Com 290 clubes e cerca de 6 mil estudantes, iniciativa incentiva a investigação científica nas escolas do estado

O primeiro dia da Semana Araucária de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I), que começou nesta terça-feira, dia 10, no Campus da Indústria, em Curitiba, destacou o papel da Rede de Clubes do NAPI Paraná Faz Ciência na promoção da cultura científica nas escolas do estado. Durante a apresentação d abertura, foi evidenciado o investimento de R$ 23,5 mi, realizado pela Fundação Araucária na Rede. Recurso que, hoje, se traduz em 290 clubes ativos em escolas de diferentes regiões do Paraná.
Atualmente, o NAPI Paraná Faz Ciência reúne cerca de 6 mil estudantes participantes, conhecidos como clubistas. Nos encontros semanais, crianças, adolescentes e jovens desenvolvem projetos de investigação orientados por coordenadores e articuladores vinculados a universidades e instituições de pesquisa.
A articuladora do NAPI Paraná Faz Ciência, Débora Sant’Ana, observa que o recurso financeiro é um elemento necessário para viabilizar a política pública, mas o principal resultado aparece nas oportunidades que se abrem para os estudantes e para as comunidades onde os clubes estão inseridos. “A implantação dos clubes amplia horizontes para os estudantes e fortalece o sentimento de pertencimento ao mundo da ciência”, afirma.
Segundo Débora, quando o investimento chega às escolas por meio dos clubes, seus efeitos ultrapassam os participantes diretos da iniciativa. “Quando pensamos em um clube de ciência, não impactamos apenas o clubista. Impactamos também a escola, a família e o entorno. Recurso público bem aplicado significa multiplicação de ações. Esse movimento se espalha como uma onda, alcançando áreas cada vez mais distantes e beneficiando também quem não participa diretamente do clube”, explica.
Essa transformação se torna visível no modo como os estudantes passam a se relacionar com o conhecimento científico dentro dos clubes, das escolas e também em seu cotidiano. Na avaliação de Josiane Figueiredo, coordenadora dos clubes vinculados à Universidade Estadual do Paraná (Unespar), a experiência permite que os jovens compreendam a pesquisa como algo próximo da realidade deles. “Mais importante que o recurso em si é o capital científico que vai sendo construído. Os estudantes começam a entender o que significa fazer pesquisa e percebem que podem transformar perguntas do cotidiano em investigação”.

Josiane acrescenta que os clubes também contribuem para aproximar a escola do ambiente acadêmico e ampliar o acesso dos estudantes à produção científica. “Antes, a pesquisa ficava muito concentrada dentro da universidade. Quando ela chega à escola, o estudante percebe que também pode produzir conhecimento e que a universidade pode fazer parte do caminho dele”, explica a professora.
A presença dos clubes em escolas distribuídas por diferentes regiões do Paraná também amplia o acesso à ciência em territórios diversos. Edinalva Oliveira, pesquisadora do NAPI Paraná Faz Ciência, destaca que essa capilaridade é um dos elementos centrais da iniciativa. “O Paraná tem um território amplo e quando essas ações chegam às escolas, inclusive às que estão em regiões periféricas, elas abrem horizontes muito significativos para os estudantes”, afirma.
Edinalva observa que o projeto também inclui formação continuada para professores, fortalecendo o desenvolvimento de atividades investigativas nas escolas. “O professor se apropria de novos saberes e, junto com os estudantes, consegue olhar para o território onde a escola está inserida e identificar questões que podem ser investigadas pela ciência”, destaca.
Segundo a pesquisadora, esse processo contribui para fortalecer a produção de conhecimento nas próprias comunidades. “Quem ganha não é apenas o grande centro. O território também passa a articular saberes, compartilhar experiências e construir conhecimento”, comemora.

Ao longo da programação da Semana Araucária, o público poderá conhecer alguns projetos desenvolvidos em clubes de ciência expostos nos estandes do NAPI Paraná Faz Ciência. Além disso, na quinta, dia 12, clubistas e coordenadores de clubes vão compartilhar suas experiências com participantes do evento.
Para Edinalva Oliveira, esse momento funciona como uma espécie de culminância das atividades desenvolvidas ao longo do ano. “Os clubes mostram o que fizeram, como fizeram e dialogam com outras escolas. Esse compartilhamento de experiências torna a caminhada ainda mais produtiva”, afirma. Segundo ela, a troca entre estudantes e professores é parte fundamental do processo de produção científica. “Conhecimento não é para ficar guardado. Conhecimento é para ser compartilhado.”
A Semana Araucária de Ciência, Tecnologia e Inovação segue até quinta-feira, dia 12, no Campus da Indústria, reunindo pesquisadores, professores, estudantes e instituições para apresentar projetos e discutir iniciativas voltadas ao fortalecimento da ciência no Paraná.
Após muito preparo e com mais de 30 projetos, clubes de ciência de Curitiba e região apresentam suas pesquisas na feira de cultura científica do Paraná

A dedicação que movimentou os Clubes de Ciência de Curitiba e região ao longo dos últimos meses ganhou o palco na Feira de Cultura Científica (FECCI 2025), realizada entre 4 e 6 de novembro, no campus Neoville da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). Além dos Clubes de Ciência, os Clubes Maker e os Clubes de Meninas na Ciência, que também integram a Rede Paraná Faz Ciência, apresentaram ao público pesquisas que transformaram curiosidade em experimentação científica.
Os projetos nasceram dentro das escolas públicas e refletem o esforço coletivo de professores e estudantes que, desde o início do ano letivo, se dedicam à observação, investigação e criação de soluções para problemas reais. As temáticas variam entre sustentabilidade, saúde, tecnologia, biodiversidade e práticas culturais, sempre com o olhar voltado ao cotidiano das comunidades.
Para muitos clubes, participar da FECCI é o ponto alto do trabalho desenvolvido ao longo do ano. “A preparação para a feira foi um momento que permitiu aos clubistas aprofundar o entendimento da pesquisa, desde o desenho dos objetivos até a elaboração da comunicação dos resultados. Acredito que eles realmente conseguiram contextualizar e colocar em prática o que vínhamos trabalhando em teoria”, afirma Felipe Gonçalves, professor coordenador do Lattes Clube.
Nas semanas que antecederam a feira, o clima foi de intensa preparação nas escolas. No Colégio Estadual Lúcia Bastos, o experimento levado à FECCI foi apresentado durante o recreio do contraturno, reunindo estudantes e professores. No Colégio Estadual Teotônio Vilela, o jogo educativo sobre o descarte adequado de resíduos sólidos foi testado com os professores, que participaram ativamente da atividade. Já no Colégio Estadual Theodoro de Bona, o site e o jogo desenvolvidos sobre macroinvertebrados aquáticos (também levados à feira) foram destaque na Feira do Conhecimento da escola, realizada no dia 13.

A professora Lucimary Steinke Deconto Pesaroglo, coordenadora do Bio Clube do Colégio Estadual Lúcia Bastos, destacou o envolvimento dos estudantes em todo o processo. “A gente veio mostrar trabalhos de mais de um ano de clube. Teve toda uma preparação para entender o método científico, aprender a buscar referências, reconhecer material científico de qualidade e colocar a mão na massa. Foram muitos encontros de produção, teste e troca. Para a FECCI, até os novos integrantes ajudaram a preparar tudo”, conta.
Entre os clubes vinculados à Universidade Federal do Paraná (UFPR), destacaram-se iniciativas que uniram criatividade e compromisso social, como os projetos apresentados pelo clube Zardo Faz Ciência, do Colégio Estadual Professor Francisco Zardo. Anunciado como um dos vencedores do prêmio “Meu Clube é Show”, promovido pela Secretaria de Educação do Paraná (SEED), já na abertura do evento, o clube também se destacou na categoria Ciências Aplicadas e recebeu o primeiro e o segundo lugar. Os projetos desenvolvidos pelo grupo estudam o comportamento de adolescentes em relação ao uso do celular e materiais pedagógicos que possam trabalhar na conscientização da temática.
“Os prêmios são frutos do trabalho de estudantes clubistas, estagiários, coordenadora, C.E. Prof. Francisco Zardo, SEED, Paraná Faz Ciência e UFPR”, conta a professora Izabela Paulini de Jesus. “Apesar dos obstáculos, conseguimos desenvolver uma ótima pesquisa e a premiação é um grande reconhecimento. Nos motiva a continuar pesquisando e ampliando a divulgação dos resultados em outros meios e eventos científicos”, comemora.
A emoção também foi compartilhada pelos estudantes. “Eu me sinto muito feliz pela pesquisa estar sendo reconhecida e pelas pessoas se interessarem por ela. Eu me sinto muito feliz e muito grata por ter ganhado o primeiro lugar, o que eu não achei que ia acontecer. Então me surpreendeu. Eu me sinto orgulhosa e contente pela pesquisa ter dado resultado”, conta Maria Carolina Porate, integrante do clube Zardo Faz Ciência.
Outro destaque entre os clubes vinculados à UFPR foi o Friends of Science, da Escola Estadual Euzébio da Mota, premiado com o segundo lugar Junior na categoria Década dos Oceanos, com um projeto de protótipo de seguidor solar com arduino, em sua primeira vez participando de uma feira. “Participar da FECCI 2025 foi uma experiência e tanto! Essa foi a primeira vez do Clube de Ciências Friends of Science em uma feira de ciências e eu tenho certeza que foi um momento de muito aprendizado para as meninas. O prêmio representa uma valorização a todo esforço, curiosidade e comprometimento dos clubistas ao longo do ano, além de inspirá-los a acreditar em si e na ciência!”, relata a coordenadora do clube, Gabriele Cristine da Silva.
Para a clubista Hasly Aviles, a experiência foi especial. “Ver as pessoas se interessando, perguntando e elogiando fez a gente perceber que todo o trabalho valeu a pena. Receber o prêmio foi uma sensação de orgulho enorme, não só pelo reconhecimento, mas porque mostrou que, mesmo com dificuldades, quando a gente acredita no projeto e trabalha em equipe, dá certo. Foi um momento que marcou muito a gente”.
Além deles, outros clubes da Rede Paraná Faz Ciência vinculados à UFPR também foram premiados em diferentes categorias da FECCI 2025, evidenciando a diversidade temática e a qualidade das pesquisas desenvolvidas nas escolas públicas.
1º Lugar Junior categoria Ciências Aplicadas
COMPORTAMENTO DE ADOLESCENTES EM RELAÇÃO AO USO DO CELULAR
Clube Zardo Faz Ciência (Colégio Estadual Professor Francisco Zardo)
Coordenadora: Izabela Paulini de Jesus
2° Lugar Junior categoria Divulgação Científica
Além de robôs: contribuições das competições de robótica para a cultura STEAM –
Acrux Robocep (Colégio Estadual do Paraná)
Coordenador: Tony Marcio Groch
2° Lugar Junior categoria Desenvolvimento de Produto
Sabão sustentável: conservação ambiental e geração de renda –
Bio Clube (Colégio Estadual Lúcia Bastos)
Coordenadora: Lucimary Steinke Deconto Pesarolgo
2º Lugar Junior categoria Ciências Aplicadas
MATERIAIS PEDAGÓGICOS PROBLEMATIZADORES SOBRE O USO
CONSCIENTE DO CELULAR
Clube Zardo Faz Ciência (Colégio Estadual Professor Francisco Zardo)
Coordenadora: Izabela Paulini de Jesus
2° Lugar Junior categoria Década dos Oceanos
PROTÓTIPO DE SEGUIDOR SOLAR COM ARDUINO
Clube Friends of Science (Colégio Estadual Euzébio da Mota)
Coordenadora: Gabriele Cristine da Silva
3º Lugar Jovem Total categoria Ciências Biológicas
Comunidade de macroinvertebrados aquáticos como ferramenta de avaliação da qualidade da água do Parque Ambiental Aníbal Khury – Almirante Tamandaré
Clube Bona (Colégio Estadual Theodoro de Bona)
Coordenadora: Vânia Eloiza Cerutti
3º Lugar Junior categoria Ciências da Saúde
Compreendendo a composição dos refrigerantes e os efeitos na saúde e no meio ambiente – Clube Exploradores da Ciência (Colégio Estadual Profª Maria Aguiar Teixeira)
Coordenador: Jeremias Ferreira da Costa
3° Lugar Junior categoria Ciências Agrárias
Agroecologia no espaço escolar: potencialidades para a educação ambiental crítica – Clube de Ciência Máximo (Colégio Estadual Professor Máximo Atílio Asinelli)
Coordenadora: Simone de Fátima Campagnoli de Oliveira
Essas conquistas reforçam o compromisso dos clubes de ciência com a educação pública, a sustentabilidade e a formação de jovens pesquisadores engajados com suas comunidades.
O papel dos clubes na popularização da ciência e na formação de jovens pesquisadores foi destaque no XI EREBio Sul

Realizado em Curitiba, entre os dias 12 e 14 de outubro, o XI Encontro Regional Sul do Ensino de Biologia (EREBio Sul) reuniu educadores, pesquisadores e estudantes dos três estados do Sul do país para debater práticas e desafios contemporâneos no ensino de Ciências e Biologia. A Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, vinculada ao NAPI (Novos Arranjos de Pesquisa e Inovação) – Paraná Faz Ciência, esteve presente com uma série de participações que evidenciaram o papel dos clubes como espaços de aprendizagem, pesquisa e divulgação científica em contextos não formais de educação.
Na mesa-redonda “Educação se faz em coro: as vozes da educação em ciências e a Biologia em espaços e práticas não escolares”, a professora doutora Giselle Corrêa apresentou a trajetória da Rede e os resultados alcançados durante o primeiro ano de atuação. Sua fala destacou a relevância dos clubes de ciência para o estímulo à curiosidade científica, à interdisciplinaridade e à aproximação entre escolas, universidades e comunidades locais, reforçando a importância da cooperação entre diferentes instituições para a promoção da cultura científica.
A participação da Rede também se estendeu a grupos de discussão, apresentações de trabalhos acadêmicos e relatos de experiência, tanto tendo os clubes como objeto de análise – como os trabalhos apresentados pela professora doutora Edinalva Oliveira -, quanto como por clubistas da Rede de Clubes Meninas Paraná Faz Ciência apresentando pesquisas desenvolvidas em seus grupos. As produções abordaram temas diversos, desde investigações ambientais e tecnológicas até experiências de ensino baseadas na experimentação e na troca de saberes.
Entre as atividades do evento, destacou-se ainda o minicurso “Epistemólogas feministas da ciência? Olhares para as pesquisas e o ensino de Biologia”, ministrado pela professora doutora Bettina Heerdt, coordenadora da Rede de Clubes Meninas Paraná Faz Ciência. A atividade promoveu uma reflexão sobre os aportes teóricos de mulheres na construção do conhecimento científico e suas implicações para o ensino de Biologia, dialogando diretamente com as práticas desenvolvidas pelos clubes e com a valorização da presença feminina na ciência.
Outro momento marcante foi a participação do clube formado por meninas, que além de apresentar dois trabalhos científicos, integrou a Arena Lúdica do evento. No espaço, o grupo realizou demonstrações sobre o funcionamento de foguetes e despertando o interesse do público pela criatividade das propostas e pela valorização do protagonismo feminino na ciência.
A presença da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência no XI EREBio Sul reafirmou o compromisso do NAPI e da Rede com a formação de jovens pesquisadores e com a popularização da ciência. O evento também evidenciou a força das ações colaborativas entre escolas e instituições de ensino superior, que têm ampliado o alcance da cultura científica e fortalecido a integração entre ensino, pesquisa e comunidade.
Participação da coordenadora de Comunicação do NAPI Paraná Faz Ciência, Ana Paula Machado Velho, abordou histórico dos projetos de Divulgação Científica no estado, bem como as ideias em fase de implantação

A Coordenadora de Comunicação do NAPI Paraná Faz Ciência e do Museu Dinâmico Interdisciplinar (MUDI), da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Ana Paula Machado Velho, palestrou sobre sua trajetória como jornalista no campo da Divulgação Científica. A fala aconteceu durante o VI Congresso de Biologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), ocorrido entre os dias 7 e 10 de maio.
Em sua apresentação no terceiro dia do Congresso de Biologia, a jornalista falou sobre como conduziu a interface da área de Divulgação Científica com o ambiente acadêmico e também sobre os projetos atualmente em curso no Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (NAPI) Paraná Faz Ciência, a partir da visão institucional e do objetivo de ampliar a Cultura Científica no estado.
Foi depois de uma palestra com a escritora e imortal da Academia Brasileira de Letras, Nélida Pinon, que Ana Paula ouviu pela primeira vez sobre a possibilidade de adaptar os textos difíceis dos livros de ciência para uma linguagem mais simples a todos os leitores. Quando ingressou na UEM para atuar como jornalista, em 1999, pode atuar verdadeiramente sobre a ideia de levar conhecimento científico para além do público da Academia.
Ana Paula considera que alguns fatores convergiram para que a Divulgação Científica no âmbito estadual avançasse enquanto proposta de comunicação, entre eles está o interesse do poder público, por meio de investimento considerável do governo do Paraná, e o fenômeno da pandemia de Covid-19, fato que demandou dos programas de comunicação mais efetividade e direcionamento para alertar sobre os cuidados de saúde naquele momento crítico.

“Como eu circulava também pelo Hospital Universitário da UEM e apoiei a formação do núcleo de Comunicação lá, houve essa facilidade de integrar o tema da saúde pública com a função social da comunicação. Foi nesse período [pandemia] que surgiu nosso primeiro projeto de Divulgação Científica, o C2 – Conexão Ciência”, explica a jornalista. O projeto se estruturou em uma rede de comunicação colaborativa – centralizado e liderado pela UEM, e aos poucos novas universidades passaram a participar.
Há 4 anos o grupo formado por bolsistas profissionais da área de Comunicação publica semanalmente duas matérias sobre o que se faz de pesquisa no Paraná, sempre em formato multimídia de conteúdo. Fazem parte dos produtos um canal no You Tube (@conexaocienciac2) e os Podcasts (podcasts) , já acima de 100 episódios. As produções contam com identidade visual próprias e o funcionamento do projeto já alcançou patamares de uma agência, com uma autonomia considerável entre os bolsistas, o que representa uma experiência profissional ainda mais completa a estes profissionais, que atuam desde a escolha dos conteúdos até a gestão de todo o processo. A capilaridade do projeto se vale de duas vertentes: o site institucional e o perfil de Instagram que atinge tanto os públicos acadêmicos como a população em geral.
Em 2021, com o interesse em ampliar o alcance da experiência exitosa da Divulgação Científica pelo C2, uma nova fase foi inaugurada. Veio com o apoio da Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (SETI) que reconheceu o bom trabalho do C2 e apoiou uma nova estrutura, com mais profissionais bolsistas, sob a coordenação do NAPI Paraná Faz Ciência. Como espécie de um subprojeto do NAPI focado em divulgação científica, criou-se a Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, um programa para levar aos jovens e crianças das escolas públicas do estado mais acesso à prática científica.
A gênese dessa nova rede veio de um movimento social existente em Portugal, o Ciência Viva, que agrega Clubes de Ciências nas escolas, uma rede de Museus Científicos, as Quintas [fazendas] da Ciência e as Feiras de Ciências. No modelo pensado para o Paraná, essas instituições estão em processo de implantação, sendo a mais importante no momento a Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, com 200 Clubes de Ciências já em andamento nas escolas, que contam com o apoio da Secretaria Estadual de Educação e a assessoria das 12 Instituições de Ensino Superior públicas no Paraná, entre estaduais e federais, por meio de seus professores e pesquisadores. A ideia é fomentar uma rede de conexões para que todo o conhecimento circule e gere o efeito multiplicador de uma forte cultura científica.
“Para se ter ideia do sucesso que essa nova proposta está gerando [a Rede de Clubes], conseguimos no âmbito federal mais recursos em um projeto adicional e com isso outros 45 clubes foram agregados aos 200 estabelecidos no projeto estadual e já temos na fila mais 28 clubes pensados exclusivamente para as meninas na ciência. Ou seja, a ideia já está se multiplicando e gerando frutos”, explica a coordenadora Ana Paula.

“Nossa missão é criar canais para mostrar que o Paraná já faz de ciência, da qualidade dos projetos que temos aqui, mas que careciam de visibilidade. É uma visão institucional ambiciosa, usando recursos pagos por todos nós cidadãos para fortalecer a cultura científica”, complementa.
Durante a sessão de perguntas após a palestra, um dos questionamentos foi sobre como lidar com o negacionismo propagado em redes sociais. Para Ana Paula, um dos caminhos é o que já existe na Rede de Clubes: começar desde cedo com as crianças, mostrando sobre o processo investigativo, como registrá-lo, além de criar laços de confiança, por meio de discurso empático e com diálogo. Outra forma, informa a coordenadora de Comunicação é, cada vez mais, fomentar que os próprios jovens façam essa comunicação, na linguagem que já dominam, para se atingir outros jovens, com representatividade e exemplos que lhes façam sentido.
“A melhor estratégia para lidar com essas dificuldades do momento é aproveitar a realidade e tentar criar mais divulgadores, entre os próprios jovens também. Acredito que seja aceitar o que está posto e tirar o melhor proveito disso, para conscientizar e tirar as dúvidas que surgem”, conclui.

As publicações do C2- Conexão Ciência podem ser acompanhadas pelo perfil @c2conexaociencia no Instagram e pelo site do NAPI Paraná Faz Ciência . Os trabalhos da Rede Clubes Paraná Faz Ciência estão no @clubesparanafazciencia e na aba “REDES” e “CLUBES DE CIÊNCIA” do mesmo site do NAPI .