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II WORKDHOP DO NAPI PARANÁ FAZ CIÊNCIA

Clube de Ciências recebe visita de professores da UTFPR para conversa sobre ciência

A imagem mostra um grupo de pessoas em uma sala de aula. O grupo é composto por estudantes e professores, alguns vestindo uniformes escolares e outros com roupas casuais. Há uma tela ao fundo exibindo uma imagem da natureza, possivelmente um ambiente subaquático ou florestal. O ambiente tem um teto azul com luminárias e ventiladores. Algumas pessoas estão sorrindo, enquanto outras mantêm expressões neutras.
Professor Leandro Vicente Gonçalves coordenador do Clube Aventureiros do Conhecimento e alunos clubistas. (Foto/Leandro V. Gonçalves)


No dia 13 de março, o Clube de Ciências ‘Aventureiros do Conhecimento’ do Colégio Estadual Cívico Militar Prefeito Carlos Massaretto, em Apucarana, foi local de encontro entre clubistas e os professores da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR ) -Campus Apucarana, Enio Stanzani e Sabrina Klein. Foi um momento de conversa para inspirar e estimular a visão científica dos jovens clubistas.

A iniciativa partiu de uma atividade prévia do clube, que buscou coletar a percepção dos alunos sobre o que é a ciência. A partir desse ponto de partida, os professores da UTFPR conduziram uma discussão dinâmica sobre temas cruciais para o desenvolvimento do clube, utilizando um questionário como ferramenta inicial para instigar a reflexão. 

A pesquisa incluiu desde conceitos fundamentais da ciência até a aplicação prática em áreas como nutrição e sustentabilidade, alinhando-se aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 2030 da ONU e inspirando a criação de uma horta escolar com práticas inovadoras.

Os educadores visitantes criaram um ambiente de diálogo aberto, apontando as conexões entre teoria e prática para os estudantes. Eles incentivaram os jovens a refletir sobre o mundo à sua volta e a questionar o status quo, reafirmando que a ciência é a chave para transformar desafios em oportunidades. Foi uma forma de instigar a curiosidade e o espírito investigativo entre os clubistas.

A proposta do clube Aventureiros do Conhecimento é despertar nos estudantes o interesse pela ciência, promovendo a resolução de problemas reais. Para isso, os clubistas têm trabalhado no projeto da horta comunitária sustentável, estudando meios para implementação utilizando a tecnologia, noções de sustentabilidade e participação da comunidade local.

Profº Leandro Vicente Gonçalves coordenador do Clube Aventureiros do Conhecimento e alunos clubistas. (Foto/Leandro V. Gonçalves)


Esse encontro reforçou o compromisso do clube em desenvolver mentes críticas e inovadoras, capazes de transformar o conhecimento em ação e contribuir para um futuro sustentável e cheio de possibilidades. Cada pesquisa aplicada e cada troca de ideias se tornam degraus avançados na jornada rumo à construção de um novo paradigma educacional.

Nas palavras do coordenador do clube, professor Leandro Vicente Gonçalves, “a visita dos professores Enio e Sabrina trouxe contribuições valiosas para o desenvolvimento do projeto do Clube de Ciências Aventureiros do Conhecimento. A forma de abordar e a explanação sobre o que é a ciência agregaram novas perspectivas ao trabalho dos alunos.” Para o professor, um reforço vindo de pesquisadores já consagrados ampliou a visualização da importância de diferentes áreas do conhecimento em convergência para um bom projeto.

Clubistas do Clube Aventureiros do Conhecimento. (Foto/Leandro V. Gonçalves)


Por meio da robótica, os clubistas têm buscado uma solução em irrigação automatizada, junto do monitoramento por meio de sensores, aplicando para isso o pensamento computacional. Na criação de uma horta sustentável, métodos de cultivo orgânico e biológico, sem o uso de defensivos ou agrotóxicos químicos, serão utilizadas para o plantio de alface, cebolinha, couve e salsinha. 

Com a intenção de dar suporte a essa ideia, um minhocário será construído pensando na produção de húmus, uma alternativa natural e agroecológica aos fertilizantes químicos. Assim, o clube almeja aumentar a segurança alimentar na comunidade escolar local ao mesmo tempo que aprende a desenvolver um projeto científico com aplicação prática.

MUDI, parceiro do NAPI Paraná Faz Ciência, garante dias de muita divulgação científica e trocas com o público em feira maringaense


Este ano entra para a história da parceria entre o Museu Dinâmico Interdisciplinar (MUDI), da Universidade Estadual de Maringá (UEM), e a Sociedade Rural de Maringá (SRM) para levar a ciência aos visitantes de forma criativa, interativa e conectada com o mundo em que vivemos. se vão 40 anos. O tema de 2025 foi “MUDI: Conectando a Ciência, a Tecnologia e a Cultura Oceânica com o Agro”, em sintonia com o tema da 51ª Edição da Expoingá que foi “O Agro Conecta”. 

As primeiras estimativas apontam que aproximadamente 600 mil pessoas estiveram nos onze dias de feira, uma das maiores do Brasil, e grande parte desse público passou pelo Pavilhão Branco, onde o MUDI levou parte de seu acervo permanente que está no campus sede da UEM. Os números oficiais ainda estão sendo consolidados, mas quem esteve no Parque Internacional de Exposições Francisco Feio Ribeiro pode experimentar novas sensações.

Entre as atrações, uma das novidades que mobilizou a atenção foi a Exposição Cultura Oceânica, que mostrou aos visitantes de Maringá e região informações com maior enfoque na Amazônia Azul e o Continente de Lixo. Outro ambiente, também inédito, trouxe conchas marinhas, que apresentou o processo da evolução desses seres no planeta. 

Exposição ‘Continente de Lixo’ propôs uma reflexão sobre a nossa relação com a meio ambiente (Foto/Acervo MUDI)


“A sociedade interagiu com os nossos experimentos e aprendeu muito com a exposição, organizadas em ambientes temáticos. E não foi só uma coisa visual, de passar e ver algo bonito, porque a gente leva o conhecimento. Ela passa, contempla e recebe a informação e conhece a ciência e o nosso trabalho”, avalia o coordenador do MUDI, professor Celso Ivam Conegero.  

Pelo menos 100 pessoas estiveram envolvidas diretamente na organização e realização da exposição, entre professores, alunos de várias graduações, monitores, estagiários, servidores técnicos e muito voluntários. “Há uma grande mobilização na universidade em torno na Expoingá e eles vêm trabalhar com a gente nesses projetos de forma engajada, e alegre, e sempre é muito bacana essa energia para levar a ciência para fora da academia”, comemora.

Considerado o maior museu de ciências do Sul do Brasil, o MUDI está entre os 10 museus mais visitados do país, de acordo com o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), que se baseou no relatório de frequência de 2023, lançado recentemente. Na sede do Museu, os visitantes encontram ambientes interativos, experimentos e jogos de Matemática, de Física, ambientes com animais taxidermizados, exposição para a prevenção e combate a todas as formas de Tabagismo, Povos Originários, entre outros.

O coordenador do MUDI, Celso Ivam Conegero (à esquerda) interagindo com o público (Foto/Acervo MUDI)


O reitor da UEM, Leandro Vanalli, esteve no espaço do MUDI e parabenizou os servidores pela grande mostra. “Novamente, a UEM é protagonista mais uma vez com professores, alunos e servidores que se dispuseram em vir à Expoingá para apresentar a grandeza e a importância da nossa comunidade acadêmica para o desenvolvimento regional”.

Reitor da UEM, Leandro Vanalli

Popularização da Ciência

Nesta edição, os curadores do MUDI aproveitaram para trabalhar na Expoingá a questão das mudanças climáticas em sintonia com o tema central de 2025 da 22ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), que acontece todos os anos, em outubro. Promovida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), a Semana Nacional terá como mote “A Mobilização Nacional pela Cultura Oceânica”. O evento marca o protagonismo do país na Década da Ciência Oceânica, promovida pela UNESCO.

“A participação na Expoingá, com contribuição dos professores, bolsistas, integrantes do NAP e no estande da Fundação Araucária, e também junto ao Museu Dinâmico Interdisciplinar, é uma excelente oportunidade para contribuir para a cultura e aproximar as pessoas da ciência para que possam compreender princípios, fenômenos e percursos metodológicos da ciência, que fazem parte do nosso cotidiano”, justifica a articuladora do NAPI PRFC, a professora da UEM, Débora de Mello Sant’Ana.

Como sempre, o Giroscópio Humano atraiu a atenção do público na exposição do MUDI na Expoingá 2025 (Foto/Acervo MUDI)


Em 2025, a exposição do MUDI na Expoingá comemorou, de forma diferente de outros anos, duas Semanas Nacionais de Ciência e Tecnologia.  Assim como no ano passado, o ambiente Biomas retornou como forma de comemorar, de forma diferente, o tema de 2024 que foi “Biomas do Brasil: diversidade, saberes e tecnologias sociais”, com apoio a partir de projeto do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Para a coordenadora de Comunicação do NAPI Paraná Faz Ciência, jornalista Ana Paula Machado Velho, estar junto à população, junto às pessoas, é imprescindível para continuar cumprindo a missão do Arranjo, que é a divulgação científica.

”O empenho e engajamento de todas as pessoas que colocam lá o braço para que isso aconteça é fundamental para realizar essa missão. E é uma satisfação compor essa equipe maravilhosa, que realmente consegue fazer com que a gente consiga dar conta desse grande compromisso que é popularizar a ciência produzida nas instituições de ensino superior do Paraná”, exalta a jornalista. 

 A articuladora do NAPI Paraná Faz Ciência, Débora Sant’Ana (à esquerda) com integrantes do NAPI PRFC no estande da Fundação Araucária (Foto/Acervo MUDI)


O MUDI tem uma tradição de muitos anos de participação na Expoingá, extrapolando as ações diretas na exposição principal, que é feita dentro do Pavilhão Branco de Indústria e Comércio. “Estamos consolidando outras formas de parceria, especialmente com o Agromuseu, em exposições complementares e associadas”, lembra a professora Débora.. 

Agromuseu

Com a curadoria do professor Marcílio Hubner de Miranda Neto, que também é um dos coordenadores o MUDI, os visitantes da Expoingá puderam conhecer um novo espaço, o Agromuseu, com a exposição “Memórias do Agro em Maringá e Região”, que envolveu estudantes, professores,  empresários e vários colaboradores. 

A exposição “Memória do Agro em Maringá e Região” mostrou aos visitantes equipamentos antigos, alguns ainda utilizados ainda hoje (Foto/Acervo MUDI)


“O objetivo foi resgatar a memória das pessoas que viveram para a região, agrícola por vocação, partindo da minha própria memória, que aqui cresceu, e de outras pessoas que colaboraram para contar como era o Paraná”, explica Miranda Neto. Desde os anos 50, durante a pós o processo de colonização, Maringá era uma região de grande produção de café, mas também de milho, arroz, feijão, soja, ou seja, uma típica agricultura de subsistência.

Os visitantes puderam conhecer em especial nessa região em que se cultivou café, mas que não se cultivou somente café,  foi necessário uma agricultura de subsistência e que ia para além da subsistência, porque os excessos dessa agricultura, os excedentes dessa agricultura. Por meio de equipamentos da época, a exposição trouxe as máquinas que foram fundamentais para trazer o progresso, como a trilhadeira. A partir de uma agricultura diversificada, as famílias foram chegando e também desenvolveram atividades como a pecuária e a sericicultura, criação do bicho da seda, aqui no Paraná.

“Hoje, o Paraná é o estado que mais produz feijão, seda e assim por diante. E embora estejamos convivendo com uma agricultura avançada, com máquinas agrícolas com alta tecnologia, ainda temos famílias pequenas com suas pequenas propriedades trabalhando como se trabalhava lá na década de 40”, enfatiza o professor Marcílio.

Foram onze dias de intensa movimentação na exposição do MUDI no Pavilhão Branco da Expoingá (foto/Acervo Mudi)
Foram onze dias de intensa movimentação na exposição do MUDI no Pavilhão Branco da Expoingá (foto/Acervo Mudi)
O projeto Tabagismo, desenvolvido no MUDI, combate o tabaco e o cigarro eletrônico (Foto/Acervo MUDI)
A exposição “Memória do Arro em Maringá e Região”, com curadoria do MUDI, promoveu um retorno ao passado (Foto/Acervo MUDI)
O Agromuseu é uma parceria entre o MUDI e a Sociedade Rural de Maringá (Foto/Acervo MUDI)
O universo da ciência encantou públicos de todas as idades (Foto/Acervo MUDI)
Famílias participaram das atividades do projeto Matemativa propostas na exposição do MUDI (Foto/Acervo MUDI)

Doze Arranjos ligado à Universidade de Maringá apresentaram suas pesquisas e resultados durante a Feira

A tradicional feira maringaense Expoingá chega à sua 51ª edição com o tema “O Agro Conecta”, ressaltando o papel transformador do agronegócio. Neste ano, a feira conta com uma novidade: a participação dos Novos Arranjos de Pesquisa e Inovação (NAPIs).

A Expoingá ocorreu de 8 a 18 de maio, no Parque Internacional de Exposições Francisco Feio Ribeiro. Os NAPIs estiveram no estande da Universidade Estadual de Maringá (UEM), que também reuniu a Fundação Araucária, a Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná (Seti) e o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar).

Doze Arranjos estiveram presentes para apresentar os projetos e compartilhar com o público o trabalho desenvolvido ao longo do último ano: Ressonância Magnética Funcional, Educação do Futuro, Biodiversidade RESTORE, Biodiversidade Recursos Genéticos, Taxonline, Paraná Faz Ciência, Emergência Climática, Proteínas Alternativas, Águas, Energia Zero Carbono, Serviços Ecossistêmicos e Manna Academy.

Participação

Nos dias 8 e 9 de maio, quem passou pela feira pode conhecer de perto o NAPI Taxonline. Uma das integrantes do Arranjo e a coordenadora do Programa de Ecologia de Ambientes Aquáticos Continentais (PEA) da UEM, Carla Pavanelli, disse que os Novos Arranjos de Pesquisa e Inovação são uma maneira da Fundação Araucária fomentar a pesquisa no Paraná, financiando a ciência no Estado. 


“Eles têm uma característica temática, em que as instituições e pesquisadores se unem para trabalhar em conjunto sobre um tema específico, fortalecendo a integração, intercâmbio e otimização dos recursos. E a população precisa saber disso”, destaca a bióloga. 

Claudia Bonecker, articuladora do NAPI Biodiversidade: Serviços Sistêmicos, acrescentou que a participação dos NAPIs em eventos públicos permite que a academia retorne à comunidade este investimento de forma acessível, lúdica e criativa. 


“Todos os resultados de pesquisas, por mais específicos e aprofundados que sejam, podem ser demonstrados para a população, que passa a conhecer e valorizar os cientistas que trabalham nas suas cidades. Além de, naturalmente, terem acesso aos resultados das pesquisas que, na maioria das vezes, são realizadas no seu entorno e trazem melhorias diretas na sua qualidade de vida”, destaca a professora da UEM.

O articulador do NAPI Biodiversidade: RESTORE, Halley Caixeta, vê a participação em eventos como a Expoingá como uma atividade muito importante.  Primeiro como a forma de divulgar de informar à sociedade sobre as atividades que pesquisadores realizam utilizando dinheiro público.

“É importante que a população saiba como estes recursos estão sendo investidos. Conhecer as nossas atividades. Também é uma questão de formação, de informar sobre as temáticas em que atuamos como aquelas racionadas à questão ambiental, à restauração ecológica, ao monitoramento de ecossistemas aquáticos, enfim. Por fim, é uma oportunidade de apresentarmos produtos, pensando na questão das inovações que vem sendo desenvolvidas nos NAPIs, para que as pessoas fiquem cientes desses avanços que temos obtidos e como eles podem impactar nossa vida”, ressalta o professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL).

PRFC

A professora Christiane Okawa, do Departamento de Engenharia Civil da UEM, coordena os trabalhos do NAPI Águas, na Universidade. A principal atividade deste Arranjo está ligada a pensar indicadores de vulnerabilidade baseados nos impactos das mudanças climáticas. A coordenadora geral é a professora Yara Moretto, da Universidade Federal do Paraná, campus Palotina.


Christiane Okawa se disse honrada com a possibilidade de apresentar esse trabalho ao público, na Expoingá, já que é justamente para criação e manutenção de políticas públicas para os cidadãos que esse trabalho está sendo pensado. “Nossa expectativa é muito boa, pois atuamos para melhorar políticas públicas. O intuito é responder às necessidades da sociedade, evitando tragédias climáticas e demais perdas que afetam toda a sociedade”, resume Christiane.

O NAPI Manna realizou dois grandes eventos: o Boot Campo Manna Agro, envolvendo ações de inovação, internet das coisas, Inteligência Artificial e Robótica, voltadas ao agronegócio. No dia 18, domingo, houve o Manna Team com foco na Educação 5.0 que considera o desenvolvimento de SoftSkills.

Para a articuladora do Manna, Linnyer Ruiz Aylon, “a Expingá é mais uma forma de dar oportunidade aos estudantes de várias partes do Paraná de se aproximarem do conhecimento. Porém, vamos mais longe, eles têm a chance de mostrar que também fazem ciência de qualidade em suas escolas e com seus professores”, lembrou a professora da UEM.

Além de marcar presença no estande dos NAPIs, o NAPI Paraná Faz Ciência integrou a programação do Museu Dinâmico Interdisciplinar da UEM (MUDI). No balcão dos NAPIs, a equipe do Arranjo apresentou a neurociência com a ajuda de modelos de neurônios, células da glia e partes do cérebro, para mostrar aos visitantes como a ciência impacta o dia a dia.


“É uma grande oportunidade para apresentar aos paranaenses o que está sendo produzido nas nossas universidades, bem como consolidar uma política pública que pretende inserir o Paraná no cenário da divulgação científica como uma estratégia para valorizar os cientistas, atrair novos pesquisadores e promover a Ciência Cidadã. Afinal, a ciência está em todos os lugares na nossa vida e transformando a vida em sociedade!”, conclui a articuladora do NAPI PRFC, professora da UEM, Débora de Mello Sant’Ana.

Levantamento inclui MUDI na lista dos dez museus mais visitados do Brasil

Museu faz parte de uma Rede coordenada pelo NAPI Paraná Faz Ciência

MUDI/UEM é reconhecido como um dos maiores museus de ciências naturais do país (Foto/MUDI)


Na semana em que se comemora o Dia Internacional de Museus, celebrado em 18 de maio, o Museu Dinâmico Interdisciplinar (MUDI), da Universidade Estadual de Maringá (UEM), recebe de presente a notícia de que está entre os dez museus mais visitados do país. O levantamento é promovido pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) e realizado anualmente.

Além do MUDI, o campus sede da UEM, em Maringá, possui o Museu da Bacia do Paraná e o Museu de Geologia, espaços permanentes de ensino, pesquisa e extensão e com uma gestão que prioriza a popularização da ciência. 

O projeto de extensão que veio a se tornar o MUDI foi criado em 1985. No início, ganhou o nome de Centro Interdisciplinar de Ciências (CIC). O objetivo era promover a integração da universidade com a sociedade, por meio de atividades com alunos e professores do ensino Fundamental e Médio. Em 2005, o CIC foi transformado no Programa Museu Dinâmico Interdisciplinar, com a mesma missão: popularizar a ciência. Hoje, ele integra a Rede de Museus Paraná Faz Ciência, coordenada pelo Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação – NAPI Paraná Faz Ciência (PRFC).

UEM

O Museu da Bacia do Paraná da UEM foi Inaugurado em 1984 e é composto por aproximadamente 3,5 mil peças. O acervo foi doado, em sua maioria, pela Companhia Melhoramentos Norte do Paraná, responsável pela colonização na região. 

O público que visita o espaço vê fotografias, publicações diversas, fragmentos vegetais e animais, aparelhos e equipamentos topográficos, documentos e utensílios indígenas, entre outros objetos. Com o objetivo principal de promover o desenvolvimento de pesquisas científicas, a área de abrangência de seu acervo é da Bacia Hidrográfica do Rio Paraná, que dá origem a sua denominação.

Uma curiosidade é que a sede do Museu da Bacia do Paraná é uma casa de madeira construída em 1946, com cerca de 250 m², que foi desmontada de sua localização original e remontada no campus sede da UEM.

Já o Museu de Geologia, foi instituído recentemente, no dia 30 de maio de 2016. Apresenta uma ampla coleção de minerais, rochas e amostras paleontológicas de grande valor científico. O acervo do museu teve seu início com as numerosas amostras fósseis trazidas à Universidade pelo professor Sérgio Luiz Thomas. Ele as adquiriu no tempo em que trabalhou no Laboratório de Micropaleontologia da Petrobrás. Mas há também amostras cedidas pelas embaixadas do Canadá, da Espanha, do México, do Marrocos e do Chile, e doações individuais.

Segundo o coordenador do Museu e coordenador do Programa de Pós-Graduação em Geografia da UEM, Edison Fortes, o Museu é o espaço em que a cultura material é organizada e apresentada com a finalidade de ser interpretada, de forma ativa ou passiva, aos pesquisadores, estudantes e ao público em geral. 

Fortes destaca que, enquanto espaço de diálogo, a instituição possibilita construir novas propostas educativas, no qual os conteúdos ministrados em sala de aula podem ser materializados, a partir da observação crítica das coleções, em etapas previamente planejadas pelo professor e pelo gestor do Museu.  

“Diante disso, o Museu de Geologia da UEM tem como princípio contribuir para o aperfeiçoamento de novas práticas de ensino, estimulando o debate crítico sobre o patrimônio natural, a educação ambiental e a evolução da Terra e da Vida no nosso planeta, por meio de visitas guiadas disponibilizadas para as escolas da rede municipal e estadual”, descreve Edison Fortes.                                                              

Orgulho e reconhecimento

Quem também comemora o sucesso do trabalho é o coordenador do MUDI, o professor Celso Ivam Conegero. “Estar entre os 10 museus brasileiros mais visitados do país nos orgulha muito e serve de incentivo para que a gente possa continuar e melhorar o trabalho desenvolvido por todos os que fazem do MUDI o que é ele é hoje”, resume o gestor.

O Museu já é o maior museu de ciências do Sul do país. Ao responder, junto com outros 893 espaços museais, a um formulário de visitação, em 2023, foi classificado na lista dos Top 10. Foram mais de 27 mil visitantes no ano da pesquisa. Como visitantes considera-se estudantes de escolas públicas e particulares, professores e pesquisadores e visitas espontâneas da comunidade de todas as faixas de idade.

A cada ano, a participação do MUDI na Expoingá quebra recorde de visitantes, uma das maiores feiras agropecuárias do Brasil (Foto/MUDI)


“Com o apoio desta gestão da UEM, com o reitor Leandro Vanalli, e da AMUDI, Associação dos Amigos do MUDI, além de um espaço de visitação, temos mais de 30 projetos vinculados ao Museu, que mostram a potência da nossa universidade na produção de ciência no Paraná”, completa Conegero. 

V Encontro Nacional de Museus

E há muito ainda por vir em termos de reconhecimento. Em parceria com o Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (NAPI) Paraná Faz Ciência e de diversas instituições, o MUDI será sede de 12 a 14 de agosto do V Encontro Nacional da Associação de Centros e Museus de Ciências, realizado anualmente pela Associação Brasileira de Centros e Museus de Ciências (ABCMC). É a primeira vez que o evento acontece numa cidade do interior do Brasil.

Este ano, o tema central do V Encontro Nacional será “O papel dos Centros e Museus de Ciências na consolidação da interiorização da divulgação e popularização científica” e traz oportunidade de reflexões, debates e ações inovadoras no campo da popularização da ciência em sua interface com os museus de ciências.

Evento é promovido pela Associação Brasileira de Centros e Museus de Ciências (ABCMC), e acontece no campus sede da UEM, em Maringá, Noroeste do paraná (Foto/Divulgação)


As inscrições para submeter trabalhos vão até 2 de junho de 2025. Serão aceitos trabalhos em duas modalidades: Resumos Simples, destinados à apresentação na forma de banners, e Resumos Expandidos, para apresentação oral. Segundo o cronograma, a divulgação dos aceites está prevista para acontecer até 30 de junho de 2025. Outros detalhes podem ser conferidos no site da ABCMC.

Rede de Museus PRFC

O Paraná possui ainda a Rede de Museus de Ciências que integra o Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação, o NAPI Paraná Faz Ciência (PRFC). Além do MUDI da UEM, integram o Novo Arranjo os museus de Anatomia, Geologia, Zoologia (MZUEL) e Ciência e Tecnologia (MCTL) da Universidade de Londrina (UEL); Museu de Anatomia Comparada de Mamíferos (MAC), Laboratório Móvel de Divulgação Científica (LabMóvel) e Museu de Ciências Naturais (MCN) vinculados à Universidade Federal do Paraná (UFPR); e o Parque de Ciências Newton Freire Maia. 

“A Rede de Museus do Paraná desempenha um papel fundamental na consolidação de uma cultura científica no estado, pois promove um ambiente de colaboração e troca contínua. Durante a Semana de Museus, em celebração ao Dia Internacional de Museus, destacamos a relevância dessa rede”, ressalta Dhiego Cunha da Silva, pesquisador do NAPI e articulador da Rede de Museus.

Importante ressaltar que a dinâmica de interação permite que cada instituição aprenda e cresça com as outras, elevando o padrão de qualidade do trabalho museológico em todo o Paraná. Para que isso aconteça, a articulação na rede é crucial para fortalecer frentes de ensino, pesquisa e extensão.

Para o articulador, “através de iniciativas conjuntas, os museus conseguem desenvolver exposições, programas educativos e atividades de engajamento com a comunidade. Isso populariza a ciência e fomenta a inovação e o desenvolvimento cultural e econômico do estado. Dentro do Paraná Faz Ciência, a Rede de Museus se sobressai como uma ferramenta essencial para o fomento da ciência e a promoção do conhecimento, sendo uma peça-chave para um futuro mais próspero e consciente no Paraná”.

Neste sentido, o Museu de Anatomia da UEL, possui uma proposta interativa, com o  projeto permitindo o acesso a mais de 600 peças anatômicas de seres humanos e de animais. Durante a visita, estudantes da Educação Básica são convidados a interagir para entender o processo de conservação das peças. Já no Museu de Geologia da UEL, além das atividades de pesquisa e extensão, a proposta é ser uma ferramenta didática para o ensino e divulgação da Paleontologia em todos os níveis de ensino. 

No MZUEL há material expositivo para as disciplinas de Zoologia do departamento. Entre as salas de exposição destaca-se a de material taxidermizado. O ambiente é climatizado e possui cerca de 23.000 lotes de peixes catalogados. Por fim, na UEL ainda há o Museu de Ciência e Tecnologia que apresenta experimentos de Física e de Química, em que as ações são feitas por estagiários sob supervisão dos responsáveis pelo museu. 

Dos espaços museais da UFPR pertencentes à Rede do NAPI PRFC, o Museu de Anatomia Comparada está localizado no setor de Ciências Biológicas da instituição e possui um acervo para uso didático. Reúne também a produção de próteses e peças anatômicas em 3D para o ensino de anatomia para estudantes com deficiência visual. O LabMóvel é um projeto fundamentado em dois conceitos: a Ciência Móvel, que atua na descentralização das iniciativas científicas em grandes centros urbanos; e a Ciência Cidadã, que promove a participação ativa de todos no processo científico. 

O Museu de Ciências Naturais é um museu universitário referência na área de Ciências Biológicas e História Natural do Paraná. Além da coleção expositiva para pesquisadores, são encontrados representantes vivos de organismos da nossa fauna e da flora, materiais preservados e expostos em meio líquido ou seco, além de réplicas. O Parque de Ciências Newton Freire Maia completa a rede, um espaço para ações de divulgação científica, envolvendo o público em atividades sobre Ciência e Tecnologia. Inaugurado em 2002, o local é um ambiente dinâmico, que organiza suas ações em função do público que recebe.

O Clube Margarida Sustentável construiu uma horta e os clubistas já colheram as próprias cenouras

Crianças lavam e preparam cenouras ao ar livre(Foto/Arquivo pessoal)
As cenouras colhidas na horta cuidada pelos próprios alunos virou refeição (Foto/MargaridaSustentável)


Cultivar uma horta na escola é uma excelente ferramenta para a educação ambiental e alimentar. A tarefa pode ser utilizada de maneira multidisciplinar, ajudando a desenvolver o senso de coletivo, questões emocionais e noções de responsabilidade. Como um dos temas do clube de ciências Margarida Sustentável, o trabalho com a horta tem se mostrado muito positivo.

O clube é parte do Colégio Estadual do Campo Professora Margarida Franklin e está localizado no Distrito de Campinho, Ibaiti, integrante do Núcleo Regional de Educação (NRE) de Ibaiti. O coordenador do clube é o professor Laércio Faustino da Silva Júnior e o diretor da escola é Sérgio Morais de Medeiros.

Crianças colhendo as cenouras na horta da escola (Foto/Arquivo pessoal-MargaridaSustentável)


Unindo ciência e sustentabilidade, o cultivo de uma horta orgânica ensina sobre composição do solo, nutrição das plantas e compostagem. Os alunos aprendem que um solo saudável, rico em matéria orgânica, garante alimentos nutritivos sem a necessidade da utilização de agrotóxicos. Respeitando os ciclos naturais, é possível manter a produção de alimentos e ao mesmo tempo preservar o meio ambiente.

Questões emocionais e de trabalho em equipe também podem ser trabalhadas na lida com a horta. Um vegetal pode começar amarelar e o aluno deve tentar identificar o que pode estar acontecendo. Ficar frustrado, desanimado e triste com essa situação é normal, mas recomenda-se observar e conversar com os colegas sobre o que pode estar causando o problema. Sendo orientados, os clubistas irão tentar resolver a situação, e se não obtiverem sucesso, podem testar outra hipótese quando o fenômeno ocorrer novamente.

Quanto à colheita das cenouras, é a materialização do trabalho de toda a equipe. Por meses eles cuidaram e acompanharam o desenvolvimento do tubérculo, atividades fruto de um trabalho coletivo, dividido em etapas, até a retirada do solo e a limpeza das cenouras, para só então ficarem prontas para o consumo. São muitos os aprendizados oportunizados pelo cultivo de um alimento.

O professor Laércio Junior, coordenador do clube, contou um pouco da sua experiência desenvolvendo as atividades com os clubistas. “É inspirador observar o contato deles com a terra e com o cultivo de alimentos de forma sustentável. Trabalhar a sustentabilidade com os jovens é fundamental. Ao participarem ativamente do plantio e da colheita, eles aprendem sobre a origem dos alimentos, a importância do cuidado com o meio ambiente e os benefícios de uma produção livre de agrotóxicos.” Essa experiência prática, segundo o coordenador, pode despertar a consciência ecológica que vão levar por toda a vida. Tornando-os cidadãos mais responsáveis e engajados com um futuro mais verde. Além de promover outros valores, como trabalho em equipe, a paciência e a valorização do alimento saudável. É um aprendizado que vai muito além da sala de aula.

Pesquisadores vão apresentar os resultados de suas análises em dois encontros no mês de maio


O projeto Research Design – Análise de Políticas Regionais e Nacionais de CT&I Associadas a Estudos de Futuro e Planejamento Prospectivo, financiado pela Fundação Araucária, realiza dois seminários nas próximas duas sextas-feiras, 16 e 23 de maio. O objetivo é apresentar os resultados do projeto de pesquisa que busca instrumentalizar o processo de elaboração e análise de políticas de CT&I.

Os pesquisadores Marília de Souza e Décio Estevão do Nascimento analisaram políticas de CT&I de países de referência que foram elaboradas a partir de estudos de futuros e desenvolveram um modelo conceitual de análise. Essa pesquisa foi realizada em uma parceria entre Fundação Araucária, Paraná Tecnologia e Fonds de Recherche du Quebec Nature et Technologie – FRQNT, do Canadá.

A equipe vem utilizando ferramentas e estratégias de antecipação de mudanças e fenômenos disruptivos, com vistas ao incremento da resiliência, adaptabilidade e capacidade de transformação das políticas.

“Esse trabalho é importante, porque nós precisamos ter políticas com visão de longo prazo e esse é um desafio cada vez maior em tempos de extremas incertezas como o atual. Precisamos ser capazes de antecipar e fazer boas escolhas. Não podemos investir equivocadamente nas ações desta área, que demoram para serem implementadas e demandam muitos recursos”, destacou a professora, durante o II Encontro de Grupos de Estudo e Pesquisa em Políticas Públicas e Indicadores de CT&I no Paraná, realizado on-line, no dia 30 de abril deste ano.

Programação

Nesta sexta-feira, dia 16 de maio, ocorre o Seminário Estudos de Futuros e suas Aplicações. Na ocasião será feita uma introdução ao campo dos estudos de futuros, abordando conceitos, escolas de pensamento, metodologias, entidades de referência e campos de aplicação com ênfase em políticas de CT&I.


Na semana que vem, dia 23, no Seminário Análise de Políticas de CT&I que utilizam Estudos de Futuros, os participantes poderão conhecer com mais profundidade o uso de Estudos de Futuros em Políticas de CT&I e será também apresentado um modelo conceitual para análise de políticas nesta área.

Os dois eventos ocorrem das 8h30 às 10h30 (fuso horário de São Paulo) e vão contar com palestras de Marília de Souza e Décio Estevão do Nascimento.

Serviço

Para participar, na sexta dia, 16, é preciso acessar o Google Meet pelo link da videochamada: https://meet.google.com/ypo-itza-ucd; ou discar: (BR) +55 11 4935-3795‬ PIN: 887 111 199‬#. Outros números de telefone: https://tel.meet/ypo-itza-ucd?pin=3375470565434.‬‬

Dia 23, o acesso também é pelo Google Meet, link da videochamada: https://meet.google.com/ndv-fczx-ckn; ou disque: (BR) +55 11 4949-9758‬ PIN: 335 483 781‬#. Outros números de telefone: https://tel.meet/ndv-fczx-ckn?pin=6513182238404.‬‬

O nome curioso “capivara” é o símbolo do colégio, escolhido pelos próprios alunos

A imagem foi fotografada no primeiro dia do Clube de Ciências Capivara´s Tech no ano passado. Podemos ver um grupo de estudantes em uma sala de aula, posando para uma selfie tirada por uma mulher na frente da câmera. A turma é composta por jovens com diferentes estilos e expressões, eles vestem uniformes escolares brancos com detalhes verdes. A sala tem carteiras organizadas, algumas com laptops sobre elas, e armários no fundo. A iluminação natural entra pelas janelas laterais. Os estudantes parecem descontraídos, com alguns fazendo gestos com as mãos e outros sorrindo ou mantendo expressões mais sérias. O ambiente reflete um clima de interação entre os alunos e a professora.
Primeiro dia do Clube de Ciências Capivara´s Tech no ano passado (Arquivo pessoal/Maísa Iwazaki)


O Capivara’s Tech está animado para as novas atividades que vão acontecer este ano. A abertura do clube de ciências do Colégio Estadual Brasílio Itiberê, de Maringá, aconteceu no mês de março. O clube nesta escola é uma eletiva, ou seja, uma disciplina que está na carga horária dos alunos. Nela, cada professor escreve um projeto em colaboração com os estudantes. 

Neste caso, o Capivara’s Tech acontece toda semana às quintas-feiras nas duas últimas aulas do período da tarde. Em razão do horário e da disponibilidade da professora coordenadora do clube, Maísa de Carvalho Iwazaki, os alunos integrantes são somente do Ensino Médio. 

Todos os anos acontecem as Feiras de Eletivas para o Ensino Fundamental e Médio. Essas matérias se encerram em seis meses e são apresentadas na Culminância, que é um evento em todos os colégios integrais com o objetivo de apresentar os resultados desenvolvidos durante o tempo das aulas na disciplina eletiva. Logo, este momento ocorre duas vezes ao ano.

No ano passado, o Feirão de Eletivas já havia acontecido em agosto, mas foi somente em setembro que o clube se iniciou. Por isso, em uma organização do colégio, todos os alunos do segundo ano do Ensino Médio participaram do Capivara´s Tech. Durante o ano de 2024, eles realizaram um protocolo de minerais do PICCE (Programa Interinstitucional de Ciência Cidadã na Escola) e apresentaram na Culminância o trabalho feito sobre rochas e minerais para toda a escola.

Os passos para este ano

Em 2025, com 24 alunos majoritariamente do 3º ano, o projeto inicial é tornar a escola um ambiente mais acolhedor. Segundo a professora, por ser um colégio de tempo integral é necessário que haja mais espaços de lazer, recreação e descanso.

Outras ideias também já estão aparecendo no projeto do Capivara´s Tech, entre elas um comedouro de aves, já que a escola fica próxima ao Parque do Ingá e esses animais costumam fazer visitas. Além disso, Maísa explica que faz parte da ideia inicial criar abelhas, para fomentar a apicultura, e uma horta ou jardim para cuidados e assim oportunizar estudos. O objetivo é trazer a pesquisa científica para a prática nessas temáticas.

No primeiro dia do clube neste ano, os alunos andaram pelo colégio com o propósito de analisar quais os problemas existentes no ambiente escolar. Nos próximos encontros, conforme a professora, serão discutidas as possíveis soluções. Uma das sugestões levantadas foi a reutilização da água que escorre dos ar-condicionados para regar a futura horta.

Mas afinal, por que Capivara´s Tech?

A imagem apresenta uma ilustração estilizada de uma capivara com tons vibrantes de verde e azul, em um fundo escuro. A capivara está centralizada e cercada por elementos gráficos relacionados à tecnologia e à ciência, como átomos, planetas, seringas e tubos de ensaio com líquidos verdes. Na parte inferior da imagem, há uma faixa com o texto "CAPIVARA'S TECH", que reforça a temática tecnológica do design. A composição tem um estilo moderno e futurista com detalhes luminosos, transmitindo uma sensação de inovação e criatividade.
A logo escolhida pelos alunos e professora do clube de ciências Capivara´s Tech realizada por Inteligência Artificial (Divulgação/Capivara´sTech)


O nome “Capivara” já era conhecido pelos alunos, por ocasião de um trabalho realizado pelo professor Jeferson Luiz Kaibers, na matéria de artes. O objetivo era escolher um símbolo para o colégio e a preferência foi pela capivara, por ser um animal encontrado no território brasileiro.

Com o início das atividades do clube, a professora Maísa, juntamente com os alunos precisavam pensar em um nome e de pronto o símbolo do colégio foi retomado. Ao nome Capivara juntou-se o “Tech” para simbolizar tecnologia. Assim surgiu o “Capivara’s Tech”.

Além do nome interdisciplinar, o clube também quer trazer para a prática atividades de outras matérias desenvolvidas na escola. É o caso da matéria eletiva de artes, ministrada pelo mesmo professor Jeferson. Nela, o tema beleza poderá ser trabalhado e vai ao encontro da temática inicial do clube de ciências: criar um ambiente confortável e mais acolhedor na escola. Neste caso, o conforto visual seria o ponto de partida para pensarem em conjunto. Segundo os professores, o objetivo é pintar as paredes da escola com outras cores, incluir desenhos e adesivar as portas.

A importância de um clube e suas dificuldades

A grande oportunidade em participar de um clube de ciências, segundo Maísa, é a aproximação dos alunos com o universo científico. “Disse a eles que este ambiente vai ajudar muito na preparação para as olimpíadas e que juntos vamos nos preparar e estudar. Também expliquei sobre as possibilidades de ingresso em universidades por meio dessas olimpíadas”, completa a professora.

Para os docentes, ser coordenador de um clube é se reconectar com a área da pesquisa e significa também “resgatar aquilo que muitas vezes acabamos esquecendo”, menciona Maísa. É um momento de colaboração e há aprendizagem mútua. Apesar de algumas dificuldades iniciais, quanto à organização do tempo e ajustes no planejamento da rotina do clube, o Capivara’s Tech já está colocando as mãos na massa!

Na UTFPR de Curitiba, professores da Matemática estão há cinco anos produzindo e publicando videoaulas na internet como estratégia de ensino e aprendizagem

Em workshop, palestrantes, professores e alunos discutem a ‘A Transformação Digital na Educação e a Divulgação Científica’ (Foto/Silvia Calciolari/NAPI PRFC)


A compreensão de que a divulgação científica é o caminho para a popularização da ciência e, ao mesmo tempo, uma estratégia para melhorar o aprendizado de estudantes da Educação Básica, passando pelo Ensino Médio até ao Superior, já é consenso entre gestores e professores para a democratização do conhecimento. 

Um dos exemplos de iniciativas que mobilizam metodologia e conhecimento científico, noções de produção de conteúdo e muita disposição para aprender e ensinar, vem do Departamento de Matemática da Universidade Tecnológica Federal do Paraná do campus Curitiba (UTFPR-CT). 

Iniciado em 2019, o Projeto de Extensão Acervo de Videoaulas de Matemática (ACERMAT) tem como objetivo a produção de videoaulas de Matemática de curta duração,  organização das produções em um banco de vídeos para futuras consultas do público em geral, como proposta fundamentada nos Recursos Educacionais Abertos (REA), e disponibilizado no Youtube.  
Destaca-se também nesta iniciativa a formação inicial e continuada de professores em atividade profissional. Além disso, é uma forma de facilitar a implementação de metodologias ativas, como a sala de aula invertida, para auxílio do ensino de Matemática.

Como exemplo de Ciência Aberta, a pesquisadora da UFPR, Paula Carina de Araujo, apresenta o exemplo do Programa Interinstitucional de Ciência Cidadã na Escola (PICCE) e Conexão Ciência, o C2, que integram o NAPI Paraná Faz Ciência (Foto/Silvia Calciolari/ NAPI PRFC)


A coordenadora do ACERMAT, professora Edna Sakon Banin, relembra como o projeto começou e que, de certa forma, foi incrementado durante a pandemia: “Inicialmente, começou com uma ideia de desenvolvimento profissional docente que a Pró-Reitoria de Graduação estava ministrando para os professores. Aí veio a pandemia e nós precisávamos de videoaulas, mas que fossem ‘diferentes’, para reforçar alguns conteúdos e conceitos”.

Edna afirma ainda que já há muitas aulas de Matemática na internet, mas a ideia central do ACERTMAT é ir além. Com os conhecimentos sobre Cinematografia aplicada ao  ensino-aprendizagem do professor do departamento Henrique Oliveira da Silva, eles produziram uma metodologia própria para a roteirização, captação de imagens, edição e distribuição.  

“Ao propor um modelo diferente de conteúdo, não estamos dizendo que tudo que tem na web não seja bom. Mas o nosso diferencial é que um professor está apresentando o conteúdo, discutido e roteirizado, sempre com a linguagem adaptada para o público alvo”, ressalta. 

Dentro da proposta de Ciência Cidadã, o ACERMAT também recebe dos professores da Rede Estadual de Ensino demandas de conteúdo. A partir deste ano, o Projeto de Extensão se transformou num Programa e o grupo já está produzindo videoaulas numa versão para o ensino superior, ampliando ainda mais a sua abrangência.

Reflexão

Todo o trabalho de cinco anos foi base para o ‘Workshop: A Transformação Digital na Educação e a Divulgação Científica’, realizado entre 7 e 9 de maio, que reuniu professores e alunos de várias graduações, além da Matemática, para refletir sobre o projeto e definir novas perspectivas para os próximos anos.

Já na abertura, o professor Henrique de Oliveira da Silva, que está desde o início do projeto de extensão, fez questão de enfatizar o processo desenvolvido por eles. “Toda a produção do ACERMAT não é simplesmente chegar lá, pegar um celular e gravar um vídeo para colocar no YouTube. Ele tem toda uma metodologia por trás, tem todo um princípio pedagógico do conceito de formação e de educação que há nas universidades”, acrescenta.

Participaram da mesa de abertura do evento, os professores Angelita Minetto Araújo (à esquerda), Ana Cristina Munaretto, Edna Sakon Banin, Henrique Oliveira da Silva e Thaís Biembengut Faria (Foto/Silvia Calciolari/NAPI PRFC)


Ainda segundo o professor, os vídeos são construídos para facilitar o aprendizado e fixar o conhecimento. “Criamos ali um formato onde o professor, o conteúdo e o tradutor em Libras estão em destaque, porque todo o nosso material é adaptado para ser inclusivo”. 

Diferente dos videoaulas para o Ensino a Distância (EAD), o material produzido é direcionado para um grupo pertencente a uma instituição de ensino, pública ou privada. As videoaulas do ACERMAT estão na web, contribuindo para a melhoria do aprendizado dos estudantes e, também, para a formação de uma nova geração de professores de Matemática que já saem da universidade conscientes e preparados para atender a demandas que a Cultura Digital impõe à Educação.

Oficinas

Além da discussão teórica, o evento também organizou três oficinas para que os participantes compreendessem o processo de produção das videoaulas: Roteirização, Captação de Imagem e Edição de Vídeo. Esta última contemplou questões de Distribuição dos vídeos. Para os participantes, o primeiro aprendizado foi que os vídeos não são a ‘memória’ de uma aula, mas um aprofundamento de um conceito matemático.

A professora Angelita Minetto Araújo é responsável pelos roteiros do projeto que são pensados e escritos numa atividade coletiva e colaborativa. “Professores e alunos participam da definição do conteúdo, roteirização, captação de imagens e edição, tudo para explicar os princípios de cada conceito. Neste projeto, estamos todos aprendendo juntos, construindo um acervo que está a disposição da população, ao invés do simples ‘decoreba’”, salientou durante a oficina sobre Roteiros.

“Os vídeos seguem uma linha educacional que os transformam numa unidade de aprendizagem, todos com cerca de quatro minutos, para o público da internet”, explica Angelita Minetto Araújo (Foto/Silvia Calciolari/NAPI PRFC)


Neste sentido, o Departamento de Matemática da UTFPR e o seu Programa ACERMAT já estão antecipando uma tendência em priorizar a formação de docentes preparados para incluir tecnologias em seus planos de aula, uma prática que deve se espalhar por outras licenciaturas pelo país.

Tanto é importante pensar esta formação específica dos novos professores e pesquisadores, que a própria Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) já exige projetos de pesquisa  que incluem um plano de divulgação científica para receberem apoio financeiro da fundação. Este plano deve detalhar como os resultados da pesquisa serão divulgados ao público, incluindo estratégias para alcançar diferentes públicos-alvo e utilizar diversos canais de comunicação.

Alcance

Para o aluno de licenciatura em Física, Luiz Eduardo Muchalski Martins, que participou do workshop do ACERMAT, estar há um ano na universidade promoveu um choque de realidade.

“Aqui vejo diversos projetos de extensão, pesquisa, muita produção para o ensino de Física, e me pergunto por que eu não era atingido por tudo isso quando estava no ensino médio”, lamenta.

Graduando em Física da UTFPR, Luiz Eduardo Muchalski Martins (Foto/Silvia Calciolari/NAPI PRFC)


Na sua opinião, “tudo me faz parecer que a produção fica tão fechada nessas quatro paredes da universidade, que o desafio é saber como conseguir expandir esse material para todos”.

Não seria o caso de incluir os Fundamentos da Divulgação Científica no currículo das graduações do Ensino Superior? Esta foi a principal reflexão do workshop que coloca em alerta todos os que acreditam que é papel da universidade contribuir para uma verdadeira Transformação Digital e a construção de uma Cultura Digital que há décadas se discute no país.

Evento de Ciência e Tecnologia esse ano terá a participação dos Clubes de Ciência da Rede  Paraná Faz Ciência

Comissão organizadora da FECITEC de 2024 (Foto/Divulgação UFPR-Palotina)


A Feira de Ciência e Tecnologia de Palotina (FECITEC) chega à sua 15ª edição em 2025 para incentivar a produção científica entre os estudantes. O evento, que está marcado para 29 de setembro, é organizado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), Setor Palotina, com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico (CNPq) e de diversas instituições e empresas da região. 

As inscrições estarão abertas a partir de 16 de junho até dia 16 de agosto, via formulário no site www.fecitec.ufpr.br e nas redes sociais. Podem participar com exposição de trabalhos, alunos da Educação Infantil, Ensino Fundamental I, Ensino Fundamental II, Ensino Médio e Técnico. Sejam de colégios ou escolas de todo o país, especialmente de Palotina, bem como de outros países.

A coordenadora Institucional dos clubes da Rede de Clubes Paraná faz Ciência, setor Unioeste, Fernanda Aparecida Meglhioratti destaca que a feira faz parte da jornada dos Clubes de Ciência no ano de 2025, na qual estes farão exposições e colocarão suas ideias e projetos científicos em prática. Para participarem, os clubistas terão apoio na locomoção até o local da feira.

Além de apresentarem projetos, a feira possibilita que os melhores trabalhos garantam vaga em eventos científicos nacionais e internacionais e possam concorrer a bolsas de Iniciação Científica Júnior.Este ano, os projetos devem estar relacionados a um dos temas, a saber: Ciências, Tecnologia, Inovação, Empreendedorismo, Sustentabilidade, Alimentos e Segurança Alimentar ou Ciências Humanas. Haverá publicação dos resumos dos melhores trabalhos, onde constam os anais do evento com ISSN  (International Standard Serial Number) – o código de 8 dígitos que identifica publicações seriadas -, e serão publicados no site da Feira.

Registro do evento na UFPR Palotina em 2024, mais de 3 mil passaram pela Feira (Foto/Divulgação UFPR-Palotina)


Mais do que uma exposição, a FECITEC é um espaço de troca de experiências entre estudantes, professores e a comunidade de toda a região. Os participantes mostram soluções inovadoras para desafios reais, promovendo a ciência de forma acessível e aplicada ao cotidiano. Na edição anterior, em 2024, o evento reuniu mais de 3 mil pessoas e se mostrou ser uma ferramenta consolidada para a integração entre a comunidade do município e a universidade, além de estimular a produção científica nas escolas. 

Foram 38 instituições de ensino da região de Palotina e de outras localidades participantes, incluindo escolas, institutos federais, clubes de ciências, fundações e centros educacionais. Mais de 300 alunos expuseram seus trabalhos, projetos e experimentos sobre temas diversos, como segurança alimentar, robótica, música, biomas brasileiros, inovação, entre outros. Entre os docentes, 78 deles estavam ligados aos projetos apresentados pelos alunos.Mais informações sobre categorias, critérios de avaliação e outros detalhes estão disponíveis no manual em http://www.fecitec.ufpr.br/manual , onde consta, inclusive, um cronograma com as diversas fases do evento, da inscrição até a cerimônia de entrega dos prêmios. A organização disponibilizou os seguintes endereços de contato: E-mail  fecitec.ufpr@gmail.com  Facebook (@fecitecpalotina) e Instagram (@fecitec.palotina).

Além de expor os projetos do NAPI, a equipe apresenta a Neurociência e como a ciência impacta o dia a dia (Foto/NAPI PRFC)


O Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação Paraná Faz Ciência (NAPI PRFC) foi uma das atrações do estande da Fundação Araucária e da Universidade Estadual de Maringá, na 51ª edição da Expoingá 2025. O evento ocorre no Parque Internacional de Exposições de Maringá e conta com o apoio da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti).

“É uma grande oportunidade para apresentar aos paranaenses o que está sendo produzido nas nossas universidades, bem como consolidar uma política pública que pretende inserir o Paraná no cenário da divulgação científica como uma estratégia para valorizar os cientistas, atrair novos pesquisadores e promover a Ciência Cidadã. Afinal, a ciência está em todos os lugares na nossa vida e transformando a vida em sociedade!”, afirma a articuladora do NAPI PRFC, professora da UEM, Débora de Mello Sant’Ana.  

O NAPI PRFC é parte de uma estratégia para agregar iniciativas de divulgação científica e educação para a ciência. O NAPI nasceu em 2021 da junção de dois projetos, antes independentes: o Programa Interinstitucional de Ciência Cidadã – PICCE e o Conexão Ciência – C². Desde 2024, somam-se outros projetos como o Saúde nas Mídias, Quintas da Ciência, museus, feiras e uma Rede de Clubes de Ciências.

O NAPI é formado por um grupo de pessoas que trabalha para criar ambientes que envolvam os paranaenses com a ciência e a tecnologia. A ideia é proporcionar às crianças, adolescentes e adultos uma nova perspectiva sobre o mundo. O Arranjo busca fomentar a extensão, a ciência cidadã e a divulgação do conhecimento científico, ampliando o interesse dos jovens por carreiras científicas e promovendo a inclusão e a diversidade.

Participam a articuladora do NAPI PRFC, Débora de Mello Sant’Ana (à esquerda), Leilane Talita Fatoreto Schwind, Maria José Pastre, Henrique Cazanti Sona e Robson Leite, todos bolsistas do NAPI Paraná Faz Ciência (Foto/NAPI PRFC)


Até o dia 18, próximo domingo, integrantes de diferentes NAPIs, além do PRFC, estarão mostrando para os visitantes da feira os projetos desenvolvidos pelos pesquisadores paranaenses em diversas áreas do conhecimento. Tudo para popularizar a ciência e levar à sociedade o que de melhor é produzido nas universidades públicas do Estado.

Participação da coordenadora de Comunicação do NAPI Paraná Faz Ciência, Ana Paula Machado Velho, abordou histórico dos projetos de Divulgação Científica no estado, bem como as ideias em fase de implantação

Ana Paula M. Velho apresenta os projetos de Divulgação Científica ligados ao Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (NAPI) Paraná Faz Ciência durante Congresso de Biologia da UEL (Foto/AnaFrings)


A Coordenadora de Comunicação do NAPI Paraná Faz Ciência e do Museu Dinâmico Interdisciplinar (MUDI), da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Ana Paula Machado Velho, palestrou sobre sua trajetória como jornalista no campo da Divulgação Científica. A fala aconteceu durante o VI Congresso de Biologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), ocorrido entre os dias 7 e 10 de maio.

Em sua apresentação no terceiro dia do Congresso de Biologia, a jornalista falou sobre como conduziu a interface da área de Divulgação Científica com o ambiente acadêmico e também sobre os projetos atualmente em curso no Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (NAPI) Paraná Faz Ciência, a partir da visão institucional e do objetivo de ampliar a Cultura Científica no estado.

TRAJETÓRIA NA DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA

Foi depois de uma palestra com a escritora e imortal da Academia Brasileira de Letras, Nélida Pinon, que Ana Paula ouviu pela primeira vez sobre a possibilidade de adaptar os textos difíceis dos livros de ciência para uma linguagem mais simples a todos os leitores. Quando ingressou na UEM para atuar como jornalista, em 1999, pode atuar verdadeiramente sobre a ideia de levar conhecimento científico para além do público da Academia.

Ana Paula considera que alguns fatores convergiram para que a Divulgação Científica no âmbito estadual avançasse enquanto proposta de comunicação, entre eles está o interesse do poder público, por meio de investimento considerável do governo do Paraná, e o fenômeno da pandemia de Covid-19, fato que demandou dos programas de comunicação mais efetividade e direcionamento para alertar sobre os cuidados de saúde naquele momento crítico.

Slide da apresentação que mostra a migração dos projetos de Comunicação Científica do Paraná para o Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (NAPI) Paraná Faz Ciência (Foto/AnaFrings)


“Como eu circulava também pelo Hospital Universitário da UEM e apoiei a formação do núcleo de Comunicação lá, houve essa facilidade de integrar o tema da saúde pública com a função social da comunicação. Foi nesse período [pandemia] que surgiu nosso primeiro projeto de Divulgação Científica, o C2 – Conexão Ciência”, explica a jornalista. O projeto se estruturou em uma rede de comunicação colaborativa – centralizado e liderado pela UEM, e aos poucos novas universidades passaram a participar.

Há 4 anos o grupo formado por bolsistas profissionais da área de Comunicação publica semanalmente duas matérias sobre o que se faz de pesquisa no Paraná, sempre em formato multimídia de conteúdo. Fazem parte dos produtos um canal no You Tube (@conexaocienciac2) e os Podcasts (podcasts) , já acima de 100 episódios. As produções contam com identidade visual próprias e o funcionamento do projeto já alcançou patamares de uma agência, com uma autonomia considerável entre os bolsistas, o que representa uma experiência profissional ainda mais completa a estes profissionais, que atuam desde a escolha dos conteúdos até a gestão de todo o processo. A capilaridade do projeto se vale de duas vertentes: o site institucional e o perfil de Instagram que atinge tanto os públicos acadêmicos como a população em geral.

Em 2021, com o interesse em ampliar o alcance da experiência exitosa da Divulgação Científica pelo C2, uma nova fase foi inaugurada. Veio com o apoio da Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (SETI) que reconheceu o bom trabalho do C2 e apoiou uma nova estrutura, com mais profissionais bolsistas, sob a coordenação do NAPI Paraná Faz Ciência. Como espécie de um subprojeto do NAPI focado em divulgação científica, criou-se a Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, um programa para levar aos jovens e crianças das escolas públicas do estado mais acesso à prática científica. 

A gênese dessa nova rede veio de um movimento social existente em Portugal, o Ciência Viva, que agrega Clubes de Ciências nas escolas, uma rede de Museus Científicos, as Quintas [fazendas] da Ciência e as Feiras de Ciências. No modelo pensado para o Paraná, essas instituições estão em processo de implantação, sendo a mais importante no momento a Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, com 200 Clubes de Ciências já em andamento nas escolas, que contam com o apoio da Secretaria Estadual de Educação e a assessoria das 12 Instituições de Ensino Superior públicas no Paraná, entre estaduais e federais, por meio de seus professores e pesquisadores. A ideia é fomentar uma rede de conexões para que todo o conhecimento circule e gere o efeito multiplicador de uma forte cultura científica.

“Para se ter ideia do sucesso que essa nova proposta está gerando [a Rede de Clubes], conseguimos no âmbito federal mais recursos em um projeto adicional e com isso outros 45 clubes foram agregados aos 200 estabelecidos no projeto estadual e já temos na fila mais 28 clubes pensados exclusivamente para as meninas na ciência. Ou seja, a ideia já está se multiplicando e gerando frutos”, explica a coordenadora Ana Paula.

Ana Paula M. Velhos explica sobre os formatos dos conteúdo publicados pelo projeto C2- Conexão Ciência (Foto/AnaFrings)


“Nossa missão é criar canais para mostrar que o Paraná já faz de ciência, da qualidade dos projetos que temos aqui, mas que careciam de visibilidade. É uma visão institucional ambiciosa, usando recursos pagos por todos nós cidadãos para fortalecer a cultura científica”, complementa.

NEGACIONISMO E FAKE NEWS: COMO LIDAR?

Durante a sessão de perguntas após a palestra, um dos questionamentos foi sobre como lidar com o negacionismo propagado em redes sociais. Para Ana Paula, um dos caminhos é o que já existe na Rede de Clubes: começar desde cedo com as crianças, mostrando sobre o processo investigativo, como registrá-lo, além de criar laços de confiança, por meio de discurso empático e com diálogo. Outra forma, informa a coordenadora de Comunicação é, cada vez mais, fomentar que os próprios jovens façam essa comunicação, na linguagem que já dominam, para se atingir outros jovens, com representatividade e exemplos que lhes façam sentido. 

“A melhor estratégia para lidar com essas dificuldades do momento é aproveitar a realidade e tentar criar mais divulgadores, entre os próprios jovens também. Acredito que seja aceitar o que está posto e tirar o melhor proveito disso, para conscientizar e tirar as dúvidas que surgem”, conclui.

Ao final da apresentação, o slide traz informações sobre onde encontrar mais a respeito do NAPI Paraná Faz Ciência (Foto/AnaFrings)


As publicações do C2- Conexão Ciência podem ser acompanhadas pelo perfil @c2conexaociencia no Instagram e pelo site do NAPI Paraná Faz Ciência . Os trabalhos da Rede Clubes Paraná Faz Ciência estão no @clubesparanafazciencia e na aba “REDES” e “CLUBES DE CIÊNCIA” do mesmo site do NAPI .

Com o apoio de professores da UFPR, o Clube pretende expandir a área da horta e implantar a irrigação automática

Os clubistas irrigam a horta do Colégio Estadual Professor Loureiro Fernandes (Foto/Nelson Tureck)


Os professores Marcos Antonio Ferreira Randi do Departamento de Biologia Celular, e o professor James Alexandre Baraniuk, do Departamento de Engenharia Elétrica, ambos da Universidade Federal do Paraná (UFPR), visitaram o Clube de Ciência ‘Galera da Horta’, do Colégio Estadual Professor Loureiro Fernandes, no bairro Ahú, em Curitiba.

O Clube existe há seis meses, num pequeno espaço no colégio e é coordenado pelo professor Nelson Henrique Joly Tureck, formado em Engenharia Civil e Matemática; e pelo professor Josmar de Jesus Batista, formado em Filosofia. 

Dado o sucesso com as colheitas, o professor Nelson já estuda mudar a horta para outro local maior, além de implantar um sistema automatizado de irrigação: “Nesse espaço menor, já fizemos plantio de alface, salsinha, cebolinha, nabo, pepino e rúcula. Algumas das hortaliças colocamos à disposição da escola, para utilizar no almoço dos estudantes”, ressalta Tureck. 

Para implantar o novo sistema, a visita dos professores da UFPR foi fundamental. “Foi importante pela troca de informação, pela possibilidade da parceria e para conhecer um pouco a realidade da escola. O projeto está no começo, mas a gente já vislumbra que será uma boa oportunidade de crescimento”, esclarece o coordenador do clube.

A horta recebe adubo orgânico feito com titica de galinha e biofertilizantes (Foto/Nelson Tureck)


Os professores da UFPR planejam ainda criar parcerias com outras duas escolas que ficam na mesma região do clube de ciência Galera da Horta e, assim, fazer um projeto integrado. “A ideia é que os estudantes tenham participação ativa e escolham o que vão fazer em termos de Ciência na horta. Nós não vamos dar nada pronto. Eles é que vão descobrir sobre a possibilidade deles mesmos serem cientistas”, acrescenta. 

O professor James, por sua vez, explica como funcionará o processo de automação da horta. “Utilizando o kit didático de robótica da escola, devemos, inicialmente, montar uma solução para irrigar pequenos vasos. Na sequência, vamos trabalhar para obter uma caixa de água de reuso com água de chuva para montarmos um sistema de irrigação com esta água”.

A previsão, conforme o professor James, é de que a irrigação dos vasos esteja pronta nos próximos dois meses. Já a irrigação da horta vai depender da aquisição da caixa de água para reuso, da motobomba, dos materiais de irrigação e da instalação destes materiais. Após a fase de compra, a expectativa é que o projeto esteja em funcionamento no segundo semestre deste ano e os primeiros resultados possam ser apresentados na feira de Cultura Científica, promovida pelo Paraná Faz Ciência e que irá ocorrer em Curitiba.

Hortas nas escolas contribuem para a educação ambiental e nutricional, oferecem um maior contato com a natureza, além de ajudar na conscientização sobre o meio ambiente (Foto/Nelson Tureck)