Projeto de trilha ecológica no Parque Municipal de Guaraniaçu segue como eixo central, com novas iniciativas voltadas à preservação ambiental e educação científica

O Clube Águas Claras, do Colégio Estadual Desembargador Antonio Franco Ferreira da Costa, deu início ao ano de 2026 trabalhando intensamente. O clube, liderado pelo professor Flavio Francisco Rossoni Filho anunciou a continuidade e ampliação de suas ações ambientais para 2026.
O principal foco permanece sendo o projeto da trilha ecológica desenvolvido no Parque Municipal de Guaraniaçu, o espaço, que teve sua reestruturação iniciada pelo clube no início de 2025, tem servido como laboratório vivo para pesquisa, educação ambiental e aproximação da comunidade com a natureza.
Dentro do projeto da trilha, os estudantes seguirão com atividades de identificação de plantas medicinais, catalogação de fungos, reconhecimento de animais silvestres e estudos sobre a própria biodiversidade presente no percurso. A proposta é fortalecer o caráter educativo da trilha, tornando-a um espaço ainda mais acessível e informativo para a comunidade local.
Outro projeto que terá continuidade em 2026 é o de estudo e conscientização sobre crimes ambientais. A iniciativa busca discutir práticas ilegais que impactam os ecossistemas, promovendo reflexão, prevenção e formação cidadã entre os participantes e visitantes.
Entre as novidades do clube, está o projeto Araucária Hunters, que pretende identificar, medir e georreferenciar exemplares de araucárias por meio de aplicativo com GPS. O objetivo é mapear árvores da espécie Araucária angustifolia, contribuindo para sua proteção e conservação.
A araucária é símbolo do Sul do Brasil e considerada uma espécie que necessita de preservação constante, devido à redução histórica de sua ocorrência natural. Com o uso da tecnologia, o clube pretende criar um banco de dados que auxilie em estratégias de monitoramento e defesa ambiental.

Outra proposta inédita é o projeto Papel Semente, que prevê a produção de papel reciclado incorporado com sementes, permitindo que, após o uso, o material possa ser plantado, gerando novas mudas. A ação une sustentabilidade, reaproveitamento de materiais e educação ambiental.
Segundo o professor Flavio Francisco Rossoni Filho, a participação nas feiras científicas é uma das prioridades do clube em 2026. “Nossa expectativa é estar presentes praticamente em todos os eventos possíveis ao longo do ano. Queremos apresentar os resultados das nossas pesquisas, trocar experiências com outros estudantes e educadores e ampliar a visibilidade dos projetos que desenvolvemos”, destacou.
Com a continuidade das iniciativas e a inclusão de novas propostas, o Clube Águas Claras reforça seu compromisso com a ciência, a preservação ambiental e a formação de jovens pesquisadores engajados com as questões socioambientais da região.
Programa da Unicentro e da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência prepara nova temporada com ajustes a partir da avaliação do público

A Quarta com Clubes (QcC) vai voltar em 2026 e com novidades. A Rede de Clubes Paraná Faz Ciência e a Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) definiram as diretrizes da nova temporada do programa, criado para apoiar projetos de pesquisa desenvolvidos por professores e estudantes nos clubes de ciências das escolas do Paraná.
A primeira temporada reuniu dez lives, realizadas entre 28 de maio e 26 de novembro de 2025, com 1.400 visualizações e debates sobre temas científicos estratégicos para os clubes escolares.
Entre os assuntos abordados estiveram abelhas, água, óleos essenciais, educação ambiental, relações étnico-raciais, robótica, hortas urbanas, dengue, florestas e saúde única. O Top 3 em audiência foi composto pelas transmissões sobre abelhas, em destaque e na sequência o programa sobre água e depois sobre robótica.
A live de estreia, dedicada às abelhas, com a professora Maria Luisa Tunes Buschini como convidada, foi a mais assistida. Para a pesquisadora da Unicentro, iniciativas como a Quarta com Clubes cumprem um papel importante na divulgação científica.

“Projetos como esse atingem um alvo bem importante, por fazer uma conexão entre a ciência, a educação pública e a educação de maneira geral”, destacou Maria Luisa. A pesquisadora também comemorou o resultado de audiência da live. “Fico realmente feliz com essa notícia. Achei muito bacana o convite e gostei muito de participar. Falar sobre abelhas é sempre importante, porque muitas vezes as pessoas não conhecem o papel fundamental que elas têm nos ecossistemas.”
Outro tema de grande interesse do público foi água, apresentado pela professora Ana Lúcia Suriani Affonso, também da Unicentro. Para ela, o programa cria um espaço relevante de diálogo entre universidade e educação básica.
“Foi extremamente gratificante participar. É um momento em que podemos divulgar as pesquisas desenvolvidas na universidade e também aproximar esse conhecimento da realidade das escolas”, afirmou.
Segundo a professora, o contato com professores da rede básica ajuda a compreender as demandas que surgem dentro das escolas. “Essa troca de experiências é muito importante. Muitas vezes os professores trazem dúvidas e necessidades que ajudam a orientar novas pesquisas e atividades.”

Já a live sobre robótica, conduzida pelo professor Breno Ferraz, da Universidade Estadual de Maringá (UEM), destacou o potencial da tecnologia no ensino científico.
“Foi uma grande satisfação participar da Quarta com Clubes. A live foi uma oportunidade importante para compartilhar o trabalho que desenvolvemos com robótica educacional e dialogar com interessados no tema”, disse.
Para o pesquisador, iniciativas desse tipo ajudam a aproximar a comunidade da ciência. “A robótica educacional tem grande potencial para despertar o interesse dos alunos e desenvolver habilidades como criatividade, pensamento lógico e resolução de problemas.”

O objetivo do “Quarta com Clubes” é oferecer formação científica para professores que orientam projetos de pesquisa nos clubes escolares, aproximando o conhecimento produzido nas universidades da prática pedagógica nas escolas.
Na estreia do programa, por exemplo, professores da rede básica puderam enviar perguntas e discutir aplicações práticas das pesquisas apresentadas. A professora Katiane dos Santos, coordenadora do clube Climatize-se, do Colégio de Educação Integral Professor Pedro Carli, em Guarapuava, relatou que a atividade trouxe novas ideias para o trabalho desenvolvido com os estudantes.
“A live foi muito interessante e trouxe várias ideias para trabalhar de forma mais investigativa com os alunos. Essa troca com a universidade nos ajuda a refletir sobre o que fazemos na escola e inspira novas propostas de pesquisa”, contou.
A principal mudança prevista para 2026 será no formato do programa. As transmissões deixarão de ser simultâneas e passarão a ser gravadas, com o objetivo de qualificar a produção e melhorar a organização dos conteúdos. Mesmo com a mudança, a periodicidade quinzenal será mantida. Outro avanço previsto é a produção de cortes para divulgação nas redes sociais, ampliando o alcance de público e das discussões.
Os temas já previstos para a nova temporada são:
A Quarta com Clubes é organizada pelo grupo de pesquisa e extensão EducartGeo – Educação Geográfica e Cartografia para Escolares, da Unicentro, em parceria com a Rede de Clubes Paraná Faz Ciência. As lives estão disponíveis no canal EducartGeo.
A expectativa da coordenação é que a nova temporada amplie ainda mais o alcance da iniciativa e fortaleça a integração entre universidade, professores e estudantes da educação básica.
Acompanhe mais atividades dos clubes de ciências pelo Instagram da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência @clubesparanafazciencia e pelo site Paraná Faz Ciência.
Eloah de Oliveira foi selecionada para um intercâmbio em Toronto, pelo programa Ganhando O Mundo Professor

A professora Eloah Francisco de Oliveira, docente do Colégio Estadual Duque de Caxias, em Santo Antônio do Caiuá, foi aprovada para participar do programa Ganhando o Mundo Professor, iniciativa de formação continuada promovida pelo Governo do Estado do Paraná e voltada a profissionais da educação da rede pública estadual.
A seleção representa um marco profissional para Eloah, que integra também o Clube de Ciências Bioessence, coordenado por ela e parte dos clubes de ciência ligados à Unespar. A docente foi escolhida para uma experiência de intercâmbio na cidade de Toronto, no Canadá, com a oportunidade de vivenciar práticas educacionais internacionais e aprofundar seus conhecimentos em metodologias inovadoras de ensino.
De acordo com Eloah, a “oportunidade de realizar um intercâmbio em Toronto, no Canadá, representa muito mais do que uma viagem internacional, é uma experiência transformadora de formação profissional e pessoal. Participar de uma imersão no sistema educacional canadense possibilita conhecer práticas pedagógicas inovadoras, metodologias ativas, políticas públicas voltadas à inclusão e estratégias eficazes de valorização docente.”

O Canadá é reconhecido mundialmente pela qualidade de sua educação, pelo investimento em formação continuada de docentes e pelo respeito à diversidade dentro e fora da sala de aula. “Vivenciar essa realidade amplia repertórios, fortalece competências interculturais e inspira novas práticas que podem ser aplicadas na rede pública do Paraná. Toronto é uma das cidades mais multiculturais do mundo, oferece uma vivência única de diversidade cultural e de respeito às múltiplas identidades. Essa experiência enriquece o olhar pedagógico e amplia a compreensão sobre educação inclusiva e cidadania global”, relatou Eloah.
O programa Ganhando o Mundo Professor é uma modalidade do programa estadual com foco na internacionalização da formação docente, oferecendo imersão em contextos educacionais estrangeiros como forma de aperfeiçoar a prática pedagógica e fortalecer a educação pública paranaense.
Esta edição levou 250 educadores da rede estadual do Paraná para o Canadá, com o objetivo de “proporcionar formação continuada em contexto internacional, com imersão em práticas educacionais de referência e metodologias inovadoras adotadas em sistemas de ensino reconhecidos mundialmente”, de acordo com a Secretaria de Educação do Paraná. Os professores paranaenses embarcaram pelo Aeroporto Internacional Afonso Pena no dia 06 de fevereiro.

Para Eloah, essa experiência está sendo uma oportunidade valiosa de crescimento profissional e pessoal. “Enquanto professora de biologia, o encantamento é ainda maior, pois a cidade é cercada por paisagens naturais deslumbrantes às margens do Lago Ontário. Além de parques, áreas verdes preservadas e ecossistemas que tornam o aprendizado ainda mais vivo e significativo” , conta.
A participação de Eloah no programa internacional representa não apenas um reconhecimento de sua dedicação e competência, mas também um investimento direto na qualidade da educação pública paranaense. Ao retornar, a professora traz consigo novos conhecimentos e inspirações, mas também uma chance de compartilhar o que aprendeu com outros professores e assim multiplicar o aprendizado que obteve no outro país. Os impactos sobre seus alunos, a comunidade escolar e o desenvolvimento educacional da região também são consequências diretas e altamente positivas vindas desse intercâmbio internacional.
Estudantes de Fazenda Rio Grande e São José dos Pinhais apresentaram soluções sustentáveis e análises sociais em evento científico em Curitiba

Entre os dias 10 e 12 de março de 2026, o Campus da Indústria, da Fiep (Federação das Indústrias do Estado do Paraná), tornou-se o epicentro da inovação paranaense durante a Semana Araucária de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I). Com o tema “Recursos públicos transformados em conhecimento e desenvolvimento”, o evento buscou demonstrar como a ciência impacta o cotidiano da população. No último dia da programação (12/03) em Curitiba, a Rede Paraná Faz Ciência levou dez de seus mais de 250 clubes para compartilhar suas vivências investigativas, com destaque para os clubes Liga Científica e o Mentes em Ação, ambos vinculados à Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR)
O clube Liga Científica, do Colégio Estadual Lucy Requião de Melo e Silva, em Fazenda Rio Grande, apresentou os frutos de sua horta escolar agroecológica. Sob a coordenação da professora Suelen Santos Rego, os estudantes demonstraram como transformam o ambiente escolar em um laboratório vivo.
O foco da apresentação foi a eficácia do adubo orgânico produzido via compostagem na própria escola. A pesquisa, que comprovou um crescimento superior das hortaliças, já colhe reconhecimentos externos: o projeto conquistou o 2º lugar na categoria Empreendedorismo Jovem na FECCI 2025. “Nosso objetivo é criar soluções voltadas para a preservação e levar essa mentalidade científica para feiras e eventos”, destacam os membros do clube.
Já o clube Mentes em Ação, do Colégio Estadual Herbert de Souza, em São José dos Pinhais, levou ao evento uma investigação científica sobre um tema urgente e global: o fenômeno do bullying. Sob a coordenação da professora Pauline Henrique Fernandes, o clube desenvolveu o projeto “Bullying: uma análise na escola”, que se destaca pelo rigor metodológico na compreensão das dinâmicas de convivência escolar.
O trabalho dos clubistas serve de modelo para outras instituições, pois foca na criação de estratégias de acolhimento frente a esses casos. O planejamento do grupo inclui a formação de estudantes mediadores e a construção de um Programa de Prevenção inspirado no Método Olweus, referência internacional na redução de conflitos através de redes de apoio social e escuta ativa.
A professora Neusa Nogas Tocha, representante da UTFPR, acompanhou de perto as apresentações e ressaltou como essa integração fortalece a educação. “Ver esses jovens na Semana Araucária é o resultado do trabalho em conjunto da comunidade escolar e universidade. Essa rede de apoio permite que o conhecimento circule e que os estudantes se sintam seguros para investigar temas complexos e compartilhar em eventos como este. É uma demonstração clara de como a colaboração está mudando a educação no Paraná”, defende.
A participação desses clubes na Semana Araucária de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) reafirma que a ciência paranaense começa cedo, dentro das salas de aula ou de locais como as hortas escolares, transformando a realidade dos estudantes e de suas comunidades para melhor.
Clubistas falam dos planos para os eventos, sobre novas pesquisas e aprofundamento de projetos

Com o início do ano letivo, os Clubes de Ciências do Paraná Faz Ciência entram em uma nova etapa de planejamento e aprofundamento das investigações desenvolvidas ao longo do tempo. Alguns projetos iniciados anteriormente seguem em expansão, enquanto experiências acumuladas em feiras e eventos científicos inspiram novas perguntas e orientam diferentes caminhos de pesquisa, consolidando um processo investigativo contínuo. A chegada de novos integrantes também amplia perspectivas e contribui para a diversidade de temas e interesses que mobilizam os clubes.
Nos diferentes clubes da rede, esse movimento já se traduz em ações concretas. Além da organização das pesquisas e do planejamento das atividades, várias unidades realizaram encontros de apresentação, divulgação interna e mobilização para integrar novos clubistas, iniciativas essas que ampliam a participação, fortalecem o sentido de pertencimento e garantem a continuidade das ações ao longo do ano.
No Colégio Prefeito João Maria de Barros, por exemplo, em Campina Grande do Sul, a professora coordenadora Taiza Klemba precisou reorganizar o grupo após a mudança de turno de parte dos estudantes com a passagem para o nono ano. “Eu passei de sala em sala convidando, fechei o número de 20 estudantes e tenho lista de espera”, relata. A docente destaca que a procura foi facilitada pela reputação já consolidada do projeto entre os alunos, que reconhecem as atividades diferenciadas, as aulas de campo e as pesquisas desenvolvidas.
Já no Clube Bona, em Almirante Tamandaré, formado por alunos de Ensino Médio, a pesquisa sobre qualidade da água pode ganhar novos desdobramentos ao longo deste ano. Além da abordagem biológica já realizada pelos estudantes, há a possibilidade de incorporação da análise química, a partir do interesse demonstrado pela professora do curso técnico em Química do colégio em colaborar como coautora do trabalho, fortalecendo a perspectiva interdisciplinar e ampliando o alcance do estudo. Para os integrantes, essa ampliação dialoga com a própria trajetória do grupo. “É o mesmo tema, só que analisado de formas diferentes. Isso é interessante”, comenta Eduardo Fernando Ferreira da Silva, 17 anos.
Além da continuidade dos estudos já desenvolvidos, o grupo também projeta novas áreas de interesse para o próximo período. Entre elas, a identificação de animais e o aprofundamento em estudos sobre plantas medicinais têm ganhado destaque, refletindo o amadurecimento das discussões e a ampliação do repertório científico dos estudantes.
No caso da identificação, o interesse integra o percurso de Gabriel Victor do Nascimento, 16 anos, no clube e ganhou novas referências após a participação na FECCI (Feira de Cultura Científica do Paraná Faz Ciência). “Na feira eu vi muita gente esforçada em pesquisa de identificação de animais e isso me motivou ainda mais”, relata. Dentro das atividades do grupo, uma iniciativa do estudante passou a integrar as práticas do clube: ele levou um aquário que estava sem uso em casa e iniciou uma experiência com a alga da espécie elódea. O experimento permitiu observações no microscópio e revelou a presença inesperada de duas espécies de caramujos de água doce, ampliando as possibilidades de análise e identificação.
No campo das plantas medicinais, a inspiração surgiu a partir da premiação conquistada na FECCI no ano anterior, que incluiu um livro sobre o tema. “Eu gostaria que neste ano, por exemplo, um trabalho que a gente fizesse fosse focado no livro que a gente ganhou. Sobre as plantas medicinais. Eu acho interessante”, afirma Maíra de Andrade Ribeiro, 16 anos. A proposta também desperta interesse em Suzanna Heliza Gonçalvez de Freitas, de mesma idade, que destaca a possibilidade de utilizar os conhecimentos sobre plantas medicinais em estudos voltados à área da cosmética, explorando o uso de bases naturais no desenvolvimento de produtos.
Com projetos voltados para a área de robótica educacional e engenharia aplicada, o Clube de Ciências Nautilus Robotics, de Pinhais, iniciou o ano letivo já envolvido em atividades externas. No último sábado, 21 de fevereiro, a equipe participou do Amistoso das Araucárias, realizado no Colégio Sesi Indústria, evento preparatório para as próximas etapas da FIRST Tech Challenge (FTC), competição internacional de robótica educacional. O encontro reuniu equipes para momentos de prática, testes e ajustes antes das disputas oficiais.
Para Samuel, 16 anos, a participação foi especialmente marcante. Integrante da equipe nas funções de programação e engenharia, ele assumiu, desta vez, a pilotagem do robô. “Foi algo muito emocionante. Dessa vez pude ter a chance de pilotar”, relata.
Para 2026, a expectativa é avançar em relação ao ano anterior, com ajustes técnicos, ampliação dos conhecimentos e participação nos eventos previstos ao longo da temporada, fortalecendo a presença da equipe no Paraná e, possivelmente, em outros estados.
Rafael Lopes Virmond, 18 anos, também projeta o ano como uma oportunidade de aprimoramento técnico e integração com o grupo. A expectativa é desenvolver ainda mais suas habilidades como engenheiro e modelador 3D, além de fortalecer a convivência com os integrantes da Nautilus Robotics e com outras equipes da FTC. “Participar dos campeonatos, conhecer outras equipes e aprender como eles montam os robôs ajuda a melhorar o nosso trabalho em equipe”, afirma.
Já Hiran Silva dos Santos, 16 anos, destaca a necessidade de aperfeiçoamentos no desempenho do robô, especialmente em relação à precisão nos lançamentos. Segundo ele, o novo ciclo também demanda maior organização interna, com a definição de funções que permitam a cada integrante aprofundar-se em áreas como modelagem 3D, programação e pilotagem, sem perder o caráter colaborativo do grupo. A expectativa é que os próximos eventos, sejam amistosos ou oficiais, contribuam para um melhor desempenho no ranking e reforcem a motivação da equipe.
Além das expectativas dos estudantes, o professor Guido Valmor Buss, coordenador do Clube de Ciências Nautilus Robotics no Colégio Estadual Humberto de Alencar Castelo Branco, projeta um ano de ampliação das atividades e presença em novos espaços. Segundo ele, a equipe foi convidada a apresentar o projeto do clube no evento Smart City, na Arena da Baixada, e também se prepara para o Off-Season das Araucárias, a próxima temporada da FTC.
O coordenador destaca ainda a incorporação de novos desafios técnicos ao cotidiano do grupo, como a montagem de uma máquina CNC a laser, iniciativa que amplia as possibilidades de aprendizagem prática dos estudantes. “As expectativas são as melhores possíveis. São vários projetos em andamento e outras oportunidades que podem surgir ao longo do ano”, afirma.
Em diferentes áreas do conhecimento, os Clubes de Ciências do Paraná Faz Ciência iniciam o ano letivo com pesquisas em andamento, novas perguntas e reorganizações internas. Seja no campo, no laboratório ou em competições, o que marca esse início de ciclo é a disposição para rever caminhos, ampliar investigações e transformar experiências anteriores em novos pontos de partida.
Clube de Ciências do Colégio Nilo Cairo une pesquisa, educação lúdica e parcerias locais para transformar estudantes em agentes de saúde pública

Desde setembro de 2024, o Colégio Estadual Nilo Cairo, em Apucarana (PR), tornou-se um polo de resistência e inovação em saúde pública. Através do clube de ciências“Unindo Forças no Combate à Dengue”, sob a coordenação da professora Érica Castilho, estudantes assumiram o papel de investigadores e agentes de mudança frente a um dos desafios mais críticos da região. O clube surgiu como uma resposta direta à necessidade de enfrentar a epidemia que assolou o estado, já que dados da Secretaria de Estado da Saúde em de 2024 já apontavam um cenário epidemiológico preocupante, reforçando a urgência de intervenções educativas e científicas no ambiente escolar.
O clube não atua de forma isolada. Ele é fruto de uma rede de colaboração que envolve o Núcleo Regional de Educação (NRE) de Apucarana, representado por Hugo Augusto Costa, e a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), representada por Enio Stanzani e Sabrina Klein, coordenadores do projeto Rede de Clubes Paraná Faz Ciência. Além disso, a parceria se estende ao setor de Endemias da Prefeitura de Apucarana, permitindo que os alunos fundamentem suas propostas em dados reais e orientações técnicas de especialistas para combater o mosquito Aedes aegypti de forma eficiente.
A metodologia do clube vai além da teoria. Ao incorporar o estudo da dengue, os integrantes desenvolvem habilidades essenciais de pesquisa, pensamento crítico e resolução de problemas, aplicando-as em ações que beneficiam diretamente a comunidade. Entre as principais iniciativas desenvolvidas, destacam-se:
“O Clube de Ciências nasceu com o propósito de despertar nos estudantes a consciência científica, ambiental e social sobre um dos maiores desafios de saúde pública do Brasil. Mais do que um projeto escolar, o clube é um movimento educativo e cidadão, que une conhecimento, criatividade e ação para transformar a comunidade por meio da ciência.”, declarou a professora coordenadora do clube Érica Castilho.
O clube iniciou o ano de 2026 com fôlego renovado, recebendo novos membros e traçando planos de expansão. As metas para este ano incluem a presença em feiras com projetos inéditos, como a produção de materiais acessíveis para pessoas cegas e a distribuição do livro de colorir para as escolas de ensino infantil que desejam trabalhar a conscientização sobre a saúde. Ao aliar a educação científica à cidadania, o clube de ciências demonstra que o esforço coletivo é a ferramenta mais poderosa para reverter indicadores de saúde e proteger gerações futuras.

Equipe apresentou projetos dos clubes makers e compartilhou experiências com outras regiões no evento de Brasília

O futuro da ciência começa na sala de aula. Isso ficou mais do que provado no 1º Encontro Nacional do programa Mais Ciência na Escola, realizado em Brasília, entre os dias 23 e 26 de março. A Rede de Clubes Maker do Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (NAPI) – Paraná Faz Ciência (PRFC) também esteve presente no evento e reforçou o papel da cultura maker na formação de estudantes protagonistas.
Com laboratórios e atividades voltadas para o “mão na massa”, o Mais Ciência na Escola incentiva ideias, soluções e aprendizados de forma ativa. Por meio disso, promove o letramento digital, a experimentação científica e a inovação na Educação Básica. Tudo para trazer ciência e tecnologia na prática, focando na metodologia STEAM (Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática).
O Encontro Nacional teve como objetivo debater sobre a popularização da ciência e os resultados dos laboratórios makers no Brasil. A programação contou com palestras, mesas temáticas, vídeos institucionais e atividades em grupos, proporcionando a integração entre professores, alunos, coordenadores e pesquisadores. Foi um momento muito importante para a troca de experiências entre todos os projetos do país.
Autoridades e representantes governamentais também compartilharam com o público o cenário brasileiro. A Ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Luciana Santos, destacou a necessidade de práticas pedagógicas democratizadas, que tenham essa pegada mais prática. “Estamos falando de inovação concreta na Educação Básica brasileira. Um programa que aproxima a ciência da realidade dos estudantes, que valoriza o aprender fazendo, a experimentação, a curiosidade e a criatividade”, enfatiza.

Em entrevista para o NAPI PRFC, a Diretora do Departamento de Popularização da Ciência, Tecnologia e Educação Científica do MCTI, Juana Nunes, colocou em pauta a importância de fazer política pública com escuta. “A gente quer saber a experiência real de quem vive o programa no chão da escola e esse encontro é para isso. A gente está muito feliz em receber mais de 1600 pessoas aqui […] todo mundo junto, para fortalecer essa experiência tão rica que é criar clube de ciência, montar um laboratório e, principalmente, proporcionar aos estudantes da escola pública brasileira uma educação científica de qualidade”, defende.
Também procurado pela equipe, o Secretário de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Social do MCTI, Inácio Arruda, ressaltou que a primeira grande parceria do Programa Nacional de Popularização da Ciência (POP Ciência) foi com o Paraná. “Nós queremos cada vez incentivar mais a produção científica e a educação científica a partir do Ensino Fundamental, do Ensino Médio […] porque é fomentando a ciência que você cria as condições para produzir tudo aquilo que nós precisamos para o Brasil”, encoraja.

Quatro clubes paranaenses ficaram responsáveis por representar o estado e a vertente maker do NAPI – Paraná Faz Ciência no evento. Alunos e professores mostraram um pouco do trabalho desenvolvido no projeto, que tem transformado o pensamento crítico dos estudantes, despertado a curiosidade para o mundo da ciência e contribuído com a produção de conhecimento no Brasil.
As equipes participantes são do Colégio Estadual do Campo Professora Margarida Franklin Gonçalves (clube Margarida Consciente), em Ibaiti; Colégio Estadual do Campo Professora Godomá Bevilacqua de Oliveira (clube Circuito Criativo), de Apucarana; Colégio Estadual Indígena Cacique Otavio dos Santos (clube Pỹn fīfī), na Terra Indígena Marrecas, em Turvo; e Colégio Estadual do Jardim San Rafael (clube San Rafa Makers), em Ibiporã.
Inclusive, uma das alunas do clube Circuito Criativo foi escolhida para apresentar a síntese de uma discussão em grupo, durante o encerramento do evento. A atividade separou professores, estudantes e coordenadores estaduais no dia anterior ao relato, estimulando o diálogo entre pessoas de diferentes regiões.

Segundo a professora Edinara Santos, coordenadora do clube San Rafa Makers, o que mais a impactou no evento foi conhecer a amplitude que o Mais Ciência na Escola tem alcançado. “Nós ficamos realmente impressionados com a grandiosidade e o quanto desse projeto atinge escolas do Brasil inteiro. Ficamos muito orgulhosos de fazer parte disso”, conta.
Para alguns alunos, o Encontro Nacional foi também o primeiro evento científico. É o caso de Victor Souza (12 anos), do clube Margarida Consciente, que já está manifestando interesse na próxima viagem. “A gente veio aqui no evento de Brasília e eu quero ter mais oportunidades também de ir em outros eventos”, revela. “Eu estou gostando muito do Mais Ciência na Escola aqui e, graças ao clube Maker, eu estou podendo participar.”
Os estudantes do clube Pỹn fīfī também demonstraram entusiasmo com a experiência. Para os alunos, conhecer a cidade está sendo uma vivência diferenciada e, sem dúvidas, divertida. “Estou achando legal representar o Paraná. Me perdi um pouco lá no shopping”, brincou Wesley Mathias (15 anos).

O 1º Encontro Nacional “Mais Ciência na Escola” estava previsto na Chamada Pública CNPq/MCTI/FNDCT Conecta e Capacita nº 13/2024 – Mais Ciência na Escola. O Paraná Faz Ciência Maker faz parte do programa, tendo sido selecionado pelo edital do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Além disso, a iniciativa dos clubes Makers integra as ações do NAPI – Paraná Faz Ciência, que é apoiado pela Fundação Araucária.
Vinculadas aos Clubes de Ciências da Unespar, alunas foram aprovadas no vestibular da própria instituição

Duas jovens estudantes celebraram recentemente uma importante conquista acadêmica: a aprovação no curso de Ciências Biológicas da Universidade Estadual do Paraná (UNESPAR). Além do excelente desempenho no vestibular, as alunas compartilham outro ponto em comum: ambas fizeram parte dos Clubes de Ciências vinculados à mesma universidade em que foram aprovadas.
As estudantes, que participaram ativamente de projetos e iniciativas vinculadas à universidade, destacaram que essa proximidade prévia com a Unespar e com os Clubes de Ciência foi fundamental para a escolha do curso e para a preparação ao processo seletivo.
Agatha da Cunha Kulesza estudou no Colégio Cívico-Militar Sertãozinho, em Matinhos, e integrou durante dois anos o Clube de Ciências Eco Cientistas. Em novembro de 2025, ela teve a oportunidade de apresentar um dos trabalhos feitos no clube durante a Feira de Cultura Científica Paraná Faz Ciência, a FECCI.
Orientado pela professora Luciana Martins, o trabalho “Microorganismos no ambiente escolar: desafios e soluções para a saúde dos estudantes” marcou a trajetória escolar da aluna e a preparou para o maior desafio até o momento: passar no vestibular.

De acordo com Agatha, a escolha pelo curso de Ciências Biológicas partiu de um interesse que ela já tinha antes, mas “fazer parte do Clube de Ciências me ajudou a ter a segurança de que era aquilo mesmo que eu queria”, contou a ex-clubista.
Emily Rafaela Falchetti Dal Bosco, também foi aprovada em Ciências Biológicas, na Unespar. Ela é ex-aluna do Colégio Estadual Rocha Pombo, em Antonina e fez parte do Clube de Ciências Mangue: o Berçário da Vida ( clubedeciencias.rocha_pombo ). Emily participou de atividades voltadas à análise físico-química e biológica de ambientes costeiros, com foco nos manguezais locais. Ela também foi aprovada no vestibular de Geografia na Universidade Federal do Paraná (UFPR).

A aprovação das duas jovens simboliza não apenas uma conquista individual, mas também o sucesso das atividades realizadas pelos Clubes de Ciência, que aproximam os estudantes do ambiente da pesquisa desde cedo. Agora, como ingressantes do curso de Ciências Biológicas, elas iniciam uma nova etapa, levando consigo a experiência prévia e o entusiasmo por contribuir com a ciência e a preservação ambiental.
Acompanhe mais atividades dos Clubes de Ciências pelo Instagram da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência @clubesparanafazciencia e pelo site Paraná Faz Ciência.
Os estudantes já criaram um site e prepararam um artigo sobre a temática do clube

Em Maringá, o Clube Makers do Colégio Estadual Unidade Polo, mais conhecido como Makers CEUP, conta com 24 alunos do Ensino Médio. Desses, dez são bolsistas, outros participam do projeto desde o começo do ano e alguns chegaram após a troca de disciplina eletiva no meio do ano de 2025. Por ser um colégio em turno integral, o clube também é uma eletiva.
O objetivo do clube é estudar a piezoeletricidade e desenvolvê-la para a escola. Os estudantes primeiro compreenderam o que era o Piezo. Conforme o professor, Mateus Zozernon, “o Piezo é um cristal que tem alguns materiais, como o quartzo, e quando você o pressiona, ele muda de formato e se polariza. A polarização dos átomos, ligado a um aterramento, gera essa energia elétrica.” Dessa forma, a piezoeletricidade nada mais é que energia mecânica convertida em energia elétrica.
O Makers CEUP começou em 2025 com a iniciativa do diretor da escola, que passou nas salas de aula anunciando o clube de robótica. Os estudantes que se interessaram foram selecionados por critérios ligados à vulnerabilidade social. No segundo semestre, houve a troca de disciplinas eletivas e alguns alunos deixaram o clube, enquanto outros entraram.
De forma geral, o professor Mateus afirma que a equipe é bem engajada na pesquisa e desde o início do projeto tudo aconteceu de forma democrática. Os estudantes em conjunto com o professor decidiram o tema que iriam pesquisar. Após a escolha da temática, o professor explicou como funcionaria a pesquisa, “eu disse que trataria como nível acadêmico”, comenta Mateus.
Assim, no primeiro semestre foi trabalhada a parte teórica, demonstrando como funciona o método científico. Depois, partiram para o estudo sobre modelagem e impressão. Os clubistas pesquisaram e leram artigos. “Todos participaram de todo o projeto. Estudaram os mesmos conceitos para depois escreverem a pesquisa deles. Houve momentos de correções, tanto da parte teórica, quanto gramatical”, afirma o professor.
Já no segundo semestre, o projeto foi mais desenvolvido na prática: prototipagem, modelagem e a chegada da impressora. “Foi neste período que vivenciamos um momento muito especial para os clubistas que foi a preparação para a primeira feira do clube que aconteceu em Guarapuava, em setembro de 2025: a Feira do Paraná Faz Ciência.”, relembra o professor.
“Foi o auge do clube até o momento”, afirma Zozernon. A experiência de sair de Maringá, ir para outra cidade e apresentar um projeto de pesquisa a nível estadual foi uma grande experiência para os clubistas. “Os estudantes conheceram outros vários projetos, outras universidades, pessoas de renome apresentando…foi um momento muito especial”, conta.
Essa oportunidade de fazer parte de um clube e vivenciar essas situações é muito importante, como explicou o docente. “Na minha época eu gostaria de ter tido essa iniciação científica sem ser apenas na universidade. Para mim é a primeira vez que eu oriento um trabalho em escola”, argumenta Mateus.
Para os alunos também o clube representa uma novidade, conhecer o meio científico e como a pesquisa funciona, até como se publica artigo. “Eu quero passar pra eles a ideia do que é uma pesquisa científica”, afirma o professor contente com a animação dos estudantes.
Algumas dificuldades na estrutura do colégio tornam o processo difícil para o clube funcionar, como não ter um espaço reservado para as atividades e conexão de internet instável. Ainda assim as ações seguem acontecendo, como a produção de um vídeo que apresentava o projeto do Clube, outra parte do grupo está experimentando a impressora 3D e outros desenvolvendo o site. “É tudo com eles, cada um colaborando de alguma forma com o clube”, conclui o professor.

Conhecida como uma das maiores feiras comerciais, industriais e de agronegócio do Sul do país, a Expo Umuarama 2026 sediou também atividades de divulgação científica, com um espaço para exposição dos clubes de ciências da região de Umuarama e ligados à Rede Paraná Faz Ciência. Também estiveram no espaço atrações do Museu Dinâmico Interdisciplinar (MUDI) da Universidade Estadual de Maringá (UEM), a Fazendinha da UEM e ainda estandes dos cursos ofertados pela universidade. A programação de eventos da Expo Umuarama é de 12 a 22 de março.
Agregando às atividades de divulgação científica, este ano a exposição contou com a presença dos clubes integrantes Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, da cidade de Umuarama e da região, sendo eles: Experimentando a Ciência (Escola Estadual do Jardim Canadá), Bento Bee (Colégio Estadual Bento Mossurunga), Denguebot (Colégio Estadual Vereador José Balan), Tenda Cultura Viva (Colégio Estadual Professora Hilda Trautwein Kamal), Green Lab (Colégio Estadual Almirante Tamandaré, Cruzeiro do Oeste), e Paisagismo Sustentável (Escola Estadual Manuel Bandeira, Alto Piquiri).
Os clubes se revezaram e estiveram presentes durante os dias 16 a 19 de março, no Pavilhão da Indústria e Comércio, junto dos demais estandes ligados à Universidade Estadual de Maringá, demonstrando ao público um pouco de seus projetos, de forma prática e também teórica, usando maquetes e brincadeiras.
Na tarde do dia 16, houve a exposição no estande do Clube Bento Bee, do Colégio Estadual Bento Mossurunga, de Umuarama, representado pelos estudantes Lorena, Manuela, Miguel e Luiz. O clube trabalha com abelhas sem ferrão, trazendo para a comunidade a importância desse inseto para a produção de alimentos, polinização de flores e seu papel fundamental na manutenção de um ecossistema saudável.
No estande, os clubistas expõem as colmeias de diversas espécies, como a abelha Lambe-Olhos (Leurotrigona muelleri), a Mandaçaia (Melipona quadrifasciata) e a abelha Iraí (Nannotrigona testaceicornis), proporcionando uma experiência visual muito interessante para os visitantes do evento. A mostra dos clubistas do Bento Bee também oferece experimentação de própolis e mel para os visitantes, ambos produzidos pelas abelhas que eles mesmos criam no projeto do clube.

Na manhã da terça-feira, dia 17, foi a vez da exposição do Clube Green Lab, do Colégio Almirante Tamandaré, da cidade de Cruzeiro do Oeste. Os principais objetivos do clube incluem a sensibilização da comunidade para o descarte correto do óleo de cozinha, assim como orientar maneiras de reaproveitamento para esse produto residual das cozinhas.
“No clube, nós pegamos o óleo que seria descartado incorretamente no lixo ou na pia e fazemos sabão! Já fizemos velas, então é possível fazer várias coisas com óleo, até desengordurante. É uma forma de salvar o meio ambiente. Um litro de óleo descartado, que poderia contaminar 25 mil litros de água, está aqui, usamos para fazer sabão”, apontou o clubista Miguel.
Os clubistas expõem sabões feitos com óleo residual em variadas formas: líquido, em pó e em pedra, possuindo diversos aromas e possibilidades de uso.
Na parte da tarde, o Clube Tenda Cultura Viva, do Colégio Estadual Hilda Trautwein Kamal, de Umuarama, também marcou presença na Expo Umuarama 2026. O clube desenvolve estudos que aprofundam conhecimentos em culturas indígenas e africanas, visando quebrar o estigma contra esses povos que ainda é visto na sociedade. O projeto tem estudado adereços usados por esses povos, pesquisando os materiais, os significados e replicando técnicas típicas, o que resgata e valoriza tais heranças culturais.
“Combater o preconceito enraizado na população brasileira hoje é um passo fundamental para a construção de uma sociedade mais justa”, diz a clubista Maísa.

Os clubistas montaram um estande repleto de adornos típicos de diversas culturas indígenas brasileiras e africanas, como colares, adornos e também itens de caça: lanças e arco e flecha. Os visitantes puderam interagir com o projeto experimentando os adornos e também brincando de acertar o alvo com o arco e flecha.
Na quarta-feira dia 18 de março, o Clube Denguebot, do Colégio Estadual Vereador José Balan, de Umuarama, expôs o protótipo de robô autônomo que auxilia no combate ao Aedes Aegypti no ambiente escolar. Sua função é otimizar a liberação do repelente natural feito com citronela.
Os clubistas explicam o funcionamento de dois modelos de robôs: um para exemplificar a efetividade do difusor de repelente e o outro para evidenciar a tecnologia de sensor de aproximação, que é a mesma usada em robôs aspiradores, o que dá a capacidade ao aparelho de mapear o ambiente de forma completamente autônoma.

No estande ao lado, o Clube Paisagismo Sustentável, da Escola Estadual Manuel Bandeira, do município de Alto Piquiri, também apresentou seus projetos. Os clubistas explicaram seus trabalhos com muito orgulho, visto que o Clube foi premiado em 1º lugar na FECCI 2025, na categoria “Tecnologia e Robótica”. Esse projeto tem como objetivo revitalizar espaços degradados e não utilizados do ambiente escolar dos estudantes, partindo do reaproveitamento de itens que seriam descartados, transformando-os em bancos, floreiras, canteiros, tornando o espaço estudantil mais agradável e sustentável.
O que chama atenção, além da revitalização promovida por alunos e professores, é a inovação tecnológica aplicada para solucionar problemas relacionados ao ambiente do entorno. Segundo a estudante clubista Emanuelle, eles desenvolveram um sistema de irrigação inteligente controlado pelo smartphone, bastando um clique para que toda a área verde da escola seja automaticamente irrigada. Este detalhe do projeto que foi demonstrado por meio de maquetes interativas garantiu o título ao clube na FECCI 2025.

No último dia de exposição de clubes, o Experimentando Ciências, Clube da Escola Estadual do Jardim Canadá, de Umuarama, esteve no estande para encerrar a participação dos clubes. Eles mapeiam os alimentos menos consumidos na merenda escolar a fim de encontrar uma solução para conter o desperdício, ao mesmo tempo que querem garantir que os nutrientes presentes nesse alimento sejam devidamente consumidos.
“Após um levantamento de dados inicial, concluímos que o alimento menos consumido foi o chuchu. Então pensamos: como fazer com que os estudantes se alimentem deste fruto sem comê-lo diretamente? Entendemos que o gosto e a textura do chuchu não agradam muitos alunos, então realizamos a primeira receita do projeto: o pão de chuchu”, explicou a clubista Carol. A estudante aponta ainda que há mais dois projetos em desenvolvimento: o iogurte com geleia de pêra e o pão de abóbora.
Além da parte gastronômica, o clube também se empenhou em realizar atividades pedagógicas para crianças com foco em uma alimentação saudável. Os clubistas desenvolveram um jogo de tabuleiro e cartas com a temática de boa alimentação, assim como utilizaram a tecnologia para criar um jogo de computador que demonstra os malefícios dos ultraprocessados e reforça a importância de uma alimentação rica em alimentos frescos e orgânicos.

A participação dos clubes de ciência em feiras como esta significa a conquista de mais espaço para a visibilidade e valorização da educação dos jovens paranaenses, incentivando a permanência escolar e devolvendo para a sociedade conhecimento científico fomentado os colégios. É uma experiência que agrega não somente para a formação do aluno, como também conscientiza a comunidade.
Na primeira reunião, foi lançado edital do Programa de ‘Feiras Afiliadas’ à FECCI 2026, que já tem data definida

O início do primeiro curso de formação para professores, graduandos e pós-graduandos e gestores de escolas públicas e privadas sobre a realização de feiras de ciências não poderia ter sido mais produtivo e inclusivo. Foram selecionados 100 participantes para o curso on-line, sendo a maioria do Paraná, mas também de outros estados. Quase a totalidade esteve na primeira reunião realizada nesta quinta-feira, 19, para conhecer a Rede de Feiras de Ciências Paraná – Faz Ciência, o edital de ‘Feiras Afiliadas’ e acompanhar com tradução simultânea em Libras.
Organizado pelo Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (NAPI) Paraná Faz Ciência (PRFC), em parceria com a Secretaria de Estado da Educação (SEED/PR), a proposta do curso é compartilhar informações sobre como organizar feiras de ciências em suas instituições de Ensino Básico e estimular e apoiar participações em feiras e mostras de ciências. Somando-se ao objetivo da iniciativa, a divulgação e popularização da ciência será o tema central dos encontros, no total de quatro até 9 de abril, sempre às quinta-feiras, das 18 às 20 horas.
“Foram mais de 427 inscritos de vários estados do país para, inicialmente, 50 vagas ofertadas. Como o limite da sala do Google Meet é de 100 pessoas, resolvemos dobrar as participações. A partir desta demanda espontânea, com certeza, vamos organizar outros cursos sobre o tema para compartilhar conhecimentos e, assim, fortalecer a Rede de Feiras de Ciências Paraná Faz Ciência”, explicou uma das articuladoras do NAPI PRFC, professora Débora de Mello Sant’Ana, da Universidade Estadual de Maringá (UEM).
Durante sua fala, Débora anunciou o lançamento do Edital 01/FECCI-2026, que tem por objetivo ampliar a participação das escolas e clubes de ciências na segunda edição da Feira de Cultura Científica Paraná Faz Ciência (FECCI 2026), a ser realizada de 4 a 6 de novembro, em Curitiba.
A FECCI é uma realização do NAPI PRFC, com apoio da SEED e da Secretaria da Educação de Curitiba e atraiu mais de 15 mil visitantes na primeira edição. Em 2025, foram apresentados 380 trabalhos e a expectativa deste ano é chegar a 700 e ampliar o alcance da feira em termos de produção de projetos de ciências e visitação.

Com o programa “Feiras Afiliadas” será possível contribuir ainda para a construção de uma rede estadual com a participação, inclusive, da Feira do Sesi, e, no futuro, garantir a afiliação da FECCI a feiras nacionais, como a Mostratec. No edital é possível conhecer todos critérios para participação e avaliações dos projetos inscritos, com inscrições abertas entre 1º a 30 de abril.
À frente da organização do curso de formação, a pós-doutoranda Dayanne Dailla, também bolsista do NAPI PRFC na Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, enfatizou, na abertura dos trabalhos, que a realização do curso teve, a princípio, um motivo pragmático.
“A gente criou para ver qual era a real necessidade de cada um de vocês que estão participando em relação à organização e entender o que são as feiras de ciências. Vamos fazer uma comunicação mais efetiva com o grupo para dirimir dúvidas e atender as demandas que surgirão”, informou. Dayanne adiantou, ainda, que, ao longo do curso, haverá muitas outras ações, como editais, brindes aos participantes e troca de experiência e momentos de grande aprendizado.
“Assim como os clubes de ciências, as feiras de ciências são espaços não formais de ensino e eventos coletivos que visam descobrir talentos e despertar nos jovens a criatividade, motivação e um centro de interesse que é a ciência”. A afirmação foi feita pelo palestrante convidado, o professor de Química, da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), Ivo Leite Filho, também coordenador geral da Popularização da Ciência, programa do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação(MCTI).
Com mais de 40 anos de atividade e experiência em formatação, organização e coordenação de feiras no Brasil e América Latina, Leite Filho é um estudioso e entusiasta desses eventos como espaços de descoberta do que é realmente a ciência. “A ciência não é crença. Ela é a área de observação dos fatos e onde devem estar todos os alunos, não só os ‘inteligentes’, como normalmente se pensa. A ciência é para todos que tenham curiosidade e disposição para aprender o método científico”, alertou.

A cultura das feiras com projetos de ciência começou nos Estados Unidos, na década de 1920. No Brasil, a experiência começou a ganhar corpo na década de 1950 com o médico José Reis. Hoje, o mais importante prêmio para divulgadores científicos do país, criado em 1978, pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico CNPq, leva o nome dele.
A iniciativa que ocorre, hoje, no Paraná, por meio do NAPI Paraná Faz Ciência, foi elogiada pelo professor. Ele reconhece que a estratégia empreendida tem um grande potencial, porque começa com a criação da Rede de Clubes de Ciências, lançada em 2024, antes da Rede de Feiras de Ciências. “Durante o meu percurso, percebi que este é um caminho eficiente e seguro para garantir que a juventude do Paraná, e do Brasil, encontre na ciência um futuro de realização e inovação, o que fará diferença para a sociedade”.
O evento irá reunir educadores e estudantes para debater cultura científica e os resultados dos laboratórios makers

Quatro clubes do NAPI – Paraná Faz Ciência Maker estarão presentes no Encontro Nacional Mais Ciência na Escola 2026. A equipe, que faz parte da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, irá representar o estado, evidenciando a importância do investimento em ações que aproximam os alunos da Educação Básica de práticas investigativas e da cultura maker. O evento será realizado entre os dias 24 e 26 de março, no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), em Brasília-DF.
De acordo com a professora Mariana Andrade, coordenadora estadual do NAPI PRFC Maker, as atividades desenvolvidas pelos clubes de ciência já são referência no país. “Em especial, a Rede de Clubes Maker desempenha um papel fundamental na consolidação de clubes em diferentes contextos, incluindo escolas indígenas, do campo, quilombolas e urbanas situadas em regiões de maior vulnerabilidade social”, destaca.
Pensando nessa representatividade, os clubes convidados para o evento pertencem ao Colégio Estadual Indígena Cacique Otavio dos Santos (clube Pỹn fīfī), na Terra Indígena Marrecas, em Turvo; C.E. do Campo Professora Margarida Franklin Gonçalves (clube Margarida Consciente), em Ibaiti; C.E. do Campo Professora Godomá Bevilacqua de Oliveira (clube Circuito Criativo), em Apucarana; e C.E. do Jardim San Rafael (clube San Rafa Makers), em Ibiporã.
Participarão os quatro professores coordenadores e oito dos estudantes clubistas. Segundo Mariana, também foi produzido um vídeo de cinco minutos, que reúne pesquisas e criações dos demais clubes makers da Rede. Trata-se de uma oportunidade para dar visibilidade ao trabalho, promover a troca de experiência com pessoas de outros estados e, claro, ter um momento de imersão cultural.
O projeto do Paraná Faz Ciência Maker é parte do Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação – NAPI Paraná Faz Ciência, que conta com financiamento da Fundação Araucária. A iniciativa foi selecionada na Chamada Pública CNPq/MCTI/FNDCT Conecta e Capacita nº 13/2024 – Mais Ciência na Escola. O Encontro Nacional estava previsto e busca estabelecer diálogo com representantes governamentais, além de aprofundar o conhecimento sobre o papel de instituições como o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).