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II WORKDHOP DO NAPI PARANÁ FAZ CIÊNCIA

Clube de Ciências do Colégio Nilo Cairo une pesquisa, educação lúdica e parcerias locais para transformar estudantes em agentes de saúde pública

Um grupo de dezessete pessoas, entre adolescentes e adultos, posa em uma escadaria externa de um prédio claro, sob a luz do dia. Eles estão organizados em duas fileiras: alguns em pé nos degraus mais altos e outros sentados nos degraus da frente. Todos vestem camisetas brancas com um símbolo de proibição sobre o desenho de um mosquito, sugerindo uma campanha de combate à dengue. A maioria sorri para a câmera, transmitindo união e entusiasmo. O ambiente é simples, com paredes claras, uma janela lateral e piso cerâmico. A imagem passa a sensação de trabalho coletivo e engajamento em uma ação educativa ou comunitária.
Clubistas e professores unidos contra a dengue (Foto/Érica Castilho)

Desde setembro de 2024, o Colégio Estadual Nilo Cairo, em Apucarana (PR), tornou-se um polo de resistência e inovação em saúde pública. Através do clube de ciências“Unindo Forças no Combate à Dengue”, sob a coordenação da professora Érica Castilho, estudantes assumiram o papel de investigadores e agentes de mudança frente a um dos desafios mais críticos da região. O clube surgiu como uma resposta direta à necessidade de enfrentar a epidemia que assolou o estado, já que dados da Secretaria de Estado da Saúde em de 2024 já apontavam um cenário epidemiológico preocupante, reforçando a urgência de intervenções educativas e científicas no ambiente escolar.

O clube não atua de forma isolada. Ele é fruto de uma rede de colaboração que envolve o Núcleo Regional de Educação (NRE) de Apucarana, representado por Hugo Augusto Costa, e a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), representada por Enio Stanzani e Sabrina Klein, coordenadores do projeto Rede de Clubes Paraná Faz Ciência. Além disso, a parceria se estende ao setor de Endemias da Prefeitura de Apucarana, permitindo que os alunos fundamentem suas propostas em dados reais e orientações técnicas de especialistas para combater o mosquito Aedes aegypti de forma eficiente.

CIÊNCIA APLICADA E IMPACTO COMUNITÁRIO

A metodologia do clube vai além da teoria. Ao incorporar o estudo da dengue, os integrantes desenvolvem habilidades essenciais de pesquisa, pensamento crítico e resolução de problemas, aplicando-as em ações que beneficiam diretamente a comunidade. Entre as principais iniciativas desenvolvidas, destacam-se:

“O Clube de Ciências nasceu com o propósito de despertar nos estudantes a consciência científica, ambiental e social sobre um dos maiores desafios de saúde pública do Brasil. Mais do que um projeto escolar, o clube é um movimento educativo e cidadão, que une conhecimento, criatividade e ação para transformar a comunidade por meio da ciência.”, declarou a professora coordenadora do clube Érica Castilho.

HORIZONTES PARA 2026

O clube iniciou o ano de 2026 com fôlego renovado, recebendo novos membros e traçando planos de expansão. As metas para este ano incluem a presença em feiras com projetos inéditos, como a produção de materiais acessíveis para pessoas cegas e a distribuição do livro de colorir para as escolas de ensino infantil que desejam trabalhar a conscientização sobre a saúde. Ao aliar a educação científica à cidadania, o clube de ciências demonstra que o esforço coletivo é a ferramenta mais poderosa para reverter indicadores de saúde e proteger gerações futuras.

A imagem mostra um grupo de cerca de quinze pessoas, entre adolescentes e adultos, está reunido ao ar livre em frente a uma parede clara com janelas altas. Eles se organizam atrás e ao lado de uma mesa grande de concreto, coberta com uma toalha vermelha estampada. Sobre a mesa há alimentos e bebidas, como garrafas de refrigerante, pratos e recipientes, sugerindo um lanche coletivo ou confraternização. A maioria veste uniforme escolar azul-escuro com detalhes claros. Duas mulheres adultas estão nas laterais do grupo, uma usando blusa vermelha e outra marrom. Todos sorriem ou olham para a câmera, transmitindo um clima de união e celebração.
Recepção de novos integrantes do clube (Foto/Érica Castilho)

Equipe apresentou projetos dos clubes makers e compartilhou experiências com outras regiões no evento de Brasília

A imagem mostra um auditório lotado durante o Encontro Nacional + Ciência na Escola. As pessoas estão sentadas assistindo a uma apresentação no palco. No palco, há um telão grande com o nome do evento e várias autoridades sentadas, enquanto uma pessoa fala ao púlpito. O ambiente é amplo, bem iluminado e organizado, com foco na programação oficial do evento. A imagem representa um momento formal, provavelmente a abertura ou uma palestra importante.
O Encontro Nacional contou com representantes do Brasil inteiro (Foto/Isabella Abrão)

O futuro da ciência começa na sala de aula. Isso ficou mais do que provado no 1º Encontro Nacional do programa Mais Ciência na Escola, realizado em Brasília, entre os dias 23 e 26 de março. A Rede de Clubes Maker do Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (NAPI) – Paraná Faz Ciência (PRFC) também esteve presente no evento e reforçou o papel da cultura maker na formação de estudantes protagonistas.

Com laboratórios e atividades voltadas para o “mão na massa”, o Mais Ciência na Escola incentiva ideias, soluções e aprendizados de forma ativa. Por meio disso, promove o letramento digital, a experimentação científica e a inovação na Educação Básica. Tudo para trazer ciência e tecnologia na prática, focando na metodologia STEAM (Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática).

O Encontro Nacional teve como objetivo debater sobre a popularização da ciência e os resultados dos laboratórios makers no Brasil. A programação contou com palestras, mesas temáticas, vídeos institucionais e atividades em grupos, proporcionando a integração entre professores, alunos, coordenadores e pesquisadores. Foi um momento muito importante para a troca de experiências entre todos os projetos do país.

Autoridades e representantes governamentais também compartilharam com o público o cenário brasileiro. A Ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Luciana Santos, destacou a necessidade de práticas pedagógicas democratizadas, que tenham essa pegada mais prática. “Estamos falando de inovação concreta na Educação Básica brasileira. Um programa que aproxima a ciência da realidade dos estudantes, que valoriza o aprender fazendo, a experimentação, a curiosidade e a criatividade”, enfatiza.

Nesta imagem, vemos um momento formal do Encontro Nacional + Ciência na Escola acontecendo em um auditório. No centro, uma mulher está no púlpito, segurando um microfone e fazendo um gesto com a mão, como se estivesse explicando ou destacando um ponto importante. Ao fundo, há um grande telão com o nome do evento “+ Ciência na Escola” e logotipos de instituições como ministérios e órgãos de ciência e tecnologia. À esquerda do palco, outras pessoas estão sentadas em cadeiras, acompanhando a fala. Na frente, aparece parte do público, que assiste atentamente à apresentação.
Ministra Luciana Santos em palestra no Encontro Nacional (Foto/Isabella Abrão)

Em entrevista para o NAPI PRFC, a Diretora do Departamento de Popularização da Ciência, Tecnologia e Educação Científica do MCTI, Juana Nunes, colocou em pauta a importância de fazer política pública com escuta. “A gente quer saber a experiência real de quem vive o programa no chão da escola e esse encontro é para isso. A gente está muito feliz em receber mais de 1600 pessoas aqui […] todo mundo junto, para fortalecer essa experiência tão rica que é criar clube de ciência, montar um laboratório e, principalmente, proporcionar aos estudantes da escola pública brasileira uma educação científica de qualidade”, defende.

Também procurado pela equipe, o Secretário de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Social do MCTI, Inácio Arruda, ressaltou que a primeira grande parceria do Programa Nacional de Popularização da Ciência (POP Ciência) foi com o Paraná. “Nós queremos cada vez incentivar mais a produção científica e a educação científica a partir do Ensino Fundamental, do Ensino Médio […] porque é fomentando a ciência que você cria as condições para produzir tudo aquilo que nós precisamos para o Brasil”, encoraja.

A imagem mostra um grupo grande de estudantes e alguns adultos reunidos para uma foto em um espaço interno. Quase todos usam camisetas verdes do projeto Ciência na Escola e crachás de identificação, indicando participação em um evento. Muitos estão sorrindo e alguns seguram sacolas, provavelmente brindes do encontro. Ao fundo, há uma estrutura com escadas e um painel iluminado com logotipos institucionais. A imagem transmite união, participação e orgulho da equipe. Há ainda a presença de duas autoridades no meio da foto: Juana Nunes e Inácio Arruda.
Equipe NAPI PRFC Maker na companhia do Secretário Inácio Arruda e da Diretora Juana Nunes (Foto/Isabella Abrão)

Rede de Clubes Maker

Quatro clubes paranaenses ficaram responsáveis por representar o estado e a vertente maker do NAPI – Paraná Faz Ciência no evento. Alunos e professores mostraram um pouco do trabalho desenvolvido no projeto, que tem transformado o pensamento crítico dos estudantes, despertado a curiosidade para o mundo da ciência e contribuído com a produção de conhecimento no Brasil.

As equipes participantes são do Colégio Estadual do Campo Professora Margarida Franklin Gonçalves (clube Margarida Consciente), em Ibaiti; Colégio Estadual do Campo Professora Godomá Bevilacqua de Oliveira (clube Circuito Criativo), de Apucarana; Colégio Estadual Indígena Cacique Otavio dos Santos (clube Pỹn fīfī), na Terra Indígena Marrecas, em Turvo; e Colégio Estadual do Jardim San Rafael (clube San Rafa Makers), em Ibiporã.

Inclusive, uma das alunas do clube Circuito Criativo foi escolhida para apresentar a síntese de uma discussão em grupo, durante o encerramento do evento. A atividade separou professores, estudantes e coordenadores estaduais no dia anterior ao relato, estimulando o diálogo entre pessoas de diferentes regiões.

A imagem mostra um palco de evento, em um espaço grande e fechado, com iluminação voltada para a apresentação. No centro, uma jovem está em pé atrás de um púlpito transparente, segurando um microfone e lendo algo, possivelmente um discurso ou apresentação. Ela veste roupas claras e parece concentrada no que está dizendo. À esquerda do palco, há um grupo de cerca de oito pessoas, jovens e adultos, alinhados lado a lado, todos usando crachás pendurados no pescoço, sugerindo que participam do evento como equipe, palestrantes ou competidores.
Paula Fernanda (15 anos) apresentando o debate realizado (Foto/Isabella Abrão)

Segundo a professora Edinara Santos, coordenadora do clube San Rafa Makers, o que mais a impactou no evento foi conhecer a amplitude que o Mais Ciência na Escola tem alcançado. “Nós ficamos realmente impressionados com a grandiosidade e o quanto desse projeto atinge escolas do Brasil inteiro. Ficamos muito orgulhosos de fazer parte disso”, conta.

Para alguns alunos, o Encontro Nacional foi também o primeiro evento científico. É o caso de Victor Souza (12 anos), do clube Margarida Consciente, que já está manifestando interesse na próxima viagem. “A gente veio aqui no evento de Brasília e eu quero ter mais oportunidades também de ir em outros eventos”, revela. “Eu estou gostando muito do Mais Ciência na Escola aqui e, graças ao clube Maker, eu estou podendo participar.”

Os estudantes do clube Pỹn fīfī também demonstraram entusiasmo com a experiência. Para os alunos, conhecer a cidade está sendo uma vivência diferenciada e, sem dúvidas, divertida. “Estou achando legal representar o Paraná. Me perdi um pouco lá no shopping”, brincou Wesley Mathias (15 anos).

Equipe do NAPI PRFC Maker (Foto/Isabella Abrão)

O 1º Encontro Nacional “Mais Ciência na Escola” estava previsto na Chamada Pública CNPq/MCTI/FNDCT Conecta e Capacita nº 13/2024 – Mais Ciência na Escola. O Paraná Faz Ciência Maker faz parte do programa, tendo sido selecionado pelo edital do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Além disso, a iniciativa dos clubes Makers integra as ações do NAPI – Paraná Faz Ciência, que é apoiado pela Fundação Araucária.

Curso de formação promovido pelo NAPI Paraná Faz Ciência permite troca entre professores e gestores de vários estados

Curso de formação de feiras de ciências promovido pelo NAPI Paraná Faz Ciência (Imagem)

Feiras de ciências promovem o ensino por investigação, nem sempre possível de ser aplicado no cotidiano da sala de aula, e acontecem devido ao compromisso dos gestores, professores e alunos, uma base teórica e pedagógica e ao apoio financeiro. A partir dos clubes de ciências, que orientam a observação de fatos do cotidiano e promovem o pensamento crítico e a metodologia científica, será possível ter feiras de ciências robustas onde o aluno é o protagonista.

Este é o pensamento que compartilham os mais de 100 participantes do curso on-line de formação em feiras de ciências promovido pelo Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (NAPI) Paraná Faz Ciência. Realizado na noite de quinta-feira, 23, as duas palestras do segundo eixo foram sobre ‘Metodologias investigativas e projetos científicos na Educação Básica’. 

“Ao propor o curso, nós já sabíamos que era grande o interesse para aprender sobre como organizar e promover feiras de ciências, ou aprimorar práticas para algumas pessoas. Porém, o interesse nos surpreendeu positivamente e irá, com certeza absoluta, fortalecer a realização de eventos científicos no Paraná, e também no país”, enfatizou a articuladora do NAPI Paraná Faz Ciência, professora da Universidade Estadual de Maringá, Débora de Mello Sant’Ana. 

Com o objetivo de oportunizar a troca de conhecimentos e experiências, além de consolidar a Rede de Feiras Paraná Faz Ciência, o curso demonstra que muitos professores e gestores estão dispostos e, de certa forma, ansiosos para implantar os conteúdos ofertados pelos organizadores em seus territórios.

Novos aprendizados e a troca de experiências tem sido a tônica do curso de formação

Método próprio

“As feiras de ciências não brotam do nada. Não importa a idade, todos podem desenvolver projetos investigativos desde que seja respeitada cada etapa do estudante e sua capacidade de planejar um estudo e registar nos diários de bordo. Do Fundamental I e II, que chamamos Kids, ao Jovem, que vai até o final do Ensino Médio, as feiras de ciências são espaços de exposição do aprendizado científico do que eles produzem a partir do que vivenciam na sua realidade”, enfatizou a professora Edinalva Oliveira. 

Doutora em Ciências Biológicas e integrante da Rede de Clubes Paraná Faz Ciências e do Programa Interinstitucional de Ciência Cidadã na Escola (PICCE), Ednalva trouxe para o curso a sua experiência com os clubes e feiras de ciências realizadas no Paraná  exemplos de projetos que podem inspirar outros jovens talentos. Também enfatizou que o PICCE é um programa desenvolvido pelo NAPI Paraná Faz Ciência, em parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR), e oferece gratuitamente 22 protocolos para os alunos experienciarem a ciência. 

O objetivo do programa é popularizar a ciência, criando metodologias de ensino e de aprendizagem das ciências mais articuladas com os conhecimentos contemporâneos e a inovação, sem esquecer a realidade de cada aluno e escola. 

Ciência e vida

Na segunda palestra, a professora Marilene de Oliveira, coordenadora da Feira de Ciências do município de Alto Alegre, de Roraima (FECIMAA/RR), falou da realidade do estado no extremo Norte do país, onde há apenas duas feiras de ciências e escassos recursos, mas muita criatividade e compromisso de professores e alunos com a ciência.

“A feira de ciências é um trabalho em rede para colocar os alunos no mundo da ciência, para estarem se apropriando de métodos, de conceitos e caminhos que eles vão seguir com os projetos”, destacou a professora de Roraima. 

Com sua longa experiência em vencer as dificuldades e oportunizar experiências produtivas e marcantes para os alunos e professores, Marlene mostrou que foi possível verificar outro aspecto neste contexto, que vai muito além da pesquisa. “A experiência de vida que eles têm é muito gratificante e se reflete no trabalho que fazemos aqui, conseguindo impactar no nível de cada na participação social, seja na Educação Básica ou no futuro”, explicou Marlene.

Apesar de viver numa região isolada, com muitos problemas sociais e ambientais, muita violência, nunca se deixa de fazer ciências. “Pelo contrário, a ciência ajuda a tirar esses meninos e meninas da área de garimpo e do crime e os transforma em escritores, pesquisadores, engajados e prontos para observar, entender e transformar o mundo que os cerca.”, disse a coordenadora. 

Marlene de Oliveira, coordenadora da Feira de Ciências do município de Alto Alegre, de Roraima (FECIMAA/RR) (Imagem)

Para ela, “trabalhar com feiras de ciências na Educação Básica não é só dar noções de pesquisa, a gente pode fazer muito mais. Depende até onde você (professor) quer ir, seus objetivos com esse conhecimento passado aos alunos”, completou a professora.

Marlene defendeu ainda que o lugar de novos doutores é na Educação Básica.”Nada contra quem quer seguir carreira na academia, mas o trabalho com crianças e jovens é a certeza de que a ciência poderá fazer a diferença para eles e a sociedade”, finalizou.

Vinculadas aos Clubes de Ciências da Unespar, alunas foram aprovadas no vestibular da própria instituição

Três participantes, duas estudantes e uma orientadora, posam sorrindo em um estande da FECCI. Ao fundo, há pôsteres sobre pesquisas científicas, e sobre a mesa estão materiais e amostras usadas na apresentação. A cena representa um momento de divulgação científica em ambiente educacional.
Agatha da Cunha (à esquerda) foi uma das alunas aprovadas no vestibular de Ciências Biológicas da Unespar (Foto: Arquivo pessoal)

Duas jovens estudantes celebraram recentemente uma importante conquista acadêmica: a aprovação no curso de Ciências Biológicas da Universidade Estadual do Paraná (UNESPAR). Além do excelente desempenho no vestibular, as alunas compartilham outro ponto em comum: ambas fizeram parte dos Clubes de Ciências vinculados à mesma universidade em que foram aprovadas. 

As estudantes, que participaram ativamente de projetos e iniciativas vinculadas à universidade, destacaram que essa proximidade prévia com a Unespar e com os Clubes de Ciência foi fundamental para a escolha do curso e para a preparação ao processo seletivo.

Agatha da Cunha Kulesza estudou no Colégio Cívico-Militar Sertãozinho, em Matinhos, e integrou durante dois anos o Clube de Ciências Eco Cientistas. Em novembro de 2025, ela teve a oportunidade de apresentar um dos trabalhos feitos no clube durante a Feira de Cultura Científica Paraná Faz Ciência, a FECCI. 

Orientado pela professora Luciana Martins, o trabalho “Microorganismos no ambiente escolar: desafios e soluções para a saúde dos estudantes” marcou a trajetória escolar da aluna e a preparou para o maior desafio até o momento: passar no vestibular. 

Dois estudantes, usando camisetas brancas e crachás, posam abraçados em um estande da FECCI, com pôsteres científicos ao fundo e materiais de pesquisa sobre a mesa.
Agatha apresentou o projeto sobre a relação dos micro-organismos na saúde dos estudantes durante a FECCI, em novembro de 2025 (Foto/ Arquivo pessoal)

De acordo com Agatha, a escolha pelo curso de Ciências Biológicas partiu de um interesse que ela já tinha antes, mas “fazer parte do Clube de Ciências me ajudou a ter a segurança de que era aquilo mesmo que eu queria”, contou a ex-clubista. 

Emily Rafaela Falchetti Dal Bosco, também foi aprovada em Ciências Biológicas, na Unespar. Ela é ex-aluna do Colégio Estadual Rocha Pombo, em Antonina e fez parte do Clube de Ciências Mangue: o Berçário da Vida ( clubedeciencias.rocha_pombo ). Emily participou de atividades voltadas à análise físico-química e biológica de ambientes costeiros, com foco nos manguezais locais. Ela também foi aprovada no vestibular de Geografia na Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Emilly Rafaela celebra sua aprovação em duas universidades, conquistando vagas em Ciências Biológicas (Unespar) e Geografia (UFPR). (Foto: Colégio Estadual Rocha Pombo/Instagram)

A aprovação das duas jovens simboliza não apenas uma conquista individual, mas também o sucesso das atividades realizadas pelos Clubes de Ciência, que aproximam os estudantes do ambiente da pesquisa desde cedo. Agora, como ingressantes do curso de Ciências Biológicas, elas iniciam uma nova etapa, levando consigo a experiência prévia e o entusiasmo por contribuir com a ciência e a preservação ambiental.

Acompanhe mais atividades dos Clubes de Ciências pelo Instagram da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência @clubesparanafazciencia e pelo site Paraná Faz Ciência.

Lançado durante a Semana Araucária de Ciência, Tecnologia e Inovação, o livro reúne análises e experiências dos Novos Arranjos de Pesquisa e Inovação

Lançamento do livro sobre os NAPIs, durante a Semana Araucária de CT&I (Foto/Napi Paraná Faz Ciência)

A Semana Araucária de Ciência, Tecnologia e Inovação, realizada entre os dias 10 e 12 de março, em Curitiba, foi palco do lançamento do novo livro da editora da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (EDUTFPR). ‘Novos Arranjos de Pesquisa e Inovação (NAPIs)’ foi produzido pelo ‘Programa de Apoio às Publicações Científicas – Fortalecimento de Editoras’, promovido pela Fundação Araucária.

Os NAPIs, criados em 2019 pela Fundação Araucária com apoio da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Estado do Paraná (Seti), unem universidades, setor produtivo, governo e sociedade civil em busca de um objetivo em comum: impulsionar o desenvolvimento científico, tecnológico e a inovação no estado. 

A publicação traça um panorama dos 17 principais Arranjos financiados pela Fundação Araucária, que contam com ações consolidadas de pesquisa e extensão e percorrem os eixos de Transformação Digital e Desenvolvimento Sustentável.

Débora Sant’Ana e Rodrigo Reis apresentando o NAPI Paraná Faz Ciência na Semana Araucária de CT&I (Foto/Napi Paraná Faz Ciência)

A articuladora do NAPI Paraná Faz Ciência, Débora de Mello Gonçales Sant’ Ana, comenta que o livro é um retrato das principais ações de Ciência e Tecnologia do Paraná e que o capítulo referente ao PRFC traz uma abordagem teórica sobre o arranjo e os resultados obtidos até a atualidade.

“No capítulo do NAPI Paraná Faz Ciência são apresentados os dados das principais ações desenvolvidas como a Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, as ações de comunicação pública, ciência cidadã e as demais redes como a de museus e de feiras de ciências”, explica a professora 

“A leitura do capítulo do livro levará o leitor a compreender um pouco da história de implantação do NAPI e o estágio em que se localiza na atualidade”, completa Débora.

Rodrigo Arantes Reis, também articulador do NAPI Paraná Faz Ciência, explica que a ideia do capítulo é, justamente, que se possa ser usado como referência: “Volta e meia nós recebemos questionamentos sobre quais são as bases que a gente usou para a construção do NAPI, e esse capítulo traz um pouco então teoricamente, como um livro denso e um capítulo denso, que explica qual que é a base e os princípios que regem e que alicerçam a construção do NAPI Paraná Faz Ciência”.

“Fazer parte de uma produção como essa, para nós, é super importante. Você começa a trazer à ação ou trazer uma reflexão que parte das ações que a gente desenvolve para construir e embasar isso teoricamente”, destaca Rodrigo.

“A ideia é que esse material sirva e possa ser usado como uma referência. Uma referência tanto no estado [do Paraná], dialogando ali com o capítulo e com os demais NAPIs, mas também como um modelo de organização para os outros estados”, finaliza o articulador. 
A aquisição do livro físico pode ser feita pelo site da EDUTFPR e o e-book pode ser baixado gratuitamente no repositório institucional da UTFPR.

Os estudantes já criaram um site e prepararam um artigo sobre a temática do clube

A foto é do Clube de Ciências ‘Makers CEUP” do Colégio Estadual Unidade Polo de Maringá. A imagem mostra um grupo de jovens reunidos em uma sala de aula que aparenta ser um laboratório de informática. Ao todo, há vários estudantes, em sua maioria adolescentes, organizados em duas fileiras. O ambiente possui bancadas de granito com computadores e monitores desligados, além de cabos e teclados sobre as mesas. Os estudantes vestem, em grande parte, camisetas de uniforme escolar em tons de cinza, azul e preto.

Em Maringá, o Clube Makers do Colégio Estadual Unidade Polo, mais conhecido como Makers CEUP, conta com 24 alunos do Ensino Médio. Desses, dez são bolsistas, outros participam do projeto desde o começo do ano e alguns chegaram após a troca de disciplina eletiva no meio do ano de 2025. Por ser um colégio em turno integral, o clube também é uma eletiva.

O objetivo do clube é estudar a piezoeletricidade e desenvolvê-la para a escola. Os estudantes primeiro compreenderam o que era o Piezo. Conforme o professor, Mateus Zozernon, “o Piezo é um cristal que tem alguns materiais, como o quartzo, e quando você o pressiona, ele muda de formato e se polariza. A polarização dos átomos, ligado a um aterramento, gera essa energia elétrica.” Dessa forma, a piezoeletricidade nada mais é que energia mecânica convertida em energia elétrica.

O Makers CEUP começou em 2025 com a iniciativa do diretor da escola, que passou nas salas de aula anunciando o clube de robótica. Os estudantes que se interessaram foram selecionados por critérios ligados à vulnerabilidade social. No segundo semestre, houve a troca de disciplinas eletivas e alguns alunos deixaram o clube, enquanto outros entraram.

De forma geral, o professor Mateus afirma que a equipe é bem engajada na pesquisa e desde o início do projeto tudo aconteceu de forma democrática. Os estudantes em conjunto com o professor decidiram o tema que iriam pesquisar. Após a escolha da temática, o professor explicou como funcionaria a pesquisa, “eu disse que trataria como nível acadêmico”, comenta Mateus. 

Assim, no primeiro semestre foi trabalhada a parte teórica, demonstrando como funciona o método científico. Depois, partiram para o estudo sobre modelagem e impressão. Os clubistas pesquisaram e leram artigos. “Todos participaram de todo o projeto. Estudaram os mesmos conceitos para depois escreverem a pesquisa deles. Houve momentos de correções, tanto da parte teórica, quanto gramatical”, afirma o professor. 

Já no segundo semestre, o projeto foi mais desenvolvido na prática: prototipagem, modelagem e a chegada da impressora. “Foi neste período que vivenciamos um momento muito especial para os clubistas que foi a preparação para a primeira feira do clube que aconteceu em Guarapuava, em setembro de 2025: a Feira do Paraná Faz Ciência.”, relembra o professor.

“Foi o auge do clube até o momento”, afirma Zozernon. A experiência de sair de Maringá, ir para outra cidade e apresentar um projeto de pesquisa a nível estadual foi uma grande experiência para os clubistas. “Os estudantes conheceram outros vários projetos, outras universidades, pessoas de renome apresentando…foi um momento muito especial”, conta.

Essa oportunidade de fazer parte de um clube e vivenciar essas situações é muito importante, como explicou o docente. “Na minha época eu gostaria de ter tido essa iniciação científica sem ser apenas na universidade. Para mim é a primeira vez que eu oriento um trabalho em escola”, argumenta Mateus. 

Para os alunos também o clube representa uma novidade, conhecer o meio científico e como a pesquisa funciona, até como se publica artigo. “Eu quero passar pra eles a ideia do que é uma pesquisa científica”, afirma o professor contente com a animação dos estudantes.

Algumas dificuldades na estrutura do colégio tornam o processo difícil para o clube funcionar, como não ter um espaço reservado para as atividades e conexão de internet instável. Ainda assim as ações seguem acontecendo, como a produção de um vídeo que apresentava o projeto do Clube, outra parte do grupo está experimentando a impressora 3D e outros desenvolvendo o site. “É tudo com eles, cada um colaborando de alguma forma com o clube”, conclui o professor.

Grupo de jovens e adultos reunidos em um estande de feira dentro de um pavilhão amplo, na Expo Umuarama 2026. Eles observam e manuseiam caixas de madeira sobre uma mesa, nas quais estão armazenadas as colméias de abelhas sem ferrão, enquanto os alunos clubistas explicam o conteúdo. Ao fundo, há painéis informativos do Paraná Faz Ciência e iluminação industrial no teto.
Membros do clube de ciência Bento Bee apresentando seus trabalhos na Expo Umuarama 2026 (Foto/Arquivo pessoal)

Conhecida como uma das maiores feiras comerciais, industriais e de agronegócio do Sul do país, a Expo Umuarama 2026 sediou também atividades de divulgação científica, com um espaço para exposição dos clubes de ciências da região de Umuarama e ligados à Rede Paraná Faz Ciência. Também estiveram no espaço atrações do Museu Dinâmico Interdisciplinar (MUDI) da Universidade Estadual de Maringá (UEM), a Fazendinha da UEM e ainda estandes dos cursos ofertados pela universidade. A programação de eventos da Expo Umuarama é de 12 a 22 de março.

Agregando às atividades de divulgação científica, este ano a exposição contou com a presença dos clubes integrantes Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, da cidade de Umuarama e da região, sendo eles: Experimentando a Ciência (Escola Estadual do Jardim Canadá), Bento Bee (Colégio Estadual Bento Mossurunga), Denguebot (Colégio Estadual Vereador José Balan), Tenda Cultura Viva (Colégio Estadual Professora Hilda Trautwein Kamal), Green Lab (Colégio Estadual Almirante Tamandaré, Cruzeiro do Oeste), e Paisagismo Sustentável (Escola Estadual Manuel Bandeira, Alto Piquiri).

Os clubes se revezaram e estiveram presentes durante os dias 16 a 19 de março, no Pavilhão da Indústria e Comércio, junto dos demais estandes ligados à Universidade Estadual de Maringá, demonstrando ao público um pouco de seus projetos, de forma prática e também teórica, usando maquetes e brincadeiras.

Clube Bento Bee

Na tarde do dia 16, houve a exposição no estande do Clube Bento Bee, do Colégio Estadual Bento Mossurunga, de Umuarama, representado pelos estudantes Lorena, Manuela, Miguel e Luiz. O clube trabalha com abelhas sem ferrão, trazendo para a comunidade a importância desse inseto para a produção de alimentos, polinização de flores e seu papel fundamental na manutenção de um ecossistema saudável.

No estande, os clubistas expõem as colmeias de diversas espécies, como a abelha Lambe-Olhos (Leurotrigona muelleri), a Mandaçaia (Melipona quadrifasciata) e a abelha Iraí (Nannotrigona testaceicornis), proporcionando uma experiência visual muito interessante para os visitantes do evento. A mostra dos clubistas do Bento Bee também oferece experimentação de própolis e mel para os visitantes, ambos produzidos pelas abelhas que eles mesmos criam no projeto do clube.

Alunos e professores clubistas do clube Green Lab que receberam a visita da Secretaria Estadual de Educação (SEED) durante a Expo Umuarama 2026 (Foto/Arquivo pessoal)

Na manhã da terça-feira, dia 17, foi a vez da exposição do Clube Green Lab, do Colégio Almirante Tamandaré, da cidade de Cruzeiro do Oeste. Os principais objetivos do clube incluem a sensibilização da comunidade para o descarte correto do óleo de cozinha, assim como orientar maneiras de reaproveitamento para esse produto residual das cozinhas. 


“No clube, nós pegamos o óleo que seria descartado incorretamente no lixo ou na pia e fazemos sabão! Já fizemos velas, então é possível fazer várias coisas com óleo, até desengordurante. É uma forma de salvar o meio ambiente. Um litro de óleo descartado, que poderia contaminar 25 mil litros de água, está aqui, usamos para fazer sabão”, apontou o clubista Miguel.

Os clubistas expõem sabões feitos com óleo residual em variadas formas: líquido, em pó e em pedra, possuindo diversos aromas e possibilidades de uso.

Clube Tenda Cultura Viva

Na parte da tarde, o Clube Tenda Cultura Viva, do Colégio Estadual Hilda Trautwein Kamal, de Umuarama, também marcou presença na Expo Umuarama 2026. O clube desenvolve estudos que aprofundam conhecimentos em culturas indígenas e africanas, visando quebrar o estigma contra esses povos que ainda é visto na sociedade. O projeto tem estudado adereços usados por esses povos, pesquisando os materiais, os significados e replicando técnicas típicas, o que resgata e valoriza tais heranças culturais.

“Combater o preconceito enraizado na população brasileira hoje é um passo fundamental para a construção de uma sociedade mais justa”, diz a clubista Maísa.

Estande do clube Tenda Cultura Viva, do Colégio Estadual Hilda Trautwein Kamal recebendo estudantes da rede municipal de Umuarama na Expo Umuarama 2026 (Foto/Arquivo pessoal)

Os clubistas montaram um estande repleto de adornos típicos de diversas culturas indígenas brasileiras e africanas, como colares, adornos e também itens de caça: lanças e arco e flecha. Os visitantes puderam interagir com o projeto experimentando os adornos e também brincando de acertar o alvo com o arco e flecha.

Denguebot 

Na quarta-feira dia 18 de março, o Clube Denguebot, do Colégio Estadual Vereador José Balan, de Umuarama, expôs o protótipo de robô autônomo que auxilia no combate ao Aedes Aegypti no ambiente escolar. Sua função é otimizar a liberação do repelente natural feito com citronela. 

Os clubistas explicam o funcionamento de dois modelos de robôs: um para exemplificar a efetividade do difusor de repelente e o outro para evidenciar a tecnologia de sensor de aproximação, que é a mesma usada em robôs aspiradores, o que dá a capacidade ao aparelho de mapear o ambiente de forma completamente autônoma.

Membros do Clube Denguebot expondo protótipos de robôs autônomos de auxílio no combate à dengue, na Expo Umuarama 2026 (Foto/Arquivo pessoal)

Paisagismo Sustentável

No estande ao lado, o Clube Paisagismo Sustentável, da Escola Estadual Manuel Bandeira, do município de Alto Piquiri, também apresentou seus projetos. Os clubistas explicaram seus trabalhos com muito orgulho, visto que o Clube foi premiado em 1º lugar na FECCI 2025, na categoria “Tecnologia e Robótica”. Esse projeto tem como objetivo revitalizar espaços degradados e não utilizados do ambiente escolar dos estudantes, partindo do reaproveitamento de itens que seriam descartados, transformando-os em bancos, floreiras, canteiros, tornando o espaço estudantil mais agradável e sustentável.

O que chama atenção, além da revitalização promovida por alunos e professores, é a inovação tecnológica aplicada para solucionar problemas relacionados ao ambiente do entorno. Segundo a estudante clubista Emanuelle, eles desenvolveram um sistema de irrigação inteligente controlado pelo smartphone, bastando um clique para que toda a área verde da escola seja automaticamente irrigada. Este detalhe do projeto que foi demonstrado por meio de maquetes interativas garantiu o título ao clube na FECCI 2025.

Membros da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência e clubistas do Paisagismo Sustentável na Expo Umuarama 2026 (Foto/Arquivo pessoal)

Experimentando a Ciência

No último dia de exposição de clubes, o Experimentando Ciências, Clube da Escola Estadual do Jardim Canadá, de Umuarama, esteve no estande para encerrar a participação dos clubes. Eles mapeiam os alimentos menos consumidos na merenda escolar a fim de encontrar uma solução para conter o desperdício, ao mesmo tempo que querem garantir que os nutrientes presentes nesse alimento sejam devidamente consumidos.

“Após um levantamento de dados inicial, concluímos que o alimento menos consumido foi o chuchu. Então pensamos: como fazer com que os estudantes se alimentem deste fruto sem comê-lo diretamente? Entendemos que o gosto e a textura do chuchu não agradam muitos alunos, então realizamos a primeira receita do projeto: o pão de chuchu”, explicou a clubista Carol. A estudante aponta ainda que há mais dois projetos em desenvolvimento: o iogurte com geleia de pêra e o pão de abóbora.

Além da parte gastronômica, o clube também se empenhou em realizar atividades pedagógicas para crianças com foco em uma alimentação saudável. Os clubistas desenvolveram um jogo de tabuleiro e cartas com a temática de boa alimentação, assim como utilizaram a tecnologia para criar um jogo de computador que demonstra os malefícios dos ultraprocessados e reforça a importância de uma alimentação rica em alimentos frescos e orgânicos.

Estudantes clubistas do Clube Experimentando Ciências recebem visitantes em seu estande na Expo Umuarama 2026 (Foto/Arquivo pessoal)

A participação dos clubes de ciência em feiras como esta significa a conquista de mais espaço para a visibilidade e valorização da educação dos jovens paranaenses, incentivando a permanência escolar e devolvendo para a sociedade conhecimento científico fomentado os colégios. É uma experiência que agrega não somente para a formação do aluno, como também conscientiza a comunidade.

Na primeira reunião, foi lançado edital do Programa de ‘Feiras Afiliadas’ à FECCI 2026, que já tem data definida

Primeiro módulo do curso remoto de formação para feiras de ciências, realizado pelo NAPI Paraná Faz Ciência (Imagem)

O início do primeiro curso de formação para professores, graduandos e pós-graduandos e gestores de escolas públicas e privadas sobre a realização de feiras de ciências não poderia ter sido mais produtivo e inclusivo. Foram selecionados 100 participantes para o curso on-line, sendo a maioria do Paraná, mas também de outros estados. Quase a totalidade esteve na primeira reunião realizada nesta quinta-feira, 19, para conhecer a Rede de Feiras de Ciências Paraná – Faz Ciência, o edital de ‘Feiras Afiliadas’ e acompanhar com tradução simultânea em Libras. 

Organizado pelo Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (NAPI) Paraná Faz Ciência (PRFC), em parceria com a Secretaria de Estado da Educação (SEED/PR), a proposta do curso é compartilhar informações sobre como organizar feiras de ciências em suas instituições de Ensino Básico e estimular e apoiar participações em feiras e mostras de ciências. Somando-se ao objetivo da iniciativa, a divulgação e popularização da ciência será o tema central dos encontros, no total de quatro até 9 de abril, sempre às quinta-feiras, das 18 às 20 horas.

“Foram mais de 427 inscritos de vários estados do país para, inicialmente, 50 vagas ofertadas. Como o limite da sala do Google Meet é de 100 pessoas, resolvemos dobrar as participações. A partir desta demanda espontânea, com certeza, vamos organizar outros cursos sobre o tema para compartilhar conhecimentos e, assim, fortalecer a Rede de Feiras de Ciências Paraná Faz Ciência”, explicou uma das articuladoras do NAPI PRFC, professora Débora de Mello Sant’Ana, da Universidade Estadual de Maringá (UEM).

Durante sua fala, Débora anunciou o lançamento do Edital 01/FECCI-2026, que tem por objetivo ampliar a participação das escolas e clubes de ciências na segunda edição da Feira de Cultura Científica Paraná Faz Ciência (FECCI 2026), a ser realizada de 4 a 6 de novembro, em Curitiba. 

A FECCI é uma realização do NAPI PRFC, com apoio da SEED e da Secretaria da Educação de Curitiba e atraiu mais de 15 mil visitantes na primeira edição. Em 2025, foram apresentados 380 trabalhos e a expectativa deste ano é chegar a 700 e ampliar o alcance da feira em termos de produção de projetos de ciências e visitação.

Mais de 1.600 expositores participaram da Feira de Cultura Científica 2025, realizada em Curitiba (Foto/NAPI PRFC)

Com o programa “Feiras Afiliadas” será possível contribuir ainda para a construção de uma rede estadual com a participação, inclusive, da Feira do Sesi, e, no futuro, garantir a afiliação da FECCI a feiras nacionais, como a Mostratec. No edital é possível conhecer todos critérios para participação e avaliações dos projetos inscritos, com inscrições abertas entre 1º a 30 de abril.

À frente da organização do curso de formação, a pós-doutoranda Dayanne Dailla, também bolsista do NAPI PRFC na Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, enfatizou, na abertura dos trabalhos, que a realização do curso teve, a princípio, um motivo pragmático. 

“A gente criou para ver qual era a real necessidade de cada um de vocês que estão participando em relação à organização e entender o que são as feiras de ciências. Vamos fazer uma comunicação mais efetiva com o grupo para dirimir dúvidas e atender as demandas que surgirão”, informou. Dayanne adiantou, ainda, que, ao longo do curso, haverá muitas outras ações, como editais, brindes aos participantes e troca de experiência e momentos de grande aprendizado.

Dos clubes para as feiras de ciências

“Assim como os clubes de ciências, as feiras de ciências são espaços não formais de ensino e eventos coletivos que visam descobrir talentos e despertar nos jovens a criatividade, motivação e um centro de interesse que é a ciência”. A afirmação foi feita pelo palestrante convidado, o professor de Química, da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), Ivo Leite Filho, também coordenador geral da Popularização da Ciência, programa do Ministério de Ciência, Tecnologia e  Inovação(MCTI).

Com mais de 40 anos de atividade e experiência em formatação, organização e coordenação de feiras no Brasil e América Latina, Leite Filho é um estudioso e entusiasta desses eventos como espaços de descoberta do que é realmente a ciência. “A ciência não é crença. Ela é a área de observação dos fatos e onde devem estar todos os alunos, não só os ‘inteligentes’, como normalmente se pensa. A ciência é para todos que tenham curiosidade e disposição para aprender o método científico”, alertou.

Professor Ivo Leite Filho, da UFMS, conta a sua experiência de mais de 40 anos com feiras de ciências (Imagem)

A cultura das feiras com projetos de ciência começou nos Estados Unidos, na década de 1920. No Brasil, a experiência começou a ganhar corpo na década de 1950 com o médico José Reis. Hoje, o mais importante prêmio para divulgadores científicos do país, criado em 1978, pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico CNPq,  leva o nome dele.

A iniciativa que ocorre, hoje, no Paraná, por meio do NAPI Paraná Faz Ciência, foi elogiada pelo professor. Ele reconhece que a estratégia empreendida tem um grande potencial, porque começa com a criação da Rede de Clubes de Ciências, lançada em 2024, antes da Rede de Feiras de Ciências. “Durante o meu percurso, percebi que este é um caminho eficiente e seguro para garantir que a juventude do Paraná, e do Brasil, encontre na ciência um futuro de realização e inovação, o que fará diferença para a sociedade”.

Participantes da Semana Araucária de CT&I conheceram o protótipo desenvolvido para incrementar a divulgação científica

Expositor portátil amplia estratégias de divulgação científica dos NAPIs no Paraná (Foto/NAPI PRFC)

Após dois anos de concepção, formatação do projeto e construção do protótipo, um aparato expositor planejado para auxiliar pesquisadores dos Novos Arranjos de Pesquisa e Inovação (NAPIs) na divulgação científica finalmente pôde ser avaliado pelo público alvo. Durante a Semana Araucária de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I), realizada em Curitiba, entre 10 e 12 de março, os participantes puderam conhecer o projeto, tirar dúvidas e dar sugestões de melhorias.

O expositor foi desenvolvido a partir de uma parceria entre a Fundação Araucária, o Setor de Artes, Comunicação e Design, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), e a Agência Escola UFPR, sob coordenação do NAPI Paraná Faz Ciência (PRFC). 

“A expectativa é que, através desses aparatos, a gente possa em eventos, em atividades de itinerância, divulgar a produção e os conhecimentos que cada um desses NAPIs produzem em parceria”, diz Rodrigo Reis, articulador do NAPI PRFC.

O idealizador do aparato, Vinícius Miranda de Morais, fez uma apresentação do expositor para divulgação científica na Semana Araucária (CT&I) 2026 (Foto/NAPI PRFC)

Desde o princípio, o conceito do projeto foi fazer um aparato móvel, com capacidade para desengatar os componentes ou módulos, encaixar tudo dentro de uma base e transportar de um modo fácil para participação de eventos em outros locais. Além da mobilidade, a proposta é garantir funcionalidade num espaço expositivo que traz um caráter mais institucional para os grupos de pesquisa apresentarem os resultados de seus projetos. 

Para o professor de Design da UFPR, Vinícius Miranda de Morais, “o designer entra justamente nesse momento, que é pensar esses formatos que a gente está chamando de ‘museu itinerante’, como um dispositivo para exposição dos resultados de pesquisas”. 

A etapa de avaliação e verificação do público do resultado do trabalho, que foi pensado e projetado no laboratório, é desafiadora. “Sempre que a gente desenvolve um produto, que coloca ele com as pessoas, é quando realmente acontece a primeira aproximação e é muito legal ver a criação sendo observada. É um momento importante de validação do projeto”, completa Morais.

Vinícius Miranda de Morais (à esquerda) e Giuliano Perreto (Foto/NAPI PRFC)

O bolsista técnico que auxiliou a criação, Giuliano Perreto, enfatiza a facilidade de uso do expositor: “A ideia é você conseguir fechar tudo e todos os componentes irem dentro da estrutura, sendo possível desmontar e carregar como um carrinho”.

Na etapa final, depois de avaliar sugestões e críticas ao protótipo, serão produzidas 25 unidades para serem distribuídas. “A gente está trabalhando no projeto há dois anos e o trouxe para feira para conseguir ter uma troca com os pesquisadores e as pesquisadoras e entender o que funciona ou possíveis melhorias para o projeto”, adianta Perreto.

Durante a Semana Araucária de CT&I, realizada em Curitiba, representantes se encontraram para discutir novos encaminhamentos da iniciativa

A Quinta da Seda, de Londrina, será no Jardim Botânico, com mais de 500 metros quadrados para exposições e interações com os visitantes (Foto/Arquivo Cristianne Cordeiro)

A Rede de Quintas de Ciência do Paraná, coordenada pelo Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação – NAPI Paraná Faz Ciência, teve seu momento de encontros e reuniões na Semana Araucária de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I), promovida pela Fundação Araucária, em Curitiba, no campus da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep).

Na atual fase do projeto, as Quintas de Ciência são compostas por seis unidades regionais voltadas às vocações locais: Quinta da Seda (Londrina), Quinta da Madeira (Guarapuava), Quinta das Águas (Foz do Iguaçu), Quinta da Sustentabilidade (Maringá), Quintas das Nascentes (Piraquara) e Quinta dos Mangues (Pontal do Paraná). A iniciativa tem o fomento da Fundação Araucária, vinculada à Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti).

O nome ‘Quintas’ vem da inspiração do projeto Ciência Viva, de Portugal, que é referência em Ciência Cidadã. São espaços onde a tradição rural e a inovação se combinam para criar um ambiente atrativo para os jovens conhecerem diferentes assuntos, antes de escolhas profissionais e para os empresários com visão de futuro. Neste sentido, ‘Quinta’ corresponde ao nosso sítio, chácara ou fazenda, que podem abrigar criação de animais, culturas específicas ou projetos que valorizem a ciência, a natureza e a sustentabilidade.

“Ao mesclar a curiosidade e interatividade dos centros de ciência, as instituições de ensino superior e escolas pretendem construir uma rede viva de projetos novos e ideias inspiradoras, sempre junto com pequenos e médios produtores rurais, empresários e gestores públicos”, enfatiza Débora de Mello Sant’Ana, articuladora do NAPI Paraná Faz Ciência.

Na imagem estão Débora de Mello Sant’Ana (à esquerda), Adriana Brandt, articuladora do NAPI Trinacional e Quinta das Águas, Karine e Aurélio Sant’Anna, da Aukland (Foto/NAPI PRFC)

Espaço de Experiência

A empresa responsável pela definição de cada um dos seis projetos, nesta primeira fase, será a Auckland – Arquitetura e Produção de Espaços de Experiência, de Curitiba. Com experiência na concepção de museus, memoriais e exposições, o casal Karine e Aurélio Sant’Anna se lança no desafio de criar um espaço de divulgação da ciência e vivências para cada uma das Quintas.

“Estamos há mais de seis meses conversando e amadurecendo a proposta, que nasceu a partir da nossa paixão por museus e uma conexão de ideias com os professores Débora e Rodrigo [Reis], do NAPI Paraná Faz Ciência”, relembra karine. Eles se conheceram durante o V Encontro Nacional da Associação Brasileira de Museus de Ciências (ABCMC), realizado, em agosto do ano passado, em Maringá. Em janeiro deste ano, o casal viajou para Portugal para conhecer, in loco, as Quintas da Ciência Viva e, assim, iniciar a formatação do projeto paranaense.

Karine explica que, a partir da visita, o próximo passo foi conversar com os ‘quinteiros’, como são chamados os coordenadores das seis Quintas já definidas. “Cada espaço será pensado a partir da vocação da cidade, o que nos dará uma assertividade muito grande. O potencial de dar certo é muito maior, porque não são coisas que surgiram da opinião das pessoas, mas das vocações locais e das comunidades”, enfatiza a diretora da Auckland.

O arquiteto e urbanista Aurélio Sant’Anna destaca que cada trabalho não é só questão do design da arquitetura, mas do conteúdo. “A gente gosta de imaginar e casar arquitetura e conteúdo. Na verdade, a arquitetura serve ao conteúdo, prioritariamente”, completa. Serão novas construções e outras já existentes, que serão adaptadas, sempre dentro do contexto de cada tema, visando despertar o interesse da população e criar consciência para a importância da ciência e da sustentabilidade.

Com um portfólio que contém suas ideias e digitais como o Parque da Ciência Newton Freire Maia, em Pinhais, e o Museu Planeta Água, de Curitiba, Sant’Anna diz que sua verdadeira inspiração é ver a criança de olhos brilhando na exposição. “Esse sujeitinho de um metro e dez, um metro e vinte, é que nos interessa. Claro, que nos interessa todas as pessoas, as idades, com toda a diversidade de cada família, mas a gente simboliza nessa criança a nossa fonte, nós servimos devotamente a esta criatura de olhos brilhantes”, confessa o arquiteto.

Quinta da Seda

Tudo aponta para que Londrina seja a primeira cidade a implantar a Quinta da Seda, da Rede de Quintas de Ciência. Reconhecida como polo de produção do melhor fio de seda do mundo e maior exploradora desse produto na América Latina, a cidade do Norte do Paraná poderá ser contemplada com um novo espaço físico para experiência e aprendizado centrado na seda e suas particularidades. 

Com o apoio e parceria da prefeitura municipal, o Jardim Botânico foi o local escolhido para abrigar o museu interativo, a ser implantado na ala onde funciona a base administrativa do núcleo regional da Casa Civil.

À frente do projeto está Cristianne Cordeiro, assessora de Relações Institucionais e de Inovação da Fundação Araucária e diretora de Inovação da Associação Brasileira da Seda (Abraseda), sediada em Londrina. Entusiasta, ela ressalta a qualidade genética que resulta num bicho híbrido, atraindo grifes como Hermés, Chanel, Valentino, entre outras pelo mundo.

Cristianne Cordeiro (à esquerda), da Quinta da Seda, e Débora de Mello Sant’Ana (Foto/NAPI Paraná Faz Ciência)

“A Quinta da Seda é um espaço de experiência, é um museu interativo que vai promover experiência e oferecer sensações. Quando eu vou às feiras e levo o animal, vejo que produz um encantamento, principalmente nas crianças”, conta Cristianne.

Para a assessora, mais que um espaço de divulgação científica, “a ideia é levar o lúdico que é a seda, para que as crianças possam viver, interagir, pegar o animal, tecer nos teares manuais e entender o universo de toda a cadeia”.

O Paraná possui cerca de 170 cidades que abrigam mais de duas mil pequenas e médias propriedades rurais dedicadas à cultura da seda. Escolhida como polo da Quinta da Seda, Londrina se propõe a oferecer uma imersão científica inédita para que a população conheça mais sobre a cadeia produtiva da seda, o bicho, manejo, exportação, tradição e protagonismo do município no setor e outros aspectos relevantes. 

Quinta da Madeira

Com sede em Guarapuava, a Quinta da Madeira começa a sair do papel a partir da articulação junto a autoridades e empresários do setor da região, como adianta Maria Aparecida Cris Knüppel, professora da Unicentro, em Guarapuava, atualmente coordenadora do NAPI Educação do Futuro e, também, diretora de Ensino Superior da Seti.

“É uma proposta bem interessante e estou atuando agora como articuladora junto à Quinta da Madeira, porque tive a oportunidade de conhecer um aspecto inicial disso em Portugal, numa missão que fiz junto com o professor Ramiro Wahrhaftig e a professora Débora. A região de Guarapuava possui uma indústria moveleira pujante e tem muito a ver com o ciclo da madeira do estado do Paraná”, diz Maria Aparecida.

Maria Aparecida Cris Knüppel (à direita) e Débora de mello Sant’Ana, na Semana Araucária 2026 (Foto/NAPI PRFC)

No processo de encontrar o local para a Quinta da Madeira, cogita-se o Jardim Botânico, denominado Parque das Araucárias, que está sob a gestão do município, localizado ao lado da Cidade dos Lagos. “O local tem todo um aspecto voltado à preservação do meio ambiente e da natureza e que a gente preenche em agregar esses espaços numa trilha formativa e, dentro dele, desenvolver uma Quinta de Ciência. Tudo seria aliado para serem transformados em espaços de lazer, exposição e de educação”, completa.

A expectativa também é ter espaços construídos com madeira engenheirada produzida na região para que as pessoas possam entender essa proposição. “Já estamos na fase de trabalho com a empresa Auckland para fazer esse desenho e, a partir dali, a gente consiga fazer com que as entidades se envolvam ainda mais nesse processo tão importante e que vai levar realmente conhecimento científico, experiência, lazer, entretenimento para a população da região e para quem passar por lá”, finaliza Maria Aparecida.

O evento irá reunir educadores e estudantes para debater cultura científica e os resultados dos laboratórios makers

A imagem apresenta um design gráfico com temática científica e tecnológica. O fundo é claro, com elementos sutis que lembram circuitos eletrônicos, formados por linhas e conexões em tons de cinza. No centro da imagem está o título em destaque, com letras grandes e em negrito: “+ CIÊNCIA NA ESCOLA”. A combinação dos elementos visuais — circuitos, cores vibrantes e tipografia forte — transmite a ideia de integração entre educação, ciência e tecnologia dentro do ambiente escolar.
O Encontro Nacional terá duração de três dias (Arte/Mais Ciência na Escola)

Quatro clubes do NAPI – Paraná Faz Ciência Maker estarão presentes no Encontro Nacional Mais Ciência na Escola 2026. A equipe, que faz parte da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, irá representar o estado, evidenciando a importância do investimento em ações que aproximam os alunos da Educação Básica de práticas investigativas e da cultura maker. O evento será realizado entre os dias 24 e 26 de março, no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), em Brasília-DF. 

De acordo com a professora Mariana Andrade, coordenadora estadual do NAPI PRFC Maker, as atividades desenvolvidas pelos clubes de ciência já são referência no país. “Em especial, a Rede de Clubes Maker desempenha um papel fundamental na consolidação de clubes em diferentes contextos, incluindo escolas indígenas, do campo, quilombolas e urbanas situadas em regiões de maior vulnerabilidade social”, destaca.

Pensando nessa representatividade, os clubes convidados para o evento pertencem ao Colégio Estadual Indígena Cacique Otavio dos Santos (clube Pỹn fīfī), na Terra Indígena Marrecas, em Turvo; C.E. do Campo Professora Margarida Franklin Gonçalves (clube Margarida Consciente), em Ibaiti; C.E. do Campo Professora Godomá Bevilacqua de Oliveira (clube Circuito Criativo), em Apucarana; e C.E. do Jardim San Rafael (clube San Rafa Makers), em Ibiporã.

Participarão os quatro professores coordenadores e oito dos estudantes clubistas. Segundo Mariana, também foi produzido um vídeo de cinco minutos, que reúne pesquisas e criações dos demais clubes makers da Rede. Trata-se de uma oportunidade para dar visibilidade ao trabalho, promover a troca de experiência com pessoas de outros estados e, claro, ter um momento de imersão cultural. 

O projeto do Paraná Faz Ciência Maker é parte do Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação – NAPI Paraná Faz Ciência, que conta com financiamento da Fundação Araucária. A iniciativa foi selecionada na Chamada Pública CNPq/MCTI/FNDCT Conecta e Capacita nº 13/2024 – Mais Ciência na Escola. O Encontro Nacional estava previsto e busca estabelecer diálogo com representantes governamentais, além de aprofundar o conhecimento sobre o papel de instituições como o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).

Feira de Cultura Científica será realizada em novembro, em Curitiba; a expectativa é quase dobrar o número de participações do ano passado

Cerca de 15 integrantes do Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação – NAPI Paraná Faz Ciência se reuniram nesta terça-feira (17), para a primeira discussão sobre a organização da II Feira de Cultura Científica (FECCI). O evento está marcado para ocorrer no início de novembro, em Curitiba.

Segundo um dos articuladores do NAPI Paraná Faz Ciência, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Rodrigo Arantes Reis, a grande proposta da Feira, em 2026, será a ampliação do número de projetos apresentados.

“Ano passado, foram 380. Em 2026, a ideia é reunir 700 trabalhos. Estamos organizando, inclusive, um programa, o “Feiras Afiliadas”, e pensando em um rodízio para os projetos Kids. Essas não são só nossas expectativas, mas dos nossos parceiros, a Fundação Araucária e a Secretaria de Educação [SEED]”, explica Reis.


O aumento da presença da pesquisa dos kids é promessa para edição da FECCI, em 2026

O programa “Feiras Afiliadas” será lançado quinta-feira, dia 19 de março, durante a primeira aula do Cursos de Formação em Feiras de Ciências, outra ação do NAPI. A iniciativa quer contribuir para a construção de uma rede estadual com a participação, inclusive, da Feira do Sesi, e, no futuro, garantir a afiliação da FECCI a feiras nacionais como a Mostratec.

O calendário da FECCI está em fase aprovação e será divulgado em breve. A previsão é que a submissão de projetos comece em maio e, em setembro, já se tenha a publicação da lista final confirmada, para que haja tempo hábil para o planejamento logístico.

A equipe do NAPI, alocada em Curitiba, vai liderar a organização da infraestrutura. O grupo de Maringá coordenará as ações do comitê científico e da logística.

“Estamos dando os primeiros passos para essa segunda edição da FECCI. Nossa expectativa é um evento de maior sucesso do que o de 2025. A partir de agora, acompanhem nossas redes sociais para saber mais detalhes da Feira”, anunciou a articuladora do NAPI Paraná Faz Ciência, a professora da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Débora Sant’ Ana.