Aluna recém-formada do Colégio de Aplicação Pedagógica da UEM compartilha como o clube a influenciou para ingressar na Universidade

Clubistas do CAPciência, do Colégio de Aplicação Pedagógica da UEM, gravando conteúdo (Foto/Arquivo pessoal)
Os clubes de ciência da Rede Paraná Faz Ciência têm ganhado espaço na mídia pela forma autônoma com que alunos da rede pública desenvolvem projetos científicos, e com tão pouco tempo de projeto.
A iniciativa dos clubes tem como objetivo justamente implementar espaços de iniciação científica para aproximar os jovens da universidade pública e, passado mais de um ano do início do projeto, está mais claro identificar os impactos dessas atividades realizadas nos clubes sobre a formação intelectual e acadêmica dos alunos que acabam de concluir o Ensino Médio.
A recém-formada pelo Colégio de Aplicação Pedagógica (CAP) da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Ana Júlia Garcia Molinari, fez parte do clube CAPciência e conquistou a aprovação no vestibular do curso de Farmácia da UEM. A estudante compartilhou um pouco sobre como ter um clube na sua grade escolar favoreceu sua escolha por esse curso superior.

Ana Julia Garcia Molinari concede entrevista, na Biblioteca Central Maria Grazia Zolet (BCE), da Universidade Estadual de Maringá (UEM) (Foto/Arquivo pessoal)
“Eu conheci o clube CAPciência no terceiro ano do Ensino Médio, quando entrei no CAP UEM. Antes, eu estudava numa escola estadual da minha cidade, Itambé, e por conta do cursinho para vestibular, eu pedi transferência para o CAP. Nisso, conheci o clube pelo professor Antônio, que incentivava os alunos a participar, e também por influência das minhas colegas”, contou a ex-clubista.
O clube trabalha com várias linhas de pesquisa, o “recicla banner”, que foi premiado na FECCI 2025, é focado em reciclagem; há projeto de produção de bioplástico a partir do amido da batata; um sobre educação financeira e mais o projeto de cosmetologia natural, pelo qual ela se interessou. Na cosmetologia os alunos produzem cosméticos à base de produtos apícolas (proveniente das abelhas), como hidratantes corporais e labiais.

Um pouco do CAPciência: banners reciclados pelos clubistas, exemplar de creme corporal e reprodução do programa Balanço Geral, do qual a estudante Ana Júlia fez parte (Reprodução de tela e colagem/TvRecord e Arquivo pessoal)
“Eu já tinha certa afinidade com as ciências biológicas e da saúde, então farmácia era, sim, uma opção, mas a decisão se concretizou depois da experiência no clube, que me proporcionou mais proximidade com laboratórios e experimentos, uma expectativa que eu tinha mesmo sobre o curso de Farmácia da UEM”, completou a estudante.
Ela afirmou ainda que o ritmo de estudos e trabalhos do Capciência foi uma forma mais divertida e menos estressante de lidar com os deveres escolares, visto que essa forma de trabalho aproxima o mundo acadêmico à realidade do estudante, aliviando a ansiedade e o medo da nova etapa pós-Ensino Fundamental.
“As oportunidades extracurriculares proporcionadas pelo clube, como a participação na FECCI 2025 e outras viagens viabilizadas pelo projeto, foram extremamente edificantes para a formação de conhecimento, tanto para mim quanto para meus colegas”, complementou Ana Júlia. Eles tiveram a possibilidade de conhecer laboratórios, profissionais renomados da área e diversos professores.
A experiência bem sucedida de Ana Júlia, assim como de vários outros ex-clubistas, mostra como o incentivo à iniciação científica desde o Ensino Fundamental estimula a autonomia, o pensamento crítico e aproxima os jovens da universidade. Além de ser enriquecedor para o aluno de forma individual, é relevante diretamente para toda a sociedade porque ajuda a revelar novos talentos, democratizar acessos e formar futuros pesquisadores, capazes de contribuir diretamente para o benefício de toda a população.
Acompanhe mais atividades dos Clubes de Ciências pelo Instagram da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência @clubesparanafazciencia e pelo site Paraná Faz Ciência.
O museu, localizado no bairro Uvaranas, em Ponta Grossa, faz parte da Rede de Museus Paraná Faz Ciência

Durante o Dia Internacional dos Museus, nesta segunda-feira, 18 de maio, o Museu de Ciências Naturais da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) organizou a inauguração de uma sala de exposições dedicada aos geocientistas pioneiros do Paraná. Reinhard Maack, João José Bigarella, Frederico Waldemar Lange e Riad Salamuni são os homenageados pela atuação na geociência, área interessada no estudo das ciências naturais relacionadas ao planeta Terra.
“Nós estamos com uma exposição que eu considero única e muito importante para o Paraná conhecer a sua história. Esse legado que nós estamos apresentando agora para a sociedade é um testemunho muito rico e muito valioso do início da pesquisa científica sobre o nosso território”, revela o coordenador do Museu de Ciências Naturais, Antonio Liccardo.

A ala recém-inaugurada conta com um acervo de rochas que os pesquisadores coletaram, mobiliário da época e equipamentos, como balanças e altímetros e até um carro de 1958, dirigido por Reinhard Maack e João José Bigarella, responsáveis pela criação do mapa geológico do Paraná. A exposição também conta com peças que mostram o uso de minerais no cotidiano, como na fabricação de celulares.
O pesquisador, que trabalhou ao lado dos homenageados, Henrique Schmidlin, conta, durante a inauguração, que se sente encantado e sensibilizado. “Tive o prazer raro de conviver com esses grandes personagens. Esse museu tem um grande significado não só para a cultura do Paraná, mas do Brasil”, relata.
O MCN de Ponta Grossa é integrante da Rede de Museus, coordenada pelo Novo Arranjo de Pesquisa e Invocação – NAPI Paraná Faz Ciência, composta por 15 espaços em todo o estado.
Museu de Ciências Naturais da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG)
Aberto de segunda a sexta-feira
9h às 17h30
Endereço:
Av. General Carlos Cavalcanti, 4748Uvaranas – Ponta Grossa
Projeto investiga sobras do almoço para entender hábitos e propor mudanças no consumo da comunidade escolar

Em sua essência, um clube de ciências é formado por alunos protagonistas, curiosos e engajados. Na Rede de Clubes Maker, do NAPI-Paraná Faz Ciência, soma-se esse perfil com atividades que incentivam ideias e buscam solucionar questões de forma ativa. Foi assim que o clube San Rafa Makers percebeu o desperdício de alimentos na escola e passou a buscar formas de resolver o problema.
O projeto é do Colégio Estadual Jardim San Rafael, de Ibiporã. A equipe notou que havia um padrão: muitos deixavam comida no prato na hora do almoço. Para averiguar, os clubistas coletaram as sobras e traçaram um objetivo. “Registrar e quantificar o desperdício de alimentos durante o almoço em nosso colégio integral. Em seguida, propor ações para mitigar esse desperdício”, explica a professora coordenadora, Edinara Santos.

No último ano, os estudantes dividiram o que foi coletado em baldes, separando o resto de comida da casca de frutas. Montaram, também, um questionário sobre hábitos alimentares, para entender melhor o que estava sendo consumido pela comunidade escolar. Além disso, realizaram propostas de destino sustentável, visando a criação de uma composteira para adubo, produto que poderá ser utilizado na horta do colégio.
Os resultados foram apresentados na 1ª Mostra de Clubes de Ciências, em Guarapuava, e na 1ª Feira de Cultura Científica (FECCI), em Curitiba. O clube ainda foi escolhido para representar o Paraná no Encontro Nacional do Mais Ciência na Escola, em Brasília. “Foi muito gratificante e enriquecedor compartilhar o nosso trabalho e trocar experiências com outros clubes pelo país”, conta Edinara. “Fiquei particularmente impressionada com a grandiosidade do Mais Ciência na Escola.”

O clube San Rafa Makers é articulado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). De acordo com Edinara, o foco agora é aprofundar mais a metodologia STEAM (Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática). “Neste ano, trabalharemos em conjunto com o itinerário formativo de matemática (física, programação e robótica) no desenvolvimento de uma ‘bengala inteligente’ para deficientes visuais”, revela a docente.
Siga o perfil no Instagram do clube, o @sanrafamakers. E as atividades dos Clubes de Ciências, pelo Instagram da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência @clubesparanafazciencia e pelo site Paraná Faz Ciência.
Na segunda edição, a Feira amplia o número de vagas, as categorias especiais e reforça o incentivo a projetos de comunicação, cultura oceânica, empreendedorismo e meninas e mulheres na ciência

Mais uma etapa da FECCI 2026 começa nesta semana. A partir de terça-feira, 19 de maio, estudantes e professores dos clubes de ciência e de equipes de pesquisa do país todo poderão inscrever seus projetos para a segunda edição da Feira de Cultura Científica Paraná Faz Ciência. Neste ano, o evento traz mais vagas, novas categorias especiais e uma programação ainda mais voltada à troca de experiências, inovação e divulgação científica. No mesmo local da edição anterior, o campus Neoville da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), em Curitiba, entre os dias 4 a 6 de novembro.
O sistema de submissão de projetos ficará aberto de 19 de maio até 19 de junho. O processo de inscrição será todo online, via plataforma Even3, neste link. Um espaço será dedicado ao cadastro de professores e outro para os estudantes. As categorias continuam as mesmas da primeira edição: FECCI Kids, FECCI Junior e FECCI Jovem, incluindo toda a gama de estudantes do Ensino Básico: do Ensino Fundamental I e II, passando pelo Ensino Médio, Educação Profissional Técnica e a Educação de Jovens e Adultos (EJA).
As inscrições são gratuitas e cada projeto submetido à Feira poderá incluir até três estudantes e um professor orientador. Esta etapa inicial, de avaliação dos trabalhos para seleção, será também virtual. Os modelos específicos para descrição dos trabalhos serão cedidos pela organização e serão disponibilizados de acordo com cada categoria de inscrição. Estarão acessíveis na mesma plataforma de inscrição.
O caminho para a garantir a participação na FECCI é, primeiramente, fazer o download do modelo (ou template) de acordo com a categoria que se pretende participar. Após preenchê-lo corretamente com os dados solicitados, o arquivo deverá ser anexado novamente, devidamente preenchido, no ato da submissão online. Os formatos de arquivo aceitos são Word (.doc ou .docx) ou LibreOffice (.odt).
Serão então dois arquivos a serem enviados no ato de submissão do projeto: um com identificação dos autores, e o outro, sem a identificação. A organização ressalta que é de responsabilidade dos autores a correta inserção desses arquivos na plataforma de inscrição.
Para quem já leu o editar e tem dúvidas, pode ser que algumas delas sejam as mesmas respondidas na live do programa Quarta com Clubes, que vai ar em 27 de maio, no canal de You Tube do EducartGeo .Todas as informações e atualizações relativas à FECCI 2026 podem ser acompanhadas pelo site do evento fecci.net.br ou pelo perfil de Instagram @fecci_prfc.
Atividade aproxima estudantes de conceitos científicos por meio de demonstrações práticas e participação ativa

Os clubistas do Clube Verde em Ação, do Colégio Estadual Pacaembu, de Cascavel, participaram de uma atividade especial que uniu diversão e aprendizado: o “Show da Física”, conduzido pelo professor doutor Oscar Rodrigues dos Santos. Docente do curso de Física da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) campus Campo Mourão e integrante da equipe do Paraná Faz Ciência vinculado à UNIOESTE.
A ação proporcionou aos clubistas uma experiência interativa com experimentos científicos clássicos, despertando curiosidade e interesse pela área.
Durante a apresentação, os alunos puderam acompanhar demonstrações como a Bobina de Tesla, que ao aproximar a mão faz surgir pequenas descargas elétricas visíveis, parecidas com raios ou faíscas. É porque ocorre a passagem pelo ar de uma corrente elétrica. No gerador de Van de Graaff, uma correia interna que transporta cargas elétricas acumuladas até a esfera metálica no topo, faz a carga se acumular e pode gerar também faíscas quando se encosta a mão, ou pode até fazer os fios de cabelo arrepiarem.
Já no experimento “passarinho bebedor”, conceitos de Física e Termodinâmica são apresentados. O passarinho bebedor é formado por uma cabeça com bico de material poroso, um tubo de vidro com líquido volátil e uma parte arredondada na base, um bulbo inferior. Tudo isso fica preso a uma estrutura com suporte móvel, permitindo o movimento de inclinação contínua, em referência a um pássaro bebendo água repetidamente. E ainda demonstrações envolvendo centro de gravidade com garfos, mostrando como o equilíbrio depende da posição do centro de massa (ou centro de gravidade). Ao encaixar dois garfos um no outro, geralmente com um palito de dente entre eles, o conjunto consegue se equilibrar apoiado apenas na ponta de um copo, garrafa ou suporte. Esse sistema fica estável porque o centro de gravidade do conjunto fica abaixo do ponto de apoio. Isso impede que ele tombe facilmente.

Cada experimento foi explicado de forma acessível, relacionando os fenômenos observados com conceitos fundamentais da Física e a participação ativa dos estudantes foi destaque na atividade. Atentos e engajados, os clubistas interagiram com as demonstrações e acompanharam as explicações, evidenciando o potencial de ações práticas no processo de aprendizagem.
Para o estudante Nicolas, a experiência foi marcante. “Hoje tivemos uma atividade diferente com o professor Oscar, que trouxe experimentos de eletromagnetismo, centro de massa e vários outros para o nosso clube. Foi importante porque mostra a ciência de forma prática para a gente. É uma atividade que agrega muito ao nosso clube e vou levar para a vida”, contou.

Realizado em parceria com bolsistas da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), o evento reforça a proposta do clube de promover a educação científica de forma dinâmica e significativa.
Nove professores compõem o grupo que retoma as atividades a partir deste mês

A primeira a primeira reunião oficial dos novos integrantes do Comitê Científico do Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação – NAPI Paraná Faz Ciência ocorreu nesta sexta-feira, 15 de maio, de forma remota.
No encontro, a recomposição foi apresentada pelo novo coordenador, o professor Lucken Bueno Lucas. O docente da Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP) apresentou as propostas de ações para curto, médio e longo prazos.
Além disso, o grupo avançou na materialização de eixos estratégicos, deliberando sobre o Guia de Orientações para o Desenvolvimento de Pesquisas do NAPI. O material será publicado em breve.
A articuladora do NAPI e integrante da Comissão, a professora Débora Sant’ Ana, da Universidade Estadual de Maringá (UEM), disse que, por causa das inúmeras atividades do Arranjo Paraná Faz Ciência, era “necessário retomar as atividades do Comitê. Agradeço a esse grupo pela disponibilidade de dar apoio à organização dos processos de gerenciamento dos dados de pesquisa produzidos pelo NAPI”.
Fazem parte da nova composição do Comitê, além da articuladora Débora e do coordenador Lucken, os seguintes professores: Rodrigo Reis, também articulador do NAPI e docente da Universidade Federal do Paraná (UFPR); Mariana Bologna Andrade, da Universidade Estadual de Londrina (UEL); Fernanda Meglhioratti, da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste); Josiane Figueiredo, da Universidade Estadual do Paraná- Campus Paranaguá (Unespar); Priscila Caroza Frasson Costa, da Universidade Estadual do Norte do Paraná – UENP, campus Luiz Meneghel, Bandeirantes; Marquiana de Freitas Vilas Boas Gomes, daUniversidade Estadual do Centro Oeste (Unicentro); e Bettina Heerdt, também da Unicentro.
Afiliadas abrangem desde a educação infantil até o ensino médio e técnico

A comissão organizadora da Feira de Cultura Científica divulgou o Resultado do Edital de Afiliação à FECCI 2026. No total, 34 feiras e mostras científicas foram selecionadas de diferentes regiões do país, formando uma ampla rede de incentivo à pesquisa, inovação e protagonismo estudantil.
O mapeamento realizado pela organização identificou 44 feiras de ciência e tecnologia inscritas, distribuídas pelas cinco regiões do Brasil, evidenciando a diversidade e a capilaridade do ecossistema científico voltado à educação básica. As instituições aceitas como afiliadas representam universidades federais e estaduais, institutos federais, redes privadas de ensino, fundações públicas e secretarias estaduais de educação.
O maior número de vagas foi destinado a iniciativas paranaenses já consolidadas no cenário científico educacional, como a FICSesi – Feira de Iniciação Científica, do Sesi Paraná; o Vale da Ciência, da Universidade Federal do Paraná (UFPR); a MOBIPE, da Rede Positivo; a MIPE e a IFTECH, do Instituto Federal do Paraná (IFPR) Campo Largo; e a UnioCiências, promovida pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste). Cada uma dessas feiras contará com cinco vagas para indicação de projetos à FECCI 2026.
“O levantamento realizado pela comissão mostra que as feiras afiliadas abrangem desde a educação infantil até o ensino médio e técnico, envolvendo milhares de estudantes em atividades de iniciação científica, inovação tecnológica e empreendedorismo”, destaca a articuladora da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, que promove a FECCI, a professora Débora Sant’ Ana.
Segundo o relatório de análise das inscrições, a maioria das feiras possui regulamentos próprios e processos de avaliação estruturados, incluindo análise de banners, apresentações orais e premiações. O estudo também destaca a pluralidade das instituições promotoras, reunindo universidades, institutos federais, redes privadas e órgãos públicos estaduais em uma grande rede colaborativa de promoção da ciência.
A comissão organizadora informa que as próximas etapas do processo incluem a indicação de projetos até 15 de junho de 2026; e envio da documentação complementar até 30 de julho. A divulgação do resultado da seleção dos trabalhos está prevista para 15 de agosto e a confirmação dos finalistas até 30 de agosto.
“Mais do que uma etapa de seleção, a afiliação fortalece a construção de uma rede nacional comprometida com a popularização da ciência, aproximando estudantes, professores, pesquisadores e instituições em torno de uma mesma missão: transformar conhecimento em impacto social”, finaliza o também articulador da Rede, o professor Rodrigo Reis.
O dossiê reúne 19 trabalhos apresentados no evento, realizado em parceria com o NAPI Paraná Faz Ciência e o Museu Dinâmico Interdisciplinar da UEM

A revista Ensino & Pesquisa, periódico quadrimestral da Universidade Estadual do Paraná (UNESPAR), publicou uma edição temática dedicada ao papel dos centros e museus de ciências na consolidação e na interiorização da divulgação e popularização científica.
O dossiê, alinhado ao tema do V Encontro Nacional de Centros e Museus de Ciências, reúne 19 trabalhos apresentados no evento, realizado entre os dias 12 e 14 de agosto de 2025, em Maringá, Paraná.
Realizado pela Associação Brasileira de Centros e Museus de Ciência, o evento contou com a parceria do NAPI Paraná Faz Ciência e do Museu Dinâmico Interdisciplinar da Universidade Estadual de Maringá (UEM), além do apoio de diferentes instituições.

O periódico Ensino & Pesquisa é organizado pelo Centro de Ciências Humanas e Educação da UNESPAR, do campus União da Vitória. Tem como objetivo publicar artigos científicos voltados às licenciaturas e à formação docente em várias áreas de conhecimento.
O material contou com organização do NAPI Paraná Faz Ciência, por meio do pesquisador Jailson Rodrigo Pacheco e da articuladora Débora de Mello Gonçales Sant’Ana, com apoio da presidenta da ABCMC, Andrea Fernandes Costa.
“A ABCMC é a principal associação científica na área da divulgação das pesquisas que ocorrem em e sobre os museus de ciências. Os seus encontros bianuais são momentos de trocas fundamentais. Porém, a publicação dos anais dos eventos acaba ficando restrita à poucas pessoas”, explica Jailson.
“Como o evento organizado pelo NAPI Paraná Faz Ciência foi um marco na história da ABCMC, por ter sido o primeiro organizado em uma cidade do interior, o comitê científico achou fundamental que as melhores pesquisas fossem divulgadas em uma revista científica”, completa o pesquisador.
Jailson explica, ainda, que os artigos publicados passaram por uma tripla curadoria. Antes do evento, os trabalhos foram avaliados por dois pareceristas durante a inscrição. Posteriormente, ainda durante o evento, os mediadores indicaram os trabalhos com resultados mais consistentes para o dossiê, durante as mesas redondas.
Com esse material em mãos, esses textos foram cadastrados no sistema da revista Ensino & Pesquisa e a equipe da UNESPAR se encarregou de fazer a análise com outros pareceristas.

“Na forma de artigos científicos, os trabalhos têm um alcance maior, permitindo mais citações. Dessa forma, há um reconhecimento dos cientistas que publicam seus resultados e, ao mesmo tempo, os professores e pesquisadores podem conhecer quais são as pesquisas de ponta que são executadas em museus”, explica Jailson sobre a importância do material.
O pesquisador do NAPI ainda explica que esses periódicos têm um papel fundamental no campo da pesquisa no contexto das universidades, fortalecendo a área da divulgação científica no Brasil. Jailson aponta, ainda, o papel fundamental do NAPI e de espaços como o MUDI nesse cenário.
“O MUDI, e outros museus da Rede de Museus do NAPI Paraná Faz Ciência, têm 6 trabalhos aprovados neste dossiê. Além de mostrar o papel do Arranjo como indutor da pesquisa nas universidades do Paraná, é um reflexo do investimento da Fundação Araucária e é um indicador desse resultado para quando formos prestar contas à agência de fomento”, completa Pacheco.
“A publicação de textos referente aos museus de ciências fortalece a Rede de Museus Paraná Faz Ciência. Amplificar a visibilidade dos trabalhos apresentados no V Encontro Nacional da ABCMC é importante para fortalecer a associação e demonstrar a ciência produzida nos Museus de Ciências”, acrescenta Débora Sant’Ana, uma das organizadoras da publicação e articuladora do NAPI Paraná Faz Ciência.Todo o conteúdo da revista pode ser acessado na íntegra no site de periódicos da UNESPAR.
O clube pesquisa poluição sonora, poluição visual e botânica na própria escola

Cienteens é o nome do clube de ciências do Instituto Estadual de Maringá. O nome foi escolhido por meio da escuta dos estudantes. Após uma votação democrática, o nome ganhador foi selecionado. “Cienteens – uma junção de “ciência” e “teens”, remete às ciências e à produção do conhecimento científico”, como explicou o primeiro coordenador do clube, José Nunes dos Santos.
Criado em agosto de 2024, o clube começou sob coordenação de José Nunes dos Santos, porém por motivos pessoais se afastou do cargo e a professora Ivanir Santa Bárbara assumiu a coordenação, ficando o professor José como colaborador do clube.
O principal objetivo do clube é estudar ciência e aumentar o conhecimento científico dos estudantes. Os impactos, argumenta a professora coordenadora Ivair, serão positivos não só para os alunos. “É muito importante não só para o agora, mas para o futuro deles, para a vida deles, será ainda mais transformador para a comunidade e para o planeta também”, define.
Além de aprender a fazer ciência, os estudantes transformaram o próprio Instituto em objeto de pesquisa. A proposta é analisar como a escola está estruturada e se seus espaços favorecem a educação ambiental e os processos de aprendizagem. “A pergunta que refletimos é: será que o Instituto é apropriado para a educação ambiental e tem ambientes propícios para as aprendizagens?”, contou o professor.

O clube iniciou suas atividades em agosto de 2024, discutindo a teoria a respeito do que é ciência e o que não é. Em seguida, eles estudaram como produzir uma pesquisa, relatou o professor Nunes. Desde a construção do problema, das hipótese e o objetivo, para somente depois irem para o campo das metodologias e para as dinâmicas das práticas.
Cerca de 20 estudantes do 9º ano, do Ensino Médio e do curso Técnico em Administração e Marketing se reúnem às sextas-feiras, das 13h15 às 15h30, para desenvolver os projetos do clube de ciências.
No momento o clube está desenvolvendo pesquisas e no total três projetos estão em andamento, os quais se interligam entre si. “Unem cores, som e botânica”, conta Ivanir. O primeiro, voltado para a botânica, investigando as potencialidades das plantas existentes na própria escola, dialogando também com a física, a química e com a arte. O outro projeto se dedica a pesquisar como a poluição sonora dentro do colégio afeta o ambiente para os alunos e pode prejudicar a aprendizagem.
Por fim, o terceiro projeto se relaciona com as cores, refletindo sobre a poluição visual e suas consequências para o ambiente estudantil. Todas essas equipes, conforme os professores, têm a definição do seu objeto de pesquisa no próprio Instituto. Por isso, estão coletando dados e trabalhando nas fundamentações teóricas para as possíveis apresentações e participações nas feiras.
A professora Ivanir defende que para os estudantes de um clube como este, o que acontece é um abrir de portas. “Eu vejo a importância do trabalho não só para a vida acadêmica deles, mas para contribuir na sociedade. Eles fazem a diferença e disseminam isso para outros”, diz.
O professor Nunes acrescenta a relevância de um projeto como este. “Pela primeira vez como professor estou vendo um projeto desenvolvido pela Secretaria Estadual de Educação (SEED) que realmente possibilita a construção do conhecimento científico. O clube oportuniza ao professor o desenvolvimento do conhecimento escolar para uma produção do conhecimento científico”, finaliza.
Unindo teoria e prática, equipe investiga como ocorre a propagação do calor e transforma experimentos em receitas

Já imaginou assar um bolo de chocolate usando o sol? O que para muitos pode parecer muito difícil e até pouco realista, para os alunos do clube de ciências Forno Solar é apenas uma atividade comum. A equipe pertence ao Colégio Estadual Dr. Willie Davids, em Londrina, e investiga como o calor se propaga. Com esse conhecimento, os estudantes estão criando fornos solares em sala de aula.
O “forno solar” é um dispositivo sustentável que converte a luz do sol em calor, possibilitando o cozimento ou fritura. Uma solução eficaz para enfrentar problemas de acesso e custo de energia. No clube, articulado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), a turma já estudou sobre os métodos do forno de caixa e forno parabólico. O primeiro, por exemplo, usa a técnica do efeito estufa para assar de forma lenta. Já o segundo, concentra os raios solares em um ponto e atinge altas temperaturas rapidamente.

Segundo o professor Thiago Miashiro, coordenador do projeto, a temática é fundamental para reforçar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU). “No clube de ciências, o aluno necessita aplicar vários conceitos que eles aprenderam – de física, matemática e na parte de química – dentro dos projetos. Então, os conceitos de calor, temperatura, radiação, toda essa parte teórica, ele vai ter que aplicar na parte prática”, destaca.
Durante as experiências, a equipe já aproveitou para fazer várias receitas, incluindo assar bolos e marshmallows. O docente explica que a turma tem usado materiais de baixo custo e que estejam disponíveis localmente, como reciclados e restos de antenas parabólicas. A partir desses testes, os alunos avaliam o desempenho dos fornos em diferentes condições ambientais.
Agora, o objetivo é continuar testando com outros tipos de fornos solares, utilizando o apoio de novos equipamentos. “Com os materiais chegando, a gente consegue melhorar a eficácia do forno solar e, assim, a gente consegue assar em menor tempo com diferentes ingredientes e receitas”, conta Miashiro. “A ideia é a gente conseguir juntar até a parte de robótica e da energia das placas solares, para que tenha um forno automatizado.”
Mais do que avançar nas pesquisas do clube, a expectativa para esse ano é apresentar os resultados do projeto. O clube pretende repetir o feito do ano passado, quando teve um trabalho aprovado na 1ª Feira de Cultura Científica (FECCI) do NAPI – Paraná Faz Ciência, realizada em Curitiba. “Alguns alunos conseguiram permanecer desde o clube passado, então eles já estão perguntando se vai ter a feira de ciências, a FECCI, novamente”, revela o professor.
Acompanhe mais notícias sobre os Clubes de Ciências na página de Notícias do NAPI Paraná Faz Ciência ou pela rede social Instagram @clubesparanafazciencia .
Encontro de promotores de feiras mostrou que a formação de avaliadores é um dos desafios a serem enfrentados

No segundo e último dia do I Encontro de Promotores de Ciências do Paraná, realizado na noite de quinta-feira (7), reforçou duas questões que envolvem os professores, alunos de pós-graduação e gestores escolares envolvidos com a promoção de feiras e mostras de ciências: a participação nos clubes de ciências tem se mostrado relevante para melhorar o aprendizado dos alunos da Educação Básica, os chamados clubistas, e há a necessidade de priorizar a formação de avaliadores de trabalhos de pesquisa em eventos científicos.
Durante dois dias, com cada encontro de duas horas pelo Google Meet, houve palestras de especialistas, troca de experiências e roda de conversa sobre os desafios que precisam ser enfrentados e as perspectivas de trabalho a ser feito para consolidar a Rede de Feiras Paraná Faz Ciência.
Em sua apresentação, o professor Jonathan José de Oliveira Pereira, da Escola Estadual de Ensino Fundamental Professor Giampero Monacci, de Itambé, contou como os alunos se engajaram nos clubes de ciências a partir do eixos da Robótica, Sustentabilidade e Ação Social.
“A partir da ciência, é possível verificar os impactos na aprendizagem e, principalmente, no comportamento dos estudantes, que se tornaram protagonistas na proposição de problemas e na busca de soluções, além de desenvolver pensamento crítico, saber organizar dados e criar consciência social”, enfatiza Pereira.
Por outro lado, o professor diz que este movimento de transformação também se dá com os professores, que encontram nos clubes uma oportunidade para se renovar: “Jamais podemos cessar esse movimento nas escolas porque tem sido transformador para todo mundo”, acredita.

A pesquisadora e professora da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), Eduarda Rodrigues Grunevald de Oliveira, foi uma das organizadoras da Uniociências 2025, a feira de ciências realizada em modo articulado com a UNIOXP, a feira de profissões da própria Unioeste. Em sua apresentação, ela destacou a importância de se estabelecer critérios para a avaliação em feiras de ciências.
“Uma feira de ciências é um espaço formativo e a avaliação dos trabalhos também tem que ser formativa, e não só classificatória, focando no desenvolvimento e aprendizagem do estudante e promove reflexão crítica e tem um papel pedagógico”, explica Eduarda.
Neste contexto, é preciso capacitar os avaliadores para observar aspectos como conhecimento científico, domínio teórico-metodológico do tema e a compreensão do conceito pelos alunos, além de inovação e criatividade. “O grande desafio é nivelar o ‘rigor científico’, garantir que o avaliador tenha a compreensão que se trata de uma pesquisa da Educação Básica”, acredita a pesquisadora.

Em relação ao uso da Inteligência Artificial no processo avaliativo, seja em trabalhos escolares e artigos científicos, Eduarda fez uma ponderação: “é um desafio avaliar, mas é possível verificar no momento da avaliação alguns padrões, após a leitura do trabalho. Nosso olhar tem que ser treinado para identificar, por exemplo, se a pessoa escreveu o texto e usou IA para aprimorar a escrita, mas foi ela quem desenvolveu a pesquisa; ou se não consegue apresentar a pesquisa que está no texto”.
O I Encontro foi promovido pelo Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação Paraná Faz Ciência – NAPI PRFC e contou com dezenas de participantes com o objetivo fortalecer a cultura científica e a formação continuada de professores, gestores escolares e pesquisadores da Educação Básica.
Apresentação reuniu estudantes, professores e conselheiros em torno das práticas desenvolvidas nos clubes de ciência

O Clube de Ciência e o Clube de Ciência Maker do Colégio Estadual do Paraná (CEP) participaram de uma reunião ordinária do Conselho Estadual de Educação do Paraná, realizada no dia 20 de março. Na ocasião, estudantes, professores e equipe gestora foram recebidos pelos conselheiros para apresentar as atividades dos clubes e compartilhar experiências construídas no ambiente escolar.
Os clubistas assumiram papel central ao apresentar projetos que articulam investigação científica, tecnologia e resolução de problemas. Entre as iniciativas destacadas estão o desenvolvimento de soluções sustentáveis, como um tijolo produzido a partir da casca de pinhão e propostas voltadas à acessibilidade, como um protótipo robótico para auxiliar na tradução em Libras.

O professor Tony Marcio Groch destacou o caráter investigativo e aplicado das atividades. Segundo ele, os projetos estão articulados a desafios reais e a competições científicas. “Os clubes trabalham com investigação científica dentro de competições como o Torneio Brasil de Robótica e a First Lego League, em que os estudantes desenvolvem soluções a partir de temas propostos, envolvendo tecnologia e resolução de problemas”, conta.

A participação no Conselho apresentou os resultados dos projetos ao mesmo tempo em que expôs as práticas que sustentam essas iniciativas nos clubes. Os participantes destacaram que essas experiências contribuem para a formação acadêmica e pessoal, ampliando habilidades como trabalho em equipe, pensamento crítico e comunicação.
Para a professora e integrante do NAPI Paraná Faz Ciência Edinalva Oliveira, o momento também representa reconhecimento e pertencimento dentro de uma rede mais ampla de incentivo à ciência. “Foi uma grata satisfação participar desse momento no Conselho. Os estudantes foram protagonistas e, para nós do NAPI Paraná Faz Ciência, isso nos orgulha, pois mostra o quanto os clubes têm feito diferença no cenário paranaense.”

Os conselheiros ressaltaram a qualidade das apresentações e a desenvoltura dos estudantes, reconhecendo o papel do Colégio Estadual do Paraná na promoção de uma educação pública comprometida com a formação integral. Destacaram ainda a importância do trabalho dos professores e da gestão escolar, que possibilitam a realização de projetos e a participação em atividades de alcance municipal, estadual e até internacional.
“Os clubes de ciência aproximam os alunos da ciência e despertam o interesse e o envolvimento. É possível perceber o entusiasmo dos estudantes e o papel fundamental dos professores e coordenadores para manter essas iniciativas vivas nas escolas”, destacou a conselheira Fátima Padoan, gerente de pesquisa da Fundação Araucária, durante a comemoração dos 180 anos do Colégio Estadual do Paraná, realizada no Teatro Guaíra.