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II WORKDHOP DO NAPI PARANÁ FAZ CIÊNCIA

Projeto de trilha ecológica no Parque Municipal de Guaraniaçu segue como eixo central, com novas iniciativas voltadas à preservação ambiental e educação científica

Clubistas do clube Águas claras utilizando EPI para adentrar à Trilha Ecológica (Foto/Arquivo pessoal)

O Clube Águas Claras, do Colégio Estadual Desembargador Antonio Franco Ferreira da Costa, deu início ao ano de 2026 trabalhando intensamente. O clube, liderado pelo professor Flavio Francisco Rossoni Filho anunciou a continuidade e ampliação de suas ações ambientais para 2026.

O principal foco permanece sendo o projeto da trilha ecológica desenvolvido no Parque Municipal de Guaraniaçu, o espaço, que teve sua reestruturação iniciada pelo clube no início de 2025, tem servido como laboratório vivo para pesquisa, educação ambiental e aproximação da comunidade com a natureza.

Dentro do projeto da trilha, os estudantes seguirão com atividades de identificação de plantas medicinais, catalogação de fungos, reconhecimento de animais silvestres e estudos sobre a própria biodiversidade presente no percurso. A proposta é fortalecer o caráter educativo da trilha, tornando-a um espaço ainda mais acessível e informativo para a comunidade local.

Outro projeto que terá continuidade em 2026 é o de estudo e conscientização sobre crimes ambientais. A iniciativa busca discutir práticas ilegais que impactam os ecossistemas, promovendo reflexão, prevenção e formação cidadã entre os participantes e visitantes.

Entre as novidades do clube, está o projeto Araucária Hunters, que pretende identificar, medir e georreferenciar exemplares de araucárias por meio de aplicativo com GPS. O objetivo é mapear árvores da espécie Araucária angustifolia, contribuindo para sua proteção e conservação.

A araucária é símbolo do Sul do Brasil e considerada uma espécie que necessita de preservação constante, devido à redução histórica de sua ocorrência natural. Com o uso da tecnologia, o clube pretende criar um banco de dados que auxilie em estratégias de monitoramento e defesa ambiental.

Clubistas do clube Águas claras se encaminhando para a Trilha Ecológica (Foto/Arquivo pessoal)

Outra proposta inédita é o projeto Papel Semente, que prevê a produção de papel reciclado incorporado com sementes, permitindo que, após o uso, o material possa ser plantado, gerando novas mudas. A ação une sustentabilidade, reaproveitamento de materiais e educação ambiental.

Segundo o professor Flavio Francisco Rossoni Filho, a participação nas feiras científicas é uma das prioridades do clube em 2026. “Nossa expectativa é estar presentes praticamente em todos os eventos possíveis ao longo do ano. Queremos apresentar os resultados das nossas pesquisas, trocar experiências com outros estudantes e educadores e ampliar a visibilidade dos projetos que desenvolvemos”, destacou.

Com a continuidade das iniciativas e a inclusão de novas propostas, o Clube Águas Claras reforça seu compromisso com a ciência, a preservação ambiental e a formação de jovens pesquisadores engajados com as questões socioambientais da região.

De acordo com edital, evento será realizado entre 6 e 7 de maio; inscrições já estão abertas

O Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (NAPI) Paraná Faz Ciência (PRFC) promove em maio, entre os dias 6 e 7, o I Encontro de Promotores de Feiras de Ciências do Paraná, com o objetivo de fortalecer a cultura científica e a formação continuada de professores, gestores escolares e pesquisadores da Educação Básica. O evento será realizado pela plataforma Google Meet e acontecerá das 17 às 20 horas, de forma síncrona.   

O Edital 002/2026 já está publicado no site da Feira de Cultura e Ciência (FECCI) e as inscrições podem ser feitas somente pela internet, no formulário online que já está disponível. No site há também um modelo para resumo das atividades realizadas em feiras e mostras de ciências.

Para a pós-doutora e bolsista do NAPI PRFC, Dayanne Cajueiro, o objetivo do encontro é evidenciar o papel da articulação entre professores, gestores, pesquisadores e estudantes na organização e realização de feiras e mostras de ciências. 

“É interessante destacar que o Primeiro Encontro será um espaço estratégico para a construção da ‘Rede de Feiras – Paraná Faz Ciência’, visando incentivar a iniciação científica na Educação Básica”, explica. Para ela, o evento visa permitir “a troca de experiências exitosas, o debate sobre critérios de avaliação, ética e qualidade científica”.

A reunião toma como referência diretrizes e experiências consolidadas na área de Educação em Ciências e Matemáticas e no que se refere à organização acadêmica, critérios de participação e valorização da pesquisa Científica.

Curso de Formação de Feiras de Ciências reuniu mais de 90 participantes, simultâneos, em salas do Google Meet (Imagem)

No contexto, o NAPI realizou no final de março e início de abril um curso de formação de feiras e mostras de ciências, que teve grande aceitação de participantes de todo o Brasil. Na oportunidade, foi lançado o Edital 001/2026 para afiliação de Feiras à FECCI 2026

Serviço:

I ENCONTRO DE PROMOTORES DE FEIRAS DE CIÊNCIAS DO PARANÁ

Data – 6 (quarta-feira) e 7 (quinta-feira) de maio de 2026 

Horário – Das 17 às 20 horas, via Google Meet

Inscrições – A partir de 13 de abril 

 Edital 002/2026 – site da FECCI

Realização – NAPI Paraná Faz Ciência

Organizadores anunciam para início de maio o primeiro encontro de Promotores de Feiras de Ciências

Os apresentadores da segunda parte da aula, Ana Paula Vidotti e Adriano Machado (Imagem)

O quarto e último encontro da formação em feiras científicas organizado pelo NAPI Paraná Faz Ciência (PRFC) trouxe duas apresentações sobre temas relevantes para o processo formativo que culmina com as feiras de ciências. Na ocasião, houve o anúncio da organização do I Encontro de Promotores de Feiras de Ciências do Paraná, nos dias 06 e 07 de maio. O evento será destinado a ouvintes interessados no tema e também a promotores que queiram apresentar seus relatos e experiências.

A primeira parte da aula foi iniciada com a fala da professora Mariana Andrade, docente do Departamento de Biologia Geral na Universidade Estadual de Londrina (UEL) e Doutora em Educação para a Ciência, pela Universidade Estadual Paulista (UNESP), além de integrante do NAPI como coordenadora da Rede de Clubes Maker.

“Mesmo que existam códigos de conduta diferentes, seja qual for o lugar que vamos, algumas práticas precisam ser sempre respeitadas. Do contrário pode haver um relativismo moral, que significa agir seguindo uma regra dada, ainda que seja absurda”, explica a docente. Mariana reforçou que fazer ciência, como uma atividade humana, vem acompanhado de conceitos e julgamento de valores, e que o papel do professor passa também por orientar o estudante sobre como se comportar e o que considerar nas escolhas e decisões que tomam em suas pesquisas.

Para completar a relação com a comunicação científica, a pesquisadora apresentou o ciclo de premissas que inclui trabalhar com vertentes conceitual, atitudinal e procedimental. Essas três premissas existem concomitantemente durante o processo científico, desde a escolha de temas, no contato com entrevistados ou contextos sociais até o desenvolvimento e apresentação dos resultados à sociedade. “Durante todas as fases, não é só nos conceitos que os estudantes devem se balizar, mas também pelas atitudes e procedimentos éticos. Eles precisam entender que suas ações podem impactar sua vida e a de outras pessoas envolvidas”, reforça.

Apresentação de conceitos pela professora e pesquisadora Mariana Andrade, especialista em Educação para a Ciência (Imagem)

É a partir dessa vivência, em fases, que o aluno vai construir um entendimento sobre ética. E quando estiver se preparando para uma feira de ciências, terá ferramentas para lidar com as regras impostas por esses eventos, segundo Mariana. “Eles precisam ser ensinados, orientados antes das feiras para saber como se portar e como lidar com as exigências de cada situação dessas. É preciso saber dos limites e regramentos antes desses eventos, já que não se pode esperar que uma breve aula de conceitos dê conta. É preciso construir um processo de vivência sobre a ética”, define Andrade.

Conceitos apresentados para o tema ética, comunicação científica e protagonismo estudantil (Imagem)

Enquanto professores, a docente reforça que o “nosso papel é mostrar aos alunos sobre honestidade, ter responsabilidade e como serem solidários uns com os outros. É falar em atitude responsável e consciente”, conclui Mariana.

Orientação e avaliação de trabalhos científicos

Na segunda parte da aula, a abordagem foi voltada ao processo de avaliação dos trabalhos científicos durante as feiras de ciências. Apresentaram aspectos de suas vivências práticas em anos como avaliadores em eventos científicos a docente Ana Paula Vidotti, diretora do centro de Ciências Biológicas da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e o mestre Adriano Machado, ligado à Universidade Estadual do Centro Oeste do Paraná (Unicentro), com vivência em Clubes de Ciência e execução de feiras científicas.

A apresentação ressaltou a importância das diferenças entre mostras e feiras. As Mostras são tradicionalmente menores, com aspectos locais e não competitivos. As Feiras são organizadas com mais rigor, processo de seleção de trabalhos participantes e incluem competições para classificar os trabalhos ao final do evento. 

“É importante apresentar a competição como algo positivo, como algo que vai fazer o trabalho evoluir para próximas feiras e que, nesse processo, os alunos vão viver trocas de experiências com outros trabalhos e colegas, além da recompensa no final, que pode ser prêmios físicos, ou viagens científicas ou a entrada em outras feiras, como a FECCI acaba de lançar”, explica a professora Ana Paula.

Vale destacar que durante todo o mês de abril, as escolas da Educação Básica e Técnica do Brasil, públicas e privadas, poderão fazer parte da Rede de Feiras Afiliadas à Feira de Cultura Científica (FECCI) do NAPI PRFC. O Edital 001/FECCI-2026 vigente estabelece normas, critérios e prazos para o credenciamento de feiras de ciências e mostras científicas escolares, municipais, regionais e estaduais, à FECCI, possibilitando a essas instituições a indicação de projetos científicos para avaliação e eventual participação na FECCI 2026.

Nas apresentações foi mostrado ainda que o tema avaliação de trabalhos passa também por entender como o aluno pesquisou, pensou o trabalho e o desenvolveu, para além de uma simples nota numérica. Quem vai avaliar projetos de uma feira, mostraram os apresentadores, deve se basear em um conjunto de critérios e métodos para avaliar a qualidade, relevância e execução dos trabalhos.

Material apresentado contemplando objetivos de uma avaliação de trabalho científico (Imagem)

A função das avaliações é primar pela valorização do processo desenvolvido pelo estudante, ressaltou o especialista Machado, levando em conta o aprendizado, servindo de uma retroalimentação do processo científico e com isso estimular novas investigações. “Tudo isso dá aos alunos a oportunidade de serem melhores investigadores e mais autônomos”, indica o professor. 

Outra conclusão importante trazida das experiências dos palestrantes em Feiras é a importância de afastar a cultura de punições, com retirada de notas de trabalhos. “O foco é contribuir para a formação do estudante, não prejudicá-lo e fazer com que se sinta incapaz”, segundo alertou Ana Paula. E disse mais: “Sabemos que o processo avaliativo pode ter falhas, já que é feito por humanos e cada pessoa tem seu jeito de avaliar as situações. Por isso a importância de critérios e procedimentos bem definidos também para avaliadores, desde o início do processo da Feira”, pondera a avaliadora. 

As Feiras estão crescendo e o aspecto do controle e organização das avaliações em formato digital foi ressaltado na apresentação. “Em feiras como a FECCI (2025), foram 100 avaliadores circulando pelo evento e conversando com os alunos. Para que nenhuma informação se perca e o processo de apuração seja agilizado, contar com formulários eletrônicos e planilhas foi essencial para esse sucesso”, conta Ana Paula. 

Para a professora da UEM, “os avaliadores já começam o processo fazendo o check-in eletronicamente e, assim, sabemos quem já começou a avaliar, quem ainda falta, quantos finalizaram, o que traz mais segurança e assegura justiça ao processo”, defende a docente.

Por fim, o fechamento de um processo de avaliação de Feira científica deve contemplar ainda uma organização das notas em forma de cerimônia para que se reconheça o trabalho realizado, seja com classificação competitiva, seja com menção honrosa a temas que se destacaram. “A importância está em dar visibilidade e homenagear, perante os presentes, quem ajudou, se empenhou, e que tudo isso represente um momento de celebração da divulgação da ciência”, conclui o avaliador Machado.

Programa da Unicentro e da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência prepara nova temporada com ajustes a partir da avaliação do público

Este banner horizontal possui um fundo azul vibrante com um padrão de grade discreta. No centro da imagem, destaca-se o título "QUARTA COM CLUBES" em letras garrafais brancas e azuis. Acima do texto, há uma ilustração de mãos segurando um tablet que exibe um reprodutor de vídeo com o botão de play em evidência, sugerindo a exibição de conteúdo audiovisual. Na parte inferior, uma faixa branca com borda ondulada organiza os logotipos institucionais da Unicentro, Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, NAPI Paraná Faz Ciência, Fundação Araucária e do Governo do Estado do Paraná. No canto superior direito, encontra-se o selo do projeto Educart Geo. O conjunto visual utiliza uma paleta de cores institucional em azul, branco e amarelo, apresentando um design limpo e educativo.

A Quarta com Clubes (QcC) vai voltar em 2026 e com novidades. A Rede de Clubes Paraná Faz Ciência e a Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) definiram as diretrizes da nova temporada do programa, criado para apoiar projetos de pesquisa desenvolvidos por professores e estudantes nos clubes de ciências das escolas do Paraná.

A primeira temporada reuniu dez lives, realizadas entre 28 de maio e 26 de novembro de 2025, com 1.400 visualizações e debates sobre temas científicos estratégicos para os clubes escolares.

Entre os assuntos abordados estiveram abelhas, água, óleos essenciais, educação ambiental, relações étnico-raciais, robótica, hortas urbanas, dengue, florestas e saúde única. O Top 3 em audiência foi composto pelas transmissões sobre abelhas, em destaque e na sequência o programa sobre água e depois sobre robótica.

A live de estreia, dedicada às abelhas, com a professora Maria Luisa Tunes Buschini como convidada, foi a mais assistida. Para a pesquisadora da Unicentro, iniciativas como a Quarta com Clubes cumprem um papel importante na divulgação científica.

Professora Doutora Maria Luisa Tunes Buschini em registro da live de estreia da Quarta com Clubes em 2025 (Foto/Reprodução YouTube)

“Projetos como esse atingem um alvo bem importante, por fazer uma conexão entre a ciência, a educação pública e a educação de maneira geral”, destacou Maria Luisa. A pesquisadora também comemorou o resultado de audiência da live. “Fico realmente feliz com essa notícia. Achei muito bacana o convite e gostei muito de participar. Falar sobre abelhas é sempre importante, porque muitas vezes as pessoas não conhecem o papel fundamental que elas têm nos ecossistemas.”

Aproximação entre universidade e escola

Outro tema de grande interesse do público foi água, apresentado pela professora Ana Lúcia Suriani Affonso, também da Unicentro. Para ela, o programa cria um espaço relevante de diálogo entre universidade e educação básica.

“Foi extremamente gratificante participar. É um momento em que podemos divulgar as pesquisas desenvolvidas na universidade e também aproximar esse conhecimento da realidade das escolas”, afirmou.

Segundo a professora, o contato com professores da rede básica ajuda a compreender as demandas que surgem dentro das escolas. “Essa troca de experiências é muito importante. Muitas vezes os professores trazem dúvidas e necessidades que ajudam a orientar novas pesquisas e atividades.”

Professora Ana Lúcia Suriani no programa Quarta com Clubes com o tema água (Foto/Reprodução YouTube)

Já a live sobre robótica, conduzida pelo professor Breno Ferraz, da Universidade Estadual de Maringá (UEM), destacou o potencial da tecnologia no ensino científico.

“Foi uma grande satisfação participar da Quarta com Clubes. A live foi uma oportunidade importante para compartilhar o trabalho que desenvolvemos com robótica educacional e dialogar com interessados no tema”, disse.

Para o pesquisador, iniciativas desse tipo ajudam a aproximar a comunidade da ciência. “A robótica educacional tem grande potencial para despertar o interesse dos alunos e desenvolver habilidades como criatividade, pensamento lógico e resolução de problemas.”

Professor Breno Ferraz, da UEM, durante o programa sobre robótica, da Quarta com Clubes (Foto/Reprodução YouTube)

Formação científica para professores

O objetivo do “Quarta com Clubes” é oferecer formação científica para professores que orientam projetos de pesquisa nos clubes escolares, aproximando o conhecimento produzido nas universidades da prática pedagógica nas escolas.

Na estreia do programa, por exemplo, professores da rede básica puderam enviar perguntas e discutir aplicações práticas das pesquisas apresentadas. A professora Katiane dos Santos, coordenadora do clube Climatize-se, do Colégio de Educação Integral Professor Pedro Carli, em Guarapuava, relatou que a atividade trouxe novas ideias para o trabalho desenvolvido com os estudantes.

“A live foi muito interessante e trouxe várias ideias para trabalhar de forma mais investigativa com os alunos. Essa troca com a universidade nos ajuda a refletir sobre o que fazemos na escola e inspira novas propostas de pesquisa”, contou.

Mudanças para a nova temporada

A principal mudança prevista para 2026 será no formato do programa. As transmissões deixarão de ser simultâneas e passarão a ser gravadas, com o objetivo de qualificar a produção e melhorar a organização dos conteúdos. Mesmo com a mudança, a periodicidade quinzenal será mantida. Outro avanço previsto é a produção de cortes para divulgação nas redes sociais, ampliando o alcance de público e das discussões. 

Os temas já previstos para a nova temporada são:

A Quarta com Clubes é organizada pelo grupo de pesquisa e extensão EducartGeo – Educação Geográfica e Cartografia para Escolares, da Unicentro, em parceria com a Rede de Clubes Paraná Faz Ciência. As lives estão disponíveis no canal EducartGeo.

A expectativa da coordenação é que a nova temporada amplie ainda mais o alcance da iniciativa e fortaleça a integração entre universidade, professores e estudantes da educação básica.

Acompanhe mais atividades dos clubes de ciências pelo Instagram da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência @clubesparanafazciencia e pelo site Paraná Faz Ciência.

Eloah de Oliveira foi selecionada para um intercâmbio em Toronto, pelo programa Ganhando O Mundo Professor

Mulher sorrindo aponta para um painel do programa “Ganhando o Mundo Professor”, do Governo do Paraná, em ambiente interno.
Eloah de Oliveira faz parte do programa Ganhando o Mundo Professor, que busca fortalecer a educação do Paraná (Foto/Arquivo pessoal)

A professora Eloah Francisco de Oliveira, docente do Colégio Estadual Duque de Caxias, em Santo Antônio do Caiuá, foi aprovada para participar do programa Ganhando o Mundo Professor, iniciativa de formação continuada promovida pelo Governo do Estado do Paraná e voltada a profissionais da educação da rede pública estadual.

A seleção representa um marco profissional para Eloah, que integra também o Clube de Ciências Bioessence, coordenado por ela e parte dos clubes de ciência ligados à Unespar.  A docente foi escolhida para uma experiência de intercâmbio na cidade de Toronto, no Canadá, com a oportunidade de vivenciar práticas educacionais internacionais e aprofundar seus conhecimentos em metodologias inovadoras de ensino.

De acordo com Eloah, a “oportunidade de realizar um intercâmbio em Toronto, no Canadá, representa muito mais do que uma viagem internacional, é uma experiência transformadora de formação profissional e pessoal. Participar de uma imersão no sistema educacional canadense possibilita conhecer práticas pedagógicas inovadoras, metodologias ativas, políticas públicas voltadas à inclusão e estratégias eficazes de valorização docente.”

Eloah sorrindo em frente à entrada da Lord Dufferin Public School, em dia frio e com neve no Canadá.
Eloah viveu uma experiência internacional na Lord Dufferin Public School, aprendendo e compartilhando conhecimentos além das fronteiras (Foto/Arquivo pessoal)

O Canadá é reconhecido mundialmente pela qualidade de sua educação, pelo investimento em formação continuada de docentes e pelo respeito à diversidade dentro e fora da sala de aula. “Vivenciar essa realidade amplia repertórios, fortalece competências interculturais e inspira novas práticas que podem ser aplicadas na rede pública do Paraná. Toronto é uma das cidades mais multiculturais do mundo, oferece uma vivência única de diversidade cultural e de respeito às múltiplas identidades. Essa experiência enriquece o olhar pedagógico e amplia a compreensão sobre educação inclusiva e cidadania global”, relatou Eloah. 

O programa Ganhando o Mundo Professor é uma modalidade do programa estadual com foco na internacionalização da formação docente, oferecendo imersão em contextos educacionais estrangeiros como forma de aperfeiçoar a prática pedagógica e fortalecer a educação pública paranaense. 

Esta edição levou 250 educadores da rede estadual do Paraná para o Canadá, com o objetivo de “proporcionar formação continuada em contexto internacional, com imersão em práticas educacionais de referência e metodologias inovadoras adotadas em sistemas de ensino reconhecidos mundialmente”, de acordo com a Secretaria de Educação do Paraná. Os professores paranaenses embarcaram pelo Aeroporto Internacional Afonso Pena no dia 06 de fevereiro.

Eloah, sorrindo, posa em frente ao painel “Experience ILSC-Toronto”, com ilustração da cidade ao fundo.
Conectando saberes e culturas em Toronto, vivendo uma experiência que amplia horizontes e transforma a prática docente (Foto/Arquivo pessoal)

Para Eloah, essa experiência está sendo uma oportunidade valiosa de crescimento profissional e pessoal. “Enquanto professora de biologia, o encantamento é ainda maior, pois a cidade é cercada por paisagens naturais deslumbrantes às margens do Lago Ontário. Além de parques, áreas verdes preservadas e ecossistemas que tornam o aprendizado ainda mais vivo e significativo” , conta.

A participação de Eloah no programa internacional representa não apenas um reconhecimento de sua dedicação e competência, mas também um investimento direto na qualidade da educação pública paranaense. Ao retornar, a professora traz consigo novos conhecimentos e inspirações, mas também uma chance de compartilhar o que aprendeu com outros professores e assim multiplicar o aprendizado que obteve no outro país. Os impactos sobre seus alunos, a comunidade escolar e o desenvolvimento educacional da região também são consequências diretas e altamente positivas vindas desse intercâmbio internacional.

Estudantes de Fazenda Rio Grande e São José dos Pinhais apresentaram soluções sustentáveis e análises sociais em evento científico em Curitiba

Fotografia em ambiente interno, em um espaço de eventos. No centro, um grupo de cerca de oito estudantes e uma professora está sobre um pequeno palco, posando para uma foto. Eles usam roupas casuais e uniformes escuros, e estão lado a lado, alguns sorrindo. Ao fundo, há um grande painel preto com um símbolo verde estilizado e a palavra “Semana Araucária”, indicando o nome do evento. Na frente do palco, várias pessoas estão sentadas em cadeiras, de costas para a câmera, assistindo à apresentação. Algumas usam fones de ouvido, sugerindo tradução simultânea ou acessibilidade sonora. O ambiente é bem iluminado, com paredes claras e um mezanino ao fundo. A cena transmite um momento de apresentação ou participação em evento educacional ou científico.
Liga Científica na Semana Araucária (Foto/Giovane de Lima)

Entre os dias 10 e 12 de março de 2026, o Campus da Indústria, da Fiep (Federação das Indústrias do Estado do Paraná), tornou-se o epicentro da inovação paranaense durante a Semana Araucária de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I). Com o tema “Recursos públicos transformados em conhecimento e desenvolvimento”, o evento buscou demonstrar como a ciência impacta o cotidiano da população. No último dia da programação (12/03) em Curitiba, a Rede Paraná Faz Ciência levou dez de seus mais de 250 clubes para compartilhar suas vivências investigativas, com destaque para os clubes Liga Científica e o Mentes em Ação, ambos vinculados à Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR)

Sustentabilidade em Fazenda Rio Grande

O clube Liga Científica, do Colégio Estadual Lucy Requião de Melo e Silva, em Fazenda Rio Grande, apresentou os frutos de sua horta escolar agroecológica. Sob a coordenação da professora Suelen Santos Rego, os estudantes demonstraram como transformam o ambiente escolar em um laboratório vivo.

O foco da apresentação foi a eficácia do adubo orgânico produzido via compostagem na própria escola. A pesquisa, que comprovou um crescimento superior das hortaliças, já colhe reconhecimentos externos: o projeto conquistou o 2º lugar na categoria Empreendedorismo Jovem na FECCI 2025. “Nosso objetivo é criar soluções voltadas para a preservação e levar essa mentalidade científica para feiras e eventos”, destacam os membros do clube.

Ciência Social e Mediação Escolar

Já o clube Mentes em Ação, do Colégio Estadual Herbert de Souza, em São José dos Pinhais, levou ao evento uma investigação científica sobre um tema urgente e global: o fenômeno do bullying. Sob a coordenação da professora Pauline Henrique Fernandes, o clube desenvolveu o projeto “Bullying: uma análise na escola”, que se destaca pelo rigor metodológico na compreensão das dinâmicas de convivência escolar.

O trabalho dos clubistas serve de modelo para outras instituições, pois foca na criação de estratégias de acolhimento frente a esses casos. O planejamento do grupo inclui a formação de estudantes mediadores e a construção de um Programa de Prevenção inspirado no Método Olweus, referência internacional na redução de conflitos através de redes de apoio social e escuta ativa.

Diálogo entre Escola e Universidade

A professora Neusa Nogas Tocha, representante da UTFPR, acompanhou de perto as apresentações e ressaltou como essa integração fortalece a educação. “Ver esses jovens na Semana Araucária é o resultado do trabalho em conjunto da comunidade escolar e universidade. Essa rede de apoio permite que o conhecimento circule e que os estudantes se sintam seguros para investigar temas complexos e compartilhar em eventos como este. É uma demonstração clara de como a colaboração está mudando a educação no Paraná”, defende.

A participação desses clubes na Semana Araucária de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) reafirma que a ciência paranaense começa cedo, dentro das salas de aula ou de locais como as hortas escolares, transformando a realidade dos estudantes e de suas comunidades para melhor.

Terceiro eixo do curso de formação em feiras de ciências tratou da organização, gestão, acessibilidade e sustentabilidade; Educação científica também entrou na pauta

“As feiras de ciências não são uma atividade ou um evento pontual, mas um processo de professor”, afirma Felipe de Azevedo, especialista e profundo conhecedor sobre o universo das feiras de ciências. Atuando em Mossoró, no Rio Grande do Norte, o professor acredita que as feiras de ciências são muito mais que uma exposição de trabalhos escolares. Elas se transformam numa oportunidade única para o desenvolvimento dos estudantes, estimulando o pensamento científico, a criatividade e a colaboração.

Convidado pela equipe do NAPI Paraná Faz Ciência, Azevedo compartilhou sua vivência na organização e gestão com os quase 100 participantes do curso de formação de feiras de ciências. Antes de qualquer coisa, é preciso fazer um planejamento inicial detalhado, passando pela definição do objetivo da feira, dimensionando o local e tamanho do evento e mobilizando a equipe pedagógica e quem vai trabalhar. “Todas essas questões precisam estar muito claras desde as primeira etapas da organização, inclusive a disponibilidade de recursos”, alertou o professor.

Azevedo enfatizou ainda que a escolha do espaço físico e da infraestrutura vai influenciar diretamente a experiência dos visitantes e expositores. “Questões como sinalização dos projetos, segurança e acessibilidade precisam entrar no planejamento para garantir o fluxo,  conforto e visibilidade”, disse em sua apresentação.

Professor Felipe de Azevedo, de Mossoró, Rio Grande do Norte (Imagem)

No quesito sustentabilidade, é importante tomar decisões conscientes em relação ao consumo de recursos. “Seja na própria condução do projeto, na utilização das maquetes e produtos, o aluno tem que pensar em práticas responsáveis, inclusive na comunicação. Em vez de um banner, seria interessante usar uma cartolina, uma vez que os projetos podem mudar e avançar em resultados. Um banner seria descartado”, estimulou. 

O professor destacou que o mais importante deste processo é, no fim, criar um ecossistema de feiras em que o aluno amplie o aprendizado e se sinta estimulado a participar de eventos científicos da escola, do município, do estado, do Brasil e até internacional. “Desde 2011 nós implantamos esse ecossistema aqui (no Rio Grande do Norte), onde o estudante está desde já pensando em participar no próximo ano”, enfatizou.

Letramento científico

Na sequência, as professoras doutoras Dayanne Cajueiro e Michelle Mendes, bolsistas do NAPI Paraná Faz Ciência, compartilharam com os participantes do curso de formação em feiras de ciências os conceitos que permeiam a Educação científica, alfabetização científica e iniciação científica escolar. 

O conceito de letramento científico propõe oferecer aos alunos a diversidade de conhecimentos produzidos ao longo da história, aproximando os principais processos, práticas e procedimentos da investigação científica. “Os professores precisam compreender os conceitos, mas sabemos que sempre surge uma insegurança de como aplicar esta e outras epistemologias”, disse Dayanne. 

Para ela, na prática, a metodologia científica surge do contexto em que o aluno vive, ao observar a sua realidade e, a partir do seu conhecimento, investigar os fenômenos naturais através dos olhos da ciência.

Dayanne Cajueiro, do NAPI Paraná Faz Ciência (Imagem)

Já Michelle Mendes, que acabou de defender sua tese de doutorado sobre feiras de ciências, além de ter mestrado na área, trouxe uma nova perspectiva para a discussão: como fazer o estudante aprender a aprender. 

“Como a gente pode fazer algo diferente no contexto da escola, que já é tão difícil? Tendo o professor como figura central neste processo, é preciso estimular o aluno a observar e questionar o mundo que o cerca”, explica Michele. 

Portanto, o professor tem que estar preparado para ser a ‘ponte’ entre aluno e a ciência, através de quatro etapas: tempestade de ideias, analisar as perguntas, formular uma pergunta passível de resolução e metodologia científica. Segundo Michele, o professor Felipe de Azevedo dispõe de um vasto material sobre a execução destas quatro etapas.

Michelle Mendes, do NAPI Paraná Faz Ciência (Imagem)

Clubistas falam dos planos para os eventos, sobre novas pesquisas e aprofundamento de projetos

Foto em ambiente escolar mostrando um grupo de adolescentes e uma professora em uma sala clara, sentados ao redor de uma mesa. Todos usam jalecos brancos. Sobre a mesa há cadernos, folhas com atividades, estojo de lápis de cor, cola e garrafa térmica. A professora está ao centro, atrás dos estudantes, e todos olham para a câmera. Ao fundo, há janelas altas e pia, sugerindo um espaço de laboratório ou sala de projetos.
Clube de Ciências do Colégio Prefeito João Maria de Barros, em Campina Grande do Sul, coordenado por Taíza Klemba, inicia o ano com reorganização do grupo e novas perspectivas de pesquisa (Foto/Arquivo do Clube)

Com o início do ano letivo, os Clubes de Ciências do Paraná Faz Ciência entram em uma nova etapa de planejamento e aprofundamento das investigações desenvolvidas ao longo do tempo. Alguns projetos iniciados anteriormente seguem em expansão, enquanto experiências acumuladas em feiras e eventos científicos inspiram novas perguntas e orientam diferentes caminhos de pesquisa, consolidando um processo investigativo contínuo. A chegada de novos integrantes também amplia perspectivas e contribui para a diversidade de temas e interesses que mobilizam os clubes.

Nos diferentes clubes da rede, esse movimento já se traduz em ações concretas. Além da organização das pesquisas e do planejamento das atividades, várias unidades realizaram encontros de apresentação, divulgação interna e mobilização para integrar novos clubistas, iniciativas essas que ampliam a participação, fortalecem o sentido de pertencimento e garantem a continuidade das ações ao longo do ano.

No Colégio Prefeito João Maria de Barros, por exemplo, em Campina Grande do Sul, a professora coordenadora Taiza Klemba precisou reorganizar o grupo após a mudança de turno de parte dos estudantes com a passagem para o nono ano. “Eu passei de sala em sala convidando, fechei o número de 20 estudantes e tenho lista de espera”, relata. A docente destaca que a procura foi facilitada pela reputação já consolidada do projeto entre os alunos, que reconhecem as atividades diferenciadas, as aulas de campo e as pesquisas desenvolvidas.

Já no Clube Bona, em Almirante Tamandaré, formado por alunos de Ensino Médio, a pesquisa sobre qualidade da água pode ganhar novos desdobramentos ao longo deste ano. Além da abordagem biológica já realizada pelos estudantes, há a possibilidade de incorporação da análise química, a partir do interesse demonstrado pela professora do curso técnico em Química do colégio em colaborar como coautora do trabalho, fortalecendo a perspectiva interdisciplinar e ampliando o alcance do estudo. Para os integrantes, essa ampliação dialoga com a própria trajetória do grupo. “É o mesmo tema, só que analisado de formas diferentes. Isso é interessante”, comenta Eduardo Fernando Ferreira da Silva, 17 anos. 

Além da continuidade dos estudos já desenvolvidos, o grupo também projeta novas áreas de interesse para o próximo período. Entre elas, a identificação de animais e o aprofundamento em estudos sobre plantas medicinais têm ganhado destaque, refletindo o amadurecimento das discussões e a ampliação do repertório científico dos estudantes.

No caso da identificação, o interesse integra o percurso de Gabriel Victor do Nascimento, 16 anos, no clube e ganhou novas referências após a participação na FECCI (Feira de Cultura Científica do Paraná Faz Ciência). “Na feira eu vi muita gente esforçada em pesquisa de identificação de animais e isso me motivou ainda mais”, relata. Dentro das atividades do grupo, uma iniciativa do estudante passou a integrar as práticas do clube: ele levou um aquário que estava sem uso em casa e iniciou uma experiência com a alga da espécie elódea. O experimento permitiu observações no microscópio e revelou a presença inesperada de duas espécies de caramujos de água doce, ampliando as possibilidades de análise e identificação.

No campo das plantas medicinais, a inspiração surgiu a partir da premiação conquistada na FECCI no ano anterior, que incluiu um livro sobre o tema. “Eu gostaria que neste ano, por exemplo, um trabalho que a gente fizesse fosse focado no livro que a gente ganhou. Sobre as plantas medicinais. Eu acho interessante”, afirma Maíra de Andrade Ribeiro, 16 anos. A proposta também desperta interesse em Suzanna Heliza Gonçalvez de Freitas, de mesma idade, que destaca a possibilidade de utilizar os conhecimentos sobre plantas medicinais em estudos voltados à área da cosmética, explorando o uso de bases naturais no desenvolvimento de produtos.

Com projetos voltados para a área de robótica educacional e engenharia aplicada, o Clube de Ciências Nautilus Robotics, de Pinhais, iniciou o ano letivo já envolvido em atividades externas. No último sábado, 21 de fevereiro, a equipe participou do Amistoso das Araucárias, realizado no Colégio Sesi Indústria, evento preparatório para as próximas etapas da FIRST Tech Challenge (FTC), competição internacional de robótica educacional. O encontro reuniu equipes para momentos de prática, testes e ajustes antes das disputas oficiais.

Para Samuel, 16 anos, a participação foi especialmente marcante. Integrante da equipe nas funções de programação e engenharia, ele assumiu, desta vez, a pilotagem do robô. “Foi algo muito emocionante. Dessa vez pude ter a chance de pilotar”, relata. 

Para 2026, a expectativa é avançar em relação ao ano anterior, com ajustes técnicos, ampliação dos conhecimentos e participação nos eventos previstos ao longo da temporada, fortalecendo a presença da equipe no Paraná e, possivelmente, em outros estados.

Rafael Lopes Virmond, 18 anos, também projeta o ano como uma oportunidade de aprimoramento técnico e integração com o grupo. A expectativa é desenvolver ainda mais suas habilidades como engenheiro e modelador 3D, além de fortalecer a convivência com os integrantes da Nautilus Robotics e com outras equipes da FTC. “Participar dos campeonatos, conhecer outras equipes e aprender como eles montam os robôs ajuda a melhorar o nosso trabalho em equipe”, afirma.

Já Hiran Silva dos Santos, 16 anos, destaca a necessidade de aperfeiçoamentos no desempenho do robô, especialmente em relação à precisão nos lançamentos. Segundo ele, o novo ciclo também demanda maior organização interna, com a definição de funções que permitam a cada integrante aprofundar-se em áreas como modelagem 3D, programação e pilotagem, sem perder o caráter colaborativo do grupo. A expectativa é que os próximos eventos, sejam amistosos ou oficiais, contribuam para um melhor desempenho no ranking e reforcem a motivação da equipe.

Além das expectativas dos estudantes, o professor Guido Valmor Buss, coordenador do Clube de Ciências Nautilus Robotics no Colégio Estadual Humberto de Alencar Castelo Branco, projeta um ano de ampliação das atividades e presença em novos espaços. Segundo ele, a equipe foi convidada a apresentar o projeto do clube no evento Smart City, na Arena da Baixada, e também se prepara para o Off-Season das Araucárias, a próxima temporada da FTC.

O coordenador destaca ainda a incorporação de novos desafios técnicos ao cotidiano do grupo, como a montagem de uma máquina CNC a laser, iniciativa que amplia as possibilidades de aprendizagem prática dos estudantes. “As expectativas são as melhores possíveis. São vários projetos em andamento e outras oportunidades que podem surgir ao longo do ano”, afirma.

Em diferentes áreas do conhecimento, os Clubes de Ciências do Paraná Faz Ciência iniciam o ano letivo com pesquisas em andamento, novas perguntas e reorganizações internas. Seja no campo, no laboratório ou em competições, o que marca esse início de ciclo é a disposição para rever caminhos, ampliar investigações e transformar experiências anteriores em novos pontos de partida.

Prazo para inscrição de feiras e mostras de ciências e projetos vai de 1º a 30 de abril; edital define os critérios de participação

Durante todo o mês de abril, as escolas da Educação Básica e Técnica do Paraná, públicas e privadas, poderão fazer parte da Rede de Feiras Afiliadas à Feira de Cultura Científica (FECCI) do Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (NAPI) Paraná Faz Ciência. O Edital 001/FECCI-2026 vigente estabelece normas, critérios e prazos para o credenciamento de feiras de ciências e mostras científicas escolares, municipais, regionais e estaduais, à FECCI, possibilitando a essas instituições a indicação de projetos científicos para avaliação e eventual participação na FECCI 2026.

O objetivo da Rede de Afiliadas à FECCI é fortalecer a cultura científica, promover a articulação entre feiras municipais, regionais e estaduais do Paraná e incentivar a pesquisa, a investigação científica e a inovação pedagógica. A iniciativa do NAPI Paraná Faz Ciência também visa alinhar práticas avaliativas e éticas aos padrões nacionais e internacionais de feiras científicas.

Poderão participar da Rede as instituições de ensino que realizaram evento científico no ano de 2025 ou até final de abril de 2026, , atendendo integralmente os critérios estabelecidos no edital e para ser oficialmente credenciado pela FECCI.  Também será possível indicar trabalhos de pesquisa científica, tecnológica ou investigativa selecionados por uma feira ou mostra afiliada para submissão à FECCI 2026. A Comissão Científica (CC‑FECCI será responsável pela análise técnico‑científica, ética e de segurança dos projetos indicados.

Ao todo, 381 projetos foram desenvolvidos e apresentados durante a FECCI 2025. Para a edição deste ano, a expectativa é dobrar a participação (Foto/NAPI PRFC)

A pós-doutoranda e bolsista do Napi Paraná Faz Ciência, Dayanne Dalila Cajueiro, destaca que a afiliação à Rede de Feiras da FECCI é o primeiro passo para garantir a participação no evento, que já tem data marcada: de 4 a 6 de novembro, em Curitiba. “As expectativas são excelentes, diante do interesse de professores e gestores escolares pela consolidação da uma rede estadual de feiras e mostra de ciências, para oferecer aos alunos uma experiência prática com a pesquisa e o método e pensamento científicos”, enfatiza Dayanne.

O credenciamento e as inscrições de projetos para a FECCI 2026 vão de 1º a 30 de abril, com preenchimento do formulário on-line.

Curso de formação em feiras de ciências

Em outra frente, oNAPI Paraná Faz Ciência promove um primeiro curso de formação para professores, graduandos e pós-graduandos e gestores de escolas públicas e privadas sobre a realização de feiras de ciências. Foram selecionados 100 participantes para o curso on-line, sendo a maioria do Paraná, mas também de outros estados. 

O curso tem parceria com a Secretaria de Estado da Educação (SEED/PR) e cria a oportunidade para compartilhamento de informações sobre como organizar feiras de ciências em suas instituições de Ensino Básico, além de estimular e apoiar participações em feiras e mostras de ciências. Somando-se ao objetivo da iniciativa, a divulgação e popularização da ciência será o tema central dos encontros, no total de quatro até 9 de abril, sempre às quinta-feiras, das 18 às 21 horas.

Na próxima quinta-feira, 02, os temas abordados no terceiro eixo são: Educação científica, alfabetização científica e iniciação científica escolar, com as professoras doutoras Dayanne Cajueiro e Michelle Mendes; Organização, gestão, acessibilidade e sustentabilidade de feira de ciências, com o professor doutor Felipe de Azevedo.

Clube de Ciências do Colégio Nilo Cairo une pesquisa, educação lúdica e parcerias locais para transformar estudantes em agentes de saúde pública

Um grupo de dezessete pessoas, entre adolescentes e adultos, posa em uma escadaria externa de um prédio claro, sob a luz do dia. Eles estão organizados em duas fileiras: alguns em pé nos degraus mais altos e outros sentados nos degraus da frente. Todos vestem camisetas brancas com um símbolo de proibição sobre o desenho de um mosquito, sugerindo uma campanha de combate à dengue. A maioria sorri para a câmera, transmitindo união e entusiasmo. O ambiente é simples, com paredes claras, uma janela lateral e piso cerâmico. A imagem passa a sensação de trabalho coletivo e engajamento em uma ação educativa ou comunitária.
Clubistas e professores unidos contra a dengue (Foto/Érica Castilho)

Desde setembro de 2024, o Colégio Estadual Nilo Cairo, em Apucarana (PR), tornou-se um polo de resistência e inovação em saúde pública. Através do clube de ciências“Unindo Forças no Combate à Dengue”, sob a coordenação da professora Érica Castilho, estudantes assumiram o papel de investigadores e agentes de mudança frente a um dos desafios mais críticos da região. O clube surgiu como uma resposta direta à necessidade de enfrentar a epidemia que assolou o estado, já que dados da Secretaria de Estado da Saúde em de 2024 já apontavam um cenário epidemiológico preocupante, reforçando a urgência de intervenções educativas e científicas no ambiente escolar.

O clube não atua de forma isolada. Ele é fruto de uma rede de colaboração que envolve o Núcleo Regional de Educação (NRE) de Apucarana, representado por Hugo Augusto Costa, e a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), representada por Enio Stanzani e Sabrina Klein, coordenadores do projeto Rede de Clubes Paraná Faz Ciência. Além disso, a parceria se estende ao setor de Endemias da Prefeitura de Apucarana, permitindo que os alunos fundamentem suas propostas em dados reais e orientações técnicas de especialistas para combater o mosquito Aedes aegypti de forma eficiente.

CIÊNCIA APLICADA E IMPACTO COMUNITÁRIO

A metodologia do clube vai além da teoria. Ao incorporar o estudo da dengue, os integrantes desenvolvem habilidades essenciais de pesquisa, pensamento crítico e resolução de problemas, aplicando-as em ações que beneficiam diretamente a comunidade. Entre as principais iniciativas desenvolvidas, destacam-se:

“O Clube de Ciências nasceu com o propósito de despertar nos estudantes a consciência científica, ambiental e social sobre um dos maiores desafios de saúde pública do Brasil. Mais do que um projeto escolar, o clube é um movimento educativo e cidadão, que une conhecimento, criatividade e ação para transformar a comunidade por meio da ciência.”, declarou a professora coordenadora do clube Érica Castilho.

HORIZONTES PARA 2026

O clube iniciou o ano de 2026 com fôlego renovado, recebendo novos membros e traçando planos de expansão. As metas para este ano incluem a presença em feiras com projetos inéditos, como a produção de materiais acessíveis para pessoas cegas e a distribuição do livro de colorir para as escolas de ensino infantil que desejam trabalhar a conscientização sobre a saúde. Ao aliar a educação científica à cidadania, o clube de ciências demonstra que o esforço coletivo é a ferramenta mais poderosa para reverter indicadores de saúde e proteger gerações futuras.

A imagem mostra um grupo de cerca de quinze pessoas, entre adolescentes e adultos, está reunido ao ar livre em frente a uma parede clara com janelas altas. Eles se organizam atrás e ao lado de uma mesa grande de concreto, coberta com uma toalha vermelha estampada. Sobre a mesa há alimentos e bebidas, como garrafas de refrigerante, pratos e recipientes, sugerindo um lanche coletivo ou confraternização. A maioria veste uniforme escolar azul-escuro com detalhes claros. Duas mulheres adultas estão nas laterais do grupo, uma usando blusa vermelha e outra marrom. Todos sorriem ou olham para a câmera, transmitindo um clima de união e celebração.
Recepção de novos integrantes do clube (Foto/Érica Castilho)

Equipe apresentou projetos dos clubes makers e compartilhou experiências com outras regiões no evento de Brasília

A imagem mostra um auditório lotado durante o Encontro Nacional + Ciência na Escola. As pessoas estão sentadas assistindo a uma apresentação no palco. No palco, há um telão grande com o nome do evento e várias autoridades sentadas, enquanto uma pessoa fala ao púlpito. O ambiente é amplo, bem iluminado e organizado, com foco na programação oficial do evento. A imagem representa um momento formal, provavelmente a abertura ou uma palestra importante.
O Encontro Nacional contou com representantes do Brasil inteiro (Foto/Isabella Abrão)

O futuro da ciência começa na sala de aula. Isso ficou mais do que provado no 1º Encontro Nacional do programa Mais Ciência na Escola, realizado em Brasília, entre os dias 23 e 26 de março. A Rede de Clubes Maker do Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (NAPI) – Paraná Faz Ciência (PRFC) também esteve presente no evento e reforçou o papel da cultura maker na formação de estudantes protagonistas.

Com laboratórios e atividades voltadas para o “mão na massa”, o Mais Ciência na Escola incentiva ideias, soluções e aprendizados de forma ativa. Por meio disso, promove o letramento digital, a experimentação científica e a inovação na Educação Básica. Tudo para trazer ciência e tecnologia na prática, focando na metodologia STEAM (Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática).

O Encontro Nacional teve como objetivo debater sobre a popularização da ciência e os resultados dos laboratórios makers no Brasil. A programação contou com palestras, mesas temáticas, vídeos institucionais e atividades em grupos, proporcionando a integração entre professores, alunos, coordenadores e pesquisadores. Foi um momento muito importante para a troca de experiências entre todos os projetos do país.

Autoridades e representantes governamentais também compartilharam com o público o cenário brasileiro. A Ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Luciana Santos, destacou a necessidade de práticas pedagógicas democratizadas, que tenham essa pegada mais prática. “Estamos falando de inovação concreta na Educação Básica brasileira. Um programa que aproxima a ciência da realidade dos estudantes, que valoriza o aprender fazendo, a experimentação, a curiosidade e a criatividade”, enfatiza.

Nesta imagem, vemos um momento formal do Encontro Nacional + Ciência na Escola acontecendo em um auditório. No centro, uma mulher está no púlpito, segurando um microfone e fazendo um gesto com a mão, como se estivesse explicando ou destacando um ponto importante. Ao fundo, há um grande telão com o nome do evento “+ Ciência na Escola” e logotipos de instituições como ministérios e órgãos de ciência e tecnologia. À esquerda do palco, outras pessoas estão sentadas em cadeiras, acompanhando a fala. Na frente, aparece parte do público, que assiste atentamente à apresentação.
Ministra Luciana Santos em palestra no Encontro Nacional (Foto/Isabella Abrão)

Em entrevista para o NAPI PRFC, a Diretora do Departamento de Popularização da Ciência, Tecnologia e Educação Científica do MCTI, Juana Nunes, colocou em pauta a importância de fazer política pública com escuta. “A gente quer saber a experiência real de quem vive o programa no chão da escola e esse encontro é para isso. A gente está muito feliz em receber mais de 1600 pessoas aqui […] todo mundo junto, para fortalecer essa experiência tão rica que é criar clube de ciência, montar um laboratório e, principalmente, proporcionar aos estudantes da escola pública brasileira uma educação científica de qualidade”, defende.

Também procurado pela equipe, o Secretário de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Social do MCTI, Inácio Arruda, ressaltou que a primeira grande parceria do Programa Nacional de Popularização da Ciência (POP Ciência) foi com o Paraná. “Nós queremos cada vez incentivar mais a produção científica e a educação científica a partir do Ensino Fundamental, do Ensino Médio […] porque é fomentando a ciência que você cria as condições para produzir tudo aquilo que nós precisamos para o Brasil”, encoraja.

A imagem mostra um grupo grande de estudantes e alguns adultos reunidos para uma foto em um espaço interno. Quase todos usam camisetas verdes do projeto Ciência na Escola e crachás de identificação, indicando participação em um evento. Muitos estão sorrindo e alguns seguram sacolas, provavelmente brindes do encontro. Ao fundo, há uma estrutura com escadas e um painel iluminado com logotipos institucionais. A imagem transmite união, participação e orgulho da equipe. Há ainda a presença de duas autoridades no meio da foto: Juana Nunes e Inácio Arruda.
Equipe NAPI PRFC Maker na companhia do Secretário Inácio Arruda e da Diretora Juana Nunes (Foto/Isabella Abrão)

Rede de Clubes Maker

Quatro clubes paranaenses ficaram responsáveis por representar o estado e a vertente maker do NAPI – Paraná Faz Ciência no evento. Alunos e professores mostraram um pouco do trabalho desenvolvido no projeto, que tem transformado o pensamento crítico dos estudantes, despertado a curiosidade para o mundo da ciência e contribuído com a produção de conhecimento no Brasil.

As equipes participantes são do Colégio Estadual do Campo Professora Margarida Franklin Gonçalves (clube Margarida Consciente), em Ibaiti; Colégio Estadual do Campo Professora Godomá Bevilacqua de Oliveira (clube Circuito Criativo), de Apucarana; Colégio Estadual Indígena Cacique Otavio dos Santos (clube Pỹn fīfī), na Terra Indígena Marrecas, em Turvo; e Colégio Estadual do Jardim San Rafael (clube San Rafa Makers), em Ibiporã.

Inclusive, uma das alunas do clube Circuito Criativo foi escolhida para apresentar a síntese de uma discussão em grupo, durante o encerramento do evento. A atividade separou professores, estudantes e coordenadores estaduais no dia anterior ao relato, estimulando o diálogo entre pessoas de diferentes regiões.

A imagem mostra um palco de evento, em um espaço grande e fechado, com iluminação voltada para a apresentação. No centro, uma jovem está em pé atrás de um púlpito transparente, segurando um microfone e lendo algo, possivelmente um discurso ou apresentação. Ela veste roupas claras e parece concentrada no que está dizendo. À esquerda do palco, há um grupo de cerca de oito pessoas, jovens e adultos, alinhados lado a lado, todos usando crachás pendurados no pescoço, sugerindo que participam do evento como equipe, palestrantes ou competidores.
Paula Fernanda (15 anos) apresentando o debate realizado (Foto/Isabella Abrão)

Segundo a professora Edinara Santos, coordenadora do clube San Rafa Makers, o que mais a impactou no evento foi conhecer a amplitude que o Mais Ciência na Escola tem alcançado. “Nós ficamos realmente impressionados com a grandiosidade e o quanto desse projeto atinge escolas do Brasil inteiro. Ficamos muito orgulhosos de fazer parte disso”, conta.

Para alguns alunos, o Encontro Nacional foi também o primeiro evento científico. É o caso de Victor Souza (12 anos), do clube Margarida Consciente, que já está manifestando interesse na próxima viagem. “A gente veio aqui no evento de Brasília e eu quero ter mais oportunidades também de ir em outros eventos”, revela. “Eu estou gostando muito do Mais Ciência na Escola aqui e, graças ao clube Maker, eu estou podendo participar.”

Os estudantes do clube Pỹn fīfī também demonstraram entusiasmo com a experiência. Para os alunos, conhecer a cidade está sendo uma vivência diferenciada e, sem dúvidas, divertida. “Estou achando legal representar o Paraná. Me perdi um pouco lá no shopping”, brincou Wesley Mathias (15 anos).

Equipe do NAPI PRFC Maker (Foto/Isabella Abrão)

O 1º Encontro Nacional “Mais Ciência na Escola” estava previsto na Chamada Pública CNPq/MCTI/FNDCT Conecta e Capacita nº 13/2024 – Mais Ciência na Escola. O Paraná Faz Ciência Maker faz parte do programa, tendo sido selecionado pelo edital do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Além disso, a iniciativa dos clubes Makers integra as ações do NAPI – Paraná Faz Ciência, que é apoiado pela Fundação Araucária.

Curso de formação promovido pelo NAPI Paraná Faz Ciência permite troca entre professores e gestores de vários estados

Curso de formação de feiras de ciências promovido pelo NAPI Paraná Faz Ciência (Imagem)

Feiras de ciências promovem o ensino por investigação, nem sempre possível de ser aplicado no cotidiano da sala de aula, e acontecem devido ao compromisso dos gestores, professores e alunos, uma base teórica e pedagógica e ao apoio financeiro. A partir dos clubes de ciências, que orientam a observação de fatos do cotidiano e promovem o pensamento crítico e a metodologia científica, será possível ter feiras de ciências robustas onde o aluno é o protagonista.

Este é o pensamento que compartilham os mais de 100 participantes do curso on-line de formação em feiras de ciências promovido pelo Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (NAPI) Paraná Faz Ciência. Realizado na noite de quinta-feira, 23, as duas palestras do segundo eixo foram sobre ‘Metodologias investigativas e projetos científicos na Educação Básica’. 

“Ao propor o curso, nós já sabíamos que era grande o interesse para aprender sobre como organizar e promover feiras de ciências, ou aprimorar práticas para algumas pessoas. Porém, o interesse nos surpreendeu positivamente e irá, com certeza absoluta, fortalecer a realização de eventos científicos no Paraná, e também no país”, enfatizou a articuladora do NAPI Paraná Faz Ciência, professora da Universidade Estadual de Maringá, Débora de Mello Sant’Ana. 

Com o objetivo de oportunizar a troca de conhecimentos e experiências, além de consolidar a Rede de Feiras Paraná Faz Ciência, o curso demonstra que muitos professores e gestores estão dispostos e, de certa forma, ansiosos para implantar os conteúdos ofertados pelos organizadores em seus territórios.

Novos aprendizados e a troca de experiências tem sido a tônica do curso de formação

Método próprio

“As feiras de ciências não brotam do nada. Não importa a idade, todos podem desenvolver projetos investigativos desde que seja respeitada cada etapa do estudante e sua capacidade de planejar um estudo e registar nos diários de bordo. Do Fundamental I e II, que chamamos Kids, ao Jovem, que vai até o final do Ensino Médio, as feiras de ciências são espaços de exposição do aprendizado científico do que eles produzem a partir do que vivenciam na sua realidade”, enfatizou a professora Edinalva Oliveira. 

Doutora em Ciências Biológicas e integrante da Rede de Clubes Paraná Faz Ciências e do Programa Interinstitucional de Ciência Cidadã na Escola (PICCE), Ednalva trouxe para o curso a sua experiência com os clubes e feiras de ciências realizadas no Paraná  exemplos de projetos que podem inspirar outros jovens talentos. Também enfatizou que o PICCE é um programa desenvolvido pelo NAPI Paraná Faz Ciência, em parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR), e oferece gratuitamente 22 protocolos para os alunos experienciarem a ciência. 

O objetivo do programa é popularizar a ciência, criando metodologias de ensino e de aprendizagem das ciências mais articuladas com os conhecimentos contemporâneos e a inovação, sem esquecer a realidade de cada aluno e escola. 

Ciência e vida

Na segunda palestra, a professora Marilene de Oliveira, coordenadora da Feira de Ciências do município de Alto Alegre, de Roraima (FECIMAA/RR), falou da realidade do estado no extremo Norte do país, onde há apenas duas feiras de ciências e escassos recursos, mas muita criatividade e compromisso de professores e alunos com a ciência.

“A feira de ciências é um trabalho em rede para colocar os alunos no mundo da ciência, para estarem se apropriando de métodos, de conceitos e caminhos que eles vão seguir com os projetos”, destacou a professora de Roraima. 

Com sua longa experiência em vencer as dificuldades e oportunizar experiências produtivas e marcantes para os alunos e professores, Marlene mostrou que foi possível verificar outro aspecto neste contexto, que vai muito além da pesquisa. “A experiência de vida que eles têm é muito gratificante e se reflete no trabalho que fazemos aqui, conseguindo impactar no nível de cada na participação social, seja na Educação Básica ou no futuro”, explicou Marlene.

Apesar de viver numa região isolada, com muitos problemas sociais e ambientais, muita violência, nunca se deixa de fazer ciências. “Pelo contrário, a ciência ajuda a tirar esses meninos e meninas da área de garimpo e do crime e os transforma em escritores, pesquisadores, engajados e prontos para observar, entender e transformar o mundo que os cerca.”, disse a coordenadora. 

Marlene de Oliveira, coordenadora da Feira de Ciências do município de Alto Alegre, de Roraima (FECIMAA/RR) (Imagem)

Para ela, “trabalhar com feiras de ciências na Educação Básica não é só dar noções de pesquisa, a gente pode fazer muito mais. Depende até onde você (professor) quer ir, seus objetivos com esse conhecimento passado aos alunos”, completou a professora.

Marlene defendeu ainda que o lugar de novos doutores é na Educação Básica.”Nada contra quem quer seguir carreira na academia, mas o trabalho com crianças e jovens é a certeza de que a ciência poderá fazer a diferença para eles e a sociedade”, finalizou.