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Pyetra Heller, de 14 anos, clubista do Colégio Estadual Padre Chagas, apresentou o projeto “Jovens Cientistas: Diagnósticos e Soluções para Justiça Climática” na etapa estadual em Foz do Iguaçu

Duas pessoas estão em pé e sorrindo para a foto. À esquerda, um homem de cabelos e barba grisalhos, usa óculos, camisa cinza de manga comprida e calça jeans azul. À direita, uma jovem com cabelo curto e vermelho, veste jaqueta preta, calça preta e botas pretas. Ela tem um fone de ouvido roxo no pescoço e uma camiseta preta com estampa vermelha. Ambos usam crachás de identificação pendurados no pescoço. Ao fundo, há um banner da Secretaria da Educação do Paraná com frases e ilustrações coloridas.
Pyetra Heller acompanhada do professor responsável pelo clube EcoCientistas Visionários, Emerson de Souza, durante a etapa estadual da VI Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente, em Foz do Iguaçu (Foto/Arquivo Pessoal)

Nos dias 11 e 12 de agosto ocorreu a etapa estadual da VI Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente, em Foz do Iguaçu. Durante o evento, o projeto Jovens Cientistas: Diagnósticos e Soluções para Justiça Climática, do clube de ciências EcoCientistas Visionários, de Guarapuava, foi selecionado para representar o estado do Paraná na etapa nacional, em Brasília.

Pyetra Heller Pereira, de 14 anos, clubista do Colégio Estadual Padre Chagas, foi escolhida como delegada da escola e teve a missão de apresentar as ações do grupo envolvendo temas como saneamento básico, resíduos sólidos, drenagem, inundações e insegurança alimentar. Para ela, apresentar o projeto na etapa estadual  “trouxe muitas emoções, nervosismo, ansiedade, mas principalmente orgulho de trazer um projeto tão importante, pois queremos não só melhorar o meio ambiente, mas a qualidade de vida da população”, relatou a estudante.

O projeto Jovens Cientistas em Ação: Diagnóstico e Soluções para a Justiça Climática, tem a proposta de diminuir os impactos de desastres naturais, como as inundações, visando melhorar a qualidade de vida das comunidades, principalmente de moradores de áreas de risco. O objetivo apresentado por Pyetra é levar as propostas de ação ao poder público para que se tenha uma atuação mais eficaz na melhora do saneamento.

Como solução, Pyetra acredita ser de extrema importância ouvir a comunidade, levando conhecimento e informação sobre a prevenção. “Esses temas são de extrema importância, pois sem a conscientização da sociedade sobre o assunto, não há como trabalharmos por um futuro melhor.”

Pyetra Heller: “Espero aprender mais sobre as necessidades da população, sobre formas de trazer uma maior qualidade ao meio ambiente, e de experienciar alunos trabalhando e discutindo em busca de um Brasil melhor” (Foto/Arquivo Pessoal)

Na etapa municipal, que garantiu a vaga para o Colégio Estadual Padre Chagas na etapa estadual da VI Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente (CNIJMA), os alunos aplicaram uma dinâmica: A atividade começou com apresentações introdutórias dos clubistas. A partir dessas exposições, os alunos das turmas formaram grupos e criaram o ‘Muro das Lamentações’, onde registraram problemas ambientais que conhecem, vivenciam ou identificam nas falas dos colegas. Em seguida, a atividade evoluiu para a construção da Árvore dos Sonhos, onde os estudantes escreveram nas folhas suas propostas de solução para esses problemas, criando, assim, uma trilha simbólica que liga os desafios às ações necessárias para superá-los e alcançar um futuro mais sustentável.

Com o tema “Vamos transformar o Brasil com educação e justiça climática”, a Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente é uma iniciativa do Ministério da Educação e do Ministério do Meio Ambiente voltada a estudantes do Ensino Fundamental II e Ensino Médio. Durante a etapa estadual, o evento contou com 60 alunos do 6º ao 9º anos do Ensino Fundamental que foram previamente selecionados por comissões formadas nos Núcleos Regionais de Educação (NREs), que avaliaram as conferências escolares. 

Em Guarapuava, o projeto contou com o apoio da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência e dos projetos internacionais ‘Nós Propomos! Unicentro: Juventude educando-se na/com a cidade’ e ‘Pacto Global dos Jovens pelo Clima’, coordenados pela Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro).

De mãe para filha

Paloma Heller também teve a mesma missão que sua filha, Pyetra, durante seu tempo escolar. Em 2008, representou o Paraná na 3ª edição da CNIJMA, pelo Colégio Estadual Vinícius de Moraes, em Nova Tebas. Na época, o projeto focava  em melhorias na coleta de lixo, diante da precariedade do serviço e da prática comum de queimar resíduos.

Pyetra Heller ao lado da mãe, Paloma, que também representou o Paraná na terceira edição da Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente (Foto/Arquivo Pessoal)

Para Paloma, ver sua filha fazendo parte de algo que foi tão importante para o próprio crescimento pessoal é significativo. “Fiquei orgulhosa demais, minha filha sempre foi muito tímida e incentivei muito essas experiências para que ela pudesse desenvolver esse lado tão importante pro desenvolvimento dela. Entrar no clube de ciências foi muito bom, principalmente para o crescimento pessoal e profissional dela. Ser escolhida como representante do Paraná na etapa nacional foi e vai ser um grande passo para o crescimento dela”, contou a mãe de Pyetra.

Já para Pyetra, ter sua mãe como exemplo as deixa ainda mais conectadas. “Continuar algo que minha mãe já participou me deixa mais conectada às suas experiências, mas também me dá muita alegria”, comentou.

Agora, Pyetra e o professor responsável pelo clube de ciências da escola, Emerson de Souza, se preparam para a etapa nacional da Conferência, que está marcada para acontecer durante os dias 6 a 10 de outubro, em Brasília. “Minhas expectativas são de conseguir levar o nosso projeto e alcançar mais pessoas, além de obter mais conhecimento com os outros alunos”, respondeu Pyetra ao ser perguntada sobre as suas expectativas para a etapa nacional.Acompanhe mais atividades dos Clubes de Ciências pelo Instagram da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência @clubesparanafazciencia e pelo site Paraná Faz Ciência.

Após quatro semanas no SLI, em Portugal, Lucas Koehler retorna com o desejo de estudar fora, pesquisar e retribuir ao Brasil o que aprendeu

Um estudante está sentado em uma mesa de trabalho coletiva, utilizando um notebook. Ele veste camiseta preta estampada e crachá azul, com óculos de grau de armação escura. À sua frente, sobre a mesa, há outro notebook fechado, um celular, um par de óculos de sol e duas garrafas brancas de metal. Ao fundo, outros estudantes trabalham em laptops em um ambiente moderno, com paredes decoradas por imagens que remetem ao espaço. A cena registra um momento de concentração durante atividades acadêmicas em grupo.
Lucas durante as atividades do programa em Portugal. (Foto/Arquivo Pessoal)

Após quatro semanas em Portugal, o estudante curitibano Lucas Gabriel Vicari Koehler, 17 anos, do Colégio Elias Abrahão e integrante do Clube de Ciências MBaetaca, retornou com a experiência de participar da 6ª edição do Sustainable Living Innovators (SLI). O programa internacional, realizado pelo Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produto (CEiiA), em Matosinhos (Portugal), reuniu jovens de diferentes países em palestras, mentorias e em um desafio coletivo que simulava uma missão lunar. Nessa atividade, as equipes precisaram desenvolver estratégias de sobrevivência com aplicação prática  também na Terra.

Durante as atividades, os participantes foram organizados em grupos para desenvolver soluções conjuntas aos desafios propostos. A orientação de mentores foi parte essencial nesse processo, somada ao incentivo constante à troca de conhecimentos entre jovens de diferentes áreas. Sintetizando esse aprendizado, Lucas lembra de uma frase que, repetida tantas vezes, acabou se tornando um lema entre os colegas: “Se um ganha, todos ganham. Se um perde, todos perdem.”

Despedida de colegas no encerramento do SLI (Foto/ Arquivo Pessoal)

O interesse de Lucas pela aproximação entre tecnologia e saúde está presente desde a inscrição no programa – quando propôs o uso de tecnologias espaciais para auxiliar na detecção precoce de câncer – e foi reforçado no programa em Portugal. Entre os momentos mais marcantes, ele destaca a oportunidade de acompanhar pesquisadores que atuam com nanotecnologia, por exemplo, aplicada à saúde. O contato direto com especialistas da área tornou mais palpável a percepção de como a inovação pode impactar a medicina e contribuir para salvar vidas. 

Fora da programação formal, a vivência cultural também foi determinante. Lucas lembra das idas ao Jardim do Morro, onde conversava com colegas, turistas e moradores locais, e fez amizades com pessoas de diferentes países. Para ele, circular pela cidade e se deparar com múltiplos idiomas foi transformador: “Gostei muito de poder ter essa liberdade, de passar na rua e escutar inglês, escutar alemão, escutar línguas diferentes e também poder falar línguas diferentes, poder ter essa troca cultural”, contou.

Estudante compartilha vivência com turma em Curitiba (Foto/ Arquivo Pessoal)
Um estudante está sentado em uma mesa de trabalho coletiva, utilizando um notebook. Ele veste camiseta preta estampada e crachá azul, com óculos de grau de armação escura. À sua frente, sobre a mesa, há outro notebook fechado, um celular, um par de óculos de sol e duas garrafas brancas de metal. Ao fundo, outros estudantes trabalham em laptops em um ambiente moderno, com paredes decoradas por imagens que remetem ao espaço. A cena registra um momento de concentração durante atividades acadêmicas em grupo.
Lucas ao lado da professora e da diretora da escola (Foto/ Arquivo Pessoal)

Para a mãe, Tayana Vicari, a vivência no exterior ampliou os caminhos do filho. “As portas do mundo se abriram para ele. Ele sempre quis trazer benefícios às pessoas, e agora terá condições de contribuir de alguma forma para a sociedade”, afirmou. 

Lucas, por sua vez, considera a viagem um divisor de águas em sua formação. Mais do que o aprendizado técnico e as conexões internacionais, voltou decidido a compartilhar o que aprendeu. “Eu tenho muito para oferecer. Minha jornada, quem eu sou, conta muito. Quero estudar no exterior, pesquisar e depois voltar ao Brasil para retribuir o que aprendi, incentivando outros estudantes a acreditar que estudar vale a pena e que é possível conquistar oportunidades”, concluiu o estudante.

Dez colégios com clubes de ciências realizaram as conferências na região

Oito estudantes posam segurando uma faixa branca com os dizeres: “VI Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente – Vamos transformar o Brasil com Educação e Justiça Climática”. Ao fundo, há uma parede repleta de desenhos coloridos feitos à mão, com elementos da cultura pop, flores, animais e frases diversas. A sala é iluminada por luz natural que entra pela janela à direita da imagem. Os alunos e alunas estão sorrindo levemente e demonstram orgulho por participarem da conferência.
Estudantes do Colégio Estadual do Campo da Paz durante a VI Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente. (Foto/Arquivo Pessoal)

Durante os meses de junho e julho, colégios da região Centro-Sul do Paraná promoveram a VI Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente (CNIJMA), uma iniciativa do Ministério da Educação e do Ministério do Meio Ambiente voltada a estudantes do Ensino Fundamental II e Ensino Médio. Com o tema “Vamos transformar o Brasil com Educação e Justiça Climática”, a Conferência busca engajar os alunos em debates e propostas sobre educação ambiental e justiça climática por meio de pesquisas e ações concretas voltadas às questões socioambientais.

Dez colégios com clubes de ciências da região estão participando da etapa regional da conferência. As escolas são de Guarapuava, Candói, Turvo, Prudentópolis, Boa Ventura de São Roque e Cantagalo. Cada uma delas está adotando metodologias próprias para trabalhar os temas com os alunos.

A VI Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente ocorre em quatro etapas: a primeira é a escolar, na qual cada escola desenvolve projetos com seus alunos. Em seguida vem a etapa regional, que seleciona as melhores propostas de cada região. As escolas finalistas participam da etapa estadual, e, por fim, os projetos vencedores de cada estado avançam para a fase nacional, que será em Brasília.

Na região Centro-Sul do Paraná, os colégios contam com o apoio da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), que atua diretamente no desenvolvimento de ações por meio de projetos voltados ao protagonismo juvenil e à popularização da ciência. Entre essas iniciativas estão o Pacto Global de Jovens pelo Clima, projeto de abrangência internacional que envolve 11 estados brasileiros; a Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, que envolve 30 escolas em 17 municípios da região; e o projeto Nós Propomos! Unicentro: Juventude educando-se na/com a cidade, também de alcance internacional, presente em 16 estados do país, coordenado pelo Grupo de Pesquisa e Extensão Educação Geográfica e Cartografia para Escolares, o EducartGeo.

CONFERÊNCIAS

Em Guarapuava, no Colégio Estadual Cristo Rei, a professora Crissiane Loyse Luiz, responsável pelo Clube de Ciências “Velozes e Curiosos”, organizou uma feira de apresentação dos trabalhos desenvolvidos pelos alunos. A atividade teve como objetivo mobilizar os estudantes quanto ao debate sobre as formas de mitigação da mudança climática através do cuidado com as abelhas nativas do Brasil e a manutenção da biodiversidade. Para a professora Crissiane, a apresentação é fundamental no desenvolvimento dos trabalhos. “Os alunos acabaram trazendo muitas ideias e materiais que eles mesmos confeccionaram, e as pesquisas já estavam em andamento, já estavam organizados”, destacou.

A estudante Luiza Mazur, de 11 anos, faz parte do clube e apresentou seu trabalho na feira. Para ela a conferência foi uma experiência muito enriquecedora. “Foi a minha primeira apresentação sobre as abelhas e o meio ambiente. Foi bem legal, um sentimento novo. Eu gostei bastante de participar da Conferência, porque abre novas portas e é uma oportunidade de conscientizar outras crianças sobre as abelhas”, comenta.

Luiza Mazur e seus colegas apresentando o trabalho sobre a rede de interação das abelhas durante a VI Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente no Colégio Estadual Cristo Rei. (Foto/Arquivo Pessoal)

Já no Colégio Estadual Padre Chagas, também em Guarapuava, o professor Emerson de Souza Gomes, responsável pelo clube “EcoCientistas Visionários”, coordenou uma atividade que envolveu seis grupos de alunos, cada um abordando uma temática ligada à justiça climática, como saneamento básico, resíduos sólidos, drenagem, inundação e insegurança alimentar. 

A dinâmica proposta pelos estudantes foi aplicada às turmas dos sétimos e oitavos anos e começou com apresentações introdutórias dos clubistas. A partir dessas exposições, os alunos das turmas formaram grupos e criaram um “Muro das Lamentações”, onde registraram problemas ambientais que conhecem, vivenciam ou identificam nas falas dos colegas. Em seguida, a atividade evoluiu para a construção da “Árvore dos Sonhos”, onde os estudantes escreveram em folhas suas propostas de solução para esses problemas, criando, assim, uma trilha simbólica que liga os desafios às ações necessárias para superá-los e alcançar um futuro mais sustentável. 

Para a estudante do clube, Laura Maria Polli, de 14 anos, essa troca de experiências com os alunos de outras turmas é essencial para a sua formação. “A gente está aprendendo com eles, porque eles trouxeram ideias que talvez não tivéssemos pensado. Para mim, me ajuda muito para agregar conhecimento”, contou.

Laura Maria Polli (14) e Clara dos Santos de Cristo (15) construindo o “Muro das Lamentações” durante a VI Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente no Colégio Estadual Padre Chagas. (Foto/Mathias Trindade)

No Colégio Estadual Heitor Rocha Kramer, em Guarapuava, a professora Daniele Kosmos coordena o Clube de Ciências “EcoTransformadores”. Os clubistas decidiram fazer uma apresentação para os alunos dos oitavos e nonos anos do colégio explicando sobre as mudanças climáticas, aquecimento global e justiça climática. Em seguida, os alunos apresentaram o projeto do Clube, “Rua Sustentável”, que propõe ações para melhorar a qualidade das ruas do bairro Colibri, próximo ao colégio. A proposta foi tornar uma rua-modelo no bairro, um exemplo de sustentabilidade, refletindo o que foi discutido em sala. Para a professora Daniele, a conferência tem papel central para a formação dos estudantes. “É uma oportunidade de ir além do conteúdo da sala de aula e mergulhar diretamente na vivência cidadã e crítica”.

Já os alunos do Colégio Estadual Professor Amarílio, também em Guarapuava, fizeram uma análise dos problemas do cotidiano escolar em conexão com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), utilizando textos de apoio e dinâmicas em grupo. Em seguida, os alunos do Clube de Ciências “EcoCriativos”, com a supervisão do professor responsável, Doacir Domingos Filho, se organizaram em torno de temas como descarte incorreto de resíduos, desperdício de água, uso excessivo de energia elétrica e falta de aproveitamento de materiais recicláveis. E então elaboraram propostas de ações para resolver esses problemas.

Com foco na importância das abelhas para o equilíbrio ambiental e sua relação com o combate às mudanças climáticas, os alunos do Colégio de Educação Integral Professor Pedro Carli, em Guarapuava, apresentaram os trabalhos desenvolvidos no Clube de Ciências “Climatize-se”, organizado pela professora Katiane dos Santos, para turmas do Ensino Fundamental II da escola.

Após as apresentações internas, os projetos foram integrados e exibidos para a comunidade no evento de Culminância das Eletivas, uma feira realizada no colégio no dia 8 de julho, que reuniu toda a comunidade escolar para conhecer os trabalhos desenvolvidos nas disciplinas eletivas e nos clubes de aprendizagem.

Clubista do Colégio de Educação Integral Professor Pedro Carli apresentando seu trabalho sobre o desenvolvimento das abelhas durante a VI Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente. (Foto/Mathias Trindade)

Em Candói, os estudantes do Colégio Estadual do Campo da Paz participaram das atividades sob a orientação do professor de Biologia, Daniel Mazurek, e da professora Leonara Forquim de Mattos, responsável pelo clube “Identidades em Construção”. Os clubistas fizeram uma apresentação sobre educação ambiental, crise climática e racismo ambiental para todos os estudantes do Ensino Fundamental II. Ao final, os alunos propuseram ações para resolver os problemas discutidos.

No Colégio Indígena Cacique Otávio dos Santos, localizado na Terra Indígena Marrecas, em Turvo, as atividades da Conferência foram organizadas em três momentos. Durante uma manhã, professores de diferentes disciplinas e alunos apresentaram os projetos e ações já desenvolvidos no Clube de Ciências “Pỹnfīfī”, com foco em temas como desmatamento e a relação dos povos originários com o meio ambiente. As apresentações envolveram turmas desde as séries iniciais até o Ensino Médio. Em seguida, foi realizado um diagnóstico socioambiental da escola, refletindo sobre os principais desafios enfrentados e as possibilidades de transformação do espaço escolar. Por fim, os estudantes participaram de rodas de conversa, onde puderam trocar ideias e propor ações voltadas à melhoria da realidade local.

Segundo o professor responsável pelo clube no colégio, Luan Felipe de Lima, o envolvimento dos estudantes tem sido essencial. “Eles são muito engajados, então as propostas saem. Acredito que vai sair bastante coisa. Espero que os alunos, principalmente os do Ensino Médio que estão adentrando em uma faculdade, consigam espalhar essas vivências que eles têm para o pessoal da cidade”, afirmou.
No Colégio Estadual Adonis Morski, em Boa Ventura de São Roque, os alunos do Clube de Ciências “Adonis com Ciência” foram organizados em grupos temáticos, como desmatamento, energias renováveis, racismo ambiental e resíduos sólidos, e realizaram pesquisas orientadas pela professora Juliana Aparecida Ghiotto. A partir disso, a proposta foi criar conteúdos digitais, como vídeos e podcasts. Segundo a professora Juliana, os alunos demonstraram um grande interesse pela atividade. “A proposta de utilizar as redes sociais como ferramenta educativa despertou entusiasmo, pois dialoga com a realidade deles”, completa.

Estudantes no processo de criação de conteúdos digitais na VI Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente no Colégio Estadual Adonis Morski. (Foto/Arquivo Pessoal)

Em Prudentópolis, os alunos do Colégio Estadual Alberto de Carvalho foram organizados em cinco grupos pela professora Mariel Guil Chociai, responsável pelo Clube de Ciências Quatro Elementos, com diferentes eixos temáticos. Cada grupo trabalhou com um eixo diferente relacionado à justiça climática. Após essa divisão, foram realizados debates e identificados os problemas ambientais do município. Entre as ações discutidas, destacou-se o reflorestamento de nascentes urbanas, iniciativa que saiu do papel e foi concretizada em uma atividade prática de campo, envolvendo os próprios estudantes.

No Colégio Estadual Professora Elenir Linke, em Cantagalo, a Conferência foi dividida em dois momentos. Pela manhã, os alunos participaram de palestras com a professora e doutora Sílvia Romão e com a própria professora responsável Luana Almeida Pereira, que abordaram os temas “Meio Ambiente e Qualidade de Vida” e “justiça climática”. No período da tarde, os estudantes, do sexto ao nono ano, se organizaram em grupos mistos para desenvolver projetos, que foram apresentados ao final do dia. O projeto mais votado foi escolhido para representar a escola na etapa regional. Os alunos do Ensino Médio, integrantes do Clube de Ciências “Discípulos de Pasteur”, atuaram como monitores na organização do evento.

A VI Conferência Infantojuvenil pelo Meio Ambiente é uma iniciativa que promove e desenvolve o pensamento crítico e científico dos estudantes, por meio das atividades práticas propostas pelos professores. Além de fortalecer a cidadania ativa e ambiental, consolidando o papel da escola de Ensino Básico na formação de lideranças conscientes e engajadas frente à crise climática.
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Clubista do Colégio Estadual Padre Chagas foi uma das cinco paranaenses selecionadas para o intercâmbio científico, onde desenvolveu soluções para uma base lunar

A fotografia mostra uma jovem de cabelos longos e castanhos, usando óculos e camiseta branca com estampa colorida, sentada em uma mesa redonda e trabalhando em um notebook preto. À frente dela, há outro notebook aberto com uma tela clara. No fundo, outras pessoas também trabalham em computadores. Na parede, há um grande painel com o logotipo do programa “SLI – CEiiA New Space PT”, em um fundo que lembra o espaço sideral, com estrelas e planetas.
Rafaela Zerbielli, de 16 anos, durante a 6ª edição do Programa Sustainable Living Innovators (SLI), que ocorreu entre os dias 14 de julho a 8 de agosto. (Foto/ Arquivo Pessoal)

No dia 8 de agosto, chegou ao fim a sexta edição do Programa Sustainable Living Innovators (SLI), em Portugal. Entre os cinco estudantes paranaenses selecionados para o programa internacional, esteve Rafaela Zerbielli, de 16 anos, estudante do Colégio Estadual Padre Chagas, de Guarapuava, e integrante do clube de ciências “EcoCientistas Visionários’’,  vinculado à Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro).

Com o tema “Da Lua para a Terra – Como é que as tecnologias de exploração lunar podem melhorar a vida na Terra”, Rafaela e seus colegas brasileiros e portugueses desenvolveram o conceito de uma base lunar. A proposta final do projeto era apresentar  soluções para viabilizar futuras colônias humanas na Lua.

A estudante embarcou para Portugal no dia 10 de julho, e as atividades do intercâmbio começaram no dia 14. Segundo Rafaela, ao chegar ao país, ela ficou impressionada com a receptividade e o preparo dos portugueses e dos demais participantes. “Todos pareciam extremamente aptos para o programa, trazendo ideias inovadoras e um entusiasmo contagiante. Foi bem legal perceber que apesar das diferenças culturais, todos compartilhavam o mesmo objetivo de criar algo grandioso juntos”, relatou.

Durante o programa, os 29 participantes foram divididos em quatro grupos temáticos: saúde e bem estar, construção, mobilidade  e energia. Rafaela integrou a equipe de saúde e bem-estar, responsável por desenvolver soluções voltadas ao cuidado dos astronautas na missão lunar. Cada grupo trabalhou em soluções específicas dentro de sua área, e a entrega  final do programa foi a criação de uma base lunar funcional que,  futuramente,  pudesse viabilizar colônias humanas na Lua, um resultado final que uniu as ideias elaboradas por todos os participantes.

Para Rafaela, a visita aos centros de pesquisa ligados à exploração espacial foi uma das atividades mais marcantes do programa, por proporcionar contato direto com protótipos e simulações. “Estar diante de tecnologias reais, que hoje estão em fase de estudo, mas amanhã poderão estar no espaço, foi como ver o futuro diante dos meus olhos.”

Rafaela Zerbielli: “O momento mais marcante foi quando recebemos os diplomas de Innovators, representou todo o nosso esforço, dedicação e aprendizado ao longo de um mês intenso” (Foto/Reprodução YouTube)

A estudante também destacou o aprendizado em áreas como engenharia e arquitetura espacial, métodos de geração de energia em ambientes extremos, mobilidade em terrenos lunares e cuidados com a saúde humana em condições adversas. Mais do que o conhecimento técnico, Rafaela valoriza as competências desenvolvidas ao longo do intercâmbio. “Destaco principalmente as habilidades de trabalho colaborativo internacional e em gestão de projetos científicos complexos, como as que eu desenvolvi lá, pois a organização do programa inteiro se baseava nisso. Então posso dizer que essas habilidades, por conta da estrutura do programa, foram muito bem aprimoradas”, contou.

O Programa Sustainable Living Innovators (SLI),  foi oferecido por meio de uma parceria entre a Fundação Araucária e o Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produto (CEiiA), de Portugal. A iniciativa foi oferecida a estudantes dos segundos e terceiros anos do ensino médio que fazem parte dos Clubes de Ciência da Rede de Clubes Paraná faz Ciência, além de outros cinco universitários cursando os dois anos iniciais da graduação e matriculados em projetos de iniciação científica.

De volta a Guarapuava, Rafaela já planeja aplicar uma das maiores lições que ela adquiriu durante o programa no dia a dia do clube de ciências: a importância do trabalho colaborativo e multidisciplinar. “No clube de ciências, pretendo incentivar ainda mais essa dinâmica, mostrando que ideias diferentes se complementam e podem gerar soluções muito mais criativas e eficazes”, defende a clubista.

Além do trabalho colaborativo, a clubista pretende compartilhar os conceitos de sustentabilidade e inovação que aprendeu. “Aprendemos que tecnologias pensadas para um ambiente extremo, como a Lua, podem ser adaptadas para melhorar o cotidiano aqui na Terra. Acredito que levar essa visão para meus colegas e para a comunidade pode inspirar projetos voltados para questões nossas,  aqui mesmo de Guarapuava, como, por exemplo, o uso mais consciente da água, a geração de energia limpa e a construção de soluções simples, mas inovadoras, voltadas aos problemas do dia a dia”, comentou Rafaela.
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O programa convidou a professora Adriana Massaê Kataoka, da Unicentro, que abordou temas como justiça climática, protagonismo juvenil e o sentimento de impotência diante da crise climática

Captura de tela de uma transmissão online pelo Google Meet. No lado esquerdo, aparece um slide com o título "Educação Ambiental e Emergência Climática", apresentado pela professora doutora Adriana Massaê Kataoka. O slide também traz a identidade visual do projeto Quarta com Clubes, com a data "30/07, 19h" e uma foto da professora sorrindo em destaque dentro de uma moldura estilizada. Na parte superior, há logotipos de instituições parceiras, como NAPI Paraná Faz Ciência, Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, GYCP, NEA, Unicentro e Universidade de Educação Ambiental e Escolar. No lado direito da tela, a professora Adriana aparece em uma janela de vídeo, com estante de livros ao fundo e papéis organizados na parede, enquanto fala durante a live.
Professora doutora Adriana Massaê Kataoka durante a quarta edição da ‘Quarta com Clubes’, que ocorreu no dia 30 de junho.(Foto/Reprodução YouTube)

Nesta quarta-feira, dia 30 de julho, ocorreu a quarta edição da “Quarta com Clubes”, uma iniciativa do grupo de Pesquisa e Extensão EducartGeo (Educação Geográfica e Cartografia para Escolares), da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) e promovida pela Rede de Clubes Paraná Faz Ciência.

Com o tema “Educação Ambiental e Emergência Climática”, a transmissão ao vivo recebeu a professora doutora Adriana Massaê Kataoka, da Unicentro. Ela é líder do grupo de pesquisa Núcleo de Educação Ambiental e coordenadora nacional do projeto Pacto Global dos Jovens pelo Clima (Global Youth Climate Pact – GYCP). Além disso, a docente também é uma das orientadoras do projeto Rede de Clubes Paraná faz Ciência na universidade.

Durante a live, a professora Adriana discutiu a importância da educação ambiental, destacando que a escola é um espaço fundamental para o desenvolvimento de práticas sustentáveis. Ela reforçou que a educação ambiental deve ser constante e integrada, não apenas pontual. “A educação ambiental precisa ser contínua e crítica, não se limitando às datas comemorativas, como o Dia da Árvore ou o Dia do Meio Ambiente. Deve fazer parte da rotina escolar, das disciplinas e das práticas cotidianas”, explicou.

A pesquisadora também respondeu a perguntas enviadas previamente, por meio de um formulário preenchido pelos professores dos clubes de ciência. Entre os temas questionados, comentou sobre o sentimento de impotência dos alunos diante da emergência climática. “Não podemos cair na paralisia. A crise climática exige ação coletiva. Cada pequena ação conta e o acúmulo delas pode gerar grandes mudanças. O importante é não desanimar, porque sempre há espaço para transformar realidades locais”, reforçou.

Para a professora Adriana, discutir emergências climáticas com os professores e alunos da educação básica é necessário para construirmos um futuro melhor para todos. “É um tema urgente, grave e que necessita de mudanças urgentes. O espaço da escola é importante para esse tipo de discussão reflexiva, ainda com possibilidade de ação imediata, pois o clube oferece essa possibilidade, é fundamental diante desse quadro de gravidade em que vivemos.”

A mediação da transmissão foi conduzida pelo jornalista Thiago de Oliveira e pela bióloga Samara Santos, orientadora pedagógica dos clubes na Unicentro. Dividida em dois blocos, a transmissão ao vivo começou com uma apresentação de 30 minutos da professora Adriana Massaê Kataoka, contextualizando a pesquisa sobre educação ambiental e emergências climáticas. Já no segundo bloco, a docente respondeu às questões dos professores que atuam nos clubes de ciências.

A transmissão marcou o fim do primeiro ciclo de lives do projeto, que abordou temas como pesquisa sobre abelhas, água, óleos, sabões e sabonetes. A série reuniu diversos pesquisadores para falar sobre esses assuntos, com o objetivo de contribuir ativamente para o desenvolvimento das pesquisas dos clubistas nas escolas. Marquiana de Freitas Vilas Boas Gomes, professora da Unicentro e a coordenadora da Rede de Clubes Paraná faz Ciência, afirma que essas primeiras edições da “Quarta com Clubes” foram fundamentais para a formação científica dos estudantes. “O projeto tem sido importante para a formação dos futuros cientistas, no que se refere aos compromissos que a ciência tem com a sociedade, a natureza e a justiça social. Isso mostra que a ciência tem compromissos que vão além de entender somente os objetos de estudo, mas também estar contextualizada com a sociedade em que vivemos”, defende.

A “Quarta com Clubes” ocorre quinzenalmente, das 19h às 20h, e tem como objetivo oferecer formação científica aos professores que estão desenvolvendo projetos de pesquisa nos Clubes de Ciências das escolas do Paraná. As transmissões ao vivo, realizadas pelo canal do EducartGEO no YouTube, continuam salvas para quem quiser assistir posteriormente. Os temas e datas das próximas lives serão divulgadas em breve.
Acompanhe mais atividades dos Clubes de Ciências pelo Instagram da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência @clubesparanafazciencia e pelo site Paraná Faz Ciência.

Alunos do Colégio Estadual do Campo Bispo Dom José Martenetz participaram de visita guiada e de experimentos de teste de chama e de reação dupla troca

Foto de um grupo grande de estudantes e professores posando ao ar livre, em frente a um prédio com paredes de tijolos aparentes e telhado de cerâmica. Ao fundo, há vegetação e árvores. A maioria dos estudantes veste uniforme azul com detalhes brancos e vermelhos, e alguns usam roupas casuais. O grupo está dividido em duas fileiras: alguns agachados ou sentados na frente e outros em pé atrás. Todos olham para a câmera, muitos sorrindo. A luz do sol ilumina suavemente a cena.
Estudantes do Colégio Estadual do Campo Bispo Dom José Martenetz durante visita aos Laboratórios de Química no Campus Cedeteg da Unicentro. (Foto/Mathias Trindade)

No dia 11 de junho, os alunos do Clube de Ciências Tijuco Preto (Olhos nos Óleos), do Colégio Estadual do Campo Bispo Dom José Martenetz, em Prudentópolis, fizeram uma visita técnica aos Laboratórios de Química e ao Centro de Ciências Moleculares e Nanotecnologia da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro).

Durante a visita, os estudantes conheceram o prédio do Centro de Ciências Moleculares e Nanotecnologia, no campus Cedeteg, onde visitaram diversos laboratórios e equipamentos da área da Química. No Laboratório Multiusuário de Análise Térmica, observaram o comportamento de materiais submetidos a variações de temperatura. Já no Laboratório Multiusuário de Espectroscopia, conheceram um espaço de pesquisa que oferece equipamentos e infraestrutura para a análise da interação da luz com a matéria.

Os estudantes foram acompanhados pelo professor responsável pelo Clube de Ciências, Carlos Eduardo Basso Christo, e pela diretora do colégio, Carina Rampi. Para o professor, as visitas à universidade são de extrema importância para a formação dos alunos. “A importância é o estímulo à ciência, para que eles busquem quebrar certos tabus, entendendo a importância da ciência dentro de toda essa ideia negacionista que hoje existe dentro da cultura popular”, afirmou.

Alunos clubistas conhecendo o nitrogênio líquido no Laboratório Multiusuário de Análise Térmica. (Foto/Mathias Trindade)

Além da visita guiada, os estudantes participaram de experimentos conduzidos por estagiários e professores do curso de Química. No Laboratório Didático de Química Analítica, acompanharam o teste de chama, experimento usado para identificar a presença de certos elementos químicos em uma amostra, a partir da cor que ela emite ao ser aquecida na chama. Já no Laboratório Didático de Química Orgânica, os alunos realizaram o experimento de reação de dupla troca, no qual dois compostos trocam seus íons, formando novas substâncias.

Alunos realizando o experimento de reação de dupla troca. (Foto/Matthias Trindade)

Izabelly Sophia Chelski, de 16 anos, faz parte do Clube de Ciências Tijuco Preto e, para ela, participar dos experimentos propostos pelos estagiários e professores da universidade foi surpreendente. “Foi muito legal tanto a participação da gente quanto poder fazer o experimento nós mesmos e ver o resultado, que é sempre surpreendente.” Para a colega de Izabelly, Arielly da Silva Antunes de Jesus, de 15 anos, a visita foi diferente por trazer uma experiência fora da rotina dos alunos. “É uma coisa mais inovadora, porque lá [na escola] não teríamos tanto  acesso. É uma oportunidade dos meus colegas conhecerem, entenderem mais e, talvez, buscarem um futuro na universidade, se interessando pelos cursos.”

O Colégio Estadual do Campo Bispo Dom José Martenetz fica na comunidade rural de Tijuco Preto. Segundo a diretora Carina Rampi, por estarem 33 quilômetros afastados da sede do município, muitos alunos acabam não se enxergando fora desse espaço. “Por sermos uma escola de campo e estarmos muito distante da sede, são poucas as oportunidades que os nossos alunos têm de conhecer o mundo. Então a gente instiga o máximo e tenta tirá-los de lá para que possam visualizar que não é só aquele reduto, que o mundo é bem maior e precisa deles.” 

Estudantes do Clube Tijuco Preto (Olhos nos Óleos) realizando o experimento de teste de chama. (Foto/ Mathias Trindade)

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Laura Mattos Stein, do Clube de Ciências do Centro Estadual de Educação Profissional Pedro Boaretto Neto, vai participar de intercâmbio científico com foco em tecnologias sustentáveis

A imagem mostra uma jovem de cabelo preto, liso e longo, usando óculos de grau e sorrindo levemente para a câmera. Ela está de pé, atrás você percebe a natureza com muitas árvores. Ela veste uma jaqueta preta, uma camiseta azul com a logo representando a escola em que estuda CEEP (Centro Estadual de Educação Profissional Pedro Boaretto Neto). O fundo da imagem é um ambiente de natureza com árvores de diversos tipos.
Laura Mattos Stein, aluna do Centro Estadual de Educação Profissional Pedro Boaretto Neto – CEEP, de Cascavel. (Foto/Arquivo Pessoal).

Laura Mattos Stein, aluna e clubista pelo Centro Estadual de Educação Profissional Pedro Boaretto Neto, de Cascavel, foi uma dentre os cinco alunos clubistas paranaenses selecionados para participar do programa internacional SLI – Sustainable Living Innovators, em Portugal, por meio de uma parceria da Fundação Araucária e o Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produto (CEiiA). 

O SLI é um programa que tem como objetivo formar futuros líderes tecnológicos com foco na sustentabilidade do planeta. Trata-se de um programa voltado para estudantes do Ensino Médio e do Ensino Superior de diversas áreas. A seleção dos alunos tem como base critérios como desempenho acadêmico, engajamento em projetos sustentáveis e liderança. 

O projeto que levou Laura a ser escolhida

No CEEP, Laura é aluna do curso técnico em Meio Ambiente, e na etapa de seleção discorreu sobre o tema da utilização da larva do besouro Tenebrio molitor, mais conhecido como larva da farinha. Com auxílio da professora Gilmara Raquel Trombetta, a aluna estudou possibilidades de utilização  do Tenébrio com o objetivo de fabricar farinha para posteriormente se fazer barrinhas de proteína. Foi a partir deste trabalho que a ideia de se inscrever para o SLI surgiu.

A larva de Tenebrio molitor é considerada o primeiro inseto seguro para consumo humano pela Autoridade Europeia da Segurança Alimentar, e portanto, seu consumo é permitido, como também é indicado, dada sua alta concentração de proteína e o baixo teor de gordura.

Laura, que embarca para Portugal já no dia 10 de julho, não esconde a felicidade com a oportunidade única conquistada. “Estou muito feliz e ansiosa para essa viagem, ir para Portugal com certeza será uma grande oportunidade de aprendizado e de crescimento pessoal para mim”, afirma a clubista.
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Rafaela Zerbielli, do Clube de Ciências do Colégio Estadual Padre Chagas, vai participar de intercâmbio científico com foco em tecnologias sustentáveis

A imagem mostra uma jovem de cabelos castanhos, lisos e longos, usando óculos de grau e sorrindo levemente para a câmera. Ela está de pé, em frente a um mural decorado com flores de papel nas cores branca, rosa, vermelha, roxa e laranja, além de letras grandes em feltro que compõem palavras parcialmente visíveis. Ela veste uma jaqueta preta com forro de pelúcia claro nos punhos, uma camiseta branca com estampa colorida por baixo e calça azul. Nas mãos, segura um certificado impresso com o título "Certificado de aluno(a) destaque", que reconhece sua dedicação e esforço no primeiro trimestre de 2025. O fundo da imagem é uma parede azul e bege, reforçando o ambiente escolar.
Rafaela Zerbielli, aluna do Clube de Ciências Ecocientistas Visionários, do Colégio Estadual Padre Chagas, em Guarapuava. (Foto/Arquivo Pessoal)

Rafaela Zerbielli, de 16 anos, é estudante do Colégio Estadual Padre Chagas, em Guarapuava. Integrante do Clube de Ciências do colégio, “EcoCientistas Visionários”, iniciativa vinculada à Universidade Estadual do Centro Oeste (Unicentro), ela foi uma dos cinco alunos paranaenses selecionados para participar do programa internacional SLI (Sustainable Living Innovators), em Portugal. A oportunidade foi oferecida por meio de uma parceria entre a Fundação Araucária e o Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produto (CEiiA). O programa é voltado para estudantes dos segundos e terceiros anos do ensino médio que fazem parte dos Clubes de Ciência da Rede de Clubes Paraná faz Ciência, além de outros cinco universitários que estejam nos dois anos iniciais da graduação e que participem de iniciação científica.

Com o tema, “Da Lua para a Terra — Como é que as tecnologias de exploração lunar podem melhorar a vida na Terra?”, o programa contou com um processo seletivo de duas etapas. Na primeira, Rafaela precisou gravar um vídeo abordando o tema e respondendo à pergunta proposta, além de escrever uma carta de motivação. Na segunda fase, 14 estudantes foram selecionados para entrevistas via Google Meet, das quais apenas cinco conquistaram a vaga. Para Rafaela, o processo seletivo foi desafiador. “Eu me esforcei muito durante todo o processo seletivo, foi um processo árduo, uma experiência meio pesada, porque tudo era muito exigente. Os critérios deles, pelo que eu estava vendo pelo site. E eu estava com uma pulguinha atrás da orelha falando ‘Será que eu vou conseguir atender esses critérios?’, mas aparentemente, eu consegui atender sim”, comemora.

Rafaela contou que soube do programa pelo professor Emerson Souza Gomes, responsável pelo Clube de Ciências da escola. Ele acompanhou de perto todo o processo seletivo da aluna e comemora a conquista, destacando seu potencial de inspirar outros estudantes. “Esta conquista da Rafaela, assim como a de outros colegas dela pelo Paraná que terão essa oportunidade, pode motivar ainda mais a participação dos alunos que já estão engajados nos Clubes de Ciências a darem continuidade, além de atrair outros alunos, que ainda não conhecem ou não entenderam a importância de projetos como esse dentro das escolas”, afirmou o professor.

A clubista não esconde a alegria de poder viver esse sonho, porém já pensa na volta à Guarapuava e em como colocar tudo o que aprenderá em Portugal em prática. “Eu espero voltar com ideias de projetos que consigam impactar, não apenas a escola, mas a comunidade em geral. Pretendo voltar com uma melhor comunicação para que eu consiga disseminar as ideias que eu irei aprender lá, e que os projetos que eu irei desenvolver lá, eu consiga desenvolver aqui, em Guarapuava, também”, afirma.

O objetivo do programa SLI é formar líderes na área de tecnologia e sustentabilidade. Em sua sexta edição, o intercâmbio acontecerá na cidade de Matosinhos, em Portugal, durante os dias 14 de julho e 8 de agosto. A imersão científica tem duração de duas semanas para estudantes do ensino médio, com a opção de estender para quatro semanas. Já os alunos de ensino superior participarão ao longo das quatro semanas. A iniciativa é uma forma de desenvolver cientificamente jovens comprometidos com a construção de um futuro mais próspero e sustentável.

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A 1ª edição da Fieg teve a participação de 18 colégios de sete municípios diferentes. Os projetos foram apresentados em três categorias: Robótica, Programação e Clubes de Ciências

Quatro estudantes do Colégio Estadual Cristo Rei estão em pé atrás de uma mesa expositiva decorada com materiais didáticos sobre abelhas. São três meninas e uma menina. Eles usam crachás da Fieg e estão sorrindo. A mesa traz maquetes coloridas representando uma "rede de interações ecológicas", pequenos frascos com mel, cartazes informativos e modelos de abelhas. Ao fundo, há um mural com uma grande árvore feita de papel kraft com flores roxas em destaque. Um dos cartazes destaca a importância das abelhas na agricultura. A apresentação faz parte do projeto vencedor da Fieg na categoria Clubes de Ciências.
Estudantes do Colégio Estadual Cristo Rei — Luísa Caliço dos Santos, Maria Luísa Zacharski Rosa, Luísa Mazur e Juan Pablo Patarroyo — apresentaram o projeto A importância das abelhas na sustentabilidade paranaense e na biodiversidade da Mata Atlântica durante a Fieg. (Foto/ Thiago de Oliveira)

Com participação dos Clubes de Ciências, a 1ª edição da Feira Itinerante das Escolas do NRE de Guarapuava (Fieg) movimentou o Colégio Estadual Cívico-Militar Manoel Ribas, no último dia 25 de junho. O evento reuniu 50 projetos de pesquisa científica, programação e robótica desenvolvidos por estudantes de 18 colégios da rede estadual, em um dia de troca de conhecimentos, criatividade e engajamento social.

Alunos e professores de sete municípios apresentaram trabalhos que vão da conscientização ambiental à preservação da biodiversidade, passando por soluções tecnológicas e projetos de impacto direto na comunidade.

“É uma grande alegria sediar esse momento. Foram 98 projetos inscritos e 50 selecionados para exposição. A Fieg é um marco para a educação científica na nossa região”, afirmou o diretor da escola anfitriã, Fernando Stora.

Da esquerda para a direita: João Saulo Piasecki (vice-diretor), Henry Gasparotto Pedroso (professor) e Fernando Stora (diretor) (Foto:Thiago de Oliveira)

A iniciativa partiu dos professores Thalles Horn e Pablo Saldanha da Luz, que idealizaram a feira como parte de reflexões no mestrado em Educação. “A gente queria valorizar o que já é feito nas escolas, dar visibilidade para os projetos e criar esse ambiente de reconhecimento e troca entre os estudantes”, destacou Thalles. 

Destaques para os premiados

Na categoria Clubes de Ciências, os três trabalhos premiados se destacaram pelo impacto ambiental e pelo protagonismo estudantil. Confira o pódio:

1º lugar – Colégio Estadual Cristo Rei, de Guarapuava – Clube Velozes e Curiosos
Projeto: A importância das abelhas na sustentabilidade e na biodiversidade da Mata Atlântica

Com apenas 11 anos, as estudantes Luiza Mazur, Maria Luisa Walczak, Heloisa Calixto e o estudante colombiano Juan Pablo Patarroyo demonstraram maturidade científica ao discutir a relação entre desmatamento, poluição e o desaparecimento das abelhas nativas. “Eu achava que a abelha era só um inseto que picava. Agora entendo como ela é essencial para o nosso alimento e para o planeta”, disse Luiza.

2º lugar – Cefep Presidente Costa e Silva, de Irati – Clube Raízes de Ciências
Projeto: Mapeamento de árvores matrizes em fragmentos da Floresta Ombrófila Mista

Gabriela Aparecida Kuchla, de 15 anos, explicou como o trabalho usa QR Codes e um site próprio para identificar árvores do pátio escolar. “É um jeito de despertar interesse nos mais novos e preservar o conhecimento sobre nossa flora”, disse.

3º lugar – Colégio Professor Pedro Carli, de Guarapuava – Clube Climatize-se

Projeto: Jataí: Um dia na vida de uma abelha-operária – 360° de realidade virtual para conscientização climática

O aluno Tiago Vaz Machado, de 14 anos, apresentou com entusiasmo o uso de realidade virtual para mostrar o cotidiano das abelhas nativas. “Elas são fundamentais para nossas hortas autossustentáveis. A ciência muda a escola e também nosso futuro”, afirmou.

Orientadores pedagógicos da Rede de Clube Paraná Faz Ciência na Unicentro assistem à apresentação do Clube ‘Climatize-se’. (Foto: Thiago de Oliveira)

Troca de experiências

A Fieg também foi espaço para a socialização de experiências de professores clubistas da região. De Boa Ventura de São Roque, o Clube Adonis com Ciência, do Colégio Adonis Morski, estuda o impacto da coleta seletiva no município e na rotina dos trabalhadores do centro de triagem. “Queremos que os alunos entendam que ciência é feita para melhorar a vida das pessoas”, explicou a professora Juliana Ghiotto.

De Pinhão, o Clube Pluma Science, do Colégio Bento Munhoz da Rocha Netto, apresentou soluções para a preservação das nascentes nas comunidades rurais. “A ideia é que os alunos levem o que aprendem para casa e para os pais”, disse o professor João Manuel de Lima.

Já na comunidade indígena Kaingang de Marrecas, em Turvo, o Clube Pỹnfīfī, do Colégio Cacique Otávio dos Santos, estuda o desenvolvimento da Araucária Multifolha com apoio no conhecimento tradicional. “A ciência dos mais velhos nos guiou para testar hipóteses sobre a produção do pinhão”, relatou o professor Luan Felipe.

Professores dos clubes de ciências participantes da Fieg. Em pé, da esquerda para a direita: Katiane dos Santos, Daniele Kosmo, Emerson de Souza Gomes, João Manuel de Lima e Crissiane Loyse Luiz. Agachados: Doacir Furquim, Márcia Volani (do NRE de Guarapuava), Marquiana de Freitas Vilas Boas Gomes (coordenadora da Rede de Clubes na Unicentro), Juliana Ghiotto, Jaci Lyra e Luan Felipe. (Foto: Thiago de Oliveira)

A feira foi, para muitos estudantes, o primeiro contato com a apresentação pública de seus projetos. A professora Crissiane Loyse Luiz, do Colégio Estadual Cristo Rei, ressaltou o impacto da participação dos alunos do sexto ano na feira. “Eles estão desenvolvendo habilidades de comunicação e socialização, e se sentindo realizados. O clube começou há poucos meses, mas já temos criação de abelhas e um jardim para recebê-las. Conseguimos avançar com muito engajamento.”

Estudantes reunidos no saguão do Manoel Ribas durante abertura da Fieg. (Foto: Thiago de Oliveira)

Com a proposta de ser itinerante, a próxima edição da Fieg já está em planejamento para outro colégio do Núcleo Regional de Guarapuava. A expectativa é de que mais escolas se envolvam, ampliando a rede de trocas científicas e sociais entre estudantes da rede estadual, com protagonismo dos clubes de ciências.Acompanhe mais atividades dos Clubes de Ciência pelo Instagram da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência @clubesparanafazciencia e pelo site Notícias – NAPI Paraná Faz Ciência!

O professor da Unesp, Nécio Turra Neto, conduziu uma roda de conversa com bolsistas dos projetos

Fotografia de uma sala de aula com janelas grandes ao fundo, por onde entra luz natural. Um grupo de sete pessoas está reunido, sentadas em carteiras escolares organizadas em semicírculo. À esquerda, um homem de barba, usando camiseta azul, está sentado e gesticulando enquanto fala. À sua frente, os outros participantes — três mulheres e três homens — prestam atenção, alguns com cadernos ou notebooks no colo. Há duas garrafas de refrigerante e alguns lanches sobre uma cadeira próxima à parede. A sala é clara, com piso branco e cadeiras azuis. Ao fundo, é possível ver o pátio externo e alguns prédios.
Professor Nécio Turra Neto durante roda de conversa com bolsistas dos projetos de extensão da Unicentro (Foto/Mathias Trindade)


No dia 30 de abril, o Grupo de Pesquisa e Extensão EDUCARTGeo (Educação Geográfica e Cartografia para Escolares) da Unicentro promoveu, no Campus Cedeteg, uma roda de conversa com o professor Nécio Turra Neto, da Unesp de Presidente Prudente. Especialista em Geografia, o docente compartilhou reflexões a partir de dois de seus estudos mais recentes sobre juventude e território: “Trajetória à Margem: nas tramas da cultura periférica” e “Youth Geographies: uma perspectiva sobre os estudos de juventude na geografia de língua inglesa”.

O encontro foi organizado pela orientadora e coordenadora dos projetos de extensão “Rede de Clubes Paraná Faz Ciência” e “Nós Propomos!”, Marquiana Gomes, e reuniu os bolsistas de ambos os projetos. O professor compartilhou um pouco sobre seu estudo da juventude e argumentou acerca da importância de colocar o jovem como protagonista e sujeito ativo na sociedade. 

Durante a roda de conversa, o professor Nécio também compartilhou parte de sua trajetória acadêmica e os caminhos que o levaram a pesquisar a juventude dentro da Geografia. “Meu interesse surgiu a partir de encontros com universos distintos ainda na graduação”, relembrou. Ele mencionou experiências marcantes que o influenciaram nesse percurso, como seu trabalho com educação indígena entre os Kaingang, no Paraná; o contato com a geografia cultural emergente no Brasil e, especialmente, os laços construídos com jovens ligados à cena punk em Londrina. “Foi nesse contexto que percebi a potência de estudar os territórios juvenis e como a juventude se espacializa nas cidades”, destacou o pesquisador.

Ao falar sobre a importância de reconhecer os jovens como seres ativos na sociedade, o professor Nécio destacou que é um erro pensar a educação sem levar em conta quem são os estudantes. “Como pensar a escola e a universidade sem antes refletir sobre os sujeitos que estão ali? É preciso conhecer quem são esses jovens, suas referências, seus dilemas e os espaços que constroem cotidianamente.”

A discussão também trouxe reflexões para os bolsistas da “Rede de Clubes Paraná Faz Ciência”, iniciativa do NAPI Paraná Faz Ciência, e do projeto “Nós Propomos!” que participaram do encontro. Samara Santos, bolsista pedagógica da Rede, que atua diretamente com os professores na orientação dos projetos desenvolvidos nas escolas, destacou a importância da conversa. Para ela, o encontro ajudou a ampliar o olhar sobre temas que, muitas vezes, ficam restritos à teoria. “Vou levar a ideia de que os jovens não são só alguém que ‘vai ser algo no futuro’, mas que já vivem coisas importantes agora. Isso me faz pensar que, no contato com os professores, a gente precisa valorizar o que os jovens sentem, pensam e vivem no presente”, afirmou Samara.

“Compreender quem são os jovens, seus dilemas, referências e geografias cotidianas é fundamental para pensar o papel da escola como espaço de liberdade, transformação e ampliação de horizontes”, afirmou o Professor Nécio (Foto/ Mathias Trindade)


Outro ponto discutido foi o impacto das redes sociais entre os jovens mais vulneráveis. “É uma fronteira ainda pouco explorada pela pesquisa, mas sabemos que as redes sociais, apesar dos riscos, também têm possibilitado ajuntamentos, conexões entre periferias e circulação de pautas progressistas. São ferramentas que podem ampliar horizontes — desde que haja também controle e regulação “, comentou o docente.

Ao final da roda de conversa, ficou clara a importância de compreender os dilemas, referências e as formas que a juventude tem de ocupar o espaço, além de pensar em uma educação mais significativa. Como destacou o Professor Nécio, “tematizamos a juventude e os jovens mais pela chave da esperança, das potências, das  questões que eles e elas colocam para a sociedade, nos conflitos e enfrentamentos que promovem”.

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A partir dos projetos Rede de Clubes de Ciências e Pacto Global de Jovens Pelo Clima, 27 escolas de Guarapuava e região participarão do projeto, que une arte-educação com enfoque em sustentabilidade, direitos humanos e cidadania.

Na captura de tela da live de lançamento do Projeto Árvore, uma mulher de pele clara, cabelos lisos e escuros, usando óculos de armação preta, blazer preto e camisa branca, está sentada em uma cadeira cinza. Ao fundo, há um mural colorido com desenhos infantis e a palavra “FUNDAÇÃO” pintada em letras grandes e vibrantes. No canto inferior da imagem, uma faixa verde com o texto: “Cassia Longo | Fundação Abrinq”.
Cassia Longo, da Fundação Abrinq, durante o evento de lançamento do Projeto Árvore, realizado no YouTube. (Foto/Reprodução/Fundação Abrinq)


No dia 25 de abril, foi lançado o projeto “A Árvore 2025: Biomas Pampas e Mata Atlântica Sudeste”, promovido pelo Acervo Otávio Roth em parceria com a Fundação Abrinq. Após quatro edições itinerantes, o projeto chegou a Guarapuava por meio da Unicentro, a partir da Rede de Clubes de Ciência, e do Pacto Global de Jovens Pelo Clima, com o objetivo de envolver crianças e adolescentes no cuidado com o planeta, unindo arte, sustentabilidade e direitos humanos.

A ação prevê atividades em 27 escolas de Guarapuava e região, promovendo reflexões sobre o futuro do meio ambiente a partir da produção artística dos estudantes. Cada criança é convidada a desenhar seus sonhos para o mundo em três folhas de papel: uma delas será incorporada à instalação internacional “A Árvore”; a segunda comporá uma árvore física montada na escola; e a terceira será utilizada para uma árvore coletiva que será exposta na quinta edição do Paraná Faz Ciência, no dia 2 de outubro, também em Guarapuava.

A professora Adriana Massae Kataoka, do Departamento de Biologia da Unicentro e responsável por trazer o projeto à cidade, explica que antes da atividade com os estudantes, os professores passam por uma formação introdutória. “Eles recebem vídeos com conteúdos sobre arte, direitos humanos e sustentabilidade, além de um kit com materiais e propostas de atividades para dialogar com as crianças”, relata.

As oficinas realizadas nas escolas buscam sensibilizar os alunos por meio da liberdade artística. “Diferente de atividades com respostas certas, a arte permite a expressão de sentimentos e emoções. Essa experiência culmina na produção das folhas que irão para as três árvores — a da escola, a do evento e a internacional”, afirma Adriana.

Inspirado no trabalho do artista Otávio Roth, o projeto surgiu em 1990 com foco nos direitos humanos e, hoje, é coordenado pelo Acervo Otávio Roth em parceria com a Fundação Abrinq. Seu objetivo é integrar ciência, arte e participação juvenil, promovendo a cidadania ambiental com base nos biomas brasileiros.

“É uma iniciativa de abrangência nacional que promove formações sobre direitos humanos, sustentabilidade e arte-educação”, destaca Ana Beatriz Roth, integrante do Acervo Otávio Roth.

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A transmissão ao vivo teve como convidada a pesquisadora Dra. Maria Luisa Tunes Buschini que respondeu às dúvidas dos professores da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência.

Captura de tela de uma videoconferência no Google Meet. À direita da imagem, aparece a professora Maria Luisa Tunes Buschini, de cabelos curtos e grisalhos, usando um casaco escuro e um cachecol colorido, sentada em um ambiente interno com iluminação amarela e móveis de madeira. À esquerda, está sendo compartilhado um slide com o título "Laboratório de Biologia e Ecologia de Vespas e Abelhas". O slide contém ilustrações de diferentes espécies de abelhas e vespas, o logotipo da Unicentro, o logotipo do laboratório EducartGEO e um QR Code que direciona ao perfil do laboratório no Instagram. No canto inferior esquerdo do slide, estão o nome da professora, a instituição (Unicentro – Guarapuava/PR) e seu e-mail institucional.
Professora Dra. Maria Luisa Tunes Buschini durante o primeiro bloco da live de estreia da Quarta com Clubes (Foto/Reprodução YouTube)


No dia 28 de maio ocorreu a primeira edição da ‘Quarta com Clubes’, iniciativa promovida pela Rede de Clubes Paraná Faz Ciência. O projeto é organizado pelo Grupo de Pesquisa e Extensão EducartGEO – Educação Geográfica e Cartografia para Escolares, da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro).

A convidada da estreia foi a professora e pesquisadora Dra. Maria Luisa Tunes Buschini, docente da Unicentro e especialista nas áreas de Zoologia e Ecologia. A transmissão colocou em discussão a pesquisa com abelhas e o ecossistema. “Projetos como esse atingem um alvo bem importante, por fazer uma conexão entre a ciência, educação pública e a educação de maneira geral”, destacou a pesquisadora.

Durante a live, a professora Maria Luisa compartilhou  um caso em que uma pessoa estava matando abelhas sem saber da importância delas. “Essa pessoa tinha maracujá em sua fazenda e, por não entender o papel das abelhas, acreditou que elas estavam destruindo a plantação. Por isso, ela jogou álcool nas abelhas, matando-as, sem perceber que elas são as principais polinizadores do maracujá, por exemplo.”

A pesquisadora também destacou a importância de atividades como a Quarta com Clubes para a propagação da informação científica. “Por isso, é fundamental atividades como essa para passar essas informações para os professores da educação básica, que podem repassá-las aos alunos, e esses, por sua vez, compartilharem com suas famílias, ampliando o conhecimento e a consciência sobre a importância das abelhas.”

A mediação da transmissão foi conduzida pelo jornalista Thiago de Oliveira e pelo orientador pedagógico da Unicentro e mestrando em Geografia, João Pedro Wendler Bahls.  Dividida em dois blocos, a live começou com uma apresentação da professora Maria Luisa, que contextualizou a pesquisa com abelhas, abordando aspectos metodológicos, conceituais e a relevância do tema. No segundo bloco, a pesquisadora respondeu perguntas enviadas previamente por professores que atuam nos Clubes de Ciências, e  desenvolvem, com seus clubistas, projetos com foco em abelhas. Além disso, perguntas enviadas em tempo real pelo chat da transmissão também foram respondidas ao vivo, no final da atividade.

Uma das professoras que assistiu à live e enviou perguntas foi Katiane dos Santos,  coordenadora do clube Climatize-se, do Colégio Estadual Professor Pedro Carli, em  Guarapuava. Para ela, a live foi uma forma leve e acessível de trazer formação para quem está diariamente na escola. “A primeira live foi bem interessante, gostei da forma como o tema foi abordado e como a conversa fluiu. Me senti motivada a continuar acompanhando as próximas. Contribuiu muito para os conteúdos que serão abordados pelos alunos no clube de ciências do colégio”, contou.

A professora pretende aplicar o que foi discutido pela pesquisadora Maria Luisa durante a live no dia a dia do Clube. “Quero aplicar algumas das ideias que a professora trouxe na forma como conduzimos as observações das abelhas na colmeia. A fala dela me deu várias ideias de como trabalhar de maneira mais investigativa com os alunos, por exemplo, propondo que eles façam registros sistemáticos dos comportamentos das operárias ou explorem a comunicação por meio das danças”, disse Katiane.

Professora Maria Luisa durante oficina sobre abelhas com os alunos do Clube Climatize-se, no ano passado, coordenado pela professora Katiane dos Santos (Foto/ Arquivo Pessoal)


Além disso, Katiane reforçou a importância da interação entre a escola e a universidade. “Essa troca com a universidade nos ajuda a refletir sobre o que fazemos na escola e traz novas ideias e inspirações. Além disso, é um reconhecimento do nosso trabalho com os alunos, mostra que a pesquisa científica também pode nascer dentro da escola e que estamos todos no mesmo caminho, tentando formar cidadãos mais críticos e conscientes.”

O projeto Quarta com Clubes ocorre quinzenalmente, das 19h às 20h, e tem como objetivo oferecer formação científica aos professores que estão desenvolvendo projetos de pesquisa nos Clubes de Ciências das escolas do Paraná. As transmissões ao vivo, realizadas pelo canal do EducartGEO no YouTube continuam salvas para quem quiser assistir posteriormente.

A próxima live está marcada para o dia 11 de junho. O tema será água e a convidada é a professora Dra. Ana Lúcia Suriani Affonso, da Unicentro, com trajetória acadêmica nas áreas de Ecologia, Biologia da Conservação, Educação Ambiental e Ensino.Acompanhe mais atividades dos Clubes de Ciência pelo Instagram da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência @clubesparanafazciencia e pelo site Notícias – NAPI Paraná Faz Ciência!