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O painel “NAPIs: Novos Arranjos de Pesquisa e Inovação do Paraná” reuniu cinco representantes das iniciativas para apresentar os projetos durante a VI Jornada Educatech, em Guarapuava. (Foto/Arquivo Pessoal)

Painel sobre os NAPIs apresentou ações da iniciativa que levou 26 projetos à Jornada Educatech

Mais de 600 crianças e adolescentes participam atualmente de 30 clubes da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, presentes em 17 municípios da região Centro-Sul do Estado. A iniciativa foi uma das ações apresentadas pelo NAPI Paraná Faz Ciência durante a VI Jornada Educatech, realizada nos dias 2 e 3 de setembro, no Centro de Eventos Cidade dos Lagos, em Guarapuava.

No primeiro dia, o NAPI Paraná Faz Ciência esteve presente no painel “NAPIs: Novos Arranjos de Pesquisa e Inovação do Paraná”, representado pela professora Marquiana de Freitas Vilas Boas Gomes, uma das articuladoras da Rede de Clubes de Ciências e do Nós Propomos!, da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro).

Além da docente da Unicentro, o painel contou com a participação de representantes do NAPI Erva-Mate, NAPI Agrogenômica do Feijão, NAPI Genoma, Proteômica e Agrogenomica/Microbiota do Solo e NAPI Wood Tech. A atividade foi mediada pela gerente de Pesquisa e Desenvolvimento da Fundação Araucária, Fátima Padoan, e buscou apresentar ao público os objetivos dos Novos Arranjos de Pesquisa e Inovação do Paraná e seus impactos no avanço científico, tecnológico e cultural do estado.

A Jornada Educatech reuniu alunos, pesquisadores e professores de escolas e universidades, que puderam apresentar projetos voltados à inovação, robótica e sustentabilidade. Entre as categorias de trabalhos estavam pensamento computacional, automação, robótica, novos produtos, Cientistas Kids e Clubes de Ciências. O evento gratuito tem como principal objetivo aproximar os estudantes do conhecimento científico e incentivar o pensamento empreendedor e a cultura da inovação desde a educação básica. 

Durante sua participação no painel, a professora Marquiana destacou as ações desenvolvidas pelo Paraná Faz Ciência, com ênfase na Rede de Clubes de Ciências, iniciativa presente em diferentes regiões do estado por meio de parcerias com escolas públicas. Segundo ela, os clubes têm contribuído para a alfabetização e o letramento científico de crianças e adolescentes, além de estimular o desenvolvimento do pensamento científico e crítico.

Na região Centro-Sul do Paraná, os Clubes de Ciências estão presentes em 17 municípios, distribuídos entre quatro núcleos regionais: Guarapuava, Pitanga, Irati e Nova Laranjeiras. Ao todo, são 30 clubes, que envolvem diretamente mais de 600 crianças e adolescentes em pesquisas nas áreas de Ciências da Natureza, Ciências Humanas, Tecnologia e Robótica.

Em pouco mais de dois anos de atuação, os resultados do projeto podem ser observados nos trabalhos desenvolvidos pelos estudantes. Nesta edição da Jornada Educatech, 26 projetos desenvolvidos por integrantes dos Clubes de Ciências do NAPI Paraná Faz Ciência foram aprovados para participação no evento.

Além da presença expressiva no Educatech, os clubistas também se destacaram entre os trabalhos premiados. Na categoria Clubes de Ciências, o primeiro e o segundo lugares foram conquistados por projetos desenvolvidos por clubes que integram o NAPI Paraná Faz Ciência. Outros trabalhos desenvolvidos ao longo do projeto também já foram selecionados para feiras científicas, receberam premiações ou foram realizados em parceria com instituições que contribuem para a aplicação das pesquisas nos territórios. “É nesse contexto que o NAPI Paraná Faz Ciência se constitui em um investimento da Fundação Araucária com forte impacto na transformação científica e social do estado”, conta Marquiana.

A professora Marquiana de Freitas Vilas Boas Gomes, articuladora da Rede de Clubes da Unicentro, ao lado de professores dos Clubes de Ciências da região Centro-Sul do Paraná. (Foto/Arquivo Pessoal)

Entre os temas investigados pelos clubistas estão questões relacionadas às águas, florestas, microbiologia, relações étnico-raciais, robótica e saneamento básico. Os projetos também abordam desafios presentes nas comunidades onde os estudantes vivem, contribuindo para discussões sobre o desenvolvimento cultural, econômico e ambiental dos territórios. As iniciativas destacam-se ainda ações relacionadas à prevenção, adaptação e mitigação dos impactos da emergência climática.

Para Marquiana, o investimento na alfabetização científica desde os primeiros anos de formação pode gerar impactos que ultrapassam o ambiente escolar. “Essa política pública de incentivo à alfabetização científica terá impactos imediatos e de longo prazo, porque são sementes plantadas em terreno fértil, ou seja, na formação científico-cidadã de crianças e adolescentes desde muito cedo”.

A professora também destaca que a formação proporcionada pelos Clubes de Ciências pode contribuir para que esses estudantes desenvolvam um olhar mais atento para as realidades onde vivem. “Certamente, esses jovens cientistas estarão sempre atentos às demandas sociais, econômicas e culturais de seus territórios e munidos de conhecimento científico e das habilidades de participação ativa e crítica desenvolvidas a partir dos Clubes de Ciências”, afirma.

Acompanhe mais atividades dos Clubes de Ciências pelo Instagram da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência @clubesparanafazciencia e pelo site Paraná Faz Ciência.

Confira os clubes de ciências da UEM que estiveram presentes na Expoingá 2026, apresentando seus projetos para o público!

A imagem mostra um grupo de sete pessoas posando em um estande de feira científica e tecnológica. O ambiente parece ser um evento educacional ligado à inovação, pesquisa e robótica. À esquerda, há três mulheres usando camisetas verdes e bege com logos da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência,. No centro e à direita, aparecem dois adolescentes usando uniformes azul-marinho da Secretaria da Educação do Paraná. Ambos usam óculos e estão ao lado do projeto apresentado. À direita, há um homem sorridente usando uma camiseta vermelha com a frase “festival iguaçu inova”.Na frente do grupo está um robô de pequeno porte com rodas amarelas, estrutura metálica e de madeira, fios e componentes eletrônicos expostos e sensores e placas eletrônicas aparentes. Ao lado direito da mesa, um notebook exibe na tela um modelo 3D do robô, sugerindo que o projeto foi planejado digitalmente. Atrás do grupo há uma televisão ligada em uma interface da LG Smart TV. Um banner ao fundo menciona o projeto “ROBÔ SEMEADOR NA HORTA ESCOLAR”. Na parte superior aparecem logos de instituições como: Governo do Paraná, CNPq, Governo Federal do Brasil e Fundação Araucária. Também há um destaque escrito “+ de R$ 23,5 MI de investimento”, relacionado ao incentivo à ciência e inovação. A foto transmite um clima de colaboração acadêmica, tecnologia educacional e apresentação de projeto científico escolar.
Apresentação dos Clubes de Ciências da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, na Expoingá 2026 (Foto/Acervo Mudi)

A 52º Expoingá (Exposição Feira Agropecuária, Industrial e Comercial de Maringá), evento que também comemora o 79º aniversário da cidade de Maringá, foi realizada no início de maio, no Parque de Exposições Francisco Feio Ribeiro, da Sociedade Rural de Maringá. 

Na  programação, além de shows, oficinas e palestras técnicas, esse ano a Feira recebeu mais estandes ligados a projetos de extensão da Universidade Estadual de Maringá (UEM), com destaque para o Hospital Universitário (HUM), o Museu Dinâmico Interdisciplinar (MUDI), e, pela primeira vez, Clubes de Ciências ligados à UEM. 

Os clubistas se apresentaram durante os dias da exposição tendo um espaço especial para falar sobre os seus projetos. Entre os clubes participantes estão o Clube Maker CEUP, do Colégio Estadual Unidade Polo; o Jovens Cientistas Kennedy, do Colégio Estadual Presidente Kennedy e o Cienteens, do Instituto Estadual de Educação de Maringá. Acompanhando os alunos estavam presentes os professores orientadores.

O Clube Maker CEUP, do Unidade Polo, apresentou seus dois projetos: “Piezoelétrico” e “Material Didático”, feito em impressora 3D. Os clubistas mostraram ao público um meio de produção de energia sustentável, a partir da pressão de uma placa própria de quartzos ou metais preciosos. Eles estiveram no dia 8, sexta-feira, no período da tarde.

O projeto, que ainda está em desenvolvimento, propõe a construção de um tapete que gera energia a partir do contato com a pressão exercida ao caminhar. A aluna Pâmela relata como tem sido sua experiência expondo o projeto do qual ela faz parte na Expoingá 2026. “A nossa experiência está sendo muito boa até o momento, está bem legal”. 

A imagem mostra três jovens posando em um estande de uma feira de ciência e tecnologia. No centro estão dois rapazes e uma moça, em pé atrás de uma mesa de exposição. Sobre a mesa há um notebook aberto e pequenos objetos espalhados, relacionados ao projeto apresentado.Atrás do grupo há uma grande tela exibindo informações do programa “Rede de Clubes Paraná Faz Ciência”. Em uma tela menor ao fundo aparece a imagem de uma jovem falando em vídeo.
Apresentação do clube de ciências Maker CEUP, do Colégio Estadual Unidade Polo, na Expoingá 2026 (Foto/Acervo Mudi)

Outro clube que se apresentou foi o Jovens Cientistas Kennedy (JCK), do Colégio Estadual Presidente Kennedy, que apresentou o projeto “Robô Semeador na Horta”. Eles estiveram no dia 14, quinta-feira, no período da tarde. O clube trabalha com a robótica na horta escolar, a partir de robôs que eles mesmos confeccionam e são utilizados para irrigar, semear, testar a temperatura, a umidade do ar e do solo. 

O objetivo do clube de ciências é investigar o papel da robótica na horta escolar, o projeto está em andamento desde o ano passado. Eles também estudam em quais ambientes a horta se desenvolve melhor, como explica o professor coordenador do projeto, Evanildo de Oliveira. “Nós testamos onde a horta se desenvolve melhor, no sol 100% ou sombra total. Nós percebemos que no sol e meia sombra também funciona bem, na sombra total não funciona”, relata o docente. 

Depois de apresentarem seus trabalhos ao público na Expoingá 2026, os alunos ainda falaram sobre como foi essa experiência. Para Danilo, clubista do clube de ciências Jovens Cientistas Kennedy, a participação em eventos como esse é importante. “Eu achei uma experiência muito boa, isso já dá uma coragem para a gente participar em outras competições. E é uma experiência muito boa a gente estar mostrando nosso projeto para mais pessoas”, completa.  

A imagem mostra três pessoas em um estande de apresentação de projeto em uma feira científica. Os adolescentes usam óculos e estão posando atrás de uma mesa. À direita, há um homem adulto sorrindo. Sobre a mesa, aparece um pequeno robô com rodas amarelas, fios aparentes e componentes eletrônicos, indicando um projeto de robótica. Ao fundo, há banners e painéis explicativos sobre o projeto apresentado. Um dos cartazes menciona “ROBÔ SEMEADOR NA HORTA ESCOLAR”. Em uma tela ao fundo, aparece a imagem de uma jovem falando em vídeo, provavelmente relacionada à apresentação do projeto.
Apresentação do clube de ciências Jovens Cientistas Kennedy, do Colégio Estadual Presidente Kennedy, na Expoingá 2026 (Foto/Acervo Mudi)

O terceiro clube a se apresentar foi o clube de ciências Cienteens, do Instituto de Educação Estadual de Maringá, no dia 15, sexta-feira, no período da tarde. Eles apresentaram dois projetos: “Jardim das Cores:  O Uso de Pigmentos Vegetais em Experiências Interdisciplinares de Arte e Ciência” e “Ciência do Visível: Luz e Cor”. O primeiro projeto abordou a revitalização do horto escolar, onde os clubistas identificaram as plantas em torno do colégio e realizaram o processo de extração dos pigmentos delas. A partir disso, foram realizadas oficinas de artes, para os alunos do Ensino Fundamental I e II, para que eles criassem desenhos com os pigmentos extraídos.  

Os clubistas que apresentaram o segundo projeto do Cienteens realizaram uma pesquisa com os alunos da escola sobre a situação do colégio, analisando questões como a poluição visual e a influência das cores no cotidiano da escola. Após a análise das respostas, será ministrada uma oficina com os próprios alunos, mostrando o grafite e o desenho artístico como uma forma de transformar o ambiente e deixá-lo mais agradável visualmente, transpondo os trabalhos artísticos para o mural da escola. 

Alunos do Cienteens também falaram sobre a importância de apresentarem seus trabalhos na Expoingá. De acordo com o clubista Heitor Fort, “é muito bom ver o seu trabalho ser reconhecido, poder mostrar o que a gente fez no ano passado, porque foi bastante pesquisa, foi bastante trabalho, que trouxe a gente para cá”, defende. 

A aluna Alicia Fletcher contou como foi sua primeira experiência apresentando o projeto do qual ela faz parte em uma feira como a Expoingá. “Está bem animado, porque é a minha primeira feira, então está sendo uma experiência nova para mim, estar aqui apresentando. Eu estou achando bem legal”, conta. 

A imagem mostra um grupo de sete pessoas posando em um espaço de exposição científica, durante uma feira de ciências. O grupo é formado por adultos e jovens estudantes. Todos estão lado a lado, sorrindo para a câmera, atrás de duas mesas de apresentação. No centro há uma mulher usando óculos e um cachecol, aparentando ser professora e orientadora do grupo. Há dois banners científicos posicionados nas laterais: à esquerda, um banner sobre um projeto relacionado ao uso de cores e pigmentos. À direita, outro banner com textos científicos, imagens e gráficos sobre experiências interdisciplinares envolvendo artes e ciências. Sobre as mesas há documentos e folhas impressas, recipientes e objetos de experimento, pequenos materiais de demonstração, uma planta/folhagem exposta, e uma caixa de apresentação.
Apresentação do clube de ciências Cienteens do Instituto de Educação Estadual de Maringá, na Expoingá 2026 (Foto/Acervo Mudi)

A empolgação dos clubistas reflete a importância de eventos como exposições, onde eles podem apresentar seus projetos. A Expoingá 2026 foi uma ótima oportunidade para que os alunos dos clubes de ciências ligados à UEM pudessem aprimorar suas habilidades de comunicação e apresentar ao público as pesquisas realizadas ao longo do ano pelos clubes.

Estudantes do Clube Pesquisa-Ação celebram aprovações em universidades públicas e privadas com bolsas e vestibulares

Foto de uma professora e duas estudantes em pé, lado a lado, durante uma feira científica. Ao fundo, há um pôster com o título “Monitoramento Ambiental em Caminhão de Transporte de Leguminosas com Arduino”, apresentado na FECCI 2025. As estudantes usam uniforme azul da rede estadual do Paraná, enquanto a professora veste blusa roxa e crachá de identificação.
Professora Ana Paula e as estudantes Camily e Gleisiely destacam o protagonismo estudantil e a iniciação científica no Clube Pesquisa-Ação, de Inajá (Foto/arquivo pessoal)

Um grupo de seis jovens de Inajá, região de Paranavaí, tem muitos motivos para comemorar. Ex-integrantes do Clube Pesquisa-Ação para a Alfabetização Científica, os estudantes do Colégio Estadual Barão do Rio Branco conquistaram importantes aprovações em vestibulares e programas de acesso ao ensino superior.

Entre os principais destaques, Camilly da Silva Santos lidera em número de conquistas: foi aprovada em Farmácia na Universidade Estadual de Maringá (UEM), via Aprova Paraná, conquistou bolsa integral (100%) em Biomedicina na Unidombosco, em Curitiba, e ainda garantiu 50% de bolsa para o mesmo curso na Unifatecie, em Paranavaí, pelo Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM).

Na sequência, Izabelly Faustino também se sobressaiu com múltiplas aprovações: passou em História pela Unespar, em Geografia pela UEM (Aprova Paraná) e ainda foi convocada em segunda chamada para História, na UEM.

Outros aprovados foram Erik Salcedo, em Educação Física na UEM, via Aprova Paraná, enquanto Adrian Luiz Campolim garantiu vaga no mesmo curso e universidade, por meio do vestibular tradicional. Ícaro Macedo conquistou bolsa de 60% pelo ENEM para Arquitetura e Urbanismo na Uningá, e Caio Guima foi aprovado em Direito pela Unicesumar, completando a lista de aprovados.

O ex-clubista Adrian Luiz Campolim (à esquerda) foi aprovado no vestibular de Educação Física (Foto/Arquivo pessoal)

Para a professora orientadora Ana Paula Bim Maldonado, “é muito gratificante ver nossos alunos se tornarem protagonistas da própria história. Muitos nunca haviam participado de uma feira de ciências e alguns nem conheciam a capital do Paraná. Desde o início do clube, em 2024, demonstraram grande motivação para estudar e buscar seus objetivos”, celebra. Os alunos realizaram a prova Paraná+, o Enem e vestibulares no final do ano e “a maioria conseguiu ingressar em uma universidade, inclusive em instituições públicas”, destaca a docente.

Todos os estudantes têm em comum a participação no Clube Pesquisa-Ação para a Alfabetização Científica, onde desenvolveram projetos que integram história, meio ambiente e ciência. Sob orientação da professora, vivenciaram práticas investigativas que ampliaram a visão de mundo e contribuíram diretamente para terem esse desempenho acadêmico.

Os ex-alunos levam para a Universidade as atividades realizadas no Clube de Ciências (Foto/ Ana Paula Maldonado)

As conquistas do grupo do Colégio Barão do Rio Branco reforçam o papel da educação científica na formação dos estudantes e na ampliação de oportunidades. Os resultados refletem não apenas dedicação individual, mas também o impacto de iniciativas que incentivam a pesquisa, o pensamento crítico e o protagonismo juvenil desde a educação básica.

Conheça mais sobre os Clubes de Ciências, pelo Instagram da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência e pelo site Paraná Faz Ciência. O Colégio Barão do Rio Branco tem o perfil de Instagram @alunos_da_barao .

Durante visita da equipe pedagógica da UEM ao clube dedicado à robótica, alunos apresentaram cinco projetos que unem robótica à sustentabilidade

Foto de um grupo grande de pessoas ao ar livre, estudantes e professores. Cerca de 20 jovens e alguns adultos posam juntos em frente a um prédio com parede branca e faixa azul. Eles estão sob árvores com muitas folhas verdes, que fazem sombra sobre o grupo.
Na frente, alguns estão agachados ou sentados na grama, enquanto os demais ficam em pé atrás. A maioria veste camisetas claras com detalhes escuros, nas cores do uniforme escolar. Todos estão próximos, alguns sorrindo, em um clima descontraído. No chão há folhas secas espalhadas, e a luz do sol ilumina bem a cena.
Alunos clubistas do clube Robótica, do Colégio Estadual Olavo Bilac, de Itambé, juntamente do professor coordenador Gilmar e agentes pedagógicos dos Clubes NAPI Paraná Faz Ciência (Foto/Arquivo Pessoal)

Na quarta-feira, 15 de abril, a equipe pedagógica da UEM que acompanha os Clubes de Ciências da região, visitou o Colégio Estadual Olavo Bilac, no município de Itambé, onde funciona o clube maker Codificando o Futuro. Os 22 participantes são todos do Ensino Médio, sob coordenação do professor de física Gilmar Horchulhak.

Com ênfase em robótica, as atividades do clube são majoritariamente ligadas à programação, projeção e construções mecânicas, áreas que incentivam os alunos a colocarem a mão na massa. No dia a dia escolar, os alunos perceberam que poderiam desenvolver melhorias para o ambiente escolar e aprender com elas. 

Atualmente, o clube trabalha com cinco projetos de temáticas diferentes, em grupos de até 5 alunos em cada tema, de modo que as temáticas se complementam. Os projetos são ligados por uma linha norteadora: a sustentabilidade. 

Programa de Irrigação Inteligente

O programa de Irrigação Inteligente teve início com alunos do antigo 3º ano, que se formaram em 2025, e agora está em andamento com estudantes do ano de 2026. A ideia é automatizar as operações técnicas da horta escolar, começando pela irrigação. Segundo o clubista João Rafael, os participantes do grupo já realizaram as instalações elétricas que precedem a instalação da futura máquina de irrigação. “Essa fiação que está colocada aqui na horta foi instalada por nós mesmos, conectando ao forro e à elétrica da escola. Subimos em escadas, martelamos e tal. Foi super legal”, disse o clubista. A parte da programação é feita no computador, momento em que os alunos codificam e conectam as placas que serão utilizadas para fazer o irrigador ser acionado no horário correto. 

Projeto Girassol: Maximização de Energia de Placas Solares

O projeto Girassol é composto por três estudantes: João Pedro, responsável pela programação, Rafaela, responsável pelo design gráfico e o Luciano que está responsável pela arquitetura e montagem da máquina. Segundo Luciano, o objetivo do projeto é maximizar a produção de energia das placas solares da escola. “Quando a placa está fixa em um lugar, em determinado momento do dia o sol deixa de alcançá-la, o que diminui a captura de luz e, consequentemente, de energia”, explica o estudante. “Dessa forma, o objetivo do projeto é fazer uma placa móvel, que gire como um girassol, até mesmo no design, porque a ideia é que ele siga a mesma lógica da flor”, completou.

Projeto Lixeira Inteligente

Lixeira Inteligente é um projeto composto por Carlos, Gabriele e Marcos. Os três estão planejando criar uma lixeira automática, ideia que surgiu ao perceber a necessidade de organizar a separação dos lixos da escola. Ano passado, os estudantes começaram o protótipo gráfico do item e neste ano estão colocando em prática as primeiras miniaturas. “Fizemos a montagem de uma miniatura de lixeira feita em papelão para testar a codificação do circuito que estamos há um tempo trabalhando e, graças ao nosso empenho, deu certo. Agora estamos começando a segunda parte do projeto: montando a tampa da lixeira em formato redondo”, contou o clubista Carlos. A ideia é que ela abra automaticamente, por meio do sensor de movimento, e abra somente um compartimento do lixo de cada vez, com o objetivo de separar mesmo os resíduos, como detalhou o aluno.

Grupo Compostagem

O aluno Miguel faz parte do grupo de Compostagem do clube. Ele explicou que fizeram as composteiras com baldes e que a finalidade do produto dessa compostagem, o chorume, será adubar a futura horta no espaço escolar. O estudante disse também que o grupo faz dois tipos de compostagem: uma com a composteira produzida por eles e outra diretamente no solo, e esse grupo é responsável por fazer a manutenção semanal delas.

Mais novo projeto: Óculos sensores para pessoas com deficiência visual

O estudante Marcos Vinícius, entre desenhos manuais e desenhos digitais, explicou que o novo grupo está empenhado em realizar um óculos para pessoas com deficiência visual. Como os outros grupos já possuíam uma quantidade grande de alunos, o professor Gilmar sugeriu que os novos membros pudessem focar em um projeto diferente. “Os óculos terão sensores nas extremidades que apitam quando algo se aproxima, em determinada distância da pessoa,” disse Marcos.

Visita da equipe pedagógica da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência da UEM ao clube maker Codificando o Futuro, no Colégio Estadual Olavo Bilac, em Itambé (Foto/Arquivo Pessoal)

Ao final da visita, a equipe pedagógica da UEM parabenizou os estudantes pelas atividades realizadas, junto do professor coordenador Gilmar Horchulhak, e incentivou a participação do clube na FECCI 2026. Os clubistas reagiram com satisfação ao falarem sobre os trabalhos já realizados e demonstraram bastante interesse em expor seus trabalhos na Feira deste ano.

Para mais ações dos Clubes de Ciências da Rede Paraná Faz Ciência siga o perfil no Instagram @clubesparanafazciencia e o site com notícias do Paraná Faz Ciência.

Alunos do Colégio Estadual Alberto de Carvalho aprenderam a superar desafios técnicos e utilizar softwares de modelagem para o desenvolver projetos científicos

Estudantes do Clube dos Quatro Elementos, de Prudentópolis, junto com o palestrante Lucas Fedumenti (Foto/Mathias Trindade)

No dia 7 de abril, os alunos do Clube dos Quatro Elementos, do Colégio Estadual Alberto de Carvalho, em Prudentópolis, participaram de uma palestra sobre o funcionamento da impressora 3D. A atividade foi ministrada por Lucas Fedumenti Castro, graduando em Tecnologia da Informação e Sistemas para a Internet, na Unicesumar. Durante o encontro, os clubistas puderam tirar dúvidas e aprender na prática como operar o novo equipamento que o clube recebeu.

Durante a palestra, Lucas compartilhou com os alunos suas experiências com a impressora 3D, explicando o que é possível realizar com o auxílio da tecnologia. Para demonstrar isso na prática, ele levou uma impressão do personagem Vecna, da série Stranger Things, o que chamou a atenção dos estudantes e ajudou a ilustrar o potencial do equipamento. “Gostei muito da turma, já comprei a briga, falei pra professora que a gente vai estar à disposição, seja online ou presencial, para voltar aqui na escola. A ideia é que eles consigam utilizar a impressão 3D não só para desenvolver os trabalhos na escola, mas também para trazer um dinheirinho e levar esse clube cada vez mais longe”, afirmou Lucas.

Lucas Fedumenti durante sua palestra no Colégio Estadual Alberto de Carvalho, em Prudentópolis (Foto/Mathias Trindade)

Antes da palestra, os estudantes e a professora responsável, Mariel Guil Chociai, recepcionaram a nova orientadora do clube, a professora Cecília Hauresko. Ela atuará no clube, articulado pela Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro). Ex-aluna do Colégio Estadual Alberto de Carvalho, Cecília demonstrou entusiasmo em retornar à instituição para contribuir com os projetos científicos. “Sou nova na Rede de Clubes, mas no ano passado participei de feiras científicas e fiquei muito feliz ao observar as oportunidades que as escolas públicas têm recebido. Na idade de vocês, a gente nem sabia o que significava ciência. Que bom que as coisas mudam para melhor”, afirmou.

O projeto de pesquisa, coordenado pela professora Mariel Guil Chociai, utiliza a impressora 3D como uma ferramenta importante para o desenvolvimento das atividades. Os clubistas estudam a morfometria de abelhas nativas e o reflorestamento, e a ideia é aplicar a tecnologia nesses estudos. “Claro que nós queremos começar fazendo as réplicas das nossas espécies de abelhas que nós estudamos, as nativas, como as jataís, mirim e a mandaçaia, para a gente usar quando formos nas feiras e nas mostras de ciência, para as pessoas olharem as estruturas físicas das abelhas em formato 3D”, explicou Mariel.

O palestrante Lucas Fedumenti compartilhou como usar softwares na utilização da impressora 3D do clube (Foto/Mathias Trindade)

Além disso, o clube também desenvolve outros projetos, como a fabricação de vasinhos estilizados para suculentas, que ajudam a arrecadar verba para as viagens do grupo. A professora contou que, por ser um material novo, ela e os estudantes estavam enfrentando dificuldades no uso do equipamento, o que motivou o convite ao palestrante. “A maior dificuldade estava sendo na quebra do filamento, principalmente. Também o fato de que nenhum de nós tinha conhecimento nenhum sobre a impressora, nós nunca tivemos contato com ela”, relatou.

Para Lucas, o envolvimento dos jovens é o ponto central do projeto. “Os alunos aqui, apesar de jovens, estão muito para frente, são ideias muito avançadas. O pessoal aparentemente gosta de estar no clube, a gente viu alunos aqui que nem estão mais na escola e continuam vindo, e isso é muito importante para a juventude de hoje, que é o nosso futuro. Lá na frente a gente vai ter reflexo dessas crianças aqui”, comentou.

Mariel também reforça que a escolha da impressora partiu dos próprios estudantes, que participaram ativamente da pesquisa do modelo. “Fizemos uma pesquisa bem grande para sabermos qual era a melhor compra do modelo. Isso parte muito dos alunos, isso é bem importante para o protagonismo juvenil deles. Escolhemos um modelo que agora estamos sabendo que é muito bom. Então, a gente só precisa aprender a usar esses detalhes para se adaptar e saber usar ela corretamente”, explicou.

Ao fim da palestra, Lucas se ofereceu para continuar acompanhando o clube e auxiliando os alunos no desenvolvimento dos projetos. Para a professora Mariel, a disponibilidade do palestrante de forma espontânea é algo que faz diferença no processo de aprendizagem. “Eu acho que sempre quando a gente tem contato com uma pessoa que tem tanto conhecimento quanto o Lucas mostrou para a gente, e que fala de uma forma humilde para criança e para adolescente, vendo que isso vai ter um futuro e um benefício para a comunidade escolar, isso é muito gratificante”, compartilhou.

O clubista Vitor Alexandre Konitski (15) também destacou as dificuldades enfrentadas antes da atividade e o quanto a palestra contribuiu para o grupo. “A gente não tinha uma base do conhecimento dos softwares para baixar os modelos, criar, fatiar e exportar, e também sobre a configuração da máquina. A gente estava no seco, só na raça, não tinha experiência nenhuma com isso”, contou. Após a ajuda de Lucas, ele aponta avanços. “Conseguimos aprender um pouco mais sobre os softwares, como decidir o tamanho e a configuração da impressora em si. Ele deu umas dicas e também vai fazer o suporte para ajudar a gente nesse projeto”.

Acompanhe a evolução dos trabalhos com a impressora 3D, no perfil do clube no Instagram: @@clubedosquatroelementos e sobre a Rede de Clubes, pelo Instagram da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência @clubesparanafazciencia e pelo site Paraná Faz Ciência.

O clube de ciências Gaia, em Cascavel, transforma bosque da escola em laboratório vivo

Clubistas em apresentação do Protocolo Araucária Hunters (Foto/Arquivo pessoal)

Quem passa pelo pequeno bosque do Colégio Estadual Professor Victorio Emanuel Ambrozino, em Cascavel, talvez imagine que ali exista apenas um cantinho de sombra e tranquilidade. Mas os estudantes do Clube de Ciências Gaia sabem que o lugar guarda algo bem mais interessante: um verdadeiro laboratório natural cheio de mistérios científicos, e algumas araucárias que parecem estar precisando de uma investigação digna de detetive.

Armados com tecnologia, curiosidade e muita disposição, os clubistas começaram a utilizar o protocolo Araucária Hunters, dedicado a mapear, observar e medir exemplares da icônica Araucaria angustifolia, árvore símbolo do sul do Brasil. A primeira missão já foi cumprida: mapear as araucárias que vivem ao redor da escola. No total, cinco árvores entraram no radar dos clubistas. “Da Araucária Hunters, a gente fez a medição só das plantas do entorno escolar, que foram cinco no total”, explicou a professora orientadora do projeto Raissa Gallego.

E como todo bom projeto científico, com o decorrer do ano de 2025 e os avanços que foram tendo, a curiosidade só aumentou! Para este ano, a equipe pretende expandir o perímetro da investigação e sair pelo bairro em busca de novas araucárias para catalogar. “Agora queremos aumentar o perímetro e ver aqui no bairro as araucárias que temos”, contou a professora.

Clubistas analisando um exemplar de Araucária no bosque da Escola (Foto/Arquivo pessoal)

Há quem pense que um pequeno bosque escolar não esconde muitas coisas interessantes, porém foi justamente lá que surgiu o grande enigma da pesquisa. Entre as árvores analisadas, duas chamaram atenção por um motivo bem específico: elas parecem crescer muito mais devagar que as outras. Enquanto algumas araucárias se desenvolvem robustas e imponentes, essas duas apresentam caule fino e folhas mais fracas, como se estivessem enfrentando alguma dificuldade para se desenvolver.

“Temos duas araucárias no bosque que estão com o caule muito fino e as folhas muito fracas. O crescimento delas é bem diferente das outras”, relatou a docente. A hipótese inicial dos estudantes é que a diferença possa estar relacionada ao ambiente ao redor das árvores. Como elas estão cercadas por outras plantas e árvores do bosque, pode haver competição por luz, água ou nutrientes, um detalhe que, para a investigação científica, faz toda a diferença. Agora, no decorrer de 2026, com a continuidade das atividades dentro do clube, a equipe pretende investigar mais a fundo o que está acontecendo com as duas araucárias “misteriosas”. A ideia é comparar condições de solo, incidência de luz e proximidade com outras árvores. As  investigações continuam!

Clubistas analisando um exemplar de Araucária no bosque da Escola (Foto/Arquivo pessoal)

O bosque da escola, lar das gigantes Araucárias, que antes servia apenas como espaço de convivência, ganhou o status de campo de investigação científica. Afinal, no Clube de Ciências Gaia, uma coisa é certa: se existe uma araucária por perto, existe possibilidade de análise e informações sobre ela a serem descobertas.

Acompanhe também o perfil do clube no Instagram: @clube_gaia.vic para saber mais sobre suas atividades.

Aluna recém-formada do Colégio de Aplicação Pedagógica da UEM compartilha como o clube a influenciou para ingressar na Universidade

A imagem mostra três jovens em uma sala de aula. Eles estão sendo filmados pela câmera de um celular, cuja tela aparece em destaque. No centro, um rapaz usa óculos e gesticula com as mãos enquanto fala. Ao lado dele, duas moças sorrindo parecem conversar com ele. Todos vestem uniforme do colégio. O fundo tem paredes claras com detalhes em verde e uma janela.

Clubistas do CAPciência, do Colégio de Aplicação Pedagógica da UEM, gravando conteúdo (Foto/Arquivo pessoal)

Os clubes de ciência da Rede Paraná Faz Ciência têm ganhado espaço na mídia pela forma autônoma com que alunos da rede pública desenvolvem projetos científicos, e com tão pouco tempo de projeto.

A iniciativa dos clubes tem como objetivo justamente implementar espaços de iniciação científica para aproximar os jovens da universidade pública e, passado mais de um ano do início do projeto, está mais claro identificar os impactos dessas atividades realizadas nos clubes sobre a formação intelectual e acadêmica dos alunos que acabam de concluir o Ensino Médio.

A recém-formada pelo Colégio de Aplicação Pedagógica (CAP) da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Ana Júlia Garcia Molinari, fez parte do clube CAPciência e conquistou a aprovação no vestibular do curso de Farmácia da UEM. A estudante compartilhou um pouco sobre como ter um clube na sua grade escolar favoreceu sua escolha por esse curso superior.

Ana Julia Garcia Molinari concede entrevista, na Biblioteca Central Maria Grazia Zolet (BCE), da Universidade Estadual de Maringá (UEM) (Foto/Arquivo pessoal)

“Eu conheci o clube CAPciência no terceiro ano do Ensino Médio, quando entrei no CAP UEM. Antes, eu estudava numa escola estadual da minha cidade, Itambé, e por conta do cursinho para vestibular, eu pedi transferência para o CAP. Nisso, conheci o clube pelo professor Antônio, que incentivava os alunos a participar, e também por influência das minhas colegas”, contou a ex-clubista.

O clube trabalha com várias linhas de pesquisa, o “recicla banner”, que foi premiado na FECCI 2025, é focado em reciclagem; há projeto de produção de bioplástico a partir do amido da batata; um sobre educação financeira e mais o projeto de cosmetologia natural, pelo qual ela se interessou. Na cosmetologia os alunos produzem cosméticos à base de produtos apícolas (proveniente das abelhas), como hidratantes corporais e labiais.

Um pouco do CAPciência: banners reciclados pelos clubistas, exemplar de creme corporal e reprodução do programa Balanço Geral, do qual a estudante Ana Júlia fez parte (Reprodução de tela e colagem/TvRecord e Arquivo pessoal)

“Eu já tinha certa afinidade com as ciências biológicas e da saúde, então farmácia era, sim, uma opção, mas a decisão se concretizou depois da experiência no clube, que me proporcionou mais proximidade com laboratórios e experimentos, uma expectativa que eu tinha mesmo sobre o curso de Farmácia da UEM”, completou a estudante. 

Ela afirmou ainda que o ritmo de estudos e trabalhos do Capciência foi uma forma mais divertida e menos estressante de lidar com os deveres escolares, visto que essa forma de trabalho aproxima o mundo acadêmico à realidade do estudante, aliviando a ansiedade e o medo da nova etapa pós-Ensino Fundamental. 

“As oportunidades extracurriculares proporcionadas pelo clube, como a participação na FECCI 2025 e outras viagens viabilizadas pelo projeto, foram extremamente edificantes para a formação de conhecimento, tanto para mim quanto para meus colegas”, complementou Ana Júlia. Eles tiveram a possibilidade de conhecer laboratórios, profissionais renomados da área e diversos professores.

A experiência bem sucedida de Ana Júlia, assim como de vários outros ex-clubistas, mostra como o incentivo à iniciação científica desde o Ensino Fundamental estimula a autonomia, o pensamento crítico e aproxima os jovens da universidade. Além de ser enriquecedor para o aluno de forma individual, é relevante diretamente para toda a sociedade porque ajuda a revelar novos talentos, democratizar acessos e formar futuros pesquisadores, capazes de contribuir diretamente para o benefício de toda a população.

Acompanhe mais atividades dos Clubes de Ciências pelo Instagram da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência @clubesparanafazciencia e pelo site Paraná Faz Ciência.

Apresentação reuniu estudantes, professores e conselheiros em torno das práticas desenvolvidas nos clubes de ciência

Imagem de uma apresentação em uma sala de reunião institucional. No centro, quatro estudantes adolescentes estão em pé, lado a lado, vestindo camisetas de equipe e calças esportivas, apresentando um projeto. Um deles segura um objeto e outro segura um boneco de pelúcia. Ao redor, em mesas dispostas em formato de “U”, estão diversos adultos sentados, acompanhando a apresentação. Sobre as mesas há microfones, copos de água, laptops e documentos. Ao fundo, um telão exibe um slide com o título “Clube de Ciências” e informações sobre um projeto relacionado à robótica e método científico. O ambiente é amplo, com iluminação interna, cadeiras de escritório e clima formal. A cena mostra um momento de apresentação e avaliação de projetos científicos desenvolvidos por estudantes.
Clubistas do Colégio Estadual do Paraná apresentam projetos durante reunião do Conselho Estadual de Educação (Foto/Arquivo do clube)

O Clube de Ciência e o Clube de Ciência Maker do Colégio Estadual do Paraná (CEP) participaram de uma reunião ordinária do Conselho Estadual de Educação do Paraná, realizada no dia 20 de março. Na ocasião, estudantes, professores e equipe gestora foram recebidos pelos conselheiros para apresentar as atividades dos clubes e compartilhar experiências construídas no ambiente escolar.

Os clubistas assumiram papel central ao apresentar projetos que articulam investigação científica, tecnologia e resolução de problemas. Entre as iniciativas destacadas estão o desenvolvimento de soluções sustentáveis, como um tijolo produzido a partir da casca de pinhão e propostas voltadas à acessibilidade, como um protótipo robótico para auxiliar na tradução em Libras.

Imagem de um grupo grande de pessoas em um ambiente institucional, posando para foto. Ao centro e ao fundo estão adolescentes e jovens, acompanhados por alguns adultos, formando várias fileiras. A maioria sorri e olha em direção à câmera. Na parte da frente, algumas pessoas estão agachadas ou sentadas no chão, próximas a projetos expostos, incluindo pequenos robôs, maquetes e protótipos tecnológicos. Alguns participantes seguram objetos, como um urso de pelúcia, placas e um banner. Há diversidade de idades, com estudantes e profissionais juntos. Muitos vestem camisetas de projetos ou equipes, algumas com cores escuras e detalhes em amarelo e verde. O espaço possui mesas laterais, cadeiras de escritório e iluminação interna, caracterizando uma sala de reunião ou auditório. A cena transmite um momento coletivo de apresentação e celebração de projetos educacionais e científicos.
Clubistas, coordenadores e equipe participaram do encontro e apresentaram projetos desenvolvidos nos clubes de ciência (Foto/Arquivo do clube)

O professor Tony Marcio Groch destacou o caráter investigativo e aplicado das atividades. Segundo ele, os projetos estão articulados a desafios reais e a competições científicas. “Os clubes trabalham com investigação científica dentro de competições como o Torneio Brasil de Robótica e a First Lego League, em que os estudantes desenvolvem soluções a partir de temas propostos, envolvendo tecnologia e resolução de problemas”, conta.

Imagem de uma mesa de reunião institucional. Três pessoas estão sentadas lado a lado, atrás de uma mesa com microfones e copos de água. Ao fundo, há uma parede branca com o logotipo e o nome “Conselho Estadual de Educação do Paraná” em destaque, nas cores azul e verde. À esquerda, um homem de barba, com camisa social vermelha, olha em direção ao centro. No meio, uma mulher de cabelo curto, vestindo blusa vermelha, também está voltada para a direita, com expressão atenta. À direita, um homem de barba e óculos, usando camiseta preta e vermelha com detalhes, fala ao microfone, gesticulando com a mão. O ambiente é formal, com cadeiras de escritório e uma janela com persianas ao fundo.
Coordenador Tony apresentou aos conselheiros o papel dos clubes na formação dos adolescentes (Foto/Arquivo do clube)

A participação no Conselho apresentou os resultados dos projetos ao mesmo tempo em que expôs as práticas que sustentam essas iniciativas nos clubes. Os participantes destacaram que essas experiências contribuem para a formação acadêmica e pessoal, ampliando habilidades como trabalho em equipe, pensamento crítico e comunicação.

Para a professora e integrante do NAPI Paraná Faz Ciência Edinalva Oliveira, o momento também representa reconhecimento e pertencimento dentro de uma rede mais ampla de incentivo à ciência. “Foi uma grata satisfação participar desse momento no Conselho. Os estudantes foram protagonistas e, para nós do NAPI Paraná Faz Ciência, isso nos orgulha, pois mostra o quanto os clubes têm feito diferença no cenário paranaense.”

Imagem de uma reunião em ambiente institucional. Em primeiro plano, uma mulher de cabelos cacheados e escuros, usando óculos e uma blusa estampada com flores, fala ao microfone com as mãos apoiadas sobre a mesa. À sua frente, há uma caixa de papelão pequena, uma xícara de café, um pires e um copo de água. À esquerda, um homem idoso, de cabeça calva e usando óculos, camisa clara e suspensórios, está sentado e escreve em um caderno. O ambiente possui uma mesa de madeira, cadeiras de escritório e, ao fundo, uma parede de vidro com janelas que deixam entrar luz natural, mostrando o céu azul do lado de fora. Um microfone aparece em destaque no canto inferior da imagem, indicando que a fala está sendo registrada.
Representando o NPFC, a pesquisadora Edinalva destacou o impacto dos clubes da Rede no estado (Foto/Arquivo do clube)

Os conselheiros ressaltaram a qualidade das apresentações e a desenvoltura dos estudantes, reconhecendo o papel do Colégio Estadual do Paraná na promoção de uma educação pública comprometida com a formação integral. Destacaram ainda a importância do trabalho dos professores e da gestão escolar, que possibilitam a realização de projetos e a participação em atividades de alcance municipal, estadual e até internacional.

“Os clubes de ciência aproximam os alunos da ciência e despertam o interesse e o envolvimento. É possível perceber o entusiasmo dos estudantes e o papel fundamental dos professores e coordenadores para manter essas iniciativas vivas nas escolas”, destacou a conselheira Fátima Padoan, gerente de pesquisa da Fundação Araucária, durante a comemoração dos 180 anos do Colégio Estadual do Paraná, realizada no Teatro Guaíra.

O retorno das atividades tem apoio de professores e da bolsista pedagógica Bruna Duarte; iniciativa visa fortalecer o protagonismo estudantil

Grupo de estudantes reunidos em uma sala, sorrindo e próximos à câmera em um momento de interação. A imagem parece ser de uma videochamada, com a bolsista pedagógica Bruna visível em um quadro menor no canto direito, também sorrindo.
Clubistas retomam as atividades em 2026 com acompanhamento remoto da bolsista pedagógica Bruna (Reprodução/GoogleMeet/ Bruna Duarte)

Os Clubes de Ciência de Paranavaí e municípios da região noroeste do Paraná estão retomando suas atividades com força renovada. A iniciativa, que busca incentivar o pensamento científico, a curiosidade e a aprendizagem prática entre estudantes, volta a contar com o acompanhamento direto dos orientadores e o suporte pedagógico da bolsista Bruna Marques Duarte.

Os clubes funcionam como espaços de experimentação e investigação, onde alunos têm a oportunidade de desenvolver projetos científicos, participar de feiras e aprofundar conhecimentos além da sala de aula tradicional. Com a retomada, educadores destacam o entusiasmo dos estudantes e o impacto positivo na formação acadêmica e pessoal.

Estudantes reunidos em sala de aula, sentados ao redor de uma mesa com cadernos e materiais escolares. Uma professora aparece em primeiro plano sorrindo, enquanto a bolsista pedagógica Bruna participa por videochamada em destaque na lateral da tela
Alunos apresentam atividades e registros das investigações durante encontro orientado pela bolsista Bruna (Reprodução/GoogleMeet/ Bruna Duarte)

Além dos encontros presenciais, também estão sendo realizadas reuniões online com estudantes e professores, voltadas à discussão e ao acompanhamento do desenvolvimento das investigações nos clubes. A proposta é orientar o trabalho investigativo de forma progressiva, contribuindo para que os alunos se tornem cada vez mais autônomos na condução de seus projetos. 

A bolsista pedagógica Bruna Duarte tem desempenhado papel fundamental nesse processo, auxiliando na organização das atividades, no planejamento de oficinas e no acompanhamento dos grupos. Sua atuação contribui para integrar teoria e prática, além de apoiar os professores na condução dos projetos.

Grupo de estudantes e um professor em sala de aula, organizados em fileiras de carteiras. Um dos alunos segura um caderno aberto. Na tela, a bolsista Bruna aparece em vídeo chamada, acompanhando a atividade
Momento de integração entre estudantes, orientador e bolsista pedagógica durante reunião (Reprodução/GoogleMeet/ Bruna Duarte)

Bruna já realizou orientações com quatro clubes, sendo eles: Clube Bioessence de Santo Antônio do Caiuá; Clube Eco Historiadores, de São Pedro do Paraná; Clube Pesquisa-Ação, de Inajá e Clube Conexão, de Nova Esperança.

“A orientação acontece como um processo de construção conjunta, em que os estudantes vão desenvolvendo sua pesquisa aos poucos, por meio de conversas, questionamentos e reflexões em grupo. Nesse caminho, eles escolhem o tema, formulam perguntas, definem objetivos, decidem como pesquisar e analisam os resultados. Assim, a orientação não é dar respostas prontas, mas apoiar os alunos para que se tornem mais autônomos, críticos e participativos na construção do conhecimento”, conta a bolsista pedagógica.

Estudantes reunidos em sala de aula, posando juntos e sorrindo para a câmera. Ao lado, em uma janela de videochamada, a bolsista pedagógica Bruna também aparece sorrindo, indicando participação remota no encontro do clube
Clubistas realizam acompanhamento remoto com a bolsista Bruna (Reprodução/GoogleMeet/ Bruna Duarte)

A retomada dos Clubes de Ciência reforça o compromisso das escolas da região com uma educação mais dinâmica, investigativa e conectada com os desafios contemporâneos. A expectativa é de que, ao longo do ano, mais estudantes se envolvam nas atividades e novos projetos ganhem destaque em feiras e mostras científicas.

Com o apoio coletivo de professores, estudantes, bolsistas pedagógicos e da UNESPAR, os Clubes de Ciência voltam a ocupar um espaço essencial na formação de jovens pesquisadores em Paranavaí e região.

Mais do que um projeto educacional, a ação se consolida como um ambiente de incentivo à investigação, ao pensamento crítico e à construção colaborativa do conhecimento.

Com o apoio da Unicentro, alunos do Colégio Estadual Heitor Rocha Kramer realizam primeira atividade prática do ano e recebem nova orientadora

Grupo de cerca de 16 pessoas posando em uma rua de terra em um bairro residencial. A maioria são jovens vestindo uniformes escolares em azul e branco, alguns em pé e outros agachados na frente. Há também alguns adultos junto ao grupo. Ao redor, aparecem casas simples, árvores e postes com fiação elétrica. O céu está parcialmente nublado, com nuvens escuras contrastando com áreas de sol que iluminam o grupo.
Estudantes do clube EcoTransformadores levam a professora Cecilia Hauresko para conhecer onde será implantada a Rua Sustentável (Foto/ Mathias Trindade)

No dia 18 de março, os alunos do Clube EcoTransformadores, do Colégio Estadual Heitor Rocha Kramer, em Guarapuava, realizaram as primeiras atividades práticas de 2026. Sob coordenação da professora Daniele Kosmo, os clubistas receberam a nova orientadora da Rede de Clubes pela Unicentro, a professora Cecilia Hauresko. Durante o encontro, os estudantes apresentaram os projetos idealizados pelo grupo, que unem educação e meio ambiente, como a Rua Sustentável, os Jardins Suspensos e as hortas escolares.

A professora Cecilia Hauresko, especialista em Hortas Urbanas, iniciou este mês suas atividades como orientadora da Unicentro no clube do Colégio Heitor Rocha Kramer. Pela familiaridade com o tema de pesquisa dos clubistas, ela se sente motivada em orientá-los e criar um diálogo com o grupo. “Acho que nós, como professoras, e da Geografia em especial, temos como foco uma educação para a sustentabilidade. O que eu conheço de práticas que orientem para esse tema são suficientes para que possamos dialogar o tempo todo sobre a importância de uma sociedade e de uma escola saudáveis. Quando falo disso, estou falando de uma educação para a sustentabilidade, sem sombra de dúvidas”, contou Cecilia.

A nova professora orientadora da Rede de Clubes da Unicentro, Cecilia Hauresko, se apresenta para os alunos do Colégio Estadual Heitor Rocha Kramer (Foto/Mathias Trindade)

O projeto do clube EcoTransformadores é transformar a rua Herberth Storl em uma  Rua Sustentável nos arredores do colégio, localizado no Bairro Colibri. Atualmente, a região enfrenta uma situação crítica, por conta do descarte inadequado de lixo e pelo abandono de animais, que sofrem com a falta de alimento e de água. Diante desse cenário, os clubistas pretendem, em 2026, tirar o planejamento do papel e transformar a teoria construída ao longo do último ano em ação prática, com a colocação de lixeiras de coleta seletiva, limpeza de entulhos, área de convivência com balanço e a plantação de árvores frutíferas.

Segundo o clubista Vinicius Nascimento, de 16 anos, eleito presidente do clube por ser o integrante que está no projeto há mais tempo, ele demonstra disposição para mobilizar a comunidade e colocar as ideias em ação. “Tenho esperança de que tudo vai dar certo e que conseguiremos apresentar o projeto para as pessoas que participarem das feiras. Queremos mostrar como vamos fazer uma rua sustentável tanto para os moradores quanto para a comunidade escolar e o bairro”, explicou Vinicius.

Para ele, o sucesso da iniciativa depende do envolvimento dos moradores do bairro. “Queremos contar o que vamos fazer e qual é o nosso objetivo, pedindo a colaboração deles. Como vamos tentar melhorar a rua e trazer algo mais sustentável, precisamos do apoio da comunidade para manter essas melhorias”, concluiu o presidente do clube.

Além da instalação de jardins suspensos na Rua Sustentável, os clubistas preparam a criação de uma horta para a comunidade. Segundo a professora responsável pelo clube, Daniele Kosmo, o projeto da horta não será executado na mesma via por falta de espaço adequado, mas já possui um local estratégico no Bairro Colibri.

“A horta comunitária não será propriamente na rua porque lá não encontramos o espaço necessário. Analisando as condições do bairro, encontramos um terreno que possivelmente será apropriado para a implementação do projeto. Agora, vamos fazer as avaliações necessárias e as solicitações aos órgãos públicos para poder executar a ideia”, explicou Daniele.

Alunos do Clube EcoTransformadores junto da professora Cecilia Hauresko visitando a futura Rua Sustentável (Foto/Mathias Trindade)

Para a professora orientadora Cecilia Hauresko, o planejamento está ideal e pronto para avançar. Ela destaca que o fato de o projeto estar bem estruturado no papel já é o início da transformação. “Acho que o caminho está posto e o projeto está bem escrito. Hoje vamos conhecer a rua que será a Rua Sustentável e, a partir dela, outras tantas ideias irão surgir. O primeiro passo já foi dado, e foi muito bem-dado pela professora”, afirmou Cecilia.

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Com foco em botânica e astronomia indígena, estudantes do Turvo levam seus saberes até a capital federal

Quatro homens jovens estão lado a lado, posando para uma foto em um espaço moderno com plantas ao redor. Eles usam camisetas claras iguais, com crachás pendurados no pescoço, indicando participação em um evento. Dois deles estão com mochilas. O homem à direita estende o braço, como se estivesse tirando uma selfie ou convidando alguém para a foto. Ao fundo, há um ambiente com cobertura, paredes de vidro e bastante vegetação, sugerindo um local de evento ou instituição.
Alunos e o professor do clube Luan Felipe de Lima no Encontro Nacional Mais Ciência na Escola, em Brasília (Foto/Arquivo Pessoal)

Entre os dias 24 e 26 de março, foi realizado em Brasília o Encontro Nacional Mais Ciência na Escola, que reuniu quatro clubes da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência Maker, além de pesquisadores, educadores e autoridades de todo o Brasil. Um dos quatro clubes makers selecionados foi o Pỹn fĪfĪ, que em português significa cobra-coral, do Colégio Indígena Cacique Otávio dos Santos, localizado na Terra Indígena Marrecas, no município de Turvo.

Articulado pela Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), o clube levou à capital federal dois de seus clubistas, Adair Kãvigmc Luiz e Wesley Krynhkryj Mathias, o professor responsável pelo clube de ciências do colégio, Luan Felipe de Lima, e o professor Claudinei Pranch, representante da liderança indígena. O clube indígena tem como suas principais linhas de pesquisa os ciclos reprodutivos da Araucaria angustifolia, plantas medicinais tradicionais e astronomia Kaingang.

A seleção para o encontro nacional se deu por meio de um vídeo gravado pelos estudantes, detalhando a organização, os aprendizados e os desafios do grupo em um clube de ciências Maker. Entre os destaques do vídeo, foi apresentado o estudo sobre os ciclos da Araucaria angustifolia, que investiga a relação entre a exploração humana e o desenvolvimento dos estróbilos (pinhões), em uma espécie de árvore que é vital para a economia e cultura local. 

Outra linha de pesquisa apresentada pelo clube foi a análise sobre plantas medicinais, sugerida pela aluna Elizângela (Kamurã), de modo a preservar o conhecimento tradicional Kaingang sobre essas plantas e seus usos pelo grupo, garantindo que sua cultura siga viva e adaptável. Recentemente, por iniciativa da aluna Jennifer Mendes, o grupo também passou a registrar a astronomia Kaingang, resgatando saberes ancestrais sobre os ciclos das estações do ano e fenômenos celestes observados a partir da Terra Indígena de Marrecas.

De acordo com o professor Luan Felipe, o diferencial para a escolha do grupo foi a identidade e a maturidade do projeto. “Acredito que o que mais pesou foi o fato de sermos um colégio indígena com um clube funcional e diversas linhas de pesquisa que já haviam sido apresentadas em outros eventos. Isso casava perfeitamente com a proposta do encontro em Brasília”, destacou o responsável pelo projeto no colégio.

Os quatro clubes Makers da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência Maker que participaram do primeiro Encontro Nacional Mais Ciência na Escola, em Brasília (Foto/Arquivo pessoal)

Durante a programação em Brasília, promovida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o Pỹn fĪfĪ participou de diversas atividades que incluíram a transmissão de vídeos institucionais e uma mesa temática sobre políticas públicas de Educação, Ciência e Tecnologia. O evento também promoveu debates entre alunos, professores e coordenadores sobre os desafios da ciência na escola, em encontros com grupos simultâneos. Entre as autoridades presentes, estavam o Secretário de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Social do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Inácio Arruda, e a Diretora do Departamento de Popularização da Ciência, Tecnologia e Educação Científica do Ministério, Juana Nunes.

Para o professor Luan Felipe, o encontro em Brasília serviu principalmente para ouvir os desafios e os acertos de cada estado na prática. Ele destaca que o evento não foi uma feira de ciências comum, mas um espaço para discutir como os projetos estão funcionando de verdade nas escolas. “O que mais chamou atenção foram relatos de colegas de outros estados com dificuldades de tempo para o bom funcionamento do projeto. Há lugares onde se mudou o conceito de aula eletiva, transformando-as em reforço de Português e Matemática e querendo deixar o clube de ciências apenas para o contraturno”, alertou o professor.

Luan também pontuou as barreiras físicas que muitos educadores enfrentam pelo Brasil. “Existem lugares onde o aumento da carga horária não veio acompanhado de investimentos nas escolas, o que torna impossível dar continuidade real ao programa. Pode ser que, quando algumas escolas finalmente tiverem espaço para montar um laboratório, os equipamentos já estejam estragados pelo tempo, dificultando o trabalho”, concluiu.

Os alunos dos clubes makers ganharam jalecos como um incentivo para continuarem no mundo da ciência (Foto/Arquivo Pessoal)

Para os clubistas Adair e Wesley, que representaram o Turvo no Distrito Federal, a experiência foi transformadora. Além de conhecerem a capital do país, o ponto alto da viagem foi a visita ao Laboratório Maker do SESI, onde puderam ter contato com tecnologias de ponta. “O que mais nos marcou foi ver como funciona um laboratório de inovação. Vimos, por exemplo, como se faz uma animação profissional, usando um software com uma câmera que permitia ver a ‘sombra’ da imagem anterior para criar o movimento quadro a quadro”, relatou Adair, fascinado com as possibilidades da técnica de animação.

O professor Luan Felipe acredita que a viagem trouxe benefícios imensuráveis tanto para os alunos, quanto para o futuro do Pỹn fĪfĪ. Ele destaca que, embora apenas cerca de 2% dos clubes de ciências nacionais sejam dedicados a escolas indígenas, a troca de experiências em Brasília foi fundamental. “Certamente a experiência foi extremamente positiva. É ótimo ver a troca de perspectivas, conhecer outras realidades e compartilhar dificuldades e sucessos. Meus alunos são bem tímidos e não possuem o português como primeira língua, então essas interações são ótimas para desenvolver a socialização e a valorização do que possuem de diferente”, avaliou o professor.

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O evento reuniu educadores e estudantes para debater cultura científica e resultados dos laboratórios makers em escolas públicas

Uma foto em close de três pessoas sorrindo e posando para a câmera em frente a um painel branco de eventos. No centro está o professor Pedro Paulo, um homem de pele morena, careca e de barba, usando óculos de sol pendurados na gola de uma camiseta verde-clara do evento. Ele segura uma sacola de tecido ecobag branca. À sua esquerda está o aluno Rafael Costa, um jovem mais alto usando óculos de grau, camiseta verde do evento e calça escura, também segurando uma ecobag e uma mochila preta. À direita do professor está o aluno Victor Gabriel, o mais jovem da dupla, com cabelos escuros e camiseta verde, segurando sua ecobag branca. As três sacolas têm o logo colorido "Mais Ciência na Escola" impresso. O painel atrás deles é branco com logos de parceiros (CNPq, Governo Federal) e o texto "Encontro Nacional Mais Ciência na Escola - Brasília, Março de 2026". O chão é de piso claro e a iluminação é de spots de luz de um centro de convenções.
Equipe do Clube Maker Margarida Consciente no Encontro Nacional (Foto/Isabella Abrão)

Nos dias 24 a 26 de março, o Clube Maker Margarida Consciente, vinculado à Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP), vivenciou um marco em sua trajetória ao participar do Encontro Nacional Mais Ciência na Escola 2026, em Brasília. O clube faz parte do Colégio Estadual do Campo Margarida F. Gonçalves, no distrito do Campinho, em Ibaiti. Sob a orientação do professor Pedro Paulo de Brito, os alunos Rafael Silva Costa (14) e Victor Gabriel (12) puderam mostrar tudo que construíram em sala de aula. Além do conhecimento técnico, a oportunidade de conhecer novos lugares encantou os jovens, que se impressionaram com a grandiosidade da capital federal. Para Victor Gabriel, o integrante mais jovem da dupla, estar ali foi uma honra. “Uma cidade muito boa, com muitos lugares turísticos, como a Torre de TV Digital, a Catedral Metropolitana, o Centro de Cultura, em geral gostei demais. Me senti muito honrado por poder ter essa experiência”, afirma Victor.

Para os alunos que decidem “se jogar” no aprendizado científico, os clubes de ciências abrem portas que vão muito além do turismo. O maior impacto veio da troca de vivências. Rafael reforça esse sentimento: “o que marcou mesmo foi ver que a ciência une pessoas de lugares tão diferentes e que temos muito potencial para evoluir, teve muito aprendizado, animação na medida certa e conhecimento de sobra. Por fim, o que eu posso dizer de todo aquele evento é que valeu cada segundo”.

Esses espaços de inovação são uma iniciativa do NAPI Paraná Faz Ciência, por meio da da Fundação Araucária e com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, o Cnpq, via edital de fomento aos clubes de tipo Maker. Conforme esse edital, esse tipo de clube desenvolve ações com foco em STEAM (Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática, em inglês). 

Os clubes Makers tem enfoque para inovação, robótica e projetos práticos, que visam o desenvolvimento do raciocínio lógico, criatividade e autonomia dos alunos do ensino Fundamental e Médio. Aos participantes é proporcionado não apenas um aprendizado especializado e direcionado, mas experiências únicas e idealizadoras, as quais dão acesso aos alunos a realidades e experiências antes inimagináveis. 

Os clubes da região Norte do Paraná estão sob orientação do coordenador Professor Lucken Lucas Bueno, da UENP campus Cornélio Procópio. A equipe conta com apoio de mais dois professores doutores, três Bolsistas Técnicos de Nível Superior (BTNS) em Pedagogia, um técnico financeiro e uma técnica da área de comunicação, todos vinculados ao NAPI Paraná Faz Ciência e responsáveis por fornecer todo suporte para os professores e clubes contemplados da região. Um trabalho articulado entre o meio acadêmico e as escolas públicas do estado que busca promover experiências enriquecedoras e contribuir para a concretização de projetos e aspirações de alunos e professores vinculados à Rede Paraná Faz Ciência.

Siga o perfil no Instagram do colégio @col.margarida para saber mais sobre suas atividades. E sobre a Rede de Clubes de Ciências, pelo Instagram da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência @clubesparanafazciencia e pelo site Paraná Faz Ciência.