Alunos do Colégio Estadual Alberto de Carvalho aprenderam a superar desafios técnicos e utilizar softwares de modelagem para o desenvolver projetos científicos

No dia 7 de abril, os alunos do Clube dos Quatro Elementos, do Colégio Estadual Alberto de Carvalho, em Prudentópolis, participaram de uma palestra sobre o funcionamento da impressora 3D. A atividade foi ministrada por Lucas Fedumenti Castro, graduando em Tecnologia da Informação e Sistemas para a Internet, na Unicesumar. Durante o encontro, os clubistas puderam tirar dúvidas e aprender na prática como operar o novo equipamento que o clube recebeu.
Durante a palestra, Lucas compartilhou com os alunos suas experiências com a impressora 3D, explicando o que é possível realizar com o auxílio da tecnologia. Para demonstrar isso na prática, ele levou uma impressão do personagem Vecna, da série Stranger Things, o que chamou a atenção dos estudantes e ajudou a ilustrar o potencial do equipamento. “Gostei muito da turma, já comprei a briga, falei pra professora que a gente vai estar à disposição, seja online ou presencial, para voltar aqui na escola. A ideia é que eles consigam utilizar a impressão 3D não só para desenvolver os trabalhos na escola, mas também para trazer um dinheirinho e levar esse clube cada vez mais longe”, afirmou Lucas.

Antes da palestra, os estudantes e a professora responsável, Mariel Guil Chociai, recepcionaram a nova orientadora do clube, a professora Cecília Hauresko. Ela atuará no clube, articulado pela Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro). Ex-aluna do Colégio Estadual Alberto de Carvalho, Cecília demonstrou entusiasmo em retornar à instituição para contribuir com os projetos científicos. “Sou nova na Rede de Clubes, mas no ano passado participei de feiras científicas e fiquei muito feliz ao observar as oportunidades que as escolas públicas têm recebido. Na idade de vocês, a gente nem sabia o que significava ciência. Que bom que as coisas mudam para melhor”, afirmou.
O projeto de pesquisa, coordenado pela professora Mariel Guil Chociai, utiliza a impressora 3D como uma ferramenta importante para o desenvolvimento das atividades. Os clubistas estudam a morfometria de abelhas nativas e o reflorestamento, e a ideia é aplicar a tecnologia nesses estudos. “Claro que nós queremos começar fazendo as réplicas das nossas espécies de abelhas que nós estudamos, as nativas, como as jataís, mirim e a mandaçaia, para a gente usar quando formos nas feiras e nas mostras de ciência, para as pessoas olharem as estruturas físicas das abelhas em formato 3D”, explicou Mariel.

Além disso, o clube também desenvolve outros projetos, como a fabricação de vasinhos estilizados para suculentas, que ajudam a arrecadar verba para as viagens do grupo. A professora contou que, por ser um material novo, ela e os estudantes estavam enfrentando dificuldades no uso do equipamento, o que motivou o convite ao palestrante. “A maior dificuldade estava sendo na quebra do filamento, principalmente. Também o fato de que nenhum de nós tinha conhecimento nenhum sobre a impressora, nós nunca tivemos contato com ela”, relatou.
Para Lucas, o envolvimento dos jovens é o ponto central do projeto. “Os alunos aqui, apesar de jovens, estão muito para frente, são ideias muito avançadas. O pessoal aparentemente gosta de estar no clube, a gente viu alunos aqui que nem estão mais na escola e continuam vindo, e isso é muito importante para a juventude de hoje, que é o nosso futuro. Lá na frente a gente vai ter reflexo dessas crianças aqui”, comentou.
Mariel também reforça que a escolha da impressora partiu dos próprios estudantes, que participaram ativamente da pesquisa do modelo. “Fizemos uma pesquisa bem grande para sabermos qual era a melhor compra do modelo. Isso parte muito dos alunos, isso é bem importante para o protagonismo juvenil deles. Escolhemos um modelo que agora estamos sabendo que é muito bom. Então, a gente só precisa aprender a usar esses detalhes para se adaptar e saber usar ela corretamente”, explicou.
Ao fim da palestra, Lucas se ofereceu para continuar acompanhando o clube e auxiliando os alunos no desenvolvimento dos projetos. Para a professora Mariel, a disponibilidade do palestrante de forma espontânea é algo que faz diferença no processo de aprendizagem. “Eu acho que sempre quando a gente tem contato com uma pessoa que tem tanto conhecimento quanto o Lucas mostrou para a gente, e que fala de uma forma humilde para criança e para adolescente, vendo que isso vai ter um futuro e um benefício para a comunidade escolar, isso é muito gratificante”, compartilhou.
O clubista Vitor Alexandre Konitski (15) também destacou as dificuldades enfrentadas antes da atividade e o quanto a palestra contribuiu para o grupo. “A gente não tinha uma base do conhecimento dos softwares para baixar os modelos, criar, fatiar e exportar, e também sobre a configuração da máquina. A gente estava no seco, só na raça, não tinha experiência nenhuma com isso”, contou. Após a ajuda de Lucas, ele aponta avanços. “Conseguimos aprender um pouco mais sobre os softwares, como decidir o tamanho e a configuração da impressora em si. Ele deu umas dicas e também vai fazer o suporte para ajudar a gente nesse projeto”.
Acompanhe a evolução dos trabalhos com a impressora 3D, no perfil do clube no Instagram: @@clubedosquatroelementos e sobre a Rede de Clubes, pelo Instagram da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência @clubesparanafazciencia e pelo site Paraná Faz Ciência.
O podcast do Clube Cabeceira do Rio Iapó é transmitido toda terça para os estudantes da escola

Desde o início de março, o Colégio Estadual Antônio e Marcos Cavanis, em Castro, passou a contar com uma nova iniciativa que vem movimentando a rotina escolar: um podcast criado pelos clubistas do Cabeceira do Rio Iapó. Transmitido todas as terças-feiras, a programação é voltada exclusivamente à comunidade interna, envolvendo estudantes, professores e demais funcionários.
O clube tem como tema a divulgação científica de questões relacionadas ao Rio Iapó. Ao longo do último ano, os estudantes desenvolveram uma peça de teatro voltada a aspectos do solo e à proteção ambiental da região, além de realizarem análises de características físico-químicas do rio que atravessa a cidade. Com o início deste ano, marcado pela saída de alguns integrantes e a entrada de novos clubistas, o grupo passou a direcionar suas atividades para a divulgação científica, por meio do podcast.

Os próprios clubistas são responsáveis por todas as etapas da produção do podcast: escrevem os roteiros dos episódios, escolhem os temas que serão apresentados, selecionam as músicas e realizam as gravações, semana após semana. Para dar conta de tudo isso, eles se organizam em pequenos núcleos de trabalho, em que cada grupo assume uma função específica dentro do processo.
A iniciativa não mobilizou apenas os integrantes do clube, mas também passou a repercutir entre os ouvintes. De acordo com os próprios clubistas, muitos estudantes têm comentado sobre a programação e apontam o intervalo das terças-feiras como o mais animado — e esperado — da semana.
O clube também pretende realizar uma visita à Associação de Catadores de Material Reciclável de Castro, com o objetivo de compreender melhor os processos de reciclagem. A questão do lixo é apontada como um dos problemas que afetam o Rio Iapó e, diante disso, a professora Inêz Brandão, junto aos estudantes, planeja iniciar, por meio do podcast, uma campanha de conscientização e coleta de resíduos.

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Inspirados em Nise da Silveira, alunos de Curitiba articulam criatividade e ciência para falar de saúde mental e cidadania

Em Curitiba, um grupo de estudantes está provando que o laboratório de um cientista pode ser, também, um ateliê de arte ou um palco de teatro. O Clube de Ciências Arte, Cultura e Saúde Mental, do Colégio Estadual Rodolpho Zaninelli, sob a coordenação da professora Fabiane Helene Valmore, tem se destacado por investigar a saúde mental pelas lentes das Ciências Sociais e Humanas.
O projeto nasceu da necessidade de fortalecer a iniciação científica e a formação cidadã, olhando para as demandas reais da comunidade escolar. Mais do que estudar teorias, os alunos buscam compreender como a arte e a cultura podem ressignificar o sofrimento psíquico, valorizando as experiências subjetivas de cada integrante.
Uma das bases de trabalho do clube é o estudo sobre tratamento humanizado em questões de saúde mental, inspirado no legado da médica Nise da Silveira. Seguindo os passos da psiquiatra que revolucionou a saúde mental no Brasil – usando a arte como instrumento –, os clubistas usam desenhos, pinturas e artes cênicas como ferramentas de investigação e de solução para problemas locais.
Para aprofundar essa jornada, o clube recebeu, em março, a visita da professora Claudia Gruber. Em uma roda de conversa sobre pesquisa e processo criativo, ela apresentou os temas das agendas físicas da APP-Sindicato, utilizadas como instrumento de registro e reflexão. Elaboradas a partir de investigações no campo das ciências humanas, esses exemplares resultam de um processo de construção que articula literatura, arte e história. Para os clubistas, um exemplo de diálogo interdisciplinar que pode se materializar em produções autorais ou educativas, por exemplo.
Foram apresentadas aos alunos quatro exemplares, cada um com uma personalidade e sua obra retratada, entre os anos 2023 e 2026. Em 2023, o exemplar foi sobre Carolina Maria de Jesus (1914-1977), escritora que trouxe a voz da periferia para o debate público e é reconhecida como uma das vozes mais contundentes da literatura brasileira. Em 2024, a publicação foi sobre o legado de Dona Ivone Lara (2024), que além de sambista pioneira na escola Império Serrano, foi também enfermeira e assistente social, trabalhando com saúde mental ao lado de Nise da Silveira, no bairro de o Engenho de Dentro, no Rio de Janeiro, local do antigo hospital psiquiátrico onde atuou a médica.
Já em 2025, a agenda institucional apresentou o filme Bicho de Sete Cabeças (2001), estrelado por Rodrigo Santoro e é considerado um marco da crítica ao sistema manicomial brasileiro. Foi inspirado no relato autobiográfico do escritor curitibano Austregésilo Carrano Bueno (1957- 2008). O filme retrata o tratamento brutal dado a um jovem internado à força por uso de drogas e os maus tratos sofridos enquanto paciente. E em 2026, a agenda atual apresenta o teatro e identidade brasileira a partir da obra O Auto da Compadecida (1955), do escritor e poeta paraibano Ariano Suassuna (1927–2014). A obra une comédia, crítica social, elementos da religiosidade e é ambientada no sertão nordestino.
A análise das agendas e seus temas permitiu aos alunos navegarem por temas da realidade brasileira e os conectarem à pesquisa do próprio grupo: arte, cultura e saúde mental, além das práticas ligadas à médica Nise da Silveira.
O encontro teve a participação de Neusa Nogas Tocha, representante da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), que acompanha o clube desde sua fundação em 2024. Segundo Neusa, essas trocas são fundamentais para enriquecer o repertório dos alunos e elevar a qualidade das produções científicas e artísticas do grupo.
Para a coordenadora do clube, Fabiane Valmore, o projeto do clube busca romper com o estereótipo do cientista isolado. “A ciência não está apenas nos laboratórios, no uso de jalecos brancos, mas também nas ciências sociais e humanas. Quando trazemos os conteúdos das agendas para o clube em diálogo com a história e a realidade brasileira, oferecemos aos clubistas o entendimento de que o trabalho de pesquisa, os recortes socioculturais e políticos são imprescindíveis no processo de pesquisa. Como também para o entendimento crítico do mundo, envolvendo arte e cultura como expressões e potência de vida”, defende.
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Projetos curitibanos articulam ciência, tecnologia e experiências do cotidiano escolar

Projetos que surgem de questões do cotidiano escolar e do território dos estudantes da rede municipal de ensino de Curitiba ganharam espaço na Semana Araucária de Ciência, Tecnologia e Inovação. Desenvolvidas em clubes de ciência da Rede Paraná Faz Ciência, as pesquisas apresentadas articulam investigação, tecnologia e vivências dentro e fora da escola.
A participação, no entanto, ainda é pontual: entre os 290 clubes que integram a Rede Paraná Faz Ciência, apenas dois estão vinculados à rede municipal de ensino, em Curitiba. A inserção ocorre por meio dos clubes ‘Cross Tech Science Portinari’ e ‘Incríveis Pesquisadores Maker’.

No clube ‘Cross Tech Science Portinari’, da Escola Municipal CAIC Cândido Portinari, localizada na região da Cidade Industrial (CIC), os projetos desenvolvidos envolvem educação ambiental articulada ao uso de tecnologias. Com dez estudantes, o grupo passou recentemente por uma renovação, e a participação na Semana Araucária marcou o primeiro contato com um evento em que foi possível apresentar o trabalho desenvolvido pelo clube. Para o professor coordenador, Roni Zanatta, o momento também representa a possibilidade de ampliar o contato dos estudantes com outras iniciativas.
Para o professor, a participação evidencia a capacidade de produção científica em diferentes contextos educacionais. “A gente tem, mesmo nas regiões mais periféricas da cidade, condições de produzir ciência de alto nível, inclusive em uma escola de ensino fundamental”, afirma.
Além de apresentar os projetos, o evento marca o primeiro contato dos estudantes com um espaço de divulgação científica. “É a primeira vez que eles participam de um espaço como esse. Eles passam a conhecer não só a produção, mas também a divulgação dos dados”, explica Roni.

Já no clube ‘Incríveis Pesquisadores Maker’, da Escola Municipal CAIC Doutor Guilherme Braga Sobrinho, localizada na região do Sítio Cercado, a participação no evento também é compreendida como um momento de reconhecimento do trabalho desenvolvido na escola. A professora e coordenadora do clube, Doralice Lima, destaca o envolvimento dos estudantes na definição dos temas investigados.
“Os estudantes pesquisam temas que eles mesmos consideram importantes e, ao apresentar aqui, mostram o quanto são capazes e que podem ser protagonistas das próprias trajetórias”, afirma. Segundo a professora, a experiência reforça a relevância das práticas investigativas no contexto escolar. “É uma confirmação de que esse trabalho pode ser feito e que ele é imprescindível nas escolas”, completa.
A participação dos clubes da rede municipal em eventos como a Semana Araucária também se relaciona com a forma como a experiência do Clube de Ciência da Rede Paraná Faz Ciência vem sendo desenvolvida no contexto escolar.
Para Santina Bordini, professora que acompanha os clubes na Rede Municipal de Curitiba, a participação ativa dos estudantes amplia seu papel no processo de aprendizagem. “Eles deixam de ocupar apenas o lugar de quem recebe informações e passam a investigar, criar, testar, errar, revisar e apresentar soluções”, afirma. Nos clubes, esse processo inclui o erro como parte da construção do conhecimento. “Nem sempre a primeira ideia funciona, e isso é muito bom e contribui para sua formação como pessoa”, defende.
A professora ressalta que os projetos desenvolvidos tendem a partir de questões do cotidiano e das realidades dos estudantes. “Muitas vezes, as propostas nascem da escola, da comunidade, do território onde esses alunos vivem. Isso aproxima ciência e realidade e torna a aprendizagem mais significativa”.
Nesse contexto, a participação em eventos como a Semana Araucária amplia o alcance dessas produções e reforça seu reconhecimento social. “Quando os estudantes apresentam seus projetos em um evento dessa natureza, eles percebem que aquilo que produziram na escola tem valor social, merece ser visto, discutido e reconhecido”. A inserção em espaços como a Semana Araucária e a Feira de Ciência e Inovação (FECCI) também contribui para que esses trabalhos circulem em diferentes contextos de produção e socialização do conhecimento.
Ainda que em número reduzido dentro da rede, a presença dos clubes dentro de Escolas Municipais evidencia possibilidades de fortalecimento das práticas investigativas na educação básica e indica caminhos para a ampliação de experiências desse tipo no contexto escolar.Siga o perfil da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, no Instagram, @clubesparanafazciencia para saber o que acontece nos clubes da rede. E no site Paraná Faz Ciência estão mais matérias e registros das ações do NAPI Paraná Faz Ciência.
O clube de ciências Gaia, em Cascavel, transforma bosque da escola em laboratório vivo

Quem passa pelo pequeno bosque do Colégio Estadual Professor Victorio Emanuel Ambrozino, em Cascavel, talvez imagine que ali exista apenas um cantinho de sombra e tranquilidade. Mas os estudantes do Clube de Ciências Gaia sabem que o lugar guarda algo bem mais interessante: um verdadeiro laboratório natural cheio de mistérios científicos, e algumas araucárias que parecem estar precisando de uma investigação digna de detetive.
Armados com tecnologia, curiosidade e muita disposição, os clubistas começaram a utilizar o protocolo Araucária Hunters, dedicado a mapear, observar e medir exemplares da icônica Araucaria angustifolia, árvore símbolo do sul do Brasil. A primeira missão já foi cumprida: mapear as araucárias que vivem ao redor da escola. No total, cinco árvores entraram no radar dos clubistas. “Da Araucária Hunters, a gente fez a medição só das plantas do entorno escolar, que foram cinco no total”, explicou a professora orientadora do projeto Raissa Gallego.
E como todo bom projeto científico, com o decorrer do ano de 2025 e os avanços que foram tendo, a curiosidade só aumentou! Para este ano, a equipe pretende expandir o perímetro da investigação e sair pelo bairro em busca de novas araucárias para catalogar. “Agora queremos aumentar o perímetro e ver aqui no bairro as araucárias que temos”, contou a professora.

Há quem pense que um pequeno bosque escolar não esconde muitas coisas interessantes, porém foi justamente lá que surgiu o grande enigma da pesquisa. Entre as árvores analisadas, duas chamaram atenção por um motivo bem específico: elas parecem crescer muito mais devagar que as outras. Enquanto algumas araucárias se desenvolvem robustas e imponentes, essas duas apresentam caule fino e folhas mais fracas, como se estivessem enfrentando alguma dificuldade para se desenvolver.
“Temos duas araucárias no bosque que estão com o caule muito fino e as folhas muito fracas. O crescimento delas é bem diferente das outras”, relatou a docente. A hipótese inicial dos estudantes é que a diferença possa estar relacionada ao ambiente ao redor das árvores. Como elas estão cercadas por outras plantas e árvores do bosque, pode haver competição por luz, água ou nutrientes, um detalhe que, para a investigação científica, faz toda a diferença. Agora, no decorrer de 2026, com a continuidade das atividades dentro do clube, a equipe pretende investigar mais a fundo o que está acontecendo com as duas araucárias “misteriosas”. A ideia é comparar condições de solo, incidência de luz e proximidade com outras árvores. As investigações continuam!

O bosque da escola, lar das gigantes Araucárias, que antes servia apenas como espaço de convivência, ganhou o status de campo de investigação científica. Afinal, no Clube de Ciências Gaia, uma coisa é certa: se existe uma araucária por perto, existe possibilidade de análise e informações sobre ela a serem descobertas.
Acompanhe também o perfil do clube no Instagram: @clube_gaia.vic para saber mais sobre suas atividades.
Professores e pesquisadores são autores de quatro artigos, na publicação da pós-graduação da UFPR
‘Sujeitos, Saberes e Práticas: contribuições do PPGECM/UFPR para a Educação em Ciências e em Matemática’. Este é o título da obra que reúne 32 estudos sobre o uso das tecnologias digitais na educação em Ciências, discutindo seus impactos na formação docente e nas práticas pedagógicas. Quatro dos capítulos cotam com a colaboração de integrantes do Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação – NAPI Paraná Faz Ciência, incluindo um dos articuladores, o professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Rodrigo Arantes Reis.
O Programa de Pós-Graduação em Educação e em Ciências e Matemática (PPGECM) foi criado pelo Conselho Universitário da UFPR e aprovado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), em 2009. Atualmente, conta com 36 docentes cadastrados, pelo menos 17 grupos de pesquisa e 15 projetos de extensão ativos. Além disso, formou pelo menos 40 doutores e aproximadamente 300 mestres, até o ano de 2025.
A missão é formar professores e pesquisadores qualificados para promover avanços na área de Educação em Ciências e Educação em Matemática, impactando a comunidade, por meio da pesquisa e da extensão, em esfera local, regional e nacional. Mediante a uma abordagem interdisciplinar, o programa se compromete em preparar professores e pesquisadores para uma educação mais inclusiva, reflexiva e socialmente comprometida.
Parte do conhecimento produzido pelo Programa está representada no e-book, lançado pela Editora Schreiben. São 32 capítulos, divididos em três Eixos Temáticos que correspondem às Linhas de Pesquisa do PPGECM: (1) Formação e Desenvolvimento Docente em Ciências e Matemática; (2) Ensino e Aprendizagem em Ciências e em Matemática; e (3) Transversalidade na Educação em Ciências e em Matemática.
Os capítulos que levam a assinatura de integrantes do NAPI Paraná Faz Ciência estão no espaço do Eixo 3:
CIÊNCIA CIDADÃ E NEUROCIÊNCIAS: UM DIÁLOGO NECESSÁRIO SOBRE EDUCAÇÃO EM SAÚDE NO ENSINO DE CIÊNCIAS é assinado pela doutoranda Fernanda Cleto dos Santos e pelos professores da UFPR, Emerson Joucoski e Rodrigo Arantes Reis
REDE DE CLUBES PARANÁ FAZ CIÊNCIA EM CURITIBA E REGIÃO METROPOLITANA: UM OLHAR SOBRE INDICADORES DE EFICÁCIA NETWORK OF CLUBS PARANÁ FAZ CIÊNCIA tem autoria da doutoranda Bruna Heloiza Kacharowski Pereira Castanho, de Emerson Joucoski e a pós-doutoranda Giselle Christina Corrêa.
A FORMAÇÃO DA AGENDA DA REDE DE CLUBES PARANÁ FAZ CIÊNCIA: UMA ANÁLISE SOB A PERSPECTIVA DA TEORIA DOS FLUXOS MÚLTIPLOS conta também com Emerson Joucoski, Giselle Christina Correa, mas agora com a parceria da doutoranda Karoline Bonardo Farias.
TRANSVERSALIDADE NA EDUCAÇÃO EM CIÊNCIAS E EM MATEMÁTICA A CIÊNCIA CIDADÃ EM CLUBES DE CIÊNCIAS: CONTRIBUIÇÕES PARA A APRENDIZAGEM SOBRE BIODIVERSIDADE, produzido pela doutoranda Joana Letícia Alves, Rodrigo Arantes Reis e Giselle Christina Corrêa.
O professor Reis disse que a produção “é um trabalho importante que traz os resultados das pesquisas dos estudantes de pós-graduação do PPGECM. Aqui, com especial destaque para pesquisas diretamente relacionadas ao trabalho do NAPI Paraná Faz Ciência”.

Cientistas do futuro: o Clube de Ciências Máximo, do Colégio Estadual Máximo Atílio Asinelli, de Curitiba, tem uma pesquisa dedicada à horta escolar e foi premiado na Feira de Cultura Científica – FECCI 2025, evento organizado pelo NAPI Paraná Faz Ciência
Segundo o professor Joucoski, os textos publicados por ele são registros muito importantes do ponto de vista da extensão universitária e de reconhecimento das ações do governo na divulgação da ciência. “Os Clubes de Ciência, por exemplo, são uma nova fonte de pesquisa para o Programa PGECM e os estudos são importantes para percebermos como eles influenciam a formação dos pesquisadores paranaenses do futuro”, destaca.
A pós-doutoranda Giselle Corrêa explicou que as parcerias que geraram os artigos são fruto de um grupo de pesquisa, que tem se destacado por desenvolver investigações sobretudo da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, no Programa de Pós-Graduação de Educação em Ciências e em Matemática. “As doutorandas Karoline e Joana acabaram de defender o mestrado, e Bruna está no doutorado, todas sob minha coorientação. Esperamos que esses frutos colaborem e sejam precursores de novas pesquisas sobre as ações do NAPI Paraná Faz Ciência”.
Aluna recém-formada do Colégio de Aplicação Pedagógica da UEM compartilha como o clube a influenciou para ingressar na Universidade

Clubistas do CAPciência, do Colégio de Aplicação Pedagógica da UEM, gravando conteúdo (Foto/Arquivo pessoal)
Os clubes de ciência da Rede Paraná Faz Ciência têm ganhado espaço na mídia pela forma autônoma com que alunos da rede pública desenvolvem projetos científicos, e com tão pouco tempo de projeto.
A iniciativa dos clubes tem como objetivo justamente implementar espaços de iniciação científica para aproximar os jovens da universidade pública e, passado mais de um ano do início do projeto, está mais claro identificar os impactos dessas atividades realizadas nos clubes sobre a formação intelectual e acadêmica dos alunos que acabam de concluir o Ensino Médio.
A recém-formada pelo Colégio de Aplicação Pedagógica (CAP) da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Ana Júlia Garcia Molinari, fez parte do clube CAPciência e conquistou a aprovação no vestibular do curso de Farmácia da UEM. A estudante compartilhou um pouco sobre como ter um clube na sua grade escolar favoreceu sua escolha por esse curso superior.

Ana Julia Garcia Molinari concede entrevista, na Biblioteca Central Maria Grazia Zolet (BCE), da Universidade Estadual de Maringá (UEM) (Foto/Arquivo pessoal)
“Eu conheci o clube CAPciência no terceiro ano do Ensino Médio, quando entrei no CAP UEM. Antes, eu estudava numa escola estadual da minha cidade, Itambé, e por conta do cursinho para vestibular, eu pedi transferência para o CAP. Nisso, conheci o clube pelo professor Antônio, que incentivava os alunos a participar, e também por influência das minhas colegas”, contou a ex-clubista.
O clube trabalha com várias linhas de pesquisa, o “recicla banner”, que foi premiado na FECCI 2025, é focado em reciclagem; há projeto de produção de bioplástico a partir do amido da batata; um sobre educação financeira e mais o projeto de cosmetologia natural, pelo qual ela se interessou. Na cosmetologia os alunos produzem cosméticos à base de produtos apícolas (proveniente das abelhas), como hidratantes corporais e labiais.

Um pouco do CAPciência: banners reciclados pelos clubistas, exemplar de creme corporal e reprodução do programa Balanço Geral, do qual a estudante Ana Júlia fez parte (Reprodução de tela e colagem/TvRecord e Arquivo pessoal)
“Eu já tinha certa afinidade com as ciências biológicas e da saúde, então farmácia era, sim, uma opção, mas a decisão se concretizou depois da experiência no clube, que me proporcionou mais proximidade com laboratórios e experimentos, uma expectativa que eu tinha mesmo sobre o curso de Farmácia da UEM”, completou a estudante.
Ela afirmou ainda que o ritmo de estudos e trabalhos do Capciência foi uma forma mais divertida e menos estressante de lidar com os deveres escolares, visto que essa forma de trabalho aproxima o mundo acadêmico à realidade do estudante, aliviando a ansiedade e o medo da nova etapa pós-Ensino Fundamental.
“As oportunidades extracurriculares proporcionadas pelo clube, como a participação na FECCI 2025 e outras viagens viabilizadas pelo projeto, foram extremamente edificantes para a formação de conhecimento, tanto para mim quanto para meus colegas”, complementou Ana Júlia. Eles tiveram a possibilidade de conhecer laboratórios, profissionais renomados da área e diversos professores.
A experiência bem sucedida de Ana Júlia, assim como de vários outros ex-clubistas, mostra como o incentivo à iniciação científica desde o Ensino Fundamental estimula a autonomia, o pensamento crítico e aproxima os jovens da universidade. Além de ser enriquecedor para o aluno de forma individual, é relevante diretamente para toda a sociedade porque ajuda a revelar novos talentos, democratizar acessos e formar futuros pesquisadores, capazes de contribuir diretamente para o benefício de toda a população.
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Projeto investiga sobras do almoço para entender hábitos e propor mudanças no consumo da comunidade escolar

Em sua essência, um clube de ciências é formado por alunos protagonistas, curiosos e engajados. Na Rede de Clubes Maker, do NAPI-Paraná Faz Ciência, soma-se esse perfil com atividades que incentivam ideias e buscam solucionar questões de forma ativa. Foi assim que o clube San Rafa Makers percebeu o desperdício de alimentos na escola e passou a buscar formas de resolver o problema.
O projeto é do Colégio Estadual Jardim San Rafael, de Ibiporã. A equipe notou que havia um padrão: muitos deixavam comida no prato na hora do almoço. Para averiguar, os clubistas coletaram as sobras e traçaram um objetivo. “Registrar e quantificar o desperdício de alimentos durante o almoço em nosso colégio integral. Em seguida, propor ações para mitigar esse desperdício”, explica a professora coordenadora, Edinara Santos.

No último ano, os estudantes dividiram o que foi coletado em baldes, separando o resto de comida da casca de frutas. Montaram, também, um questionário sobre hábitos alimentares, para entender melhor o que estava sendo consumido pela comunidade escolar. Além disso, realizaram propostas de destino sustentável, visando a criação de uma composteira para adubo, produto que poderá ser utilizado na horta do colégio.
Os resultados foram apresentados na 1ª Mostra de Clubes de Ciências, em Guarapuava, e na 1ª Feira de Cultura Científica (FECCI), em Curitiba. O clube ainda foi escolhido para representar o Paraná no Encontro Nacional do Mais Ciência na Escola, em Brasília. “Foi muito gratificante e enriquecedor compartilhar o nosso trabalho e trocar experiências com outros clubes pelo país”, conta Edinara. “Fiquei particularmente impressionada com a grandiosidade do Mais Ciência na Escola.”

O clube San Rafa Makers é articulado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). De acordo com Edinara, o foco agora é aprofundar mais a metodologia STEAM (Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática). “Neste ano, trabalharemos em conjunto com o itinerário formativo de matemática (física, programação e robótica) no desenvolvimento de uma ‘bengala inteligente’ para deficientes visuais”, revela a docente.
Siga o perfil no Instagram do clube, o @sanrafamakers. E as atividades dos Clubes de Ciências, pelo Instagram da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência @clubesparanafazciencia e pelo site Paraná Faz Ciência.
Na segunda edição, a Feira amplia o número de vagas, as categorias especiais e reforça o incentivo a projetos de comunicação, cultura oceânica, empreendedorismo e meninas e mulheres na ciência

Mais uma etapa da FECCI 2026 começa nesta semana. A partir de terça-feira, 19 de maio, estudantes e professores dos clubes de ciência e de equipes de pesquisa do país todo poderão inscrever seus projetos para a segunda edição da Feira de Cultura Científica Paraná Faz Ciência. Neste ano, o evento traz mais vagas, novas categorias especiais e uma programação ainda mais voltada à troca de experiências, inovação e divulgação científica. No mesmo local da edição anterior, o campus Neoville da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), em Curitiba, entre os dias 4 a 6 de novembro.
O sistema de submissão de projetos ficará aberto de 19 de maio até 19 de junho. O processo de inscrição será todo online, via plataforma Even3, neste link. Um espaço será dedicado ao cadastro de professores e outro para os estudantes. As categorias continuam as mesmas da primeira edição: FECCI Kids, FECCI Junior e FECCI Jovem, incluindo toda a gama de estudantes do Ensino Básico: do Ensino Fundamental I e II, passando pelo Ensino Médio, Educação Profissional Técnica e a Educação de Jovens e Adultos (EJA).
As inscrições são gratuitas e cada projeto submetido à Feira poderá incluir até três estudantes e um professor orientador. Esta etapa inicial, de avaliação dos trabalhos para seleção, será também virtual. Os modelos específicos para descrição dos trabalhos serão cedidos pela organização e serão disponibilizados de acordo com cada categoria de inscrição. Estarão acessíveis na mesma plataforma de inscrição.
O caminho para a garantir a participação na FECCI é, primeiramente, fazer o download do modelo (ou template) de acordo com a categoria que se pretende participar. Após preenchê-lo corretamente com os dados solicitados, o arquivo deverá ser anexado novamente, devidamente preenchido, no ato da submissão online. Os formatos de arquivo aceitos são Word (.doc ou .docx) ou LibreOffice (.odt).
Serão então dois arquivos a serem enviados no ato de submissão do projeto: um com identificação dos autores, e o outro, sem a identificação. A organização ressalta que é de responsabilidade dos autores a correta inserção desses arquivos na plataforma de inscrição.
Para quem já leu o editar e tem dúvidas, pode ser que algumas delas sejam as mesmas respondidas na live do programa Quarta com Clubes, que vai ar em 27 de maio, no canal de You Tube do EducartGeo .Todas as informações e atualizações relativas à FECCI 2026 podem ser acompanhadas pelo site do evento fecci.net.br ou pelo perfil de Instagram @fecci_prfc.
Atividade aproxima estudantes de conceitos científicos por meio de demonstrações práticas e participação ativa

Os clubistas do Clube Verde em Ação, do Colégio Estadual Pacaembu, de Cascavel, participaram de uma atividade especial que uniu diversão e aprendizado: o “Show da Física”, conduzido pelo professor doutor Oscar Rodrigues dos Santos. Docente do curso de Física da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) campus Campo Mourão e integrante da equipe do Paraná Faz Ciência vinculado à UNIOESTE.
A ação proporcionou aos clubistas uma experiência interativa com experimentos científicos clássicos, despertando curiosidade e interesse pela área.
Durante a apresentação, os alunos puderam acompanhar demonstrações como a Bobina de Tesla, que ao aproximar a mão faz surgir pequenas descargas elétricas visíveis, parecidas com raios ou faíscas. É porque ocorre a passagem pelo ar de uma corrente elétrica. No gerador de Van de Graaff, uma correia interna que transporta cargas elétricas acumuladas até a esfera metálica no topo, faz a carga se acumular e pode gerar também faíscas quando se encosta a mão, ou pode até fazer os fios de cabelo arrepiarem.
Já no experimento “passarinho bebedor”, conceitos de Física e Termodinâmica são apresentados. O passarinho bebedor é formado por uma cabeça com bico de material poroso, um tubo de vidro com líquido volátil e uma parte arredondada na base, um bulbo inferior. Tudo isso fica preso a uma estrutura com suporte móvel, permitindo o movimento de inclinação contínua, em referência a um pássaro bebendo água repetidamente. E ainda demonstrações envolvendo centro de gravidade com garfos, mostrando como o equilíbrio depende da posição do centro de massa (ou centro de gravidade). Ao encaixar dois garfos um no outro, geralmente com um palito de dente entre eles, o conjunto consegue se equilibrar apoiado apenas na ponta de um copo, garrafa ou suporte. Esse sistema fica estável porque o centro de gravidade do conjunto fica abaixo do ponto de apoio. Isso impede que ele tombe facilmente.

Cada experimento foi explicado de forma acessível, relacionando os fenômenos observados com conceitos fundamentais da Física e a participação ativa dos estudantes foi destaque na atividade. Atentos e engajados, os clubistas interagiram com as demonstrações e acompanharam as explicações, evidenciando o potencial de ações práticas no processo de aprendizagem.
Para o estudante Nicolas, a experiência foi marcante. “Hoje tivemos uma atividade diferente com o professor Oscar, que trouxe experimentos de eletromagnetismo, centro de massa e vários outros para o nosso clube. Foi importante porque mostra a ciência de forma prática para a gente. É uma atividade que agrega muito ao nosso clube e vou levar para a vida”, contou.

Realizado em parceria com bolsistas da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), o evento reforça a proposta do clube de promover a educação científica de forma dinâmica e significativa.
O clube pesquisa poluição sonora, poluição visual e botânica na própria escola

Cienteens é o nome do clube de ciências do Instituto Estadual de Maringá. O nome foi escolhido por meio da escuta dos estudantes. Após uma votação democrática, o nome ganhador foi selecionado. “Cienteens – uma junção de “ciência” e “teens”, remete às ciências e à produção do conhecimento científico”, como explicou o primeiro coordenador do clube, José Nunes dos Santos.
Criado em agosto de 2024, o clube começou sob coordenação de José Nunes dos Santos, porém por motivos pessoais se afastou do cargo e a professora Ivanir Santa Bárbara assumiu a coordenação, ficando o professor José como colaborador do clube.
O principal objetivo do clube é estudar ciência e aumentar o conhecimento científico dos estudantes. Os impactos, argumenta a professora coordenadora Ivair, serão positivos não só para os alunos. “É muito importante não só para o agora, mas para o futuro deles, para a vida deles, será ainda mais transformador para a comunidade e para o planeta também”, define.
Além de aprender a fazer ciência, os estudantes transformaram o próprio Instituto em objeto de pesquisa. A proposta é analisar como a escola está estruturada e se seus espaços favorecem a educação ambiental e os processos de aprendizagem. “A pergunta que refletimos é: será que o Instituto é apropriado para a educação ambiental e tem ambientes propícios para as aprendizagens?”, contou o professor.

O clube iniciou suas atividades em agosto de 2024, discutindo a teoria a respeito do que é ciência e o que não é. Em seguida, eles estudaram como produzir uma pesquisa, relatou o professor Nunes. Desde a construção do problema, das hipótese e o objetivo, para somente depois irem para o campo das metodologias e para as dinâmicas das práticas.
Cerca de 20 estudantes do 9º ano, do Ensino Médio e do curso Técnico em Administração e Marketing se reúnem às sextas-feiras, das 13h15 às 15h30, para desenvolver os projetos do clube de ciências.
No momento o clube está desenvolvendo pesquisas e no total três projetos estão em andamento, os quais se interligam entre si. “Unem cores, som e botânica”, conta Ivanir. O primeiro, voltado para a botânica, investigando as potencialidades das plantas existentes na própria escola, dialogando também com a física, a química e com a arte. O outro projeto se dedica a pesquisar como a poluição sonora dentro do colégio afeta o ambiente para os alunos e pode prejudicar a aprendizagem.
Por fim, o terceiro projeto se relaciona com as cores, refletindo sobre a poluição visual e suas consequências para o ambiente estudantil. Todas essas equipes, conforme os professores, têm a definição do seu objeto de pesquisa no próprio Instituto. Por isso, estão coletando dados e trabalhando nas fundamentações teóricas para as possíveis apresentações e participações nas feiras.
A professora Ivanir defende que para os estudantes de um clube como este, o que acontece é um abrir de portas. “Eu vejo a importância do trabalho não só para a vida acadêmica deles, mas para contribuir na sociedade. Eles fazem a diferença e disseminam isso para outros”, diz.
O professor Nunes acrescenta a relevância de um projeto como este. “Pela primeira vez como professor estou vendo um projeto desenvolvido pela Secretaria Estadual de Educação (SEED) que realmente possibilita a construção do conhecimento científico. O clube oportuniza ao professor o desenvolvimento do conhecimento escolar para uma produção do conhecimento científico”, finaliza.
Unindo teoria e prática, equipe investiga como ocorre a propagação do calor e transforma experimentos em receitas

Já imaginou assar um bolo de chocolate usando o sol? O que para muitos pode parecer muito difícil e até pouco realista, para os alunos do clube de ciências Forno Solar é apenas uma atividade comum. A equipe pertence ao Colégio Estadual Dr. Willie Davids, em Londrina, e investiga como o calor se propaga. Com esse conhecimento, os estudantes estão criando fornos solares em sala de aula.
O “forno solar” é um dispositivo sustentável que converte a luz do sol em calor, possibilitando o cozimento ou fritura. Uma solução eficaz para enfrentar problemas de acesso e custo de energia. No clube, articulado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), a turma já estudou sobre os métodos do forno de caixa e forno parabólico. O primeiro, por exemplo, usa a técnica do efeito estufa para assar de forma lenta. Já o segundo, concentra os raios solares em um ponto e atinge altas temperaturas rapidamente.

Segundo o professor Thiago Miashiro, coordenador do projeto, a temática é fundamental para reforçar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU). “No clube de ciências, o aluno necessita aplicar vários conceitos que eles aprenderam – de física, matemática e na parte de química – dentro dos projetos. Então, os conceitos de calor, temperatura, radiação, toda essa parte teórica, ele vai ter que aplicar na parte prática”, destaca.
Durante as experiências, a equipe já aproveitou para fazer várias receitas, incluindo assar bolos e marshmallows. O docente explica que a turma tem usado materiais de baixo custo e que estejam disponíveis localmente, como reciclados e restos de antenas parabólicas. A partir desses testes, os alunos avaliam o desempenho dos fornos em diferentes condições ambientais.
Agora, o objetivo é continuar testando com outros tipos de fornos solares, utilizando o apoio de novos equipamentos. “Com os materiais chegando, a gente consegue melhorar a eficácia do forno solar e, assim, a gente consegue assar em menor tempo com diferentes ingredientes e receitas”, conta Miashiro. “A ideia é a gente conseguir juntar até a parte de robótica e da energia das placas solares, para que tenha um forno automatizado.”
Mais do que avançar nas pesquisas do clube, a expectativa para esse ano é apresentar os resultados do projeto. O clube pretende repetir o feito do ano passado, quando teve um trabalho aprovado na 1ª Feira de Cultura Científica (FECCI) do NAPI – Paraná Faz Ciência, realizada em Curitiba. “Alguns alunos conseguiram permanecer desde o clube passado, então eles já estão perguntando se vai ter a feira de ciências, a FECCI, novamente”, revela o professor.
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