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II WORKDHOP DO NAPI PARANÁ FAZ CIÊNCIA

Clube de Ciências de Borrazópolis une ações de reflorestamento a açãoes de debate público

Um grupo grande de estudantes e adultos está reunido dentro de um auditório ou sala de eventos. Eles estão organizados em um semicírculo ao redor de uma mesa com computador e projetor, posicionada no centro da sala. Ao fundo, há uma tela de projeção e uma parede verde com a inscrição “Câmara Municipal de Borrazópolis”. A maioria dos estudantes veste uniforme escolar em tons de azul, branco e cinza. Alguns adultos estão ao lado do grupo, usando roupas casuais ou de trabalho. Várias pessoas sorriem e algumas fazem gesto de positivo com o polegar, demonstrando entusiasmo. O espaço é iluminado por lâmpadas fluorescentes no teto quadriculado, e o piso é de cerâmica clara. A imagem transmite a ideia de um encontro educativo ou apresentação coletiva em um espaço público.
Jovens pelo Clima na Audiência do Plano Municipal de Saneamento Básico (Foto/Eliana A. da Silva)

Em Borrazópolis, a educação científica ultrapassou os muros da Escola Estadual Humberto de Alencar Castelo Branco para ocupar as cadeiras da Câmara de Vereadores. O clube de ciênciasJovens Pelo Clima, coordenado pela professora Eliana Aparecida da Silva, tem se destacado não apenas pelo trabalho na horta e cozinha escolar, mas por sua participação ativa em debates públicos e nas decisões políticas do município para o meio ambiente.

No dia 4 de março, os integrantes do clube participaram da Audiência Pública para a Revisão e Atualização do Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB) de Borrazópolis. Durante o evento, realizado pela SANEPLAN com contribuições da SANEPAR, os alunos acompanharam o diagnóstico e o prognóstico da cidade em quatro eixos fundamentais: abastecimento de água, esgotamento sanitário, gestão de resíduos sólidos e drenagem urbana.

“A participação na audiência permitiu que os alunos compreendessem a complexidade da gestão pública e a importância de dados técnicos para a qualidade de vida da população,” destaca a professora Eliana Aparecida da Silva.

Um histórico de diálogo e ação prática

A presença dos jovens na Câmara de Vereadores é o resultado natural de um diálogo constante entre as autoridades locais e a comunidade escolar. Desde 2025, o clube vem consolidando parcerias estratégicas em ações que unem teoria e prática:

Setembro de 2025: Os alunos retornaram à Estação Ecológica para um novo plantio de mudas, desta vez focando na preservação da mata ciliar do Rio Ivaí.

E, em 2026, o trabalho do clube com a preservação do meio ambiente continua, pois na semana após a audiência pública, o clube reuniu-se novamente com a Secretaria Municipal do Meio Ambiente para traçar as metas e ações de impacto ambiental a serem realizadas pelos clubistas durante o restante do ano.

A movimentação dos clubistas em espaços públicos de debates é essencial para que os alunos se percebam como parte integrante da sociedade civil e agentes de mudança, desenvolvendo o senso crítico necessário para a construção de um ambiente recuperado e um futuro sustentável.Acompanhe mais atividades dos clubes de ciências pelo Instagram da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência @clubesparanafazciencia e aqui pelo site Paraná Faz Ciência.

Quatro clubes já foram visitados e estão previstas visitas em Ponta Grossa e na região de União da Vitória

Na foto, uma sala de aula com quadro ao fundo e três pessoas em pé conversando: a professora regente, a articuladora da UEPG e a bolsista responsável pelo clube. À frente, estudantes estão sentados em mesas organizadas em grupos. Há um monitor ligado em uma apresentação de slides sobre o dia da água, tema da atividade realizada pelos clubistas no dia da visita.
O primeiro clube a receber a visita da equipe da UEPG foi o Ciência em Ação, do Colégio Estadual Amálio Pinheiro, em Ponta Grossa (Foto/ Talula)

Retomando o acompanhamento das atividades dos clubes, articuladoras e bolsistas técnicos da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) iniciaram em março, as primeiras visitas de 2026 às instituições de ensino com clubes de ciências. As primeiras unidades a receberem o grupo foram os clubes Ciência em Ação, do Colégio Estadual Amálio Pinheiro; Feras Científicas, do Colégio Estadual Sirley Jagas; Cabeceira do Rio Iapó, do Colégio Estadual Antônio e Marcos Cavanis; e o EcoIndoor, do Colégio Estadual de Ensino Profissional Olegário Macedo.

As visitas têm como objetivo compreender de forma mais aprofundada as atividades desenvolvidas em cada clube, bem como identificar demandas específicas, orientar práticas pedagógicas e acompanhar o desenvolvimento dos projetos. Além disso, os encontros buscam fortalecer a integração entre estudantes, professores responsáveis pelos clubes e as equipes de gestão escolar.

No dia 19 de março, a visita foi ao Ciência em Ação em Ponta Grossa. A principal meta do Clube é a criação de um espaço verde na escola, visando promover a educação ambiental, o contato dos alunos com a natureza e o desenvolvimento de práticas sustentáveis. A pesquisa a respeito do espaço emergiu como demanda dos clubistas no ano passado, e agora, para que a ideia seja concretizada, ainda são necessários alguns materiais e para isso a visita é importante: a solicitação de recursos passa pelos bolsistas técnicos.

Na semana seguinte, as visitas ocorreram em Castro, nos clubes Cabeceira do Rio Iapó e EcoIndoor. No clube EcoIndoor, houve mudanças na escola, com a substituição do ensino técnico integrado para a modalidade em tempo integral.Isso impactou no número de alunos e na composição da turma, que agora faz parte de uma disciplina eletiva. As eletivas são oferecidas apenas aos alunos dos primeiros e segundos anos, e vários clubistas do ano passado ou se formaram ou não têm eletivas no segmento de ensino.

Esse aumento no número de alunos e a mudança para disciplina eletiva impactam diretamente na continuidade das pesquisas e exigem um esforço maior por parte dos professores e do Bolsistas-Técnicos de Nível Superior (BTNS) Pedagógicos que apoiam os clubes.

1. A foto mostra um grupo de clubistas reunido em torno de uma mesa em um laboratório, iluminado por luz natural que entra pelas janelas ao fundo. Uma das pessoas está sentada e parece explicar ou mostrar algo em um papel, enquanto as outras observam atentamente, incluindo Fernanda, que está de costas para a câmera. Há materiais sobre a mesa, os estudantes estavam escrevendo seus projetos. Ao fundo, é possível ver uma pia e alguns objetos encostados na parede.
A bolsista pedagógica Fernanda em visita ao Clube Ecoindoor, em Castro (Foto/Talula)

Fernanda Beatriz ingressou como bolsista pedagógica da Rede de Clubes no final de 2025 e acompanha algumas das escolas citadas. Até então, havia conhecido pessoalmente apenas um clube, por isso, as visitas ainda são uma novidade para ela. Segundo Fernanda, ir até o colégio faz diferença tanto para os BTNS e outros membros da equipe, quanto para os professores clubistas, pois o contato presencial fortalece bastante o diálogo. Além disso, conhecer a escola de perto permite compreender melhor a realidade, as formas de organização, necessidades materiais, as atividades desenvolvidas e os espaços de trabalho.

A agenda de acompanhamento segue ao longo das próximas semanas, com visitas previstas aos demais clubes de ciências de Ponta Grossa e também uma viagem ao núcleo de União da Vitória, com duração de uma semana. Durante esse período, sete escolas da região deverão ser visitadas.

Acompanhe mais atividades dos Clubes de Ciências pelo Instagram da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência @clubesparanafazciencia e pelo site Paraná Faz Ciência.

O evento reuniu educadores e estudantes para debater cultura científica e resultados dos laboratórios makers em escolas públicas

Uma foto em close de três pessoas sorrindo e posando para a câmera em frente a um painel branco de eventos. No centro está o professor Pedro Paulo, um homem de pele morena, careca e de barba, usando óculos de sol pendurados na gola de uma camiseta verde-clara do evento. Ele segura uma sacola de tecido ecobag branca. À sua esquerda está o aluno Rafael Costa, um jovem mais alto usando óculos de grau, camiseta verde do evento e calça escura, também segurando uma ecobag e uma mochila preta. À direita do professor está o aluno Victor Gabriel, o mais jovem da dupla, com cabelos escuros e camiseta verde, segurando sua ecobag branca. As três sacolas têm o logo colorido "Mais Ciência na Escola" impresso. O painel atrás deles é branco com logos de parceiros (CNPq, Governo Federal) e o texto "Encontro Nacional Mais Ciência na Escola - Brasília, Março de 2026". O chão é de piso claro e a iluminação é de spots de luz de um centro de convenções.
Equipe do Clube Maker Margarida Consciente no Encontro Nacional (Foto/Isabella Abrão)

Nos dias 24 a 26 de março, o Clube Maker Margarida Consciente, vinculado à Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP), vivenciou um marco em sua trajetória ao participar do Encontro Nacional Mais Ciência na Escola 2026, em Brasília. O clube faz parte do Colégio Estadual do Campo Margarida F. Gonçalves, no distrito do Campinho, em Ibaiti. Sob a orientação do professor Pedro Paulo de Brito, os alunos Rafael Silva Costa (14) e Victor Gabriel (12) puderam mostrar tudo que construíram em sala de aula. Além do conhecimento técnico, a oportunidade de conhecer novos lugares encantou os jovens, que se impressionaram com a grandiosidade da capital federal. Para Victor Gabriel, o integrante mais jovem da dupla, estar ali foi uma honra. “Uma cidade muito boa, com muitos lugares turísticos, como a Torre de TV Digital, a Catedral Metropolitana, o Centro de Cultura, em geral gostei demais. Me senti muito honrado por poder ter essa experiência”, afirma Victor.

Para os alunos que decidem “se jogar” no aprendizado científico, os clubes de ciências abrem portas que vão muito além do turismo. O maior impacto veio da troca de vivências. Rafael reforça esse sentimento: “o que marcou mesmo foi ver que a ciência une pessoas de lugares tão diferentes e que temos muito potencial para evoluir, teve muito aprendizado, animação na medida certa e conhecimento de sobra. Por fim, o que eu posso dizer de todo aquele evento é que valeu cada segundo”.

Esses espaços de inovação são uma iniciativa do NAPI Paraná Faz Ciência, por meio da da Fundação Araucária e com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, o Cnpq, via edital de fomento aos clubes de tipo Maker. Conforme esse edital, esse tipo de clube desenvolve ações com foco em STEAM (Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática, em inglês). 

Os clubes Makers tem enfoque para inovação, robótica e projetos práticos, que visam o desenvolvimento do raciocínio lógico, criatividade e autonomia dos alunos do ensino Fundamental e Médio. Aos participantes é proporcionado não apenas um aprendizado especializado e direcionado, mas experiências únicas e idealizadoras, as quais dão acesso aos alunos a realidades e experiências antes inimagináveis. 

Os clubes da região Norte do Paraná estão sob orientação do coordenador Professor Lucken Lucas Bueno, da UENP campus Cornélio Procópio. A equipe conta com apoio de mais dois professores doutores, três Bolsistas Técnicos de Nível Superior (BTNS) em Pedagogia, um técnico financeiro e uma técnica da área de comunicação, todos vinculados ao NAPI Paraná Faz Ciência e responsáveis por fornecer todo suporte para os professores e clubes contemplados da região. Um trabalho articulado entre o meio acadêmico e as escolas públicas do estado que busca promover experiências enriquecedoras e contribuir para a concretização de projetos e aspirações de alunos e professores vinculados à Rede Paraná Faz Ciência.

Siga o perfil no Instagram do colégio @col.margarida para saber mais sobre suas atividades. E sobre a Rede de Clubes de Ciências, pelo Instagram da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência @clubesparanafazciencia e pelo site Paraná Faz Ciência.

Projeto de trilha ecológica no Parque Municipal de Guaraniaçu segue como eixo central, com novas iniciativas voltadas à preservação ambiental e educação científica

Clubistas do clube Águas claras utilizando EPI para adentrar à Trilha Ecológica (Foto/Arquivo pessoal)

O Clube Águas Claras, do Colégio Estadual Desembargador Antonio Franco Ferreira da Costa, deu início ao ano de 2026 trabalhando intensamente. O clube, liderado pelo professor Flavio Francisco Rossoni Filho anunciou a continuidade e ampliação de suas ações ambientais para 2026.

O principal foco permanece sendo o projeto da trilha ecológica desenvolvido no Parque Municipal de Guaraniaçu, o espaço, que teve sua reestruturação iniciada pelo clube no início de 2025, tem servido como laboratório vivo para pesquisa, educação ambiental e aproximação da comunidade com a natureza.

Dentro do projeto da trilha, os estudantes seguirão com atividades de identificação de plantas medicinais, catalogação de fungos, reconhecimento de animais silvestres e estudos sobre a própria biodiversidade presente no percurso. A proposta é fortalecer o caráter educativo da trilha, tornando-a um espaço ainda mais acessível e informativo para a comunidade local.

Outro projeto que terá continuidade em 2026 é o de estudo e conscientização sobre crimes ambientais. A iniciativa busca discutir práticas ilegais que impactam os ecossistemas, promovendo reflexão, prevenção e formação cidadã entre os participantes e visitantes.

Entre as novidades do clube, está o projeto Araucária Hunters, que pretende identificar, medir e georreferenciar exemplares de araucárias por meio de aplicativo com GPS. O objetivo é mapear árvores da espécie Araucária angustifolia, contribuindo para sua proteção e conservação.

A araucária é símbolo do Sul do Brasil e considerada uma espécie que necessita de preservação constante, devido à redução histórica de sua ocorrência natural. Com o uso da tecnologia, o clube pretende criar um banco de dados que auxilie em estratégias de monitoramento e defesa ambiental.

Clubistas do clube Águas claras se encaminhando para a Trilha Ecológica (Foto/Arquivo pessoal)

Outra proposta inédita é o projeto Papel Semente, que prevê a produção de papel reciclado incorporado com sementes, permitindo que, após o uso, o material possa ser plantado, gerando novas mudas. A ação une sustentabilidade, reaproveitamento de materiais e educação ambiental.

Segundo o professor Flavio Francisco Rossoni Filho, a participação nas feiras científicas é uma das prioridades do clube em 2026. “Nossa expectativa é estar presentes praticamente em todos os eventos possíveis ao longo do ano. Queremos apresentar os resultados das nossas pesquisas, trocar experiências com outros estudantes e educadores e ampliar a visibilidade dos projetos que desenvolvemos”, destacou.

Com a continuidade das iniciativas e a inclusão de novas propostas, o Clube Águas Claras reforça seu compromisso com a ciência, a preservação ambiental e a formação de jovens pesquisadores engajados com as questões socioambientais da região.

De acordo com edital, evento será realizado entre 6 e 7 de maio; inscrições já estão abertas

O Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (NAPI) Paraná Faz Ciência (PRFC) promove em maio, entre os dias 6 e 7, o I Encontro de Promotores de Feiras de Ciências do Paraná, com o objetivo de fortalecer a cultura científica e a formação continuada de professores, gestores escolares e pesquisadores da Educação Básica. O evento será realizado pela plataforma Google Meet e acontecerá das 17 às 20 horas, de forma síncrona.   

O Edital 002/2026 já está publicado no site da Feira de Cultura e Ciência (FECCI) e as inscrições podem ser feitas somente pela internet, no formulário online que já está disponível. No site há também um modelo para resumo das atividades realizadas em feiras e mostras de ciências.

Para a pós-doutora e bolsista do NAPI PRFC, Dayanne Cajueiro, o objetivo do encontro é evidenciar o papel da articulação entre professores, gestores, pesquisadores e estudantes na organização e realização de feiras e mostras de ciências. 

“É interessante destacar que o Primeiro Encontro será um espaço estratégico para a construção da ‘Rede de Feiras – Paraná Faz Ciência’, visando incentivar a iniciação científica na Educação Básica”, explica. Para ela, o evento visa permitir “a troca de experiências exitosas, o debate sobre critérios de avaliação, ética e qualidade científica”.

A reunião toma como referência diretrizes e experiências consolidadas na área de Educação em Ciências e Matemáticas e no que se refere à organização acadêmica, critérios de participação e valorização da pesquisa Científica.

Curso de Formação de Feiras de Ciências reuniu mais de 90 participantes, simultâneos, em salas do Google Meet (Imagem)

No contexto, o NAPI realizou no final de março e início de abril um curso de formação de feiras e mostras de ciências, que teve grande aceitação de participantes de todo o Brasil. Na oportunidade, foi lançado o Edital 001/2026 para afiliação de Feiras à FECCI 2026

Serviço:

I ENCONTRO DE PROMOTORES DE FEIRAS DE CIÊNCIAS DO PARANÁ

Data – 6 (quarta-feira) e 7 (quinta-feira) de maio de 2026 

Horário – Das 17 às 20 horas, via Google Meet

Inscrições – A partir de 13 de abril 

 Edital 002/2026 – site da FECCI

Realização – NAPI Paraná Faz Ciência

Organizadores anunciam para início de maio o primeiro encontro de Promotores de Feiras de Ciências

Os apresentadores da segunda parte da aula, Ana Paula Vidotti e Adriano Machado (Imagem)

O quarto e último encontro da formação em feiras científicas organizado pelo NAPI Paraná Faz Ciência (PRFC) trouxe duas apresentações sobre temas relevantes para o processo formativo que culmina com as feiras de ciências. Na ocasião, houve o anúncio da organização do I Encontro de Promotores de Feiras de Ciências do Paraná, nos dias 06 e 07 de maio. O evento será destinado a ouvintes interessados no tema e também a promotores que queiram apresentar seus relatos e experiências.

A primeira parte da aula foi iniciada com a fala da professora Mariana Andrade, docente do Departamento de Biologia Geral na Universidade Estadual de Londrina (UEL) e Doutora em Educação para a Ciência, pela Universidade Estadual Paulista (UNESP), além de integrante do NAPI como coordenadora da Rede de Clubes Maker.

“Mesmo que existam códigos de conduta diferentes, seja qual for o lugar que vamos, algumas práticas precisam ser sempre respeitadas. Do contrário pode haver um relativismo moral, que significa agir seguindo uma regra dada, ainda que seja absurda”, explica a docente. Mariana reforçou que fazer ciência, como uma atividade humana, vem acompanhado de conceitos e julgamento de valores, e que o papel do professor passa também por orientar o estudante sobre como se comportar e o que considerar nas escolhas e decisões que tomam em suas pesquisas.

Para completar a relação com a comunicação científica, a pesquisadora apresentou o ciclo de premissas que inclui trabalhar com vertentes conceitual, atitudinal e procedimental. Essas três premissas existem concomitantemente durante o processo científico, desde a escolha de temas, no contato com entrevistados ou contextos sociais até o desenvolvimento e apresentação dos resultados à sociedade. “Durante todas as fases, não é só nos conceitos que os estudantes devem se balizar, mas também pelas atitudes e procedimentos éticos. Eles precisam entender que suas ações podem impactar sua vida e a de outras pessoas envolvidas”, reforça.

Apresentação de conceitos pela professora e pesquisadora Mariana Andrade, especialista em Educação para a Ciência (Imagem)

É a partir dessa vivência, em fases, que o aluno vai construir um entendimento sobre ética. E quando estiver se preparando para uma feira de ciências, terá ferramentas para lidar com as regras impostas por esses eventos, segundo Mariana. “Eles precisam ser ensinados, orientados antes das feiras para saber como se portar e como lidar com as exigências de cada situação dessas. É preciso saber dos limites e regramentos antes desses eventos, já que não se pode esperar que uma breve aula de conceitos dê conta. É preciso construir um processo de vivência sobre a ética”, define Andrade.

Conceitos apresentados para o tema ética, comunicação científica e protagonismo estudantil (Imagem)

Enquanto professores, a docente reforça que o “nosso papel é mostrar aos alunos sobre honestidade, ter responsabilidade e como serem solidários uns com os outros. É falar em atitude responsável e consciente”, conclui Mariana.

Orientação e avaliação de trabalhos científicos

Na segunda parte da aula, a abordagem foi voltada ao processo de avaliação dos trabalhos científicos durante as feiras de ciências. Apresentaram aspectos de suas vivências práticas em anos como avaliadores em eventos científicos a docente Ana Paula Vidotti, diretora do centro de Ciências Biológicas da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e o mestre Adriano Machado, ligado à Universidade Estadual do Centro Oeste do Paraná (Unicentro), com vivência em Clubes de Ciência e execução de feiras científicas.

A apresentação ressaltou a importância das diferenças entre mostras e feiras. As Mostras são tradicionalmente menores, com aspectos locais e não competitivos. As Feiras são organizadas com mais rigor, processo de seleção de trabalhos participantes e incluem competições para classificar os trabalhos ao final do evento. 

“É importante apresentar a competição como algo positivo, como algo que vai fazer o trabalho evoluir para próximas feiras e que, nesse processo, os alunos vão viver trocas de experiências com outros trabalhos e colegas, além da recompensa no final, que pode ser prêmios físicos, ou viagens científicas ou a entrada em outras feiras, como a FECCI acaba de lançar”, explica a professora Ana Paula.

Vale destacar que durante todo o mês de abril, as escolas da Educação Básica e Técnica do Brasil, públicas e privadas, poderão fazer parte da Rede de Feiras Afiliadas à Feira de Cultura Científica (FECCI) do NAPI PRFC. O Edital 001/FECCI-2026 vigente estabelece normas, critérios e prazos para o credenciamento de feiras de ciências e mostras científicas escolares, municipais, regionais e estaduais, à FECCI, possibilitando a essas instituições a indicação de projetos científicos para avaliação e eventual participação na FECCI 2026.

Nas apresentações foi mostrado ainda que o tema avaliação de trabalhos passa também por entender como o aluno pesquisou, pensou o trabalho e o desenvolveu, para além de uma simples nota numérica. Quem vai avaliar projetos de uma feira, mostraram os apresentadores, deve se basear em um conjunto de critérios e métodos para avaliar a qualidade, relevância e execução dos trabalhos.

Material apresentado contemplando objetivos de uma avaliação de trabalho científico (Imagem)

A função das avaliações é primar pela valorização do processo desenvolvido pelo estudante, ressaltou o especialista Machado, levando em conta o aprendizado, servindo de uma retroalimentação do processo científico e com isso estimular novas investigações. “Tudo isso dá aos alunos a oportunidade de serem melhores investigadores e mais autônomos”, indica o professor. 

Outra conclusão importante trazida das experiências dos palestrantes em Feiras é a importância de afastar a cultura de punições, com retirada de notas de trabalhos. “O foco é contribuir para a formação do estudante, não prejudicá-lo e fazer com que se sinta incapaz”, segundo alertou Ana Paula. E disse mais: “Sabemos que o processo avaliativo pode ter falhas, já que é feito por humanos e cada pessoa tem seu jeito de avaliar as situações. Por isso a importância de critérios e procedimentos bem definidos também para avaliadores, desde o início do processo da Feira”, pondera a avaliadora. 

As Feiras estão crescendo e o aspecto do controle e organização das avaliações em formato digital foi ressaltado na apresentação. “Em feiras como a FECCI (2025), foram 100 avaliadores circulando pelo evento e conversando com os alunos. Para que nenhuma informação se perca e o processo de apuração seja agilizado, contar com formulários eletrônicos e planilhas foi essencial para esse sucesso”, conta Ana Paula. 

Para a professora da UEM, “os avaliadores já começam o processo fazendo o check-in eletronicamente e, assim, sabemos quem já começou a avaliar, quem ainda falta, quantos finalizaram, o que traz mais segurança e assegura justiça ao processo”, defende a docente.

Por fim, o fechamento de um processo de avaliação de Feira científica deve contemplar ainda uma organização das notas em forma de cerimônia para que se reconheça o trabalho realizado, seja com classificação competitiva, seja com menção honrosa a temas que se destacaram. “A importância está em dar visibilidade e homenagear, perante os presentes, quem ajudou, se empenhou, e que tudo isso represente um momento de celebração da divulgação da ciência”, conclui o avaliador Machado.

Programa da Unicentro e da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência prepara nova temporada com ajustes a partir da avaliação do público

Este banner horizontal possui um fundo azul vibrante com um padrão de grade discreta. No centro da imagem, destaca-se o título "QUARTA COM CLUBES" em letras garrafais brancas e azuis. Acima do texto, há uma ilustração de mãos segurando um tablet que exibe um reprodutor de vídeo com o botão de play em evidência, sugerindo a exibição de conteúdo audiovisual. Na parte inferior, uma faixa branca com borda ondulada organiza os logotipos institucionais da Unicentro, Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, NAPI Paraná Faz Ciência, Fundação Araucária e do Governo do Estado do Paraná. No canto superior direito, encontra-se o selo do projeto Educart Geo. O conjunto visual utiliza uma paleta de cores institucional em azul, branco e amarelo, apresentando um design limpo e educativo.

A Quarta com Clubes (QcC) vai voltar em 2026 e com novidades. A Rede de Clubes Paraná Faz Ciência e a Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) definiram as diretrizes da nova temporada do programa, criado para apoiar projetos de pesquisa desenvolvidos por professores e estudantes nos clubes de ciências das escolas do Paraná.

A primeira temporada reuniu dez lives, realizadas entre 28 de maio e 26 de novembro de 2025, com 1.400 visualizações e debates sobre temas científicos estratégicos para os clubes escolares.

Entre os assuntos abordados estiveram abelhas, água, óleos essenciais, educação ambiental, relações étnico-raciais, robótica, hortas urbanas, dengue, florestas e saúde única. O Top 3 em audiência foi composto pelas transmissões sobre abelhas, em destaque e na sequência o programa sobre água e depois sobre robótica.

A live de estreia, dedicada às abelhas, com a professora Maria Luisa Tunes Buschini como convidada, foi a mais assistida. Para a pesquisadora da Unicentro, iniciativas como a Quarta com Clubes cumprem um papel importante na divulgação científica.

Professora Doutora Maria Luisa Tunes Buschini em registro da live de estreia da Quarta com Clubes em 2025 (Foto/Reprodução YouTube)

“Projetos como esse atingem um alvo bem importante, por fazer uma conexão entre a ciência, a educação pública e a educação de maneira geral”, destacou Maria Luisa. A pesquisadora também comemorou o resultado de audiência da live. “Fico realmente feliz com essa notícia. Achei muito bacana o convite e gostei muito de participar. Falar sobre abelhas é sempre importante, porque muitas vezes as pessoas não conhecem o papel fundamental que elas têm nos ecossistemas.”

Aproximação entre universidade e escola

Outro tema de grande interesse do público foi água, apresentado pela professora Ana Lúcia Suriani Affonso, também da Unicentro. Para ela, o programa cria um espaço relevante de diálogo entre universidade e educação básica.

“Foi extremamente gratificante participar. É um momento em que podemos divulgar as pesquisas desenvolvidas na universidade e também aproximar esse conhecimento da realidade das escolas”, afirmou.

Segundo a professora, o contato com professores da rede básica ajuda a compreender as demandas que surgem dentro das escolas. “Essa troca de experiências é muito importante. Muitas vezes os professores trazem dúvidas e necessidades que ajudam a orientar novas pesquisas e atividades.”

Professora Ana Lúcia Suriani no programa Quarta com Clubes com o tema água (Foto/Reprodução YouTube)

Já a live sobre robótica, conduzida pelo professor Breno Ferraz, da Universidade Estadual de Maringá (UEM), destacou o potencial da tecnologia no ensino científico.

“Foi uma grande satisfação participar da Quarta com Clubes. A live foi uma oportunidade importante para compartilhar o trabalho que desenvolvemos com robótica educacional e dialogar com interessados no tema”, disse.

Para o pesquisador, iniciativas desse tipo ajudam a aproximar a comunidade da ciência. “A robótica educacional tem grande potencial para despertar o interesse dos alunos e desenvolver habilidades como criatividade, pensamento lógico e resolução de problemas.”

Professor Breno Ferraz, da UEM, durante o programa sobre robótica, da Quarta com Clubes (Foto/Reprodução YouTube)

Formação científica para professores

O objetivo do “Quarta com Clubes” é oferecer formação científica para professores que orientam projetos de pesquisa nos clubes escolares, aproximando o conhecimento produzido nas universidades da prática pedagógica nas escolas.

Na estreia do programa, por exemplo, professores da rede básica puderam enviar perguntas e discutir aplicações práticas das pesquisas apresentadas. A professora Katiane dos Santos, coordenadora do clube Climatize-se, do Colégio de Educação Integral Professor Pedro Carli, em Guarapuava, relatou que a atividade trouxe novas ideias para o trabalho desenvolvido com os estudantes.

“A live foi muito interessante e trouxe várias ideias para trabalhar de forma mais investigativa com os alunos. Essa troca com a universidade nos ajuda a refletir sobre o que fazemos na escola e inspira novas propostas de pesquisa”, contou.

Mudanças para a nova temporada

A principal mudança prevista para 2026 será no formato do programa. As transmissões deixarão de ser simultâneas e passarão a ser gravadas, com o objetivo de qualificar a produção e melhorar a organização dos conteúdos. Mesmo com a mudança, a periodicidade quinzenal será mantida. Outro avanço previsto é a produção de cortes para divulgação nas redes sociais, ampliando o alcance de público e das discussões. 

Os temas já previstos para a nova temporada são:

A Quarta com Clubes é organizada pelo grupo de pesquisa e extensão EducartGeo – Educação Geográfica e Cartografia para Escolares, da Unicentro, em parceria com a Rede de Clubes Paraná Faz Ciência. As lives estão disponíveis no canal EducartGeo.

A expectativa da coordenação é que a nova temporada amplie ainda mais o alcance da iniciativa e fortaleça a integração entre universidade, professores e estudantes da educação básica.

Acompanhe mais atividades dos clubes de ciências pelo Instagram da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência @clubesparanafazciencia e pelo site Paraná Faz Ciência.

Eloah de Oliveira foi selecionada para um intercâmbio em Toronto, pelo programa Ganhando O Mundo Professor

Mulher sorrindo aponta para um painel do programa “Ganhando o Mundo Professor”, do Governo do Paraná, em ambiente interno.
Eloah de Oliveira faz parte do programa Ganhando o Mundo Professor, que busca fortalecer a educação do Paraná (Foto/Arquivo pessoal)

A professora Eloah Francisco de Oliveira, docente do Colégio Estadual Duque de Caxias, em Santo Antônio do Caiuá, foi aprovada para participar do programa Ganhando o Mundo Professor, iniciativa de formação continuada promovida pelo Governo do Estado do Paraná e voltada a profissionais da educação da rede pública estadual.

A seleção representa um marco profissional para Eloah, que integra também o Clube de Ciências Bioessence, coordenado por ela e parte dos clubes de ciência ligados à Unespar.  A docente foi escolhida para uma experiência de intercâmbio na cidade de Toronto, no Canadá, com a oportunidade de vivenciar práticas educacionais internacionais e aprofundar seus conhecimentos em metodologias inovadoras de ensino.

De acordo com Eloah, a “oportunidade de realizar um intercâmbio em Toronto, no Canadá, representa muito mais do que uma viagem internacional, é uma experiência transformadora de formação profissional e pessoal. Participar de uma imersão no sistema educacional canadense possibilita conhecer práticas pedagógicas inovadoras, metodologias ativas, políticas públicas voltadas à inclusão e estratégias eficazes de valorização docente.”

Eloah sorrindo em frente à entrada da Lord Dufferin Public School, em dia frio e com neve no Canadá.
Eloah viveu uma experiência internacional na Lord Dufferin Public School, aprendendo e compartilhando conhecimentos além das fronteiras (Foto/Arquivo pessoal)

O Canadá é reconhecido mundialmente pela qualidade de sua educação, pelo investimento em formação continuada de docentes e pelo respeito à diversidade dentro e fora da sala de aula. “Vivenciar essa realidade amplia repertórios, fortalece competências interculturais e inspira novas práticas que podem ser aplicadas na rede pública do Paraná. Toronto é uma das cidades mais multiculturais do mundo, oferece uma vivência única de diversidade cultural e de respeito às múltiplas identidades. Essa experiência enriquece o olhar pedagógico e amplia a compreensão sobre educação inclusiva e cidadania global”, relatou Eloah. 

O programa Ganhando o Mundo Professor é uma modalidade do programa estadual com foco na internacionalização da formação docente, oferecendo imersão em contextos educacionais estrangeiros como forma de aperfeiçoar a prática pedagógica e fortalecer a educação pública paranaense. 

Esta edição levou 250 educadores da rede estadual do Paraná para o Canadá, com o objetivo de “proporcionar formação continuada em contexto internacional, com imersão em práticas educacionais de referência e metodologias inovadoras adotadas em sistemas de ensino reconhecidos mundialmente”, de acordo com a Secretaria de Educação do Paraná. Os professores paranaenses embarcaram pelo Aeroporto Internacional Afonso Pena no dia 06 de fevereiro.

Eloah, sorrindo, posa em frente ao painel “Experience ILSC-Toronto”, com ilustração da cidade ao fundo.
Conectando saberes e culturas em Toronto, vivendo uma experiência que amplia horizontes e transforma a prática docente (Foto/Arquivo pessoal)

Para Eloah, essa experiência está sendo uma oportunidade valiosa de crescimento profissional e pessoal. “Enquanto professora de biologia, o encantamento é ainda maior, pois a cidade é cercada por paisagens naturais deslumbrantes às margens do Lago Ontário. Além de parques, áreas verdes preservadas e ecossistemas que tornam o aprendizado ainda mais vivo e significativo” , conta.

A participação de Eloah no programa internacional representa não apenas um reconhecimento de sua dedicação e competência, mas também um investimento direto na qualidade da educação pública paranaense. Ao retornar, a professora traz consigo novos conhecimentos e inspirações, mas também uma chance de compartilhar o que aprendeu com outros professores e assim multiplicar o aprendizado que obteve no outro país. Os impactos sobre seus alunos, a comunidade escolar e o desenvolvimento educacional da região também são consequências diretas e altamente positivas vindas desse intercâmbio internacional.

Estudantes de Fazenda Rio Grande e São José dos Pinhais apresentaram soluções sustentáveis e análises sociais em evento científico em Curitiba

Fotografia em ambiente interno, em um espaço de eventos. No centro, um grupo de cerca de oito estudantes e uma professora está sobre um pequeno palco, posando para uma foto. Eles usam roupas casuais e uniformes escuros, e estão lado a lado, alguns sorrindo. Ao fundo, há um grande painel preto com um símbolo verde estilizado e a palavra “Semana Araucária”, indicando o nome do evento. Na frente do palco, várias pessoas estão sentadas em cadeiras, de costas para a câmera, assistindo à apresentação. Algumas usam fones de ouvido, sugerindo tradução simultânea ou acessibilidade sonora. O ambiente é bem iluminado, com paredes claras e um mezanino ao fundo. A cena transmite um momento de apresentação ou participação em evento educacional ou científico.
Liga Científica na Semana Araucária (Foto/Giovane de Lima)

Entre os dias 10 e 12 de março de 2026, o Campus da Indústria, da Fiep (Federação das Indústrias do Estado do Paraná), tornou-se o epicentro da inovação paranaense durante a Semana Araucária de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I). Com o tema “Recursos públicos transformados em conhecimento e desenvolvimento”, o evento buscou demonstrar como a ciência impacta o cotidiano da população. No último dia da programação (12/03) em Curitiba, a Rede Paraná Faz Ciência levou dez de seus mais de 250 clubes para compartilhar suas vivências investigativas, com destaque para os clubes Liga Científica e o Mentes em Ação, ambos vinculados à Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR)

Sustentabilidade em Fazenda Rio Grande

O clube Liga Científica, do Colégio Estadual Lucy Requião de Melo e Silva, em Fazenda Rio Grande, apresentou os frutos de sua horta escolar agroecológica. Sob a coordenação da professora Suelen Santos Rego, os estudantes demonstraram como transformam o ambiente escolar em um laboratório vivo.

O foco da apresentação foi a eficácia do adubo orgânico produzido via compostagem na própria escola. A pesquisa, que comprovou um crescimento superior das hortaliças, já colhe reconhecimentos externos: o projeto conquistou o 2º lugar na categoria Empreendedorismo Jovem na FECCI 2025. “Nosso objetivo é criar soluções voltadas para a preservação e levar essa mentalidade científica para feiras e eventos”, destacam os membros do clube.

Ciência Social e Mediação Escolar

Já o clube Mentes em Ação, do Colégio Estadual Herbert de Souza, em São José dos Pinhais, levou ao evento uma investigação científica sobre um tema urgente e global: o fenômeno do bullying. Sob a coordenação da professora Pauline Henrique Fernandes, o clube desenvolveu o projeto “Bullying: uma análise na escola”, que se destaca pelo rigor metodológico na compreensão das dinâmicas de convivência escolar.

O trabalho dos clubistas serve de modelo para outras instituições, pois foca na criação de estratégias de acolhimento frente a esses casos. O planejamento do grupo inclui a formação de estudantes mediadores e a construção de um Programa de Prevenção inspirado no Método Olweus, referência internacional na redução de conflitos através de redes de apoio social e escuta ativa.

Diálogo entre Escola e Universidade

A professora Neusa Nogas Tocha, representante da UTFPR, acompanhou de perto as apresentações e ressaltou como essa integração fortalece a educação. “Ver esses jovens na Semana Araucária é o resultado do trabalho em conjunto da comunidade escolar e universidade. Essa rede de apoio permite que o conhecimento circule e que os estudantes se sintam seguros para investigar temas complexos e compartilhar em eventos como este. É uma demonstração clara de como a colaboração está mudando a educação no Paraná”, defende.

A participação desses clubes na Semana Araucária de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) reafirma que a ciência paranaense começa cedo, dentro das salas de aula ou de locais como as hortas escolares, transformando a realidade dos estudantes e de suas comunidades para melhor.

Terceiro eixo do curso de formação em feiras de ciências tratou da organização, gestão, acessibilidade e sustentabilidade; Educação científica também entrou na pauta

“As feiras de ciências não são uma atividade ou um evento pontual, mas um processo de professor”, afirma Felipe de Azevedo, especialista e profundo conhecedor sobre o universo das feiras de ciências. Atuando em Mossoró, no Rio Grande do Norte, o professor acredita que as feiras de ciências são muito mais que uma exposição de trabalhos escolares. Elas se transformam numa oportunidade única para o desenvolvimento dos estudantes, estimulando o pensamento científico, a criatividade e a colaboração.

Convidado pela equipe do NAPI Paraná Faz Ciência, Azevedo compartilhou sua vivência na organização e gestão com os quase 100 participantes do curso de formação de feiras de ciências. Antes de qualquer coisa, é preciso fazer um planejamento inicial detalhado, passando pela definição do objetivo da feira, dimensionando o local e tamanho do evento e mobilizando a equipe pedagógica e quem vai trabalhar. “Todas essas questões precisam estar muito claras desde as primeira etapas da organização, inclusive a disponibilidade de recursos”, alertou o professor.

Azevedo enfatizou ainda que a escolha do espaço físico e da infraestrutura vai influenciar diretamente a experiência dos visitantes e expositores. “Questões como sinalização dos projetos, segurança e acessibilidade precisam entrar no planejamento para garantir o fluxo,  conforto e visibilidade”, disse em sua apresentação.

Professor Felipe de Azevedo, de Mossoró, Rio Grande do Norte (Imagem)

No quesito sustentabilidade, é importante tomar decisões conscientes em relação ao consumo de recursos. “Seja na própria condução do projeto, na utilização das maquetes e produtos, o aluno tem que pensar em práticas responsáveis, inclusive na comunicação. Em vez de um banner, seria interessante usar uma cartolina, uma vez que os projetos podem mudar e avançar em resultados. Um banner seria descartado”, estimulou. 

O professor destacou que o mais importante deste processo é, no fim, criar um ecossistema de feiras em que o aluno amplie o aprendizado e se sinta estimulado a participar de eventos científicos da escola, do município, do estado, do Brasil e até internacional. “Desde 2011 nós implantamos esse ecossistema aqui (no Rio Grande do Norte), onde o estudante está desde já pensando em participar no próximo ano”, enfatizou.

Letramento científico

Na sequência, as professoras doutoras Dayanne Cajueiro e Michelle Mendes, bolsistas do NAPI Paraná Faz Ciência, compartilharam com os participantes do curso de formação em feiras de ciências os conceitos que permeiam a Educação científica, alfabetização científica e iniciação científica escolar. 

O conceito de letramento científico propõe oferecer aos alunos a diversidade de conhecimentos produzidos ao longo da história, aproximando os principais processos, práticas e procedimentos da investigação científica. “Os professores precisam compreender os conceitos, mas sabemos que sempre surge uma insegurança de como aplicar esta e outras epistemologias”, disse Dayanne. 

Para ela, na prática, a metodologia científica surge do contexto em que o aluno vive, ao observar a sua realidade e, a partir do seu conhecimento, investigar os fenômenos naturais através dos olhos da ciência.

Dayanne Cajueiro, do NAPI Paraná Faz Ciência (Imagem)

Já Michelle Mendes, que acabou de defender sua tese de doutorado sobre feiras de ciências, além de ter mestrado na área, trouxe uma nova perspectiva para a discussão: como fazer o estudante aprender a aprender. 

“Como a gente pode fazer algo diferente no contexto da escola, que já é tão difícil? Tendo o professor como figura central neste processo, é preciso estimular o aluno a observar e questionar o mundo que o cerca”, explica Michele. 

Portanto, o professor tem que estar preparado para ser a ‘ponte’ entre aluno e a ciência, através de quatro etapas: tempestade de ideias, analisar as perguntas, formular uma pergunta passível de resolução e metodologia científica. Segundo Michele, o professor Felipe de Azevedo dispõe de um vasto material sobre a execução destas quatro etapas.

Michelle Mendes, do NAPI Paraná Faz Ciência (Imagem)

Clubistas falam dos planos para os eventos, sobre novas pesquisas e aprofundamento de projetos

Foto em ambiente escolar mostrando um grupo de adolescentes e uma professora em uma sala clara, sentados ao redor de uma mesa. Todos usam jalecos brancos. Sobre a mesa há cadernos, folhas com atividades, estojo de lápis de cor, cola e garrafa térmica. A professora está ao centro, atrás dos estudantes, e todos olham para a câmera. Ao fundo, há janelas altas e pia, sugerindo um espaço de laboratório ou sala de projetos.
Clube de Ciências do Colégio Prefeito João Maria de Barros, em Campina Grande do Sul, coordenado por Taíza Klemba, inicia o ano com reorganização do grupo e novas perspectivas de pesquisa (Foto/Arquivo do Clube)

Com o início do ano letivo, os Clubes de Ciências do Paraná Faz Ciência entram em uma nova etapa de planejamento e aprofundamento das investigações desenvolvidas ao longo do tempo. Alguns projetos iniciados anteriormente seguem em expansão, enquanto experiências acumuladas em feiras e eventos científicos inspiram novas perguntas e orientam diferentes caminhos de pesquisa, consolidando um processo investigativo contínuo. A chegada de novos integrantes também amplia perspectivas e contribui para a diversidade de temas e interesses que mobilizam os clubes.

Nos diferentes clubes da rede, esse movimento já se traduz em ações concretas. Além da organização das pesquisas e do planejamento das atividades, várias unidades realizaram encontros de apresentação, divulgação interna e mobilização para integrar novos clubistas, iniciativas essas que ampliam a participação, fortalecem o sentido de pertencimento e garantem a continuidade das ações ao longo do ano.

No Colégio Prefeito João Maria de Barros, por exemplo, em Campina Grande do Sul, a professora coordenadora Taiza Klemba precisou reorganizar o grupo após a mudança de turno de parte dos estudantes com a passagem para o nono ano. “Eu passei de sala em sala convidando, fechei o número de 20 estudantes e tenho lista de espera”, relata. A docente destaca que a procura foi facilitada pela reputação já consolidada do projeto entre os alunos, que reconhecem as atividades diferenciadas, as aulas de campo e as pesquisas desenvolvidas.

Já no Clube Bona, em Almirante Tamandaré, formado por alunos de Ensino Médio, a pesquisa sobre qualidade da água pode ganhar novos desdobramentos ao longo deste ano. Além da abordagem biológica já realizada pelos estudantes, há a possibilidade de incorporação da análise química, a partir do interesse demonstrado pela professora do curso técnico em Química do colégio em colaborar como coautora do trabalho, fortalecendo a perspectiva interdisciplinar e ampliando o alcance do estudo. Para os integrantes, essa ampliação dialoga com a própria trajetória do grupo. “É o mesmo tema, só que analisado de formas diferentes. Isso é interessante”, comenta Eduardo Fernando Ferreira da Silva, 17 anos. 

Além da continuidade dos estudos já desenvolvidos, o grupo também projeta novas áreas de interesse para o próximo período. Entre elas, a identificação de animais e o aprofundamento em estudos sobre plantas medicinais têm ganhado destaque, refletindo o amadurecimento das discussões e a ampliação do repertório científico dos estudantes.

No caso da identificação, o interesse integra o percurso de Gabriel Victor do Nascimento, 16 anos, no clube e ganhou novas referências após a participação na FECCI (Feira de Cultura Científica do Paraná Faz Ciência). “Na feira eu vi muita gente esforçada em pesquisa de identificação de animais e isso me motivou ainda mais”, relata. Dentro das atividades do grupo, uma iniciativa do estudante passou a integrar as práticas do clube: ele levou um aquário que estava sem uso em casa e iniciou uma experiência com a alga da espécie elódea. O experimento permitiu observações no microscópio e revelou a presença inesperada de duas espécies de caramujos de água doce, ampliando as possibilidades de análise e identificação.

No campo das plantas medicinais, a inspiração surgiu a partir da premiação conquistada na FECCI no ano anterior, que incluiu um livro sobre o tema. “Eu gostaria que neste ano, por exemplo, um trabalho que a gente fizesse fosse focado no livro que a gente ganhou. Sobre as plantas medicinais. Eu acho interessante”, afirma Maíra de Andrade Ribeiro, 16 anos. A proposta também desperta interesse em Suzanna Heliza Gonçalvez de Freitas, de mesma idade, que destaca a possibilidade de utilizar os conhecimentos sobre plantas medicinais em estudos voltados à área da cosmética, explorando o uso de bases naturais no desenvolvimento de produtos.

Com projetos voltados para a área de robótica educacional e engenharia aplicada, o Clube de Ciências Nautilus Robotics, de Pinhais, iniciou o ano letivo já envolvido em atividades externas. No último sábado, 21 de fevereiro, a equipe participou do Amistoso das Araucárias, realizado no Colégio Sesi Indústria, evento preparatório para as próximas etapas da FIRST Tech Challenge (FTC), competição internacional de robótica educacional. O encontro reuniu equipes para momentos de prática, testes e ajustes antes das disputas oficiais.

Para Samuel, 16 anos, a participação foi especialmente marcante. Integrante da equipe nas funções de programação e engenharia, ele assumiu, desta vez, a pilotagem do robô. “Foi algo muito emocionante. Dessa vez pude ter a chance de pilotar”, relata. 

Para 2026, a expectativa é avançar em relação ao ano anterior, com ajustes técnicos, ampliação dos conhecimentos e participação nos eventos previstos ao longo da temporada, fortalecendo a presença da equipe no Paraná e, possivelmente, em outros estados.

Rafael Lopes Virmond, 18 anos, também projeta o ano como uma oportunidade de aprimoramento técnico e integração com o grupo. A expectativa é desenvolver ainda mais suas habilidades como engenheiro e modelador 3D, além de fortalecer a convivência com os integrantes da Nautilus Robotics e com outras equipes da FTC. “Participar dos campeonatos, conhecer outras equipes e aprender como eles montam os robôs ajuda a melhorar o nosso trabalho em equipe”, afirma.

Já Hiran Silva dos Santos, 16 anos, destaca a necessidade de aperfeiçoamentos no desempenho do robô, especialmente em relação à precisão nos lançamentos. Segundo ele, o novo ciclo também demanda maior organização interna, com a definição de funções que permitam a cada integrante aprofundar-se em áreas como modelagem 3D, programação e pilotagem, sem perder o caráter colaborativo do grupo. A expectativa é que os próximos eventos, sejam amistosos ou oficiais, contribuam para um melhor desempenho no ranking e reforcem a motivação da equipe.

Além das expectativas dos estudantes, o professor Guido Valmor Buss, coordenador do Clube de Ciências Nautilus Robotics no Colégio Estadual Humberto de Alencar Castelo Branco, projeta um ano de ampliação das atividades e presença em novos espaços. Segundo ele, a equipe foi convidada a apresentar o projeto do clube no evento Smart City, na Arena da Baixada, e também se prepara para o Off-Season das Araucárias, a próxima temporada da FTC.

O coordenador destaca ainda a incorporação de novos desafios técnicos ao cotidiano do grupo, como a montagem de uma máquina CNC a laser, iniciativa que amplia as possibilidades de aprendizagem prática dos estudantes. “As expectativas são as melhores possíveis. São vários projetos em andamento e outras oportunidades que podem surgir ao longo do ano”, afirma.

Em diferentes áreas do conhecimento, os Clubes de Ciências do Paraná Faz Ciência iniciam o ano letivo com pesquisas em andamento, novas perguntas e reorganizações internas. Seja no campo, no laboratório ou em competições, o que marca esse início de ciclo é a disposição para rever caminhos, ampliar investigações e transformar experiências anteriores em novos pontos de partida.

Prazo para inscrição de feiras e mostras de ciências e projetos vai de 1º a 30 de abril; edital define os critérios de participação

Durante todo o mês de abril, as escolas da Educação Básica e Técnica do Paraná, públicas e privadas, poderão fazer parte da Rede de Feiras Afiliadas à Feira de Cultura Científica (FECCI) do Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (NAPI) Paraná Faz Ciência. O Edital 001/FECCI-2026 vigente estabelece normas, critérios e prazos para o credenciamento de feiras de ciências e mostras científicas escolares, municipais, regionais e estaduais, à FECCI, possibilitando a essas instituições a indicação de projetos científicos para avaliação e eventual participação na FECCI 2026.

O objetivo da Rede de Afiliadas à FECCI é fortalecer a cultura científica, promover a articulação entre feiras municipais, regionais e estaduais do Paraná e incentivar a pesquisa, a investigação científica e a inovação pedagógica. A iniciativa do NAPI Paraná Faz Ciência também visa alinhar práticas avaliativas e éticas aos padrões nacionais e internacionais de feiras científicas.

Poderão participar da Rede as instituições de ensino que realizaram evento científico no ano de 2025 ou até final de abril de 2026, , atendendo integralmente os critérios estabelecidos no edital e para ser oficialmente credenciado pela FECCI.  Também será possível indicar trabalhos de pesquisa científica, tecnológica ou investigativa selecionados por uma feira ou mostra afiliada para submissão à FECCI 2026. A Comissão Científica (CC‑FECCI será responsável pela análise técnico‑científica, ética e de segurança dos projetos indicados.

Ao todo, 381 projetos foram desenvolvidos e apresentados durante a FECCI 2025. Para a edição deste ano, a expectativa é dobrar a participação (Foto/NAPI PRFC)

A pós-doutoranda e bolsista do Napi Paraná Faz Ciência, Dayanne Dalila Cajueiro, destaca que a afiliação à Rede de Feiras da FECCI é o primeiro passo para garantir a participação no evento, que já tem data marcada: de 4 a 6 de novembro, em Curitiba. “As expectativas são excelentes, diante do interesse de professores e gestores escolares pela consolidação da uma rede estadual de feiras e mostra de ciências, para oferecer aos alunos uma experiência prática com a pesquisa e o método e pensamento científicos”, enfatiza Dayanne.

O credenciamento e as inscrições de projetos para a FECCI 2026 vão de 1º a 30 de abril, com preenchimento do formulário on-line.

Curso de formação em feiras de ciências

Em outra frente, oNAPI Paraná Faz Ciência promove um primeiro curso de formação para professores, graduandos e pós-graduandos e gestores de escolas públicas e privadas sobre a realização de feiras de ciências. Foram selecionados 100 participantes para o curso on-line, sendo a maioria do Paraná, mas também de outros estados. 

O curso tem parceria com a Secretaria de Estado da Educação (SEED/PR) e cria a oportunidade para compartilhamento de informações sobre como organizar feiras de ciências em suas instituições de Ensino Básico, além de estimular e apoiar participações em feiras e mostras de ciências. Somando-se ao objetivo da iniciativa, a divulgação e popularização da ciência será o tema central dos encontros, no total de quatro até 9 de abril, sempre às quinta-feiras, das 18 às 21 horas.

Na próxima quinta-feira, 02, os temas abordados no terceiro eixo são: Educação científica, alfabetização científica e iniciação científica escolar, com as professoras doutoras Dayanne Cajueiro e Michelle Mendes; Organização, gestão, acessibilidade e sustentabilidade de feira de ciências, com o professor doutor Felipe de Azevedo.