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Projeto Quintas de Ciência ganha força

Por: Silvia Calciolari

Durante a Semana Araucária de CT&I, realizada em Curitiba, representantes se encontraram para discutir novos encaminhamentos da iniciativa

A Quinta da Seda, de Londrina, será no Jardim Botânico, com mais de 500 metros quadrados para exposições e interações com os visitantes (Foto/Arquivo Cristianne Cordeiro)

A Rede de Quintas de Ciência do Paraná, coordenada pelo Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação – NAPI Paraná Faz Ciência, teve seu momento de encontros e reuniões na Semana Araucária de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I), promovida pela Fundação Araucária, em Curitiba, no campus da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep).

Na atual fase do projeto, as Quintas de Ciência são compostas por seis unidades regionais voltadas às vocações locais: Quinta da Seda (Londrina), Quinta da Madeira (Guarapuava), Quinta das Águas (Foz do Iguaçu), Quinta da Sustentabilidade (Maringá), Quintas das Nascentes (Piraquara) e Quinta dos Mangues (Pontal do Paraná). A iniciativa tem o fomento da Fundação Araucária, vinculada à Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti).

O nome ‘Quintas’ vem da inspiração do projeto Ciência Viva, de Portugal, que é referência em Ciência Cidadã. São espaços onde a tradição rural e a inovação se combinam para criar um ambiente atrativo para os jovens conhecerem diferentes assuntos, antes de escolhas profissionais e para os empresários com visão de futuro. Neste sentido, ‘Quinta’ corresponde ao nosso sítio, chácara ou fazenda, que podem abrigar criação de animais, culturas específicas ou projetos que valorizem a ciência, a natureza e a sustentabilidade.

“Ao mesclar a curiosidade e interatividade dos centros de ciência, as instituições de ensino superior e escolas pretendem construir uma rede viva de projetos novos e ideias inspiradoras, sempre junto com pequenos e médios produtores rurais, empresários e gestores públicos”, enfatiza Débora de Mello Sant’Ana, articuladora do NAPI Paraná Faz Ciência.

Na imagem estão Débora de Mello Sant’Ana (à esquerda), Adriana Brandt, articuladora do NAPI Trinacional e Quinta das Águas, Karine e Aurélio Sant’Anna, da Aukland (Foto/NAPI PRFC)

Espaço de Experiência

A empresa responsável pela definição de cada um dos seis projetos, nesta primeira fase, será a Auckland – Arquitetura e Produção de Espaços de Experiência, de Curitiba. Com experiência na concepção de museus, memoriais e exposições, o casal Karine e Aurélio Sant’Anna se lança no desafio de criar um espaço de divulgação da ciência e vivências para cada uma das Quintas.

“Estamos há mais de seis meses conversando e amadurecendo a proposta, que nasceu a partir da nossa paixão por museus e uma conexão de ideias com os professores Débora e Rodrigo [Reis], do NAPI Paraná Faz Ciência”, relembra karine. Eles se conheceram durante o V Encontro Nacional da Associação Brasileira de Museus de Ciências (ABCMC), realizado, em agosto do ano passado, em Maringá. Em janeiro deste ano, o casal viajou para Portugal para conhecer, in loco, as Quintas da Ciência Viva e, assim, iniciar a formatação do projeto paranaense.

Karine explica que, a partir da visita, o próximo passo foi conversar com os ‘quinteiros’, como são chamados os coordenadores das seis Quintas já definidas. “Cada espaço será pensado a partir da vocação da cidade, o que nos dará uma assertividade muito grande. O potencial de dar certo é muito maior, porque não são coisas que surgiram da opinião das pessoas, mas das vocações locais e das comunidades”, enfatiza a diretora da Auckland.

O arquiteto e urbanista Aurélio Sant’Anna destaca que cada trabalho não é só questão do design da arquitetura, mas do conteúdo. “A gente gosta de imaginar e casar arquitetura e conteúdo. Na verdade, a arquitetura serve ao conteúdo, prioritariamente”, completa. Serão novas construções e outras já existentes, que serão adaptadas, sempre dentro do contexto de cada tema, visando despertar o interesse da população e criar consciência para a importância da ciência e da sustentabilidade.

Com um portfólio que contém suas ideias e digitais como o Parque da Ciência Newton Freire Maia, em Pinhais, e o Museu Planeta Água, de Curitiba, Sant’Anna diz que sua verdadeira inspiração é ver a criança de olhos brilhando na exposição. “Esse sujeitinho de um metro e dez, um metro e vinte, é que nos interessa. Claro, que nos interessa todas as pessoas, as idades, com toda a diversidade de cada família, mas a gente simboliza nessa criança a nossa fonte, nós servimos devotamente a esta criatura de olhos brilhantes”, confessa o arquiteto.

Quinta da Seda

Tudo aponta para que Londrina seja a primeira cidade a implantar a Quinta da Seda, da Rede de Quintas de Ciência. Reconhecida como polo de produção do melhor fio de seda do mundo e maior exploradora desse produto na América Latina, a cidade do Norte do Paraná poderá ser contemplada com um novo espaço físico para experiência e aprendizado centrado na seda e suas particularidades. 

Com o apoio e parceria da prefeitura municipal, o Jardim Botânico foi o local escolhido para abrigar o museu interativo, a ser implantado na ala onde funciona a base administrativa do núcleo regional da Casa Civil.

À frente do projeto está Cristianne Cordeiro, assessora de Relações Institucionais e de Inovação da Fundação Araucária e diretora de Inovação da Associação Brasileira da Seda (Abraseda), sediada em Londrina. Entusiasta, ela ressalta a qualidade genética que resulta num bicho híbrido, atraindo grifes como Hermés, Chanel, Valentino, entre outras pelo mundo.

Cristianne Cordeiro (à esquerda), da Quinta da Seda, e Débora de Mello Sant’Ana (Foto/NAPI Paraná Faz Ciência)

“A Quinta da Seda é um espaço de experiência, é um museu interativo que vai promover experiência e oferecer sensações. Quando eu vou às feiras e levo o animal, vejo que produz um encantamento, principalmente nas crianças”, conta Cristianne.

Para a assessora, mais que um espaço de divulgação científica, “a ideia é levar o lúdico que é a seda, para que as crianças possam viver, interagir, pegar o animal, tecer nos teares manuais e entender o universo de toda a cadeia”.

O Paraná possui cerca de 170 cidades que abrigam mais de duas mil pequenas e médias propriedades rurais dedicadas à cultura da seda. Escolhida como polo da Quinta da Seda, Londrina se propõe a oferecer uma imersão científica inédita para que a população conheça mais sobre a cadeia produtiva da seda, o bicho, manejo, exportação, tradição e protagonismo do município no setor e outros aspectos relevantes. 

Quinta da Madeira

Com sede em Guarapuava, a Quinta da Madeira começa a sair do papel a partir da articulação junto a autoridades e empresários do setor da região, como adianta Maria Aparecida Cris Knüppel, professora da Unicentro, em Guarapuava, atualmente coordenadora do NAPI Educação do Futuro e, também, diretora de Ensino Superior da Seti.

“É uma proposta bem interessante e estou atuando agora como articuladora junto à Quinta da Madeira, porque tive a oportunidade de conhecer um aspecto inicial disso em Portugal, numa missão que fiz junto com o professor Ramiro Wahrhaftig e a professora Débora. A região de Guarapuava possui uma indústria moveleira pujante e tem muito a ver com o ciclo da madeira do estado do Paraná”, diz Maria Aparecida.

Maria Aparecida Cris Knüppel (à direita) e Débora de mello Sant’Ana, na Semana Araucária 2026 (Foto/NAPI PRFC)

No processo de encontrar o local para a Quinta da Madeira, cogita-se o Jardim Botânico, denominado Parque das Araucárias, que está sob a gestão do município, localizado ao lado da Cidade dos Lagos. “O local tem todo um aspecto voltado à preservação do meio ambiente e da natureza e que a gente preenche em agregar esses espaços numa trilha formativa e, dentro dele, desenvolver uma Quinta de Ciência. Tudo seria aliado para serem transformados em espaços de lazer, exposição e de educação”, completa.

A expectativa também é ter espaços construídos com madeira engenheirada produzida na região para que as pessoas possam entender essa proposição. “Já estamos na fase de trabalho com a empresa Auckland para fazer esse desenho e, a partir dali, a gente consiga fazer com que as entidades se envolvam ainda mais nesse processo tão importante e que vai levar realmente conhecimento científico, experiência, lazer, entretenimento para a população da região e para quem passar por lá”, finaliza Maria Aparecida.