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II WORKDHOP DO NAPI PARANÁ FAZ CIÊNCIA

O retorno das atividades tem apoio de professores e da bolsista pedagógica Bruna Duarte; iniciativa visa fortalecer o protagonismo estudantil

Grupo de estudantes reunidos em uma sala, sorrindo e próximos à câmera em um momento de interação. A imagem parece ser de uma videochamada, com a bolsista pedagógica Bruna visível em um quadro menor no canto direito, também sorrindo.
Clubistas retomam as atividades em 2026 com acompanhamento remoto da bolsista pedagógica Bruna (Reprodução/GoogleMeet/ Bruna Duarte)

Os Clubes de Ciência de Paranavaí e municípios da região noroeste do Paraná estão retomando suas atividades com força renovada. A iniciativa, que busca incentivar o pensamento científico, a curiosidade e a aprendizagem prática entre estudantes, volta a contar com o acompanhamento direto dos orientadores e o suporte pedagógico da bolsista Bruna Marques Duarte.

Os clubes funcionam como espaços de experimentação e investigação, onde alunos têm a oportunidade de desenvolver projetos científicos, participar de feiras e aprofundar conhecimentos além da sala de aula tradicional. Com a retomada, educadores destacam o entusiasmo dos estudantes e o impacto positivo na formação acadêmica e pessoal.

Estudantes reunidos em sala de aula, sentados ao redor de uma mesa com cadernos e materiais escolares. Uma professora aparece em primeiro plano sorrindo, enquanto a bolsista pedagógica Bruna participa por videochamada em destaque na lateral da tela
Alunos apresentam atividades e registros das investigações durante encontro orientado pela bolsista Bruna (Reprodução/GoogleMeet/ Bruna Duarte)

Além dos encontros presenciais, também estão sendo realizadas reuniões online com estudantes e professores, voltadas à discussão e ao acompanhamento do desenvolvimento das investigações nos clubes. A proposta é orientar o trabalho investigativo de forma progressiva, contribuindo para que os alunos se tornem cada vez mais autônomos na condução de seus projetos. 

A bolsista pedagógica Bruna Duarte tem desempenhado papel fundamental nesse processo, auxiliando na organização das atividades, no planejamento de oficinas e no acompanhamento dos grupos. Sua atuação contribui para integrar teoria e prática, além de apoiar os professores na condução dos projetos.

Grupo de estudantes e um professor em sala de aula, organizados em fileiras de carteiras. Um dos alunos segura um caderno aberto. Na tela, a bolsista Bruna aparece em vídeo chamada, acompanhando a atividade
Momento de integração entre estudantes, orientador e bolsista pedagógica durante reunião (Reprodução/GoogleMeet/ Bruna Duarte)

Bruna já realizou orientações com quatro clubes, sendo eles: Clube Bioessence de Santo Antônio do Caiuá; Clube Eco Historiadores, de São Pedro do Paraná; Clube Pesquisa-Ação, de Inajá e Clube Conexão, de Nova Esperança.

“A orientação acontece como um processo de construção conjunta, em que os estudantes vão desenvolvendo sua pesquisa aos poucos, por meio de conversas, questionamentos e reflexões em grupo. Nesse caminho, eles escolhem o tema, formulam perguntas, definem objetivos, decidem como pesquisar e analisam os resultados. Assim, a orientação não é dar respostas prontas, mas apoiar os alunos para que se tornem mais autônomos, críticos e participativos na construção do conhecimento”, conta a bolsista pedagógica.

Estudantes reunidos em sala de aula, posando juntos e sorrindo para a câmera. Ao lado, em uma janela de videochamada, a bolsista pedagógica Bruna também aparece sorrindo, indicando participação remota no encontro do clube
Clubistas realizam acompanhamento remoto com a bolsista Bruna (Reprodução/GoogleMeet/ Bruna Duarte)

A retomada dos Clubes de Ciência reforça o compromisso das escolas da região com uma educação mais dinâmica, investigativa e conectada com os desafios contemporâneos. A expectativa é de que, ao longo do ano, mais estudantes se envolvam nas atividades e novos projetos ganhem destaque em feiras e mostras científicas.

Com o apoio coletivo de professores, estudantes, bolsistas pedagógicos e da UNESPAR, os Clubes de Ciência voltam a ocupar um espaço essencial na formação de jovens pesquisadores em Paranavaí e região.

Mais do que um projeto educacional, a ação se consolida como um ambiente de incentivo à investigação, ao pensamento crítico e à construção colaborativa do conhecimento.

Alunos do Clube de Ciências Bagrinhos do Bento promoveram ações de conscientização no Dia Mundial da Água

Alunas apresentam experimento sobre qualidade da água, com uso de vidrarias e microscópio, diante de colegas em sala de aula com cartazes científicos ao fundo.
Alunas do Clube de Ciências Bagrinhos do Bento demonstram experimento sobre pH da água durante apresentação (Foto/Andreia Petruy)

Em celebração ao Dia Mundial da Água, comemorado em 22 de março, alunos do Clube de Ciências Bagrinhos do Bento, de Paranaguá, promoveram uma série de apresentações educativas voltadas aos estudantes do 6º e 7º anos. O tema central foi o estudo do pH da água e as doenças relacionadas à sua contaminação.

A atividade, realizada no ambiente escolar, reuniu diversas turmas em momentos de aprendizado interativo. Durante as apresentações, os próprios alunos explicaram a importância do equilíbrio do pH da água para a saúde humana, além de alertarem sobre os riscos do consumo de água contaminada.

Professora Andreia Petruy apresenta conteúdo sobre qualidade da água para alunos sentados em cadeiras, em sala com cartazes científicos ao fundo.
Professora Andreia é a orientadora dos trabalhos apresentados pelo Clube de Ciências Bagrinhos do Bento, em Paranaguá (Foto/Andreia Petruy)

Por meio de experimentos práticos, como a observação em microscópio e demonstrações com diferentes substâncias,  os alunos puderam compreender conceitos científicos na prática. Painéis informativos e maquetes complementaram a experiência, tornando o conteúdo mais dinâmico e facilitando a aprendizagem.

Além das atividades experimentais, os clubistas também abordaram doenças transmitidas pela água imprópria para consumo, reforçando a relevância do saneamento básico e de hábitos de higiene no dia a dia.

Grupo de estudantes posa para foto em sala de aula, ao lado de professora Andreia Petruy, após a apresentação dos trabalhos.
Integrantes do Clube de Ciências Bagrinhos do Bento, responsáveis pelo projeto apresentado a alunos do ensino fundamental (Foto/Andreia Petruy)

A iniciativa teve como principal objetivo despertar a consciência ambiental e estimular o pensamento científico entre os estudantes, evidenciando a educação como ferramenta fundamental para a preservação dos recursos naturais.

O projeto também ganhou destaque fora da escola, sendo apresentado e premiado em duas importantes feiras científicas em 2025, a FECCI e a Feira do Litoral da UFPR

Alunos apresentam experimento científico para colegas sentados, utilizando materiais e painel explicativo sobre água.
Estudantes demonstram experimentos sobre qualidade da água durante ação educativa no Dia Mundial da Água (Foto/Andreia Petruy)

Orientados pela professora Andreia Petruy, os alunos seguem desenvolvendo pesquisas na área, com foco na conscientização de que preservar a água é cuidar do planeta e garantir qualidade de vida para as futuras gerações.

Para saber mais sobre sobre os Clubes de Ciências, siga pelo Instagram o perfil da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência @clubesparanafazciencia e pelo site Paraná Faz Ciência.

Com o novo laboratório de ciências do Colégio Eugênio de Almeida, os clubistas do Ouro Verde estão entre os beneficiados

Na foto, um grupo de pessoas, entre professores, autoridades e membros da comunidade escolar estão em frente a entrada do laboratório de ciências durante sua inauguração. As pessoas aplaudem e demonstram alegria. A porta do espaço é decorada com desenhos em ícones representando ciência e pesquisa, como uma lupa, um livro, um DNA, etc, a arte é de Jamille V. Piovesan. Também é possível observar escrito na porta: Laboratório de Ciências Professora Adélia Lúcia Janik Piovesan. Uma fita vermelha está esticada na frente da porta e está sendo cortada com uma tesoura. O ambiente parece ser o interior de uma escola, com painéis de cortiça nas paredes e uma pintura colorida acima da porta, enquanto pequenos pedaços da fita já aparecem no chão, indicando o momento da abertura oficial do espaço.
A inauguração do novo Laboratório de Ciências Professora Adélia Lúcia Janik Piovesan, no Colégio Estadual Eugênio de Almeida (Foto/Edinei Cruz/Portal RDX)

No final do mês de fevereiro, foi inaugurado o Laboratório de Ciências Professora Adélia Lúcia Janik Piovesan, no Colégio Estadual Eugênio de Almeida. O novo espaço em São Mateus do Sul vai ampliar as possibilidades de ensino, beneficiando toda a comunidade escolar e também as possibilidades de pesquisa, especialmente para os estudantes do Cube de Ciências Ouro Verde.

A cidade de São Mateus do Sul é um polo produtor de erva-mate e o Clube Ouro Verde tem a planta como tema geral de pesquisa, além de pequenos projetos que partem do interesse de cada clubista. Em 2025, o clube participou de diversos eventos como o Ciclo de Encontros da Semana da Biologia, na UNOPAR de União da Vitória, do 5º Paraná Faz Ciência, em Guarapuava, e da primeira edição da Feira de Cultura Científica (FECCI), em Curitiba. Inclusive, na FECCI, o clube ficou com  o 3º lugar na premiação Década dos Oceanos, na categoria Jovem.

O novo laboratório

O nome do laboratório é uma homenagem à professora Adélia Lúcia Janik Piovesan, que fez parte da comunidade escolar Eugênio de Almeida. A escolha do nome busca registrar sua passagem pela instituição e manter sua memória vinculada às atividades educacionais do colégio. A construção do espaço de pesquisa contou com um investimento de R$100 mil, viabilizado por meio de recursos públicos destinados à melhoria da infraestrutura escolar.

Os estudantes já estão utilizando o local para suas atividades, de acordo com a professora Rosana Wichineski de Lara de Souza, e uma das práticas foi uma extração de DNA. Estão também programadas atividades de extração de óleo essencial, micropropagação vegetativa, uma espécie de geração de clones da planta-mãe, e a fabricação de sabonetes.

A professora Rosana comentou ainda que os alunos estão empolgados e que, juntamente com os equipamentos adquiridos por meio da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, o novo espaço tem permitido ampliar as experiências práticas realizadas pelo grupo.

Acompanhe as atividades dos clubes de ciências pelo Instagram da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência @clubesparanafazciencia  ou aqui pelas notícias do site Paraná Faz Ciência.

Com foco em botânica e astronomia indígena, estudantes do Turvo levam seus saberes até a capital federal

Quatro homens jovens estão lado a lado, posando para uma foto em um espaço moderno com plantas ao redor. Eles usam camisetas claras iguais, com crachás pendurados no pescoço, indicando participação em um evento. Dois deles estão com mochilas. O homem à direita estende o braço, como se estivesse tirando uma selfie ou convidando alguém para a foto. Ao fundo, há um ambiente com cobertura, paredes de vidro e bastante vegetação, sugerindo um local de evento ou instituição.
Alunos e o professor do clube Luan Felipe de Lima no Encontro Nacional Mais Ciência na Escola, em Brasília (Foto/Arquivo Pessoal)

Entre os dias 24 e 26 de março, foi realizado em Brasília o Encontro Nacional Mais Ciência na Escola, que reuniu quatro clubes da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência Maker, além de pesquisadores, educadores e autoridades de todo o Brasil. Um dos quatro clubes makers selecionados foi o Pỹn fĪfĪ, que em português significa cobra-coral, do Colégio Indígena Cacique Otávio dos Santos, localizado na Terra Indígena Marrecas, no município de Turvo.

Articulado pela Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), o clube levou à capital federal dois de seus clubistas, Adair Kãvigmc Luiz e Wesley Krynhkryj Mathias, o professor responsável pelo clube de ciências do colégio, Luan Felipe de Lima, e o professor Claudinei Pranch, representante da liderança indígena. O clube indígena tem como suas principais linhas de pesquisa os ciclos reprodutivos da Araucaria angustifolia, plantas medicinais tradicionais e astronomia Kaingang.

A seleção para o encontro nacional se deu por meio de um vídeo gravado pelos estudantes, detalhando a organização, os aprendizados e os desafios do grupo em um clube de ciências Maker. Entre os destaques do vídeo, foi apresentado o estudo sobre os ciclos da Araucaria angustifolia, que investiga a relação entre a exploração humana e o desenvolvimento dos estróbilos (pinhões), em uma espécie de árvore que é vital para a economia e cultura local. 

Outra linha de pesquisa apresentada pelo clube foi a análise sobre plantas medicinais, sugerida pela aluna Elizângela (Kamurã), de modo a preservar o conhecimento tradicional Kaingang sobre essas plantas e seus usos pelo grupo, garantindo que sua cultura siga viva e adaptável. Recentemente, por iniciativa da aluna Jennifer Mendes, o grupo também passou a registrar a astronomia Kaingang, resgatando saberes ancestrais sobre os ciclos das estações do ano e fenômenos celestes observados a partir da Terra Indígena de Marrecas.

De acordo com o professor Luan Felipe, o diferencial para a escolha do grupo foi a identidade e a maturidade do projeto. “Acredito que o que mais pesou foi o fato de sermos um colégio indígena com um clube funcional e diversas linhas de pesquisa que já haviam sido apresentadas em outros eventos. Isso casava perfeitamente com a proposta do encontro em Brasília”, destacou o responsável pelo projeto no colégio.

Os quatro clubes Makers da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência Maker que participaram do primeiro Encontro Nacional Mais Ciência na Escola, em Brasília (Foto/Arquivo pessoal)

Durante a programação em Brasília, promovida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o Pỹn fĪfĪ participou de diversas atividades que incluíram a transmissão de vídeos institucionais e uma mesa temática sobre políticas públicas de Educação, Ciência e Tecnologia. O evento também promoveu debates entre alunos, professores e coordenadores sobre os desafios da ciência na escola, em encontros com grupos simultâneos. Entre as autoridades presentes, estavam o Secretário de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Social do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Inácio Arruda, e a Diretora do Departamento de Popularização da Ciência, Tecnologia e Educação Científica do Ministério, Juana Nunes.

Para o professor Luan Felipe, o encontro em Brasília serviu principalmente para ouvir os desafios e os acertos de cada estado na prática. Ele destaca que o evento não foi uma feira de ciências comum, mas um espaço para discutir como os projetos estão funcionando de verdade nas escolas. “O que mais chamou atenção foram relatos de colegas de outros estados com dificuldades de tempo para o bom funcionamento do projeto. Há lugares onde se mudou o conceito de aula eletiva, transformando-as em reforço de Português e Matemática e querendo deixar o clube de ciências apenas para o contraturno”, alertou o professor.

Luan também pontuou as barreiras físicas que muitos educadores enfrentam pelo Brasil. “Existem lugares onde o aumento da carga horária não veio acompanhado de investimentos nas escolas, o que torna impossível dar continuidade real ao programa. Pode ser que, quando algumas escolas finalmente tiverem espaço para montar um laboratório, os equipamentos já estejam estragados pelo tempo, dificultando o trabalho”, concluiu.

Os alunos dos clubes makers ganharam jalecos como um incentivo para continuarem no mundo da ciência (Foto/Arquivo Pessoal)

Para os clubistas Adair e Wesley, que representaram o Turvo no Distrito Federal, a experiência foi transformadora. Além de conhecerem a capital do país, o ponto alto da viagem foi a visita ao Laboratório Maker do SESI, onde puderam ter contato com tecnologias de ponta. “O que mais nos marcou foi ver como funciona um laboratório de inovação. Vimos, por exemplo, como se faz uma animação profissional, usando um software com uma câmera que permitia ver a ‘sombra’ da imagem anterior para criar o movimento quadro a quadro”, relatou Adair, fascinado com as possibilidades da técnica de animação.

O professor Luan Felipe acredita que a viagem trouxe benefícios imensuráveis tanto para os alunos, quanto para o futuro do Pỹn fĪfĪ. Ele destaca que, embora apenas cerca de 2% dos clubes de ciências nacionais sejam dedicados a escolas indígenas, a troca de experiências em Brasília foi fundamental. “Certamente a experiência foi extremamente positiva. É ótimo ver a troca de perspectivas, conhecer outras realidades e compartilhar dificuldades e sucessos. Meus alunos são bem tímidos e não possuem o português como primeira língua, então essas interações são ótimas para desenvolver a socialização e a valorização do que possuem de diferente”, avaliou o professor.

Acompanhe mais atividades dos Clubes de Ciências pelo Instagram da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência @clubesparanafazciencia e pelo site Paraná Faz Ciência.

Alunos do CEEBJA de Foz exploram criatividade e investigação científica com atividades mais dinâmicas

Esta imagem mostra uma atividade de estudo ou análise científica em uma mesa. Uma pessoa está escrevendo em um caderno com um lápis. O caderno tem muitas anotações e textos, provavelmente de uma atividade prática. Sobre a mesa há: Outro caderno aberto, Uma borracha, Post-its coloridos. Em frente ao caderno há uma caixa com divisões, contendo: pequenos fragmentos de plantas, folhas verdes, musgos ou material vegetal. A caixa tem compartimentos, indicando que os materiais estão organizados para observação ou classificação.
Os alunos usam arte para estudar ciência (Foto/Arquivo Pessoal)

Você já ouviu aquela frase “Nunca é tarde para aprender algo novo”? Ela sofre variações, claro, mas aqui o sentido é o mais importante. O clube Conexões Criativas, de Foz do Iguaçu, é a prova de que incentivar conhecimento nunca é demais, principalmente se for feito de forma lúdica e divertida. A equipe pertence ao Centro Estadual de Educação Básica de Jovens (CEEBJA) Adultos Ourides Balotin Guerra.

O CEEBJA oferece a conclusão do Ensino Fundamental e Médio de forma gratuita para pessoas que não finalizaram os estudos na idade regular. Porém, para que os alunos sintam-se engajados durante esse processo, é fundamental que as aulas valorizem o conhecimento prévio enquanto promovem o protagonismo e despertam a curiosidade.

Partindo desses princípios, o clube de ciências tem como objetivo estimular a participação dos estudantes com práticas artísticas. “Como no CEEBJA as turmas semestrais são de EAD [Educação a Distância], tenho uma grande rotatividade de alunos. Preciso trabalhar com os alunos de forma mais dinâmica em sala de aula”, explica Ana Claudia Seabra Freitas, professora coordenadora.

A imagem mostra uma atividade manual ou artesanal sendo realizada sobre uma mesa. No centro da imagem, uma pessoa usa uma jaqueta acolchoada rosa e segura um copo plástico transparente inclinado sobre uma forma de silicone roxa com vários compartimentos. Dentro desses compartimentos há peças decorativas coloridas, muitas em formato de corações, feitas com glitter e cores variadas, como dourado, verde, azul, vermelho e rosa. O copo parece estar sendo usado para despejar líquido, possivelmente resina ou outro material utilizado para moldagem. À esquerda, outra mão segura um utensílio semelhante a uma espátula, auxiliando no trabalho. Ao redor da mesa há diversos materiais de artesanato, como um furador de papel, tesoura, papéis decorativos e outros objetos de trabalho manual.
Atividade com folhas e flores em resina (Foto/Arquivo Pessoal)

O nome completo do projeto é Clube Conexões Criativas – integrando saberes entre Arte e Ciências. As atividades são realizadas na disciplina de Artes, que funciona como eixo articulador entre diferentes áreas do conhecimento (Biologia, Química e Português). Entre as ações desenvolvidas, estão o trabalho com folhas esqueletizadas e imersão na resina. A ideia é estudar elementos naturais, destacando padrões e explorando as propriedades de preservação.

A imagem mostra um painel artístico de uma árvore sobre um fundo branco. O tronco e os galhos da árvore são desenhados ou pintados em tom de cinza. Sobre os galhos estão coladas folhas secas reais, de cor bege ou amarelada. As folhas parecem estar secas e prensadas, algumas com marcas naturais e pequenas rasuras. A composição lembra um trabalho escolar ou artístico de botânica, misturando desenho com elementos naturais. O painel parece estar sobre uma superfície escura, visível nas bordas da imagem.
Atividade com folhas esqueletizadas (Foto/Arquivo Pessoal)

Na Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, a equipe recebe apoio da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA). Segundo a professora Ana, os alunos têm feito coisas mais simples enquanto o clube aguarda receber as compras dos materiais. “Minha maior expectativa é que a resina, bandejas de silicone e demais utensílios cheguem para que eu consiga trabalhar de forma mais prática o projeto. Pretendo também participar de exposições”, revela.

Clube de Ciências de Borrazópolis une ações de reflorestamento a açãoes de debate público

Um grupo grande de estudantes e adultos está reunido dentro de um auditório ou sala de eventos. Eles estão organizados em um semicírculo ao redor de uma mesa com computador e projetor, posicionada no centro da sala. Ao fundo, há uma tela de projeção e uma parede verde com a inscrição “Câmara Municipal de Borrazópolis”. A maioria dos estudantes veste uniforme escolar em tons de azul, branco e cinza. Alguns adultos estão ao lado do grupo, usando roupas casuais ou de trabalho. Várias pessoas sorriem e algumas fazem gesto de positivo com o polegar, demonstrando entusiasmo. O espaço é iluminado por lâmpadas fluorescentes no teto quadriculado, e o piso é de cerâmica clara. A imagem transmite a ideia de um encontro educativo ou apresentação coletiva em um espaço público.
Jovens pelo Clima na Audiência do Plano Municipal de Saneamento Básico (Foto/Eliana A. da Silva)

Em Borrazópolis, a educação científica ultrapassou os muros da Escola Estadual Humberto de Alencar Castelo Branco para ocupar as cadeiras da Câmara de Vereadores. O clube de ciênciasJovens Pelo Clima, coordenado pela professora Eliana Aparecida da Silva, tem se destacado não apenas pelo trabalho na horta e cozinha escolar, mas por sua participação ativa em debates públicos e nas decisões políticas do município para o meio ambiente.

No dia 4 de março, os integrantes do clube participaram da Audiência Pública para a Revisão e Atualização do Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB) de Borrazópolis. Durante o evento, realizado pela SANEPLAN com contribuições da SANEPAR, os alunos acompanharam o diagnóstico e o prognóstico da cidade em quatro eixos fundamentais: abastecimento de água, esgotamento sanitário, gestão de resíduos sólidos e drenagem urbana.

“A participação na audiência permitiu que os alunos compreendessem a complexidade da gestão pública e a importância de dados técnicos para a qualidade de vida da população,” destaca a professora Eliana Aparecida da Silva.

Um histórico de diálogo e ação prática

A presença dos jovens na Câmara de Vereadores é o resultado natural de um diálogo constante entre as autoridades locais e a comunidade escolar. Desde 2025, o clube vem consolidando parcerias estratégicas em ações que unem teoria e prática:

Setembro de 2025: Os alunos retornaram à Estação Ecológica para um novo plantio de mudas, desta vez focando na preservação da mata ciliar do Rio Ivaí.

E, em 2026, o trabalho do clube com a preservação do meio ambiente continua, pois na semana após a audiência pública, o clube reuniu-se novamente com a Secretaria Municipal do Meio Ambiente para traçar as metas e ações de impacto ambiental a serem realizadas pelos clubistas durante o restante do ano.

A movimentação dos clubistas em espaços públicos de debates é essencial para que os alunos se percebam como parte integrante da sociedade civil e agentes de mudança, desenvolvendo o senso crítico necessário para a construção de um ambiente recuperado e um futuro sustentável.Acompanhe mais atividades dos clubes de ciências pelo Instagram da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência @clubesparanafazciencia e aqui pelo site Paraná Faz Ciência.

Quatro clubes já foram visitados e estão previstas visitas em Ponta Grossa e na região de União da Vitória

Na foto, uma sala de aula com quadro ao fundo e três pessoas em pé conversando: a professora regente, a articuladora da UEPG e a bolsista responsável pelo clube. À frente, estudantes estão sentados em mesas organizadas em grupos. Há um monitor ligado em uma apresentação de slides sobre o dia da água, tema da atividade realizada pelos clubistas no dia da visita.
O primeiro clube a receber a visita da equipe da UEPG foi o Ciência em Ação, do Colégio Estadual Amálio Pinheiro, em Ponta Grossa (Foto/ Talula)

Retomando o acompanhamento das atividades dos clubes, articuladoras e bolsistas técnicos da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) iniciaram em março, as primeiras visitas de 2026 às instituições de ensino com clubes de ciências. As primeiras unidades a receberem o grupo foram os clubes Ciência em Ação, do Colégio Estadual Amálio Pinheiro; Feras Científicas, do Colégio Estadual Sirley Jagas; Cabeceira do Rio Iapó, do Colégio Estadual Antônio e Marcos Cavanis; e o EcoIndoor, do Colégio Estadual de Ensino Profissional Olegário Macedo.

As visitas têm como objetivo compreender de forma mais aprofundada as atividades desenvolvidas em cada clube, bem como identificar demandas específicas, orientar práticas pedagógicas e acompanhar o desenvolvimento dos projetos. Além disso, os encontros buscam fortalecer a integração entre estudantes, professores responsáveis pelos clubes e as equipes de gestão escolar.

No dia 19 de março, a visita foi ao Ciência em Ação em Ponta Grossa. A principal meta do Clube é a criação de um espaço verde na escola, visando promover a educação ambiental, o contato dos alunos com a natureza e o desenvolvimento de práticas sustentáveis. A pesquisa a respeito do espaço emergiu como demanda dos clubistas no ano passado, e agora, para que a ideia seja concretizada, ainda são necessários alguns materiais e para isso a visita é importante: a solicitação de recursos passa pelos bolsistas técnicos.

Na semana seguinte, as visitas ocorreram em Castro, nos clubes Cabeceira do Rio Iapó e EcoIndoor. No clube EcoIndoor, houve mudanças na escola, com a substituição do ensino técnico integrado para a modalidade em tempo integral.Isso impactou no número de alunos e na composição da turma, que agora faz parte de uma disciplina eletiva. As eletivas são oferecidas apenas aos alunos dos primeiros e segundos anos, e vários clubistas do ano passado ou se formaram ou não têm eletivas no segmento de ensino.

Esse aumento no número de alunos e a mudança para disciplina eletiva impactam diretamente na continuidade das pesquisas e exigem um esforço maior por parte dos professores e do Bolsistas-Técnicos de Nível Superior (BTNS) Pedagógicos que apoiam os clubes.

1. A foto mostra um grupo de clubistas reunido em torno de uma mesa em um laboratório, iluminado por luz natural que entra pelas janelas ao fundo. Uma das pessoas está sentada e parece explicar ou mostrar algo em um papel, enquanto as outras observam atentamente, incluindo Fernanda, que está de costas para a câmera. Há materiais sobre a mesa, os estudantes estavam escrevendo seus projetos. Ao fundo, é possível ver uma pia e alguns objetos encostados na parede.
A bolsista pedagógica Fernanda em visita ao Clube Ecoindoor, em Castro (Foto/Talula)

Fernanda Beatriz ingressou como bolsista pedagógica da Rede de Clubes no final de 2025 e acompanha algumas das escolas citadas. Até então, havia conhecido pessoalmente apenas um clube, por isso, as visitas ainda são uma novidade para ela. Segundo Fernanda, ir até o colégio faz diferença tanto para os BTNS e outros membros da equipe, quanto para os professores clubistas, pois o contato presencial fortalece bastante o diálogo. Além disso, conhecer a escola de perto permite compreender melhor a realidade, as formas de organização, necessidades materiais, as atividades desenvolvidas e os espaços de trabalho.

A agenda de acompanhamento segue ao longo das próximas semanas, com visitas previstas aos demais clubes de ciências de Ponta Grossa e também uma viagem ao núcleo de União da Vitória, com duração de uma semana. Durante esse período, sete escolas da região deverão ser visitadas.

Acompanhe mais atividades dos Clubes de Ciências pelo Instagram da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência @clubesparanafazciencia e pelo site Paraná Faz Ciência.

O evento reuniu educadores e estudantes para debater cultura científica e resultados dos laboratórios makers em escolas públicas

Uma foto em close de três pessoas sorrindo e posando para a câmera em frente a um painel branco de eventos. No centro está o professor Pedro Paulo, um homem de pele morena, careca e de barba, usando óculos de sol pendurados na gola de uma camiseta verde-clara do evento. Ele segura uma sacola de tecido ecobag branca. À sua esquerda está o aluno Rafael Costa, um jovem mais alto usando óculos de grau, camiseta verde do evento e calça escura, também segurando uma ecobag e uma mochila preta. À direita do professor está o aluno Victor Gabriel, o mais jovem da dupla, com cabelos escuros e camiseta verde, segurando sua ecobag branca. As três sacolas têm o logo colorido "Mais Ciência na Escola" impresso. O painel atrás deles é branco com logos de parceiros (CNPq, Governo Federal) e o texto "Encontro Nacional Mais Ciência na Escola - Brasília, Março de 2026". O chão é de piso claro e a iluminação é de spots de luz de um centro de convenções.
Equipe do Clube Maker Margarida Consciente no Encontro Nacional (Foto/Isabella Abrão)

Nos dias 24 a 26 de março, o Clube Maker Margarida Consciente, vinculado à Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP), vivenciou um marco em sua trajetória ao participar do Encontro Nacional Mais Ciência na Escola 2026, em Brasília. O clube faz parte do Colégio Estadual do Campo Margarida F. Gonçalves, no distrito do Campinho, em Ibaiti. Sob a orientação do professor Pedro Paulo de Brito, os alunos Rafael Silva Costa (14) e Victor Gabriel (12) puderam mostrar tudo que construíram em sala de aula. Além do conhecimento técnico, a oportunidade de conhecer novos lugares encantou os jovens, que se impressionaram com a grandiosidade da capital federal. Para Victor Gabriel, o integrante mais jovem da dupla, estar ali foi uma honra. “Uma cidade muito boa, com muitos lugares turísticos, como a Torre de TV Digital, a Catedral Metropolitana, o Centro de Cultura, em geral gostei demais. Me senti muito honrado por poder ter essa experiência”, afirma Victor.

Para os alunos que decidem “se jogar” no aprendizado científico, os clubes de ciências abrem portas que vão muito além do turismo. O maior impacto veio da troca de vivências. Rafael reforça esse sentimento: “o que marcou mesmo foi ver que a ciência une pessoas de lugares tão diferentes e que temos muito potencial para evoluir, teve muito aprendizado, animação na medida certa e conhecimento de sobra. Por fim, o que eu posso dizer de todo aquele evento é que valeu cada segundo”.

Esses espaços de inovação são uma iniciativa do NAPI Paraná Faz Ciência, por meio da da Fundação Araucária e com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, o Cnpq, via edital de fomento aos clubes de tipo Maker. Conforme esse edital, esse tipo de clube desenvolve ações com foco em STEAM (Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática, em inglês). 

Os clubes Makers tem enfoque para inovação, robótica e projetos práticos, que visam o desenvolvimento do raciocínio lógico, criatividade e autonomia dos alunos do ensino Fundamental e Médio. Aos participantes é proporcionado não apenas um aprendizado especializado e direcionado, mas experiências únicas e idealizadoras, as quais dão acesso aos alunos a realidades e experiências antes inimagináveis. 

Os clubes da região Norte do Paraná estão sob orientação do coordenador Professor Lucken Lucas Bueno, da UENP campus Cornélio Procópio. A equipe conta com apoio de mais dois professores doutores, três Bolsistas Técnicos de Nível Superior (BTNS) em Pedagogia, um técnico financeiro e uma técnica da área de comunicação, todos vinculados ao NAPI Paraná Faz Ciência e responsáveis por fornecer todo suporte para os professores e clubes contemplados da região. Um trabalho articulado entre o meio acadêmico e as escolas públicas do estado que busca promover experiências enriquecedoras e contribuir para a concretização de projetos e aspirações de alunos e professores vinculados à Rede Paraná Faz Ciência.

Siga o perfil no Instagram do colégio @col.margarida para saber mais sobre suas atividades. E sobre a Rede de Clubes de Ciências, pelo Instagram da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência @clubesparanafazciencia e pelo site Paraná Faz Ciência.

De acordo com edital, evento será realizado entre 6 e 7 de maio; inscrições já estão abertas

O Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (NAPI) Paraná Faz Ciência (PRFC) promove em maio, entre os dias 6 e 7, o I Encontro de Promotores de Feiras de Ciências do Paraná, com o objetivo de fortalecer a cultura científica e a formação continuada de professores, gestores escolares e pesquisadores da Educação Básica. O evento será realizado pela plataforma Google Meet e acontecerá das 17 às 20 horas, de forma síncrona.   

O Edital 002/2026 já está publicado no site da Feira de Cultura e Ciência (FECCI) e as inscrições podem ser feitas somente pela internet, no formulário online que já está disponível. No site há também um modelo para resumo das atividades realizadas em feiras e mostras de ciências.

Para a pós-doutora e bolsista do NAPI PRFC, Dayanne Cajueiro, o objetivo do encontro é evidenciar o papel da articulação entre professores, gestores, pesquisadores e estudantes na organização e realização de feiras e mostras de ciências. 

“É interessante destacar que o Primeiro Encontro será um espaço estratégico para a construção da ‘Rede de Feiras – Paraná Faz Ciência’, visando incentivar a iniciação científica na Educação Básica”, explica. Para ela, o evento visa permitir “a troca de experiências exitosas, o debate sobre critérios de avaliação, ética e qualidade científica”.

A reunião toma como referência diretrizes e experiências consolidadas na área de Educação em Ciências e Matemáticas e no que se refere à organização acadêmica, critérios de participação e valorização da pesquisa Científica.

Curso de Formação de Feiras de Ciências reuniu mais de 90 participantes, simultâneos, em salas do Google Meet (Imagem)

No contexto, o NAPI realizou no final de março e início de abril um curso de formação de feiras e mostras de ciências, que teve grande aceitação de participantes de todo o Brasil. Na oportunidade, foi lançado o Edital 001/2026 para afiliação de Feiras à FECCI 2026

Serviço:

I ENCONTRO DE PROMOTORES DE FEIRAS DE CIÊNCIAS DO PARANÁ

Data – 6 (quarta-feira) e 7 (quinta-feira) de maio de 2026 

Horário – Das 17 às 20 horas, via Google Meet

Inscrições – A partir de 13 de abril 

 Edital 002/2026 – site da FECCI

Realização – NAPI Paraná Faz Ciência

Organizadores anunciam para início de maio o primeiro encontro de Promotores de Feiras de Ciências

Os apresentadores da segunda parte da aula, Ana Paula Vidotti e Adriano Machado (Imagem)

O quarto e último encontro da formação em feiras científicas organizado pelo NAPI Paraná Faz Ciência (PRFC) trouxe duas apresentações sobre temas relevantes para o processo formativo que culmina com as feiras de ciências. Na ocasião, houve o anúncio da organização do I Encontro de Promotores de Feiras de Ciências do Paraná, nos dias 06 e 07 de maio. O evento será destinado a ouvintes interessados no tema e também a promotores que queiram apresentar seus relatos e experiências.

A primeira parte da aula foi iniciada com a fala da professora Mariana Andrade, docente do Departamento de Biologia Geral na Universidade Estadual de Londrina (UEL) e Doutora em Educação para a Ciência, pela Universidade Estadual Paulista (UNESP), além de integrante do NAPI como coordenadora da Rede de Clubes Maker.

“Mesmo que existam códigos de conduta diferentes, seja qual for o lugar que vamos, algumas práticas precisam ser sempre respeitadas. Do contrário pode haver um relativismo moral, que significa agir seguindo uma regra dada, ainda que seja absurda”, explica a docente. Mariana reforçou que fazer ciência, como uma atividade humana, vem acompanhado de conceitos e julgamento de valores, e que o papel do professor passa também por orientar o estudante sobre como se comportar e o que considerar nas escolhas e decisões que tomam em suas pesquisas.

Para completar a relação com a comunicação científica, a pesquisadora apresentou o ciclo de premissas que inclui trabalhar com vertentes conceitual, atitudinal e procedimental. Essas três premissas existem concomitantemente durante o processo científico, desde a escolha de temas, no contato com entrevistados ou contextos sociais até o desenvolvimento e apresentação dos resultados à sociedade. “Durante todas as fases, não é só nos conceitos que os estudantes devem se balizar, mas também pelas atitudes e procedimentos éticos. Eles precisam entender que suas ações podem impactar sua vida e a de outras pessoas envolvidas”, reforça.

Apresentação de conceitos pela professora e pesquisadora Mariana Andrade, especialista em Educação para a Ciência (Imagem)

É a partir dessa vivência, em fases, que o aluno vai construir um entendimento sobre ética. E quando estiver se preparando para uma feira de ciências, terá ferramentas para lidar com as regras impostas por esses eventos, segundo Mariana. “Eles precisam ser ensinados, orientados antes das feiras para saber como se portar e como lidar com as exigências de cada situação dessas. É preciso saber dos limites e regramentos antes desses eventos, já que não se pode esperar que uma breve aula de conceitos dê conta. É preciso construir um processo de vivência sobre a ética”, define Andrade.

Conceitos apresentados para o tema ética, comunicação científica e protagonismo estudantil (Imagem)

Enquanto professores, a docente reforça que o “nosso papel é mostrar aos alunos sobre honestidade, ter responsabilidade e como serem solidários uns com os outros. É falar em atitude responsável e consciente”, conclui Mariana.

Orientação e avaliação de trabalhos científicos

Na segunda parte da aula, a abordagem foi voltada ao processo de avaliação dos trabalhos científicos durante as feiras de ciências. Apresentaram aspectos de suas vivências práticas em anos como avaliadores em eventos científicos a docente Ana Paula Vidotti, diretora do centro de Ciências Biológicas da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e o mestre Adriano Machado, ligado à Universidade Estadual do Centro Oeste do Paraná (Unicentro), com vivência em Clubes de Ciência e execução de feiras científicas.

A apresentação ressaltou a importância das diferenças entre mostras e feiras. As Mostras são tradicionalmente menores, com aspectos locais e não competitivos. As Feiras são organizadas com mais rigor, processo de seleção de trabalhos participantes e incluem competições para classificar os trabalhos ao final do evento. 

“É importante apresentar a competição como algo positivo, como algo que vai fazer o trabalho evoluir para próximas feiras e que, nesse processo, os alunos vão viver trocas de experiências com outros trabalhos e colegas, além da recompensa no final, que pode ser prêmios físicos, ou viagens científicas ou a entrada em outras feiras, como a FECCI acaba de lançar”, explica a professora Ana Paula.

Vale destacar que durante todo o mês de abril, as escolas da Educação Básica e Técnica do Brasil, públicas e privadas, poderão fazer parte da Rede de Feiras Afiliadas à Feira de Cultura Científica (FECCI) do NAPI PRFC. O Edital 001/FECCI-2026 vigente estabelece normas, critérios e prazos para o credenciamento de feiras de ciências e mostras científicas escolares, municipais, regionais e estaduais, à FECCI, possibilitando a essas instituições a indicação de projetos científicos para avaliação e eventual participação na FECCI 2026.

Nas apresentações foi mostrado ainda que o tema avaliação de trabalhos passa também por entender como o aluno pesquisou, pensou o trabalho e o desenvolveu, para além de uma simples nota numérica. Quem vai avaliar projetos de uma feira, mostraram os apresentadores, deve se basear em um conjunto de critérios e métodos para avaliar a qualidade, relevância e execução dos trabalhos.

Material apresentado contemplando objetivos de uma avaliação de trabalho científico (Imagem)

A função das avaliações é primar pela valorização do processo desenvolvido pelo estudante, ressaltou o especialista Machado, levando em conta o aprendizado, servindo de uma retroalimentação do processo científico e com isso estimular novas investigações. “Tudo isso dá aos alunos a oportunidade de serem melhores investigadores e mais autônomos”, indica o professor. 

Outra conclusão importante trazida das experiências dos palestrantes em Feiras é a importância de afastar a cultura de punições, com retirada de notas de trabalhos. “O foco é contribuir para a formação do estudante, não prejudicá-lo e fazer com que se sinta incapaz”, segundo alertou Ana Paula. E disse mais: “Sabemos que o processo avaliativo pode ter falhas, já que é feito por humanos e cada pessoa tem seu jeito de avaliar as situações. Por isso a importância de critérios e procedimentos bem definidos também para avaliadores, desde o início do processo da Feira”, pondera a avaliadora. 

As Feiras estão crescendo e o aspecto do controle e organização das avaliações em formato digital foi ressaltado na apresentação. “Em feiras como a FECCI (2025), foram 100 avaliadores circulando pelo evento e conversando com os alunos. Para que nenhuma informação se perca e o processo de apuração seja agilizado, contar com formulários eletrônicos e planilhas foi essencial para esse sucesso”, conta Ana Paula. 

Para a professora da UEM, “os avaliadores já começam o processo fazendo o check-in eletronicamente e, assim, sabemos quem já começou a avaliar, quem ainda falta, quantos finalizaram, o que traz mais segurança e assegura justiça ao processo”, defende a docente.

Por fim, o fechamento de um processo de avaliação de Feira científica deve contemplar ainda uma organização das notas em forma de cerimônia para que se reconheça o trabalho realizado, seja com classificação competitiva, seja com menção honrosa a temas que se destacaram. “A importância está em dar visibilidade e homenagear, perante os presentes, quem ajudou, se empenhou, e que tudo isso represente um momento de celebração da divulgação da ciência”, conclui o avaliador Machado.

Programa da Unicentro e da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência prepara nova temporada com ajustes a partir da avaliação do público

Este banner horizontal possui um fundo azul vibrante com um padrão de grade discreta. No centro da imagem, destaca-se o título "QUARTA COM CLUBES" em letras garrafais brancas e azuis. Acima do texto, há uma ilustração de mãos segurando um tablet que exibe um reprodutor de vídeo com o botão de play em evidência, sugerindo a exibição de conteúdo audiovisual. Na parte inferior, uma faixa branca com borda ondulada organiza os logotipos institucionais da Unicentro, Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, NAPI Paraná Faz Ciência, Fundação Araucária e do Governo do Estado do Paraná. No canto superior direito, encontra-se o selo do projeto Educart Geo. O conjunto visual utiliza uma paleta de cores institucional em azul, branco e amarelo, apresentando um design limpo e educativo.

A Quarta com Clubes (QcC) vai voltar em 2026 e com novidades. A Rede de Clubes Paraná Faz Ciência e a Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) definiram as diretrizes da nova temporada do programa, criado para apoiar projetos de pesquisa desenvolvidos por professores e estudantes nos clubes de ciências das escolas do Paraná.

A primeira temporada reuniu dez lives, realizadas entre 28 de maio e 26 de novembro de 2025, com 1.400 visualizações e debates sobre temas científicos estratégicos para os clubes escolares.

Entre os assuntos abordados estiveram abelhas, água, óleos essenciais, educação ambiental, relações étnico-raciais, robótica, hortas urbanas, dengue, florestas e saúde única. O Top 3 em audiência foi composto pelas transmissões sobre abelhas, em destaque e na sequência o programa sobre água e depois sobre robótica.

A live de estreia, dedicada às abelhas, com a professora Maria Luisa Tunes Buschini como convidada, foi a mais assistida. Para a pesquisadora da Unicentro, iniciativas como a Quarta com Clubes cumprem um papel importante na divulgação científica.

Professora Doutora Maria Luisa Tunes Buschini em registro da live de estreia da Quarta com Clubes em 2025 (Foto/Reprodução YouTube)

“Projetos como esse atingem um alvo bem importante, por fazer uma conexão entre a ciência, a educação pública e a educação de maneira geral”, destacou Maria Luisa. A pesquisadora também comemorou o resultado de audiência da live. “Fico realmente feliz com essa notícia. Achei muito bacana o convite e gostei muito de participar. Falar sobre abelhas é sempre importante, porque muitas vezes as pessoas não conhecem o papel fundamental que elas têm nos ecossistemas.”

Aproximação entre universidade e escola

Outro tema de grande interesse do público foi água, apresentado pela professora Ana Lúcia Suriani Affonso, também da Unicentro. Para ela, o programa cria um espaço relevante de diálogo entre universidade e educação básica.

“Foi extremamente gratificante participar. É um momento em que podemos divulgar as pesquisas desenvolvidas na universidade e também aproximar esse conhecimento da realidade das escolas”, afirmou.

Segundo a professora, o contato com professores da rede básica ajuda a compreender as demandas que surgem dentro das escolas. “Essa troca de experiências é muito importante. Muitas vezes os professores trazem dúvidas e necessidades que ajudam a orientar novas pesquisas e atividades.”

Professora Ana Lúcia Suriani no programa Quarta com Clubes com o tema água (Foto/Reprodução YouTube)

Já a live sobre robótica, conduzida pelo professor Breno Ferraz, da Universidade Estadual de Maringá (UEM), destacou o potencial da tecnologia no ensino científico.

“Foi uma grande satisfação participar da Quarta com Clubes. A live foi uma oportunidade importante para compartilhar o trabalho que desenvolvemos com robótica educacional e dialogar com interessados no tema”, disse.

Para o pesquisador, iniciativas desse tipo ajudam a aproximar a comunidade da ciência. “A robótica educacional tem grande potencial para despertar o interesse dos alunos e desenvolver habilidades como criatividade, pensamento lógico e resolução de problemas.”

Professor Breno Ferraz, da UEM, durante o programa sobre robótica, da Quarta com Clubes (Foto/Reprodução YouTube)

Formação científica para professores

O objetivo do “Quarta com Clubes” é oferecer formação científica para professores que orientam projetos de pesquisa nos clubes escolares, aproximando o conhecimento produzido nas universidades da prática pedagógica nas escolas.

Na estreia do programa, por exemplo, professores da rede básica puderam enviar perguntas e discutir aplicações práticas das pesquisas apresentadas. A professora Katiane dos Santos, coordenadora do clube Climatize-se, do Colégio de Educação Integral Professor Pedro Carli, em Guarapuava, relatou que a atividade trouxe novas ideias para o trabalho desenvolvido com os estudantes.

“A live foi muito interessante e trouxe várias ideias para trabalhar de forma mais investigativa com os alunos. Essa troca com a universidade nos ajuda a refletir sobre o que fazemos na escola e inspira novas propostas de pesquisa”, contou.

Mudanças para a nova temporada

A principal mudança prevista para 2026 será no formato do programa. As transmissões deixarão de ser simultâneas e passarão a ser gravadas, com o objetivo de qualificar a produção e melhorar a organização dos conteúdos. Mesmo com a mudança, a periodicidade quinzenal será mantida. Outro avanço previsto é a produção de cortes para divulgação nas redes sociais, ampliando o alcance de público e das discussões. 

Os temas já previstos para a nova temporada são:

A Quarta com Clubes é organizada pelo grupo de pesquisa e extensão EducartGeo – Educação Geográfica e Cartografia para Escolares, da Unicentro, em parceria com a Rede de Clubes Paraná Faz Ciência. As lives estão disponíveis no canal EducartGeo.

A expectativa da coordenação é que a nova temporada amplie ainda mais o alcance da iniciativa e fortaleça a integração entre universidade, professores e estudantes da educação básica.

Acompanhe mais atividades dos clubes de ciências pelo Instagram da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência @clubesparanafazciencia e pelo site Paraná Faz Ciência.

Eloah de Oliveira foi selecionada para um intercâmbio em Toronto, pelo programa Ganhando O Mundo Professor

Mulher sorrindo aponta para um painel do programa “Ganhando o Mundo Professor”, do Governo do Paraná, em ambiente interno.
Eloah de Oliveira faz parte do programa Ganhando o Mundo Professor, que busca fortalecer a educação do Paraná (Foto/Arquivo pessoal)

A professora Eloah Francisco de Oliveira, docente do Colégio Estadual Duque de Caxias, em Santo Antônio do Caiuá, foi aprovada para participar do programa Ganhando o Mundo Professor, iniciativa de formação continuada promovida pelo Governo do Estado do Paraná e voltada a profissionais da educação da rede pública estadual.

A seleção representa um marco profissional para Eloah, que integra também o Clube de Ciências Bioessence, coordenado por ela e parte dos clubes de ciência ligados à Unespar.  A docente foi escolhida para uma experiência de intercâmbio na cidade de Toronto, no Canadá, com a oportunidade de vivenciar práticas educacionais internacionais e aprofundar seus conhecimentos em metodologias inovadoras de ensino.

De acordo com Eloah, a “oportunidade de realizar um intercâmbio em Toronto, no Canadá, representa muito mais do que uma viagem internacional, é uma experiência transformadora de formação profissional e pessoal. Participar de uma imersão no sistema educacional canadense possibilita conhecer práticas pedagógicas inovadoras, metodologias ativas, políticas públicas voltadas à inclusão e estratégias eficazes de valorização docente.”

Eloah sorrindo em frente à entrada da Lord Dufferin Public School, em dia frio e com neve no Canadá.
Eloah viveu uma experiência internacional na Lord Dufferin Public School, aprendendo e compartilhando conhecimentos além das fronteiras (Foto/Arquivo pessoal)

O Canadá é reconhecido mundialmente pela qualidade de sua educação, pelo investimento em formação continuada de docentes e pelo respeito à diversidade dentro e fora da sala de aula. “Vivenciar essa realidade amplia repertórios, fortalece competências interculturais e inspira novas práticas que podem ser aplicadas na rede pública do Paraná. Toronto é uma das cidades mais multiculturais do mundo, oferece uma vivência única de diversidade cultural e de respeito às múltiplas identidades. Essa experiência enriquece o olhar pedagógico e amplia a compreensão sobre educação inclusiva e cidadania global”, relatou Eloah. 

O programa Ganhando o Mundo Professor é uma modalidade do programa estadual com foco na internacionalização da formação docente, oferecendo imersão em contextos educacionais estrangeiros como forma de aperfeiçoar a prática pedagógica e fortalecer a educação pública paranaense. 

Esta edição levou 250 educadores da rede estadual do Paraná para o Canadá, com o objetivo de “proporcionar formação continuada em contexto internacional, com imersão em práticas educacionais de referência e metodologias inovadoras adotadas em sistemas de ensino reconhecidos mundialmente”, de acordo com a Secretaria de Educação do Paraná. Os professores paranaenses embarcaram pelo Aeroporto Internacional Afonso Pena no dia 06 de fevereiro.

Eloah, sorrindo, posa em frente ao painel “Experience ILSC-Toronto”, com ilustração da cidade ao fundo.
Conectando saberes e culturas em Toronto, vivendo uma experiência que amplia horizontes e transforma a prática docente (Foto/Arquivo pessoal)

Para Eloah, essa experiência está sendo uma oportunidade valiosa de crescimento profissional e pessoal. “Enquanto professora de biologia, o encantamento é ainda maior, pois a cidade é cercada por paisagens naturais deslumbrantes às margens do Lago Ontário. Além de parques, áreas verdes preservadas e ecossistemas que tornam o aprendizado ainda mais vivo e significativo” , conta.

A participação de Eloah no programa internacional representa não apenas um reconhecimento de sua dedicação e competência, mas também um investimento direto na qualidade da educação pública paranaense. Ao retornar, a professora traz consigo novos conhecimentos e inspirações, mas também uma chance de compartilhar o que aprendeu com outros professores e assim multiplicar o aprendizado que obteve no outro país. Os impactos sobre seus alunos, a comunidade escolar e o desenvolvimento educacional da região também são consequências diretas e altamente positivas vindas desse intercâmbio internacional.