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II WORKDHOP DO NAPI PARANÁ FAZ CIÊNCIA

Atividade conta com a participação de alunos entre 9 e 12 anos, tanto de escolas públicas quanto particulares

No Mudi, crianças encontram ambientes e acervos que despertam a curiosidade e o interesse pela ciência (Foto/Acervo Mudi)

A partir de 9 de março, o Museu Dinâmico Interdisciplinar (Mudi), da Universidade Estadual de Maringá (UEM), reunirá 15 estudantes estudantes da Educação Básica com Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD) para integrar o Clube de Ciências Curious Minds. A proposta é ofertar uma atividade a esse público específico, que nem sempre tem a oportunidade de vivenciar o universo da ciência que o Mudi oferece de forma dinâmica, criativa e nas mais diversas áreas do conhecimento científico.

A ideia de formar um clube de ciências no museu partiu da professora Érika Seki Kioshima Cotica, coordenadora adjunta do Programa de Pós-graduação em Biociências e Fisiopatologia (PBF/UEM), após conversa ano passado com a também professora da UEM e coordenadora do Mudi, Débora de Mello Sant’Ana. 

“Nós duas temos vivências pessoais e profissionais com o mundo da Neurodivergência, o que nos levou a organizar para este início de 2026 uma turma com crianças das altas habilidades que não possuem acesso a salas de recursos especiais em suas escolas”, relembrou Érika

Em apenas duas horas, as 15 vagas foram preenchidas, por ordem de inscrição, a partir de uma publicação no Instagram do Mudi. “Levamos um susto com a grande procura, o que demonstra que há uma demanda da sociedade para atendimento às crianças com altas habilidades”, comentou Érika. A partir da grande procura, as  organizadoras abriram dez vagas para uma lista de espera, que também foi preenchida rapidamente.

A partir das áreas do conhecimento da Biociências, os integrantes do Curious Minds participarão, neste primeiro semestre, de oficinas em diversos temas relacionados à Histologia, Patologia, Micologia, Toxicologia, Bacteriologia, entre outros. 

“No segundo semestre, todo o conhecimento produzido com as mais diferentes temáticas  fará com que as crianças escolham um assunto e desenvolvam no laboratório um pequeno projeto de pesquisa, o que não será difícil devido ao elevado potencial destes estudantes”, completa a professora do PBF.

Os integrantes do Clube de Ciências vão se reunir toda segunda-feira à tarde, no laboratório de Química instalado dentro do Mudi, sempre orientados por professores e alunos da pós-graduação, que se disponibilizaram a auxiliar como responsáveis e orientadores nas suas áreas de pesquisa. “No futuro, podemos abrir para outros programas e envolver toda a universidade em ações específicas com altas habilidades”, adianta Érika.

Divulgação da ciência

Referência em visitação e diversidade de acervo, o Mudi completou 40 anos, em 2025, como um espaço modelo de divulgação da ciência, mas também de produção de conhecimento científico a partir do ensino, pesquisa e extensão. E, quando se leva em consideração que o objetivo da extensão é a popularização do conhecimento científico, a participação no clube irá promover a aprendizagem, despertar curiosidade e a criatividade deste público de crianças com AH/SD.  

“A área da ciência da saúde será amplamente explorada nas atividades, pois os alunos de Pós-graduação do Programa de Biociências e Fisiopatologia irão disponibilizar visitas, explicações e práticas, tudo acontecendo dentro de um museu universitário de ciências”, indica Deborah Thais Palma Scanferla, bolsista técnica do Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação – NAPI Paraná Faz Ciência.

Colônia de férias com crianças de 9 a 14 anos que participaram da 2ª Semana de Biociências e Diversão em dezembro de 2025 (Foto/Acervo Mudi)

Para a professora Débora de Mello Sant’Ana, articuladora do NAPI PRFC, a participação no clube trará oportunidade aos estudantes de conviver diretamente com cientistas e atuarem também como cientistas aprendizes. “Esta experiência trará a eles a proximidade e o pertencimento à ciência, portanto uma efetiva forma de divulgação científica”, acredita.

O Mudi e a Rede de Clubes de Ciências Paraná Faz Ciência são projetos de divulgação e popularização da ciência que integram o NAPI PRFC, que têm fomento da Fundação Araucária e apoio da Secretaria de Ciência,Tecnologia e Ensino Superior (Seti).

O projeto do Clube de Ciências Curious Minds, no Mudi, ainda tem o apoio do Programa de Pós-graduação em Biociências e Fisiopatologia (PBF/UEM), Associação dos Amigos do Mudi (Amudi), Programa de Pós-Graduação da UEM/Capes, Rede Museus Paraná Faz Ciência e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Espaço em estudo pelo NAPI Paraná Faz Ciência, em Londrina, pretende aproximar o público da produção da seda, com foco em divulgação científica e valorização da cadeia produtiva local

Reunião na sede da regional Londrina da Casa Civil do Paraná, junto ao Jardim Botânico de Londrina, para tratar do projeto da futura Quinta da Seda (Foto/ Ana Elisa Frings)

O NAPI Paraná Faz Ciência iniciou os estudos para implantar, em Londrina, a primeira Quinta da Ciência do Estado: a Quinta da Seda. A proposta é criar um espaço aberto à visitação, com exposições interativas e vivências práticas sobre a sericicultura — atividade que coloca Londrina como referência nacional na produção e exportação de seda de alta qualidade.

Na reunião realizada nesta quinta-feira, 26 de fevereiro, participaram representantes da Fundação Araucária, Cristianne Cordeiro; da Casa Civil do Paraná em Londrina, Sandra Moya; a pesquisadora Renata da Rosa, vice-coordenadora das pesquisas em Cadeia Produtiva da Seda pela Universidade Estadual de Londrina (UEL); o prefeito de Londrina, Tiago Amaral; o secretário municipal de Meio Ambiente, Gilmar Domingues Pereira, acompanhado de sua equipe; e os representantes do escritório de arquitetura Aukland, responsável pelo projeto arquitetônico e pela expografia da futura Quinta, Aurélio e Karine Sant’Anna.

O espaço em Londrina está sendo pensado para receber o público, oferecer exposições interativas e apresentar a sericicultura. Os pesquisadores destacam Londrina como polo produtor e exportador para diversos países a partir de um produto de altíssima qualidade e ambientalmente responsável.

A Quinta da Seda integrará a futura Rede de Quintas da Ciência do Paraná, coordenada pelo NAPI Paraná Faz Ciência, e que prevê seis unidades regionais voltadas às vocações locais: Sustentabilidade (Maringá), Águas (Foz do Iguaçu), Nascentes (Piraquara), Madeira (Guarapuava), Mangues (Pontal do Paraná) e Seda (Londrina).

Em Londrina, a ideia é construir um espaço junto ao Jardim Botânico, que já dispõe de uma área que será aberta ao público com até 500 m² de estrutura.

No encontro na manhã desta quinta-feira, foram apresentados projetos semelhantes já executados em outros museus de ciência pelo Paraná. Entre eles, o Parque da Ciência Newton Freire Maia e o Museu do Saneamento, da Sanepar (Companhia de Saneamento do Paraná), ambos em Curitiba, além de espaços museológicos na sede do acelerador de partículas brasileiro, em Campinas (SP), no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), que podem servir de inspiração para a construção em Londrina.

Por que “Quintas”?

Esse nome é dado a espaços geralmente rurais que abrigam ambientes de aprendizagem ou vivência científica a partir do conceito criado pelo projeto português Ciência Viva. São como fazendas que podem abrigar criação de animais, culturas específicas ou projetos que valorizem a natureza e a sustentabilidade.

Em Londrina, a implantação da Quinta da Seda, além de promover a divulgação científica, também será um espaço de valorização da cadeia produtiva. O local deverá apresentar as etapas do processo — do cultivo da amoreira, alimento do bicho-da-seda, à formação dos casulos e produção do fio — além de destacar a tradição sericícola brasileira e o papel de Londrina como referência nacional na produção e exportação de seda. Essa posição foi consolidada ao longo das últimas décadas, especialmente com a atuação da empresa Bratac no Norte do Estado.

Nas palavras de Cristiane Cordeiro do Nascimento, assessora de Relações Institucionais e Inovação da Fundação Araucária, “ a Quinta da Seda vem para mostrar a importância do mercado da seda no mundo, não só da moda, mas das novas tecnologias, de novos produtos, de incentivo à ciência e como também o despertar da ciência para a criança”, defende.

O Museu Planeta Água, em Curitiba, foi apresentado como uma proposta semelhante ao que deverá ser o novo ambiente da Quinta da Seda, com recursos visuais tecnológicos e também analógicos e de acessibilidade (Foto/Aukland)

“Esses espaços que promovem a interação da ciência com seu público, seu território, faz toda a diferença porque mostramos a nossa competência local. Então juntar as Quintas da Ciência com a expertise de cada local tem tudo a ver com o compromisso de levar ciência, tecnologia e inovação ao Paraná todo”, complementa. Para Cristianne, o público de toda a região metropolitana também terá acesso a toda essa estrutura, que promete ser um ponto de visitação muito interessante e até de lazer para todas as idades.

Estima-se que ao todo o setor da sericicultura pode movimentar uma cadeia de mais dez mil pessoas diretamente envolvidas, considerado os sericultores rurais (produtores de casulos e do cultivo de amoreira), os técnicos agropecuários ou biólogos de campo e demais famílias de produtores ligados à cadeia da seda e às empresas por ela movimentadas.

É o que também destaca a pesquisadora e coordenadora das pesquisas no projeto “Seda – o fio que transforma” e da cadeia produtiva da seda pela UEL, Renata da Rosa. “Ter uma Quinta da Seda em Londrina é um avanço muito grande na divulgação da sericicultura como um ativo importante para o Paraná e, principalmente, pela integração da ciência contribuindo para que o agronegócio evolua no nosso estado”, diz.

Casulos de seda produzidos pelas lagartas. Em seguida será extraído o filamento contínuo que será o próprio fio de seda (Foto/Pixabay)

Renata enfatiza, ainda, a importância do projeto “Seda – o fio que transforma” estar ligado ao NAPI Paraná Faz Ciência, e também à proposta da Quinta da Seda. “Esse fomento que o estado do Paraná está oferecendo às ciências e à ação das universidades dentro da ciência é relevante para toda a sociedade. Conseguiremos com a Quinta da Seda mostrar o quanto de ciência é feito em uma atividade de destaque no nosso estado, nossa região de Londrina”, ressalta.

Segundo os responsáveis pelos estudos preliminares, Aurélio e Karine Sant’Anna o projeto deve contemplar ideias de painéis interativos, roteiros para visitas guiadas, oficinas e experimentos práticos para a compreensão de aspectos biológicos e ambientais da sericicultura. Assim como considerar o local como ponto de formação para estudantes, pesquisadores, produtores e comunidade em geral e ainda integrar o circuito de turismo científico e rural de Londrina, ampliando a oferta de espaços de educação não formal e reforçando a identidade local.

O papel social da atividade da produção da seda também será destacado. A criação do bicho-da-seda é tradicionalmente desenvolvida por pequenos produtores rurais e integra programas de diversificação agrícola, contribuindo para a geração de renda em propriedades familiares. A Quinta da Seda vai funcionar como vitrine desse modelo produtivo, aproximando aspectos do campo e das cidades.

Com aulas remotas, as inscrições vão de 25 de fevereiro a 10 de março e o resultado da seleção está previsto para dia 15 de março, no site do Paraná Faz Ciência

A Feira de Ciência e Cultura (FECCI 2025) atraiu mais de 15 mil pessoas durante quatro dias, em Curitiba (Foto/NAPI PRFC)

O Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação – NAPI Paraná Faz Ciência, por meio da Rede de Feiras Paraná Faz Ciência, promove o curso de formação em Feiras de Ciências. Serão 50 vagas destinadas a professores e técnicos da Educação Básica ou Superior das redes pública e privada, acadêmicos de licenciatura ou pós-graduação, coordenadores pedagógicos e demais interessados na organização, orientação e desenvolvimento de Feiras de Ciências.

No Edital 01/2026, gestores do NAPI PRFC buscam contribuir para a qualificação de educadores e demais agentes educacionais envolvidos com Feiras de natureza científica, compreendidas como espaços pedagógicos, investigativos e formativos. O objetivo é promover o protagonismo estudantil, a alfabetização científica, a interdisciplinaridade e a aproximação entre ciência, escola e comunidade.

O curso terá carga horária total de 8 horas, distribuídas em quatro encontros, nos dias 19 e 26 de março e 2 e 9 de abril, sempre das 18 às 20 horas. As aulas ocorrerão em ambiente virtual, por um link do Google Meet a ser enviado por e-mail aos matriculados. Haverá certificado de conclusão aos participantes que obtiverem, no mínimo, 75% de frequência nos encontros e cumprirem as atividades propostas durante o curso.

As inscrições serão on-line e feitas a partir do preenchimento de formulário.

Com 1.500 estudantes e professores ligados a clubes de ciências paranaenses expondo trabalhos em 381 estandes, a FECCI 2025 aconteceu na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), campus Neoville, em Curitiba Foto/NAPI PRFC)

Objetivos

Para a articuladora do NAPI PRFC, professora Débora de Mello Sant’Ana, o curso será uma ótima oportunidade para os interessados discutirem o papel das Feiras de Ciências na Educação Científica e na Iniciação Científica Escolar. “Vamos apresentar os fundamentos pedagógicos e epistemológicos das Feiras de Ciências, suas metodologias investigativas aplicáveis, além de orientar sobre a elaboração, acompanhamento e avaliação de projetos científicos escolares”, adianta. 

Débora destaca, ainda, que o curso irá proporcionar o compartilhamento de experiências de sucesso e modelos de Feiras de Ciências de referência, além de fortalecer a atuação em rede entre escolas, universidades e instituições parceiras.

Podem se inscrever no curso de formação pessoas que estejam diretamente vinculadas à área educacional, seja da rede pública e particular, como gestores, profes sores técnicos e profissionais da Educação Básica e Superior, bem como integrantes da Rede de Feiras Paraná Faz Ciência e do próprio NAPI.

Ao propor o curso de formação, o NAPI PRFC prevê ações que estão em consonância com as políticas públicas de fortalecimento da Educação Científica, da Iniciação Científica na Educação Básica e da divulgação científica. 

Para mais detalhes do curso, basta acessar o edital com a programação completa no site do Paraná Faz Ciência.

Serviço:

CURSO DE FORMAÇÃO EM FEIRAS DE CIÊNCIAS

Inscrições – 25 a 10 de março de 2026 – Preencher formulário on-line

Resultado da seleção – 15 de março

Datas – 19 e 26 de março e 2 e 9 de abril

Horário – das 18 às 20 horas

Evento gratuito e on-line pela plataforma Google Meet
Promoção e coordenação – NAPI Paraná Faz Ciência

Estudos buscam reconhecer a área pela relevância geológica, ambiental e educativa.

A imagem mostra um registro coletivo ao ar livre. Os estudantes e dois adultos estão organizados em duas fileiras sobre um deck de madeira. Atrás deles aparece uma vista extensa de vales e morros cobertos por vegetação. A iluminação indica um dia claro, com sol forte. Alguns alunos seguram folhas de papel e vários têm mochilas apoiadas no chão, sugerindo uma visita educativa ou excursão. O grupo está próximo, olhando para a câmera, com expressões tranquilas e satisfeitas.
Equipe do clube de ciências Unidade Polo (Foto/Isabella Abrão)

A ciência está em tudo. Em casa, na escola e até mesmo naquilo que não percebemos de cara na natureza. É isso o que motiva o clube Unidade Polo, cujo principal objetivo é pesquisar a Unidade de Conservação – Parque Estadual de Ibiporã. A equipe, que pertence ao Colégio Estadual Unidade Polo Karoline V. A. e Luan A. S., acredita que o local possui potencial para se tornar um geoparque.

De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), entende-se como geoparques as regiões que agregam importância histórica, cultural, paisagística, geológica, arqueológica, paleontológica e científica. A classificação pode contribuir com o turismo do território e, claro, com a promoção da Educação Ambiental.

O Parque Estadual de Ibiporã está localizado na saída de Ibiporã para Jataizinho, às margens da BR-369. Um espaço que oferece trilhas para caminhadas e área de convivência para piquenique, dentro de um reduto preservado de Mata Atlântica. Com o avanço dos estudos do clube de ciências, a ideia é que o local passe a ser mais explorado no município e possibilite o desenvolvimento de práticas pedagógicas sustentáveis.

A imagem mostra um grupo de estudantes caminhando por uma trilha em meio a uma área de mata densa e verde. Eles seguem por um caminho de pedras e terra, vistos principalmente de costas, como se estivessem iniciando ou continuando uma caminhada guiada. No primeiro plano há uma placa de madeira com a inscrição “Unidade de Conservação”, indicando que o local é uma área protegida. As árvores são altas e a vegetação é abundante, criando uma atmosfera natural e educativa, típica de atividades de campo voltadas ao aprendizado ambiental.
A turma visita o Parque Estadual de Ibiporã com frequência (Foto/Isabella Abrão)

Segundo a professora coordenadora, Helena Macia, o clube “favorece a aprendizagem ativa, estimula o desenvolvimento da curiosidade científica e promove o engajamento do estudante por meio de atividades práticas, investigativas e colaborativas”. Tudo isso contribui para a construção do conhecimento científico e pensamento crítico dos alunos, que já se mostram bastante engajados durante as Feiras de Ciências.

Vivendo a ciência

Na Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, o clube Unidade Polo é articulado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Para além das atividades em sala de aula e das visitas à Unidade de Conservação de Ibiporã, a turma também realizou excursões para conhecer melhor parques de outros municípios. Em 2025, o clube esteve no Parque do Japão e no Parque do Ingá, em Maringá, e no Parque Estadual do Guartelá, em Tibagi.

A imagem mostra um grupo grande de estudantes acompanhado por dois adultos, todos reunidos ao ar livre em um dia ensolarado. Eles estão posicionados sobre uma área pavimentada, próximos a um guarda-corpo metálico. Ao fundo há uma paisagem ampla com muitas árvores, um lago, construções modernas e casas espalhadas por uma região levemente elevada. O céu está azul e sem nuvens aparentes. Alguns estão em pé, enquanto outros estão sentados ou agachados na frente. A maioria sorri para a câmera, transmitindo um clima de passeio escolar ou atividade externa.
Clube Unidade Polo no Parque do Japão (Foto/Isabella Abrão)

Nos passeios, os alunos tiveram a missão de analisar cada espaço e identificar características do lugar. “Para 2026, espera-se que o Clube de Ciências Unidade Polo amplie suas atividades, fortalecendo ainda mais a aprendizagem prática, a investigação científica e a integração entre a universidade e a escola básica”, declara a professora Helena.

Projeto apresentou produções acadêmicas, destacou a integração entre ciência e agronegócio e contou com participação do Clube de Ciências

O Show Rural, reconhecido como a maior vitrine do agronegócio da América Latina, foi realizado entre os dias 9 e 13 de fevereiro, em Cascavel, e contou com uma participação estratégica para a divulgação científica estadual: o NAPI Paraná Faz Ciência.

Integrado à programação da Fundação Araucária, a equipe do NAPI Paraná Faz Ciência esteve presente no estande da Unioeste, ao lado de outros Novos Arranjos de Pesquisa e Inovação (NAPIs), promovendo a aproximação entre a produção acadêmica, o setor produtivo e a comunidade em geral. A iniciativa evidenciou como o investimento em ciência e tecnologia contribui diretamente para a competitividade e a sustentabilidade do agronegócio paranaense.

Ao longo do evento, o estande recebeu visitantes interessados em conhecer as ações desenvolvidas pelo projeto e seus impactos no contexto educacional e científico do estado. No último dia de programação, 13 de fevereiro, as atividades foram intensificadas com a apresentação de produções acadêmicas, incluindo e-books sobre Espaços de Divulgação Científica e Percepção Pública da Ciência no Paraná.

Equipe do Paraná Faz Ciência durante o Show Rural 2026 (Fonte: NAPI Paraná Faz Ciência/Divulgação)

Luan Paes, bolsista pedagógico do NAPI, destacou a importância da participação em um evento desse porte: “É muito importante, nesse momento de evento, divulgar a ciência para esse público; ciência e agro trabalham juntos.” Ele também ressaltou que a divulgação dos livros exibidos amplia o acesso à informação: “Às vezes, as pessoas da própria cidade não sabem que existem espaços de divulgação científica por falta de informação.” A obra apresentada reúne dados sobre museus, herbários, planetários e outros espaços de divulgação científica distribuídos pelo Paraná.

Visitantes no Estande do NAPI Paraná Faz Ciência (Fonte: NAPI Paraná Faz Ciência/Divulgação)

O analista de inovação da Fundação Araucária, Deyvid Anjos, também enfatizou a relevância da presença no evento: “É uma ótima oportunidade de demonstrar todas as atividades, ações e projetos que temos desenvolvido, tanto na área do agro quanto em outras áreas.” Segundo ele, um dos principais objetivos é chamar a atenção de empresários e empresas para o NAPI Paraná Faz Ciência e suas iniciativas. David explicou ainda que o conceito de Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação consiste em congregar todos os atores de uma mesma temática ou área, unificando esforços e empreendimentos para que, junto com a academia e os estudantes, seja possível fortalecer a ciência e impulsionar ainda mais o desenvolvimento do Estado do Paraná.

Outro destaque do dia, foi a participação do Clube de Ciências Verde em Ação, do Colégio Estadual Pacaembu, de Cascavel, que apresentou o um de seus projetos desenvolvidos. O clube estuda, mapeia e atua na recuperação de uma nascente de rio que ocorre dentro da cidade de Cascavel. Durante o evento, os clubistas contaram suas experiências na atividade e apresentaram uma maquete da nascente em questão, e uma amostra real do lixo coletado no local. 

A presença no Show Rural consolidou o papel do NAPI Paraná Faz Ciência como ponte entre universidade, escola e sociedade, reforçando a importância da ciência paranaense para o desenvolvimento regional.

Na semana em que se comemora o Dia Internacional de Mulheres e Meninas na Ciência, integrantes dos Clubes de Ciência do Paraná Faz Ciência participam do “Meninas nas Exatas”, na UFPR

Sete meninas adolescentes e uma professora posam em pé ao lado de um banner do evento “Meninas nas Exatas”, no Campus Politécnico da UFPR. Elas usam crachás e camisetas do clube, em ambiente interno da universidade.
Integrantes do Clube Little Scientist participaram do evento com oficina de minifoguetes. (Foto/Valentina Kobus)

Banners coloridos, experimentos em funcionamento e atividades práticas movimentaram o Campus Politécnico da UFPR durante o “Meninas nas Exatas”. As meninas, no entanto, não estavam ali apenas como visitantes. Parte delas assumiu a condução das atividades: explicaram dados, orientaram colegas e responderam às perguntas do público. Entre as participantes estavam integrantes dos Clubes de Ciência do Paraná Faz Ciência, que sustentaram suas pesquisas e compartilharam os resultados do que produzem nos clubes.

A participação no evento, realizado em 11 de fevereiro, marcou não apenas a presença dessas estudantes na universidade pública, mas a consolidação de um percurso construído dentro dos clubes. Ao longo do dia, alguns grupos visitaram laboratórios e acompanharam oficinas; outros apresentaram investigações desenvolvidas nos clubes e conduziram atividades para colegas de diferentes instituições. A universidade, nesse contexto, deixou de ser apenas espaço de visita e se tornou ambiente de troca e produção.

A experiência repercutiu diretamente na maneira como as meninas passaram a se enxergar dentro das áreas científicas. A clubista Milena Formankuevisky, de 15 anos, integrante do Clube de Meninas Sônia Guimarães, que já manifesta interesse por engenharia mecânica, contou que nunca se sentiu particularmente próxima da física. Durante o evento, ao acompanhar uma apresentação envolvendo luz ultravioleta e infravermelha e observar um experimento elétrico que reagia ao toque dos dedos, passou a reconsiderar essa distância. “Eu não sou muito fã de física, mas uma das apresentações me fez olhar diferente para a área. Me interessou bastante.” O contato direto com os experimentos ampliou referências e alterou sua percepção sobre a própria trajetória.

Milena Formankuevisky (ao centro) participou das atividades no Campus Politécnico e afirma que a experiência no “Meninas nas Exatas” ampliou sua percepção sobre as áreas científicas. (Foto/Valentina Kobus)

Para Milena, participar do “Meninas nas Exatas” também fortaleceu a convicção sobre o próprio lugar na educação pública. Ao circular pelos espaços da universidade e interagir com pesquisadoras e estudantes de graduação, ela afirmou que a trajetória acadêmica não estava determinada pela origem escolar. “Muitos dizem que escola particular tem mais oportunidade. Mas eu acredito que não importa se você é de escola pública ou privada. Você pode chegar longe, independente de onde vem.” A experiência no campus reforçou, segundo ela, a ideia de que a universidade pública também poderia ser um caminho possível para estudantes como ela, da rede estadual.

Além de visitar, algumas meninas apresentaram suas próprias investigações. No estande do Clube de Ciência Nise da Silveira, duas estudantes compartilharam uma pesquisa sobre tédio e solidão associados ao tempo de tela no celular. O trabalho reuniu levantamento de dados, organização de informações e análise de comportamentos relacionados ao uso intenso de dispositivos móveis entre jovens. A pesquisa despertou interesse de quem circulou pelo evento.

Integrantes do Clube de Ciência Nise da Silveira apresentaram pesquisa sobre tédio e solidão associados ao tempo de tela. (Foto/Arquivo)

Ao ouvir a explicação das estudantes, Miriam Valentim de Oliveira, que atua na área de engenharia de software e acompanhou a feira naquele dia, destacou a consistência do trabalho apresentado. “Vim ouvir aqui a pesquisa sobre tédio e solidão no tempo de telas com celular e achei incrível a pesquisa das duas meninas. Elas fizeram um trabalho maravilhoso, com muitos dados riquíssimos. Tem muitos dados ainda a serem explorados e é um contexto muito rico de pesquisa.” O reconhecimento externo reforçou a seriedade da investigação desenvolvida no clube e evidenciou que as produções dialogaram com temas contemporâneos relevantes, que ultrapassaram o espaço escolar.

A participação no evento não ocorreu de maneira isolada. Ela foi resultado de um processo contínuo construído no interior das escolas. A professora Karin Schellmann, coordenadora do Clube Sônia Guimarães, do Colégio Estadual Paulo Leminski, relembrou que, quando estava no ensino médio, teve acesso à universidade por meio de um curso de extensão e conviveu com pesquisadoras que realizavam investigações científicas. Essa vivência marcou sua trajetória e orienta sua atuação atual. Ao integrar o colégio à Rede de Clubes de Ciência, procurou oferecer às alunas experiências semelhantes, ampliando horizontes e fortalecendo expectativas acadêmicas.

O Clube de Meninas na Ciência Sônia Guimarães passou o dia participando das atividades e trocando experiências. (Foto/Valentina Kobus)

Segundo Karin, o clube começou com sete integrantes e atualmente reúne 16 alunas, além de contar com um espaço próprio na escola para reuniões e desenvolvimento de projetos. A existência desse ambiente favoreceu a continuidade das atividades e contribuiu para a construção de uma identidade coletiva vinculada à pesquisa. “Ser menina, ser mulher não é empecilho para nada”, afirmou. “Eu digo para elas: vão, façam, tentem. Quem impede o sonho é você mesma.” A fala sintetizou uma orientação que se traduziu em incentivo constante à participação em feiras, visitas técnicas e eventos científicos.

Orientação e experimentação marcaram as atividades práticas desenvolvidas durante o Dia Internacional de Mulheres e Meninas na Ciência. (Foto/Valentina Kobus)

O impacto do clube também se estendeu ao corpo docente da escola. Ainda de acordo com Karin, professores que antes se sentiam distantes da pesquisa, após anos dedicados exclusivamente à sala de aula, passaram a demonstrar interesse em se reaproximar desse universo. Alguns se ofereceram para colaborar com as atividades do clube e ministrar oficinas, contribuindo com suas próprias experiências e conhecimentos. O movimento fortaleceu, dentro da própria escola, uma cultura de valorização da investigação científica.

Nesse contexto, o “Meninas nas Exatas” assumiu um significado que foi além da programação de uma data simbólica. Ao circular pelos corredores da universidade ou apresentar seus próprios dados ao público, as estudantes deixaram de se perceber apenas como visitantes ocasionais e passaram a se reconhecer como possíveis futuras integrantes daquele espaço acadêmico. A universidade pública, antes vista como distante por muitas, tornou-se concreta e acessível. Essa vivência, construída entre pesquisa, orientação docente e experiências acumuladas, contribuiu para que a ciência passasse a integrar de forma mais consistente os projetos de futuro dessas meninas.

No estande da Unioeste, o NAPI conecta pesquisas acadêmicas às necessidades práticas do produtor rural

O Show Rural Coopavel, maior vitrine do agronegócio da América Latina, recebe, até sexta-feira (13), em Cascavel, uma participação estratégica para a divulgação científica estadual: o NAPI Paraná Faz Ciência.

Integrado à programação da Fundação Araucária, o NAPI ocupa espaço no estande da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) junto a outros NAPIs, com o objetivo de aproximar a produção acadêmica do setor produtivo e da comunidade em geral.

A presença do Paraná Faz Ciência no evento tem como objetivo central demonstrar como o investimento em ciência e tecnologia impacta diretamente a competitividade e a sustentabilidade do agronegócio paranaense.

Na sexta-feira, dia 13 de fevereiro, último dia de evento, a programação do estande será intensificada com as seguintes ações:

Exposição de produções acadêmicas: apresentação de e-books sobre os Espaços de Divulgação Científica e a Percepção Pública da Ciência no Paraná.

Atendimento à Comunidade: presença de orientadores pedagógicos do projeto para sanar dúvidas e interagir com o público visitante.

Protagonismo Estudantil: o estande receberá a visita do Clube de Ciências Pacaembu, do Colégio Estadual Pacaembu (Cascavel), um dos clubes que integram a Rede de Clubes Paraná Faz Ciência.

“Convidamos toda a comunidade a visitar o estande dos NAPIs para conhecer de perto e descobrir como a ciência paranaense trabalha. Esperamos por você”, diz a integrante do NAPI e professora da Unioeste, Fernanda Aparecida Meglhioratti.

O projeto foi desenvolvido pelo NAPI Paraná Faz Ciência, em parceria com a Fundação Araucária e Universidade Federal do Paraná

O NAPI Paraná Faz Ciência apresentou um expositor portátil de divulgação científica desenvolvido para circular por diferentes espaços e eventos. O modelo inicial foi apresentado, nesta segunda-feira (9), para o diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação, da Fundação Araucária, Márcio Spinosa. 

“É uma entrega fantástica, que traz a possibilidade de democratizar ainda mais o acesso ao conhecimento, a ciência, tecnologia e inovação. A ideia, agora, é trabalharmos numa escala que possibilite aos NAPIs apresentarem à sociedade tudo aquilo que podem oferecer”, afirma o diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação da Fundação Araucária, Luiz Márcio Spinosa. 

Serão entregues 25 exemplares do produto para a apoiar a comunicação das pesquisas realizadas por diferentes Novos Arranjos de Pesquisa e Inovação (NAPIs) do Paraná. O aparato foi pensado para ser adaptável à natureza de cada pesquisa, podendo ser montado em diferentes configurações.

O articulador do NAPI Paraná Faz Ciência, Rodrigo Reis, explica que a construção do expositor está alinhada com um dos eixos do projeto, que é a criação de estratégias de divulgação para outros NAPIs. “A ideia foi construir um aparato expositivo que pudesse atender essa diversidade de lógicas dos diferentes núcleos. Alguns trabalham com produção de materiais sólidos, líquidos, com maquetes, modelos 3D, e até focados na produção textual”, explica. 

O projeto foi desenvolvido em parceria entre a  Fundação Araucária, o Setor de Artes, Comunicação e Design, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), e a Agência Escola UFPR. 

De acordo com o professor de Design da UFPR,  Vinícius Miranda de Morais, o desafio foi criar um produto compacto, mas que tivesse grande espaço de exposição. “Ele é modular, você pode colocar os componentes em qualquer lugar do painel”, conta, enquanto mostra as diferentes peças desenvolvidas, dentre elas, um porta livros, lupa de aumento, porta cartaz, olho mágico e vitrine.

O bolsista técnico que auxiliou a criação, Giuliano Perreto, completa, explicando sobre a facilidade de uso do expositor.  “A ideia é você conseguir fechar tudo e todos os componentes irem dentro da estrutura, que você consiga desmontar e carregar como um carrinho”.

“A expectativa é que, através desses aparatos, a gente possa em eventos, em atividades de itinerância, divulgar a produção e os conhecimentos que cada um desses NAPIs produzem em parceria”, finaliza Rodrigo Reis.

Iniciativas do NAPI PRFC fortalecem a produção científica feminina

Anote: 11 de fevereiro marca a celebração do Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência. A data foi instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 2015, com o objetivo de ampliar o debate sobre a igualdade de gênero no campo científico. Atualmente, apenas 33,3% das pessoas que fazem pesquisa no mundo são mulheres, segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). 

Na contramão da porcentagem mundial, o Paraná tem se destacado como uma potência feminina na ciência, tecnologia e inovação (C&TI). Nas universidades estaduais, 51% do corpo docente e 59% dos estudantes de graduação são mulheres. 

A articuladora do Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (NAPI) Paraná Faz Ciência (PRFC), Débora Sant´Ana, reforça que o Arranjo tem um olhar especial para as meninas. “Na Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, desde a criação, as propostas estimulam ao menos 50% de participação feminina entre os estudantes. Com a expansão da Rede, destacam-se 45 clubes formados somente por meninas que, com recursos federais, desenvolvem projetos de pesquisa e divulgação científica voltados especialmente a elas”, destaca Débora.

A pós-doutoranda bolsista do NAPI PRFC, Tamara Domiciano, é uma das responsáveis pela Pesquisa de Percepção Pública de CT&I no Paraná (PPC&TI), publicada pelo NAPI. Ela conta que o trabalho do Arranjo é aproximar a ciência de mais pessoas e torná-la menos elitizada. Para ela, isso, por si só, amplia a participação de meninas e mulheres.

“Existe, no entanto, uma outra esfera da minha presença no NAPI: muitas vezes, minha bebê me acompanha no trabalho. Isso não é apenas uma escolha pessoal, mas uma forma de conciliar ciência e maternidade. A verdadeira inclusão de mães cientistas, para mim, acontece quando a presença de crianças nesses ambientes deixa de ser exceção e passa a ser natural”, conta Tamara, que defende, também, uma mudança na lógica acadêmica, já que, “mesmo com muitas mulheres e mães na ciência, a carreira ainda pressupõe dedicação exclusiva e tempo ilimitado, um modelo que historicamente favorece os homens.”

Não são apenas cientistas com longa trajetória que fortalecem a presença feminina na ciência. Estudantes do ensino fundamental e médio da rede pública do Paraná também participam da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, coordenada pelo NAPI com o mesmo nome. Maria Eduarda Cruz, do Colégio de Aplicação Pedagógica da Universidade Estadual de Maringá (UEM), vive o mundo da ciência graças ao Clube CAPCiência. “A ciência está presente em todo o processo da nossa pesquisa, desde formular hipóteses até analisar resultados e ajustar caminhos. Para nós, ainda no ensino médio, ter contato com isso por meio do Clube é uma oportunidade única de trazer a ciência para o nosso cotidiano desde cedo”, conta a estudante de 16 anos.

A colega de Clube e de classe de Maria Eduarda, Isadora Melo, diz que, graças à Rede de Clubes, pode aprimorar as habilidades de escrita científica antes mesmo de ingressar na universidade. “Também tive a oportunidade de participar da Feira de Cultura Científica Paraná Faz Ciência (FECCI), em Curitiba, e apresentar meu trabalho”, acrescenta.

Para celebrar a presença e, sobretudo, a permanência feminina na ciência, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) decidiu que, em 2026, o tema da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia será a participação de mulheres e meninas na área. Em sintonia com essa valorização de cientistas mulheres, o NAPI PRFC segue promovendo iniciativas para garantir que o Paraná se mantenha como referência na produção científica liderada pela força feminina.

Imersão do programa Futuras Cientistas aproxima meninas da universidade e fortalece o aprendizado científico coletivo no Paraná

Participantes da imersão do programa Futuras Cientistas durante atividade em laboratório no campus da UFPR em Palotina (Foto/Rocket Girls)

“A conquista de uma é a conquista de todas.”

A frase emerge da experiência vivida por meninas de diferentes cidades do Paraná durante a imersão proporcionada pelo programa Futuras Cientistas, no mês de janeiro de 2026. Ao longo de uma semana, a convivência intensa, os desafios compartilhados e o contato com a rotina universitária reorganizaram a forma como o aprendizado científico se constrói. Com um relato dessa experiência, o C² comemora o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência em 11 de fevereiro. 

A etapa presencial do programa Futuras Cientistas, no Paraná, foi organizada pelo Rocket Girls: Meninas nas Ciências, projeto de extensão do Setor Palotina, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), voltado à aproximação de meninas da educação básica com o ambiente universitário. Após semanas de atividades on-line, o encontro presencial ocorreu no campus da UFPR, em Palotina.

Ao todo, 26 participantes de diferentes regiões do Paraná integraram a terceira edição da imersão no estado. Para algumas delas, chegar até Palotina significou viagens de até doze horas, um deslocamento que faz parte da própria proposta formativa da iniciativa. Ao compartilhar alojamento, rotinas e atividades acadêmicas, as meninas passaram a vivenciar a universidade não como visita, mas como experiência cotidiana.

“O fato de você saber que não está sozinha, saber que existem outras meninas, de tantos lugares, que também querem estar ali, é incrível”, conta Elisa Namie Lopes Guimarães, do clube Little Scientist.

Entre oficinas de confecção e lançamento de minifoguetes, atividades em laboratórios e momentos de convivência, a formação também se deu no encontro entre as meninas. Para as participantes, estar em um espaço onde outras jovens compartilham interesses semelhantes transforma a forma de aprender e de se perceber na ciência.

Ao longo da imersão, essa vivência coletiva também tensiona imagens cristalizadas sobre quem pode ocupar o lugar da ciência. Longe do estereótipo do cientista solitário, masculino ou associado à genialidade excêntrica, as participantes circulam pelos laboratórios sendo quem são: adolescentes que usam maquiagem, acessórios, unhas coloridas e roupas que expressam sua identidade. 

Nesse contexto, aprender ciência não exige apagar traços pessoais ou assumir um personagem, mas reconhecer que o fazer científico comporta múltiplas formas de existir. A aproximação com a universidade, nesse cenário, também passa por desnaturalizar modelos restritos de cientistas e ampliar as possibilidades de identificação.

Assim, a dinâmica construída entre as jovens desafia uma lógica frequentemente associada à formação científica, marcada pela comparação de desempenhos e pela competição. No convívio diário, o aprendizado se fortalece justamente quando é compartilhado: ideias circulam, se conectam e ganham novas formas a partir do diálogo e do afeto. Nesse ambiente, o avanço de uma participante não é visto como parâmetro de disputa, mas como referência possível, capaz de ampliar a confiança das demais. A vivência revela que aprender ciência envolve reconhecer o esforço coletivo, compreender o erro como parte do processo e perceber que trajetórias semelhantes tornam o caminho mais acessível.

Durante a imersão do programa Futuras Cientistas, meninas participam de oficina de produção e lançamento de minifoguetes com sementes, unindo experimentação científica e ações voltadas ao reflorestamento (Foto/Rocket Girls)

Na prática, esse aprendizado se construiu em atividades realizadas nos laboratórios e nas oficinas ao longo da semana. As participantes entraram em contato com procedimentos, instrumentos e métodos que fazem parte da rotina universitária, formulando perguntas, testando hipóteses e trabalhando em grupo. O foco esteve menos na memorização de conteúdos e mais na vivência dos processos que estruturam a produção científica.

Para as estudantes, esse movimento não termina com o fim da imersão. “Depois que a gente volta, dá vontade de aplicar tudo o que aprendeu e mostrar para outras meninas que elas também conseguem fazer ciência”, afirma Giovanna Cristina de Pontes Chagas, 16 anos, que participou da imersão em 2025. Ela não integrou a edição presencial neste ano, porque a data coincidiu com seu retorno do intercâmbio realizado na Inglaterra, pelo programa Ganhando o Mundo. A experiência obtida amplia a confiança para ocupar espaços que antes pareciam distantes e reforça a ideia de que aprender ciência é um processo contínuo.

Do ponto de vista de quem acompanha as alunas, os efeitos da imersão também são evidentes. Para a professora Suelem Martins, coordenadora do clube Foguete Girls no Colégio Estadual Antônio Carlos Gomes, em Terra Roxa (PR), que acompanhou alunas pelo segundo ano consecutivo, a imersão provoca deslocamentos importantes. “É sair da zona de conforto. Mesmo com a saudade da família, o desejo de aprender se sobressai, e isso gera maturidade”, afirma.

Ao reunir participantes de diferentes territórios e trajetórias em um mesmo espaço formativo, a imersão possibilitou que as trocas fossem ampliadas e fortaleceu ainda mais o aprendizado coletivo. Segundo a docente, essa vivência não se encerra na universidade. “Esse aprendizado retorna para a escola em forma de clube de ciências”,defende.

Essas descobertas, no entanto, não se restringem às estudantes. Suelem conta que participar da imersão significou, também para ela, viver uma primeira vez. “Foi a primeira vez que dormi em alojamento. No meu período escolar, meus pais nunca permitiram esse tipo de vivência”, relata. Dividir esse momento com as alunas, segundo a professora, reforça a ideia de que a formação científica também envolve autonomia, convivência e descoberta e que essas experiências não têm idade para acontecer.

Em diálogo com o Dia Internacional de Meninas e Mulheres na Ciência, celebrado em 11 de fevereiro, a imersão ganha novos sentidos. Ao atravessarem os portões da universidade, essas meninas e jovens mulheres não apenas acessam laboratórios e métodos científicos, mas passam a se reconhecer como parte desse espaço e a construir, juntas, novos caminhos possíveis.

Em uma parceria com a Universidade, o clube articulado pelo IFPR Palmas participou das oficinas ao longo de 2025

Foto dos clubistas do Meu Mundo Melhor em visita a UFFS e após oficina sobre pomares e hortas. Na imagem, 20 alunos posam para a foto de pé e 5 integrantes do projeto de extensão da Universidade estão abaixados a sua frente, também olhando para a câmera. A maioria demonstra alegria, os estudantes estão todos uniformizados. O ambiente é sombreado por uma grande árvore ao fundo, o solo é coberto por grama e no horizonte um céu azul e mais plantas altas.
Clubistas e instrutores das oficinas no campus da UFFS, em Laranjeiras do Sul (Foto/Arquivo pessoal)

No dia 25 de novembro, o clube chopinzinhense Meu Mundo Melhor, do Colégio Estadual do Campo Santa Inês e articulado pelo Instituto Federal do Paraná – Campus Palmas, realizou a quinta e última visita do ano à Universidade Federal da Fronteira Sul, campus Laranjeiras do Sul. As visitas fazem parte dos projetos de extensão “Educação Ambiental na UFFS: A Universidade como Ambiente Educador Sustentável” e “Divulgação Científica Novos Caminhos para Um Mundo Mais Sustentável”, que oferecem oficinas interativas de educação ambiental para as escolas da região.

Sobre a sombra de uma tenda, em sua maioria sentados, os clubistas observam os três oficineiros - de costas para a câmera - em momento expositivo da oficina. Ao fundo da foto, um espaço de mata fechada e, mais próximo ao grupo, uma horta, e a placa colorida “mandala mágica”. O ambiente exala curiosidade por parte dos estudantes.
Clubistas e instrutores durante a oficina de Horta Mandala (Foto/Arquivo Pessoal)

Nas duas últimas oficinas, realizadas em novembro do ano passado, o clube participou das atividades interativas “Horta Mandala” e “Áreas Experimentais e Pomar”. Nelas, os estudantes puderam compreender como a combinação de diferentes espécies favorece o desenvolvimento das plantas, conhecer o papel das plantas indicadoras e observar estratégias de controle natural de pragas a partir do uso de vegetais. A atividade ainda apresentou formas de organização do cultivo que facilitam o manejo diário, otimizam a irrigação e permitem a convivência entre diferentes sistemas produtivos.

Três clubistas agachados plantam juntos uma muda de árvore em um espaço de mata, ao fundo, árvores preenchem o ambiente, próximos aos três estudantes, outros parecem estar em um diálogo. Uma pessoa da universidade observa e outra tira foto da ação do plantio. O espaço é verde, com plantas por todos os lados, crescendo livremente.
Durante a Trilha da Nascente, clubistas plantam uma muda em espaço dedicado às araucárias (Foto/Arquivo)

Entre as oficinas, um passeio por trilha guiada em área de nascente e reserva ambiental, uma visita à Central de Resíduos – onde foram abordadas questões referentes à reciclagem e recursos naturais – e a oficina “Biodigestor” – sobre energia limpa. Para o clube, as atividades aproximam os estudantes do ambiente universitário e ampliam sua compreensão sobre processos científicos e práticas sustentáveis que dialogam com os projetos desenvolvidos no clube. 

Três pessoas estão agachadas manipulando materiais orgânicos sobre o chão, entre elas um clubista. Uma delas segura um recipiente transparente enquanto outra coloca materiais dentro dele, e a terceira auxilia no processo. Ao fundo, há um conjunto de caixas verdes empilhadas e outras pessoas em pé, parcialmente visíveis. A cena ocorre em um espaço externo com grama seca e folhas espalhadas.
Estudantes do Meu Mundo Melhor em oficina interativa sobre biodigestor (Foto/Arquivo Pessoal)

Com essa visita, o clube encerrou um ciclo de sete encontros voltados à ampliação do repertório científico dos alunos e ao fortalecimento das práticas que já desenvolvem na escola — como horta, pomar, compostagem e manejo de abelhas sem ferrão. As oficinas contribuíram para que os estudantes percebessem como os conhecimentos explorados no clube se relacionam com pesquisas e metodologias aplicadas na universidade, contribuindo para a construção de um mundo melhor, que atravessa os muros das instituições de ensino.

Colégio Guilherme de Almeida celebra a ciência aplicada com projetos de alunos sobre saúde, prevenção de doenças e bem-estar em Santa Izabel do Oeste

Um grupo de pessoas, composto por uma professora e estudantes, está posicionado em um palco de madeira dentro de uma sala escolar. Eles estão alinhados lado a lado, alguns com os braços cruzados e outros com as mãos ao lado do corpo. A maioria usa uniformes escolares em tons de azul, branco e cinza. Ao fundo, há uma cortina azul e, no lado direito, um projetor que exibe o portfólios de projetos dos alunos. Todos com expressões tranquilas e sorridentes, reunidos para uma apresentação escolar.
Clubistas e professoras do Colégio Guilherme de Almeida (Foto/Jean F. Gomes)

O Colégio Estadual Guilherme de Almeida, em Santa Izabel do Oeste (PR), sediou, no dia 26 de novembro, o evento de Culminância, que celebrou as atividades desenvolvidas pelos alunos do Ensino Integral ao longo do ano passado. Em destaque estava o Clube de Ciências Saúde em Foco, apresentando projetos dedicados à promoção do bem-estar e alinhados à ODS 3 (Saúde e Bem-estar).

Coordenado pela professora Franciele Carla Soares, o clube tem feito um trabalho de excelência, refletido na qualidade e relevância de seus estudos, que buscam garantir o acesso à saúde e promover o autocuidado individual e coletivo na comunidade.

Pesquisa e Parceria Contra Doenças

No evento, o Clube de Ciências Saúde em Foco apresentou iniciativas de grande importância social, incluindo a Campanha de Doação de Sangue e a produção de Repelente Caseiro como medida prática no combate à dengue.

Em um trabalho de grande relevância, os clubistas utilizaram como base o estudo da doutora Carolina Panis, sobre a exposição a agrotóxicos e a incidência de câncer de mama em mulheres agricultoras do Sudoeste do Paraná. 

A partir de coletas de dados no colégio, a professora Franciele Carla Soares observou que a maioria dos alunos desconhecia os cuidados necessários no manuseio e aplicação de agrotóxicos, bem como os procedimentos adequados para a limpeza de roupas e equipamentos. Essa falta de informação evidenciou um cenário de risco para trabalhadores, suas famílias e a comunidade.

Diante dessa realidade, os clubistas desenvolveram o panfleto “Agrotóxicos e o Câncer de Mama” para conscientizar as famílias de Santa Izabel do Oeste envolvidas na agricultura. Este projeto teve apoio do Sicredi Fronteiras para impressão dos panfletos e divulgação do trabalho do clube. Esse apoio ampliou o alcance da informação sobre agrotóxicos e câncer de mama, permitindo que mais pessoas tivessem acesso às informações.

Panfleto “Agrotóxicos e o Câncer de Mama” produzido pelos clubistas (Foto/Franciele Carla Soares)

Apoio Institucional e Reconhecimento

O trabalho do Clube Saúde em Foco recebeu apoio e acompanhamento contínuo de instituições essenciais. O Núcleo Regional de Educação (NRE) de Francisco Beltrão, representado pela técnica pedagógica Aline Bernart Vannini, e a Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) – Campus Realeza (PR), representada pela professora doutora Cláudia Fioresi, coordenadora do projeto Rede de Clubes Paraná Faz Ciência pela UFFS. Ambas contribuíram ativamente com ações que apoiaram os clubistas na promoção do conhecimento e da conscientização sobre práticas saudáveis e prevenção de doenças.

Dedicação à Ciência e ao Impacto Positivo

A Culminância serviu como uma retrospectiva do trabalho feito com eficiência. Ao final da exposição, a professora Franciele Carla Soares, coordenadora do clube, comentou sobre a jornada. “Sinto uma imensa gratidão por tudo o que vivenciamos e construímos neste ano de 2025, no Clube de Ciências Saúde em Foco. Cada pesquisa, cada conversa com a comunidade, cada parceria fechada, cada estudo aprofundado e cada desafio superado representaram passos importantes em uma caminhada feita com dedicação, curiosidade e responsabilidade. Agradeço por cada aluno que acreditou no projeto, cada parceria que abriu caminhos e pelos momentos em que a aprendizagem se transformou em ação”, celebrou a docente. 

Para ela, os resultados alcançados não são apenas atividades concluídas, mas um reflexo do esforço coletivo, do compromisso com a ciência e do desejo sincero de gerar impacto positivo na vida das pessoas. “Quando trabalhamos com propósito e união, a ciência floresce — e transforma!”, finalizou. 

O empenho da professora Franciele e o compromisso dos estudantes com a ODS 3 estabelecem o Clube de Ciências Saúde em Foco como um modelo de ciência e saúde pública voltada à comunidade em Santa Izabel do Oeste.