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II WORKDHOP DO NAPI PARANÁ FAZ CIÊNCIA

Ex-integrante do Clube Inovar transforma bioplástico escolar em projeto de empreendedorismo na universidade

Três jovens estão em pé lado a lado, sorrindo para a câmera, em frente a uma parede com quadro verde (parece uma sala de aula). À esquerda, há uma garota de pele escura, cabelo longo e liso, usando uma camiseta branca de uniforme com um símbolo no braço e calça azul. Ela segura uma das pontas de um grande pedaço de plástico transparente. No centro, há um rapaz de pele clara, cabelo curto e escuro, vestindo uma camiseta branca com mangas escuras. Ele também segura o plástico, ajudando a esticá-lo. À direita, há outra garota de pele clara, com cabelo longo e liso e usando óculos. Ela também veste uma camiseta branca de uniforme e segura a outra ponta do plástico. Os três estão segurando juntos esse grande pedaço de plástico transparente, esticado na frente deles, como se estivessem apresentando um trabalho ou experimento. O ambiente é simples, típico de escola, com parede verde e parte inferior azul.
Bioplástico feito de amido de milho pelos alunos, Laritiely está à direita (Foto/Arquivo pessoal)

Quando pensamos em ciência, logo nos vêm à mente grandes cientistas e descobertas famosas. No entanto, raramente paramos para notar que as maiores inovações costumam nascer de pequenos problemas do dia a dia. Para Laritiely Ribeiro da Silva (18 anos), tudo começou com um desafio solidário: criar capas de chuva para distribuir aos colegas de escola que, por falta de transporte municipal, enfrentavam dificuldades para chegar às aulas em dias de chuva. 

Na época, Laritiely já integrava o Clube de Ciências Inovar, do Colégio Estadual Barbosa Ferraz, em Andirá, vinculado à Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP). Para a jovem, o clube era muito mais do que uma atividade extracurricular; era um espaço para aprender a enxergar o mundo sob uma nova ótica.

A solução no amido de milho 

Decidida a encontrar uma alternativa barata e sustentável para o problema que os estudantes enfrentavam nos dias de chuva, Laritiely desenvolveu um bioplástico feito de amido de milho. “Percebemos que isso era um material descartado em grande quantidade por uma cooperativa aqui da cidade, então pensamos em como dar uma destinação melhor para esse resíduo”, conta a aluna. De refugo da indústria, o amido ganhou um novo significado nas mãos da jovem cientista.

O caminho até o produto pronto, porém, não foi encontrado rapidamente. Laritiely relata que foram necessárias 86 tentativas e testes até chegar ao produto ideal. Com o material em mãos e o apoio fundamental de sua orientadora, Karoline Azevedo, Laritiely percebeu que aquela descoberta era grande demais para ficar restrita às capas de chuva. A tecnologia do bioplástico evoluiu, então, para algo com impacto ainda maior: o projeto BioProtect. São sacolas biodegradáveis que contêm sementes em sua composição. Assim, ao invés de poluir, o descarte da embalagem torna-se o início de uma nova árvore.

Reconhecimento

A dedicação rendeu frutos grandiosos. O BioProtect conquistou o segundo lugar na FECCI, a Feira de Cultura Científica do Paraná Faz Ciência, em Curitiba, competindo com os melhores projetos de iniciação científica do Paraná. O reconhecimento foi o combustível que faltava: Laritiely decidiu seguir carreira na área e foi aprovada em Ciências Biológicas no vestibular da própria UENP.

O que começou como um projeto escolar acabou subindo para um novo degrau. No dia 27 de março de 2026 Laritiely foi aprovada na Pré-Incubadora da UENP, que é um ambiente de apoio para transformar ideias inovadoras em negócio viáveis, como startups e outros projetos com potencial empreendedor. Agora, o que nasceu no Clube de Ciências se transforma em um modelo de negócio promissor.

Laritiely passou em ciências biológicas na UENP (Foto/Arquivo pessoal)

O legado de gratidão 

Para os que estão começando agora nos clubes de ciências, Laritiely deixa um testemunho.  “Muitos vão te chamar de louco por sonhar alto demais, e vai haver dias em que o choro é inevitável. Eu vivi isso: testes que falharam e a vontade de parar. Mas o diferencial foi olhar para o lado e ver que o Clube acreditava no meu potencial. Quando venci, entendi que o choro faz parte da limpeza da alma de quem persiste. Não desista dos seus sonhos por ninguém. Vá lá, prove sua força e deixe o clube transformar sua vida também. Se eu consegui, você também consegue!”.

Para além da técnica aprendida, o que fica dessa jornada é também o apoio recebido. Laritiely faz questão de dedicar suas conquistas à sua orientadora, Karoline Azevedo. “Eu não teria chegado onde cheguei sem uma peça fundamental nesse caminho, a minha orientadora, a Karol. Se hoje eu curso Ciências Biológicas, é por causa dela. A Karol sempre foi minha maior inspiração. A forma como ela conduz o clube e nos incentiva me deu a certeza do que eu queria fazer da vida. Eu falo de coração: espero ser, no futuro, pelo menos metade da profissional e da pessoa que ela é”, finaliza a ex-clubista.Acompanhe mais sobre os Clubes de Ciências, pelo Instagram da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência @clubesparanafazciencia e pelo site Paraná Faz Ciência.

O podcast do Clube Cabeceira do Rio Iapó é transmitido toda terça para os estudantes da escola

Na foto, nove clubistas do Cabeceira do Rio Iapó estão reunidos conversando, sentados, ao redor de uma mesa. O espaço em que se encontram é o laboratório da escola, nele, uma ampla janela fechada por uma cortina com persianas, uma estante com materiais expositivos, uma pia, um painel e paredes claras. Os estudantes estão com uniformes da escola e parecem focar sua atenção na pauta da conversa.
Os clubistas do Cabeceira do Rio Iapó se reúnem toda semana em seu laboratório para discutir o próximo episódio do podcast (Foto/Talula)

Desde o início de março, o Colégio Estadual Antônio e Marcos Cavanis, em Castro, passou a contar com uma nova iniciativa que vem movimentando a rotina escolar: um podcast criado pelos clubistas do Cabeceira do Rio Iapó. Transmitido todas as terças-feiras, a programação é voltada exclusivamente à comunidade interna, envolvendo estudantes, professores e demais funcionários.

O clube tem como tema a divulgação científica de questões relacionadas ao Rio Iapó. Ao longo do último ano, os estudantes desenvolveram uma peça de teatro voltada a aspectos do solo e à proteção ambiental da região, além de realizarem análises de características físico-químicas do rio que atravessa a cidade. Com o início deste ano, marcado pela saída de alguns integrantes e a entrada de novos clubistas, o grupo passou a direcionar suas atividades para a divulgação científica, por meio do podcast.

Os clubistas do Cabeceira do Rio Iapó em seu primeiro encontro com a equipe da Rede de Clubes da UEPG em 2026; o foco do clube será um podcast para divulgação de suas pesquisas sobre o rio (Foto/Talula)

Os próprios clubistas são responsáveis por todas as etapas da produção do podcast: escrevem os roteiros dos episódios, escolhem os temas que serão apresentados, selecionam as músicas e realizam as gravações, semana após semana. Para dar conta de tudo isso, eles se organizam em pequenos núcleos de trabalho, em que cada grupo assume uma função específica dentro do processo.

A iniciativa não mobilizou apenas os integrantes do clube, mas também passou a repercutir entre os ouvintes. De acordo com os próprios clubistas, muitos estudantes têm comentado sobre a programação e apontam o intervalo das terças-feiras como o mais animado — e esperado — da semana.

O clube também pretende realizar uma visita à Associação de Catadores de Material Reciclável de Castro, com o objetivo de compreender melhor os processos de reciclagem. A questão do lixo é apontada como um dos problemas que afetam o Rio Iapó e, diante disso, a professora Inêz Brandão, junto aos estudantes, planeja iniciar, por meio do podcast, uma campanha de conscientização e coleta de resíduos.

Durante visita da equipe, os clubistas demonstraram empolgação com o podcast e contaram como estão se organizando para produzi-lo (Foto/Talula)

Siga o perfil no Instagram do clube, o @clubedeciencias_cavanis para saber mais sobre suas atividades. E sobre os Clubes de Ciências, pelo Instagram da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência Clubes Paraná Faz Ciência e pelo site Paraná Faz Ciência.

O documento traz diretrizes para publicações, cuidados éticos e legais e canais permanentes de apoio aos pesquisadores

Reunião do Comitê Científico do NAPI PRFC (Captura de tela/NAPI PRFC)

A segunda reunião oficial do Comitê Científico do NAPI Paraná Faz Ciência ocorreu na sexta-feira, 29 de maio, remotamente, e contou com a presença de 39 integrantes do Arranjo, dentre eles articuladores que compõem o Comitê, docentes e pesquisadores. 

O encontro foi realizado para apresentação do ‘Guia de orientação para o desenvolvimento de pesquisas’, produzido pelo Comitê. O documento foi detalhado ao grupo pelo coordenador Lucken Bueno Lucas, docente da Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP).

O material reúne orientações sobre registro e publicação de projetos de pesquisa, diretrizes sobre os cuidados éticos e legais na produção dos materiais, como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e o uso de Inteligência Artificial (IA), e procedimentos para ampliar a visibilidade das pesquisas do Arranjo.

Além do Guia, a reunião contou ainda com a apresentação de um canal permanente de acompanhamento e suporte aos pesquisadores. A proposta é oferecer orientação sobre questões relacionadas às pesquisas e fortalecer a articulação entre os participantes da rede. 

“Nós entendemos que seria importante elaborar e compartilhar esse material com vocês […] nós queremos estabelecer alguns padrões e apresentar orientações para que nossas pesquisas tenham mais visibilidade, e também para que nós tenhamos um maior ciência sobre os cuidados éticos e legais que nós precisamos seguir”, explicou o coordenador Lucken. 

Durante o encontro, o articulador ainda reforçou a importância do registro das produções acadêmicas vinculadas ao NAPI, uma vez que as informações servirão de base para um levantamento sistemático da produção científica realizada pelo Arranjo.

A iniciativa do Comitê tem como objetivo, também, consolidar o NAPI Paraná Faz Ciência como uma rede de produção de conhecimento e pesquisa articulada entre as instituições que integram o NAPI. 

Débora de Mello Gonçales Sant’Ana, articuladora do NAPI e integrante do Comitê, agradeceu “a participação de todo mundo, especialmente, o professor Lucken, que está à frente dessa nova etapa do Comitê científico, pelo trabalho e pela qualidade do que ele está nos entregando hoje. Eu acho que, para nós, isso é muito importante e, claro, para além do Comitê Científico.”

Rodrigo Arantes Reis, articulador do NAPI e integrante do Comitê, concluiu: “eu acho que a gente tem um perfil de atuação e de intervenção muito direta, na área de divulgação e educação científica. Mas é importante a gente mostrar e reforçar essa organização do Comitê Científico, mostrar que nós somos um projeto de pesquisa também, que tem muita produção de conhecimento sendo desenvolvida dentro do Paraná Faz Ciência”.

Inspirados em Nise da Silveira, alunos de Curitiba articulam criatividade e ciência para falar de saúde mental e cidadania

Roda de conversa sobre arte e ciência, no clube Arte, Cultura e Saúde Mental (Foto/Giovane de Lima)

Em Curitiba, um grupo de estudantes está provando que o laboratório de um cientista pode ser, também, um ateliê de arte ou um palco de teatro. O Clube de Ciências Arte, Cultura e Saúde Mental, do Colégio Estadual Rodolpho Zaninelli, sob a coordenação da professora Fabiane Helene Valmore, tem se destacado por investigar a saúde mental pelas lentes das Ciências Sociais e Humanas.

O projeto nasceu da necessidade de fortalecer a iniciação científica e a formação cidadã, olhando para as demandas reais da comunidade escolar. Mais do que estudar teorias, os alunos buscam compreender como a arte e a cultura podem ressignificar o sofrimento psíquico, valorizando as experiências subjetivas de cada integrante.

O legado de Nise da Silveira e a potência criativa

Uma das bases de trabalho do clube é o estudo sobre tratamento humanizado em questões de saúde mental, inspirado no legado da médica Nise da Silveira. Seguindo os passos da psiquiatra que revolucionou a saúde mental no Brasil – usando a arte como instrumento –, os clubistas usam desenhos, pinturas e artes cênicas como ferramentas de investigação e de solução para problemas locais.

Para aprofundar essa jornada, o clube recebeu, em março, a visita da professora Claudia Gruber. Em uma roda de conversa sobre pesquisa e processo criativo, ela apresentou os temas das agendas físicas da APP-Sindicato, utilizadas como instrumento de registro e reflexão. Elaboradas a partir de investigações no campo das ciências humanas, esses exemplares resultam de um processo de construção que articula literatura, arte e história. Para os clubistas, um exemplo de diálogo interdisciplinar que pode se materializar em produções autorais ou educativas, por exemplo.

Diálogos interdisciplinares

Foram apresentadas aos alunos quatro exemplares, cada um com uma personalidade e sua obra retratada, entre os anos 2023 e 2026. Em 2023, o exemplar foi sobre Carolina Maria de Jesus (1914-1977), escritora que trouxe a voz da periferia para o debate público e é reconhecida como uma das vozes mais contundentes da literatura brasileira. Em 2024, a publicação foi sobre o legado de Dona Ivone Lara (2024), que além de sambista pioneira na escola Império Serrano, foi também enfermeira e assistente social, trabalhando com saúde mental ao lado de Nise da Silveira, no bairro de o Engenho de Dentro, no Rio de Janeiro, local do antigo hospital psiquiátrico onde atuou a médica.

Já em 2025, a agenda institucional apresentou o filme Bicho de Sete Cabeças (2001), estrelado por Rodrigo Santoro e é considerado um marco da crítica ao sistema manicomial brasileiro. Foi inspirado no relato autobiográfico do escritor curitibano Austregésilo Carrano Bueno (1957- 2008). O filme retrata o tratamento brutal dado a um jovem internado à força por uso de drogas e os maus tratos sofridos enquanto paciente. E em 2026, a agenda atual apresenta o teatro e identidade brasileira a partir da obra O Auto da Compadecida (1955), do escritor e poeta paraibano Ariano Suassuna (1927–2014). A obra une comédia, crítica social, elementos da religiosidade e é ambientada no sertão nordestino.

A análise das agendas e seus temas permitiu aos alunos navegarem por temas da realidade brasileira e os conectarem à pesquisa do próprio grupo: arte, cultura e saúde mental, além das práticas ligadas à médica Nise da Silveira.

Ciência além do jaleco

O encontro teve a participação de Neusa Nogas Tocha, representante da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), que acompanha o clube desde sua fundação em 2024. Segundo Neusa, essas trocas são fundamentais para enriquecer o repertório dos alunos e elevar a qualidade das produções científicas e artísticas do grupo.

Para a coordenadora do clube, Fabiane Valmore, o projeto do clube busca romper com o estereótipo do cientista isolado. “A ciência não está apenas nos laboratórios, no uso de jalecos brancos, mas também nas ciências sociais e humanas. Quando trazemos os conteúdos das agendas para o clube em diálogo com a história e a realidade brasileira, oferecemos aos clubistas o entendimento de que o trabalho de pesquisa, os recortes socioculturais e políticos são imprescindíveis no processo de pesquisa. Como também para o entendimento crítico do mundo, envolvendo arte e cultura como expressões e potência de vida”, defende.

Acompanhe o perfil no Instagram do clube, o @clubedecienciasnise_cerz para saber mais sobre suas atividades. E sobre os Clubes de Ciências, pelo Instagram da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência @clubesparanafazciencia e pelo site Paraná Faz Ciência

Projetos curitibanos articulam ciência, tecnologia e experiências do cotidiano escolar

Grupo de pessoas posando para foto em um espaço interno de evento. Ao fundo, há um painel branco com a palavra “CONTATO”, logotipo, endereço de site e um perfil de rede social. As pessoas estão organizadas em duas fileiras: uma em pé e outra agachada à frente. A maioria utiliza camisetas pretas com estampas coloridas relacionadas a ciência e crachás de identificação pendurados no pescoço. Algumas usam fones de ouvido. Há também pessoas com roupas casuais, como jaquetas e camisetas claras. Todas estão voltadas para a câmera, com expressões sorridentes ou neutras. O ambiente é bem iluminado, com estrutura de evento visível nas laterais.
Clube ‘Incríveis Pesquisadores Maker’ e articuladores do NAPI reunidos no evento (Foto / Marilaine Martins)

Projetos que surgem de questões do cotidiano escolar e do território dos estudantes da rede municipal de ensino de Curitiba ganharam espaço na Semana Araucária de Ciência, Tecnologia e Inovação. Desenvolvidas em clubes de ciência da Rede Paraná Faz Ciência, as pesquisas apresentadas articulam investigação, tecnologia e vivências dentro e fora da escola.

A participação, no entanto, ainda é pontual: entre os 290 clubes que integram a Rede Paraná Faz Ciência, apenas dois estão vinculados à rede municipal de ensino, em Curitiba. A inserção ocorre por meio dos clubes ‘Cross Tech Science Portinari’ e ‘Incríveis Pesquisadores Maker’.

Três pessoas estão em um espaço interno de evento, próximas a um telão de apresentação. Duas estão à frente, utilizando crachás e fones de ouvido, e seguram microfone e papel, como em uma fala ao público. Uma terceira pessoa permanece logo atrás, também com crachá e fones. No telão, aparece um slide com informações do projeto, incluindo o nome do coordenador, lista de participantes e a indicação de que são estudantes do Ensino Fundamental. No canto inferior, há a identidade visual do Paraná Faz Ciência. O ambiente é amplo, com iluminação clara e estrutura de evento ao fundo.
Integrantes do clube ‘Cross Tech Science Portinari’ apresenta pesquisa durante a Semana Araucária, no Centro de Eventos do Sistema FIEP (Foto / Marilaine Martins)

No clube ‘Cross Tech Science Portinari’, da Escola Municipal CAIC Cândido Portinari, localizada na região da Cidade Industrial (CIC), os projetos desenvolvidos envolvem educação ambiental articulada ao uso de tecnologias. Com dez estudantes, o grupo passou recentemente por uma renovação, e a participação na Semana Araucária marcou o primeiro contato com um evento em que foi possível apresentar o trabalho desenvolvido pelo clube. Para o professor coordenador, Roni Zanatta, o momento também representa a possibilidade de ampliar o contato dos estudantes com outras iniciativas.

Para o professor, a participação evidencia a capacidade de produção científica em diferentes contextos educacionais. “A gente tem, mesmo nas regiões mais periféricas da cidade, condições de produzir ciência de alto nível, inclusive em uma escola de ensino fundamental”, afirma.

Além de apresentar os projetos, o evento marca o primeiro contato dos estudantes com um espaço de divulgação científica. “É a primeira vez que eles participam de um espaço como esse. Eles passam a conhecer não só a produção, mas também a divulgação dos dados”, explica Roni.

A imagem mostra três adolescentes em um palco durante um evento científico. Elas estão posicionadas lado a lado, voltadas para o público, próximas a um telão de apresentação. Todas utilizam fones de ouvido e crachás de identificação pendurados no pescoço. Duas delas seguram microfones, indicando que estão apresentando ou se preparando para falar. As três vestem roupas escuras, sendo que duas usam camisetas com a identidade visual do grupo “Os Incríveis Pesquisadores Maker”. A postura delas é atenta e concentrada, sugerindo um momento de apresentação formal do projeto.
Além da estrutura do clube, integrantes dos “Incríveis Pesquisadores Maker” explicaram o que motivou a principal pesquisa em andamento no clube (Foto / Marilaine Martins)

Já no clube ‘Incríveis Pesquisadores Maker’, da Escola Municipal CAIC Doutor Guilherme Braga Sobrinho, localizada na região do Sítio Cercado, a participação no evento também é compreendida como um momento de reconhecimento do trabalho desenvolvido na escola. A professora e coordenadora do clube, Doralice Lima, destaca o envolvimento dos estudantes na definição dos temas investigados.

“Os estudantes pesquisam temas que eles mesmos consideram importantes e, ao apresentar aqui, mostram o quanto são capazes e que podem ser protagonistas das próprias trajetórias”, afirma. Segundo a professora, a experiência reforça a relevância das práticas investigativas no contexto escolar. “É uma confirmação de que esse trabalho pode ser feito e que ele é imprescindível nas escolas”, completa.

A participação dos clubes da rede municipal em eventos como a Semana Araucária também se relaciona com a forma como a experiência do Clube de Ciência da Rede Paraná Faz Ciência vem sendo desenvolvida no contexto escolar.

Para Santina Bordini, professora que acompanha os clubes na Rede Municipal de Curitiba, a participação ativa dos estudantes amplia seu papel no processo de aprendizagem. “Eles deixam de ocupar apenas o lugar de quem recebe informações e passam a investigar, criar, testar, errar, revisar e apresentar soluções”, afirma. Nos clubes, esse processo inclui o erro como parte da construção do conhecimento. “Nem sempre a primeira ideia funciona, e isso é muito bom e contribui para sua formação como pessoa”, defende.

A professora ressalta que os projetos desenvolvidos tendem a partir de questões do cotidiano e das realidades dos estudantes. “Muitas vezes, as propostas nascem da escola, da comunidade, do território onde esses alunos vivem. Isso aproxima ciência e realidade e torna a aprendizagem mais significativa”.

Nesse contexto, a participação em eventos como a Semana Araucária amplia o alcance dessas produções e reforça seu reconhecimento social. “Quando os estudantes apresentam seus projetos em um evento dessa natureza, eles percebem que aquilo que produziram na escola tem valor social, merece ser visto, discutido e reconhecido”. A inserção em espaços como a Semana Araucária e a Feira de Ciência e Inovação (FECCI) também contribui para que esses trabalhos circulem em diferentes contextos de produção e socialização do conhecimento.

Ainda que em número reduzido dentro da rede, a presença dos clubes dentro de Escolas Municipais evidencia possibilidades de fortalecimento das práticas investigativas na educação básica e indica caminhos para a ampliação de experiências desse tipo no contexto escolar.Siga o perfil da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, no Instagram, @clubesparanafazciencia para saber o que acontece nos clubes da rede. E no site Paraná Faz Ciência estão mais matérias e registros das ações do NAPI Paraná Faz Ciência.

Professores e pesquisadores são autores de quatro artigos, na publicação da pós-graduação da UFPR

Sujeitos, Saberes e Práticas: contribuições do PPGECM/UFPR para a Educação em Ciências e em Matemática’. Este é o título da obra que reúne 32 estudos sobre o uso das tecnologias digitais na educação em Ciências, discutindo seus impactos na formação docente e nas práticas pedagógicas. Quatro dos capítulos cotam com a colaboração de integrantes do Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação – NAPI Paraná Faz Ciência, incluindo um dos articuladores, o professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Rodrigo Arantes Reis.

O Programa de Pós-Graduação em Educação e em Ciências e Matemática (PPGECM) foi criado pelo Conselho Universitário da UFPR e aprovado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), em 2009. Atualmente, conta com 36 docentes cadastrados, pelo menos 17 grupos de pesquisa e 15 projetos de extensão ativos. Além disso, formou pelo menos 40 doutores e aproximadamente 300 mestres, até o ano de 2025.

A missão é formar professores e pesquisadores qualificados para promover avanços na área de Educação em Ciências e Educação em Matemática, impactando a comunidade, por meio da pesquisa e da extensão, em esfera local, regional e nacional. Mediante a uma abordagem interdisciplinar, o programa se compromete em preparar professores e pesquisadores para uma educação mais inclusiva, reflexiva e socialmente comprometida.

Parte do conhecimento produzido pelo Programa está representada no e-book, lançado pela Editora Schreiben. São 32 capítulos, divididos em três Eixos Temáticos que correspondem às Linhas de Pesquisa do PPGECM: (1) Formação e Desenvolvimento Docente em Ciências e Matemática; (2) Ensino e Aprendizagem em Ciências e em Matemática; e (3) Transversalidade na Educação em Ciências e em Matemática.

Os capítulos que levam a assinatura de integrantes do NAPI Paraná Faz Ciência estão no espaço do Eixo 3:

CIÊNCIA CIDADÃ E NEUROCIÊNCIAS: UM DIÁLOGO NECESSÁRIO SOBRE EDUCAÇÃO EM SAÚDE NO ENSINO DE CIÊNCIAS é assinado pela doutoranda Fernanda Cleto dos Santos e pelos professores da UFPR, Emerson Joucoski e Rodrigo Arantes Reis

REDE DE CLUBES PARANÁ FAZ CIÊNCIA EM CURITIBA E REGIÃO METROPOLITANA: UM OLHAR SOBRE INDICADORES DE EFICÁCIA NETWORK OF CLUBS PARANÁ FAZ CIÊNCIA tem autoria da doutoranda Bruna Heloiza Kacharowski Pereira Castanho, de Emerson Joucoski e a pós-doutoranda Giselle Christina Corrêa.

A FORMAÇÃO DA AGENDA DA REDE DE CLUBES PARANÁ FAZ CIÊNCIA: UMA ANÁLISE SOB A PERSPECTIVA DA TEORIA DOS FLUXOS MÚLTIPLOS conta também com Emerson Joucoski, Giselle Christina Correa, mas agora com a parceria da doutoranda Karoline Bonardo Farias.

TRANSVERSALIDADE NA EDUCAÇÃO EM CIÊNCIAS E EM MATEMÁTICA A CIÊNCIA CIDADÃ EM CLUBES DE CIÊNCIAS: CONTRIBUIÇÕES PARA A APRENDIZAGEM SOBRE BIODIVERSIDADE, produzido pela doutoranda Joana Letícia Alves, Rodrigo Arantes Reis e Giselle Christina Corrêa.

Pesquisa

O professor Reis disse que a produção “é um trabalho importante que traz os resultados das pesquisas dos estudantes de pós-graduação do PPGECM. Aqui, com especial destaque para pesquisas diretamente relacionadas ao trabalho do NAPI Paraná Faz Ciência”.

Cientistas do futuro: o Clube de Ciências Máximo, do Colégio Estadual Máximo Atílio Asinelli, de Curitiba, tem uma pesquisa dedicada à horta escolar e foi premiado na Feira de Cultura Científica – FECCI 2025, evento organizado pelo NAPI Paraná Faz Ciência

Segundo o professor Joucoski, os textos publicados por ele são registros muito importantes do ponto de vista da extensão universitária e de reconhecimento das ações do governo na divulgação da ciência. “Os Clubes de Ciência, por exemplo, são uma nova fonte de pesquisa para o Programa PGECM e os estudos são importantes para percebermos como eles influenciam a formação dos pesquisadores paranaenses do futuro”, destaca.

A pós-doutoranda Giselle Corrêa explicou que as parcerias que geraram os artigos são fruto de um grupo de pesquisa, que tem se destacado por desenvolver investigações sobretudo da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, no Programa de Pós-Graduação de Educação em Ciências e em Matemática. “As doutorandas Karoline e Joana acabaram de defender o mestrado, e Bruna está no doutorado, todas sob minha coorientação. Esperamos que esses frutos colaborem e sejam precursores de novas pesquisas sobre as ações do NAPI Paraná Faz Ciência”.

Aluna recém-formada do Colégio de Aplicação Pedagógica da UEM compartilha como o clube a influenciou para ingressar na Universidade

A imagem mostra três jovens em uma sala de aula. Eles estão sendo filmados pela câmera de um celular, cuja tela aparece em destaque. No centro, um rapaz usa óculos e gesticula com as mãos enquanto fala. Ao lado dele, duas moças sorrindo parecem conversar com ele. Todos vestem uniforme do colégio. O fundo tem paredes claras com detalhes em verde e uma janela.

Clubistas do CAPciência, do Colégio de Aplicação Pedagógica da UEM, gravando conteúdo (Foto/Arquivo pessoal)

Os clubes de ciência da Rede Paraná Faz Ciência têm ganhado espaço na mídia pela forma autônoma com que alunos da rede pública desenvolvem projetos científicos, e com tão pouco tempo de projeto.

A iniciativa dos clubes tem como objetivo justamente implementar espaços de iniciação científica para aproximar os jovens da universidade pública e, passado mais de um ano do início do projeto, está mais claro identificar os impactos dessas atividades realizadas nos clubes sobre a formação intelectual e acadêmica dos alunos que acabam de concluir o Ensino Médio.

A recém-formada pelo Colégio de Aplicação Pedagógica (CAP) da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Ana Júlia Garcia Molinari, fez parte do clube CAPciência e conquistou a aprovação no vestibular do curso de Farmácia da UEM. A estudante compartilhou um pouco sobre como ter um clube na sua grade escolar favoreceu sua escolha por esse curso superior.

Ana Julia Garcia Molinari concede entrevista, na Biblioteca Central Maria Grazia Zolet (BCE), da Universidade Estadual de Maringá (UEM) (Foto/Arquivo pessoal)

“Eu conheci o clube CAPciência no terceiro ano do Ensino Médio, quando entrei no CAP UEM. Antes, eu estudava numa escola estadual da minha cidade, Itambé, e por conta do cursinho para vestibular, eu pedi transferência para o CAP. Nisso, conheci o clube pelo professor Antônio, que incentivava os alunos a participar, e também por influência das minhas colegas”, contou a ex-clubista.

O clube trabalha com várias linhas de pesquisa, o “recicla banner”, que foi premiado na FECCI 2025, é focado em reciclagem; há projeto de produção de bioplástico a partir do amido da batata; um sobre educação financeira e mais o projeto de cosmetologia natural, pelo qual ela se interessou. Na cosmetologia os alunos produzem cosméticos à base de produtos apícolas (proveniente das abelhas), como hidratantes corporais e labiais.

Um pouco do CAPciência: banners reciclados pelos clubistas, exemplar de creme corporal e reprodução do programa Balanço Geral, do qual a estudante Ana Júlia fez parte (Reprodução de tela e colagem/TvRecord e Arquivo pessoal)

“Eu já tinha certa afinidade com as ciências biológicas e da saúde, então farmácia era, sim, uma opção, mas a decisão se concretizou depois da experiência no clube, que me proporcionou mais proximidade com laboratórios e experimentos, uma expectativa que eu tinha mesmo sobre o curso de Farmácia da UEM”, completou a estudante. 

Ela afirmou ainda que o ritmo de estudos e trabalhos do Capciência foi uma forma mais divertida e menos estressante de lidar com os deveres escolares, visto que essa forma de trabalho aproxima o mundo acadêmico à realidade do estudante, aliviando a ansiedade e o medo da nova etapa pós-Ensino Fundamental. 

“As oportunidades extracurriculares proporcionadas pelo clube, como a participação na FECCI 2025 e outras viagens viabilizadas pelo projeto, foram extremamente edificantes para a formação de conhecimento, tanto para mim quanto para meus colegas”, complementou Ana Júlia. Eles tiveram a possibilidade de conhecer laboratórios, profissionais renomados da área e diversos professores.

A experiência bem sucedida de Ana Júlia, assim como de vários outros ex-clubistas, mostra como o incentivo à iniciação científica desde o Ensino Fundamental estimula a autonomia, o pensamento crítico e aproxima os jovens da universidade. Além de ser enriquecedor para o aluno de forma individual, é relevante diretamente para toda a sociedade porque ajuda a revelar novos talentos, democratizar acessos e formar futuros pesquisadores, capazes de contribuir diretamente para o benefício de toda a população.

Acompanhe mais atividades dos Clubes de Ciências pelo Instagram da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência @clubesparanafazciencia e pelo site Paraná Faz Ciência.

Projeto investiga sobras do almoço para entender hábitos e propor mudanças no consumo da comunidade escolar

Esta imagem mostra um grupo de estudantes e alguns adultos dentro de uma sala de aula. Eles estão reunidos para uma foto, organizados em duas fileiras: alguns em pé atrás e outros sentados ou apoiados nas mesas à frente. A maioria usa camisetas azul-escuras com um logotipo, sugerindo uniforme escolar. Ao fundo, há uma parede branca com um quadro decorativo que mostra uma pilha de livros coloridos. À direita, aparece um armário azul e algumas caixas empilhadas. As mesas estão à frente do grupo, com mochilas e materiais escolares sobre elas.
Registro da visita da equipe NAPI PRFC UEL ao clube San Rafa Makers, em Ibiporã (Foto/Isabella Abrão)

Em sua essência, um clube de ciências é formado por alunos protagonistas, curiosos e engajados. Na Rede de Clubes Maker, do NAPI-Paraná Faz Ciência, soma-se esse perfil com atividades que incentivam ideias e buscam solucionar questões de forma ativa. Foi assim que o clube San Rafa Makers percebeu o desperdício de alimentos na escola e passou a buscar formas de resolver o problema.

O projeto é do Colégio Estadual Jardim San Rafael, de Ibiporã. A equipe notou que havia um padrão: muitos deixavam comida no prato na hora do almoço. Para averiguar, os clubistas coletaram as sobras e traçaram um objetivo. “Registrar e quantificar o desperdício de alimentos durante o almoço em nosso colégio integral. Em seguida, propor ações para mitigar esse desperdício”, explica a professora coordenadora, Edinara Santos.

Esta imagem mostra um close de recipientes usados para restos orgânicos. À direita, há um balde rosado com cascas de frutas, especialmente limões cortados. À esquerda, aparecem baldes pretos contendo restos de alimentos, como arroz ou outros resíduos orgânicos. A imagem sugere um processo de reaproveitamento ou separação de resíduos.
Coleta de sobras de alimento do almoço escolar (Foto/Arquivo Pessoal)

No último ano, os estudantes dividiram o que foi coletado em baldes, separando o resto de comida da casca de frutas. Montaram, também, um questionário sobre hábitos alimentares, para entender melhor o que estava sendo consumido pela comunidade escolar. Além disso, realizaram propostas de destino sustentável, visando a criação de uma composteira para adubo, produto que poderá ser utilizado na horta do colégio.

Os resultados foram apresentados na 1ª Mostra de Clubes de Ciências, em Guarapuava, e na 1ª Feira de Cultura Científica (FECCI), em Curitiba. O clube ainda foi escolhido para representar o Paraná no Encontro Nacional do Mais Ciência na Escola, em Brasília. “Foi muito gratificante e enriquecedor compartilhar o nosso trabalho e trocar experiências com outros clubes pelo país”, conta Edinara. “Fiquei particularmente impressionada com a grandiosidade do Mais Ciência na Escola.”

Esta imagem mostra um grupo grande de jovens e adultos posando para uma foto em um evento. Eles usam camisetas verde-claras com crachás, indicando participação oficial. Ao fundo, há um grande painel com o texto “ENCONTRO NACIONAL + CIÊNCIA NA ESCOLA”. O grupo está organizado em duas fileiras (em pé e agachados), sorrindo para a foto. O ambiente é um espaço de evento, com iluminação profissional e estrutura de palco.
Equipe da Rede de Clubes Maker no Encontro Nacional Mais Ciência na Escola (Foto/Arquivo Pessoal)

O clube San Rafa Makers é articulado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). De acordo com Edinara, o foco agora é aprofundar mais a metodologia STEAM (Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática). “Neste ano, trabalharemos em conjunto com o itinerário formativo de matemática (física, programação e robótica) no desenvolvimento de uma ‘bengala inteligente’ para deficientes visuais”, revela a docente.

Siga o perfil no Instagram do clube, o @sanrafamakers. E as atividades dos Clubes de Ciências, pelo Instagram da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência @clubesparanafazciencia e pelo site Paraná Faz Ciência.

Atividade aproxima estudantes de conceitos científicos por meio de demonstrações práticas e participação ativa

O aluno clubista com a mão sobre a bobina de Tesla faz o experimento na prática no laboratório, ao testar altas frequências e tensões, é utilizada nessa demonstração científica durante a atividade “Show da Física”do Clube Verde em Ação, do Colégio Estadual Pacaembu, conduzido pelo professor Oscar Rodrigues dos Santos. Experimentos de eletromagnetismo, centro de massa e vários outros para o nosso clube são importantes para todos os alunos que estão aprendendo na prática. É uma atividade que agrega muito ao clube e traz uma outra visão aos alunos participantes.
Clubistas testando a Bobina de Tesla durante atividade com professor de Física (Foto/Arquivo pessoal)

Os clubistas do Clube Verde em Ação, do Colégio Estadual Pacaembu, de Cascavel, participaram de uma atividade especial que uniu diversão e aprendizado: o “Show da Física”, conduzido pelo professor doutor Oscar Rodrigues dos Santos. Docente do curso de Física da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) campus Campo Mourão e integrante da equipe do Paraná Faz Ciência vinculado à UNIOESTE.

 A ação proporcionou aos clubistas uma experiência interativa com experimentos científicos clássicos, despertando curiosidade e interesse pela área.

Durante a apresentação, os alunos puderam acompanhar demonstrações como a Bobina de Tesla, que ao aproximar a mão faz surgir pequenas descargas elétricas visíveis, parecidas com raios ou faíscas. É porque ocorre a passagem pelo ar de uma corrente elétrica. No gerador de Van de Graaff, uma correia interna que transporta cargas elétricas acumuladas até a esfera metálica no topo, faz a carga se acumular e pode gerar também faíscas quando se encosta a mão, ou pode até fazer os fios de cabelo arrepiarem.

Já no experimento “passarinho bebedor”, conceitos de Física e Termodinâmica são apresentados. O passarinho bebedor é formado por uma cabeça com bico de material poroso, um tubo de vidro com líquido volátil e uma parte arredondada na base, um bulbo inferior. Tudo isso fica preso a uma estrutura com suporte móvel, permitindo o movimento de inclinação contínua, em referência a um pássaro bebendo água repetidamente. E ainda demonstrações envolvendo centro de gravidade com garfos, mostrando como o equilíbrio depende da posição do centro de massa (ou centro de gravidade). Ao encaixar dois garfos um no outro, geralmente com um palito de dente entre eles, o conjunto consegue se equilibrar apoiado apenas na ponta de um copo, garrafa ou suporte. Esse sistema fica estável porque o centro de gravidade do conjunto fica abaixo do ponto de apoio. Isso impede que ele tombe facilmente.

Clubista testando o Gerador de Van de Graaff em atividade (Foto/Arquivo pessoal)

Cada experimento foi explicado de forma acessível, relacionando os fenômenos observados com conceitos fundamentais da Física e a participação ativa dos estudantes foi destaque na atividade. Atentos e engajados, os clubistas interagiram com as demonstrações e acompanharam as explicações, evidenciando o potencial de ações práticas no processo de aprendizagem.

Para o estudante Nicolas, a experiência foi marcante. “Hoje tivemos uma atividade diferente com o professor Oscar, que trouxe experimentos de eletromagnetismo, centro de massa e vários outros para o nosso clube. Foi importante porque mostra a ciência de forma prática para a gente. É uma atividade que agrega muito ao nosso clube e vou levar para a vida”, contou.

Clubistas do Clube Verde em Ação reunidos com o professor Oscar Rodrigues dos Santos após atividade do Show da Física  (Foto/Arquivo pessoal)

Realizado em parceria com bolsistas da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), o evento reforça a proposta do clube de promover a educação científica de forma dinâmica e significativa.

Unindo teoria e prática, equipe investiga como ocorre a propagação do calor e transforma experimentos em receitas

A imagem mostra um grupo grande de adolescentes e alguns adultos reunidos ao ar livre, posando para uma foto. Eles estão organizados em duas fileiras: alguns agachados na frente e outros em pé atrás. A maioria veste uniforme escolar azul-escuro. Ao fundo, há uma parede clara com um desenho de uma árvore feito com vários recortes coloridos em formato de mãos, formando a copa da árvore. À direita, há um pequeno cartaz colorido com desenhos e elementos decorativos. O grupo parece descontraído: muitos estão sorrindo, fazendo gestos com as mãos (como sinal de positivo ou poses informais). A iluminação indica que é dia, com sol forte iluminando a cena.
Equipe do clube de ciências Forno Solar (Foto/Isabella Abrão)

Já imaginou assar um bolo de chocolate usando o sol? O que para muitos pode parecer muito difícil e até pouco realista, para os alunos do clube de ciências Forno Solar é apenas uma atividade comum. A equipe pertence ao Colégio Estadual Dr. Willie Davids, em Londrina, e investiga como o calor se propaga. Com esse conhecimento, os estudantes estão criando fornos solares em sala de aula. 

O “forno solar” é um dispositivo sustentável que converte a luz do sol em calor, possibilitando o cozimento ou fritura. Uma solução eficaz para enfrentar problemas de acesso e custo de energia. No clube, articulado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), a turma já estudou sobre os métodos do forno de caixa e forno parabólico. O primeiro, por exemplo, usa a técnica do efeito estufa para assar de forma lenta. Já o segundo, concentra os raios solares em um ponto e atinge altas temperaturas rapidamente.

Esta imagem mostra duas panelas pretas vistas de cima, posicionadas lado a lado dentro de uma espécie de caixa ou estrutura revestida com material metálico refletivo (parecido com papel alumínio). Dentro das panelas há bolo de chocolate. Uma delas tem um cabo visível voltado para a direita. Parte do braço de uma pessoa aparece no canto direito da imagem, sugerindo que alguém está manipulando ou observando as panelas. O ambiente parece improvisado, como um experimento ou preparo artesanal.
Bolo assado no forno de caixa construído pela turma (Foto/Isabella Abrão)

Segundo o professor Thiago Miashiro, coordenador do projeto, a temática é fundamental para reforçar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU). “No clube de ciências, o aluno necessita aplicar vários conceitos que eles aprenderam – de física, matemática e na parte de química – dentro dos projetos. Então, os conceitos de calor, temperatura, radiação, toda essa parte teórica, ele vai ter que aplicar na parte prática”, destaca.

Durante as experiências, a equipe já aproveitou para fazer várias receitas, incluindo assar bolos e marshmallows. O docente explica que a turma tem usado materiais de baixo custo e que estejam disponíveis localmente, como reciclados e restos de antenas parabólicas. A partir desses testes, os alunos avaliam o desempenho dos fornos em diferentes condições ambientais.

Agora, o objetivo é continuar testando com outros tipos de fornos solares, utilizando o apoio de novos equipamentos. “Com os materiais chegando, a gente consegue melhorar a eficácia do forno solar e, assim, a gente consegue assar em menor tempo com diferentes ingredientes e receitas”, conta Miashiro. “A ideia é a gente conseguir juntar até a parte de robótica e da energia das placas solares, para que tenha um forno automatizado.”

Mais do que avançar nas pesquisas do clube, a expectativa para esse ano é apresentar os resultados do projeto. O clube pretende repetir o feito do ano passado, quando teve um trabalho aprovado na 1ª Feira de Cultura Científica (FECCI) do NAPI – Paraná Faz Ciência, realizada em Curitiba. “Alguns alunos conseguiram permanecer desde o clube passado, então eles já estão perguntando se vai ter a feira de ciências, a FECCI, novamente”, revela o professor.
Acompanhe mais notícias sobre os Clubes de Ciências na página de Notícias do NAPI Paraná Faz Ciência ou pela rede social Instagram @clubesparanafazciencia .

Encontro de promotores de feiras mostrou que a formação de avaliadores é um dos desafios a serem enfrentados

Jonathan José de Oliveira Pereira, da Escola Estadual de Ensino Fundamental Professor Giampero Monacci, de Itambé (Imagem)

No segundo e último dia do I Encontro de Promotores de Ciências do Paraná, realizado na noite de quinta-feira (7), reforçou duas questões que envolvem os professores, alunos de pós-graduação e gestores escolares envolvidos com a promoção de feiras e mostras de ciências: a participação nos clubes de ciências tem se mostrado relevante para melhorar o aprendizado dos alunos da Educação Básica, os chamados clubistas, e há a necessidade de priorizar a formação de avaliadores de trabalhos de pesquisa em eventos científicos.

Durante dois dias, com cada encontro de duas horas pelo Google Meet, houve palestras de especialistas, troca de experiências e roda de conversa sobre os desafios que precisam ser enfrentados e as perspectivas de trabalho a ser feito para consolidar a Rede de Feiras Paraná Faz Ciência.

Em sua apresentação, o professor Jonathan José de Oliveira Pereira, da Escola Estadual de Ensino Fundamental Professor Giampero Monacci, de Itambé, contou como os alunos se engajaram nos clubes de ciências a partir do eixos da Robótica, Sustentabilidade e Ação Social. 

“A partir da ciência, é possível verificar os impactos na aprendizagem e, principalmente, no comportamento dos estudantes, que se tornaram protagonistas na proposição de problemas e na busca de soluções, além de desenvolver pensamento crítico, saber organizar dados e criar consciência social”, enfatiza Pereira.

Por outro lado, o professor diz que este movimento de transformação também se dá com os professores, que encontram nos clubes uma oportunidade para se renovar: “Jamais podemos cessar esse movimento nas escolas porque tem sido transformador para todo mundo”, acredita.

Eduarda Rodrigues Grunevald de Oliveira, a Unioeste (Imagem)

A pesquisadora e professora da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), Eduarda Rodrigues Grunevald de Oliveira, foi uma das organizadoras da Uniociências 2025, a feira de ciências realizada em modo articulado com a UNIOXP, a feira de profissões da própria Unioeste. Em sua apresentação, ela destacou a importância de se estabelecer critérios para a avaliação em feiras de ciências.

“Uma feira de ciências é um espaço formativo e a avaliação dos trabalhos também tem que ser formativa, e não só classificatória, focando no desenvolvimento e aprendizagem do estudante e promove reflexão crítica e tem um papel pedagógico”, explica Eduarda.

Neste contexto, é preciso capacitar os avaliadores para observar aspectos como conhecimento científico, domínio teórico-metodológico do tema e a compreensão do conceito pelos alunos, além de inovação e criatividade. “O grande desafio é nivelar o ‘rigor científico’, garantir que o avaliador tenha a compreensão que se trata de uma pesquisa da Educação Básica”, acredita a pesquisadora.

Slide integrante da apresentação de Eduarda Rodrigues Grunevald de Oliveira (Imagem)

Em relação ao uso da Inteligência Artificial no processo avaliativo, seja em trabalhos escolares e artigos científicos, Eduarda fez uma ponderação: “é um desafio avaliar, mas é possível verificar no momento da avaliação alguns padrões, após a leitura do trabalho. Nosso olhar tem que ser treinado para identificar, por exemplo, se a pessoa escreveu o texto e usou IA para aprimorar a escrita, mas foi ela quem desenvolveu a pesquisa; ou se não consegue apresentar a pesquisa que está no texto”. 

 O I Encontro foi promovido pelo Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação Paraná Faz Ciência  –  NAPI PRFC e contou com dezenas de participantes com o objetivo fortalecer a cultura científica e a formação continuada de professores, gestores escolares e pesquisadores da Educação Básica.

Apresentação reuniu estudantes, professores e conselheiros em torno das práticas desenvolvidas nos clubes de ciência

Imagem de uma apresentação em uma sala de reunião institucional. No centro, quatro estudantes adolescentes estão em pé, lado a lado, vestindo camisetas de equipe e calças esportivas, apresentando um projeto. Um deles segura um objeto e outro segura um boneco de pelúcia. Ao redor, em mesas dispostas em formato de “U”, estão diversos adultos sentados, acompanhando a apresentação. Sobre as mesas há microfones, copos de água, laptops e documentos. Ao fundo, um telão exibe um slide com o título “Clube de Ciências” e informações sobre um projeto relacionado à robótica e método científico. O ambiente é amplo, com iluminação interna, cadeiras de escritório e clima formal. A cena mostra um momento de apresentação e avaliação de projetos científicos desenvolvidos por estudantes.
Clubistas do Colégio Estadual do Paraná apresentam projetos durante reunião do Conselho Estadual de Educação (Foto/Arquivo do clube)

O Clube de Ciência e o Clube de Ciência Maker do Colégio Estadual do Paraná (CEP) participaram de uma reunião ordinária do Conselho Estadual de Educação do Paraná, realizada no dia 20 de março. Na ocasião, estudantes, professores e equipe gestora foram recebidos pelos conselheiros para apresentar as atividades dos clubes e compartilhar experiências construídas no ambiente escolar.

Os clubistas assumiram papel central ao apresentar projetos que articulam investigação científica, tecnologia e resolução de problemas. Entre as iniciativas destacadas estão o desenvolvimento de soluções sustentáveis, como um tijolo produzido a partir da casca de pinhão e propostas voltadas à acessibilidade, como um protótipo robótico para auxiliar na tradução em Libras.

Imagem de um grupo grande de pessoas em um ambiente institucional, posando para foto. Ao centro e ao fundo estão adolescentes e jovens, acompanhados por alguns adultos, formando várias fileiras. A maioria sorri e olha em direção à câmera. Na parte da frente, algumas pessoas estão agachadas ou sentadas no chão, próximas a projetos expostos, incluindo pequenos robôs, maquetes e protótipos tecnológicos. Alguns participantes seguram objetos, como um urso de pelúcia, placas e um banner. Há diversidade de idades, com estudantes e profissionais juntos. Muitos vestem camisetas de projetos ou equipes, algumas com cores escuras e detalhes em amarelo e verde. O espaço possui mesas laterais, cadeiras de escritório e iluminação interna, caracterizando uma sala de reunião ou auditório. A cena transmite um momento coletivo de apresentação e celebração de projetos educacionais e científicos.
Clubistas, coordenadores e equipe participaram do encontro e apresentaram projetos desenvolvidos nos clubes de ciência (Foto/Arquivo do clube)

O professor Tony Marcio Groch destacou o caráter investigativo e aplicado das atividades. Segundo ele, os projetos estão articulados a desafios reais e a competições científicas. “Os clubes trabalham com investigação científica dentro de competições como o Torneio Brasil de Robótica e a First Lego League, em que os estudantes desenvolvem soluções a partir de temas propostos, envolvendo tecnologia e resolução de problemas”, conta.

Imagem de uma mesa de reunião institucional. Três pessoas estão sentadas lado a lado, atrás de uma mesa com microfones e copos de água. Ao fundo, há uma parede branca com o logotipo e o nome “Conselho Estadual de Educação do Paraná” em destaque, nas cores azul e verde. À esquerda, um homem de barba, com camisa social vermelha, olha em direção ao centro. No meio, uma mulher de cabelo curto, vestindo blusa vermelha, também está voltada para a direita, com expressão atenta. À direita, um homem de barba e óculos, usando camiseta preta e vermelha com detalhes, fala ao microfone, gesticulando com a mão. O ambiente é formal, com cadeiras de escritório e uma janela com persianas ao fundo.
Coordenador Tony apresentou aos conselheiros o papel dos clubes na formação dos adolescentes (Foto/Arquivo do clube)

A participação no Conselho apresentou os resultados dos projetos ao mesmo tempo em que expôs as práticas que sustentam essas iniciativas nos clubes. Os participantes destacaram que essas experiências contribuem para a formação acadêmica e pessoal, ampliando habilidades como trabalho em equipe, pensamento crítico e comunicação.

Para a professora e integrante do NAPI Paraná Faz Ciência Edinalva Oliveira, o momento também representa reconhecimento e pertencimento dentro de uma rede mais ampla de incentivo à ciência. “Foi uma grata satisfação participar desse momento no Conselho. Os estudantes foram protagonistas e, para nós do NAPI Paraná Faz Ciência, isso nos orgulha, pois mostra o quanto os clubes têm feito diferença no cenário paranaense.”

Imagem de uma reunião em ambiente institucional. Em primeiro plano, uma mulher de cabelos cacheados e escuros, usando óculos e uma blusa estampada com flores, fala ao microfone com as mãos apoiadas sobre a mesa. À sua frente, há uma caixa de papelão pequena, uma xícara de café, um pires e um copo de água. À esquerda, um homem idoso, de cabeça calva e usando óculos, camisa clara e suspensórios, está sentado e escreve em um caderno. O ambiente possui uma mesa de madeira, cadeiras de escritório e, ao fundo, uma parede de vidro com janelas que deixam entrar luz natural, mostrando o céu azul do lado de fora. Um microfone aparece em destaque no canto inferior da imagem, indicando que a fala está sendo registrada.
Representando o NPFC, a pesquisadora Edinalva destacou o impacto dos clubes da Rede no estado (Foto/Arquivo do clube)

Os conselheiros ressaltaram a qualidade das apresentações e a desenvoltura dos estudantes, reconhecendo o papel do Colégio Estadual do Paraná na promoção de uma educação pública comprometida com a formação integral. Destacaram ainda a importância do trabalho dos professores e da gestão escolar, que possibilitam a realização de projetos e a participação em atividades de alcance municipal, estadual e até internacional.

“Os clubes de ciência aproximam os alunos da ciência e despertam o interesse e o envolvimento. É possível perceber o entusiasmo dos estudantes e o papel fundamental dos professores e coordenadores para manter essas iniciativas vivas nas escolas”, destacou a conselheira Fátima Padoan, gerente de pesquisa da Fundação Araucária, durante a comemoração dos 180 anos do Colégio Estadual do Paraná, realizada no Teatro Guaíra.