Ao lado de outros quatro membros com endereço no Brasil, Fernanda Avelar Santos ingressou na turma de 2024 do Explorers Club, sociedade criada nos EUA que se propõe a destacar gente que atua pelo avanço científico, exploratório e de conservação de recursos
A doutora em Geologia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e atual pesquisadora na Universidade Estadual Paulista (Unesp), Fernanda Avelar Santos, foi uma das cientistas indicadas para compor a turma de 2024 do Explorers Club, uma sociedade com sede nos Estados Unidos criada em 1904.

Pela sua descrição, o clube funciona como uma entidade multidisciplinar que se propõe a apoiar e destacar pessoas envolvidas em avanços científicos, exploratórios e de conservação de recursos no mundo todo. Os integrantes do clube precisam ser indicados por outros integrantes. No caso, Fernanda foi indicada por Joe Grabowski, biólogo, mergulhador e comunicador de ciência da turma de 2018.
Fernanda entrou no grupo dos “alquimistas”, que o clube descreve como “exploradores que abraçam a criatividade e nos inspiram a ver o mundo sob novas perspectivas; sua abordagem de exploração é uma mistura de diversas paisagens, táticas excêntricas e coragem inabalável”. No total, são cinco grupos de exploradores.
“Rochas plásticas”
Em seu doutorado no Programa de Pós-Graduação em Geologia da UFPR, concluído no ano passado, Fernanda estudou aglomerados de rochas e plástico derretido que foram encontradas na Ilha da Trindade, uma localidade pouco habitada que pertence ao Espírito Santo.
A descoberta foi noticiada na revista Ciência UFPR em janeiro de 2023. A partir do veículo de ciência da UFPR, foi repercutida na mídia de mais de 60 países.
Atualmente, Fernanda faz pós-doutorado sobre rochas de plástico e microplástico nas ilhas oceânicas brasileiras na Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT) da Unesp, em Presidente Prudente (SP).
Além de Fernanda, fazem parte da nova turma do Explorers Club outros quatro membros que moram no Brasil: Lvcas Fias, designer naturalista; Luigi Cani, paraquedista; Luiz Rocha, ictiólogo; e Ângelo Rabelo, policial ambiental aposentado que dirige o Instituto Homem Pantaneiro (IHP).
A Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), por meio da professora Marilei Casturina Mendes Sandri, em colaboração com as colegas Cássia Gonçalves Magalhães, Suellen Aparecida Alves e Célia Regina Carubelli, foi contemplada com um prêmio no valor de U$5.000,00, obtido por meio de um edital promovido pela instituição estadunidense Beyond Benign, com o apoio da Reitoria da UEPG e do Departamento de Química.
A Beyond Benign é uma organização fundada por John Warner e Amy Cannon, que desenvolve e distribui recursos educacionais ligados à Química Verde e à Ciência Sustentável, que empodera educadores, estudantes e a comunidade em geral para que a sustentabilidade torne-se possível por meio da Química. Com mais de 150 universidades filiadas ao redor do mundo, o prêmio foi destinado a apenas dez, a UEPG entre elas.
Pesquisa, ensino e extensão
A professora Marilei, uma das coordenadoras do projeto ‘Versus: Química Verde e Sustentável na UEPG’, que foi contemplado pelo prêmio, conta que este é um projeto integrado que reúne pesquisa, ensino e extensão. “Nós visamos fazer ações aqui dentro da Universidade, promover o ensino da química verde aqui dentro. Mas como tem a perspectiva da extensão, nós queremos levar isso para a comunidade e esses alunos estão fazendo justamente esse papel”.
Os oito bolsistas que integram a equipe de pesquisa vieram por meio do edital do programa “Universidade Sem Fronteiras”, e a partir da vinda desse novo recurso, poderão ter acesso a um laboratório com novas vidrarias e novos reagentes: equipamentos necessários para reduzir os resíduos produzidos nos experimentos e otimizar o trabalho dos 18 cursos que utilizam a estrutura do laboratório de Química Orgânica da UEPG.
Fernanda Ossovski Podolan da Rosa traz uma visão diferenciada para o grupo, uma vez que é acadêmica de Farmácia. Fernanda acredita que é possível disseminar as práticas sustentáveis por todos os cursos da Universidade. “A gente tem acesso a artigos e estudos em que a gente vê que a química farmacêutica é a que mais gera resíduo, mas por outro lado, também é uma das que mais trabalha para reduzir os resíduos”.
Química Verde
O conceito de Química Verde surgiu na década de 90, “como uma resposta aos problemas ambientais causados pela química convencional”, explica Marilei. “Nós sabemos que a química contribuiu e contribui muitíssimo para o avanço de vários segmentos da sociedade. Mas ao decorrer disso, ela também deixou muitos rastros de poluição”.
A professora Marilei, suas colegas de projeto e os oito estudantes imersos no laboratório de Química Orgânica acreditam na possibilidade de se fazer uma química ambientalmente mais benigna, eticamente responsável com as questões ambientais e com a saúde humana.
A equipe de professoras à frente do projeto vislumbra transformações positivas e impactantes para seus alunos, para os laboratórios e para as práticas dentro da UEPG, uma vez que a vidraria a ser adquirida – que é mais cara que as demais – irá possibilitar os trabalhos em microescala, utilizando cada vez menos reagentes e diminuindo drasticamente a geração de resíduos.
Célia Regina Carubelli, responsável pelo laboratório de resíduos químicos da UEPG, enfatiza: “na geração de resíduos, sempre a gente tenta minimizar, reusar ou reciclar. A quantidade de resíduos gerada pela Universidade é muito grande. Então, já que eliminar é praticamente impossível, minimizar já é o primeiro passo para você fazer um gerenciamento de resíduos adequado”.
Para Cássia, é essencial viabilizar a inserção da química verde dentro das práticas de ensino. “A gente tem colocado em questão o avanço das nossas pesquisas nesse quesito de reduzir quantidades, de adaptar consumo energético, o consumo de água, tudo isso contribuindo para a formação dos alunos”.
Suellen Aparecida Alves, professora do Departamento de Química, concorda com Cássia e diz que a formação dos acadêmicos que inserem uma prática sustentável em suas atividades é um ponto essencial a ser ressaltado. “O mercado hoje atua dessa maneira. Ele está vendo que a sustentabilidade, eles precisam caminhar junto com isso”.
Agenda 2030
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU lançados como meta para serem cumpridos até 2023 estão diretamente ligados à pesquisa sobre Química Verde desenvolvida pela UEPG. O Projeto Versus contempla 2 ODS: 4 – Educação de qualidade; e 12 – Consumo e produção responsáveis.
“O mundo inteiro está se esforçando para atingir isso”, comenta Matheus José Prestes, futuro bacharel, que entrou no projeto por curiosidade e hoje não consegue dissociar o pensamento sustentável do seu dia a dia. A acadêmica Beatriz Martins Torati, também do bacharelado, conta que sua visão sobre o mercado de trabalho mudou a partir do momento em que passou a ter uma experiência em um laboratório de química orgânica equipado e funcionando dentro do conceito de química verde “A gente acaba pensando lá na frente, acaba tendo mais essa noção: como que vou planejar, o que eu vou fazer com o resíduo que eu possa gerar?”.
Por outro lado, Ulisses, acadêmico de Licenciatura em Química, comenta que a vivência no Versus ofereceu a ele uma nova perspectiva sobre o ensino. “Você aprende na química convencional que é preciso chegar no ponto B, saindo do ponto A. Então o teu caminho é linear. Mas na química verde, você pensa primeiro no ponto que você quer chegar pra você definir o seu caminho. Isso é importante para você ter profissionais mais conscientes no futuro”. E completa: “eu acho que o objetivo principal é chegar num ponto em que a química esteja completamente integrada dentro dos currículo da universidade”.
Receber um recurso como esse destinado a um laboratório didático, para a professora Marilei, é um acontecimento muito significativo. “Quando a gente participa de outros editais, raramente os recursos são direcionados para os laboratórios didáticos, normalmente a verba é direcionada para os laboratórios de pesquisa”.
Multiprofissional
A possibilidade de entrar em contato com colegas de diferentes áreas amplia o conhecimento dos estudantes e reforça a necessidade de ter laboratórios equipados. Gabriely Cristiny Braga está estudando para ser bacharel, mas tem contato com atividades e colegas da Licenciatura. “O projeto ampliou também muito a minha visão relacionada ao ensino. E a professora Marilei sempre vem com projetos diferentes que fazem com que a gente enxergue a universidade de outra maneira”.
Um legado: fazer a diferença
Além de colegas de outras áreas, Versus conta com a presença de uma egressa. Juliane Pscheidt Alves ressalta que conhece o mercado de trabalho, suas exigências, e que reconhece como aqueles que passaram pelo projeto já estão fazendo a diferença lá fora. “O projeto tem transformado o Departamento; os profissionais já estão saindo diferentes, com outras visões, isso é muito importante”.
Lorena do Rocio Gebeluca, por outro lado, está apenas no seu segundo ano do bacharelado, mas já reconhece a importância do trabalho desenvolvido nos laboratórios da UEPG. “A química verde é o futuro da química. Eu acho que vou levar isso em todos os meus anos da graduação para todos os meus colegas”.
A verba concedida pelo prêmio já está em processo de liberação e possibilitará que as atividades repaginadas aconteçam ainda em 2024. As quatro professoras Marilei, Cássia, Suellen e Célia se orgulham do trabalho desenvolvido e se emocionam com os depoimentos compartilhados. “O futuro será norteado pela sustentabilidade e vocês estarão lá fazendo isso acontecer”, declara Marilei à sua equipe.
Texto e fotos: Domitila Gonzalez
Um grupo que conta com professores da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) mapeou de maneira inédita pinturas rupestres de 52 sítios arqueológicos da Escarpa Devoniana. O estudo, realizado ao longo de três anos, resultou em 277 painéis, o que totalizou no registro de 1212 figuras pintadas por povos originários que habitaram a região há centenas de anos. O trabalho também descobriu 27 novos sítios arqueológicos e 12 oficinas líticas, que são locais onde as populações fabricavam artefatos.
A descoberta foi feita pelo Grupo Universitário de Pesquisa Espeleológicas (Gupe), no âmbito do projeto PGRupestre – sítios arqueológicos da Área de Proteção Ambiental (APA), em que os pesquisadores realizaram mapeamentos de cavidades subterrâneas e levantamentos fotogramétricos de painéis com pinturas rupestres. Para registrar os vestígios arqueológicos, a equipe fez 14 mil fotografias em alta resolução. “Trata-se de um inventário de alto nível de detalhamento, nunca antes realizado nos sítios arqueológicos de Ponta Grossa. Esse trabalho é único, inclusive, para a região dos Campos Gerais”, comenta Laís Luana Massuqueto, coordenadora substituta do projeto e professora do Departamento de Geociências da UEPG.
Com o inventário, foi possível produzir um índice estatístico preciso sobre o grafismo rupestre da Escarpa Devoniana em Ponta Grossa. “Com esse produto, é possível identificar quais os tipos de grafismos existentes em cada um dos 277 painéis distribuídos, nos 52 sítios arqueológicos inventariados”, explica Laís. Os resultados servirão de base para o desenvolvimento de pesquisas mais detalhadas. “Caso algum pesquisador ou pesquisadora for trabalhar, por exemplo, apenas com algum tipo de representação rupestre, terá uma referência que orientará com precisão quais sítios arqueológicos deverá investigar”, complementa a professora.
Resultados
Os estudos realizados pelos pesquisadores do projeto PGRupestre mostraram que os tipos de figuras mais representadas são as incompletas ou manchas (44,88%). Segundo Laís, “isso evidencia uma realidade comum nos sítios da região: a degradação natural das rochas por conta das condições climáticas e da ação de organismos vivos, como plantas, musgos e liquens, que destroem a superfície rochosa”. As figuras do tipo geométricas ocupam a segunda posição, com 30,69% das representações; pinturas de animais (zoomórficas) vêm em seguida, que constituem 21,86% do total – os cervídeos são os mais presentes, seguidos dos aviformes. O restante (2,57%) inclui representações fitomórficas (plantas), antropomórficas (figuras humanas) e marcas de mãos (produzidas com o método de carimbo).
“Conhecer e inventariar esses achados é de fundamental importância para garantir a proteção desse patrimônio cultural, pois não se preserva aquilo que não se conhece”, salienta a docente. Os resultados obtidos com o projeto PGRupestre permitiram conhecer um pouco mais sobre a história dos povos indígenas que habitaram a região, segundo ela. “É um marco para a ciência regional. Conhecer esse passado é preservar a nossa história mais primitiva, as raízes da ocupação humana em Ponta Grossa e região, a história dos primeiros povos que por aqui caminharam, viveram e se desenvolveram”, finaliza.
O relatório final e a publicação de materiais científicos com os resultados serão divulgados em breve. O inventário será disponibilizado para órgãos públicos de gestão e fiscalização do patrimônio arqueológico, como a Secretaria Municipal de Cultural de Ponta Grossa, a Coordenação do Patrimônio Cultural (CPC) da Secretaria de Cultura do Estado do Paraná e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O projeto PGRupestre contou com o incentivo do Programa Municipal de Incentivo Fiscal à Cultura da Prefeitura de Ponta Grossa, Secretaria Municipal de Cultura e Conselho Municipal de Política Cultural, além do incentivo financeiro das empresas AP Winner e Águia Florestal.
Projeto arquitetônico é voltado para escola de educação básica e cultivo de hortaliças
A equipe da UTFPR ganhou a 2ª colocação no Concurso Brasileiro de Construção em Aço (CBCA) 2023. Nesta edição, a temática foi Educação de Qualidade, com um total de 57 concorrentes. O pódio foi dividido com a Universidade de São Paulo, na 1ª posição, e a Universidade Paulista, na 3ª.
O desafio foi criar um projeto arquitetônico com um sistema construtivo que tem o aço como componente principal até o limite possível.
Os estudantes do curso de Arquitetura e Urbanismo Gustavo Azzolini, Juliana Tojal, Thiago Biazus e Tiago Galdeano, sob a orientação das docentes Thais Saboia Martins e Karina Pimentel, decidiram elaborar uma proposta aliada ao ensino básico, capaz de prover alimentação de qualidade e promover a educação ambiental.
Eles se basearam em indicadores socioeconômicos para escolher um terreno em que a implementação poderia ser feita na realidade, em uma zona limítrofe entre as áreas urbana e a campestre de Piraquara. “A equipe optou por propor uma ‘Escola rural’ nesta cidade, com foco na educação básica e no cultivo de hortaliças, utilizando o meio ambiente como método lúdico e pedagógico”, relata Saboia.
Para os participantes, a localização selecionada busca facilitar o acesso entre casa-instituição e ainda representar um marco simbólico de transição e preservação da área rural e dos mananciais da localidade.
Os trabalhos iniciaram com estudos dos sistemas construtivos baseados em aço para entender como gerar ricas espacialidades dos ambientes, por meio da estrutura. Aos poucos, os integrantes foram aguçando a curiosidade e a criatividade de modo conjunto. “As professoras não se contentaram com uma breve resposta para nossas indagações, questionando precisamente sobre o que foi apresentado; e entregando os meios e as ferramentas para que encontrássemos as soluções corretas para cada caso”, afirma Azzolini.
Depois desta etapa, houve o desenvolvimento de vários desenhos e maquetes para verificar as melhores formas de implantação. Na ata de anúncio dos vencedores, os jurados ressaltaram que o projeto se destacou pela singeleza. “Ficamos bastante felizes com esta observação, pois a busca projetual foi direcionada neste sentido, pela simplicidade da estrutura em aço e do programa elaborado, com um grande respeito pela paisagem natural existente”, conclui Martins.
Em paralelo com a realização das disciplinas obrigatórias da Universidade, todo o esforço levou cerca de cinco meses até chegar à composição do material técnico e gráfico para a defesa do projeto vencedor. Como premiação, os alunos vão receber manuais técnicos, livros e revistas da área, além de vagas em cursos a distância do CBCA.
Cerca de 60 pesquisadores e estudantes participaram, nesta semana, na Fundação Araucária e remotamente, de um workshop do Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (Napi) Fenômenos Extremos do Universo. Durante o evento, foram apresentados alguns resultados alcançados nos primeiros dois anos de atividade da rede de cientistas.
Na primeira fase de trabalho, o Governo do Estado, por meio da Fundação Araucária e da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), investiu R$ 1 milhão em apoio aos pesquisadores. Grande parte deste recurso (R$ 803 mil) está sendo utilizado na construção da estrutura de suporte de um telescópio do Cherenkov Telescope Array (CTA).
“Nós tentamos envolver o maior número de pesquisadores da área de astronomia neste novo arranjo por meio de workshops, o que animou muito e contribuiu para a integração destes pesquisadores. Além disso, focamos na prioridade desta etapa que era a construção da estrutura do telescópio, que está em andamento”, explica a pesquisadora da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e articuladora do Napi, Rita de Cássia dos Anjos.
Além da busca pela inovação e desenvolvimento de instrumentos voltados à pesquisa astronômica e espacial, o Napi tem trabalhado nas áreas de astrofísica, cosmologia e gravitação. Também tem avançado no fortalecimento da internacionalização das instituições paranaenses na área de astronomia.
O coordenador de um dos projetos desenvolvidos no Napi, o pesquisador e diretor do Observatório Astronômico da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Marcelo Emilio, tem atuado com estudiosos da Fundação Planets, que reúne pesquisadores de vários países interessados em descobrir vida em outros planetas. Atualmente, a instituição está construindo um outro telescópio com a capacidade de explorar atmosferas de exoplanetas próximos, no Havaí (Estados Unidos).
“Quando este telescópio ficar pronto será o maior fora do eixo para observação noturna, servindo de base tecnológica para construirmos telescópios ainda maiores. O grande diferencial desta tecnologia é que ele pode ser construído com menos material e muito mais barato”, afirmou.
O professor também anunciou que já há aprovação para o curso de graduação em Astronomia na universidade, que será o terceiro no País – ele é ofertado apenas em São Paulo e no Rio de Janeiro.
Segundo o professor do Departamento de Física, da Universidade Federal do Espírito Santo, e pesquisador do Napi, Jaziel Goulart Coelho, esses telescópios e o desenvolvimento de observatórios devem fomentar a indústria nacional e permitir a liderança paranaense em descobertas científicas e na geração de inovação e instrumentação científica.
“Os cientistas paranaenses e estudantes terão acesso aos primeiros dados quando o telescópio estiver em pleno funcionamento. Também teremos a oportunidade de desenvolver junto à indústria paranaense tecnologia de ponta com descobertas que vão ser de grande impacto dentro da astronomia e da astrofísica”, ressaltou.
O Napi também tem atuado na divulgação científica por meio do incentivo à participação de meninas nos projetos de astrofísica e astronomia nas escolas, e realizado parcerias com escolas e secretarias por meio de cursos/oficinas para professores e alunos, além da elaboração de materiais para deficientes visuais e baixa visão voltados para o ensino de astronomia.
Além da UFPR, UTFPR e UEPG, integram o Napi Fenômenos Extremos do Universo pesquisadores da Universidade Estadual de Londrina (UEL), do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Santa Catarina (IFSC) e da empresa BrasilSat. Na segunda fase dos estudos, que deve seguir até 2028, serão priorizados os projetos de física aplicada, que têm grande impacto na sociedade.
NAPIS – Atualmente, já são mais de 50 Novos Arranjo de Pesquisa e Inovação implantados ou em construção no Paraná. A Fundação Araucária tem realizado uma série de workshops temáticos em que os pesquisadores membros do Napis podem apresentar os principais resultados alcançados dentro da fase de trabalho em que se encontram e projetar ações futuras.
A Universidade Federal do Paraná (UFPR) apresentou os resultados de um estudo ambiental realizado na bacia do Rio Jacareí. A apresentação ocorreu no dia 2 de agosto, na Sede Histórica do Museu de Arqueologia e Etnologia da UFPR, em Paranaguá. O evento contou com a presença dos pesquisadores da UFPR, equipes das prefeituras de Paranaguá e Morretes, representantes portuários, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e outros atores locais.

Realizado pelo Laboratório de Geoprocessamento e Estudos Ambientais (LAGEAMB-UFPR), o projeto buscou entender quais fatores influenciam o aporte de sedimentos da bacia do Rio Jacareí para o Complexo Estuarino de Paranaguá (CEP), no litoral paranaense. O levantamento pode contribuir para a proposição de soluções para reduzir a produção de sedimentos, além disso, os dados primários podem contribuir para mitigação e monitoramento de alagamentos e deslizamentos na região.
O monitoramento, encomendado pela Secretaria de Meio Ambiente de Paranaguá, envolveu equipe multidisciplinar e foi financiada pelo Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP). A execução do projeto, intitulado como “Análises hidrossedimentológicas e econométricas na bacia do Rio Jacareí”, começou em 2019, e também contou com o suporte da Envex Engenharia e Consultoria. Em média, oito visitas de campo foram realizadas pela equipe, que envolveu profissionais da geografia, engenharia ambiental e economia. Devido à complexidade do estudo, foi necessária uma divisão em três etapas.
A primeira foi finalizada em abril de 2021 e envolveu o diagnóstico físico e socioeconômico da bacia hidrográfica, com coleta de materiais, levantamento das áreas prioritárias à recuperação e conservação ambiental e estimativa inicial da produção de sedimentos com uso de álgebra de mapas. Na segunda etapa que durou até abril de 2022, os pesquisadores atuaram na modelagem hidrossedimentológica com apoio do modelo matemático Soil and Water Assessment Tool (SWAT) – nessa fase do estudo, foram analisadas as dinâmicas espaço-temporais da água e dos sedimentos.
A terceira e última etapa do estudo terminou em junho de 2023. Além de dar continuidade ao monitoramento da região, uma análise econométrica foi realizada para estimar a valoração dos serviços ecossistêmicos a partir da restauração florestal da bacia do Rio Jacareí. Segundo o estudo, caso existissem mais florestas maduras na bacia do rio Jacareí, os gastos com a remoção de sedimentos assoreados no Rio Jacareí seriam reduzidos em cerca de R$ 500 mil em 40 anos. Isso porque a cobertura vegetal do solo é uma excelente maneira de garantir a retenção de sedimentos e, consequentemente, evitar a perda de solo.
Com o monitoramento do local, os pesquisadores puderam organizar uma base de dados inédita, como os dados de precipitação, nível da água e vazão, bem como identificaram a influência do efeito orográfico no processo de precipitação, que ainda não tinham sido registrados em pesquisas na região. Por fim, os pesquisadores fizeram algumas recomendações, tais como: a restauração das áreas de preservação permanentes (APPs) da bacia, pois os sedimentos da bacia são muito instáveis; projeto piloto de adequação do uso da terra com a implementação de sistemas agroflorestais (SAFs); o potencial hidrológico da bacia do Rio Jacareí para o abastecimento de água para os municípios de Morretes e Paranaguá no futuro, uma vez que a bacia se encontra em área de mananciais no âmbito do Plano de Desenvolvimento Sustentável (PDS) e Plano de Bacias do Litoral.
Com informações do Lageamb/ UFPR
Rita de Cássia dos Anjos, professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR) no Setor Palotina, foi anunciada, nesta quinta-feira (6), como a vencedora da primeira edição do Prêmio Anselmo Salles Paschoa, criado pela Sociedade Brasileira de Física (SBF) para homenagear pesquisadores negros da área de Física, em início de carreira, cujo trabalho de pesquisa tenha contribuído de forma significativa para o avanço da Física ou do ensino da disciplina no Brasil. O prêmio será celebrado em reunião on-line da Assembleia Geral Ordinária da SBF, a ser realizada no dia 19 de julho, às 9 horas.
Com graduação em Física Biológica, mestrado e doutorado em Física e pós-doutorado em Astrofísica na Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics, Rita de Cássia é uma astrofísica especialista em raios cósmicos e raios gama. Ela tem atuação marcante em projetos internacionais como o do Observatório Pierre Auger, na Argentina, e o Cherenkov Telescope Array (CTA), telescópios que estão sendo construídos no Chile e nas Ilhas Canárias, na Espanha, que estudarão os raios gama que chegam até a Terra para analisar eventos extremos do universo. Além de ser uma importante cientista mulher, Rita é uma cientista negra que ganhou destaque na ciência apesar do racismo estrutural no Brasil.

Em sua carta ao comitê avaliador do prêmio, a professora destaca que suas contribuições científicas revelam seu empenho desde a graduação. “Sinto-me uma negra especial diante de todas as oportunidades que tive na minha carreira científica. Que mais negros e negras sejam reconhecidos em nosso país e as assimetrias e desigualdades possam diminuir. Com meu trabalho como docente, pesquisadora e orientadora, espero tornar o futuro de nossos pequenos negros e negras um pouco mais esperançoso e mais leve”.
Ela afirma que o prêmio mostra a importância da diversidade racial na ciência brasileira. “Ainda somos poucos em muitos espaços e as iniciativas à diversidade emergem como possibilidade de muitos negros e negras desenvolverem-se no Brasil. Para mim, foi uma grande alegria e conquista ter ganhado o prêmio nesta primeira edição. Hoje tenho a possibilidade de fazer pesquisa em centros de excelência e espero que em um futuro próximo esta realidade seja de muitos jovens negros”.
Em 2020, a pesquisadora venceu o prêmio Programa para Mulheres na Ciência, promovido pela L’Oréal Brasil, Unesco Brasil e Academia Brasileira de Ciências e, em 2021, tornou-se membro afiliado da Academia Brasileira de Ciências. A grande inspiração de Rita foi a mãe, Antonia, que fez questão de insistir na importância de descobrir como o mundo funciona. Leia mais sobre a trajetória da astrofísica aqui.
Prêmio Anselmo Salles Paschoa
O prêmio é uma homenagem ao professor a Anselmo Salles Paschoa, que se graduou em Física pela antiga Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com Mestrado em Radiological Health e PhD em Nuclear Sciences and Engineering pela New York University.
Ele atuou como professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, foi professor visitante da University of Utah e cientista convidado no Brookhaven National Laboratory, na década 80. Paschoa ainda foi diretor de Radioproteção, Segurança Nuclear e Salvaguardas da Comissão Nacional de Energia Nuclear. Foi governador alternativo do Brasil na Junta de Governadores da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), vice-presidente da International Radiation Physics Society e diretor da Natural Radiation Environment Association.
O cientista publicou dezenas de artigos, livros e capítulos de livros. Orientou teses de doutorado e dissertações de mestrado. Faleceu em 2011, após uma crise cardíaca durante uma reunião da Comissão de Acompanhamento do Programa Nuclear Brasileiro, na sede da SBF.
O Governo do Estado prorrogou até 30 de junho o prazo para apresentação de propostas de empresas, cooperativas, startups, municípios e outras organizações que buscam financiamento para projetos de pesquisa e desenvolvimento (P&D). A chamada pública envolve recursos da ordem de R$ 20 milhões não reembolsáveis do Fundo Paraná, dotação gerenciada pela Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) para o fomento científico e tecnológico paranaense.
A iniciativa tem amparo no Programa de Estímulo às Ações de Integração Universidade, Empresa, Governo e Sociedade, denominado Agência de Desenvolvimento Regional Sustentável e de Inovação (Ageuni). Serão apoiados projetos em cinco áreas: agricultura e agronegócios; biotecnologia e saúde; energias renováveis; cidades inteligentes; e economia, educação e sociedade. As propostas devem ser fundamentadas na transformação digital e no desenvolvimento sustentável.
Do montante anunciado, R$ 6 milhões serão destinados para microempresas e empreendedores individuais; R$ 4 milhões para empresas de pequeno e médio porte, e R$ 5 milhões para grandes empresas. Outros R$ 5 milhões serão aplicados em projetos apresentados por municípios, cooperativas e outras organizações com e sem finalidade lucrativa. Cada projeto pode ter o valor máximo de até 10% do total previsto para a respectiva categoria.
Segundo o coordenador de Ciência e Tecnologia da Seti, Marcos Aurélio Pelegrina, o intuito é incentivar o desenvolvimento socioeconômico, agregar tecnologia aos processos de produção de bens e serviços e aumentar a competitividade empresarial paranaense.
“No Estado do Paraná, entendemos que o investimento em ciência e tecnologia é uma estratégia competitiva que pode diferenciar as nossas empresas nos mercados local, regional e até nacional, permitindo que esses agentes produtivos cresçam e se desenvolvam em um ambiente cada vez mais inovador”, diz Pelegrina. “Nós acreditamos que a tecnologia pode e deve ser usada como uma ferramenta para atender as necessidades e as demandas dos cidadãos e dos consumidores em geral”, destaca.
CRITÉRIOS – Entre os critérios para receber o apoio financeiro do Estado, os proponentes devem ter registro no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) no Paraná e articular as propostas com as unidades da Ageuni nas universidades estaduais. A duração dos projetos será de dois anos, com possibilidade de prorrogação por mais seis meses. Os projetos de P&D serão financiados por meio de acordos de parceria e cooperação estabelecidos com as instituições estaduais de ensino superior.
Confira os câmpus acadêmicos onde estão localizadas as unidades da Ageuni:
Universidade Estadual de Londrina (UEL)
Londrina – ageuniaintec@uel.br
Universidade Estadual de Maringá (UEM)
Maringá – ageuni@uem.br
Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG)
Ponta Grossa – ageuni.agipi@uepg.br
Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste)
Cascavel – ageuni@unioeste.br
Francisco Beltrão – ageuni@unioeste.br
Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro)
Guarapuava – ageuni.novatec@unicentro.br
Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP)
Jacarezinho – ageuni@uenp.edu.br
Universidade Estadual do Paraná (Unespar)
Campo Mourão – ageuni2campomourao@unespar.edu.br
Paranaguá – ageuni1paranagua@unespar.edu.br
O Museu de Ciências Naturais da Universidade Estadual de Ponta Grossa (MCN-UEPG) inaugurou a exposição permanente Jardim Geológico do Paraná-Coleção Bigarella, na última quinta-feira (18), às 14h. O evento ocorreu na área externa ao museu, no Centro de Convivência do Campus Uvaranas e integrou as atividades da 21ª Semana Nacional de Museus.
A exposição é um espaço interativo ao ar livre, onde os visitantes podem caminhar e conhecer as diferentes formações rochosas encontradas no Paraná. Outras duas exposições temporárias foram inauguradas no mesmo dia, na área interna do Museu.
O Jardim tem a forma do mapa do Paraná, forrado em pedrisco, com exemplares de rochas, dispostas sobre a região do estado em que foram coletadas, com placas explicativas sobre elas. As peças que compõem a mostra foram cedidas ao acervo do MCN pela Fundação João José Bigarella (Funabi), que repassou ao MCN mais de quinhentas amostras de rochas, fósseis e cristais coletados pelo geólogo paranaense que dá nome à Fundação. Além das rochas que compõem o Jardim Geológico do Paraná- oleção Bigarella, as demais peças, incorporadas ao acervo do Museu, serão utilizadas em futuras exposições e para consulta em pesquisas científicas.
O diretor do MCN, professor Antonio Liccardo, explica que o objetivo da exposição é dar visibilidade à diversidade geológica do Paraná e ao trabalho do professor Bigarella (1923-2016), referência nos estudos geológicos, além de oferecer uma opção de lazer no espaço em que está instalada. “A exposição encontra-se num local de passagem, onde pode ser visitada e apreciada pela comunidade universitária e visitantes até em dias que o museu está fechado. Estamos oferecendo à comunidade que utiliza o campus um espaço que une lazer e divulgação científica”. O diretor explica que o Jardim também integra o projeto Campus Parque, que tem o objetivo de atrair a comunidade a utilizar o Campus Uvaranas como espaço de lazer, por meio de espaços, como a exposição, e ações culturais.
A instalação do Jardim Geológico do Paraná-Coleção Bigarella foi feita por alunos do Departamento de Geociências (Degeo) da UEPG, sob orientação do diretor do Museu, e contou com apoio de servidores da Pró-reitoria de Planejamento (Proplan). Licardo avalia que, para a formação dos alunos, a experiência de montar o Jardim foi enriquecedora. “Foi um momento de pôr em prática o que viram em sala de aula. Todos nós pudemos conhecer mais sobre o Paraná durante a montagem”, comenta. O Jardim Geológico ficará aberto todos os dias para visitação, com entrada gratuita.
Texto: Gabriel Miguel | Fotos: Jéssica Natal
Dois temas bem curiosos: fungos e matemática. Eles são o foco do Conexão Ciência – C², desta semana. O projeto é uma das iniciativas do NAPI de Educação para a Ciência e Divulgação Científica, financiado pela Fundação Araucária. O objetivo é criar a Rede Paranaense de Popularização da Ciência, a Repopar, com o apoio da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti).
“Reino Fungi, o nosso malvado favorito” e “Matemática? Não, curiosidade, estratégia e diversão”, que foram publicadas dia 13 de abril, são os títulos das reportagens do C², uma iniciativa dos Novos Arranjos de Pesquisa e Inovação (NAPI) e financiada pela Fundação Araucária. O projeto tem como objetivo a criação da Rede Paranaense de Divulgação Científica e agrupando as Instituições Estaduais de Ensino Superior (IEES).

A série “The Last of Us” lançada no começo do ano de 2023, trouxe o enredo sobre fungos. O Cordyceps sofre uma mutação e passa a contaminar os seres humanos. Baseado neste roteiro, os telespectadores começaram a ter dúvidas se os fungos existiam ou se era possível a contaminação humana. Com o objetivo de desmistificar o tema, professores pesquisadores responderam essas e mais perguntas na reportagem sobre o Reino Fungi.
Saindo do ramo de biológicas e indo para de exatas, uma reportagem fala de propostas que podem resolver a forma cansativa de aprender matemática transformando em divertida, por meio de jogos e materiais manipulativos. Alguns destes laboratórios é o Matemativa – Exposição Interativa de Matemática, que contém um espaço físico no Museu Dinâmico Interdisciplinar (MUDI) no campus sede da UEM e divulga exposições em eventos culturais e científicos de Maringá e região. O MUDI fica aberto de terça a sexta e domingo, de 8h às 11h e 14h às 17h.
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