Voltadas para o desenvolvimento de atividades práticas e temáticas com pequenos grupos, as oficinas da Semana Estadual de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná – Paraná Faz Ciência 2023 já estão com inscrições abertas. As atividades são gratuitas, disponibilizadas de modo presencial e remoto e fazem parte de um dos seis eixos temáticos da Semana, que será realizada na UEL entre os dias 6 e 10 de novembro. Para participar, os interessados devem realizar inscrições individuais exclusivamente por meio do site do evento, até o dia 31 de outubro.
Distribuídas nos três períodos – manhã, tarde e noite -, as oficinas temáticas compõe o Eixo 4 do evento e serão realizadas nos dias 7, 8 e 9 de novembro. Por isso, são voltadas aos mais diversos públicos, de estudantes da educação básica a professores do ensino superior e à comunidade externa.
Os professores interessados em abordar a temática da energia solar em sala de aula irão encontrar, por exemplo, uma oficina voltada à “Construção de células fotovoltaicas com materiais de baixo custo para fins didáticos”. O primeiro dia também traz oficinas sobre a produção de mudas florestais; compostagem; esportes equestres; preservação e organização de acervos fotográficos; princípios básicos e moleculares dos testes de paternidade; ritmos e expressão corporal africano; introdução ao Arduíno (plataforma de projetos eletrônicos), entre muitas outras.
No segundo dia de atividades práticas, estudantes de Direito e o público em geral terão duas oportunidades – manhã e tarde – para terem contato com perspectivas e experiências do Programa de Pós-Graduação em Direito Negocial da UEL. Além deste tema, a programação de 8 de novembro trará uma oficina voltada a demonstrar a composição nutricional dos principais produtos alimentícios adquiridos em supermercados, além de orientar os consumidores sobre os riscos à saúde do consumo excessivo de certos alimentos. Já proprietários e amantes de cachorros poderão se interessar pela oficina sobre Medicina Transfusional de Cães, voltada a apresentar como funciona a doação de sangue que pode salvar a vida de um animalzinho.
Ao acessarem o site, os interessados irão encontrar as principais informações, como horário e local, além de um breve resumo dos objetivos e o currículo dos docentes responsáveis pelas atividades. A UEL será responsável pela certificação de todos os envolvidos nas atividades, desde que comprovada a participação. A carga horária dependerá do tempo de duração das oficinas.
As inscrições para as Visitas Técnicas do Paraná Faz Ciência, direcionadas a grandes grupos, como colégios, também estão abertas.
Paraná Faz Ciência 2023
Parte da 20ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT 2023), o Paraná Faz Ciência 2023 é uma iniciativa do Governo do Paraná por meio da parceria entre a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), Agência Araucária, Secretaria da Inovação, Modernização e Transformação Digital (SEI) e a UEL.
Objetivo é celebrar a cultura científica e tecnológica no Paraná,
através de ações integrativas divididas em seis grandes eixos temáticos.
O maior evento científico do Paraná está chegando. A Semana Estadual de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná – Paraná faz Ciência 2023 terá como sede o Campus da Universidade Estadual de Londrina (UEL), de 6 a 10 de novembro. Com atividades integrativas organizadas em seis grandes eixos temáticos, o Paraná Faz Ciência 2023 vai divulgar avanços tecnológicos das mais diferentes áreas de conhecimento, produzidos por todo o sistema de ensino paranaense.
Como parte integrante da 20ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT 2023), a iniciativa busca reunir toda a comunidade paranaense em torno da atividade científica. O Paraná Faz Ciência é uma parceria entre a Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), a Agência Araucária de Ciência, Tecnologia e Inovação do Paraná (Fundação Araucária), a Secretaria Estadual de Modernização, Transformação e Inovação (Semti) e a UEL.
O evento conta com apoio das universidades estaduais de Ponta Grossa (UEPG), do Centro-Oeste do Paraná (Unicentro), de Maringá (UEM), do Oeste do Paraná (Unioeste), do Norte do Paraná (Uenp) e do Paraná (Unespar); das universidades Federal do Paraná (UFPR), Federal da Integração Latino-Americana (Unila), da Fronteira Sul, Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e do Instituto Federal do Paraná (IFPR). Também conta com apio da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC/PR – Grupo Marista), da Secretaria da Educação (SEED) do Governo do Estado do Paraná, da Secretaria Municipal de Educação da Prefeitura Municipal de Londrina e do Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Codel).
A abertura do evento será no dia 6, no Cine Teatro Ouro Verde, a partir das 18h, com a presença de autoridades estaduais. Na ocasião, será revelado o vencedor do Programa de Propriedade Intelectual com Foco no Mercado – Prime 2023. O Prime tem como objetivo prospectar propostas acadêmicas com potencial mercadológico e transformar resultados científicos em novos negócios. A Orquestra da UEL (Osuel) também vai se apresentar na atividade de recepção.
Eixos temáticos:
A programação do evento é orientada conforme a divisão das ações interativas em seis grandes eixos temáticos:
Eixo 1: Ensino Superior do Futuro
O Eixo 1 discute o futuro do Ensino Superior, compreendendo o papel das novas tecnologias no cenário educacional de pós-pandemia. De 7 a 9 de novembro, das 19h às 22h, os debates articulados têm como público-alvo estudantes de graduação, pós-graduação e docentes das universidades paranaenses. As vagas são limitadas e as inscrições devem ser feitas antecipadamente.
Eixo 2: Mostra Interativa de Ciência, Tecnologia e Inovação
Este segmento é subdividido em Mostra Interativa de Projetos; Exposição de Startups; e Mostra dos Novos Arranjos de Pesquisa e Inovação (Napis). As mostras ocorrerão entre os dias 7 e 9 de novembro, das 8h às 18h, e objetivam apresentar à sociedade os novos programas desenvolvidos pela UEL e instituições parceiras.
Por meio de experiências interativas, pretende-se incentivar a participação da comunidade externa, além de estudantes e professores da Educação Básica e do Ensino Superior.
Segundo edital 04/2023, dez startups e 17 Napis foram selecionados para visitação nessa etapa. É o caso da empresa londrinense GRAL Bioativos. Especializada em soluções antimicrobianas verdes com baixa toxicidade, ela terá um estande próprio no Campus para a divulgação de sua marca.
Eixo 3: Visitas Técnicas
No Eixo 3, os visitantes vão participar de jornadas imersivas em espaços fundamentais para a produção científica, como os laboratórios de pesquisa. Com horários próprios, as atividades estão programadas para ocorrer entre os dias 7 e 9. A entrada é gratuita e aberta a todos, porém é necessário se inscrever.
De acordo com o edital 04/2023, foram elencados 65 locais na universidade para apresentação. Da Cardiologia Veterinária, do Centro de Ciências Agrárias (CCA), ao TelecomB5G – Grupo de Pesquisa Telecomunicações da UEL.
Eixo 4: Oficinas
Voltadas a atender à comunidade leiga, além de estudantes e professores da Educação Básica e do Ensino Superior, as oficinas desenvolverão práticas relacionadas à temática do Paraná Faz Ciência 2023. De 7 a 9, as informações acerca dos projetos disponíveis constarão no site.
Esta edição conta com 10 exibições remotas, a exemplo da discussão “Metaverso: desafios e potencialidades”, e 111 presenciais, como “Vidlunnia: a poesia ucraniana nas vozes brasileiras”.
Eixo 5: Cultura e Arte
Visa à divulgação de ações culturais e artísticas, promovendo o encontro de grupos, projetos, coletivos e iniciativas diversas da área. Aberta ao público em geral, ocorre de 7 a 10 de novembro, em segmentos específicos da UEL, sem necessidade de inscrição prévia ou agendamento.
Para este ano, foram selecionadas 18 mostras do gênero, desde Apresentação do espetáculo teatral “Fagulha”, da companhia Núcleo Ás de Paus, a Videodança “Caderno de estudos 2023”.
Eixo 6: Eventos acadêmicos
Esta seção contempla o XXXII Encontro Anual de Iniciação Científica (EAIC 2023), VI Encontro Anual de Extensão Universitária e XII Seminário de Extensão (Por Extenso 2023); V Mostra Anual de Atividades de Ensino da UEL (Pró-Ensino 2023), bem como o Encontro Paranaense de Comitês de Suporte à Pesquisa Científica e Tecnológica e Encontro Paranaense de Editores e Jornalistas Científicos.
Com o objetivo de divulgar os resultados da pesquisa acadêmica produzida pela UEL até agosto de 2023, a programação das feiras estará disponível, em breve, no site. Assim, os interessados em participar deverão realizar a inscrição pelo link, priorizando o limite de vagas.
Cronograma
O Paraná Faz Ciência 2023 disponibilizou o cronograma do evento, que pode ser conferido abaixo. Segundo o diretor da Pró-reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (ProPPG) da UEL, Eduardo José de Almeida Araújo, não haverá aulas durante a semana e todas as atividades dos alunos serão voltadas ao evento.
Inscrições
Os interessados devem acessar o site oficial do evento para se inscrever. A visitação será aberta à comunidade, de forma gratuita. Grupos menores do que dez pessoas não necessitam de agendamento prévio. Grupos escolares ou não escolares com mais de dez pessoas devem realizar inscrição prévia, visando garantir o bom atendimento e a circulação segura no local das atividades. O cadastro de turmas visitantes pode ser feito por este formulário.
A UEL, por meio da Pró-Reitoria de Extensão, Cultura e Sociedade (Proex), será responsável pela certificação de todos os envolvidos no evento, desde que comprovada a participação. A carga horária dependerá do tempo de duração das atividades.
“A minha voz não fala sozinha. A minha voz grita e ecoa no coletivo. Sou uma mulher indígena e todas as vezes que alguém me ouve, venço também”. Assim Géssica Nunes Guarani Nhandewa começa seu livro ‘Universidade Território Indígena’. Como ela, autores indígenas publicaram seus livros por meio Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), no último mês. A iniciativa do Coletivo de Estudos e Ações Indígenas (Ceai) fez nascer a ‘Coleção Retomadas’, pensada e desenvolvida por indígenas, para impacto dentro e fora do ambiente universitário. O trabalho resultou em seis obras, publicadas de modo impresso e em formato e-book, com vivências, pensamentos, tradições e reivindicações indígenas.
Géssica é mãe, professora, pesquisadora, curadora de Literatura Indígena e especialista em Gestão Escolar Indígena. “Por muito tempo, pensei em ressignificar a minha vivência, minha experiência, a minha realidade”, conta. Por meio do seu livro, a autora reafirma sua identidade indígena, a partir de vivências próprias. “O meu processo de produção do livro foi a ideia de escrever cada dia, ou em datas alternadas, os textos sobre a minha experiência como acadêmica indígena, a partir de 2019, quando eu estava vivendo silenciamentos na universidade – pouco, mas estava”, relata.
A Universidade é também lugar dos povos indígenas. “Luto pela atuação das vozes de mulheres indígenas no combate ao racismo que nos exclui do espaço acadêmico. Quero transformar todas essas práticas educacionais e humanas, com e para o ser humano, a partir da história do meu povo”, informa. A vontade por afirmar suas experiências e combater preconceitos, fez nascer um livro de mais de 150 páginas. “Ter um livro lançado com a minha voz, a ecoar num som coletivo, é saber que a minha luta não é em vão, que num futuro bem próximo teremos uma experiência menos dolorosa ao acessar o espaço acadêmico”, completa.
Iniciativa
Na UEPG, a Coleção Retomadas partiu do trabalho do Coletivo de Estudos e Ações Indígenas (Ceai), em parceria com o Laboratório de Estudos do Texto (Let), Proex e Programa de Pós-Graduação em Estudos da Linguagem (PPGEL). Para a coordenadora do Ceai, professora Letícia Fraga, o lançamento da coletânea mostra a Universidade na sua função mais importante: retornar o trabalho para as comunidades com as quais tem relação. “Como universidade pública, nós temos relacionamento com todas as comunidades indígenas. São pessoas que já são discriminadas desde a educação básica e que na maior parte das vezes, por causa disso, não conseguem nem chegar no ensino superior. Então acho que a gente está cumprindo com a nossa obrigação”, ressalta.
Os saberes e práticas dos povos indígenas foram postos como prioridade no trabalho do Ceai. “Pensamos sempre na melhor forma de contribuir, para que pessoas possam ter mais visibilidade, possam ter os seus saberes considerados valorizados, inclusive dentro da da Universidade”. Todo o trabalho de curadoria, edição, ilustração e revisão foi feito por pessoas indígenas. “Todos eles contribuíram muito para o produto final de cada um dos livros”, enfatiza Letícia.
Das experiências pessoas para os livros
Florencio Rekayg Fernandes resgatou uma tradição aprendida na infância, do povo Kaingang, para seu livro. Na obra ‘O Ritual dos Mortos’, o autor conta o que era feito quando falecia um indígena adulto. “As crianças ficavam fechadas em um outro local, para não ficarem próximas das pessoas falecidas. O chão era todo coberto com folhas de ervas medicinais e as pessoas só podiam andar sobre as folhas, para não morrerem tão cedo”, descreve. O corpo não podia permanecer muito tempo no local e deveria ser retirado assim que o dia clareasse – os falecidos não eram enterrados, mas sim colocados próximos a troncos de árvores secos e cobertos com folhas e galhos.
“Na verdade, eu já tinha escrito esta história fazia mais de 10 anos, só que eu nunca tinha parado para analisar a possibilidade de transformar os textos em livro”, conta Florencio. Quando conseguiu organizar os escritos, o livro ganhou idiomas kaingang, português, guarani, espanhol, francês e inglês. “Esse lançamento demonstra o reconhecimento e a valorização dos escritores indígenas, mostra nossa resistência, luta e a manutenção da nossa cultura”. Para ele, as obras da Coleção irão impactar as próximas gerações e a comunidade acadêmica. “Agradeço à UEPG e a todas as pessoas que tiveram uma participação de grande importância para que saísse o produto final”.
A Covid-19 também impactou profundamente as comunidades indígenas. Era 2020 quando Olívio Jekupé foi infectado pelo vírus. “Fiquei internado dentro da aldeia, lá em São Paulo, pois foi feito um hospital de emergência para nós, mas me curei rapidinho, porque a gente usou nossas ervas medicinais”, conta. Durante o período de quarentena que cumpriu após o internamento, Olívio começou a escrever. Juntamente com Jovina Renh Ga, a dupla deu vida à obra ‘Coronavírus nas Aldeias’. Logo depois, veio o contato com a UEPG para a publicação do livro. “Sou escritor há muito anos e fico muito feliz com o lançamento destas obras, pois quanto mais elas ficam conhecidas, mais espaços se abrem para nós”, comemora Olívio.
É necessário que mais escritores indígenas sejam publicados, segundo ele. “É uma forma das pessoas conhecerem como que é o dia a dia de um povo, ter conhecimento da nossa cultura. A gente precisa que mais livros de autores indígenas sejam publicados, pois é um ganho tanto para estudantes universitários, quanto para escolas lerem nossas obras”, avalia.
Distribuição
O objetivo de Olívio será cumprido. A Coleção terá sua tiragem impressa, que será distribuída em escolas indígenas. Para quem tem acesso a internet, a Coleção Retomadas está disponível em formato online. “Vamos distribuir [os livros], principalmente, em escolas indígenas, porque a obra impressa chega em qualquer lugar, ele não precisa do sinal de internet, que é coisa que muitas escolas indígenas não tem escolas periféricas não têm”, destaca a professora Letícia. A coletânea de livros irá auxiliar a suprir a falta de material sobre cultura indígena que existe no Brasil. Para Letícia, distribuir uma tiragem de livros impressos irá fazer a diferença para essas crianças, adolescentes e escolas. A edição foi cuidadosa em não apagar a forma de expressão indígena, tanto nos textos, quanto nas ilustrações e identidade visual. “Os indígena sabem se expressar e têm muito a dizer e a gente tem muito o que aprender com eles”, completa.
“Acredito que, para mim e para muitas de nós, o processo de escrita foi intenso e às vezes doloroso”, avalia Arlete Pinheiro Schubert Tupinambá, autora do livro ‘Wayrakuna: Polinizando a Vida e Semeando o Bem Viver’. Para ela, escrever o livro demandou retomar dimensões da vida que, repetidas vezes, foi obrigada a silenciar. “Fazer o papel de falar requer movimentos, ora silenciosos, ora lacrimosos, mas também muita escuta e interação com pessoas e coletivos que estão nesse caminho de retomada de seu pertencimento, de suas ancestralidades”, afirma.
A obra escrita por Arlete trata de um testemunho daquilo que se manifesta na esfera ancestral. “Wyarakuna somos nós, indígenas mulheres, que tomamos posição política e cotidiana em relação a parâmetros que nos são continuamente impostos”. Uma escrita também é testemunho do tempo. “É como reviver as experiências de silenciamentos e dores, mas conseguir viver e escrever sobre nossas retomadas é libertador, um descobrir-se sobre quem somos nós”, pondera a escritora. Publicar o livro foi como poder se exprimir com liberdade junto com os demais autores. “Esta publicação nos conecta com outros que estão nesse mesmo movimento de declarar a sua existência publicamente. É como dizer uns aos outros que não estamos sozinhos. Somos agradecidas por essa abertura compartilhada com o nosso movimento”, completa.
Estética
A ancestralidade indígena está presente em cada página dos livros – até nas ilustrações e concepção artística. Álvaro Franco da Fonseca Junior foi o responsável pelas ilustrações das capas e do interior das obras. Além da experiência em trabalhar com alunos indígenas, o artista recapitulou pontos da própria ancestralidade, vivenciada com a mãe. A primeira pesquisa para a coleção começou na terra indígena de Mangueirinha. “Passamos a pesquisar como era a concepção de arte no sentido da ilustração, para que o que nós fizéssemos não ficasse distante de algo que poderia ter sido feito por eles mesmos”. A partir daí, começaram os desenhos que seriam parte das obras.
O que foi feito é fruto de pura inspiração, segundo Álvaro. “Trabalhamos com muita bagagem técnica e cultural, um trabalho feito trabalho a partir de histórias e referências de outros artistas indígenas, com técnicas de cores, significados e grafismos”, finaliza. Na diagramação, Carlos Bauer conta que toda a concepção estética foi construída para expressar a origem indígena dos autores sem cair em estereótipos. “Criamos recursos que permitam identificar os livros como parte de uma coleção e ainda realizei uma pesquisa de publicações recentes de autores indígenas para compreender as diferentes linguagens visuais em utilização”, explica.
Uma vez que a coleção engloba livros em gêneros e formatos variados, a tipografia se mostrou um recurso forte para criar unidade entre os livros, segundo Carlos. “A fonte geométrica de títulos é utilizada em todas as capas, lombadas e interior do livros. Isso cria um reconhecimento muito forte e cada um dos livros tem internamente uma padronagem, que faz sentido para o autor, para o seu povo ou para o assunto”, finaliza.
Interessados em adquirir os livros em formato online podem solicitar via Instagram do Ceai, aqui.
Texto e fotos: Jéssica Natal
Informações sobre cada espécie estão reunidas no Guia da Herpetofauna do RBV, publicação que é o resultado de uma parceria entre UNILA, Itaipu e PTI
Durante dois anos, pesquisadores da UNILA, Itaipu Binacional e Parque Tecnológico Itaipu (PTI) realizaram uma pesquisa de campo para identificar quantas espécies de répteis e anfíbios habitam na área do Refúgio Biológico Bela Vista (RBV). O inventário faunístico revelou que, na área de conservação de 1.780 hectares, há 39 espécies entre sapos, tartarugas, jacarés, cobras e lagartos. Agora, as informações sobre esses animais estão reunidas, de forma ilustrada e catalogada, no Guia da Herpetofauna do RBV. A publicação está disponível para acesso e download gratuito.
Para o professor do curso de Ciências Biológicas – Ecologia e Biodiversidade da UNILA Michel Varajão Garey, a nova publicação é fundamental para demonstrar para o público acadêmico e para a sociedade em geral as características, o comportamento e a relevância desses répteis e anfíbios para a região. “Se a gente não conhece, não tem como preservar. Por isso, é tão importante a troca de conhecimento entre a comunidade acadêmica com a população. E o Guia tem esse objetivo: sensibilizar e influenciar na mudança de comportamento em relação a essas espécies”, disse Garey.
O inventário da herpetofauna do RBV foi realizado durante os anos de 2021 e 2022. Em cada ida a campo, os pesquisadores utilizaram armadilhas aquáticas e de interceptação-e-queda, em diferentes pontos do RBV. Além disso, foram realizadas buscas ativas em ecossistemas terrestres e aquáticos e amostragem de girinos.
Durante a pesquisa foram registradas espécies inéditas na região Oeste do Paraná, como o sapo-escavador
Durante o período, a equipe identificou 19 espécies de anfíbios. Entre os destaques da pesquisa está o registro inédito de ocorrência de duas espécies de anuros na região Oeste do Paraná: a rã-escavadeira (Leptodactylus plaumanni) e o sapo-escavador (Odontophrynus reigi). Na área do Refúgio, também foram observadas 20 espécies de répteis, como jacarés, tartarugas, cágados, jabutis, serpentes, lagartos e anfisbenas (cobra-de-duas-cabeças).
De acordo com a engenheira florestal e gerente da Divisão de Áreas Protegidas da Itaipu, Veridiana Pereira, a identificação de todas essas espécies configura-se como um importante bioindicador que valida os resultados positivos da atuação da Binacional no contexto da restauração de ecossistemas. “Como na natureza todo processo é sistêmico, a presença dessas espécies é muito positiva, pois significa que elas encontraram condições propícias para recolonizar e habitar esses espaços”, explicou.
Com informações da Itaipu Binacional
A comissão organizadora da Semana Estadual de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná – Paraná Faz Ciência 2023 divulga o resultado do edital de seleção de propostas de atividades científicas, culturais e artísticas nos diferentes Eixos Temáticos. Foram inscritas 254 atividades que serão apresentadas durante o evento, a ser realizado de 6 a 10 de novembro de 2023, no Campus da Universidade Estadual de Londrina (UEL), em Londrina.
Dos seis Eixos Temáticos do evento, quatro deles fizeram parte do Edital 01/2023 para receberem submissão de propostas. Dentro da Mostra Interativa de Ciência, Tecnologia e Inovação (Eixo 2), foram inscritas 24 instituições parceiras para a Mostra Interativa de Projetos, além dos 9 Centros de Estudos da UEL; 10 startups inscritas na Exposição de Startups; e ainda 17 Novos Arranjos de Pesquisa e Inovação (Napis) na Mostra de Napis.
No Eixo 4, de Oficinas, foram selecionadas 111 propostas de oficinas presenciais e 10 remotas. Já no Eixo 5, 18 propostas de Cultura e Arte foram aprovadas. Além disso, 65 espaços da UEL farão parte de programação das Visitas Técnicas (Eixo 3). O edital completo, com todas as propostas selecionadas, pode ser conferido da página do Paraná Faz Ciência 2023.
O Eixo 1 (Ensino Superior do Futuro) e Eixo 6 (Eventos Acadêmicos) não receberam propostas, pois terão sua programação definida pela comissão organizador. Confira todos os Eixos Temáticos do evento.
Paraná Faz Ciência
A Semana Estadual de Ciência e Tecnologia – Paraná Faz Ciência 2023 integra a 20ª Semana Nacional da Ciência e Tecnologia (SNCT 2023). A iniciativa é uma parceria entre a Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), a Secretaria da Inovação, Modernização e Transformação Digital (SEI), Fundação Araucária (FA) e UEL.
Pela primeira vez em formato presencial, o evento contará com a participação de diversos parceiros que apresentarão à comunidade um pouco do que a ciência paranaense produz.
Com atividades simultâneas, os participantes poderão escolher livremente as áreas a serem visitadas e a participação em atividades agendadas, criando o próprio itinerário a partir de seus interesses. A programação será lançada em breve na página do Paraná Faz Ciência.
Desfile foi a oportunidade de as alunas da Unati mostrarem os produtos de uma das oficinas ligada a uma disciplina.
Nesta segunda-feira (2), ocorreu a Jornada da Pessoa Idosa, na Universidade Estadual de Maringá (UEM), um evento que foi marcado pela conscientização e celebração da vida das pessoas da Terceira Idade. Durante a programação, um desfile despertou a atenção de muita gente, inclusive da imprensa: o desfile de roupas de crochê de luxo, que teve como modelos principalmente alunas matriculadas na Universidade Aberta à Terceira Idade (Unati).
O crochê confeccionado para o desfile faz parte de uma das oficinas ministradas por um grupo de funcionárias aposentadas da UEM, em uma sala do próprio câmpus universitário. Há também outras oficinas onde é trabalhada a confecção dos artesanatos a partir dos produtos recicláveis como papéis, plásticos (garrafas pets), tecido velho e flores descartadas.
O grupo de aposentadas responsável por estas oficinas se chama GARR (Grupo de Artesanato com Resíduo Reciclado). Ele surgiu com a necessidade de repensar a destinação dos resíduos sólidos urbanos, em especial os domésticos. Veja quais são as oficinas:
• Técnica de Vasos Ornamentais e flores;
• Técnica de confecção de papel artesanal de baguaçu de cana;
• Técnica de confecção de Material de escritório com papel artesanal.
• Técnica de confecção de sabonete, velas e outros artesanatos;
• Técnica de crochê básico e de luxo
O desfile ocorreu como parte da Jornada da Pessoa Idosa, evento promovido pela Unati em comemoração do Dia da Pessoa Idosa e dos 20 anos do Estatuto da Pessoa Idosa.
O governador do Paraná, Carlos Massa Ratinho Júnior, assinou nesta quinta-feira (28) o decreto governamental nº 3530, que autoriza a criação da 53ª graduação da UEL, o curso de Ciência de Dados e Inteligência Artificial. A Universidade anuncia, agora, a abertura de inscrições para interessados em concorrer a uma das 50 vagas que serão oferecidas no Vestibular 2024, no período noturno. As inscrições para o novo curso serão realizadas entre 2 e 6 de outubro, no portal da Coordenadoria de Processos Seletivos (Cops), e custam R$ 176,00. As novas inscrições serão acrescidas aos 16.049 estudantes que se já se inscreveram para o Vestibular 2024, que será realizado em 29 de outubro (1ª fase) e nos dias 26, 27 e 28 de novembro (2ª fase).
A reitora da UEL, Marta Favaro, lembra que será necessário realizar ajustes para inserir o novo curso no processo do Vestibular 2024, que já está em andamento. Ela explica, por outro lado, que a nova graduação atende a uma demanda da sociedade civil organizada. No Paraná, o curso é oferecido somente em instituições privadas.
Marta destacou que o curso de Ciência de Dados e Inteligência Artificial é bastante atual e vai ao encontro da necessidade de Londrina e região, que busca a transformação econômica e do mercado de trabalho por meio do fomento do setor de Tecnologia da Informação. O curso contou, desde o início da estruturação interna, com grande apoio das entidades da sociedade civil, vereadores, deputados e de toda força política local. “Temos um excelente corpo docente e vamos oferecer aulas no período noturno, de modo que possamos abrigar, também, todos aqueles que já estão no mercado e desejam buscar sua qualificação na UEL”, resumiu a reitora.
Interessados poderão fazer a inscrição candidatando-se ao novo curso no Vestibular 2024, a partir da próxima segunda-feira (2). Candidatos que já realizaram a inscrição no Vestibular 2024 e que desejarem transferir a inscrição para o novo curso poderão aproveitar a taxa pública que já foi paga. Nesse caso específico, os candidatos deverão realizar nova inscrição, atentando-se em preencher o requerimento de mudança de opção de curso no ato da inscrição. Todas as normas poderão ser acessadas no portal da Cops.
A responsável pela Cops, professora Sandra Garcia, salienta que o novo curso será vinculado ao Centro de Ciências Exatas (CCE). Ela lembra que a proposta da graduação foi debatida no ano passado, com grande participação de representantes da sociedade e que o foco será a formação de recursos humanos com capacidade para extrair informação relevante de grandes volumes de dados, fazendo uso intensivo de técnicas avançadas de computação para coleta, integração, preparação e análise de dados, concepção e modelagem de soluções, descoberta de conhecimento e aprendizado automatizado na resolução de problemas e desenvolvimento de aplicações para as mais diversas áreas. A nova graduação também colabora para melhorar o ambiente de transformação digital e do Ecossistema de Inovação de Londrina.
O Governo do Estado lançou uma chamada pública para empresas paranaenses interessadas em licenciar e comercializar soluções inovadoras com potencial de mercado. Ao todo, são 30 projetos de diferentes áreas do conhecimento desenvolvidos em universidades públicas e privadas, a partir de pesquisas científicas e tecnológicas. As inscrições dos empresários são online e podem ser feitas até 6 de outubro e os resultados serão divulgados dia 11.
A iniciativa é da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), por meio do Programa de Propriedade Intelectual com Foco no Mercado (Prime), que tem como objetivo transformar os resultados de pesquisas em produtos, serviços e novos negócios. O intuito é incentivar a cultura empreendedora entre pesquisadores de instituições de ensino superior e de pesquisa científica e tecnológica, incluindo professores, estudantes e profissionais da educação.
Todos os 30 projetos já têm Patente de Inovação (PI) depositada, concedida ou protocolada no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi). Os pesquisadores são das universidades estaduais de Londrina (UEL), Maringá (UEM), Ponta Grossa (UEPG) e do Oeste do Paraná (Unioeste); da Universidade Federal do Paraná (UFPR), da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IFPR); e da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR).
Segundo o diretor de Ciência e Tecnologia da Seti, Marcos Aurélio Pelegrina, o desenvolvimento de novos produtos gera benefícios para as empresas já consolidadas no mercado. “O licenciamento de tecnologias possibilita que o conhecimento gerado nas universidades seja convertido em produtos e serviços que beneficiam a sociedade”, diz o gestor. Ao fazer o licenciamento os pesquisadores cedem o direito de comercialização do conhecimento. Com isso, o conhecimento, que até então estava restrito a ambiente acadêmico passa a ter acesso ao mercado, posicionando-se como produto inovador e competitivo e ao alcance da população.
EMPREENDEDORISMO – Criado em 2021, o Prime integra o conjunto de ações do Programa de Estímulo às Ações de Integração Universidade, Empresa, Governo e Sociedade, denominado Agência de Desenvolvimento Regional Sustentável e de Inovação (Ageuni). O programa se baseia na capacitação e qualificação de pesquisadores, por meio de workshops, consultorias individuais e mentorias coletivas, em temas relacionados a gestão, finanças, sustentabilidade e marketing, entre outros. As atividades são realizadas em formato remoto.
Em 2023, a Seti implantou a premiação de incentivo no valor de R$ 1 milhão, com recursos do Fundo Paraná de fomento científico e tecnológico, sendo R$ 200 mil para cada um dos cinco finalistas, para o desenvolvimento dos projetos. Além disso, como são pesquisadores acadêmicos e muitas vezes não têm conhecimento de mercado e negócios, o programa Prime oferece capacitação e qualificação através de iniciativas como pré-aceleração ou pacote de consultorias do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Paraná (Sebrae/PR) e um programa de mentoria do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi). Assim, os pesquisadores já desenvolvem o projeto visando a transformação em novos produtos e serviços.
SERVIÇO:
Seleção de empresas para produzir e comercializar projetos inovadores do Prime 2023:
Inscrições: até 6 de outubro – Edital e formulário online AQUI
Divulgação do resultado: 11 de outubro.
Projeto arquitetônico é voltado para escola de educação básica e cultivo de hortaliças
A equipe da UTFPR ganhou a 2ª colocação no Concurso Brasileiro de Construção em Aço (CBCA) 2023. Nesta edição, a temática foi Educação de Qualidade, com um total de 57 concorrentes. O pódio foi dividido com a Universidade de São Paulo, na 1ª posição, e a Universidade Paulista, na 3ª.
O desafio foi criar um projeto arquitetônico com um sistema construtivo que tem o aço como componente principal até o limite possível.
Os estudantes do curso de Arquitetura e Urbanismo Gustavo Azzolini, Juliana Tojal, Thiago Biazus e Tiago Galdeano, sob a orientação das docentes Thais Saboia Martins e Karina Pimentel, decidiram elaborar uma proposta aliada ao ensino básico, capaz de prover alimentação de qualidade e promover a educação ambiental.
Eles se basearam em indicadores socioeconômicos para escolher um terreno em que a implementação poderia ser feita na realidade, em uma zona limítrofe entre as áreas urbana e a campestre de Piraquara. “A equipe optou por propor uma ‘Escola rural’ nesta cidade, com foco na educação básica e no cultivo de hortaliças, utilizando o meio ambiente como método lúdico e pedagógico”, relata Saboia.
Para os participantes, a localização selecionada busca facilitar o acesso entre casa-instituição e ainda representar um marco simbólico de transição e preservação da área rural e dos mananciais da localidade.
Os trabalhos iniciaram com estudos dos sistemas construtivos baseados em aço para entender como gerar ricas espacialidades dos ambientes, por meio da estrutura. Aos poucos, os integrantes foram aguçando a curiosidade e a criatividade de modo conjunto. “As professoras não se contentaram com uma breve resposta para nossas indagações, questionando precisamente sobre o que foi apresentado; e entregando os meios e as ferramentas para que encontrássemos as soluções corretas para cada caso”, afirma Azzolini.
Depois desta etapa, houve o desenvolvimento de vários desenhos e maquetes para verificar as melhores formas de implantação. Na ata de anúncio dos vencedores, os jurados ressaltaram que o projeto se destacou pela singeleza. “Ficamos bastante felizes com esta observação, pois a busca projetual foi direcionada neste sentido, pela simplicidade da estrutura em aço e do programa elaborado, com um grande respeito pela paisagem natural existente”, conclui Martins.
Em paralelo com a realização das disciplinas obrigatórias da Universidade, todo o esforço levou cerca de cinco meses até chegar à composição do material técnico e gráfico para a defesa do projeto vencedor. Como premiação, os alunos vão receber manuais técnicos, livros e revistas da área, além de vagas em cursos a distância do CBCA.
Professora do Departamento de Psicologia da UFPR avalia que dificuldade em encarar a própria dor, a desigualdade social e a omissão de governantes faz com que muitos brasileiros já considerem a crise sanitária de Covid-19 “passado”, evitando tirar lições.
A solidão de todos e o desamparo de muitos, ambas situações da crise de Covid-19, têm seu espaço no pacote chamado de “legado” da pandemia. É esse conjunto de problemas para a saúde pública que o Brasil precisará enfrentar nos próximos anos — aumento de fatores de risco para suicídio, mais pessoas com ansiedade e depressão. Porém: teremos políticas públicas para isso? Estamos dispostos a revisitar nossas dores para cobrar das autoridades o que é preciso?
A professora Joanneliese de Lucas Freitas, do Departamento de Psicologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), se dedica ao estudo da psicologia da morte e coordena projetos de extensão da área há cerca de dez anos. Lida, portanto, com pessoas que enfrentam essa questão em diferentes grupos sociais. Entre 2020 e 2021, o projeto “Luto: vivências e possibilidades” manteve um canal de atendimento para enlutados por Covid-19 que acolheu pessoas de todo o Brasil e hoje é responsável pelo plantão no Centro de Psicologia Aplicada (CPA) da UFPR.
Joanneliese acredita que, a despeito do grave cenário para a saúde mental no país, já está em curso um processo de invisibilização das experiências decorrentes da crise sanitária. Os indícios disso vão além do fato de a pandemia ainda não ter acabado, mas já pouco se falar dela.
As denúncias também vão se apagando, assim como as necessidades dos grupos mais atingidos pelos efeitos psicológicos — os brasileiros em vulnerabilidade social, as vítimas de violência doméstica, os indígenas, os idosos, as pessoas com doenças crônicas, os profissionais de saúde, as crianças.
Nesta entrevista, Joanneliese faz um balanço das questões de saúde mental relacionadas à pandemia, os 20 anos da campanha Setembro Amarelo e aproveita para desfazer mitos, como o de que o luto ocorre em etapas: “É uma experiência intrínseca à vida”.
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Foto de destaque: Marcos Solivan
Mais de 200 professores e pesquisadores participaram da mesa redonda sobre “Experiências e Divulgação científica no Brasil e em Portugal”, nesta segunda-feira (18), no Museu Oscar Niemeyer em Curitiba. O evento, promovido pelo Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (NAPI) Paraná Faz Ciência da Fundação Araucária (FA), contou com a participação da presidente da Ciência Viva – Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica de Portugal, Rosalia Vargas, e da diretora do Departamento de Popularização da Ciência, Tecnologia e Educação Científica do MCTI, Juana Nunes.
Durante sua apresentação, Rosalia Vargas, citou os principais programas desenvolvidos na Ciência Viva e destacou dados estatísticos que mostram o avanço do interesse da ciência em Portugal a partir das ações desenvolvidas pela Ciência Viva. “Em 2005 apenas 14% da população tinha interesse por ciência e tecnologia, o que aumentou para 60% em 2021. Com a criação dos centros de Ciência Viva, o percentual de pessoas que visitavam estes locais cresceu neste período de 6% para 59%”, relata.
Sobre os projetos paranaenses, a presidente da agência portuguesa elogiou a iniciativa dos novos arranjos de pesquisa e inovação que promove a criação de redes de pesquisa em diversas áreas, principalmente o Paraná Faz Ciência, no trabalho de educação científica e popularização da ciência. “O que vimos aqui na apresentação destes programas, tão variados e intensos, é extraordinário. O que conseguem fazer com o envolvimento de equipes muito motivadas e que acreditam que é preciso agir na sociedade para obter bons resultados. Portanto estão reunidas excelentes condições para a realização de projetos muito práticos e de integração com sucesso garantido dentro do Paraná Faz Ciência”, disse.
A assessora técnica da Fundação Araucária Débora Santana (UEM) e o professor da Universidade Federal do Paraná Rodrigo Reis, articuladores do NAPI Paraná Faz Ciência, apresentaram as principais ações desenvolvidas no Paraná para a disseminação e popularização da ciência e as iniciativas da Ciência Viva que podem ser referência de ações a serem desenvolvidas.

“A Ciência Viva é o principal exemplo global de uma rede de divulgação cientifica para o fortalecimento da cultura científica de um país e ela nos inspirou a trabalhar junto com a Fundação Araucária na implementação de uma rede de divulgação científica que é o Paraná Faz Ciência. Eles organizaram redes como dos Centros Ciência Viva onde todos os museus têm uma articulação em suas exposições, trabalham com processos formação integrados mesmo com governanças específicas. Além dos Clubes de Ciência que estão na escola em parceria com a rede de ciências e museus”, comenta o articulador do NAPI.
“Uma das ações que mais chamam a atenção são as redes de Quintas de Ciência que são como pequenas chácaras e fazendas onde eles trabalham a divulgação da ciência a partir dos ecossistemas regionais de inovação. Então a ideia é entender um pouquinho mais desse processo que é totalmente aplicável para a realidade paranaense”, explicou.
Entre as principais ações desenvolvidas pelo NAPI Paraná Faz Ciência destacadas no evento estão o Programa Interinstitucional de Ciência Cidadã na Escola (PICCE), o Conexão Ciência de comunicação pública da ciência e a plataforma digital Paraná Faz Ciência para divulgar informações sobre a ciência e seus atores no Estado do Paraná.
“Este formato dos NAPIS é muito inteligente porque a gente precisa somar esforços. Quando reunimos projetos, ideias e recursos humanos para a construção de um programa de popularização da ciência nós temos resultados mais eficazes”, observou a diretora do Departamento de Popularização da Ciência, Tecnologia e Educação Científica do MCTI, Juana Nunes.
Ela comentou ainda que o MCTI está organizando uma política de popularização da ciência para o Brasil e um dos eixos é articular as redes estaduais e que o Paraná sai na frente pois já tem uma rede sendo desenvolvida. “Queremos garantir que o cidadão paranaense e brasileiro tenha acesso ao que há de melhor na produção científica e para isso também é preciso que as crianças tenham uma escola que viva a experiência da educação científica desde a base para que tenhamos o desenvolvimento científico e tecnológico no Brasil”, disse a diretora.
Segundo a articuladora do NAPI Paraná Faz Ciência, Débora Santana, o novo arranjo tem como objetivo envolver a comunidade em geral, iniciando pelos estudantes da educação básica, em todas as etapas da pesquisa científica por meio da ciência cidadã.
“Outra forma de aproximar a população paranaense da ciência é por meio do acesso às informações científicas em uma linguagem acessível a todas as pessoas e de modo diversificado e atraente. A difusão da ciência também é uma forma de controle social das atividades científicas desenvolvidas no estado já que a maioria é realizada com recurso público”, ressalta Débora Santana.
O presidente da Fundação Araucária, Ramiro Wahrhaftig, apresentou as principais ações desenvolvidas pela instituição e o cenário em que ela está inserida no Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I). “No Paraná nós temos um Sistema de CT&I muito robusto e consistente e que pode avançar muito com parcerias como esta com Portugal que tem um dos sistemas mais inovadores de ciência”, destacou o presidente.
Durante a manhã desta segunda-feira (18) as equipes da Ciência Viva e do MCTI estiveram reunidas com representantes da Fundação Araucária e de instituições do Sistema de CT&I do Paraná na sede da FA.
Outra edição da mesa redonda sobre “Experiências e Divulgação Científica no Brasil e em Portugal” acontece na quinta-feira (21), às 14h30, no auditório da Unioeste em Foz do Iguaçu.
O hidrocarvão gerado pode ser usado para tratamento de água
Sabe aquela bituca de cigarro que gera tanta dor de cabeça sobre qual será o seu destino? Pesquisadores descobriram que ela pode ser transformada em carvão ativado para tratamento de água. Com a invenção BR 102019019637-8 do “Processo de obtenção de carvão ativado a partir da carbonização hidrotérmica de bitucas de cigarro”, a equipe foi vencedora do Prêmio Patente do Ano, concedido durante o 43º Congresso Internacional da Associação Brasileira da Propriedade Intelectual (ABPI), realizado no Rio de Janeiro.
Entre os pesquisadores está o professor do Campus Apucarana da UTFPR, Murilo Pereira Moisés, e demais integrantes da Universidade Estadual de Maringá (UEM), como Andrelson Wellington Rinaldi, Hugo Henrique Carline De Lima, Marcos Rogério Guilherme, Pedro Augusto Arroyo, Rogério Dos Santos Maniezzo e Vicente Lira Kupfer.
De acordo com o grupo, o hidrocarvão modificado obtido demonstrou inclusive ser eficaz na adsorção de corantes na água, por exemplo. Outro diferencial está no custo de produção ser bem menor em relação aos equivalentes conhecidos em escala industrial.
As pesquisas começaram em 2017 e, segundo os pesquisadores, o processo é bem simples. As bitucas são “cozidas” e depois ativadas através de processos químicos. O produto também foi testado para adsorção de outros poluentes considerados emergentes, como alguns pesticidas e o bisfenol A, utilizado para produção de plásticos de policarbonato e resinas epóxi.
No processo patenteado pelos inventores da UEM, a produção de 2,5 gramas de carvão ativado demanda o uso de 50 gramas de bitucas trituradas, o equivalente a dois maços de cigarro.