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II WORKDHOP DO NAPI PARANÁ FAZ CIÊNCIA

Projetos curitibanos articulam ciência, tecnologia e experiências do cotidiano escolar

Grupo de pessoas posando para foto em um espaço interno de evento. Ao fundo, há um painel branco com a palavra “CONTATO”, logotipo, endereço de site e um perfil de rede social. As pessoas estão organizadas em duas fileiras: uma em pé e outra agachada à frente. A maioria utiliza camisetas pretas com estampas coloridas relacionadas a ciência e crachás de identificação pendurados no pescoço. Algumas usam fones de ouvido. Há também pessoas com roupas casuais, como jaquetas e camisetas claras. Todas estão voltadas para a câmera, com expressões sorridentes ou neutras. O ambiente é bem iluminado, com estrutura de evento visível nas laterais.
Clube ‘Incríveis Pesquisadores Maker’ e articuladores do NAPI reunidos no evento (Foto / Marilaine Martins)

Projetos que surgem de questões do cotidiano escolar e do território dos estudantes da rede municipal de ensino de Curitiba ganharam espaço na Semana Araucária de Ciência, Tecnologia e Inovação. Desenvolvidas em clubes de ciência da Rede Paraná Faz Ciência, as pesquisas apresentadas articulam investigação, tecnologia e vivências dentro e fora da escola.

A participação, no entanto, ainda é pontual: entre os 290 clubes que integram a Rede Paraná Faz Ciência, apenas dois estão vinculados à rede municipal de ensino, em Curitiba. A inserção ocorre por meio dos clubes ‘Cross Tech Science Portinari’ e ‘Incríveis Pesquisadores Maker’.

Três pessoas estão em um espaço interno de evento, próximas a um telão de apresentação. Duas estão à frente, utilizando crachás e fones de ouvido, e seguram microfone e papel, como em uma fala ao público. Uma terceira pessoa permanece logo atrás, também com crachá e fones. No telão, aparece um slide com informações do projeto, incluindo o nome do coordenador, lista de participantes e a indicação de que são estudantes do Ensino Fundamental. No canto inferior, há a identidade visual do Paraná Faz Ciência. O ambiente é amplo, com iluminação clara e estrutura de evento ao fundo.
Integrantes do clube ‘Cross Tech Science Portinari’ apresenta pesquisa durante a Semana Araucária, no Centro de Eventos do Sistema FIEP (Foto / Marilaine Martins)

No clube ‘Cross Tech Science Portinari’, da Escola Municipal CAIC Cândido Portinari, localizada na região da Cidade Industrial (CIC), os projetos desenvolvidos envolvem educação ambiental articulada ao uso de tecnologias. Com dez estudantes, o grupo passou recentemente por uma renovação, e a participação na Semana Araucária marcou o primeiro contato com um evento em que foi possível apresentar o trabalho desenvolvido pelo clube. Para o professor coordenador, Roni Zanatta, o momento também representa a possibilidade de ampliar o contato dos estudantes com outras iniciativas.

Para o professor, a participação evidencia a capacidade de produção científica em diferentes contextos educacionais. “A gente tem, mesmo nas regiões mais periféricas da cidade, condições de produzir ciência de alto nível, inclusive em uma escola de ensino fundamental”, afirma.

Além de apresentar os projetos, o evento marca o primeiro contato dos estudantes com um espaço de divulgação científica. “É a primeira vez que eles participam de um espaço como esse. Eles passam a conhecer não só a produção, mas também a divulgação dos dados”, explica Roni.

A imagem mostra três adolescentes em um palco durante um evento científico. Elas estão posicionadas lado a lado, voltadas para o público, próximas a um telão de apresentação. Todas utilizam fones de ouvido e crachás de identificação pendurados no pescoço. Duas delas seguram microfones, indicando que estão apresentando ou se preparando para falar. As três vestem roupas escuras, sendo que duas usam camisetas com a identidade visual do grupo “Os Incríveis Pesquisadores Maker”. A postura delas é atenta e concentrada, sugerindo um momento de apresentação formal do projeto.
Além da estrutura do clube, integrantes dos “Incríveis Pesquisadores Maker” explicaram o que motivou a principal pesquisa em andamento no clube (Foto / Marilaine Martins)

Já no clube ‘Incríveis Pesquisadores Maker’, da Escola Municipal CAIC Doutor Guilherme Braga Sobrinho, localizada na região do Sítio Cercado, a participação no evento também é compreendida como um momento de reconhecimento do trabalho desenvolvido na escola. A professora e coordenadora do clube, Doralice Lima, destaca o envolvimento dos estudantes na definição dos temas investigados.

“Os estudantes pesquisam temas que eles mesmos consideram importantes e, ao apresentar aqui, mostram o quanto são capazes e que podem ser protagonistas das próprias trajetórias”, afirma. Segundo a professora, a experiência reforça a relevância das práticas investigativas no contexto escolar. “É uma confirmação de que esse trabalho pode ser feito e que ele é imprescindível nas escolas”, completa.

A participação dos clubes da rede municipal em eventos como a Semana Araucária também se relaciona com a forma como a experiência do Clube de Ciência da Rede Paraná Faz Ciência vem sendo desenvolvida no contexto escolar.

Para Santina Bordini, professora que acompanha os clubes na Rede Municipal de Curitiba, a participação ativa dos estudantes amplia seu papel no processo de aprendizagem. “Eles deixam de ocupar apenas o lugar de quem recebe informações e passam a investigar, criar, testar, errar, revisar e apresentar soluções”, afirma. Nos clubes, esse processo inclui o erro como parte da construção do conhecimento. “Nem sempre a primeira ideia funciona, e isso é muito bom e contribui para sua formação como pessoa”, defende.

A professora ressalta que os projetos desenvolvidos tendem a partir de questões do cotidiano e das realidades dos estudantes. “Muitas vezes, as propostas nascem da escola, da comunidade, do território onde esses alunos vivem. Isso aproxima ciência e realidade e torna a aprendizagem mais significativa”.

Nesse contexto, a participação em eventos como a Semana Araucária amplia o alcance dessas produções e reforça seu reconhecimento social. “Quando os estudantes apresentam seus projetos em um evento dessa natureza, eles percebem que aquilo que produziram na escola tem valor social, merece ser visto, discutido e reconhecido”. A inserção em espaços como a Semana Araucária e a Feira de Ciência e Inovação (FECCI) também contribui para que esses trabalhos circulem em diferentes contextos de produção e socialização do conhecimento.

Ainda que em número reduzido dentro da rede, a presença dos clubes dentro de Escolas Municipais evidencia possibilidades de fortalecimento das práticas investigativas na educação básica e indica caminhos para a ampliação de experiências desse tipo no contexto escolar.Siga o perfil da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, no Instagram, @clubesparanafazciencia para saber o que acontece nos clubes da rede. E no site Paraná Faz Ciência estão mais matérias e registros das ações do NAPI Paraná Faz Ciência.

Clubistas falam dos planos para os eventos, sobre novas pesquisas e aprofundamento de projetos

Foto em ambiente escolar mostrando um grupo de adolescentes e uma professora em uma sala clara, sentados ao redor de uma mesa. Todos usam jalecos brancos. Sobre a mesa há cadernos, folhas com atividades, estojo de lápis de cor, cola e garrafa térmica. A professora está ao centro, atrás dos estudantes, e todos olham para a câmera. Ao fundo, há janelas altas e pia, sugerindo um espaço de laboratório ou sala de projetos.
Clube de Ciências do Colégio Prefeito João Maria de Barros, em Campina Grande do Sul, coordenado por Taíza Klemba, inicia o ano com reorganização do grupo e novas perspectivas de pesquisa (Foto/Arquivo do Clube)

Com o início do ano letivo, os Clubes de Ciências do Paraná Faz Ciência entram em uma nova etapa de planejamento e aprofundamento das investigações desenvolvidas ao longo do tempo. Alguns projetos iniciados anteriormente seguem em expansão, enquanto experiências acumuladas em feiras e eventos científicos inspiram novas perguntas e orientam diferentes caminhos de pesquisa, consolidando um processo investigativo contínuo. A chegada de novos integrantes também amplia perspectivas e contribui para a diversidade de temas e interesses que mobilizam os clubes.

Nos diferentes clubes da rede, esse movimento já se traduz em ações concretas. Além da organização das pesquisas e do planejamento das atividades, várias unidades realizaram encontros de apresentação, divulgação interna e mobilização para integrar novos clubistas, iniciativas essas que ampliam a participação, fortalecem o sentido de pertencimento e garantem a continuidade das ações ao longo do ano.

No Colégio Prefeito João Maria de Barros, por exemplo, em Campina Grande do Sul, a professora coordenadora Taiza Klemba precisou reorganizar o grupo após a mudança de turno de parte dos estudantes com a passagem para o nono ano. “Eu passei de sala em sala convidando, fechei o número de 20 estudantes e tenho lista de espera”, relata. A docente destaca que a procura foi facilitada pela reputação já consolidada do projeto entre os alunos, que reconhecem as atividades diferenciadas, as aulas de campo e as pesquisas desenvolvidas.

Já no Clube Bona, em Almirante Tamandaré, formado por alunos de Ensino Médio, a pesquisa sobre qualidade da água pode ganhar novos desdobramentos ao longo deste ano. Além da abordagem biológica já realizada pelos estudantes, há a possibilidade de incorporação da análise química, a partir do interesse demonstrado pela professora do curso técnico em Química do colégio em colaborar como coautora do trabalho, fortalecendo a perspectiva interdisciplinar e ampliando o alcance do estudo. Para os integrantes, essa ampliação dialoga com a própria trajetória do grupo. “É o mesmo tema, só que analisado de formas diferentes. Isso é interessante”, comenta Eduardo Fernando Ferreira da Silva, 17 anos. 

Além da continuidade dos estudos já desenvolvidos, o grupo também projeta novas áreas de interesse para o próximo período. Entre elas, a identificação de animais e o aprofundamento em estudos sobre plantas medicinais têm ganhado destaque, refletindo o amadurecimento das discussões e a ampliação do repertório científico dos estudantes.

No caso da identificação, o interesse integra o percurso de Gabriel Victor do Nascimento, 16 anos, no clube e ganhou novas referências após a participação na FECCI (Feira de Cultura Científica do Paraná Faz Ciência). “Na feira eu vi muita gente esforçada em pesquisa de identificação de animais e isso me motivou ainda mais”, relata. Dentro das atividades do grupo, uma iniciativa do estudante passou a integrar as práticas do clube: ele levou um aquário que estava sem uso em casa e iniciou uma experiência com a alga da espécie elódea. O experimento permitiu observações no microscópio e revelou a presença inesperada de duas espécies de caramujos de água doce, ampliando as possibilidades de análise e identificação.

No campo das plantas medicinais, a inspiração surgiu a partir da premiação conquistada na FECCI no ano anterior, que incluiu um livro sobre o tema. “Eu gostaria que neste ano, por exemplo, um trabalho que a gente fizesse fosse focado no livro que a gente ganhou. Sobre as plantas medicinais. Eu acho interessante”, afirma Maíra de Andrade Ribeiro, 16 anos. A proposta também desperta interesse em Suzanna Heliza Gonçalvez de Freitas, de mesma idade, que destaca a possibilidade de utilizar os conhecimentos sobre plantas medicinais em estudos voltados à área da cosmética, explorando o uso de bases naturais no desenvolvimento de produtos.

Com projetos voltados para a área de robótica educacional e engenharia aplicada, o Clube de Ciências Nautilus Robotics, de Pinhais, iniciou o ano letivo já envolvido em atividades externas. No último sábado, 21 de fevereiro, a equipe participou do Amistoso das Araucárias, realizado no Colégio Sesi Indústria, evento preparatório para as próximas etapas da FIRST Tech Challenge (FTC), competição internacional de robótica educacional. O encontro reuniu equipes para momentos de prática, testes e ajustes antes das disputas oficiais.

Para Samuel, 16 anos, a participação foi especialmente marcante. Integrante da equipe nas funções de programação e engenharia, ele assumiu, desta vez, a pilotagem do robô. “Foi algo muito emocionante. Dessa vez pude ter a chance de pilotar”, relata. 

Para 2026, a expectativa é avançar em relação ao ano anterior, com ajustes técnicos, ampliação dos conhecimentos e participação nos eventos previstos ao longo da temporada, fortalecendo a presença da equipe no Paraná e, possivelmente, em outros estados.

Rafael Lopes Virmond, 18 anos, também projeta o ano como uma oportunidade de aprimoramento técnico e integração com o grupo. A expectativa é desenvolver ainda mais suas habilidades como engenheiro e modelador 3D, além de fortalecer a convivência com os integrantes da Nautilus Robotics e com outras equipes da FTC. “Participar dos campeonatos, conhecer outras equipes e aprender como eles montam os robôs ajuda a melhorar o nosso trabalho em equipe”, afirma.

Já Hiran Silva dos Santos, 16 anos, destaca a necessidade de aperfeiçoamentos no desempenho do robô, especialmente em relação à precisão nos lançamentos. Segundo ele, o novo ciclo também demanda maior organização interna, com a definição de funções que permitam a cada integrante aprofundar-se em áreas como modelagem 3D, programação e pilotagem, sem perder o caráter colaborativo do grupo. A expectativa é que os próximos eventos, sejam amistosos ou oficiais, contribuam para um melhor desempenho no ranking e reforcem a motivação da equipe.

Além das expectativas dos estudantes, o professor Guido Valmor Buss, coordenador do Clube de Ciências Nautilus Robotics no Colégio Estadual Humberto de Alencar Castelo Branco, projeta um ano de ampliação das atividades e presença em novos espaços. Segundo ele, a equipe foi convidada a apresentar o projeto do clube no evento Smart City, na Arena da Baixada, e também se prepara para o Off-Season das Araucárias, a próxima temporada da FTC.

O coordenador destaca ainda a incorporação de novos desafios técnicos ao cotidiano do grupo, como a montagem de uma máquina CNC a laser, iniciativa que amplia as possibilidades de aprendizagem prática dos estudantes. “As expectativas são as melhores possíveis. São vários projetos em andamento e outras oportunidades que podem surgir ao longo do ano”, afirma.

Em diferentes áreas do conhecimento, os Clubes de Ciências do Paraná Faz Ciência iniciam o ano letivo com pesquisas em andamento, novas perguntas e reorganizações internas. Seja no campo, no laboratório ou em competições, o que marca esse início de ciclo é a disposição para rever caminhos, ampliar investigações e transformar experiências anteriores em novos pontos de partida.

Na semana em que se comemora o Dia Internacional de Mulheres e Meninas na Ciência, integrantes dos Clubes de Ciência do Paraná Faz Ciência participam do “Meninas nas Exatas”, na UFPR

Sete meninas adolescentes e uma professora posam em pé ao lado de um banner do evento “Meninas nas Exatas”, no Campus Politécnico da UFPR. Elas usam crachás e camisetas do clube, em ambiente interno da universidade.
Integrantes do Clube Little Scientist participaram do evento com oficina de minifoguetes. (Foto/Valentina Kobus)

Banners coloridos, experimentos em funcionamento e atividades práticas movimentaram o Campus Politécnico da UFPR durante o “Meninas nas Exatas”. As meninas, no entanto, não estavam ali apenas como visitantes. Parte delas assumiu a condução das atividades: explicaram dados, orientaram colegas e responderam às perguntas do público. Entre as participantes estavam integrantes dos Clubes de Ciência do Paraná Faz Ciência, que sustentaram suas pesquisas e compartilharam os resultados do que produzem nos clubes.

A participação no evento, realizado em 11 de fevereiro, marcou não apenas a presença dessas estudantes na universidade pública, mas a consolidação de um percurso construído dentro dos clubes. Ao longo do dia, alguns grupos visitaram laboratórios e acompanharam oficinas; outros apresentaram investigações desenvolvidas nos clubes e conduziram atividades para colegas de diferentes instituições. A universidade, nesse contexto, deixou de ser apenas espaço de visita e se tornou ambiente de troca e produção.

A experiência repercutiu diretamente na maneira como as meninas passaram a se enxergar dentro das áreas científicas. A clubista Milena Formankuevisky, de 15 anos, integrante do Clube de Meninas Sônia Guimarães, que já manifesta interesse por engenharia mecânica, contou que nunca se sentiu particularmente próxima da física. Durante o evento, ao acompanhar uma apresentação envolvendo luz ultravioleta e infravermelha e observar um experimento elétrico que reagia ao toque dos dedos, passou a reconsiderar essa distância. “Eu não sou muito fã de física, mas uma das apresentações me fez olhar diferente para a área. Me interessou bastante.” O contato direto com os experimentos ampliou referências e alterou sua percepção sobre a própria trajetória.

Milena Formankuevisky (ao centro) participou das atividades no Campus Politécnico e afirma que a experiência no “Meninas nas Exatas” ampliou sua percepção sobre as áreas científicas. (Foto/Valentina Kobus)

Para Milena, participar do “Meninas nas Exatas” também fortaleceu a convicção sobre o próprio lugar na educação pública. Ao circular pelos espaços da universidade e interagir com pesquisadoras e estudantes de graduação, ela afirmou que a trajetória acadêmica não estava determinada pela origem escolar. “Muitos dizem que escola particular tem mais oportunidade. Mas eu acredito que não importa se você é de escola pública ou privada. Você pode chegar longe, independente de onde vem.” A experiência no campus reforçou, segundo ela, a ideia de que a universidade pública também poderia ser um caminho possível para estudantes como ela, da rede estadual.

Além de visitar, algumas meninas apresentaram suas próprias investigações. No estande do Clube de Ciência Nise da Silveira, duas estudantes compartilharam uma pesquisa sobre tédio e solidão associados ao tempo de tela no celular. O trabalho reuniu levantamento de dados, organização de informações e análise de comportamentos relacionados ao uso intenso de dispositivos móveis entre jovens. A pesquisa despertou interesse de quem circulou pelo evento.

Integrantes do Clube de Ciência Nise da Silveira apresentaram pesquisa sobre tédio e solidão associados ao tempo de tela. (Foto/Arquivo)

Ao ouvir a explicação das estudantes, Miriam Valentim de Oliveira, que atua na área de engenharia de software e acompanhou a feira naquele dia, destacou a consistência do trabalho apresentado. “Vim ouvir aqui a pesquisa sobre tédio e solidão no tempo de telas com celular e achei incrível a pesquisa das duas meninas. Elas fizeram um trabalho maravilhoso, com muitos dados riquíssimos. Tem muitos dados ainda a serem explorados e é um contexto muito rico de pesquisa.” O reconhecimento externo reforçou a seriedade da investigação desenvolvida no clube e evidenciou que as produções dialogaram com temas contemporâneos relevantes, que ultrapassaram o espaço escolar.

A participação no evento não ocorreu de maneira isolada. Ela foi resultado de um processo contínuo construído no interior das escolas. A professora Karin Schellmann, coordenadora do Clube Sônia Guimarães, do Colégio Estadual Paulo Leminski, relembrou que, quando estava no ensino médio, teve acesso à universidade por meio de um curso de extensão e conviveu com pesquisadoras que realizavam investigações científicas. Essa vivência marcou sua trajetória e orienta sua atuação atual. Ao integrar o colégio à Rede de Clubes de Ciência, procurou oferecer às alunas experiências semelhantes, ampliando horizontes e fortalecendo expectativas acadêmicas.

O Clube de Meninas na Ciência Sônia Guimarães passou o dia participando das atividades e trocando experiências. (Foto/Valentina Kobus)

Segundo Karin, o clube começou com sete integrantes e atualmente reúne 16 alunas, além de contar com um espaço próprio na escola para reuniões e desenvolvimento de projetos. A existência desse ambiente favoreceu a continuidade das atividades e contribuiu para a construção de uma identidade coletiva vinculada à pesquisa. “Ser menina, ser mulher não é empecilho para nada”, afirmou. “Eu digo para elas: vão, façam, tentem. Quem impede o sonho é você mesma.” A fala sintetizou uma orientação que se traduziu em incentivo constante à participação em feiras, visitas técnicas e eventos científicos.

Orientação e experimentação marcaram as atividades práticas desenvolvidas durante o Dia Internacional de Mulheres e Meninas na Ciência. (Foto/Valentina Kobus)

O impacto do clube também se estendeu ao corpo docente da escola. Ainda de acordo com Karin, professores que antes se sentiam distantes da pesquisa, após anos dedicados exclusivamente à sala de aula, passaram a demonstrar interesse em se reaproximar desse universo. Alguns se ofereceram para colaborar com as atividades do clube e ministrar oficinas, contribuindo com suas próprias experiências e conhecimentos. O movimento fortaleceu, dentro da própria escola, uma cultura de valorização da investigação científica.

Nesse contexto, o “Meninas nas Exatas” assumiu um significado que foi além da programação de uma data simbólica. Ao circular pelos corredores da universidade ou apresentar seus próprios dados ao público, as estudantes deixaram de se perceber apenas como visitantes ocasionais e passaram a se reconhecer como possíveis futuras integrantes daquele espaço acadêmico. A universidade pública, antes vista como distante por muitas, tornou-se concreta e acessível. Essa vivência, construída entre pesquisa, orientação docente e experiências acumuladas, contribuiu para que a ciência passasse a integrar de forma mais consistente os projetos de futuro dessas meninas.

Imersão do programa Futuras Cientistas aproxima meninas da universidade e fortalece o aprendizado científico coletivo no Paraná

Participantes da imersão do programa Futuras Cientistas durante atividade em laboratório no campus da UFPR em Palotina (Foto/Rocket Girls)

“A conquista de uma é a conquista de todas.”

A frase emerge da experiência vivida por meninas de diferentes cidades do Paraná durante a imersão proporcionada pelo programa Futuras Cientistas, no mês de janeiro de 2026. Ao longo de uma semana, a convivência intensa, os desafios compartilhados e o contato com a rotina universitária reorganizaram a forma como o aprendizado científico se constrói. Com um relato dessa experiência, o C² comemora o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência em 11 de fevereiro. 

A etapa presencial do programa Futuras Cientistas, no Paraná, foi organizada pelo Rocket Girls: Meninas nas Ciências, projeto de extensão do Setor Palotina, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), voltado à aproximação de meninas da educação básica com o ambiente universitário. Após semanas de atividades on-line, o encontro presencial ocorreu no campus da UFPR, em Palotina.

Ao todo, 26 participantes de diferentes regiões do Paraná integraram a terceira edição da imersão no estado. Para algumas delas, chegar até Palotina significou viagens de até doze horas, um deslocamento que faz parte da própria proposta formativa da iniciativa. Ao compartilhar alojamento, rotinas e atividades acadêmicas, as meninas passaram a vivenciar a universidade não como visita, mas como experiência cotidiana.

“O fato de você saber que não está sozinha, saber que existem outras meninas, de tantos lugares, que também querem estar ali, é incrível”, conta Elisa Namie Lopes Guimarães, do clube Little Scientist.

Entre oficinas de confecção e lançamento de minifoguetes, atividades em laboratórios e momentos de convivência, a formação também se deu no encontro entre as meninas. Para as participantes, estar em um espaço onde outras jovens compartilham interesses semelhantes transforma a forma de aprender e de se perceber na ciência.

Ao longo da imersão, essa vivência coletiva também tensiona imagens cristalizadas sobre quem pode ocupar o lugar da ciência. Longe do estereótipo do cientista solitário, masculino ou associado à genialidade excêntrica, as participantes circulam pelos laboratórios sendo quem são: adolescentes que usam maquiagem, acessórios, unhas coloridas e roupas que expressam sua identidade. 

Nesse contexto, aprender ciência não exige apagar traços pessoais ou assumir um personagem, mas reconhecer que o fazer científico comporta múltiplas formas de existir. A aproximação com a universidade, nesse cenário, também passa por desnaturalizar modelos restritos de cientistas e ampliar as possibilidades de identificação.

Assim, a dinâmica construída entre as jovens desafia uma lógica frequentemente associada à formação científica, marcada pela comparação de desempenhos e pela competição. No convívio diário, o aprendizado se fortalece justamente quando é compartilhado: ideias circulam, se conectam e ganham novas formas a partir do diálogo e do afeto. Nesse ambiente, o avanço de uma participante não é visto como parâmetro de disputa, mas como referência possível, capaz de ampliar a confiança das demais. A vivência revela que aprender ciência envolve reconhecer o esforço coletivo, compreender o erro como parte do processo e perceber que trajetórias semelhantes tornam o caminho mais acessível.

Durante a imersão do programa Futuras Cientistas, meninas participam de oficina de produção e lançamento de minifoguetes com sementes, unindo experimentação científica e ações voltadas ao reflorestamento (Foto/Rocket Girls)

Na prática, esse aprendizado se construiu em atividades realizadas nos laboratórios e nas oficinas ao longo da semana. As participantes entraram em contato com procedimentos, instrumentos e métodos que fazem parte da rotina universitária, formulando perguntas, testando hipóteses e trabalhando em grupo. O foco esteve menos na memorização de conteúdos e mais na vivência dos processos que estruturam a produção científica.

Para as estudantes, esse movimento não termina com o fim da imersão. “Depois que a gente volta, dá vontade de aplicar tudo o que aprendeu e mostrar para outras meninas que elas também conseguem fazer ciência”, afirma Giovanna Cristina de Pontes Chagas, 16 anos, que participou da imersão em 2025. Ela não integrou a edição presencial neste ano, porque a data coincidiu com seu retorno do intercâmbio realizado na Inglaterra, pelo programa Ganhando o Mundo. A experiência obtida amplia a confiança para ocupar espaços que antes pareciam distantes e reforça a ideia de que aprender ciência é um processo contínuo.

Do ponto de vista de quem acompanha as alunas, os efeitos da imersão também são evidentes. Para a professora Suelem Martins, coordenadora do clube Foguete Girls no Colégio Estadual Antônio Carlos Gomes, em Terra Roxa (PR), que acompanhou alunas pelo segundo ano consecutivo, a imersão provoca deslocamentos importantes. “É sair da zona de conforto. Mesmo com a saudade da família, o desejo de aprender se sobressai, e isso gera maturidade”, afirma.

Ao reunir participantes de diferentes territórios e trajetórias em um mesmo espaço formativo, a imersão possibilitou que as trocas fossem ampliadas e fortaleceu ainda mais o aprendizado coletivo. Segundo a docente, essa vivência não se encerra na universidade. “Esse aprendizado retorna para a escola em forma de clube de ciências”,defende.

Essas descobertas, no entanto, não se restringem às estudantes. Suelem conta que participar da imersão significou, também para ela, viver uma primeira vez. “Foi a primeira vez que dormi em alojamento. No meu período escolar, meus pais nunca permitiram esse tipo de vivência”, relata. Dividir esse momento com as alunas, segundo a professora, reforça a ideia de que a formação científica também envolve autonomia, convivência e descoberta e que essas experiências não têm idade para acontecer.

Em diálogo com o Dia Internacional de Meninas e Mulheres na Ciência, celebrado em 11 de fevereiro, a imersão ganha novos sentidos. Ao atravessarem os portões da universidade, essas meninas e jovens mulheres não apenas acessam laboratórios e métodos científicos, mas passam a se reconhecer como parte desse espaço e a construir, juntas, novos caminhos possíveis.

Quando a curiosidade encontra método, os clubes se transformam em espaço de criação

Fotografia em ambiente interno de uma escola. No centro da imagem, há um grande painel branco decorado com letras coloridas formando a frase “Jeremias Thiago Parabéns”, acompanhado de pequenos balões de fala com mensagens e fotos das atividades do clube. Em frente ao painel, sentados no chão, está um grupo numeroso de estudantes, a maioria usando uniforme azul e branco. Atrás deles, outros estudantes estão em pé ao lado do painel. À esquerda, aparece um homem de chapéu claro, camisa social e gravata, e outro homem de camiseta azul. À direita, há mais professores e estudantes em pé. O grupo posa para a foto em clima de celebração, sugerindo um momento de homenagem ou reconhecimento ao trabalho realizado pelo clube na escola.
Pesquisa, dedicação e reconhecimento: estudantes celebram premiação na FECCI 2025 (Foto/Marilaine Martins)

Nos Clubes de Ciência conectados ao Paraná Faz Ciência e que se encontram dentro de escolas públicas do estado, o método científico não é apenas conteúdo de livro. Ele aparece em cada dúvida, em cada tentativa, no cuidado com os registros e na curiosidade que move os estudantes. Entre observações, experimentos e conversas, os grupos aprendem a investigar o mundo a partir das próprias experiências.

Cada clube encontra seu próprio caminho para transformar perguntas em investigação. Em alguns, o ponto de partida está na natureza que cerca a escola. Em outros, nas rotinas da comunidade. Em outros ainda, na vontade de entender como certas práticas funcionam e por que funcionam. O que une todos esses grupos é o processo de observar, levantar hipóteses, testar, comparar e comunicar.

No Colégio Estadual Maria Aguiar Teixeira, de Curitiba, o Clube Exploradores da Ciência transforma perguntas do cotidiano em investigação estruturada. A estudante Luiza conta que o grupo começou estudando o consumo de água na escola e, para isso, elaborou e aplicou um questionário entre os colegas, analisando os dados coletados para entender padrões de uso e possíveis desperdícios. Na etapa seguinte, o clube voltou a atenção para os refrigerantes, realizando experimentos sobre composição e discutindo os impactos do consumo excessivo na saúde. 

Luiza explica que descobriram um alto consumo de refrigerante e vários efeitos negativos, como diabetes. A partir desses resultados, o grupo produziu ações de divulgação para conscientizar a comunidade escolar. Agora, os estudantes iniciam uma nova fase de pesquisa, voltada ao trânsito no entorno da escola, o que reforça como a investigação científica acompanha as perguntas que surgem da vida cotidiana.

A pesquisa sobre refrigerantes chamou atenção na FECCI 2025, a Feira de Cultura Científica do Paraná Faz Ciência, realizada entre 4 e 6 de novembro, em Curitiba, ocasião  em que o clube foi reconhecido com um prêmio na categoria Saúde. 

Para o professor coordenador, Jeremias Ferreira da Costa, a premiação representa o valor do percurso realizado. Ele destaca que o projeto trabalhou com foco na saúde e investigou os conhecimentos envolvendo o refrigerante, e afirma que receber o prêmio foi uma honra e uma coroação do trabalho desenvolvido. Costa disse que o reconhecimento reforça o compromisso do grupo com a pesquisa científica. Entre os estudantes, o sentimento também é de celebração. 

A aluna Sofia Gabriele lembra do esforço coletivo ao longo dos meses de investigação e diz que ficou muito feliz ao saber que a pesquisa havia sido premiada, já que o grupo trabalhou intensamente desde o ano anterior.

Outro exemplo de aprendizagem baseada em investigação está no Colégio Estadual Máximo Atílio Asinelli, também em Curitiba, onde o Clube de Ciências Máximo tem uma pesquisa dedicada à horta escolar e também foi premiado na FECCI 2025. 

O grupo se organiza a partir do trabalho com a terra, da observação das plantas e do acompanhamento do cultivo, desde o preparo do solo até o desenvolvimento das espécies escolhidas. Os estudantes verificam as condições das mudas, monitoram possíveis pragas, registram o que está funcionando e planejam próximas etapas. O processo envolve tanto conhecimento científico quanto cuidado, paciência e reflexão sobre o ambiente da escola. A horta se torna um espaço de aprendizagem, mas também de planejamento e responsabilidade coletiva, articulando teoria e prática de forma contínua.

Os exemplos ilustram como o método científico ganha sentido quando se aproxima do cotidiano. Entre questionários, experimentos, cuidados com o cultivo e ações de divulgação, os estudantes descobrem que pesquisar é perguntar, registrar e revisitar o tema sempre que necessário. A investigação se torna parte da rotina e permite que cada grupo enxergue a escola como lugar de descoberta e criação de conhecimento. A premiação já na primeira edição da FECCI reforça o valor desses processos e destaca o potencial transformador dos Clubes de Ciência no território escolar.

Clube dedicado ao público feminino marca simbolicamente a trajetória da escola e estimula jovens a vivenciarem a cultura científica

No Instituto de Educação Erasmo Pilotto, o clube dedicado ao público feminino fortalece autonomia, pertencimento e futuro

O Instituto de Educação Erasmo Pilotto, em Curitiba, integra a Rede de Clubes Meninas Paraná Faz Ciência, iniciativa estadual que reúne 45 instituições da rede pública para incentivar a participação de meninas e mulheres em ambientes científicos e fortalecer sua permanência em carreiras da área. 

Segundo a professora coordenadora do clube, Camila Cristina Ferreira da Costa, essa presença transforma o cotidiano escolar e amplia horizontes. “O projeto abre horizontes, traz a cultura científica para a escola. As meninas e mulheres desenvolvem autonomia, conhecimento do método científico e pensamento crítico”, conta.

A diretora Márcia Murbach reforça que a existência de um clube voltado às meninas em uma escola com quase 150 anos de história tem forte significado simbólico. O Instituto, que já foi exclusivamente feminino, contou com apenas sete mulheres na direção ao longo desse período — incluindo a atual. Para ela, abrir um espaço institucionalizado para o diálogo entre ciência e protagonismo feminino reafirma essa trajetória.

“É a primeira vez que a gente tem um clube de meninas pensando em ciência. A escola vai fazer 150 anos, e isso é muito significativo. Ter um espaço aberto para o feminino dialogar com a ciência, se aproximar de um mundo que foi por muito tempo masculino, é muito bonito”, afirma.

Márcia Murbach, diretora da instituição (ao centro) fala da importância do clube na escola (Foto/Marilaine Martins)

A presença de mulheres cientistas na escola também tem impacto direto na construção de referências para as estudantes. “As meninas na ciência são capazes. Mostrar que elas têm representatividade, que estão vendo outra professora cientista envolvida com elas…isso abre portas para outros momentos femininos dentro da escola”, destaca Márcia.

A coordenadora Camila observa que essa transformação aparece tanto no desenvolvimento pessoal quanto no interesse acadêmico das alunas. “O clube é importante no nível individual, mas desperta também o interesse pelas áreas das ciências da natureza e exatas, promovendo protagonismo juvenil e enriquecendo a formação escolar.”

Rede estadual colaborativa e impacto para novas gerações

A Rede Meninas Paraná Faz Ciência articula escolas que desenvolvem projetos interdisciplinares, colaborativos e interinstitucionais, fortalecendo a inserção de meninas e mulheres em diferentes campos da ciência desde a Educação Básica. 

Para Camila, esse trabalho também gera efeitos coletivos. “No âmbito social, buscamos popularização e divulgação científica, trazendo o protagonismo para as meninas e mulheres, e outras minorias”, explica. No Instituto de Educação, essa cultura científica já alcança estudantes mais jovens. E a diretora avalia que o impacto tende a se multiplicar ao longo dos próximos anos. “Isso vai abrir portas para as [alunas] que estão chegando no sexto ano. Ter esse poder feminino representado e dialogar com o espaço da ciência é essencial. Pensar a ciência como um local de pesquisa independente do gênero é a parte mais importante”, afirma.

Após muito preparo e com mais de 30 projetos, clubes de ciência de Curitiba e região apresentam suas pesquisas na feira de cultura científica do Paraná

Um grupo de nove pessoas está reunido sobre um palco, sorrindo para a foto durante uma cerimônia de premiação. Ao centro, uma mulher segura uma grande caixa de papelão, simbolizando o prêmio recebido. As pessoas vestem crachás do evento e roupas formais ou esportivas, com destaque para camisetas pretas usadas por parte do grupo, indicando pertencimento a uma mesma equipe. O fundo exibe um telão colorido com luzes cenográficas. O clima é de celebração e reconhecimento pelo trabalho apresentado.
Integrantes do clube Zardo Faz Ciência recebem o prêmio Meu Clube é Show (Foto / Marilaine Martins)

A dedicação que movimentou os Clubes de Ciência de Curitiba e região ao longo dos últimos meses ganhou o palco na Feira de Cultura Científica (FECCI 2025), realizada entre 4 e 6 de novembro, no campus Neoville da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). Além dos Clubes de Ciência, os Clubes Maker e os Clubes de Meninas na Ciência, que também integram a Rede Paraná Faz Ciência, apresentaram ao público pesquisas que transformaram curiosidade em experimentação científica.

Os projetos nasceram dentro das escolas públicas e refletem o esforço coletivo de professores e estudantes que, desde o início do ano letivo, se dedicam à observação, investigação e criação de soluções para problemas reais. As temáticas variam entre sustentabilidade, saúde, tecnologia, biodiversidade e práticas culturais, sempre com o olhar voltado ao cotidiano das comunidades.

Para muitos clubes, participar da FECCI é o ponto alto do trabalho desenvolvido ao longo do ano. “A preparação para a feira foi um momento que permitiu aos clubistas aprofundar o entendimento da pesquisa, desde o desenho dos objetivos até a elaboração da comunicação dos resultados. Acredito que eles realmente conseguiram contextualizar e colocar em prática o que vínhamos trabalhando em teoria”, afirma Felipe Gonçalves, professor coordenador do Lattes Clube.

Nas semanas que antecederam a feira, o clima foi de intensa preparação nas escolas. No Colégio Estadual Lúcia Bastos, o experimento levado à FECCI foi apresentado durante o recreio do contraturno, reunindo estudantes e professores. No Colégio Estadual Teotônio Vilela, o jogo educativo sobre o descarte adequado de resíduos sólidos foi testado com os professores, que participaram ativamente da atividade. Já no Colégio Estadual Theodoro de Bona, o site e o jogo desenvolvidos sobre macroinvertebrados aquáticos (também levados à feira) foram destaque na Feira do Conhecimento da escola, realizada no dia 13.

Da Feira do Conhecimento para a FECCI, as pesquisas alcançam novos públicos (Foto / Arquivo)

A professora Lucimary Steinke Deconto Pesaroglo, coordenadora do Bio Clube do Colégio Estadual Lúcia Bastos, destacou o envolvimento dos estudantes em todo o processo. “A gente veio mostrar trabalhos de mais de um ano de clube. Teve toda uma preparação para entender o método científico, aprender a buscar referências, reconhecer material científico de qualidade e colocar a mão na massa. Foram muitos encontros de produção, teste e troca. Para a FECCI, até os novos integrantes ajudaram a preparar tudo”, conta.

Projetos premiados

Entre os clubes vinculados à Universidade Federal do Paraná (UFPR), destacaram-se iniciativas que uniram criatividade e compromisso social, como os projetos apresentados pelo clube Zardo Faz Ciência, do Colégio Estadual Professor Francisco Zardo. Anunciado como um dos vencedores do prêmio “Meu Clube é Show”, promovido pela Secretaria de Educação do Paraná (SEED), já na abertura do evento, o clube também se destacou na categoria Ciências Aplicadas e recebeu o primeiro e o segundo lugar. Os projetos desenvolvidos pelo grupo estudam o comportamento de adolescentes em relação ao uso do celular e materiais pedagógicos que possam trabalhar na conscientização da temática.

“Os prêmios são frutos do trabalho de estudantes clubistas, estagiários, coordenadora, C.E. Prof. Francisco Zardo, SEED, Paraná Faz Ciência e UFPR”, conta a professora Izabela Paulini de Jesus. “Apesar dos obstáculos, conseguimos desenvolver uma ótima pesquisa e a premiação é um grande reconhecimento. Nos motiva a continuar pesquisando e ampliando a divulgação dos resultados em outros meios e eventos científicos”, comemora.

A emoção também foi compartilhada pelos estudantes. “Eu me sinto muito feliz pela pesquisa estar sendo reconhecida e pelas pessoas se interessarem por ela. Eu me sinto muito feliz e muito grata por ter ganhado o primeiro lugar, o que eu não achei que ia acontecer. Então me surpreendeu. Eu me sinto orgulhosa e contente pela pesquisa ter dado resultado”, conta Maria Carolina Porate, integrante do clube Zardo Faz Ciência. 

Outro destaque entre os clubes vinculados à UFPR foi o Friends of Science, da Escola Estadual Euzébio da Mota, premiado com o segundo lugar Junior na categoria Década dos Oceanos, com um projeto de protótipo de seguidor solar com arduino, em sua primeira vez participando de uma feira. “Participar da FECCI 2025 foi uma experiência e tanto! Essa foi a primeira vez do Clube de Ciências Friends of Science em uma feira de ciências e eu tenho certeza que foi um momento de muito aprendizado para as meninas. O prêmio representa uma valorização a todo esforço, curiosidade e comprometimento dos clubistas ao longo do ano, além de inspirá-los a acreditar em si e na ciência!”, relata a coordenadora do clube, Gabriele Cristine da Silva.

Para a clubista Hasly Aviles, a experiência foi especial. “Ver as pessoas se interessando, perguntando e elogiando fez a gente perceber que todo o trabalho valeu a pena. Receber o prêmio foi uma sensação de orgulho enorme, não só pelo reconhecimento, mas porque mostrou que, mesmo com dificuldades, quando a gente acredita no projeto e trabalha em equipe, dá certo. Foi um momento que marcou muito a gente”.

Além deles, outros clubes da Rede Paraná Faz Ciência vinculados à UFPR também foram premiados em diferentes categorias da FECCI 2025, evidenciando a diversidade temática e a qualidade das pesquisas desenvolvidas nas escolas públicas.

1º Lugar Junior categoria Ciências Aplicadas

COMPORTAMENTO DE ADOLESCENTES EM RELAÇÃO AO USO DO CELULAR

Clube Zardo Faz Ciência (Colégio Estadual Professor Francisco Zardo)

Coordenadora: Izabela Paulini de Jesus

2° Lugar Junior categoria Divulgação Científica

Além de robôs: contribuições das competições de robótica para a cultura STEAM – 

Acrux Robocep (Colégio Estadual do Paraná)

Coordenador: Tony Marcio Groch

2° Lugar Junior categoria Desenvolvimento de Produto

Sabão sustentável: conservação ambiental e geração de renda – 

Bio Clube (Colégio Estadual Lúcia Bastos)

Coordenadora: Lucimary Steinke Deconto Pesarolgo

2º Lugar Junior categoria Ciências Aplicadas

MATERIAIS PEDAGÓGICOS PROBLEMATIZADORES SOBRE O USO
CONSCIENTE DO CELULAR

Clube Zardo Faz Ciência (Colégio Estadual Professor Francisco Zardo)

Coordenadora: Izabela Paulini de Jesus

2° Lugar Junior categoria Década dos Oceanos

PROTÓTIPO DE SEGUIDOR SOLAR COM ARDUINO

Clube Friends of Science (Colégio Estadual Euzébio da Mota)

Coordenadora: Gabriele Cristine da Silva

3º Lugar Jovem Total categoria Ciências Biológicas

Comunidade de macroinvertebrados aquáticos como ferramenta de avaliação da qualidade da água do Parque Ambiental Aníbal Khury – Almirante Tamandaré

Clube Bona (Colégio Estadual Theodoro de Bona)

Coordenadora: Vânia Eloiza Cerutti

3º Lugar Junior categoria Ciências da Saúde

Compreendendo a composição dos refrigerantes e os efeitos na saúde e no meio ambiente – Clube Exploradores da Ciência (Colégio Estadual Profª Maria Aguiar Teixeira)

Coordenador: Jeremias Ferreira da Costa

3° Lugar Junior categoria Ciências Agrárias

Agroecologia no espaço escolar: potencialidades para a educação ambiental crítica – Clube de Ciência Máximo (Colégio Estadual Professor Máximo Atílio Asinelli)

Coordenadora: Simone de Fátima Campagnoli de Oliveira

Essas conquistas reforçam o compromisso dos clubes de ciência com a educação pública, a sustentabilidade e a formação de jovens pesquisadores engajados com suas comunidades.

O papel dos clubes na popularização da ciência e na formação de jovens pesquisadores foi destaque no XI EREBio Sul

Três pessoas estão sentadas lado a lado em poltronas azuis, participando de uma mesa de conversa. Ao centro, uma mulher de cabelos curtos e grisalhos, usando óculos e camiseta verde da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, segura um microfone enquanto fala. À sua esquerda, um homem de cabelos longos e presos, com camiseta azul e crachá no pescoço, escuta atentamente. À direita, outro homem de barba e óculos, veste blazer preto e camiseta verde, observando a fala da colega. À frente deles, há uma mesa com toalha branca e microfone. No fundo, um telão exibe a apresentação com o título “Rede de Clubes Paraná Faz Ciência” e o logotipo da UFPR.
Professora Giselle Corrêa apresenta a Rede de Clubes no XI EREBio Sul (Foto / Marilaine Martins)

Realizado em Curitiba, entre os dias 12 e 14 de outubro, o XI Encontro Regional Sul do Ensino de Biologia (EREBio Sul) reuniu educadores, pesquisadores e estudantes dos três estados do Sul do país para debater práticas e desafios contemporâneos no ensino de Ciências e Biologia. A Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, vinculada ao NAPI (Novos Arranjos de Pesquisa e Inovação) – Paraná Faz Ciência, esteve presente com uma série de participações que evidenciaram o papel dos clubes como espaços de aprendizagem, pesquisa e divulgação científica em contextos não formais de educação.

Na mesa-redonda “Educação se faz em coro: as vozes da educação em ciências e a Biologia em espaços e práticas não escolares”, a professora doutora Giselle Corrêa apresentou a trajetória da Rede e os resultados alcançados durante o primeiro ano de atuação. Sua fala destacou a relevância dos clubes de ciência para o estímulo à curiosidade científica, à interdisciplinaridade e à aproximação entre escolas, universidades e comunidades locais, reforçando a importância da cooperação entre diferentes instituições para a promoção da cultura científica.

A participação da Rede também se estendeu a grupos de discussão, apresentações de trabalhos acadêmicos e relatos de experiência, tanto tendo os clubes como objeto de análise – como os trabalhos apresentados pela professora doutora Edinalva Oliveira -, quanto como por clubistas da Rede de Clubes Meninas Paraná Faz Ciência apresentando pesquisas desenvolvidas em seus grupos. As produções abordaram temas diversos, desde investigações ambientais e tecnológicas até experiências de ensino baseadas na experimentação e na troca de saberes.

Entre as atividades do evento, destacou-se ainda o minicurso “Epistemólogas feministas da ciência? Olhares para as pesquisas e o ensino de Biologia”, ministrado pela professora doutora Bettina Heerdt, coordenadora da Rede de Clubes Meninas Paraná Faz Ciência. A atividade promoveu uma reflexão sobre os aportes teóricos de mulheres na construção do conhecimento científico e suas implicações para o ensino de Biologia, dialogando diretamente com as práticas desenvolvidas pelos clubes e com a valorização da presença feminina na ciência.

Outro momento marcante foi a participação do clube formado por meninas, que além de apresentar dois trabalhos científicos, integrou a Arena Lúdica do evento. No espaço, o grupo realizou demonstrações sobre o funcionamento de foguetes e despertando o interesse do público pela criatividade das propostas e pela valorização do protagonismo feminino na ciência. 

A presença da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência no XI EREBio Sul reafirmou o compromisso do NAPI e da Rede com a formação de jovens pesquisadores e com a popularização da ciência. O evento também evidenciou a força das ações colaborativas entre escolas e instituições de ensino superior, que têm ampliado o alcance da cultura científica e fortalecido a integração entre ensino, pesquisa e comunidade.

Clube de Ciências do Colégio Estadual Teotônio Vilela participa do projeto “Ciência pra quê?”, da Agência Escola da UFPR

Um grupo de estudantes e integrantes da Agência Escola da UFPR posa sorrindo em frente ao prédio do SACOD, no Campus de Comunicação e Artes da Universidade Federal do Paraná. À esquerda, um mural colorido com desenhos de pássaros compõe o cenário.
Clubistas participam de oficina no Campus de Comunicação e Artes da UFPR (Foto/Giovanna Mattioli)

E se aquilo que a gente vive e vê ao nosso redor pudesse se transformar em filme?

É essa a experiência que os adolescentes do Clube STEAM, do Colégio Estadual Teotônio Vilela, estão vivendo. Com o apoio da Agência Escola da Universidade Federal do Paraná (UFPR), as vivências e pesquisas dos estudantes estão se transformando em uma narrativa audiovisual que conecta o aprendizado ao território.

Localizado no bairro Cidade Industrial de Curitiba (CIC), o clube integra a Rede de Clubes Paraná Faz Ciência e atua como um espaço de experimentação científica e expressão cultural. A professora coordenadora, Francine Santos, explica que a escolha, por trabalhar com a temática do descarte de resíduos sólidos, nasceu da observação do entorno. “Quando a gente escreveu o projeto para participar da Rede de Clubes do Paraná, eu pensei na temática relacionada ao bairro que a gente está inserido, que é o CIC, disse a professora.”

Foi a partir dessa relação com o território e das inspirações que surgiram após a turma assistir ao documentário Trecho 6, realizado pela Agência Escola, da UFPR, que surgiu o projeto de produzir um filme. A produção parte das experiências locais para discutir o destino dos resíduos e a importância da reciclagem. Como explica a clubista Carina, de 16 anos, “a gente normaliza a despreocupação com os resíduos sólidos, de jogar lixo em qualquer lugar e não pensa direito sobre os impactos que isso pode trazer para a natureza. Nosso filme vai falar de uma maneira informal sobre o assunto, para que mais pessoas se informem sobre o tema”, acrescenta Francine.

Sobre a linguagem escolhida pelo grupo, Alice, de 16 anos, explica que “é importante abordar esses tópicos com uma linguagem mais acessível, como stop motion [quadro a quadro]formato escolhido pelo grupo para a produção, porque abrange um público maior.”

Clubistas recebem pesquisadoras da UFPR para bate-papo sobre ciência no colégio (Foto/Agência Escola)

“Quando eu pensei no Clube de Ciências, pensei nele como uma oportunidade dos estudantes conhecerem outro universo também”, conta a coordenadora. Esse propósito se concretizou com a parceria com a Agência Escola, a partir do projeto “Ciência pra quê?”, que mais do que ser parceiro para a produção do filme, tem aproximado o colégio do ambiente universitário e incentivado novas formas de aprender e comunicar ciência.

Em setembro, os alunos participaram de uma roda de conversa com pesquisadoras da UFPR sobre os impactos dos resíduos na crise climática. Dias depois, conheceram o Setor de Artes, Comunicação e Design (SACOD) da universidade, onde vivenciaram uma oficina de audiovisual. “Foi uma experiência maravilhosa e eu acho que a cada encontro a gente consegue aprender uma coisa a mais”, conta Carina.

Durante a atividade, os estudantes aprenderam técnicas de captação de imagem e experimentaram a linguagem do stop motion. Para Francine, essa troca também é simbólica. “Eu acho importante eles saberem que a pesquisa acontece aqui na própria cidade, porque a gente imagina que o cientista seja uma coisa do outro mundo e na verdade esses pesquisadores estão aqui.”

Integrantes do clube aprendem técnicas de fotografia e planos cinematográficos em oficina de audiovisual na UFPR (Foto/Marilaine Martins)

Enquanto o filme segue em produção, as expectativas crescem. “É muito divertido participar e ter ideias para fazer as coisas funcionarem, e eu espero que fique bom”, conta Julio, 18 anos. Carina acrescenta que “a expectativa para o nosso filme é muito alta, principalmente porque a gente nunca participou de um projeto assim.” 

Mais do que o produto final, o processo tem mostrado que o conhecimento nasce dos encontros, da troca entre escola e universidade, do diálogo entre ciência e cultura e da criatividade que transforma o território em aprendizado.

A chegada de materiais novos e a interação com a pesquisadora ampliaram a experiência científica do grupo

Um grupo de seis estudantes e uma professora participa de uma atividade em um laboratório escolar. À esquerda, a professora, de colete claro e blusa preta, orienta uma aluna que ajusta o foco de uma lupa binocular branca posicionada sobre a mesa. Ao redor, quatro estudantes observam atentos a cena, vestindo camisetas do uniforme azul e branco com o brasão do Paraná. À direita, uma estudante de camiseta preta acompanha de perto a análise feita no equipamento. Sobre a bancada de granito estão tubos de ensaio transparentes e um frasco azul de plástico. Ao fundo, a parede revestida de azulejos brancos completam o ambiente da atividade científica.
Em campo, integrantes do ‘Little Science’ realizam testes (Foto/ Marilaine Martins)

Conhecer, olhar e analisar bem de perto pode revelar muito mais do que se percebe a olho nu. Foi o que descobriram os integrantes do Clube de Ciência Futuros Cientistas ao observar, no laboratório e com o auxílio das lupas recém-chegadas, animais aquáticos coletados em rios. Detalhes antes invisíveis apareceram diante deles, e cada estudante encontrou sua própria surpresa: as listas nos olhos de um camarão, o porte imponente de um besouro ou os ligamentos arredondados das patas de um escorpião-do-mato. Esses organismos, conhecidos como macroinvertebrados, são de interesse do grupo justamente porque ajudam a indicar a qualidade da água, revelando aspectos das condições ambientais dos rios.

Para os integrantes do clube, formado por alunos do Ensino Fundamental II da Escola Isolda Schimid, ‘olhar de perto’ foi além do uso da lupa. A atividade integrou a palestra O Rio e sua biodiversidade, realizada pela professora e bióloga Edinalva Oliveira, em que cada estudante foi convidado a perceber a ciência também por outra dimensão: a do trabalho de campo. Redes de coleta, recipientes e até a perneira, item de proteção em áreas alagadas, mostraram que a investigação dos rios exige preparo, técnica e cuidado. Nesse contexto, a ciência revelou-se como prática que une observação minuciosa e interação direta com o ambiente.

Esse aprendizado se conecta ao percurso já trilhado pelo grupo em sua pesquisa sobre o rio Belém, vizinho da escola e de grande parte dos alunos. Ou seja, ‘olhar de perto’ aqui, significa também voltar-se para o próprio território, perceber os sinais que a água carrega e compreender que a biodiversidade está intimamente ligada à vida e ao dia a dia da comunidade.

Mais do que uma atividade pontual, a experiência evidenciou o sentido maior da divulgação científica: despertar interesse, provocar perguntas e mostrar que a investigação pode nascer de detalhes. Ao unirem prática, observação e vínculo com o território, os jovens confirmaram que compreender a biodiversidade dos rios é também assumir responsabilidade sobre o espaço em que vivem.

Os clubistas atuaram em diferentes funções para construir o robô que entrou em ação na arena

Um grupo de nove integrantes da equipe de robótica Nautilus Robotics #31442 está reunido em um espaço coberto de competição. Eles vestem uniformes azuis estampados com o logotipo da equipe e o número de identificação, posando lado a lado atrás de uma mesa de apoio. Sobre a mesa, há uma caixa de ferramentas preta com travas amarelas, uma placa de madeira gravada com o nome da equipe e uma grande faixa branca com o número 31442 em destaque. Ao fundo, banners coloridos de outros times e a estrutura metálica do ginásio completam o cenário, reforçando o ambiente de torneio de robótica.
Equipe reunida com a bandeira do clube no evento (Foto/ Emilly Oliveira)

Para os integrantes do ‘Nautilus Robotics’, Clube de Ciência do Colégio Estadual Humberto de Alencar Castelo Branco, em Pinhais, a estreia na Off Season das Araucárias representou a primeira experiência em um evento de robótica educacional. O torneio, voltado ao fortalecimento das equipes de FTC (FIRST Tech Challenge) do Paraná e do Brasil, foi realizado na primeira semana de setembro, em Curitiba, e reuniu grupos de diferentes regiões do estado e de outros locais do país em uma programação que envolveu troca de conhecimento, competição e momentos de descontração.

Os clubistas de Pinhais viveram o evento com expectativa, diversão e descobertas que já vinham sendo cultivadas no laboratório durante a preparação. Na competição, esses elementos se intensificaram e ganharam novas dimensões. O clima, por exemplo, surpreendeu os integrantes. Ruan descreveu o momento como único. “Eu achei magnífico, foi sensacional. Eu nunca imaginaria participar de algo assim, mas gostei demais.” Para ele, a estreia superou suas projeções. “Minha expectativa era pilotar o robô e ficar em 9º, mas acabamos em 4º lugar! Para mim foi um feito muito massa, ainda mais na primeira vez.”

Se, para Ruan, a surpresa esteve no resultado, para Samuel o destaque foi a vivência completa que a competição proporcionou. “Foi uma sensação única. Trabalhar com um robô, tanto na parte de construção quanto na programação e ainda ser jogador, é extremamente legal. Eu diria que é uma emoção que não tem como descrever”, afirmou. Ele acrescentou que suas expectativas se confirmaram: “Para um primeiro campeonato, o 4º lugar só deu mais vontade de participar de muitos outros.”

O resultado alcançado reflete a rotina de aprendizado e preparação dos clubistas, que, divididos em equipes, construíram juntos o projeto, superando obstáculos individuais e coletivos. Na montagem, por exemplo, a paciência se mostrou essencial. “Às vezes é preciso desmontar tudo e montar de novo por causa de uma única peça”, conta João, integrante dessa equipe. Para Diuliano, um dos maiores desafios foi lidar com o coletivo. “Uma das coisas que eu tive que aprimorar foi a questão do trabalho em grupo.” Já Sarah, acrescentou outra dimensão do aprendizado: Aprender a ouvir mais. “Eu quis fazer do meu jeito e não deu muito certo”, disse entre risos. Essa experiência dentro do clube também se somou a apoios externos, fundamentais para a preparação da equipe.

Após o coordenador do clube, professor Guido Valmor Buss, inscrever o projeto dos participantes em um edital de incentivo à robótica educacional, promovido pela empresa StemOS, o grupo recebeu um kit completo de peças. O material deu fôlego extra aos trabalhos já em andamento no laboratório. Além disso, a equipe contou com a mentoria do Clube Acrux Robocep, do Colégio Estadual do Paraná, cuja experiência ajudou a orientar a montagem e fortalecer a preparação. Esses apoios reforçam que a robótica educacional se desenvolve em rede, com clubes, escolas e instituições compartilhando conhecimentos.

Para os estudantes, foi no percurso, entre peças, fios, códigos e apresentações que a ciência se revelou como prática coletiva, feita de cooperação, desafios superados e conquistas compartilhadas. Mais do que um resultado na arena, a participação na Off Season das Araucárias consolidou-se como um marco para o Nautilus Robotics e mostrou que o conhecimento desenvolvido no cotidiano do clube pode ganhar novas dimensões.

Investigação no Parque Aníbal Khury motiva alunos a desenvolverem site e jogo sobre macroinvertebrados e qualidade da água

Dois estudantes estão sentados atrás de uma bancada de granito em um ambiente de laboratório escolar. Eles sorriem enquanto apresentam um notebook aberto com um site intitulado “Estudo de Macroinvertebrados”. O conteúdo na tela traz informações sobre o Parque Ambiental Anibal Khury e sua relação com estudos de campo. À direita do notebook, há um microscópio óptico, reforçando o caráter científico da atividade. Ambos os estudantes usam casacos. Ao fundo, é possível ver uma pia com materiais de laboratório e uma porta. A atividade faz parte de um projeto escolar de divulgação científica.
Programação é aliada na divulgação da pesquisa (Foto: Mari Martins)

Identificar os macroinvertebrados presentes no maior dos dois lagos do Parque Aníbal Khury marcou o início da pesquisa desenvolvida pelos alunos do Clube de Ciências Bona, do Centro Estadual de Educação Profissional Theodoro de Bona. A escola e o Parque estão localizados em Almirante Tamandaré, na Região Metropolitana de Curitiba. O parque é reconhecido como uma das áreas mais extensas de conservação ambiental urbana do país e conta com uma rica biodiversidade, distribuída em diferentes ecossistemas. Ao escolher esse espaço como campo de investigação, os estudantes voltaram sua atenção para a água e para os pequenos organismos que vivem nela, buscando compreender como a presença dessas espécies pode revelar informações sobre a qualidade do ambiente.

Conforme explica a professora coordenadora do Clube, Vânia Cerutti, o interesse em ampliar o alcance das descobertas surgiu por parte dos próprios estudantes. “Eles entenderam que poderiam conectar o que estávamos realizando com habilidades que eles já tinham.” 

Nesse contexto, clubistas que cursam o Ensino Médio Profissionalizante na área de Desenvolvimento de Sistemas viram na programação uma ferramenta para organizar e compartilhar os dados obtidos na pesquisa. “A gente pensou em usar o que já estuda em programação para desenvolver um site que além de ajudar a divulgar os dados da pesquisa, também terá informações sobre os animais encontrados”, explica Victor Gabriel Melo, de 16 anos, aluno do 2º ano do Ensino Médio.

O site, que está sendo finalizado, reunirá imagens e descrições dos macroinvertebrados identificados no lago, explicações que mostram como esses organismos se relacionam com a qualidade da água e a trajetória da pesquisa, desde a coleta até os resultados. A ideia é que a plataforma sirva como fonte de consulta tanto para outros estudantes quanto para pessoas interessadas em aprender mais sobre o tema.

Enquanto isso, outro grupo se dedica a transformar os aprendizados da pesquisa em um jogo de cartas. O material foi pensado para apresentar, de forma lúdica, os principais macroinvertebrados investigados, com destaque para suas características e o ambiente em que vivem.

Clubistas também criam jogo pedagógico (Foto: Mari Martins)

O interesse despertado pela pesquisa inicial se transformou em motivação para dar continuidade ao trabalho e apresentar os resultados obtidos. Além de finalizar os projetos em andamento, os alunos planejam agora inscrevê-los em eventos científicos. Nos próximos meses, a pesquisa e as propostas desenvolvidas também devem ser apresentadas na Feira do Conhecimento, evento em que o Colégio Theodoro de Bona recebe a visita de alunos das escolas da região.