
Colégio de Guarapuava venceu com projetos sobre abelhas nativas; ao todo, 26 trabalhos da Rede de Clubes vinculada à Unicentro foram aprovados no evento
O Colégio Estadual Cristo Rei, de Guarapuava, conquistou o primeiro e o segundo lugares na estreia da categoria Clubes de Ciências na Jornada Educatech, ocorrida nos dias 2 e 3 de setembro no Centro de Eventos Cidade dos Lagos, dentro da programação do Cilla Tech & Innovation Summit 2026. Ao todo, 26 projetos da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, vinculados à Unicentro, foram aprovados para participar do evento, com trabalhos de escolas de Guarapuava, Prudentópolis, Candói, Palmital e Turvo.
Os dois projetos vencedores são do clube Velozes e Curiosos, do Cristo Rei, orientado pela professora Crissiane Loyse Luiz. Em primeiro lugar, ficou o trabalho “Desenvolvimento de um sistema híbrido de proteção térmica de baixo custo para abelhas-sem-ferrão em meliponário escolar de região com inverno rigoroso”. Em segundo, “Mapeando recursos florais urbanos para abelhas ativas: uma estratégia de ciência cidadã frente à emergência climática”. As duas pesquisas foram desenvolvidas por alunos do 6º e do 7º ano.

A avaliação somou até 200 pontos: 100 atribuídos a distância, antes do evento, e outros 100 distribuídos por critérios aplicados no dia da apresentação. Conforme a organização, várias equipes ultrapassaram os 170 pontos, e ao menos um projeto passou dos 190.
Categoria nova, proposta pela própria rede
A inclusão dos Clubes de Ciências como categoria própria na VI Jornada Educatech partiu de um pedido da Rede de Clubes à organização do evento. Quem representou a rede na coordenação da Jornada foi o professor Adriano Machado, também coordenador dos clubes na Unicentro.
“Fizemos uma proposta de incluirmos uma categoria nova nessa edição, que são os clubes de ciências. Temos um trabalho bastante significativo em toda a região e no estado, e agora temos um espaço específico para receber esses projetos”, afirmou Machado durante a cerimônia de premiação.

O projeto vencedor: aquecer colmeias no inverno de Guarapuava
O primeiro lugar respondeu a um problema concreto enfrentado pelo clube: manter vivas as abelhas nativas durante o inverno de Guarapuava. De acordo com a professora Crissiane, em 2025, o grupo perdeu toda a criação de abelhas-sem-ferrão por causa do frio. Neste ano, os alunos desenvolveram um sistema de aquecimento com placas de cimento e resistores instalados sob as colmeias, além de complementar a alimentação das abelhas com bombons proteicos de pólen e um xarope de água, açúcar mascavo e limão.

“Teve dias agora no inverno em que a sensação térmica foi de menos 2 graus. E elas não morreram até agora”, contou a professora.
O sistema faz parte de uma iniciativa maior do clube: recriar, dentro da escola, uma rede de interação ecológica da Mata Atlântica, bioma que a professora descreve como um dos mais ricos em biodiversidade do planeta e também um dos mais degradados pela expansão urbana. Os alunos já plantaram araçás, pitangas, ipês-amarelos, erva-mate e timbaúvas, entre outras espécies nativas, e mantêm dez caixas de abelhas-sem-ferrão — jataí, mandaçaia, mirim e outras variedades.
A aluna Beatriz, de 13 anos, integra o projeto e ajudou a montar a rede dentro da escola. “A gente está criando a rede porque a rede da natureza está sendo muito prejudicada pelas nossas ações”, disse. Para ela, participar do clube tem um efeito direto na própria formação. “A gente aprende mais coisas dentro do clube, coisas que eu não sabia, como as abelhas se reproduzem e a importância delas no meio ambiente.”
O segundo lugar: perguntando de porta em porta o que plantar para as abelhas
O projeto que ficou em segundo lugar nasceu de uma constatação dos próprios alunos: as abelhas nativas, agora inseridas em ambiente urbano, enfrentam escassez de alimento. Para mapear soluções, o grupo saiu a campo no bairro da escola, entrevistou moradores e levantou quais espécies de plantas existiam nos quintais e quais delas seriam benéficas às abelhas — usando os dados para incentivar novos plantios na vizinhança.
Segundo a professora Crissiane, o resultado é tratado como coletivo. “Os alunos ficaram muito felizes pelo reconhecimento, mas o prêmio pertence à escola: é um trabalho em que a direção e os funcionários também estão envolvidos”, afirmou.

O terceiro lugar da categoria coube ao Colégio Cívico-Militar Edite Cordeiro Marques, escola que não integra a Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, na Unicentro, mas também disputou a nova categoria da Jornada Educatech.
Escolas e municípios com projetos aprovados
Os 26 projetos aprovados na Jornada Educatech têm origem em nove colégios de cinco municípios do Centro-Sul do Paraná:
- Guarapuava: Colégio Estadual Professor Pedro Carli – EFM e ETI, Colégio Estadual Francisco Carneiro Martins, Colégio Estadual Professor Amarílio, Colégio Estadual Cristo Rei e Colégio Estadual Cívico-Militar Vereador Heitor Rocha Kramer
- Prudentópolis: Colégio Estadual do Campo Bispo Dom José Martenetz
- Candói: Colégio Estadual do Campo de Paz
- Palmital: Colégio Estadual Dr. João Ferreira Neves – EFMNP
- Turvo: Colégio Cacique Otávio dos Santos
Os temas variam de agrotóxicos e sistema nervoso de abelhas a saneamento em Palmital, passando por cosméticos artesanais, monitoramento climático com Arduino e o registro de saberes da tradição oral Kaingang.
A Rede de Clubes Paraná Faz Ciência atua hoje em 17 municípios do Centro-Sul do Paraná, distribuídos entre os Núcleos Regionais de Guarapuava, Pitanga, Irati e Nova Laranjeiras, com 30 clubes e mais de 600 crianças e adolescentes envolvidos em pesquisas de ciências da natureza, humanas, tecnologia e robótica.

