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II WORKDHOP DO NAPI PARANÁ FAZ CIÊNCIA

Com oficina ministrada, estudantes aprenderam a identificar animais aquáticos como indicadores da qualidade da água

Foto em ambiente escolar ou laboratório. Quatro adolescentes estão reunidos bem próximos, sorrindo e olhando para um livreto aberto que seguram juntos. Dois estão sentados à frente e dois se inclinam por trás, apoiando os braços nos colegas. O livreto tem capa colorida e ilustrações de elementos naturais, como água, plantas e pequenos animais. No título, lê-se “Monitoramento da Qualidade da Água – Guia de Campo”, com logotipos de instituições acadêmicas e de pesquisa na parte inferior. Os jovens vestem roupas casuais, principalmente camisetas escuras; um deles usa boné preto com estampa branca. Ao fundo, há caixas, prateleiras e um globo terrestre, sugerindo um espaço educativo. A expressão geral do grupo é de interesse e entusiasmo pela leitura e pelo tema científico.
Estudantes do Clube Hidroexploradores exploram o Guia de Campo em oficina de monitoramento hídrico (Foto/Marilane Martins)

A curiosidade científica foi o motor da atividade prática realizada pelo Clube de Ciência Hidroexploradores, no Colégio Estadual Otalípio Pereira de Andrade, em Campo Largo. Os alunos mergulharam no universo do biomonitoramento hídrico durante uma oficina especializada com a professora Edinalva Oliveira, doutora e mestre em Zoologia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), especialista em Educação (UFPR) e coautora do guia de campo do Monitoramento da Qualidade da Água, material base da oficina e parte do  Programa Interinstitucional de Ciência Cidadã (PICCE).

Os Hidroexploradores participaram da atividade prática “Identificação de animais aquáticos para o monitoramento da qualidade da água”, cujo objetivo foi capacitá-los a utilizar macroinvertebrados como bioindicadores de saúde ambiental. Através da observação desses organismos, é possível determinar se um corpo hídrico está preservado ou sofrendo impactos de poluição. Durante a oficina, os jovens pesquisadores analisaram espécimes conservados e utilizaram lupas para identificar características específicas de insetos e larvas aquáticas.

Essa experiência fortalece as frentes do clube que envolvem a preservação de mananciais na região de Bateias e o desenvolvimento de soluções sustentáveis, como as fossas ecológicas, projeto de destaque do grupo. Os conhecimentos adquiridos ajudarão os Hidroexploradores a refinar as pesquisas em andamento e a ampliar seu portfólio de ações, articulando os ODS 6 (Água Potável e Saneamento) e 14 (Vida na Água). Atualmente, o clube investiga a preservação de recursos hídricos por meio de coletas de campo, análises laboratoriais e a produção de maquetes de fossas ecológicas, que propõem uma alternativa sustentável para o saneamento básico local.

Para o coordenador do clube, o professor Vanilson Lopes de Andrade, a oficina foi essencial para despertar o olhar dos estudantes sobre a biodiversidade local. “Eu acredito que conseguimos atiçar muito essa curiosidade, principalmente morando em uma região tão rica em rios e mananciais, como Bateias. Aqui temos várias nascentes, e isso está presente no dia a dia deles. Então a oficina foi muito positiva e produtiva; se o objetivo era despertar o interesse, vimos que eles ficaram realmente instigados. E a base da ciência é a curiosidade”, comentou.

Material de Apoio

O guia de campo produzido pelo PICCE e utilizado na oficina é destinado a professores e estudantes da Educação Básica (Ensino Fundamental e Médio). O material orienta atividades pedagógicas em diferentes áreas do conhecimento e, no caso do material sobre monitoramento de águas naturais, auxilia pesquisas sobre o tema da água, podendo ser acessado gratuitamente pelo link abaixo, que leva diretamente ao site do PICCE.
https://picce.ufpr.br/wp-content/uploads/2025/02/Monitoramento_aguas_naturais.pdf

O projeto foi apresentado em feiras e eventos científicos, destacando questões como a injustiça ambiental

A imagem mostra que um grupo de estudantes está em uma bancada de apresentação, provavelmente em uma feira ou mostra científica. Eles vestem camisetas pretas com a inscrição “Clube de Ciências”. Sobre a mesa há diversos materiais: duas canecas, um celular, um caderno com anotações, uma caneta e um laptop aberto exibindo um vídeo de uma paisagem com água (parece uma cachoeira). Um dos alunos usa um crachá de evento.
A turma apresentou o projeto na FECCI 2025 (Foto/Arquivo Pessoal)

Adicionar post

Uma das principais etapas de um clube de ciências é a investigação. Desenvolver o pensamento crítico, expor problemas e criar soluções é parte do pacote – coisa que o clube Lumière faz muito bem. A equipe é do Colégio Estadual Gustavo Dobrandino da Silva, em Foz do Iguaçu, e produziu um minidocumentário sobre a comunidade Bubas, a maior ocupação urbana do Paraná.

O material “O Outro Lado do Paraíso” possui 11 minutos de duração e foi feito pelos alunos dentro do Programa de Desenvolvimento da Cultural Audiovisual (PDCA), uma iniciativa do Instituto Cultural Três Fronteiras. O curta-metragem trabalha com injustiça ambiental, mostrando como os moradores da Ocupação Bubas percebem o impacto causado pelas obras viárias na cidade.

A imagem mostra um grupo grande de pessoas — incluindo adolescentes, crianças e alguns adultos, que estão reunidos à noite em frente a um portão com pilares de tijolos. O ambiente parece residencial ou institucional, com árvores e vegetação ao fundo. Todos estão posando para a foto, lado a lado, alguns sorrindo e outros com expressões mais neutras. As roupas são variadas, desde casuais até um pouco mais arrumadas, sugerindo um encontro ou atividade especial fora do horário escolar.
Equipe do clube Lumière (Foto/Arquivo Pessoal)

Segundo a professora coordenadora, Silvia Luzia Polla, a rotina do clube é bem dinâmica. “Realizamos encontros periódicos no contraturno, onde os alunos discutem ideias, desenvolvem experimentos e avançam na construção de projetos. Também estamos trabalhando na organização e registro das etapas, incluindo a produção de um vídeo para divulgação”, explica.

Aliás, os estudantes participaram de toda a construção do minidocumentário, desde o roteiro até a edição do material. Foi com esse projeto que o Lumière se tornou um dos três clubes articulados pela Universidade Federal da Confederação Latino-Americana (UNILA) a ser selecionado na etapa estadual da VI Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente (CNIJMA). O evento foi realizado em agosto do ano passado, em Foz do Iguaçu.

O trabalho também foi aprovado para ser apresentado na Feira de Cultura Científica do Paraná Faz Ciência (FECCI), que ocorreu em novembro de 2025, na capital do estado. Com o título “Justiça ambiental na maior ocupação do Paraná – Bubas – Foz do Iguaçu”, a pesquisa foi incluída na categoria FECCI Jovem e lá os alunos exibiram trechos do minidocumentário pela primeira vez.

A imagem mostra que um grupo de estudantes e uma professora estão em uma bancada de apresentação, provavelmente em uma feira ou mostra científica. Os alunos vestem camisetas pretas com a inscrição “Clube de Ciências”. Todos posam para a foto. Atrás, há cartazes com a temática do projeto apresentado.
Clube Lumière na FECCI 2025 (Foto/Isabella Abrão)

Após a Fecci, “O Outro Lado do Paraíso” contou com sessões na escola e pela cidade. Silvia explica que esse ano a expectativa é participar de mais eventos científicos, apresentando o avanço desse e de outros estudos, além de ampliar o alcance do clube. “O vídeo que produzimos faz parte desse objetivo de divulgação e valorização do trabalho dos alunos”, destaca a professora.

Alunos puderam conhecer pesquisas e inovações ligadas ao setor rural da região

Esta imagem mostra um grupo de estudantes reunido em volta de uma mesa com pequenos terrários e recipientes transparentes contendo insetos e outros pequenos animais. Uma aluna segura um inseto na palma da mão enquanto os colegas observam com curiosidade; uma outra estudante usa o celular para fotografar o momento. Há também um adulto (provavelmente monitor ou orientador) auxiliando na atividade. O ambiente parece educativo, com cartazes ao fundo.
Clubistas interagindo com insetos na Fazendinha – Via Rural (Foto/Isabella Abrão)

A 64ª edição da Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina (ExpoLondrina 2026), realizada entre os dias 10 e 19 de abril, bateu recorde de público. Segundo a assessoria de imprensa do evento, só a Via Rural Smart Farm recebeu em torno de 200 mil pessoas. Entre os visitantes, dois clubes de ciência articulados pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). 

A Fazendinha, como o espaço é conhecido, destaca-se por trazer inovações e pesquisas, além de fortalecer a educação sobre a fauna rural. Por isso, é o principal foco das visitas escolares, conectando o campo com a sociedade. As equipes que estiveram por lá são do Colégio Estadual Cívico-Militar Professor Newton Guimarães, de Londrina, e do Colégio Estadual Cívico-Militar Presidente Kennedy, de Rolândia. 

O clube de Londrina é o Litterae Ludus, coordenado pela professora Franciela Zamariam. Para a docente, a visita fortalece a metodologia científica, já que os estudantes passam a ter maior contato com diferentes estudos da região. “Uma atividade exploratória, buscando aprofundar questões de aprendizagem científica”, esclarece.

A imagem mostra um grupo de alunos e professores posicionado na entrada de um evento, com um grande portal exibindo “EXPO Londrina 2026”. Os estudantes vestem uniformes e estão organizados lado a lado para uma foto coletiva. Algumas pessoas seguram objetos como garrafas de água e caixas térmicas. O ambiente é externo, com bastante luz natural, indicando um momento de visita ou passeio educativo.
Equipe do clube Litterae Ludus (Foto/Isabella Abrão)

O Discovery Kennedy’s, clube de Rolândia, já foca bastante em investigar a área ambiental do município e aproveitou para intensificar esse conhecimento. Segundo a professora coordenadora, Eglaia Cheron, os alunos visitaram a ExpoLondrina “com foco na Fazendinha, projetos de APIs [Abelhas Apis mellifera], projeto com borboletas e de sericultura [criação do bicho-da-seda].”

A imagem mostra uma foto em estilo “selfie”, onde uma mulher está sorrindo em primeiro plano, usando chapéu e óculos escuros. Ao fundo, há um grande grupo de estudantes uniformizados reunidos em frente a um banner com o nome “Fazendinha” e “Sejam Bem-Vindos”. O clima é de excursão escolar, com todos posando de forma descontraída ao ar livre.
Equipe do clube Discovery Kennedy’s (Foto/Arquivo Pessoal)

A ExpoLondrina, promovida pela Sociedade Rural do Paraná (SRP), já é consolidada como um dos maiores e mais completos eventos agropecuários da América Latina. O espaço da Via Rural Smart Farm é organizado pelo Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR) em parceria com a UEL.

Estudantes exploraram o potencial científico de hortas, laboratórios de ponta e a imersão tecnológica do Planetário no campus Cornélio Procópio

Vista externa do planetário da Universidade Estadual do Norte do Paraná, em Cornélio Procópio. A construção tem formato de cúpula geodésica, com painéis triangulares em tons claros e estrutura escura. A porta de entrada está aberta na parte frontal. O planetário fica em uma área ao ar livre, com gramado bem cuidado, pequenas plantas ornamentais e um caminho de piso intertravado à frente. Há postes de iluminação ao redor e, ao fundo, árvores e algumas construções. O céu está claro e ensolarado, indicando um dia de tempo aberto.
Planetário UENP (Foto/Arquivo pessoal)

O clube Jardim da Ciência Pacheco, do Colégio Anita Aldete Pacheco, participou, no dia 10 de abril, de uma visita técnica à Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP). A atividade no campus de Cornélio Procópio foi organizada e conduzida pela professora responsável Michele Plantes, com o objetivo de proporcionar aos estudantes o contato direto com a infraestrutura universitária e de pesquisa.

De acordo com a docente, as saídas de campo são oportunidades essenciais para que os alunos vivenciem os conteúdos aprendidos em sala de aula. Durante a visita, o grupo conheceu a horta de PANCs (plantas alimentícias não convencionais), onde puderam analisar o potencial científico, as texturas e os aromas das espécies cultivadas.

A modernidade dos laboratórios também chamou a atenção dos jovens. “Achei interessante porque lá eles têm equipamentos muito modernos”, relatou o aluno Luis Otávio Camargo Prado. A experiência foi finalizada no Planetário da UENP, que conta com projeção 4K UHD e simuladores de Astronomia de última geração. 

Recado aos futuros pesquisadores 

A professora Michele Plantes destacou o perfil crítico e dedicado dos membros do clube, que já demonstram interesse em áreas como veterinária, biologia e ciências do mar.  “São alunos que lutam para conquistar suas metas. O conselho que dou para eles é nunca pararem de estudar e sempre se dedicarem para chegarem onde desejam.  A ciência tem um leque enorme de opções e precisa de pesquisadores para ajudar no tratamento e prevenção de doenças ou fabricação de medicamentos. O estudo dos seres vivos, compreender a vida e suas formas, garantir a sustentabilidade e a sobrevivência do planeta”, explica.

Planetário UENP visto de dentro (Foto/Arquivo pessoal)

Visitação UENP

Assim como o clube Jardim da Ciência Pacheco, todos os clubes de ciências e estudantes apaixonados por descobertas, estão mais que convidados para viver essa experiência. A UENP mantém as portas abertas para visitas técnicas e sessões no Planetário. Professores e diretores interessados podem agendar a atividade entrando em contato através do link https://tr.ee/9cebTFdiVI. Demais dúvidas podem ser tiradas pelo e-mail planetario.ccp@uenp.edu.br ou pelo telefone (43) 3520-1757.

Ex-integrante do Clube Inovar transforma bioplástico escolar em projeto de empreendedorismo na universidade

Três jovens estão em pé lado a lado, sorrindo para a câmera, em frente a uma parede com quadro verde (parece uma sala de aula). À esquerda, há uma garota de pele escura, cabelo longo e liso, usando uma camiseta branca de uniforme com um símbolo no braço e calça azul. Ela segura uma das pontas de um grande pedaço de plástico transparente. No centro, há um rapaz de pele clara, cabelo curto e escuro, vestindo uma camiseta branca com mangas escuras. Ele também segura o plástico, ajudando a esticá-lo. À direita, há outra garota de pele clara, com cabelo longo e liso e usando óculos. Ela também veste uma camiseta branca de uniforme e segura a outra ponta do plástico. Os três estão segurando juntos esse grande pedaço de plástico transparente, esticado na frente deles, como se estivessem apresentando um trabalho ou experimento. O ambiente é simples, típico de escola, com parede verde e parte inferior azul.
Bioplástico feito de amido de milho pelos alunos, Laritiely está à direita (Foto/Arquivo pessoal)

Quando pensamos em ciência, logo nos vêm à mente grandes cientistas e descobertas famosas. No entanto, raramente paramos para notar que as maiores inovações costumam nascer de pequenos problemas do dia a dia. Para Laritiely Ribeiro da Silva (18 anos), tudo começou com um desafio solidário: criar capas de chuva para distribuir aos colegas de escola que, por falta de transporte municipal, enfrentavam dificuldades para chegar às aulas em dias de chuva. 

Na época, Laritiely já integrava o Clube de Ciências Inovar, do Colégio Estadual Barbosa Ferraz, em Andirá, vinculado à Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP). Para a jovem, o clube era muito mais do que uma atividade extracurricular; era um espaço para aprender a enxergar o mundo sob uma nova ótica.

A solução no amido de milho 

Decidida a encontrar uma alternativa barata e sustentável para o problema que os estudantes enfrentavam nos dias de chuva, Laritiely desenvolveu um bioplástico feito de amido de milho. “Percebemos que isso era um material descartado em grande quantidade por uma cooperativa aqui da cidade, então pensamos em como dar uma destinação melhor para esse resíduo”, conta a aluna. De refugo da indústria, o amido ganhou um novo significado nas mãos da jovem cientista.

O caminho até o produto pronto, porém, não foi encontrado rapidamente. Laritiely relata que foram necessárias 86 tentativas e testes até chegar ao produto ideal. Com o material em mãos e o apoio fundamental de sua orientadora, Karoline Azevedo, Laritiely percebeu que aquela descoberta era grande demais para ficar restrita às capas de chuva. A tecnologia do bioplástico evoluiu, então, para algo com impacto ainda maior: o projeto BioProtect. São sacolas biodegradáveis que contêm sementes em sua composição. Assim, ao invés de poluir, o descarte da embalagem torna-se o início de uma nova árvore.

Reconhecimento

A dedicação rendeu frutos grandiosos. O BioProtect conquistou o segundo lugar na FECCI, a Feira de Cultura Científica do Paraná Faz Ciência, em Curitiba, competindo com os melhores projetos de iniciação científica do Paraná. O reconhecimento foi o combustível que faltava: Laritiely decidiu seguir carreira na área e foi aprovada em Ciências Biológicas no vestibular da própria UENP.

O que começou como um projeto escolar acabou subindo para um novo degrau. No dia 27 de março de 2026 Laritiely foi aprovada na Pré-Incubadora da UENP, que é um ambiente de apoio para transformar ideias inovadoras em negócio viáveis, como startups e outros projetos com potencial empreendedor. Agora, o que nasceu no Clube de Ciências se transforma em um modelo de negócio promissor.

Laritiely passou em ciências biológicas na UENP (Foto/Arquivo pessoal)

O legado de gratidão 

Para os que estão começando agora nos clubes de ciências, Laritiely deixa um testemunho.  “Muitos vão te chamar de louco por sonhar alto demais, e vai haver dias em que o choro é inevitável. Eu vivi isso: testes que falharam e a vontade de parar. Mas o diferencial foi olhar para o lado e ver que o Clube acreditava no meu potencial. Quando venci, entendi que o choro faz parte da limpeza da alma de quem persiste. Não desista dos seus sonhos por ninguém. Vá lá, prove sua força e deixe o clube transformar sua vida também. Se eu consegui, você também consegue!”.

Para além da técnica aprendida, o que fica dessa jornada é também o apoio recebido. Laritiely faz questão de dedicar suas conquistas à sua orientadora, Karoline Azevedo. “Eu não teria chegado onde cheguei sem uma peça fundamental nesse caminho, a minha orientadora, a Karol. Se hoje eu curso Ciências Biológicas, é por causa dela. A Karol sempre foi minha maior inspiração. A forma como ela conduz o clube e nos incentiva me deu a certeza do que eu queria fazer da vida. Eu falo de coração: espero ser, no futuro, pelo menos metade da profissional e da pessoa que ela é”, finaliza a ex-clubista.Acompanhe mais sobre os Clubes de Ciências, pelo Instagram da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência @clubesparanafazciencia e pelo site Paraná Faz Ciência.

Unindo teoria e prática, equipe investiga como ocorre a propagação do calor e transforma experimentos em receitas

A imagem mostra um grupo grande de adolescentes e alguns adultos reunidos ao ar livre, posando para uma foto. Eles estão organizados em duas fileiras: alguns agachados na frente e outros em pé atrás. A maioria veste uniforme escolar azul-escuro. Ao fundo, há uma parede clara com um desenho de uma árvore feito com vários recortes coloridos em formato de mãos, formando a copa da árvore. À direita, há um pequeno cartaz colorido com desenhos e elementos decorativos. O grupo parece descontraído: muitos estão sorrindo, fazendo gestos com as mãos (como sinal de positivo ou poses informais). A iluminação indica que é dia, com sol forte iluminando a cena.
Equipe do clube de ciências Forno Solar (Foto/Isabella Abrão)

Já imaginou assar um bolo de chocolate usando o sol? O que para muitos pode parecer muito difícil e até pouco realista, para os alunos do clube de ciências Forno Solar é apenas uma atividade comum. A equipe pertence ao Colégio Estadual Dr. Willie Davids, em Londrina, e investiga como o calor se propaga. Com esse conhecimento, os estudantes estão criando fornos solares em sala de aula. 

O “forno solar” é um dispositivo sustentável que converte a luz do sol em calor, possibilitando o cozimento ou fritura. Uma solução eficaz para enfrentar problemas de acesso e custo de energia. No clube, articulado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), a turma já estudou sobre os métodos do forno de caixa e forno parabólico. O primeiro, por exemplo, usa a técnica do efeito estufa para assar de forma lenta. Já o segundo, concentra os raios solares em um ponto e atinge altas temperaturas rapidamente.

Esta imagem mostra duas panelas pretas vistas de cima, posicionadas lado a lado dentro de uma espécie de caixa ou estrutura revestida com material metálico refletivo (parecido com papel alumínio). Dentro das panelas há bolo de chocolate. Uma delas tem um cabo visível voltado para a direita. Parte do braço de uma pessoa aparece no canto direito da imagem, sugerindo que alguém está manipulando ou observando as panelas. O ambiente parece improvisado, como um experimento ou preparo artesanal.
Bolo assado no forno de caixa construído pela turma (Foto/Isabella Abrão)

Segundo o professor Thiago Miashiro, coordenador do projeto, a temática é fundamental para reforçar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU). “No clube de ciências, o aluno necessita aplicar vários conceitos que eles aprenderam – de física, matemática e na parte de química – dentro dos projetos. Então, os conceitos de calor, temperatura, radiação, toda essa parte teórica, ele vai ter que aplicar na parte prática”, destaca.

Durante as experiências, a equipe já aproveitou para fazer várias receitas, incluindo assar bolos e marshmallows. O docente explica que a turma tem usado materiais de baixo custo e que estejam disponíveis localmente, como reciclados e restos de antenas parabólicas. A partir desses testes, os alunos avaliam o desempenho dos fornos em diferentes condições ambientais.

Agora, o objetivo é continuar testando com outros tipos de fornos solares, utilizando o apoio de novos equipamentos. “Com os materiais chegando, a gente consegue melhorar a eficácia do forno solar e, assim, a gente consegue assar em menor tempo com diferentes ingredientes e receitas”, conta Miashiro. “A ideia é a gente conseguir juntar até a parte de robótica e da energia das placas solares, para que tenha um forno automatizado.”

Mais do que avançar nas pesquisas do clube, a expectativa para esse ano é apresentar os resultados do projeto. O clube pretende repetir o feito do ano passado, quando teve um trabalho aprovado na 1ª Feira de Cultura Científica (FECCI) do NAPI – Paraná Faz Ciência, realizada em Curitiba. “Alguns alunos conseguiram permanecer desde o clube passado, então eles já estão perguntando se vai ter a feira de ciências, a FECCI, novamente”, revela o professor.
Acompanhe mais notícias sobre os Clubes de Ciências na página de Notícias do NAPI Paraná Faz Ciência ou pela rede social Instagram @clubesparanafazciencia .

Com o apoio da Unicentro, alunos do Colégio Estadual Heitor Rocha Kramer realizam primeira atividade prática do ano e recebem nova orientadora

Grupo de cerca de 16 pessoas posando em uma rua de terra em um bairro residencial. A maioria são jovens vestindo uniformes escolares em azul e branco, alguns em pé e outros agachados na frente. Há também alguns adultos junto ao grupo. Ao redor, aparecem casas simples, árvores e postes com fiação elétrica. O céu está parcialmente nublado, com nuvens escuras contrastando com áreas de sol que iluminam o grupo.
Estudantes do clube EcoTransformadores levam a professora Cecilia Hauresko para conhecer onde será implantada a Rua Sustentável (Foto/ Mathias Trindade)

No dia 18 de março, os alunos do Clube EcoTransformadores, do Colégio Estadual Heitor Rocha Kramer, em Guarapuava, realizaram as primeiras atividades práticas de 2026. Sob coordenação da professora Daniele Kosmo, os clubistas receberam a nova orientadora da Rede de Clubes pela Unicentro, a professora Cecilia Hauresko. Durante o encontro, os estudantes apresentaram os projetos idealizados pelo grupo, que unem educação e meio ambiente, como a Rua Sustentável, os Jardins Suspensos e as hortas escolares.

A professora Cecilia Hauresko, especialista em Hortas Urbanas, iniciou este mês suas atividades como orientadora da Unicentro no clube do Colégio Heitor Rocha Kramer. Pela familiaridade com o tema de pesquisa dos clubistas, ela se sente motivada em orientá-los e criar um diálogo com o grupo. “Acho que nós, como professoras, e da Geografia em especial, temos como foco uma educação para a sustentabilidade. O que eu conheço de práticas que orientem para esse tema são suficientes para que possamos dialogar o tempo todo sobre a importância de uma sociedade e de uma escola saudáveis. Quando falo disso, estou falando de uma educação para a sustentabilidade, sem sombra de dúvidas”, contou Cecilia.

A nova professora orientadora da Rede de Clubes da Unicentro, Cecilia Hauresko, se apresenta para os alunos do Colégio Estadual Heitor Rocha Kramer (Foto/Mathias Trindade)

O projeto do clube EcoTransformadores é transformar a rua Herberth Storl em uma  Rua Sustentável nos arredores do colégio, localizado no Bairro Colibri. Atualmente, a região enfrenta uma situação crítica, por conta do descarte inadequado de lixo e pelo abandono de animais, que sofrem com a falta de alimento e de água. Diante desse cenário, os clubistas pretendem, em 2026, tirar o planejamento do papel e transformar a teoria construída ao longo do último ano em ação prática, com a colocação de lixeiras de coleta seletiva, limpeza de entulhos, área de convivência com balanço e a plantação de árvores frutíferas.

Segundo o clubista Vinicius Nascimento, de 16 anos, eleito presidente do clube por ser o integrante que está no projeto há mais tempo, ele demonstra disposição para mobilizar a comunidade e colocar as ideias em ação. “Tenho esperança de que tudo vai dar certo e que conseguiremos apresentar o projeto para as pessoas que participarem das feiras. Queremos mostrar como vamos fazer uma rua sustentável tanto para os moradores quanto para a comunidade escolar e o bairro”, explicou Vinicius.

Para ele, o sucesso da iniciativa depende do envolvimento dos moradores do bairro. “Queremos contar o que vamos fazer e qual é o nosso objetivo, pedindo a colaboração deles. Como vamos tentar melhorar a rua e trazer algo mais sustentável, precisamos do apoio da comunidade para manter essas melhorias”, concluiu o presidente do clube.

Além da instalação de jardins suspensos na Rua Sustentável, os clubistas preparam a criação de uma horta para a comunidade. Segundo a professora responsável pelo clube, Daniele Kosmo, o projeto da horta não será executado na mesma via por falta de espaço adequado, mas já possui um local estratégico no Bairro Colibri.

“A horta comunitária não será propriamente na rua porque lá não encontramos o espaço necessário. Analisando as condições do bairro, encontramos um terreno que possivelmente será apropriado para a implementação do projeto. Agora, vamos fazer as avaliações necessárias e as solicitações aos órgãos públicos para poder executar a ideia”, explicou Daniele.

Alunos do Clube EcoTransformadores junto da professora Cecilia Hauresko visitando a futura Rua Sustentável (Foto/Mathias Trindade)

Para a professora orientadora Cecilia Hauresko, o planejamento está ideal e pronto para avançar. Ela destaca que o fato de o projeto estar bem estruturado no papel já é o início da transformação. “Acho que o caminho está posto e o projeto está bem escrito. Hoje vamos conhecer a rua que será a Rua Sustentável e, a partir dela, outras tantas ideias irão surgir. O primeiro passo já foi dado, e foi muito bem-dado pela professora”, afirmou Cecilia.

Acompanhe mais atividades dos Clubes de Ciências pelo Instagram da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência @clubesparanafazciencia e pelo site Paraná Faz Ciência.

Estudantes pesquisam compostagem, plantas medicinais e biofertilizantes no Clube de Ciências Mãos à Horta

Clube de Ciências. Com o título, Estudantes pesquisam compostagem, plantas medicinais e biofertilizantes no Clube de Ciências Mãos à Horta.
Clubistas do clube Mãos à Horta reunidos em frente à Horta escolar (Foto/Arquivo pessoal)

Entre canteiros, estufas e plantas medicinais, estudantes do Clube de Ciências Mãos à Horta, em Goioerê, estão colocando a ciência em prática enquanto organizam e revitalizam os espaços de cultivo da escola.

O trabalho começou ainda no ano de 2025, com uma etapa de limpeza e reorganização da horta, preparando o ambiente para as atividades do clube ao longo do ano. Entre todos os espaços organizados, estão uma estufa hidropônica, uma estufa de cultivo convencional e uma área dedicada ao cultivo de plantas medicinais, que servem como base para diferentes projetos de investigação científica.

Nesses ambientes, os clubistas desenvolvem pesquisas relacionadas à adubação orgânica por meio da compostagem, ao uso de defensivos naturais no cultivo de plantas e ao estudo dos saberes populares e científicos sobre plantas medicinais. As atividades buscam aproximar o conhecimento científico das práticas tradicionais presentes no cotidiano das comunidades.

Outro tema investigado pelo grupo é a produção de biofertilizante com o uso de um biodigestor, processo que transforma resíduos orgânicos em nutrientes para o solo, contribuindo para práticas agrícolas mais sustentáveis.

Clubistas do clube Mãos à Horta em atividade dentro da estufa (Foto/Arquivo pessoal)

O clube é coordenado pela professora Luciana Patricia Roldi Pizzoli, que acompanha os estudantes nas atividades de pesquisa e experimentação. A proposta é transformar a horta escolar em um espaço de aprendizagem prática, onde os alunos possam observar, testar ideias e desenvolver soluções relacionadas à sustentabilidade e ao cuidado com o meio ambiente.

Além disso, o clube pretende destinar à cozinha da escola, as hortaliças e plantas cultivadas ali mesmo na horta, contribuindo assim, para uma alimentação saudável dos alunos e professores.

Com foco em botânica e astronomia indígena, estudantes do Turvo levam seus saberes até a capital federal

Quatro homens jovens estão lado a lado, posando para uma foto em um espaço moderno com plantas ao redor. Eles usam camisetas claras iguais, com crachás pendurados no pescoço, indicando participação em um evento. Dois deles estão com mochilas. O homem à direita estende o braço, como se estivesse tirando uma selfie ou convidando alguém para a foto. Ao fundo, há um ambiente com cobertura, paredes de vidro e bastante vegetação, sugerindo um local de evento ou instituição.
Alunos e o professor do clube Luan Felipe de Lima no Encontro Nacional Mais Ciência na Escola, em Brasília (Foto/Arquivo Pessoal)

Entre os dias 24 e 26 de março, foi realizado em Brasília o Encontro Nacional Mais Ciência na Escola, que reuniu quatro clubes da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência Maker, além de pesquisadores, educadores e autoridades de todo o Brasil. Um dos quatro clubes makers selecionados foi o Pỹn fĪfĪ, que em português significa cobra-coral, do Colégio Indígena Cacique Otávio dos Santos, localizado na Terra Indígena Marrecas, no município de Turvo.

Articulado pela Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), o clube levou à capital federal dois de seus clubistas, Adair Kãvigmc Luiz e Wesley Krynhkryj Mathias, o professor responsável pelo clube de ciências do colégio, Luan Felipe de Lima, e o professor Claudinei Pranch, representante da liderança indígena. O clube indígena tem como suas principais linhas de pesquisa os ciclos reprodutivos da Araucaria angustifolia, plantas medicinais tradicionais e astronomia Kaingang.

A seleção para o encontro nacional se deu por meio de um vídeo gravado pelos estudantes, detalhando a organização, os aprendizados e os desafios do grupo em um clube de ciências Maker. Entre os destaques do vídeo, foi apresentado o estudo sobre os ciclos da Araucaria angustifolia, que investiga a relação entre a exploração humana e o desenvolvimento dos estróbilos (pinhões), em uma espécie de árvore que é vital para a economia e cultura local. 

Outra linha de pesquisa apresentada pelo clube foi a análise sobre plantas medicinais, sugerida pela aluna Elizângela (Kamurã), de modo a preservar o conhecimento tradicional Kaingang sobre essas plantas e seus usos pelo grupo, garantindo que sua cultura siga viva e adaptável. Recentemente, por iniciativa da aluna Jennifer Mendes, o grupo também passou a registrar a astronomia Kaingang, resgatando saberes ancestrais sobre os ciclos das estações do ano e fenômenos celestes observados a partir da Terra Indígena de Marrecas.

De acordo com o professor Luan Felipe, o diferencial para a escolha do grupo foi a identidade e a maturidade do projeto. “Acredito que o que mais pesou foi o fato de sermos um colégio indígena com um clube funcional e diversas linhas de pesquisa que já haviam sido apresentadas em outros eventos. Isso casava perfeitamente com a proposta do encontro em Brasília”, destacou o responsável pelo projeto no colégio.

Os quatro clubes Makers da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência Maker que participaram do primeiro Encontro Nacional Mais Ciência na Escola, em Brasília (Foto/Arquivo pessoal)

Durante a programação em Brasília, promovida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o Pỹn fĪfĪ participou de diversas atividades que incluíram a transmissão de vídeos institucionais e uma mesa temática sobre políticas públicas de Educação, Ciência e Tecnologia. O evento também promoveu debates entre alunos, professores e coordenadores sobre os desafios da ciência na escola, em encontros com grupos simultâneos. Entre as autoridades presentes, estavam o Secretário de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Social do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Inácio Arruda, e a Diretora do Departamento de Popularização da Ciência, Tecnologia e Educação Científica do Ministério, Juana Nunes.

Para o professor Luan Felipe, o encontro em Brasília serviu principalmente para ouvir os desafios e os acertos de cada estado na prática. Ele destaca que o evento não foi uma feira de ciências comum, mas um espaço para discutir como os projetos estão funcionando de verdade nas escolas. “O que mais chamou atenção foram relatos de colegas de outros estados com dificuldades de tempo para o bom funcionamento do projeto. Há lugares onde se mudou o conceito de aula eletiva, transformando-as em reforço de Português e Matemática e querendo deixar o clube de ciências apenas para o contraturno”, alertou o professor.

Luan também pontuou as barreiras físicas que muitos educadores enfrentam pelo Brasil. “Existem lugares onde o aumento da carga horária não veio acompanhado de investimentos nas escolas, o que torna impossível dar continuidade real ao programa. Pode ser que, quando algumas escolas finalmente tiverem espaço para montar um laboratório, os equipamentos já estejam estragados pelo tempo, dificultando o trabalho”, concluiu.

Os alunos dos clubes makers ganharam jalecos como um incentivo para continuarem no mundo da ciência (Foto/Arquivo Pessoal)

Para os clubistas Adair e Wesley, que representaram o Turvo no Distrito Federal, a experiência foi transformadora. Além de conhecerem a capital do país, o ponto alto da viagem foi a visita ao Laboratório Maker do SESI, onde puderam ter contato com tecnologias de ponta. “O que mais nos marcou foi ver como funciona um laboratório de inovação. Vimos, por exemplo, como se faz uma animação profissional, usando um software com uma câmera que permitia ver a ‘sombra’ da imagem anterior para criar o movimento quadro a quadro”, relatou Adair, fascinado com as possibilidades da técnica de animação.

O professor Luan Felipe acredita que a viagem trouxe benefícios imensuráveis tanto para os alunos, quanto para o futuro do Pỹn fĪfĪ. Ele destaca que, embora apenas cerca de 2% dos clubes de ciências nacionais sejam dedicados a escolas indígenas, a troca de experiências em Brasília foi fundamental. “Certamente a experiência foi extremamente positiva. É ótimo ver a troca de perspectivas, conhecer outras realidades e compartilhar dificuldades e sucessos. Meus alunos são bem tímidos e não possuem o português como primeira língua, então essas interações são ótimas para desenvolver a socialização e a valorização do que possuem de diferente”, avaliou o professor.

Acompanhe mais atividades dos Clubes de Ciências pelo Instagram da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência @clubesparanafazciencia e pelo site Paraná Faz Ciência.

Alunos do CEEBJA de Foz exploram criatividade e investigação científica com atividades mais dinâmicas

Esta imagem mostra uma atividade de estudo ou análise científica em uma mesa. Uma pessoa está escrevendo em um caderno com um lápis. O caderno tem muitas anotações e textos, provavelmente de uma atividade prática. Sobre a mesa há: Outro caderno aberto, Uma borracha, Post-its coloridos. Em frente ao caderno há uma caixa com divisões, contendo: pequenos fragmentos de plantas, folhas verdes, musgos ou material vegetal. A caixa tem compartimentos, indicando que os materiais estão organizados para observação ou classificação.
Os alunos usam arte para estudar ciência (Foto/Arquivo Pessoal)

Você já ouviu aquela frase “Nunca é tarde para aprender algo novo”? Ela sofre variações, claro, mas aqui o sentido é o mais importante. O clube Conexões Criativas, de Foz do Iguaçu, é a prova de que incentivar conhecimento nunca é demais, principalmente se for feito de forma lúdica e divertida. A equipe pertence ao Centro Estadual de Educação Básica de Jovens (CEEBJA) Adultos Ourides Balotin Guerra.

O CEEBJA oferece a conclusão do Ensino Fundamental e Médio de forma gratuita para pessoas que não finalizaram os estudos na idade regular. Porém, para que os alunos sintam-se engajados durante esse processo, é fundamental que as aulas valorizem o conhecimento prévio enquanto promovem o protagonismo e despertam a curiosidade.

Partindo desses princípios, o clube de ciências tem como objetivo estimular a participação dos estudantes com práticas artísticas. “Como no CEEBJA as turmas semestrais são de EAD [Educação a Distância], tenho uma grande rotatividade de alunos. Preciso trabalhar com os alunos de forma mais dinâmica em sala de aula”, explica Ana Claudia Seabra Freitas, professora coordenadora.

A imagem mostra uma atividade manual ou artesanal sendo realizada sobre uma mesa. No centro da imagem, uma pessoa usa uma jaqueta acolchoada rosa e segura um copo plástico transparente inclinado sobre uma forma de silicone roxa com vários compartimentos. Dentro desses compartimentos há peças decorativas coloridas, muitas em formato de corações, feitas com glitter e cores variadas, como dourado, verde, azul, vermelho e rosa. O copo parece estar sendo usado para despejar líquido, possivelmente resina ou outro material utilizado para moldagem. À esquerda, outra mão segura um utensílio semelhante a uma espátula, auxiliando no trabalho. Ao redor da mesa há diversos materiais de artesanato, como um furador de papel, tesoura, papéis decorativos e outros objetos de trabalho manual.
Atividade com folhas e flores em resina (Foto/Arquivo Pessoal)

O nome completo do projeto é Clube Conexões Criativas – integrando saberes entre Arte e Ciências. As atividades são realizadas na disciplina de Artes, que funciona como eixo articulador entre diferentes áreas do conhecimento (Biologia, Química e Português). Entre as ações desenvolvidas, estão o trabalho com folhas esqueletizadas e imersão na resina. A ideia é estudar elementos naturais, destacando padrões e explorando as propriedades de preservação.

A imagem mostra um painel artístico de uma árvore sobre um fundo branco. O tronco e os galhos da árvore são desenhados ou pintados em tom de cinza. Sobre os galhos estão coladas folhas secas reais, de cor bege ou amarelada. As folhas parecem estar secas e prensadas, algumas com marcas naturais e pequenas rasuras. A composição lembra um trabalho escolar ou artístico de botânica, misturando desenho com elementos naturais. O painel parece estar sobre uma superfície escura, visível nas bordas da imagem.
Atividade com folhas esqueletizadas (Foto/Arquivo Pessoal)

Na Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, a equipe recebe apoio da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA). Segundo a professora Ana, os alunos têm feito coisas mais simples enquanto o clube aguarda receber as compras dos materiais. “Minha maior expectativa é que a resina, bandejas de silicone e demais utensílios cheguem para que eu consiga trabalhar de forma mais prática o projeto. Pretendo também participar de exposições”, revela.

Clube de Ciências de Borrazópolis une ações de reflorestamento a açãoes de debate público

Um grupo grande de estudantes e adultos está reunido dentro de um auditório ou sala de eventos. Eles estão organizados em um semicírculo ao redor de uma mesa com computador e projetor, posicionada no centro da sala. Ao fundo, há uma tela de projeção e uma parede verde com a inscrição “Câmara Municipal de Borrazópolis”. A maioria dos estudantes veste uniforme escolar em tons de azul, branco e cinza. Alguns adultos estão ao lado do grupo, usando roupas casuais ou de trabalho. Várias pessoas sorriem e algumas fazem gesto de positivo com o polegar, demonstrando entusiasmo. O espaço é iluminado por lâmpadas fluorescentes no teto quadriculado, e o piso é de cerâmica clara. A imagem transmite a ideia de um encontro educativo ou apresentação coletiva em um espaço público.
Jovens pelo Clima na Audiência do Plano Municipal de Saneamento Básico (Foto/Eliana A. da Silva)

Em Borrazópolis, a educação científica ultrapassou os muros da Escola Estadual Humberto de Alencar Castelo Branco para ocupar as cadeiras da Câmara de Vereadores. O clube de ciênciasJovens Pelo Clima, coordenado pela professora Eliana Aparecida da Silva, tem se destacado não apenas pelo trabalho na horta e cozinha escolar, mas por sua participação ativa em debates públicos e nas decisões políticas do município para o meio ambiente.

No dia 4 de março, os integrantes do clube participaram da Audiência Pública para a Revisão e Atualização do Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB) de Borrazópolis. Durante o evento, realizado pela SANEPLAN com contribuições da SANEPAR, os alunos acompanharam o diagnóstico e o prognóstico da cidade em quatro eixos fundamentais: abastecimento de água, esgotamento sanitário, gestão de resíduos sólidos e drenagem urbana.

“A participação na audiência permitiu que os alunos compreendessem a complexidade da gestão pública e a importância de dados técnicos para a qualidade de vida da população,” destaca a professora Eliana Aparecida da Silva.

Um histórico de diálogo e ação prática

A presença dos jovens na Câmara de Vereadores é o resultado natural de um diálogo constante entre as autoridades locais e a comunidade escolar. Desde 2025, o clube vem consolidando parcerias estratégicas em ações que unem teoria e prática:

Setembro de 2025: Os alunos retornaram à Estação Ecológica para um novo plantio de mudas, desta vez focando na preservação da mata ciliar do Rio Ivaí.

E, em 2026, o trabalho do clube com a preservação do meio ambiente continua, pois na semana após a audiência pública, o clube reuniu-se novamente com a Secretaria Municipal do Meio Ambiente para traçar as metas e ações de impacto ambiental a serem realizadas pelos clubistas durante o restante do ano.

A movimentação dos clubistas em espaços públicos de debates é essencial para que os alunos se percebam como parte integrante da sociedade civil e agentes de mudança, desenvolvendo o senso crítico necessário para a construção de um ambiente recuperado e um futuro sustentável.Acompanhe mais atividades dos clubes de ciências pelo Instagram da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência @clubesparanafazciencia e aqui pelo site Paraná Faz Ciência.

Estudantes de Fazenda Rio Grande e São José dos Pinhais apresentaram soluções sustentáveis e análises sociais em evento científico em Curitiba

Fotografia em ambiente interno, em um espaço de eventos. No centro, um grupo de cerca de oito estudantes e uma professora está sobre um pequeno palco, posando para uma foto. Eles usam roupas casuais e uniformes escuros, e estão lado a lado, alguns sorrindo. Ao fundo, há um grande painel preto com um símbolo verde estilizado e a palavra “Semana Araucária”, indicando o nome do evento. Na frente do palco, várias pessoas estão sentadas em cadeiras, de costas para a câmera, assistindo à apresentação. Algumas usam fones de ouvido, sugerindo tradução simultânea ou acessibilidade sonora. O ambiente é bem iluminado, com paredes claras e um mezanino ao fundo. A cena transmite um momento de apresentação ou participação em evento educacional ou científico.
Liga Científica na Semana Araucária (Foto/Giovane de Lima)

Entre os dias 10 e 12 de março de 2026, o Campus da Indústria, da Fiep (Federação das Indústrias do Estado do Paraná), tornou-se o epicentro da inovação paranaense durante a Semana Araucária de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I). Com o tema “Recursos públicos transformados em conhecimento e desenvolvimento”, o evento buscou demonstrar como a ciência impacta o cotidiano da população. No último dia da programação (12/03) em Curitiba, a Rede Paraná Faz Ciência levou dez de seus mais de 250 clubes para compartilhar suas vivências investigativas, com destaque para os clubes Liga Científica e o Mentes em Ação, ambos vinculados à Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR)

Sustentabilidade em Fazenda Rio Grande

O clube Liga Científica, do Colégio Estadual Lucy Requião de Melo e Silva, em Fazenda Rio Grande, apresentou os frutos de sua horta escolar agroecológica. Sob a coordenação da professora Suelen Santos Rego, os estudantes demonstraram como transformam o ambiente escolar em um laboratório vivo.

O foco da apresentação foi a eficácia do adubo orgânico produzido via compostagem na própria escola. A pesquisa, que comprovou um crescimento superior das hortaliças, já colhe reconhecimentos externos: o projeto conquistou o 2º lugar na categoria Empreendedorismo Jovem na FECCI 2025. “Nosso objetivo é criar soluções voltadas para a preservação e levar essa mentalidade científica para feiras e eventos”, destacam os membros do clube.

Ciência Social e Mediação Escolar

Já o clube Mentes em Ação, do Colégio Estadual Herbert de Souza, em São José dos Pinhais, levou ao evento uma investigação científica sobre um tema urgente e global: o fenômeno do bullying. Sob a coordenação da professora Pauline Henrique Fernandes, o clube desenvolveu o projeto “Bullying: uma análise na escola”, que se destaca pelo rigor metodológico na compreensão das dinâmicas de convivência escolar.

O trabalho dos clubistas serve de modelo para outras instituições, pois foca na criação de estratégias de acolhimento frente a esses casos. O planejamento do grupo inclui a formação de estudantes mediadores e a construção de um Programa de Prevenção inspirado no Método Olweus, referência internacional na redução de conflitos através de redes de apoio social e escuta ativa.

Diálogo entre Escola e Universidade

A professora Neusa Nogas Tocha, representante da UTFPR, acompanhou de perto as apresentações e ressaltou como essa integração fortalece a educação. “Ver esses jovens na Semana Araucária é o resultado do trabalho em conjunto da comunidade escolar e universidade. Essa rede de apoio permite que o conhecimento circule e que os estudantes se sintam seguros para investigar temas complexos e compartilhar em eventos como este. É uma demonstração clara de como a colaboração está mudando a educação no Paraná”, defende.

A participação desses clubes na Semana Araucária de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) reafirma que a ciência paranaense começa cedo, dentro das salas de aula ou de locais como as hortas escolares, transformando a realidade dos estudantes e de suas comunidades para melhor.