Experiência em Belém reuniu estudantes do Brasil, França, Colômbia e Chile em uma semana de intercâmbio científico e produção de propostas climáticas

A ciência produzida na Educação Básica do Paraná ganhou alcance internacional durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30). Entre 10 e 14 de novembro, uma delegação articulada pela Unicentro participou das atividades do Pacto Global de Jovens pelo Clima (GYCP), em Belém, apresentando pesquisas, debatendo soluções locais e contribuindo para a redação do Manifesto de Belém, o documento que reivindica que a educação seja reconhecida como pilar estratégico da agenda climática mundial.
A articuladora da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência na Unicentro, Marquiana Gomes, destacou a trajetória que levou os estudantes ao encontro global. “As ações que os jovens têm feito aqui são uma culminância de um trabalho coletivo, que vem sendo desenvolvido há pelo menos dois anos. Eles puderam partilhar essa experiência com outros jovens de várias regiões do Brasil, como Pernambuco e Ceará, e também de outros países”, explica.
Coordenadora nacional do GYCP e professora da Unicentro, Adriana Kataoka reforçou o alcance político e cultural da participação paranaense. “Realmente superou as expectativas. Vimos a riqueza e a diversidade dos trabalhos, como cada cultura e cada região encara e resolve os seus problemas. E isso mostra que preservar a Amazônia passa necessariamente pelo cuidado com os povos originários”, reforça a professora.

Ao todo, onze estudantes articulados pela Unicentro participaram da programação do GYCP, em Belém. Entre eles, oito jovens cientistas de Guarapuava, parte da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência vivenciaram uma semana de imersão, dialogando com estudantes da França, Colômbia e Chile – incluindo a Ilha de Páscoa -, apresentando pesquisas e contribuindo para a elaboração coletiva da Carta da Terra, que reúne reivindicações e propostas de ação climática para o triênio 2025–2028.
O ponto alto da participação para os clubistas ocorreu no dia 12, na Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), onde os estudantes defenderam projetos que transformam problemas locais em soluções aplicadas.
Os temas das apresentações incluíram saneamento, monitoramento ambiental, biodiversidade e preservação dos arroios urbanos. Raul Ramos, do Colégio Estadual Padre Chagas, avaliou o que viu. “Cada projeto tem uma ideia muito brilhante, pela necessidade criada dentro da região e pela inovação na resolução dos problemas”.
Bruna Wolf Battistelli, do Colégio Estadual Carneiro Martins, ressaltou a troca com jovens pesquisadores de outros países. “Eram muito mais pessoas e eram jovens que também desenvolvem projetos. É legal compartilhar um pouco do que fazemos na nossa sociedade”, contou a estudante.
A professora de Bruna, Ariane Andrade Bianco, celebrou a participação. “É uma oportunidade ímpar para eles. Tenho certeza de que vão sair daqui outras pessoas, com perspectivas muito mais maduras.”

Para Tiago Vaz Machado, aluno do Colégio de Ensino Integral Professor Pedro Carli, a experiência ampliou o sentido do engajamento climático.“Não é apenas discutir algumas coisas, é colocar em prática. Acho que conseguimos levar isso para a nossa cidade e desenvolver o projeto lá.”
A diversidade de realidades trouxe novas camadas ao debate climático. O estudante francês Martin Zdunek refletiu sobre sua própria posição. “Somos nós, os europeus, os Estados Unidos, a China, os países mais ricos, que criamos esses problemas. E as repercussões são muito mais graves aqui no Brasil.”
Da Ilha de Páscoa, a professora Angela Pakarati compartilhou a rotina de impactos ambientais na pequena ilha do Pacífico. “Recebemos todos os dias uma tartaruga com uma rede, um golfinho ferido. Qual é a sua solução para o cuidado do planeta? A minha forma é reciclando.”

Para as estudantes paranaenses, o encontro gerou conexões e aprendizado linguístico. Izadorah Estrella, do Colégio Estadual Padre Chagas, comentou sobre as interações. “Fiz muitas amizades, principalmente com o pessoal de fora. Aproveitamos para treinar inglês e espanhol e refletir em conjunto”, conta.
A professora Crissiane Loyse Luz, do Colégio Estadual Cristo Rei, avaliou o impacto formativo nos alunos. “Eles estão se tornando protagonistas e debatendo a importância das ações de mitigação das mudanças climáticas.”
Nicoli dos Santos Castilho Nuskovski, 13 anos, aluna do Cristo Rei também celebrou os encontros. “Foi muito divertido conhecer novas pessoas e interagir com elas. Acho que todas foram muito bem nas apresentações.”

A participação dos jovens culminou na elaboração do Manifesto de Belém, também chamado de “Carta da Terra”, documento assinado por todos os presentes e pelos 58 mil jovens do Pacto Global de Jovens pelo Clima.
O texto afirma que a crise climática não é apenas ambiental, mas também social, econômica, ética e educativa, e denuncia a lentidão das ações governamentais. O manifesto defende que nenhum acordo climático será efetivo sem uma transformação profunda nos sistemas educacionais.
Entre as principais reivindicações estão:
O documento encerra afirmando que “a educação é clima, economia e justiça” e que não haverá desenvolvimento sustentável enquanto conhecimento e ação seguirem dissociados.

Após uma semana intensa, que incluiu atividades em pontos turísticos como o Ver-o-Peso, Forte do Presépio e Museu Emílio Goeldi, os jovens retornam ao Paraná com novas perspectivas, experiências científicas e um compromisso político traduzido na Carta da Terra.
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Os grilos são o principal objeto de estudo do Clube do Colégio Ceretta

No Colégio Estadual Antônio Maximiliano Ceretta, de Marechal Cândido Rondon, centro-oeste do estado, os estudantes estão desbravando o universo dos insetos. Junto da professora Lilian Bortoluzzi, os integrantes do Clube de Ciências têm se dedicado a estudar a entomologia, área da biologia que investiga a vida dos insetos e sua interação com o meio ambiente.
Os insetos são o grupo de animais com o maior número de espécies catalogadas no planeta e desempenham papéis essenciais na natureza, como polinização e decomposição de matéria orgânica.
No clube, uma das atividades é a criação de grilos, atividade que permitiu aos estudantes analisarem aspectos morfológicos, fisiológicos e comportamentais desses animais.
“Foi muito interessante observar como os grilos produzem som, se alimentam e se comportam. Conseguimos diferenciar os (grilos) jovens de adultos, machos de fêmeas, ver as fêmeas realizando a postura dos ovos, acompanhar o nascimento dos filhotes e testemunhar a equidise, que é a troca de exoesqueleto”, relatam os participantes do projeto.
Os estudantes entendem que o estudo dos insetos pode proporcionar alternativas para aproveitá-los ainda mais na conservação da biodiversidade e na sustentabilidade. O Clube de Ciências do Colégio Ceretta faz parte da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, que reúne cerca de 245 clubes em todo o estado. O projeto incentiva o pensamento científico e o protagonismo estudantil. Para saber mais sobre o Projeto, acesse no Instagram ou pelo site