Aluna recém-formada do Colégio de Aplicação Pedagógica da UEM compartilha como o clube a influenciou para ingressar na Universidade

Clubistas do CAPciência, do Colégio de Aplicação Pedagógica da UEM, gravando conteúdo (Foto/Arquivo pessoal)
Os clubes de ciência da Rede Paraná Faz Ciência têm ganhado espaço na mídia pela forma autônoma com que alunos da rede pública desenvolvem projetos científicos, e com tão pouco tempo de projeto.
A iniciativa dos clubes tem como objetivo justamente implementar espaços de iniciação científica para aproximar os jovens da universidade pública e, passado mais de um ano do início do projeto, está mais claro identificar os impactos dessas atividades realizadas nos clubes sobre a formação intelectual e acadêmica dos alunos que acabam de concluir o Ensino Médio.
A recém-formada pelo Colégio de Aplicação Pedagógica (CAP) da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Ana Júlia Garcia Molinari, fez parte do clube CAPciência e conquistou a aprovação no vestibular do curso de Farmácia da UEM. A estudante compartilhou um pouco sobre como ter um clube na sua grade escolar favoreceu sua escolha por esse curso superior.

Ana Julia Garcia Molinari concede entrevista, na Biblioteca Central Maria Grazia Zolet (BCE), da Universidade Estadual de Maringá (UEM) (Foto/Arquivo pessoal)
“Eu conheci o clube CAPciência no terceiro ano do Ensino Médio, quando entrei no CAP UEM. Antes, eu estudava numa escola estadual da minha cidade, Itambé, e por conta do cursinho para vestibular, eu pedi transferência para o CAP. Nisso, conheci o clube pelo professor Antônio, que incentivava os alunos a participar, e também por influência das minhas colegas”, contou a ex-clubista.
O clube trabalha com várias linhas de pesquisa, o “recicla banner”, que foi premiado na FECCI 2025, é focado em reciclagem; há projeto de produção de bioplástico a partir do amido da batata; um sobre educação financeira e mais o projeto de cosmetologia natural, pelo qual ela se interessou. Na cosmetologia os alunos produzem cosméticos à base de produtos apícolas (proveniente das abelhas), como hidratantes corporais e labiais.

Um pouco do CAPciência: banners reciclados pelos clubistas, exemplar de creme corporal e reprodução do programa Balanço Geral, do qual a estudante Ana Júlia fez parte (Reprodução de tela e colagem/TvRecord e Arquivo pessoal)
“Eu já tinha certa afinidade com as ciências biológicas e da saúde, então farmácia era, sim, uma opção, mas a decisão se concretizou depois da experiência no clube, que me proporcionou mais proximidade com laboratórios e experimentos, uma expectativa que eu tinha mesmo sobre o curso de Farmácia da UEM”, completou a estudante.
Ela afirmou ainda que o ritmo de estudos e trabalhos do Capciência foi uma forma mais divertida e menos estressante de lidar com os deveres escolares, visto que essa forma de trabalho aproxima o mundo acadêmico à realidade do estudante, aliviando a ansiedade e o medo da nova etapa pós-Ensino Fundamental.
“As oportunidades extracurriculares proporcionadas pelo clube, como a participação na FECCI 2025 e outras viagens viabilizadas pelo projeto, foram extremamente edificantes para a formação de conhecimento, tanto para mim quanto para meus colegas”, complementou Ana Júlia. Eles tiveram a possibilidade de conhecer laboratórios, profissionais renomados da área e diversos professores.
A experiência bem sucedida de Ana Júlia, assim como de vários outros ex-clubistas, mostra como o incentivo à iniciação científica desde o Ensino Fundamental estimula a autonomia, o pensamento crítico e aproxima os jovens da universidade. Além de ser enriquecedor para o aluno de forma individual, é relevante diretamente para toda a sociedade porque ajuda a revelar novos talentos, democratizar acessos e formar futuros pesquisadores, capazes de contribuir diretamente para o benefício de toda a população.
Acompanhe mais atividades dos Clubes de Ciências pelo Instagram da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência @clubesparanafazciencia e pelo site Paraná Faz Ciência.
Atividade aproxima estudantes de conceitos científicos por meio de demonstrações práticas e participação ativa

Os clubistas do Clube Verde em Ação, do Colégio Estadual Pacaembu, de Cascavel, participaram de uma atividade especial que uniu diversão e aprendizado: o “Show da Física”, conduzido pelo professor doutor Oscar Rodrigues dos Santos. Docente do curso de Física da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) campus Campo Mourão e integrante da equipe do Paraná Faz Ciência vinculado à UNIOESTE.
A ação proporcionou aos clubistas uma experiência interativa com experimentos científicos clássicos, despertando curiosidade e interesse pela área.
Durante a apresentação, os alunos puderam acompanhar demonstrações como a Bobina de Tesla, que ao aproximar a mão faz surgir pequenas descargas elétricas visíveis, parecidas com raios ou faíscas. É porque ocorre a passagem pelo ar de uma corrente elétrica. No gerador de Van de Graaff, uma correia interna que transporta cargas elétricas acumuladas até a esfera metálica no topo, faz a carga se acumular e pode gerar também faíscas quando se encosta a mão, ou pode até fazer os fios de cabelo arrepiarem.
Já no experimento “passarinho bebedor”, conceitos de Física e Termodinâmica são apresentados. O passarinho bebedor é formado por uma cabeça com bico de material poroso, um tubo de vidro com líquido volátil e uma parte arredondada na base, um bulbo inferior. Tudo isso fica preso a uma estrutura com suporte móvel, permitindo o movimento de inclinação contínua, em referência a um pássaro bebendo água repetidamente. E ainda demonstrações envolvendo centro de gravidade com garfos, mostrando como o equilíbrio depende da posição do centro de massa (ou centro de gravidade). Ao encaixar dois garfos um no outro, geralmente com um palito de dente entre eles, o conjunto consegue se equilibrar apoiado apenas na ponta de um copo, garrafa ou suporte. Esse sistema fica estável porque o centro de gravidade do conjunto fica abaixo do ponto de apoio. Isso impede que ele tombe facilmente.

Cada experimento foi explicado de forma acessível, relacionando os fenômenos observados com conceitos fundamentais da Física e a participação ativa dos estudantes foi destaque na atividade. Atentos e engajados, os clubistas interagiram com as demonstrações e acompanharam as explicações, evidenciando o potencial de ações práticas no processo de aprendizagem.
Para o estudante Nicolas, a experiência foi marcante. “Hoje tivemos uma atividade diferente com o professor Oscar, que trouxe experimentos de eletromagnetismo, centro de massa e vários outros para o nosso clube. Foi importante porque mostra a ciência de forma prática para a gente. É uma atividade que agrega muito ao nosso clube e vou levar para a vida”, contou.

Realizado em parceria com bolsistas da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), o evento reforça a proposta do clube de promover a educação científica de forma dinâmica e significativa.
Clube de Ciências de Borrazópolis une ações de reflorestamento a açãoes de debate público

Em Borrazópolis, a educação científica ultrapassou os muros da Escola Estadual Humberto de Alencar Castelo Branco para ocupar as cadeiras da Câmara de Vereadores. O clube de ciênciasJovens Pelo Clima, coordenado pela professora Eliana Aparecida da Silva, tem se destacado não apenas pelo trabalho na horta e cozinha escolar, mas por sua participação ativa em debates públicos e nas decisões políticas do município para o meio ambiente.
No dia 4 de março, os integrantes do clube participaram da Audiência Pública para a Revisão e Atualização do Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB) de Borrazópolis. Durante o evento, realizado pela SANEPLAN com contribuições da SANEPAR, os alunos acompanharam o diagnóstico e o prognóstico da cidade em quatro eixos fundamentais: abastecimento de água, esgotamento sanitário, gestão de resíduos sólidos e drenagem urbana.
“A participação na audiência permitiu que os alunos compreendessem a complexidade da gestão pública e a importância de dados técnicos para a qualidade de vida da população,” destaca a professora Eliana Aparecida da Silva.
A presença dos jovens na Câmara de Vereadores é o resultado natural de um diálogo constante entre as autoridades locais e a comunidade escolar. Desde 2025, o clube vem consolidando parcerias estratégicas em ações que unem teoria e prática:
Setembro de 2025: Os alunos retornaram à Estação Ecológica para um novo plantio de mudas, desta vez focando na preservação da mata ciliar do Rio Ivaí.
E, em 2026, o trabalho do clube com a preservação do meio ambiente continua, pois na semana após a audiência pública, o clube reuniu-se novamente com a Secretaria Municipal do Meio Ambiente para traçar as metas e ações de impacto ambiental a serem realizadas pelos clubistas durante o restante do ano.
A movimentação dos clubistas em espaços públicos de debates é essencial para que os alunos se percebam como parte integrante da sociedade civil e agentes de mudança, desenvolvendo o senso crítico necessário para a construção de um ambiente recuperado e um futuro sustentável.Acompanhe mais atividades dos clubes de ciências pelo Instagram da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência @clubesparanafazciencia e aqui pelo site Paraná Faz Ciência.
Com 290 clubes e cerca de 6 mil estudantes, iniciativa incentiva a investigação científica nas escolas do estado

O primeiro dia da Semana Araucária de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I), que começou nesta terça-feira, dia 10, no Campus da Indústria, em Curitiba, destacou o papel da Rede de Clubes do NAPI Paraná Faz Ciência na promoção da cultura científica nas escolas do estado. Durante a apresentação d abertura, foi evidenciado o investimento de R$ 23,5 mi, realizado pela Fundação Araucária na Rede. Recurso que, hoje, se traduz em 290 clubes ativos em escolas de diferentes regiões do Paraná.
Atualmente, o NAPI Paraná Faz Ciência reúne cerca de 6 mil estudantes participantes, conhecidos como clubistas. Nos encontros semanais, crianças, adolescentes e jovens desenvolvem projetos de investigação orientados por coordenadores e articuladores vinculados a universidades e instituições de pesquisa.
A articuladora do NAPI Paraná Faz Ciência, Débora Sant’Ana, observa que o recurso financeiro é um elemento necessário para viabilizar a política pública, mas o principal resultado aparece nas oportunidades que se abrem para os estudantes e para as comunidades onde os clubes estão inseridos. “A implantação dos clubes amplia horizontes para os estudantes e fortalece o sentimento de pertencimento ao mundo da ciência”, afirma.
Segundo Débora, quando o investimento chega às escolas por meio dos clubes, seus efeitos ultrapassam os participantes diretos da iniciativa. “Quando pensamos em um clube de ciência, não impactamos apenas o clubista. Impactamos também a escola, a família e o entorno. Recurso público bem aplicado significa multiplicação de ações. Esse movimento se espalha como uma onda, alcançando áreas cada vez mais distantes e beneficiando também quem não participa diretamente do clube”, explica.
Essa transformação se torna visível no modo como os estudantes passam a se relacionar com o conhecimento científico dentro dos clubes, das escolas e também em seu cotidiano. Na avaliação de Josiane Figueiredo, coordenadora dos clubes vinculados à Universidade Estadual do Paraná (Unespar), a experiência permite que os jovens compreendam a pesquisa como algo próximo da realidade deles. “Mais importante que o recurso em si é o capital científico que vai sendo construído. Os estudantes começam a entender o que significa fazer pesquisa e percebem que podem transformar perguntas do cotidiano em investigação”.

Josiane acrescenta que os clubes também contribuem para aproximar a escola do ambiente acadêmico e ampliar o acesso dos estudantes à produção científica. “Antes, a pesquisa ficava muito concentrada dentro da universidade. Quando ela chega à escola, o estudante percebe que também pode produzir conhecimento e que a universidade pode fazer parte do caminho dele”, explica a professora.
A presença dos clubes em escolas distribuídas por diferentes regiões do Paraná também amplia o acesso à ciência em territórios diversos. Edinalva Oliveira, pesquisadora do NAPI Paraná Faz Ciência, destaca que essa capilaridade é um dos elementos centrais da iniciativa. “O Paraná tem um território amplo e quando essas ações chegam às escolas, inclusive às que estão em regiões periféricas, elas abrem horizontes muito significativos para os estudantes”, afirma.
Edinalva observa que o projeto também inclui formação continuada para professores, fortalecendo o desenvolvimento de atividades investigativas nas escolas. “O professor se apropria de novos saberes e, junto com os estudantes, consegue olhar para o território onde a escola está inserida e identificar questões que podem ser investigadas pela ciência”, destaca.
Segundo a pesquisadora, esse processo contribui para fortalecer a produção de conhecimento nas próprias comunidades. “Quem ganha não é apenas o grande centro. O território também passa a articular saberes, compartilhar experiências e construir conhecimento”, comemora.

Ao longo da programação da Semana Araucária, o público poderá conhecer alguns projetos desenvolvidos em clubes de ciência expostos nos estandes do NAPI Paraná Faz Ciência. Além disso, na quinta, dia 12, clubistas e coordenadores de clubes vão compartilhar suas experiências com participantes do evento.
Para Edinalva Oliveira, esse momento funciona como uma espécie de culminância das atividades desenvolvidas ao longo do ano. “Os clubes mostram o que fizeram, como fizeram e dialogam com outras escolas. Esse compartilhamento de experiências torna a caminhada ainda mais produtiva”, afirma. Segundo ela, a troca entre estudantes e professores é parte fundamental do processo de produção científica. “Conhecimento não é para ficar guardado. Conhecimento é para ser compartilhado.”
A Semana Araucária de Ciência, Tecnologia e Inovação segue até quinta-feira, dia 12, no Campus da Indústria, reunindo pesquisadores, professores, estudantes e instituições para apresentar projetos e discutir iniciativas voltadas ao fortalecimento da ciência no Paraná.
Projetos científicos desenvolvem robôs com materiais recicláveis e horta mandala inspirada em técnicas indígenas, integrando ciência, cultura e meio ambiente
Os Clubes de Ciências implantados em escolas da rede estadual estão promovendo experiências educativas que integram ciência, tecnologia, cultura e sustentabilidade. Dois projetos se destacam: uma horta mandala no Colégio Estadual Tereza Ramos, em Matinhos, e um projeto de robótica sustentável no Colégio Estadual Bento Munhoz da Rocha Netto, de Paranaguá.

No Colégio Tereza Ramos, os estudantes participam da criação e manutenção de uma horta mandala, modelo de cultivo em formato circular que tem origem nos sistemas agrícolas de povos indígenas brasileiros, como os Tupi-Guarani e os Xavante. A técnica, que foi resgatada e difundida pela permacultura na década de 1970, promove o uso eficiente do espaço, o equilíbrio ecológico e a produção sustentável de alimentos. O projeto envolve diferentes turmas e áreas do conhecimento, contribuindo para o desenvolvimento de competências integradas no ambiente escolar.

Já no Colégio Bento Munhoz da Rocha Netto, os alunos são incentivados a construir protótipos de robôs utilizando materiais recicláveis, como caixas de papelão, garrafas PET e tampinhas plásticas. A proposta une fundamentos da robótica com práticas de reutilização e consciência ambiental, possibilitando a vivência prática dos conteúdos e o fortalecimento de habilidades como lógica, criatividade e trabalho em equipe.
Os projetos são realizados em ambiente escolar por meio dos Clubes de Ciências, com foco na abordagem maker, que estimula o “aprender fazendo”. Essas ações contribuem para aproximar os estudantes do fazer científico, promovendo a interdisciplinaridade, o protagonismo juvenil e a valorização dos conhecimentos tradicionais como base para soluções inovadoras e sustentáveis.