a autonomia, inclusão e habilidades sociais. Os estudantes utilizam a robótica assistiva para suprir a demanda de estratégias inovadoras para melhorar o desempenho e o engajamento dos alunos. Além disso, eles pretendem aumentar a qualidade de vida de pessoas com deficiência.

O Clube é articulado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), no NAPI-Paraná Faz Ciência, com reuniões às quartas-feiras, à tarde. Com interesse na área de Robótica, a equipe reúne alunos desde o 9º ano do Ensino Fundamental até o 2º ano do Ensino Médio.

A imagem mostra um grupo de jovens em uma sala de aula, trabalhando em atividades práticas relacionadas à eletrônica. No primeiro plano, à esquerda, uma estudante está sentada, concentrada em manusear fios elétricos. Sobre a mesa à sua frente há um grande emaranhado de cabos coloridos, provavelmente utilizados em circuitos. Ao fundo, três rapazes estão em pé, colaborando em algum trabalho manual com fios ou componentes.
Os estudantes aprenderam a manusear fios e componentes eletrônicos (Foto/Arquivo pessoal)

Dentre os protótipos, destaca-se o varal automático assistivo, que chegou a ser construído para apresentação. Entretanto, devido às reformas na escola e à ausência de espaço adequado para armazenamento, a maquete precisou ser desmontada. Já os demais protótipos, como o semáforo inteligente assistivo, a mão robótica com Arduino e a caixa de cultivo automatizada, estão na fase de pesquisa inicial.

A imagem mostra quatro estudantes; dois deles, à esquerda, estão apenas observando, enquanto o terceiro, de óculos e casaco preto, manipula uma maquete apoiada sobre duas carteiras escolares. A maquete representa uma casa com telhado, cercas e estruturas anexas, sugerindo um projeto escolar de arquitetura, urbanismo, ciências ou tecnologia. À direita, uma aluna de blusa branca com listras pretas também observa atentamente a apresentação.
A maquete do “Varal Dona Maria” foi feita pelos próprios alunos (Foto/Arquivo pessoal)

O avanço dos dispositivos foi temporariamente interrompido, pois a sala de Robótica começou a ser reformada. Além disso, há a necessidade de alguns equipamentos fundamentais, a exemplo da impressora 3D, cortadora a laser e outras ferramentas indispensáveis para a construção da parte física dos modelos.

Com este contratempo, o clube desviou momentaneamente do planejamento original e direcionou esforços para a construção de um carrinho de sumô controlado por Bluetooth, utilizando a placa ESP32, bem como de um carrinho seguidor de linha.

A turma se organizou em equipes para as competições: quatro alunos irão compor a equipe responsável pelo Robô Sumô e outros quatro integrarão a equipe do Robô Seguidor de Linha. Ainda assim, todos os demais estudantes permanecem envolvidos, seja por meio de discussões técnicas, sugestões de melhorias ou apoio no processo de testes e ajustes.

Próximos passos

De acordo com a professora Janinha Aparecida Pereira, coordenadora do clube, as etapas de pesquisa e programação já estão em estágio avançado. Nas palavras dela, “o primeiro passo será a reconstrução da maquete do Varal da Dona Maria, seguido da organização dos estudantes em grupos para o desenvolvimento dos demais projetos: semáforo inteligente assistivo, caixa de cultivo automatizada e mão robótica.”

Com a conclusão da reforma do laboratório de Robótica e as inscrições para os novos integrantes do clube a partir do próximo ano letivo, Janinha também espera ampliar a participação dos estudantes.

A coordenadora do projeto acrescentou que o eixo central de todos os protótipos será sempre promover a qualidade da vida de todas as pessoas com deficiência, mobilidade reduzida e idosos, “reafirmando o compromisso social e inclusivo que fundamenta o projeto”.

A imagem mostra um grupo de pessoas reunidas em uma sala, celebrando uma confraternização. Na frente, há uma mesa redonda com comidas e bebidas. Algumas pessoas estão em pé atrás da mesa, enquanto outras estão sentadas ou agachadas à frente, todas sorrindo e olhando para a câmera. A maioria veste camisetas pretas ou brancas com o mesmo logotipo, indicando que fazem parte do projeto ligado à robótica (há a palavra ROBO em algumas camisetas). Duas mulheres, à direita, usam camisetas diferentes — uma amarela e outra branca, e parecem ser professoras ou responsáveis. No fundo da sala, há armários, prateleiras com equipamentos e caixas organizadas. Também se vê um notebook aberto sobre uma mesa lateral.
Alunos do Clube Riso em confraternização da turma (Foto/Arquivo pessoal)

O que os alunos acham?

Para a aluna Rafaela, do 1º ano A, os projetos ajudam a desenvolver várias habilidades que poderão ser usadas no mercado de trabalho, como saber trabalhar em equipe e resolver problemas. A estudante Bárbara, da mesma turma, também vê perspectiva futura na área de Robótica, inclusive quando imagina o Ensino Superior ou uma profissão relacionada com os projetos que desenvolvem no Clube de Ciências.

Já o aluno Luís Guilherme, do 2º ano B, afirmou que as notas melhoraram após a entrada no projeto, como Matemática e Ciências, o que o motivou com a escola. O estudante Cadu, do 1º ano A, também viu melhoria nas notas, principalmente nas disciplinas de Português e Ciências.

A imagem mostra um jovem trabalhando em um projeto eletrônico sobre uma mesa. No centro da cena há diversos fios coloridos conectados a uma protoboard e a uma placa Arduino, indicando uma atividade de programação e montagem de circuito. Também aparecem outros materiais e componentes, usados para programar ou monitorar o sistema. Outros dois alunos estão ajudando e observando. O ambiente transmite a ideia de um trabalho prático de robótica ou eletrônica aplicada, combinando programação, montagem e testes experimentais.
Clubistas trabalhando em um projeto eletrônico (Foto/Arquivo pessoal)

Nas palavras de Vitor, do 2º ano A, “o Clube mudou toda a minha visão sobre pesquisa, pois comecei a fazer com mais frequência. Assuntos que eu tinha mais interesse, eu comecei a conversar com os meus amigos. A pesquisa, realmente, foi o ponto mais forte que eu percebi que desenvolvi”. Ele gostou, mesmo, de programar.

Heitor, do 9º ano A, disse que ele e os amigos começaram a pesquisar mais em casa, ver mais vídeos, tutoriais e até compartilhar ideias entre o grupo. “E até a conversa não era só sobre jogos ou zueira, mas também sobre projetos e tecnologia”, contou.

Os projetos serão expostos durante o evento, marcado para novembro, em Curitiba

Para trazer mais visibilidade aos trabalhos científicos desenvolvidos na Educação Básica, o Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação – NAPI Paraná Faz Ciência realizará a Feira de Cultura Científica (FECCI). A Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA) teve cinco clubes com projetos aprovados no evento, que será realizado entre os dias 4 e 6 de novembro, em Curitiba.

A FECCI tem caráter técnico-científico e será sediada na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR – Sede Neoville), em Curitiba. Os participantes foram divididos em três categorias: FECCI Kids (Ensino Fundamental I), FECCI Junior (Ensino Fundamental II) e FECCI Jovem (Ensino Médio, Educação Profissional Técnica de Nível Médio e Educação de Jovens e Adultos).

As pesquisas serão apresentadas durante a Feira, que também conta com o apoio da Fundação Araucária, da Secretaria de Estado de Educação (SEED) e da Secretaria de Estado Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (SETI). Para o professor Ronaldo Adriano Ribeiro da Silva, coordenador institucional do NAPI PRFC pela UNILA, o envolvimento dos clubes é muito importante.

Segundo o docente, esse engajamento revela como é essencial incentivar a divulgação científica e o “fazer ciência” no espaço escolar. “Isso mostra, principalmente, a dedicação dos professores clubistas e dos alunos clubistas em fazer o melhor e desempenhar com qualidade os trabalhos que vão ser apresentados nessa feira”, destaca.

A UNILA possui clubes do Núcleo Regional de Educação (NRE) de Foz do Iguaçu e do NRE de Francisco Beltrão. Do primeiro, foram 5 trabalhos de clubes selecionados para a FECCI Jovem. Já do segundo Núcleo, há 2 trabalhos de clubes aprovados na FECCI Júnior e 1 na FECCI Jovem. Veja quais foram os projetos nos dois quadros abaixo:

A imagem mostra uma lista com o nome dos clubes, cidade, escola e trabalhos aprovados no evento.
Quadro com clubes ligados ao NRE de Foz do Iguaçu com trabalhos aprovados para a FECCI Jovem (Arte/Isabella Abrão)

A imagem mostra uma lista com o nome dos clubes, cidade, escola e trabalhos aprovados no evento.
Quadro com clubes ligados ao NRE de Francisco Beltrão, com trabalhos aprovados para a FECCI Jovem e para a FECCI Junior (Arte/Isabella Abrão)

Os clubes de Palmas, Chopinzinho e Pato Branco preparam-se para a FECCI, que será em Curitiba

No primeiro plano da foto, é possível observar uma estudante apontando para um álbum de fotos, apresentando o projeto O Curso da Vida para uma visitante dos estandes. Ao seu lado e ao fundo, mais estudantes do clube apresentam outros materiais, que incluem colmeias de abelhas sem ferrão. O espaço geral é preenchido por banners, mesas e visitantes.
Clubistas do Somos Fãs de Lavoisier, apresentando seu trabalho na I Mostra de Clubes de Ciência, em Guarapuava, o clube estará também na FECCI (Foto/Talula)

Entre os dias 4 e 6 de Novembro, ocorre a Feira de Cultura Científica Paraná Faz Ciência, organizada pelo NAPI Paraná Faz Ciência. O evento funciona como um incentivo para estudantes e professores da educação básica do Paraná produzirem cultura, conhecimento científico e tecnológico. Entre os selecionados para apresentação de trabalhos na mostra FECCI JÚNIOR, estão cinco clubes de ciência articulados pela IFPR campus Palmas: Somos Fãs de Lavoisier, Arquitetos da Natureza, Raízes D’Água, Objetivos do Desenvolvimento Sustentável em Ação (ODS em Ação) e o clube maker Ciências no Quilombo.

O clube Somos Fãs de Lavoisier é do Colégio Estadual do Campo Cely Tereza Grezzana, de Chopinzinho, e apresentará O Curso da Vida. Esse projeto envolveu a criação de uma maquete de 5 metros de comprimento sobre o Rio Iguaçu e seus afluentes. O modelo é hoje um ponto da rota turística oficial da cidade e está aberto para receber visitantes. As visitas promovem educação científica, valorização ambiental e integração social tanto aos turistas, quanto aos estudantes, que guiam as visitas no chamado Barracão Pedagógico.

A foto mostra a maquete do clube Somos Fãs de Lavoisier, com mais de cinco metros de comprimento, ela representa o Rio Iguaçu e uma curiosidade é que a água realmente corre pela maquete. Na foto, um clubista e uma professora estão ao lado da maquete, que tem um bom ângulo de inclinação. No modelo, é possível observar pequenas árvores, casinhas, estradas, mini-hidrelétricas e é claro, o rio.
Maquete do projeto Curso da Vida, do Clube Somos Fãs de Lavoisier. Com 5 metros de comprimento, a miniatura é um ponto turístico da cidade (Foto/Talula)

Já de Palmas, o primeiro representante é o clube Arquitetos da Natureza,  do Colégio Estadual Dom Carlos, que estará no evento com dois trabalhos: a) Avaliação de cobertura morta em cultura de alface consorciado com rabanete, sob manejo orgânico e b) Ciência que dá gosto – vinagre artesanal. Em ambos projetos, destaca-se o uso de matéria orgânica para a produção de alface e de vinagre artesanal. Os projetos têm o objetivo de reduzir o desperdício e incentivar práticas sustentáveis no ambiente escolar.

Também de Palmas é o clube Raízes D’Água, do Colégio Estadual do Campo São Roque, que apresentará seu trabalho Hidroponia na escola do campo – ciência verde e sustentável. O projeto é sobre plantações hidropônicas, em especial hortaliças, para locais com dificuldade de acesso a alimentos frescos. Os clubistas apresentarão seu protótipo de sistema que possibilita colheitas antecipadas, monitoramento de pH e condutividade, e ainda o uso de casca de ovo como substrato.

A foto mostra uma estrutura feita de canos de PVC em uma estrutura metálica similar a uma mesa. abaixo dela, um galão de água e nutrientes se conecta aos canos. Nesses, há ainda pés de alface, ainda em fase inicial de desenvolvimento
O modelo de hidroponia do clube Raízes D’Água. O clube teve a oportunidade de levar o projeto também ao 5º Paraná Faz Ciência, em Guarapuava (Foto/Arquivo)

O ODS em Ação é um clube de Pato Branco, do Colégio Estadual São João, e seu projeto envolve a construção de uma mini-usina industrial de laboratório para reciclagem do óleo de cozinha usado. O projeto ainda está se desenvolvendo, mas entre os produtos da reutilização do óleo visados estão cosméticos, sanitizantes e biocombustíveis.

A foto mostra clubistas em laboratório, em uma bancada de mármore, eles fazem testes com óleo de cozinha. Esse está armazenado em um grande pote de vidro, sendo colocado em um tubo de ensaio.
Foto do clube ODS em Ação em ação no seu laboratório. No momento o clube faz testes com o óleo de cozinha, avançando nas etapas da sua mini-usina, (Foto/Arquivo)

Evento reuniu estudantes e professores de todo o estado, destacando projetos inovadores e o entusiasmo pela pesquisa científica

Na foto apresentada, é possível ver no fundo da imagem atrás dos alunos e professores, em destaque, a I Mostra da Rede de Clubes Paraná FAZ Ciência, todos celebram a participação no dia da feira, depois de um dia muito produtivo.
Clubistas de clubes da Unioeste reunidos para foto na I Mostra da Rede de Clubes Paraná faz Ciência (Foto/ Arquivo pessoal)

No dia 2 de outubro, Guarapuava recebeu a I Mostra da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, um evento que reuniu clubes de diversas regiões do estado para apresentar projetos científicos em andamento. A Unioeste teve destaque com a participação de 16 clubes e 34 trabalhos expostos, abordando temas variados que refletem o potencial e a criatividade dos estudantes.

A clubista Emilly Vitória Queiroz Gomes, integrante do clube Meninas na Ciência – Projeto Caminhos na Ciência, do Colégio Estadual Padre Carmelo Perrone, de Cascavel, relatou sua alegria em participar da mostra. “Estou muito feliz, a experiência está sendo muito legal. Eu sou integrante de um clube feito por 5 meninas, e poder expor o trabalho feito por mim e por minhas amigas para tanta gente é muito gratificante”, comemora.

I Mostra da Rede de Clubes Paraná faz Ciência (Foto/Victor Alves)

A professora Tatiane Staub, do Colégio Estadual Teotônio Vilela, de Santa Helena, apresentou com seus alunos um projeto de reutilização de óleo de cozinha para produção de velas aromáticas e sabão. Ela destacou a importância da vivência. “É a primeira experiência dos meus alunos com esse tipo de evento científico, e eles estão muito empolgados. Querem continuar, querem fazer mais ciência, e isso me deixa muito feliz”, conta a docente.

O entusiasmo dos participantes reforça o papel transformador dos Clubes de Ciências, que incentivam o protagonismo estudantil, a curiosidade científica e o aprendizado prático em todo o Paraná.

Evento realizado junto à Feira de Profissões movimentou o campus da UNIOESTE com 34 trabalhos de diferentes áreas, aproximando jovens da ciência e da vida universitária

Clubistas do Clube de Ciências CEJE, do Colégio Estadual Jardim Europa, de Toledo, em exposição de trabalho na UnioCiências. Pode-se observar na foto os três alunos envolvidos no projeto, na imagem se observa o foguete, o carro e o controle remoto, produtos de sua apresentação.
Clubistas do Clube de Ciências CEJE, do Colégio Estadual Jardim Europa, de Toledo, em exposição de trabalho na UnioCiências (Foto/ Arquivo pessoal)

Na quinta-feira, 11 de setembro, a Unioeste (Universidade Estadual do oeste do Paraná) em Cascavel recebeu mais de 400 alunos para a 1ª UNIOCIÊNCIAS, a primeira Feira de Ciências da instituição. O evento – direcionado aos clubistas da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência – ocorreu de maneira conjunta à UnioXP, a Feira de Profissões da Unioeste, o evento anual em que as portas da Unioeste se abrem para mais de 5mil alunos do Ensino Médio de toda Cascavel e região. 

A Feira UNIOCIÊNCIAS recebeu, ao todo, mais de 400 alunos vindos de 20 escolas diferentes, além dos demais, público oriundo da UnioXP. A Feira dos Clubes contou com a apresentação de 34 trabalhos, divididos em várias temáticas. Confira a seguir:

Meio ambiente e sustentabilidade

2. Agricultura e experimentação com plantas 

3. Saúde, alimentação e biologia

4. Educação e inovação científica 

5. História e sociedade

6. Arte, cultura e criatividade:

Clubistas do Clube de Ciências Cientificamente Incríveis, do Colégio Estadual do Campo Teotônio Vilela, em Santa Helena, expõem trabalho na UnioCiências (Foto/ Arquivo pessoal)

Para a professora Liliam, do Colégio Estadual Antônio Maximiliano Ceretta,

de Marechal Cândido Rondon, cita que o evento é um desafio para os alunos. “É um evento muito grande, os alunos têm que apresentar para muitas pessoas. Eles se prepararam muito para isso, é um desafio importante, que irá acrescentar muito no desenvolvimento deles”.

Já o professor Paulo Santana, do Colégio Estadual Heitor Cavalcanti Alencar Furtado, de Tupãssi, considerou a Feira um momento ímpar. “Estou achando muito válido, um momento bastante importante especialmente para nossos alunos, mas também para todos que por aqui passaram, para os que estão expondo e visitando. Um momento ímpar que com certeza irá somar para o desenvolvimento”, diz.

Em meio a tantos trabalhos e temas, os clubistas apresentaram em dois turnos e receberam avaliações sobre as apresentações. Além de muito aprendizado, o evento também proporcionou aos clubistas um momento de descontração, já que eles puderam circular pelo campus e conhecer os cursos da Unioeste, além de conhecerem os trabalhos realizados por seus colegas de outras escolas.

Com pesquisa sobre Arte, Cultura e Saúde Mental, o clube ligado à UTFPR vai expor seu projeto em uma das mais importantes feiras do país

A foto mostra três jovens sentadas lado a lado atrás de uma mesa, participando de uma atividade em grupo. A jovem ao centro segura um microfone e fala com expressão atenta, enquanto faz um gesto com a mão. À esquerda, outra jovem sorri, e à direita, uma terceira olha para baixo, concentrada. Sobre a mesa há uma garrafa de água e um microfone fixo. Ao fundo, um painel escuro com desenhos de casas em linha branca decora o espaço.
Gabrielly, Vitória e Elisama, autoras do artigo sobre Estamira (Foto/Fabiane Valmore)

Os membros do Clube de Ciências, Arte, Cultura e Saúde Mental celebram uma grande vitória: a aprovação de seu trabalho na renomada FIciências 2025 – Feira de Inovação das Ciências e Engenharias. O clube do Colégio Estadual Rodolpho Zaninelli, em Curitiba, terá seu artigo de pesquisa apresentado em Foz do Iguaçu, em uma das mais importantes feiras de ciências do país. O tema do trabalho traz o debate sobre a loucura e a desconstrução de estigmas sociais, inspirado na Doutora Nise da Silveira, a médica que se negou a aplicar o eletrochoque e revolucionou a psiquiatria com práticas humanizadas e científicas de tratamento de Saúde Mental.

Coordenado pela professora e socióloga Fabiane Valmore, o clube se estabeleceu como um espaço de educação não formal, dedicado à produção e à popularização do conhecimento científico. Por meio de uma metodologia que combina reflexões guiadas pelo legado da Dra. Nise da Silveira, visitas a museus e universidades públicas, sessões de debate sobre conteúdos audiovisuais – como Estamira, Bicho de Sete Cabeças e o Prisioneiro da Passagem com Bispo do Rosário- , esses adolescentes entre 13 e 16 anos do Colégio Estadual Rodolpho Zaninelli exploram arte, ciência, cultura e produzem cidadania a partir de investigação científica. Incluindo nessa prática problemas locais, conceitos das Ciências Sociais e Humanas para buscar soluções e reduzir estigmas sociais no campo da saúde mental. 

Além disso, o clube realizou e segue analisando dados coletados em entrevista semiestruturada em profundidade, realizada com a Coordenação de Saúde Mental da Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba para compreender como Nise da Silveira é concebida e praticada (ou não) pela Rede de Atenção Psicossocial do SUS de Curitiba.

Foi a partir dessa experiência que as estudantes clubistas Elisama Fernanda Silva, Gabrielly Costa e Vitória Costa, com a orientação da professora Fabiane Valmore, escreveram o artigo “Esquizofrenia: Estamira e os Inumeráveis Estados do Ser”. O trabalho é a soma das vivências dos clubistas com a pesquisa, complementada por uma profunda revisão bibliográfica e discussões no clube de ciências. Nele, os jovens pesquisadores exploram a condição do adoecimento psíquico, apresentando uma perspectiva sensível sobre o tema e o legado humanizado da Dra. Nise da Silveira, que, em sua prática, via os sintomas de transtornos mentais como “os inumeráveis estados do ser”. 

Para ilustrar essa abordagem, a pesquisa inclui a história de vida de Estamira Gomes de Sousa, retratada em um documentário brasileiro premiado que mostra como experiências de desrespeito, violência e pobreza podem levar à loucura. E mais, o documentário mostra a grande lucidez, a consciência crítica de si e da sociedade que Estamira possui mesmo em diálogo com a loucura.

A aprovação no FIciências, uma feira internacional que potencializa a produção de conhecimento científico e tecnológico, é um grande reconhecimento para o trabalho dos clubistas. O evento, que tem como missão incentivar o acesso à cultura científica, é o ambiente perfeito para que o projeto, que alinha arte, ciência e sensibilidade, seja divulgado para um público amplo e diverso.

A participação no FIciências 2025 é apenas uma das muitas conquistas recentes do clube. O grupo teve outros dois trabalhos aprovados para a Mostra de Clubes Paraná Faz Ciência, recentemente apresentados em Guarapuava, e uma apresentação no XV Encontro Catarinense de Saúde Mental e I Congresso Brasileiro de Arte, Cultura e Saúde Mental da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Além disso, os membros já estão em preparativos para a FECCI – Feira de Cultura Científica Paraná Faz Ciência, em novembro.

Com seu trabalho engajado e de excelência, o Clube de Ciências ‘Arte, Cultura e Saúde Mental’ demonstra a importância de se investigar e divulgar temas sensíveis como o da saúde mental, resgatando, ampliando e valorizando o legado da Dra. Nise da Silveira por meio da ciência.Para saber mais sobre a pesquisa e ter acesso ao conteúdo na íntegra, entre em contato com a professora responsável pelo Clube, pelo e-mail fabiane.valmore@escola.pr.gov.br . Além de acompanhar por aqui as notícias sobre os trabalhos dos Clubes de Ciências da Rede Paraná Faz Ciência ou no perfil do instagram @clubesparanafazciencia .

Em quatro Núcleos Regionais, 30 clubes de ciências articulados pela universidade mostram como o conhecimento científico pode transformar a realidade de estudantes e comunidades

Na imagem, alguns estudantes apresentam um projeto em uma sala de aula. Dois deles estão à frente, um segurando um equipamento de realidade virtual, enquanto outras pessoas observam atentamente. Ao fundo, há cartazes educativos fixados na parede verde.
Clubistas do Colégio Estadual Professor Pedro Carli, de Guarapuava, apresentam o trabalho “Jataí: um dia na vida de uma abelha-operária: 360º de realidade virtual para conscientização climática”, durante a I Feira Itinerante das Escolas do NRE de Guarapuava (Fieg) (Foto/Thiago de Oliveira)

A quinta edição do Paraná Faz Ciência, sediada na Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), em Guarapuava, contou com a participação de 30 clubes de ciências articulados pela universidade. Os clubes apresentaram mais de 70 projetos de pesquisa na 1ª Mostra de Clubes da Rede, com as apresentações na manhã do dia 2 de outubro. Abordam temas que conectam a ciência aos desafios regionais e ao cotidiano dos estudantes.

Os trabalhos vêm de escolas de quatro Núcleos Regionais de Educação (NRE): Guarapuava, Irati, Laranjeiras do Sul e Pitanga. Os professores coordenadores destacam como a metodologia dos clubes estimula o protagonismo juvenil e o aprendizado prático.

NRE de Guarapuava

Guarapuava
Os clubes de Guarapuava, anfitriões do evento, demonstram uma forte conexão com os problemas sociais e ambientais da região. No Colégio Estadual Padre Chagas, o professor Emerson de Souza, do clube EcoCientistas Visionários, explica que os projetos nascem de questões que os próprios alunos enfrentam, como o descarte de resíduos e a falta de saneamento. “Os estudantes partem de problemas que enfrentam diariamente ou de maneira recorrente”, afirma o professor. “Ao investigar essas situações, os alunos podem aplicar na prática o que aprendem, experimentando o método científico. Isso faz com que os conteúdos deixem de ser só teóricos e passem a ter sentido direto na vida deles e da comunidade”, explica o docente.

EcoCientistas Visionários, em visita ao Laboratório de Solos da Unicentro para uma oficina (Foto/@ecocientistasvisionarios_cepc)

Outros clubes também se voltam para a comunidade. No Colégio Estadual Professor Amarílio, o professor Doacir Domingos Filho, supervisor do clube EcoCriativos, une a ciência à arte para tornar a aprendizagem mais rica. “A ciência estimula a investigação, a ecologia traz consciência ambiental e a arte permite expressar tudo isso de forma criativa”, diz Doacir.

No Clube Velozes e Curiosos, do Colégio Estadual Cristo Rei, o foco é a biodiversidade local. A professora Crissiane Loyse Luiz detalha a pesquisa sobre a morfometria das asas de abelhas. “Estudar o tamanho e o formato das asas de abelhas é importante, pois as asas ajudam as abelhas a voar longe para encontrar comida e habitat”, explica. A análise da assimetria das asas também serve como um “indicador de estresse e instabilidade no ambiente onde o organismo se desenvolve”, mostrando como a ciência pode ser usada na conservação.

Estudantes do Clube Climatize-se apresentam o trabalho “A importância das abelhas na sustentabilidade e na biodiversidade da Mata Atlântica”, premiado na I Feira Itinerante do NRE de Guarapuava (Foto/Thiago de Oliveira)

Já a professora Katiane dos Santos, do clube Climatize-se no Colégio Estadual Pedro Carli, usa a tecnologia para conscientizar. “No caso do projeto de realidade virtual, os alunos e visitantes podem vivenciar ‘um dia na vida de uma abelha-operária’, mergulhando em uma experiência imersiva que desperta a curiosidade e amplia a empatia”, relata a professora.

O Paraná Faz Ciência também é visto pelos educadores como um momento de celebração do aprendizado. A professora Leonara Furquim, do Colégio Estadual do Campo da Paz, em Candói, tem um projeto no clube Identidades em Construção que aborda a diversidade cultural. “Conhecer a diversidade étnica e cultural, presente no colégio e na comunidade, é o primeiro passo para a construção identitária dos estudantes”, comenta. “É a partir desse conhecimento que eles conseguem fazer relações e desenvolver o senso de pertencimento com seus pares, bem como o respeito e a empatia para com todos.”

Alunos do Clube Identidades em Construção visitam a exposição “Faces de Auschwitz e Escravidão no Brasil”, na Unicentro (Foto/@identidades.em.construcao.paz)

Em Pinhão, o professor João Manuel de Lima, do CE Bento Munhoz da Rocha Netto e o Clube Puma Science Club estão focados na preservação de nascentes. O professor explica que muitos moradores acreditam que a água transparente não apresenta riscos. “A gente sabe que tem problema, então a gente está trabalhando com o clube para mapear essas nascentes e propor soluções para proteger e melhorar a qualidade da água”, diz, ressaltando a importância de conscientizar a comunidade.

Ainda em Pinhão, no Colégio Indígena Cacique Otávio dos Santos, o professor Luan Felipe de Lima e o Clube Pỹnfīfī estão investigando o ciclo de produção da araucária. O projeto, que se baseia no conhecimento dos mais velhos da comunidade, busca entender porque a produção varia anualmente. A hipótese que a equipe está testando é que a colheita prematura da pinha pode ser a causa do problema. “A gente está testando essa hipótese e tentando desenvolver um método de manejo que não só seja menos agressivo para manter um ciclo de pinhão mais produtivo ao longo do tempo, como também seja uma maneira um pouco mais segura para tirar”, explica o professor.

Professor Luan Felipe comenta o trabalho do Clube Pỹnfīfī na Fieg (Foto/Mathias Trindade)

Confira a lista de clubes ligados ao Núcleo Regional de Educação (NRE) de Guarapuava:

De Guarapuava:

Colégio Estadual Cristo Rei — Clube Velozes e Curiosos. Coordenadora Crissiane Loyse Luiz. Projetos:

Colégio Estadual Cívico Militar Vereador Heitor Rocha Kramer — Clube Eco Transformadores. Coordenador Daniele Kosmo. Projetos: 

Colégio Estadual Professor Amarílio — Clube EcoCriativos. Coordenador Doacir Domingos Filho. Projetos:

Colégio Estadual Padre Chagas — Clube Eco Cientistas Visionários. Coordenador: Emerson de Souza. Projetos:

Colégio Estadual Pedro Carli — Clube Climatize-se. Coordenadora Katiane dos Santos. Projetos:

Colégio Francisco Carneiro Martins — Clube EcoAction. Coordenadoras: Carolina Paula de Almeida, Sandra Mara Venske e Elena Mariele Bini. Projeto:


De Pinhão: 

Colégio Estadual do Campo Professor Júlio Moreira – Clube Ciência em Foco. Coordenadora Bianca Karine Boratchulka dos Santos. Projetos:

Colégio Estadual Bento Munhoz da Rocha Netto — Puma Science Club. Coordenadores João Manuel de Lima e Jean Carlos Bueno. Projetos:

Colégio Estadual Procópio Fereira Caldas — Clube Óleo nosso de cada dia. Coordenador Diórgenes Veres Ronik. Projeto:

De Turvo: 

Colégio Indígena Cacique Otávio dos Santos — Clube Pỹnfīfī (Maker), Coordenador Luan Felipe de Lima. Projeto: 

De Foz do Jordão:

Colégio Estadual de Segredo — Clube ScienCES. Coordenadora Sandra Rozanski. Projetos:

De Candói:

Colégio Estadual Santa Clara — Clube Curiosus. Coordenadora Edineia Simi Silva. Projeto: 

Colégio Estadual do Campo da Paz — Clube Identidades em construção. Coordenadores Leonara Forquim de Mattos, Daniel Mazurek e Keorlly Cabral. Projeto:

NRE de Irati

Os clubes que são parte do Núcleo de Irati também trazem projetos que aliam o rigor científico à aplicação prática. No Colégio Estadual Alberto de Carvalho, em Prudentópolis, a professora Mariel Guil Chociai, do clube Quatro Elementos, prepara sua primeira participação em uma feira. Os alunos pesquisam a morfometria de abelhas da espécie Mandaçaia, em parceria com a Unicentro. “Nossa análise das asas pode indicar estresse ambiental”, conta a professora, que destaca a importância do projeto para a coleta de dados inéditos sobre a espécie.

Estudantes do Clube Quatro Elementos visitam meliponário (Foto/Arquivo Pessoal)

No Colégio Estadual do Campo Bispo Dom José Martenetz, em Prudentópolis, o professor Carlos Eduardo Basso, do clube Tijuco Preto (Óleo nos Olhos), trabalha com o desenvolvimento de produtos a partir de plantas nativas. De acordo com o docente, o clube tem o lema “da planta à fórmula”, criando produtos como sabonetes e velas a partir de óleos essenciais.

Confira a lista dos clubes pelo NRE de Irati:

De Irati:

CEFEP Presidente Costa e Silva (Irati) — Clube Raízes da Ciência. Coordenadora Mariana Mendes Mirkoski. Projetos:

De Guamiranga:

Colégio do Campo Professor Antonio Emílio Antonelli — Clube EduCampo Consciência Ativa. Coordenadora: Rosana Aparecida Ribeiro de Sene. Projetos:

De Fernandes Pinheiro:

Colégio Estadual Getulio Vargas — Clube M@ker GV (maker). Coordenador Sandro José Ramos. Projetos: 

De Prudentópolis:

Colégio Estadual Alberto de Carvalho — Clube Quatro Elementos. Coordenadoras Mariel Guil Chociai e Terezinha Antonio. Projetos:

Colégio Estadual do Campo Bispo Dom José Martenetz — Clube Tijuco Preto. Coordenadores Carlos Eduardo Basso Christo e Carina Rampi. Projetos:

De Irati:

Escola Estadual Nossa Senhora das Graças — Clube EcoCientistas Ambientais. Coordenadora Elaine Pacheco Costa. Projeto:

NRE de Laranjeiras do Sul

De Laranjeiras do Sul, o Colégio Estadual Floriano Peixoto, com o clube Raízes do Saber, transformou a horta da escola em um “laboratório a céu aberto”, de acordo com a professora Jane Aparecida Lazare Pereira. Ela destaca a importância do projeto para o estudo do solo, compostagem e controle de pragas de forma orgânica. “Também trabalhamos a questão da segurança alimentar com uma horta totalmente livre de agrotóxicos. Nosso diferencial é estudar como esses alimentos beneficiam o organismo. Usando a pirâmide alimentar, mostramos que a ingestão desses produtos é uma fonte primordial de saúde.”

No Assentamento Celso Furtado, em Quedas do Iguaçu, o Clube de Ciência Maker do Chico, do Colégio Estadual do Campo Chico Mendes, desenvolve abrigos de baixo custo para abelhas nativas sem ferrão. O projeto, que une saberes tradicionais e tecnologias inovadoras, utiliza técnicas de bioconstrução com taipa e telhados verdes, além de sensores conectados via Arduino (software). 

O professor responsável, Cheperson Ramos, destaca que a bioconstrução é ideal para as abelhas nativas, que são sensíveis às variações de temperatura. “Tanto a taipa quanto o telhado verde oferecem inércia e isolamento térmico, mantendo a temperatura dentro dos abrigos mais constante e protegendo as colmeias”, explica.

Confira a lista dos clubes do NRE de Laranjeiras do Sul

De Cantagalo:

Colégio Estadual Elenir Linke — Clube Discípulos de Pasteur. Coordenadores Luana de Almeida Pereira e Luciana Kelnihar. Projetos:

Colégio Estadual Olavo Bilac — Desbravadores do Conhecimento. Coordenador Elton Pontarolo de Abreu. Projetos:

De Laranjeiras do Sul:

Colégio Estadual Indígena Kó Homũ — Clube Raízes do Saber (maker). Coordenadora Daiane de Freitas. Projetos:

Colégio Estadual Floriano Peixoto — Clube Raízes do Saber. Coordenadores Jane Aparecida Lazare Pereira e Robison Tiago Coradeli. Projetos:

De Quedas do Iguaçu:

Colégio Estadual do Campo Chico Mendes — Clube Maker do Chico (Maker). Coordenador Cheperson Ramos. Projetos:

NRE de Pitanga

Na região de Pitanga, o Colégio Estadual Adonis Morski, em Boa Ventura do São Roque, tem no Clube Adonis Com Ciência um projeto focado no impacto da coleta seletiva na vida dos trabalhadores. A professora Juliana Aparecida Freiberger Ghiotto explica que o objetivo é conscientizar a população para melhorar a coleta e, consequentemente, as condições de trabalho. “Os alunos já realizaram entrevistas com esses trabalhadores para entender um pouquinho da rotina deles e, com esses dados, a gente pretende trabalhar na conscientização da população”, diz.

Integrantes do Clube Adonis Com Ciência em palestra sobre Educação Ambiental (Foto/@adoniscomciencia)

Abaixo a lista dos clubes ligados ao NRE de Pitanga que foram ao Paraná Faz Ciência:

De Boa Ventura de São Roque:

Colégio Estadual Adonis Morski — Clube Adonis Com Ciência. Coordenadora Juliana Aparecida Freiberger Ghiotto. Projetos:

De Santa Maria do Oeste:

Colégio Estadual do Campo João Cionek — Cionekando com Ciência (maker). Coordenadora Milena Barcellos e Inêz Corrêa. Projetos:

Colégio Estadual Dr. João Ferreira Neves — Clube Pé Vermelho. Coordenadora Elizabete Pazio. Projetos:

A 1ª Mostra Científica da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, com seus 30 clubes e mais de 70 projetos, promete mostrar a diversidade e o protagonismo dos jovens cientistas paranaenses, que usam a curiosidade para transformar a realidade e construir um futuro mais consciente.

Reunidos em Guarapuava, gestores, professores e alunos trocam experiências e já antecipam expectativas para o III Encontro 2026, na Unioeste de Cascavel

Participantes do II Encontro Paranaense de Museus e Centros de Documentações, na Unicentro em Guarapuava (Foto/NAPI PRFC)

Disseminar a compreensão de que museus e centros de documentações universitários são espaços de ensino, pesquisa e extensão, e não tão somente guardiões de acervos, está no foco da estratégia de gestores, professores e graduandos que atuam nos espaços museais e de documentação das instituições de ensino superior no Paraná. Reunidos na Rede de Museus Paraná Faz Ciência, o objetivo é divulgar e popularizar a ciência produzida nas universidades de forma interativa, interdisciplinar e acessível à sociedade, em geral, e à academia, em particular.

Esta perspectiva permeou todas as palestras, mesas redondas e workshops durante o II Encontro Paranaense de Museus e Centros de Documentação Universitários, que aconteceu semana passada em Guarapuava, dentro da 5ª Edição do Paraná Faz Ciência (PRFC 2025). Com recorde de participação, o evento contou com mais de 40 trabalhos de museus que compõem as redes de Museus de Ciência Universitários, sob o tema ‘Museus e Centros de Documentação e Memória contribuindo para um futuro sustentável’. Na programação houve ainda II Mostra de Museus Universitários do Paraná com 14 estandes no Centro de Eventos Cidade dos Lagos, que recebeu mais de 40 mil pessoas em quatro dias. 
Já na abertura do evento, o articulador do Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (NAPI) Conectando Memória e Inovação, assessor da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) e coordenador da Rede Estadual de Museus e Centros de Memórias, Documentação e Acervos Universitários (Remup), professor Renê Wagner Ramos, enfatizou a oportunidade rara para quem se interessa pela preservação da memória, tecnologia e inovação.

A mesa de abertura do II Encontro Paranaense de Museus e Centros de Documentação Universitários 2025 contou com a participação de Rodrigo Oliveira Bastos (à direita), Renê Wagner Ramos, coordenador da Remup, Roseli de Oliveira Machado, diretor do campus Santa Cruz da Unicentro, Fábio Hernandes, reitor da Unicentro, Édson Armando Silva (UEPG), Fabiane Bergmann, diretora do Arquivo Público do estado do Paraná, e Ricardo Miyahara, diretor do campus CEDETEG/Unicentro (Foto/Silvia Calciolari/NAPI PRFC)

“Nesta segunda edição, tivemos a participação efetiva dos centros de documentações de Londrina, Irati e Paranaguá e houve uma estruturação melhor dos próprios museus que vieram a Guarapuava, representando um avanço em relação ao ano passado quando estivemos em Maringá”, destacou Ramos. 

Uma comissão científica avaliou os mais de 40 trabalhos inscritos que foram apresentados e serão publicados em anais. De acordo com articulador, o resultado final mostrou que houve um alto nível de participação, representando grande avanço do ponto de vista científico neste encontro em Guarapuava, organizado pela Universidade Estadual do Centro Oeste (Unicentro).

“Hoje se começa a perceber que é realmente nos museus, nos centros de documentação que começa o processo de pesquisa. Tal visão demonstra para a sociedade e, principalmente, para o próprio sistema universitário, que precisam reconhecer a importância dos museus e centros de documentação, porque é onde está o acervo dedicado à pesquisa”, completa Ramos.

Confira abaixo como foi a II Mostra de Museus Universitários realizada durante o PRFC 2025

Compromisso com a pesquisa

No mesmo sentido, o coordenador do II Encontro, professor da Unicentro, Rodrigo Oliveira Bastos, disse que foram três dias intensos e profundamente inspiradores. “O evento superou nossas expectativas, reunindo gestores, pesquisadores, estudantes e convidados em torno de um tema: a contribuição dos museus e centros de memória para um futuro sustentável. A Unicentro, como instituição anfitriã, reafirma seu compromisso com a ciência, a cultura e a preservação da memória, fortalecendo seu papel na Rede de Museus e Centros de Memória Universitários do Paraná”, avalia.

As trocas entre os participantes revelaram desafios comuns como a falta de equipes perenes, a necessidade de formação continuada e a ampliação do diálogo com a comunidade. Mas também apontaram caminhos promissores como o uso de tecnologias acessíveis, práticas colaborativas e ações educativas que geram conexões.

“Saímos daqui com redes fortalecidas, ideias renovadas e a certeza de que nossos museus e centros de documentação são agentes fundamentais na construção de um amanhã mais consciente e cheio de sentido”, destaca Bastos, diretor do Museu de Ciências Naturais da Unicentro.

Reitor da Unicentro, Fábio Hernandes, visitou o estande do Mudi e foi recebido pela professora da UEM, campus Goioerê, Simone Fiori (Foto/Silvia Calciolari/Mudi)

Ações em destaque

Os mais de 140 inscritos no II Encontro puderam conhecer a ação em rede do NAPI Paraná Faz Ciência (PRFC), apresentado pelo articulador e professor da UFPR, Rodrigo Reis, que abriga a Rede de Museus Paraná Faz Ciência e orienta as ações de divulgação e popularização do conhecimento científico dos espaços universitários, inclusive com a modalidade itinerante que amplia o alcance do universo da ciência. 

Já a também articuladora do NAPI PRFC e professora da UEM, Débora de Mello Sant’Anna apresentou a pesquisa de percepção pública da ciência pelos paranaenses, lançada no evento e que traz indicadores que devem auxiliar os museus e centros de documentações nas atividades para atrair novos públicos e tornar os espaços referência quando se trata de ensino, pesquisa e extensão.

Por sua vez, a participação da coordenadora do curso de bacharelado em Museologia da Escola de Música e Artes do Paraná e Universidade Estadual do Paraná (EMBAP/UNESPAR), Jackelyne Corrêa Veneza, rendeu uma importante discussão sobre a necessidade de formação para os mediadores através da Educação Museal. “Precisamos fortalecer a rede de educadores e para isso precisamos de uma política pública de formação de museus e podemos começar com os museus de ciências universitários”, reforçou.

Participaram da mesa redonda “Educação Museal em Museus de Ciências” Débora de Mello Sant’Ana, Rodrigo Reis, Jackelyne Corrêa Veneza, Rene Wagner Ramos e Rodrigo Oliveira Bastos (Foto/Silvia Calciolari/NAPI PRFC)

Articulação em rede

“Foi uma oportunidade excelente para fazer articulações muito positivas e com um saldo extremamente para a ciência e todas as frentes ali representadas, que puderam se aproximar ainda mais”, enalteceu o articulador da Rede de Museus do Paraná e pesquisador do Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação Paraná Faz Ciência (NAPI PRFC), Dhiego Cunha da Silva.

A Rede de Museus do Paraná desempenha um papel fundamental na consolidação de uma cultura científica no Estado, pois promove um ambiente de colaboração e troca contínua.

Importante ressaltar que a dinâmica de interação permite que cada instituição aprenda e cresça com as outras, elevando o padrão de qualidade do trabalho museológico em todo o Paraná. Para que isso aconteça, a articulação na rede é crucial para fortalecer frentes de ensino, pesquisa e extensão.

Articulador da Rede de Museus do Paraná, Dhiego Cunha da Silva (Foto/Arquivo pessoal)

“Avalio que o II Encontro entregou mais do que a gente esperava em todos os segmentos e agora cria-se uma expectativa ainda maior para a terceira edição. Vamos aguardar para ver como que a Unioeste, do campus Cascavel, consegue superar, já que todos os eventos são muito bons e o próximo tem sido cada vez melhor”, conclui Silva.

O coordenador do Museu Dinâmico Interdisciplinar (Mudi), da Universidade Estadual de Maringá (UEM), professor Celso Ivam Conegero, destacou o fortalecimento da rede de museus universitários. “Ano passado, nós do Mudi realizamos o primeiro encontro em Maringá e agora, neste segundo momento, vemos que a iniciativa gerou frutos pelo volume de participação desta edição, gerando mais trocas e interação entre gestores, professores e alunos”, enfatizou.

Entre os trabalhos apresentados estava o de João Victor Kuller, que conta a trajetória do “Centro Interdisciplinar de Ciências ao Mudi: análise das ações e alcance do Mudi-UEM”, e de Mayara Boiko Fernandes, com “O papel dos mediadores em um museu de ciência e tecnologia em um município do norte do Paraná” (Fotos/Mudi)

Conegero esteve acompanhado da professora da UEM, Ana Paula Vidotti, coordenadora do projeto de extensão Muditinerante, responsável pelo estande do museu na mostra. “Trouxemos nossa exposição Raio X, que permite verificar as características ósseas do corpo humano e de outras espécies da fauna brasileira”, conta. 

Em maio deste ano, o Mudi passou a vigorar entre os dez museus mais visitados do Brasil, segundo levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). Em agosto, Maringá recebeu o 5º Encontro Nacional da Associação Brasileira de Museus de Ciências (ABCMC), demonstrando que o Paraná está fazendo a lição de casa quando o assunto é popularização da ciência e construção de uma cultura científica na sociedade.

As temáticas dos projetos envolvem sustentabilidade, robótica, além das culturas africana e indígena

Dezesseis clubes ligados à UEM (Universidade Estadual de Maringá) e aos Núcleos Regionais de Educação (NRE) de Ivaiporã, Maringá, Cianorte e Umuarama marcaram presença na Culminância do primeiro semestre de 2025. Esse evento semestral acontece em escolas integrais para apresentação dos trabalhos realizados em disciplinas eletivas. Como os clubes de ciências da Rede de Clube Paraná Faz Ciência nessas instituições são eletivas, também participam dessa experiência de trocas entre alunos, professores e a comunidade.

NÚCLEO CIANORTE

Dois clubes da regional de Cianorte participaram da Culminância. O Natureza em Perspectiva, de São Manoel do Paraná, que apresentou um espaço imersivo para que as pessoas se sentissem dentro de uma câmara fotográfica. Os estudantes do grupo do Colégio Estadual Duque de Caxias, mostraram a história da fotografia e expuseram a câmara escura que eles desenvolveram. Conforme a professora coordenadora, Maria Josefa da Silva Tamiozzo, “eles também mostraram os monóculos e realizaram uma foto interativa – os estudantes perguntavam para os visitantes e colavam as respostas nas fotografias. Foi uma apresentação com muitas etapas dinâmicas”, relembra. Ao final, lembrancinhas foram entregues aos visitantes.

Em Cianorte, o Clube Academia de Jovens Inventores desenvolve projetos autorais que integram ciência, tecnologia, sustentabilidade e criatividade, tendo como base o uso de materiais recicláveis e tecnologias acessíveis. No evento do Colégio Estadual Itacelina Bittencourt, o grupo expôs itens relacionados à robótica. “Por exemplo, o robô seguidor de linha, robô rádio controlado, alguns planadores que são temas que eles estão estudando neste momento. Também teve aquela bengala com sensor de distância que apitava conforme ficava próximo de algum obstáculo, foi a cereja do bolo!”, afirma o professor coordenador Oséias Pereira.

NÚCLEO UMUARAMA

No NRE-Umuarama, três clubes participaram do dia da Culminância. O Clube Tenda Cultura Viva, em Umuarama, expôs sobre a cultura africana. Em um primeiro momento, conforme a professora coordenadora, Oslaine Barrim Batista, foi realizada a entrevista com os visitantes, perguntando sobre o conhecimento dessa cultura. Os clubistas do Colégio Estadual Professora Hilda Trautwein Kamal também exibiram os colares africanos produzidos por eles. Para a professora, “foi um momento muito interessante! Eles apresentaram um slide explicando alguns conceitos e também desenvolveram um folder a ser distribuído, com informações relevantes”, diz. 

Em Alto Piquiri, o Clube Paisagismo Sustentável apresentou dois novos espaços da escola que foram revitalizados. O trabalho foi realizado pelos estudantes da Escola Estadual Manuel Bandeira, que se envolveram desde o planejamento até a execução das melhorias, incluindo o preparo do solo, o plantio de mudas e a requalificação estética dos ambientes. A professora coordenadora, Katia Regina Cosmo, explica que os visitantes ficaram impressionados com as transformações visíveis e com o protagonismo estudantil envolvido no projeto. “As mudanças refletem no comprometimento escolar, com a sustentabilidade e o aprendizado prático, mostrando como ações educativas podem gerar impacto direto no desenvolvimento dos estudantes”, explica.

E o Clube Green Lab, em Cruzeiro do Oeste, compartilhou o conhecimento a respeito do principal objetivo do grupo: promover a sustentabilidade por meio da reutilização do óleo de cozinha. A equipe do Colégio Estadual Almirante Tamandaré pesquisou e buscou diversas alternativas para reutilização desse resíduo e a grande conquista do primeiro semestre foi a produção de sabão, como resultado desse trabalho. No evento, os estudantes apresentaram e até venderam seus produtos — sabão em barra e líquido. Segundo o professor coordenador, Rafael Fernando de Melo, “a renda obtida com as vendas foi integralmente revertida na compra de mais reagentes, permitindo a continuidade da produção de sabão”. Melo também celebra o sucesso do evento, pois “foi um momento muito significativo para os alunos do clube, fomentando o protagonismo e a disseminação do conhecimento”, conclui.

Clube visita a UENP, conhece o projeto Solo na Escola e aprende sobre a importância e a diversidade dos solos

Grupo de estudantes observa fósseis e explicação da professora Jully G. Retzlaf (Foto/ Ana C. Amaral)

Os solos do Paraná são conhecidos pela sua produtividade agrícola, considerada a base da economia para a maioria dos municípios do Estado. Popularmente chamada de “terra roxa”, vinda do espanhol “tierra roja”, a terra vermelha do Norte Pioneiro é estudada por diversos projetos. Um deles é o Clube de Ciências Agrociência, que faz parte da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência.

Localizado no município de Barra do Jacaré, o clube percorreu 63 km até a Universidade Estadual do Norte do Paraná – campus Cornélio Procópio. A instituição que abriga o clube é o Colégio Estadual Maria Francisca de Souza, pertencente ao Núcleo Regional de Educação (NRE) Jacarezinho.

Grupo de estudantes assiste à palestra (Foto/Ana C. Amaral)

Com o objetivo de realizar atividades científicas e conhecer mais sobre o tema, o clube visitou o projeto Solo na Escola da UENP, que também desenvolve pesquisas na área, porém no nível universitário. Esse projeto faz parte do curso de Geografia e se dedica a divulgar conhecimentos sobre a importância e a diversidade dos solos.

Na visita, os clubistas assistiram a uma palestra sobre a importância do solo e sua conservação, com destaque especial para o solo do município de Barra do Jacaré. O bolsista responsável pela palestra é estudante do curso de Geografia e natural da mesma cidade que os clubistas. Dessa forma, ele fez uma apresentação diferenciada: à medida que os tópicos avançavam, eram discutidos exemplos da própria cidade dos estudantes, o que aumentou ainda mais o engajamento do grupo com o assunto.

Professora Jully R. presenteia a professora Vagna M. com livro do projeto (Fotol/ Ana C. Amaral)

Ao final da palestra, a professora coordenadora do clube, Vagna Munhão, recebeu um livro de presente da coordenadora do projeto Solo na Escola, Jully Gabriela Retzlaf, docente da UENP e autora da obra.

A parte prática da visita ocorreu em seguida. Os clubistas exploraram o laboratório de geociências, onde estão expostas amostras de solos, rochas, fósseis, tintas e experimentos didáticos relacionados ao solo.

Grupo de estudantes conhecem amostras de solo (Foto/ Ana C. Amaral)

No Instagram do clube (@clube_agrociencia_c.e.m.f.s), os estudantes agradeceram a visita e reforçaram a importância de atividades como essa para a formação dos participantes. “Na visita técnica ao Laboratório de Solos, os estudantes puderam participar e apropriar-se de muitas informações sobre nossa região e a pedologia! Gratidão a todos os envolvidos nessa perspectiva de aprendizado e protagonismo estudantil”, publicou o clube na rede.

O programa Água & Ação, da UFPR, soma forças aos estudantes do clube que investigam a poluição do rio Belém

Um grupo de estudantes caminha em fila às margens do rio Belém, vestidos com uniformes azul-marinho com detalhes em verde e a inscrição “Paraná Integral” nas costas. Eles seguram pranchetas e fazem anotações enquanto observam o ambiente ao redor. À esquerda da imagem, em primeiro plano, aparecem duas placas de trânsito: uma azul e branca com os dizeres “Aqui passa o rio Belém” e outra amarela em formato losangular escrito “Rua sem saída”. Ao fundo, é possível ver casas de telhado vermelho, árvores e um céu parcialmente nublado. A cena transmite a ideia de investigação em campo, com os alunos registrando observações sobre o território.
Durante saída de campo, clubistas registram observações feitas às margens do rio Belém (Foto/ Mari Martins)

Com pranchetas nas mãos, os integrantes do Clube de Ciência ‘Futuros Cientistas’ deixam o portão da Escola Isolda Schimid acompanhados pela professora Ana Julia Foggiatto e por integrantes do Água & Ação, um programa de extensão da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Seguem pelas ruas até o primeiro ponto onde começam a acompanhar o rio Belém. Ao longo do caminho, observam bueiros, árvores e lixeiras, anotando em fichas preparadas antecipadamente cada detalhe da paisagem. A cena, registrada em agosto, integrou uma das saídas de campo do clube, que investiga como a degradação do rio impacta a vida da comunidade e, ao mesmo tempo, busca criar soluções acessíveis para o território.

A origem da iniciativa, como explica a coordenadora do clube, a professora Ana Julia, está diretamente ligada à localização da escola e ao cotidiano das famílias dos alunos. “A ideia central deste projeto surgiu justamente devido à localização da nossa escola, situada a apenas quatro quadras do rio Belém. Ele se comunica diretamente com a realidade dos nossos alunos e seus familiares. A grande maioria mora nos arredores do rio”, afirma.

Da proximidade com o rio nasce a decisão de transformar a vivência em pesquisa. O objetivo não é apenas observar o problema, mas questionar suas causas e os limites das políticas públicas de preservação. “Tentamos, juntos, criar soluções viáveis e fáceis, pois queremos, acima de tudo, que a comunidade se sinta pertencente a este rio e que, juntos, possamos agir para recuperar um rio que faz parte do nosso jardim e que pode gerar momentos agradáveis a todos que ali perto vivem”, completa a professora.

Durante a saída de campo, uma das atividades é a análise da água. De cima da passarela que cruza o Belém, a equipe do Água & Ação lança um balde para coletar a amostra, que depois é examinada pela professora Regina Kishi, coordenadora do programa, com os equipamentos levados pela universidade. Enquanto ela explica o procedimento, os alunos se reúnem ao redor, atentos e curiosos, fazendo perguntas tanto sobre os passos da análise quanto sobre a qualidade da água.

Além do aprendizado técnico, a atividade reforça a ligação dos estudantes com o território. Muitos convivem diariamente com os efeitos da poluição e encontram no clube uma forma de transformar essa realidade em investigação científica. Heloisa, de 12 anos, expressa essa percepção: “O rio Belém é o mais perto da escola. O cheiro, às vezes, vem para cá, fica aquele cheiro horrível. Incomoda, né? Então a gente decidiu ver o que estava acontecendo e daí a gente descobriu que as pessoas jogam bastante lixo e a gente está trabalhando sobre isso.” O relato da adolescente reforça o vínculo entre as observações cotidianas e o planejamento do clube.

O grupo pretende avançar com ações diretas na comunidade. Como destaca a professora Ana Julia: “Temos várias ideias e propostas, mas inicialmente, o foco é propor e agir diretamente na comunidade. O programa Água & Ação é uma parceria importante para esta etapa. Uma ação muito bonita está programada, e se tudo der certo, este ano ainda sairá do papel”, projeta.

Na avaliação da professora, além do impacto imediato na comunidade, os Clubes de Ciência também cumprem um papel mais amplo na escola pública, oferecendo novas perspectivas para os alunos. “Só quero ressaltar aqui, a importância dos clubes de ciências nas escolas públicas. Este programa permitiu que muitos alunos pudessem vislumbrar algumas possibilidades no seu futuro, que antes pareciam impossíveis. Permitir que o aluno seja criativo e protagonista da sua vida, é incrível. Eles crescem enquanto estudantes e criam o sentimento de pertencimento, mudando, quem sabe, o rumo da própria história.” A experiência da escola também dialoga com reflexões mais amplas sobre os rios urbanos.

RECONEXÃO COM O RIO E A CIÊNCIA CIDADÃ

Desde 2016, o programa Água & Ação atua na mitigação de problemas como enchentes, deslizamentos e degradação ambiental nas margens de rios urbanos. Articula saberes técnicos e experiências comunitárias, e essa trajetória ajuda a compreender a relevância da parceria com o clube. A iniciativa amplia a reflexão sobre o rio Belém ao inserir os estudantes em um movimento mais amplo de educação ambiental e ciência cidadã.

A professora Regina, coordenadora do programa, explica: “Acredito que a parceria traga impactos significativos guiados pela premissa de que o entendimento gera ação.” Em sua visão, os efeitos também alcançam o território ao unir diferentes atores em torno do cuidado com o rio. “Une universidade, escola e moradores em uma rede colaborativa para diagnosticar problemas, como instabilidade de margens e poluição, e cocriar soluções, de mutirões a programas de monitoramento. O impacto primordial, porém, é a reconexão afetiva com o rio, transformando-o em um elo de união para uma cidade mais resiliente.”

Ela ainda destaca a importância da interação entre diferentes níveis de ensino, como “uma via de mão dupla formativa”. Para os alunos do ensino fundamental, o diferencial está em participar de atividades práticas de engenharia: organizam dados coletados na caminhada, tomam decisões em jogos educativos e constroem protótipos em oficinas, por exemplo. Desenvolvem, assim, um pensamento mais sistêmico e projetual. Já para os universitários, o exercício de traduzir conteúdos complexos para crianças aprofunda a própria compreensão e estimula habilidades como comunicação e liderança.

As perspectivas para a continuidade do trabalho também apontam para essa dimensão ampliada. “Minha expectativa central é que os alunos desenvolvam um novo olhar sobre o rio, compreendendo as relações de causa e efeito por trás da poluição e das enchentes, e vejam a ciência como uma ferramenta para resolver esses problemas. Espero que se sintam agentes ativos na preservação e que alguns se motivem a desenvolver tecnologias ambientais. Para isso, desenhamos uma jornada de três etapas: fundamentação teórica (com o jogo consolidando o aprendizado), investigação de campo (com medições técnicas no rio) e prototipagem tecnológica (quando visualizam na prática como podem construir soluções acessíveis, como sensores de qualidade da água).”

A reconexão afetiva com o rio aparece, assim, como ponto de partida para repensar a relação das pessoas com seus territórios. Ao aproximar ciência e comunidade, o projeto mostra que preservar os rios urbanos exige tanto conhecimento técnico quanto vínculos simbólicos capazes de sustentar o cuidado coletivo.